Megaobra cruza a Amazônia para transmitir energia
Linha de transmissão terá 1.191 quilômetros de extensão e vai percorrer torres que chegam a 300 metros de altitude, sustentadas por 30 mil m³ de concreto
Por: Altair Santos
Cruzando a selva amazônica, sem danificá-la ambientalmente, 4 mil homens estão construindo a maior linha de transmissão do país, desde Furnas. Trata-se do percurso que ligará Manaus, no Amazonas, a Macapá, no Amapá, passando por Tucuruí, no Pará. São 1.191 quilômetros de extensão, numa obra que iniciou em novembro de 2011 e agora em 2013 começa a entregar os primeiros trechos. A cargo do grupo espanhol Isolux Córsan, o empreendimento, financiado pela SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e pelo BASA (Banco da Amazônia) custará aproximadamente R$ 3 bilhões.

Embutido neste valor, tem o custo da construção, mas também o da logística que envolve a obra. São 14 canteiros distribuídos ao longo do percurso, além de um porto flutuante e duas centrais de concreto para produzir 30 mil m³ de material a cada seis meses. Todo esse concreto será usado para sustentar torres que medem de 45 metros a 320 metros de altura. "Essas alturas são exigências ambientais", explica o gerente do empreendimento, o engenheiro civil Mário Célio da Silva, afirmando que a travessia do rio Amazonas é o ponto crítico. Para cruzar o rio foram erguidas duas torres de 320 metros - peso unitário de 2.200 toneladas -, que estão sustentadas sobre 390 pilastras de concreto, com 30 metros de profundidade cada uma.
A linha de transmissão irá distribuir a energia produzida pela hidrelétrica de Tucuruí, no Rio Tocantins-PA, além de conectá-la ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A estrutura também servirá para levar cabos de fibra óptica à região amazônica, disseminando o acesso à telefonia e à internet às localidades mais longínquas do país. Os dados e a energia elétrica percorrerão 3.351 torres - em média, uma a cada 355 metros. "Todas elas receberão concretagem especial, por causa do terreno e das condições climáticas da floresta", afirma Nilson Pires Vieira, gerente de infraestrutura da megaobra.

Foram avaliadas várias alternativas para o traçado da linha de transmissão, até encontrar a que ofereceria menor impacto ambiental. Inicialmente foram consideradas seis opções. O tipo de vegetação e o uso do solo foram pontos decisivos na escolha. Quando havia interferência em áreas legalmente protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação, foram feitas mudanças no traçado. Outro ponto importante do projeto disse respeito à travessia de rios. O Amazonas, por exemplo, chega a ter até 10 quilômetros de largura em alguns pontos.
Além de interligar sistemas isolados do extremo norte, o empreendimento vai diminuir o custo com geração termelétrica. A conclusão da obra possibilitará economia de R$ 2 bilhões por ano. Com isso, o cálculo é de que a linha de transmissão se pagará em pouco mais de um ano e o fornecimento predominante será de energia limpa e renovável. Com o fim do uso de combustível fóssil, cerca de 3 milhões de toneladas de carbono deixarão de ser lançados na atmosfera. O sistema permite acrescentar um terceiro circuito à linha no futuro, usando o mesmo corredor.
Veja o mapa do percurso da linha Manaus-Tucuruí-Macapá
Entrevistado
Grupo Isolux Corsán (via assessoria de imprensa)
Contato: http://www.gwacom.com
Créditos foto: Divulgação/Isolux Corsán
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Agronegócio revela caos da infraestrutura nacional
Brasil tem safra recorde, que não consegue escoar por estradas esburacadas, ferrovias precárias e portos estatais que não funcionam
Por: Altair Santos
Pará, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Acre, Goiás e Mato Grosso do Sul são hoje os condutores do agronegócio brasileiro. Estados localizados nas regiões Norte e Centro-Oeste do país, boa parte do que produzem escoa pela rodovia conhecida como Cuiabá-Santarém (BR-163). São 1.770 quilômetros, dos quais 1/3 não tem pavimento e metade é mal sinalizada. Mesmo assim, só por transporte rodoviário é possível levar a safra de grãos aos terminais portuários, principalmente os de Santos-SP e Paranaguá-PR. As ferrovias existentes nestas regiões não se interligam com os portos.

As hidrovias também carecem de uma infraestrutura que permita a elas ser mais competitivas. Mesmo com toda a precariedade, levar a colheita pelas estradas é mais rápido e mais barato. Só que poderia ser muito mais rápido e muito mais barato, como explica o consultor Luís Antônio Fayet, especialista em agronegócios e logística. "Tivemos um grande crescimento do agronegócio, numa região que não tinha nada de infraestrutura. Nem porto, nem rodovia, nem ferrovia, nada. Isso determinou um grande atraso. Desde 2007 denuncio o risco de um apagão portuário, mas as autoridades federais foram omissas neste processo", diz.
Fayet refere-se ao efeito cascata que os gargalos de infraestrutura causam. Como não há um sistema de armazenamento adequado, toda a safra escoa praticamente ao mesmo tempo para os portos, de onde são exportadas, causando congestionamentos nas estradas e demora no embarque dos navios. "No Brasil, há 50 anos éramos importadores de comida e hoje somos o segundo maior fornecedor deste mercado internacional. E vamos passar a ser o primeiro até o fim da década. Portanto, o agronegócio é o corpo e a alma da economia brasileira. A infraestrutura do país precisa acompanhar esse crescimento", ressalta o consultor.

Ainda de acordo com o especialista, o governo federal está atacando agora um problema que tinha que ser enfrentado há dez anos. A assertiva do poder público, destaca Fayet, está em priorizar rodovias e ferrovias, criando um plano de concessões para esses dois modais. "Só que o governo cometeu o pecado de querer fazer tudo de uma vez só. A velocidade que o governo quer dar às licitações ferroviárias e rodoviárias prejudica a qualidade das implantações. As entidades do setor privado têm alertado o governo", destaca, avaliando que, à reboque do crescimento do agronegócio, inevitavelmente a construção civil irá se beneficiar. "As grandes obras virão. É uma prioridade do país para sustentar o agronegócio", afirma.
Só que enquanto a infraestrutura do país não se moderniza, pelo menos 20% da produção agrícola nacional se perde no trajeto entre a colheita e o porto - boa parte é resultado das péssimas condições das estradas sob o controle dos estados e do governo federal. Esse percentual representa um desperdício de cerca de 30 milhões de toneladas ou R$ 10 bilhões. Para enfrentar esse problema, Fayet defende que as distâncias precisam ser encurtadas. "As novas fronteiras precisam de novas oportunidades de escoamento, que não se limitem a Santos e Paranaguá", finaliza.
Entrevistado
Luís Antônio Fayet, consultor em agronegócio e logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
Currículo
- Luís Antônio Fayet é graduado em economia. Atua como consultor em agronegócio e logística pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
- Foi presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado do Paraná (Badep) e presidiu também o extinto Banestado, além de compor a diretoria de crédito rural do Banco do Brasil
Créditos fotos: Leandro J. Nascimento / Agrodebate / Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Concreto urbano ganha mais um adversário: a pichação
Produtos como vernizes e ceras têm sido largamente utilizados em obras públicas, para que elas fiquem protegidas das ações dos vândalos
Por: Altair Santos
Há pelo menos uma década, as grandes metrópoles brasileiras convivem com o mal da pichação. Para combater o ataque às fachadas das edificações, o poder público se vale de campanhas educativas e da aplicação da lei federal, a qual determina que é proibida a venda de sprays para menores de idade. O comerciante que infringi-la recebe multa de R$ 1.785,50 na primeira advertência e R$ 3.571,00 na reincidência. Numa terceira autuação, além da multa, o alvará do estabelecimento é cassado. Além disso, a legislação de crimes contra o meio ambiente impõe ao infrator, caso ele seja adulto, multa administrativa de R$ 710,20 e abertura de processo criminal.

Leis à parte, a tecnologia tem se mostrado mais eficiente no combate às pichações, principalmente quando os ataques são feitos ao concreto aparente. Vernizes e ceras importadas impedem que a tinta penetre nos poros do material e permitem livrar as obras da ação de vândalos. "O concreto rígido é poroso e absorve a tinta da pichação, que o marca profundamente. Para recuperá-lo é difícil. Tem que lixar com profundidade e desbastar o concreto aparente para remover completamente a pichação. A recuperação nunca fica cem por cento, se não houver proteção", afirma Ariovaldo José Torelli, presidente do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI).
O especialista explica que a maioria dos protetores antipichação vendidos no Brasil ou são vernizes ou ceras. "Normalmente são vernizes de poliuretano, que resistem à lavagem da pichação com solvente. Mas tem outra tecnologia chegando no Brasil, que são as ceras. Elas protegem o concreto e permitem que a pichação seja lavada com água quente. Só que depois é preciso que a cera seja novamente aplicada. A vantagem é que a cera é ecológica, pois ela dispensa o solvente, que é usado para remover as pichações em cima do verniz", diz José Torelli.

O presidente do Instituto Brasileiro de Impermeabilização afirma que na cidade de São Paulo todas as grandes obras hoje estão protegidas por vernizes. "Estações de metrô, pontes estaiadas e obras em praças públicas estão todas impermeabilizadas. Nos estádios que irão sediar jogos da Copa a mesma tecnologia tem sido empregada", revela, lembrando que os produtos são todos importados, pois o Brasil ainda não detém tecnologia para fabricar vernizes e ceras antipichação. "Agora, é importante ressaltar que esses produtos podem ser usados também para proteger o concreto de agentes climáticos e da poluição", complementa.
Outras alternativas
Contra pichações também há cerâmicas e folhas e alumínio especiais para serem aplicadas em fachadas de edifícios e lojas, que garantem serem imunes ao vandalismo. No Brasil, existe a cerâmica Quasar, fabricada pela Ceusa, que recebe uma camada de esmalte para reduzir a porosidade da cerâmica, impedindo, assim, a fixação das tintas na superfície. Para remover a pichação, basta passar um pano com álcool ou lavar com água e sabão. O Wallcap - revestimento de alumínio da Alcan Alumínio do Brasil - é outro produto que fica limpo da pichação aplicando um pano embebido em álcool. O produto é vendido em chapas para fachadas ou paredes internas.
Entrevistado
Ariovaldo José Torelli, presidente do Instituto Brasileiro de Impermeabilização
Currículo
Ariovaldo José Torelli é graduado em engenharia civil. Ocupa o cargo de diretor-executivo da Viapol - empresa voltada ao desenvolvimento de soluções para a construção civil vinculadas à impermeabilização
Contato: torelli@viapol.com.br
Créditos fotos: Divulgação / Prefeitura do Rio de Janeiro
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Arena Fonte Nova une tecnologia de cinco países
Além do conhecimento brasileiro, o projeto do estádio baiano contou ainda com participação de suíços, franceses, alemães e norte-americanos
Por: Altair Santos
Depois de Castelão e Mineirão, está pronto o terceiro estádio dos 12 que serão utilizados na Copa do Mundo de 2014. A Arena Fonte Nova, localizada em Salvador-BA, ao contrário dos empreendimentos no Ceará e em Minas Gerais, foi totalmente construída - e não reformada. Por isso, é também um marco em termos de inovações em sistemas construtivos. A ponto de ser a primeira arena no mundo a receber Certificação Internacional de Qualidade ISO 9001 do Sistema de Gestão de Qualidade para o Escopo de Construção de Arenas Multiuso.

A certificação só foi concedida por que o estádio cumpriu metas ao longo de todas as fases da obra. A começar pela etapa zero de sua construção, que começou dia 29 de agosto de 2010, quando houve a implosão da edificação antiga, seguida de reciclagem do material e de sua reutilização na própria construção. Além disso, a Arena Fonte Nova, para cumprir o cronograma de dois anos e sete meses, fez uso de várias tecnologias importadas, além do conhecimento brasileiro. O projeto, por exemplo, é dos arquitetos alemães Marc Duwe e Claas Schulitz.
Também foram usadas técnicas suíças, francesas e norte-americanas, como os cálculos estruturais, que permitiram inclinação mais verticalizada das arquibancadas e, consequentemente, uma visão mais privilegiada do campo de jogo. Outra inovação está na cobertura, que abriga 100% dos assentos e alcança 36 mil m² de área. Sua armação utilizou 40% a menos de aço. São 9,2 quilômetros de cabos de aço, que pesam 290 toneladas. A estrutura metálica do anel de compressão pesa 1.198 toneladas e a estrutura metálica do anel de tração 586 toneladas. Esta estrutura sustenta uma membrana impermeável de 28 mil m² de área e um deck metálico 8.350 m² de área.

Com capacidade para 50 mil lugares, a Arena Fonte Nova custou R$ 591,7 milhões. O novo ambiente foi construído em três níveis de arquibancadas, com assentos cobertos, 90 camarotes, 2.500 assentos VIP, restaurante panorâmico com vista para o estádio e para o Dique do Tororó e duas mil vagas de estacionamento. A estrutura consumiu 12 mil peças pré-moldadas, 65 mil m² de estacas, 5,2 milhões de quilos de armação e 45 mil m³ de concreto. Tudo isso em uma área de 90 mil m².
Viabilizada pelo sistema de Parceria Público-Privada (PPP) a Arena Fonte Nova foi construída pelo consórcio Odebrecht Infraestrutura e OAS, com gestão da Fonte Nova Negócios e Participações (FNP) formada pela Odebrecht Participações e Investimentos e OAS. A concessão tem prazo de 35 anos e começa a valer a partir de 7 de abril de 2013, quando o estádio será oficialmente inaugurado com o clássico baiano Ba-Vi (Bahia x Vitória).
Entrevistados
Odebrechet e Secretária estadual da Copa do Mundo (Secopa) (via assessoria de imprensa)
Contatos: jpcarvalho@odebrecht.com / daniel.oliveira@secopa.ba.gov.br
Créditos fotos: Erik Salles - Vaner Casaes / Ag. BAPRESS / Vaner Casaes / Ag. BAPRESS / Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Alemanha investe na engenharia brasileira
Em parceria com o programa Ciência sem Fronteiras, associações germânicas ofertam bolsas em suas principais fundações e instituições de ensino
Por: Altair Santos
O programa Ciência sem Fronteiras, que prevê a concessão de 100 mil bolsas para universitários expandirem seus conhecimentos no exterior, tem nas instituições de ensino da Alemanha alguns de seus principais parceiros. Não é à toa que até 2015 o governo brasileiro pretende enviar 10 mil estudantes para o país que hoje lidera a União Europeia. O caminho para que o intercâmbio ocorra está sedimentado. Desde o começo de 2013, já funciona em São Paulo o Centro Alemão de Inovação e Ciência (DWIH, na sigla em alemão). A unidade abriga representações de 10 institutos de pesquisa e universidades alemães, interessados em estabelecer programas de intercâmbio científico, acadêmico e de fomento à inovação com o Brasil.

Até janeiro de 2013, segundo dados do próprio Ciência sem Fronteiras, 22.646 bolsas de graduação e pós-graduação haviam sido distribuídas para estudantes, que se espalham por 16 países. Ao todo, instituições de 40 nações estão credenciadas pelo programa para receber brasileiros. A Alemanha concentra-se nos acadêmicos de engenharia, graças à atuação da Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha (VDI-Brasil) que promove a cooperação tecnológica entre os dois países através de seminários e parcerias. "Nosso objetivo é alcançar todos os engenheiros no Brasil através da ampliação das parcerias com as associações de engenheiros brasileiros. Já conseguimos acesso a mais de cem mil profissionais", diz Edgar Horny, presidente da VDI-Brasil.
Com o Centro Alemão de Inovação e Ciência, em conjunto com o programa Ciência sem Fronteiras, a expectativa é que o empenho da Alemanha pela engenharia brasileira se estenda também às universidades do país. Para que isso ocorra, 10 organismos germânicos estão aliados ao DWIH. Confira:
Agências de promoção e fomento
- Fundação Alexander von Humboldt
- Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD)
- Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG)
Representações de universidades
- Frankfurt School of Finance & Management
- Freie Universität Berlin
- Universidade Técnica de Munique (TUM)
- Aliança Universitária da Região Metropolitana do Ruhr (UAMR)
- German Universities of Applied Sciences (UAS7)
- Westfälische Wilhelms-Universität Münster (WWU)
Instituição de pesquisa aplicada
- Sociedade Fraunhofer

Dentro deste cenário de parcerias entre Brasil e Alemanha, a construção civil também se beneficia. Dos quase 800 cursos de graduação e pós-graduação que integram o programa Ciência sem Fronteiras, 193 estão vinculados às engenharias. Destes, oito estão ligados à cadeia produtiva da construção civil e possuem convênios com organismos alemães para aprimorar conhecimento. Entre eles, estão cursos técnicos de construção civil, edificações, movimento de terra e pavimentação, obras de solo e pavimentação e topografia de estradas, além das engenharias civil, de materiais e de produção. “A Alemanha e o Brasil querem juntos olhar para o futuro. O Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH) ajuda a tornar esses desejos realidade”, sintetiza Matthias von Kummer, cônsul-geral da República Federal da Alemanha, em São Paulo.
Confira os cursos contemplados pelo Ciência sem Fronteiras
Saiba mais sobre as parcerias Brasil-Alemanha
Entrevistados
Centro Alemão de Inovação e Ciência e Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha (via assessoria de imprensa)
Contato: comunicacao@vdibrasil.com.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Telha de concreto supera tabus e vendas crescem
Em 10 anos, fábricas triplicaram no Brasil e produto ganhou competitividade e qualidade termoacústica, após revisão da ABNT NBR 13858-2
Por: Altair Santos
A ABNT NBR 13858-2:1997, que definiu novas especificações técnicas para as telhas de concreto, abriu as portas do mercado da construção civil para o produto. Passados 16 anos da publicação da norma, os fabricantes conseguiram superar os tabus que envolviam o artefato cimentício e em algumas regiões do país já conseguem obter maior volume de vendas do que as tradicionais telhas cerâmicas, fabricadas de argila. "Em 2003 havia 53 plantas, e hoje somos cerca de 150. Outro indicador de crescimento é o fato de que temos diversos casos de fabricantes de telha de argila que migraram para o concreto", explica Idário Fernandes, autor do livro Telhas de concreto - Produção e controle de qualidade.

Também fabricante, Idário Fernandes enumera os tabus vencidos pelas telhas de concreto para ganhar competitividade perante as telhas cerâmicas. O primeiro deles foi o preço. Com investimento maciço em automação, as fábricas conseguiram produtividade em larga escala. Boa parte das indústrias instaladas no país triplicou a produção, usando o mesmo número de funcionários de 10 anos atrás. "A tecnologia permite fabricar até 50 mil telhas por dia, com cerca de 10 a 12 trabalhadores na linha de produção", relata o especialista, complementando que a industrialização fez da telha de concreto um produto ambientalmente correto. "A telha cerâmica ainda tem muita produção artesanal, que não cumprem as leis sociais e ambientais", frisa.
Outro tabu derrubado é o de que as telhas de concreto tinham menor eficiência termoacústica. "É outra barreira superada. O concreto é mais denso do que a argila queimada e, por isso, tem maior poder de transmissão do calor. Porém, o maior responsável pela captação do calor é a cor do produto e não propriamente a sua estrutura. A telha de cimento oferece a opção das cores mais claras, como branco, travertino, creme, areia e pastel. São cores mais frias que a cerâmica e são ideais para regiões de clima quente. Além da questão estética, onde as diversas opções de cores e tons inegavelmente dão mais beleza ao telhado, tem o aspecto técnico, onde o uso de cores mais claras proporciona maior conforto térmico ao usuário", afirma Idário Fernandes.

Outra iniciativa dos fabricantes de telhas de concreto para ganhar mercado foi a implantação da assessoria técnica. Atuando junto a engenheiros e arquitetos, a indústria do setor já consegue estar presente em 45% dos empreendimentos de médio e alto padrão construídos nas regiões Sul e Sudeste do país. A próxima barreira a ser vencida é conseguir penetrar no setor das reformas, onde a telha cerâmica ainda detém 92% do mercado. "Em obras simples, onde se compara apenas o preço da peça, e não do metro quadrado coberto ou do telhado pronto, a preferência pela telha de barro, que unitariamente é mais barata, prevalece", reconhece Idário Fernandes.

Entrevistado
Idário Fernandes, diretor-técnico da Interblock Arfatos de Cimento
Currículo
- Idário Fernandes é técnico em edificações e engenheiro civil com mais de 30 anos de experiência em produção e controle de qualidade de artefatos de cimento
- Proferiu mais de 250 cursos e palestras no Brasil e Mercosul sobre cimento e concreto
- Publicou diversos artigos técnicos sobre artefatos de cimento em revistas do gênero. É autor dos livros Blocos e pavers e Produção e controle de Qualidade e Telhas de concreto - Produção e controle de qualidade
- Consultor em tecnologia de concreto e sistemas construtivos à base de cimento, com especialidade em blocos, pisos intertravados e outros produtos vibro prensados
- Ocupa o cargo de diretor-técnico da Interblock Arfatos de Cimento
Contatos: www.doutorbloco.com.br / idariof@uol.com.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Estágio em engenharia civil paga bem e tem vagas
Futuros profissionais da área da construção estão entre os mais requisitados pelas empresas. A partir do 2º semestre do curso já dá para buscar treinamento
Por: Altair Santos
A dúvida é recorrente entre estudantes de engenharia civil: qual o melhor momento para buscar estágio, nos primeiros anos de curso ou deixar para procurar o ingresso no mercado de trabalho na reta final da formação? Segundo Eva Buscoff, coordenadora de treinamentos internos do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios) a escassez de engenheiros na construção civil recomenda que não se espere muito para conciliar o período acadêmico com o início da carreira profissional. "Respeitando as exigências e regras adotadas pela coordenação de estágios do curso da universidade, estagiar logo no início do curso é uma ótima estratégia. Assim, o futuro profissional pode conhecer diversas áreas e aprimorar o aprendizado. A partir do 2º semestre do curso já é possível buscar o mercado", diz a especialista.

Normalmente, a temporada de estágios coincide com o início do período letivo. No caso da engenharia civil, no entanto, a demanda por profissionais tem feito com que as vagas estejam abertas quase o ano todo. A estratégia das empresas tem sido firmar convênios com as universidades para atrair os estagiários. "Conscientes da falta de profissionais, estrategicamente as empresas do setor buscam estudantes com a intenção de capacitá-los de acordo com as suas necessidades. A ideia central é investir pesado em futuros profissionais", explica Eva Buscoff, lembrando que, segundo pesquisa do Nube, o estágio em engenharia civil está entre os dez melhores remunerados, pagando, em média, R$ 1.127,61. "A engenharia civil está em segundo lugar no ranking, antecedido apenas do curso de economia", revela Eva Buscoff.
Entretanto, a coordenadora do Nube orienta que a remuneração não deve nortear o estágio, mas sim as possibilidades de aprendizado dentro da empresa. "Os jovens profissionais estão interessados em possibilidades de crescimento na empresa, mobilidade pelos setores, benefícios e qualidade de vida. A minha dica para quem enfrenta esse dilema é optar por aquele estágio mais condizente com os objetivos de longo prazo do estudante. Se pretender conhecer diferentes setores, opte pela vaga que possibilite transitar por vários departamentos. Mas se já definiu sua área de preferência, prefira a melhor remuneração", sugere. A especialista revela ainda que as construtoras têm dado preferência a homens, quando as vagas são para engenheiros civis, e mulheres, quando a oferta é para engenheiros de produção voltados para planejamento e gestão nos canteiros de obras.

Empresas que atuam em obras de infraestrutura, projetos de hidrelétrica e sistemas prediais – fundações, estruturas, instalações elétricas e hidráulicas - são as que mais têm ofertado vagas para estágios na cadeia produtiva da construção civil.
Entrevistado
Eva Buscoff, coordenadora de treinamentos internos no Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios)
Currículo
- Eva Buscoff é graduada em psicologia e cursa especialização em arteterapia. Atua como coordenadora de treinamentos internos no Nube, ministrando treinamentos comportamentais e atuando como consultora interna. Também tem experiência em coordenar dinâmicas de grupo, entrevistas e desenvolver programas de estágio para multinacionais.
Contato: www.nube.com.br / imprensa@nube.com.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Coppe se dedica à ciência dos materiais cimentícios
Instituto voltado à pesquisa e à engenharia está completando 50 anos e é referência na formação de mestres e doutores na América Latina
Por: Altair Santos
A Coppe – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia – foi fundada em 1963 e hoje é referência entre os centros de ensino e pesquisa em engenharia da América Latina. Na mais recente avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, divulgada em setembro de 2010, a Coppe foi a instituição de pós-graduação de engenharia brasileira que obteve o maior número de conceito 7, atribuído a cursos com desempenho equivalente aos dos mais importantes centros de ensino e pesquisa do mundo.

Atualmente, com 121 laboratórios reconhecidos internacionalmente, a Coppe, neste meio século, já formou mais de 13 mil mestres e doutores - boa parte voltados à pesquisa de materiais para obras de infraestrutura, como cimento, concreto e agregados para construção de rodovias, barragens, usinas nucleares e poços petrolíferos. "Nossa ênfase é na infraestrutura", destaca o professor Romildo Toledo, gerente do Laboratório de Estruturas (Labest) da Coppe, revelando que atualmente as pesquisas se voltam para o desenvolvimento de nanoestruturas e de aditivos químicos superplastificantes, que vão permitir criar materiais cimentícios com resistência à compressão de até 160 MPa (Megapascal) para uso nas camadas do pré-sal.
Os laboratórios da Coppe submetem materiais a situações extremas, para obter altas performances mecânicas e de durabilidade. Com as pesquisas envolvendo nanotubo de carbono, o gerente do Labest avalia que a médio prazo possam ser obtidos novos tipos de concreto de alto desempenho, concreto autoadensável e cimentos especiais, que resistam a condições extremas e possam receber aditivos minerais de baixo impacto pozolânico. "Os ensaios apontam isso", revela Romildo Toledo, que gerencia um parque laboratorial de 5.000 m², capaz de ensaiar materiais, sistemas construtivos e estruturas. Toda essa infraestrutura encontra-se no campus da Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ).

Reunindo 12 programas de pós-graduação, a Coppe está no centro do pensamento e da produção científica e tecnológica em diferentes segmentos da engenharia. Atualmente, o corpo de pesquisadores envolvem cerca de 2.700 alunos e 350 professores doutores em regime de dedicação exclusiva. Números bem diferentes da primeira turma de mestrado em Engenharia Química, de 1963, que contava com apenas quatro professores permanentes (um deles, o próprio professor Alberto Luiz Coimbra, fundador da Coppe) sete convidados e oito alunos.
Além de desenvolver estudos com materiais cimentícios, a instituição vem realizando trabalhos fundamentais nas áreas de energia elétrica, óleo e gás, meio ambiente, clima, novos materiais, engenharia da saúde, robótica, transporte e mobilidade urbana e saneamento. Também desenvolve produtos inovadores como o ônibus híbrido elétrico movido a hidrogênio e a usina que transforma a energia das ondas do mar em eletricidade e o trem de levitação magnética, em construção na Cidade Universitária da UFRJ.

Entrevistado
Romildo Toledo, gerente do Laboratório de Estruturas (Labest) da Coppe
Currículo
- Romildo Dias Toledo é graduado em engenharia civil pela Universidade Federal da Paraíba (1983), com mestrado em engenharia civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1986) e doutorado em engenharia civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1997)
- É professor de engenharia civil da Coppe/UFRJ e gerente do Laboratório de Estruturas (Labest) da Coppe
- Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em concreto, atuando principalmente nos seguintes temas: concreto, materiais compósitos, materiais de baixo impacto ambiental, resíduos sólidos (urbanos, construção e demolição, agrícolas e industriais) durabilidade, concretos refratários, pastas para cimentação e barragens de concreto
Contato: toledo@coc.ufrj.br
Créditos fotos: Divulgação/Coppe/UFRJ
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Logística favorece concreto nos parques eólicos
Possibilidade de construir peças pré-fabricadas in loco permite que material seja competitivo diante das estruturas de aço
Por: Altair Santos
O Conselho Global de Energia Eólica (Global Wind Energy Council – GWEC) publicou em fevereiro de 2013 as estatísticas referentes ao mercado eólico mundial durante 2012. A indústria do setor cresceu quase 10% e aumentou a capacidade instalada em aproximadamente 19%. Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido bateram recorde de instalações, enquanto na América do Sul o Brasil manteve a liderança do mercado, elevando sua capacidade instalada para 2.500 MW (megawatts). Segundo a ABE Eólica (Associação Brasileira de Energia Eólica) o país chegou a 108 parques eólicos, mas para expandi-los precisará romper a fronteira litorânea e explorar novas áreas no interior, encarando o desafio da logística. É diante desse cenário que as torres em concreto, para sustentar os aerogeradores, devem começar a ganhar mercado dos equipamentos feitos em aço.

Como explica Flávio Fernandes Novaes, gerente de Expansão da Geração e de Fontes Alternativas da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e especialista em energia eólica, desde que o Brasil passou a ter uma política para captar a energia dos ventos, o que começou em 2009, a maioria absoluta das torres foi construída com estruturas de aço. Só que a necessidade de expandir os parques têm restringido esse tipo de tecnologia. "Dois fatores são limitantes para as torres tubulares de aço: as condições de acesso pelas rodovias e estradas, visto que quanto mais alta for a torre maiores e mais pesados serão os diâmetros dos segmentos, exigindo dezenas de carretas da fábrica até o local do parque, e as grandes flutuações no preço do aço no mercado. Por isso, as torres de concreto surgem como alternativas viáveis para a expansão dos parques eólicos", afirma.
A vantagem das torres de concreto, ressalta o especialista, é que elas podem ser construídas no próprio local de implantação do parque eólico, a partir da instalação de pequenas concreteiras nos canteiros de obras. "Neste caso, o processo global de construção e montagem dos parques pode se mostrar mais barato e elimina grande parte da logística de transporte de componentes pelas rodovias, a despeito de demandar um período maior de construção e liberação das estruturas de concreto, haja vista a necessidade de se cumprir os tempos de cura ou de montagem dos módulos pré-fabricados para posterior posicionamento da carga sobre as mesmas", alerta. Mesmo assim, as torres de concreto se mostram competitivas para alturas superiores a 100 metros - as estruturas de aço variam de 65 a 80 metros - ou para áreas que apresentem obstáculos de logística.

Caso a caso
Independentemente da estrutura da torre que irá sustentar o aerogerador, seja aço ou concreto, os requisitos técnicos precisam ser previamente atendidos para suportar os esforços produzidos pelos equipamentos. "Ter o projeto certificado é condição obrigatória. No caso das torres em concreto, fatores como traço, taxa de armadura, resistência a torção e tração, além de tempo de cura, deverão ser pré-estabelecidos em estrita concordância com os fabricantes dos aerogeradores", destaca Flávio Fernandes Novaes, seguro de que o cenário brasileiro do setor de energia eólica irá se tornar cada vez mais favorável à tecnologia de torres de concreto. "De toda forma, é sempre necessário estudar minuciosamente, caso a caso, qual será a solução mais vantajosa para um determinado projeto, avaliando as condições regionais do relevo, o acesso rodoviário, o custo do aço e a disponibilidade de mão de obra especializada para supervisão e construção das torres", complementa.

Entrevistado
Flávio Fernandes Novaes, gerente de Expansão da Geração e de Fontes Alternativas da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais)
Currículo
- Flávio Fernandes Novaes atua há 30 anos no setor de energia elétrica, pela Cemig GT, e há 6 anos é gerente de engenharia eletromecânica de Expansão da Geração e de Fontes Alternativas
- É responsável por liderar equipe de engenheiros e técnicos especializados para prospecção, estruturação e implantação de projetos de geração de energia elétrica, seja de fonte primária hidráulica, eólica, térmica ou biomassa
Contatos: www.cemig.com.br / flavio.novaes@hotmail.com / ffnovaes@cemig.com.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Tecnologia do concreto e do cimento preserva água
Graças a equipamentos modernos e aos aditivos, bem precioso é cada vez menos utilizado nas cimenteiras e nas indústrias de artefatos de cimento e pré-fabricados
Por: Altair Santos
A ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu 22 de março como o Dia Mundial da Água. Mais que uma data comemorativa, é uma data para reflexão. O objetivo é instigar nos setores produtivos soluções que permitam economizar o bem precioso. Dentro da cadeia produtiva da construção civil brasileira, as indústrias de cimento e concreto têm conseguido avanços significativos neste item. Sobretudo, por causa do investimento em tecnologia. "A redução de água na fabricação e aplicação do cimento se deve a equipamentos que preservam, racionalizam e permitem o reuso da água. Essa conscientização, obviamente, é fruto de fatores ambientais e econômicos", destaca Mário William Esper, gerente de relações institucionais da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Hoje, por exemplo, 99% das unidades industriais que fabricam cimento no Brasil o produzem por via seca. "Neste processo, a água é utilizada apenas nas torres de arrefecimento dos moinhos e para resfriamento do material, representando um consumo de 100 litros por tonelada de cimento. A água empregada para resfriamento dos gases é absorvida no processo e liberada na forma de vapor, sem nenhum contaminante. Já aquela utilizada para resfriar equipamentos passa por separadores de óleo e é, em geral, reaproveitada. A água consumida na maioria das fábricas é praticamente 100% recirculada, não havendo, portanto, a geração de efluentes líquidos industriais", explica Mário William Esper, ressaltando que essa tecnologia em favor do bem precioso também se estende à produção de concreto, de artefatos de cimento e de pré-moldados.
No caso do concreto, o emprego de aditivos de alta performance tem proporcionado a minimização do emprego de água, bem como aumentado a produtividade. A exemplo do concreto, por conta dos aditivos de última geração o uso do bem precioso também foi substancialmente reduzido na fabricação de pré-fabricados. A água também tem sido pouco utilizada na produção de artefatos de cimento. "Seu emprego se dá apenas como água de amassamentos e para a hidratação do cimento", revela o gerente de relações institucionais da ABCP, afirmando que essa economia gerada pelas indústrias ligadas ao cimento repercute em outros setores da cadeia produtiva da construção civil. "Esse exemplo influencia outros fabricantes a investirem em tecnologia que permita a preservação, a racionalização e reuso da água", completa.
Sobre a ABCP
Para estimular a economia de água nos processos industriais do cimento Portland e seus derivados, a ABCP segue investindo na pesquisa de aditivos que reduzem sensivelmente a relação água/cimento na produção de concreto, bem como estimula a adoção de sistemas e produtos que buscam o reaproveitamento e a economia de água nos programas habitacionais e nas obras de infraestrutura.
Entrevistado
Mário William Esper, gerente de relações institucionais da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
Currículo
- Mário William Esper é graduado em engenharia civil e mestre em engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
- Atua com gerente de relações institucionais da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
- Tem experiência na área da construção civil, com ênfase em materiais de construção, atuando na tecnologia dos materiais, sistema de qualidade, normalização, sistemas construtivos e meio ambiente
Contato: mario.william@abcp.org.br
Créditos foto: Divulgação