Cisterna de bioconcreto revoluciona reúso da água

Invenção armazena chuva e faz tratamento à base de nanopartículas de prata, ajustando pH e tornando-a potável, sem usar produtos químicos

Por: Altair Santos

Conhecida internacionalmente por produzir design através do concreto, a empresa húngara Ivanka decidiu atuar na área de sustentabilidade e desenvolveu um projeto inovador para captação e tratamento de água: construiu uma cisterna que recolhe a chuva e a torna adequada para o consumo humano. O protótipo da invenção, batizada de RainHouse, foi apresentado em abril de 2014 no Salão de Design de Milão, na Itália. “É um projeto visionário que capta a essência da água, que é a chuva. É uma fonte melhor que lagos, rios ou águas minerais do subsolo. A tecnologia que desenvolvemos fornece acesso à água potável com baixo custo e deixa a menor pegada ecológica possível no processo", diz o casal Andras e Katalin Ivanka.

Protótipo da cisterna que capta e trata a água da chuva, apresentado no Salão de design de Milão

Os inventores denominaram o concreto usado na RainHouse de bioconcreto. No entanto, trata-se de um material distinto do bioconcreto desenvolvido por pesquisadores da Universidade Técnica de Delft, na Holanda, e que utiliza bactérias em sua composição para promover a regeneração do material. No caso do concreto usado para fabricar a cisterna, foram injetadas nanopartículas de prata coloidal entre seus agregados. Os agentes microscópicos, junto com a tubulação de aço inoxidável que capta a chuva, são os responsáveis por ajustar o pH da água para consumo humano. Além disso, a prata coloidal age contra uma ampla faixa de microorganismos, como bactérias (Gram-positivas/negativas), fungos e vírus. Por fim, filtros instalados na cisterna concluem o processo de purificação da água.

Viável no Brasil
Após o encerramento da feira em Milão, o protótipo foi levado para a região do Lago Balaton, na Hungria, onde será testado durante um ano. Depois desse período, os inventores planejam produzir novas unidades e instalá-las em regiões pobres, principalmente na África. “A limitação do sistema é que ele precisa de certa quantidade de chuva, o que significa que locais mais secos não poderão usá-lo. Mesmo assim, segundo calculam seus criadores, metade dos países do planeta terá condições de adotar a cisterna de bioconcreto”, avalia José Rossa Júnior, coordenador de STI (Soluções em Tecnologia e Inovação) do SENAI de Ponta Grossa - unidade especializada em construção civil.

Engenheiro José Rossa Júnior: tecnicamente, nada impede que sistema seja usado no Brasil

Engenheiro civil e mestre em ciência dos materiais, José Rossa Júnior considera que não há nenhum impedimento técnico para que a RainHouse possa, futuramente, ser agregada ao sistema de tratamento de água do Brasil, por exemplo. “Precisa apenas ser realizado um estudo de viabilidade, a fim de comparar o modelo tradicional de captação com esse novo modelo. Mas a tecnologia da cisterna de bioconcreto permite que ela seja instalada mesmo em casas já existentes, variando apenas seu design de acordo com a arquitetura. O tamanho também é adaptável. Significa que ela pode abastecer desde uma habitação até uma fábrica”, analisa.

Segundo a Ivanka, o protótipo da cisterna custou 23 mil euros – o equivalente a 69 mil reais. Deste valor, o tratamento do concreto com nanopartículas consumiu aproximadamente 2/3 dos recursos. A empresa, no entanto, considera que a produção em larga escala pode baratear o equipamento em, no mínimo, 40%, já incluídos os sistemas de captação, tratamento e distribuição da água.

Entrevistados
Engenheiro civil José Rossa Júnior, coordenador de STI (Soluções em Tecnologia e Inovação) do SENAI de Ponta Grossa - unidade especializada em construção civil
Ivanka Design (via assessoria de imprensa, por email)
Contatos
jose.rossa@pr.senai.br
info@ivankaconcrete.com

Créditos Fotos: Divulgação/Ivanka Design

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Cimento e plástico se unem para gerar tijolo do futuro

Criado na Inglaterra, produto se inspira no brinquedo Lego e possui encaixes que economizam argamassa e melhoram desempenho termoacústico

Por: Altair Santos

O conceito-matriz do brinquedo Lego, que permite se construir quase tudo encaixando peças, foi o que levou a empresa inglesa Ecomat Research a desenvolver o “tijolo do futuro”. O objeto une plástico reciclável, cimento e gesso em um único produto e pode ser assentado com encaixes, gerando economia de argamassa. Com 33 centímetros de comprimento e 25 centímetros de altura, o bloco pesa em torno de dois quilos e possui boas propriedades termoacústicas, além de resistência à chuva, ao vento e à maresia.

Tijolos são fabricados a partir de garrafas pet recicladas, cimento e gesso

Por causa destas propriedades, nos testes a que foi submetido o “tijolo do futuro” mostrou-se mais eficiente para proteger concreto e armações de patologias. Isso porque, comprovou ser imune a fungos e bactérias. Chamado tecnicamente de elemento modular, pelo fabricante, o novo tijolo já foi apresentado em feiras na Itália e na Romênia como uma opção competitiva para construções rápidas, como stands e showroom. Recentemente, o produto entrou em outra fase de aplicação, permitindo a construção de casas de baixo custo para refugiados e vítimas de cataclismos naturais.

Coincidentemente, o “tijolo do futuro” mostrou ter propriedades antissísmicas superiores aos tijolos convencionais. Isso se deve ao fato de que, conforme se dá o empilhamento para subir a parede, o intertravamento entre as peças ajuda a reforçar a estrutura. Além disso, defende o fabricante, trata-se de um componente com sustentabilidade comprovada, já que ele permite ser reutilizado e é construído a partir de matérias-primas recicladas, como o plástico de garrafas PET (Polietileno Tereftalato).

Norma técnica
Possibilita ainda obter mais rapidez na obra. Na construção de uma casa-modelo, a conclusão ocorreu com 1/3 a menos do tempo normal para se erguer a estrutura de uma habitação térrea com 60 m² de área. Submetido às rigorosas normas britânicas para construção, o “tijolo do futuro” foi aprovado com a seguinte recomendação: “Está em perfeita consonância com as diretrizes técnicas e procedimentos constantes da legislação atual em termos de estrutura e à prova de terremotos”.

No Brasil, o “tijolo do futuro” já foi apresentado em duas feiras: a Plastech Brasil e a Construnorte. Em 2015, será mostrado também na Feicon Batimat, que acontece em março, em São Paulo. Segundo a Ecomat Research, a expectativa de que o material prospere em países emergentes e em nações mais pobres é grande. Tanto que ela inaugurou recentemente uma fábrica em Bergamo, na Itália, para estreitar negócios com sul-americanos, africanos e países do Golfo Pérsico.

Entrevistado
Danny Smile Wahab, creative managing director (director de inovações) da Ecomat Research (via email)
Contato: future@ecomatresearch.com

Créditos Fotos: Divulgação/Ecomat Research

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

No Brasil, Pininfarina investe em altura e luxo

Escritório italiano, conhecido por projetos para Ferrari, Maserati e Rolls Royce, torna-se parceiro de edifícios em São Paulo e em Balneário Camboriú

Por: Altair Santos

Dos carros para os prédios de luxo. Aos poucos, o Estúdio Pininfarina vem expandindo sua nova vocação. Conhecida internacionalmente por projetar modelos para as marcas Ferrari, Jaguar, Maserati e Rolls Royce, a empresa italiana de design avança pelos cinco continentes com negócios imobiliários. Recentemente, desembarcou no Brasil, onde assina dois projetos. Um em Balneário Camboriú-SC, em parceria com a Pasqualotto & GT Empreendimentos, e outro na cidade de São Paulo, em parceria com a Cyrela Brazil Realty. “Encontramos parceiros com quem compartilhamos os valores da qualidade, inovação e atenção aos detalhes. Juntando as forças, demos vida a projetos únicos e exclusivos", diz Paolo Pininfarina, presidente do Grupo Pininfarina, sobre a atuação no país.

Yachthouse Residence Club, em Balneário Camboriú: design Pininfarina e concreto Concrebras

Em Balneário Camboriú, a Pininfarina participa do projeto do Yachthouse Residence Club. As obras começaram em novembro de 2013 e o empreendimento será um dos mais altos do Brasil quando concluído. Cada uma das duas torres terá 253,80 metros de altura, incluindo 77 pavimentos, heliponto e subsolo. “Nosso grande desafio é construir um empreendimento diferente dos demais, não só pela altura das torres, mas também pelo conceito de qualidade implícito em cada detalhe da obra, na qual a Pininfarina fará o design interno e externo”, diz o diretor-geral da Pasqualotto & GT Empreendimentos, Alcino Pasqualotto, explicando o porquê da parceria com a empresa italiana. “Balneário Camboriú merece padrões internacionais de design”, completa.

Concreto Concrebras

Estima-se que a construção no litoral catarinense consuma cerca de 100 mil m³ de concreto, que será fornecido pela Concrebras. A obra tem características peculiares em sua construção, porque será o único residencial do Brasil a estar anexo a uma marina. O projeto luxuoso chama a atenção até de celebridades, como o jogador de futebol Neymar, que adquiriu dois apartamentos no Yachthouse Residence Club.

Cyrela Pininfarina: projeto prevê o edifício mais luxuoso de São Paulo

A assinatura Pininfarina também atrai famosos para o empreendimento que a empresa italiana projetou, em parceria com a Cyrela, na cidade de São Paulo. Sem modéstia, o edifício pretende ser o mais luxuoso da maior metrópole do país. “Desde que firmamos esta parceria, tínhamos em mente que o Cyrela by Pininfarina deveria ser a representação mais próxima do que é morar em uma obra de arte”, declara Efraim Horn, copresidente da Cyrela.

Em uma área de 2.050 m², o projeto - lançado em setembro de 2014 - é o mais ousado já feito pela empresa brasileira. A começar pela fachada, inspirada em curvas e formas que transmitem movimento e dinamismo. Pensado em cada detalhe, e com opções de unidades que vão de 50 m² a 100 m², o Cyrela by Pininfarina vai apresentar uma simetria arquitetônica, cujo objetivo é passar a sensação, para quem o vê, de que o prédio foi esculpido pelo vento. Neste empreendimento, o Estúdio Pininfarina assina a fachada, o lobby e a garagem do edifício.

Veja o projeto do Cyrela by Pininfarina (vídeo)

Alcino Pasqualotto: Balneário Camboriú merece padrões internacionais de design

Entrevistados
Alcino Pasqualotto, diretor-geral da Pasqualotto & GT Empreendimentos
Paolo Pininfarina, presidente do Grupo Pininfarina
Efraim Horn, copresidente da Cyrela Brazil Realty
Contatos
assessoriaagenciaa@gmail.com
fernanda.machado@edelmansignifica.com

Créditos Fotos: Divulgação/Agência A/Cyrela/Carlos Alberto Alves

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Monotrilho em São Paulo é opção real ao metrô

Primeiro trecho do modal começa a funcionar experimentalmente e quando pronto será o maior sistema elevado de transporte público do mundo

Por: Altair Santos

Tudo no monotrilho em construção na cidade de São Paulo é superlativo. Quando pronto – estima-se entre 2016 e 2017 –, sua extensão será de 26,6 quilômetros, o que o transformará no maior sistema de transporte público do mundo a usar esse tipo de modal. Além disso, deverá deslocar cerca de 550 mil passageiros por dia, através de composições computadorizadas e movidas por eletricidade sobre grandes estruturas pré-moldadas, as quais consumirão aproximadamente 110 mil m³ de concreto. Tudo isso, a um custo de R$ 5,4 bilhões e envolvendo 1.600 trabalhadores nos canteiros de obras.

Monotrilho de São Paulo: 2,9 quilômetros operam experimentalmente, 7,7 quilômetros funcionarão em 2015 e 26,6 quilômetros estarão prontos até 2017

Só o que não é superlativo no monotrilho paulista é o seu custo. Toda essa estrutura exige uma demanda de recursos 50% menor, se comparada ao metrô. O sistema enterrado encarece principalmente porque precisa promover desapropriações e também porque as obras avançam mais lentamente e exigem um contingente maior de pessoas. Por isso, o monotrilho surge como uma alternativa real para melhorar a mobilidade nas principais metrópoles brasileiras. Tanto é que, nem concluiu a Linha 15-Prata na zona leste paulistana, o governo de São Paulo, em parceria com o governo federal, anunciou o início das obras da Linha 18-Bronze, que ligará a capital do estado ao ABC paulista (São Caetano do Sul, Santo André e São Bernardo do Campo).

O ministério do Planejamento também estuda abrir linhas de financiamento para a construção de monotrilhos em cidades de médio porte (entre 500 mil a um milhão de habitantes) e entre capitais e regiões metropolitanas, seguindo o modelo do contrato assinado com São Paulo. “É preciso trabalhar nesta direção”, diz a ministra Miriam Belchior. Essa tese ganhou corpo depois que 2,9 quilômetros do sistema paulistano entraram em fase experimental. O trecho liga as estações Vila Prudente e Oratório, percorrendo vias suspensas a 15 metros de altura. Esse percurso foi liberado para que os usuários possam se adaptar ao modal.

O monotrilho é sustentado por pilares espaçados a cada 30 metros. Primeiro, se concreta a parte inferior do pilar usando formas metálicas. Já a parte superior é montada in loco e concretada com auxílio de outras formas metálicas com dimensões variáveis. O sistema também requer vigas de concreto com alta precisão dimensional, pois os pneus dos trens envolvem essas peças e qualquer erro pode causar desníveis que prejudiquem o movimento das composições. Por isso, as vigas são pré-fabricadas em uma fábrica montada especialmente para atender às necessidades da obra.

O mesmo processo é usado para a montagem dos deck-switches - lajes de concreto que permitem aos trens mudar de via. São 36 peças com 60 metros de comprimento, instaladas nas estações e nas regiões de manobra das composições. Para acelerar a obra, que em 2015 porá em funcionamento 7,7 quilômetros, vários consórcios atuam no empreendimento. Ao todo são dez. O principal deles é o Consórcio Expresso Monotrilho Leste, formado por Queiróz Galvão, OAS e Bombardier. Também atuam os consórcios S/A Paulista/Somague, Arc Comércio e Serviços, Siemens/MPE, MPE/Infoglobal, Ebei/Intertechne, Pólux/SMZ/Headway X, Copem/Afire/Tekhnites, Lenc/Hidroconsult, Ductor/Logos e BBL/Tekhnites.

Entrevistados
Consórcio Expresso Monotrilho Leste e Companhia do Metropolitano de São Paulo (METRÔ) (via assessorias de imprensa)
Contatos
www.expressomonotrilholeste.com.br/contato.php
imprensa@metrosp.com.br

Crédito Foto: Guilherme Lara Campos/GESP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Terrenos com elementos agressivos afetam concreto

Processo de revisão da ABNT NBR 12655 passa a considerar características do solo para o preparo, controle, recebimento e aceitação da concretagem

Por: Altair Santos

A escassez de terrenos nos grandes centros urbanos tem levado a indústria da construção civil a empreender em áreas que se tornaram agressivas para o concreto. São locais onde antes funcionavam fábricas de automóveis, produtos químicos, farmacêuticos ou de baterias, e que acabaram recebendo elementos que alteraram o pH do solo. Isso tornou as construções mais propensas a ataques de sulfatos e, consequentemente, mais suscetíveis a patologias.

Carlos Britez: norma estreita relação entre os atores envolvidos em uma obra

Levando em conta esse novo ambiente é que o CB-18 da ABNT (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) durante o processo de revisão da ABNT NBR 12655 (Concreto de Cimento Portland – Preparo, controle e recebimento) promoveu mudanças, inclusive, na nomenclatura da norma. “Melhoramos várias análises, incluindo ensaios mais detalhados sobre os agregados do concreto, incluindo a água, para minimizar os efeitos do solo”, diz o engenheiro civil Carlos Britez, que atuou como secretário da comissão que revisou a norma.

A ABNT NBR 12655 (Concreto de Cimento Portland – Preparo, controle e recebimento) teve a inclusão do termo Aceitação em seu nome, transformando-se em ABNT NBR 12655 - Concreto de Cimento Portland - Preparo, Controle, Recebimento e Aceitação – Procedimento. “A aceitação refere-se à verificação do atendimento de todos os requisitos especificados para a fabricação do concreto, inclusive as propriedades mecânicas aos 28 dias, de acordo com o que foi definido no projeto. Isso se aplica a concretos normais, pesados e leves, e não se aplica para concretos aerados, espumosos e com estrutura leve sem finos e também ao concreto de pavimento”, explica Carlos Britez.

Obra-modelo
A nova ABNT NBR 12655 também procurou estreitar a relação entre os atores envolvidos em uma obra. “Ela melhora a interação entre diversos intervenientes: projetista-estrutural, serviço de concretagem, construtora, tecnologista e laboratório de controle. Todos fazem parte de uma mesma equipe e a norma deixa isso bem claro ao distribuir incumbências a cada um destes setores”, cita Britez, afirmando que a revisão também aproximou a norma de outras 31 correlatas. “Por que fizemos isso? Para atender os dois requisitos básicos que levaram à revisão, que são segurança e vida útil”, completa.

O integrante da comissão que revisou a norma ressalta que todas as condições que envolvem a estrutura devem ser consideradas, inclusive as ambientais às quais ela estará exposta, assim como as cargas suportadas pelo elemento estrutural, os contaminantes que podem atacar a estrutura, as condições de aplicação do reparo e a resposta esperada do material aos requisitos do projeto. “A resistência do material deve ser no mínimo igual à resistência especificada no projeto”, reafirma. A ABNT NBR 12655 entrou em consulta pública em junho de 2014 e ficou até 12 de setembro de 2014.

Entrevistado
Engenheiro civil Carlos Britez, doutor em Ciências pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) e diretor da PhD Engenharia Ltda. em sociedade com o professor-doutor Paulo Helene
Contato: carlos.britez@concretophd.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Batalhões de Engenharia de Construção: 60 anos de obras

Unidades militares atuam desde a recuperação de estradas e ferrovias até em megaconstruções, como a transposição do rio São Francisco

Por: Altair Santos

Em 2015, os Batalhões de Engenharia de Construção (BEC) completam 60 anos. O primeiro nasceu em 1955, para atender obras ferroviárias no nordeste brasileiro. Hoje, essas companhias contam com unidades operando nas cinco regiões do país. Elas têm como propósito atuar em obras de cooperação, conveniadas com organismos públicos federais, estaduais e municipais na construção de ferrovias, rodovias, viadutos, pontes, açudes e portos, além de barragens e poços artesianos. Cada BEC também atua como formador de profissionais - de pedreiros a engenheiros -, ajudando na qualificação da mão de obra da construção civil.

Pavimentação em concreto: um das especialidades dos Batalhões de Engenharia de Construção.

Existem Batalhões de Engenharia de Construção (BEC) nas seguintes localidades:
1º BEC- Caicó-RN
2º BEC- Teresina-PI
3º BEC- Picos-PI
4º BEC- Barreiras-BA
5º BEC- Porto Velho-RO
6º BEC- Boa Vista-RR
7º BEC- Rio Branco-AC
8º BEC- Santarém-PA
9º BEC- Cuiabá-MT
10º BEC- Lages-SC
11º BEC- Araguari-MG

Entre as obras mais relevantes tocadas por esses batalhões do exército estão: construção do aeroporto de São Gonçalo do Amarante-RN (1º BEC); duplicação com pavimento em concreto e recuperação da BR- 101/NE (1º, 2º, 3º e 4 º BEC); reconstrução das rodovias BR- 319, BR- 364 e BR- 163, na Amazônia (5º, 6º, 7º e 8º BEC); construção das Ferrovias Tronco Sul e Ferroeste (10º e 11º BEC) e obras de transposição do rio São Francisco (1º, 2º e 3º BEC). No sul do país, também estão em andamento a recuperação da BR-116, no trecho entre Vacaria e Campestre da Serra, no Rio Grande do Sul, e a construção e recuperação da SC-114 (denominada Caminhos da Neve) na serra catarinense – ambas a cargo do 10º BEC.

Obras com custo menor

Batalhões de Engenharia de Construção atuam na formação de mão de obra especializada para a construção civil

Além de viabilizar obras, os Batalhões de Engenharia de Construção também ajudam na formação de engenheiros que se graduam no Instituto Militar de Engenharia, permitindo que eles pratiquem seus conhecimentos. Atualmente, o chamado Sistema de Obras de Cooperação (SOC) conta com 40 oficiais do quadro de engenheiros militares. Os batalhões também possuem profissionais civis em seus quadros, contratados em regime temporário, especialistas em engenharia civil, engenharia mecânica, engenharia ambiental e arquitetura.

Apesar de boa parte das obras estar relacionada a demandas federais, os Batalhões de Engenharia de Construção têm condições legais de atuar em parceria com a iniciativa privada, como já o fazem em obras ferroviárias em conjunto com a ALL (América Latina Logística) e também podem ser requisitados pelos governos estaduais e municipais. Cálculos aproximados apontam que as parcerias com o exército permitem que obras públicas e de infraestrutura tenham seus orçamentos barateados entre 30% a 40%, em média.

Entrevistado
Departamento de Engenharia e Construção do Exército (via assessoria de comunicação social)
Contato: dec@dec.eb.mil.br

Créditos Fotos: Divulgação/Exército Brasileiro

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Prédio mais alto da América Latina terá até estádio

Torre Rampa começa a ser construída em novembro de 2014, em Buenos Aires, e alcançará 335 metros, com 65 mil m³ de concreto

Por: Altair Santos

A Argentina vai erguer um novo arranha-céu em Buenos Aires, e o projeto - escolhido pessoalmente pela presidente Cristina Kirchner - é ousado. Propõe ser uma espécie de torre de babel portenha, abrigando diversos serviços e eventos culturais em um único espaço. Por isso, suas estruturas são igualmente ambiciosas. A torre de 335 metros de altura será a maior do continente sul-americano e reunirá, além de segmentos da indústria de entretenimento argentina, um condomínio, um hotel e um estádio próprio para shows, com capacidade de 15 mil lugares.

Torre Rampa, em Buenos Aires: projeto de edifício mais alto do continente sul-americano tem prazo de validade

Projetado pelo escritório MRA + A Alvarez, Bernabó e Sabatini, as obras começam em novembro de 2014 e serão concluídas em cinco anos (2019). A execução estará a cargo da empreiteira argentina Riva S.A. Serão 67 andares, construídos em um terreno de 216 mil m² na Ilha Demarchi, no sul de Buenos Aires. O estádio ocupará 13 mil m². A fachada do prédio será curvilínea, com a base horizontal que se alonga em direção ao céu, e terá as cores branco e azul celeste. “Trata-se de um símbolo da cidade de Buenos Aires”, disse Cristina Kirchner, ao anunciar a obra.

Financiado com recursos públicos, o prédio será erguido em estrutura mista de concreto, aço e vidro. Estima-se que consumirá 65 mil m³ de concreto, a um custo de R$ 700 milhões. Entre as maiores edificações já construídas no continente, ele irá superar a torre Gran Santiago (300 metros), em Santiago do Chile, e a torre Insignia (330 metros), em Monterrey, no México. No entanto, não deve durar muito tempo o reinado da Torre Rampa - como tem sido chamada na Argentina - como o edifício mais alto das Américas do Sul e Central. Outros três projetos em andamento também buscam esse título.

Megatorres
Um deles já está em obras na Colômbia. Trata-se da Megatorre Avenida 19, na cidade de Bogotá, que atingirá 462 metros de altura e terá 95 andares. O complexo promete ficar pronto em 2020. No Brasil, o escritório de arquitetura FarKasVölGyi está à frente do Complexo Andradas, em Belo Horizonte-MG, e que espera alcançar 350 metros. Já na Cidade do Panamá, no Panamá, o Megapolis Nortia Tower, da Pinzon Lozano & Asociados, terá 333,6 metros e 86 andares.

Enquanto o prédio público não desponta na capital argentina como o mais alto do continente, Buenos Aires assiste à evolução da Alvear Tower. O empreendimento será inaugurado até 2016 e terá 235 metros de altura. As obras atingiram a metade em agosto de 2014 e já consumiram 22 mil m³ de concreto. Calcula-se que para chegar aos 56 pavimentos, como prevê o projeto original, serão precisos mais 23 mil m³. Este será o prédio mais alto da Argentina – pelo menos até 2019.

Entrevistado
MRA + A Alvarez, Bernabó e Sabatini (por email)
Contato: info@mraya.com.ar

Crédito Foto: Divulgação/MRA + A Alvarez, Bernabó e Sabatini

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Brasil adere à pesquisa global sobre cimento sustentável

Referência mundial em baixa emissão de CO2, indústria do setor participa de mapeamento tecnológico para qualificar ainda mais seu produto

Por: Altair Santos

A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), em parceria com o Conselho Mundial de Desenvolvimento Sustentável -Iniciativa do Cimento Sustentável (WBCSD-CSI, na sigla em inglês) e com a Agência Internacional de Energia (IEA), passarão a fazer o mapeamento tecnológico do cimento no Brasil. Conhecido internacionalmente como Cement Technology Roadmap, o estudo prioriza potenciais tecnologias e a redução do consumo de energia e das emissões de gases de efeito estufa pela indústria do setor.

Renato Giusti: modelo em ecoeficência, Brasil tem muito a contribuir com estudo

Para o presidente da ABCP, Renato Giusti, a adesão da indústria do cimento a uma pesquisa de dimensões globais, e da qual Europa e Índia já participam, possibilitará que o Brasil apresente dados de um projeto que há mais de uma década a associação e o SNIC desenvolvem no país. “Graças ao fomento de pesquisas tecnológicas, a indústria brasileira do cimento é hoje a mais ecoeficiente do mundo. Então, nossa participação neste estudo servirá para mostrar nossos avanços, mas também capturar novos conceitos, os quais permitirão nos desenvolvermos ainda mais”, avalia.

O Mapeamento Tecnológico do Cimento-Brasil irá projetar um cenário para 2050, construído sobre a avaliação das tecnologias existentes na indústria nacional e nas que virão a ser incorporadas. “Esta projeção tecnológica de longo prazo permitirá que o país compartilhe pesquisas que buscam a eficiência energética, como combustíveis alternativos, adições ao clínquer e captura e estocagem de carbono. A experiência internacional dentro de um projeto desta dimensão é muito importante”, diz o diretor de Tecnologia da ABCP, Yushiro Kihara, que está à frente do grupo técnico criado para colaborar com a pesquisa.

Competitividade
O mapeamento envolverá ABCP, SNIC e a indústria de cimento, onde serão coletados os dados a serem repassados para o Getting the Numbers Right (GNR) - programa ligado ao WBCSD e que armazena informações da indústria cimenteira de diversos países. A primeira edição do Cement Technology Roadmap ocorreu em 2009 e buscou concentrar dados globais. Em 2013, a Índia foi o primeiro país a aderir. Também no ano passado, o Cembureau (Associação Europeia de Cimento) lançou o seu Roadmap, feito a partir de metodologia própria, sem a participação da IEA e do WBCSD-CSI.

Yushiro Kihara: mapa projeta um cenário até 2050

Para Yushiro Kihara, os resultados do mapeamento servirão para que a indústria nacional se torne mais competitiva e sustentável. “É de grande importância a indústria de cimento brasileira, sendo ela referência, continuar apoiando ações de eficiência energética e de mitigação de emissões, sempre visando um futuro sustentável. Ser referência condiz com o propósito de estar sempre à frente do seu tempo, identificando oportunidades de melhorias de processos e de produtos, e buscando ações para que no futuro o mundo seja mais saudável para todos”, conclui.

Entrevistados
Engenheiro metalúrgico Renato Giusti, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
Geólogo Yushiro Kihara, diretor de Tecnologia da ABCP


Contatos

renato.giusti@abcp.org.br
yushiro.kihara@abcp.org.br
snic@snic.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/ABCP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Quando um engenheiro civil precisa de um MBA?

Profissional em cargo de gestão deve buscar estes cursos, que não são recomendados para quem saiu recentemente da universidade

Por: Altair Santos

Pós-graduações e doutorados são os caminhos naturais para engenheiros civis que buscam aprofundar a especialização técnica dentro de uma área específica. Mas e quando o profissional assume um cargo de gestão, as pós-graduações e os doutorados dão conta dos desafios que virão pela frente? É neste estágio da carreira que um curso em MBA (Master of Business Administration ou Mestrado em Administração de Negócios) se mostra importante. “A necessidade de um MBA vai ser útil quando esse profissional (engenheiro civil) passar a exercer atribuições de caráter mais administrativo, de gestão de pessoas e ser envolvido em decisões de negócio. De forma resumida, quando seu foco maior deixar de ser as técnicas da engenharia e passar a ser a gestão”, afirma Armando Dal Colletto, diretor executivo da ANAMBA (Associação Nacional de MBA).

Armando Dal Colletto: cursos de MBA proliferaram no Brasil, mas falta rigor do MEC

No currículo dos cursos de MBA, 15% das disciplinas são focadas em áreas técnicas, como macroeconomia, estatística e conceitos, e 85% são voltadas em liderança, equipe, desenvolvimento de ideias e produtos, que são competências atreladas ao trabalho do gestor. Segundo o dirigente da ANAMBA, não é recomendável buscar um MBA logo após concluir a graduação. Por cinco razões:

1) Em geral, é entre o penúltimo e o último ano da graduação que o aluno se posiciona sobre sua carreira. Os estágios que fez, e a proximidade com o ambiente de trabalho, despertam as suas convicções vocacionais e ele elege o setor e a especialidade de início de carreira. Neste momento, a gestão ainda não se coloca entre os principais requisitos que ele deve atender para uma primeira contratação.
2) As expectativas sobre o recém-graduado serão muito mais relacionadas com alguma especialidade da sua profissão ou cargo exercido. Assim, uma pós-graduação ajudará muito mais no curto prazo do que um MBA.
3) Somente quando o graduado começar a se voltar para atividades menos especializadas e mais gerencias é que o MBA será de fato útil.
4) A característica de um curso de MBA é a forte participação dos alunos em sala de aula e o desenvolvimento de relações entre alunos e professores. Para tanto, o aluno deve chegar com um mínimo de bagagem (3 a 5 anos de experiência) que permita que ele relate cases e esteja capacitado a debater e trabalhar em equipe.
5) Quem faz um MBA antes da hora, aproveita menos, contribui menos e corre o risco de ter que fazer de novo.

Saiba escolher
Os primeiros cursos de MBA no Brasil surgiram em 1990 e proliferaram rapidamente. O problema é que o MEC (Ministério da Educação) não exerce um controle rigoroso, como faz com pós-graduações e doutorados, e, por isso, a ANAMBA alerta para as escolhas. “Houve uma explosão de demanda e encontramos hoje uma imensa variedade de cursos e preços. Como o MEC não fiscaliza essa área com o mesmo rigor que fiscaliza a graduação, o consumidor corre alguns riscos por ocasião da escolha”, diz Armando Dal Colletto. Não significa, no entanto, que não haja bons cursos no país. “Os credenciados pela ANAMBA ou outras acreditadoras, como AMBA (Association of MBAs), AACSB (Association to Advance Collegiate Schools of Business) e EFMD (European Foundation for Management Development) tem padrões muito semelhantes aos das boas escolas do exterior. Todavia, fazer um MBA fora do Brasil oferece outros diferenciais que podem ser importantes, como a vivência em outra cidade, conhecimento de outras culturas, networking internacional e o branding de uma escola do exterior”, ressalta o dirigente da ANAMBA.

Especificamente para quem atua na construção civil, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) criou três cursos de MBA, voltados para real estate, gerenciamento de facilidades e especialização em gestão de projetos na construção. Os cursos são oferecidos pelo Programa de Cursos de Extensão (Poli-Integra/FDTE). A coordenação está a cargo do Departamento de Engenharia de Construção Civil da instituição. O corpo docente é formado por docentes da Poli e de outras unidades da USP.

Os melhores MBAs do mundo
Harvard Business School (EUA)
Stanford University Graduate School of Business (EUA)
INSEAD (França)
London Business School (Reino Unido)
The Wharton School, University of Pennsylvania (EUA)
The University of Chicago Booth School of Business (EUA)
IE Business School (Espanha)
The Kellogg School of Management, Northwestern University (EUA)
Oxford University, Said Business School (Reino Unido)
IMD (Suíça)

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Entrevistado
Engenheiro civil Armando Dal Colletto, diretor-executivo da ANAMBA (Associação Nacional de MBA)
Contato: adm@anamba.com.br

Crédito Foto: Divulgação/ANAMBA

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Falta de análise faz distratos de imóveis aumentarem

Atraso na entrega dos imóveis, cenário econômico desfavorável e compra emocional estão entre os fatores que mais levam a rompimento de contrato

Por: Altair Santos

Há três anos, cresce o número de distratos de compra e venda de imóveis. Na mais recente aferição, aumentou de 6,7% em 2013 para 17,9% até junho de 2014 – considerando o volume total de contratos fechados. Os motivos mais frequentes são: compra emocional, sem levar em conta o peso da dívida de longo prazo; pouca qualidade na análise do crédito; entrega do imóvel que não condiz com o que foi vendido na planta, e atraso na entrega. Especialistas recomendam que tanto compradores quanto construtoras e agentes financeiros precisam melhorar suas avaliações no momento de fechar o negócio. Não é raro distratos acabarem em ações judiciais. Por isso, avaliar o negócio antes de fechá-lo é o melhor caminho para evitar esse tipo de problema. É o que recomenda a advogada, Ana Laura de Assis Silva, da Associação Brasileira dos Mutuários e Habitação (ABMH), que na entrevista a seguir explica as principais causas e os problemas gerados por distratos. Confira:

Ana Laura de Assis Silva: imagem da construtora pode sofrer abalo se tiver um alto índice de distratos

Reportagens recentes veiculadas na mídia nacional mostram que os distratos cresceram de 6,7% a 17,9% (até junho de 2014). A que se deve isso?
O número no aumento dos distratos pode ser atribuído a uma soma de fatores. Entre eles, o excesso de atraso na entrega dos imóveis, quando comprados na planta, e pelo cenário econômico desfavorável, o que ocasiona a restrição de concessão de crédito aos compradores.

O que é preciso fazer, para se evitar o desgaste que o distrato de um contrato provoca?
O consumidor deve ficar atento ao assinar um contrato de compra e venda, solicitando toda a documentação da construtora, como, por exemplo, a incorporação do imóvel. Além disso, o promitente comprador deve, no momento da assinatura da promessa de compra e venda, simular o valor a ser financiado, já levando em consideração eventuais aumentos de inflação, de forma que, no momento em que fizer o financiamento, não seja surpreendido com parcelas fora do seu orçamento. É importante também tentar verificar a solidez e saúde financeira da empresa (construtora). Buscar sempre empresas que estejam atuando bem no mercado, ou seja, sem indícios de obras paradas, embargadas etc.

Todo o distrato é resolvido judicialmente ou ele pode ser obtido através de acordo?
O distrato é sempre feito por meio de acordo. As partes chegam a um consenso e assinam, extrajudicialmente, um documento para colocar fim ao contrato (distrato). Entretanto, se as partes não entrarem em um acordo, a questão deverá ser resolvida judicialmente por meio de uma ação de “rescisão judicial”. Da mesma forma, se houve o distrato, mas a construtora não cumpriu alguma cláusula, ou não devolveu os valores conforme acordado, deverá ser ajuizada ação de execução do distrato.

Quem mais perde quando há um distrato?
O distrato é prejudicial para as duas partes, mas o maior prejudicado é o consumidor, que é parte hipossuficiente na relação contratual. Muitas vezes as construtoras retêm um valor muito alto do montante pago pelo consumidor (pode chegar até a 50%), o que é considerado abusivo. Em algumas hipóteses, o consumidor não recebe tudo que lhe é de direito, pois os contratos impostos pelas construtoras acabam sendo omissos quanto às penalidades devidas pelas construtoras na rescisão, por culpa da empresa. Nesses casos, é necessário ajuizar uma ação para rever esse percentual.

Para a imagem da construtora o que os distratos representam?
Sempre que duas pessoas firmam um contrato, o intuito principal é que esse contrato seja efetivamente cumprido, observando os direitos e as obrigações que cabem aos contratantes. Aos olhos do consumidor, a imagem da construtora pode sofrer abalo se ela tem um alto índice de distratos, já que a maioria busca por empresas com boa reputação e com menor histórico de problemas.

Qual o custo que um distrato tem pra quem toma a iniciativa de fazê-lo?
O percentual de retenção varia de acordo com o contrato, em especial com as cláusulas de rescisão contratual, mas pode chegar até a 50% de retenção.

A compra emocional tem qual peso no volume de distratos?
A compra emocional pode influenciar na possibilidade de haver um distrato, pois os consumidores ficam focados no futuro que lhe espera, sem observar o caminho que deve ser percorrido para se chegar a ele. Como dito acima, sempre se espera que um contrato seja cumprido. A opção pelo distrato deve ser vista com muita cautela, pois a compra de um imóvel envolve muito dinheiro e muitos sonhos.

Distratos ocorrem mais com os imóveis já prontos ou com imóveis na planta?
Os contratos de compra e venda de imóveis na planta são os que mais sofrem distratos atualmente.

O modelo de financiamento imobiliário no Brasil é que leva o comprador, a determinado momento, a optar pelo distrato?
Não. O modelo adotado atualmente é até mais seguro do que o utilizado há alguns anos. Os distratos têm como fator estimulante muito mais um desgaste entre consumidor e construtora, decorrente de ausência de informações, atraso na entrega das chaves, variação do preço da compra e venda, do que necessariamente as imposições contratuais das instituições financeiras que fomentam o Sistema Financeiro Imobiliário.

Entrevistada
Advogada Ana Laura de Assis Silva, representante da Associação Brasileira dos Mutuários e Habitação (ABMH)
Contato: http://abmh.com.br/ouvidoria-abmh

Crédito Foto: Divulgação/ABMH

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330