Minha Casa, Minha Vida precisa virar política de Estado
Setor da construção civil aguarda que PEC da Habitação seja votada no Congresso, para alavancar novos investimentos
Por: Altair Santos
Liderados pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo) vários segmentos ligados à cadeia produtiva do setor estão convictos de que chegou a hora de o Brasil ter uma política de Estado para a habitação, em vez de apenas programas governamentais. O sucesso do Minha Casa, Minha Vida, que em março de 2013 completou quatro anos com 1,5 milhão de moradias construídas e 2,5 milhões de unidades contratadas, é que leva à mobilização pela aprovação da PEC (Projeto de Emenda Constitucional) da Habitação, que desde 2008 tramita no Congresso Nacional.

Para o presidente do SindusCon-SP, Sérgio Watanabe, tornou-se inadiável o Brasil ter uma política de habitação, até por que em países vizinhos, onde isso ocorreu, houve praticamente a erradicação do déficit habitacional. "Em 1996, mandamos uma missão ao Chile para ver o projeto que praticamente liquidou o déficit por lá. Em 2007, fomos ao México, que adotou plano semelhante e hoje constrói praticamente um milhão de casas por ano. Com base nos dados colhidos, e em parceria com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) montamos duas propostas que resultaram na PEC: o Moradia para Todos e o Moradia Digna. Mas o projeto ainda segue parado na Câmara, apesar de já ter passado por todas as comissões", diz o dirigente.
Por isso, para reforçar a mobilização do setor, no dia 29 de abril de 2013, na sede do SindusCon-SP, foi realizado o workshop "Minha Casa, Minha Vida e Parcerias: Gargalos e Propostas". O evento reuniu players da construção civil, além de gestores da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e representantes do ministério das Cidades. "O objetivo é que o governo tome a iniciativa de perenizar o Minha Casa, Minha Vida, agilizando a votação da PEC no Congresso. Só assim o déficit habitacional no Brasil, que hoje está na casa de 5,2 milhões de moradias, conseguirá ser zerado", afirma Watanabe.
Ainda de acordo com o presidente do SindusCon-SP, para atender a demanda, o setor da construção civil precisa ter um projeto de longo prazo que garanta recursos e o ajude a se preparar para processos industriais de construção em massa. "Não podemos mais imaginar que a cada troca de governo os programas habitacionais sejam revistos. O país precisa de uma política que vincule receitas da União, dos estados e dos municípios", defende Sérgio Watanabe, que lançou um slogan para a mobilização: sua casa, nossa causa. A PEC da Habitação propõe reservar 2% do orçamento da União e 1% dos orçamentos de estados e municípios para fundos nacional, estaduais e municipais de habitação de interesse social.
CBIC apoia

No mesmo evento, o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, deu total apoio ao movimento e lembrou que por falta de uma política de Estado o Brasil passou cerca de 20 anos no "vazio" em termos de construção habitacional. "Desde o fim do BNH (Banco Nacional de Habitação) até o surgimento do Minha Casa, Minha Vida, nossa luta foi insana. Muitas vezes ficamos sem respostas, mas em 2008, por pressão da sociedade, que pedia moradias, e por causa da crise econômica mundial, o governo federal, enfim, se rendeu ao Minha Casa, Minha Vida. Esse programa trouxe conquistas enormes para o país. Transformou vários segmentos da sociedade e permitiu que hoje a construção civil comemore 3,5 milhões de vagas formais nos canteiros de obras. Mas ainda há um déficit acentuado e, por isso, é importante que a PEC seja aprovada. Com ela, poderemos construir mais, e melhor", concluiu.
Entrevistados
Sérgio Watanabe, presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Construção de São Paulo) e Paulo Safady Simão, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Currículos
- Sérgio Watanabe é graduado em engenharia civil e cumpre seu segundo mandato como presidente do SindusCon-SP, cuja gestão vai até 2014. Também é vice-presidente da CBIC e diretor da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)
- Paulo Safady Simão é graduado em engenharia civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1971
- Especializou-se em Administração de Empresas na Fundação João Pinheiro, em conjunto com a Graduate School of Business da Columbia University de New York
- Foi presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (SindusCon-MG) no período de 1986 a 1992
- Vice-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) de 1989 a 1995
- Preside a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) desde 2003
- Também integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES)
- É vice-presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC) e da Confederação das Associações Internacionais de Empreiteiras de Construção (CICA)
- Ocupa o cargo de diretor-presidente da Wady Simão-Construções e Incorporações LTDA
Créditos fotos: Divulgação / SindusCon-SP
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Gasto com construção ocupa 4º lugar no ranking de consumo
Gastos com material, reforma e compra de imóveis novos ficam atrás apenas de manutenção do lar, alimentação e transporte
Por: Altair Santos
Os gastos com construção civil sobem no ranking de consumo do brasileiro. De acordo com pesquisa da consultoria IPC Maps, a projeção é que o setor venda R$ 143,7 bilhões em 2013 - a base de dados é o número de transações fechadas no primeiro trimestre do ano. Neste levantamento são levados em conta apenas os negócios que ocorrem no varejo, ou seja, que envolvem diretamente o consumidor. O volume de recursos, que engloba a compra de material de construção, reforma e aquisição de imóveis novos, é 7,33% superior ao de 2012, quando o setor vendeu R$ 133,9 bilhões no varejo.

Por conta deste crescimento, o gasto com construção civil já aparece em 4º lugar no ranking de consumo do país. Está atrás dos recursos canalizados para o pagamento de taxas com a manutenção do lar (água, luz, telefone, aluguel, condomínio, prestação da casa própria e respectivos impostos) na ordem de R$ 717 bilhões; alimentação, R$ 440 bilhões, e transporte (veículo próprio ou público) R$ 209 bilhões. "Pelo desempenho do setor, as perspectivas de crescimento para os próximos anos são muito boas. Não dá para afirmar se esse tipo de consumo irá crescer no ranking, mas ele tende a ocupar sempre um posto entre os cinco primeiros lugares", avalia Marcos Antonio Pazzini, coordenador do estudo IPC Maps.
O estudo detectou um dado curioso: que o comércio especializado não cresce na mesma proporção da demanda por consumo de material de construção. "Segundo nossos números sobre a quantidade de empresas por ramo de atividade, de 2012 para 2013 a quantidade de empresas do comércio varejista de construção civil cresceu 6,6%. Em 2012, havia no país 425.242 empresas do comércio varejista de construção civil e em 2013 este número aumentou para 453.248 empresas. Portanto o crescimento do comércio varejista foi inferior ao crescimento do potencial de consumo do segmento de construção, que ficou em 7,33%", cita Pazzini.
Entre as classes sociais, a A1 é a que registra o maior valor de gasto por domicílio com a construção civil: R$ 43.353,00/ano. Quanto às regiões do país, a norte foi a que apresentou crescimento nominal mais intenso entre 2012 e 2013: 10,1%. No ano passado, a região movimentou R$ 6,9 bilhões e em 2013 deverá movimentar R$ 7,6 bilhões. Em segundo lugar, aparece a região Sudeste, com crescimento nominal de 8,2%, ou seja, mercado de R$ 63,4 bilhões em 2012 e R$ 68,6 bilhões em 2013.
Também foram mapeadas as 50 cidades brasileiras que mais consomem no país. Em 2013, elas tendem a responder por 43,33% do consumo nacional - incluindo aí a construção civil. Mais da metade destes consumidores está nos sete maiores mercados, que são, respectivamente, São Paulo (9,24%), Rio de Janeiro (5,26%), Brasília (2,25%), Belo Horizonte (2,02%), Salvador (1,49%), Curitiba (1,43%) e Porto Alegre (1,27%).
Confira a lista completa dos 50 maiores mercados consumidores do Brasil
Veja quadro do potencial de consumo por setores
Entrevistado
Marcos Antonio Pazzini, coordenador do estudo IPC Maps
Currículo
- Marcos Antônio Pazzini, é graduado em engenharia civil, com curso de especialização em marketing
- É sócio-diretor da IPC Marketing Editora Ltda., empresa que está há 35 anos no mercado brasileiro
- Coordena o estudo IPC Maps desde 1994, que traz dados demográficos e potencial de consumo de cada um dos municípios brasileiros
- Em 1996 liderou o desenvolvimento do software de gerenciamento e geoprocessamento do estudo IPC Maps
- Atua na área de pesquisa de mercado e informações mercadológicas há mais de 20 anos
- Anteriormente trabalhou em empresas de franquia e empresas de comunicação
- Ministra regularmente palestras sobre o potencial de consumo brasileiro
Contato: www.ipcbr.com/12/index.php/fale-conosco
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Vai construir uma piscina? Faça com especialistas
Seja de concreto, alvenaria, fibra ou vinil, obra precisa de estudos geológicos, obedecer normas e ser construída por mão de obra qualificada
Por: Altair Santos
Construir piscinas requer cuidados especiais. Desde a escolha do terreno, passando pela mão de obra qualificada e a seleção dos materiais, trata-se de uma obra em que os detalhes fazem a diferença. O zelo na construção deve ser maior ainda se a piscina for construída em um prédio. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes e Construtores de Piscinas e Produtos Afins (Anapp) piscinas de concreto apresentam vantagens em relação às de alvenaria ou fibra de vidro e vinil. No entanto, cada situação exige que se avalie o tipo de piscina que melhor se adapte ao local.

É o que explica Roberto dos Reis, dono da construtora Nado Livre, filiada à Anapp, que atua no setor há 29 anos e é homologada para construir piscinas olímpicas. "Uma piscina de concreto tem longa durabilidade e baixa manutenção. Mas construí-la, assim como a de outros materiais, depende da sedimentação do terreno. O mercado, atualmente, constrói 30% em concreto armado ou alvenaria, 40% de fibra de vidro e 30% vinil. O recomendável é que piscinas acima de 80 metros quadrados sejam construídas em concreto armado, de preferência o concreto maciço com 40 MPa, projetado a 7 kg/cm². É a mesma tecnologia usada em túneis de metrô", ensina.
Quanto ao terreno, o especialista alerta que ele precisa ter uma sedimentação mínima. Construir piscinas de fibra em regiões litorâneas ou aonde há lençol freático não é recomendado, já que o material não suporta grandes pressões negativas (do solo para a piscina) nem positivas (da água dentro da piscina). Se ela não tiver sustentação, ocorrem trincas, rachaduras e pode até quebrar. A fibra é somente uma casca", ressalta Roberto dos Reis, lembrando que o ideal é se fazer um estudo de solo antes de construir.

Assim como as piscinas de fibra e vinil, as de alvenaria têm limitações. "Se a área tiver até 80 metros quadrados pode se fazer de alvenaria, com blocos estruturais (de concreto). Acima desta metragem, tem que fazer com concreto armado, usando cortina de aço para aguentar o peso", destaca o construtor. Ele recomenda ainda que toda a construção de piscina tenha a responsabilidade técnica de um engenheiro civil e siga as normas da ABNT relacionadas a sistemas de hidráulica. "O conselho que eu posso dar para o consumidor final é contratar empresas registradas no CREA e com, no mínimo, dez anos de experiência", afirma.
Esta recomendação vale, principalmente, se a construção for em prédio, cujo projeto original não contemple piscina. "Primeiro, é preciso se atentar à profundidade da piscina e se a estrutura do prédio suporta tal peso e volume, principalmente se ela estiver sobre uma laje. Quanto mais alto o prédio, maior a responsabilidade de se construir uma piscina na cobertura, por exemplo. É preciso considerar o efeito pêndulo e as trincas que isso pode causar. Outro ponto vulnerável é a impermeabilização", orienta Roberto dos Reis.
Entrevistado
Roberto dos Reis, proprietário da construtora Nado Livre, especializada em piscinas
Currículo
Roberto dos Reis é graduado em administração de empresas e tem sua empresa filiada à Anapp (Associação Nacional dos Fabricantes e Construtores de Piscinas e Produtos Afins) com homologação para construir piscinas olímpicas
Contato: www.anapp.org.br / www.nadolivrepiscinas.com.br / nadolivre@terra.com.br
Créditos fotos: Divulgação / Nado Livre
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Maracanã: estádio sessentão agora é só fachada
Recuperar a estrutura do concreto construída no final dos anos 1940, sem comprometer a arquitetura do patrimônio histórico, foi o maior desafio da obra
Por: Altair Santos
Construído entre 1948 e 1950, o Maracanã foi tombado em 2000 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Este título passou a exigir que qualquer intervenção no estádio preservasse sua arquitetura - sobretudo a fachada - e tornou-se também o grande desafio para que o retrofit da edificação cumprisse as exigência da Fifa para a Copa do Mundo de 2014.

As soluções buscadas pela engenharia, no entanto, renderam até prêmio à reforma do Maracanã. O projeto ganhou o “Mipim AR Future Project Awards”. Promovida pela revista de arquitetura inglesa “The Architectural Review”, a premiação indica todos os anos as melhores obras em categorias como arranha-céus, sustentabilidade, edifícios comerciais e desenho urbano. O júri elegeu o estádio, fazendo a seguinte citação: “Trata-se de um engenhoso reuso de estrutura, que permitiu a inclusão de uma espetacular cobertura que adapta o ícone da década de 1950 para o perfeito uso durante a próxima Copa do Mundo”.
Conservar e, principalmente, recuperar a estrutura do Maracanã exigiu que a cobertura de concreto fosse retirada e substituída por um sistema de lonas tensionadas. Isso aliviou a carga sobre o estádio e permitiu também um combate mais eficaz da corrosão progressiva que atingia o concreto. Outra solução foi substituir partes da arquibancada de concreto por estruturas metálicas adaptadas para receber peças pré-moldadas. Além disso, o sistema de amortecimento usando contraforte, que circunda o entorno do gramado do Maracanã, foi outra inovação que serviu para tornar mais leve a carga sobre a estrutura antiga de concreto.
Toda a alvenaria antiga recebeu impermeabilização de poliuréia. O tratamento vai proteger o concreto de reações álcali-agregado (RAA). Da mesma forma, as duas mil peças pré-moldadas fabricadas para as arquibancadas também foram imunizadas contra o risco de corrosão. Todo esse processo, que aliou novas tecnologias à estrutura antiga do Maracanã, permitiu a economia de concreto. Se na construção de 1950 foram empregados 80.000 mil m³ do material, na reforma atual o volume consumido foi de 31.000 m³.
Para o Green Building Council Brasil, o retrofit do Maracanã foi a obra mais sustentável entre as envolvidas com a Copa do Mundo. Tanto que o estádio obteve o certificado LEED (Leardership in Energy and Environmental Design). Também foi o empreendimento que mais absorveu mão de obra. Ao todo, 6.500 trabalhadores atuaram em três turnos para entregar a edificação dentro do prazo. Ao custo de R$ 1,049 bilhão, o Maracanã será inaugurado oficialmente dia 2 de junho, na partida entre as seleções do Brasil e da Inglaterra.
Entrevistados
Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop) e Secretaria de obras do estado do Rio de Janeiro. (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@obras.rj.gov.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Adesão às engenharias cresce, mas evasão segue alta
Cursos ofertados pelas universidades recebem quatro vezes mais estudantes. Porém, de cada 100, só 44 se formam
Por: Altair Santos
Dados do ministério da Educação, a partir do censo de 2010, demonstram que os cursos de engenharia concentram o segundo maior volume de estudantes nas universidades brasileiras - perdem apenas para os de administração. De acordo com o levantamento, dos que optam pelas engenharias, 24% cursam civil, 18,6% produção, 11,5% mecânica e 11,3% elétrica. No total, 227,8 mil estão matriculados atualmente nas graduações de engenharia.

Apesar do aumento da demanda, o MEC ainda se preocupa com a alta evasão dos cursos, principalmente nos primeiros dois anos. As aulas excessivamente teóricas e a exigência de conhecimento aprofundado de matemática e física são apontados como os responsáveis pela fuga, que em alguns cursos ultrapassa os 60%. Para Roberto Leal Lobo e Silva Filho, ex-reitor da USP (Universidade de São Paulo) e presidente do Instituto Lobo, esse é um gargalo que as escolas de engenharia precisam solucionar. "O engenheiro moderno deve ser orientado a saber o que precisa ser feito, mais do que como fazer", afirma, abordando este e outros temas na entrevista a seguir. Confira:
Recentemente, o jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem mostrando que os cursos de engenharia são o segundo mais procurados, perdendo apenas para os de administração. Quais os pontos positivos dessa alta demanda?
O número de ingressantes nos cursos de engenharia tem crescido vertiginosamente nos últimos anos, cerca de quatro vezes mais que a taxa de crescimento dos ingressantes em geral. No último ano documentado, 2011, os ingressantes aumentaram 27% em relação aos do ano anterior. A maior parte deste crescimento se verificou no setor privado (34%). Até 2005, a demanda esteve quase estagnada, iniciando em 2006 um período de grande recuperação. Para o Brasil, que tinha uma baixa proporção de engenheiros formados em relação ao total de formados (5%) diferentemente dos países da OECD - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (13%) e da Coreia (23%) esse crescimento é benéfico, porque vai formar mais profissionais necessários para atuar em projetos de crescimento industrial e da infraestrutura. Acredito que esse crescimento foi uma resposta a duas sinalizações: a recuperação do crescimento do PIB até 2008 e a sinalização de investimentos estatais e privados pelo PAC e a realização de grandes eventos internacionais no Brasil, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Por outro lado, nem todos que entram nos cursos de engenharia concluem a graduação. A evasão ainda é alta. Como reverter isso?
A evasão é um dos componentes que ameaça o crescimento sustentável da engenharia no país. Crescimento, esse, que está ameaçado pelos seguintes fatores:
1) Desaceleração da economia (crescimento pequeno do PIB).
2) Altas taxas de evasão dos ingressantes (na engenharia, para cada 100 ingressantes se formam aproximadamente 44). Como a evasão se dá principalmente no setor privado, o crescimento do número de ingressantes neste setor provavelmente representará um aumento da evasão global.
3) O número de estudantes que conclui o ensino médio é quase igual ao de novos ingressantes no ensino superior. Isso quer dizer que o crescimento dos ingressantes nas engenharias está se dando à custa da redução de ingressantes em outras áreas.
Para combater a evasão, há várias medidas possíveis que dependem de diferentes agentes. Para as instituições de ensino superior é possível procurar selecionar melhor os estudantes, criar programas de recuperação de conteúdos - principalmente para os alunos dos primeiros anos -, criar programa de orientação vocacional, trazer algumas práticas profissionais já para o início do curso para não deixar o aluno se desmotivar com a carreira. Para o governo, a criação de bolsas de estudo e ampliação dos programas de financiamento ao estudante, como o FIES e o PROUNI, também seria válido. Já para as entidades profissionais, como Confea e Creas, cabe flexibilizar as atribuições profissionais, incentivando a aglutinação de especialidades para formar o engenheiro com uma visão mais geral e com formação pessoal mais ampla. Isso inclui competências não específicas da engenharia, como planejamento, liderança, trabalho em equipe e línguas.
Quando esses estudantes concluírem os cursos e chegarem ao mercado de trabalho, haverá emprego para todos, haja vista que o país não vem crescendo nas taxas que deveria?
Confio na empregabilidade do grande número de engenheiros que eventualmente venha a se formar nos próximos anos. Por dois motivos:
1) Há uma forte carência de engenheiros atualmente no Brasil (estima-se em cerca de 150 mil) e estudos sugerem que se o Brasil mantiver uma taxa de crescimento entre 3 e 5% serão necessários mais de 60 mil formados por ano para suprir as novas demandas. Em 2011, formaram-se 44 mil engenheiros.
2) A formação dos engenheiros em matemática, modelagem e métodos científicos de abordagem de problemas, prepara-os para várias funções no mercado que não de engenharia propriamente dita. Se houver, eventualmente, uma redução na demanda específica de engenheiros muitas outras ocupações poderão estar disponíveis: funções de gerenciamento, bancos, mercado financeiro, etc. Atualmente, somente 1/3 dos engenheiros formados atua na área. Este número não é diferente nos Estados Unidos.
Poderia haver um volume ainda maior de engenheiros no país se o ensino de matemática e física nos ensinos fundamental e médio fosse desmistificado?
Certamente, um dos problemas da educação brasileira que prejudica muito a formação de profissionais nas áreas de ciências exatas é a má formação em matemática e ciências no nosso ensino básico. As colocações brasileiras nos exames internacionais do ensino básico, realizados pela OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), através do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), estão entre as 10 piores entre os países participantes.
Das engenharias, a engenharia civil é a que tem a maior demanda. O status do curso tem influência nisso ou é por que a construção civil realmente sinaliza que tem espaço para absorver novos profissionais?
A engenharia civil é o símbolo das engenharias e um termômetro de seu prestigio e da sua demanda. As previsões feitas pelo Ipea ( Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) colocam a construção civil como uma das três maiores demandas na área das engenharias.
Surpreende o volume de estudantes que cursam engenharia da produção, superando mecânica e elétrica. Quais as virtudes desse curso para atrair um bom número de alunos?
Verifica-se também uma demanda alta pela engenharia de produção, que é uma área mais multidisciplinar e atende aos estudantes que procuram uma engenharia menos dura e especializada, com maior ênfase em processos e em gestão. Ela acaba absorvendo estudantes que se dividiriam entre outras áreas da engenharia.
Faltam nas universidades uma gama maior de cursos de engenharia?
A excessiva especialização dos cursos de engenharia é outro problema que o setor enfrenta. Havia no Confea 258 especialidades de engenharia, o que indica uma pulverização perigosa. Mesmo porque, a alta especialização no nível de graduação em uma época de acelerado progresso tecnológico tende a fazer com que o estudante se forme em áreas que já se tornaram obsoletas, ao invés de prepará-los para uma rápida adaptação aos novos conceitos e tecnologias por meio de uma formação mais abrangente e menos focada. É o técnico e o tecnólogo que, pela própria formação vocacional, deveriam ter uma visão mais focada em áreas mais restritas e uma formação que os colocasse imediatamente no mercado de trabalho. Não é papel da graduação universitária a de preparar profissionais para se inserirem imediatamente em uma empresa específica. O que se espera deste profissional é uma visão mais ampla. O engenheiro moderno deve saber o que precisa ser feito, mais do que como fazer, segundo os estudos internacionais apontam.
Num comparativo, as universidades públicas ainda têm os melhores cursos de engenharia ou as instituições privadas já equilibraram essa disputa?
De modo geral, as instituições públicas têm apresentado um melhor resultado nas avaliações de seus estudantes do que as instituições privadas. Isso se dá pela maior seleção dos estudantes. As relações candidatos/vagas são muito maiores nas instituições de ensino superior público, por que têm maior prestígio, mais professores titulados e em dedicação exclusiva e, ainda mais, são gratuitas. A qualidade dos estudantes tem influência direta na qualidade dos formandos. Além disso, a maioria dos cursos de engenharia do setor público são diurnos ou em horário integral, absorvendo alunos recém-saídos do ensino médio, o que não ocorre no setor privado, com cursos noturnos, estudantes que trabalham e estudam e trazem menor bagagem cultural.
Como está o nível dos professores que lecionam engenharia nos cursos espalhados pelo país?
O maior problema do corpo docente que atua nos cursos de engenharia no Brasil é a dificuldade de encontrar professores com formação acadêmica avançada - doutorados, de preferência -, que aliem esta formação a uma experiência relevante no mercado de trabalho, como existe nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. No Brasil, o docente tem boa formação acadêmica, mas pouca experiência profissional ou muita experiência profissional e pouca formação pós-graduada. Isto se deve ao fato de que há uma geração atrás havia pouca pós-graduação instalada no Brasil e a pós-graduação se concentrava nas áreas das ciências básicas. Outro problema é o fato de que as empresas brasileiras não dão o valor devido à formação pós-graduada. Em parte, pela quantidade muito limitada de programas de inovação competitivos internacionalmente, o que faz com que estes profissionais se abriguem nas universidades e não tenham experiência profissional no setor produtivo (para cada 50 doutores trabalhando em nossas universidades há somente 1 nas empresas).
Entrevistado
- Roberto Leal Lobo e Silva Filho, engenheiro e doutor em física, ex-reitor da USP, presidente do Instituto Lobo e diretor do ISITEC (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia)
Currículo
- Roberto Leal Lobo e Silva Filho é graduado em engenharia elétrica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1961), com mestrado em Física pela Purdue University (1967) e doutorado em Física pela Purdue University (1967)
- Atualmente é membro do conselho deliberativo do núcleo de pesquisas sobre ensino superior (USP), sócio-diretor do Lobo & Associados Consultoria e Participação S/C Ltda., professor-visitante do Instituto de Estudos Avançados (USP) e presidente do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia
Contato: www.loboeassociados.com.br / rllobo@loboeassociados.com.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Maquete decide venda de imóvel na planta
Miniaturas das edificações desempenham contundente estratégia de marketing sensorial e têm forte influência no momento da compra
Por: Altair Santos
O novo mercado imobiliário, onde boa parte dos negócios é fechada com os imóveis ainda na planta, ganhou um componente decisivo nas vendas: as maquetes. As miniaturas das edificações passaram a desempenhar contundente estratégia de marketing sensorial, pois o detalhamento de suas construções consegue transmitir a informação exata dos empreendimentos. Esse realismo transfere credibilidade e segurança ao comprador, segundo explica Fábio Fogassa, diretor-geral da Adhemir Fogassa Maquetes. "Ela mostra a realidade antes de existir e ajuda o investidor a se imaginar dentro do local depois de pronto. Enfim, mostra o sonho fisicamente e não apenas por imagens", diz.

Construídas com tecnologia, as maquetes contam com máquinas de corte a laser, integradas a resinas, cores e materiais de acabamento, que permitem que elas cheguem o mais próximo possível da realidade. São elementos que possibilitam, em escala reduzida, reproduzir acessórios com aparência de vidro, mármore, pedra, cimento, azulejo ou madeira, o que ajuda a simular qualquer tipo de ambiente em áreas internas e externas. "Com a tecnologia disponível hoje, uma maquete consegue ser 100% fiel à edificação que será construída", afirma Fogassa, lembrando ainda que a qualificação da mão de obra também tem sido decisiva nesta evolução.
Um maquetista - nome do profissional que fabrica maquetes - leva cerca de cinco anos para aprender todas as técnicas. Atualmente há estudantes de arquitetura e designer investindo nesta qualificação, mas a maioria que atua no país não passou por cursos ou universidades. "São práticos com vocação artística, que aprenderam a profissão fazendo", revela Fábio Fogassa, atribuindo à computação um peso relevante na construção das maquetes produzidas atualmente. "Antes da participação das novas ferramentas, a empresa produzia 25 maquetes em um mês, contando com o trabalho de 140 funcionários. Hoje, com os equipamentos avançados, são 170 maquetistas em ação, produzindo três vezes mais para atender a demanda do mercado, que não para de crescer", observa.

O custo médio de uma maquete depende da demanda de trabalho. Há casos em que pode custar tanto quanto um apartamento, chegando a R$ 3 milhões. Na média, elas têm o valor de R$ 10 mil a R$ 30 mil, dependendo da região do país em que são fabricadas. "Uma maquete custa para o nosso cliente uma porcentagem insignificante do valor dos imóveis que ela vai ajudar a vender", ressalta Fogassa. Um exemplo clássico é a maquete da vila olímpica do Rio de Janeiro, feita para a candidatura da cidade às Olimpíadas de 2016. A miniatura, que custou R$ 230 mil, foi decisiva para que o COI (Comitê Olímpico Internacional) definisse a sede.
Esta e outras maquetes produzidas pela Adhemir Fogassa Maquetes são mantidas como obras de arte pelos clientes. Na maioria das vezes, porém, os materiais são reciclados, permitindo abatimento no custo e produção mais rápida de outras miniaturas. Há fabricantes de maquete que também estão investindo em materiais reciclados, como garrafas pet e embalagens tetra pak, para fabricar seus produtos.

Entrevistado
Fábio Fogassa, diretor-geral da Fogassa Maquetes
Currículo
Fábio Fogassa herdou a técnica de construção de maquetes do pai, Adhemir Fogassa. Atua no setor desde os oito anos de idade e recentemente sucedeu o pai na administração da empresa
Contato: maquetes.com.br/contato
Créditos fotos: Divulgação/Adhemir Fogassa Maquetes
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Lei das domésticas leva mulher à construção civil
PEC recentemente aprovada estimula trabalhadoras a buscarem cursos de qualificação para atuar em canteiros de obras
Por: Altair Santos
Promulgada em 3 de abril de 2013, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que ficou conhecida como "Lei das Domésticas" passou a estimular ainda mais o fluxo de mulheres em direção à construção civil. A mudança na relação entre quem contrata e quem atua no trabalho doméstico deixou direitos em suspenso, causando o deslocamento de trabalhadoras desta categoria profissional para o canteiro de obras. Para isso, elas precisam de qualificação, o que ampliou também a demanda por cursos. Só no Projeto Mão na Massa, um dos mais conhecidos do país em formação de mão de obra feminina para a construção civil, as turmas de 60 vagas têm sido procuradas por até 280 mulheres. "A cada nova turma que abrimos, a procura é intensa", revela a engenheira civil Deise Gravina.

Antes mesmo de a "Lei das Domésticas" passar a vigorar, o interesse das mulheres por qualificação na construção civil já era intenso. Entre os motivos, estão as garantias trabalhistas e os salários atrativos. "O aumento de salário é um deles, assim como o registro em carteira e o reconhecimento de uma profissão. Acompanhamos casos de evidente elevação de autoestima, principalmente entre as ex-domésticas, já que o trabalho doméstico, ainda que equivocadamente, é visto como um trabalho de menor valor", explica Deise Gravina, afirmando que atualmente a qualificação mais procurada no Projeto Mão na Massa, cuja sede fica no Rio de Janeiro, é o de carpinteira de fôrmas. Os cursos da ONG também formam pedreiras, pintoras e eletricistas.
Pioneiro no Brasil em qualificar mulheres para a construção civil, o Projeto Mão na Massa começou em 2008. Hoje, a mão de obra feminina em canteiro de obras já é uma realidade em todo o país. "Percebemos que nestes cinco anos conseguimos quebrar o paradigma de que obra não é lugar para mulheres. E isso não tem mais volta. Elas entraram no canteiro e, bem qualificadas, irão permanecer", analisa Deise Gravina, citando que alguns empregadores já preferem a mão de obra feminina à masculina. "Na carpintaria, na gestão de segurança de obras, assim como na fase de acabamento, as mulheres já são mais competitivas do que os homens", completa a engenheira civil.
O número de mulheres que atua na construção civil aumentou 65% em cinco anos, segundo dados do ministério do Trabalho e Emprego. Estima-se que atualmente elas ocupem cerca de 400 mil vagas formais. Isso equivale a 11,59% do total de mão de obra empregada no setor. Segundo dados publicados em abril de 2013 pela pesquisa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), há 3,450 milhões de trabalhadores atuando na construção civil.
Entrevistada
Deise Gravina, coordenadora do Projeto Mão na Massa
Currículo
Deise Gravina, 56 anos, é graduada em engenheira civil e idealizadora do projeto Mão na Massa
Contato: contato@projetomaonamassa.org.br / coordenacao@projetomaonamassa.org.br
Créditos foto: Ana Branco/Mão na Massa
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Alvenaria estrutural: saiba como evitar patologias
Mão de obra qualificada, blocos em conformidade com as normas e projeto bem especificado são fundamentais para o sucesso deste tipo de obra
Por: Altair Santos
Na história da construção civil brasileira há relatos de que na década de 1960 surgiram os primeiros prédios em alvenaria estrutural. A tecnologia intensificou-se nos anos 1970, recrudesceu, mas a partir de 2009, quando foi lançado o Minha Casa, Minha Vida, praticamente transformou-se no sistema construtivo oficial do programa. Hoje, a alvenaria estrutural que utiliza blocos de concreto é a que predomina nas obras do MCMV. A intensidade de uso do sistema levou a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) a se debruçar, entre 2010 e 2011, na revisão das normas de blocos cerâmicos e blocos de concreto, assim como dos métodos de construção. As medidas focaram no combate às patologias.

Segundo as diretoras do CDTEC (Centro de Desenvolvimento Tecnológico S/A) Tayana Bianco Garcez Castellano Cunico e Lidia Krefer, as patologias que mais afetam a alvenaria estrutural são as fissuras, decorrentes dos seguintes problemas: variação de temperatura, principalmente nos pavimentos mais altos; cargas atuantes que excedam a capacidade resistente da estrutura solicitada; recalques nas fundações e o assentamento inadequado das aberturas, como portas e janelas. "Para que uma obra não venha a sofrer com patologias é sempre importante respeitar o sistema construtivo, ou seja, cada etapa deve ser realizada atendendo as particularidades de cada item", ressalta Lidia Krefer.
A afirmação da tecnóloga é corroborada pelo gerente de desenvolvimento de produtos da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) Cláudio Oliveira Silva. "No último pavimento é preciso um cuidado especial com a movimentação da laje, caso contrário surgirão fissuras entre a laje e o respaldo da parede", frisa. Ele alerta ainda que a alvenaria estrutural é o sistema construtivo que mais requer cumprimento das normas. "Os projetistas têm um guia normativo para ser cumprido. A partir do momento que o projeto segue as normas, o risco de patologias é muito pequeno", diz.
As especialistas destacam ainda que na concepção dos projetos arquitetônicos em alvenaria estrutural deve-se estar atento a critérios como modulações, tipos de blocos, argamassa e graute. "A mão de obra também deve ser treinada para entender as particularidades do sistema construtivo, bem como ter ferramentas adequadas. A fiscalização eficiente das etapas executadas é outro fator decisivo no sucesso desta tecnologia", diz Tayana Bianco, sem esquecer que a manutenção também é componente relevante para a alvenaria estrutural. "A conservação preventiva está prevista em norma, assim como são vetadas alterações arquitetônicas sem autorização do projetista da obra", complementa.
Blocos de concreto

É preciso observar ainda a conformidade dos blocos de concreto. A não obediência das características físicas em relação à análise dimensional, como largura, altura e comprimento, pode acarretar falhas na modulação, tanto horizontal quanto vertical, assim como na precisão geométrica do conjunto - fundamental para a segurança das paredes que serão elevadas. Já quanto à absorção dos blocos, se a porcentagem recomendada for superior ao especificado as paredes ficam porosas e podem rapidamente absorver umidade e causar infiltrações, manchas e bolor no revestimento interno. "Se essas especificações forem insatisfatórias, tendem a prejudicar a integridade e a segurança de toda a estrutura", destaca Tayana Bianco.
Neste item, mais uma vez Cláudio Oliveira Silva confirma o que diz a engenheira. "Como estamos falando de um sistema que vai receber o carregamento da estrutura, construir com um bloco que não atenda a resistência mecânica especificada no projeto traz um risco muito grande para essa estrutura. Então, eu diria que usar blocos em conformidade, aliada a uma mão de obra bem treinada, assim como o cumprimento das normas, permite que uma edificação em alvenaria estrutural gere uma economia de até 30% em relação à alvenaria convencional, em se tratando de um edifício de até quatro pavimentos", compara.

Outro elemento importante para o sucesso da alvenaria estrutural é a argamassa de assentamento. Ela possui as funções básicas de solidarizar os blocos de concreto, transmitir e uniformizar as tensões entre as unidades de alvenaria, absorver as deformações naturais a que a alvenaria estiver sujeita e selar as juntas contra a penetração da água da chuva. "Por isso, devem ser aplicadas as espessuras de juntas horizontais e verticais dentro dos limites das superfícies estabelecidas e tolerâncias de norma, pois é através deste material que podem ser detectados os primeiros sinais de falhas de todo o conjunto da estrutura", lembra Lidia Krefer, citando as normas que regulamentam a alvenaria estrutural:
- ABNT NBR 15961- Alvenaria Estrutural – Blocos de concreto - Parte 1: Projeto.
- ABNT NBR 15961- Alvenaria Estrutural – Blocos de concreto - Parte 2: Execução e controle de obras.
- ABNT NBR 6136 – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria - Requisitos.
- ABNT NBR 12118 – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Métodos de ensaio.
- ABNT NBR 15812 - Alvenaria Estrutural – Blocos Cerâmicos - Parte 1: Projeto.
- ABNT NBR 15812 - Alvenaria Estrutural – Blocos Cerâmicos - Parte 2: Execução e Controle de obras.
- ABNT NBR 5738 e 5739 - Moldagem e ensaio de resistência à compressão do graute.
Entrevistados
Tayana Bianco Garcez Castellano Cunico e Lidia Krefer, diretoras do CDTEC (Centro de Desenvolvimento Tecnológico S/A), e Cláudio Oliveira Silva, gerente de desenvolvimento de produtos da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Currículos
- Tayana Bianco Garcez Castellano Cunico é graduada em engenharia civil pela UTP (Universidade Tuiuti do Paraná) com pós-graduação em gestão da qualidade pela FAE (Faculdade de Administração e Economia)
- Atua como Diretora Técnica do CDTEC desde 2002
- Lidia Krefer é graduada em tecnologia da construção civil pela UTFPR, e especialista em concreto pelo IDD
- Atua como gerente técnica do CDTEC desde 2006
- Localizado em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, o CDTEC atua no controle tecnológico do concreto e da alvenaria estrutural, prestando assessoria quanto aos ensaios necessários dentro das recomendações das normas que englobam todo sistema, bem como os especificados no projeto estrutural
- Cláudio Oliveira Silva é graduado em engenharia civil pela Universidade de Guarulhos (1993) com mestrado em materiais de construção e administração industrial pela USP (Universidade de São Paulo), além de marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing)
Contatos: www.cdtecsa.com.br / cdtecsa@cdtecsa.com.br / claudio.silva@abcp.org.br
Créditos fotos: Chico Rivers / ABCP / Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Em vigência plena, NR 35 amplia segurança
Por: Altair Santos
Desde 27 de março de 2013, as empresas ligadas à construção civil estão obrigadas a treinar os trabalhadores que tiverem de cumprir tarefas nas alturas (acima de dois metros) assim como as equipes de emergência e salvamento. Com essa exigência, a NR 35 passa a vigorar plenamente. Publicada em março de 2012, a norma regulamentadora foi instituída através da portaria 313 do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e deu prazo de 12 meses para que o setor se adaptasse integralmente. Parte da NR 35 já vigora desde setembro do ano passado e agora passou a ser exigido o termo final, que é o capítulo 3 do item 6.4, e que trata da qualificação e da capacitação.

Segundo o vice-presidente de relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP, Haruo Ishikawa, a medida não atinge apenas as construtoras, mas toda a cadeia produtiva. "A construção civil já tem uma norma de trabalho em andaimes, que é a NR 18.15. Com a NR 35, aprimora-se a anterior, pois ela passa a exigir planejamento na execução e capacitação da mão de obra, garantindo mais segurança na atividade trabalho em altura e abrangendo toda a cadeia produtiva", explica, complementando que a nova norma regulamentadora instrui que o trabalhador que vá atuar em alturas superiores a dois metros receba, no mínimo, um treinamento de oito horas.
No entender de Haruo Ishikawa, nas capitais brasileiras, boa parte das construtoras já aderiu à NR 35 antes mesmo de ela passar a vigorar integralmente. Em São Paulo, e nos estados da região sul, o SindusCon tem sido atuante, dando cursos de qualificação, principalmente para as empresas com número inferior a 50 funcionários. A expectativa, no entanto, é que a adesão no interior do país, e em regiões como centro-oeste, norte e nordeste, seja gradual. "É natural isso, pois será preciso ter equipes suficientes para dar o curso de capacitação", afirma. A obrigação de fiscalizar o cumprimento da NR 35 será do Ministério do Trabalho e Emprego, através de seus auditores, que estão espalhados em todo o território nacional.
A expectativa é que a NR 35 não influencie no custo da obra, até porque o número de trabalhadores a serem capacitados refere-se apenas àqueles que vão trabalhar em altura. Outro detalhe lembrado pelo vice-presidente de relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP é que a NR 18.15 já preparou boa parte das construtoras para a nova norma regulamentadora. "Como houve investimento forte para a NR 18.15, vários requisitos já foram atendidos. O que a NR 35 faz é melhorar alguns itens que não estavam claros. Por isso, ela não tende a onerar custos", avalia, concluindo que o importante é que o Brasil dá mais um passo para atingir padrões internacionais de segurança em canteiro de obras.
Entrevistado
Haruo Ishikawa, vice-presidente de relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP
Currículo
- Haruo Ishikawa é graduado em engenharia civil e ocupa o cargo de vice-presidente de relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP
- É também conselheiro do Instituto Falcão Bauer de Qualidade e da Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes (ABPA)
- Integra o efetivo da Comissão Permanente de Relação trabalhista da CBIC e é membro do Comitê Permanente Nacional da NR 18 (CPN NR18), onde foi coordenador entre 2010 e 2012
- Também é membro efetivo do Comitê Permanente Regional da NR 18 de São Paulo e sócio-presidente da construtora H. Ishikawa Engenharia e Construções Ltda.
Contato: haruo@ishikawaengenharia.com.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Universidades corporativas priorizam engenheiros
Grandes Companhias nacionais, como Embraer, Petrobras e Vale, investem em formação complementar para acelerar processos produtivos
Por: Altair Santos
Embraer, Petrobras e Vale são algumas das grandes Companhias nacionais que decidiram resolver o problema da formação inconsistente de engenheiros, investindo em universidades corporativas. O objetivo é fazer com que os profissionais contratados, e que vêm de formações heterogêneas, entendam o espírito da engenharia que é praticada nas empresas. Segundo o headhunter Leandro Muniz, da consultoria Michael Page, o que as corporações têm feito é salutar tanto para elas quanto para os profissionais. "Com as universidades corporativas, elas conseguem uma formação bastante específica no seu nicho de mercado, sanando suas necessidades específicas. Trata-se de um modelo interessante, pois os profissionais ficam prontos mais rapidamente", avalia.

Ainda segundo o especialista, o ideal no Brasil é que fosse perseguido um sistema similar ao que se pratica no Canadá. "Lá os cursos de engenheira, independentemente da especialização, são divididos em trimestres. A partir do quarto trimestre, o aluno, obrigatoriamente, passa a intercalar um período de estágio e um período de disciplinas na universidade. A própria universidade mantém convênios com grandes empresas e oferece as vagas de estágio. São todas remuneradas, justamente para que os alunos (mesmo aqueles que possuem renda baixa) tenham a possibilidade de cumprir os estágios. Com isso, o aluno sai da faculdade com uma visão ampla do mercado e um bom direcionamento do que quer fazer no futuro", explica.
Por enquanto, no Brasil, o exemplo melhor acabado deste tipo de parceria universidade-empresa é o que existe entre ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e Embraer, onde a universidade forma engenheiros para a empresa. Na USP (Universidade de São Paulo) recentemente passou-se também a valorizar este modelo. "Temos feito muito investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) inovação e empreendedorismo, justamente para atender a demanda das empresas que nos procuram", diz José Roberto Castilho Piqueira, vice-diretor da Escola Politécnica da USP.
Especificamente sobre a engenharia civil, tem-se investido na formação humanista dos profissionais. "O relacionamento com vários stakeholders está ficando cada vez mais complexo na construção civil. Então, o engenheiro precisa interpretar demandas que vão desde os sentimentos dos clientes até questões de sustentabilidade ambiental", completa Leandro Muniz.

Piqueira lembra, no entanto, que as escolas de engenharia não podem também perder o foco, que são as ciências exatas, somente em função das novas demandas do mercado. "A base do direito é a linguagem; da medicina, a biologia, e da engenharia, é a matemática. Ninguém concebe um advogado que se expressa mal no idioma pátrio e isso equivale ao engenheiro que não sabe matemática e física. Então, as universidades corporativas são importantes para isso. São elas que vão fazer a abordagem transdisciplinar, complementando a formação do engenheiro", afirma. "É importante saber que não é a universidade corporativa que vai formar o engenheiro. Essa realização ele vai obter na universidade. A universidade corporativa apenas irá lapidá-lo para as necessidades da empresa", complementa o headhunter Leandro Muniz.
Entre as universidades corporativas do país, a da Embraer já formou 1.200 engenheiros de 2001 até 2012. O curso conta hoje com uma demanda de 50 candidatos por vaga e é feito em parceria com o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). São três fases: 1) Fundamental, de cinco meses; 2) Especialização, de quatro meses, e 3) Projeto. A mesma metodologia é aplicada na Universidade Petrobras. Na estatal de petróleo há cursos com duração de 3 a 13 meses e, além das engenharias, engloba outras 16 profissões de nível superior. Em qualquer uma das empresas, a universidade corporativa é acessível apenas para os funcionários.

Outros modelos
Além das universidades corporativas, outros modelos de relação empresas-escola prevalecem no país. Um deles é o convênio, do qual a Cia. de Cimento Itambé é adepta. Por meio de acordos com universidades, a empresa participa ativamente do aprimoramento da construção civil. A meta é apoiar a formação de novos engenheiros. Desde 2007, a Companhia possui um convênio com o Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR). São realizadas palestras, aulas de laboratório, visitas à fábrica, à mineração e às centrais de concreto. Em 2010, a Itambé fechou um convênio nos mesmos moldes com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Em 2012, as atividades promovidas pela parceria beneficiaram 198 alunos das duas instituições. A empresa também apoia programas de Mestrado e Iniciação Científica.
Entrevistados
Leandro Muniz, headhunter e integrante da equipe de consultoria da Michael Page
José Roberto Castilho Piqueira, vice-diretor da Escola Politécnica da USP
Currículos
- Leandro Muniz é graduado em engenharia civil, com MBA em finanças pela Ibmec Business School
- Trabalhou como consultor financeiro e coordenador de projetos na Votorantim Industrial e Votorantim Cimentos por quase 10 anos
- Atua na Michael Page, como headhunter, desde 2010
- José Roberto Castilho Piqueira é graduado em engenharia elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP) em 1974
- Obteve os títulos de mestre em engenharia elétrica também pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP) em 1983. Em 1987, obteve o título de Doutor em Engenharia Elétrica pela Poli e, em 1995, o de livre docente em controle e automação, também pela Poli
- No setor industrial, trabalhou em vários projetos ligados à comunicação de
dados para várias empresas e órgãos governamentais, assessorando também
entidades de fomento à pesquisa. No âmbito da USP, Piqueira participa da
Comissão Permanente de Avaliação e já foi membro do Conselho Universitário
e da Comissão Especial de Regimes de Trabalho
- É presidente da Sociedade Brasileira de Automática e, atualmente, concilia as atividades da vice-diretoria da Poli USP com as de professor titular e coordenador do Laboratório de Sincronismo, iniciado por ele em 2002
- Participa ainda do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Complexos (CNPq)
Contatos: www.michaelpage.com.br / engineering@michaelpage.com.br
jose.piqueira@poli.usp.br / diretoria@poli.usp.br
jlvi_leandromuniz@yahoo.com.br
Créditos fotos: Divulgação