Museu Oscar Niemeyer desafiou engenharia paranaense

Obra foi eleita uma das 20 mais bonitas do mundo e contou com a participação da construtora CESBE e do concreto da Concrebras

Eleito um dos 20 museus mais bonitos do mundo - sob o ponto de vista arquitetônico -, o Oscar Niemeyer, em Curitiba, também conhecido como "Museu do Olho", foi uma das construções mais desafiadoras para a engenharia paranaense. Inaugurado em 22 de novembro de 2002, e prestes a completar 10 anos, a obra esteve sob a responsabilidade da construtora CESBE S.A e consumiu 5.226 m³ de concreto fornecido pela Concrebras. "A construção do museu apresentou dois grandes desafios: o técnico, por se tratar de um projeto assinado por Oscar Niemeyer, e o de prazo de construção, que ficou limitado a seis meses, quando o normal seria de doze a quinze meses", recorda o engenheiro civil que gerenciou a obra, Marco Antônio Stavis.

Museu do Olho: construído em seis meses, consumiu 5.226 m³ de concreto.

Segundo Stavis, o Museu Oscar Niemeyer (MON) apresenta tudo o que há de mais sofisticado em arquitetura e construção civil. "Por isso, nos cercamos de técnicos e fornecedores tradicionais da CESBE, que nos emprestaram sua experiência e qualidade", define. Todo o processo da obra foi auditado pelo experiente engenheiro civil e ex-professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Odenir Müller - conhecido consultor de estruturas protendidas. "Além disso, os demais engenheiros envolvidos tinham grande experiência e se engajaram totalmente no projeto. O resultado final teve fundamental contribuição dos profissionais José Carlos de Castro, Roniel Somavilla e Antônio Hilário de Sá Freire, também da CESBE", completa Marco Antônio Stavis.

As estruturas do MON foram moldadas “in loco”, com exceção das pré-lajes do teto, que vieram pré-fabricadas para funcionar como fôrmas inferiores. Foram utilizados concretos de várias classes de resistência, variando entre 25,0 a 40,0 MPa. Como o projeto especificava a relação água/cimento máxima de 0,50, optou-se pela utilização do cimento tipo CP IV-32 (Cimento Portland pozolânico) de baixo calor de hidratação, associado aos aditivos polifuncional e superfluidificante de terceira geração. "O controle tecnológico do concreto apresentou resultados excelentes de corpos de prova, que atingiram a marca de 50,9 MPa. Os resultados obtidos comprovaram a excelente qualidade dos materiais utilizados, principalmente do cimento Itambé CP V-ARI RS, que resultaram numa estrutura que terá uma vida útil superior a 300 anos", avalia o engenheiro responsável pela obra.

Viabilizar projetos de Oscar Niemeyer já faz parte da tradição da CESBE S.A. Na década de 1960, a construtora foi responsável pela obra do prédio das Secretarias de Estado do Paraná (edifício Castello Branco) - também desenhado pelo famoso arquiteto de 104 anos. Na época, a construção obteve o recorde de vão em concreto protendido. Quanto ao "Museu do Olho", Marco Antônio Stavis relata que, no período da construção, a obra foi visitada intensamente por profissionais de engenharia e de arquitetura, assim como estudantes. "Foi necessário estabelecermos um sistema de visitas guiadas, aos sábados, tal a quantidade de pessoas que queriam ver a construção", recorda o engenheiro, que em 2002 foi premiado com o troféu Paraná de Engenharia do IEP (Instituto de Engenharia do Paraná) na modalidade construção, pela sua atuação no MON.

Confira mais detalhes técnicos da construção do MON: clique aqui

Entrevistado
Marco Antonio Stavis, engenheiro civil da CESBE S.A que gerenciou a obra do Museu Oscar Niemeyer
Currículo

- Marco Antonio Stavis é engenheiro civil graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) 1975
- Tem 41 anos de profissão (computados 5 anos de estágio ) atuando como orçamentista, engenheiro de campo, engenheiro residente de obras, coordenador de obras, gerente de contratos e diretor
- Atuou em construções como a usina hidrelétrica de Foz do Areia, diversas obras de saneamento e industriais e obras civis, como a Rua da Cidadania do Carmo, Memorial de Curitiba e Museu Oscar Niemeyer
Contato: stavis@cesbe.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Londres 2012 não subiu ao pódio da sustentabilidade

Arquiteto da Unesp analisa equívocos cometidos pelos ingleses na promoção dos jogos olímpicos e aponta cuidados que o Rio deve tomar para 2016

Por: Altair Santos

Sob o ponto de vista arquitetônico, os jogos olímpicos de Londres não subiram ao pódio. Ficaram, no máximo, em quinto lugar, segundo avalia o arquiteto e urbanista Paulo Roberto Masseran, professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp, campus de Bauru-SP). Para ele, algumas obras construídas para o evento, e que se propunham ser multifuncionais - por isso sustentáveis após o fim das Olimpíadas - não conseguirão ser reaproveitadas. "Não previu-se o alto custo de desmonte de megaestruturas, como o estádio olímpico. Aqui desabou o discurso da sustentabilidade, pois uma edificação sustentável é uma estrutura que deve ter seu uso potencializado ao máximo", analisa.

Estádio Olímpico de Londres: construção só pensou nas modalidades de atletismo e não em outros esportes.

Ao ser projetado para receber 80 mil espectadores, o estádio olímpico de Londres foi construído para ter dois anéis - o inferior com 25 mil lugares e o superior com 55 mil, que seria desmontado após o evento. O problema, cita Paulo Roberto Masseran, é que por ter sido concebido exclusivamente para provas de atletismo, e tendo o menor diâmetro bastante alargado em relação à pista de corrida, a fim de ampliar sua capacidade e o campo de visão dos espectadores, o anel superior praticamente inviabilizou-se para ser utilizado em outras estruturas, como uma arena de futebol. "A distância entre as arquibancadas e o gramado se tornou excessiva. O grande porte da construção do anel superior implicou em peças metálicas e de concreto demasiadamente grandes para o seu desmonte ou reaproveitamento", explica.

O professor da Unesp cita que o melhor exemplo de estádio sustentável no mundo está em Paris. Trata-se do Stade de France, construído para a Copa do Mundo de 1998. "Com um sistema de arquibancadas retráteis, ele é plenamente utilizado para eventos esportivos e culturais, desde competições de atletismo, futebol e rúgbi, como para provas de motocross e shows. Na arquitetura de megaedifícios, o sustentável é a sua utilização polivalente, e não seu desmonte. Assim, é possível afirmar que houve um erro conceitual na elaboração do projeto do parque olímpico de Londres. O mesmo problema acontece nas grandes arquibancadas construídas no conjunto aquático, da arquiteta Zaha Hadid, e na arena de basquetebol, todas em estrutura metálica e concreto pré-moldado. Desmontá-las sairá mais caro que montá-las", afirma.

Rio 2016

Projeção do parque olímpico do Rio de Janeiro: desafio é fazer com que obras sejam assessoradas por um bom planejamento urbano.

Transportando sua análise para o Rio de Janeiro, Paulo Roberto Masseran avalia que o projeto olímpico para 2016 comete dois equívocos: o Maracanã e o estádio olímpico. "O Maracanã estará apto somente para abrigar jogos de futebol, além das cerimônias de abertura e encerramento. Essa característica pode trazer complicações simbólicas ao evento, pois a modalidade principal dos jogos olímpicos, que é o atletismo, ocorrerá no estádio olímpico, que foi construído para os jogos Pan-americanos de 2007 e é um edifício mal projetado e mal construído, o qual necessitará de uma grande reforma para sediar, satisfatoriamente, a modalidade-símbolo das olimpíadas. Infelizmente, a arquitetura das praças olímpicas cariocas, como tem se mostrado até o momento, são de uma pobreza evidente, e não acrescentam nada para a arquitetura e a engenharia no Brasil", critica.

Estádios à parte, o parque olímpico do Rio de Janeiro está entregue ao mesmo escritório de arquitetura que projetou Londres 2012: o Aecom. Outra gigante inglesa do setor, a Arup, está encarregada de construir o complexo de 34 torres que vai compor a vila olímpica. A ideia é que, após os jogos, os edifícios - todos com certificação "verde" - abram espaço para um novo bairro na zona oeste da capital fluminense.  No entanto, Masseran destaca que o sucesso do projeto olímpico do Rio vai depender menos de grifes arquitetônicas e mais do planejamento urbano da cidade para receber os jogos. "Transportes de massa e projetos que permitam a fluidez do tráfego de veículos serão requisitos primordiais para o projeto olímpico do Rio", completa.

Entrevistado
Paulo Roberto Masseran, professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp
Currículo

- Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp, com pós-doutorado pela Universidade de Coimbra
- Também é mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo
- Tem doutorado em história pela Faculdade de Ciências e Letras de Assis (FCLAs-UNESP)
- Atualmente é professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, Unesp e membro-fundador do Centro Internacional para a Conservação do Patrimônio, CICOP-Brasil
- Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Planejamento e Projetos da Edificação, atuando principalmente nos seguintes temas: planejamento urbano, projeto de arquitetura e urbanismo, história da arquitetura e do urbanismo, cenografia e teatro
Contato: masseran@faac.unesp.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Setor de pré-fabricados solidifica crescimento

Dados da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) mostram que, desde 2007, empresas têm obtido desempenho médio anual de 15%

Por: Altair Santos

Sistemas construtivos que utilizam pré-fabricados de concreto para a execução de estruturas encontraram um ambiente de crescimento sustentável no Brasil. Desde 2007, segundo dados da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) o setor tem se expandido, em média, 15% ao ano - índice que tende a se confirmar em 2012. "Hoje, não somente as obras industriais, os centros de distribuição e logística e os shopping centers usam os pré-fabricados. O sistema se expandiu para construções habitacionais, estádios de futebol, edifícios escolares, pontes e viadutos. Todos buscam vivenciar os principais benefícios da industrialização, que são prazo e qualidade", avalia a presidente-executiva da ABCIC, Iria Lícia Oliva Doniak.

Iria Lícia Oliva Doniak, da ABCIC: no Brasil, 50 empresas produzem 80% dos pré-fabricados.

A expectativa é que nos próximos dois anos o volume de empresas que produzem e montam estruturas pré-fabricadas cresça no país. Hoje, de acordo com dados da ABCIC, 50 companhias são responsáveis por 80% das peças negociadas no Brasil. "São números que referem-se aos nossos associados, não incluindo aí empresas que produzem elementos pré-fabricados como postes, lajes treliçadas e vigotas", destaca Iria Doniak, que lembra que as primeiras indústrias voltadas à pré-fabricação se instalaram no país nos anos 1950. "Temos muitas empresas tradicionais e também um bom número de profissionais com vasto conhecimento. Diria que o Brasil tem um parque fabril compatível com as tecnologias aplicadas na indústria internacional, que engloba normas técnicas, qualificação profissional, certificação das plantas produtoras e visão empresarial."

Apesar dos avanços, o setor avalia que ainda há desafios a serem superados. Entre eles, a busca de uma igualdade na carga tributária com os sistemas convencionais. "Pelo fato de as estruturas serem produzidas industrialmente, temos incidência de ICMS sobre nossos produtos, fato que não ocorre nos países europeus e nos Estados Unidos. Um outro desafio é cultural. Afinal, muitos organismos de governo, em todas as esferas, têm dificuldades em formatar processos de licitação que considerem a construção industrializada. A referência deles, historicamente, está embasada há anos em sistemas convencionais", ressalta a presidente-executiva da ABCIC.

Prédio em 23 dias

No entanto, de acordo com o anuário 2011 da ABCIC, o setor de pré-fabricados tem espaço para crescer, literalmente, para "cima".  Os edifícios com mais de cinco andares tendem a ser o novo nicho deste tipo de sistema construtivo. "No mundo todo há prédios adotando construções híbridas, combinando a construção convencional com pré-fabricados. Na Espanha e na Bélgica já existem edifícios com 250 metros de altura. Entendemos que na medida em que a mão de obra fica mais escassa, e os canteiros de obras mais mecanizados, novas oportunidades despontam a favor da industrialização", afirma Iria Doniak.

A dirigente da ABCIC analisa ainda que o Brasil tem uma regulamentação que já permite a entrada de pré-fabricados na construção de edifícios. "Temos o Sistema Nacional de Avaliações Técnicas (SINAT), a ITA (Instituição Técnica de Avaliação) e o DATEC (Documento de Avaliação Técnica) que passaram a referendar o setor. Tanto é que a Precon Engenharia, de Belo Horizonte, já possui um sistema de construção homologado e que foi o primeiro a receber o Selo Casa Azul de Construção Sustentável, da Caixa Econômica Federal. Com ele, é possível fazer a montagem de um prédio de quatro andares, com estrutura, vedação, revestimentos, esquadrias e instalações elétricas, em 23 dias. Além disso, é um modelo de construção que gera, sob o ponto de vista da sustentabilidade, pelo menos seis mil toneladas a menos de resíduos. Isso mostra que, efetivamente, a industrialização está cada vez mais presente no dia a dia da construção civil brasileira", completa Iria Doniak.

Entrevistada
Iria Lícia Oliva Doniak, presidente-executiva da ABCIC
Currículo

- Graduada em engenheira civil pela PUC-PR (1988)
- Está no setor de concreto desde 1986, com foco principal na construção pré-fabricada, e atualmente é membro do Comitê de Revisão da NBR 9062 (Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado) e da Comissão de Estudos da NBR 14861 - Lajes alveolares pré-fabricadas de concreto
- É a presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) e representante da ABCIC junto à fib (fédération internationale du béton) e junto ao conselho do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto)
Contato: iria@abcic.org.br

Créditos foto: Divulgação/ABCIC

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Expansão do Canal do Panamá é megaobra de R$ 10 bi

Entre os números impressionantes do empreendimento, está a previsão de consumo de 3 milhões de toneladas de cimento até 2014

Por: Altair Santos

Em 2000, o Canal do Panamá foi eleito pela Associação Norte-americana de Engenheiros Civis, junto com outras seis obras (a ponte Golden Gate, o Eurotúnel, o edifício Empire State, a torre Canadian National, a hidrelétrica de Itaipu e os diques holandeses) uma das sete maravilhas da engenharia do século passado. Portentosa, a obra construída para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico - dando competitividade ao transporte marítimo -, levou 34 anos para ficar pronta, envolveu a mão de obra de 42 mil trabalhadores e consumiu 1.564.400 m³ de concreto. Sua inauguração ocorreu em 1914 e para comemorar o centenário, que acontece em 2014, o Canal do Panamá está em processo de expansão.

Construído entre 1880 e 1914: Canal do Panamá consumiu 1.564.400 m³ de concreto.

A nova obra permitirá que os chamados supernavios também cruzem os oceanos Atlântico e Pacífico com mais rapidez. Colossal, o empreendimento já desponta entre as megaconstruções mais importantes em andamento no mundo. Iniciado em 2009, o novo Canal do Panamá deverá ser inaugurado daqui a dois anos. Trata-se de um projeto orçado em US$ 5,25 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) e que consumirá pelo menos 3 milhões de toneladas de cimento. "Se para construir o primeiro Canal do Panamá foi usada pouca máquina e muito trabalho braçal, nesta nova obra a mecanização e a tecnologia estão a serviço da engenharia", comenta o Diretor de Relações Internacionais do SindusCon-SP, Salvador de Sá Benevides, que em 2009, junto com uma comitiva do sindicato, visitou a instalação do canteiro de obras.

O novo Canal do Panamá na verdade é um desvio de 1,5 quilômetro de extensão, com 95 metros de largura e 60 metros de profundidade, o qual permitirá que embarcações de grande calado, que hoje não conseguem cruzar as comportas existentes, vençam o istmo localizado na América Central. Para isso, foi preciso que a indústria cimenteira localizada no Panamá recebesse investimentos na ordem de R$ 200 milhões, a fim de ampliar sua capacidade produtiva para 1,6 milhão de toneladas por ano. As obras são lideradas por um consórcio que engloba uma série de empresas multinacionais, incluindo a brasileira Gerdau, que fornecerá 17 mil toneladas de aço para a construção.

Mais obras

Nova etapa usa tecnologia avançada: construção, que começou em 2009, ficará pronta em 2014.

A missão do SindusCon-SP que esteve no Panamá vislumbrou que a expansão do canal está viabilizando também outros empreendimentos. Entre as oportunidades, existe a possibilidade de o país da América Central implementar um programa para zerar o déficit habitacional. Com 3,3 milhões de habitantes, o Panamá tem carência de 150 mil unidades residenciais. Há ainda espaço para obras de infraestrutura no país, o que tem feito o governo panamenho facilitar a importação de materiais de construção, permitindo que empresas de engenharia se instalem no país. Além disso, o Panamá tem servido de laboratório para novas tecnologias construtivas. "Em função do novo canal, o país se transformou em um canteiro de obras", conclui Salvador de Sá Benevides.

Entrevistados
Salvador de Sá Benevides, coordenador da área de eventos e Missões do Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP
Currículo
- Salvador de Sá Benevides é arquiteto com pós-graduação em administração de empresas e engenharia de segurança do trabalho
- No SindusCon-SP ocupa o cargo de diretor de relações internacionais e de coordenador da área de eventos e missões do Comitê de Tecnologia e Qualidade
- É diretor superintendente da Simétrica Engenharia
Contatos: sindusconsp@sindusconsp.com.br / simetrica@simetrica.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Alta tecnologia marca presença no Concrete Show

Relevante evento da cadeia produtiva do concreto oferece ao mercado as novidades para suprir as demandas da construção civil brasileira

Por: Altair Santos

Em sua 6ª edição, o Concrete Show South America tem um objetivo: atingir o volume de negócios na ordem de R$ 880 milhões. Alcançada a meta, o faturamento será 10% maior do que o conseguido em 2011. Se depender das empresas que estarão no evento, a tendência é que os números projetados pelos organizadores se tornem realidade. Serão 550 expositores, entre nacionais e internacionais, o que deverá atrair pelo menos 30 mil visitantes, entre os dias 29 e 31 de agosto, ao Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, começa a ser preparado para o Concrete Show 2012.

Na feira, que abrangerá 60.000 m² indoor e outdoor, estarão maquinários, equipamentos, aditivos, produtos e soluções em sistemas construtivos à base de cimento. Mas não se encerra aí o Concrete Show. Paralelamente ao evento, acontece também o Concrete Congress. É nele que ocorrem os debates sobre tecnologias e inovações para a cadeia produtiva do concreto e da construção civil. No Brasil, o que vai centralizar os seminários serão as soluções que combinem sustentabilidade com racionalização de energia e industrialização no canteiro de obras.

Por isso, organismos como Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Associação Brasileira de Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC), Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) e Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) são parceiros atuantes do Concrete Show, juntando-se a outras 40 entidades nacionais e internacionais ligadas ao setor da construção civil. Como a FIB (Fédération Internationale du Beton). "Chegou a vez do Brasil. Países jovens, cheios de energia e que reúnem pessoas de todo o mundo, como ocorre no Concrete Show South America, estão prontos para os desafios que o mercado atual apresenta”, diz Marco Menegotto, presidente da comissão 6 de pré-fabricados FIB.

O Concrete Show é considerado pelas empresas internacionais como a porta de entrada para atuarem no mercado brasileiro. Por isso, estima-se que o encontro reunirá pelo menos 25 mil profissionais altamente qualificados e com grande poder de decisão. Todos estarão no evento para celebrar índices de crescimento acima da média global da construção civil brasileira. "Além disso, o Concrete Show cumpre a função de apresentar as empresas que têm condições de sanar os gargalos da infraestrutura de nosso país”, afirma Cláudia Godoy, diretora-geral do evento, referindo-se a um setor que promete movimentar nos próximos 10 anos aproximadamente US$ 3 trilhões (cerca de R$ 6 trilhões).

Além de negócios, os players que estarão no Concrete Show buscam também a troca de conhecimentos. Por isso, em três dias haverá 21 seminários no Concrete Congress. A saber:

Dia 29 de agosto

Racionalização dos Sistemas Construtivos à Base de Cimento
Principal palestra: Comunidade da construção: 10 anos somando competências e resultados.
Palestrante: engenheira Glécia Vieira, Coordenadora Nacional da Comunidade da Construção e da Área de Edificações da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Fundações e Geotecnia nas obras de infraestrutura
Principal palestra: Métodos Construtivos Utilizados no Metrô de São Paulo.
Palestrante: engenheiro civil Argimiro Alvarez Ferreira.

Concrete Show de Inovação
Palestra principal: Tecnologia Aplicada na Pavimentação de Concreto
Palestrante: Steven W. Bowman, engenheiro com 35 anos de experiência em pavimentação em concreto em obras no Oriente Médio, América e Europa.

Concrete Show de Tecnologia
Palestra principal: Sustentabilidade na instalação de centrais de concreto
Palestrante: Federico Furlani, diretor de operações da SIMEM Minerbe, empresa italiana especializada em maquinários para centrais de concreto.

14º Seminário de Tecnologia de Estruturas
Palestra principal: Condições necessárias para assegurar a durabilidade e vida útil de estruturas de concreto
Palestrante: professor-doutor Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, coordenador do curso de pós-graduação em engenharia civil da UFRGS

Dia 30 de agosto

Porque as Estruturas duram Centenas de Anos
Palestra principal: Durabilidade e vida útil na indústria da construção: conceituação, planejamento e Vida útil.
Palestrante: Vanderley M. John, professor-doutor do departamento de engenharia da construção civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho
Palestra principal: Pisos protendidos de alta resistência
Palestrante: engenheiro civil Antônio de Oliveira Fernandes Teixeira.

Argamassa Projetada: Sistema de Revestimento Racionalizado
Palestra principal: Argamassa projetada como alternativa de racionalização
Palestrante: engenheira Elza Hissae Nakakura, consultora da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) nas áreas de fabricação de cimento e argamassa, revestimentos de argamassa, concreto e controle de qualidade.

A Indústria da Construção em Concreto: desenvolvimento tecnológico, desempenho e suas aplicações
Palestra principal: Requisitos da Norma de Desempenho e Sistemas Pré-fabricados
Palestrante: engenheira civil Maria Angélica Covelo Silva, da NGI Consultoria.

Alvenaria Estrutural: um sistema construtivo consagrado
Palestra principal: Projeto de Edifícios em Alvenaria Estrutura com Uso de Lajes Pré-moldadas
Palestrante: engenheiro civil Luís Sérgio Franco.

Racionalização de Estruturas de Concreto Moldadas in loco com Engenharia de Fôrmas e Escoramentos
Palestra principal: Gestão de Equipamentos em obra.
Palestrante: Haroldo Miler , presidente Abrasfe (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas de Fôrmas e Escoramentos).

Produção da Habitação Social na Promoção do Desenvolvimento Urbano
Palestra principal: Programa Minha Casa Minha Vida 2
Palestrante: Maria do Carmo Avesani, diretora do Departamento de Produção Habitacional do Ministério das Cidades.

Infratúneis - construção, gestão de riscos, novas tecnologias
Palestra principal: Tecnologia de túneis: sofisticações e novas medidas na construção
Palestrante: Edson Peev, do CBT (Comitê Brasileiro de Túneis)

Dia 31 de agosto

Avaliação de Ciclo de Vida na Construção – tendências internacionais em sustentabilidade
Palestra principal: Introdução geral sobre Avaliação do Ciclo de Vida Simplificada (ACV-s) e declaração ambiental.
Palestrante: professor-doutor Vanderley M. John, da Poli-USP.

Qualificação e Certificação de Profissionais da Construção Civil
Palestra principal: Normas Brasileiras de Qualificação de Profissionais para o Controle Tecnológico do Concreto.
Palestrante: professor Simão Priszkulnik, Coordenador da Comissão de Estudo de Controle Tecnológico do Concreto do ABNT/CB-18 e Conselheiro do IBRACON.

Concrete Show de Industrialização da Construção
Palestra principal: BIM (Building Information Modelling) na prática, para Engenheiros Estruturais.
Palestrante: engenheira Liberdade Izaguirre, consultora em automação BIM e tecnologia de projetos para estruturas de concreto.

Normas Nacionais e Internacionais de Concreto
Palestra principal: Revisão da Norma de Projeto de Estruturas de Concreto e a ISO 19338
Palestrante: engenheira civil Suely Bueno, integrante da ABECE e representante brasileira no ISO/TC71, subcomitês SC4, SC5 e SC8

Estradas de concreto: uma escolha inteligente e sustentável
Palestra principal: O pavimento de concreto é uma realidade nacional. Por que?
Palestrante: Ronaldo Vizzoni, gerente de infraestrutura da ABCP.

Entrevistado
UBM Sienna, empresa responsável pelo Concrete Show South America
Contato:
www.ubmbrazil.com.br / www.evcom.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Ciclovias em concreto mudam a cara de Brasília

ABCP presta assistência técnica para que capital federal ganhe vias em pavimento rígido de uso exclusivo das bicicletas

Por: Altair Santos

O uso da bicicleta cresce nos grandes centros urbanos, apesar da escassez de ciclovias. Atenta a essa demanda, que é uma solução de mobilidade e também de menor impacto ao meio ambiente, a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) iniciou um programa que treina construtoras e orienta prefeituras para a expansão dos trechos de ciclovias em pavimento rígido. Brasília é uma das primeiras capitais a aderir ao projeto. Até 2014, a capital federal pretende interligar o Plano Piloto e as cidades satélites através de 600 quilômetros de rotas exclusivas para bicicletas.

Fernando César Crosara, gerente regional da ABCP: rotas no Plano Piloto serão todas em concreto.

O objetivo, segundo explica o engenheiro civil Fernando César Crosara, gerente regional da ABCP no Centro-Oeste, é que um trabalhador ou um estudante possa sair de um ponto distante da periferia de Brasília e chegar de bicicleta a locais como a Esplanada dos Ministérios ou à UnB (Universidade de Brasília). "Atualmente, devemos estar com 180 quilômetros implantados. Dentro do Plano Piloto, a opção é de 100% pelo pavimento rígido. Isso vai envolver 220 quilômetros no total. Foi um trabalho da ABCP, cujo projeto preservou o meio ambiente da cidade. A ciclovia corta um trecho bem arborizado e o pavimento em concreto não requer equipamentos tão grandes quanto o asfáltico. Com isso, nenhuma árvore precisou ser derrubada", lembra Crosara.

O pavimento rígido proposto pela ABCP tem 15 centímetros de espessura, cujo processo construtivo é o seguinte: primeiro, o terreno natural recebe uma mistura de cimento e de cal. Esse material é compactado com equipamento pesado, sobre uma base de cinco a dez centímetros de brita graduada. Em seguida, recebe uma placa de oito centímetros de concreto, com resistência de 25 MPa (Mega Pascal). Contida por cordões de meio fio, cada placa tem dois metros e meio de largura. "A ideia é fazer bem feito, para que a ciclovia não requeira manutenção. Brasília, por causa do clima, é especialmente favorável ao pavimento rígido. Há trechos na cidade que foram construídos em 1960 e resistem intactos até hoje", explica o gerente regional da ABCP.

Ciclovia em concreto é menos agressiva ao meio ambiente.

O modelo de Brasília tem estimulado outras cidades a implantar projetos semelhantes. "Belo Horizonte já tem um estudo e Goiânia faz um trabalho muitíssimo interessante. A ciclovia é acompanhada por uma calçada de acessibilidade e ambas utilizam pavimentos permeáveis que captam a água num dreno, o qual aumenta o tempo de devolução desta água das chuvas para o ambiente. Com isso, eles estão conseguindo evitar enchentes", afirma Fernando César Crosara. Segundo o engenheiro, com base nos exemplos bem sucedidos de Brasília e Goiânia, a ABCP agora trabalha para elaborar um manual nacional de ciclovias. "A ideia é criar um padrão para todo o país", revela.

Como o custo para construir uma ciclovia em concreto é igual ao que se gasta para fazê-la em asfalto, a ABCP confia que mais cidades irão aderir ao seu projeto nos próximos anos. Principalmente pela segurança que ele transfere ao ciclista. "Além de haver um conforto de rolamento, a ciclovia em concreto oferece boa luminosidade, principalmente à noite, o que permite que o ciclista seja melhor visualizado pelo motorista. Além disso, oferece uma segurança que uma ciclo faixa não dá. Na ciclo faixa, uma criança não pode trafegar sozinha. Já na ciclovia ela está protegida de acidentes", finaliza Fernando César Crosara.

Ciclovia corta as asas Sul e Norte de Brasília.

 
Entrevistado
Fernando César Crosara, gerente regional da ABCP em Brasília
Currículo

- Graduado em engenharia civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
- Tem MBA em gerência de projetos e 35 anos de atuação no mercado da construção civil
- Atua há 10 anos na Associação Brasileira de Cimento Portlando (ABCP) como gerente da regional Centro-Oeste
Contato: fernando.crosara@abcp.org.br
Créditos foto:  Divulgação/ABCP

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Shopping ajuda construtora a aprimorar gestão

No Brasil, cresce número de empresas que estão se especializando em não apenas erguer empreendimentos, mas administrá-los

 

Por: Altair Santos

Até o final de 2012, mais 21 shopping centers serão inaugurados no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Destes, 70% são empreendimentos que, quando entrarem em operação, estarão sob a administração de construtoras. Essa tem sido a tendência desde 2006. Aproveitando o aquecimento do mercado, as empresas de engenharia não têm mais se contentado apenas em construir; passaram a assumir a gestão dos shopping centers.

Shopping center em construção no interior do Rio: mercado aquecido longe dos grandes centros.

Além do aspecto comercial, o envolvimento das construtoras com a administração de centros de compra melhora também o planejamento da obra. "A construtora passa a ficar mais atenta aos seus projetos, métodos construtivos e materiais empregados na construção, visando a otimização da operação do empreendimento, assim como a possibilidade de extrair do negócio o seu melhor custo benefício", explica Leonardo Neves, gerente de negócios da empresa João Fortes Engenharia, que lidera o fundo de investimento Shopinvest.

Depois do mercado de construção de moradias, o de shopping centers é considerado pelas empresas o segundo mais aquecido do país. Principalmente por causa da interiorização dos empreendimentos. "Incentivada pela maior facilidade de encontrar bons terrenos a preços mais convidativos, e em locais ainda inexplorados, as empresas do setor partiram rumo a cidades menores, do interior ou inseridas nas regiões metropolitanas das capitais", afirma Leonardo Neves. A J. Fortes, por exemplo, trabalha em empreendimentos em Cabo Frio e Volta Redonda, no Rio de Janeiro, e em Blumenau, em Santa Catarina.

Mantendo-se em alta, o mercado de shopping centers puxa para cima também o setor de construção em pré-moldados. Atualmente, 90% desses empreendimentos utilizam este sistema. Por isso, as empresas de engenharia investem também na qualificação de mão de obra. "Para construir shopping, a empresa não precisa mudar de foco, mas ter equipes específicas e preparadas para este ramo de atividade", revela o gerente de negócios da empresa João Fortes Engenharia, cujos passos são seguidos pelo menos por outras 20 empresas especializadas em construir centro de compras.

Atualmente, as construtoras estão se dedicando a empreendimentos com tamanhos que variam de 25 mil a 40 mil m² de área bruta locável (ABL). Hoje, o país conta com 10.606.933 m² de ABL. Para 2013, serão acrescentados mais 1,233 milhão de m² a esse volume de área, de acordo com projeções da Abrasce. Serão lançados mais 43 projetos de shopping, dos quais 29 serão no interior do país. "Neste cenário, cada vez mais as construtoras estarão desenvolvendo seus próprios negócios no mercado de shopping", avalia Leonardo Neves.

Entrevistado
Leonardo Neves, gerente de negócios da empresa João Fortes Engenharia
Currículo
- Graduado em engenharia civil, com MBA em engenharia econômica e administração
- Trabalhou cinco anos na Aliansce Shopping Centers, empresa do setor de shopping
- Atuou na Atlântica Residencial, empresa do mercado imobiliário
- Atualmente é gerente de negócios da João Fortes
Contato: www.joaofortes.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Sem recursos da Cide, obras rodoviárias travam

Aneor estima que, ao zerar contribuição que incidia sobre os combustíveis, governo fez setor perder mais de R$ 7 bilhões em investimentos

Por: Altair Santos

Desde julho de 2012, os recursos da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) deixaram de existir para investimentos na área de transporte. O imposto, que incidia  sobre o preço do litro dos combustíveis, foi zerado por medida governamental para não encarecer o custo da gasolina, do diesel e do etanol para o consumidor. Se o fim da alíquota trouxe um alívio para o bolso do brasileiro, gerou também apreensão no setor de obras de infraestrutura, principalmente o ligado às rodovias.

José Alberto Pereira Ribeiro: Cide zerada gera incertezas nas empresas ligadas à infraestrutura rodoviária.

Segundo estima o presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor) José Alberto Pereira Ribeiro, haverá uma redução de R$ 7,4 bilhões nos investimentos destinados à logística de transporte. "Ao zerar a Cide, o Brasil está comprometendo o seu futuro", critica o dirigente, afirmando que o país segue um caminho oposto ao de outras nações. "A China, a Índia, a Coreia do Sul, a Rússia, a África do Sul e outros países emergentes investem hoje mais de 4% do PIB em infraestrutura de transportes, e com o tributo certo. O Brasil investe menos de 1%. E agora, zerou a receita e está sem dinheiro para investir" completou.

A Cide foi adotada pela primeira vez no Brasil em 1946, e durou até 1988. Em 2002 foi retomada, desta vez com a tributação sobre os combustíveis. Junto com a volta da contribuição, há dez anos, surgiu também o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). "O objetivo era que um órgão multimodal, contando com um recurso multimodal, pudesse financiar as obras de expansão e manutenção das rodovias, das ferrovias e das aquavias. Com isso, criou-se um novo paradigma para orientar o setor, mas com a decisão de zerar a arrecadação da Cide, voltarão os problemas", cita o presidente da Aneor.  

José Alberto Pereira Ribeiro avalia que o governo não deveria ter tomado a decisão de extinguir a cobrança da Cide sem uma discussão com as entidades de representação dos setores de transportes e de construção de infraestrutura. "O mais grave é que 30% dos recursos arrecadados por essa contribuição são de transferência constitucional obrigatória para os estados e municípios. São recursos para os estados investirem em rodovias, ferrovias e aquavias. Os governadores não foram consultados e ouvidos. A decisão é unilateral feita de forma inapropriada", avalia.

Dos 54 mil quilômetros de rodovias federais, só seis mil estão em manutenção.

O setor teme que a queda abrupta de investimentos gere incertezas nas empresas ligadas à infraestrutura rodoviária. Este ano, por exemplo, o Dnit não assinou nenhum contrato, seja para construir novos trechos ou para manutenção. "Dos 54 mil quilômetros de rodovias federais, só seis mil estão cobertos por contratos que foram assinados em 2011. "Desde junho do ano passado, quando ocorreram muitas mudanças na diretoria do Dnit e no Ministério dos Transportes, as contratações foram adiadas e o setor vive dias de total impossibilidade de se planejar. Nos últimos 11 meses, o Dnit não fez nenhuma contratação de novas obras. No ano passado, o órgão só investiu pouco mais de R$ 6,5 bilhões de um orçamento de R$ 15 bilhões", lamenta o presidente da Aneor. 

Entrevistado
José Alberto Pereira Ribeiro, presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- É presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Anoer) há 18 anos
- É vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e membro do Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria e do Conselho Consultivo da Presidência da FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo)
- Preside a Sulbras Construtora
Contato: aneor@aneor.org.br

Créditos foto: Divulgação/Dnit

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Para aprimorar vendas, comércio investe em P&D

Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento criado pelo setor pretende atingir nível de qualificação que já está consolidado na área tecnológica

Por: Altair Santos

Na área tecnológica da construção civil, a pesquisa e desenvolvimento (P&D) já desfruta de um ambiente bem aquecido. Levantamento da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) revela que fabricantes de materiais e sistemas construtivos, incorporadoras e construtoras, além de universidades, têm dedicado esforços para buscar novos conceitos, produtos e ações perante o mercado. No entanto, não percebe-se o mesmo ritmo no setor de venda direta ao consumidor. Preocupada com esse descompasso no varejo é que a Fecomércio-PR (Federação do Comércio do Paraná) inaugurou recentemente seu Instituto de P&D.

Ari Faria Bittencourt: "A principal meta do IFPD é promover a integração entre empresas e instituições de ensino”.

Segundo Ari Faria Bittencourt, que preside o IFPD (Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento) o novo organismo foi criado com o objetivo de proporcionar aos empresários, gestores e colaboradores do ramo de comércio de bens, serviços e turismo, condições de crescimento, desenvolvimento e fortalecimento empresarial e profissional. "Queremos desenvolver ações de natureza educacional, tanto na área de pesquisa quanto na coordenação de programas de estágios. Diria que a principal meta do IFPD é promover a integração entre empresas e instituições de ensino", destaca Bittencourt.

Ainda de acordo com o presidente do IFPD, a função do instituto será coordenar e administrar os programas de estágio, a fim de formar mão de obra qualificada, que agregue valores importantes aos negócios e serviços das empresas. "Por meio de convênios firmados com diversas instituições de ensino, o instituto pretende realizar a ponte entre o estudante e o mercado de trabalho, estimulando a troca de conhecimentos e de informações entre os segmentos", completa Ari Faria Bittencourt.

Para auxiliar a Fecomércio, o Sistema S, através do Sesc e Senac, terá um caráter complementar em algumas atividades desenvolvidas pelo IFPD. "Junto com o instituto, eles promoverão a articulação e o fomento para atrair conhecimento e repassá-los aos vários setores do comércio, incluindo o que envolve a cadeia produtiva da construção civil", diz o presidente do organismo.

O Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento opera desde fevereiro de 2012. Pelo seu estatuto, ele está apto a celebrar contratos e convênios de cooperação técnica com empresas e entidades públicas e privadas, inclusive internacionais.  “Também está em pauta, para execução em breve, a promoção de concursos, seminários, palestras e atividades que possibilitem auxiliar os comerciários de modo geral”, diz o presidente do IFPD.

A expectativa é que o instituto comece a trazer resultados efetivos em P&D a partir de 2013. Os primeiros, e importantes, passos foram dados, mas o percurso ainda é longo para alcançar o nível que a pesquisa e desenvolvimento na área tecnológica já atingiu. Nesta área, dentro da construção civil, o universo envolvido já está consolidado. Ele é composto, atualmente, segundo pesquisa da CBIC, por 208 cursos de graduação em engenharia civil, 41 cursos de pós-graduação em engenharia civil (23 de mestrado, 15 de mestrado e doutorado e 3 de caráter profissionalizante), 215 cursos de graduação em arquitetura e urbanismo e 16 cursos de pós-graduação em arquitetura (8 de mestrado e 8 de mestrado e doutorado).

Entrevistado
Ari Faria Bittencourt, presidente do IFPD (Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento)
Currículo
- Ari Faria Bittencourt é empresário e, além do IFPD, preside o Sindilojas (Sindicato dos Lojistas do Comércio e do Comércio Varejista de Maquinismos, Ferragens, Tintas, Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos de Curitiba e Região Metropolitana)
Contato:  http://www.ifpdpr.com.br/  / ifpd@fecomerciopr.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Para aprimorar vendas, comércio investe em P&D

Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento criado pelo setor pretende atingir nível de qualificação que já está consolidado na área tecnológica

Por: Altair Santos

Na área tecnológica da construção civil, a pesquisa e desenvolvimento (P&D) já desfruta de um ambiente bem aquecido. Levantamento da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) revela que fabricantes de materiais e sistemas construtivos, incorporadoras e construtoras, além de universidades, têm dedicado esforços para buscar novos conceitos, produtos e ações perante o mercado. No entanto, não percebe-se o mesmo ritmo no setor de venda direta ao consumidor. Preocupada com esse descompasso no varejo é que a Fecomércio-PR (Federação do Comércio do Paraná) inaugurou recentemente seu Instituto de P&D.

Ari Faria Bittencourt: "A principal meta do IFPD é promover a integração entre empresas e instituições de ensino”.

Segundo Ari Faria Bittencourt, que preside o IFPD (Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento) o novo organismo foi criado com o objetivo de proporcionar aos empresários, gestores e colaboradores do ramo de comércio de bens, serviços e turismo, condições de crescimento, desenvolvimento e fortalecimento empresarial e profissional. "Queremos desenvolver ações de natureza educacional, tanto na área de pesquisa quanto na coordenação de programas de estágios. Diria que a principal meta do IFPD é promover a integração entre empresas e instituições de ensino", destaca Bittencourt.

Ainda de acordo com o presidente do IFPD, a função do instituto será coordenar e administrar os programas de estágio, a fim de formar mão de obra qualificada, que agregue valores importantes aos negócios e serviços das empresas. "Por meio de convênios firmados com diversas instituições de ensino, o instituto pretende realizar a ponte entre o estudante e o mercado de trabalho, estimulando a troca de conhecimentos e de informações entre os segmentos", completa Ari Faria Bittencourt.

Para auxiliar a Fecomércio, o Sistema S, através do Sesc e Senac, terá um caráter complementar em algumas atividades desenvolvidas pelo IFPD. "Junto com o instituto, eles promoverão a articulação e o fomento para atrair conhecimento e repassá-los aos vários setores do comércio, incluindo o que envolve a cadeia produtiva da construção civil", diz o presidente do organismo.

O Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento opera desde fevereiro de 2012. Pelo seu estatuto, ele está apto a celebrar contratos e convênios de cooperação técnica com empresas e entidades públicas e privadas, inclusive internacionais.  “Também está em pauta, para execução em breve, a promoção de concursos, seminários, palestras e atividades que possibilitem auxiliar os comerciários de modo geral”, diz o presidente do IFPD.

A expectativa é que o instituto comece a trazer resultados efetivos em P&D a partir de 2013. Os primeiros, e importantes, passos foram dados, mas o percurso ainda é longo para alcançar o nível que a pesquisa e desenvolvimento na área tecnológica já atingiu. Nesta área, dentro da construção civil, o universo envolvido já está consolidado. Ele é composto, atualmente, segundo pesquisa da CBIC, por 208 cursos de graduação em engenharia civil, 41 cursos de pós-graduação em engenharia civil (23 de mestrado, 15 de mestrado e doutorado e 3 de caráter profissionalizante), 215 cursos de graduação em arquitetura e urbanismo e 16 cursos de pós-graduação em arquitetura (8 de mestrado e 8 de mestrado e doutorado).

Entrevistado
Ari Faria Bittencourt, presidente do IFPD (Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento)
Currículo
- Ari Faria Bittencourt é empresário e, além do IFPD, preside o Sindilojas (Sindicato dos Lojistas do Comércio e do Comércio Varejista de Maquinismos, Ferragens, Tintas, Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos de Curitiba e Região Metropolitana)
Contato:  http://www.ifpdpr.com.br/  / ifpd@fecomerciopr.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330