Pequenas empresas dominam construção civil no país
Pesquisa mostra que quase 95%, das 195 mil construtoras em atividade, têm idade média de 13 anos e menos de 50 empregados
Por: Altair Santos
Ampla pesquisa encomendada pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) ao Instituto Sensus revela que o setor da construção civil, que atua diretamente no canteiro de obras, está dominado por empresas de pequeno porte, com até 49 empregados. Este segmento, que engloba construtoras, incorporadoras, demolidoras, preparadoras de terreno, instaladoras elétricas e hidráulicas, acabamento e outros serviços especializados, representa atualmente 184,8 mil (94,8%) das 195 mil que estão em atividade no país.

Destas, quase a metade (49,4%) tem a receita operacional bruta anual de até R$ 5 milhões. Já 14%, faturam de R$ 5 milhões a R$ 10,5 milhões. Quase 5%, entre mais de R$ 10,5 milhões até R$ 15 milhões. Outras 4% indicam receita entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões. Cerca de 3,5% têm faturamento bruto entre mais de R$ 30 milhões e menos de R$ 60 milhões e 5,1% registram receita igual ou superior a R$ 60 milhões.
O maior contingente das pequenas empresas é representado por construtoras (cerca de 60%) que até o lançamento de programas como o Minha Casa, Minha Vida e o PAC atuavam como terceirizadas das grandes empreiteiras. No entanto, impulsionadas principalmente pelo crescimento do setor habitacional, elas passaram a ter mais autonomia para empreender e promover seus próprios negócios. Com isso, conquistaram uma participação maior no PIB da construção. Em 2009, era 0,7%. Hoje, esse setor representa 11,6%.
A pesquisa "A Construção na visão de quem produz" revela ainda que boa parte destas pequenas empresas que dominam o setor, e que têm em média 13 anos de existência, está preocupada agora em buscar novas tecnologias construtivas, novas técnicas de gestão e novas regras de negócio, além da formalização da mão de obra. "A sinalização clara do mercado é que, quem não se formalizar, tende a ficar fora das oportunidades e no limite do próprio mercado", destaca Luís Fernando Melo Mendes, assessor econômico da CBIC.
Aproximadamente 48% destas pequenas empresas atuam no segmento da construção de edifícios. Trata-se de um setor em que a idoneidade é peça-chave para se conseguir sobreviver e atrair novos negócios. "É uma demanda do consumidor, que passou a rechaçar a informalidade, e também dos governos, que contratam essas construtoras para atuar em programas habitacionais", diz Luís Fernando Melo Mendes, para quem o cenário é de estabilização no surgimento de novas construtoras no mercado. "O cenário atual aponta para o aperfeiçoamento das empresas, para que elas construam atendendo as exigências dos consumidores. Se novas construtoras surgirem, elas deverão se diferenciar pelo modelo de gestão e pela tecnologia", completa.
Outro dado relevante trazido pela pesquisa encomendada pela CBIC é que, das receitas das pequenas empresas, 72,2% advêm de obras industriais e obras residenciais, contratadas por clientes privados. As obras públicas, como edificações, saneamento e transporte, são minoritárias na composição da receita operacional: 22,6% tinham origem em obras municipais; 15,5%, em obras estaduais, e 9,7%, em obras federais. Já a incorporação imobiliária foi apontada como a segunda principal fonte de receita indicada pelas pequenas construtoras. O maior volume de recursos tem como origem a compra de imóveis pela classe média (29,3%).
Entrevistado
Luís Fernando Melo Mendes, assessor econômico da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Currículo
- Luís Fernando Melo Mendes é graduado em economia e atua como assessor econômico da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Contato: economista@cbic.org.br
Créditos foto: Divulgação/CBIC
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Das 50 maiores obras no mundo, 14 estão no Brasil
Juntas, elas movimentam alguns milhões de m³ de concreto, mas avançam lentamente por causa de entraves burocráticos
Por: Altair Santos
Entre projetos já em andamento e ainda não iniciados, o Brasil detém 14 das 50 maiores obras de infraestrutura do mundo. Elas ocupam posição de destaque no ranking, seja por qual ângulo que se queira analisar. Sob o ponto de vista de recursos, equivalem a R$ 250 bilhões. Olhando-se pelo volume de concreto, são empreendimentos que precisarão, no mínimo, de 26,3 milhões de m³ para serem concluídos.

A previsão era que todas as construções - boa parte delas vinculadas ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) - fossem concluídas até 2015. Mas hoje estima-se que muitas podem se estender até 2020. Um exemplo clássico é a usina de Belo Monte, no rio Xingu, dentro do território do estado do Pará. Iniciada em 2011, a obra já sofreu 11 interrupções, seja por liminares que paralisam seu andamento, seja por manifestações de movimentos sociais, indígenas e moradores locais ou por invasões dos canteiros de obras.
Belo Monte é também o maior empreendimento em construção no Brasil. Orçada em R$ 26 bilhões, a hidrelétrica envolve 22 mil operários e irá consumir 3,7 milhões de m³ de concreto até ser concluída. A usina, e outras obras, fazem da região norte do país a que mais concentra megaconstruções. Os estados de Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia englobam os seguintes projetos, além de Belo Monte: hidrelétricas Teles Pires (na divisa entre Pará e Mato Grosso), Santo Antônio (Rondônia), Jirau (Rondônia), São Luiz de Tapajós (Pará), Linhão Manaus-Tucuruí-Amapá (entre Amazonas e Amapá), Gasoduto Urucu-Coari-Manaus (Amazonas) e Arena Amazônia (Amazonas).

Do complexo de obras que faz o Brasil aparecer com destaque na construção civil internacional, o único que deve ser concluído até 2014 é o que envolve os projetos da Copa do Mundo. Doze estádios e obras de mobilidade espalhados pelas subsedes irão consumir 8,6 milhões de m³ de concreto (5,1 milhões de m³ só nos estádios). Também se mostram confiáveis de serem concluídas até 2016 os seguintes empreendimentos: Rodoanel de São Paulo (trechos leste e norte), usina nuclear Angra 3 e Arco rodoviário do Rio de Janeiro. Tratam-se de construções que, além de recursos federais, contam com investimentos estrangeiros e estaduais e, por isso, estão mais rigorosas com o prazo de entrega.
O contraponto dessas obras com previsão para acabar é o que envolve a transposição do rio São Francisco. Iniciada em 2005, passados quase oito anos, a megaobra não tem cronograma de entrega definido. Só seu custo avança. Saiu de R$ 4,7 bilhões para R$ 8,2 bilhões, e somente 43% está concluído. O problema é que são trechos que não se interligam e que, portanto, ainda não têm condições de conduzir a água para o sertão nordestino - historicamente afetado pelas secas. Pela quantidade de problemas, é provável que a transposição do São Francisco seja concluída depois de uma obra similar que avança no Ceará: o Cinturão das Águas. Ele parte do sul do estado e envolve todo o território cearense. A 1ª etapa já foi entregue e vem beneficiando diretamente a produção de frutas no nordeste brasileiro.

Confira as 14 megaobras do Brasil, em volume de concreto:
Obras da Copa - 5,1 milhões m3 (estádios) 3,5 milhões m3 obras de mobilidade
Hidrelétrica Belo Monte - 3,7 milhões m3
Hidrelétrica Santo Antônio - 3,2 milhões m3
Hidrelétrica Jirau - 2,8 milhões m3
Programas de saneamento - 2 milhões m3
Hidrelétrica São Luiz de Tapajós - 1,5 milhão m3
Transposição do São Francisco - 1,3 milhão m3
Rodoanel de São Paulo - 800 mil m3
Gasoduto Urucu-Coari-Manaus - 800 mil m3
Cinturão das Águas do Ceará - 600 mil m3
Hidrelétrica Teles Pires - 480 mil m3
Linhão Manaus-Tucuruí-Amapá - 240 mil m3
Usina nuclear Angra 3 - 200 mil m3
Arco rodoviário do Rio de Janeiro - 92 mil m3

Entrevistados
Ministério do Planejamento, SUDAM (Superintendência do desenvolvimento da Amazônia) e governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará (via assessoria de imprensa)
Contatos: www.pac.gov.br / www.sudam.gov.br / www.ceara.gov.br
www.rj.gov.br / www.sp.gov.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Empresas recém-nascidas aderem à filosofia 4P
Conceito permite planejamento adequado, otimiza uso de recursos, dá visão de futuro e constrói alianças produtivas e duradouras
Por: Altair Santos
Depois da filosofia 5S, as empresas agora estão descobrindo o conceito 4P (propósito, processo, pessoas e parcerias). Cada um desses itens está voltado à melhoria da gestão.O Sebrae já trabalha com esse modelo inovador, quando orienta a formação de novos empreendimentos. No entanto, Marcelo Sinelli, consultor de marketing do Sebrae-SP, explica que o princípio 4P deve ser aplicado sempre, e não só na abertura de negócios.

Segundo o especialista, o método pode ser usado para redimensionar a empresa, aproveitar a sazonalidade, promover inovação ou mirar novos nichos. "Podemos dizer que o princípio pode ser usado por todo tipo de empresa e, principalmente, pelas que estão iniciando suas atividades. Ele permite que a Companhia faça um planejamento adequado, otimize o uso dos seus recursos, tenha uma visão de futuro e construa alianças produtivas e duradouras com todas as partes interessadas no seu negócio", afirma.
O consultor de marketing do Sebrae-SP distingue também a diferença entre o conceito 5S [do japonês Seiri (utilização) Seiton (ordenação) Seisō (limpeza) Seiketsu (Saúde) e Shitsuke (Autodisciplina)] e o 4P. "Os dois conceitos são ligados ao aumento de produtividade e eficiência. No entanto, a filosofia do 5S é voltada para dentro da empresa e de seus processos e métodos de trabalho. O conceito do 4P é um pouco mais abrangente e não fica restrito ao âmbito interno, na medida em que trabalha a questão da parceria e do propósito", diz.
Dentro da filosofia 4P para gestão, cada P tem um significado:
Propósito
É a razão de ser da empresa ou sua missão. Sua correta definição é fundamental para a empresa crescer e se desenvolver. O conceito empresta personalidade à corporação e é importante para criar um diferencial. Muitas vezes, o Propósito não tem relação direta com o produto que a Companhia vende. Ele pode ser definido como: qual o problema que a empresa resolve para seu cliente e o que o cliente busca encontrar quando procura a empresa?
Processo
Se em Propósito falamos sobre o que a empresa faz, aqui falamos sobre como ela faz. A correta definição dos processos padroniza os produtos, otimiza o uso dos recursos e, mais importante, permite que a empresa institucionalize suas atividades. Ou seja, faz com que ela não fique refém da competência ou da boa vontade de determinados profissionais. No Processo, todos os funcionários sabem o que têm que fazer e como fazer.
Pessoas
É quem faz. Isso inclui empregado e empregador. Os dois devem construir uma relação baseada na inspiração e não no poder. A noção de hierarquia mudou bastante. O empresário precisa entender que seus funcionários podem contribuir de forma positiva se forem corretamente estimulados.
Parceria
Parceria envolve as partes interessadas na gestão, incluindo fornecedores e até mesmo concorrentes. O empresário deve ficar atento às oportunidades que podem surgir de uma parceria bem planejada. É possível se unir com concorrentes para entrar em novos mercados ou desenvolver novos produtos. Com fornecedores, pode-se pensar, por exemplo, em trabalhar com estoque enxuto, melhorando o capital de giro.
Marcelo Sinelli lembra que qualquer setor industrial ou comercial pode implantar a filosofia 4P. Na construção civil, ele avalia que o conceito pode trazer a economia de materiais no canteiro de obras, minimizando perdas e reduzindo o retrabalho. Além disso, permite aprimorar a mão de obra, atingindo o propósito do setor, que é construir com qualidade, satisfazendo as pessoas (clientes) e as parcerias (fornecedores). "Como a construção civil tem uma cadeia produtiva ampla, a filosofia 4P encontra no setor um ambiente desafiador para ser implantada", define.
Entrevistado
Marcelo Sinelli, consultor de marketing do Sebrae-SP
Currículo
Marcelo Sinelli é graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com pós-graduado em marketing pela Universidade Metodista de São Paulo e MBA em gestão empresarial na Fundação Getúlio Vargas
Contato: @marcelosinelli / imprensa@sp.sebrae.com.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Arena Pernambuco une futebol e usina solar
Quarto estádio a ficar pronto para a Copa do Mundo tem capacidade de gerar um megawatt e abastecer seis mil residências
Por: Altair Santos
Os 73,5 mil m³ de concreto estrutural usados para construir a Arena Pernambuco sustentam a principal inovação do estádio. A cobertura de um dos palcos da Copa do Mundo de 2014 foi transformada em uma usina de energia solar, com capacidade de um megawatt de potência instalada - suficiente para abastecer seis mil residências por mês. A preocupação com a sustentabilidade foi um dos compromissos assumidos pelos projetistas da arena, cuja arquitetura também a torna ecoeficiente em ventilação e iluminação natural.

Pré-inaugurada em 14 de abril de 2013, e com o primeiro evento-teste programado para 14 de maio, a Arena Pernambuco foi concluída oito meses antes do planejado. A aceleração encareceu a obra em cerca de 30%. O valor inicial, estimado em R$ 532 milhões, tende a fechar em R$ 680 milhões. Construído no regime de PPP (Parceria Público-Privada) o estádio de 46 mil lugares envolveu 4.600 operários e representa o marco de uma nova centralidade urbana para a Grande Recife, expandindo a região metropolitana para a zona oeste.
Uma obra estratégica para esse projeto é a Via Mangue - considerada a maior obra viária da capital pernambucana em 20 anos. No sentido Centro-Boa Viagem, o corredor terá 4,5 quilômetros de extensão. Já no sentido contrário, serão 4,37 quilômetros. O investimento total é de R$ 432,9 milhões, alternando pavimento em concreto e pavimento asfáltico, além de obras de arte. Serão dois elevados, oito pontes, uma passagem semienterrada, uma alça de ligação e uma ponte estaiada com altura de 70 metros.

A Via Mangue teve suas obras iniciadas em 7 de abril de 2011. Em dezembro de 2012, a obra encontrava-se 38,22% concluída, com ritmo mensal médio de 1,82%. Ao final do mês de março de 2013, o empreendimento apresentava 50% de conclusão, com ritmo mensal de 3,66%. A previsão é que a obra esteja concluída em dezembro de 2013. O canteiro de obras envolve 1.650 trabalhadores e todo o material utilizado na obra é pré-fabricado e montado "in loco". O volume de concreto empregado deve chegar a 65 mil m³.
Ficha técnica da Arena Pernambuco
A Arena
- 6 pavimentos
- 46 mil lugares
- 102 camarotes
- 4.700 assentos Premium
- 15 mil lugares para o Todos com a Nota (programa que combate a sonegação fiscal em Pernambuco. Quem junta uma quantidade de notas fiscais, troca por ingresso)
Conforto
- 13 escadas rolantes
- 9 elevadores
- 8 rampas de acesso no térreo
- 42 quiosques de alimentação e 2 restaurantes
- 84 sanitários femininos e masculinos, além de 32 cabines para pessoas com necessidades especiais
- 4.700 vagas de estacionamento, sendo 800 cobertas
- Espaços de convivência, como lounges e restaurantes
- Cadeiras individuais e rebatíveis
Tecnologia
- 2 telões de LED em alta resolução com 77 m²
- Usina de energia solar
Segurança
- 271 câmeras de segurança, sendo 34 em HD
- Evacuação do público em, no máximo, 8 minutos
- Orientadores em todos os setores, especialmente treinados para manter o bem-estar do público
Capacitação de pessoas
- 250 trabalhadores de limpeza
- 400 profissionais de catering
- 50 integrantes para guest service
- 250 seguranças
- 6 equipes de socorristas, cada uma com dois profissionais
Operação
- Cerca de 1.000 integrantes a cada evento com capacidade total
- 9 áreas de primeiros socorros e um posto médico
- 5 ambulâncias, cada uma composta por uma equipe médica
Entrevistada
Secretaria Estadual da Copa (Secopa-PE)
Contato: media@secopa.pe.gov.br
Créditos fotos: Divulgação/Secopa-PE
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
PR quer ser o 1º a ter blocos 100% normatizados
Sindicaf inicia campanha para que fabricantes do Estado atendam padrões de qualidade e desenvolvam estruturas técnicas e administrativas
Por: Altair Santos
Com associados em 250 dos 355 municípios do Paraná, o Sindicaf (Sindicato das Indústrias de Produtos de Artefatos de Cimento, Fibrocimentos e Ladrilhos Hidráulicos do Estado do Paraná) trabalha para que o estado seja o primeiro a ter todos os fabricantes adequados aos padrões de qualidade ditados pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). "Para isso, vamos intensificar o combate à não conformidade intencional e desenvolver estrutura técnica e administrativa que permita a produção e a comercialização de blocos de concreto e peças de concreto para pavimentação com qualidade e custos compatíveis", explica Geraldo Francisco Pomagerski, primeiro-secretário do Sindicaf.

A meta será atingida por etapas. Após criar a Comissão dos Fabricantes de Blocos de Concreto, o sindicato inicia a campanha em 39 municípios, abrangendo primeiramente Curitiba e região metropolitana, além de litoral, Campos Gerais e União da Vitória. "A função da comissão será fiscalizadora e educativa. Serão fornecidos para os associados cursos de mão de obra para alvenaria estrutural e para a execução de pavimentação intertravada. Ao mesmo tempo, ocorrerão fiscalizações em obra públicas e particulares para verificar a qualidade de blocos de concreto e pavimentos intertravados", diz Francisco Pomagerski, garantindo que outras regiões do estado também passarão pelo controle de qualidade. "A intenção é atingir todos os fabricantes do setor", completa.
Vale ressaltar que a ação do Sindicaf está adequada às práticas da Associação Brasileira de Cimento Portland, e é prioridade do sindicato fazer com que seus associados atinjam os padrões exigidos pelo Selo de Qualidade ABCP. Esta certificação é referência nacional para atestar a conformidade de produtos cimentícios adequados às normas da ABNT e validá-los no mercado. Até porque, a não conformidade - principalmente a intencional - acarreta concorrência desleal no setor da construção civil, representando crime contra o consumidor, segundo a lei 8.078 (art. 39, inciso VIII do Código de Defesa do Consumidor).
Exemplo paranaense
Entre os estados brasileiros, a indústria de artefatos de cimento do Paraná destaca-se pela alta produção de materiais adequados às normas da ABNT. O objetivo do Sindicaf é estender esse nível de qualidade a 100% dos fabricantes paranaenses. Para isso, haverá um especial empenho para atacar a não conformidade dos produtos. "É o principal pecado cometido pelos fabricantes. Há um bom número que desconhece as normas técnicas vigentes e, como não há uma fiscalização efetiva, esses equívocos persistem", destaca o primeiro-secretário do Sindicaf, afirmando que as visitas ocorrerão em empresas de grande, médio e pequeno porte. "A ideia é também difundir conhecimento. Se um fabricante adota uma boa prática, a intenção é propagá-la para outras Companhias", afirma.
O Sindicaf anuncia que empresas que queiram ser inspecionadas voluntariamente podem ligar para o telefone (41) 3024-2405 e agendar a visita.
Entrevistado
Geraldo Francisco Pomagerski, primeiro-secretário do Sindicaf
Currículo
- Geraldo Francisco Pomagerski é graduado em direito e ocupa o cargo de primeiro-secretário da nova diretoria do Sindicaf (Sindicato das Indústrias de Produtos de Artefatos de Cimento, Fibrocimentos e Ladrilhos Hidráulicos do Estado do Paraná)
Contato: www.fiepr.org.br / sindicaf@gmail.com
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Concretagem em tempo frio
Na região sul do Brasil, as temperaturas diminuem bastante no inverno. Por isso, exigem-se cuidados especiais na preparação do concreto
Por: Jorge Aoki, Gerente de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé
Com a proximidade do inverno, a preparação das concretagens deve ser realizada com cuidados especiais, por causa da queda acentuada da temperatura. Isso ocorre principalmente nos estados da região sul do Brasil. A norma brasileira ABNT NBR 7212 – Execução de concreto dosado em central – Procedimento, em seu item 4.5.4, estabelece a temperatura ambiente de 5°C como mínima para se fazer o lançamento do concreto.

Também a norma ABNT NBR 14931 – Execução de estruturas de concreto – Procedimento, determina a interrupção da concretagem quando a temperatura ambiente ficar abaixo de 0°C nas 48 horas seguintes, salvo condições especiais estabelecidas no projeto – item 9.3.2.
Nas baixas temperaturas, a água contida no concreto pode congelar, interrompendo o processo de endurecimento e provocando um aumento de volume. Desta forma, criam-se tensões internas na massa do concreto, ocasionando separação dos materiais componentes, já que a sua resistência, neste momento, ainda é insuficiente para impedir este fenômeno. Nestas condições, mesmo que a hidratação não seja interrompida, o ganho de resistência mecânica é bastante retardada e deve ser previsto nas fases posteriores à concretagem.
As normas nacionais e internacionais recomendam cuidados especiais na execução das concretagens durante o período de inverno. Entre eles:
1) Elaboração de cuidadoso plano de concretagem para rápida aplicação do concreto, tendo em vista o acesso dos equipamentos como bombas de concreto e caminhões betoneiras ou deslocamento de carrinhos e jericas.
2) Disponibilização de mão de obra extra para ajuda na aplicação e demais cuidados para agilizar o transporte do concreto, lançamento, adensamento e cura.
3) Manutenção, na obra, de quantidade suficiente de material isolante, tais como lençóis plásticos, lonas, papel impermeável, mantas de palha, sacos de aniagem ou de papel, para cobrir o concreto e as formas, logo após a aplicação, com o objetivo de manter o próprio calor do concreto.
4) Manutenção das formas por mais tempo, uma vez que estas servem de proteção contra o frio, além do fato de que o endurecimento do concreto se faz de maneira mais lenta.
5) Manutenção de vibradores de reserva para evitar a interrupção da concretagem.
Todos estes cuidados devem ser supervisionados pelo(a) engenheiro(a) da obra, que determinará os quantitativos de tempo de desforma, material isolante, mão de obra, enfim, todo o planejamento da concretagem.
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Se a obra der prejuízo, faça um "construction claim"
Deficiências de projetos estão presentes em mais de 70% dos casos que resultam em desequilíbrio econômico-financeiro da construção
Por: Altair Santos
Diversos fatores podem causar o desequilíbrio econômico-financeiro de um contrato de construção civil. Vão desde alterações nos projetos, passando por serviços, até fatos imprevisíveis durante a execução da obra. Quando esses desajustes ocorrem, é preciso preparar o plano "construction claims” - recuperação de prejuízos em obras. Havendo fundamentos técnicos e legais que justifiquem as possibilidades de recuperar eventuais prejuízos, o encaminhamento deve seguir os seguintes passos:
1) Conhecer os pontos fortes e fracos da administração de uma obra e, assim, poderá preparar o caminho para evitar possíveis prejuízos.
2) Aplicar metodologia que facilita o encaminhamento de um pedido de claim, quando necessário.
3) Aprimorar fundamentos técnicos e legais que justifiquem a possibilidade de recuperar eventuais prejuízos.
Epara detalhar esses desequilíbrios, e explicar como eles surgem, que o professor Maçahico Tisaka concede a entrevista a seguir. Confira:

Entre os fatores que podem causar o desequilíbrio econômico-financeiro de um contrato de construção civil, quais os mais comuns?
Quando nos referimos à construção civil, é preciso saber se ela trata de edificações ou de obras de infraestrutura. Os principais causadores de desequilíbrio econômico-financeiro são os projetos incompletos, deficientes ou incoerentes e as prorrogações de prazos em virtude das alterações nos projetos. No caso de edificações em geral, os projetos são muito melhor definidos e têm níveis satisfatórios de detalhes. Porém, é em obras de infraestrutura que acontecem os maiores problemas. De qualquer modo, as deficiências de projetos contribuem para mais de 70% dos casos de desequilíbrio.
Na fase de projeto, o que é preciso fazer para se evitar esse desequilíbrio?
A legislação brasileira permite que em obras públicas as licitações possam ser feitas através de projetos básicos, e é onde surgem os principais problemas. Embora a lei estabeleça uma série de exigências, o projeto básico não é suficiente para possibilitar uma boa orçamentação, pois há possibilidades de haver omissões importantes de serviços, especificações mal feitas e quantificações de serviços fora da realidade.
Por que no Brasil há tantos casos de desequilíbrio econômico-financeiro de contratos na construção civil?
Uma outra causa de desequilíbrio dos contratos é resultante da própria lei de licitações e contratos – a Lei nº 8.666/93 – que contém cláusulas absolutamente fora da realidade, quando a decisão da empresa vencedora se dá pelo menor preço. Esse critério de decisão pelo menor preço acaba resultando numa concorrência predatória, que penaliza as boas empresas, prejudica quem contrata e presta um grande desserviço à nação.
Hoje, uma obra, dependendo de sua envergadura, passa por engenheiros de planejamento, engenheiros de obra, gestores de contrato, gerenciadores, advogados, etc. e, mesmo assim, há muitos casos de desequilíbrio econômico-financeiro?
O problema não é ter em seus quadros profissionais de grande capacidade e especialização compondo a cadeia de produção das obras de construção. Na realidade, há muitos outros fatores que contribuem para esse desequilíbrio. Por exemplo, falta de treinamento de seus funcionários, insuficiência de estrutura adequada de fiscalização por parte da administração, fatores imprevisíveis, como fenômenos da natureza, embargos judiciais envolvendo questões de propriedade, embargos ambientais e descoberta de sítios arqueológicos nos locais de construção.
Quais os tipos de obras mais suscetíveis de haver desequilíbrios?
São obras que lidam com movimentação de terras e natureza dos solos, tais como obras de estradas, obras que exigem fundações especiais, obras de saneamento básico, obras de túneis, obras de arte e canalização de rios e córregos.
É muito frequente ocorrer problemas de desequilíbrio econômico-financeiro em grandes obras de infraestrutura?
Na maioria das grandes obras de infraestrutura sempre haverá a possibilidade de ocorrência de várias situações e aspectos impossíveis de serem previstos na fase de projetos e de contratação. Se forem apenas alterações de projetos e de quantitativos, a lei prevê a possibilidade de acréscimos de até 25% no valor do contrato através da aprovação de aditivos contratuais. Se surgirem fatos imprevistos ou imprevisíveis, que venham a onerar excessivamente o contrato, é caracterizado como desequilíbrio econômico-financeiro do contrato.
O que é o chamado construction claim e qual é o seu objetivo?
A palavra em inglês claim pode se traduzido como “reivindicação” ou “pleito” de alguma forma de crédito provocado por fatores que não possam ser caracterizados como de responsabilidade da contratada. A palavra composta construction claim é utilizada no mundo inteiro e agora também no Brasil para a preparação de pleitos a serem encaminhados ao dono da obra.
Atualmente as ferramentas como BIM e softwares de gestão de obras facilitam controlar financeiramente a obra?
O BIM, sigla de Building Informatiom Model, que pode ser traduzido como Modelagem de Informação da Construção, é uma ferramenta que traz um conjunto de informações geradas e mantidas durante todo o ciclo de vida de uma construção. Existem também inúmeras outras ferramentas úteis no mercado, que propiciam aos profissionais da construção ferramentas úteis para elaboração de orçamentos, planejamento e controle de obras, a fim de possibilitar uma boa gestão dos contratos de construção.
Quais tipos de empresas são mais suscetíveis de sofrer desequilíbrios em seus contratos: as de grande porte, médias ou pequenas?
Todas as empresas de construção, grandes ou pequenas, são suscetíveis de sofrer desequilíbrios em seus contratos de construção. Depende da qualidade dos projetos, das alterações desses projetos ao longo da sua execução, do aumento ou diminuição expressiva das quantidades iniciais e dos fatores incontroláveis da natureza, como chuvas não previstas ou inundações, além de embargos judiciais ou ambientais não previstos no contrato e outros fatores imprevisíveis ou previsíveis que possam vir a onerar demasiadamente a contratada.
Entrevistado
Engenheiro civil Maçahico Tisaka, especialista em laudos, perícias, pareceres técnicos sobre engenharia econômica e de custos, sobretudo em processos de arbitragem e soluções de reequilíbrio econômico-financeiro de contratos de construção civil, privada e pública
Currículo
- Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP em 1964, tem vários cursos de pós-graduação e especialização em planejamento urbano e transportes, administração, engenharia econômica e de custos e engenharia de segurança.
- Trabalhou em grandes empresas de construção e infraestrutura onde executou e supervisionou obras de médio e grande porte, como empreendimentos habitacionais, comerciais e industriais, obras rodoviárias, ferroviárias e metroviárias, obras portuárias, barragens, hidrelétricas etc.
- Além de inúmeros artigos em revistas técnicas, é autor dos livros “Critérios para Fixação de Preços de Serviços de Engenharia”, “Orçamento na Construção Civil – Consultoria, Projeto e Construção”, “Como Evitar Prejuízos em Obras de Construção Civil” da Editora PINI – “Norma Técnica nº 001 para Elaboração de Orçamento na Construção Civil” do Instituto de Engenharia.
- É também professor de diversos cursos de especialização e de pós-graduação em engenharia econômica e de custos atendendo várias universidades e organizações de ensino continuado.
Contato: mtisaka@hotmail.com
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Há 30 anos, ruía ponte-referência para a engenharia
Primeira ponte de concreto construída em balanços sucessivos não resistiu à enchente de 1983, em Santa Catarina, mas segue em pé nos cursos de engenharia civil
Por: Altair santos
A ponte sobre o rio do Peixe é reconhecida mundialmente como a primeira construída em concreto a usar balanços sucessivos, sem escoramentos apoiados no terreno. Projetada pelo engenheiro Emílio H. Baumgart, e erguida entre 1929 e 1930, a obra ruiu em 1983, por causa da histórica enchente que atingiu Santa Catarina. Porém, se deixou de existir como ligação entre as cidades de Herval d'Oeste e Joaçaba, ela até hoje segue em pé nas escolas de engenharia civil - não só no Brasil.

O motivo é que a tecnologia criada por Baumgart popularizou-se para a construção de pontes. "O processo é particularmente indicado para aquelas circunstâncias em que a correnteza do rio é intensa, quando a altura da ponte em relação ao terreno é grande ou ainda quando há a necessidade de permitir a navegação sob a ponte durante sua construção. De forma geral, a técnica é aplicada para vencer vãos em locais em que há dificuldades na implantação de escoramentos", explica o doutor em engenharia estrutural, Andriei José Beber.
Na Alemanha, a técnica empregada por Emílio H. Baumgart está presente em várias pontes espalhadas pelo país. Em Stuttgart, há uma semelhante, inclusive com vão livre de 68 metros. Só que os alemães aperfeiçoaram a tecnologia, aplicando concreto protendido nas obras, em vez de concreto armado. Se tivesse sido construída com essas inovações, provavelmente a ponte sobre o rio do Peixe ainda estaria em pé. O que a fez ruir foi o solapamento das margens do rio, causado pela enchente, e que afetou as fundações instaladas nas cabeceiras da ponte.
Segundo Ubirajara Ferreira da Silva, vice-presidente da ABPE (Associação Brasileira de Pontes e Estruturas) houve grande erosão nas margens, que, combinada com a violência das águas, criou uma força transversal não prevista pelos cálculos da época em que a ponte foi criada. "Evidentemente que a solução adotada por Baumgart - a execução de aduelas sucessivas em concreto armado - não seria mais empregada hoje. Prevaleceria a solução alemã, que adotou elementos tensores de concreto protendido para o mesmo modelo de ponte", explica.

A ponte sobre o rio do Peixe durou 53 anos. Curiosamente, não apresentava nenhuma patologia crônica até ser atingida pela enchente. Significa que poderia ter entrado para o rol das pontes quase centenárias que ainda existem no Brasil. A mais antiga delas é a Maurício de Nassau, em Recife-PE, construída em concreto armado em 1917. "Em média, a estatística de durabilidade, quando se projeta uma ponte, é de 100 anos. Mas por conta da baixa manutenção, algumas de nossas pontes estão apresentando anomalias complicadas e durando bem menos", lamenta Ubirajara Ferreira da Silva.
Recalque de fundação, erosão danosa nas fundações, deterioração do concreto por impacto, fissuras, trincas e envelhecimento, além de corrosão das armaduras, são algumas das patologias mais comuns em pontes. De acordo com Andriei José Beber, para evitar que elas afetem a infraestrutura, o melhor remédio é prevenir. "A manutenção da infraestrutura não pode ser entendida somente sob a ótica da correção, mas principalmente sob a ótica da prevenção e da conservação", defende, alertando que a quantidade de pontes com patologia no Brasil é preocupante.
Confira estudo completo sobre a ponte de Emílio H. Baumgart
Parte 01
Parte 02
Entrevistados
Andriei José Beber, professor-doutor da Universidade do Vale do Itajaí e Ubirajara Ferreira da Silva, vice-presidente da ABPE (Associação Brasileira de Pontes e Estruturas)
Currículos
- Andriei José Beber é graduado em engenharia civil pela Universidade Regional de Blumenau, com grau Magna Cum Laude
- Mestre em Engenharia Estrutural pela UFRGS com grau Magna Cum Laude de dignidade acadêmica
- Doutor em Engenharia Estrutural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
- Foi professor e pesquisador da UFRGS e atualmente integra o corpo docente da Universidade do Vale do Itajaí
- Pesquisador e coordenador do CEMIC (Centro de Estudos de Manutenção da Infraestrutura Civil) atua em consultorias na área de gerenciamento, manutenção e reabilitação de infraestrutura
- Possui mais de 70 trabalhos publicados no Brasil e no exterior
- Ubirajara Ferreira da Silva é graduado em engenharia civil, projetista estrutural e vice-presidente da Associação Brasileira de Pontes e Estruturas (ABPE)
Contatos: www.abpe.org.br / www.univali.br / andriei@univali.br
Créditos foto: Divulgação/acervo UFSC
Jornalista responsável: Altair santos - MTB 2330
Comprador do imóvel será fiscal da ABNT NBR 15575
Poder público não tem estrutura para avaliar comportamento em uso da norma de desempenho e consumidor é quem deve vigiar o mercado
Por: Altair santos
A ABNT NBR 15575 - norma de desempenho - está programada para entrar plenamente em vigor no dia 19 de julho de 2013. Conforme a data se aproxima, aumentam também os questionamentos sobre como ela vai funcionar. Uma dúvida, por exemplo, diz respeito à participação do poder público no cumprimento da norma. Para Carlos Alberto M. Borges, relator da norma na ABNT e vice-presidente de tecnologia e qualidade do Secovi-SP, a tendência é que o próprio consumidor seja o fiscal da NBR 15575. "A norma coloca requisitos que são de desempenho sob o ponto de vista do usuário. Portanto, nada melhor que o próprio consumidor avaliar o comportamento em uso, já que desempenho significa comportamento em uso. Além disso, o poder público, hoje no Brasil, não tem estrutura para avaliar comportamento de norma", afirma.

De acordo com Carlos Alberto M. Borges, além da exigência do consumidor, o mercado, a imprensa e a força de lei das normas técnicas tendem a fazer com que haja uma evolução no sentido de se cumprir a NBR 15575. Ele também alerta que se há um organismo público que deva ser protagonista no cumprimento da norma de desempenho, esse deve ser a Caixa Econômica Federal - banco estatal que financia 80% da construção de imóveis no país. "Quanto mais a Caixa cobrar, mais haverá adesão à norma. Mas a tendência é que a partir de 19 de julho ocorra um avanço gradual no cumprimento da norma de desempenho. No Brasil, existe uma realidade muito distinta entre estados. É claro que as empresas líderes, as empresas mais estruturadas, vão atender primeiro a norma. Porém, o país tem 195 mil construtoras em atividade e é preciso dar tempo para que elas se adaptem", diz.
O relator da norma destaca ainda que o poder público, representado pelas prefeituras, só deverá fiscalizar o cumprimento da norma se for acionado. "Na prática, se uma construtora quiser evidenciar que sua obra cumpre a norma, ou se um cliente entrar em litígio e pedir uma perícia, é que o poder público tenderá a ser acionado. Mas, na maioria dos casos, as prefeituras não vão fiscalizar a norma. Até por que, quando uma planta é aprovada em qualquer município do Brasil, o que se verifica é se o projeto em questão atende ao zoneamento, ao plano diretor, e não as normas técnicas. E não há estrutura técnica nas prefeituras para que isso seja feito em curto prazo. Em resumo, o poder público não está preparado para fiscalizar nenhuma norma técnica", avalia Carlos Alberto M. Borges.
Para o vice-presidente de tecnologia e qualidade do Secovi-SP, quanto menos o poder público participar do cumprimento da norma de desempenho, melhor. Segundo ele, a mobilização verificada na cadeia produtiva da construção civil é que é relevante. "A norma, antes mesmo de entrar totalmente em vigor, já está cumprindo o seu papel, que é induzir a qualidade no setor. Hoje verifica-se que, desde fabricantes de materiais, passando por projetistas, consultores e incorporadores, todos estão procurando entender e se adequar à norma. O poder público não precisa se envolver, por que porque o mercado vai acabar regulando o cumprimento da norma. O único risco que se corre é o de as prefeituras quererem aumentar os impostos vinculados à construção civil por conta da norma de desempenho", frisa Carlos Alberto M. Borges.
Entrevistado
Carlos Alberto M. Borges, relator da norma na ABNT NBR 15575 - norma de desempenho - e vice-presidente de tecnologia e qualidade do Secovi-SP
Currículo
- Carlos Alberto de Moraes Borges é graduado em engenharia civil pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) com pós-graduação em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mestrado em engenharia pela Escola Politécnica da USP e MBA em marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)
- É diretor técnico da Construtora TARJAB, desde 1983, e vice-presidente de tecnologia e qualidade do Secovi-SP
Contato: aspress@secovi.com.br
Créditos foto: Divulgação/Secovi-SP
Jornalista responsável: Altair santos - MTB 2330
Transporte do concreto requer cuidados especiais
Serviço prestado por caminhão betoneira precisa cumprir série de requisitos para que CDC preserve características ao ser descarregado
Por: Altair santos
Um caminhão betoneira, de acordo com a ABNT NBR 7212:2012 - Execução de concreto dosado em central - Procedimento -, precisa, independentemente das condições de tráfego e da distância entre a central e o local da obra que contratou o serviço, entregar o material que carrega no tempo máximo de 150 minutos (item 4.5.3, letra b). São 90 minutos para o transporte até a obra (item 4.5.2, letra b) 30 minutos para o inicio da descarga do concreto (item 4.5.3, letra a) e mais 30 minutos aplicar (lançar e adensar) o concreto. É o que diz a norma, que para ser cumprida exige logística apurada e tecnologia embarcada nos veículos que transportam o concreto.

Segundo Arcindo Vaquero y Mayor, que coordenou a revisão da ABNT NBR 7212:2012 e atualmente é consultor técnico da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) as concreteiras que atuam em grandes cidades, onde o trânsito é cada vez mais caótico, têm agido em duas frentes para conseguir cumprir a norma. "Uma delas é modificar o concreto com aditivos, para que ele permaneça com a trabalhabilidade adequada e tenha retardado o tempo de início de pega. Outra frente é solicitar permissões específicas aos organismos de trânsito para que os caminhões possam circular com menos restrições", explica.
O consultor da ABESC alerta ainda que os caminhões betoneira precisam ter tecnologia embarcada para preservar a trabalhabilidade do concreto ao longo do percurso. Por isso, a recomendação da própria associação é que um veículo seja usado no máximo por dez anos, sob risco de, mesmo bem conservado, tornar-se obsoleto. "Atualmente, os caminhões dispõem de vários equipamentos voltados para medir o abatimento do concreto (slump) e, em função da força que a bomba hidráulica faz para movimentar a betoneira, é possível realizar a leitura e injetar pequenas quantidades de água ou aditivo para corrigir essa trabalhabilidade", diz.
Além das qualificações do veículo e do cumprimento das normas, os motoristas-operadores de betoneira desempenham função estratégica para que o concreto preserve suas características ao longo do transporte entre a central e o canteiro de obras. "A recomendação da ABESC é que ele entregue o concreto com as características acordadas com o cliente, seguindo as normas da ABNT, em especial a NBR 7212:2012", ressalta Arcindo Vaquero y Mayor. Significa que o motorista precisa obedecer as orientações estabelecidas pelo laboratório da central, sob risco de reduzir a resistência do concreto e vir a causar problemas estruturais na obra.
Caso o cliente solicite que seja acrescentada mais água ou aditivo na betoneira, antes da descarga do concreto, o motorista-operador deve fazer o pedido constar no corpo do documento de entrega. Este deve ter um campo onde o responsável pela obra assina a autorização para modificar a especificidade do material. Neste caso, recomenda-se que, além da NBR 7212:2012, sejam obedecidas também as seguintes normas: ABNT NBR 12654:2000 - Controle tecnológico de materiais componentes do concreto; NBR 12655:2006 - Concreto de cimento Portland - Preparo, controle e recebimento - Procedimento, e NBR 6118:2007 - Projeto de estruturas de concreto - Procedimento.
Logística

Como o concreto dosado em central é uma carga perecível, o planejamento da concretagem é decisivo para ela seja realizada com sucesso. Por isso, o descarregamento não pode coincidir com a chegada de outras cargas na obra. Da mesma forma, a central de concreto deve estar preparada para atender pedidos de socorro mecânico aos caminhões betoneira para não atrasar a entrega e prejudicar o concreto. Muitas vezes, um simples pneu furado pode causar o descarte total da carga, por ter ultrapassado o tempo limite de aplicação. Vale frisar que os caminhões betoneira, quando carregados, tornam-se muito pesados - 32 toneladas, em média, quando transportam 8 m³ de concreto dosado em central. "Além de todos esses cuidados, existem softwares de gestão de frota e de logística que ajudam significativamente no transporte do concreto", destaca Arcindo Vaquero y Mayor, orientando que quem quiser maiores informações basta procurar a ABESC.
Entrevistado
Arcindo Vaquero y Mayor, ex-presidente e atualmente consultor técnico da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem)
Currículo
- Arcindo Vaquero y Mayor é graduado em engenharia civil pela Universidade Mackenzie (1976), com mais de 30 anos de experiência em concreto
- É responsável pela aplicação de mais de 15 milhões de m³ de concreto, com cursos de aperfeiçoamento nos EUA e na Suíça
- Após presidir a ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem), atua como consultor na área de tecnologia e meio-ambiente, concreto dosado em central, desenvolvendo trabalhos para a própria ABESC e a FIPH (Federación Ibero-americana de Hormigón Premezclado)
- Participa de várias comissões de normas da ABNT
Contato: www.abesc.org.br / arcindo@abesc.org.br
Créditos foto: Divulgação