Fórum permanente pretende influir na formação de engenheiros

Instituto de Engenharia de São Paulo prepara núcleo de discussões, a fim de ajudar no aprimoramento dos profissionais e adequá-los à nova realidade do mercado.

Instituto de Engenharia de São Paulo prepara núcleo de discussões, a fim de ajudar no aprimoramento dos profissionais e adequá-los à nova realidade do mercado

Por: Altair Santos

O Instituto de Engenharia de São Paulo (IE) prepara a fundação do núcleo de discussão dos negócios de engenharia. A ser lançado em agosto, o objetivo central será debater, entre outros assuntos, o preparo técnico e gerencial de profissionais e estudantes de engenharia, em especial os da civil, e os planos de investimentos governamentais para a melhoria da infraestrutura nacional. “Também serão envolvidos no fórum a organização da atividade econômica da engenharia, a legislação pertinente e os órgãos que regulam e fiscalizam os profissionais”, explica o presidente do IE, Aluizio de Barros Fagundes.

Aluizio de Barros Fagundes, presidente do Instituto de Engenharia: núcleo de discussão do IE será aberto em agosto e terá caráter permanente.

O espectro a ser envolvido nos debates é amplo. Através de associações classistas, serão convidados o empresariado da engenharia em geral, as escolas de engenharia, a advocacia administrativa, os tribunais de contas, o ministério público e grupos de influência nos planos de desenvolvimento econômico. “A intenção é disseminar a organização das atividades de engenharia para o correto entendimento de sua comercialização e aplicação. A engenharia é um ramo de negócios e não uma simples profissão de commodities”, resume o presidente do Instituto de Engenharia.

O núcleo de discussão dos negócios de engenharia, que será instalado pelo Instituto de Engenharia de São Paulo, terá caráter permanente e funcionará lastreado por um curso livre de gestão da engenharia, destinado à formação de executivos do setor. “Uma das metas é eliminar aquilo que chamo de paradigma da desconfiança, mediante o estabelecimento de um sólido código de ética empresarial, profissional, ambiental e legal, propiciando real fluidez na implantação de empreendimentos, hoje muito prejudicada por discussões mal fundamentadas”, afirma Aluizio de Barros Fagundes, realçando que o núcleo de discussão também quer influir na formação de engenheiros.

No entender do presidente do Instituto de Engenharia, há sérias deficiências na formação básica dos estudantes. “Eles chegam a todas as faculdades, não só as de engenharia, com baixo grau de alfabetização e sem as noções fundamentais de matemática e demais ciências exatas. Em escolas de engenharia exigentes ocorre então a evasão maciça dos alunos. Naquelas mais lenientes, acontece a formatura de pessoas incapazes de exercer a profissão”, preocupa-se Aluizio de Barros Fagundes, dizendo que entre 1980 e 2005 o Brasil jogou fora um imenso capital do conhecimento setorial.

Daí decorre, de acordo com o presidente do IE, esse déficit na disponibilidade de engenheiros no mercado. “Porém, mais grave que esse problema é a queda na qualificação dos egressos das faculdades. Não nos iludamos. O que incentivou e manteve a inquestionável excelência da engenharia brasileira foram as grandes companhias governamentais. Com o fechamento ou drástica redução dessas companhias, perderam-se e dispersaram-se os profissionais que um dia o país logrou a ter. Há que se pensar nesse grotesco erro estratégico”, alerta.

A fundação do núcleo de discussão dos negócios de engenharia é uma das prioridades na nova gestão de Aluizio de Barros Fagundes, que em março de 2011 reelegeu-se na presidência do IE. O que suscitou a ideia foi um artigo escrito por ele em fevereiro de 2011, intitulado Nova Engenharia para um novo século. Em um dos trechos estão os fundamentos do núcleo que será aberto em agosto. “Do mesmo modo que, nas décadas de 60, 70 e metade da de 80, a engenharia se mobilizou, encorpou e brilhou… Repentinamente apagaram-se as luzes, fecharam-se as portas e todos fomos atônitos para casa… Com o novo surto de progresso experimentado em 2010, teremos tudo de novo por fazer e tudo por fazer de novo. Precisamos, no entanto, estar conscientes que dessa vez não podemos abusar da improvisação e da criatividade, sob pena de apenas incharmos a força de trabalho”, escreveu.

Leia a íntegra do artigo Nova Engenharia para um novo século
Site de Lígia Fascioni.

Entrevistado
Aluizio de Barros Fagundes, presidente do Instituto de Engenharia
Currículo

– Engenheiro Civil formado pela USP-São Carlos.
– Mestre em Engenharia pela Politécnica da USP e mediador e árbitro do Instituto de Engenharia.
– Desde 1996 atua como Consultor Independente para desenvolvimento de negócios e concepções técnicas em empreendimentos de Concessões de Serviços Públicos de Água e Esgotos.
– Foi professor universitário na Cadeira de Construção Pesada, na Escola Politécnica da USP, no Instituto Mauá de Tecnologia e na Escola de Engenharia da UNIP.
– Autor de meia centena de publicações técnicas no magistério, revistas especializadas e anais de eventos acadêmicos e profissionais.
– Profissionalmente dedicado ao ramo de Engenharia Consultiva para obras pesadas e de infraestrutura socioeconômica, tendo coordenado, dirigido e participado de cerca de duzentos empreendimentos, com destaque para as Estações Sé e República do Metrô de São Paulo, Usinas Hidrelétricas Três Irmãos e Água Vermelha da CESP, entre outros.
Contatopresidência@iengenharia.org.br / fernanda@iengenharia.org.br (assessoria de imprensa)

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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