Mané Garrincha: o novo gigante de concreto armado

Estádio de Brasília é considerado pela Fifa como o mais bonito da Copa do Mundo de 2014 e consumiu 177 mil m³ de concreto

Por: Altair Santos

O estádio Mané Garrincha foi eleito pela Fifa como o estádio brasileiro mais bonito, sob o ponto de vista arquitetônico, para sediar jogos da Copa das Confederações, que começa dia 15 de junho de 2013, e da Copa do Mundo, daqui a um ano. Boa parte da beleza da arena de Brasília está relacionada às estruturas de concreto que circundam a obra, seguindo projeto do escritório Castro Mello Arquitetos, em parceria com a SBP (Schlaich Bergermann und Partner) da Alemanha. No entanto, o plano original não previa a prevalência do concreto, mas do aço. Apenas com a interferência do governo do Distrito Federal, que financiou integralmente a construção, e quis privilegiar o material que transformou a cidade em referência mundial para a arquitetura - através das obras de Oscar Niemeyer -, é que o concreto se impôs no Mané Garrincha.

Mané Garrincha: estruturas de concreto emprestam imponência ao estádio de Brasília.

O resultado é que a arena de Brasília, entre todos os 12 estádios que sediarão jogos da Copa do Mundo, foi a que empregou o maior volume de concreto em sua construção. Houve um consumo de 177.096 m³. “Valeu a pena perseguir esse conceito na obra. Se perguntarem qual o meu estádio favorito, posso dizer que Brasília está na minha primeira lista, entre os 10 melhores do mundo”, revelou o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, na visita técnica que aprovou o Mané Garrincha para sediar partidas da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. O empreendimento também rendeu elogios do governador do DF, Agnelo Queiroz. "A Castro Mello Arquitetos criou um projeto que preservou os conceitos arquitetônicos que fizeram com que a cidade fosse reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade", disse, ainda sonhando com a possibilidade de o estádio sediar a partida de abertura da Copa.

Construído predominantemente em concreto armado e com estruturas pré-fabricadas de concreto, o Mané Garrincha caminha para ser o primeiro a receber o certificado máximo de sustentabilidade: o Leed Platinum - reconhecimento internacional de que a obra é altamente sustentável. Atualmente, nenhum estádio de futebol no mundo possui essa certificação. O selo é concedido a empreendimentos que fazem uso intenso de materiais recicláveis e que empregam em suas estruturas fontes alternativas de energia. No caso da arena de Brasília, ela tem em sua cobertura 9,6 mil painéis fotovoltaicos com potencial de gerar 2,5 megawatts de energia. Isso a torna autossuficiente em produção de energia e capaz de ceder o excedente para a iluminação pública de seu entorno. O estádio também tem a capacidade de armazenar 6,84 milhões de litros de água da chuva - o equivalente a 80% da demanda para a irrigação do gramado e uso em vasos sanitários e mictórios.

A arena de Brasília empregou em sua obra o que há de mais moderno na construção civil nacional.

Com 70.846 lugares, o Mané Garrincha empregou 15 mil operários em sua construção e custou R$ 1,566 bilhão - é, até agora, o estádio mais caro para a Copa do Mundo no Brasil. Para obter o retorno do que investiu, o governo do DF estuda abrir uma concessão para que a iniciativa privada assuma o controle da arena, gerando receita e atraindo eventos para a cidade. Porém, mesmo antes de uma eventual privatização, o Mané Garrincha já tem agenda fechada com eventos esportivos, culturais e congressos até 2019, além de atrações permanentes para o Distrito Federal, como dois restaurantes, 14 lanchonetes, 40 bares, um museu do futebol e centros comerciais ao seu redor.

 

 

Primeiro projeto contemplava o aço, em vez do concreto, mas foi descartado.

Entrevistado
Secretaria da Copa do Distrito Federal (Secopa-DF) (via assessoria de imprensa)
Contato: www.copa2014.df.gov.br / facebook.com/copadf / twitter.com/copagov_df / imprensa.secomdf@buriti.df.gov.br / imprensagdf.copa@gmail.com
Créditos fotos: Secopa-DF / Carlos Mello Arquitetos / Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Construção civil precisa eliminar desperdícios

Estudo mostra que setor ainda peca em quesitos como estoque, logística, cadeia de suprimentos e novos processos de produção

Por: Altair Santos

Todas as pesquisas voltadas ao setor da construção civil convergem para temas comuns. Apontam que é preciso qualificar a mão de obra, melhorar a gestão dos custos, industrializar processos e investir em novas tecnologias. Em resumo, a palavra-chave é produtividade. Porém, apesar de os estudos evidenciarem as carências, ainda há poucas empresas do setor, principalmente as construtoras, propensas a rever seus métodos de produção. "A preocupação com o aumento da produtividade ainda não atingiu grande parte destas empresas. Predomina o desperdício. Os estoques ainda são muito altos, devido à baixa flexibilidade existente no processo produtivo. Há muita movimentação e transporte, os quais não agregam valor para o processo ou para o cliente, além de uma grande quantidade de refugo e retrabalho. Existe também falta total de sincronismo entre uma etapa e outra, assim como baixa, ou nenhuma, integração na cadeia de suprimentos", explica Ruy Cortez de Oliveira, do Kaizen Institute Brazil.

Ruy Cortez de Oliveira: construtoras passaram a adotar o método Kaizen para qualificar gestão dos custos.

De origem japonesa, a metodologia Kaizen significa "melhoria contínua". Nasceu com o Sistema Toyota de Produção (STP) - revolucionário processo industrial de fabricação de veículos, e disseminado para outros setores da economia. A filosofia, que prega aprimoramento gradual e contínuo, tem como premissa básica a seguinte frase: "Hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje”. Ou seja, é essencial que nenhum dia se passe dentro de uma empresa sem que alguma melhoria seja implementada. "O Kaizen tem os seguintes fundamentos: criação de fluxo com base na demanda do cliente; busca contínua da qualidade na fonte; foco na eliminação dos desperdícios e das perdas; gestão orientada para o "Gemba" (local onde as coisas acontecem); desenvolvimento das pessoas; gestão transparente", relaciona Ruy Cortez de Oliveira, lembrando que empresas que adotam o método Kaizen, quando vão ampliar suas plantas, procuram construtoras que também se norteiem pela filosofia para não comprometer a produtividade.

O especialista alerta que o método Kaizen, além de salutar para a cadeia produtiva da construção civil, também deveria ser implantado nos programas governamentais que estimulam o surgimento de novas obras, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Minha Casa, Minha Vida. "Há necessidade de um melhor gerenciamento dos recursos, para poder aplicá-los no momento certo e, assim, evitar atrasos e ineficiência de todos os programas. Uma das ferramentas do Kaizen é o gerenciamento de projetos, que busca garantir que os recursos sejam bem aplicados e a data da entrega do empreendimento, produto ou processo seja alcançada", diz, completando que as construtoras que já adotam o sistema Kaizen têm conseguido aumento de produtividade em torno de 10%, no comparativo com as demais. "É mudar o modelo produtivo ou permanecer na época das pirâmides", finaliza Ruy Cortez de Oliveira.

Entrevistado
Ruy Cortez de Oliveira, sócio-diretor do Kaizen Institute Brazil
Currículo
- Ruy Cortez de Oliveira é graduado em engenharia metalúrgica, pela Escola de Engenharia Mauá, e pós-graduado em engenharia pela Escola Politécnica da USP
- É consultor do BID (Banco Interamericano para o Desenvolvimento) e do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) desde 1997
- Foi também sócio-diretor da CGE Consulting, da Normatec Engenheiros Associados e gerente do setor de qualidade e engenharia da Equipamentos Villares
Contato: www.br.kaizen.com / rcortez@kaizen.com
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Ascensão profissional passa pelo traquejo social

Quem estabelece bom ambiente no trabalho valoriza suas qualificações e ajuda na criação de um amplo networking, diz especialista

Por: Altair Santos

Saber conviver com pessoas de idades diversas, opções religiosas distintas, culturas, hábitos e opções sexuais diferentes são alguns desafios enfrentados atualmente pelos colaboradores. O ambiente corporativo também exige a compreensão dos limites, dos direitos e dos deveres de líderes e liderados, empresários e empregados. Tratam-se de situações que hoje fazem parte do dia a dia das empresas, e que só se acomodam se houver traquejo social. "Nesse cenário heterogêneo dentro das Companhias, é preciso saber conviver com as diferenças de forma civilizada", diz Silmara Leite Ribeiro Santos, especialista em etiqueta corporativa e social.

Silmara Leite Ribeiro Santos: a base do traquejo social é o respeito.

É por isso que, além da qualificação, o traquejo social tornou-se decisivo para o sucesso profissional dentro de uma corporação. "De nada adianta um colaborador ser extremamente qualificado tecnicamente, ter estudado nas melhores universidades, se não tiver um bom relacionamento com os demais colaboradores ", reforça Silmara Leite, avaliando que o profissional que domina exemplarmente seu ofício, mas não tem traquejo social, corre o risco de ser superado por um que equilibre desempenho com boas relações na empresa. "Sempre prevalece o profissional que tenha bom relacionamento e competência técnica", completa.

Usar o traquejo social para relacionar-se faz , muitas vezes, que ele seja confundido com networking. "Na verdade, ambos se complementam. Ter educação e respeitar a opinião alheia, mesmo que não concorde com ela, são exemplos de traquejo social. Networking é a rede de contatos que o profissional possui. Traquejo social é a forma como esta rede é tratada", ensina, lembrando que boa parte das reclamações trabalhistas que vão parar nos tribunais nascem da falta de traquejo social. "A base do traquejo social é o respeito. Sem ele, vem a intolerância e isso contamina o ambiente corporativo, gerando processos", explica.

Silmara Leite reforça que, também no canteiro de obras, deve prevalecer o traquejo social. "Por que não cumprimentar o trabalhador num canteiro de obras? Ele está exercendo sua função como qualquer outro colaborador. Por que não agradecer pelo serviço executado? Educação é universal", alerta, tocando num ponto que reflete, inclusive, na produtividade da obra. "Muitos colaboradores da construção civil precisam migrar em busca de melhores oportunidades de trabalho. A distância da cidade natal, e dos familiares, dificulta a adaptação no ambiente de trabalho. Se este for mais receptivo e acolhedor, o indivíduo certamente se sentirá mais confortável e a produtividade tenderá a melhorar", complementa.

A especialista em etiqueta corporativa e social também destaca que os canteiros de obras ganharam um novo componente que exige traquejo social, que são as mulheres. "Saber respeitar e conviver com elas é imprescindível. Isto é ter traquejo, que é uma ferramenta que se estende também ao varejo da construção civil, tanto na venda de materiais de construção quanto de imóveis. Quem atua nestas áreas, seja homem ou mulher, precisa saber receber o cliente ou o fornecedor e escutá-lo de modo atencioso. Certamente, o traquejo social vai ajudar o vendedor a perceber o que o cliente realmente precisa. Isto é demonstração de educação e empatia", ressalta, finalizando: "Profissionais bem treinados, qualificados e com competência comportamental adequada aos cargos que ocupam irão agregar valor à marca. Imagem pessoal e imagem profissional estão cada vez mais interligadas."

Dicas para aprimorar o traquejo social

Comportamento
- Autocontrole;
- Capacidade de conviver com as diferenças;
- Capacidade de influenciar;
- Forma de lidar com as dificuldades do dia a dia;
- Arrojo para contribuir e colocar em prática novos planos e ideias;
- Postura adequada ao usar a internet, especialmente redes sociais;
- Comportamento apropriado ao receber visitantes, participar de reuniões, viagens de negócios e eventos empresariais.

Imagem

- Cuidados com vestuário, higiene, comunicação oral e escrita também contam pontos. Se não forem levados a sério, podem impedir uma contratação ou prejudicar uma ascensão profissional.

Entrevistada
Silmara Leite Ribeiro Santos, especialista em etiqueta corporativa e social
Currículo
- Silmara Leite Ribeiro Santos é formada em administração, com ênfase em marketing e pós-graduada em finanças, pela Unifae
- Acumulou vasta experiência corporativa no mercado financeiro, com passagens por corretoras de valores, bancos de varejo e holdings
- Especialista em etiqueta, é professora e coordenadora do curso de etiqueta social e corporativa do Centro Europeu e professora convidada na disciplina de etiqueta no curso full marketing da mesma instituição
- É também professora de etiqueta da Casablanca Escola de Modelos e Atores
- Dirige a Pitacos Marketing e Eventos
Contato: www.pitacosdasil.com.brsandrasantosjornalistabr@gmail.com
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Geologia vive fase de simbiose com a engenharia

Investimentos em óleo e gás, mineração, energia e infraestrutura inseriram definitivamente o geólogo no canteiro de obras

Por: Altair Santos

Investimentos em óleo e gás, mineração, energia e construção civil têm aproximado os geólogos, que dia 30 de maio comemoram seu dia, da engenharia. Criou-se uma simbiose entre os profissionais das duas áreas, seja para investigar o impacto ambiental que uma obra possa causar ou para estudar a constituição do solo, fornecendo dados para a execução de projetos. "O que nós estamos vendo hoje é o ressurgimento das obras de infraestrutura e, com isso, reativou-se o casamento entre geologia e engenharia, como foi na década de 1970", recorda João Jerônimo Monticeli, presidente da ABGE (Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental).

João Jerônimo Monticeli, presidente da ABGE: momento atual lembra o vivido nos anos 1970.

O dirigente avalia que a definição de uma política para a exploração de petróleo, aliada à retomada dos leilões por parte da ANP (Agência Nacional de Petróleo) vai requerer muito mais mão de obra. "Não digo apenas para os profissionais de geologia, mas para os profissionais da engenharia", diz João Jerônimo Monticeli, observando que a demanda tem feito engenheiros migrarem para a geologia. "Há, principalmente, engenheiros ambientais complementando a formação com a geologia, recorrendo ao conhecimento sobre hidrogeologia, que é o estudo do fluxo de águas subterrâneas", completa.

Além do setor de óleo e gás, a mineração também tem sido um mercado com forte absorção de geólogos. "Neste segmento, contribuem para o crescimento desde as importações da China e até a retomada do interesse da indústria de cimento por novas jazidas de calcário", ressalta o presidente da ABGE, lembrando que os estudos para a extração de petróleo a partir do xisto - o que nos Estados Unidos já é uma realidade - também impulsionam a geologia. "Este modelo de exploração vai impactar o nosso mercado, principalmente para quem atua na área de pesquisa", avalia.

Para João Jerônimo Monticeli, a geologia operando paralelamente com a engenharia encontra campo para atuar, inclusive, em áreas urbanas. "A geologia sempre esteve ligada a grandes obras de infraestrutura, como pontes, barragens e túneis, mas o planejamento urbano tem aberto outras oportunidades. Estudos sobre riscos geológicos, escorregamentos e enchentes têm sido muito requisitados pelos planos diretores municipais. É o que chamamos de geologia urbana, hoje amplamente usada para desenvolver, recuperar e conservar cidades", afirma, relatando que na Grã-Bretanha geólogos ajudaram a recuperar cidades como Grangemoth, Bradfort, Glasgow, Warrington, Manchester, Liverpool e Salford.

No Brasil, Monticeli lembra que a geologia tem sido acionada também para prospectar terrenos nos grandes centros urbanos, onde falta espaço para novos empreendimentos imobiliários. Quando não são contratados por construtoras, os profissionais trabalham para companhias públicas de habitação. "A construção habitacional não pode errar. Ela não tem como correr o risco de empreender em terrenos que possa vir a sofrer erosão. Por isso, os geólogos são fundamentais para, através dos conhecimentos dos meios físicos, evitar a ocupação de terrenos inadequados", afirma, comemorando as oportunidades que se abrem aos geólogos.

Entrevistado
João Jerônimo Monticeli, presidente da ABGE (Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental)
Currículo
- João Jerônimo Monticeli é graduado em geologia pela Universidade de São Paulo (USP) em 1971. Também é mestre em engenharia civil e geotecnia, pela Escola de Engenharia Civil da UFSCar (1984)
- Trabalhou no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) na CESP (Companhia Energética de São Paulo) e no Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí
- Atualmente é consultor em geologia de engenharia ambiental e de políticas e gestão de recursos hídricos
Contato: joaojeronimo@terra.com.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Adicionar água suplementar ao concreto exige cuidados

Quantidade de água acima da prevista em dosagem aumenta a porosidade, diminui a resistência e amplia o risco de patologias

Por: Jorge Aoki, Gerente de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé

A água é um importante componente do concreto e tem basicamente duas funções: provocar a reação de hidratação dos compostos do cimento, com seu consequente endurecimento, e aumentar a trabalhabilidade para que possa preencher adequadamente as fôrmas, sem causar vazios ou nichos. Sob certo aspecto, dá para dizer que a água é tão ou mais importante que o próprio cimento, pois, além das funções citadas, é ela quem determina a dosagem dos aditivos químicos plastificantes a serem aplicados no concreto.

Uma das expressões mais conhecidas pelos tecnologistas de concreto é justamente a relação água/cimento (a/c) que direciona para a resistência pretendida. É fácil perceber que, para se manter a relação constante, é preciso aumentar ou reduzir igualmente os componentes água e cimento. O adicionamento de água além da quantidade estipulada na dosagem pode aumentar o abatimento acima do limite especificado. Embora aparentemente facilite a aplicação, faz com que o volume de vazios dentro da massa do concreto também aumente, diminuindo sua resistência mecânica e comprometendo, muitas vezes, o próprio desempenho da estrutura, facilitando a entrada de agentes agressivos ao concreto.

Em média, e de acordo com a composição química do cimento, a completa reação de hidratação necessita de cerca de 25% de água em relação ao seu peso. O restante dará a necessária condição para que o concreto seja aplicado e sairá da massa por evaporação capilar. Mas desde que a cura não seja feita adequadamente, poderá causar o aparecimento de fissuras - importante patologia provocada em parte pela água suplementar.

Com a evolução dos aditivos superplastificantes, passou-se a exigir um cuidado extra no momento do cálculo da dosagem e da aplicação de água. Os concretos que utilizam estes componentes, em geral recebem pequenas quantidades de água, uma vez que a plasticidade é conseguida através dos aditivos. Caso a perda de água por evaporação seja acentuada, parte do cimento poderá ficar sem a completa hidratação. Nestes casos, além dos cuidados habituais, toda a atenção deve ser dirigida para a cura, no sentido de se garantir uma hidratação adequada.

A NBR 7212/2012 - Execução de concreto dosado em central - Procedimento, em seu item 4.4.4 diz: “Antes do início da descarga, ao verificar que o concreto apresenta abatimento dentro da classe de consistência especificada, não se admite adição suplementar de água. Qualquer adição de água exigida pela contratante exime a empresa de serviços de concretagem de qualquer responsabilidade quanto às características do concreto constantes no pedido. Este fato deve ser registrado no documento de entrega”. Em nota, esclarece que água suplementar é a quantidade de água adicionada ao concreto que ultrapassa a prevista na dosagem. Além disso, recomenda estabelecer em seu item 4.4.3 um sistema rigoroso de controle da água, para evitar ser ultrapassada a quantidade máxima prevista.

A NBR 6118/2007 - Projeto de estruturas de concreto – Procedimento, estabelece também no item 7 – Critérios de projeto que visam a durabilidade, uma correlação entre a relação água/cimento e a resistência à compressão. Na tabela 7.1 estão os valores máximos da relação a/c em função das classes de agressividade ambiental e tipo do concreto. São cuidados abrangentes, com o objetivo de reduzir a porosidade do concreto e preservar sua vida útil. A adição suplementar da água além da prevista na dosagem, altera a relação a/c, prejudica a resistência e aumenta a porosidade.

Esta importante relação, e todos os cuidados apontados, estabelece uma dependência, para as estruturas, entre os dois materiais mais utilizados no mundo: a água, em primeiro lugar, e o concreto - este, o material de construção mais usado no planeta.

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Nova estação na Antártica usará pré-moldados

Peças de concreto serão empregadas na construção do futuro QG brasileiro no polo sul. Projeto vencedor é de Curitiba

Por: Altair Santos

Em fevereiro de 2012, um incêndio destruiu a base militar e científica do Brasil na Antártica. O acidente comprometeu as pesquisas do país no polo sul. No entanto, a retomada dos trabalhos tende a ficar bem mais confortável quando a nova estação Comandante Ferraz for reconstruída. Ao invés de contêineres - material que predominava na antiga instalação, implantada em 1984 -, o novo QG brasileiro terá uma arquitetura adequada para enfrentar os rigores do frio da região. Graças ao escritório curitibano Estúdio 41, que ganhou o concurso promovido pela Marinha do Brasil para projetar a nova base na Antártica.

Perspectiva da nova estação: na construção, serão usadas estruturas metálicas, madeira e peças de concreto pré-fabricadas.

A futura estrutura será construída na península de Keller e terá a predominância dos pré-fabricados. Aliás, foi por ter dado prioridade aos processos industrializados que o Estúdio 41 ganhou o concurso. "Um fator bastante restritivo, imposto pelo Tratado Antártico, é a proibição de qualquer derramamento de massa ou argamassa em solo antártico, devido à necessidade de remoção de todos os resíduos quando da desocupação das áreas. Por tal motivo, a utilização de concreto ficou relacionada ao uso de elementos pré-fabricados e de blocos cimentícios", explica o arquiteto Fabio Henrique Faria, um dos autores do projeto.

Em sua maioria, a nova base brasileira na Antártica será construída com estruturas metálicas leves, pré-fabricados em madeira e vidro com tripla camada. "O envoltório foi pré-concebido em um sanduíche de chapas metálicas, com o isolamento necessário no centro", diz o arquiteto. No memorial do projeto, está clara a opção por sistemas industrializados de construção. "A estratégia central é a repetição de sistemas construtivos, permitindo alcançar níveis de excelência na montagem e garantir o autodesempenho do edifício, ao mesmo tempo racionalizando o processo de fabricação", diz o documento.

Outra característica do projeto - vencedor entre 74 propostas -, é que ele permite ser ampliado de acordo com as necessidades. A princípio, a estrutura estará apta a receber 60 pessoas, atendendo termo de referência desenvolvido pelo corpo técnico da Marinha e sob a orientação da comunidade científica. Para que se inicie a construção, é aguardada a abertura de licitação para a execução das obras, o que deve ocorrer no verão antártico, que começa em dezembro. O Estúdio 41 acompanhará o procedimento licitatório e tende a orientar o processo de montagem.

Confira a equipe que atuou no projeto:

Autores
Emerson Vidigal (Estúdio 41)
Eron Costin (Estúdio 41)
Fabio Henrique Faria (Estúdio 41)
João Gabriel Moura Rosa Cordeiro (Estúdio 41)

Consultores
Arq. Guido Petinelli, Conforto e Energia (Petinelli)
Arq. Eduardo Brofman, Conforto e Energia
Eng. Eduardo Ribeiro, Instalações
Arq. Carlos Garmatter, Segurança e prevenção contra incêndio
Eng. Ricardo Dias, Estruturas
Eng. Bruno Martinez, Conforto e Energia (Petinelli)
Eng. Andre Belloni, Conforto e Energia (Petinelli)
Eng. Josiele Patias, Geotecnia

Colaboradores
Arq. Dario Corrêa Durce
Arq. Moacir Zancopé Jr.
Martin Goic
Fernando Moleta
Alexandre Kenji
Rafael Fischer

Veja as plantas do projeto:
Parte 01

Parte 02

Entrevistado
Estúdio 41, escritório de arquitetura (via assessoria de imprensa)
Contato: www.estudio41.com.brestudio@estudio41.com.br
Créditos foto: Divulgação/Estúdio 41

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Madeira da fôrma faz toda a diferença na concretagem

Material precisa ser certificado e manuseado por mão de obra qualificada. Caso contrário, pode expor a estrutura a patologias

Por: Altair Santos

Apesar de as fôrmas metálicas estarem cada vez mais consolidadas no mercado, principalmente em processos industrializados de construção, são as fôrmas de madeira que ainda predominam em concretagens de vigas, lajes e pilares na maioria das obras brasileiras. Mas é preciso atenção à qualidade da madeira. Se a fôrma for construída com material inadequado, ela pode apresentar falhas de vedação e possibilitar a fuga da nata do concreto, além de permitir deformações nas peças concretadas e perda dos nivelamentos superiores e inferiores. A pressão exercida pelo concreto plástico nas fôrmas é muito grande nas fases de lançamento e adensamento do concreto. A dificuldade aumenta na medida em que a altura e volume das peças também aumentam. Por isso, a madeira precisa ter estrutura mecânica, sobretudo quando se usa concreto autoadensável - cada vez mais comum nas obras -, que requer fôrmas mais resistentes e estanques.

Pablo Marton: fôrmas de madeira normatizadas podem ser reutilizadas mais de 30 vezes.

Como todos os materiais usados em construção civil, as madeiras para fôrmas também precisam ser certificadas e atender as seguintes normas: NR 18 (Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção), NBR 6118 (Projeto de Estruturas de concreto), NBR 9490 (Projeto de Lâmina e Compensado), NBR 14931 (Execução de estruturas de concreto -Procedimento) e NBR 7190 (Projeto de estruturas de madeira). No Brasil, as que mais se adequam a essas exigências são as fôrmas de lâmina de pinus. Em especial, as com aplicação de tego-filme, as chamadas fôrmas plastificadas, e que utilizam a cola WBP - water-boiled proof (resistente a intempéries e fervura) -, capazes de resistir a uma prolongada exposição à umidade, já que a fôrma de madeira não pode absorver a água do concreto, e a variações de temperatura que possam interferir na junção das lâminas.

Uma fôrma que atenda as normatizações, e desde que manuseada corretamente, pode ultrapassar até 30 reutilizações em processos de concretagem. É o que garante Pablo Marton do Nascimento, sócio-diretor da Global Wood do Brasil - empresa especializada na distribuição de produtos madeireiros para a construção civil e sistemas construtivos. "É importante ter em mente que a fôrma de madeira não deve ser considerada um material descartável. Elas podem ser reutilizadas na mesma obra ou em projetos futuros", diz o especialista, listando os requisitos para conservação das fôrmas:

Uso incorreto da fôrma de madeira pode trazer problema à estrutura de concreto durante a desfôrma.

1) O transporte das chapas deve ser traçado para evitar possíveis lascas nas bordas, quinas e superfícies.
2) O empilhamento deve ser na horizontal e apoiado em pontaletes, de modo que não fiquem diretamente em contato com o chão.
3) Recomenda-se também cobrir os fardos com uma lona ou armazenar em local protegido de umidade e agentes climáticos.
4) Um plano de corte diminui a quantidade de sobras não reutilizáveis. Para o corte, recomenda-se o uso de serra de vídea de modo a não quebrar ou fazer lascas nas formas.
5) Após o corte, a impermeabilização das novas bordas com tinta selante ou emborrachada é muito recomendada, pois evita a infiltração de água pelos topos cortados.
6) Os pregos devem ser introduzidos no sentido perpendicular às lâminas da chapa e nunca nas bordas. A ponta dos vibradores utilizados para adensar o concreto deve ser revestida com borracha e o seu contato com a superfície do compensado deve ser evitado.
7) Após o uso, as fôrmas devem ser lavadas com água sob pressão e receber nova aplicação de agentes desmoldantes para facilitar a próxima operação de desfôrma.
8) O uso correto de produtos desmoldantes está ligado diretamente na boa aparência do concreto e nos altos índices de reaproveitamento das fôrmas.
9) Deve-se ater-se também ao tipo de concreto a ser estruturado, pois existem desmoldantes específicos para o concreto que futuramente será revestido e para o que será aparente.

Concreto aparente

Para determinados tipos de estrutura, a qualidade da madeira da fôrma é ainda mais importante. O concreto aparente é um exemplo, já que ele não permite reparos como pintura, lixamento e retoques. Neste processo, a madeira tem papel fundamental, pois influencia diretamente para impedir a permeabilidade, a carbonatação e a presença de fissuras, garantindo a resistência e a durabilidade desejadas. "Esses requisitos tornam-se ainda mais preponderantes quando se projeta uma estrutura em concreto aparente. Neste caso, a fôrma é protagonista para proporcionar ao concreto o aspecto liso e uniforme. A fôrma ideal para este tipo de estrutura é a forma plastificada, a qual deve estar perfeitamente limpa, utilizando desmoldante de boa qualidade, tomando-se cautela para que este não seja incompatível com o concreto", alerta Pablo Marton.

Entrevistado
Pablo Marton do Nascimento, sócio-diretor da Global Wood do Brasil
Currículo
- Pablo Marton do Nascimento é graduado em desenho industrial, com ênfase em projeto de produtos, pela UTP (Universidade Tuiuti do Paraná) com pós-graduação em administração e marketing pela FAE Business School e MBA executivo em gestão empresarial pela ESIC Business e Marketing School
- É sócio-diretor da Global Wood do Brasil desde 2006. A empresa é especializada na distribuição de produtos madeireiros para construção civil e sistemas construtivos
Contato: www.globalwoodbrasil.com.brcontato@globalwoodbrasil.com.brpablo@globalwoodbrasil.com.br
Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Bauma 2013 apresenta o futuro à construção civil

Comitiva brasileira esteve na principal feira mundial de equipamentos para o setor e ficou impressionada com os processos de automação

Por: Altair Santos

De 15 a 21 de abril de 2013 aconteceu em Munique, na Alemanha, a mais recente edição da Bauma. Trata-se da maior feira internacional de equipamentos para sistemas construtivos industrializados, e que em 2014 terá uma versão chinesa. O evento reuniu 3.420 expositores de 57 países e atraiu 530 mil visitantes de 200 nacionalidades. O Brasil, liderado pela ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) levou uma comitiva de 28 pessoas, representando 13 empresas que atuam no setor de pré-fabricados no país.

Comitiva liderada pela ABCIC na Bauma 2013: automação foi o que mais chamou a atenção dos brasileiros.

Para os visitantes brasileiros, o que mais chamou a atenção foram os processos de automação, capazes de substituir a mão de obra especializada - cada vez mais escassa e de custo elevado no setor da construção industrializada. "Ainda que nossa indústria mantenha em seus pilares a padronização e a conformidade técnica, ela está menos automatizada em relação à Europa e aos Estados Unidos. A expectativa é que esse cenário sofra mudanças nos próximos anos, caso a política econômica de nosso país assim permita", disse a presidente-executiva da ABCIC, Íria Doniak.

O engenheiro civil Guilherme Philippi, da Marna Pré-Fabricados Ltda., que também esteve na Bauma, reforçou a impressão da dirigente da ABCIC. "Lá o custo para se ter um equipamento de primeira linha é muito mais baixo do que aqui no Brasil. A feira mostrou muitos equipamentos automatizados, que serviriam para reduzir o custo com mão de obra e nos tornar mais competitivos. Essa cultura já está bem difundida na Europa, enquanto no Brasil as empresas do setor ainda dependem bastante do fator humano para produzir", explicou.

A mesma impressão teve Márcio Valle de Lima Jr., da Exímia Engenharia – construção de obras industriais e comerciais. "A Bauma proporcionou conhecer novas tecnologias e equipamentos que solucionam os problemas com mão de obra", disse o engenheiro civil, ressaltando que entre as máquinas que mais chamaram sua atenção foram as que consertam escoras metálicas, limpam fôrmas metálicas, além das empilhadeiras portáteis com soluções diferenciadas.

A presidente-executiva da ABCIC destacou ainda que os processos de construção industrializada através da plataforma BIM (Building Information Modelling) assim como as novidades em segurança do trabalho, também chamaram a atenção da comitiva brasileira. "O sistema BIM hoje tem relação direta com o aumento de produtividade, em vista da crescente demanda por estruturas pré-fabricadas de concreto. Outro aspecto relevante da feira foi o setor dedicado à segurança, destacando não só novas tecnologias e equipamentos, mas também colocando o ser humano em evidência", disse.

Entrevistados
- Iria Doniak, presidente executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto)
- Márcio Valle de Lima Jr., da Exímia Engenharia
- Guilherme Philippi, sócio-proprietário da Marna Pré-Fabricados Ltda
Currículos
- Iria Lícia Oliva Doniak é graduada em engenharia civil e ocupa o cargo de presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto)
- Também é diretora do Cursos IBRACON e da DECONCIC-FIESP (Departamento da Construção Civil da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)
- É representante da ABCIC junto à fib (Federação Internacional do Concreto) atuando nos subgrupos de trabalho: Affordable Housing, Quality Control, Sustainability e Hollow Core Slabs
- Igualmente é representante da ABCIC junto ao conselho do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto)
- Atua como membro da ACHE (Associación Científico Técnica del Hormigón Estructural-Espanha), da ABNT ( Associação Brasileira de Normas Técnicas) no âmbito da CB-02 e da CB-18)
- Márcio Valle de Lima Jr. é graduado em engenharia civil pela PUC-PR (1990) com pós-graduação em fiscalização e gerenciamento de obras pela PUC-PR e pós-graduação em negócios imobiliários pela FAE
- De 1992 a 2003, foi diretor comercial da empresa Projepar Construções Pré-moldadas
- Atualmente é diretor da empresa Portátil Andaimes e Escoramentos – locadora de equipamento; diretor da empresa Exímia Engenharia – construção de obras industriais e comerciais, e diretor da empresa MLV Administração e Participações Imobiliárias
- Guilherme Philippi é graduado em engenharia civil e sócio-proprietário da Marna Pré-Fabricados Ltda
Contatos: abcic@abcic.org.br / eximiaengenharia@uol.com.br / marcio@portatilandaimes.com.brguilherme@marna.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Mato Grosso desperta para o pavimento de concreto

Tecnologia reveste trechos das rodovias BR-163 e BR-364, importantes corredores que escoam a safra de grãos do Centro-Oeste

Por: Altair Santos

Para o escoamento da safra de grãos do Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins) rumo aos portos de Santos e Paranaguá, duas rodovias são estratégicas: as BRs 163 e 364. Esses corredores, no entanto, sempre foram apontados como pontos frágeis da malha rodoviária federal, já que o tráfego intenso e pesado se mostrava incompatível com o pavimento asfáltico que recobria as pistas. Foi a partir de 2011 que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) decidiu aproveitar o projeto de duplicação das estradas para contemplar o pavimento de concreto em trechos críticos dessas rodovias.

Trechos de duplicação das BRs 163 e 364 recebem pavimento de concreto no Mato Grosso.

Com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) foram pavimentados inicialmente 20 quilômetros duplicados na Serra de São Vicente, localizada entre Cuiabá e Rondonópolis. Agora, a mesma tecnologia é empregada na recuperação do trecho de 9 quilômetros que corta a Serra dos Nobres. Para Fernando Crosara, gerente da regional da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para o Centro-Oeste, trata-se de uma vitória da associação. "Desde 2000, a ABCP tem feito um trabalho de convencimento das autoridades do Mato Grosso sobre as vantagens da utilização do pavimento de concreto em rodovias de tráfego extremamente pesado, como é o caso das BRs 163 e 364. Hoje, somos referência no Estado para as decisões sobre pavimentação", afirma.

Além dos trechos já em obra, o pavimento de concreto deverá também viabilizar os contornos da capital Cuiabá. Esses projetos ainda estão em estudo de viabilidade, mas a ABCP, como fez nos corredores já concluídos e em construção, apresentou três alternativas: uma pista totalmente nova em concreto, a recuperação da pista antiga feita em whitetopping (concreto sobre asfalto) ou uma base de Concreto Compactado Com Rolo (CCR) que dê suporte ao pavimento asfáltico. Segundo levantamento realizado pela associação, Mato Grosso tem capacidade de receber pelo menos 400 quilômetros de pavimento de concreto em suas rodovias.

Concretagem conta com túnel de vento, para permitir que trabalho avance em períodos de chuva.

Um dos empecilhos para a pavimentação em concreto na região Centro-Oeste do país era o chamado período das chuvas. No entanto, uma tecnologia testada durante as obras em um dos trechos da BR-163 acabou com esse problema. O processo de pavimentação foi realizado dentro de um túnel de vento com um quilômetro de extensão. "Essa inovação foi muito bem sucedida, pois permitiu a execução do pavimento de concreto em pleno regime de chuvas da região, fato inédito nesse tipo de obra. O sucesso foi tanto que o Dnit promoveu uma palestra da empresa executora para seus superintendentes, com o objetivo de divulgar a tecnologia e discutir seus custos", disse Fernando Crosara.

A eficiência do pavimento de concreto em rodovias de tráfego intenso parece estar convencendo o Dnit. Atualmente, há mais de cem projetos em fase de estudo de viabilidade. Desde que aprovados, eles poderão vir a substituir corredores de asfalto pelos de concreto em boa parte do país. "Atualmente, discutir a sustentabilidade de um sistema construtivo passou a ser essencial nas tomadas de decisão e na escolha de projetos de engenharia. O pavimento de concreto, pela sua durabilidade, utilização de materiais inertes e reduzida manutenção, sai na frente quando abordado esse item, sem contar que a própria fabricação do principal insumo, que é o cimento, hoje conta com adições e coprocessamento que ajudam a destruir resíduos de outras indústrias. Com certeza, esse fator pesará cada vez mais nas escolhas, tão logo sejam melhor conhecidos os parâmetros de comparação de todos os sistemas", avalia o gerente da regional da ABCP para o Centro-Oeste.

Veja vídeo sobre as obras em pavimento de concreto no Mato Grosso

Fernando Crosara: pavimento de concreto atualmente é referência no Mato Grosso.

Entrevistado
Fernando Crosara, gerente da regional da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para o Centro-Oeste
Currículo
- Fernando César Crosara é graduado em engenharia civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
- Tem MBA em gerência de projetos e 35 anos de atuação no mercado da construção civil
- Atua há 10 anos na Associação Brasileira de Cimento Portlando (ABCP) como gerente da regional Centro-Oeste
Contato: fernando.crosara@abcp.org.br
Créditos fotos: Gioconda Bretas / Ascom MPOG / ABCP

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Concorrência predatória se combate com estratégia

Escassez de mão de obra leva empresas a assediarem profissionais de outras Companhias. O antídoto está em novos métodos de recrutamento

Por: Altair Santos

Apesar de todos os esforços - inclusive governamentais - para qualificar os trabalhadores, a escassez de mão de obra ainda é um dos principais entraves para as corporações brasileiras. A mais recente pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o tema, revela que, para 49% das grandes empresas, este é hoje o principal gargalo. Entre estabelecimentos de pequeno e médio portes, o percentual é ainda maior: 56,5% e 57% revelam, respectivamente, dificuldades em encontrar mão de obra qualificada.

Felipe Magrim: competição predatória se combate com investimento em produtividade e qualificação.

O cenário tem levado à concorrência predatória pelos melhores profissionais. Em alguns casos, umas assediando trabalhadores das outras, usando o salário como principal argumento. Entre os setores mais atingidos por essa escassez está a construção civil. Há empresas contratando o serviço de headhunters para buscar, principalmente, engenheiros. Mas o problema não se limita a trabalhadores de nível superior. É cada vez mais raro também encontrar pessoal de nível médio bem treinado e à disposição no mercado.

Entre os organismos dedicados a combater a escassez de mão de obra no país está a Amcham-Brasil (Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos). Segundo Felipe Magrim, gerente de relações governamentais da Amcham-Brasil, há mecanismos que podem prevenir a competição predatória e estimular as empresas a prospectar talentos e manter os bons profissionais em seus quadros. "Apesar da carência por mão de obra qualificada, a Amcham-Brasil procura estimular a competitividade saúdavel", diz. Saiba mais na entrevista a seguir:

Escassez de mão de obra, principalmente nos setores com alta demanda tecnológica, é um dos maiores entraves para as empresas brasileiras?
A leitura que se faz é que as empresas precisam de um gerenciamento mais eficiente da mão de obra, principalmente no setor de infraestrutura. Nos próximos anos, certamente continuará havendo uma demanda crescente por profissionais qualificados e os empresários brasileiros estão começando a se preocupar com isso. No segundo semestre de 2012, a Amcham-Brasil realizou o Business RoundUp e a principal tendência apontada como solução para os possíveis entraves causados pela escassez da mão de obra foi o investimento em produtividade e qualificação.

Nesse ambiente de escassez de mão de obra qualificada, principalmente na construção civil, a concorrência predatória é um risco?
Podemos identificar um foco de investimento muito grande na construção civil, combinada com carência por mão de obra qualificada. A Amcham-Brasil orienta os empresários a procurar estimular a competitividade e a ficar atento aos incentivos públicos e oportunidades para o setor. De acordo com o Sinduscon-SP, foram contratados cerca de 3,4 milhões de funcionários no ano passado e o nível de desemprego chegou a 2% no setor. Os dados indicam que houve uma saturação da mão de obra e, por isso, é necessário aumentar a produtividade e ficar preparado para lidar com a concorrência.

Quando uma empresa utiliza da concorrência predatória para atrair profissionais, ela não corre o risco de gerar inflação salarial no setor em que atua?
Os empresários estão preocupados em evitar a inflação salarial e um consequente descontrole no orçamento da empresa para os funcionários. Por isso, apesar da forte concorrência, o plano de negócios deve estar focado em equilibrar de maneira adequada os salários oferecidos tanto aos gestores quanto aos novos talentos. Em relação ao setor da construção civil, tivemos a informação do Sinduscon-SP de que a legislação trabalhista pode não ser completamente favorável aos incentivos à competitividade.

A concorrência predatória por mão de obra pode conturbar o ambiente de trabalho dentro da empresa que a pratica e desencadear um alto turnover?
Essa é uma tendência apontada constantemente. Para evitar a rotatividade constante de funcionários, e aproveitar melhor os talentos, as empresas estão modificando a estrutura de gestão de pessoas, dando um tratamento mais personalizado. Além disso, é preciso preservar um contato mais próximo com a chamada “geração y”, caracterizada por jovens que procuram uma ascensão rápida na carreira e preferem um ambiente dinâmico com relacionamento flexível e envolvimento maior com as plataformas digitais.

Qual é a forma saudável de se competir por mão de obra qualificada?
Para identificar a mão de obra qualificada é importante investir em programas de recrutamento que possam absorver os profissionais capacitados não somente no quesito técnico, mas também na relação interpessoal. De acordo com especialistas que são consultados durante comitês realizados pela Amcham-Brasil, além da excelência na área em que trabalha é necessário que o profissional tenha um bom relacionamento com a equipe e consiga se desenvolver no ambiente corporativo. Outro elemento importante é reconhecer os funcionários que mais se destacam. A valorização dos talentos evita que eles busquem novas oportunidades de trabalho e levem o aprendizado e a experiência deles para empresas concorrentes.

A contratação de headhunters, por parte das empresas, ajuda a combater a concorrência predatória por mão de obra?
Além da contratação de headhunters, é importante que a empresa tenha ferramentas que possam dar suporte a esses profissionais, que podem ter uma visão mais direcionada para a busca por novos talentos. Durante os nossos comitês, consultores e headhunters são convidados para falar com os empresários sobre a necessidade de deixar mais claro aos candidatos todos os benefícios e as exigências para ocupar as vagas oferecidas pela empresa. Para combater a concorrência, os especialistas apontam que é necessário, principalmente, alinhar as expectativas da empresa aos do funcionário. Atualmente, as Companhias são orientadas a buscar uma comunicação mais transparente, que incentive cada profissional a ter um desempenho que seja compatível com a política de cada departamento.

No caso do profissional que é o alvo da concorrência predatória entre empresas, como ele deve se comportar?
As empresas estão sendo estimuladas a estabelecer um ambiente de trabalho que possa reconhecer e permitir o crescimento do profissional dentro da empresa. Dessa forma, ele percebe que continuar dentro da Companhia pode ser uma escolha favorável a longo prazo, pois será possível crescer e adquirir novas experiências. Por isso, a governança corporativa deve estar focada no aproveitamento e nos interesses de cada talento. Segundo a opinião dos consultores que palestram em eventos e comitês da Amcham, existem muitos mecanismos para permitir um maior desenvolvimento do profissional, que vão desde as remunerações variáveis (bônus, metas e premiações) a um tratamento personalizado e individual do trabalho. Portanto, a forma como o profissional se comporta ao receber uma proposta da concorrência deve ser uma preocupação da empresa, que deve evitar a evasão da sua mão de obra produtiva.

A concorrência predatória por mão de obra inibe a descoberta de novos talentos?
A procura por talentos, que tenham maior qualificação e experiência, torna-se ainda mais importante e crucial para a empresa quando existe uma forte competitividade no setor em que atua. Apesar da concorrência na disputa por esses profissionais, a política da empresa deve ter como prioridade programas de recrutamento bem elaborados, possibilitar a experiência como trainee e prestar atenção nas práticas que estão sendo difundidas no mercado. Durante comitês de gestão de pessoas, que a Amcham-Brasil organiza mensalmente, pudemos ouvir de consultores a importância de selecionar os talentos e, mais tarde, oferecer cursos e treinamentos periódicos. A qualificação continuada do funcionário dentro da empresa é a principal justificativa para a criação de universidades corporativas e avaliações do desempenho no ambiente de trabalho. Alternativas como essas colaboram para que os talentos de hoje se tornem líderes com um olhar mais aguçado para descobrir profissionais capacitados e que se enquadrem no perfil da empresa.

Entrevistado
Felipe Magrim, gerente de relações governamentais da Amcham-Brasil (Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos)
Currículo
- Felipe Magrim é graduado em relações internacionais pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) e em Ciências Sociais pela PUC-SP. Tem especialização em políticas públicas pela Escola de Governo de São Paulo
- Ocupa o cargo de gerente de relações governamentais da Amcham-Brasil desde abril de 2012
- O departamento atua em áreas como tributação e questões regulamentares, além de identificar problemas enfrentados pelo setor privado nas propostas de regulação de mercado e no desenvolvimento de políticas públicas
Contato: felipe.magrim@amchambrasil.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330