Pavimento em concreto atrai investimento internacional

Fabricantes de equipamentos iniciam ações para mostrar como a tecnologia pode baratear a construção de estradas de alta eficiência

Por: Altair Santos

O 6º Concrete Show South America, realizado de 29 a 31 de agosto de 2012 em São Paulo, apontou para um consenso: o Brasil está se tornando um dos mercados mais atraentes para o desenvolvimento do pavimento rígido. Foi por isso que gigantes internacionais do setor expuseram no evento toda a tecnologia disponível hoje para se construir estradas de alta eficiência. Entre os expositores, esteve a GOMACO - líder mundial na fabricação de pavimentadoras de concreto -, que foi representada pelo CEO (Chief Executive Officer) para os países latinos, Steven Bowman. O especialista foi o protagonista de uma das palestras mais concorridas do congresso, que tratou da tecnologia aplicada na pavimentação de concreto.

Steven Bowman, CEO da GOMACO para os países latinos: "Com tecnologia, custo do quilômetro cai absurdamente."

Bowman continuará no Brasil nos próximos meses, para mostrar aos agentes públicos e às associações envolvidas com o concreto o quanto um país pode ganhar com a adoção do pavimento rígido em suas estradas e também em corredores de transporte público. "Meu objetivo aqui no país é mostrar que uma boa pavimentação gera economia e salva vidas. Sabemos das deficiências estruturais do Brasil e queremos mostrar como isso pode ser sanado, como foi em outros países", comentou o CEO da GOMACO, ressaltando que sua missão não é abrir uma frente de oposição à indústria do asfalto, mas sinalizar que cada situação exige um tipo de pavimento.

Segundo ele, boa parte das rodovias brasileiras, principalmente as federais, onde os caminhões evoluíram tecnologicamente e já conseguem trafegar até com dez rodados, hoje precisariam estar migrando para o pavimento rígido. "Eu, como economista, não gosto de ver asfalto onde deveria haver concreto e nem de ver concreto onde deveria ter asfalto. Creio que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) pensa o mesmo", disse Steven Bowman, elogiando a decisão do governo brasileiro em colocar um especialista em pavimentação à frente do Dnit, referindo-se ao diretor-geral Jorge Ernesto Pinto Fraxe, que é general e, como engenheiro civil, dirigiu a divisão de obras do Exército - a qual atua na pavimentação em concreto da BR-101 Nordeste.

Pavimentadora de concreto: tecnologia derruba mito de que pavimento rígido é mais caro e demora mais para ficar pronto.

Steven Bowman afirmou que atualmente a tecnologia embarcada nas pavimentadoras derruba o mito de que as estradas em concreto são mais caras e mais demoradas para serem construídas. "No Chile estamos com uma obra em que a nossa mais alta tecnologia está sendo empregada. Lá, com as equipes divididas em três turnos, está sendo possível pavimentar 4,5 quilômetros por dia a um custo em que a terceira equipe está praticamente operando de graça para a empreiteira. Conforme a obra avança, o preço se dilui. Diria que num trecho de cem quilômetros, os primeiros cinquenta quilômetros construídos pagam os outros cinquenta. Óbvio que tudo isso parte de bons projetos, acompanhados de tecnologia de ponta. É o que queremos mostrar ao Brasil", afirmou o CEO da GOMACO.

Vantagens atribuídas ao pavimento em concreto em estradas:
- Caminhões economizam até 11% de combustível a cada 1.000 quilômetros rodados.
- Vida útil dos pneus aumenta em 20%.
- Melhora visibilidade e reduz risco de acidentes.
- Durabilidade de até 50 anos sem reparos.

Entrevistado
Steven W. Bowman, CEO da GOMACO para os países latinos do Caribe, da América Central e da América do Sul
Currículo

- Nascido nos Estados Unidos, Steven W. Bowman é graduado em economia e tem 35 de experiência em equipamentos para pavimentação, atuando regiões como América, Europa e Oriente Médio
Contato: gomaco@supernet.com.bo
Créditos fotos: Divulgação/Cimento Itambé/GOMACO

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Déficit de mão de obra afeta indústria de artefatos

Setor comemora crescimento, mas carece de cursos profissionalizantes para acompanhar avanço tecnológico dos equipamentos

Por: Altair Santos

Para os gestores de indústrias de artefatos de cimento, o atual calcanhar de aquiles do setor está no limitado número de cursos de formação para qualificar profissionais que possam atuar tanto no chão da fábrica quanto na parte de gestão. Esse foi o foco da palestra que o empresário Dorival Fantinato concedeu no 6º Concrete Show South America, que ocorreu de 29 a 31 de agosto de 2012 em São Paulo. Desde 1972 atuando na área de equipamentos e pré-moldados, Fantinato hoje dá consultoria e desenvolve trabalhos técnicos para empresas que produzem blocos e pavers de cimento. Segundo ele, o aquecimento do setor destoa do nível de profissionalização. "Nacionalmente, a boa qualificação ainda não foi atingida e, ao meu ver, falta muito para atingirmos a excelência", revela.

Dorival Fantinato: “Existe um déficit muito grande na área de educação profissional”.

Como o setor de artefatos de cimento é bem normatizado, o produto final que chega ao consumidor é acompanhado, na maioria das vezes, de um ótimo controle de qualidade. Até porque, nos anos recentes, as indústrias que lideram o setor agregaram muita tecnologia em suas linhas de montagem. "Hoje, dentro das nossas condições tecnológicas, não deixamos nada a desejar com relação aos equipamentos importados. Pois além da constante inovação, também estamos fazendo parcerias com empresas internacionais, objetivando sempre a melhoria da qualidade dos nossos produtos", afirma Fantinato, revelando que os maquinários estão cada vez mais sofisticados e, por isso, carecem de operadores também mais qualificados. "Controle touch screen e acesso remoto via internet já são realidade entre os equipamentos", completa.

Dorival Fantinato entende que programas como Minha Casa, Minha Vida e PAC da Mobilidade aqueceram o setor. Atualmente, de acordo com os dados mais recentes do IBGE, há no Brasil 12,5 mil estabelecimentos dedicados à fabricação de artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e estuque. No entanto, o consultor avalia que ainda faltam tributos diferenciados para que o crescimento sustentável se consolide. Além disso, observa, a crise internacional tem gerado dificuldades aos empresários para a compra de novos equipamentos. "Os financiamentos bancários estão exigindo maiores garantias, atrapalhando um maior número de vendas", analisa. Por isso, finaliza, eventos como o Concrete Show são importantes. "Eles possibilitam conhecer novos produtos e acompanhar as inovações", conclui.

Entrevistado
Dorival Fantinato, consultor e palestrante voltado à gestão de fábricas de blocos e pisos intertravados à base de cimento
Currículo
- Dorival Fantinato atua na área de equipamentos e pré-moldados desde 1972
- É o fundador da Tprex, que opera desde 1992 e é voltada para a fabricação de equipamentos para fábricas de artefatos de cimento
- Desenvolve diversos trabalhos técnicos voltados à gestão de indústrias do setor de blocos e pisos intertravados
Contato: tprex@tprex.com.br

Créditos foto: Divulgação/Tprex

Jornalista Responsável: Altair Santos - MTB 2330

Aliado do cimento, metacaulim expande mercado no Brasil

Material pozolânico, usado para melhorar as propriedades do concreto, já é utilizado por 75% das marcas vendidas no país

Por: Altair Santos

A sustentabilidade do concreto esteve entre os assuntos debatidos no Concrete Show South America, que aconteceu em São Paulo de 29 a 31 de agosto de 2012. A vida útil do material, assim como as alternativas para que ele requeira o menor número de manutenções periódicas, levaram o engenheiro civil Guilherme Gallo a palestrar no evento sobre a adição do metacaulim ao cimento Portland. Através de ensaios em laboratórios, já está comprovado que o produto evita o surgimento de patologias no concreto e também reduz sensivelmente o risco de corrosão de armaduras. Por isso, desde 2008, o mercado de metacaulim tem crescido, em média, 20% ao ano.

Guilherme Gallo: "Novas normas reforçam potencial do metacaulim."

A industrialização do produto no Brasil é um fenômeno recente e data do início deste século. No país, ainda há poucas empresas dedicadas à extração e à fabricação, mas o mercado nacional já se posiciona entre os cinco maiores do mundo para o metacaulim. Estima-se que 75% das Companhias relacionadas à produção de cimento e concreto no Brasil utilizem o material pozolânico. "A grande virtude do metacaulim está na sua relação custo-benefício. Em média, a quantidade utilizada é de três a dez vezes menor quando comparada às pozolanas comuns, o que o torna altamente competitivo", revela Guilherme Gallo, que na entrevista a seguir detalha a evolução do mercado de metacaulim e as especificidades do material. Confira:

A NBR 15894, que criou parâmetros específicos para o uso do metacaulim com cimento Portland em concreto, argamassa e pasta, causou que tipo de impacto positivo na utilização desse produto na cadeia de cimento e concreto?
A normatização do metacaulim pela NBR 15894 (metacaulim para uso com cimento Portland em concreto, argamassa e pasta – partes 1, 2 e 3) tem como finalidade principal aumentar a garantia de qualidade do produto, para que o consumidor final obtenha os benefícios almejados na obra ou nas diversas aplicações onde se usa concreto, argamassa ou pasta de cimento. Além disso, com norma própria, o metacaulim passa a ter maior alcance, tanto a nível nacional como em diversos outros países. É importante ressaltar que, desde quando foi introduzido no Brasil em 2002, o metacaulim vinha seguindo as especificações da NBR 12653 (materiais pozolânicos), porém, excedendo positivamente todas as propriedades físicas e químicas, por isso houve a necessidade de se elaborar norma própria para o produto.

A NBR 15895 também deve influenciar no mercado de metacaulim?
A NBR 15895 (determinação da atividade pozolânica pelo método chapelle modificado) foi elaborado com o intuito de criar uma nova ferramenta para medição do desempenho de pozolanas, dentre elas o metacaulim. Toda norma de desempenho é sempre bem vinda para que se possa aferir a qualidade do produto que se compra, e por este motivo eu acredito que a NBR 15895 soma muito no sentido de mostrar ao mercado o potencial que o metacaulim pode trazer à aplicação.

Com relação a outros materiais pozolânicos, quais as principais virtudes do metacaulim?
O metacaulim é um dos poucos materiais pozolânicos de fato produzidos para esta finalidade, enquanto que a maioria, tais como a escória de alto forno, a cinza volante e a sílica ativa são resíduos industriais gerados sem o objetivo principal de atender às especificações técnicas de mercado, ou mais ainda, a sua demanda de mercado. A exemplo disso, atualmente há uma falta generalizada de pozolanas de alta qualidade no mercado brasileiro, dado o aquecimento do setor da construção. Outra grande virtude do metacaulim está na sua relação custo-benefício. Em média, a quantidade de metacaulim utilizada na formulação (traço) é de três a dez vezes menor quando comparada às pozolanas comuns (cinza volante ou escória de alto forno) o que o torna altamente competitivo e possibilita a entrega em longas distâncias. Outro exemplo, é que atualmente levamos o produto para qualquer parte do Brasil, e exportamos para países tão distantes quanto Turquia, Angola e a comunidade europeia.

O uso do metacaulim já está bem difundido na indústria cimenteira e de concreto do Brasil?
Após mais de dez anos de atuação no Brasil pela nossa empresa, que foi pioneira na produção e comercialização do metacaulim na América Latina, eu diria que conseguimos alcançar mais de 75% de todas as empresas relacionadas à produção de cimento e concreto no Brasil. Entretanto, há ainda muito a ser feito para divulgar o produto, e mostrar todo o seu potencial no sentido de aumentar a durabilidade e as resistências mecânicas de concretos e argamassas, tornar toda a cadeia da construção muito mais sustentável e reduzir o custo de longo prazo, dada a diminuição das manutenções e aumento da vida útil das estruturas construídas com o uso do metacaulim.

O metacaulim pode (e deve) ser utilizado em qualquer tipo de obra ou aplicação que utiliza o cimento Portland, devido à longa lista de benefícios que ele proporciona. Atualmente, temos atuação tanto em obras de infraestrutura como barragens, portos e ferrovias, passando pelas edificações convencionais e incluindo aplicações mais comuns em argamassas de revestimento, mesmo aquelas produzidas em obra. Quanto ao cimento conter ou não metacaulim, é uma questão meramente referencial, já que o usuário sempre poderá adicionar o metacaulim mesmo quando ele não está presente no cimento fornecido pelo fabricante. Conforme já dito anteriormente, ter metacaulim na composição do concreto, argamassa ou pasta final, seja por adição separada ou com ele já agregado na fabricação do cimento, faz toda a diferença.

Mina de caulim em Santa Catarina: Brasil tem matéria prima abundante para produzir material pozolânico.

Em outros países, ele é um produto mais usado do que no Brasil?
Desde a década de 1980, a França e os Estados Unidos têm vasta experiência com o uso do metacaulim em obras e indústrias de produtos à base de cimento, como o concreto pré-moldado, argamassa e graute. Diria que o Brasil está entre os cinco países que mais consomem metacaulim no mundo.

Em que tipo de obras é recomendado usar a adição do metacaulim no concreto e qual a diferença do cimento que usa o produto e o que não usa o produto? O metacaulim também é usado em indústrias de refratários, tintas, papel, borrachas e produtos químicos. Nesses setores, ele é mais utilizado ou o grande cliente do produto é a indústria de cimento e concreto?
Atualmente, o metacaulim é mais utilizado na construção civil como adição para concreto, argamassa ou pasta de cimento Portland, porém, outras aplicações vêm demandando cada vez mais o produto.

Como se dá o processo de extração e fabricação do metacaulim?
O metacaulim é produzido a partir do caulim, mineral especial existente em algumas regiões do Brasil. Para que haja plena compreensão desta questão, o caulim está para o metacaulim assim como o calcário e a argila estão para o cimento Portland, ou seja, não se pode confundir o produto final com a matéria prima, já que possuem propriedades bem diferentes. Conforme foi comentado anteriormente, vale ressaltar que o metacaulim é uma das poucas pozolanas que provém de processo de produção específico para este fim, não sendo um resíduo industrial como outras pozolanas.

O Brasil tem reservas de matéria prima para produzir metacaulim ou precisa importar?
Nossa empresa, a Metacaulim do Brasil, tem estrutura e capacidade produtiva para atender a toda a demanda nacional pelo produto, bastando nos readequarmos com base no tamanho do mercado. Temos crescido em média 20% ao ano nos últimos quatro anos, por meio de ampliação do processo de produção com a aquisição de equipamentos apropriados e, portanto, nunca houve ou haverá a necessidade de importar o produto, salvo no caso de demandas específicas que exijam algum critério especial ou limitação da propriedade do produto. Neste caso, a importação pode ser necessária temporariamente, até que tenhamos condições de nos readequarmos para atender às exigências da aplicação.

Sobre o ponto de vista da sustentabilidade, quais as vantagens de se usar a adição de metacaulim no concreto?
O metacaulim reduz as manutenções periódicas e aumenta a vida útil do concreto. Como a grande maioria das obras são construídas com o uso do concreto, este passa a ser a essência da estrutura e seu principal suporte. Com isso, é possível concluir que, no longo prazo, o uso do metacaulim reduz o custo total de manutenção ou reconstrução em proporção inversa ao prazo de vida-útil. Para exemplificar esta questão, é possível comprovar por meio de ensaios acelerados em laboratório que o uso do metacaulim evita o surgimento de patologias no concreto durante a sua vida, tais como a corrosão de armaduras, as expansões ou deteriorações causadas pela reatividade álcali-agregado, pelo ataque por sulfatos ou outros agentes agressivos. A correta manipulação destes resultados mostra que a vida útil do concreto pode ser facilmente dobrada e, com isso, o custo total da obra passa a ser reduzido pela metade (inversamente proporcional ao prazo de vida útil). Em outras palavras, o proprietário de uma barragem, de um porto ou de uma ferrovia terá, no longo prazo, duas obras pelo preço de uma – é simples assim – e a natureza agradece, pois o consumo de recursos naturais também passa a ser reduzido pela metade no longo prazo, visando manter a obra de pé e em serviço.

Entrevistado
Guilherme Gallo, palestrante do 6º South America Concrete Show e diretor de qualidade e comércio da Metacaulim do Brasil Indústria e Comércio Ltda
Curriculo
- Guilherme Gallo é engenheiro civil graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
- Mestre em engenharia de materiais pela UFMG
- Diretor de qualidade e comércio da Metacaulim do Brasil Indústria e Comércio Ltda
Contato: gallo@metacaulim.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Megaeventos ajudam engenharia a recuperar tempo perdido

Para professor da USP, Fernando Rebouças Stucchi, Copa do Mundo e Olimpíadas incorporam inovações, principalmente para a industrialização em concreto

Por: Altair Santos

Os megaeventos programados para ocorrer no Brasil em 2014 (Copa do Mundo) e em 2016 (Jogos Olímpicos) servirão para dar novo impulso à engenharia brasileira, principalmente no incremento de novas tecnologias aos canteiros de obras e aos processos de industrialização do concreto. A opinião é do professor titular da Poli-USP (Universidade de São Paulo), Fernando Rebouças Stucchi, que no 6º Concrete Show South America, realizado de 29 a 31 de agosto de 2012, em São Paulo, participou do seminário da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto).

Fernando Rebouças Stucchi: "Ficamos 30 anos investindo pouco em tecnologia.”

Stucchi palestrou sobre o tema "Arena multiuso para a Copa 2014 no Brasil e a importância da industrialização em concreto para a engenharia estrutural". Para ele, a construção de novos estádios no país está permitindo que sejam abertas janelas para a inovação, retirando a engenharia brasileira de uma inércia de três décadas. "Há trinta anos, o Brasil detinha mais conceitos inovadores e estava mais próximo da engenharia praticada nos Estados Unidos e na Europa do que agora. A crise causada pela hiperinflação (anos 1980 e 1990) fez com que o país não investisse nada em construção e ocorresse um atraso", lamenta.

O professor da USP cita que as construtoras deixaram de adquirir equipamentos de ponta, causando déficit tecnológico na engenharia nacional. "Hoje faltam guindastes pesados, Shield para fazer túnel de metrô, hidrofresa para escavação de parede diafragma, enfim, vários equipamentos. Da mesma forma, o Brasil deixou de trabalhar com concretos mais evoluídos, como os de alta resistência e os que contêm fibras, que só agora começam a ser utilizados em obras nacionais. Então, diria que a Copa não vai fazer milagres, mas está permitindo abrir janelas para a engenharia brasileira", assegurou Fernando Rebouças Stucchi.

Seminário da ABCIC, no 6º Concrete Show South America: um dos mais concorridos.

A tecnologia do pré-moldado é a que tende a se beneficiar mais das obras para receber o mundial da Fifa, em 2014. Há inovações sendo agregadas às construções dos estádios que provavelmente irão se disseminar para outros tipos de empreendimentos. As arenas de Cuiabá, do Grêmio de Porto Alegre, de Recife, de Salvador e de São Paulo agregaram muitas inovações. Mas a que está na frente, segundo Stucchi, é a de São Paulo. "Há técnicas maravilhosas de acabamento. Uma delas é uma empena enorme no setor leste do estádio. O pessoal simplesmente deu uma lixada nas juntas e parece que está estucada. Além disso, a obra tem balanços pré-moldados de seis metros que foram fixados com parafuso e uma grande quantidade de peças pesadas que nunca foram usadas antes em obras como esta", afirma o especialista.

No entanto, ao mesmo tempo que serve de alavanca para a inovação, a Copa do Mundo também expõe a carência da área do pré-moldado em algumas regiões do país. "Em Recife, as peças estão sendo moldadas in loco. Por quê? A única fábrica capaz de atender projetos desta envergadura no Nordeste já estava comprometida com a arena Salvador e Recife, então, não usufruiu do pré-moldado. Isso mostra que o Brasil ainda não tem a quantidade de fábricas de pré-moldados que deveria ter", ressalta Fernando Rebouças Stucchi, destacando ainda que outro empecilho está na formação de profissionais. "Para formar bons engenheiros que saibam construir com pré-moldado é preciso, no mínimo, uns dez anos. Já para formar técnico de nível médio, talvez uns cinco anos. Precisamos recuperar esse terreno perdido", finaliza.

Entrevistado
Fernando Rebouças Stucchi, professor titular da Poli-USP e sócio-diretor da Egt Engenharia
Currículo

- Fernando Rebouças Stucchi é graduado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica pela Universidade de São Paulo (1975)
- Tem especialização em estruturas de concreto pela Centre de Hautes Etudes de La Construction (1979) e mestrado em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (1982), além de doutorado em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (1991)
- Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo, professor associado da Universidade de São Paulo, presidente de comissão da Associação Brasileira de Normas Técnicas
- Também é membro do Comitê Técnico CT-301 do Instituto Brasileiro do Concreto, Sócio do ACI e Membro Votante do Comitê 318 da American Concrete Institute e membro votante da Fédération Internationale du Béton
- Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em estruturas, atuando principalmente nos seguintes temas: estruturas de concreto, pontes, projeto de estruturas
- Ocupa ainda o cargo de sócio-diretor da Egt Engenharia Ltda
Contato:
egt@egtengenharia.com.br / fernando.stucchi@poli.usp.br
Créditos fotos: Divulgação/Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Máquinas para construção injetam R$ 3,6 bi no Brasil

Novas marcas anunciam investimentos e concorrência faz com que as já instaladas no país ampliem seus parques industriais

Por: Altair Santos

Até 2016, 13 fabricantes de equipamentos pesados para a construção civil estarão inaugurando unidades no Brasil. Boa parte deles são chineses, como Sany, Shantui, Zoomlion, XCMG, Liugong e Sinotruck, mas há também as sul-coreanas Hyundai e Doosan e as norte-americanas John Deere, LBX Excavator e Manitrowoc Cranes, além das europeias - a suíça Ammann e a francesa Bomag. Acrescente-se a esse número, as empresas que já operam no país e que, diante da concorrência, também estão expandindo suas fábricas, como são os casos da Caterpillar e da Volvo.

Só o PAC Equipamentos vai comprar R$ 1,28 bilhão de retroescavadeiras e motoniveladoras.

Somados, os investimentos dessas companhias em parques industriais chegam à impressionante marca de R$ 1,1 bilhão. Algumas já estão com suas unidades quase prontas e a expectativa é que comecem a operar ainda em 2012. Os planos delas, e das que ainda estão se instalando, é entrar no mercado da construção civil brasileira, principalmente vendendo equipamentos para as obras de infraestrutura e de habitação. A projeção é que o setor consuma R$ 2,5 bilhões em máquinas até 2016, o que, somado aos investimentos das empresas, dará uma injeção na ordem de R$ 3,6 bilhões na economia nacional.

As multinacionais que chegam ao Brasil produzem desde guindastes até tratores de esteiras, passando por retroescavadeiras, pás carregadeiras, rolos compactadores, bombas de concreto, caminhões betoneira, perfuratrizes, empilhadeiras e motoniveladoras, entre outros equipamentos. "A vinda dessas transnacionais vai representar a entrada de tecnologia de ponta para a construção civil brasileira", avalia o presidente da ALEC (Associação Brasileira de Locadoras de Bens Móveis) Marco Aurélio da Cunha.

Boa parte dessa tecnologia incorporada às máquinas será comprada pelo próprio governo federal, que recentemente lançou o PAC Equipamentos. Serão investidos R$ 1,28 bilhão para a compra de 3.591 retroescavadeiras, 1.330 motoniveladoras e 50 perfuratrizes que serão repassadas às prefeituras que se inscreverem no programa e cumprirem as obrigações de investir em obras de mobilidade e de habitação.

Marco Aurélio da Cunha, presidente da ALEC: máquinas com alta tecnologia vão exigir mão de obra mais qualificada.

Para o presidente da ALEC, trata-se de um grande impulso dado ao mercado de máquinas pesadas no país, mas cujo investimento pode esbarrar na escassez de mão de obra qualificada para operar esses equipamentos. "Ao mesmo tempo em que se investe em máquinas, é preciso investir em capacitação. A ALEC tem um programa junto aos fabricantes, para que esta mão de obra seja treinada, e no futuro pretendemos ter um centro de formação", diz Marco Aurélio da Cunha, avaliando que o novo momento no setor de máquinas para construção irá também aquecer o mercado de locação de equipamentos. "Durante uma obra, vários equipamentos são utilizados. Por isso, as construtoras preferem alugá-los. É o que nos faz crer que quem tiver uma frota bem equipada e moderna terá mais mercado", conclui.

Entrevistado
Marco Aurélio da Cunha, presidente da ALEC (Associação Brasileira de Locadoras de Bens Móveis)
Currículo
- Marco Aurélio da Cunha é graduado em administração de empresas e é empresário há 23 anos

Contato: imprensa@alec.org.br / www.alec.org.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Inteligência de Mercado traduz o que o cliente quer

Na construção civil, departamento de IM monitora desde a escolha do terreno até a satisfação do comprador após um ano da aquisição do imóvel

Por: Altair Santos

Apesar de ainda ter um longo caminho a percorrer, a Inteligência de Mercado (IM) vem conseguindo seduzir a construção civil. Para incorporadoras e construtoras, a ferramenta serve como um tradutor dos anseios do consumidor. A metodologia permite que a companhia defina desde a escolha do terreno até as estratégias de lançamento e venda, passando pelo pós-atendimento. Na Cyrela Brazil Realty, por exemplo, a IM mede a satisfação dos clientes desde o momento da compra até 12 meses após a entrega da obra. O intuito é retroalimentar todas as áreas envolvidas, para corrigir rotas e melhorar projetos futuros.

Henrique Gasperoni, do Ibramerc: instituto desenvolve programas para difundir a Inteligência de Mercado no Brasil.

Segundo o diretor de marketing do Ibramerc (Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado) Henrique Gasperoni, no recente Fórum Nacional de Inteligência de Mercado, ocorrido em junho de 2012, a construção civil foi um dos setores que mais participou dos seminários. "Houve até uma sala setorial exclusiva para os profissionais da área", comenta Gasperoni, lembrando que no fórum foi difundido amplamente o ciclo de inteligência, que consiste em identificar oportunidades, coletar informações estratégicas, efetuar a análise da situação, propor melhorias e monitorar a implementação. "Se as empresas do setor fizerem uso deste ciclo, muitas oportunidades serão encontradas e desenvolvidas na construção civil", avalia.

No Brasil, os processos de Inteligência de Mercado ainda buscam a maturidade existente em países como Estados Unidos e Alemanha, e até mesmo China e Índia, que entre os integrantes dos BRICS são os mais familiarizados com a IM. "Muitas empresas brasileiras já percebem a vantagem em utilizar os conceitos de Inteligência de Mercado, entretanto ainda temos um longo caminho a percorrer. Por isso, o Ibramerc está desenvolvendo uma série de programas educacionais com o objetivo de difundir o IM no país", explica Henrique Gasperoni, citando que os setores da indústria nacional que primeiro despertaram para esse modelo de gestão foram o farmacêutico, o automobilístico e o de bens de consumo.

O Ibramerc orienta que empresas interessadas em implantar a estratégia de Inteligência de Mercado devem, primeiro, oferecer capacitação e independência para os executivos obterem dados e proporem estratégias de melhorias no setor onde a área de IM irá atuar. Engenheiros, de acordo com Henrique Gasperoni, têm perfil para desenvolver processos dentro das companhias. "Eles possuem visão estratégica e estão entre os que mais buscam capacitação no Ibramerc", afirma. Por ano, o instituto forma cerca de 500 profissionais habilitados a atuar em Inteligência de Mercado. "Mesmo assim, as empresas estão com dificuldades para contratar", completa Gasperoni.

No caso da construção civil, a aplicação da Inteligência de Mercado se dá em forma de pesquisas, análise de desempenho, acompanhamento do mercado, estudo de cases e tendências. "É fundamental conhecer todo o processo. Desta forma, o ganho pode ser ainda maior", completa o diretor de marketing do Ibramerc.

Entrevistado
Henrique Gasperoni, diretor de marketing do Ibramerc (Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado)
Currículo
- Henrique Gasperoni é graduado em análise de sistemas pela Universidade Ibirapuera (2002)
- Constituiu a Federação Brasileira de Desenvolvimento Corporativo (Febracorp) junto a outros diretores e profissionais da área, em 2002
- Atualmente, assume a função de diretor de Projetos e Operações de todos os institutos fundados pela federação
- Profissional envolvido constantemente com projetos ligados a área de supply chain, ebusiness, inteligência de mercado, fiscal e tributário

Contato: henrique.gasperoni@ibramerc.org.br
/ www.ibramerc.org.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Em nova consulta pública, NBR 15575 busca consenso

Norma de desempenho para edificações residenciais, prevista para vigorar a partir de 13 de março de 2013, enfrenta mais uma rodada de debates

Por: Altair Santos

A norma de desempenho NBR 15575, para edificações residenciais até cinco pavimentos, foi publicada em 2008 e deveria ter entrado em vigor em 2010. No entanto, sem que houvesse consenso entre os agentes da construção civil, foi adiada para março de 2012 e, mais uma vez, prorrogada para 13 de março de 2013. No momento, a norma encontra-se em consulta pública até o dia 13 de setembro, mas há a expectativa de que seja exposta a pelo menos mais uma consulta - provavelmente em dezembro de 2012.

Com a NBR 15575, empresas e consumidores terão regras claras para construir e verificar qualidade da obra.

Segundo o assessor técnico do SindusCon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná) Ivanor Fantin Júnior, a NBR 15575 é considerada uma das mais relevantes da história recente da construção civil brasileira. "É talvez a mais importante em 30 anos para a construção civil. Hoje, a questão do desempenho é o que baliza o mercado. O cliente está muito mais exigente e o setor tem que procurar, dentro de parâmetros, fazer o mínimo que exige a norma. Só que não podemos ter uma norma que venha a travar o setor", avalia.

Para o engenheiro civil, que foi contratado pelo SindusCon-PR para prestar orientações de ordem técnica e acompanhar as revisões de normas que interfiram direta ou indiretamente nas atividades do setor, a mais recente revisão da NBR 15575 já começa a formar consenso entre os agentes da construção civil. "A princípio, a revisão seria apenas de alguns itens mais polêmicos, mas no final foram revisados desde a parte conceitual até a parte de ensaios. Todos os textos foram revistos ponto a ponto e acho que o consenso já foi formado", disse.

A NBR 15575 estabelece requisitos mínimos de desempenho, de vida útil e de garantia para os sistemas que compõem os edifícios. Entre eles, estrutura, pisos internos, fachadas e paredes internas, coberturas e sistemas hidrossanitários. Ela aborda critérios que passaram a ser cada vez mais valorizados pelos consumidores, que são, basicamente, os desempenhos acústico, térmico e lumínico das edificações. Por isso, seis textos da norma foram a consulta pública até 13 de setembro. São eles: requisitos gerais (NBR 15575-1); sistemas estruturais (NBR 15575-2); sistemas de pisos (NBR 15575-3); sistemas de vedações verticais internas e externas (NBR 15575-4); sistemas de coberturas (NBR 15575-5) e sistemas hidrossanitários (NBR 15575-6).

Para Ivanor Fantin Júnior, os textos em revisão levam alguns personagens da cadeia produtiva da construção civil a ter um certo receio. Porém, ele avalia que as plenárias tendem a criar uma norma-mãe que balizará e dará tranquilidade para o setor poder trabalhar. "A partir dela, se o cliente quiser algo superior vai ter de pagar um custo a mais por isso. Mas o importante é que quando a NBR 15575 estiver plenamente em vigor ela terá regras claras para a construção, tanto para as empresas quanto para os consumidores", completa.

Região Sul

No Brasil, as empresas que atuam nos estados da região sul são consideradas as que já adotam processos construtivos muito próximos dos preceitos da NBR 15575.  Segundo o SindusCon-PR, por exemplo, 95% das construtoras que operam no setor habitacional paranaense já atendem a norma. A expectativa é que haja um tempo maior de adaptação para as empresas que utilizam sistemas industriais, como os pré-fabricados.  "Os fabricantes vão ter de testar os seus produtos para dizer qual é o desempenho e qual é a vida útil e dar uma certificação dizendo que o produto tem tanto tempo de prazo de validade, desde que seja feita a manutenção devida", explica o assessor técnico do SindusCon-PR.

Para acessar os textos em consulta pública da norma NBR 15575: clique aqui

Entrevistado
Ivanor Fantin Júnior, engenheiro civil e assessor técnico do SindusCon-PR (Sindicato da indústria da Construção Civil do Paraná)
Currículo

- Ivanor Fantin Júnior é graduado em engenharia civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)
- Atualmente atua como assessor técnico do SindusCon-PR, acompanhando as revisão das normas NBR-15575 (edifícios habitacionais de até cinco pavimentos) NBR-14037 (manual de Uso, operação e manutenção) e NBR-5674 (manutenção de edificações).
Contato:
engenharia@sindusconpr.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Indústria de blocos de concreto mantém otimismo

Segundo dados da BlocoBrasil, investimentos em gestão e qualidade fizeram setor de artefatos de cimento crescer exponencialmente em cinco anos

Por: Altair Santos

Metade dos fabricantes de blocos de concreto avalia que neste segundo semestre de 2012 há espaço para crescer entre 10% e 20% a mais do que foi registrado nos primeiros seis meses do ano. Já os outros 50% acreditam que o volume de negócios no máximo se manterá igual ao do primeiro semestre nesta reta final do ano. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto (BlocoBrasil), Marcelo Kaiuca, os otimistas são os que, desde 2007, vêm fazendo a lição de casa e investindo em gestão e controle de qualidade. "Para se ter ideia, em cinco anos o número de associados da BlocoBrasil cresceu cerca de 200%. São fabricantes que, a partir dos requisitos para obter o selo de qualidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) atingiram um nível de maturidade empresarial que nunca existiu no setor", afirmou.

Marcelo Kaiuca, presidente da BlocoBrasil: selo de qualidade da ABCP ajuda a gerar otimismo no setor.

Em função do aprimoramento da gestão, as companhias otimistas, ressalta Marcelo Kaiuca, agregaram os seguintes requisitos aos seus negócios: fornecimento para obras em diversos setores, atuação em regiões com concorrência menos acirrada, maior produtividade com menor preço, agressividade nas vendas e tradição no mercado. "Um fator importante é a região em que a empresa atua. Atualmente, as regiões sudeste e sul são as que possuem o maior número de empresas, enquanto as regiões nordeste, norte e centro-oeste exibem taxas de crescimento acima da média nacional e contam, relativamente, com poucos fabricantes de blocos de concreto, comparado ao potencial de demanda dessas regiões. Assim, quem foi buscar contratos nessas áreas vê perspectivas melhores de crescimento", avalia.

O recente lançamento do PAC da Mobilidade para médias cidades, com investimento de R$ 7 bilhões, e que irá atender 75 municípios com população entre 250 mil e 700 mil habitantes, também estimula as projeções positivas do setor. "Medidas e programas governamentais representam grande oportunidade para as empresas que fabricam pisos intertravados de concreto e aquelas que souberem aproveitar melhor essa chance terão grande probabilidade de expandir seus negócios", diz o presidente da BlocoBrasil, enumerando que, além do pavimento intertravado, há boas oportunidades para o setor em obras de infraestrutura - especialmente na área de logística (expansão de terminais de portos, aeroportos e centros de distribuição) - e nas áreas habitacionais.

Neste caso, ele destaca a expansão da alvenaria estrutural, que tem como matéria-prima os blocos de concreto. "Hoje, a alvenaria estrutural com blocos de concreto tem ganhado a adesão de inúmeras construtoras e incorporadoras, que vêm percebendo as vantagens do sistema para obter ganhos técnico-econômicos. Há também o fato de que, cada vez mais, arquitetos e projetistas estruturais aumentam seus conhecimentos a respeito desse sistema construtivo e das possibilidades - de design, de projeto e de produtividade - que ele oferece, concorrendo para sua utilização em edificações para todas as faixas de renda, desde as destinadas aos mercados populares até os de alto padrão. Atualmente, os escritórios de arquitetura mais renomados do Brasil já utilizam a alvenaria estrutural com blocos de concreto em projetos de alto padrão, em diversos estados do país", resume.

Entrevistado
Marcelo Kaiuca, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto (BlocoBrasil)

Currículo
- Empresário do setor e sócio da Multibloco Indústria e Comércio de Artefatos de Concreto, no Rio de Janeiro
- Preside a BlocoBrasil, na gestão 2011-2013
Contato: blocobrasil@blocobrasil.com.br
Créditos foto: Divulgação / BlocoBrasil

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Setor imobiliário do Brasil tem novo status internacional

Em oito anos, país sai da condição de pouco transparente para a de transparente, segundo pesquisa que mede o mercado global
Por: Altair Santos

Entre 97 mercados imobiliários de todo o mundo, o brasileiro foi o que teve o salto mais relevante na edição 2012 do Global Real Estate Transparency Index (Índice de Transparência do Mercado Imobiliário Global). Num ranking que contempla cinco faixas, o país saiu  da condição de semitransparente para a de transparente, igualando-se a nações como Hungria e Portugal e destacando-se na América Latina, ao lado do México.

Márcia Castro, da Jones Lang LaSalle: para atingir o nível de altamente transparente, Brasil precisa criar um Código de Obras padrão.

O índice, desenvolvido desde 1999 pela Jones Lang LaSalle - consultoria de investimentos e serviços imobiliários dos Estados Unidos -, é divulgado de dois em dois anos e classifica os mercados entre altamente transparente, transparente, semitransparente, pouco transparente e opaco. Até 2004, o Brasil figurava na categoria dos mercados pouco transparentes. A partir de 2006, galgou à condição de semitransparente, onde permaneceu até a recente edição do ranking.

Segundo Márcia Castro, diretora do departamento de vendas e investimentos da Jones Lang LaSalle no Brasil, o desempenho dos mercados imobiliários das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foram propulsores para que houvesse esse avanço do país. "As duas cidades tornaram-se os primeiros mercados latino-americanos a figurar na categoria transparente, por sua crescente importância como destinos de investimento e ambientes de negócios", destaca.

O índice aponta ainda que o aumento crescente da atenção e do interesse dos investidores sobre o Brasil certamente contribuirá para que o país continue avançando em relação à transparência no mercado imobiliário. “Este significante progresso coincide com a entrada de um enorme volume de capital nos últimos anos, desde a crise financeira global, e também com os níveis recordes de investimentos no mercado imobiliário comercial do país", avalia Márcia Castro.

Ainda de acordo com a diretora da Jones Lang LaSalle, o Brasil registrou melhorias em todas as cinco subcategorias do índice de transparência: a) medição do desempenho; b) dados do mercado; c) governança das empresas e fundos de capital aberto; d) ambiente jurídico e regulatório; e) processos de transação. No entanto, o país ainda precisa atingir outras metas para se equiparar aos mercados imobiliários de Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Holanda, Nova Zelândia, Canadá, França, Finlândia, Suécia e Suíça, considerados altamente transparentes.

Essas metas, segundo o que determina o Índice de Transparência do Mercado Imobiliário Global, são:
- A padronização de um código de obras e legislação em todo o país.
- Registros de imóveis com informações precisas e completas, como já ocorre nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e na região sul do Brasil.
- Avaliação de ativos com maior frequência, como é nos mercados mais transparentes, ou seja, trimestral e semestralmente.
- Mais informações sobre investimentos e dívidas imobiliárias, que são abundantes para empresas públicas, mas muito pouco transparentes para as empresas privadas.
- Informações de transações abertas ao mercado.
- Mais indicadores sobre a performance do mercado.

A edição 2012 do Índice de Transparência do Mercado Imobiliário Global também abrangeu a sustentabilidade ambiental nas decisões imobiliárias. Diversos elementos que tornam mais transparentes os aspectos sustentáveis foram levados em consideração. Entre eles:
- Requisitos de eficiência energética para novas construções e renovações.
- Sistemas de benchmarking de desempenho energético.
- Relatórios de emissão de CO₂.
- Sistemas de classificação de edifícios verdes.
- “Cláusulas verdes” em contratos de locação.
- Índice de desempenho financeiro de imóveis verdes.

Para Márcia Castro, todos os parâmetros envolvidos no índice constituem uma ferramenta de gerenciamento de risco ao oferecerem informações comparativas de múltiplas regiões e localidades, facilitando a elaboração de estratégias de investimento e sinalizando os diferentes ambientes operacionais imobiliários de todo o mundo. "De maneira geral, os investidores estrangeiros buscam países de economias estáveis e regras transparentes de mercado, principalmente no que diz respeito a processos públicos, para instalarem ou ampliarem suas operações. Por isso, a existência de um índice mensurador, como o da Jones Lang LaSalle, é um importante instrumento de entendimento do mercado local, juntamente com a estratégia traçada pelo investidor", finaliza.

Confira a íntegra do Índice de Transparência do Mercado Imobiliário Global: clique aqui

Entrevistada
Marcia Castro, diretora do departamento de vendas e investimentos da Jones Lang LaSalle no Brasil
Currículo

- Márcia Castro atua no gerenciamento de venda de portfólio e de imóveis industriais e comerciais, e no desenvolvimento de trabalhos de consultoria para a compra e venda de ativos
- Advogada, possui mais de 10 anos de experiência no mercado imobiliário, incluindo incorporações, análises imobiliárias para diversos tipos de imóveis, como industriais, comerciais, residenciais e terrenos para incorporação
- Também esteve envolvida em trabalhos que variam de imóveis singulares a grandes carteiras de imóveis para clientes como Autonomy, Mitsui, Philips, Sonae, Citibank, Eletropaulo, entre outros
Contato:  www.twitter.com/jllbrasil  / http://www.joneslanglasalle.com.br/

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Novo trecho do Rodoanel usa tecnologia sustentável

Cantitraveller, equipamento que crava estacas de forma aérea, é utilizado para construir ponte de 8,8 quilômetros sem danificar as várzeas dos rios Tietê e Guaió

Por: Altair Santos

Pela primeira vez no Brasil, o cantitraveller - equipamento normalmente utilizado para cravar estacas em áreas marítimas, para a construção de portos - está em uso para reduzir o impacto ambiental de uma obra rodoviária sobre várzeas de rios. No trecho leste do rodoanel de São Paulo, o maquinário ajuda a construir um elevado com 8,8 quilômetros de extensão.  Também chamado de encontro leve estruturado, o empreendimento irá se juntar a um outro trecho de 3,2 quilômetros de viaduto - este sobre terreno seco - para formar a segunda maior ponte do país, inferior apenas à Rio-Niterói, que mede 13.290 metros.

José Alberto Bethonico, diretor de engenharia do consórcio SPMAR: Encontro Leve Estruturado usará 183 mil m³ de concreto.

Com o cantitraveller, que tem a tecnologia de se deslocar sobre as próprias estacas que ele crava, será evitado o deslocamento de 4,5 milhões de m³ de terra das várzeas dos rios Tietê e Guaió. A operação também eliminará processos como dragagem, escavações ou aterros para a execução dos blocos de fundação. Além da preservação ambiental, o equipamento também dará velocidade à obra. O cronograma prevê que os 8,8 quilômetros de viaduto estejam concluídos no prazo de 22 meses. A cargo do consórcio SPMar, a obra está orçada em R$ 380 milhões, enquanto em todo o trecho leste do rodoanel serão investidos R$ 2,8 bilhões.

O material pré-moldado que o cantitraveller usa para a construção do viaduto é fabricado no canteiro de obras instalado em Suzano. Para 8.640 vigas e 2.880 estacas, serão utilizadas 22 mil toneladas de aço e 183 mil m³ de concreto. "O sistema cantitraveller não determina o consumo de concreto. O projeto executivo é que define se a utilização de materiais será maior ou menor. No caso específico do trecho leste do rodoanel, a economia de concreto será gerada pela padronização da solução e pelas dimensões adotadas, com vãos de 12 metros de extensão", explica José Alberto Bethonico, diretor de engenharia do consórcio SPMar, formado pelas empresas Contern Construções e Comércio Ltda e Cibe Investimentos e Participações S.A.

As obras do trecho leste do rodoanel começaram em 17 de agosto de 2011. Com 43,8 quilômetros de extensão, a construção se divide em quatro frentes de trabalho:

Trevo do km 86
Ligará o trecho sul do rodoanel ao trecho leste e à avenida Papa João XXIII, em Ribeirão Pires. A construção do viaduto já está pronta. Neste momento, a concessionária trabalha nos aterros e lajes de aproximação, na drenagem de bueiros, canaletas e galerias e no muro de contenção do km 87.

Túnel Santa Luzia
Obra ligará Ribeirão Pires e Mauá e já foram escavados cerca de 600 m nos dois emboques do túnel, cerca de 50% do programado. A previsão de término é para outubro de 2013. Toda a brita retirada nesta obra será reutilizada na construção dos pavimentos asfálticos e de concreto.

Encontro Leve Estruturado
É trecho que usa o cantitraveller, entre Suzano e Itaquaquecetuba, passando por Poá. Já foram produzidas as primeiras 567 estacas. Destas, 388 já foram cravadas nas duas seções que servirão como base para a construção do restante do viaduto.

Canteiro de obras
A fábrica de vigas em Suzano produziu até o momento 567 estacas, 62 vigas travessas e 387 vigas longarinas para o encontro leve estruturado. A previsão é que a produção das vigas esteja finalizada em novembro de 2013, para que seja concluída a obra até dezembro do mesmo ano.

Veja como funciona o cantitraveller:

Entrevistado
José Alberto Bethonico, diretor de engenharia do consórcio SPMar e ARTESP (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo)
Currículo
- José Alberto Bethonico é diretor de engenharia da SPMar e diretor operacional da Contern Construções e Comércio Ltda
- Tem formação acadêmica em engenharia civil na na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Minas Gerais e Centro Universitário Newton Paiva
Contato:  jose.bethonico@spmar.com.br / www.artesp.sp.gov.br

Créditos foto: José Luís da Conceição/Divulgação

Jornalista responsável:Altair Santos - MTB 2330