Combate às patologias mobiliza sete países
Cinpar 2013 reuniu especialistas do Brasil, Espanha, Argentina, Chile, França, República Tcheca e Portugal, com foco nos prédios históricos
Por: Altair Santos
De 3 a 5 junho, em João Pessoa-PB, aconteceu o IX Congresso Internacional sobre Patologia e Recuperação de Estruturas - Cinpar 2013. O evento reuniu especialistas de sete países (Brasil, Espanha, Argentina, Chile, França, República Tcheca e Portugal ) e atraiu cerca de cinco mil participantes, entre professores, pesquisadores, alunos e profissionais que atuam nas áreas da engenharia civil e arquitetura. Sediado no espaço do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) o evento começou como todos queriam: um palestrante de peso.

Quem abriu os debates foi a pesquisadora espanhola María del Carmen Andrade Perdrix, considerada uma das referências internacionais sobre corrosão e premiada internacionalmente por suas pesquisas nesta área. O título de sua palestra foi “Análise crítica sobre a modelização da vida útil para corrosão de armaduras em ambientes com cloretos”. O tema abordado pela especialista tratou de uma das manifestações patológicas que mais afetam as estruturas de concreto armado no Brasil, como explica o professor da Universidade Positivo e sócio-fundador e diretor de planejamento do Instituto IDD, César Henrique Sato Daher.
As corrosões de armadura, na maioria das vezes, são provenientes de más especificações de projeto, emprego de concretos de baixa qualidade ou má execução das estruturas. "São fenômenos que ocorrem quando há a quebra da camada protetora do concreto sobre as armaduras, causadas por agentes agressivos (gás carbônico, cloretos, sulfatos etc) e que permitem a ocorrência das reações eletroquímicas de corrosão da armadura. Essas reações fazem com que uma parte da armadura sofra um aumento de seção, e outra uma redução. O perigo está nas regiões em que o aço da armadura sofre redução da seção transversal com consequente perda da capacidade estrutural, podendo levar a um colapso localizado e a um colapso generalizado, se as devidas medidas terapêuticas não forem aplicadas", diz Daher.

O Cinpar 2013 se dividiu em três áreas temáticas: manifestações patológicas na construção; ensaios não destrutivos e destrutivos para avaliação de estruturas; materiais (materiais de reparo, materiais inovadores e materiais sustentáveis) e patrimônio histórico. Em todas elas, os debatedores se concentraram em mostrar o que está sendo feito no Brasil e no mundo para prevenir manifestações patológicas. No caso das corrosões das armaduras, está se trabalhando na melhoria da qualidade dos projetos de estruturas e dos concretos. Além disso, produtos mais eficazes têm surgido, como os concretos de alto-desempenho, os autoadensáveis e produtos inibidores de corrosão que podem ser adicionados aos concretos no estado fresco.
César Henrique Sato Daher destacou ainda que a conscientização do meio técnico e a troca de experiências, através da divulgação de pesquisas em congressos e em cursos específicos, também ajudam a buscar soluções contra as manifestações patológicas. "No IDD, por exemplo, temos trabalhado fortemente neste sentido, através de cursos de pós-graduação com os maiores especialistas da área, visando a disseminação do conhecimento inclusive com intercâmbios internacionais. A Alconpat (Associação Latino Americana de Controle de Qualidade, Patologia e Recuperação das Construções) tem feito um grande trabalho neste sentido, assim como o Cinpar (no congresso, dos 176 trabalhos apresentados, 102 foram publicados). São eventos que têm sido uma grande fonte de trocas de experiências e aprendizado para quem se interessa pelo assunto. O que felizmente temos observado é um número cada vez maior de adeptos a essa área de suma importância dentro da engenharia", destacou.

Normas
Fundamentais para estimular a evolução das construções, as normas brasileiras publicadas pela ABNT também desempenham papel importante na prevenção às patologias, e não deixaram de ser citadas no Cinpar 2013. Entre elas, destacam-se a NBR 6118 - Projeto de estruturas de concreto - Procedimento - e a NBR 12655 - Concreto - Preparo, controle e recebimento -, que regulamentam os projetos de estruturas de concreto armado e as especificações de concretos para estruturas, respectivamente. "Elas incorporam diretrizes de medidas preventivas, principalmente no que tange à corrosão das armaduras", reforça Daher, lembrando ainda da NBR 15577 - Agregados - Reatividade álcali-agregado - e da NBR 15575 - norma de desempenho -, que, segundo ele, vem corroborar para a minimização das manifestações, através do atestado de desempenho. A NBR 15575 entra em vigor no dia 19 de julho de 2013.
Entrevistado
Congresso Internacional sobre Patologia e Recuperação de Estruturas - Cinpar 2013 (via assessoria de imprensa)
Cesar Henrique Sato Daher, professor da Universidade Positivo e sócio-fundador e diretor de planejamento do Instituto IDD

Currículo
- César Henrique Sato Daher possui master internacional em patologia avançada, pelo Cinvestav-MX.
- Mestre em construção civil (2009) pelo programa de pós-graduação em construção civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
- Possui graduação em Engenharia Civil (1998) pela mesma Universidade e é técnico em edificações pela UTFPR (1995).
- É sócio-fundador e diretor de planejamento do Instituto IDD.
- Sócio-fundador da DAHER Tecnologia em Engenharia Ltda.
- Professor do curso de Engenharia Civil da Universidade Positivo (UP).
- Diretor técnico do Instituto Brasileiro do Concreto - regional Paraná (IBRACON-PR) desde 2010.
Contato: daher@institutoidd.com.br
Créditos fotos: Adino Bandeira/IFPB
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Canteiros de obras abrem as portas à arqueologia
Descobertas históricas em locais onde a construção civil opera têm sido estimuladas por leis federais, através do Iphan
Por: Altair Santos
Publicada há 11 anos, a portaria 230 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que obriga construções de médio e grande porte a passarem por avaliações arqueológicas do terreno, tem contribuído enormemente para a descoberta de vestígios culturais no país. Antes da aprovação, em média seis estudos arqueológicos eram autorizadas por ano em canteiros de obras. Hoje, passam de mil. Em 2011, o Iphan autorizou 1.018 intervenções e no ano passado foram 1.431. "Tem sido rigoroso o cumprimento desta portaria, que está embutida na lei de licenças ambientais. Isso aumenta a demanda por pesquisas arqueológicas", afirma o arqueólogo Sérgio Bruno Almeida, especialista em prospecções em canteiro de obras.

Segundo o especialista, atualmente 80% dos estudos arqueológicos que acontecem em áreas urbanas no Brasil ocorrem em função de descobertas em canteiros de obras. Por isso, há construtoras que passaram a incorporar arqueólogos em seus quadros técnicos, para acelerar processos e impedir que empreendimentos sejam paralisados quando o canteiro de obras já estiver instalado. Normalmente, a pesquisa se dá antes de a empresa adquirir o terreno. "As construtoras que têm um grande volume de obras estão bem atentas a essas investigações. Tudo o que elas não querem é iniciar a obra e depois descobrir que há um sítio arqueológico no local", explica Sérgio Bruno Almeida, lembrando que essa demanda também tem feito engenheiros civis se especializarem em arqueologia.
Recentemente, os casos mais emblemáticos de revelações arqueológicas em canteiros de obras estão relacionados com o setor público. Na hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, ocorreram descobertas de tribos indígenas extintas há séculos. Da mesma forma, na região portuária do Rio de Janeiro obras de revitalização da área trouxeram à tona o cais do Valongo - local onde eram desembarcados os escravos africanos trazidos ao Brasil nos séculos XVIII e XIX. Em outras situações, no entanto, o próprio poder público procura omitir sítios arqueológicos. Em 2010, a prefeitura de São Paulo foi acusada de esconder descobertas em obras do metrô, na região do Largo de Pinheiros. No entanto, o Iphan interveio e fez valer a portaria 230. "Não é sempre que isso ocorre. Na maioria das vezes, um sítio arqueológico se perde entre as obras", diz Sérgio Bruno Almeida.

O arqueólogo lembra que na América do Sul, Bolívia e Peru são os países que têm as legislações mais rigorosas quanto à descoberta de vestígios culturais em canteiros de obras. "O Peru, por exemplo, obriga que as construtoras tenham arqueólogos em seus quadros técnicos. Mas o Brasil não fica tão atrás. Temos uma das legislações mais modernas sobre o assunto. O que falta é maior fiscalização e fazer a portaria 230 abranger também as pequenas obras, a fim de que todas as construtoras se conscientizem sobre o valor das pesquisas arqueológicas", conclui Sérgio Bruno Almeida.
Entrevistado e currículo
Sérgio Bruno Almeida é arqueólogo, sócio da Fronteiras Arqueologia, empresa goiana que trabalha com pesquisas em sítios em canteiros de obras.
Contato: sergio@fronteirasarqueologia.com.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
CBIC ajuda a popularizar norma de desempenho
Guia orientativo permite melhor compreensão da ABNT NBR 15575, tanto para os mercados imobiliário e da construção civil quanto para o consumidor.
Por: Altair Santos
A norma de desempenho - ABNT NBR 15575 - entra definitivamente em vigor no dia 19 de julho. Desde a sua publicação, em 19 de fevereiro de 2013, a cadeia produtiva da construção civil tem se esforçado para, não só compreendê-la, mas divulgá-la a outros setores. O objetivo é disseminar sua importância, que impõe novos requisitos, critérios e parâmetros a futuros imóveis habitacionais que venham a ser construídos a partir do segundo semestre deste ano. Uma das publicações-referência no sentido de popularizar a norma de desempenho é o guia orientativo lançado recentemente pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Por meio físico, a publicação teve uma tiragem inicial de 12 mil exemplares, que esgotou-se em pouco tempo. Um segundo lote está sendo providenciado e pode ser adquirido através do e-mail: desempenho@cbic.org.br. Quem preferir, pode fazer o download gratuito diretamente do site da CBIC ou dos 36 parceiros da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Ao final desta reportagem, o Massa Cinzenta também disponibiliza o documento em PDF para quem quiser baixá-lo. "O guia é uma norma comentada e o retorno tem sido altamente positivo", afirma Geórgia Grace, assessora técnica e responsável pela gestão geral dos projetos da CBIC.
No entender do presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, pela primeira vez uma norma vinculada à construção civil estabelece exigências de conforto e segurança em imóveis. "As regras privilegiam benefícios ao consumidor e dividem responsabilidades entre fabricantes, projetistas, construtores e usuários. É uma norma pensada para o morador, que diz o que ele tem que receber em termos de segurança, conforto e qualidade. Facilita inclusive a fiscalização”, afirma o dirigente, que acompanhou de perto a elaboração do guia orientativo, para torná-lo o mais abrangente possível.

Segundo Geórgia Grace, o manual sobre a norma de desempenho desencadeou uma mobilização pela compreensão e aplicação prática da ABNT NBR 15575. "Estão previstos vários seminários até a entrada em vigor da norma e a CBIC tem recebido uma demanda grande para participar dos eventos", diz a assessora técnica, afirmando haver uma preocupação da cadeia produtiva da construção civil com empecilhos jurídicos que o não cumprimento da norma possa desencadear. "O código de defesa do consumidor, no artigo 39, fala que os produtos e serviços têm que atender as normas técnicas da ABNT. Dentro da NBR 15575, ela remete ao atendimento de 157 normas", explica.
A especialista lembra ainda que, a partir da norma de desempenho, pela primeira vez o Brasil conta com parâmetros que estabelecem a vida útil mínima dos vários sistemas que compõem uma edificação, além de normalizar as relações de responsabilidade entre os vários agentes envolvidos numa habitação. Ela ressalta ainda que a NBR 15575 abre as portas para sistemas construtivos inovadores. "Trata-se de uma oportunidade maravilhosa para a inovação tecnológica, para o desenvolvimento tecnológico, para a competitividade", afirma Geórgia Grace, lembrando que todas as possibilidades da norma estão contempladas no guia orientativo da CBIC.
Baixe o guia orientativo da CBIC sobre a norma de desempenho

Entrevistada
Geórgia Grace, assessora técnica e responsável pela gestão geral dos projetos da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Currículo
- Geórgia Grace é graduada em engenharia civil, com especialização em gestão ambiental. Tem experiência em gerência de projetos de obras residenciais, industriais e de turismo.
- Ocupa o cargo de assessora técnica da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), responsável pela gestão geral dos projetos da instituição.
Contato: www.cbic.org.br / comunicacao@cbic.org.br / redacao@cbic.org.br
Créditos fotos: Divulgação/CBIC
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Construtoras apontam principais gargalos do MCMV
Pesquisa encomendada pelo SindusCon-SP mostra catorze obstáculos encontrados pelas empresas, e que impedem o avanço do programa
Por: Altair Santos
O programa Minha Casa, Minha Vida completou em 2013 quatro anos de implantação. Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelam que, neste período, 68,8% das construtoras que atuam formalmente no Brasil já tiveram ou ainda têm contratos vinculados ao principal plano habitacional do governo federal. O percentual mostra a importância do MCMV para a cadeia produtiva da construção civil e, por isso, as empresas passaram a cobrar o aperfeiçoamento do programa. É o que revela pesquisa realizada em conjunto pelo SindusCon-SP, CBIC e FGV, e que entrevistou as 66 construtoras do país que mais operam com o Minha Casa, Minha Vida. O resultado é um diagnóstico que aponta 14 gargalos que podem emperrar o programa, caso não sejam solucionados.

Um dos obstáculos é o pouco incentivo que o governo federal tem dado para que haja contratação de novas unidades habitacionais que contemplem a faixa 1 do MCMV (famílias com renda mensal de até R$ 1.600). É neste setor que se situa boa parcela do déficit habitacional do país - hoje, segundo números oficiais, estimado em 5,4 milhões de moradias. De acordo com a pesquisa, 62% das construtoras pretendem atuar nesta faixa do Minha Casa, Minha Vida, que desde 2012 não recebe novos contratos. A demanda reprimida já estaria na casa das 500 mil unidades, comprometendo 400 mil postos de trabalho e impedindo que sejam gerados R$ 15,7 bilhões em volume de negócios na cadeia produtiva da construção civil.
Na sequência, entre outras dificuldades apontadas pelas construtoras, estão os processos de aprovação junto a organismos do governo (77,3 pontos) a contratação de mão de obra qualificada (75,3 pontos) legalização para entrega dos empreendimentos (73,5 pontos) e serviços de cartórios (73 pontos). "Neste assunto, o interessante seria reunir em um só balcão todas essas demandas, para que se obtivesse agilidade. Uma solução seria fazer algo semelhante ao que é realizado nos feirões de imóveis da Caixa, onde todos os despachos para a compra do imóvel são feitos em um único local", sugere o vice-presidente de Habitação Popular do SindusCon-SP, João Cláudio Robusti.
A pesquisa encomendada pelo SindusCon-SP, CBIC e FGV mostrou que 62% das construtoras que operam dentro do Minha Casa, Minha Vida avaliam que o programa é "muito importante" dentro do horizonte de negócios. Por outro lado, 79% disseram estar "insatisfeitos, em parte" com a gestão do plano habitacional. As empresas reclamam, por exemplo, da burocracia das instituições financiadoras para liberar recursos aos projetos que propõem sistemas construtivos inovadores. Esse ponto gera desconforto em 70,6% das construtoras. Da mesma forma, a incidência tributária sobre processos industrializados é outro gargalo que atrapalha o setor - apontado por 66,4% dos entrevistados.
Segundo João Claudio Robusti, tratam-se de obstáculos que têm feito as empresas reverem seus investimentos no Minha Casa, Minha Vida. "Algumas já estão pisando no freio e não sabem se continuarão no programa até 2015", diz. O que confirma essa tendência é a resposta dada à pergunta embutida na pesquisa, que fazia o seguinte questionamento: "Você tem dificuldades para trabalhar com o PMCMV?" Para 53%, "tanto quanto o usual de minhas operações; para 42%, "mais do que o usual de minhas operações" e somente 5% disseram "menos que o usual para minhas operações". "Temos um amplo leque de problemas para atacar, mas precisamos deixar claro que o programa é essencial para o país", finaliza Robusti.
Confira os 14 gargalos que atrapalham o Minha Casa, Minha Vida:
- Gargalo (grau de insatisfação)
- Falta de terrenos (78,8%)
- Processos de aprovação de projetos junto a organismos de governo (77,3%)
- Contratação de mão de obra qualificada (75,3%)
- Custos para a contratação de equipamentos e processos construtivos (74%)
- Legalização para entrega dos empreendimentos (73,5%)
- Viabilização do empreendimento no valor estabelecido pelo programa (72,7%)
- Atraso nas ligações de energia elétrica e saneamento básico (71,3%)
- Entraves criados pelas instituições financeiras para aprovar sistemas inovadores (70,6%)
- Processo de desligamento e repasse (69,9%)
- Oferta de serviços no mercado (60,5%)
- Incidência tributária sobre processos industrializados (66,4%)
- Empecilhos do ministério do Trabalho para a contratação de serviço terceirizado (56,8%)
- Adequação do comprador às condições do programa (55,1%)
- Fiscalização das obras (42,7%)
Entrevistado
João Cláudio Robusti, vice-presidente de Habitação Popular do SindusCon-SP
Currículo
- João Cláudio Robusti é graduado em engenheiro civil, foi ex-presidente do SindusCon-SP e ocupa o cargo de vice-presidente de Habitação Popular do SindusCon-SP (Sindicato da Construção do Estado de São Paulo)
Contato: sindusconsp@sindusconsp.com.br
Créditos foto: Divulgação/SindusCon-SP
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Mané Garrincha: o novo gigante de concreto armado
Estádio de Brasília é considerado pela Fifa como o mais bonito da Copa do Mundo de 2014 e consumiu 177 mil m³ de concreto
Por: Altair Santos
O estádio Mané Garrincha foi eleito pela Fifa como o estádio brasileiro mais bonito, sob o ponto de vista arquitetônico, para sediar jogos da Copa das Confederações, que começa dia 15 de junho de 2013, e da Copa do Mundo, daqui a um ano. Boa parte da beleza da arena de Brasília está relacionada às estruturas de concreto que circundam a obra, seguindo projeto do escritório Castro Mello Arquitetos, em parceria com a SBP (Schlaich Bergermann und Partner) da Alemanha. No entanto, o plano original não previa a prevalência do concreto, mas do aço. Apenas com a interferência do governo do Distrito Federal, que financiou integralmente a construção, e quis privilegiar o material que transformou a cidade em referência mundial para a arquitetura - através das obras de Oscar Niemeyer -, é que o concreto se impôs no Mané Garrincha.

O resultado é que a arena de Brasília, entre todos os 12 estádios que sediarão jogos da Copa do Mundo, foi a que empregou o maior volume de concreto em sua construção. Houve um consumo de 177.096 m³. “Valeu a pena perseguir esse conceito na obra. Se perguntarem qual o meu estádio favorito, posso dizer que Brasília está na minha primeira lista, entre os 10 melhores do mundo”, revelou o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, na visita técnica que aprovou o Mané Garrincha para sediar partidas da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. O empreendimento também rendeu elogios do governador do DF, Agnelo Queiroz. "A Castro Mello Arquitetos criou um projeto que preservou os conceitos arquitetônicos que fizeram com que a cidade fosse reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade", disse, ainda sonhando com a possibilidade de o estádio sediar a partida de abertura da Copa.
Construído predominantemente em concreto armado e com estruturas pré-fabricadas de concreto, o Mané Garrincha caminha para ser o primeiro a receber o certificado máximo de sustentabilidade: o Leed Platinum - reconhecimento internacional de que a obra é altamente sustentável. Atualmente, nenhum estádio de futebol no mundo possui essa certificação. O selo é concedido a empreendimentos que fazem uso intenso de materiais recicláveis e que empregam em suas estruturas fontes alternativas de energia. No caso da arena de Brasília, ela tem em sua cobertura 9,6 mil painéis fotovoltaicos com potencial de gerar 2,5 megawatts de energia. Isso a torna autossuficiente em produção de energia e capaz de ceder o excedente para a iluminação pública de seu entorno. O estádio também tem a capacidade de armazenar 6,84 milhões de litros de água da chuva - o equivalente a 80% da demanda para a irrigação do gramado e uso em vasos sanitários e mictórios.

Com 70.846 lugares, o Mané Garrincha empregou 15 mil operários em sua construção e custou R$ 1,566 bilhão - é, até agora, o estádio mais caro para a Copa do Mundo no Brasil. Para obter o retorno do que investiu, o governo do DF estuda abrir uma concessão para que a iniciativa privada assuma o controle da arena, gerando receita e atraindo eventos para a cidade. Porém, mesmo antes de uma eventual privatização, o Mané Garrincha já tem agenda fechada com eventos esportivos, culturais e congressos até 2019, além de atrações permanentes para o Distrito Federal, como dois restaurantes, 14 lanchonetes, 40 bares, um museu do futebol e centros comerciais ao seu redor.

Entrevistado
Secretaria da Copa do Distrito Federal (Secopa-DF) (via assessoria de imprensa)
Contato: www.copa2014.df.gov.br / facebook.com/copadf / twitter.com/copagov_df / imprensa.secomdf@buriti.df.gov.br / imprensagdf.copa@gmail.com
Créditos fotos: Secopa-DF / Carlos Mello Arquitetos / Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Construção civil precisa eliminar desperdícios
Estudo mostra que setor ainda peca em quesitos como estoque, logística, cadeia de suprimentos e novos processos de produção
Por: Altair Santos
Todas as pesquisas voltadas ao setor da construção civil convergem para temas comuns. Apontam que é preciso qualificar a mão de obra, melhorar a gestão dos custos, industrializar processos e investir em novas tecnologias. Em resumo, a palavra-chave é produtividade. Porém, apesar de os estudos evidenciarem as carências, ainda há poucas empresas do setor, principalmente as construtoras, propensas a rever seus métodos de produção. "A preocupação com o aumento da produtividade ainda não atingiu grande parte destas empresas. Predomina o desperdício. Os estoques ainda são muito altos, devido à baixa flexibilidade existente no processo produtivo. Há muita movimentação e transporte, os quais não agregam valor para o processo ou para o cliente, além de uma grande quantidade de refugo e retrabalho. Existe também falta total de sincronismo entre uma etapa e outra, assim como baixa, ou nenhuma, integração na cadeia de suprimentos", explica Ruy Cortez de Oliveira, do Kaizen Institute Brazil.

De origem japonesa, a metodologia Kaizen significa "melhoria contínua". Nasceu com o Sistema Toyota de Produção (STP) - revolucionário processo industrial de fabricação de veículos, e disseminado para outros setores da economia. A filosofia, que prega aprimoramento gradual e contínuo, tem como premissa básica a seguinte frase: "Hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje”. Ou seja, é essencial que nenhum dia se passe dentro de uma empresa sem que alguma melhoria seja implementada. "O Kaizen tem os seguintes fundamentos: criação de fluxo com base na demanda do cliente; busca contínua da qualidade na fonte; foco na eliminação dos desperdícios e das perdas; gestão orientada para o "Gemba" (local onde as coisas acontecem); desenvolvimento das pessoas; gestão transparente", relaciona Ruy Cortez de Oliveira, lembrando que empresas que adotam o método Kaizen, quando vão ampliar suas plantas, procuram construtoras que também se norteiem pela filosofia para não comprometer a produtividade.
O especialista alerta que o método Kaizen, além de salutar para a cadeia produtiva da construção civil, também deveria ser implantado nos programas governamentais que estimulam o surgimento de novas obras, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Minha Casa, Minha Vida. "Há necessidade de um melhor gerenciamento dos recursos, para poder aplicá-los no momento certo e, assim, evitar atrasos e ineficiência de todos os programas. Uma das ferramentas do Kaizen é o gerenciamento de projetos, que busca garantir que os recursos sejam bem aplicados e a data da entrega do empreendimento, produto ou processo seja alcançada", diz, completando que as construtoras que já adotam o sistema Kaizen têm conseguido aumento de produtividade em torno de 10%, no comparativo com as demais. "É mudar o modelo produtivo ou permanecer na época das pirâmides", finaliza Ruy Cortez de Oliveira.
Entrevistado
Ruy Cortez de Oliveira, sócio-diretor do Kaizen Institute Brazil
Currículo
- Ruy Cortez de Oliveira é graduado em engenharia metalúrgica, pela Escola de Engenharia Mauá, e pós-graduado em engenharia pela Escola Politécnica da USP
- É consultor do BID (Banco Interamericano para o Desenvolvimento) e do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) desde 1997
- Foi também sócio-diretor da CGE Consulting, da Normatec Engenheiros Associados e gerente do setor de qualidade e engenharia da Equipamentos Villares
Contato: www.br.kaizen.com / rcortez@kaizen.com
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Ascensão profissional passa pelo traquejo social
Quem estabelece bom ambiente no trabalho valoriza suas qualificações e ajuda na criação de um amplo networking, diz especialista
Por: Altair Santos
Saber conviver com pessoas de idades diversas, opções religiosas distintas, culturas, hábitos e opções sexuais diferentes são alguns desafios enfrentados atualmente pelos colaboradores. O ambiente corporativo também exige a compreensão dos limites, dos direitos e dos deveres de líderes e liderados, empresários e empregados. Tratam-se de situações que hoje fazem parte do dia a dia das empresas, e que só se acomodam se houver traquejo social. "Nesse cenário heterogêneo dentro das Companhias, é preciso saber conviver com as diferenças de forma civilizada", diz Silmara Leite Ribeiro Santos, especialista em etiqueta corporativa e social.

É por isso que, além da qualificação, o traquejo social tornou-se decisivo para o sucesso profissional dentro de uma corporação. "De nada adianta um colaborador ser extremamente qualificado tecnicamente, ter estudado nas melhores universidades, se não tiver um bom relacionamento com os demais colaboradores ", reforça Silmara Leite, avaliando que o profissional que domina exemplarmente seu ofício, mas não tem traquejo social, corre o risco de ser superado por um que equilibre desempenho com boas relações na empresa. "Sempre prevalece o profissional que tenha bom relacionamento e competência técnica", completa.
Usar o traquejo social para relacionar-se faz , muitas vezes, que ele seja confundido com networking. "Na verdade, ambos se complementam. Ter educação e respeitar a opinião alheia, mesmo que não concorde com ela, são exemplos de traquejo social. Networking é a rede de contatos que o profissional possui. Traquejo social é a forma como esta rede é tratada", ensina, lembrando que boa parte das reclamações trabalhistas que vão parar nos tribunais nascem da falta de traquejo social. "A base do traquejo social é o respeito. Sem ele, vem a intolerância e isso contamina o ambiente corporativo, gerando processos", explica.
Silmara Leite reforça que, também no canteiro de obras, deve prevalecer o traquejo social. "Por que não cumprimentar o trabalhador num canteiro de obras? Ele está exercendo sua função como qualquer outro colaborador. Por que não agradecer pelo serviço executado? Educação é universal", alerta, tocando num ponto que reflete, inclusive, na produtividade da obra. "Muitos colaboradores da construção civil precisam migrar em busca de melhores oportunidades de trabalho. A distância da cidade natal, e dos familiares, dificulta a adaptação no ambiente de trabalho. Se este for mais receptivo e acolhedor, o indivíduo certamente se sentirá mais confortável e a produtividade tenderá a melhorar", complementa.
A especialista em etiqueta corporativa e social também destaca que os canteiros de obras ganharam um novo componente que exige traquejo social, que são as mulheres. "Saber respeitar e conviver com elas é imprescindível. Isto é ter traquejo, que é uma ferramenta que se estende também ao varejo da construção civil, tanto na venda de materiais de construção quanto de imóveis. Quem atua nestas áreas, seja homem ou mulher, precisa saber receber o cliente ou o fornecedor e escutá-lo de modo atencioso. Certamente, o traquejo social vai ajudar o vendedor a perceber o que o cliente realmente precisa. Isto é demonstração de educação e empatia", ressalta, finalizando: "Profissionais bem treinados, qualificados e com competência comportamental adequada aos cargos que ocupam irão agregar valor à marca. Imagem pessoal e imagem profissional estão cada vez mais interligadas."
Dicas para aprimorar o traquejo social
Comportamento
- Autocontrole;
- Capacidade de conviver com as diferenças;
- Capacidade de influenciar;
- Forma de lidar com as dificuldades do dia a dia;
- Arrojo para contribuir e colocar em prática novos planos e ideias;
- Postura adequada ao usar a internet, especialmente redes sociais;
- Comportamento apropriado ao receber visitantes, participar de reuniões, viagens de negócios e eventos empresariais.
Imagem
- Cuidados com vestuário, higiene, comunicação oral e escrita também contam pontos. Se não forem levados a sério, podem impedir uma contratação ou prejudicar uma ascensão profissional.
Entrevistada
Silmara Leite Ribeiro Santos, especialista em etiqueta corporativa e social
Currículo
- Silmara Leite Ribeiro Santos é formada em administração, com ênfase em marketing e pós-graduada em finanças, pela Unifae
- Acumulou vasta experiência corporativa no mercado financeiro, com passagens por corretoras de valores, bancos de varejo e holdings
- Especialista em etiqueta, é professora e coordenadora do curso de etiqueta social e corporativa do Centro Europeu e professora convidada na disciplina de etiqueta no curso full marketing da mesma instituição
- É também professora de etiqueta da Casablanca Escola de Modelos e Atores
- Dirige a Pitacos Marketing e Eventos
Contato: www.pitacosdasil.com.br / sandrasantosjornalistabr@gmail.com
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Geologia vive fase de simbiose com a engenharia
Investimentos em óleo e gás, mineração, energia e infraestrutura inseriram definitivamente o geólogo no canteiro de obras
Por: Altair Santos
Investimentos em óleo e gás, mineração, energia e construção civil têm aproximado os geólogos, que dia 30 de maio comemoram seu dia, da engenharia. Criou-se uma simbiose entre os profissionais das duas áreas, seja para investigar o impacto ambiental que uma obra possa causar ou para estudar a constituição do solo, fornecendo dados para a execução de projetos. "O que nós estamos vendo hoje é o ressurgimento das obras de infraestrutura e, com isso, reativou-se o casamento entre geologia e engenharia, como foi na década de 1970", recorda João Jerônimo Monticeli, presidente da ABGE (Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental).

O dirigente avalia que a definição de uma política para a exploração de petróleo, aliada à retomada dos leilões por parte da ANP (Agência Nacional de Petróleo) vai requerer muito mais mão de obra. "Não digo apenas para os profissionais de geologia, mas para os profissionais da engenharia", diz João Jerônimo Monticeli, observando que a demanda tem feito engenheiros migrarem para a geologia. "Há, principalmente, engenheiros ambientais complementando a formação com a geologia, recorrendo ao conhecimento sobre hidrogeologia, que é o estudo do fluxo de águas subterrâneas", completa.
Além do setor de óleo e gás, a mineração também tem sido um mercado com forte absorção de geólogos. "Neste segmento, contribuem para o crescimento desde as importações da China e até a retomada do interesse da indústria de cimento por novas jazidas de calcário", ressalta o presidente da ABGE, lembrando que os estudos para a extração de petróleo a partir do xisto - o que nos Estados Unidos já é uma realidade - também impulsionam a geologia. "Este modelo de exploração vai impactar o nosso mercado, principalmente para quem atua na área de pesquisa", avalia.
Para João Jerônimo Monticeli, a geologia operando paralelamente com a engenharia encontra campo para atuar, inclusive, em áreas urbanas. "A geologia sempre esteve ligada a grandes obras de infraestrutura, como pontes, barragens e túneis, mas o planejamento urbano tem aberto outras oportunidades. Estudos sobre riscos geológicos, escorregamentos e enchentes têm sido muito requisitados pelos planos diretores municipais. É o que chamamos de geologia urbana, hoje amplamente usada para desenvolver, recuperar e conservar cidades", afirma, relatando que na Grã-Bretanha geólogos ajudaram a recuperar cidades como Grangemoth, Bradfort, Glasgow, Warrington, Manchester, Liverpool e Salford.
No Brasil, Monticeli lembra que a geologia tem sido acionada também para prospectar terrenos nos grandes centros urbanos, onde falta espaço para novos empreendimentos imobiliários. Quando não são contratados por construtoras, os profissionais trabalham para companhias públicas de habitação. "A construção habitacional não pode errar. Ela não tem como correr o risco de empreender em terrenos que possa vir a sofrer erosão. Por isso, os geólogos são fundamentais para, através dos conhecimentos dos meios físicos, evitar a ocupação de terrenos inadequados", afirma, comemorando as oportunidades que se abrem aos geólogos.
Entrevistado
João Jerônimo Monticeli, presidente da ABGE (Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental)
Currículo
- João Jerônimo Monticeli é graduado em geologia pela Universidade de São Paulo (USP) em 1971. Também é mestre em engenharia civil e geotecnia, pela Escola de Engenharia Civil da UFSCar (1984)
- Trabalhou no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) na CESP (Companhia Energética de São Paulo) e no Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí
- Atualmente é consultor em geologia de engenharia ambiental e de políticas e gestão de recursos hídricos
Contato: joaojeronimo@terra.com.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Adicionar água suplementar ao concreto exige cuidados
Quantidade de água acima da prevista em dosagem aumenta a porosidade, diminui a resistência e amplia o risco de patologias
Por: Jorge Aoki, Gerente de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé
A água é um importante componente do concreto e tem basicamente duas funções: provocar a reação de hidratação dos compostos do cimento, com seu consequente endurecimento, e aumentar a trabalhabilidade para que possa preencher adequadamente as fôrmas, sem causar vazios ou nichos. Sob certo aspecto, dá para dizer que a água é tão ou mais importante que o próprio cimento, pois, além das funções citadas, é ela quem determina a dosagem dos aditivos químicos plastificantes a serem aplicados no concreto.
Uma das expressões mais conhecidas pelos tecnologistas de concreto é justamente a relação água/cimento (a/c) que direciona para a resistência pretendida. É fácil perceber que, para se manter a relação constante, é preciso aumentar ou reduzir igualmente os componentes água e cimento. O adicionamento de água além da quantidade estipulada na dosagem pode aumentar o abatimento acima do limite especificado. Embora aparentemente facilite a aplicação, faz com que o volume de vazios dentro da massa do concreto também aumente, diminuindo sua resistência mecânica e comprometendo, muitas vezes, o próprio desempenho da estrutura, facilitando a entrada de agentes agressivos ao concreto.
Em média, e de acordo com a composição química do cimento, a completa reação de hidratação necessita de cerca de 25% de água em relação ao seu peso. O restante dará a necessária condição para que o concreto seja aplicado e sairá da massa por evaporação capilar. Mas desde que a cura não seja feita adequadamente, poderá causar o aparecimento de fissuras - importante patologia provocada em parte pela água suplementar.
Com a evolução dos aditivos superplastificantes, passou-se a exigir um cuidado extra no momento do cálculo da dosagem e da aplicação de água. Os concretos que utilizam estes componentes, em geral recebem pequenas quantidades de água, uma vez que a plasticidade é conseguida através dos aditivos. Caso a perda de água por evaporação seja acentuada, parte do cimento poderá ficar sem a completa hidratação. Nestes casos, além dos cuidados habituais, toda a atenção deve ser dirigida para a cura, no sentido de se garantir uma hidratação adequada.
A NBR 7212/2012 - Execução de concreto dosado em central - Procedimento, em seu item 4.4.4 diz: “Antes do início da descarga, ao verificar que o concreto apresenta abatimento dentro da classe de consistência especificada, não se admite adição suplementar de água. Qualquer adição de água exigida pela contratante exime a empresa de serviços de concretagem de qualquer responsabilidade quanto às características do concreto constantes no pedido. Este fato deve ser registrado no documento de entrega”. Em nota, esclarece que água suplementar é a quantidade de água adicionada ao concreto que ultrapassa a prevista na dosagem. Além disso, recomenda estabelecer em seu item 4.4.3 um sistema rigoroso de controle da água, para evitar ser ultrapassada a quantidade máxima prevista.
A NBR 6118/2007 - Projeto de estruturas de concreto – Procedimento, estabelece também no item 7 – Critérios de projeto que visam a durabilidade, uma correlação entre a relação água/cimento e a resistência à compressão. Na tabela 7.1 estão os valores máximos da relação a/c em função das classes de agressividade ambiental e tipo do concreto. São cuidados abrangentes, com o objetivo de reduzir a porosidade do concreto e preservar sua vida útil. A adição suplementar da água além da prevista na dosagem, altera a relação a/c, prejudica a resistência e aumenta a porosidade.
Esta importante relação, e todos os cuidados apontados, estabelece uma dependência, para as estruturas, entre os dois materiais mais utilizados no mundo: a água, em primeiro lugar, e o concreto - este, o material de construção mais usado no planeta.
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Nova estação na Antártica usará pré-moldados
Peças de concreto serão empregadas na construção do futuro QG brasileiro no polo sul. Projeto vencedor é de Curitiba
Por: Altair Santos
Em fevereiro de 2012, um incêndio destruiu a base militar e científica do Brasil na Antártica. O acidente comprometeu as pesquisas do país no polo sul. No entanto, a retomada dos trabalhos tende a ficar bem mais confortável quando a nova estação Comandante Ferraz for reconstruída. Ao invés de contêineres - material que predominava na antiga instalação, implantada em 1984 -, o novo QG brasileiro terá uma arquitetura adequada para enfrentar os rigores do frio da região. Graças ao escritório curitibano Estúdio 41, que ganhou o concurso promovido pela Marinha do Brasil para projetar a nova base na Antártica.

A futura estrutura será construída na península de Keller e terá a predominância dos pré-fabricados. Aliás, foi por ter dado prioridade aos processos industrializados que o Estúdio 41 ganhou o concurso. "Um fator bastante restritivo, imposto pelo Tratado Antártico, é a proibição de qualquer derramamento de massa ou argamassa em solo antártico, devido à necessidade de remoção de todos os resíduos quando da desocupação das áreas. Por tal motivo, a utilização de concreto ficou relacionada ao uso de elementos pré-fabricados e de blocos cimentícios", explica o arquiteto Fabio Henrique Faria, um dos autores do projeto.
Em sua maioria, a nova base brasileira na Antártica será construída com estruturas metálicas leves, pré-fabricados em madeira e vidro com tripla camada. "O envoltório foi pré-concebido em um sanduíche de chapas metálicas, com o isolamento necessário no centro", diz o arquiteto. No memorial do projeto, está clara a opção por sistemas industrializados de construção. "A estratégia central é a repetição de sistemas construtivos, permitindo alcançar níveis de excelência na montagem e garantir o autodesempenho do edifício, ao mesmo tempo racionalizando o processo de fabricação", diz o documento.
Outra característica do projeto - vencedor entre 74 propostas -, é que ele permite ser ampliado de acordo com as necessidades. A princípio, a estrutura estará apta a receber 60 pessoas, atendendo termo de referência desenvolvido pelo corpo técnico da Marinha e sob a orientação da comunidade científica. Para que se inicie a construção, é aguardada a abertura de licitação para a execução das obras, o que deve ocorrer no verão antártico, que começa em dezembro. O Estúdio 41 acompanhará o procedimento licitatório e tende a orientar o processo de montagem.
Confira a equipe que atuou no projeto:
Autores
Emerson Vidigal (Estúdio 41)
Eron Costin (Estúdio 41)
Fabio Henrique Faria (Estúdio 41)
João Gabriel Moura Rosa Cordeiro (Estúdio 41)
Consultores
Arq. Guido Petinelli, Conforto e Energia (Petinelli)
Arq. Eduardo Brofman, Conforto e Energia
Eng. Eduardo Ribeiro, Instalações
Arq. Carlos Garmatter, Segurança e prevenção contra incêndio
Eng. Ricardo Dias, Estruturas
Eng. Bruno Martinez, Conforto e Energia (Petinelli)
Eng. Andre Belloni, Conforto e Energia (Petinelli)
Eng. Josiele Patias, Geotecnia
Colaboradores
Arq. Dario Corrêa Durce
Arq. Moacir Zancopé Jr.
Martin Goic
Fernando Moleta
Alexandre Kenji
Rafael Fischer
Veja as plantas do projeto:
Parte 01
Parte 02
Entrevistado
Estúdio 41, escritório de arquitetura (via assessoria de imprensa)
Contato: www.estudio41.com.br / estudio@estudio41.com.br
Créditos foto: Divulgação/Estúdio 41