Falta de capacitação derruba emprego na construção

Além da retração no setor, causada por oscilações na economia, número de vagas reduziu porque empresas investem mais em processos industriais

Por: Altair Santos

O mês de dezembro de 2013 registrou índices negativos de geração de emprego na construção civil. A queda foi generalizada, detectada em todas as regiões do país. Um dos motivos para a redução na oferta de vagas está na falta de capacitação da mão de obra disponível. Com os cronogramas cada vez mais apertados, as construtoras optam por substituir trabalhadores por processos industrializados. Por outro lado, quem apresenta qualificação para atuar no canteiro de obras segue com pleno emprego. Segundo números da Fundação Getúlio Vargas, encomendados pelo SindusCon-SP , a geração de vagas na construção civil brasileira em 2013 (somando 12 meses) foi 1,54% maior que em 2012. Houve 52 mil contratações a mais, quase todas para quem tinha capacitação.

Vagas para a mão de obra qualificada cresceram 1,54% em 2013

Um dos organismos que mais atua pela qualificação da mão de obra na construção civil é o Deconcic (Departamento da Indústria da Construção). Ligado à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) o departamento gerencia o Programa Compete Brasil - um conjunto de ações que propõe aumentar a competitividade do setor, dividido em seis temas estratégicos:
•    Concessão de créditos tributários para qualificação de trabalhadores na forma de isenção tributária
•    Campanhas de valorização do profissional da construção civil
•    Promover a proximidade entre empregadores e cursos superiores e técnicos
•    Divulgar a demanda por mão de obra (presente e futura) por localidade, por meio do Observatório da Construção (http://www.fiesp.com.br/?temas=observatorio-da-construção)
•    Organizar a oferta complementar de cursos, adequação da quantidade de vagas de acordo com a demanda

Segundo o gerente do Deconcic, Filemon Pereira de Lima, o aprimoramento da mão de obra da construção civil tende a deixar de ser um diferencial para o trabalhador e se tornar uma prerrogativa. Não só para quem está em busca de vaga como para quem já está no mercado. É o que ele explica na entrevista a seguir:

É preciso mais esforço do setor, em busca de parcerias com instituições de aprimoramento técnico, para que se atinja um volume maior de qualificação da mão de obra?
Com certeza. Acreditamos que um volume maior de mão de obra qualificada, em todos os níveis, deve passar pela busca conjunta de soluções entre entidades representativas de empresas, de trabalhadores e de classes profissionais, escolas técnicas, universidades e órgãos públicos. O Deconcic vem trabalhando nesse processo, com ações previstas ainda para 2014. A ideia é unir ações e projetos em andamento nesses diversos organismos para implementar programas de certificação de mão de obra, assim como concessões de benefícios tributários às empresas que qualificarem seus funcionários.

Segundo dados divulgados pelo SindusCon-SP, em 2013 o nível de emprego na construção civil brasileira encerrou o ano de 2013 com alta acumulada de 1,54%. Há uma expectativa de que em 2014 esse índice aumente?
De acordo com dados do SindusCon-SP, há expectativa de que 2014 seja um ano mais promissor que 2013 nas perspectivas de emprego no setor. As projeções da entidade indicam uma expectativa de crescimento na ordem de 3%, com novo recorde a ser alcançado ainda no primeiro trimestre.
Fonte: SindusCon-SP – ConstruCarta, edição de 04 fev. 2014, ano 15, nº 535.

Boa parte dos empregos gerados em 2013 absorveu quem tinha qualificação. Para quem não tem qualificação será cada vez mais difícil atuar na construção civil?
Com as iniciativas que estão sendo desenvolvidas nesse sentido, a tendência é que mesmo os trabalhadores já empregados no setor busquem constantemente seu aprimoramento profissional, em todos os níveis. Os programas de certificação de mão de obra e de benefícios às empresas que qualificarem seus empregados farão com que, no longo prazo, um bom currículo seja prerrogativa para trabalhar no setor.

Como está a questão do turnover na construção civil: ainda é grande ou tem diminuído gradativamente?
É importante destacar que a rotatividade ainda é uma realidade que afeta a força de trabalho como um todo no Brasil, gerando inseguranças aos trabalhadores em diversas áreas. Em algumas carreiras a taxa chega a 150% - ou seja, o quadro de funcionários é renovado 1,5 vez no ano. Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) sobre a rotatividade no setor da construção civil apontou taxa média de 113% entre 2007 e 2011, com ligeira queda de 2,5% entre 2010 e 2011. Novos dados sobre o tema no Brasil serão apresentados pelo DIEESE e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no I Seminário Rotatividade no Mercado de Trabalho: Diagnósticos e Propostas de Enfrentamento, a ocorrer em março.
Fonte: DIEESE. “Estudo Setorial da Construção 2012”, lançado em maio de 2013.

A construção industrializada tende a ser cada vez mais presente nos canteiros de obra, reduzindo o volume de mão de obra, mas exigindo cada vez mais qualificação?
A construção industrializada gera ganhos num aspecto essencial para melhorar os resultados do setor, que é a produtividade da mão de obra. Enquanto o desperdício de insumos no país chega a 30%, na França, por exemplo, não ultrapassa 12%. A adoção de novas tecnologias é, portanto, uma das soluções naturais para essa questão. Assim como ocorre em outros setores que passam a automatizar parte de sua produção, a construção industrializada pode implicar em menor efetivo, mas passando a exigir profissionais com atribuições diferentes das convencionais. Dessa forma, é necessário que haja investimento em especialização das equipes para trabalhar com os sistemas industrializados, contribuindo para uma evolução na carreira dos trabalhadores do setor.
Fonte: IBRACON. “Os desafios da industrialização em concreto”. Matéria assinada por Íria Lícia Doniak, presidente executiva da ABCIC e diretora de cursos do IBRACON, para a Revista Concreto & Construções nº 72, ano XLI, nov-dez/2013.

O Deconcic tem estatísticas de quem hoje, dentro da cadeia produtiva da construção civil, mais emprega?
Acompanhando dados do mercado de trabalho do setor no Brasil, nota-se que as construtoras são responsáveis pelo maior número de pessoas ocupadas. Em 2012, os trabalhadores da construção representaram 71,5% da força de trabalho da cadeia produtiva, seguido por outros fornecedores (indústria extrativa, energia, etc.), com 10,6%, e pelo comércio de materiais, com 7,0%.
Fonte: ABRAMAT e FGV – “Perfil da cadeia produtiva da construção e da indústria de materiais e equipamentos 2012”.

Entrevistado
Filemon Pereira de Lima, gerente do Deconcic (Departamento da Indústria da Construção)
Contato: flima@fiesp.org.br

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Ícone da engenharia, Rio-Niterói completa 40 anos

Ponte foi inaugurada em 4 de março de 1974 e sua construção agregou uma série de inovações. Entre elas, o uso em larga escala do concreto protendido

Por: Altair Santos

A primeira tentativa de viabilizar uma obra que permitisse a travessia da Baía da Guanabara, entre as cidades do Rio de Janeiro e de Niterói, aconteceu em 1875. Na época, o imperador dom Pedro II contratou um engenheiro britânico para elaborar o projeto de um túnel submarino, mas a construção não se concretizou. Apenas 90 anos depois, em 1965, é que voltou a se falar em um novo empreendimento - desta vez, uma ponte. Consolidado o projeto, em 1968 começaram as obras da Rio-Niterói. Inaugurado em 4 de março de 1974, um dos maiores ícones da engenharia nacional está completando 40 anos.

Rio-Niterói: construção começou em 1968 e foi inaugurada em 4 de março de 1974

A Ponte Rio-Niterói permitiu o uso de inovações construtivas, algumas delas testadas pela primeira vez em todo o mundo. É o caso do uso em larga escala de estruturas de concreto protendido. A obra conta com 950 mil m³ deste tipo de material, dos quais 150 mil m³ estão submersos. "A Baía da Guanabara é muito agressiva, favorecendo reações álcali-agregados no concreto. Por isso, a solução foi optar pelo protendido, que é mais resistente a esse tipo de patologia. Mesmo assim, houve uma escolha rigorosa dos materiais para a fabricação do concreto", recorda o engenheiro civil Bruno Contarini, diretor-técnico da construção.

Ainda hoje, a Rio-Niterói é considerada a maior ponte em concreto protendido do hemisfério sul. Quando foi inaugurada, ocupava o segundo lugar entre as pontes com maior extensão do mundo, perdendo apenas para a Causeway, que cruza o lago Pontchartrain nos Estados Unidos. Manteve-se neste posto até 1985, quando foi inaugurada a Penang, na Malásia. Com 13,29 quilômetros de extensão, dos quais 8,83 estão sobre as águas da Baía da Guanabara, a ponte é hoje a 11ª maior do planeta. Seu ponto mais alto, em relação ao nível do mar, encontra-se a 72 metros.

Concreto no lugar de asfalto

Concreto protendido predominou na estrutura da ponte: uma inovação para a época

A Rio-Niterói tem três vãos centrais, medindo 200, 300 e 200 metros. Nestes trechos, as estruturas assentadas sobre as imensas colunas de concreto protendido são metálicas. Isso causou um transtorno à ponte, que só foi resolvido 25 anos depois de sua inauguração. Como o pavimento asfáltico foi aplicado diretamente sobre as chapas metálicas do tabuleiro, sua durabilidade tornou-se frágil. Praticamente a cada seis meses precisava ser trocado, por causa das deflexões da estrutura e da não aderência do pavimento às chapas. A solução foi substituir o asfalto por pavimento de concreto armado com 10 centímetros de espessura, ligando-o ao metal através de stud bolt - conectores próprios para estruturas mistas.

O concreto selecionado para a execução da obra, pelas suas características de composição, trabalhabilidade e manutenção ao longo do tempo, além das especificações mínimas de resistência à compressão e tração, entre outros aspectos, foi o de alto desempenho. Os serviços preliminares à concretagem compreenderam a remoção do asfalto, a limpeza da chapa de aço, a soldagem dos conectores metálicos e o posicionamento das malhas duplas de armadura. O serviço foi finalizado em 2000 e, desde então, o pavimento de concreto da Rio-Niterói mantém-se intacto, recebendo, unicamente, as manutenções programadas.

O maior vão livre da Rio-Niterói tem 300 metros e a altura máxima é de 72 metros

A ponte, no entanto, enfrenta atualmente um outro problema: o congestionamento. Quando projetada, ela tinha a capacidade de receber um volume diário de 15.865 veículos (4.868 caminhões, 1.795 ônibus e 9.202 automóveis). Hoje, cerca de 150 mil veículos cruzam a Rio-Niterói diariamente. Em 2013, 55 milhões de automotores atravessaram a ponte. Por isso, quase 140 anos depois, a ideia do túnel submarino imaginado por dom Pedro II ressurge como alternativa para solucionar a travessia de veículos na Baía da Guanabara.

Entrevistados
Engenheiro civil Bruno Catarini, CCR Ponte e ministério dos Transportes
Contatos
bceng@veloxmail.com.br
www.ponte.com.br
www.transportes.gov.br/fale

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Cursos de engenharia e arquitetura se adaptam à NBR 15575

Estudo do desempenho dos edifícios ganha nova dimensão dentro da grade curricular. Da mesma forma, empresas investem em treinamento de mão de obra

Por: Altair Santos

A Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575/2013 - Edificações Habitacionais - Desempenho), que dia 19 de fevereiro de 2014 completou um ano de publicação, e está em vigor desde 19 de julho do mesmo ano, não muda conceitos apenas nos canteiros de obras. Ela mexe também com a grade curricular dos cursos de engenharia civil (232 reconhecidos pelo MEC) e de arquitetura e urbanismo existentes no Brasil (283 certificados pelo MEC). Essa constatação foi feita no seminário "Impactos da Norma de Desempenho", que aconteceu de 17 a 18 de fevereiro em São Paulo-SP. O evento foi promovido pelo SindusCon, em conjunto com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e outros organismos ligados à indústria da construção civil.

Francisco Ferreira Cardoso: estudo do desempenho das edificações ganhou nova dimensão a partir da NBR 15575

O motivo é que o estudo do desempenho das edificações ganhou nova dimensão para professores e alunos e passou a exigir investimento em pesquisa. "Tantos os cursos de graduação quanto os de pós-graduação e de qualificação técnica vão precisar se adaptar à nova realidade imposta pela norma. No nosso caso, estamos ampliando a grade de disciplinas optativas. Uma delas é a de Tecnologias da Construção, que aborda o desempenho", afirma o professor Francisco Ferreira Cardoso, chefe do departamento de engenharia de construção da Poli-USP.

Para Rosaria Ono, chefe do departamento de tecnologia da construção da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP, apesar de o desempenho ser estudado desde os anos 1980 pela instituição, não restam dúvidas de que a grade curricular precisa ser atualizada. "Hoje, as disciplinas atendem de forma genérica a norma. Aliás, não só a Norma de Desempenho, mas todas as normas. Falta difundir as normas na formação de arquitetos e engenheiros", diz Rosaria, para quem essa será uma mudança conceitual que precisará de tempo. "A adaptação é de longo prazo, mas vai exigir empenho", completa.

Para Rosaria Ono, a FAU-USP até tem condições de acelerar esse processo, mas existem outras 292 instituições de ensino de arquitetura no país que também vão precisar atender às exigências da Norma de Desempenho. "Estamos falando de quarenta mil estudantes e de cinco mil docentes espalhados pelo Brasil, segundo dados da AsBea (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura).  São números só dos que cursam a graduação e, obviamente, essa nova realidade imposta pela NBR 15575 também precisará ser estendida aos cursos de pós-graduação e de qualificação", afirma.

Fábio Villas Bôas: fiscalização e aprimoramento técnico para adaptar canteiro de obras à Norma de Desempenho

Canteiro de obras

No canteiro de obras, a necessidade para adaptar os quadros técnicos e de trabalhadores à Norma de Desempenho é mais urgente. Por isso, boa parte das grandes empresas de construção habitacional já investe em cursos de capacitação. É o que conta o engenheiro civil Fábio Villas Bôas, que coordenou a revisão da NBR 15575 e ocupa o cargo de diretor-técnico da Tecnisa. "A mão de obra não tem sido formada com o nível que se desejava, por causa da alta demanda. Então, as empresas do setor, junto com entidades de classe, tem compensado isso com cursos de treinamento. Também tem sido aprimorado o controle da obra. Verificamos que pessoas treinadas, mas sem fiscalização, são 50% menos eficientes e produtivas do que as que são fiscalizadas", alerta o engenheiro.

Entrevistados
- Francisco Ferreira Cardoso, chefe do departamento de engenharia de construção da Poli-USP
- Rosaria Ono, chefe do departamento de tecnologia da construção da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP
- Engenheiro civil Fábio Villas Bôas, coordenador da revisão da NBR 15575 e diretor-técnico da Tecnisa

Contatos
francisco.cardoso@poli.usp.br
rosaria@usp.br
villasboas@tecnisa.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

NBR 15575 cria nova era para a construção civil

Com Norma de Desempenho, setor deve abandonar processos artesanais e adequar-se às metodologias industriais, como o recall

Por: Altair Santos

A Norma de Desempenho (NBR 15575:2013 - Edificações Habitacionais - Desempenho) é vista como a grande oportunidade para a construção civil não apenas teorizar sobre os conceitos de industrialização, mas incorporá-los definitivamente em seu dia a dia. É assim que entende o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e assessor legislativo do SindusCon-Rio, Roberto Lira de Paula. “A norma veio para acrescentar definitivamente o nome indústria à frente da construção civil. Para mim, esta nomenclatura, antes, era um simples apelido. Agora, não. Temos que vender um produto e responder se ele não cumprir o que promete para quem comprá-lo. É assim com os automóveis e outras indústrias. Vamos passar a respeitar o consumidor e ganhar mais respeito também”, avalia.

Roberto Lira de Paula: o dia em que uma construtora anunciar recall é por que a Norma de Desempenhou pegou

Lira, que esteve no seminário “Impactos da Norma de Desempenho”, que aconteceu nos dias 17 e 18 de fevereiro, em São Paulo - evento promovido pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), SindusCon-SP e outros organismos do setor  -, avalia que a construção civil irá provar que realmente cumpre NBR 15575 quando surgirem os primeiros recalls. “Quando um construtor colocar em um jornal o anúncio de um recall, seja por causa de uma torneira mal instalada ou outro problema detectado em uma edificação, aí sim estaremos definitivamente cumprindo a norma”, diz o professor da FGV-RJ. Para ele, a Norma de Desempenho é a oportunidade de toda a cadeia produtiva da construção civil adotar práticas mais maduras de mercado.

Um outro exemplo citado por Roberto Lira de Paula está nas embalagens de insumos e equipamentos. Para ele, a NBR 15575 também vai mudar a forma de as empresas se comunicarem com os construtores e com os próprios consumidores. “Quando nossos insumos vieram ao mercado como os remédios, ou seja, com as embalagens especificando sua vida útil, de que forma ele pode ser aplicado, como ele deve ser conservado, como seus componentes reagem em determinado tipo de obra, aí sim haverá a constatação de que a Norma de Desempenho está sendo absorvida pelo setor”, considera Lira, que recebeu uma resposta positiva do presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), Walter Cover. “Nosso segmento caminha nesta direção”, afirmou.

Lira encerrou sua análise sobre a NBR 15575, lembrando como a construção civil sentiu a necessidade de avançar na direção do desempenho das edificações. “Nos anos 1970, nosso setor viveu o período das grandes obras nacionais, como hidrelétricas, pontes e estradas, mas construíamos de forma artesanal. Nos anos 1980 - a célebre década perdida - USP e IPT começaram a pensar em uma norma de desempenho, mas apenas na teoria. Afinal, na década de 1990, vivemos o período da engenharia de redução de custo. Apareceram a laje zero e a alvenaria com revestimento fino. Não seria possível continuar assim. A Norma de Desempenho nos permitirá corrigir todos esses equívocos”, finaliza o assessor do SindusCon-Rio.

Entrevistado
Advogado Roberto Lira de Paula, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e assessor legislativo do SindusCon-Rio
Contato: robertolira@globo.com

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

NBR 15575 aumenta responsabilidade do projetista

Por causa dos novos parâmetros de vida útil estabelecidos pela Norma de Desempenho, peso do projeto de uma edificação saltou de 4% para 32%

Por: Altair Santos

A Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575/2013 – Edificações Habitacionais – Desempenho), que em 19 de fevereiro de 2014 completou um ano de publicação, tirou o projeto da condição de coadjuvante e o elevou à de protagonista. “Ele passou a ter uma grande responsabilidade com a NBR 15575 e também grande importância para a durabilidade, ou a visão de longo prazo. Deve considerar não somente os custos iniciais, mas também os custos ao longo do tempo, de operação e manutenção do imóvel. A título de exemplo, em dissertação de Almeida, L.F., apresentada ao programa de mestrado profissional do IPT, foi feito um estudo para uma edificação hospitalar do impacto dos custos iniciais e dos custos ao longo do tempo. Os custos iniciais foram estimados em aproximadamente 32% dos custos totais estimados para uma Vida Útil de Projeto de 20 anos, considerando-se também os custos de operação e manutenção. A avaliação feita, neste caso,  é que o peso do projeto foi de quatro por cento (4%)em relação aos custos totais ao longo da VUP e não apenas sobre os custos iniciais”, diz Claudio Mitidieri Filho, pesquisador do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Claudio Mitidieri Filho: norma passou a cobrar mais de engenheiros projetistas e de arquitetos

Nos dias 17 e 18 de fevereiro de 2014, o IPT, junto com o SindusCon-SP e outros organismos ligados aos setor da construção civil, promoveu o seminário “Impactos da Norma de Desempenho”. O encontro em São Paulo-SP reuniu boa parte dos integrantes da Comissão de Estudos – CE, que elaborou a norma ou se debruçou sobre ela para aprimorá-la durante o período de revisão. Entre eles, Claudio Mitidieri Filho, que explicou por que a NBR 15575 passou a cobrar mais dos engenheiros projetistas e dos arquitetos.Segundo o pesquisador, o projeto não pode transferir responsabilidades. “Ele precisa especificar os materiais que serão usados na obra, de acordo com as normas técnicas respectivas, e, preferencialmente , adotar produtos certificados ou qualificados previamente. Se for aplicado um item que não esteja em conformidade com o que estabelece a norma específica, o projetista também poderá responde por isso, e não apenas o construtor, caso haja falha de especificação”, esclarece. Esta mudança se deve às novas responsabilidades impostas e também aos novos parâmetros de vida útil que estão especificados no capítulo sobre durabilidade da Norma de Desempenho.

Diz a NBR 15575 que os projetos da edificação devem ser desenvolvidos considerando todas as características do entorno:
• Urbanísticas (rede viária, proximidade de ferrovias ou aeroportos etc);
• Geomorfologia (topografia, formação do solo e do subsolo, posição do lençol freático);
• Ambientais (regiões litorâneas, poluição do solo e do ar, terrenos com passivo ambiental);
• Climáticas (regime de chuvas e de ventos, temperaturas, umidade relativa do ar, níveis de radiação solar etc).

Com base nessas características, nos recursos locais (materiais, equipamentos e mão de obra), na VUP (Vida Útil do Projeto) prevista para a obra e demais requisitos previstos é que deverão ser definidas as tecnologias e especificados os materiais e processos construtivos. Também serão de acordo com essas características que ocorrerão as definições das etapas construtivas. “Elas devem considerar as necessidades de manutenção da edificação ao longo do tempo e, eventualmente, até o balizamento para a desconstrução ou reaproveitamento ao fim do ciclo de vida. Por isso, o projeto é instrumento fundamental para repercutir no atendimento ou não aos critérios de desempenho”, diz Claudio Mitidieri Filho.

Os prazos de vida útil iniciam-se na data de conclusão da edificação habitacional, a qual, para efeitos da NBR 15575, é a data de expedição do Auto de Conclusão da Edificação – mais conhecido como “habite-se” – ou outro documento legal que ateste a conclusão da obra. Além disso, os prazos de Vida Útil de Projeto também podem ser comprovados por verificações de atendimento das normas nacionais prescritivas na data do projeto, bem como constatações em obra do atendimento integral do projeto pela construtora.

Confira aqui a apresentação de Claudio Mitidieri Filho no seminário Impactos da Norma de Desempenho.

Entrevistado
Claudio Mitidieri Filho, pesquisador do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)
Contato: claumit@ipt.br

Crédito Foto: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Justiça viabiliza força de lei à Norma de Desempenho

Ministério Público de SP sugere criar câmaras de arbitragem para solucionar conflitos decorrentes do não cumprimento da ABNT NBR 15575

Por: Altair Santos

Vista como uma medida de autorregulamentação do setor da construção civil, a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575/2013 - Edificações Habitacionais - Desempenho), desde a sua publicação, em 19 de fevereiro de 2013, passou a despertar o interesse do poder judiciário. A pergunta que se faz é: como poderá ser dada força de lei à norma? Até agora, apenas o Código de Defesa do Consumidor a ampara para o caso de surgimento de conflitos. Mas, no entender do Ministério Público, é pouco.

Promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes: não podemos esperar 10 anos para que a norma cause efeitos

Para o promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo do Ministério Público de São Paulo, Maurício Antônio Ribeiro Lopes, a Norma de Desempenho não pode se limitar a um documento legal reconhecido pelo Código do Consumidor.  "Dentro do debate judicial, isso é pouco. Um juiz, diante de uma lei, uma regulamentação ou uma norma que ele não conhece, costuma continuar aplicando a lei antiga até que ele entenda as mudanças. Por isso, sugiro que seja criada uma câmara de arbitragem multissetorial para dar alternativa aos debates judiciais", diz.

A câmara, de acordo com o promotor, deve reunir toda a escala produtiva da construção civil, mais as associações de defesa do consumidor e os organismos públicos e técnicos. "É um caminho melhor do que esperar apenas pelo poder judiciário. Além disso, a câmara teria condições de promover uma ampla campanha de esclarecimento da sociedade sobre essa norma. É melhor do que esperar que o Congresso Nacional crie uma lei ou que o poder judiciário aguarde dez anos para a maturação da norma, a fim de evoluir em suas perícias e dar solução aos conflitos que venham a surgir", avalia.

Maurício Antônio Ribeiro Lopes admitiu que o Ministério Público poderia ter participado mais da elaboração da NBR 15575. No seminário "Impactos da Norma de Desempenho", que aconteceu dias 17 e 18 de fevereiro em São Paulo-SP - evento promovido pelo SindusCon, em conjunto com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e outros organismos ligados à indústria da construção civil - o promotor reconheceu a falha. "Gostaria de me desculpar por essa omissão."

Ele alertou que a partir de agora o Ministério Público vai enxergar a Norma de Desempenho como um código da construção civil residencial. "A publicação da norma foi um passo. Agora vem a parte mais importante: a experimentação. Por isso, reafirmo que seja criada uma câmara multissetorial para dar perspectivas técnicas e mercadológicas à norma. Obviamente, sem perder de vista as questões da sociedade", reforça.

Entrevistado
Maurício Antônio Ribeiro Lopes, promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo do Ministério Público de São Paulo
Contato: pjhurb@mp.sp.gov.br

Crédito Foto: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Para cada cidade, um apartamento diferente

Pesquisa realizada em nove capitais brasileiras mostra como se comporta o consumidor e quais as preferências na hora de comprar imóvel

Por: Altair Santos

O que é mais valorizado na compra de um apartamento? Para responder a essa pergunta, uma pesquisa consultou compradores de imóveis em nove capitais (Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). De cidade para cidade, as preferências apontam para itens em comum, como elevadores e varandas, mas também revelam peculiaridades.

Diego Simon: no Minha Casa Minha Vida o que vale é a realização do sonho da casa própria

Como ocorre na capital gaúcha, por exemplo, onde não pode faltar a churrasqueira dentro do apartamento ou no condomínio. Em Curitiba, é indispensável a "face norte", pelo fato de a cidade ser a capital que registra as temperaturas mais baixas do país. São Paulo não abre mão de uma segunda vaga na garagem e Rio de Janeiro exige estrutura de academia no condomínio.

A pesquisa, coordenada pela Viva Real, uma operadora de imóveis que atua nas principais capitais brasileiras, abordou apenas imóveis voltados para a faixa salarial acima de cinco mil reais. Segundo Diego Simon, vice-presidente de operações e cofundador da empresa, o Minha Casa Minha Vida não fez parte do estudo porque no programa as demandas são outras. “No Minha Casa Minha Vida, o que conta é a realização do sonho da casa própria como principal item de satisfação”, avalia.

Além dos itens preferencias apontados pelos compradores, imóveis também recebem a preferência de compra quando cumprem alguns requisitos indispensáveis. Entre eles, localização, área útil e número de dormitórios, variando a ordem de importância. “Para um casal com filhos, muitas vezes a questão do número de dormitórios prevalece. Já para casais jovens sem filhos ou proprietários solteiros a localização tende a prevalecer”, diz Diego Simon.

O levantamento realizado pela Viva Real levou em consideração tanto apartamentos novos quanto usados, e se o interesse é para moradia, para investir ou para locação. “Para quem vai investir, a decisão de compra baseia-se no potencial de valorização. Se for para morar, os itens essenciais e acessórios do imóvel têm peso maior. No caso da locação, o que conta é o valor do aluguel em relação à renda”, cita Diego Simon.

Confira as preferências dos moradores em cada uma das capitais pesquisadas:

Belo Horizonte: área privativa
O mineiro gosta de receber numa varanda que não seja aberta, mas que preserve sua privacidade através de vidros.

Curitiba: cômodos voltados para as faces Norte e Oeste
Para quem mora na capital mais fria do país, ter um apartamento ensolarado está acima de qualquer outro equipamento.

Florianópolis: churrasqueira e elevador
Cidade tem um volume grande de moradores de outras cidades do sul do país e a cultura do churrasco é forte. Por se tratar de uma área litorânea, a cidade tem muitos prédios com três ou quatro pavimentos. Mesmo assim, o elevador é uma exigência.

Fortaleza: fachadas voltadas para o nascente do sol
Na capital cearense é prioritário que o sol bata no imóvel durante a manhã, quando o clima é mais fresco e ajuda a ventilar o apartamento.

Porto Alegre: churrasqueira
Na capital gaúcha, o equipamento pode estar no próprio apartamento ou no condomínio, mas não pode faltar.

Recife: fachada voltada para o nascente do sol
Na capital pernambucana é prioritário que o sol bata no imóvel durante a manhã, quando o clima é mais fresco e ajuda a ventilar o apartamento.

Rio de Janeiro: infraestrutura de esportes e lazer
O carioca leva a cultura esportiva a sério. Por isso, academia e pista de corrida não podem faltar no condomínio. A proximidade de parques que permitam a prática de esportes também é valorizada.

Salvador: piscina, academia e espaço gourmet
O soteropolitano não se incomoda se a área útil tiver metragem pequena, desde que não falte a estrutura de um clube no condomínio.

São Paulo: mais de uma vaga na garagem e proximidade do trabalho
O paulistano passou a valorizar a localização, principalmente se o imóvel é perto de seu trabalho. Mesmo assim, ter pelo menos duas vagas na garagem é essencial.

Entrevistado
Diego Simon é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pequenas e Médias Empresas pela EAESP-FGV, com vivência na Argentina, Espanha e Colômbia. Atua como vice-presidente de operações da Viva Real.
Contatos
time@vivareal.com
duvidas@vivareal.com

Crédito Foto: Divulgação/VivaReal

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Brasil atrai escritórios internacionais de engenharia

Projeção obtida pelo país lá fora, por causa de eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, desperta interesse global; ABECE alerta para qualidade dos projetos

Por: Altair Santos

A projeção internacional obtida pelo Brasil com eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas atraiu alguns dos principais escritórios de engenharia e consultoria do mundo. Estima-se que atualmente pelo menos 40 empresas tenham aberto filiais no país ou estejam atuando em parceria com outras companhias nacionais especializadas em engenharia estrutural, consultoria e projetos. São principalmente norte-americanos, ingleses, alemães e espanhóis, que estão envolvidos não apenas na construção de equipamentos esportivos, mas em obras de infraestrutura, aeroportuárias e de alto padrão no setor de habitação e escritórios.

Arena da Amazônia: porta de entrada para que a alemã GMP (Gerkan, Mark und Partner) se instalasse no Brasil

O auge da chegada de escritórios multinacionais de engenharia aconteceu entre 2008 e 2012. Hoje, as empresas consolidadas no país têm se dedicado a prospectar novos mercados na América Latina. É o caso da inglesa Arup, conhecida mundialmente por projetar obras como a Sydney Opera House (Austrália), o trem bala Londres-Paris High Speed 1 (Inglaterra), o centro aquático Cubo D´água (China) e as arenas esportivas Ninho do Pássaro (China) e a Allianz Arena (Alemanha). "Desejamos expandir nossas atividades por aqui e por todo o Mercosul. Contamos com um escritório em São Paulo desde 2012 e há cerca de três meses abrimos outro no Rio de Janeiro", diz o diretor da empresa no Brasil, Ricardo Pittella.

O CEO da Arup no país explica o porquê de as empresas estarem conseguindo ampliar suas carteiras no Brasil. "Existem poucas empresas de engenharia de projetos que atendam a praticamente todos os segmentos e ofereçam soluções multidisciplinares. Além disso, a cooperação e troca de conhecimentos globais entre os escritórios é muito intensa", completa. Foi isso que atraiu também as alemãs GMP (Gerkan, Marg und Partner) e a norte-americana Populous, que desembarcaram no Brasil assinando os projetos de reforma do Maracanã e da nova Arena das Dunas, em Natal - ambos prontos para receber jogos da Copa do Mundo.

Outro grupo consolidado no Brasil é o espanhol Sener. Instalada desde 2009, a empresa tem atualmente 300 profissionais entre engenheiros, projetistas e arquitetos trabalhando no país. A divisão brasileira desenvolve projetos nos setores de energia e processos, engenharia civil e arquitetura, aeroespacial e naval. Petrobras, BR Distribuidora, Construtora Norberto Odebrecht, Embraer e o estaleiro STX, em Niterói-RJ, estão entre os clientes da companhia espanhola.

João Alberto de Abreu Vendramini: será que precisamos desta mão de obra?

A concorrência internacional estimulou escritórios brasileiros a se associarem com parceiros de fora, mas, no entender da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutura) essa abertura deve ser vista com senso crítico. "Nosso mercado não é tão grande e tão abrangente assim, e não há falta de profissionais no país", avalia João Alberto de Abreu Vendramini, vice-presidente de marketing da ABECE, completando que esse movimento pode prejudicar a formação de novos engenheiros estruturais no Brasil, já que a maioria destes escritórios traz profissionais de fora. "Esse é um setor estratégico para o país, que precisaria de reserva de mercado. Será que precisamos desta mão de obra estrangeira?", questiona.

 

Entrevistados
Engenheiros civis Alberto de Abreu Vendramini, vice-presidente de marketing da ABECE, e
Ricardo Pittella, diretor da Arup no Brasil
Contatos
americas@arup.com
abece@abece.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/Secopa-AM/ABECE

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Automação eleva produtividade no canteiro de obras

Uso de máquinas com alta tecnologia reduz sensivelmente o retrabalho, mas exige mão de obra cada vez mais qualificada

Por: Altair Santos

A gestão eficiente de equipamentos projetados para a construção civil aumenta a produtividade no canteiro de obras, principalmente quando se investe em automação de máquinas. É o que comprovam experiências realizadas por algumas das grandes construtoras do Brasil, que ao investir em tecnologia buscam também diminuir o custo e reduzir o impacto ambiental.  Porém, para cada tipo de obra há um ganho específico, como explica Cláudio Afonso Schmidt, gerente de equipamentos na Construtora Norberto Odebrecht. "Em obras habitacionais, a automação substitui a mão de obra. Já nas de infraestrutura, os ganhos ficam por conta das menores perdas e maior precisão na execução dos serviços, devido aos grandes volumes envolvidos", diz.

Claudio Afonso Schmidt, da Construtora Norberto Odebrecht: obras de infraestrutura são as que mais ganham

É o agronegócio quem inspira a construção civil a investir em "máquinas inteligentes". O setor agrícola já se preocupa com o aprimoramento de equipamentos desde o final do século passado. A ponto de importantes universidades brasileiras estarem ligadas a pesquisas nesta área. Uma delas é a USP (Universidade de São Paulo) com o LAA (Laboratório de Automação Agrícola) que existe desde 1989. O objetivo é aplicar a tecnologia da informação ao agronegócio. "Se analisarmos o que ocorreu no setor agrícola nas últimas décadas, diria que a construção civil está andando a passos lentos. Estes sistemas permitiram que os gestores do agronegócio tivessem informações em tempo real para a tomada de decisão", destaca Elson Rangel, líder da área de Pessoas, Organização e Engenharia da Odebrecht.

As recentes experiências com equipamentos totalmente ou parcialmente automatizados já permitiram às construtoras enumerar as seguintes vantagens:

•    Redução no número de máquinas em operação, sejam os da própria empresa ou os alugados, devido à melhor utilização da frota
•    Redução no consumo de combustível
•    Uso correto dos equipamentos para cada tipo de trabalho
•    Redução no desgaste e, consequentemente, no estoque de peças
•    Melhoria da confiabilidade devido ao mapeamento das falhas redundantes

Para implantar inovações tecnológicas na área de gestão de equipamentos, as construtoras têm investido em sistemas de monitoramento interligado com ERPs, sistemas de controle de máquinas interligados com o planejamento da produção e uso de tecnologia móvel (GPS) para coleta de dados e integração com ERP. Há também a concentração de recursos em sistemas de monitoramento em tempo real das funções vitais da máquina, bem como ferramentas eletrônicas de diagnósticos, que permitem aos técnicos analisar falhas nos equipamentos. "A melhor gestão das máquinas aumenta a produtividade, pois diminui o retrabalho, eleva a precisão na execução dos serviços e reduz a influência de erros causados pelo fator humano", avalia Cláudio Afonso Schmidt.

Máquinas inteligentes exigem operadores com cada vez mais capacitação

No canteiro de obras, hoje já é possível a automação de equipamentos como motoniveladoras com controle de nivelamento automático, rolos compactadores, pavimentadoras de asfalto e de concreto, além de plantas industriais com gestão automatizada de produção. "Existem casos em que a automação elimina completamente os operadores, como tem sido visto, com cada vez mais frequência, nas minas subterrâneas e em ferramentas de controle topográfico", completa o gerente de equipamentos da Odebrecht, reforçando que todo esse aparato tecnológico requer menos mão de obra, mas com mais qualificação. "Os operadores destas máquinas precisam de conhecimento técnico e para treiná-los é bastante comum o uso de simuladores de operação."

Os engenheiros da Odebrecht admitem que, apesar de todos os ganhos que a automação possa trazer à produtividade no canteiro de obras, não são todas as construtoras que estão investindo nesta área. Para eles, algumas esbarram nos custos e outras avaliam que a falta de maiores exigências técnicas na qualidade final dos serviços e produtos não estimula a busca de processos automatizados. Diferentemente do agronegócio, que, por causa da concorrência imposta por outros países, precisou se unir em torno da tecnologia e da inovação. "Neste ponto, o agronegócio é modelo para a construção civil", sinaliza Cláudio Afonso Schmidt.

Entrevistados
Engenheiro mecânico Cláudio Afonso Schmidt, gerente de equipamentos na Construtora Norberto Odebrecht e engenheiro civil Elson Rangel, líder da área de Pessoas, Organização e Engenharia da Odebrecht
Contato: mecanicca@terra.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/Marcelo Vigneron

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Jornal britânico elege 10 pontes mais bonitas do mundo

Relação do The Guardian inclui desde obras erguidas no século 12 até construções supermodernas, como a Viaduc de Millau, na França

Por: Altair Santos

O jornal britânico The Guardian listou em uma de suas últimas edições de 2013 as dez pontes que, segundo critérios definidos por jornalistas da publicação, podem ser consideradas as mais bonitas já construídas no mundo. Foram levadas em consideração opiniões de arquitetos e engenheiros civis, além dos desafios para construí-las. A relação inclui desde obras erguidas no século 12, como a Old London Bridge, demolida em 1831, até construções supermodernas, como a Millau Viaduct, na França, considerada a ponte mais alta do mundo. Cada uma das eleitas procurou retratar também a evolução da engenharia e do uso de sistemas construtivos.

As dez eleitas foram as seguintes:

1ª) Old London Bridge
Construídas com pedras, a velha ponte de Londres foi usada de 1176 a 1831, quando ocorreu sua demolição. Ela foi inspirada nas embarcações britânicas e sustentava, além de uma passarela que servia de travessia para pedestres e veículos de tração animal, edificações que eram habitadas normalmente por famílias de comerciantes londrinos.

Old London Bridge: usada de 1176 a 1831, até hoje é considerada uma obra inovadora

2ª) Pontes de raízes
Em Umshiang, no nordeste da Índia, em uma das regiões mais chuvosas do planeta, as pontes são construídas com raízes vivas de árvores. As estruturas podem durar centenas de anos e, apesar de simples, revelam uma engenhosidade que surpreendeu o jurado escolhido para eleger as pontes mais bonitas do mundo.

Pontes de raízes: na Índia, só elas suportam longos períodos de chuva

3ª) Viaduc de Millau
É considerada a ponte mais alta do mundo. Projetada pelo arquiteto inglês Norman Foster e pelo engenheiro francês Michel Virlogeux, tem 343 metros de altura. Foi inaugurada em 2004 e atravessa o rio Tarn, no sudoeste da França. A ponte é estaiada, mas sustentada por sete pilares que medem de 77 metros até 246 metros.

Viaduc de Millau, na França: entre as obras de arte mais perfeitas do planeta

4ª) Punt Da Suransuns
Com um vão de 40 metros, a Punt Da Suransuns atravessa o rio Hinterrhein, na Suíça, e foi construída com placas de granito sustentadas por barras de aço. Exclusiva para pedestres, a ponte foi concluída em 1999 e localiza-se no desfiladeiro Viamala.  Foi projetada pelo engenheiro Conzett Bronzini Gartmann.

Punt Da Suransuns: construída com placas de granito e sustentada por barras de aço

5ª) Ponte Salginatobel
Na Europa, o engenheiro suíço Robert Maillart é considerado um dos pioneiros em técnicas de construção em concreto armado. Por isso, a ponte Salginatobel é uma das obras de arte da engenharia do Velho Continente. Construída em 1930, na Suíça, ela tem um vão livre de 90 metros, sustentada por arcos triarticulados.

Ponte Salginatobel: idealizada por um dos pioneiros em construção de pontes em concreto armado

6ª) Bridge Burlington Northern
Sobre o rio Willamette, perto da cidade de Portland, no Oregon-EUA, a ponte foi construída em 1908 e serve para a travessia de trens. A obra conta com um mecanismo que permite que ela gire sobre um eixo, abrindo caminho para a navegação de grandes embarcações. Construída em aço, ela é sustentada por pilares de concreto armado. Funciona plenamente até hoje.

Bridge Burlington Northern: vão giratório foi inovador no início do século 20

7ª) Ponte Maria Pia
Construída por Gustavo Eiffel, em 1877, a ponte Maria Pia cruza o Douro, na cidade do Porto, em Portugal, sem que haja pilares no leito do rio. Construída toda em estrutura de aço, a obra inspirou o engenheiro francês a projetar a Torre Eiffel, inaugurada em 1889. A Maria Pia conta com um tabuleiro de 352 metros de extensão e encontra-se a uma altura de 61 metros.

Ponte Maria Pia: construída por Gustavo Eiffel, inspirou a Torre Eiffel

8ª) Nanpu Bridge
Construída em 1991, em Shangai, na China, a Nanpu Bridge é mais do que uma ponte estaiada. Inspirada em desenhos animados futuristas, como Os Jetsons, a obra tem um vão livre de 428 metros, que é acessado por quatro rampas circulares. Projetada pelo Instituto de Engenharia de Shangai, a ponte é considerada a 57ª maior ponte estaiada do mundo.

Nanpu Bridge: acessada por quatro rampas e inspirada em desenhos animados

9ª) Aqueduto Pontcysyllte
Construída em 1805 no País de Gales, a ponte tem dupla função. Além de ser um aqueduto serve também de rota para o transporte fluvial de pequenas embarcações. Está construída sobre pilares de alvenaria e suas calhas de ferro fundido utilizam o curso d'água do Canal Llangollen. A obra tem 307 metros de comprimento e 38 metros de altura.

Aqueduto Pontcysyllte: exótica por permitir a travessia de pequenas embarcações

10ª) Khaju Bridge
Construída na província de Isfahan, por volta de 1650, quando o Irã ainda conhecido com Pérsia , a Jhaju Brigde foi eleita pela sua funcionalidade. Além de ponte, ela funciona também como uma eclusa. Suas galerias também abrigam as famosas casas de chá iranianas. A ponte, que funciona até hoje, tem pedras de grande porte como elementos estruturantes.

Khaju Bridge: obra com mais de 350 anos continua intacta no Irã

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330