MCMV comprova potencial dos painéis portantes
Entre 2010 e 2011, no auge de contratações do programa habitacional, sistema construtivo chegou a produzir até 42 unidades por dia
Por: Altair Santos
Entre 2010 e 2011, a tecnologia de painéis portantes ganhou impulso significativo com o programa Minha Casa, Minha Vida. Nesses dois anos, no auge da produção, chegaram a ser construídos até 42 apartamentos por dia, em todo o país, utilizando o sistema que, como o nome diz, permite viabilizar obras através de estruturas de concreto armado. O que o tornou atraente foram a redução de tempo e de mão de obra para construir empreendimentos. "Se bem planejado e executado, se a arquitetura for adequada, se a empresa estiver comprometida, e tiver o sistema em seu DNA, com certeza a tecnologia reduz custo, tempo e mão de obra", avalia o engenheiro Augusto Guimarães Pedreira de Freitas, impulsionador da tecnologia em construções com painéis portantes.

No Brasil desde 1978, o sistema foi importado da Alemanha, onde no pós-guerra ajudou a reconstruir o país europeu. O modelo também está popularizado na Rússia, Espanha, Cuba, França, Índia, Colômbia e Venezuela. Na construção civil brasileira, no entanto, não é considerado uma tecnologia convencional. Por isso, quem se propõe a empreendê-la necessita da Datec/Sinat. Atualmente, no país, apenas duas construtoras têm aprovação para utilizá-la. "A questão toda é a via sacra a ser cumprida no ritual de aprovação pelo Datec/Sinat: apresentação de material, contratação, ensaios, análise, inspeções. Tudo é muito demorado, mesmo sabendo-se o resultado que vai dar. Afinal, é tudo parede de concreto", revela Augusto Guimarães Pedreira de Freitas.
O sistema exige alto investimento inicial em fôrmas, equipamentos de produção e montagem, além de treinamento. Por ser totalmente pré-moldada, a construção com painéis portantes requer também estudo de viabilidade antes de ser contratada. "Investigamos a forma de construir e o comprometimento com a qualidade. A tecnologia não pode ter falhas que seriam aceitas numa estrutura convencional, pois isso exigirá reforços caros e gerará patologias que podem vir a comprometer a aceitação por parte do usuário final. É um sistema com restrição de uso. Por isso, não oferecemos para qualquer cliente. Então, não se deve buscar o sistema de painel portante como algo mágico. Porém, se bem aplicado ele traz resultados significativos", destaca o especialista.
A construção com painéis portantes pode ser feita com concreto convencional com abatimento alto, mas é recomendável o concreto autoadensável. Eles também podem ser produzidos fora do canteiro de obras ou "in loco". "Se temos várias obras num raio de até 50 quilômetros, e possibilidade de compensação de impostos para não existir bitributação, compensa uma central de produção. Se temos um empreendimento grande, com mais de 1.000 unidades, é recomendável viabilizar uma usina no canteiro", diz Pedreira de Freitas, afirmando que, em média, cada painel tem 4 metros de largura. “Isso não quer dizer que não possamos produzir painéis maiores, sejam em formas horizontais (podendo ser em pista) ou através de baterias maiores e mais reforçadas", completa o engenheiro, ressaltando que o modelo permite erguer edifícios com até 10 pavimentos.

Entrevistado
Augusto Guimarães Pedreira de Freitas, sócio e diretor-administrativo da Pedreira de Freitas - empresa especializado em construções com painéis portantes
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1988), onde recebeu da ABCP o prêmio Ary Frederico Torres, conferido ao melhor aluno da cadeira de estrutura de concreto e construções
- Tem especialização em vários cursos de extensão na área de projeto estrutural de concreto armado e protendido, alvenaria estrutural e garantia de qualidade
- Participou de diversos simpósios e palestras nas áreas de cálculo estrutural, pré-fabricados, sistemas construtivos e racionalização de execução de estruturas. Atualmente atua como sócio e diretor-administrativo da Pedreira de Freitas
Contato: fernanda@pedreira.eng.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Engenheiros empreendedores: desafio às universidades
Escolas de engenharia investem em empresas incubadoras, mas ainda faltam disciplinas que ensinem os alunos a montar seus negócios
Por: Altair Santos
As escolas de engenharia civil em todo o país começam a despertar para a necessidade de não apenas formar engenheiros, mas capacitar os futuros profissionais a serem empreendedores. É certo que muitas delas já procuram impregnar esse espírito em seus alunos, seja através de incubadoras de empresas ou escritórios-pilotos, mas ao mesmo tempo fazem a "mea culpa" por haver poucas disciplinas voltadas ao empreendedorismo. "Hoje, o que se faz, é uma compensação. Ou seja, a gente tenta conscientizar o aluno disciplina a disciplina. O mesmo procedimento é feito com a conscientização da sustentabilidade", explica Marcelo Henrique Farias de Medeiros, do Departamento de Construção Civil da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Na opinião de Roberto Domingo Rios - chefe substituto do Departamento de Engenharia Civil da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) -, o próprio perfil dos estudantes que estão ingressando nos cursos tem forçado as escolas a se adaptarem a essa característica empreendedora dos futuros engenheiros. "Eles já chegam querendo resolver problemas. Há uma atividade maior na busca pela prática, o que não deixa de ser uma característica do próprio mercado", avalia. Ainda de acordo com Roberto Domingo Rios, há casos em que os próprios alunos se organizam para planejar e empreender. "Não tendo disciplinas que os levem a serem empreendedores, eles mesmos buscam aprender fora da universidade, geralmente recorrendo ao Sebrae", completa.
O perfil do engenheiro-empreendedor se revela já no primeiro contato com o curso. "Aquele que gosta de trabalhar em grupo, que de uma ideia já pensa num produto e que está sintonizado com o mercado é o que a gente detecta como empreendedor. Um caso foi um aluno que montou uma empresa de espaçadores para armadura feitos de cimento. Ele detectou a oportunidade, não viu produto similar no mercado e achou um nicho, criando um produto diferenciado", comenta Marcelo Henrique Farias de Medeiros, lembrando que a UFPR possui um escritório-piloto que procura pesquisar os nichos onde os alunos podem empreender. "Além disso, temos um laboratório de inovação, onde fazemos um link com o mercado da construção civil", revela.
Tanto o professor da UFPR, quanto o da UFRGS, citam que atualmente um bom número de estudantes de engenharia civil, ao concluir o curso, tem procurado fazer pós-graduação em economia ou administração. "Isso ocorre por dois motivos: a busca pelo próprio negócio ou a adaptação para entrar na área financeira, que também absorve engenheiros civis", analisa Roberto Domingo Rios. "O empreendedor tem que ser um administrador também. Não adianta só dominar a parte técnica. É preciso saber elaborar pesquisas de mercado, estudos de viabilidade. Por isso, é necessário estender o conhecimento para outras áreas", alerta Marcelo Henrique Farias de Medeiros.
Entrevistados
- Marcelo Henrique Farias de Medeiros, professor do departamento de construção civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- Roberto Domingo Rios, chefe substituto do departamento de engenharia civil da Universidade federal do rio Grande do sul (UFRGS)
Currículos
- Marcelo Henrique Farias de Medeiros é graduado em engenharia civil pela Universidade de Pernambuco (1999), Mestre em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (2002) e Doutor em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (2007)
- Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Paraná, onde tem ministrado aulas na graduação e pós-graduação strictu sensu
- É professor colaborador de cursos de pós-graduação latu sensu da Universidade de Pernambuco e Universidade do Oeste de Santa Catarina.
- Atuou nos trabalhos de inspeção, diagnóstico e projeto de recuperação de obras de arquitetos renomados, como Oscar Niemeyer (Brasil), Villa Nova Ar tigas (Brasil) e Fresnedo Siri (Uruguai)
- Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em materiais de construção, patologia e terapia das estruturas de concreto, atuando principalmente nos seguintes temas: durabilidade, concreto armado, reparo, dosagem de concreto e argamassa, ataque por cloretos, corrosão de armaduras e vida útil
- Roberto Domingo Rios é graduado em engenharia civil pela Universidade Nacional do Nordeste (1989), Mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1995) e Doutor em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2002)
- Atualmente é professor Associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Concreto Armado e Dinâmica, atuando principalmente nos seguintes temas: concreto armado, concreto, dinâmica, puncionamento e ação dinâmica
- Desde março de 2008 é tutor do Programa de Educação Tutorial (PET) Civil da UFRGS
- Desde maio de 2009 é chefe substituto do Departamento de Engenharia Civil
Contato: medeiros.ufpr@gmail.com / rrios@cpgec.ufrgs.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
De 40 mil pontes em rodovias, só 7% recebem manutenção
Apenas trechos privatizados conservam suas obras de arte. Situação mais crítica ocorre em estradas sob a jurisdição do Dnit
Por: Altair Santos
Auditoria realizada em abril de 2012 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revela que o Sistema de Gerenciamento de Obras de Artes Especiais (SGO) não sofre atualização desde 2004. O SGO é responsável por verificar as estruturas de pontes e viadutos nas rodovias sob a jurisdição do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Assim, o levantamento do TCU concluiu que pelo menos 3.351 construções, das 4.469 aos cuidados do Dnit, encontram-se em situação que variam de "condições precárias" a "mau estado de conservação".

Conforme o levantamento realizado pelo TCU, as obras estão distribuídas por uma malha superior a 50 mil quilômetros de rodovias federais e estima-se que representem, conjuntamente, um patrimônio de R$ 13 bilhões. No entanto, segundo a Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE) os números podem estar subestimados. Na avaliação da ABECE, o país conta atualmente com 1.800.000 quilômetros de rodovias, dos quais 200 mil são pavimentados e que contam com 40 mil pontes e viadutos espalhados pelo território nacional, entre estradas sob jurisdição federal e estadual.
Por isso, o ex-presidente e integrante do conselho deliberativo da ABECE, Júlio Timerman, tem uma análise diferente da feita pelo TCU. "A manutenção rotineira em obras de arte tem se restringido aos trechos de rodovias concedidos à iniciativa privada, que representa cerca de 7% da malha rodoviária. Por isso, os problemas em pontes e viadutos devem ser avaliados e priorizados, para então se fazer uma gestão da manutenção em função da criticidade das anomalias levantadas", avalia. Ainda segundo Timerman, a cultura de intervenções superficiais é que resultam em relatórios preocupantes como o do TCU.
Atentas à falta de manutenção das obras de arte especiais, a ABECE e a ABPE (Associação Brasileira de Pontes e Estruturas) dedicaram relevante atenção a esse problema no V Congresso Brasileiro de Pontes e Estruturas, onde foram debatidos sistemas construtivos, projetos, concepções estruturais e também manutenção em pontes e viadutos. "Infelizmente, as autoridades e entidades que administram as rodovias federais e estaduais estiveram pouco presentes para debater esse importante problema. Mesmo assim, o congresso serviu como um fórum adequado para se discutir e procurar soluções para as estradas não concedidas", disse Timerman.

O V Congresso Brasileiro de Pontes e Estruturas ressaltou que devem ser feitas inspeções rotineiras anuais e inspeções mais aprofundadas a cada cinco anos nas obras de arte especiais. Estes prazos podem variar em função do quadro de anomalias existentes nas pontes e viadutos. "Todas as concepções estruturais sofrem as consequências da falta de manutenção das pontes e viadutos. Mas é sabido também que uma ponte projetada e executada segundo as normas nacionais vigentes apresentará uma longa durabilidade", evidencia o ex-presidente da ABECE.
Timerman destaca ainda que uma obra bem projetada e executada, com uma manutenção periódica de pequeno custo, apresenta vida útil ilimitada. "Temos obras brasileiras com 70 anos de vida em perfeito estado de conservação. O maravilhoso livro “Pontes Brasileiras”, do Prof. Augusto Carlos de Vasconcelos, ilustra alguns belos exemplos", relata, finalizando que a manutenção correta faria o país economizar bilhões de reais. "Uma pequena anomalia hoje pode se transformar em um problema de grande complexidade, levando à interdição de uma rodovia. Isso custa muito dinheiro", completa.
Entrevistado
Júlio Timerman, ex-presidente (gestão 2002-2004) e integrante do conselho deliberativo da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela EPUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo)
- É delegado regional da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) em São Paulo/SP e membro do conselho deliberativo
- É coordenador do Comitê Técnico de Pontes e Grandes Estruturas constituído pela ABECE em 2009 para propor ações para melhoria da qualidade e competitividade dos projetos e serviços ligados à construção de pontes e grandes estruturas
- Também é vice-presidente do IABSE (International Association for Bridge and Structural Engineering) e do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto)
- Atua como consultor na área de projetos de reabilitação e recuperação de estruturas para diversas concessionárias de rodovias, com intervenções em mais de 100 mil metros quadrados de tabuleiros
- Ocupa o cargo de diretor da Engeti Consultoria e Engenharia
Contato: abece@abece.com.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Viabilidade econômica: não construa sem ela
Atualmente, 70% dos grandes empreendimentos imobiliários do Brasil se submetem a esse tipo de estudo antes de iniciar as obras
Por: Altair Santos
De lançamentos residenciais a projetos comerciais e industriais, como shopping centers, hotéis e empreendimentos multiuso, nenhum deles é construído atualmente sem que sejam feitos estudos de viabilidade econômica, mercadológica e financeira do produto. "Até escolas e hospitais são submetidos a avaliações. Até porque, é comum um projeto mudar o seu perfil se o estudo de viabilidade concluir que em determinada área não cabe o empreendimento proposto, mas sim outro tipo de negócio", explica Caio Sérgio Calfat Jacob, especialista em Real Estate Consulting.

Estima-se que 70% dos grandes empreendimentos imobiliários lançados no Brasil recentemente tenham sido submetidos a estudos de viabilidade. "Começa com a análise mercadológica, porque é a conclusão desse estudo que vai definir os produtos que serão colocados no projeto, influenciando em sua concepção", diz Sérgio Calfat, segundo o qual faz dez anos que o setor imobiliário do país passou a realizar análises de viabilidade com mais ênfase. Diria que a metodologia não é recente, e sim o hábito de aplicá-la é que é recente", completa.
Realizar estudos de viabilidade econômica, mercadológica e financeira requer os seguintes profissionais: pesquisadores, entrevistadores, analistas de mercado e analistas de estudos econômico-financeiros. Não é raro, porém, envolver especialistas da área de psicologia, quando as análises exigem avaliações qualitativas e quantitativas com formadores de opinião. Em média, e dependendo da complexidade, um estudo leva dois meses para ser concluído. "É irrelevante o custo diante do risco de um empreendimento dar errado", afirma o especialista em Real Estate Consulting.
Caio Sérgio Calfat Jacob revela ainda como os estudos interagem entre si, começando pela análise mercadológica. "Esse estudo parte do terreno, se ele existir, e se ele não existir buscará identificar quais as melhores áreas para o modelo de empreendimento proposto. O estudo qualifica oferta e demanda, identificando os consumidores de determinada região, sejam eles compradores de casas, hóspedes de hotel, locatários de escritório ou de conjunto industriais. Trata-se de um estudo que precisa projetar para os próximos 20 ou 30 anos o ambiente onde ele será construído", explica.
Já o estudo de viabilidade econômico-financeira se faz em cima de números. "Monta-se um fluxo de caixa operacional e financeiro e se analisa todo o desempenho econômico do empreendimento, desde o primeiro gasto até o final da obra. Depois, projeta-se a vida útil do empreendimento a longo prazo. O final deste estudo financeiro pode apontar para prejuízo ou lucro, e se a taxa de retorno será atraente ou não. Enfim, a avaliação é feita sobre o mercado, e qual é o produto adequado a esse mercado", finaliza Calfat.
Entrevistado
Caio Sérgio Calfat Jacob, especialista em Real Estate Consulting
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Escola Politécnica da USP e diretor-geral da Caio Calfat Real Estate Consulting - empresa de consultoria imobiliária que atua em planejamento e desenvolvimento de empreendimentos imobiliários desde outubro de 1996
- É vice-presidente de assuntos turístico-imobiliários do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo) para o mandato 2012-2014
- É fundador, ex-presidente e membro do conselho deliberativo vitalício da LARES (Latin American Real Estate Society)
- É professor de análise de projetos de hotéis e resorts, do MBA Real Estate promovido pela FUPAM-USP, na FAU-USP
- É professor de planejamento de empreendimentos hoteleiros, do curso de especialização em gerenciamento de empreendimentos na construção civil, na FAU-Mackenzie, de São Paulo
Contato: caio@caiocalfat.com / www.caiocalfat.com / www.lares.org.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Portaria padroniza tamanho dos blocos de concreto
Regulamento Técnico Metrológico estabelece condições para a comercialização e uniformiza dimensões do produto para uso na alvenaria
Por: Altair Santos
O consumo cada vez maior de blocos de concreto em obras de alvenaria levou o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) a publicar a portaria 15/2011, que está em vigor há quase um ano. Ela estabelece parâmetros de como os blocos devem ser confeccionados, padronizando dimensões, além de definir critérios para a embalagem, como número de unidades e identificação do fabricante. "Essa portaria garante ao consumidor que ele vai adquirir um produto uniforme. Não há mais risco de comprar um lote de blocos e as peças virem com dimensões variadas", explica Lindomar José Gomes, diretor técnico do IPEM( Instituto de Pesos e Medidas) do Espírito Santo/ES, e que atuou na elaboração da portaria.

O Inmetro, em parceria com os IPEMs (Institutos de Pesos e Medidas) estaduais, tem realizado a fiscalização para o cumprimento do Regulamento Técnico Metrológico 15/2011. "Não se adaptar às exigências da portaria pode resultar em sanções administrativas", alerta Lindomar José Gomes. As empresas que não seguirem os novos padrões de qualidade receberão multas entre R$ 150 a R$ 1,5 milhão. Esses valores, e todos os demais critérios, foram definidos em audiências públicas e audiências técnicas do Inmetro, com a participação efetiva do setor produtivo. "Por isso, a portaria levou um bom tempo para ser concluída", completa o diretor técnico do IPEM do Espírito Santo.
A partir da portaria 15/2011, o mercado tem a expectativa de que os blocos de concreto sejam tão consumidos quanto os blocos cerâmicos. "Com os novos parâmetros, a padronização é similar entre os dois produtos. A única diferença é que no bloco cerâmico é possível gravar em baixo relevo, em cada peça, o número do lote e as dimensões. No bloco de concreto não é possível fazer isso, pois ele tem matérias primas diferentes do bloco cerâmico", afirma Lindomar José Gomes, lembrando que vários procedimentos exigidos pelas normas técnicas da ABNT foram observados durante os debates para elaborar a portaria. "O objetivo é oferecer mais qualidade e segurança para os consumidores", finaliza.
Saiba mais sobre a portaria 15/2011: Clique aqui
Mais informações
Caso queira fazer reclamações ou denunciar blocos fora do padrão exigido, entre em contato com o IPEM pelo telefone 0800-039-1112
Entrevistado
Lindomar José Gomes, diretor técnico do IPEM do Espírito Santo
Currículo
Graduado em administração pela Universidade Federal do Espírito Santo
Contato: diretoriatecnica@ipem.es.gov.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Pisos industriais de concreto ganham novo status
Por: Altair Santos
Equipamentos e técnicas inovadoras elevam os pisos de concreto a um outro patamar. Antes confinados ao chão da fábrica, eles ganharam sofisticação e começam a chegar aos shopping centers, aos ambientes de escritório, aos hospitais, às universidades e até ao ambiente doméstico. "O que fez o setor de pisos de concreto se desenvolver nos últimos anos foi, em primeiro lugar, a percepção, por parte do usuário, que um bom piso é essencial para o desempenho da sua atividade. Além disso, houve avanços no detalhamento de projetos, procedimentos de execução e tecnologia de materiais", afirma Júlio Portella Montardo, presidente da Anapre (Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho).

Montardo explica que o que ocorreu foi a expansão do conceito de "piso industrial". "Antigamente, convencionava-se chamar de piso industrial os revestimentos de concreto dos galpões. Hoje em dia, esse conceito abraçou os pisos de obras comerciais, como supermercados e shopping centers, assim como áreas de grande circulação, como a garagem de um condomínio ou o pátio de uma escola", observa. "Portanto, o piso deixou de ser somente uma parte da estrutura do galpão. Atualmente, é muito mais que isso. O piso afeta o dia a dia do empreendimento, agindo diretamente em sua operação", completa.
Entre as evoluções tecnológicas que transformaram o piso industrial estão os selantes a base de epóxi e de poliuretano, desenvolvidos para juntas de dilatação, além de endurecedores de superfície, que reagem com os materiais químicos existentes no concreto e aumentam a resistência à abrasão. Esses novos materiais servem também para recuperar fissuras no substrato de pisos já construídos, através da injeção de resina epóxi. Há ainda argamassas uretânicas, capazes de oferecer proteção contra produtos cáusticos e que possuem alta resistência mecânica ao tráfego intenso. Outros componentes que ajudam a dar novo status aos pisos industriais são as tintas de alta espessura, que proporcionam blindagem mecânica e química ao concreto.
O presidente da Anapre destaca que todo esse aparato tecnológico deu aos pisos de concreto não apenas uma função estrutural, mas funcional. "É sobre o piso que se dá toda a operação da empresa, independentemente do nicho em que ela atua. Por isso, ele precisa oferecer conforto e segurança, além de resistir aos ataques químicos e biológicos em alguns casos", complementa Júlio Portella Montardo.

Entrevistado
Júlio Portella Montardo, presidente da Anapre (Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e mestre na mesma área pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
- Tem experiência em gestão de negócio de produtos para construção civil, com ênfase em desenvolvimento do mercado de fibras sintéticas e estruturais para concreto
- Atualmente é Diretor da Neomatex Comércio de Fibras e Têxteis Técnicos Ltda. e presidente da Anapre (Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho)
Contato: anapre@anapre.org.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Aditivos de concreto entram na era da nanotecnologia
Entre as vantagens, inovação diminui emissão de CO₂, além de gerar materiais com melhores propriedades e, portanto, mais duráveis
Por: Altair Santos
A nanotecnologia começa a ser testada em aditivos de concreto para aprimorar as qualidades do material. As microestruturas têm a propriedade de realçar características como resistência e robustez, além de influenciar na permeabilidade e na cura do material. "É uma série de vantagens, entre elas a redução no consumo de água e a diminuição na emissão de CO₂ para produzir a mesma quantidade de concreto, além da rapidez na cura interna, o que torna o material mais resistente", diz Fabricio André Buzeto, coordenador de tecnologia da Basf.

Outro exemplo no avanço dos aditivos a base de nanopartículas é que eles promovem um efeito de melhoria da fluidez do concreto ao longo do transporte da central dosadora até a obra. "Isso permite que com a seleção de nanocompostos se modifique o tipo de aditivo, levando em consideração as características químicas que o material vai precisar para cumprir plenamente sua função", explica Humberto Benini, chefe do Departamento de Físico-Química da Grace.
Segundo Fabricio André Buzeto, a aplicação de materiais nanoestruturados permite criar produtos específicos para cada tipo de obra. "A tecnologia será muito importante na exploração da camada pré-sal. Hoje já existem produtos utilizados em cimentação de poços de petróleo que são baseados em nanoestruturas", revela. Uma das características mais importantes destes materiais é que eles são "inteligentes". Através de nanobots, são capazes de apontar fissuras e problemas estruturais, reduzindo sensivelmente o risco de vazamento.
Atenta a essa tecnologia, a Petrobras, desde 2011, por meio do Centro de Pesquisa Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), firmou convênios para o desenvolvimento de pesquisas nanotecnológicas em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo/SP, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O objetivo tem também a incumbência de formar pesquisadores em nanocompostos. "A capacitação é fundamental, pois a tecnologia representa uma quebra de paradigma no que se refere aos métodos e práticas vigentes na construção civil", afirma Humberto Benini.

Um dos obstáculos para que a nanotecnologia seja definitivamente incorporada à indústria cimenteira é a sua viabilidade econômica. "O uso combinado do cimento Portland e os nanotubos de carbono (CNT) ainda apresenta muitos desafios para sua viabilização econômica como material de construção, mas o potencial de uso é imenso. Tanto é que na Europa se formou um consórcio, o NanoCem, para desenvolver soluções envolvendo fabricantes, usuários, universidades e institutos governamentais. É um exemplo de ação setorial para o desenvolvimento da nanotecnologia, como ocorre também nos Estados Unidos, onde há um programa semelhante", comenta Benini.
Quando alcançado o estágio de produção industrial, os benefícios da nanotecnologia aplicada aos canteiros de obra serão inquestionáveis, avaliam os especialistas. "Os ganhos de produtividade, redução da dependência do operador e mecanização dos processos representarão um grande benefício à indústria da construção, tanto pela redução dos custos e melhoria da qualidade quanto ao consumidor final e a sociedade, que contará com construções de melhor qualidade, mais duráveis e, portanto, com menor impacto ambiental e econômico", conclui o chefe do Departamento de Físico-Química da Grace.
Entrevistados
Fabricio André Buzeto, coordenador regional de tecnologia para a América do Sul da Basf e Humberto Benini, gerente regional de produto para América Latina da Grace
Currículos
- Fabricio André Buzeto é bacharel em química com atribuições tecnológicas, pela PUCCAMP, com extensão em gerenciamento de projetos e extensão em gerenciamento estratégico de núcleos de inovação tecnológica pela Unicamp
- Também é mestre em ciência, tecnologia e gerenciamento de materiais poliméricos, pela Universidade de Ferrara (Itália), pela Universidade de Hamburgo (Alemanha), e mestre em engenharia química, ciência e tecnologia dos materiais, pela Unicamp
- Tem doutorado em engenharia química, ciência e tecnologia dos materiais, pela Unicamp
- Humberto Benini é engenheiro químico, com doutorado em engenharia da construção civil e materiais pela Universidade de São Paulo (USP). Atua há 12 anos como profissional na indústria de cimento, concreto e aditivos
Contato: fabricio.buzeto@basf.com / humberto.r.benini@grace.com
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Pernambuco concentra megaobras nordestinas
Cinco grandes projetos de infraestrutura fazem estado avançar para o 2º lugar no consumo de cimento e produção de concreto na região
Por: Altair Santos
Dados do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria Cimenteira) mostram que Pernambuco fechou 2011 saltando da 5ª para a 2ª posição em consumo de cimento e produção de concreto na região Nordeste - atrás apenas da Bahia. Há cinco razões para esse avanço: as obras de transposição do rio São Francisco, a construção da ferrovia Transnordestina, o plano de contenção de enchentes, o Porto de Suape e os empreendimentos voltados para a Copa do Mundo de 2014 - Arena Pernambuco e PAC da Mobilidade.

Alguns números impressionam nesse volume de obras. A fábrica de dormentes instalada pela construtora Norberto Odebrecht na cidade de Salgueiro, no sertão pernambucano, consome 1.824 m³ de concreto por dia para abastecer a Transnordestina. A ferrovia de 1.728 quilômetros, que também corta os estados de Piauí e Ceará, tem como objetivo final o porto de Suape. Para a indústria cimenteira do Brasil, tanto a Transnordestina quanto o terminal portuário de Suape têm importância relevante, pois facilitarão o escoamento da produção do polo gesseiro localizado no sertão do Araripe para outras regiões do país e também para a exportação. O gesso é matéria-prima para a fabricação de cimento e estudos preliminares apontam que as jazidas do Araripe podem abastecer até 95% da produção nacional.
Além do escoamento de minério, Suape será estratégico também para a indústria petroquimica. Por isso, entre as obras mais importantes do porto estão a construção de dois píeres petroleiros e de uma tubovia para o escoamento de materiais líquidos, principalmente o óleo diesel a ser processado pela Refinaria Abreu e Lima, na região metropolitana de Recife. Essa está em execução pelo consórcio formado pelas Andrade Gutierrez, OAS e Norberto Odebrecht.
A estrutura da tubovia exige a construção de uma ponte com 2,3 quilômetros de extensão. Para erguer as estruturas têm sido usadas duas bombas de concreto capazes de movimentar 90 m³/h cada uma. Atualmente, o empreendimento está entre os cinco maiores canteiros de obras do país em volume de obras - 130 no total -, movimentação de mão de obra e consumo de cimento. Entre as construções das indústrias instaladas no entorno do complexo, os projetos de infraestrutura e os empreendimentos do porto, estima-se que até 2014 o complexo terá consumido quase 15 mil m³ de concreto.

Junte-se a essa gama de obras a transposição do rio São Francisco, que, apesar do ritmo lento, prevê a construção de cinco canais, seis túneis, 12 aquedutos, quatro estações de bombeamento, 13 reservatórios intermediários e duas hidrelétricas. No território de Pernambuco passam 60% desses projetos. O estado ainda desenvolve seu plano de contenção de enchentes, que prevê cinco barragens. A maior delas é o Reservatório Serro Azul, na Mata Sul pernambucana, que terá um paredão de concreto com mais de 1 km de extensão e 65 metros de altura - equivalente a um prédio de 22 andares. Com isso, terá capacidade para conter 303 milhões de m³ de água.
Já Recife acelera a construção do estádio Arena Pernambuco para receber a Copa das Confederações, em 2013. O estádio terá 129.581 m² de área construída e capacidade para 46.154 lugares, com previsão de consumo de concreto de 65 mil m³. A capital pernambucana também recebe obras do PAC da Mobilidade, como a duplicação da BR-408, da BR-101 (pavimento rígido) e da BR-232, que cruzam a região metropolitana da cidade. Também há a ampliação do metrô da capital pernambucana, além de projetos para a criação de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Somados, os cinco megaprojetos em Pernambuco envolvem investimento de R$ 50 bilhões.
Entrevistados
Secretaria de Desenvolvimento Econômico, gabinete do governador e secretaria especial da Copa, todos ligados ao governo de Pernambuco
Contatos: imprensa@segov.pe.gov.br / governo@governadoria.pe.gov.br / www.pe.gov.br /
www.secopa.pe.gov.br
Créditos foto: Divulgação / Companhia Ferroviária do Nordeste / Governo de PE
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Estrangeiros qualificam construção civil do Brasil
Engenheiros e arquitetos, principalmente de países como Portugal, Espanha, Itália e França, suprem gargalos de mão de obra do país
Por: Altair Santos
O desempenho da construção civil brasileira contrasta com o de países como Portugal, Espanha, Itália e França. Por isso, engenheiros civis e arquitetos destas nacionalidades têm buscado intensamente o mercado de trabalho do outro lado do Atlântico. Mas não são só eles. Profissionais dos Estados Unidos também vislumbram oportunidades no Brasil. A prova é que dados do Ministério da Justiça mostram que, entre 2010 e 2011, o pedido de vistos permanentes para trabalho no país cresceu 37% - neste período, foram concedidos 2.692 autorizações. Calcula-se que 25% destes vistos tenham sido concedidos a engenheiros e arquitetos.

Os números crescem exponencialmente quando contabilizados os vistos temporários de trabalho, entre 2010 e 2011. Nestas condições, 1,460 milhão de pessoas entraram no país em busca de oportunidades. A estimativa é que 30% desse pessoal tenha vindo atuar na construção civil brasileira, independentemente da qualificação. Entre as nacionalidades que mais buscam vaga no Brasil estão, disparado, portugueses e espanhóis. "Da Espanha, temos recebido atualmente cem currículos por mês, com um percentual de 70% deles ligados a profissionais altamente qualificados, como engenheiros e arquitetos", explica Maria Luisa Castelo Marin, diretora-executiva da Câmara Oficial Espanhola de Comércio.
Sob o aspecto de excelência profissional, a construção civil brasileira tem lucrado com essa entrada de estrangeiros no país. "Estive conversando recentemente com dirigentes do CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agricultura de São Paulo) e com headhunters de São Paulo, e a opinião deles é que os engenheiros europeus estão melhor preparados. A explicação é que o Brasil ficou três décadas sem movimentar sua engenharia, enquanto na Europa só agora é que a construção civil se ressente de investimentos. Então, os engenheiros europeus têm uma maior expertise, principalmente para áreas que o Brasil vai precisar, como exploração do pré-sal e construção de portos, aeroportos e estradas", diz Maria Luisa Castelo Marin.
O levantamento mais recente, realizado pelo sistema Confea/CREA, aponta que há 820 mil profissionais de engenharia e arquitetura registrados nos conselhos regionais. Até 2020, segundo dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) o Brasil vai precisar ter 1,5 milhão de engenheiros em ação. Como as universidades do país têm capacidade de colocar no mercado apenas 48 mil por ano, estima-se que nesta década (2010-2020) possam ser importados pelo menos 300 mil profissionais da área. "É bom ressaltar que na Europa e nos Estados Unidos, os engenheiros civis estão mais ligados à construção pesada. A construção de imóveis é dominada por arquitetos. Por isso, os arquitetos europeus também têm encontrado bom mercado aqui", lembra a diretora-executiva da Câmara Oficial Espanhola de Comércio.
Validação do diploma
Engenheiros e arquitetos oriundos de outros países precisam validar seus diplomas para exercer a profissão no Brasil. A homologação é feita através de uma instituição de ensino superior credenciada pelo Ministério da Educação. Somente as universidades federais têm essa prerrogativa. Normalmente, esse processo dura seis meses, pois precisa passar pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Obtida a validação, o profissional pode filiar-se ao conselho regional de sua região (CREA para engenheiros e CAU para arquitetos) e trabalhar sem empecilhos, podendo registrar ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), gerenciar obras e assinar projetos.
Entrevistada
Maria Luisa Castelo Marin, diretora executiva da Câmara Oficial Espanhola de Comércio
Currículo
- Graduada em Direito e assumiu a diretoria-executiva da organização em fevereiro
- Possui experiência em direção e liderança de grandes equipes, bem como em processos de ativação de empresas estrangeiras no Brasil
- A executiva já atuou como consultora da EPISE Talento y Resultados (Brasil), tendo participado de todo o processo de start up da empresa no país
- Também atuou anteriormente na Zurich Financial Services e Caudal Seguros na Espanha
Contato: comercial@camaraespanhola.org.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Combustível, transporte e energia lideram obras
Das mais de 12 mil construções de grande porte que serão erguidas no Brasil até 2016, 81% advêm destes três setores da economia
Por: Altair Santos
Dez setores da economia irão gerar 12.265 construções de grande porte no Brasil até 2016. São obras cujo montante de investimento se aproxima de R$ 1,5 trilhão, entre os quais as áreas de combustível, transporte e energia serão as mais contempladas. É o que revela estudo encomendado pela Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção). "São empreendimentos que vão influenciar no PIB do país, a partir de 2013. Hoje, a Sobratema trabalha com as seguintes premissas de crescimento: 3,5% em 2012, 6,5% em 2013 e 2014 em 6,5%", diz o vice-presidente da associação, Mário Humberto Marques.

De acordo com o levantamento da Sobratema, as construções voltadas para os setores que receberão o maior número de obras representam 81% do total das 12.265 construções a serem encaminhadas até 2016. "Os maiores investimentos serão realizados, respectivamente, em combustível, com 46% do total; seguido por transporte, com 23%, e energia, com 12%", revela Mário Humberto Marques. Além destas áreas, também serão contempladas saneamento básico, habitação, indústria, hotelaria, turismo, shopping center e infraestrutura esportiva (Copa do Mundo e Olimpíadas).
A região Sudeste receberá o maior volume de investimentos (R$ 835 bilhões, em 3,2 mil obras) com destaque para os estados de Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, principalmente pelos projetos relacionados à exploração de petróleo offshore na camada pré-sal. "No entanto, merece destaque a participação da região Nordeste, que receberá até 2016 aproximadamente 23% do total a ser investido, com um montante de R$ 345 bilhões", alerta o o vice-presidente da Sobratema. A região Sul aparece em terceiro, com captação de recursos para obras chegando a R$ 100,4 bilhões.
Na opinião de Mário Humberto Marques, esse volume de obras e recursos dá à construção civil brasileira a oportunidade de atingir o nível de crescimento sustentável. "A construção é uma parte importante da atividade econômica brasileira. Com esse grau de investimentos, o país atingirá o crescimento é sustentável, mas cabe ao governo executar esses investimentos que lhe competem, e também estimular adequadamente a iniciativa privada a investir", lembra. Com esse avanço, a Sobratema projeta também o crescimento do setor de equipamentos para a construção civil. "Em outra pesquisa que realizamos identificamos as seguintes projeções para o avanço das vendas de equipamentos no Brasil: 2012 (5,1%), 2013 (8,1%), 2014 (10,7%), 2015 (9,7%) e 2016 (8,3%)", conclui.
Confira o estudo completo: Clique aqui
Entrevistado
Mário Humberto Marques, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema)
Currículo
- Engenheiro mecânico graduado em 1976, pela Universidade Federal de Uberlândia
- Cursou MBA em finanças no IBMEC, concluído em 1997, e pós-graduação lato senso pela FIA (USP) em gestão de negócios, concluído em 1999
- Em 2006 concluiu o curso de atualização em gerenciamento de projetos pela Fundação Getúlio Vargas
- É vice-presidente da Sobratema e diretor de Equipamentos e Suprimentos da Construtora Andrade Gutierrez S.A.
- Desenvolveu o programa de Supply Chain da Construtora Andrade Gutierrez S.A. e aprimorou os processos de suprimentos em plataforma WEB e orientou o desenvolvimento de e-procurement próprio
Contato: sobratema@sobratema.org.br / www.sobratema.org.br
Créditos foto: Divulgação