Popularizar concreto “usinado” traz ecoeficiência

Produto poderia estar presente nas autoconstruções, mas burocracia e questões tributárias dificultam seu uso nas obras de menor porte

Por: Altair Santos

O que é ser ecoeficiente? Independentemente do setor, incluindo aí a construção civil, significa produzir mais com menos, sem, no entanto, afetar o desempenho do produto. Segundo o professor da Poli-USP, Rafael Pileggi, que palestrou no Concrete Show 2012, não são necessárias soluções mirabolantes para se atingir a ecoeficiência no que se refere às obras brasileiras. De acordo com o especialista, diminuir o desperdício nas autoconstruções seria um passo importante. Mas para isso deveria haver estímulo governamental. "No caso do concreto, por exemplo, 60% do que é produzido por meio de autoconstrução gera desperdício", afirma.

Concreto usinado: mais resistente e capaz de prolongar a vida útil da construção.

Por isso, Rafael Pileggi avalia que deveria ser estimulado o uso de concreto dosado em centrais - também conhecido como concreto usinado - nas obras de menor porte. "Hoje, o que ocorre na maioria das construções brasileiras? Chega o cimento no canteiro e se o construtor, ou o pedreiro, não souber dosar o concreto, misturando cimento, areia, brita e água na quantidade certa, ele vai fabricar um concreto com pouca eficiência e com desperdício de materiais. Então, o que se discute hoje é como levar o produto final à obra, já que há uma tendência de que esse seja o modelo de negócio a médio e longo prazo. Mas para isso é preciso superar barreiras  tecnológicas, burocráticas e tributárias", diz.

Pileggi, em sua palestra no Concrete Show 2012, mostrou que o concreto bem dosado, misturado em caminhão betoneira, aumenta a ecoeficiência (mais resistência com menos uso de material) em 15%, em média.  "Outra medida simples, e que gera eficiência, é guardar os agregados à seco. Muitas vezes, a gente chega para o dono da concreteira e pergunta: por que você deixa os seus agregados tomarem chuva? Ele responde que se construir uma área coberta paga mais IPTU. São essas barreiras que a sociedade precisa resolver para repensar paradigmas que a tecnologia disponível já permite que sejam repensados", avalia o professor da Poli-USP.

De acordo com o especialista, ou se pensa em soluções práticas ou se busca medidas mirabolantes.  "Há linhas de pensamento que defendem, por exemplo, que se faça clínquer com menos calcário. Só que daí, quando se faz o cálculo, percebe-se que os novos ligantes não atenderiam sequer o mercado de São Paulo. Há ainda quem defenda a produção de cimento sem forno, usando a eletroquímica. Mas verifica-se que se consegue produzir apenas um quilo e meio por mês. Então, o que precisamos entender é que vivemos em uma sociedade baseada em concreto e que a ecoeficiência é uma necessidade. Mas ela tem de ser conseguida com a tecnologia que já existe. A partir delas  vamos eliminar as gorduras e aumentar a eficiência da cadeia", concluiu.

Entrevistado
Rafael Pileggi, professor da Poli-USP, especialista em materiais cimentícios ecoeficientes
Currículo
- Rafael Giuliano Pileggi é graduado em engenharia de materiais pela Universidade Federal de São Carlos (1992)
- Tem mestrado em ciência e engenharia dos materiais pela Universidade Federal de São Carlos (1996) e doutorado em ciência e engenharia dos materiais pela Universidade Federal de São Carlos (2001)
- Atualmente é professor de graduação/pós-graduação e pesquisador do departamento de engenharia de construção civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, sendo responsável pela implementação do laboratório de reologia de suspensões reativas aplicadas à construção civil
- Atua ainda como coordenador de pesquisas junto ao Consórcio Setorial para Inovação da Tecnologia em Revestimentos de Argamassas (CONSITRA), participa do projeto multi-institucional de desenvolvimento de componentes de fibrocimento sem amianto, além de supervisionar pesquisas junto ao Laboratório de Microestrutura
Contato: rafael.pileggi@poli.usp.br

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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Pavimento rígido também tem 10 mandamentos

Marcos Dutra e Leovaldo Foganhole, especialistas da ABCP, ensinam o passo a passo para que a pavimentação em concreto tenha alta eficiência

Por: Altair Santos

Construir rodovias e avenidas com pavimento rígido requer domínio da tecnologia. Por isso, a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) tem intensificado o número de seminários para disseminar o conhecimento e ampliar o número de profissionais especializados em pavimentação em concreto. Foi o que ocorreu no Concrete Show 2012, quando o alvo foram os estudantes de engenharia civil. Em suas palestras, Marcos Dutra, coordenador do núcleo de pavimentação da ABCP, e Leovaldo Foganhole, gerente de equipamentos e obras da ABCP, mostraram quais são os 10 mandamentos para se atingir a alta eficiência das pistas à base de concreto.

Marcos Dutra, no Concrete Show 2012: “Quem constrói pavimento em concreto tem menos margem de erro”.

Preparo da sub-base, produção do concreto, transporte, lançamento na pista, adensamento, nivelamento, acabamento, texturização, cura e corte, além da selagem das juntas, fazem parte do passo a passo para que a pavimentação em concreto seja realizada com qualidade. "No Brasil, usa-se muito o concreto simples, sem armadura. Significa que o próprio material vai suportar os esforços de tração e compressão. Por isso é preciso seguir com muita precisão essas dez etapas, para que o produto final não apresente problemas", ressalta Leovaldo Faganhole, cuja observação foi realçada por Marcos Dutra. "É importante deixar claro que no pavimento em concreto a margem de erro é bem menor", completou.

Os engenheiros da ABCP destacaram que atualmente, com a tecnologia dos equipamentos usados para construir pistas de pavimento rígido, e também pela qualidade do cimento brasileiro, questões climáticas deixaram de influenciar no produto final. "Hoje, no Brasil, se constrói pavimento em concreto com qualquer tipo de cimento. Como no país a tradição é fazer a pavimentação sem armadura, ela consome um volume significativo de cimento. De acordo com a NBR 7583 (execução de pavimento de concreto simples por meio mecânico) o mínimo exigido por metro cúbico é de 320 quilos, resistência de 4,5 MPa na tração à flexão. Óbvio que dependendo do esforço a que o pavimento será submetido, o volume de cimento, a espessura e a resistência podem aumentar", frisa Marcos Dutra.

Além do atendimento às normas, a ABCP tem recomendado aos construtores de estradas e avenidas em pavimento rígido que usem aditivos no concreto para melhorar o adensamento e promover a cura química, além da selagem com juntas pré-formadas. "Isso resulta em melhor conforto para o usuário trafegar e reduz significativamente o risco de infiltrações de água no concreto", justifica Leovaldo Foganhole, lembrando ainda que a preparação da sub-base é fundamental para se construir um pavimento sem distorções. "Se ela estiver bem nivelada, não dará diferença de espessura entre os trechos. No Brasil, admite-se até um centímetro. Mas em outros países, nem isso", destacou.

Pista de teste

Entre as estradas em pavimento rígido que ajudaram a ABCP a consolidar uma tecnologia de construção está a que liga a fábrica da Cimento Itambé, em Balsa Nova, à jazida localizada em Campo Largo - ambas na região metropolitana de Curitiba. Durante o período da obra, que durou de 1988 a 2000, vários engenheiros da associação visitaram o trecho de 23 quilômetros. Apesar de o modelo não seguir o padrão nacional, pois utilizou diversas tecnologias – pavimento rígido armado, concreto simples sobre base de concreto compactado a rolo (CCR), sub-base de brita graduada, paver sobre CCR e até asfalto sobre sub-base de CCR, a qualidade da pista serviu para a ABCP tê-la como referência na hora de elaborar os 10 mandamentos do pavimento rígido.

Entrevistados
Leovaldo Foganhole, gerente de equipamentos e obras da ABCP, e Marcos Dutra, especialista e coordenador do núcleo de pavimentação da ABCP
Currículos
- Leovaldo Foganhole é engenheiro civil com atuação na área da construção rodoviária e mineração. Atualmente é responsável pela gestão de Equipamentos e obras da ABCP
- Marcos Dutra é engenheiro civil com diversos cursos de aperfeiçoamento e autor de mais de 70 trabalhos e artigos técnicos, publicados no Brasil e no exterior
- Tem participação em inúmeros projetos e obras de pavimentação com materiais à base de cimento no Brasil e fora do país
- Ganhador do prêmio Emílio Baumgart – destaque do ano em engenharia estrutural (IBRACO, 2007)
Contatos: leo.foganhole@abcp.org.brmarcos.dutra@abcp.org.br

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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Concreto pode ser aparente, mas não deve ser exposto

Obras de infraestrutura nas cidades tendem a não receber proteção, o que é um erro, segundo explica o professor da UFRGS, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho

Por: Altair Santos

Por convencimento, o Departamento de Engenharia Civil da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) conseguiu que a prefeitura de Porto Alegre pintasse todas as pontes e viadutos da cidade com tinta impermeável à água. A medida relativamente simples passou a poupar as estruturas de deteriorações localizadas, que ao longo do tempo trazem problemas de desempenho, como as corrosões de armaduras que ficam expostas. "Esse tipo de proteção ajuda a homogeneizar a obra, preservando seus pontos deficientes", diz o professor da UFRGS, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho.

Com base nesse exemplo de Porto Alegre, o especialista defende que o concreto pode ser aparente, mas não pode ser exposto. Ele diz isso referindo-se também às estruturas pré-fabricadas, que, apesar de serem construídas com mais precisão, não significa que não estejam sujeitas a problemas. "O tempo é inexorável. Então, a vida útil de uma obra deve ser manejada. No caso dos pré-fabricados, ainda que o ambiente de produção favoreça o menor número de erros, as conexões e a montagem são desafios para esse tipo de estrutura. Por isso, pré-fabricado ou pré-moldado aparente não significa que não precise ser protegido. Tintas, impermeabilizantes e silano-siloxanos são boas soluções para isso", afirma o professor da UFRGS.

Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, no Concrete Show 2012: em Porto Alegre, medidas simples melhoraram desempenho de pontes e viadutos

Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, que participou do seminário da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto) no Concrete Show 2012, ressaltou que uma obra para durar dezenas de anos precisa ser concebida com qualidade em todos os seus processos. "Por isso, defendemos que haja mais tempo para a elaboração dos projetos. Normalmente, há muita pressão em construir. Em alguns casos, o empreendimento está nas fundações, mas o projeto ainda não ficou pronto. Então, a questão da coordenação do projeto é fundamental para se entender como as interfaces físicas e do projeto interferem um no outro. Senão, cai nas zonas cinzas da obra e abre-se espaço para nascedouros de patologias", avalia.

O especialista destacou que, por esse motivo, é importante que a norma de desempenho NBR 15575 passe a servir de referência para os empreendimentos, sobretudo os habitacionais. "Ela agora define que uma construção deve ter vida útil mínima de 50 anos, isso falando de vida útil de projeto", comenta, citando que atualmente a engenharia tem muito mais mecanismos para agir na prevenção de uma obra. "Hoje conhecemos mais sobre como as estruturas deterioram, o que permite protegê-las melhor do ambiente, da forma como ela é utilizada ou do envelhecimento dos materiais", completa.

Entrevistado
Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC) da UFRGS
Currículo
- Luiz Carlos Pinto da Silva Filho possui graduação em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1989), tem mestrado em engenharia civil pelo NORIE/UFRGS (1994) e doutorado em civil engineering (Bridge Maintenance) pela Leeds University/UK (1998)
- É professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC)
- Lidera os grupos de pesquisa LEME e GRID (Gestão de Riscos em Desastres) e é editor e membro do conselho científico da revista IBRACON de Estruturas e Materiais (RIEM)
- É membro honorário do IBAPE-RS, membro e scientific paper reviewer do American Concrete Institute (ACI), presidente de Honra da Associación Latinoamericana de Control de Calidad, Patología y Recuperación (ALCONPAT Internacional), representante da ABNT no Comitê ISO TC71 e consultor ad-hoc de diversas entidades de fomento
Contato: lcarlos@cpgec.ufrgs.br

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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Na construção civil não cabe mais o "tocador de obra"

Constantes atrasos em obras, sejam elas habitacionais ou de infraestrutura, são reflexo da falta de um gerente de projetos à frente do empreendimento

Por: Altair Santos

Além do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do Minha Casa, Minha Vida, o governo federal anunciou recentemente mais um pacote logístico, voltado a modernizar rodovias, ferroviárias, portos e aeroportos. A oportunidade será mais um desafio às construtoras brasileiras, afirma o coordenador da área de construção e montagem do Instituto de Educação Tecnológica (IETEC), Ítalo Azeredo Coutinho. Para ele, nem que seja a fórceps, as empresas terão de aprender a fazer gestão de projetos para cumprir os compromissos assumidos.

Ítalo Azeredo Coutinho, coordenador do IETEC: "Infelizmente, Brasil tem pouca formação voltada ao gerenciamento de projetos”.

Azeredo assegura que não dá mais para confiar o planejamento a "tocadores de obra". A análise, que o especialista faz na entrevista a seguir, é praticamente a mesma realizada no 15º Seminário Nacional de Gestão de Projetos, que ocorreu em Belo Horizonte/MG. No encontro, os debatedores discutiram o andamento dos principais empreendimentos em execução no país. Foram avaliadas questões como controle eficaz de custos, receitas, produção, prevenção de falhas e atrasos, com a conclusão de que os próximos quatro anos serão decisivos para o Brasil ter uma gestão de projetos eficiente na construção civil. Confira:

Faltam processos eficientes para o gerenciamento dos projetos?
Os processos existem, e são conhecidos. Além disso, os resultados com eles obtidos são visíveis para os empresários que desenvolvem a cultura do planejamento e do controle em suas empresas. O que acontece é que muitas construtoras simplesmente não acreditam nas suas vantagens desses processos e preferem usar o antigo e ultrapassado "tocador de obra" em detrimento de um bom gerente à frente de uma equipe de projetos de construção.

E que processos são esses?
São processos simples, como planejar, executar, controlar e agir nos desvios, além de boas práticas técnicas e de segurança, que fazem a diferença no dia a dia das obras e conseguem trazer resultados de produtividade e rentabilidade nos empreendimentos.

O planejamento da obra, antes de colocá-la em pé, é o segredo para, independentemente do empreendimento, ele consiga ser efetuado dentro do prazo?
Entender o processo de construção, e traduzir as estratégias advindas de boas práticas, configurando essas informações para o planejamento e programação das atividades, é com certeza o melhor caminho para o sucesso em termos de prazos, custos e qualidade. Saber o passo a passo otimiza os recursos a serem utilizados no empreendimento e assegura o prazo e as margens de retorno financeiro.

O Brasil dispõe de um bom número de profissionais capacitados para realizar gestão de projetos?
Infelizmente, não. Não temos encontrado no país a formação de equipes de gerenciamento de projetos. Temos visto muitas iniciativas para formar o gestor, para que ele conheça as técnicas de planejar e controlar, mas isso não engloba quem fica no dia a dia da obra, que são o supervisor, o oficial, o mestre de obras, o almoxarife, o técnico de planejamento e medição e o técnico de segurança. Esses profissionais precisam conhecer, tanto quanto o gerente, de projetos, de planejamento e de controle, para, quando necessário, saber intervir e corrigir os desvios. Planejar é fundamental, mas ter uma equipe apta para isso é tão importante quanto ter um excelente gerente de projetos.

Qual o peso que a falta de profissionais, o chamado gargalo na mão de obra da construção civil, tem nessa conjuntura toda?
Estamos passando por uma grande revolução. As empresas têm buscado certificação de qualidade, pois para executar os procedimentos a qualificação da mão de obra é fundamental. Hoje, não é raro vermos cursos de eletricidade predial, tubulação, fôrma e armação sendo dados dentro do próprio canteiro de obras, ou seja, o gargalo existe, mas muitas vezes não é culpa da empresa. Em algumas ocasiões, os profissionais do setor não estão comprometidos com o desenvolvimento, mas com a sazonalidade. Entendo que o Estado poderia ajudar a corrigir essa deformação, com normas mais rígidas para sacar o FGTS e o seguro-desemprego, que é o que esses "funcionários pula-pula" buscam, sem se importar com a capacitação.

Diante do que o senhor explicitou, a avaliação é que as empresas que atuam no mercado da construção civil não esperavam o crescimento muito rápido do setor e, por isso, não se prepararam adequadamente para esse momento?
O empresariado brasileiro em geral é muito cético quanto a se manter preparado para oportunidades. O nosso passado recente de hiperinflação ainda causa temor, além da instabilidade política e altas cargas tributárias. Tudo isso, somado ao fato de que tradicionalmente somos ótimos executores e péssimos planejadores, faz com que as empresas fiquem num eterno estado de hibernação, prometendo crescer quando surgir a próxima oportunidade. Quando estas surgem, as ações são voltadas para saldar dívidas ocasionadas pelo tempo parado. Assim, se não mudarmos nossa filosofia, nunca estaremos preparados e vamos perder competitividade e capacidade de atender as demandas que têm surgido.

Como o senhor vê programas como o PAC, dá para dizer que está faltando gestão de projetos?
O que falta é um planejamento central da carteira de projetos estabelecidos para atender às metas do PAC. A partir desse ponto, estabeleceremos procedimentos profissionais de planejamento e controle, através do Tribunal de Contas, para fiscalizar os recursos públicos. Além do mais, falta a contratação de empresas de engenharia consultiva (projetos de engenharia) e construtiva para avaliar tecnicamente os projetos e dar um parecer profissional e alinhado com as melhores práticas do mercado. Depois de tudo isso feito, poderemos avaliar se falta gestão de projetos ou boa gestão dos recursos públicos. Outro fato importante é identificar onde a iniciativa privada poderia participar, dando maior fluidez nas obras programadas para as duas versões do PAC.

O setor imobiliário também tem sofrido atraso na entrega de obras. Os problemas que afligem PAC são os mesmos do setor habitacional ou eles são diferentes?
Os problemas são praticamente os mesmos. Podemos listá-los, inclusive: falta de planejamento adequado voltado para o plano do negócio; falta de acompanhamento sério e por meio de auditorias independentes com relatórios mensais dos avanços; e, por fim, a seleção de projetos prioritários (tanto para a União quanto para as empresas construtoras), pois eles definirão onde existe maior chance de sucesso (social ou financeiro) dos recursos empregados.

Entrevistado
Ítalo de Azeredo Coutinho, especialista em gestão de projetos e professor do Instituto de Educação Tecnológica (IETEC)
Currículo
- Ítalo de Azeredo Coutinho é graduado em engenharia industrial mecânica pelo Cefet-MG (2002), com pós-graduação em gestão de projetos pelo IETEC (2002) e mestrado em administração de empresas, com ênfase em gestão de projetos (2009)
- Atualmente é professor e coordenador de cursos de pós-graduação nas áreas de custos e orçamento, gestão de projetos em construção e montagem e engenharia de planejamento do Instituto de Educação Tecnológica (IETEC), em Belo Horizonte
- Também é coordenador de projeto e engenheiro de projeto na OUTOTEC Tecnologia do Brasil
Contato: italo_azeredo@yahoo.comwww.ieteconline.com.brjornalismo@ietec.com.br

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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Concrete Show 2012 movimentou R$ 880 milhões

Evento para o mercado latino americano de concreto e artefatos de cimento recebeu quase 30 mil visitantes, entre 29 e 31 de agosto em São Paulo

Por: Altair Santos

Na 6º edição do Concrete Show South America, que ocorreu de 29 a 31 de agosto de 2012 em São Paulo, o volume de negócios gerados no evento foi 10% superior ao de 2011. Alcançou-se a marca de R$ 880 milhões, e a expectativa é de que em 2013 ela supere R$ 1 bilhão. "O Concrete Show cresceu 500% desde a sua primeira edição, há seis anos. Consolidou-se como um catalisador de negócios e fortaleceu ainda mais o segmento. É o segundo maior evento do mundo e o maior da América Latina em tecnologia para a construção civil e infraestrutura", avalia Cláudia Godoy, diretora-geral da UBM Sienna, organizadora do evento.

Concrete Show South America: atraindo os principais players da construção civil do continente.

Em três dias, o Concrete Show expôs produtos de 550 empresas nacionais e internacionais, além de uma programação paralela com 150 palestras simultâneas sobre tecnologias e avanços para o segmento. O evento recebeu quase 30 mil visitantes e atendeu ao público no quesito inovação tecnológica. Houve vários equipamentos mostrados pela primeira vez no Brasil, entre eles a pavimentadora automática de paver, apresentada pela CSM Fôrmas e Sistemas Construtivos. A máquina permite cobrir 600 m² por dia, utilizando pouca demanda de mão de obra. “Encontrei muita tecnologia moderna, principalmente em relação às grandes máquinas”, disse o empresário Eurípedes Pereira.

Representantes de organismos ligados à construção civil saíram do Concrete Show 2012 otimistas com a possibilidade de o setor atingir o crescimento sustentável. "O número de investimentos estrangeiros no país cresceu muito nos últimos cinco anos e a construção civil está absorvendo boa parte desses negócios. Isso não vem só fomentando o desenvolvimento, mas também atraindo tecnologia e inovação. O retrato disto se viu na recente edição do Concrete Show, que mostrou crescimento em relação aos eventos de anos anteriores", disse Sergio Watanabe, presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo).

Pavimentadora automática de paver: entre as inovações mostradas pela primeira vez no Concrete Show.

Watanabe também destacou, que, mesmo que a projeção de crescimento no setor tenha sido revista em 2012, caindo de 5% para 4%, ainda assim apresenta um índice superior ao previsto para o PIB do país, que é de aproximadamente 2%. Arcinco Vaquero y Mayor, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (Abesc) compartilha da posição. "Nosso setor ainda não atingiu o seu ápice. Ainda há muito que crescer", afirmou, apoiado por José Carlos de Oliveira Lima, vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e presidente do Concic (Conselho Superior da Indústria da Construção) que reivindicou medidas de incentivo do governo. “Precisamos de ações como a prorrogação do IPI para os materiais de construção e a desoneração da folha de pagamento”, frisou.

A visão otimista se sustenta em fatores como o PAC da Infraestrutura e as obras para a Copa do Mundo e Olimpíadas. Isso se soma aos sinais de que o governo federal vai intensificar os incentivos para o desenvolvimento dos setores que compõem a cadeia. Além disso, os investimentos governamentais na construção de casas populares também impactam o setor. Segundo relatou a diretora do departamento de produção habitacional do ministério das Cidades, Maria do Carmo Avesani, só o programa Minha Casa Minha Vida 2 irá injetar R$ 62 bilhões de investimentos. “A boa notícia para o segmento é que já contratamos empresas para a construção de 849.226 moradias, ou seja, 42,5% da meta prevista, que é de dois milhões”, explicou, consolidando o otimismo do setor.

Para saber mais sobre o 6º Concrete Show South America: clique aqui.

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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Nova classe C exerce pressão por mais moradias

Até 2022, Brasil vai precisar construir pelo menos 20 milhões de habitações para suprir demanda da população que ascende socialmente

Por: Altair Santos

Segundo dados preliminares da Fundação João Pinheiro, que desenvolve trabalho encomendado pelo ministério das Cidades para recalcular o déficit habitacional brasileiro, há um novo fenômeno ocorrendo no país. Apesar de a pressão demográfica ter diminuído, cresce a demanda por novas moradias. Isso se deve ao surgimento da nova classe C, que, em função da ascensão social, está trocando a coabitação familiar pela compra de imóveis próprios. "Famílias recém formadas, e que moravam com parentes próximos, estão, em função do aumento da renda, buscando a casa própria", relata Rafael Tello, coordenador técnico do Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção, ligado à Fundação Dom Cabral.

Rafael Tello, da Fundação Dom Cabral: só com industrialização a construção civil atenderá o mercado.

Tello esteve entre os palestrantes do Concrete Congress - evento paralelo ao Concrete Show, que aconteceu de 29 a 31 de agosto em São Paulo. De acordo com dados apresentados pelo especialista, até 2022, para dar conta dessa demanda gerada pela nova classe C, o Brasil vai precisar construir 22 milhões de moradias. Isso deverá impor mudanças ao setor da construção civil. "Conceitos como industrialização habitacional, desempenho, sustentabilidade e preço competitivo terão de ser observados pelas empresas, o que deverá influenciar na forma como elas fazem a gestão de suas obras", avalia o professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral.

Para atingir a meta de suprir a demanda por habitações, a construção civil nacional tem entre os principais desafios a capacitação da mão de obra. "Hoje vivemos quase um analfabetismo profissional. O setor precisa aumentar em 3% ao ano a produtividade do trabalho. De que forma as empresas podem atingir esse objetivo? Adotando gestão, plano de carreiras e competitividade salarial para atrair trabalhadores de outros setores e gerar qualificação suficiente para que a industrialização encontre um ambiente favorável na construção habitacional", analisa Rafael Tello.

Outra ação necessária é a busca por inovação. Atualmente, o SINAT (Sistema Nacional de Avaliação Técnica) financia até 500 unidades que utilizem sistemas inovadores da construção. Já a Caixa Econômica Federal decidiu desburocratizar a liberação de recursos para obras que utilizam paredes de concreto e painéis pré-moldados. "Há um ambiente melhor para inovar, mas ainda existem barreiras para a industrialização. Dificuldades para realizar ensaios em laboratórios e materiais fabricados em desacordo com as normas estão entre elas. Os códigos de obras dos municípios também são empecilhos. Não há padronização, o que impede a produção em escala. É preciso superar isso para que na próxima década alcancemos a sustentabilidade do território urbano, reduzindo o déficit habitacional", finaliza Rafael Tello.

Entrevistado
Rafael Tello, coordenador técnico do Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção, da Fundação Dom Cabral
Currículo
- Rafael Tello é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem pós-graduação em negócios internacionais pela Fundação Dom Cabral e MBA em gestão da sustentabilidade pela Leuphana Universitaet (Alemanha)
- Professor e pesquisador, atua como coordenador técnico do Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção, parte do Núcleo Petrobras de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral
- Foi coordenador técnico do SGC (Programa Sustentabilidade para Gestores na Construção) da Fundação Dom Cabral, realizado em 2009
- Foi pesquisador assistente no Núcleo de Inovação e Competitividade da Fundação Dom Cabral
Contato: rafaeltello@fdc.org.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Sustentabilidade é compromisso da indústria de cimento

Referência mundial, setor no Brasil baseia-se em três pilares para reduzir impacto ambiental: tecnologia industrial, coprocessamento de resíduos e pesquisa de novos aditivos

Por: Altair Santos

O Brasil é atualmente o 4º maior consumidor de cimento e o 6° que mais fabrica o insumo no mundo. Com produção atual de 78 milhões de toneladas por ano, o país projeta atingir 111 milhões de toneladas até 2016. O consumo per capita de 311 quilos ainda está abaixo da média mundial, que é de 428 quilos por habitante, mas o setor nacional destaca-se pelo compromisso com a sustentabilidade. É o que destacou o geólogo Yushiro Kihara, gerente de tecnologia da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) em palestra no Concrete Congress - evento paralelo ao 6º Concrete Show, ocorrido de 29 a 31 de agosto em São Paulo. "O setor tem consciência de sua importância e faz um balanço ambiental que é referência mundial", cita.

Geólogo Yushiro Kihara, da ABCP: produção de cimento aumentou, emissão de CO₂ caiu.

Yushiro Kihara avalia que a característica singular da indústria cimenteira do Brasil contribui para destacar a responsabilidade ambiental do setor. "O país tem 15 grupos industriais, diferentemente do que ocorre em outras nações, onde duas ou três companhias, em média, dominam o setor. Essa competitividade converge para uma indústria moderna, que investe em filtros de alta eficiência, queimadores ecológicos com baixo consumo de energia, coprocessamento de resíduos perigosos, combustíveis alternativos, adições ao cimento e recuperação de áreas degradadas. Isso faz da indústria cimenteira brasileira a mais adequada às regulamentações ambientais internacionais impostas ao setor, que de 1990 a 2010 saltaram de 19 para 635, ressalta o geólogo.

Em sua palestra, o gerente de tecnologia da ABCP relatou que a indústria de cimento no Brasil se sustenta sobre três pilares: tecnologia dos equipamentos, coprocessamento de resíduos e adições para a fabricação do cimento, como cinzas volantes, escórias de alto forno, pozolanas naturais e pozolanas artificiais. "Por causa desses pilares, em 2010 o setor deixou de emitir 18 milhões de toneladas de CO₂. De 1995 a 2005, a emissão de gases foi inversamente proporcional ao aumento de produção. No mesmo período, a indústria de cimento cresceu 52% e a emissão de CO₂diminuiu 38%. É o que fez a Agência Internacional de Energia declarar as cimenteiras do Brasil com referência mundial em emissão de CO₂por tonelada de cimento", disse Yushiro Kihara.

Ambientalmente comprometida, a indústria cimenteira tem também prestado um serviço de saúde pública ao país com o coprocessamento de resíduos. "Em 2011 foi coprocessado um milhão de toneladas de resíduos. Entre os componentes usados, houve o consumo de 45 milhões de pneus. Muito provavelmente seriam materiais que estariam servindo de criadouros de dengue", cita Yushiro Kihara, para quem o Brasil tem pela frente os seguintes desafios para conseguir manter o setor de cimento comprometido com a sustentabilidade:
1°) Suprir a demanda nacional por cimento;
2°) Aumentar a queima de combustíveis alternativos;
3°) Buscar novas fontes de adição ao cimento;
4°) Estimular o aumento do clínquer coprocessado;
5°) Estar aberta às inovações tecnológicas.

Entrevistado
Yushiro Kihara, gerente de tecnologia da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Currículo
- Yushiro Kihara é graduado em geologia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP (1969). Tem mestrado em mineralogia pelo Instituto de Geociências da USP (1973) e doutorado em mineralogia e petrologia pelo Instituto de Geociências da USP (1982)
- Atualmente é professor doutor do Instituto de Geociências. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em ciência dos materiais, atuando principalmente nos seguintes temas: mineralogia aplicada, material de construção, fabricação de cimento portland, durabilidade do concreto à reação álcali-agregado, meio ambiente e coprocessamento de resíduos.
Contato: yushiro.kihara@abcp.org.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Norma de desempenho vira protagonista no Concrete Show

Boa parte dos seminários realizados na edição 2012 do evento tratou da NBR 15575. Consultora Maria Angélica Covelo Silva explica por que ela é tão importante

Por: Altair Santos

Entre as 150 palestras que aconteceram no Concrete Congress - seminário que ocorreu paralelamente ao 6º Concrete Show South America, realizado de 29 a 31 de agosto de 2012 em São Paulo -, 60% delas abordaram, ou pelo menos citaram, a NBR 15575. Em consulta técnica até o dia 13 de setembro, a norma de desempenho é vista como crucial para que a construção habitacional no Brasil atinja patamares já praticados há 30 anos na Europa, nos Estados Unidos e no Japão. Por isso, a conferência da consultora Maria Angélica Covelo Silva, que participou da elaboração e atua nas revisões da NBR 15575, foi considerada uma das mais relevantes sobre o tema.

Maria Angélica Covelo Silva: sem norma de desempenho, sistemas construtivos não evoluem.

A engenheira civil procurou desmistificar a norma, considerada polêmica por alguns setores da construção civil, mas ressaltou que a sua implantação - apesar das resistências - é um caminho sem volta. "A NBR 15575 vai definir uma linha divisória para o mercado, dizendo: abaixo disso não se pode construir. A princípio, ela abrange construções habitacionais de qualquer natureza, e não apenas para edifícios de cinco pavimentos. Mas com o know-how que a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) adquiriu, em breve pretende-se desenvolver normas de desempenho para todos os tipos de obras", disse Maria Angélica Covelo Silva.

Para a consultora, a falta de uma norma de desempenho tem impedido a construção habitacional brasileira de evoluir. "Estamos atrasados em mais de uma década em relação a outros países, seja na evolução de sistemas construtivos, de projetos, de materiais, enfim, de toda uma cultura na engenharia habitacional. Agora, temos que recuperar o tempo perdido", afirmou, lembrando que normas de desempenho não são novidade em outras áreas industriais. "O setor de transformação já tem um longo histórico. Basicamente, todos os produtos fabricados em linha de produção têm normas de desempenho", complementou.

Norma mãe

Maria Angélica Covelo Silva fez um histórico de como a norma de desempenho para edifícios evoluiu na Europa. Começou com a criação do Conselho Internacional de Pesquisa e Inovação na Construção (CIB, do francês Conseil International du Bâtiment) e avançou com a ISO 6241 - exigências humanas em relação às estruturas -, publicada em 1984. "Ela definiu parâmetros para os desempenhos acústico, térmico e de estruturas para os edifícios e pode ser considerada a norma mãe da NBR 15575. Isso mostra o quão atrasados estamos", afirmou, lembrando que no Brasil, ainda no tempo do Banco Nacional de Habitação (BNH) foi encomendado ao IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológica) um estudo para a criação de uma norma de desempenho para edifícios, mas cujos estudos não evoluíram.

Somente depois do caso ocorrido em 1991, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, onde três mil unidades tiveram que ser implodidas por que foram construídas com paredes de gesso, é que começou a se debater a criação de uma norma de desempenho para os empreendimentos habitacionais no Brasil. "Não houve avanço, mas a partir da década passada, com a consolidação do Código do Consumidor, compradores de imóveis passaram a exercer seus direitos junto aos organismos de defesa e isso acelerou os estudos para a criação de uma norma de desempenho. Em 2010, ela entrou em vigor, mas foi adiada sua exigibilidade. Em seguida, entrou em fase de revisão. Um dos pontos polêmicos alegados pelos construtores foi revisto, que era o que confundia vida útil com prazo de garantia. Na revisão, tratou-se de diferenciar bem isso", explica a consultora.

A expectativa é que a partir de 12 de março de 2013 a NBR 15575 entre efetivamente em vigor. "Na prática, vai significar que a partir de 13 de março de 2013, quando um projeto for protocolado em qualquer prefeitura do país, o consumidor terá direito de exigir que a norma seja cumprida", alerta Maria Angélica Covelo Silva, lembrando que a norma de desempenho não faz distinção quanto aos sistemas construtivos, mas define quais objetivos devem ser atingidos para a correta habitabilidade de quem compra o imóvel. "A norma vai mexer até com os catálogos de venda dos imóveis, valorizando o desempenho do empreendimento", cita.

Na Europa, a norma de desempenho é a propaganda do imóvel, revela a consultora. Ainda segundo a especialista, nos países europeus nenhuma construtora obtém financiamento para uma obra se não apresentar um projeto adequado com a norma de desempenho e que tenha um seguro que garanta que a norma será aplicada. "Se houver qualquer manifestação patológica, o usuário aciona a seguradora que concedeu o seguro-desempenho, e não a construtora. Isso regula o mercado na Europa e espero viver o bastante para ver isso aqui no Brasil", completou.

Entrevistada
Maria Angélica Covelo Silva, consultora e integrante do comitê que elaborou o NBR 15575
Currículo
- Maria Angelica Covelo Silva é engenheira civil graduada pela Universidade Estadual de Londrina
- Mestre em engenharia pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutora em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP)
- Iniciou a carreira em empresa construtora e, posteriormente, dedicou-se à carreira de professora e pesquisadora na Universidade Federal de Santa Catarina e no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo
- Em 1990 foi sócia fundadora da empresa de consultoria CTE (Centro de Tecnologia de Edificações) e em 1998 criou a NGI (Núcleo de Gestão e Inovação) Consultoria e Desenvolvimento
- É coautora dos livros “Sistema de gestão da qualidade para empresas construtoras” e “Gestão da qualidade no processo de projeto de edificações”
- Participou da elaboração e revisão da NBR 15575
Contato: ngi@ngiconsultoria.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB2330

Pavimento em concreto atrai investimento internacional

Fabricantes de equipamentos iniciam ações para mostrar como a tecnologia pode baratear a construção de estradas de alta eficiência

Por: Altair Santos

O 6º Concrete Show South America, realizado de 29 a 31 de agosto de 2012 em São Paulo, apontou para um consenso: o Brasil está se tornando um dos mercados mais atraentes para o desenvolvimento do pavimento rígido. Foi por isso que gigantes internacionais do setor expuseram no evento toda a tecnologia disponível hoje para se construir estradas de alta eficiência. Entre os expositores, esteve a GOMACO - líder mundial na fabricação de pavimentadoras de concreto -, que foi representada pelo CEO (Chief Executive Officer) para os países latinos, Steven Bowman. O especialista foi o protagonista de uma das palestras mais concorridas do congresso, que tratou da tecnologia aplicada na pavimentação de concreto.

Steven Bowman, CEO da GOMACO para os países latinos: "Com tecnologia, custo do quilômetro cai absurdamente."

Bowman continuará no Brasil nos próximos meses, para mostrar aos agentes públicos e às associações envolvidas com o concreto o quanto um país pode ganhar com a adoção do pavimento rígido em suas estradas e também em corredores de transporte público. "Meu objetivo aqui no país é mostrar que uma boa pavimentação gera economia e salva vidas. Sabemos das deficiências estruturais do Brasil e queremos mostrar como isso pode ser sanado, como foi em outros países", comentou o CEO da GOMACO, ressaltando que sua missão não é abrir uma frente de oposição à indústria do asfalto, mas sinalizar que cada situação exige um tipo de pavimento.

Segundo ele, boa parte das rodovias brasileiras, principalmente as federais, onde os caminhões evoluíram tecnologicamente e já conseguem trafegar até com dez rodados, hoje precisariam estar migrando para o pavimento rígido. "Eu, como economista, não gosto de ver asfalto onde deveria haver concreto e nem de ver concreto onde deveria ter asfalto. Creio que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) pensa o mesmo", disse Steven Bowman, elogiando a decisão do governo brasileiro em colocar um especialista em pavimentação à frente do Dnit, referindo-se ao diretor-geral Jorge Ernesto Pinto Fraxe, que é general e, como engenheiro civil, dirigiu a divisão de obras do Exército - a qual atua na pavimentação em concreto da BR-101 Nordeste.

Pavimentadora de concreto: tecnologia derruba mito de que pavimento rígido é mais caro e demora mais para ficar pronto.

Steven Bowman afirmou que atualmente a tecnologia embarcada nas pavimentadoras derruba o mito de que as estradas em concreto são mais caras e mais demoradas para serem construídas. "No Chile estamos com uma obra em que a nossa mais alta tecnologia está sendo empregada. Lá, com as equipes divididas em três turnos, está sendo possível pavimentar 4,5 quilômetros por dia a um custo em que a terceira equipe está praticamente operando de graça para a empreiteira. Conforme a obra avança, o preço se dilui. Diria que num trecho de cem quilômetros, os primeiros cinquenta quilômetros construídos pagam os outros cinquenta. Óbvio que tudo isso parte de bons projetos, acompanhados de tecnologia de ponta. É o que queremos mostrar ao Brasil", afirmou o CEO da GOMACO.

Vantagens atribuídas ao pavimento em concreto em estradas:
- Caminhões economizam até 11% de combustível a cada 1.000 quilômetros rodados.
- Vida útil dos pneus aumenta em 20%.
- Melhora visibilidade e reduz risco de acidentes.
- Durabilidade de até 50 anos sem reparos.

Entrevistado
Steven W. Bowman, CEO da GOMACO para os países latinos do Caribe, da América Central e da América do Sul
Currículo

- Nascido nos Estados Unidos, Steven W. Bowman é graduado em economia e tem 35 de experiência em equipamentos para pavimentação, atuando regiões como América, Europa e Oriente Médio
Contato: gomaco@supernet.com.bo
Créditos fotos: Divulgação/Cimento Itambé/GOMACO

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Déficit de mão de obra afeta indústria de artefatos

Setor comemora crescimento, mas carece de cursos profissionalizantes para acompanhar avanço tecnológico dos equipamentos

Por: Altair Santos

Para os gestores de indústrias de artefatos de cimento, o atual calcanhar de aquiles do setor está no limitado número de cursos de formação para qualificar profissionais que possam atuar tanto no chão da fábrica quanto na parte de gestão. Esse foi o foco da palestra que o empresário Dorival Fantinato concedeu no 6º Concrete Show South America, que ocorreu de 29 a 31 de agosto de 2012 em São Paulo. Desde 1972 atuando na área de equipamentos e pré-moldados, Fantinato hoje dá consultoria e desenvolve trabalhos técnicos para empresas que produzem blocos e pavers de cimento. Segundo ele, o aquecimento do setor destoa do nível de profissionalização. "Nacionalmente, a boa qualificação ainda não foi atingida e, ao meu ver, falta muito para atingirmos a excelência", revela.

Dorival Fantinato: “Existe um déficit muito grande na área de educação profissional”.

Como o setor de artefatos de cimento é bem normatizado, o produto final que chega ao consumidor é acompanhado, na maioria das vezes, de um ótimo controle de qualidade. Até porque, nos anos recentes, as indústrias que lideram o setor agregaram muita tecnologia em suas linhas de montagem. "Hoje, dentro das nossas condições tecnológicas, não deixamos nada a desejar com relação aos equipamentos importados. Pois além da constante inovação, também estamos fazendo parcerias com empresas internacionais, objetivando sempre a melhoria da qualidade dos nossos produtos", afirma Fantinato, revelando que os maquinários estão cada vez mais sofisticados e, por isso, carecem de operadores também mais qualificados. "Controle touch screen e acesso remoto via internet já são realidade entre os equipamentos", completa.

Dorival Fantinato entende que programas como Minha Casa, Minha Vida e PAC da Mobilidade aqueceram o setor. Atualmente, de acordo com os dados mais recentes do IBGE, há no Brasil 12,5 mil estabelecimentos dedicados à fabricação de artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e estuque. No entanto, o consultor avalia que ainda faltam tributos diferenciados para que o crescimento sustentável se consolide. Além disso, observa, a crise internacional tem gerado dificuldades aos empresários para a compra de novos equipamentos. "Os financiamentos bancários estão exigindo maiores garantias, atrapalhando um maior número de vendas", analisa. Por isso, finaliza, eventos como o Concrete Show são importantes. "Eles possibilitam conhecer novos produtos e acompanhar as inovações", conclui.

Entrevistado
Dorival Fantinato, consultor e palestrante voltado à gestão de fábricas de blocos e pisos intertravados à base de cimento
Currículo
- Dorival Fantinato atua na área de equipamentos e pré-moldados desde 1972
- É o fundador da Tprex, que opera desde 1992 e é voltada para a fabricação de equipamentos para fábricas de artefatos de cimento
- Desenvolve diversos trabalhos técnicos voltados à gestão de indústrias do setor de blocos e pisos intertravados
Contato: tprex@tprex.com.br

Créditos foto: Divulgação/Tprex

Jornalista Responsável: Altair Santos - MTB 2330