Shopping ajuda construtora a aprimorar gestão

No Brasil, cresce número de empresas que estão se especializando em não apenas erguer empreendimentos, mas administrá-los

 

Por: Altair Santos

Até o final de 2012, mais 21 shopping centers serão inaugurados no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Destes, 70% são empreendimentos que, quando entrarem em operação, estarão sob a administração de construtoras. Essa tem sido a tendência desde 2006. Aproveitando o aquecimento do mercado, as empresas de engenharia não têm mais se contentado apenas em construir; passaram a assumir a gestão dos shopping centers.

Shopping center em construção no interior do Rio: mercado aquecido longe dos grandes centros.

Além do aspecto comercial, o envolvimento das construtoras com a administração de centros de compra melhora também o planejamento da obra. "A construtora passa a ficar mais atenta aos seus projetos, métodos construtivos e materiais empregados na construção, visando a otimização da operação do empreendimento, assim como a possibilidade de extrair do negócio o seu melhor custo benefício", explica Leonardo Neves, gerente de negócios da empresa João Fortes Engenharia, que lidera o fundo de investimento Shopinvest.

Depois do mercado de construção de moradias, o de shopping centers é considerado pelas empresas o segundo mais aquecido do país. Principalmente por causa da interiorização dos empreendimentos. "Incentivada pela maior facilidade de encontrar bons terrenos a preços mais convidativos, e em locais ainda inexplorados, as empresas do setor partiram rumo a cidades menores, do interior ou inseridas nas regiões metropolitanas das capitais", afirma Leonardo Neves. A J. Fortes, por exemplo, trabalha em empreendimentos em Cabo Frio e Volta Redonda, no Rio de Janeiro, e em Blumenau, em Santa Catarina.

Mantendo-se em alta, o mercado de shopping centers puxa para cima também o setor de construção em pré-moldados. Atualmente, 90% desses empreendimentos utilizam este sistema. Por isso, as empresas de engenharia investem também na qualificação de mão de obra. "Para construir shopping, a empresa não precisa mudar de foco, mas ter equipes específicas e preparadas para este ramo de atividade", revela o gerente de negócios da empresa João Fortes Engenharia, cujos passos são seguidos pelo menos por outras 20 empresas especializadas em construir centro de compras.

Atualmente, as construtoras estão se dedicando a empreendimentos com tamanhos que variam de 25 mil a 40 mil m² de área bruta locável (ABL). Hoje, o país conta com 10.606.933 m² de ABL. Para 2013, serão acrescentados mais 1,233 milhão de m² a esse volume de área, de acordo com projeções da Abrasce. Serão lançados mais 43 projetos de shopping, dos quais 29 serão no interior do país. "Neste cenário, cada vez mais as construtoras estarão desenvolvendo seus próprios negócios no mercado de shopping", avalia Leonardo Neves.

Entrevistado
Leonardo Neves, gerente de negócios da empresa João Fortes Engenharia
Currículo
- Graduado em engenharia civil, com MBA em engenharia econômica e administração
- Trabalhou cinco anos na Aliansce Shopping Centers, empresa do setor de shopping
- Atuou na Atlântica Residencial, empresa do mercado imobiliário
- Atualmente é gerente de negócios da João Fortes
Contato: www.joaofortes.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Sem recursos da Cide, obras rodoviárias travam

Aneor estima que, ao zerar contribuição que incidia sobre os combustíveis, governo fez setor perder mais de R$ 7 bilhões em investimentos

Por: Altair Santos

Desde julho de 2012, os recursos da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) deixaram de existir para investimentos na área de transporte. O imposto, que incidia  sobre o preço do litro dos combustíveis, foi zerado por medida governamental para não encarecer o custo da gasolina, do diesel e do etanol para o consumidor. Se o fim da alíquota trouxe um alívio para o bolso do brasileiro, gerou também apreensão no setor de obras de infraestrutura, principalmente o ligado às rodovias.

José Alberto Pereira Ribeiro: Cide zerada gera incertezas nas empresas ligadas à infraestrutura rodoviária.

Segundo estima o presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor) José Alberto Pereira Ribeiro, haverá uma redução de R$ 7,4 bilhões nos investimentos destinados à logística de transporte. "Ao zerar a Cide, o Brasil está comprometendo o seu futuro", critica o dirigente, afirmando que o país segue um caminho oposto ao de outras nações. "A China, a Índia, a Coreia do Sul, a Rússia, a África do Sul e outros países emergentes investem hoje mais de 4% do PIB em infraestrutura de transportes, e com o tributo certo. O Brasil investe menos de 1%. E agora, zerou a receita e está sem dinheiro para investir" completou.

A Cide foi adotada pela primeira vez no Brasil em 1946, e durou até 1988. Em 2002 foi retomada, desta vez com a tributação sobre os combustíveis. Junto com a volta da contribuição, há dez anos, surgiu também o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). "O objetivo era que um órgão multimodal, contando com um recurso multimodal, pudesse financiar as obras de expansão e manutenção das rodovias, das ferrovias e das aquavias. Com isso, criou-se um novo paradigma para orientar o setor, mas com a decisão de zerar a arrecadação da Cide, voltarão os problemas", cita o presidente da Aneor.  

José Alberto Pereira Ribeiro avalia que o governo não deveria ter tomado a decisão de extinguir a cobrança da Cide sem uma discussão com as entidades de representação dos setores de transportes e de construção de infraestrutura. "O mais grave é que 30% dos recursos arrecadados por essa contribuição são de transferência constitucional obrigatória para os estados e municípios. São recursos para os estados investirem em rodovias, ferrovias e aquavias. Os governadores não foram consultados e ouvidos. A decisão é unilateral feita de forma inapropriada", avalia.

Dos 54 mil quilômetros de rodovias federais, só seis mil estão em manutenção.

O setor teme que a queda abrupta de investimentos gere incertezas nas empresas ligadas à infraestrutura rodoviária. Este ano, por exemplo, o Dnit não assinou nenhum contrato, seja para construir novos trechos ou para manutenção. "Dos 54 mil quilômetros de rodovias federais, só seis mil estão cobertos por contratos que foram assinados em 2011. "Desde junho do ano passado, quando ocorreram muitas mudanças na diretoria do Dnit e no Ministério dos Transportes, as contratações foram adiadas e o setor vive dias de total impossibilidade de se planejar. Nos últimos 11 meses, o Dnit não fez nenhuma contratação de novas obras. No ano passado, o órgão só investiu pouco mais de R$ 6,5 bilhões de um orçamento de R$ 15 bilhões", lamenta o presidente da Aneor. 

Entrevistado
José Alberto Pereira Ribeiro, presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- É presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Anoer) há 18 anos
- É vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e membro do Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria e do Conselho Consultivo da Presidência da FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo)
- Preside a Sulbras Construtora
Contato: aneor@aneor.org.br

Créditos foto: Divulgação/Dnit

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Para aprimorar vendas, comércio investe em P&D

Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento criado pelo setor pretende atingir nível de qualificação que já está consolidado na área tecnológica

Por: Altair Santos

Na área tecnológica da construção civil, a pesquisa e desenvolvimento (P&D) já desfruta de um ambiente bem aquecido. Levantamento da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) revela que fabricantes de materiais e sistemas construtivos, incorporadoras e construtoras, além de universidades, têm dedicado esforços para buscar novos conceitos, produtos e ações perante o mercado. No entanto, não percebe-se o mesmo ritmo no setor de venda direta ao consumidor. Preocupada com esse descompasso no varejo é que a Fecomércio-PR (Federação do Comércio do Paraná) inaugurou recentemente seu Instituto de P&D.

Ari Faria Bittencourt: "A principal meta do IFPD é promover a integração entre empresas e instituições de ensino”.

Segundo Ari Faria Bittencourt, que preside o IFPD (Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento) o novo organismo foi criado com o objetivo de proporcionar aos empresários, gestores e colaboradores do ramo de comércio de bens, serviços e turismo, condições de crescimento, desenvolvimento e fortalecimento empresarial e profissional. "Queremos desenvolver ações de natureza educacional, tanto na área de pesquisa quanto na coordenação de programas de estágios. Diria que a principal meta do IFPD é promover a integração entre empresas e instituições de ensino", destaca Bittencourt.

Ainda de acordo com o presidente do IFPD, a função do instituto será coordenar e administrar os programas de estágio, a fim de formar mão de obra qualificada, que agregue valores importantes aos negócios e serviços das empresas. "Por meio de convênios firmados com diversas instituições de ensino, o instituto pretende realizar a ponte entre o estudante e o mercado de trabalho, estimulando a troca de conhecimentos e de informações entre os segmentos", completa Ari Faria Bittencourt.

Para auxiliar a Fecomércio, o Sistema S, através do Sesc e Senac, terá um caráter complementar em algumas atividades desenvolvidas pelo IFPD. "Junto com o instituto, eles promoverão a articulação e o fomento para atrair conhecimento e repassá-los aos vários setores do comércio, incluindo o que envolve a cadeia produtiva da construção civil", diz o presidente do organismo.

O Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento opera desde fevereiro de 2012. Pelo seu estatuto, ele está apto a celebrar contratos e convênios de cooperação técnica com empresas e entidades públicas e privadas, inclusive internacionais.  “Também está em pauta, para execução em breve, a promoção de concursos, seminários, palestras e atividades que possibilitem auxiliar os comerciários de modo geral”, diz o presidente do IFPD.

A expectativa é que o instituto comece a trazer resultados efetivos em P&D a partir de 2013. Os primeiros, e importantes, passos foram dados, mas o percurso ainda é longo para alcançar o nível que a pesquisa e desenvolvimento na área tecnológica já atingiu. Nesta área, dentro da construção civil, o universo envolvido já está consolidado. Ele é composto, atualmente, segundo pesquisa da CBIC, por 208 cursos de graduação em engenharia civil, 41 cursos de pós-graduação em engenharia civil (23 de mestrado, 15 de mestrado e doutorado e 3 de caráter profissionalizante), 215 cursos de graduação em arquitetura e urbanismo e 16 cursos de pós-graduação em arquitetura (8 de mestrado e 8 de mestrado e doutorado).

Entrevistado
Ari Faria Bittencourt, presidente do IFPD (Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento)
Currículo
- Ari Faria Bittencourt é empresário e, além do IFPD, preside o Sindilojas (Sindicato dos Lojistas do Comércio e do Comércio Varejista de Maquinismos, Ferragens, Tintas, Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos de Curitiba e Região Metropolitana)
Contato:  http://www.ifpdpr.com.br/  / ifpd@fecomerciopr.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Para aprimorar vendas, comércio investe em P&D

Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento criado pelo setor pretende atingir nível de qualificação que já está consolidado na área tecnológica

Por: Altair Santos

Na área tecnológica da construção civil, a pesquisa e desenvolvimento (P&D) já desfruta de um ambiente bem aquecido. Levantamento da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) revela que fabricantes de materiais e sistemas construtivos, incorporadoras e construtoras, além de universidades, têm dedicado esforços para buscar novos conceitos, produtos e ações perante o mercado. No entanto, não percebe-se o mesmo ritmo no setor de venda direta ao consumidor. Preocupada com esse descompasso no varejo é que a Fecomércio-PR (Federação do Comércio do Paraná) inaugurou recentemente seu Instituto de P&D.

Ari Faria Bittencourt: "A principal meta do IFPD é promover a integração entre empresas e instituições de ensino”.

Segundo Ari Faria Bittencourt, que preside o IFPD (Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento) o novo organismo foi criado com o objetivo de proporcionar aos empresários, gestores e colaboradores do ramo de comércio de bens, serviços e turismo, condições de crescimento, desenvolvimento e fortalecimento empresarial e profissional. "Queremos desenvolver ações de natureza educacional, tanto na área de pesquisa quanto na coordenação de programas de estágios. Diria que a principal meta do IFPD é promover a integração entre empresas e instituições de ensino", destaca Bittencourt.

Ainda de acordo com o presidente do IFPD, a função do instituto será coordenar e administrar os programas de estágio, a fim de formar mão de obra qualificada, que agregue valores importantes aos negócios e serviços das empresas. "Por meio de convênios firmados com diversas instituições de ensino, o instituto pretende realizar a ponte entre o estudante e o mercado de trabalho, estimulando a troca de conhecimentos e de informações entre os segmentos", completa Ari Faria Bittencourt.

Para auxiliar a Fecomércio, o Sistema S, através do Sesc e Senac, terá um caráter complementar em algumas atividades desenvolvidas pelo IFPD. "Junto com o instituto, eles promoverão a articulação e o fomento para atrair conhecimento e repassá-los aos vários setores do comércio, incluindo o que envolve a cadeia produtiva da construção civil", diz o presidente do organismo.

O Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento opera desde fevereiro de 2012. Pelo seu estatuto, ele está apto a celebrar contratos e convênios de cooperação técnica com empresas e entidades públicas e privadas, inclusive internacionais.  “Também está em pauta, para execução em breve, a promoção de concursos, seminários, palestras e atividades que possibilitem auxiliar os comerciários de modo geral”, diz o presidente do IFPD.

A expectativa é que o instituto comece a trazer resultados efetivos em P&D a partir de 2013. Os primeiros, e importantes, passos foram dados, mas o percurso ainda é longo para alcançar o nível que a pesquisa e desenvolvimento na área tecnológica já atingiu. Nesta área, dentro da construção civil, o universo envolvido já está consolidado. Ele é composto, atualmente, segundo pesquisa da CBIC, por 208 cursos de graduação em engenharia civil, 41 cursos de pós-graduação em engenharia civil (23 de mestrado, 15 de mestrado e doutorado e 3 de caráter profissionalizante), 215 cursos de graduação em arquitetura e urbanismo e 16 cursos de pós-graduação em arquitetura (8 de mestrado e 8 de mestrado e doutorado).

Entrevistado
Ari Faria Bittencourt, presidente do IFPD (Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento)
Currículo
- Ari Faria Bittencourt é empresário e, além do IFPD, preside o Sindilojas (Sindicato dos Lojistas do Comércio e do Comércio Varejista de Maquinismos, Ferragens, Tintas, Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos de Curitiba e Região Metropolitana)
Contato:  http://www.ifpdpr.com.br/  / ifpd@fecomerciopr.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Obras tornam RJ recordista em consumo de concreto

Volume de empreendimentos faz com que material empregado no estado passe de um milhão de metros cúbicos até 2016

Por:Altair Santos

O Rio de Janeiro se transformou em um canteiro de obras de 43,7 mil km², o que equivale à sua dimensão territorial. Principal cidade-sede da Copa do Mundo de 2014, sede dos Jogos Olímpicos de 2016, protagonista dos investimentos destinados ao pré-sal e ponto turístico número um do Brasil, o estado desencadeou investimentos na ordem de R$ 213,9 bilhões, que começaram em 2010 e devem se estender até 2020. O volume de recursos faz com que o Rio de Janeiro seja recordista em quantidade de obras no país e um dos mais destacados centros da construção civil mundial na atualidade.

Linha 4 do metrô da cidade do Rio de Janeiro: uma das megaobras em construção na capital fluminense.

Apesar de todos os 92 municípios do estado estarem envolvidos em obras, 60% delas estão concentradas na capital fluminense. No entanto, a que irá consumir o maior volume de concreto localiza-se em Angra dos Reis. Trata-se da terceira usina nuclear em construção, e que envolverá 200 mil m³ do material. Ainda sem números fechados, a Secretaria de Obras do Rio de Janeiro estima que todos os empreendimentos irão consumir mais de um milhão de metros cúbicos de concreto. Além de Angra 3, o Arco Metropolitano - anel rodoviário que unificará todas as rodovias que cruzam o estado - também receberá um volume intenso de concreto. Calcula-se 92 mil m³.

Levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro mostra que, dos R$ 213,9 bilhões a serem investidos, R$ 83 bilhões irão para a cadeia de exploração e produção de petróleo. A logística e a infraestrutura urbana receberão R$ 61,9 bilhões. Em seguida, virão os setores de siderurgia (R$ 20,1 bilhões); energia (R$ 14,8 bilhões); petroquímica (R$ 14,6 bilhões), indústria naval (R$ 9,5 bilhões); indústria de transformação (R$ 7,9 bilhões); serviços (R$ 1,3 bilhão) e telecomunicações (R$ 800 milhões). Ainda de acordo com o documento elaborado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) denominado Decisão 2011-2013, desse volume de recursos R$ 181 bilhões serão investidos até 2013.

Entre as obras prementes estão a reforma do estádio Maracanã, que consumirá 31 mil m³ de concreto; a linha 4 do metrô, que facilitará o acesso do transporte público à Barra da Tijuca, e que consumirá 108 mil m³, além das quatro linhas de BRT (Bus Rapid Transit), que dos 180 quilômetros de extensão terão 125 executados em pavimento de concreto. A ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) assessora o projeto, que custará R$ 16 bilhões. Cada linha (TransOeste, TransCarioca, TransOlímpica e TransBrasil) deverá absorver perto de 70 mil m³ de concreto.  No conjunto de construções, estão previstas 60 obras de arte, com duas pontes estaiadas e três túneis.

Outro empreendimento relevante é o que promoverá a maior intervenção urbana em uma capital brasileira. Trata-se do Porto Maravilha, que irá transformar os 5 milhões de m² da região portuária e do centro histórico do Rio de Janeiro, cujo investimento em obras de infraestrutura chega a R$ 7,6 bilhões. Previsto para ser entregue em 2015, esse projeto, assim como os demais em construção, promete concorrer com os cartões postais que o Rio herdou da natureza. Agora, moldados em concreto.

Confira relatório da Firjan sobre investimentos no Rio de Janeiro: clique aqui

Entrevistados
Secretaria de Obras do Rio de Janeiro (SEOBRAS), Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro e Firjan

Contatos:  ascom@emop.rj.gov.br/ ascom@desenvolvimento.rj.gov.br /imprensa@firjan.org.br

Créditos foto: Divulgação/Governo do RJ

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Brasil é referência mundial em cimento ecoeficiente

Com parque industrial moderno, setor soube fazer a lição de casa sobre sustentabilidade, avaliam os especialistas Arnaldo Battagin e Paulo Helene

Por: Altair Santos

O setor cimenteiro do Brasil vive uma nova era. A necessidade de produzir com mais  eficiência, atendendo requisitos ambientais, faz com que as fábricas invistam maciçamente em futuras instalações ou na expansão de seus complexos industriais. Boa parte das cimenteiras hoje já opera com moinhos de alta competência energética e fornos aptos a queimar a maior variedade de resíduos coprocessados. O objetivo é superar o desafio de diminuir emissões de gases, o que tem sido alcançado com louvor, segundo destacam os especialistas Arnaldo Battagin e Paulo Helene. 

Arnaldo Battagin: emissão das cimenteiras está abaixo da metade do que exige o Conama.

No entender do chefe dos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) o investimento em tecnologia só vem reforçar a posição do setor cimenteiro nacional que, perante outros países, é considerado o mais ecoeficiente do mundo. "Essa aplicação de tecnologia resulta em uma redução ainda maior de emissões. Com essas novas instalações, têm sido praticados valores de emissão de materiais particulados menores que 20 mg/Nm3 (lê-se miligramas por normal metro cúbico) contra 50 mg/Nm3, que é o limite prescrito pelo regulamento ambiental do Conama", destaca Arnaldo Battagin. 

O engenheiro civil e pesquisador Paulo Helene também destaca esse comprometimento do setor com a responsabilidade ambiental. Segundo ele, as cimenteiras do Brasil estão entre as indústrias que mais praticam o conceito de sustentabilidade. É o que ele escreveu em seu mais recente artigo Sustentabilidade das Estruturas de Concreto. "Em 1987, a Brundtland Commission da ONU registrou a definição do termo sustentabilidade. A partir desse conceito, o mundo produtivo passou a trabalhar freneticamente no sentido de aperfeiçoar os processos industriais. Em particular, o setor de concreto conseguiu vitórias expressivas nesse campo, sendo o Brasil hoje considerado referência mundial em produção de cimentos com baixa emissão de CO²", ressalta. 

Enquanto, na média mundial, a indústria de cimento é responsabilizada por 5% da emissão de gases no planeta, no Brasil essa taxa é de 1,4%. Segundo o Inventário Nacional dos Gases de Efeito Estufa, com dados referentes ao período de 1990 a 2005, a maior concentração de emissões de gases no país está relacionada às queimadas, à agropecuária e ao uso de energia. "No Brasil, a emissão especifica de CO² está abaixo de 600 quilos por tonelada de cimento, o que tem colocado a indústria cimenteira do país em uma posição de destaque no cenário mundial, sendo considerada a mais ecoeficiente", reforça Arnaldo Battagin. 

Paulo Helene: setor de concreto conseguiu vitórias expressivas, envolvendo redução do consumo de matérias primas.

Paulo Helene, no entanto, destaca que as vitórias do setor não podem estimular a acomodação, mas sim a busca de mais eficiência, sobretudo na qualidade do concreto. "Hoje há concretos com resistências mecânicas de 100 MPa a 800 MPa, que praticamente ainda não são explorados por necessitarem uma mudança de postura em relação ao projeto arquitetônico e estrutural. Acompanhar essa evolução é o grande desafio para aqueles que desejam estar atualizados ou na vanguarda. Para tal, é fundamental uma educação continuada, a participação em eventos, congressos e feiras, além de estar perto da academia e da indústria, pois hoje o conhecimento de qualidade é gerado das mais distintas formas e nas mais diferentes organizações, sejam elas de ensino, empresariais, públicas ou privadas", conclui. 

Confira na íntegra o artigo Sustentabilidade das Estruturas de Concreto: clique aqui 

 

Entrevistados
Paulo Helene, engenheiro, pesquisador e professor da USP, e Arnaldo Battagin, chefe dos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
Currículos

 Paulo Helene é graduado em engenharia civil, pesquisador e professor-titular da Universidade de São Paulo e diretor da Ph.D Engenharia
Arnaldo Battagin é graduado em geologia pelo Instituto de Geociências da USP (1974)
- Tem especialização nas áreas de tecnologia básica de cimento e concreto, durabilidade do concreto, técnicas experimentais, administração e gestão da qualidade
- É autor e coautor de cerca de 60 trabalhos técnico-científicos publicados em revistas e congressos nacionais e internacionais
- Atualmente é chefe dos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
Contatos:  arnaldo.battagin@abcp.org.br  / paulo.helene@poli.usp.br 

Créditos foto: Divulgação 

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Garagem pega o elevador e se instala no apartamento

Edifícios de alto padrão reservam espaço para o veículo na área útil, mas isso requer que o projeto garanta reforço nas lajes e tratamento acústico das paredes

Por: Altair Santos

A nova tendência entre os edifícios de alto padrão é acoplar a garagem à área útil do apartamento. O arquiteto Gustavo Penna tem sido um dos mais atuantes em utilizar esse conceito no Brasil. Radicado em Belo Horizonte, foi na capital mineira que ele projetou o prédio que virou modelo para outros empreendimentos: o Parc Zodíaco. A obra, inaugurada há três anos, foi concebida com plantas flexíveis, em que a garagem poderia ficar tanto na sala quanto na área de serviço.

Arquiteto Gustavo Penna: ideia foi dar um upgrade na garagem.

Para conceber o projeto de Gustavo Penna, o engenheiro civil Eduardo Luiz Silva revela que o maior desafio foi definir a área em que o elevador exclusivo para os veículos seria instalado. Na planta, o equipamento ocupa o centro do edifício, com portas que se abrem dos dois lados - uma delas permite que o automóvel se instale na sala e a outra que ele ocupe a área de serviço. "O elevador demanda um espaço significativo no pavimento do apartamento. Além disso, foi preciso projetar uma estrutura que suportasse a carga de um veículo no andar", diz Eduardo Luiz Silva.

No caso do Parc Zodíaco, a EPO Engenharia, que construiu o prédio, optou por usar lajes nervuradas protendidas. Por serem mais esbeltas, elas suportam cargas elevadas, o que era necessário por causa do projeto contemplar a permanência de um veículo na área útil do apartamento. "Também reforçamos o contrapiso e o piso para resistir à carga extra proporcionada pelo peso do automóvel", destaca o engenheiro, revelando que o consumo de concreto no edifício não foi muito diferente do usado num prédio convencional, por que houve a utilização de concreto protendido nas lajes.

Garagem dentro da área útil do apartamento oferece conforto e praticidade aos moradores.

O cálculo do projeto foi assinado pelo escritório de Raul Neueschwander, que permitiu que o Parc Zodíaco fosse erguido consumindo 12,5 mil m³ de concreto.  O edifício também tem compromissos com a sustentabilidade, haja vista que a implantação do prédio no terreno apresenta uma taxa de ocupação de 11,8% e uma área permeável de 38,7%, com 2.752,5 m² de jardins e áreas abertas, atendendo com folga a taxa exigida pela lei de uso e ocupação do solo, que é de 20%. Quanto à garagem dentro do apartamento, o empreendimento dispõe de um sensor de gás carbônico que detecta a emissão do veículo e aciona um sistema de exaustão retirando todo os gases do ambiente.

Outra preocupação foi com o tratamento acústico das paredes que envolvem a garagem dentro do apartamento. Há casos em que o carro fica estacionado ao lado de um quarto, e isso exige um cuidado acústico", relata  Eduardo Luiz Silva, destacando que foi possível chegar a esse conceito de edifício por que os projetos arquitetônico e estrutural foram concebidos desde o início para esta finalidade. Em uma área construída de 13.800 m², o Parc Zodíaco tem 22 pavimentos, 70 metros de altura, 14  apartamentos e 66 garagens.

Confira vídeo do edifício Parc Zodíaco: clique aqui

Edifício Parc Zodíaco, em Belo Horizonte: projeto permitiu que garagem fosse acoplada à sala ou à área de serviço.
by Action Labs

Ataque por íons de cloreto custa R$ 800 milhões por ano ao Brasil

Quantia equivale a quanto o país gasta para recuperar obras públicas afetadas por uma das principais patologias em armaduras de concreto

Por: Altair Santos

O ataque por íons cloreto às armaduras embutidas no concreto é, em todo o mundo, a patologia mais estudada pelos pesquisadores envolvidos com a construção civil.  O que se busca é obter para a estrutura agredida uma vida útil maior. Por isso, boa parte das análises tentam melhorar o sistema concreto-aço para que não haja a entrada de agentes agressivos, tais como Cl-, O₂ e CO₂ . Há avanços, principalmente para reduzir as heterogeneidades do aço (composição, presença de impurezas e tratamentos térmicos e mecânicos), mas também existe consenso de que dificilmente se conseguirá anular totalmente essa patologia.

Joseanne Maria Rosarola Dotto: custo econômico para recuperar obras atingidas por patologias é muito alto.

No Brasil, a professora Joseanne Maria Rosarola Dotto, do Departamento de Estruturas e Construção Civil da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-RS) está entre os principais pesquisadores do país voltados para o estudo do ataque por íons cloreto. Segundo ela, as obras públicas, principalmente pontes e viadutos, são as mais expostas à patologia. A ponto de os gastos governamentais para recuperar estruturas danificadas chegar ao valor de R$ 800 milhões por ano. "O que acontece é que aqui normalmente não se faz a inspeção periódica e nem o monitoramento das estruturas de concreto armado. Então, as intervenções são feitas somente quando a estrutura já está com um processo de corrosão avançado, o que eleva consideravelmente os custos para a reabilitação", explica.

Os íons cloreto podem entrar no concreto vindos do ambiente externo, principalmente nas estruturas expostas à névoa salina e a altas taxas de poluentes, ou estar contido no concreto devido ao uso de água ou agregados contaminados, incluindo aditivos aceleradores de pega e endurecimento (base de cloreto de cálcio, CaCl₂). "Considerando que as cidades crescem muito nas regiões litorâneas e que o concreto armado é o material mais utilizado, temos muitas estruturas com problemas de corrosão nessas áreas. Um levantamento feito na cidade de Recife, por exemplo, aponta que 64% das patologias em estruturas de concreto estão relacionadas à corrosão por íons cloreto", cita Joseanne Dotto.

A pesquisadora da UFSM, no entanto, ressalta que o concreto proporciona um ambiente favorável para que a armadura nele embutida não corroa. "Os compostos do cimento (silicatos C₂S e C3S) ao se hidratarem liberam hidróxido de cálcio e que somado aos álcalis do cimento (Na+, K+) proporcionam um ambiente alcalino com pH ≥12,5. Neste ambiente, a armadura forma uma camada de óxido protetor. A entrada de agentes agressivos, tais como o íon cloreto, pode levar ao início de um processo de corrosão pela ruptura do filme de óxido em um determinado ponto", explica Joseanne Dotto, lembrando que cimentos Portland que utilizam pozolanas em sua composição são recomendados para a fabricação de concretos que pretendem combater os processos de corrosão. "Os produtos da reação pozolânica, que ocorre entre a pozolana finamente moída+ Ca(OH)₂em presença da água, são bastante eficientes no preenchimento dos espaços capilares, obstruindo os poros vazios, conhecido como efeito filler", completa.

Avanço nas normas

Estrutura de concreto com ataque de íon cloreto: no Brasil, a falta de inspeção periódica favorece as patologias.

Joseanne Dotto destaca que no Brasil houve um avanço significativo na redução dos ataques por íons cloreto desde que a norma NBR 6118- Projeto de estruturas de concreto armado sofreu revisão em 2003. A nova versão recomenda um cobrimento mínimo em função da classe de agressividade do meio ambiente (tabela 7.1 -Correspondência entre classe de agressividade e qualidade do concreto; e Tabela 7.2 - Correspondência entre classe de agressividade ambiental e cobrimento nominal). Além disso, encontra-se uma recomendação na mesma norma para o consumo de cimento por metro cúbico de concreto. "O consumo mínimo de cimento por metro cúbico de concreto deve estar de acordo com as recomendações da NBR 12655 - Concreto: Preparo, controle e recebimento, não sendo permitido o uso de aditivos contendo cloretos na sua composição, sobretudo em estruturas de concreto armado e protendido", destaca.

Por fim, a professora da UFSM avalia que, dependendo do modelo da obra, o recomendado é utilizar estruturas pré-fabricadas. Segundo ela, por que os artefatos são produzidos em unidades fabris que dispõem de mão de obra treinada e especializada, além de rigoroso controle de qualidade dos insumos, dosagem em peso dos materiais, cura adequada e laboratórios para ensaio das propriedades. "Esses cuidados com a produção garantem um concreto de maior durabilidade e compacidade do que aqueles executados in loco, se produzidos sem os mesmos cuidados", recomenda Joseanne Dotto.

Entrevistada
Joseanne Maria Rosarola Dotto, professora do Departamento de Estruturas e Construção Civil da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-RS)
Currículo
 

 

- Joseanne Maria Rosarola Dotto possui graduação em engenharia civil pela Universidade Federal de Santa Maria (1982), mestrado em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Santa Maria (1986) e doutorado em engenharia de minas, metalúrgica e de materiais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998)

- Atualmente é professor-adjunto I da Universidade Federal de Santa Maria. Tem experiência na área de química, com ênfase em físico-química. Atuando principalmente nos seguintes temas: corrosão do aço, métodos eletroquímicos e durabilidade das estruturas de concreto.

Contato: jmrdotto@smail.ufsm.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Planejamento estratégico requer mergulho no DNA da empresa

Companhias despertam para esse modelo administrativo, onde buscam conjunto de ações táticas e operacionais para ficar alinhadas com as exigências do mercado

Por: Altair Santos

Atentas aos movimentos econômicos, construtoras e incorporadoras têm procurado projetar seus negócios a médio e longo prazo. Para obter respostas, buscam novos modelos administrativos. Entre eles, o planejamento estratégico. "As empresas recorrem a essa ferramenta para entender o ambiente externo, perceber as perspectivas da economia brasileira e projetar o mercado imobiliário pelo menos para os próximos três anos. Com ela, é possível detectar as virtudes e fraquezas da companhia, em comparação aos seus principais concorrentes, e implantar um plano de ação que vai balizar os caminhos da corporação", explica Roberto de Souza, diretor-presidente do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações).

Roberto de Souza, presidente do CTE: "Sem o planejamento estratégico a empresa se comporta como um barco à deriva".

Atualmente, entre as construtoras que adotam políticas de planejamento estratégico estão Plaenge, Andrade Gutierrez, Odebrechet, Brookfield, Cyrela Brasil, Even, PDG, Tecnisa, Camargo Corrêa, MRV e Gafisa. No entanto, a construção civil não está entre os setores da economia que lideram o ranking de ações voltadas a esse modelo de gestão. As áreas financeiras e de tecnologia estão mais adaptadas ao conceito. E poder público também começa a mergulhar neste universo. "Percebe-se ainda um despertar das empresas de médio e pequeno porte", afirma Roberto de Souza.

No entanto, o especialista alerta que, embora as empresas reconheçam a necessidade desse planejamento, muitas delas esbarram em dificuldades para elaborá-lo. "Um dos empecilhos reside na cultura da maioria das incorporadoras e construtoras, que estão focadas muito mais na visão operacional que nas visões táticas e estratégicas. Por conta do crescimento acelerado do mercado, os esforços e o tempo dos executivos e gestores têm se concentrado na geração de negócios, na aprovação de projetos, no controle de prazos e custos e na qualidade das obras. A falta de dados e informações sistematizadas das operações empresariais dificulta a análise macro do mercado e dos negócios das empresas", destaca Roberto de Souza.

Independentemente do setor em que atua, a companhia que deseja adotar o planejamento estratégico em sua administração precisa envolver todos os seus setores e promover o autoconhecimento da organização, procurando descobrir suas vocações. "Trata-se de um verdadeiro mergulho no DNA empresarial, o que permitirá identificar seus pontos fortes e fracos, as ameaças e oportunidades oferecidas pelo mercado, além de mapear a capacidade da empresa de criar valor para o seu negócio", cita o diretor-presidente do CTE, ressaltando que o que falta às corporações é fazer rodar o ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Action) na gestão dos processos empresariais, ou seja, planejar, fazer, checar e agir. "Ele ajuda a identificar desvios e promover ações corretivas e preventivas."

Roberto de Souza enumera que atualmente as construtoras precisam cuidar dos seguintes ativos: profissionais qualificados, boas parcerias, gestão tecnológica, ações de sustentabilidade, tecnologia da informação, marketing e fidelização de clientes. São componentes que formam o planejamento estratégico, sem os quais a empresa se comporta como um barco à deriva. Por outro lado, a adoção do planejamento estratégico constitui-se em um grande passo para minimizar riscos e manter a empresa viva e competitiva", ressalta, lembrando, porém, que planejamento estratégico não é apenas adquirir softwares que permitam implantá-lo. "Tudo depende do envolvimento da alta e da média direção da empresa para que o conceito seja disseminado", completa.

O diretor-presidente do CTE avalia ainda que sempre é bom ter o apoio de consultores para dar o "start" no processo. "O especialista vai proporcionar aos acionistas e executivos uma visão objetiva dos fatores que devem ser considerados no desempenho competitivo da organização, assim como orientar quais devem ser os esforços de planejamento e gestão estratégica", cita, lembrando que há uma vasta literatura sobre o assunto para quem quiser saber mais sobre esse modelo gerencial.

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Entrevistado
Roberto de Souza, diretor-presidente do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações)
Currículo

- Engenheiro civil, mestre e doutor em engenharia pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo)
- Atualmente é o diretor-presidente do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), empresa associada ao Instituto Ethos, USGBC, GBC Brasil e CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável)
- Em 2011, o CTE ganhou o prêmio Green Building Brasil como empresa sustentável de serviços
Contato: roberto@cte.com.br / http://www.cte.com.br

Créditos foto: Divulgação/CTE

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Mão de obra é o que mais encarece o metro quadrado

No acumulado dos últimos doze meses, segundo dados do IBGE, custo dos trabalhadores foi 85% maior que o dos materiais

Por: Altair Santos

Apesar de o nível de atividade da construção civil apresentar um viés de baixa em 2012, como mostra levantamento mensal realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor vive um paradoxo: o metro quadrado construído não para de ter seu preço valorizado. Segundo o índice FipeZap, que baliza o mercado nas principais capitais do país, no acumulado dos 12 meses (junho de 2011 a junho de 2012) a alta foi de 18,4%. Hoje, a média nacional está em R$ 6.661,00. Atualmente, neste valor, o peso maior é o da mão de obra.

Preço da mão de obra é determinante para definir valor do metro quadrado construído.

Dados do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi) apurados mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que a mão de obra hoje tem um peso de 53% sobre o preço do metro quadrado construído, seguido de tributos, com 28%, equipamentos e maquinários (10%) e material de construção (9%). Só no acumulado dos 12 meses, o valor do trabalho formal que atua nos canteiros de obras teve reajuste de 9,57% contra 1,47% dos materiais.  

Segundo Augusto de Oliveira, gerente de pesquisas do Sinapi, recentemente esses custos da construção civil têm se refletido mais na região Sul. No acumulado dos 12 meses, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul a alta foi de 7,01%. "Isso se deve à pressão exercida pelo reajuste salarial decorrente de acordo coletivo, que possui peso no cálculo do índice", destaca Oliveira, ressaltando que Santa Catarina é o estado que tem registrado as maiores variações no custo do metro quadrado construído. Só em Balneário Camboriú/SC, o metro quadrado construído chega a R$ 8 mil nas regiões mais valorizadas do município. Se equipara aos mais caros do país, que, segundo o índice FipeZap, estão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro: R$ 8.280,00 e R$ 8.072,00.

Há indicadores que mostram que esses valores deverão ter uma aceleração mais lenta. O próprio Sinapi revela essa tendência. Entre as cidades que têm o metro quadrado mais caro do país, o Rio de Janeiro, em junho de 2012, registrou variação de apenas 0,05%. Porém, segundo especialistas, o avanço mais lento do preço do metro quadrado construído é um sinal de alerta, mas não significa que as construtoras estejam dispostas a reduzí-lo. Até por que, o peso da mão de obra seguirá influenciando fortemente esse custo. "Entre conceder reajuste e perder a mão de obra qualificada, as empresas preferem dar o aumento. Elas têm receio de não achar novos trabalhadores e isso influencia toda a cadeia do setor”, avalia o coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), Armando Castelar.

Entrevistados

IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), CNI (Confederação Nacional da Indústria) e FGV (Fundação Getúlio Vargas)

Contatos:  comunica@ibge.gov.brimprensa@cni.org.br / ibre@fgv.br

Créditos foto: Arquivo/ABr

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330