Boas obras públicas começam pela licitação
Construtoras que se relacionam com a administração pública precisam ter amparo técnico para evitar pressões de organismos fiscalizadores
Por: Altair Santos
Não são raras as obras contratadas pelo poder público que acabam sofrendo atraso de cronograma ou, em casos extremos, ficam paralisadas e entram em colapso. Na maioria das vezes, não se trata de falta de recursos, mas de licitações mal feitas, resultando em contratos que depois precisam ser revistos ou que terminam em processos judiciais. Para evitar problemas, os projetos hoje necessitam atender a uma série de requisitos técnicos e legais, com orçamentos e serviços que reflitam os preços de mercado. Tudo isso tem que estar embutido nos editais e ser bem interpretado pelas construtoras, através de equipes técnicas preparadas. É o que ensina o professor Luciano Elias Reis na entrevista a seguir. Confira:

Boas obras começam pela licitação?
Não existe a menor dúvida de que sem uma boa licitação não existe boa obra pública. A licitação não é somente a fase externa, ou seja, quando o edital é publicado. A licitação divide-se em fase interna e fase externa. A fase interna da licitação, a qual é imprescindível para a confecção do edital e de seus anexos, dentre eles o projeto básico e executivo, é simplesmente esquecida e muitas vezes suprida ou amadurecida precocemente por suposta “pressa ao interesse público” ou também conhecida como “as licitações para ontem”.
O que uma construtora que entra numa licitação precisa atender?
A construtora precisa atender todos os documentos de habilitação, manter a documentação de habilitação durante toda a execução do contrato e ter uma boa equipe técnica para relacionar-se e comunicar-se com a administração pública. Quando se fala em relacionamento e comunicação das empreiteiras com a administração pública, infelizmente a falta deste preparo e qualificação é fator de elevado risco para prejuízos materiais. Por exemplo, a ausência da formalização de um pedido de reequilíbrio ou de entrega de uma fatura pode, e provavelmente vai, gerar um erro no termo inicial de infração contratual, ausência de materialização e provas. Percebe-se que as empreiteiras que estão bem assessoradas ganham muito mais dinheiro a médio e longo prazo. Este é o caminho. Não pode o engenheiro ou dono da empresa achar que leu a lei n.º 8.666 (lei de licitações) e saber de todos os seus pormenores. A lei precisa ser interpretada pelo poder judiciário e pelos cortes de contas. É necessário pensar numa ótima equipe para alcançar ótimos resultados, pois do contrário, às vezes a empresa estará ganhando cem e deixando de faturar cem mil.
Há uma espécie de dez mandamentos para se entrar em uma licitação?
Quanto aos mandamentos para participar de licitação, depende do público-alvo para falar dos dez mandamentos. Em síntese, pode-se dizer que o primeiro mandamento para entrar em licitação é saber como é uma licitação e quais são as características e peculiaridades de um contrato administrativo. Muitos se aventuram em licitações e depois se decepcionam. Para entrar no ramo de licitação, como dito anteriormente, é imperioso que haja qualificação, preparação e treinamento, por que do contrário não haverá resultados positivos e talvez o ramo de licitações se transforme num grande problema a médio e longo prazo.
Um bom projeto e uma licitação transparente permitem que uma obra tenha quanto em economia de tempo e de dinheiro?
Para acontecer economia de tempo e de dinheiro, não basta um excelente projeto e a boa condução do processo licitatório. É preciso que haja uma fiscalização árdua sobre o contrato administrativo. Várias empreiteiras já estão sentindo o impacto da melhor qualificação dos fiscais de contratos administrativos no dia a dia das obras públicas. Esta qualificação decorre da pressão que os tribunais de contas estão realizando sobre a administração pública, inclusive com a penalização de agentes públicos, para fiscalizar corretamente os contratos e penalizar as empresas que infringirem a lei e o contrato.

Hoje, com a quantidade de organismos fiscalizadores existentes, por que ainda ocorrem processos licitatórios defeituosos?
Grande parte dos vícios nas licitações e nos contratos administrativos decorre da falta de capacitação e treinamento dos agentes públicos. Muitas vezes, a administração pública não dá condições adequadas para o agente público desenvolver a sua função. Da mesma forma, existem várias mudanças de interpretação, legislação e critérios, os quais clamam pela constante atualização dos servidores públicos. Infelizmente, nem sempre existe programa de capacitação e treinamento adequado aos agentes públicos, o que por si só contribui e auxilia nas licitações defeituosas, fiscalizações inadequadas, obras paradas etc.
Os chamados aditivos da obra, que ocorrem após uma empresa ganhar uma licitação, podem ser considerados vícios de uma má licitação?
Não necessariamente. Tem aditivo que é necessário em razão de mudanças ocorridas após a licitação, os quais decorrem de fatos supervenientes à licitação. Porém, existem várias alterações de contratos que decorrem de falha na fase interna da licitação, mais precisamente quando da elaboração do projeto. Ou seja, usam os aditivos para consertar erros e muitas vezes simplesmente deturpam ou transfiguram o projeto inicial. Em outras palavras, alteram substancialmente o projeto inicialmente proposto. Tudo isso deve ser evitado pela correta fase interna da licitação e com pessoas qualificadas e capacitadas.
Ao ganhar uma licitação, que cuidados uma construtora deve tomar para evitar que a licitação se torne um fardo?
A construtora precisa ter a devida assessoria para saber no que está entrando, como deve entrar e se portar no mercado das licitações e contratos administrativos para evitar processos judiciais. Processos judiciais, dependendo do caso, podem significar grave risco à saúde financeira de uma empresa que trabalha com licitações, haja visto o grande tempo para a finalização deste processo.
As construtoras têm procurado se especializar nos trâmites de uma licitação? Normalmente, dentro da empresa, quem cuida disso?
Como disse, a equipe de licitação de uma construtora tem que ser multidisciplinar e ter, no mínimo, um técnico de licitação, um analista de licitação, um advogado, um engenheiro e um orçamentista. Esta é uma equipe enxuta para que cada um faça o seu papel muito bem feito.
Quem atua em licitações tem se atualizado sobre as alterações promovidas pela IN (Instrução Normativa) 01/10, pertinentes às exigências de sustentabilidade? Quais são as principais mudanças?
Infelizmente, na parte do setor privado é muito falha a atualização sobre a Instrução Normativa n.º 01/2010, e de outras medidas que têm sido adotadas e inseridas nos editais de licitação. A falha na atualização será sentida no faturamento. Não há dúvidas disso. Preparação, treinamento e boa qualificação são ingredientes de sucesso em qualquer empreitada.
Entrevistado
Luciano Elias Reis, presidente da comissão de gestão pública e controle da administração da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná
Currículo
- Luciano Elias Reis é graduado em direito, sócio do escritório Reis, Correa e Lippmann Advogados Associados
- Tem mestrado em direito econômico pela PUC-PR e especialidade em processo civil e em direito administrativo, ambos pelo Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar. Preside a comissão de gestão pública e controle da administração da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná
- É professor de direito administrativo da UniCuritiba, professor convidado da pós-graduação em licitações e contratos administrativos da Unibrasil, professor da Escola Superior da Advocacia da OAB-PR, professor do MBA em administração pública e gerência de cidades da FATEC Internacional
- É autor de diversos artigos jurídicos e coautor da obra “Estado, Direito e Sociedade” (Editora Iglu).
Contato: luciano@rcl.adv.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Burocracia torna PCHs menos competitivas
No Brasil, há 654 projetos na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que ainda não foram viabilizados. Alguns há mais de 10 anos
Por: Altair Santos
O foco do governo federal em usinas eólicas, combinado com investimentos em termoelétricas, deixou desassistido o setor das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Atualmente, na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) há 654 projetos de PCHs nas prateleiras. Eles estão na condição de "aceito", ou seja, foram entregues na agência, mas ainda não receberam autorização para se viabilizarem. Outros 117 estão em fase de elaboração e ainda não foram protocolados na Aneel. Da mesma forma, a Aneel tem 438 planos de PCHs disponíveis, mas não houve interessados em desenvolver os projetos.

Esses dados fazem parte do mais recente relatório da agência, divulgado em fevereiro de 2013. Se todos os projetos ainda em fase de "aceito" já tivessem sido viabilizados, a capacidade instalada proveniente das PCHs seria bem maior que o dobro dos atuais 4.274 MW (megawatts) o que representa 3,49% do total da matriz elétrica brasileira. Atualmente, o país tem 437 empreendimentos em operação. Boa parte está localizada nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Goiás e Paraná. A média é de aproximadamente 10 MW por empreendimento de PCH, segundo dados da Abragel (Associação Brasileira de Energia Limpa).
No ano passado, foram dadas apenas 41 outorgas para a construção deste tipo de usina. Hoje, as regiões sul e sudeste são as que mais reclamam concessões para novas PCHs - boa parte ligadas a investimentos privados. Por isso, recentemente, a Abragel apresentou projeto para a instalação de 5 mil MW em 10 anos, mas a Aneel reluta. "O principal argumento da agência é de que ela somente analisa projetos básicos que tenham licenciamento ambiental. Não penso que seria correto dizer que isto é uma falha da agência, mas o fato é que o ciclo de desenvolvimento de uma PCH, desde a identificação do potencial até a outorga e construção da usina, é muito longo. Tem demorado mais de dez anos. Isto é um dos fatores que ajudam a tornar as PCHs menos competitivas", reclama o presidente-executivo da Abragel, Charles Lenzi.
No entender da associação, o grande desafio do segmento é convencer o governo federal a tornar a construção de PCHs mais competitiva. "Pela falta de isonomia fiscal, nossos custos de construção por megawatt instalado são maiores. Outro desafio está relacionado com a grande complexidade e a demora do ciclo de desenvolvimento dos projetos. São muitos anos entre a identificação e a transformação de potencial em um empreendimento comercial. A tramitação de estudos e projetos na agência reguladora e o processo de licenciamento ambiental são fatores que têm desestimulado os empreendedores", analisa Lenzi.

As PCHs se caracterizam por empreendimentos com capacidade instalada entre 1 MW e 30 MW. Normalmente, são fontes de energia limpa e renovável localizadas perto de centros urbanos e têm vida útil de mais de 80 anos. No processo de obra, aproximadamente 50% do investimento necessário é direcionado para a construção civil. Dependendo das características do projeto, elas podem levar de 18 meses a 30 meses para entrar em operação. "A Abragel tem trabalhado para mostrar que as PCHs contribuem para a redução do custo global da energia no país, uma vez que não sobrecarregam nossos sistemas de transmissão e ajudam a gerar energia em horário de ponta. Por isso, merecem retomar sua importância no cenário da geração de energia elétrica no país", alerta o presidente-executivo da associação.
Entrevistado
Charles Lenzi, presidente- executivo da Abragel (Associação Brasileira de Energia Limpa)
Currículo
- Charles Lenzi é graduado em engenharia elétrica pela PUC-RS (1981). Cursou pós-graduação em finanças, gestão estratégica e liderança
- No setor elétrico, atuou por 10 anos no Grupo AES, ocupando funções de liderança em empresas do grupo na Índia, Venezuela e Brasil. Foi diretor-superintendente do Grupo Stefani, na área de logística e transporte
- Desde julho de 2010 é o presidente-executivo da Abragel
Contato: abragel@abragel.org.br
Créditos fotos: Divulgação/Abragel
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Concreto sustenta modal inovador em São Paulo
Obra do monotrilho tem fábrica própria de vigas pré-moldadas e produzirá duas mil peças até a conclusão, prevista para 2016
Por: Altair Santos
Até o final de 2013, os primeiros 2,9 quilômetros do monotrilho de São Paulo entrarão em funcionamento. O modal é a nova aposta da maior cidade do país para o transporte público. Sobre pilares de concreto pré-moldado de até 15 metros de altura cada um, trens irão se locomover para interligar o extremo leste paulistano (Cidade Tiradentes) à estação do metrô da Vila Prudente. Estima-se que a obra estará 100% concluída em 2016. O consórcio que viabiliza a construção é integrado pelos grupos Queiroz Galvão, OAS e Bombardier. Tanto os veículos quanto a tecnologia construtiva são novidades no país e podem indicar uma nova alternativa para o transporte de massa nas grandes cidades.

A escolha do modal foi orientada por aspectos como menor prazo de construção e rapidez para a entrada em operação do empreendimento, além de seu custo - orçado em R$ 2,4 bilhões. Enquanto a obra de uma linha de metrô de 26,5 quilômetros levaria até quinze anos para ser concluída, o monotrilho será entregue à população em menos de cinco. Em um ano, é possível construir cinco quilômetros de monotrilho, o que é aproximadamente metade do tempo de construção de um metrô subterrâneo. Isso é possível, graças ao menor número de desapropriações, que consomem tempo e recursos, e também em razão da inexistência de escavações exigidas na construção de um metrôconvencional.
O método construtivo empregará peças pré-moldadas, o que reduz o impacto da obra em vias públicas durante a execução. Serão duas mil vigas, medindo entre 1,2 e 1,5 metros de altura e 30 metros de cumprimento. Cada uma consumirá, em média, 42 m³ de concreto. Esse complexo sustentará lajes com 30 metros de cumprimento e 70 toneladas de peso. Para garantir a precisão das peças, o consórcio responsável pela obra construiu uma fábrica de pré-moldados somente para atender o empreendimento. Vigas e lajes precisam se encaixar milimetricamente e atender peculiaridades do projeto, como peças curvas e com superelevação variável. Para atender a demanda, todos os artefatos utilizam concreto com 50 MPa e são submetidos a cura elétrica (térmica).

O monotrilho terá capacidade para transportar até 500 mil passageiros por dia. O sistema será composto por 54 trens elétricos, que atingirão velocidade máxima de até 80 km/h. Eles irão atender 17 estações. Cada composição terá sete vagões e poderá transportar até mil passageiros. O modal já é utilizado com sucesso em importantes centros urbanos da Ásia, Europa e América do Norte. Se for bem sucedido em São Paulo, deve desencadear obras semelhantes em outras cidades do país. Rio de Janeiro e Manaus têm projetos e Porto Alegre estuda expandir o sistema, batizado de "aeromóvel".
Veja vídeo sobre a obra:
http://youtu.be/hCowsAigoj4
Entrevistado
Consórcio Expresso Monotrilho (via assessoria de imprensa)
Contato: http://www.expressomonotrilholeste.com.br/index.php
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Estaca pré-fabricada de concreto terá norma própria
Projeto, que em breve entrará em consulta pública, levou dois anos para ser elaborado pelo comitê de estacas pré-fabricadas de concreto da Abcic
Por: Altair Santos
Depois de dois anos de debates dentro de um dos comitês da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic) a primeira norma que vai tratar exclusivamente de estacas pré-fabricadas de concreto está pronta para ir a consulta pública. O CB-18 - Cimento, Concreto e Agregados, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) está em fase de definição do número da norma e a expectativa é que a partir de julho de 2013 a nova NBR entre em discussão nacional.

Segundo o engenheiro civil Luís Fernando de Seixas Neves, secretário da comissão técnica da ABNT que trabalhou no conteúdo da nova norma, os objetivos são promover a qualidade das estacas pré-fabricadas de concreto, no que diz respeito à matéria-prima, aos parâmetros, ao controle de qualidade, ao manuseio de estocagem, ao transporte e à qualidade do material de suporte. O projeto tem como referência as NBRs 6118 (Projeto de estruturas de concreto – Procedimento) 9062 (Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado) e 6122 (Projeto e execução de fundações) que até que a nova norma entre em vigor seguem regulamentando o produto.
O anúncio de que as estacas pré-fabricadas de concreto terão uma norma exclusiva ocorreu no dia 6 de junho de 2013, durante o painel da Abcic, dentro do Construction Congresso - evento simultâneo ao Construction Expo, que aconteceu recentemente em São Paulo. No evento, houve o seminário "Desempenho e Confiabilidade das Estacas Pré-fabricadas de Concreto como Solução de Fundações Profundas". O encontro destacou importantes aspectos para um bom desempenho dos produtos como solução de engenharia, englobando desde pontos relativos à fabricação dos elementos até sua efetiva aplicação nos canteiros de obras, passando também pelo controle de qualidade e normalização de todo o processo.
Industrial e artesanal
Os palestrantes foram os engenheiros Celso Nogueira Correia, especialista em solos e atualmente presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos – núcleo regional São Paulo; Ivan de Oliveira Joppert Júnior, especialista em fundações e mecânica de solos, e Luís Fernando de Seixas Neves, que trabalha com cálculo, projeto e consultoria em geotecnia e fundações. "No Brasil, as estacas confeccionadas industrialmente já alcançam padrões internacionais. O problema está nas estacas fabricadas artesanalmente, onde o controle de qualidade é baixo. Por isso, a necessidade de uma norma própria para o produto", explica Seixas Neves.
As estacas pré-fabricadas de concreto são utilizadas frequentemente em obras onde há solo mole e o terreno resistente encontra-se há vários metros de profundidade. Neste caso, os elementos suportam as cargas da estrutura e as transferem, de forma equilibrada, para as camadas mais profundas e consistentes do solo. Elas são especificadas de acordo com a resistência e o formato, observando aspectos como carga de suporte, seção transversal, área de ponta ou perímetro das estacas. Em relação à seção transversal, as formas geométricas mais empregadas são circulares, quadradas, hexagonais e octogonais, podendo ter área de ponta vazada ou maciça.
As estacas também se diferenciam pelo processo de produção, podendo ser vibradas, centrifugadas, extrudadas, e pela armação protendida ou passiva. De acordo com a NBR 6122 (Projeto e execução de fundações), as dimensões do produto podem ir de 15 cm a 70 cm. Já o comprimento máximo deve ser de 12 metros. Se for preciso utilizar estacas mais longas, a norma recomenda emendar as peças com solda. Quanto ao concreto utilizado para a fabricação das estacas, Luís Fernando de Seixas Neves explica que deve ser um material de alta resistência inicial, que possibilite a desforma rápida e cujo módulo de elasticidade seja controlado para que haja um índice de quebra considerado satisfatório em obra.
Entrevistado
Luís Fernando de Seixas Neves, secretário da comissão técnica da ABNT que trabalhou no conteúdo da nova norma sobre estacas pré-fabricadas de concreto.
Currículo
- Luís Fernando de Seixas Neves é engenheiro civil graduado pela USP de São Carlos (2000) com mestrado na área de geotecnia e fundações.
- Tem experiência em execução de fundações em estacas pré-fabricadas e gerenciamento de fábrica de estacas pré-fabricadas de concreto.
- Atualmente é engenheiro civil e de fundações da Cepollina Eng. Cons. Ltda. Trabalha com cálculo, projeto e consultoria em geotecnia e fundações.
- Também é secretário da comissão técnica da ABNT que trabalhou no conteúdo da nova norma sobre estacas pré-fabricadas de concreto.
Contato: lfneves@cepollina.com.br
Créditos foto: Divulgação/Construction Expo 2013
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Globalização requer novas competências do engenheiro
Entrada de portugueses, espanhóis e chineses no mercado nacional exige que profissionais brasileiros priorizem a gestão de carreira
Por: Altair Santos
A abertura do mercado da construção civil a novas tecnologias, agregando sistemas inovadores e equipamentos importados, mexe também com a mão de obra que atua no setor. Sobretudo, a ligada à engenharia. O profissional que trabalha nesta área também passou a ter a necessidade de desenvolver outras competências para se adequar à nova realidade. Se nas décadas de 1980 e 1990 houve a descontinuação do mercado de engenharia, e quem sobreviveu se limitou a ser um "tocador de obras", hoje o engenheiro precisa entender de gestão. "Atualmente, esse profissional tem que ser gestor de obras, gestor de custos, gestor de projetos e gestor de pessoas", explica o especialista em gerência de projetos, pela FGV-RJ (Fundação Getulio Vargas), Rubens Leite Borges.

Diretor do IBEC (Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos) Borges palestrou no Construction Expo 2013, evento que aconteceu de 5 a 8 de junho, em São Paulo. Intitulada “Planejamento e gestão de carreira no mercado de engenharia”, a palestra do especialista enfatizou que as mudanças tecnológicas que vêm se impondo à construção civil têm causado também impacto nos negócios. "As empresas brasileiras estão se globalizando e indo prospectar obras no exterior, assim como empresas de fora estão vindo atuar no país. Isso gera mudança e inovação, exigindo um novo modelo de engenheiro. Só o conhecimento adquirido dentro da universidade não é mais suficiente, pois as companhias entendem que o conhecimento técnico tem curto prazo de validade. Elas querem competências comportamentais, que se traduzem em saber comunicar, saber liderar e saber negociar", explica.
Rubens Leite Borges usou um exemplo, afirmando que o setor de engenharia hoje exige profissionais eficazes, e não somente eficientes. "Qual a diferença entre o eficiente e o eficaz? O eficiente, dentro de um processo em andamento, é o indivíduo que consegue mantê-lo funcionando. Mas se o processo parar ou der problema, ele pede ajuda. Já o eficaz resolve o problema. Então é isso que o mercado busca nos engenheiros, ou seja, profissionais com capacidade de diagnosticar situações e resolver problemas. Enfim, que não saibam apenas construir o produto, mas também prestar serviço e serem cooperativos", afirma o diretor do IBEC, completando: "Existem dois tipos de pessoas: as que estão do lado do problema e as que estão do lado da solução. Empresas precisam de quem resolva a questão. Muitas vezes é preciso quebrar um processo para encontrar a solução."
Para os profissionais que se enquadrem neste perfil, Rubens Leite Borges prevê um mercado promissor. "Não tenho dúvidas de que a construção civil seguirá aquecida no Brasil. Ao meu ver, as obras de infraestrutura são inadiáveis e irão gerar muito trabalho. Só que o profissional brasileiro precisa estar preparado, pois ele tende a enfrentar a concorrência de engenheiros de outros países. Veja que em 2011 foram concedidos 22 mil vistos de trabalho para quem atua no setor da construção civil (engenheiros, arquitetos, tecnólogos e operários). Em 2012, esse número subiu para 73 mil. A concorrência só tende a aumentar, principalmente de espanhóis e portugueses, que têm escolas de engenharia muito qualificadas. Sem contar que os chineses também estão chegando", alerta.
Entrevistado
Rubens Leite Borges, especialista em gerência de projetos e diretor do IBEC (Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos).
Currículo
- Rubens Leite Borges é graduado em engenharia cartográfica pela UERJ- RJ, com especialização em gerência de projetos pela FGV-RJ.
- Tem 10 anos de experiência em planejamento, gerenciamento e implantação de sistemas para gestão empresarial e 18 anos dedicados ao estudo da Filosofia.
- É professor de negociação, ética e responsabilidade socioambiental nos cursos de pós-graduação e MBA da FASP
- Ocupa o cargo de diretor da unidade do IBEC, em São Paulo.
Contato: ibec@ibec.org.br
Créditos foto: Cia. de Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
ABCP retoma Congresso Brasileiro do Cimento
Temas como sustentabilidade, inovação e qualidade do cimento Portland serão destaque no evento que acontece em maio de 2014
Por: Altair Santos
O investimento em ampliação e modernização do parque industrial cimenteiro do Brasil estimulou a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) a retomar o Congresso Brasileiro do Cimento. O evento, que não acontecia desde 1999, terá sua 6ª edição em maio de 2014. O anúncio oficial ocorreu no dia 19 de junho de 2013, em São Paulo, e o encontro é visto como a oportunidade para reunir especialistas nacionais e internacionais do setor, a fim de que sejam debatidos temas prioritários para a indústria de cimento. Entre eles, inovação, produção com qualidade e sustentabilidade ambiental.

A edição 2014 do Congresso Brasileiro do Cimento (CBC) se desenvolverá em dois dias, em meio a atividades plenárias (conferências e palestras) e, simultaneamente, reunirá em 40 estandes empresas fornecedoras de serviços, produtos e equipamentos para fabricação de cimento. A agenda do CBC terá a seguinte organização:
1. Manutenção, modernização e ampliação de fábricas de cimento.
2. Inovação em processos de fabricação de cimento.
3. Mudanças climáticas e meio ambiente: metodologia e inventário de emissões, logística reversa, legislação, recuperação de áreas entre outros.
4. Normalização e qualidade do cimento Portland.
5. Combustíveis e energia: coprocessamento, blendeiros (fornecedores de combustíveis alternativos) e outros.
6. Refratários: produtos e processos.
7. Equipamentos de controle de poluição: analisadores online.
8. Sistemas de pesagem e transporte.
9. Sistemas de britagem e moagem: moinhos, corpos moedores, placas classificatórias e outros.
10. Cimento e a construção sustentável.
O congresso está desenhado para atender aos profissionais e grupos cimenteiros que atuam no Brasil. No entanto a ABCP não descarta que o evento desperte interesse de grupos estrangeiros interessados em prospectar oportunidades no país. "Em todos os segmentos industriais, principalmente da importância como o de cimento, há sempre movimentações para fusões e surgimento de novos players. Mesmo em se tratando de um setor de capital intensivo e cuja maturação é larga, sempre existe a possibilidade de que surjam novos grupos. Se até pouco tempo atuavam dez, hoje já existem quinze no país. Recentemente, tivemos a chegada de um grupo português, pela aquisição de uma planta industrial, do mesmo modo que outro grupo português que atuava no Brasil foi adquirido por um grupo brasileiro. O setor do cimento é propenso a movimentações, assim como outros setores", cita Hugo da Costa Rodrigues Filho, gerente de comunicação da ABCP.
Sobre o longo período de interrupção do CBC - a 5.ª edição ocorreu em 1999 -, a ABCP justifica que nos anos 2000 a associação se voltou para a "tecnologia depois do saco". Isto é, a aplicação dos sistemas construtivos à base de cimento. "A indústria brasileira na oportunidade, já moderna e consolidada, demandava menos a necessidade de fóruns técnicos, como o congresso, que reunissem as inovações na área de produção do cimento, o que permitiu a decisão de interromper a promoção do evento, sem prejuízo de nossa indústria", aponta Hugo Rodrigues. No entanto, temas como controle de emissões, combustíveis alternativos, coprocessamento de resíduos, normalização e produtos e níveis diferenciados de adições, que passaram a ter forte influencia na competitividade do setor, estimularam a ABCP a retomar o CBC.
Entrevistado
Associação Brasileira de Cimento Portland (via assessoria de imprensa)
Contato: abcp@abcp.org.br
Créditos fotos: Divulgação/ABCP
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
RJ combate enchentes com rio de concreto
Obra de R$ 292 milhões envolve mais de 55 mil m³ de concretagem e tem previsão de entrega para o primeiro semestre de 2014
Por: Altair Santos
A construção de um rio subterrâneo em leito de peças pré-fabricadas de concreto, além de cinco piscinões, pretende pôr fim às históricas enchentes no centro da cidade do Rio de Janeiro. A megaobra interligará dois conhecidos rios da capital fluminense - o Joana e o Maracanã -, desviando a vazão de ambos para a Baía da Guanabara. A previsão é que o empreendimento envolva pelos menos 55 mil m³ de concreto, com investimento de R$ 292 milhões. "São intervenções que vão mitigar de forma enfática as históricas inundações que há um século causam transtornos aos cariocas", diz o engenheiro civil Paulo Luiz da Fonseca, chefe de gabinete da Fundação Rio-Águas.

Dos piscinões, o da Praça da Bandeira é o que está com o cronograma mais adiantado. A execução já atingiu 75%. Os reservatórios serão os que consumirão mais concreto. Os cálculos estimados chegam a 42.491 m³. Em termos de tecnologia, explica Paulo Luiz da Fonseca, essas obras estão usando o método de construção por paredes diafragma, com escavação mecânica com auxílio de guindaste. Na execução do desvio do rio Joana, o túnel é escavado por meio do método NATM (New Austrian Tunnelling Method) com utilização de enfilagem, tirante e cambota, quando necessários. Além disso, para viabilizar os reservatórios, foi importada de Portugal uma escavadeira telescópica, que consegue atingir 15 metros de profundidade.
A previsão é que as obras comecem a ficar prontas entre o segundo semestre de 2014 e o primeiro semestre de 2016, quando a cidade do Rio de Janeiro irá sediar os jogos olímpicos. Por isso, os canteiros de obras nos cinco piscinões, e na construção do rio subterrâneo, envolvem atualmente 740 trabalhadores. Juntos, os reservatórios comportarão mais de 100 mil m³ de água - aproximadamente 55 piscinas olímpicas. Já o rio subterrâneo, que terá extensão de 2.400 metros (parte do túnel) e 700 metros de galeria, possui 8 metros de largura e 6 metros de altura. "Ele foi projetado para, num dia de chuva intensa, receber todo o fluxo de água que antes ia para a calha do rio Joana e não tinha mais condições de receber esse volume de água", relata Wilmar Lopes, diretor de obras do empreendimento.

São Paulo é pioneira
A construção de piscinões para conter enchentes não é novidade no Brasil. A primeira capital a adotar essa tecnologia foi São Paulo, que nos anos 1990 começou a implantar reservatórios para conter o transbordamento de rios e canais. A obra mais emblemática neste sentido, e a maior do país, está localizada em frente ao estádio do Pacaembu, e que comporta 74 mil m³ de águas pluviais. O empreendimento consumiu 6 mil m³ de concreto armado.
Veja vídeos das obras
http://youtu.be/UP_A2pb4k_4
http://youtu.be/vRfeFNL9CEU
Entrevistado
Paulo Luiz da Fonseca, chefe de gabinete da Fundação Rio-Águas
Currículo
- Paulo Luiz da Fonseca é graduado em engenharia civil pela Universidade Federal Fluminense (1986) e em matemática (Bacharelado e Licenciatura) pela Faculdade de Humanidades Pedro II (1993).
- Tem especialização em engenharia sanitária e ambiental pela UERJ (1988), em análise de sistemas pela UVA (1990) e em geoprocessamento pela UFRJ (2003).
- Possui mestrado em educação matemática pela Universidade Santa Úrsula (2002) e doutorado em engenharia civil pela Universidade Federal Fluminense (2008).
- Atualmente é engenheiro civil da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Fundação Instituto das Águas do Município do Rio de Janeiro (Rio-Águas) atuando como diretor da diretoria de estudos e projetos (DEP).
- Também é professor-adjunto do departamento de engenharia civil (TEC), setor recursos hídricos e meio ambiente da Universidade Federal Fluminense.
Contato: rioaguas@pcrj.rj.gov.br / ascom.smo@gmail.com
Créditos fotos: Divulgação/Fundação Rio-Águas
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Formar mais engenheiros é fator-chave para o Brasil
Estudo da CNI aponta metas que o país precisa alcançar até 2022, caso queira tornar-se competitivo diante do cenário global
Por: Altair Santos
Em 2022, o Brasil comemora o bicentenário da independência. Mais do que um período festivo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entende que o ano deve servir como um marco para o país atingir macrometas. Por isso, lançou o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022. O documento levou nove meses para ser elaborado e mapeou dados fornecidos por 520 pessoas, entre empresários, executivos, acadêmicos e presidentes de associações nacionais setoriais e federações de indústrias. Foram definidos dez fatores-chave para que a indústria nacional torne-se mais competitiva, divididos em quatro grupos: educação, ambiente de atuação da indústria, custos de produção e dos investimentos e inovação e produtividade.

Em todas as metas, as conclusões convergiram para um só ponto: a formação de engenheiros. Segundo o Global Competitiveness Report 2012-2013, numa lista de 144 países, o Brasil ocupa a posição 113 em número de engenheiros. Atualmente, de cada 10 mil habitantes, apenas dois são graduados em engenharia no país. Na Coreia do Sul e na Finlândia, que ocupam o topo das estatísticas, há 16,4 por 10 mil. Para reverter esse quadro, o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 propõe que a nota média dos brasileiros no PISA - programa internacional que avalia o desempenho dos estudantes de 67 países - alcance 435 pontos em 2015 e chegue a 480 pontos em 2021. O ideal, segundo o economista e assessor da presidência do BNDES, Jorge Arbache, é ter a Coreia do Sul como exemplo. "Eles investiram pesado em ciência, tecnologia e inovação e hoje são referência mundial", destacou.
Para superar o gargalo na formação de engenheiros, o país precisaria pelo menos duplicar a taxa de dois profissionais por 10 mil habitantes até 2022. Segundo o relatório da CNI, a solução está em qualificar o ensino de matemática nas primeiras fases da educação, para evitar também e evasão no ensino médio e, consequentemente, de novos graduandos dos cursos de engenharia. Hoje, 51% dos jovens brasileiros entre 15 e 19 anos cursam o ensino médio. A proposta do mapa é aumentar para 80% até 2017 e 95% em 2025. Com isso, o estudo estima que o volume de engenheiros graduados, do total de formandos todos os anos, salte dos atuais 7,3% para 10% em 2017 e 15% em 2022.
Investimento em P&D
Diante dos levantamentos, o relatório da CNI conclui: "Considerando o estoque de cientistas e engenheiros e o valor do investimento em P&D (pesquisa e desenvolvimento) países como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul se mostram mais bem preparados para enfrentar a competição na sociedade do conhecimento. No Brasil, a adequação do sistema educacional para uma qualificação voltada para a ciência e para o trabalho e a ampliação dos investimentos em P&D são fatores determinantes. O momento é oportuno para que o Brasil alcance mais rapidamente os países desenvolvidos, cujas economias crescem pouco e onde há restrições econômicas que limitam a capacidade de apoiar a inovação".
Segundo o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 indica os caminhos para o Brasil aproveitar as oportunidades e vencer os obstáculos que vão surgir na próxima década. "Estamos reiterando o papel da indústria no processo de desenvolvimento do país. A indústria pode ser maior e melhor. O segundo significado é a crença em uma visão de longo prazo. Estamos formulando uma estratégia sobre o que queremos ser e o que precisamos fazer", disse. Para desenhar o mapa, o setor industrial considerou as mudanças existentes no país e no mundo nas décadas recentes, como os desafios que a inovação e a difusão de novas tecnologias trazem para o setor produtivo, o fortalecimento do mercado interno brasileiro e o crescimento dos países emergentes.
Confira a íntegra do Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022
Entrevistado
Confederação Nacional das Indústrias (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@cni.org.br
Créditos foto: Wilson Dias/ABr
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Pré-fabricado foi destaque na Construction Expo 2013
ABCIC montou salão dentro da feira e ainda promoveu curso para desmistificar o uso da construção industrializada em canteiros de obras
Por: Altair Santos
De 5 a 8 de junho de 2013, a Construction Expo transformou-se no QG da construção civil nacional e internacional. A feira, que ocorreu em São Paulo, reuniu expositores de 15 países e atraiu para o Construction Congresso - evento coligado à exposição - palestrantes de 135 organismos ligados à cadeia produtiva do setor. Entre os debates, os sistemas inovadores de construção centralizaram as atenções. Sobretudo, por que o Brasil tem 8.500 projetos de obras que dependem da tecnologia para se viabilizar. Destes, 46% estão vinculados ao setor de óleo e gás, 25% ao de transporte, 14% ao de energia, 10% ao de indústria, 2% ao de saneamento, 2% ao de infraestrutura esportiva e 1% ao de infraestrutura. “Estamos falando de R$ 1,6 trilhão em investimentos”, disse Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), organizadora da feira.

Para Afonso Mamede, presidente da Sobratema, o papel da Construction Expo foi propor caminhos e soluções para o desenvolvimento tecnológico da construção civil. Neste aspecto, o salão da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto) foi emblemático. Quem visitou o espaço pode conhecer melhor as vantagens do sistema de construção industrializada de concreto. Entre elas, maior durabilidade, resistência, precisão, redução de custos, agilidade em atender prazos mais ousados e qualidade. Dentro do Construction Congresso, a ABCIC também promoveu um curso sobre pré-fabricados de concreto. As aulas foram ministradas pelo engenheiro projetista Carlos Franco. “Trata-se de uma forma interessante de divulgação e de desmistificação do pré-fabricado”, constata Franco.
Entre as falsas ideias que ainda existem no mercado há a de que o pré-fabricado serve apenas para uso em obras repetitivas e industriais. Hoje, segundo Carlos Franco, o pré-fabricado tem condições de atender a inúmeras tipologias e aplicações de obras, inclusive a residencial. Outra mística que paira no mercado se refere ao custo e à rigidez de formas desse tipo de sistema construtivo, o que não é verdade, segundo o engenheiro. “O pré-fabricado dialoga com outros métodos construtivos, inclusive as construções metálica e in loco”, diz. Por isso, o foco do curso, segundo Carlos Franco, foi atingir um público diversificado, de arquitetos a engenheiros e até estudantes, utilizando-se uma linguagem acessível e, ao mesmo tempo, bem completa do sistema, dando a cada um dos segmentos a possibilidade de desenvolvimento, expansão e pesquisa.

De acordo com a presidente-executiva da ABCIC, Íria Lícia Olívia Doniak, essa é a primeira vez que essa atividade é realizada como apêndice de um evento como a Construction Expo. Para ela, a expressiva procura pelo curso foi uma grata surpresa, atingindo um número significativo de participantes. A dirigente destacou ainda que a Construction Expo foi também um canal para aproximar fabricantes de pré-fabricadosdos clientes. “A feira proporcionou uma oportunidade para essas companhias aprofundarem o relacionamento entre eles e com seus clientes. Além disso, deixou um legado institucional de conteúdo e informações, que poderão ser trabalhados posteriormente em outras ocasiões para divulgação do sistema construtivo”, avalia.
Entrevistado
Carlos Franco, projetista de estruturas e consultoria em pré-moldados de concreto.
Currículo
- Carlos Franco graduado em engenharia civil, com especialização em engenharia de estruturas, pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie.
- Atuou por mais de 16 anos no Escritório Técnico Julio Kassoy e Mário Franco, atingindo a posição de engenheiro coordenador.
Cursou a extensão em administração industrial da Fundação Vanzolini, no período de 1993 a 1995.
- Atuou como Assessor Técnico na PAVI do BRASIL, pré-fabricação Tecnologia e Serviços, no âmbito da construção industrializada e no emprego do GFRC de 2001 à 2002.
- Foi Gerente de Projetos e Responsável Técnico na STAMP Painéis Arquitetônicos, onde coordenou diversas obras,além de ter participado em diversos projetos de desenvolvimento tecnológico, no período de 2003 à 2005, Inclusive junto à matriz Canadense, BÉTONS PREFABRIQUÉS DU LAC.
- Atualmente dirige a CAL-FAC, empresa que atua em projeto estruturais convencionais e pré-fabricados.
Contato: www.constructionexpo.com.br / calfac@calfac.com.br / abcic@abcic.org.br
Créditos fotos: Cia. de Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Sistemas construtivos unem universidades
UFSCar, USP, UFRJ e UNESP atuam em parceria para formar especialistas em gestão e tecnologia para edificações
Por: Altair Santos
A demanda das empresas de engenharia por profissionais com capacidade de gestão que ultrapasse os limites do canteiro de obras tem influenciado o modelo de ensino das universidades. Para atender engenheiros que buscam requisitos como dimensionar a concepção do empreendimento, a atividade de projeto, o planejamento da produção e fabricação de materiais e componentes, UFSCar, USP, UFRJ e UNESP uniram esforços para lançar o curso em gestão e tecnologia de sistemas construtivos de edificações.

Segundo o professor-doutor Guilherme Aris Parsekian, a especialização a nível de pós-graduação não pretende atingir apenas engenheiros, mas também arquitetos e tecnólogos. "Houve uma união de esforços entre centros de excelência do ensino da engenharia civil e o curso é para quem busca atualização e complementação de suas atividades profissionais. Sobretudo, aqueles que atuam na área de edificações", diz.
O novo curso, que começa dia 13 de julho e está restrito a 30 vagas, é uma atualização da pós-graduação criada em 1999 (aperfeiçoamento profissional em racionalização de processos e produtos na construção de edifícios). "De lá para cá, várias mudanças foram realizadas a partir desta experiência. Novas disciplinas foram agregadas à grade curricular e novos docentes passaram a abraçar a ideia", afirma Parsekian, lembrando que a modalidade é presencial e terá duração de 372 horas-aula (18 meses no total, sendo 15 de disciplinas).
As inscrições estarão abertas até o dia 28 de julho e as aulas ocorrerão no departamento de engenharia civil da UFSCar, em São Carlos-SP. "Serão oferecidas disciplinas voltadas à tecnologia da construção e ao gerenciamento do projeto e da execução. Uma extensa equipe de especialistas da UFSCar, USP, UFRJ, UNESP e de renomadas empresas atuantes em projetos e gestão de obras de engenharia são responsáveis pela elaboração do conteúdo", completa.
O curso é composto pelas seguintes disciplinas:
Tecnologia dos Sistemas Construtivos em Estruturas de Concreto.
Tecnologia dos Sistemas Construtivos Industrializados.
Tecnologia dos Sistemas Construtivos em Alvenaria Estrutural e de Vedação.
Tecnologia de Produção de Revestimentos de Argamassa e Cerâmicos.
Durabilidade dos Materiais e Componentes da Construção Civil.
Tecnologia e Sustentabilidade de Sistemas Hidráulicos e Sanitários.
Tecnologia de Sistemas Prediais de Eletricidade e de Telefonia e Automação Predial.
Gestão do Processo de Projetos.
Ferramentas para Planejamento e Controle de Obras.
Gestão de Custos na Construção Civil.
Gestão de Recursos Físicos nos Canteiros de Obras.
Projeto de Canteiros de Obras.
Sustentabilidade e Certificação Ambiental de Edificações.
Produção Enxuta na Construção Civil.
Metodologia do de Trabalho Técnico.
Dezessete professores ministrarão aulas durante a duração do curso. Destes, onze estão vinculados à UFSCar e outros seis ligados à USP, UFRJ e UNESP. O título de professor-doutor vale para 95% deles. "Estão previstas 15 disciplinas, com número distinto de horas-aula em função das suas especificidades, nas quais serão ministradas aulas expositivas e realizados debates com os alunos, com apresentação de temas e questões para análise, discussões e conclusões, podendo, a critério dos professores, ser determinada a realização de trabalhos e seminários sobre as matérias, com participação individual ou em grupo de alunos", explica Guilherme Aris Parsekian, que ao lado dos professores José Carlos Paliari e Simar Vieira de Amorim é um dos coordenadores da pós-graduação.
Entrevistado
Guilherme Aris Parsekian, professor do departamento de engenharia civil da UFSCar.
Currículo
- Guilherme Aris Parsekian é graduado em engenheiro civil pela UFSCar (1993) com mestrado em engenharia de estruturas (EESC/USP, 1996) - menção distinção -, doutor em engenharia civil (EPUSP, 2002), pós-doutor em engenharia civil (UFSCar, 2006) e pós-doutor em engenharia civil (University of Calgary - Canadá, 2008).
- Suas áreas de atuação são: alvenaria estrutural, desenvolvimento de sistemas construtivos, racionalização de edificações, projeto de edificações e CAD aplicado ao projeto de edificações.
Contato: parsekian@ufscar.br / parsekian.ufscar@gmail.com
Créditos foto: Divulgação