Cinza de cana-de-açúcar no CAA se limita à pesquisa

Estudo realizado na Universidade Estadual de Maringá ganha prêmio acadêmico, mas precisa de mais desenvolvimento para chegar ao mercado

Por: Altair Santos

Não é de hoje que as escolas de engenharia e os centros de pesquisa têm buscado alternativas para melhorar a eficiência ambiental do concreto e também reduzir seu custo de produção. A mais recente iniciativa ocorreu na Universidade Estadual de Maringá, no interior do Paraná, onde um grupo conseguiu desenvolver concreto autoadensável (CAA) incorporando cinza do bagaço da cana-de-açúcar em substituição parcial à areia. Após oito meses de estudo, e 280 experimentos, a pesquisa apontou para um produto que conseguiu atender aos requisitos da ABNT NBR 15823 - Concreto autoadensável -, mas que ainda terá de percorrer um longo caminho até que possa chegar ao mercado.

Equipe da UEM que coordenou o estudo: pesquisa usou o Cimento Portland CP II-F-32.

De acordo com o professor-mestre Rafael Germano Dal Molin Filho, que coordenou o projeto junto ao programa de pós-graduação em engenharia urbana da UEM, como a cinza de bagaço de cana-de-açucar é um resíduo e não um subproduto, significa que ela ainda não tem as condições técnicas, como queima controlada, para que seja reproduzida em características comerciais e industriais. "O próximo passo da pesquisa é desenvolver todo o controle tecnológico para que se possa garantir o desenvolvimento de um material confiável ao mercado", diz. O professor da UEM afirma que essa etapa será conseguida através de parcerias com concreteiras de Maringá, que também ajudarão a desenvolver o novo CAA.

A pesquisa realizada na UEM apontou que o concreto autoadensável que utiliza cinza de bagaço de cana-de-açúcar preenche de maneira bem adequada a fôrma, sem precisar de energia adicional. O material também apresentou mais facilidades no transporte. "Isso é um aspecto muito significativo quanto à quantificação de pessoas no canteiro de obra. Envolve diminuição de ruídos, envolve o lançamento mais rápido e uma projeção mais otimizada dos recursos disponíveis para a realização da obra", afirma Rafael Germano Dal Molin Filho, para quem o produto apresentou um custo competitivo, haja vista que a cinza de cana-de-açúcar na região de Maringá tem alta oferta.

Bagaço da cana-de-açúcar passou por vários processos até chegar a um componente que se assemelhasse à areia.

Quanto à resistência, o produto desenvolvido na UEM apresentou características iguais ao CAA convencional. "A melhor comparação está nos traços que realizamos com cinzas e sem cinzas. Os resultados foram os mesmos. Então é possível desenvolver aspectos de resistência estrutural conciliada à perspectiva do uso desta tecnologia", garante Rafael Germano Dal Molin Filho, que na pesquisa utilizou o Cimento Portland CP II-F-32 - um dos recomendados para a produção de concreto autoadensável. O professor também assegurou que o CAA alternativo pode ser aplicado em qualquer obra que necessite do material, ressaltando que os requisitos da ABNT NBR 15823 foram atendidos.

 

 

Concreto autoadensável com cinza de bagaço de cana-de-açúcar: maior fluidez do que o convencional.

Em relação às restrições que outras normas impõem ao uso de agregados alternativos no concreto, Rafael Germano Dal Molin Filho disse que acompanha com atenção a revisão da ABNT NBR 12655 - Concreto - Preparo, Controle e Recebimento. Com seu texto atual, essa norma impede o uso de cinzas de qualquer natureza como aglomerante do concreto, apesar de elas terem atividade pozolânica e serem usadas na fabricação do cimento. "Dependendo do que sair da revisão, ela vai estimular novas pesquisas, podendo dar projeção de novos agregados para a construção civil. Eu vejo isso como uma boa solução, pois tudo o que tem uma recomendação técnica nos ajuda, inclusive, a prospectar como será a utilização do resultado destas pesquisas", analisa. O estudo feito na UEM rendeu à universidade o 1º lugar na 5ª edição do Prêmio Caixa de Projetos Inovadores com Aplicabilidade na Indústria Metalúrgica, Mecânica, Eletrônica, Materiais Elétricos e Construção Civil.

Saiba mais sobre a pesquisa de CAA com cinza de bagaço de cana-de-açúcar

 

Professor Rafael Germano Dal Molin Filho: coordenador do projeto.

Entrevistado
Rafael Germano Dal Molin Filho, professor-colaborador do departamento de engenharia de produção da Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Currículo
- Rafael Germano Dal Molin Filho é graduado em engenharia de produção pela UEM (2005)
- Tem especialização em marketing (Instituto Paranaense de Ensino (2007) e MBA em gestão estratégica de empresas pela UEM (2010)
- É mestre em Engenharia Urbana pela UEM (2012)
- Desde fevereiro de 2012 atua como professor-colaborador no departamento de engenharia de produção da UEM, onde ministra as seguintes disciplinas: eletrotécnica e automação industrial (graduação), engenharia da qualidade I (graduação), planejamento e controle da produção I e II (graduação) e orientações na graduação e pós-graduação
Contatos: rgdmfilho2@uem.br / rafagermano@hotmail.com
Créditos fotos: Divulgação/UEM

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Venda de cimento vai romper 70 milhões de toneladas

SNIC projeta que marca será ultrapassada em 2013, por conta de obras contratadas em anos anteriores. Porém, atual conjuntura econômica deixa setor em alerta

Por: Altair Santos

No acumulado de 12 meses (agosto de 2012 a julho de 2013) a venda de cimento para o mercado nacional atingiu a marca de 69,184 milhões de toneladas. Os dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) são recordes históricos para o setor, o que alimenta a expectativa de que até dezembro a marca de 70 milhões de toneladas seja rompida. "As projeções nos fazem estimar que fecharemos 2013 com algo em torno de 71 milhões de toneladas vendidas", calcula o presidente do SNIC, José Otávio Carneiro de Carvalho.

José Otávio Carneiro de Carvalho, do SNIC: gargalos da infraestrutura impedem crescimento maior.

Há uma ressalva, no entanto, nestes números otimistas. O próprio SNIC considera que o atual volume de produção de cimento está muito vinculado às obras contratadas em anos anteriores e que, durante 2013, começaram a sair do papel. Por isso, o sindicato não se atreve a fazer análises sobre como estará o setor em 2014. No máximo, estima que a indústria cimenteira fechará o ciclo de 2013 com crescimento de 4%, mas em viés de baixa. "No momento estamos revendo as projeções, mas a expectativa é de crescer 4%", afirma José Otávio Carneiro de Carvalho.

Para o presidente do SNIC, alguns entraves insistem em impedir a expansão do setor. Entre eles, os gargalos que atrapalham o avanço de programas de infraestrutura e habitacionais. "Se a conjuntura fosse favorável, nossa capacidade instalada já permitiria ultrapassar cem milhões de toneladas por ano", cita.

Por causa do cenário econômico, José Otávio Carneiro de Carvalho revela que algumas novas plantas, que haviam sido anunciadas, tiveram seus projetos revistos. No entanto, elas podem sair do papel caso o governo federal consiga viabilizar as concessões de rodovias e ferrovias. "Esses planos diminuiriam os gargalos de infraestrutura, ao mesmo tempo em que passariam a demandar mais cimento", explica o presidente do SNIC, para quem a entrada de investimentos privados em estradas e linhas de trem é mais significativa do que o evento Copa do Mundo. "Para a indústria de cimento, as construções de estádios e as alegadas obras de mobilidade tiveram um impacto relativamente pequeno na venda total de nosso produto", garante.

Independentemente de projetos não viabilizados, a indústria de cimento do Brasil se mantém na quarta colocação dentro do ranking mundial, levando em conta a produção e o consumo. Segundo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para o SNIC, cerca de 25% do cimento fabricado no país vai para obras de infraestrutura e 75% para edificações. Para José Otávio Carneiro de Carvalho, o importante é que a indústria tem conseguido atender a demanda nacional produzindo um produto cada vez mais ecoeficiente. "Hoje, 10% da energia consumida para produzir cimento no Brasil é oriunda do coprocessamento de resíduos industriais. Porém, ainda há mais espaço para crescimento", diz.

O presidente do SNIC finaliza que os desafios a médio e longo prazo para a indústria cimenteira nacional, além de perseguir os 100 milhões de tonelada/ano, são manter a competitividade, a eficiência e a baixa emissão de CO₂ na produção de cimento. "Além, é claro, de ajudar a construir a infraestrutura que o país precisa", finaliza.

Veja o desempenho da indústria de cimento

Entrevistado
José Otávio Carneiro de Carvalho, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).
Currículo
- José Otávio Carneiro de Carvalho é graduado em engenharia de produção pela PUC-RJ (1965)
- Em 1969, concluiu pós-graduação em engenharia econômica, na UFRJ
- Nos três primeiros anos de sua carreira, participou da montagem de uma fábrica de cimento no estado do Rio de Janeiro. No início da década de 70, trabalhou, como assessor da diretoria no BNDES
- Entre 1975 e 1978, integrou a equipe de assessoria econômica do então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen
- Passou a trabalhar como consultor de empresas e, desde 1982, atua no setor de cimento, onde prestou consultoria em diversos projetos
- Em 2001, foi convidado para o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) onde assumiu a função de secretário-executivo e depois tornou-se vice-presidente executivo da entidade
- No início de 2011, assumiu o cargo de presidente do SNIC
Contatos: www.snic.org.br / snic@snic.org.br / secretaria@snic.org.br
Créditos foto: Divulgação / SNIC

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Poder analítico abre "neocarreiras" aos engenheiros

Há uma série de novas profissões que competem com o mercado da construção civil por profissionais especializados em engenharia, porém exige-se qualificação extra

Por: Altair Santos

Gestor de reestruturação, gerente de projetos, gestor de contratos, gerente de operações, desenvolvedor de novos negócios, gerente de planejamento, gestor de infraestrutura,... Quem já não ouviu falar nestas novas nomenclaturas dentro do organograma de uma empresa? Pois em todas elas, o engenheiro se encaixa. Pela capacidade de liderar, de fazer mais com menos, de focar em resultados e de executar tarefas, os profissionais de engenharia, em especial a da civil, não limitam mais o seu campo de atuação ao canteiro de obras.

Leandro Muniz, da Michael Page: para bons profissionais, mercado está sempre aquecido.

Segundo levantamento da consultoria de recursos humanos Michael Page, isso mostra porque a demanda por engenheiros continuará alta no Brasil, independentemente do ritmo das obras. Só que o estudo também faz um alerta: essas novas carreiras exigem novas especializações dos profissionais de engenharia, como pós-graduação, MBA e fluência em outros idiomas. "Os engenheiros que assumem posições em outras áreas precisam buscar outras capacitações, como finanças. Além disso, o conhecimento de, no mínimo, um segundo idioma, é essencial para cargos executivos", afirma Leandro Muniz, headhunter da Michael Page.

O especialista avalia que as "neocarreiras" se oferecem aos engenheiros porque esses profissionais conseguem raciocinar sobre um problema e muitas vezes antecipar soluções. "Os engenheiros são demandados pela capacidade analítica que possuem. Em posições que exigem reestruturação, projetos e avaliação de contratos esta virtude é fundamental, assim como a experiência prévia", diz Leandro Muniz, completando que a capacidade de o engenheiro produzir mais com menos também é bastante valorizada: "Este é um dos requisitos mais importantes para um executivo que quer exercer essas novas profissões em uma corporação."

Entre as empresas que mais geram "neocarreiras" estão as de logística, consultoria e telecomunicações. Por isso, em função dessa demanda por engenheiros, que extrapola o canteiro de obras ou o chão da fábrica, o mercado para esses profissionais tende a seguir aquecido, avalia o headhunter da Michael Page. "O mercado para bons profissionais, independentemente da formação ou segmento, permanece muito aquecido. Especialmente para aqueles que conseguem melhorar a eficiência das empresas. Neste quesito, os engenheiros estão mais valorizados. Nós mesmos, da Michael Page, recebemos várias consultas de Companhias que carecem de engenheiros para cargos de gestão", afirma Leandro Muniz.

De acordo com levantamento da Michael Page, 37% das empresas brasileiras buscam engenheiros para cargos de gestão contra 25% das que preferem graduados em administração e em outras profissões. O inglês é requisito para 51% delas. As Companhias também exigem que 43% tenham conhecimento de gestão de pessoas, 31% de relações interpessoais, 19% de liderança, 12% de foco em resultados e 9% de capacidade de execução.

Entrevistado
Leandro Muniz, headhunter da Michael Page
Currículo
- Leandro Muniz é graduado em engenharia civil, com MBA em finanças pela Ibmec Business School
- Trabalhou como consultor financeiro e coordenador de projetos na Votorantim Industrial e Votorantim Cimentos por quase 10 anos
- É headhunter da Michael Page desde 2010
Contatos: www.michaelpage.com.br / micheaelpage@michaelpage.com.br
Créditos foto: Divulgação autorizada

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Tecnologia agrega qualidade aos tubos de concreto

Equipamentos, ensaios e normalização levam produtos melhores ao mercado, mas ainda há muito espaço para que o setor evolua no Brasil

Por: Altair Santos

A crise europeia, deflagrada em 2008, causou um impulso tecnológico na indústria brasileira de tubos de concreto. Como os mercados na Alemanha, na Espanha e na Itália minguaram, os fabricantes de equipamentos destes países voltaram-se para prospectar clientes na América do Sul. O Brasil foi o alvo preferido, sobretudo por que a época coincidiu com o lançamento de programas como PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e Minha Casa, Minha Vida. O financiamento facilitado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) também ajudou os fabricantes nacionais a modernizarem suas linhas de produtos. "Aquele momento desencadeou parcerias entre fabricantes nacionais e estrangeiros e fez maquinários de qualidade chegarem ao país", revela Jean Royer, ex-diretor de marketing da Associação Brasileira de Tubos de Concreto (ABTC) e diretor da Concrepar-Marco Tubos.

Jean Royer, da Concrepar: crise europeia de 2008 ajudou setor de tubos de concreto a se modernizar.

A entrada de novas tecnologias no Brasil coincidiu com a revisão da ABNT NBR 8890 - Tubo de Concreto, de seção circular, para águas pluviais e esgotos sanitários -, que exigiu evolução nas peças, sobretudo das armaduras de aço. A norma também tornou o mercado mais seletivo e, consequentemente, mais competitivo. "Tubo de concreto tem várias formas de ser feito. Do modo antigo, como há 50 anos, ou de um modo mais moderno. Com a evolução das normas, elas passaram a exigir cada vez mais a padronização dos produtos em itens como resistência, compressão diametral, recobrimento da ferragem e absorção de água. Enfim, o produto pode ser fabricado de vários modos, mas tem de suportar o que exigem as normas. Quando eu adquiro um equipamento, ele me dá a garantia de que eu vou fabricar com uniformidade, de que uma peça será igual a outra, sem deformidades", explica Jean Royer.

O poder público, como principal cliente, também tem ajudado a melhorar a qualidade dos tubos de concreto. Uma evolução visível está relacionada à forma de encaixe das peças. Hoje, no Brasil, são usados o macho-fêmea e o ponta e bolsa. Alguns estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, consomem bastante os tubos com encaixe em ponta e bolsa. Outros, como o Paraná, utilizam o macho-fêmea. Há um debate sobre a padronização. Para isso, é necessário investir em pesquisa para comprovar qual o melhor encaixe. Porém, são poucas as empresas que fazem isso. "Estima-se que no Brasil haja entre cinco mil e seis mil fabricantes de tubos de concreto, mas nem trinta têm laboratórios. No caso do nosso laboratório, ele é aferido pela Tecpar e pelo Inmetro. Tudo isso, para fabricar e saber o que está sendo fabricado", diz o diretor da Concrepar.

Tubos com conexão ponta e bolsa: principais estados consumidores já utilizam tecnologia.

Um problema é que boa parte das companhias de saneamento requer ensaios laboratoriais, mas somente para tubos aplicados em esgoto sanitário. O correto seria seguir o exemplo de países desenvolvidos, onde os ensaios para peças usadas em água pluvial também são exigidas. "Na Europa e nos Estados Unidos percebe-se que o produto é melhor. Por quê? Porque existe investimento em equipamento, pesquisa, normalização e tecnologia. Lá, todos os tubos de esgoto são em ponta e bolsa com anel de borracha. É a preocupação com a questão ambiental. Aqui, essa preocupação existe em algumas empresas de saneamento, cito a Sanepar, e em alguns setores privados", avalia Jean Royer, para quem ainda há um bom espaço para a evolução dos tubos de concreto no Brasil. "Ainda estamos aquém do ideal. Tem espaço para crescer e qualificar cada vez mais os produtos", finaliza.

Veja vídeo de novos equipamentos para a construção de tubos de concreto:
http://youtu.be/nudY_HoVKyA

Máquina que produz estrutura de aço para tubos de concreto: ganho de produtividade e de qualidade.

Entrevistado
Jean Royer, diretor da Concrepar-Marco Tubos Ltda
Currículo
- Jean Royer é engenheiro industrial, diretor da Concrepar-Marco Tubos Ltda. e ex-diretor de marketing da Associação Brasileira de Tubos de Concreto (ABTC).
Contato: www.concrepar.com.br / jean@concrepar.com.br
Créditos fotos: Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Engenharia recupera força com frente parlamentar

No Congresso, deputados-engenheiros se unem para, entre outros temas, qualificar projetos e melhorar o planejamento das obras federais

Por: Altair Santos

Na Câmara Federal há 69 parlamentares vinculados às engenharias e ao setor da construção civil. Preocupados com a perda de espaço deste segmento dentro do governo central - hoje dominado por advogados, administradores e economistas -, os deputados se uniram para criar uma frente parlamentar que faça a engenharia reocupar seu espaço no organograma do poder público.

Deputado federal Augusto Coutinho: engenheiros precisam recuperar cargos estratégicos no poder público.

O grupo já coletou a assinatura de outros 170 parlamentares para a instalação da frente, que nasce com cinco pontos fundamentais:
• Criar um mutirão no Congresso Nacional para que projetos vinculados à infraestrutura e outras obras sejam viabilizados.
• Aproximação dos organismos de engenharia das lideranças políticas.
• Acompanhamento pelo sistema Confea-Crea dos projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional de assuntos de interesse da engenharia.
• Formalização de ações contínuas sobre os projetos de lei em tramitação, e pelo impacto desses sobre a atual legislação do exercício e da organização profissional.
• Levar a frente da engenharia também para as assembleias legislativas e câmaras municipais.

Batizada de Frente Parlamentar de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, a organização é liderada pelo deputado federal Augusto Coutinho (DEM-PE), que tem mantido reuniões com presidentes dos Creas para estabelecer uma agenda de trabalho. "Eles estão nos ajudando a levantar projetos relevantes, que estão parados no Congresso, e que estejam direta ou indiretamente ligados ao setor. O papel da frente será servir de ferramenta para que as votações sejam viabilizadas", explica o deputado federal, que é engenheiro civil.

A frente também pretende influenciar nos projetos que ainda não saíram do papel dentro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do Minha Casa, Minha Vida. "Quando conversamos com os governantes estaduais e municipais, a falta de planejamento dos projetos é sempre criticada. O poder público federal tem se mostrado ineficiente nesta etapa preliminar das obras. Se os projetos forem bem feitos, contando com a participação de engenheiros, iremos ver o destravamento de diversas obras que hoje andam a passos muito lentos", cita Augusto Coutinho.

O representante da frente avalia ainda que os parlamentares ligados à construção civil deveriam ser mais ouvidos para melhorar o desempenho do Minha Casa, Minha Vida. "O governo diz que faz muito mais do que na realidade executa. Esse programa poderia realmente estar combatendo o déficit habitacional no Brasil, pois o país ficou muitos anos sem uma política específica para a área. Além disso, ele é relevante para gerar emprego e servir como um importante indutor de crescimento. Avalio que a frente tem muito a contribuir", afirma o deputado federal.

A Frente Parlamentar de Engenharia, Arquitetura e Agronomia deverá ter uma atuação mais relevante a partir de 2014. Depois de montada dentro do Congresso Nacional, ela será formalizada junto ao sistema Confea-Crea e lançada oficialmente dia 11 de dezembro (Dia do Engenheiro) e quando o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) completa 80 anos. "Até lá, também está na pauta debater questões como a grade curricular das escolas de engenharia e a importação de engenheiros. É muito importante para o Brasil ter a profissão de engenharia bem consolidada e bem estruturada", completa Augusto Coutinho.

Entrevistado
Augusto Coutinho
Currículo
- Augusto Rodrigues Coutinho de Melo é graduado em engenharia civil pela Escola Politécnica da Fundação de Ensino Superior de Pernambuco (Fesp), hoje Universidade de Pernambuco (UPE), em 1986
- Já atuou com empresário da construção civil e ocupou o cargo de diretor do Sindicato da Construção Civil de Pernambuco (SindusCon-PE). Também representou a categoria na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE)
- Ocupou cargos de secretário municipal e estadual de habitação
- Foi vereador de Recife, deputado estadual e está em seu primeiro mandato como deputado federal (DEM-PE)
Contatos: dep.augustocoutinho@camara.leg.br / pessoal@augustocoutinho.com.br
Créditos foto: Divulgação autorizada

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Nova revisão da ABNT NBR 12655 busca consenso

Setor trabalha na elaboração de texto-base para consulta pública, mas alguns pontos ainda precisam ser melhor debatidos pelo meio técnico

Por: Altair Santos

Junto com a ABNT NBR 6118 - Projeto de estruturas de concreto - Procedimento - e a ABNT NBR 14931 - Execução de estruturas de concreto - Procedimento -, a ABNT NBR 12655 - Concreto de cimento Portland - Preparo, controle e recebimento - forma a trilogia das chamadas normas-mães do material produzido no Brasil. Criada em 1992, a NBR 12655 já foi revisada em 1996 e em 2006. Recentemente, entrou em novo processo de revisão.

Cláudio Sbrighi Neto, coordenador da comissão de estudos da revisão da NBR 12655: reuniões sucessivas.

No centro dos debates está a questão sobre a possibilidade de o concreto poder receber adições pozolânicas disponíveis no mercado e que atendam a norma NBR 12653 – Materiais pozolânicos – Requisitos. No universo acadêmico, esses materiais já foram pesquisados, mas o mercado ainda está receoso em aceitá-los. A nova revisão da NBR 12655 dirá se eles afetam a qualidade do concreto e se podem ser usados com segurança na preparação do produto.

Segundo o coordenador da comissão de estudos da revisão da NBR 12655, o geólogo Cláudio Sbrighi Neto, que também já foi protagonista nas revisões anteriores da norma, ainda não há consenso sobre os pontos que precisam ser alterados. "Até a consulta pública, não serão divulgadas informações precipitadas, pois o meio técnico ainda não chegou a um consenso sobre alguns pontos. Ainda é preciso elaborar o texto-base para a consulta pública", explica.

É natural a restrição de informações nesta fase da revisão, haja vista que mudanças em normas-mães costumam levar a um amplo espectro de discussões. Para se ter um exemplo, a revisão anterior da NBR 12655 envolveu 120 especialistas. O texto aprovado tratou de estruturas moldadas in loco, estruturas pré-moldadas e peças estruturais pré-fabricadas e levou mais de um ano até que entrasse em vigor.

A expectativa é que os debates em torno da revisão da NBR 12655 só se intensifiquem a partir do 55º Congresso Brasileiro do Concreto, promovido anualmente pelo Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) e que acontecerá de 29 de outubro a 1º de novembro em Gramado-RS. Até lá, é possível que o texto-base da revisão já tenha sido redigido.

Enquanto isso, as reuniões que debatem a norma seguem programadas. O próximo encontro da CE-18:300.01 - Comissão de Estudo de Controle da Qualidade do Concreto - acontece dia 27 de agosto, das 14h às 16h, na sede da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) em São Paulo-SP.

Entrevistado
Cláudio Sbrighi Neto, coordenador da comissão de estudos da revisão da NBR 12655
Currículo
- Cláudio Sbrighi é graduado em geologia pela USP (1970), com mestrado em engenharia civil pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (1975) e doutorado em engenharia civil pela Escola Politécnica da USP (1993)
- É diretor do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) e professor-doutor titular da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado)
- Ocupa o cargo de diretor da CPTI (Cooperativa de Serviços e Pesquisas Tecnológicas e Industriais)
Contato: csbrighi@yahoo.com
Créditos foto: Divulgação autorizada

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Itambé leva Massa Cinzenta para as redes sociais

Portal de conteúdo da Cia. de Cimento Itambé ganha canais em ferramentas como Facebook, Twitter, Linkedin, Youtube e Google Plus

Por: Altair Santos

O Brasil atingiu em maio de 2013, segundo o mais recente relatório do IBOPE Nielsen Online, a marca de 102,3 milhões de internautas, considerando pessoas com idade acima de 2 anos e que acessam a web de qualquer ambiente (domicílios, trabalho, escolas, lan houses e outros locais). Destes, pelo menos 76,6 milhões estão ativos para o mercado de trabalho e, portanto, podem ser considerados consumidores em potencial. “É a demonstração de que há no país um público relevante consumindo, interagindo e comentando informações sobre as marcas e os produtos nesse novo mundo digital”, afirma Janette Shigenawa, diretora do IBOPE Nielsen Online. Diante desta realidade, a Cia. de Cimento Itambé dá mais um passo para se aproximar deste público: está lançando seu portal de conteúdo, o Massa Cinzenta, nas redes sociais.

Ainda de acordo com o IBOPE Nielsen Online, 90,8% dos internautas brasileiros estão nas redes sociais. Em média, eles dedicam 4 horas e 54 minutos por mês navegando nestas ferramentas. Neste período, 41% gastam seu tempo pesquisando marcas para comprar. Outros dados relevantes são de que 54% seguem empresas no Twitter e 74% o fazem no Facebook. Por isso, o Massa Cinzenta passa a estar nestas duas redes, mas também no Linkedin, no Youtube e no Google Plus. "O Massa Cinzenta estará em todas as redes pertinentes aos negócios da Itambé. Levar a um espaço de troca todo o conhecimento, conteúdo e serviços que a Companhia já oferece é natural à marca e ao seu posicionamento no mercado", explica Rodrigo Turra, CEO da Redirect, responsável pelas ações da Cia. de Cimento Itambé no ambiente digital.

Para Lycio Vellozo, diretor comercial da Cia. de Cimento Itambé, a presença do Massa Cinzenta nas redes sociais reforça sua vocação, que é propagar conhecimento. "Para a Itambé, o mais importante desta interatividade é a propagação do conhecimento de forma rápida e conveniente aos usuários. Levar conteúdo de interesse a este público, e promover o estímulo de seu compartilhamento, é o grande foco. Quanto mais pessoas curtirem e compartilharem, mais informação e conhecimento serão divulgados, solidificando ainda mais as relações da empresa e seu compromisso em ir além da produção de cimento", afirma Vellozo. Rodrigo Turra complementa que "manter canais de diálogo e trocas permanentes são elementos fundamentais para as corporações em um mundo conectado".

Ainda de acordo com o CEO da Redirect, a presença do Massa Cinzenta nas redes sociais reforça o relacionamento com o público de interesse da Cia. de Cimento Itambé, que são engenheiros, gestores, empresas do segmento, além de entidades do setor e instituições de ensino. "O conteúdo fala com quem tem interesse em infraestrutura, soluções em sistemas construtivos, inovações na área da construção civil e casos bem sucedidos. Quanto a isso, a presença do portal nas redes sociais só virá a reforçar essas características", afirma. Por fim, Turra avalia que a audiência do Massa Cinzenta dará um salto significativo com a presença nas redes sociais. "Com o investimento contínuo em conteúdo, o Massa Cinzenta vai crescer em seguidores e fãs. Consequentemente, os conteúdos do site terão mais acessos vindos dessas fontes de tráfego", conclui.

 

Confira as páginas do Massa Cinzenta nas redes sociais:

 

Redes sociais: 41% dos internautas estão nelas para pesquisar marcas.

Facebook
Google+
Twitter
Youtube

Linkedin

Entrevistados
- Lycio Vellozo, Diretor Comercial da Cia. de Cimento Itambé
- Rodrigo Turra, CEO (Chief Executive Officer) da Redirect
Contatos: www.massacinzenta.com.br / rodrigo.turra@r3direct.com.br
Créditos fotos: Divulgação / Itambé / Redirect

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Bom uso das redes sociais alavanca carreira

Acesso às ferramentas pode impactar diretamente no ambiente corporativo, seja para quem já atua numa empresa ou para quem quer ser contratado

Por: Altair Santos

Pesquisa da Robert Half - empresa mundialmente conhecida por desenvolver recrutamento para a área tecnológica - revela que no Brasil 44% das Companhias usam redes sociais para avaliar candidatos e colaboradores. Isso reforça a tese de que quem utiliza ferramentas como Twitter, Instagram, Google+, Facebook e Linkedin precisa ser gestor de sua imagem. É o que confirma Sylvia Ignácio da Costa, especialista em recursos humanos e professora da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. "O uso das redes sociais deve observar regras éticas que não prejudiquem a imagem do profissional. Elas funcionam como uma projeção no mundo virtual do que as pessoas são ou como gostariam de ser. Isso influencia diretamente na percepção que cada um irá despertar entre seus pares no ambiente corporativo, ampliando as chances de promoção, de ingresso ou de recolocação no mercado de trabalho", afirma.

Sylvia Ignácio da Costa: regras éticas preservam a imagem do profissional.

A professora da Anhembi Morumbi relaciona os principais comportamentos em redes sociais, que contribuem para impedir a evolução profissional. Entre eles, estão: postagem de fotos ou comentários inadequados; conteúdos que fazem apologia a drogas, sexo e crime; redação inapropriada e erros gramaticais; conduta que demonstre preconceitos; comentários que visam macular a imagem de pessoas ou de empregos anteriores, e a inclusão de informações falsas. "Por isso, é tão importante preservar nossos valores e atitudes", destaca Sylvia Ignácio da Costa. Para que o profissional não caia em armadilhas, a especialista enumera atitudes corretas para interagir com as redes sociais sem macular a imagem. As regras são as seguintes:

- Participar de grupos de discussões técnicas voltadas à área profissional;
- Preocupar-se com a redação dos textos publicados;
- Buscar conexões de qualidade;
- Manter a ética e discrição;
- Ter bom senso e critério ao replicar conteúdos;
- Avaliar a mensagem que será colocada;
- Não expor fotos ou vídeos que comprometam a imagem;
- Seguir pessoas ou comunidades relacionadas à sua área de atuação;
- Não divulgar informações falsas;
- Nunca desrespeitar as normas de uso das redes;
- Não participar de comunidades consideradas extremistas ou preconceituosas.

Sylvia Ignácio da Costa alerta, porém, que as empresas não podem avaliar os profissionais apenas pelo que eles postam nas redes sociais, sob risco de cometer equívocos. "As redes sociais devem ser utilizadas como fonte de informação e atração de candidatos. Portanto, não podem ser ignoradas. Porém, é um recurso complementar, principalmente no recrutamento e na seleção. O currículo continua sendo uma ferramenta importante, assim como as entrevistas formais para conhecer melhor o profissional. Não é possível somente por meio das redes sociais se obter uma avaliação completa do colaborador ou do candidato", reitera, completando que, mesmo assim, é importante estar nas redes sociais. "O profissional que opta por não ter um perfil no ambiente digital está em desvantagem, por não manter um network e por perder oportunidades interessantes por falta de exposição", finaliza.

Entrevistada
Sylvia Ignácio da Costa, coordenadora da graduação tecnológica em gestão de recursos humanos da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo
Currículo
- Sylvia Ignácio da Costa é graduada em economia e administração de empresas pela UniFECAP. Também, é mestre em administração de empresas
- Professora universitária há mais de 10 anos, leciona na Anhembi Morumbi desde 2004
- Possui 26 anos de experiência administrativa em empresas multinacionais
- É consultora em treinamentos empresariais e organização de eventos e palestrante em seminários, congressos, teleconferências e feiras
Contato: www.anhembi.br
Créditos foto: Divulgação autorizada

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Tecnologia com esferas plásticas reduz peso da laje

Sistema desenvolvido na Dinamarca, conhecido como tecnologia BubbleDeck®, agiliza obra e permite fazer mais andares com o mesmo volume de concreto

Por: Altair Santos

Catorze anos depois de ser lançada na Dinarmarca, e de se propagar pelo mundo, a tecnologia BubbleDeck® chega ao Brasil. A primeira obra no país a utilizar o sistema é o novo centro administrativo do Distrito Federal, a cargo do consórcio CADF (construtoras Odebrecht Infraestrutura e Via Engenharia) que é quem está trazendo a inovação para a construção civil nacional. "O Brasil incorpora uma tecnologia que já está consolidada em mais de trinta países, com obras na América do Norte e do Sul, na Europa, na África, na Oceania e na Ásia", diz o engenheiro civil Leonardo Bernardi, um dos gestores técnicos da BubbleDeck® no Brasil.

Leonardo Bernardi: tecnologia exige menos mão de obra e um canteiro de obras menor.

O sistema construtivo incorpora esferas plásticas na laje, que, em comparação com estruturas maciças, reduz em até 35% o peso. Isso se deve ao menor consumo de concreto e de aço. "As esferas são introduzidas na intersecção das telas soldadas, ocupando a zona de concreto em áreas que não desempenham função estrutural. Esse recurso diminui significativamente o consumo de materiais, agilizando o processo e gerando menor impacto ambiental", explica Leonardo Bernardi. O engenheiro assegura ainda que a tecnologia traz ganho de produtividade e apresenta um mix de tarefas semelhante a um sistema pré-moldado.

A BubbleDeck® pode ser aplicada em edificações de pequeno e grande porte. "Não existe uma limitação técnica ao uso. Apenas deve ser feito um estudo de viabilidade econômica", afirma Bernardi, garantindo que, para cada área de 1.000 m², o sistema proporciona um ciclo de laje em 6 dias. "Esse ganho é devido à confecção de até 80% da armação da laje em fábrica, redução de até 60% do escoramento e eliminação da fôrma de assoalho. Consequentemente, a tecnologia exige menos mão de obra e um dimensionamento menor do canteiro de obra quando comparado com o sistema convencional. Se o cliente optar pela fabricação em seu próprio canteiro, deve-se atentar ao espaço de fabricação e à logística interna. Se for entrega just in time, precisa apenas verificar os acessos à chegada das lajes", completa.

Com uso das esferas plásticas, escoramento pode atingir redução de até 60%.

Um case importante ocorreu na Europa, no empreendimento Millenium Tower, construído na Holanda. Foram obtidos os seguintes ganhos:
- Redução de 10 para 4 dias por andar;
- Redução de 500 viagens de caminhões-betoneiras;
- Redução relevante do equipamento utilizado na obra;
- Dois andares construídos a mais, quando comparado com o projeto original, que previa laje alveolar.
- O sistema também poupou espaço de armazenamento de materiais no local da obra, que se situava em vias arteriais e rodovias.

O representante da tecnologia BubbleDeck® garante que ao aplicá-la em uma laje de 280 mm de espessura ela reduz o consumo em 0,09 m³ de concreto por m² de laje. O sistema também foi submetido à NBR ISO 14040 - Gestão Ambiental, Análise do ciclo de vida, Princípios e Estrutura -, a qual possibilita calcular a emissão de CO2 com base na Análise do Ciclo de Vida (ACV²) de um produto, e constatou-se que essa economia em concreto permite que estruturas que usam a tecnologia deixem de emitir até 23,5 kg de CO2 por m² de laje. Além disso, o uso das esferas reduz o número de pilares e elimina vigas, permitindo vãos maiores - estrutura ideal para grandes construções, como estacionamentos. O sistema também proporciona isolamento acústico e térmico, adequando-o à norma de desempenho ABNT NBR 15.575. Outra característica é que, em caso de incêndio, as esferas carbonizam sem emitir gases tóxicos, pois são fabricadas de polipropileno.

Saiba mais sobre a tecnologia BubbleDeck® e suas obras

Entrevistado
Leonardo Bernardi, gestor técnico da BubbleDeck® no Brasil
Currículo
-Leonardo Bernardi é engenheiro civil graduado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com MBA em gestão empresarial pela FGV
-Tem 9 anos de atuação profissional, com experiência em obras industriais, passarelas para pedestre, viadutos e pontes, prédios residenciais e construção de supermercados
-Atua na BubbleDeck® desde dezembro de 2012, como gestor técnico e comercial
Contato: leonardobernardi@bubbledeck.com.br
Créditos fotos: Divulgação/ BubbleDeck®

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Acidente de trabalho recrudesce na construção civil

Até 2010, números estavam em queda. A partir de 2011, voltaram a crescer. Para a ABPA, combate deveria ser feito com fiscalização educativa

Por: Altair Santos

Entre julho de 2003 e julho de 2013, o número de trabalhadores da construção civil cresceu de 1,7 milhão para quase 3,5 milhões no Brasil. O maior salto se deu a partir de 2008, quando o governo federal criou estímulos através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do Minha Casa, Minha Vida. Esse aumento veio seguido de campanhas para prevenir acidentes de trabalho no setor. O resultado foi que, entre 2008 e 2010, houve queda no número de acidentados. Porém, a partir de 2011, os dados recrudesceram. Segundo os ministérios da Previdência Social, da Saúde e do Trabalho e Emprego, a construção civil, que chegou a cair para o 4º lugar no ranking de acidentes, voltou a oscilar entre o 3º e o 2º posto.

Milton Perez, presidente da ABPA: micros e pequenas empresas são mais suscetíveis a acidentes.

Hoje, de cada 10 acidentes de trabalho que ocorrem no país, três acontecem em canteiros de obras. Dos acidentados, apenas metade retorna ao mercado de trabalho da construção civil. Essas estatísticas têm sido alvo de preocupação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que recentemente participou no senado federal de um debate sobre o tema. Entre as constatações, está a de que a qualificação da mão de obra não conseguiu acompanhar o volume de contratações. Além disso, o TST admitiu que faltam auditores fiscais para detectar irregularidades em obras. Outro aspecto preocupante é a terceirização, que, segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, está envolvida em oito de cada dez acidentes no setor.

De acordo com o presidente da ABPA (Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes) Milton Perez, boa parte dos acidentes relacionados a empresas terceirizadas está vinculada a contratações ilícitas. "Tratam-se de empresas que são montadas sem orientação e que acabam não realizando a qualificação de seus colaboradores com base em programas como o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional). E por que isso ocorre? Por que a maioria age na informalidade", explica. "Por isso, a construtora que contrata um terceirizado precisa ver se ela cumpre as exigências para depois não ter problemas", completa.

Volume de acidentes na construção civil chegou a cair para 4º no ranking, mas agora já disputa o 2º lugar.

A ABPA defende que ocorra a fiscalização educativa nos canteiros de obras, com a implantação do ciclo PDCA (do inglês PLAN - DO - CHECK - ACT [Planejar-Executar-Verificar-Ajustar]) para controle e melhoria contínua de processos. "É preciso educar, reeducar, educar, reeducar, sempre numa espiral, e de forma permanente, para criar a cultura da segurança no trabalho", avalia Milton Perez, para quem o Sistema S (Senai, Senac e Sesi) é fundamental para que essas mudanças se consolidem. "Desde o superaquecimento do mercado da construção civil, o Sistema S já qualificou mais de sete mil trabalhadores para o setor. Óbvio que é preciso mais. Porém, o caminho para a prevenção é esse", finaliza.

 

 

Entrevistado
Milton Perez, presidente da ABPA (Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes)
Currículo
- Milton Perez é graduado em administração de empresas, com pós-graduação em estratégia empresarial
- Com 70 anos de idade, é presidente da ABPA (Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes) especialista de segurança do trabalho e um dos primeiros técnicos em segurança do trabalho do Brasil
- Também é diretor do estadual do SINTESP (Sindicato dos Técnicos em Segurança do Trabalho de São Paulo)
- Faz parte do GEHST (Grupo de Estudos de Higiene e Segurança do Trabalho) e é integrante do Comusan (Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de São Paulo)
Contatos: www.abpa.org.br / abpasn@terra.com.br
Créditos fotos: Divulgação autorizada / ABr

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330