Adicionar água suplementar ao concreto exige cuidados
Quantidade de água acima da prevista em dosagem aumenta a porosidade, diminui a resistência e amplia o risco de patologias
Por: Jorge Aoki, Gerente de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé
A água é um importante componente do concreto e tem basicamente duas funções: provocar a reação de hidratação dos compostos do cimento, com seu consequente endurecimento, e aumentar a trabalhabilidade para que possa preencher adequadamente as fôrmas, sem causar vazios ou nichos. Sob certo aspecto, dá para dizer que a água é tão ou mais importante que o próprio cimento, pois, além das funções citadas, é ela quem determina a dosagem dos aditivos químicos plastificantes a serem aplicados no concreto.
Uma das expressões mais conhecidas pelos tecnologistas de concreto é justamente a relação água/cimento (a/c) que direciona para a resistência pretendida. É fácil perceber que, para se manter a relação constante, é preciso aumentar ou reduzir igualmente os componentes água e cimento. O adicionamento de água além da quantidade estipulada na dosagem pode aumentar o abatimento acima do limite especificado. Embora aparentemente facilite a aplicação, faz com que o volume de vazios dentro da massa do concreto também aumente, diminuindo sua resistência mecânica e comprometendo, muitas vezes, o próprio desempenho da estrutura, facilitando a entrada de agentes agressivos ao concreto.
Em média, e de acordo com a composição química do cimento, a completa reação de hidratação necessita de cerca de 25% de água em relação ao seu peso. O restante dará a necessária condição para que o concreto seja aplicado e sairá da massa por evaporação capilar. Mas desde que a cura não seja feita adequadamente, poderá causar o aparecimento de fissuras - importante patologia provocada em parte pela água suplementar.
Com a evolução dos aditivos superplastificantes, passou-se a exigir um cuidado extra no momento do cálculo da dosagem e da aplicação de água. Os concretos que utilizam estes componentes, em geral recebem pequenas quantidades de água, uma vez que a plasticidade é conseguida através dos aditivos. Caso a perda de água por evaporação seja acentuada, parte do cimento poderá ficar sem a completa hidratação. Nestes casos, além dos cuidados habituais, toda a atenção deve ser dirigida para a cura, no sentido de se garantir uma hidratação adequada.
A NBR 7212/2012 - Execução de concreto dosado em central - Procedimento, em seu item 4.4.4 diz: “Antes do início da descarga, ao verificar que o concreto apresenta abatimento dentro da classe de consistência especificada, não se admite adição suplementar de água. Qualquer adição de água exigida pela contratante exime a empresa de serviços de concretagem de qualquer responsabilidade quanto às características do concreto constantes no pedido. Este fato deve ser registrado no documento de entrega”. Em nota, esclarece que água suplementar é a quantidade de água adicionada ao concreto que ultrapassa a prevista na dosagem. Além disso, recomenda estabelecer em seu item 4.4.3 um sistema rigoroso de controle da água, para evitar ser ultrapassada a quantidade máxima prevista.
A NBR 6118/2007 - Projeto de estruturas de concreto – Procedimento, estabelece também no item 7 – Critérios de projeto que visam a durabilidade, uma correlação entre a relação água/cimento e a resistência à compressão. Na tabela 7.1 estão os valores máximos da relação a/c em função das classes de agressividade ambiental e tipo do concreto. São cuidados abrangentes, com o objetivo de reduzir a porosidade do concreto e preservar sua vida útil. A adição suplementar da água além da prevista na dosagem, altera a relação a/c, prejudica a resistência e aumenta a porosidade.
Esta importante relação, e todos os cuidados apontados, estabelece uma dependência, para as estruturas, entre os dois materiais mais utilizados no mundo: a água, em primeiro lugar, e o concreto - este, o material de construção mais usado no planeta.
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Nova estação na Antártica usará pré-moldados
Peças de concreto serão empregadas na construção do futuro QG brasileiro no polo sul. Projeto vencedor é de Curitiba
Por: Altair Santos
Em fevereiro de 2012, um incêndio destruiu a base militar e científica do Brasil na Antártica. O acidente comprometeu as pesquisas do país no polo sul. No entanto, a retomada dos trabalhos tende a ficar bem mais confortável quando a nova estação Comandante Ferraz for reconstruída. Ao invés de contêineres - material que predominava na antiga instalação, implantada em 1984 -, o novo QG brasileiro terá uma arquitetura adequada para enfrentar os rigores do frio da região. Graças ao escritório curitibano Estúdio 41, que ganhou o concurso promovido pela Marinha do Brasil para projetar a nova base na Antártica.

A futura estrutura será construída na península de Keller e terá a predominância dos pré-fabricados. Aliás, foi por ter dado prioridade aos processos industrializados que o Estúdio 41 ganhou o concurso. "Um fator bastante restritivo, imposto pelo Tratado Antártico, é a proibição de qualquer derramamento de massa ou argamassa em solo antártico, devido à necessidade de remoção de todos os resíduos quando da desocupação das áreas. Por tal motivo, a utilização de concreto ficou relacionada ao uso de elementos pré-fabricados e de blocos cimentícios", explica o arquiteto Fabio Henrique Faria, um dos autores do projeto.
Em sua maioria, a nova base brasileira na Antártica será construída com estruturas metálicas leves, pré-fabricados em madeira e vidro com tripla camada. "O envoltório foi pré-concebido em um sanduíche de chapas metálicas, com o isolamento necessário no centro", diz o arquiteto. No memorial do projeto, está clara a opção por sistemas industrializados de construção. "A estratégia central é a repetição de sistemas construtivos, permitindo alcançar níveis de excelência na montagem e garantir o autodesempenho do edifício, ao mesmo tempo racionalizando o processo de fabricação", diz o documento.
Outra característica do projeto - vencedor entre 74 propostas -, é que ele permite ser ampliado de acordo com as necessidades. A princípio, a estrutura estará apta a receber 60 pessoas, atendendo termo de referência desenvolvido pelo corpo técnico da Marinha e sob a orientação da comunidade científica. Para que se inicie a construção, é aguardada a abertura de licitação para a execução das obras, o que deve ocorrer no verão antártico, que começa em dezembro. O Estúdio 41 acompanhará o procedimento licitatório e tende a orientar o processo de montagem.
Confira a equipe que atuou no projeto:
Autores
Emerson Vidigal (Estúdio 41)
Eron Costin (Estúdio 41)
Fabio Henrique Faria (Estúdio 41)
João Gabriel Moura Rosa Cordeiro (Estúdio 41)
Consultores
Arq. Guido Petinelli, Conforto e Energia (Petinelli)
Arq. Eduardo Brofman, Conforto e Energia
Eng. Eduardo Ribeiro, Instalações
Arq. Carlos Garmatter, Segurança e prevenção contra incêndio
Eng. Ricardo Dias, Estruturas
Eng. Bruno Martinez, Conforto e Energia (Petinelli)
Eng. Andre Belloni, Conforto e Energia (Petinelli)
Eng. Josiele Patias, Geotecnia
Colaboradores
Arq. Dario Corrêa Durce
Arq. Moacir Zancopé Jr.
Martin Goic
Fernando Moleta
Alexandre Kenji
Rafael Fischer
Veja as plantas do projeto:
Parte 01
Parte 02
Entrevistado
Estúdio 41, escritório de arquitetura (via assessoria de imprensa)
Contato: www.estudio41.com.br / estudio@estudio41.com.br
Créditos foto: Divulgação/Estúdio 41
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Madeira da fôrma faz toda a diferença na concretagem
Material precisa ser certificado e manuseado por mão de obra qualificada. Caso contrário, pode expor a estrutura a patologias
Por: Altair Santos
Apesar de as fôrmas metálicas estarem cada vez mais consolidadas no mercado, principalmente em processos industrializados de construção, são as fôrmas de madeira que ainda predominam em concretagens de vigas, lajes e pilares na maioria das obras brasileiras. Mas é preciso atenção à qualidade da madeira. Se a fôrma for construída com material inadequado, ela pode apresentar falhas de vedação e possibilitar a fuga da nata do concreto, além de permitir deformações nas peças concretadas e perda dos nivelamentos superiores e inferiores. A pressão exercida pelo concreto plástico nas fôrmas é muito grande nas fases de lançamento e adensamento do concreto. A dificuldade aumenta na medida em que a altura e volume das peças também aumentam. Por isso, a madeira precisa ter estrutura mecânica, sobretudo quando se usa concreto autoadensável - cada vez mais comum nas obras -, que requer fôrmas mais resistentes e estanques.

Como todos os materiais usados em construção civil, as madeiras para fôrmas também precisam ser certificadas e atender as seguintes normas: NR 18 (Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção), NBR 6118 (Projeto de Estruturas de concreto), NBR 9490 (Projeto de Lâmina e Compensado), NBR 14931 (Execução de estruturas de concreto -Procedimento) e NBR 7190 (Projeto de estruturas de madeira). No Brasil, as que mais se adequam a essas exigências são as fôrmas de lâmina de pinus. Em especial, as com aplicação de tego-filme, as chamadas fôrmas plastificadas, e que utilizam a cola WBP - water-boiled proof (resistente a intempéries e fervura) -, capazes de resistir a uma prolongada exposição à umidade, já que a fôrma de madeira não pode absorver a água do concreto, e a variações de temperatura que possam interferir na junção das lâminas.
Uma fôrma que atenda as normatizações, e desde que manuseada corretamente, pode ultrapassar até 30 reutilizações em processos de concretagem. É o que garante Pablo Marton do Nascimento, sócio-diretor da Global Wood do Brasil - empresa especializada na distribuição de produtos madeireiros para a construção civil e sistemas construtivos. "É importante ter em mente que a fôrma de madeira não deve ser considerada um material descartável. Elas podem ser reutilizadas na mesma obra ou em projetos futuros", diz o especialista, listando os requisitos para conservação das fôrmas:

1) O transporte das chapas deve ser traçado para evitar possíveis lascas nas bordas, quinas e superfícies.
2) O empilhamento deve ser na horizontal e apoiado em pontaletes, de modo que não fiquem diretamente em contato com o chão.
3) Recomenda-se também cobrir os fardos com uma lona ou armazenar em local protegido de umidade e agentes climáticos.
4) Um plano de corte diminui a quantidade de sobras não reutilizáveis. Para o corte, recomenda-se o uso de serra de vídea de modo a não quebrar ou fazer lascas nas formas.
5) Após o corte, a impermeabilização das novas bordas com tinta selante ou emborrachada é muito recomendada, pois evita a infiltração de água pelos topos cortados.
6) Os pregos devem ser introduzidos no sentido perpendicular às lâminas da chapa e nunca nas bordas. A ponta dos vibradores utilizados para adensar o concreto deve ser revestida com borracha e o seu contato com a superfície do compensado deve ser evitado.
7) Após o uso, as fôrmas devem ser lavadas com água sob pressão e receber nova aplicação de agentes desmoldantes para facilitar a próxima operação de desfôrma.
8) O uso correto de produtos desmoldantes está ligado diretamente na boa aparência do concreto e nos altos índices de reaproveitamento das fôrmas.
9) Deve-se ater-se também ao tipo de concreto a ser estruturado, pois existem desmoldantes específicos para o concreto que futuramente será revestido e para o que será aparente.
Concreto aparente
Para determinados tipos de estrutura, a qualidade da madeira da fôrma é ainda mais importante. O concreto aparente é um exemplo, já que ele não permite reparos como pintura, lixamento e retoques. Neste processo, a madeira tem papel fundamental, pois influencia diretamente para impedir a permeabilidade, a carbonatação e a presença de fissuras, garantindo a resistência e a durabilidade desejadas. "Esses requisitos tornam-se ainda mais preponderantes quando se projeta uma estrutura em concreto aparente. Neste caso, a fôrma é protagonista para proporcionar ao concreto o aspecto liso e uniforme. A fôrma ideal para este tipo de estrutura é a forma plastificada, a qual deve estar perfeitamente limpa, utilizando desmoldante de boa qualidade, tomando-se cautela para que este não seja incompatível com o concreto", alerta Pablo Marton.
Entrevistado
Pablo Marton do Nascimento, sócio-diretor da Global Wood do Brasil
Currículo
- Pablo Marton do Nascimento é graduado em desenho industrial, com ênfase em projeto de produtos, pela UTP (Universidade Tuiuti do Paraná) com pós-graduação em administração e marketing pela FAE Business School e MBA executivo em gestão empresarial pela ESIC Business e Marketing School
- É sócio-diretor da Global Wood do Brasil desde 2006. A empresa é especializada na distribuição de produtos madeireiros para construção civil e sistemas construtivos
Contato: www.globalwoodbrasil.com.br / contato@globalwoodbrasil.com.br / pablo@globalwoodbrasil.com.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Bauma 2013 apresenta o futuro à construção civil
Comitiva brasileira esteve na principal feira mundial de equipamentos para o setor e ficou impressionada com os processos de automação
Por: Altair Santos
De 15 a 21 de abril de 2013 aconteceu em Munique, na Alemanha, a mais recente edição da Bauma. Trata-se da maior feira internacional de equipamentos para sistemas construtivos industrializados, e que em 2014 terá uma versão chinesa. O evento reuniu 3.420 expositores de 57 países e atraiu 530 mil visitantes de 200 nacionalidades. O Brasil, liderado pela ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) levou uma comitiva de 28 pessoas, representando 13 empresas que atuam no setor de pré-fabricados no país.

Para os visitantes brasileiros, o que mais chamou a atenção foram os processos de automação, capazes de substituir a mão de obra especializada - cada vez mais escassa e de custo elevado no setor da construção industrializada. "Ainda que nossa indústria mantenha em seus pilares a padronização e a conformidade técnica, ela está menos automatizada em relação à Europa e aos Estados Unidos. A expectativa é que esse cenário sofra mudanças nos próximos anos, caso a política econômica de nosso país assim permita", disse a presidente-executiva da ABCIC, Íria Doniak.
O engenheiro civil Guilherme Philippi, da Marna Pré-Fabricados Ltda., que também esteve na Bauma, reforçou a impressão da dirigente da ABCIC. "Lá o custo para se ter um equipamento de primeira linha é muito mais baixo do que aqui no Brasil. A feira mostrou muitos equipamentos automatizados, que serviriam para reduzir o custo com mão de obra e nos tornar mais competitivos. Essa cultura já está bem difundida na Europa, enquanto no Brasil as empresas do setor ainda dependem bastante do fator humano para produzir", explicou.
A mesma impressão teve Márcio Valle de Lima Jr., da Exímia Engenharia – construção de obras industriais e comerciais. "A Bauma proporcionou conhecer novas tecnologias e equipamentos que solucionam os problemas com mão de obra", disse o engenheiro civil, ressaltando que entre as máquinas que mais chamaram sua atenção foram as que consertam escoras metálicas, limpam fôrmas metálicas, além das empilhadeiras portáteis com soluções diferenciadas.
A presidente-executiva da ABCIC destacou ainda que os processos de construção industrializada através da plataforma BIM (Building Information Modelling) assim como as novidades em segurança do trabalho, também chamaram a atenção da comitiva brasileira. "O sistema BIM hoje tem relação direta com o aumento de produtividade, em vista da crescente demanda por estruturas pré-fabricadas de concreto. Outro aspecto relevante da feira foi o setor dedicado à segurança, destacando não só novas tecnologias e equipamentos, mas também colocando o ser humano em evidência", disse.
Entrevistados
- Iria Doniak, presidente executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto)
- Márcio Valle de Lima Jr., da Exímia Engenharia
- Guilherme Philippi, sócio-proprietário da Marna Pré-Fabricados Ltda
Currículos
- Iria Lícia Oliva Doniak é graduada em engenharia civil e ocupa o cargo de presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto)
- Também é diretora do Cursos IBRACON e da DECONCIC-FIESP (Departamento da Construção Civil da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)
- É representante da ABCIC junto à fib (Federação Internacional do Concreto) atuando nos subgrupos de trabalho: Affordable Housing, Quality Control, Sustainability e Hollow Core Slabs
- Igualmente é representante da ABCIC junto ao conselho do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto)
- Atua como membro da ACHE (Associación Científico Técnica del Hormigón Estructural-Espanha), da ABNT ( Associação Brasileira de Normas Técnicas) no âmbito da CB-02 e da CB-18)
- Márcio Valle de Lima Jr. é graduado em engenharia civil pela PUC-PR (1990) com pós-graduação em fiscalização e gerenciamento de obras pela PUC-PR e pós-graduação em negócios imobiliários pela FAE
- De 1992 a 2003, foi diretor comercial da empresa Projepar Construções Pré-moldadas
- Atualmente é diretor da empresa Portátil Andaimes e Escoramentos – locadora de equipamento; diretor da empresa Exímia Engenharia – construção de obras industriais e comerciais, e diretor da empresa MLV Administração e Participações Imobiliárias
- Guilherme Philippi é graduado em engenharia civil e sócio-proprietário da Marna Pré-Fabricados Ltda
Contatos: abcic@abcic.org.br / eximiaengenharia@uol.com.br / marcio@portatilandaimes.com.br / guilherme@marna.com.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Mato Grosso desperta para o pavimento de concreto
Tecnologia reveste trechos das rodovias BR-163 e BR-364, importantes corredores que escoam a safra de grãos do Centro-Oeste
Por: Altair Santos
Para o escoamento da safra de grãos do Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins) rumo aos portos de Santos e Paranaguá, duas rodovias são estratégicas: as BRs 163 e 364. Esses corredores, no entanto, sempre foram apontados como pontos frágeis da malha rodoviária federal, já que o tráfego intenso e pesado se mostrava incompatível com o pavimento asfáltico que recobria as pistas. Foi a partir de 2011 que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) decidiu aproveitar o projeto de duplicação das estradas para contemplar o pavimento de concreto em trechos críticos dessas rodovias.

Com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) foram pavimentados inicialmente 20 quilômetros duplicados na Serra de São Vicente, localizada entre Cuiabá e Rondonópolis. Agora, a mesma tecnologia é empregada na recuperação do trecho de 9 quilômetros que corta a Serra dos Nobres. Para Fernando Crosara, gerente da regional da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para o Centro-Oeste, trata-se de uma vitória da associação. "Desde 2000, a ABCP tem feito um trabalho de convencimento das autoridades do Mato Grosso sobre as vantagens da utilização do pavimento de concreto em rodovias de tráfego extremamente pesado, como é o caso das BRs 163 e 364. Hoje, somos referência no Estado para as decisões sobre pavimentação", afirma.
Além dos trechos já em obra, o pavimento de concreto deverá também viabilizar os contornos da capital Cuiabá. Esses projetos ainda estão em estudo de viabilidade, mas a ABCP, como fez nos corredores já concluídos e em construção, apresentou três alternativas: uma pista totalmente nova em concreto, a recuperação da pista antiga feita em whitetopping (concreto sobre asfalto) ou uma base de Concreto Compactado Com Rolo (CCR) que dê suporte ao pavimento asfáltico. Segundo levantamento realizado pela associação, Mato Grosso tem capacidade de receber pelo menos 400 quilômetros de pavimento de concreto em suas rodovias.

Um dos empecilhos para a pavimentação em concreto na região Centro-Oeste do país era o chamado período das chuvas. No entanto, uma tecnologia testada durante as obras em um dos trechos da BR-163 acabou com esse problema. O processo de pavimentação foi realizado dentro de um túnel de vento com um quilômetro de extensão. "Essa inovação foi muito bem sucedida, pois permitiu a execução do pavimento de concreto em pleno regime de chuvas da região, fato inédito nesse tipo de obra. O sucesso foi tanto que o Dnit promoveu uma palestra da empresa executora para seus superintendentes, com o objetivo de divulgar a tecnologia e discutir seus custos", disse Fernando Crosara.
A eficiência do pavimento de concreto em rodovias de tráfego intenso parece estar convencendo o Dnit. Atualmente, há mais de cem projetos em fase de estudo de viabilidade. Desde que aprovados, eles poderão vir a substituir corredores de asfalto pelos de concreto em boa parte do país. "Atualmente, discutir a sustentabilidade de um sistema construtivo passou a ser essencial nas tomadas de decisão e na escolha de projetos de engenharia. O pavimento de concreto, pela sua durabilidade, utilização de materiais inertes e reduzida manutenção, sai na frente quando abordado esse item, sem contar que a própria fabricação do principal insumo, que é o cimento, hoje conta com adições e coprocessamento que ajudam a destruir resíduos de outras indústrias. Com certeza, esse fator pesará cada vez mais nas escolhas, tão logo sejam melhor conhecidos os parâmetros de comparação de todos os sistemas", avalia o gerente da regional da ABCP para o Centro-Oeste.
Veja vídeo sobre as obras em pavimento de concreto no Mato Grosso

Entrevistado
Fernando Crosara, gerente da regional da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para o Centro-Oeste
Currículo
- Fernando César Crosara é graduado em engenharia civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
- Tem MBA em gerência de projetos e 35 anos de atuação no mercado da construção civil
- Atua há 10 anos na Associação Brasileira de Cimento Portlando (ABCP) como gerente da regional Centro-Oeste
Contato: fernando.crosara@abcp.org.br
Créditos fotos: Gioconda Bretas / Ascom MPOG / ABCP
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Concorrência predatória se combate com estratégia
Escassez de mão de obra leva empresas a assediarem profissionais de outras Companhias. O antídoto está em novos métodos de recrutamento
Por: Altair Santos
Apesar de todos os esforços - inclusive governamentais - para qualificar os trabalhadores, a escassez de mão de obra ainda é um dos principais entraves para as corporações brasileiras. A mais recente pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o tema, revela que, para 49% das grandes empresas, este é hoje o principal gargalo. Entre estabelecimentos de pequeno e médio portes, o percentual é ainda maior: 56,5% e 57% revelam, respectivamente, dificuldades em encontrar mão de obra qualificada.

O cenário tem levado à concorrência predatória pelos melhores profissionais. Em alguns casos, umas assediando trabalhadores das outras, usando o salário como principal argumento. Entre os setores mais atingidos por essa escassez está a construção civil. Há empresas contratando o serviço de headhunters para buscar, principalmente, engenheiros. Mas o problema não se limita a trabalhadores de nível superior. É cada vez mais raro também encontrar pessoal de nível médio bem treinado e à disposição no mercado.
Entre os organismos dedicados a combater a escassez de mão de obra no país está a Amcham-Brasil (Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos). Segundo Felipe Magrim, gerente de relações governamentais da Amcham-Brasil, há mecanismos que podem prevenir a competição predatória e estimular as empresas a prospectar talentos e manter os bons profissionais em seus quadros. "Apesar da carência por mão de obra qualificada, a Amcham-Brasil procura estimular a competitividade saúdavel", diz. Saiba mais na entrevista a seguir:
Escassez de mão de obra, principalmente nos setores com alta demanda tecnológica, é um dos maiores entraves para as empresas brasileiras?
A leitura que se faz é que as empresas precisam de um gerenciamento mais eficiente da mão de obra, principalmente no setor de infraestrutura. Nos próximos anos, certamente continuará havendo uma demanda crescente por profissionais qualificados e os empresários brasileiros estão começando a se preocupar com isso. No segundo semestre de 2012, a Amcham-Brasil realizou o Business RoundUp e a principal tendência apontada como solução para os possíveis entraves causados pela escassez da mão de obra foi o investimento em produtividade e qualificação.
Nesse ambiente de escassez de mão de obra qualificada, principalmente na construção civil, a concorrência predatória é um risco?
Podemos identificar um foco de investimento muito grande na construção civil, combinada com carência por mão de obra qualificada. A Amcham-Brasil orienta os empresários a procurar estimular a competitividade e a ficar atento aos incentivos públicos e oportunidades para o setor. De acordo com o Sinduscon-SP, foram contratados cerca de 3,4 milhões de funcionários no ano passado e o nível de desemprego chegou a 2% no setor. Os dados indicam que houve uma saturação da mão de obra e, por isso, é necessário aumentar a produtividade e ficar preparado para lidar com a concorrência.
Quando uma empresa utiliza da concorrência predatória para atrair profissionais, ela não corre o risco de gerar inflação salarial no setor em que atua?
Os empresários estão preocupados em evitar a inflação salarial e um consequente descontrole no orçamento da empresa para os funcionários. Por isso, apesar da forte concorrência, o plano de negócios deve estar focado em equilibrar de maneira adequada os salários oferecidos tanto aos gestores quanto aos novos talentos. Em relação ao setor da construção civil, tivemos a informação do Sinduscon-SP de que a legislação trabalhista pode não ser completamente favorável aos incentivos à competitividade.
A concorrência predatória por mão de obra pode conturbar o ambiente de trabalho dentro da empresa que a pratica e desencadear um alto turnover?
Essa é uma tendência apontada constantemente. Para evitar a rotatividade constante de funcionários, e aproveitar melhor os talentos, as empresas estão modificando a estrutura de gestão de pessoas, dando um tratamento mais personalizado. Além disso, é preciso preservar um contato mais próximo com a chamada “geração y”, caracterizada por jovens que procuram uma ascensão rápida na carreira e preferem um ambiente dinâmico com relacionamento flexível e envolvimento maior com as plataformas digitais.
Qual é a forma saudável de se competir por mão de obra qualificada?
Para identificar a mão de obra qualificada é importante investir em programas de recrutamento que possam absorver os profissionais capacitados não somente no quesito técnico, mas também na relação interpessoal. De acordo com especialistas que são consultados durante comitês realizados pela Amcham-Brasil, além da excelência na área em que trabalha é necessário que o profissional tenha um bom relacionamento com a equipe e consiga se desenvolver no ambiente corporativo. Outro elemento importante é reconhecer os funcionários que mais se destacam. A valorização dos talentos evita que eles busquem novas oportunidades de trabalho e levem o aprendizado e a experiência deles para empresas concorrentes.
A contratação de headhunters, por parte das empresas, ajuda a combater a concorrência predatória por mão de obra?
Além da contratação de headhunters, é importante que a empresa tenha ferramentas que possam dar suporte a esses profissionais, que podem ter uma visão mais direcionada para a busca por novos talentos. Durante os nossos comitês, consultores e headhunters são convidados para falar com os empresários sobre a necessidade de deixar mais claro aos candidatos todos os benefícios e as exigências para ocupar as vagas oferecidas pela empresa. Para combater a concorrência, os especialistas apontam que é necessário, principalmente, alinhar as expectativas da empresa aos do funcionário. Atualmente, as Companhias são orientadas a buscar uma comunicação mais transparente, que incentive cada profissional a ter um desempenho que seja compatível com a política de cada departamento.
No caso do profissional que é o alvo da concorrência predatória entre empresas, como ele deve se comportar?
As empresas estão sendo estimuladas a estabelecer um ambiente de trabalho que possa reconhecer e permitir o crescimento do profissional dentro da empresa. Dessa forma, ele percebe que continuar dentro da Companhia pode ser uma escolha favorável a longo prazo, pois será possível crescer e adquirir novas experiências. Por isso, a governança corporativa deve estar focada no aproveitamento e nos interesses de cada talento. Segundo a opinião dos consultores que palestram em eventos e comitês da Amcham, existem muitos mecanismos para permitir um maior desenvolvimento do profissional, que vão desde as remunerações variáveis (bônus, metas e premiações) a um tratamento personalizado e individual do trabalho. Portanto, a forma como o profissional se comporta ao receber uma proposta da concorrência deve ser uma preocupação da empresa, que deve evitar a evasão da sua mão de obra produtiva.
A concorrência predatória por mão de obra inibe a descoberta de novos talentos?
A procura por talentos, que tenham maior qualificação e experiência, torna-se ainda mais importante e crucial para a empresa quando existe uma forte competitividade no setor em que atua. Apesar da concorrência na disputa por esses profissionais, a política da empresa deve ter como prioridade programas de recrutamento bem elaborados, possibilitar a experiência como trainee e prestar atenção nas práticas que estão sendo difundidas no mercado. Durante comitês de gestão de pessoas, que a Amcham-Brasil organiza mensalmente, pudemos ouvir de consultores a importância de selecionar os talentos e, mais tarde, oferecer cursos e treinamentos periódicos. A qualificação continuada do funcionário dentro da empresa é a principal justificativa para a criação de universidades corporativas e avaliações do desempenho no ambiente de trabalho. Alternativas como essas colaboram para que os talentos de hoje se tornem líderes com um olhar mais aguçado para descobrir profissionais capacitados e que se enquadrem no perfil da empresa.
Entrevistado
Felipe Magrim, gerente de relações governamentais da Amcham-Brasil (Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos)
Currículo
- Felipe Magrim é graduado em relações internacionais pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) e em Ciências Sociais pela PUC-SP. Tem especialização em políticas públicas pela Escola de Governo de São Paulo
- Ocupa o cargo de gerente de relações governamentais da Amcham-Brasil desde abril de 2012
- O departamento atua em áreas como tributação e questões regulamentares, além de identificar problemas enfrentados pelo setor privado nas propostas de regulação de mercado e no desenvolvimento de políticas públicas
Contato: felipe.magrim@amchambrasil.com.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Minha Casa, Minha Vida precisa virar política de Estado
Setor da construção civil aguarda que PEC da Habitação seja votada no Congresso, para alavancar novos investimentos
Por: Altair Santos
Liderados pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo) vários segmentos ligados à cadeia produtiva do setor estão convictos de que chegou a hora de o Brasil ter uma política de Estado para a habitação, em vez de apenas programas governamentais. O sucesso do Minha Casa, Minha Vida, que em março de 2013 completou quatro anos com 1,5 milhão de moradias construídas e 2,5 milhões de unidades contratadas, é que leva à mobilização pela aprovação da PEC (Projeto de Emenda Constitucional) da Habitação, que desde 2008 tramita no Congresso Nacional.

Para o presidente do SindusCon-SP, Sérgio Watanabe, tornou-se inadiável o Brasil ter uma política de habitação, até por que em países vizinhos, onde isso ocorreu, houve praticamente a erradicação do déficit habitacional. "Em 1996, mandamos uma missão ao Chile para ver o projeto que praticamente liquidou o déficit por lá. Em 2007, fomos ao México, que adotou plano semelhante e hoje constrói praticamente um milhão de casas por ano. Com base nos dados colhidos, e em parceria com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) montamos duas propostas que resultaram na PEC: o Moradia para Todos e o Moradia Digna. Mas o projeto ainda segue parado na Câmara, apesar de já ter passado por todas as comissões", diz o dirigente.
Por isso, para reforçar a mobilização do setor, no dia 29 de abril de 2013, na sede do SindusCon-SP, foi realizado o workshop "Minha Casa, Minha Vida e Parcerias: Gargalos e Propostas". O evento reuniu players da construção civil, além de gestores da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e representantes do ministério das Cidades. "O objetivo é que o governo tome a iniciativa de perenizar o Minha Casa, Minha Vida, agilizando a votação da PEC no Congresso. Só assim o déficit habitacional no Brasil, que hoje está na casa de 5,2 milhões de moradias, conseguirá ser zerado", afirma Watanabe.
Ainda de acordo com o presidente do SindusCon-SP, para atender a demanda, o setor da construção civil precisa ter um projeto de longo prazo que garanta recursos e o ajude a se preparar para processos industriais de construção em massa. "Não podemos mais imaginar que a cada troca de governo os programas habitacionais sejam revistos. O país precisa de uma política que vincule receitas da União, dos estados e dos municípios", defende Sérgio Watanabe, que lançou um slogan para a mobilização: sua casa, nossa causa. A PEC da Habitação propõe reservar 2% do orçamento da União e 1% dos orçamentos de estados e municípios para fundos nacional, estaduais e municipais de habitação de interesse social.
CBIC apoia

No mesmo evento, o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, deu total apoio ao movimento e lembrou que por falta de uma política de Estado o Brasil passou cerca de 20 anos no "vazio" em termos de construção habitacional. "Desde o fim do BNH (Banco Nacional de Habitação) até o surgimento do Minha Casa, Minha Vida, nossa luta foi insana. Muitas vezes ficamos sem respostas, mas em 2008, por pressão da sociedade, que pedia moradias, e por causa da crise econômica mundial, o governo federal, enfim, se rendeu ao Minha Casa, Minha Vida. Esse programa trouxe conquistas enormes para o país. Transformou vários segmentos da sociedade e permitiu que hoje a construção civil comemore 3,5 milhões de vagas formais nos canteiros de obras. Mas ainda há um déficit acentuado e, por isso, é importante que a PEC seja aprovada. Com ela, poderemos construir mais, e melhor", concluiu.
Entrevistados
Sérgio Watanabe, presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Construção de São Paulo) e Paulo Safady Simão, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Currículos
- Sérgio Watanabe é graduado em engenharia civil e cumpre seu segundo mandato como presidente do SindusCon-SP, cuja gestão vai até 2014. Também é vice-presidente da CBIC e diretor da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)
- Paulo Safady Simão é graduado em engenharia civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1971
- Especializou-se em Administração de Empresas na Fundação João Pinheiro, em conjunto com a Graduate School of Business da Columbia University de New York
- Foi presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (SindusCon-MG) no período de 1986 a 1992
- Vice-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) de 1989 a 1995
- Preside a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) desde 2003
- Também integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES)
- É vice-presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC) e da Confederação das Associações Internacionais de Empreiteiras de Construção (CICA)
- Ocupa o cargo de diretor-presidente da Wady Simão-Construções e Incorporações LTDA
Créditos fotos: Divulgação / SindusCon-SP
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Gasto com construção ocupa 4º lugar no ranking de consumo
Gastos com material, reforma e compra de imóveis novos ficam atrás apenas de manutenção do lar, alimentação e transporte
Por: Altair Santos
Os gastos com construção civil sobem no ranking de consumo do brasileiro. De acordo com pesquisa da consultoria IPC Maps, a projeção é que o setor venda R$ 143,7 bilhões em 2013 - a base de dados é o número de transações fechadas no primeiro trimestre do ano. Neste levantamento são levados em conta apenas os negócios que ocorrem no varejo, ou seja, que envolvem diretamente o consumidor. O volume de recursos, que engloba a compra de material de construção, reforma e aquisição de imóveis novos, é 7,33% superior ao de 2012, quando o setor vendeu R$ 133,9 bilhões no varejo.

Por conta deste crescimento, o gasto com construção civil já aparece em 4º lugar no ranking de consumo do país. Está atrás dos recursos canalizados para o pagamento de taxas com a manutenção do lar (água, luz, telefone, aluguel, condomínio, prestação da casa própria e respectivos impostos) na ordem de R$ 717 bilhões; alimentação, R$ 440 bilhões, e transporte (veículo próprio ou público) R$ 209 bilhões. "Pelo desempenho do setor, as perspectivas de crescimento para os próximos anos são muito boas. Não dá para afirmar se esse tipo de consumo irá crescer no ranking, mas ele tende a ocupar sempre um posto entre os cinco primeiros lugares", avalia Marcos Antonio Pazzini, coordenador do estudo IPC Maps.
O estudo detectou um dado curioso: que o comércio especializado não cresce na mesma proporção da demanda por consumo de material de construção. "Segundo nossos números sobre a quantidade de empresas por ramo de atividade, de 2012 para 2013 a quantidade de empresas do comércio varejista de construção civil cresceu 6,6%. Em 2012, havia no país 425.242 empresas do comércio varejista de construção civil e em 2013 este número aumentou para 453.248 empresas. Portanto o crescimento do comércio varejista foi inferior ao crescimento do potencial de consumo do segmento de construção, que ficou em 7,33%", cita Pazzini.
Entre as classes sociais, a A1 é a que registra o maior valor de gasto por domicílio com a construção civil: R$ 43.353,00/ano. Quanto às regiões do país, a norte foi a que apresentou crescimento nominal mais intenso entre 2012 e 2013: 10,1%. No ano passado, a região movimentou R$ 6,9 bilhões e em 2013 deverá movimentar R$ 7,6 bilhões. Em segundo lugar, aparece a região Sudeste, com crescimento nominal de 8,2%, ou seja, mercado de R$ 63,4 bilhões em 2012 e R$ 68,6 bilhões em 2013.
Também foram mapeadas as 50 cidades brasileiras que mais consomem no país. Em 2013, elas tendem a responder por 43,33% do consumo nacional - incluindo aí a construção civil. Mais da metade destes consumidores está nos sete maiores mercados, que são, respectivamente, São Paulo (9,24%), Rio de Janeiro (5,26%), Brasília (2,25%), Belo Horizonte (2,02%), Salvador (1,49%), Curitiba (1,43%) e Porto Alegre (1,27%).
Confira a lista completa dos 50 maiores mercados consumidores do Brasil
Veja quadro do potencial de consumo por setores
Entrevistado
Marcos Antonio Pazzini, coordenador do estudo IPC Maps
Currículo
- Marcos Antônio Pazzini, é graduado em engenharia civil, com curso de especialização em marketing
- É sócio-diretor da IPC Marketing Editora Ltda., empresa que está há 35 anos no mercado brasileiro
- Coordena o estudo IPC Maps desde 1994, que traz dados demográficos e potencial de consumo de cada um dos municípios brasileiros
- Em 1996 liderou o desenvolvimento do software de gerenciamento e geoprocessamento do estudo IPC Maps
- Atua na área de pesquisa de mercado e informações mercadológicas há mais de 20 anos
- Anteriormente trabalhou em empresas de franquia e empresas de comunicação
- Ministra regularmente palestras sobre o potencial de consumo brasileiro
Contato: www.ipcbr.com/12/index.php/fale-conosco
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Vai construir uma piscina? Faça com especialistas
Seja de concreto, alvenaria, fibra ou vinil, obra precisa de estudos geológicos, obedecer normas e ser construída por mão de obra qualificada
Por: Altair Santos
Construir piscinas requer cuidados especiais. Desde a escolha do terreno, passando pela mão de obra qualificada e a seleção dos materiais, trata-se de uma obra em que os detalhes fazem a diferença. O zelo na construção deve ser maior ainda se a piscina for construída em um prédio. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes e Construtores de Piscinas e Produtos Afins (Anapp) piscinas de concreto apresentam vantagens em relação às de alvenaria ou fibra de vidro e vinil. No entanto, cada situação exige que se avalie o tipo de piscina que melhor se adapte ao local.

É o que explica Roberto dos Reis, dono da construtora Nado Livre, filiada à Anapp, que atua no setor há 29 anos e é homologada para construir piscinas olímpicas. "Uma piscina de concreto tem longa durabilidade e baixa manutenção. Mas construí-la, assim como a de outros materiais, depende da sedimentação do terreno. O mercado, atualmente, constrói 30% em concreto armado ou alvenaria, 40% de fibra de vidro e 30% vinil. O recomendável é que piscinas acima de 80 metros quadrados sejam construídas em concreto armado, de preferência o concreto maciço com 40 MPa, projetado a 7 kg/cm². É a mesma tecnologia usada em túneis de metrô", ensina.
Quanto ao terreno, o especialista alerta que ele precisa ter uma sedimentação mínima. Construir piscinas de fibra em regiões litorâneas ou aonde há lençol freático não é recomendado, já que o material não suporta grandes pressões negativas (do solo para a piscina) nem positivas (da água dentro da piscina). Se ela não tiver sustentação, ocorrem trincas, rachaduras e pode até quebrar. A fibra é somente uma casca", ressalta Roberto dos Reis, lembrando que o ideal é se fazer um estudo de solo antes de construir.

Assim como as piscinas de fibra e vinil, as de alvenaria têm limitações. "Se a área tiver até 80 metros quadrados pode se fazer de alvenaria, com blocos estruturais (de concreto). Acima desta metragem, tem que fazer com concreto armado, usando cortina de aço para aguentar o peso", destaca o construtor. Ele recomenda ainda que toda a construção de piscina tenha a responsabilidade técnica de um engenheiro civil e siga as normas da ABNT relacionadas a sistemas de hidráulica. "O conselho que eu posso dar para o consumidor final é contratar empresas registradas no CREA e com, no mínimo, dez anos de experiência", afirma.
Esta recomendação vale, principalmente, se a construção for em prédio, cujo projeto original não contemple piscina. "Primeiro, é preciso se atentar à profundidade da piscina e se a estrutura do prédio suporta tal peso e volume, principalmente se ela estiver sobre uma laje. Quanto mais alto o prédio, maior a responsabilidade de se construir uma piscina na cobertura, por exemplo. É preciso considerar o efeito pêndulo e as trincas que isso pode causar. Outro ponto vulnerável é a impermeabilização", orienta Roberto dos Reis.
Entrevistado
Roberto dos Reis, proprietário da construtora Nado Livre, especializada em piscinas
Currículo
Roberto dos Reis é graduado em administração de empresas e tem sua empresa filiada à Anapp (Associação Nacional dos Fabricantes e Construtores de Piscinas e Produtos Afins) com homologação para construir piscinas olímpicas
Contato: www.anapp.org.br / www.nadolivrepiscinas.com.br / nadolivre@terra.com.br
Créditos fotos: Divulgação / Nado Livre
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Maracanã: estádio sessentão agora é só fachada
Recuperar a estrutura do concreto construída no final dos anos 1940, sem comprometer a arquitetura do patrimônio histórico, foi o maior desafio da obra
Por: Altair Santos
Construído entre 1948 e 1950, o Maracanã foi tombado em 2000 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Este título passou a exigir que qualquer intervenção no estádio preservasse sua arquitetura - sobretudo a fachada - e tornou-se também o grande desafio para que o retrofit da edificação cumprisse as exigência da Fifa para a Copa do Mundo de 2014.

As soluções buscadas pela engenharia, no entanto, renderam até prêmio à reforma do Maracanã. O projeto ganhou o “Mipim AR Future Project Awards”. Promovida pela revista de arquitetura inglesa “The Architectural Review”, a premiação indica todos os anos as melhores obras em categorias como arranha-céus, sustentabilidade, edifícios comerciais e desenho urbano. O júri elegeu o estádio, fazendo a seguinte citação: “Trata-se de um engenhoso reuso de estrutura, que permitiu a inclusão de uma espetacular cobertura que adapta o ícone da década de 1950 para o perfeito uso durante a próxima Copa do Mundo”.
Conservar e, principalmente, recuperar a estrutura do Maracanã exigiu que a cobertura de concreto fosse retirada e substituída por um sistema de lonas tensionadas. Isso aliviou a carga sobre o estádio e permitiu também um combate mais eficaz da corrosão progressiva que atingia o concreto. Outra solução foi substituir partes da arquibancada de concreto por estruturas metálicas adaptadas para receber peças pré-moldadas. Além disso, o sistema de amortecimento usando contraforte, que circunda o entorno do gramado do Maracanã, foi outra inovação que serviu para tornar mais leve a carga sobre a estrutura antiga de concreto.
Toda a alvenaria antiga recebeu impermeabilização de poliuréia. O tratamento vai proteger o concreto de reações álcali-agregado (RAA). Da mesma forma, as duas mil peças pré-moldadas fabricadas para as arquibancadas também foram imunizadas contra o risco de corrosão. Todo esse processo, que aliou novas tecnologias à estrutura antiga do Maracanã, permitiu a economia de concreto. Se na construção de 1950 foram empregados 80.000 mil m³ do material, na reforma atual o volume consumido foi de 31.000 m³.
Para o Green Building Council Brasil, o retrofit do Maracanã foi a obra mais sustentável entre as envolvidas com a Copa do Mundo. Tanto que o estádio obteve o certificado LEED (Leardership in Energy and Environmental Design). Também foi o empreendimento que mais absorveu mão de obra. Ao todo, 6.500 trabalhadores atuaram em três turnos para entregar a edificação dentro do prazo. Ao custo de R$ 1,049 bilhão, o Maracanã será inaugurado oficialmente dia 2 de junho, na partida entre as seleções do Brasil e da Inglaterra.
Entrevistados
Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop) e Secretaria de obras do estado do Rio de Janeiro. (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@obras.rj.gov.br
Créditos foto: Divulgação