Setor imobiliário do Brasil tem novo status internacional

Em oito anos, país sai da condição de pouco transparente para a de transparente, segundo pesquisa que mede o mercado global.

Em oito anos, país sai da condição de pouco transparente para a de transparente, segundo pesquisa que mede o mercado global
Por: Altair Santos

Entre 97 mercados imobiliários de todo o mundo, o brasileiro foi o que teve o salto mais relevante na edição 2012 do Global Real Estate Transparency Index (Índice de Transparência do Mercado Imobiliário Global). Num ranking que contempla cinco faixas, o país saiu  da condição de semitransparente para a de transparente, igualando-se a nações como Hungria e Portugal e destacando-se na América Latina, ao lado do México.

Márcia Castro, da Jones Lang LaSalle: para atingir o nível de altamente transparente, Brasil precisa criar um Código de Obras padrão.

O índice, desenvolvido desde 1999 pela Jones Lang LaSalle – consultoria de investimentos e serviços imobiliários dos Estados Unidos -, é divulgado de dois em dois anos e classifica os mercados entre altamente transparente, transparente, semitransparente, pouco transparente e opaco. Até 2004, o Brasil figurava na categoria dos mercados pouco transparentes. A partir de 2006, galgou à condição de semitransparente, onde permaneceu até a recente edição do ranking.

Segundo Márcia Castro, diretora do departamento de vendas e investimentos da Jones Lang LaSalle no Brasil, o desempenho dos mercados imobiliários das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foram propulsores para que houvesse esse avanço do país. “As duas cidades tornaram-se os primeiros mercados latino-americanos a figurar na categoria transparente, por sua crescente importância como destinos de investimento e ambientes de negócios”, destaca.

O índice aponta ainda que o aumento crescente da atenção e do interesse dos investidores sobre o Brasil certamente contribuirá para que o país continue avançando em relação à transparência no mercado imobiliário. “Este significante progresso coincide com a entrada de um enorme volume de capital nos últimos anos, desde a crise financeira global, e também com os níveis recordes de investimentos no mercado imobiliário comercial do país”, avalia Márcia Castro.

Ainda de acordo com a diretora da Jones Lang LaSalle, o Brasil registrou melhorias em todas as cinco subcategorias do índice de transparência: a) medição do desempenho; b) dados do mercado; c) governança das empresas e fundos de capital aberto; d) ambiente jurídico e regulatório; e) processos de transação. No entanto, o país ainda precisa atingir outras metas para se equiparar aos mercados imobiliários de Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Holanda, Nova Zelândia, Canadá, França, Finlândia, Suécia e Suíça, considerados altamente transparentes.

Essas metas, segundo o que determina o Índice de Transparência do Mercado Imobiliário Global, são:
– A padronização de um código de obras e legislação em todo o país.
– Registros de imóveis com informações precisas e completas, como já ocorre nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e na região sul do Brasil.
– Avaliação de ativos com maior frequência, como é nos mercados mais transparentes, ou seja, trimestral e semestralmente.
– Mais informações sobre investimentos e dívidas imobiliárias, que são abundantes para empresas públicas, mas muito pouco transparentes para as empresas privadas.
– Informações de transações abertas ao mercado.
– Mais indicadores sobre a performance do mercado.

A edição 2012 do Índice de Transparência do Mercado Imobiliário Global também abrangeu a sustentabilidade ambiental nas decisões imobiliárias. Diversos elementos que tornam mais transparentes os aspectos sustentáveis foram levados em consideração. Entre eles:
– Requisitos de eficiência energética para novas construções e renovações.
– Sistemas de benchmarking de desempenho energético.
– Relatórios de emissão de CO₂.
– Sistemas de classificação de edifícios verdes.
– “Cláusulas verdes” em contratos de locação.
– Índice de desempenho financeiro de imóveis verdes.

Para Márcia Castro, todos os parâmetros envolvidos no índice constituem uma ferramenta de gerenciamento de risco ao oferecerem informações comparativas de múltiplas regiões e localidades, facilitando a elaboração de estratégias de investimento e sinalizando os diferentes ambientes operacionais imobiliários de todo o mundo. “De maneira geral, os investidores estrangeiros buscam países de economias estáveis e regras transparentes de mercado, principalmente no que diz respeito a processos públicos, para instalarem ou ampliarem suas operações. Por isso, a existência de um índice mensurador, como o da Jones Lang LaSalle, é um importante instrumento de entendimento do mercado local, juntamente com a estratégia traçada pelo investidor”, finaliza.

Confira a íntegra do Índice de Transparência do Mercado Imobiliário Global: clique aqui

Entrevistada
Marcia Castro, diretora do departamento de vendas e investimentos da Jones Lang LaSalle no Brasil
Currículo

– Márcia Castro atua no gerenciamento de venda de portfólio e de imóveis industriais e comerciais, e no desenvolvimento de trabalhos de consultoria para a compra e venda de ativos
– Advogada, possui mais de 10 anos de experiência no mercado imobiliário, incluindo incorporações, análises imobiliárias para diversos tipos de imóveis, como industriais, comerciais, residenciais e terrenos para incorporação
– Também esteve envolvida em trabalhos que variam de imóveis singulares a grandes carteiras de imóveis para clientes como Autonomy, Mitsui, Philips, Sonae, Citibank, Eletropaulo, entre outros
Contato:  www.twitter.com/jllbrasil  / http://www.joneslanglasalle.com.br/

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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