Construtoras diversificam negócios e adotam aluguel
Em vez de vender seus apartamentos, empresas preferem locar. Motivo principal está no público com alto poder aquisitivo, que cansou de morar em hotel
Por: Altair Santos
Um novo nicho de mercado tem estimulado construtoras a se transformarem também em imobiliárias. Mais do que isso. Passaram a empreender em novos imóveis com o objetivo de alugar, em vez de vender. “Existe um público com demanda reprimida, formado por executivos que se mudam para grandes cidades, como São Paulo, e que não querem mais morar em hotéis. Preferem a personalização de um apartamento e a privacidade que ele oferece. São profissionais bem-sucedidos, e que têm bons salários, mas que, pela sazonalidade imposta por seus cargos, preferem não comprar imóveis, e sim alugá-los. A entrada deste novo player faz algumas construtoras diversificarem seus negócios”, diz Jaques Bushatsky, diretor de legislação do inquilinato do Secovi-SP.

Advogado, Jaques Bushatsky não vê correlação com o momento atual do mercado imobiliário, onde as construtoras estão demorando mais para negociar seus estoques e reavaliando o cronograma de novos lançamentos, com este novo modelo de negócio. “Não tem nada a ver com crise. É mais uma tendência estimulada por um novo tipo de consumidor”, avalia.
Uma das primeiras a explorar esse nicho é a Vitacon Incorporadora e Construtora. Em 2013, a empresa lançou a linha VN Casa com a finalidade de construir imóveis residenciais e explorá-los comercialmente através de aluguel. “O serviço é inovador e tem o foco nos profissionais expatriados que precisam ficar em São Paulo, por conta dos compromissos corporativos, mas preferem um ambiente semelhante ao de casa, ao invés da impessoalidade de um quarto de hotel. As locações variam a partir de trinta dias”, revela Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon.
Modelo consagrado em NY
Os endereços da linha VN Casa, que inclui os edifícios VN Casa do Ator, VN Turiassu e VN Quatá, estão localizados em bairros onde o metro quadrado é um dos mais valorizados da cidade de São Paulo. As unidades medirão de 25 m² a 60 m² e as obras devem ser concluídas em até 20 meses. Quando os apartamentos ficarem prontos, a administração será entregue a uma start-up criada unicamente para gerenciar e alugar as unidades: a Sampa Housing. A Vitacon investirá R$ 2,5 milhões em dinheiro e R$ 240 milhões em imóveis na imobiliária, que oferecerá serviço de locação desburocratizada, como nos hotéis – incluindo check-in e pagamento através do cartão de crédito. Os apartamentos também são entregues mobiliados para o locatário, e com serviço de internet e TV por assinatura.

Fora do Brasil, esse modelo de negócio já está consagrado em cidades como Nova York, nos Estados Unidos. “O mercado de locação de imóveis é muito forte no exterior. Veja que recentemente até o Grupo Safra entrou neste ramo. Comprou o maior prédio de Londres (Inglaterra) para alugar. É um mercado potente, bem regulado e seguro”, afirma Jaques Bushatsky. Conhecido no setor imobiliário norte-americano como “long stay”, essas locações costumam variar de três meses a trinta meses. “É uma modalidade que pode atrair até proprietários que vão deixar seu imóvel fechado por uma temporada, e podem disponibilizá-lo para locação por tempo determinado”, define Alexandre Lafer Frankel, mostrando o potencial do novo negócio.
Entrevistados
Engenheiro civil Alexandre Lafer Frankel, sócio-fundador e CEO da Vitacon Incorporadora e Construtora
Advogado Jaques Bushatsky, diretor de legislação do inquilinato do Secovi-SP, professor, palestrante e autor de obras e artigos jurídicos

Contatos
secretaria@advocaciabushatsky.com.br
tatiana.botaro@vitacon.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos Fotos: Divulgação/Vitacon
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Chile terá maior ponte pênsil da América Latina
Estrutura com 2.650 metros ligará a ilha de Chiloé ao continente. Consórcio de empreiteiras multinacionais inicia obras em fevereiro de 2015
Por: Altair Santos
O Chile é o país sul-americano que melhor utiliza as PPPs (Parcerias Público-Privadas) para viabilizar obras de infraestrutura. A maturidade alcançada neste tipo de licitação atrai empresas de engenharia do mundo todo. Por conta da credibilidade alcançada pelo governo chileno, as empreiteiras OAS (Brasil), Hyundai (Coreia do Sul), Systra (França) e Aas-Jakobsen (Noruega) uniram-se em um consórcio para construir a maior ponte pênsil da América Latina. As obras começam em fevereiro de 2015 e o empreendimento irá ligar a ilha Chiloé, na região central do Chile, ao continente, passando pelo Canal de Chacao.

O projeto está orçado em 740 milhões de dólares (cerca de 1,850 bilhão de reais) e deverá ficar pronto no prazo de 79 meses (seis anos e sete meses). A ponte terá a extensão de 2.650 metros e será explorada (via pedágio) por um prazo de 20 anos pelo consórcio, com possibilidade de renovação do contrato. A fiscalização estará a cargo do Departamento de Estradas e Rodagem, ligado ao ministério de Obras Públicas do governo do Chile. Quando pronta, a ponte receberá quatro faixas de trânsito e sua construção envolverá aproximadamente dois mil trabalhadores.
O projeto estima o uso de 38 mil m³ de concreto e 1.300 toneladas de aço. Haverá a construção de três âncoras sólidas (duas delas localizadas nas margens da ponte, e uma no centro) as quais sustentarão o sistema de cabos de ligação. Duas torres de sustentação terão 179,8 metros de altura e uma terá 160,77 metros. A ponte contará com dois grandes vãos – um a 1.055 metros, a partir da ilha, e outro a 1.100 metros, a partir do continente. Em relação ao nível do mar, a estrutura terá uma altitude de 59 metros, para permitir a passagem de embarcações (veja vídeo no final da reportagem).
Superconcreto
Por causa do risco de abalos sísmicos, que frequentemente acontecem no Chile, e da velocidade do vento no canal, que pode chegar a 200 km/h, além das fortes correntes marítimas na região, a ponte pênsil irá utilizar superconcreto em suas estruturas. O material tem resistência superior a 150 MPa e os testes, após análise em túnel de vento, passarão pelo Laboratório de Materiais Avançados à Base de Cimento (LMABC), da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP). No centro de pesquisa da escola já foi desenvolvido superconcreto com até 220 MPa de resistência.
O projeto da ponte sobre o Canal de Chacao foi idealizado há 11 anos. Antes de consolidá-lo, o governo chileno realizou visitas técnicas a seis pontes semelhantes – quatro delas construídas na China e duas na Coreia do Sul. “Este é um projeto emblemático para o Chile. Por isso, passou por três governos até que se decidisse pela sua construção. Também foi minuciosa a escolha dos consórcios que se apresentaram. Escolhemos não apenas o que fez a melhor proposta, mas o que tem um histórico de obras bem-sucedidas em todo o mundo”, definiu o ministro de Obras Públicas, Alberto Undurraga.
Veja vídeo sobre construção da ponte pênsil:
Entrevistado
Ministério de Obras Públicas do Chile (via assessoria de imprensa)
Contato: www.mop.cl/Prensa
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Escola falha em inovação e prejudica empresas
Do ensino fundamental às universidades, políticas pedagógicas valorizam pouco os mecanismos que formam profissionais focados na produtividade
Por: Altair Santos
Para o consultor Mário Mendes Júnior, as escolas brasileiras - do ensino fundamental às universidades – têm políticas pedagógicas equivocadas em relação à inovação. Elas priorizam a escolarização em detrimento do espírito empreendedor, um dos pilares que levam ao surgimento de movimentos inovadores. Ainda segundo Mário Mendes Júnior, o governo também erra em não financiar a inovação, direcionando recursos maiores para projetos e empresas já consolidadas. Assim, o país deixa de dar um tratamento linear à inovação, limitando-se a nichos. Um deles é a construção civil, como o entrevistado revela a seguir:

Por que o Brasil ocupa posição tão ruim em rankings internacionais de inovação?
Porque investe errado na educação. Digo isto, porque ciência, tecnologia e inovação estão muito distantes da população, chegando a ser quase uma ficção de Júlio Verne para a maioria dos brasileiros. Como no Brasil a maior parte das inovações acontece por acaso, e os índices de classificação quase sempre estão ligados ao número de registro de patentes, sempre ficamos para trás. Identificar a inovação e ter acesso a sua proteção é fundamental para começarmos a melhorar a nossa participação nos rankings. Um bom exemplo é o caso do inventor brasileiro do identificador de chamadas telefônicas (Bina), que luta na justiça até hoje pelos seus direitos de propriedade intelectual.
Qual a responsabilidade do governo neste mau desempenho?
Crianças crescem muito rápido e não pertencem a nós (seus pais). Elas pertencem ao seu tempo. Aplico aqui esta frase porque é comum no Brasil confundirmos educação com escolarização, embora ambos apoiem na formação do indivíduo. O problema é que as políticas pedagógicas que norteiam a educação no Brasil são totalmente equivocadas e pouco levam em consideração os mecanismos de produção de inovação.
Qual a responsabilidade das empresas neste mau desempenho?
No Brasil, competir no mercado internacional já é algo muito inovador. O que faz com que uma companhia seja mais inovadora de fato não é apenas o que ela inventa, mas sim como gasta o escasso recurso disponível. A habilidade para direcionar investimentos e executar estratégias é a verdadeira responsabilidade das empresas brasileiras, tendo em vista o restrito cenário que têm para inovar.
Qual a responsabilidade das universidades neste mau desempenho?
O principal papel das universidades é inovar na metodologia de atração de estudantes mais talentosos, estimulando a empreenderem. No Brasil, ainda se tem a cultura catedrática de segregar o mundo das ciências: exatas, biológicas, humanas e artes. Este esquema é contraproducente, pois quanto mais humanizado e eclético um engenheiro for, mais percepção das necessidades da sociedade terá. Isto vale também para as artes, cada vez mais audiovisuais e tecnológicas. Sair da era dos diodos e tríodos para a da colaboração multidisciplinar é o fator crítico de sucesso das universidades brasileiras.
Há algum segmento da economia nacional que se destaque em inovação?
Sim, a construção civil sempre se destacou e ainda será a vanguarda das próximas décadas. Não apenas pela demanda sempre crescente da infraestrutura, e pela necessidade de eliminação do déficit habitacional brasileiro, mas também pela contribuição mundial que nossos urbanistas e engenheiros emprestam ao mundo há mais de um século. Um bom exemplo é o engenheiro civil Saturnino de Brito (patrono da engenharia sanitária do país). Passados mais de 84 anos, algumas de suas obras seguem extremamente eficientes e resolveram muitas das mazelas de água e esgoto nas cidades brasileiras e também mundo afora. Em resumo: criamos uma grande escola de engenharia para desenvolvimento de cidades.
Como o senhor vê a construção civil brasileira sob o aspecto da inovação?
Se a construção civil não inovar a passos mais largos no Brasil, será inviável viver em uma sociedade sustentável. As políticas públicas até 2050 certamente suprirão nosso déficit habitacional e finalmente teremos resolvido as questões de água e esgoto, pois isso já vem acontecendo em diversos países. No futuro não haverá lixo, e sim matéria-prima a ser reprocessada. Este é o futuro da construção: desenvolvimento de materiais cerâmicos, polímeros e biopolímeros com ciclos eternos de reutilização. Não tenho dúvida de que o setor dará conta, pois algo parecido já ocorreu na área envolvendo a migração das tecnologias de materiais da petroquímica para a cloroquímica.
O setor da construção civil é, naturalmente, árido para a inovação ou há segmentos ainda mais restritos?
Há tanto espaço para inovação na construção civil quanto a defasagem existente entre o que conhecemos sobre o universo e a sua real extensão. Abrir a mente para novos modelos de moradias e novos materiais será premissa fundamental. Quando se trata de inovação, não há segmento restrito, pois sempre haverá a possibilidade de resolver uma demanda de forma mais econômica, sustentável e segura. A restrição sempre será o acesso ao capital de risco, já que alguns segmentos são mais atraentes para os investidores.
O capital humano é o grande propulsor da inovação?
Digamos que seja o vetor fundamental. Porém, sem política industrial de inovação ainda seremos meros coadjuvantes neste processo. Ainda que o mundo esteja cada vez mais plano, as novas tecnologias de produtos e serviços deverão complementar outros processos tecnológicos globais. Temos como exemplo disto a dobradinha Estados Unidos e Índia nos segmentos de Tecnologia da Informação e Comunicação.
Mas só capital humano não basta. O que é preciso mais?
É preciso um maior acesso ao capital de risco empreendedor, que leve em conta os setores mais promissores e estratégicos do Brasil, em detrimento das empresas consolidadas de mercado - hoje financiadas pelo BNDES.
O que o Brasil deve fazer para melhorar seu desempenho em inovação?
É preciso uma nova geopolítica e também renovação política para que os reduzidos programas de subvenção econômica e fomento sejam mais eficazes. Nossos parceiros do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão mais rápidos do que nós neste nivelamento do globo.
Entrevistado
Pesquisador Mário Mendes Junior, voltado a temas de desenvolvimento econômico mundial. É autor do livro “Procura-se Jovem Negro para Salvar o Planeta”.
Contato: mariomj@terra.com.br
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Ciclo PDCA para construção requer linguagem própria
Especialista afirma que ferramenta é adaptável a qualquer segmento da economia e recomendado a pequenas e médias empresas do setor
Por: Altair Santos
O Ciclo PDCA, sigla em inglês para Plan-Do-Check-Act (planejar-fazer-checar-agir) está arraigado em algumas empresas, sobretudo nas gigantes nacionais e nas multinacionais. No entanto, ainda é visto como inovador em companhias de pequeno e médio porte, principalmente as ligadas à cadeia produtiva da construção civil. Para o consultor empresarial Everton Carsten, a aplicação do PDCA neste segmento depende do desenvolvimento de uma linguagem apropriada. Obtida a adaptação, entende o especialista, os resultados virão de acordo com a forma de se planejar e do envolvimento dos colaboradores com o sistema de qualidade. Confira na entrevista a seguir:

A aplicabilidade do PDCA na construção civil requer adaptações nos conceitos que integram esse modelo de gestão de qualidade?No caso da construção civil, qual é a demanda pelo Ciclo PDCA?
Com o apoio dos Sindicatos da Construção Civil, a filosofia da melhoria da qualidade começou a ser implantada nas construções e, consequentemente, a aplicação do PDCA para o desenvolvimento de projetos e processos ganhou corpo no setor.
Não vejo a necessidade de adaptação do PDCA para a aplicação na construção civil. O que é necessário é correlacionar a linguagem da construção civil com a do PDCA, pois é uma ferramenta que é totalmente adaptável a qualquer meio que utilizarmos. Basta compreendermos a sua forma e a sequência de funcionamento.
Hoje há muitos engenheiros procurando estudar o Ciclo PDCA?
Eu diria que é necessário que engenheiros tenham o pleno conhecimento, e também saibam aplicar o Ciclo do PDCA. Porém, a procura não é muito significativa, principalmente em relação aos treinamentos específicos de MASP (Método de Análise e Solução de Problemas), onde o PDCA é a ferramenta principal deste método.
A partir do PDCA, como é possível saber se um problema está sendo resolvido de forma correta?
O próprio ciclo do PDCA nos leva a este entendimento, de que o problema em questão está sendo resolvido de forma correta. Nos estágios de C - Check (verificação) e A - Action (Ação e Melhoria) temos condições de avaliar se as ações que foram planejadas e realizadas para a solução do problema foram as melhores. Havendo a necessidade de correção, nestes estágios poderemos verificar e já projetarmos melhorias que levem a soluções de problemas.
Até que ponto o PDCA permite saber se propostas ou novas ideias para um projeto irão funcionar?
No estágio P – Plan (Planejamento) podemos utilizar ferramentas que nos proporcionam informações para a tomada de decisão do melhor caminho a ser seguido. Esta é a visão japonesa, ou seja, devemos nos dedicar mais tempo para planejar, pois certamente a execução será feita de forma mais rápida e assertiva. Por isso, quanto mais dados e estatísticas forem utilizados no processo de planejamento, melhor será a nossa execução. Seja para o desenvolvimento de um projeto seja para a solução de um problema.
O Ciclo PDCA é o mais recomendado para pequenas e médias empresas, que precisam implantar mudanças sem desperdiçar recursos?
Certamente, o ciclo do PDCA é a melhor ferramenta para ser utilizado pelas pequenas e médias empresas para a realização de melhorias e também para obter a solução de problemas. Esta postura também impacta no uso de recursos, pois quando planejamos melhor as nossas ações o uso dos recursos é desenvolvido de forma mais adequada. Consequentemente, também teremos menor desperdício.
Desde a implantação do PDCA, até a percepção de que ele está trazendo resultados, há um intervalo de tempo definido ou depende de empresa para empresa?
A velocidade de aparecer os resultados depende de cada empresa, pois o envolvimento das pessoas conta muito neste processo. Quanto mais as pessoas se envolverem e se dedicarem em aplicar o Ciclo do PDCA, certamente teremos mais resultados.
A empresa que pretende implantar o PDCA precisa ter algum antecedente em gestão de qualidade?
Pela simplicidade e facilidade de aplicação do Ciclo do PDCA não é pré-requisito que a empresa tenha uma estrutura e ou conhecimento de qualidade. O que importa é que a empresa tenha o objetivo de melhorar o seu desempenho. É claro que se ela utilizar os conceitos e aplicar os benefícios que a qualidade proporciona, certamente haverá um melhor resultado.
O PDCA vale apenas para setores como diretoria, recursos humanos e marketing de uma empresa ou ele atinge o chão da fábrica também, disseminando-se na empresa?
O Ciclo do PDCA pode e deve ser aplicado em todos os ambientes da empresa, pois não há distinção de área e ou de cargo para o uso. Quanto mais pessoas utilizando, mais resultados positivos a empresa terá no desenvolvimento da sua cultura de qualidade e também no seu desenvolvimento perante o mercado.
Entrevistado
Everton Carsten é advogado e especialista em gestão empresarial, com certificações internacionais. Fundador e diretor da ECR Consultoria, atua em áreas como estratégia empresarial, liderança, controladoria e Finanças.
Contato: everton@ecrconsultoria.com.br
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Celebridades entram no ramo da construção civil
Do cantor Roberto Carlos ao técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo, famosos diversificam negócios e tornam-se donos de construtoras e incorporadoras
Por: Altair Santos
As celebridades não estão se contentando mais em comprar imóveis. Elas querem construir. Roberto Carlos, por exemplo, é sócio da Emoções Incorporadora e Construtora. Idem para a dupla de cantores sertanejos Zezé Di Camargo e Luciano, que têm participação na Penta Incorporadora. No mesmo ramo segue o ex-atacante do Atlético-PR e do Fluminense, Washington “Coração Valente”, que possui uma construtora na cidade de Caxias do Sul-RS. Já o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo investiu na construção de um prédio no bairro Ecoville, em Curitiba: o edifício Eurobild.

A lista não é pequena de famosos brasileiros que diversificam seus negócios optando pelo investimento na construção civil. Mas o caso mais emblemático é o de Roberto Carlos. O cantor, junto com outros três sócios, inaugurou a Emoções Incorporadora e Construtora em 2011. O primeiro empreendimento, o edifício Horizonte JK, na cidade de São Paulo-SP, será entregue aos moradores no começo de 2015. Todas as unidades foram vendidas. Para comemorar o sucesso, o artista fez um show particular para os compradores. Roberto Carlos orientou sobre a arquitetura do prédio e influenciou para que ele tivesse tonalidade azul – sua cor preferida.
Atendendo a um pedido do cantor, todos os empreendimentos da construtora deverão ter a palavra Horizonte coligada a outra palavra em seu nome, numa referência à música “Além do Horizonte”. Outro prédio em construção é o Horizonte Jardins, em Aracaju-SE. “Roberto Carlos gosta muito de arquitetura. Talvez, se não fosse compositor e cantor, teria optado pela carreira de arquiteto”, diz Jaime Sirena, que ao lado do irmão Dody Sirena e do empresário da construção civil Bira Guimarães se associaram a Roberto Carlos. Até agora, a Emoções Incorporadora e Construtora já recebeu aporte financeiro de R$ 1,5 bilhão.

Potência do Centro-Oeste
Há mais tempo no mercado da construção civil, a dupla Zezé Di Camargo e Luciano só faz expandir os negócios da Penta Incorporadora. Voltada para o setor habitacional, a empresa atua em Goiás, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, interior de São Paulo e no Distrito Federal. Fundada em 1996, ela começou construindo casas populares na região metropolitana de Goiânia. Hoje, atua em parceria com outras companhias do segmento imobiliário, como Múltipla Log, Quarteto Participações Societária, GPL Incorporadora, FGR Urbanismo, Cabral Empreendimentos, JAS Logística e Grupo J. Andrade. Em 2013, o faturamento líquido da Penta Incorporadora foi de R$ 100 milhões.
Quem também está consolidado como empresário da construção civil é o ex-atacante Washington. Ele é sócio da Steca Edificações e Administração Ltda., fundada em 2004, junto com Valmor Lorencet e Aroldo Stecanela. A sede da empresa fica em Caxias do Sul-RS e já entregou quatro edifícios. O novo empreendimento é o Residencial D’Enza, que desde 2013 está em construção. “Recentemente comemoramos o aniversário de dez anos da empresa, com a entrega do Residencial Estart Living. Hoje, construímos seguindo parâmetros da certificação ISO 9001 e do nível A em qualidade do PBQP-H (Programa da Qualidade e Produtividade do Habitat, vinculado ao ministério das Cidades e pré-requisito para obter financiamento junto à Caixa Econômica Federal)”, diz Valmor Lorencet.

Entrevistados
Incorporadora e Construtora Emoções, Penta Incorporadora e Steca Edificações e Administração Ltda. (via assessoria de imprensa)
Contatos
www.incorporadoraemocoes.com.br/contato.php
www.steca.com.br/contato
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

SindusCon não adota cadastro positivo do concreto
Paraná e Rio Grande do Sul alegam ter parceria com a Associação Brasileira de Cimento Portland; em Santa Catarina, atuação é mais relevante
Por: Altair Santos
Os Sindicatos da Indústria da Construção (SindusCon) do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul não possuem cadastro positivo de concreteiras para fornecer a seus associados. Essa lista seria útil para que as construtoras tivessem uma referência sobre quem produz concreto dentro das normas técnicas e dos procedimentos adequados para se obter um material de qualidade. “O SindusCon não é um órgão fiscalizador. Evidentemente que, quando há uma denúncia, chamamos o associado para discutir o assunto. E quando não é o associado, encaminhamos para os órgãos competentes. Mas o setor da indústria da construção civil no Brasil não tem, regularmente, organismos fiscalizadores”, admite Marco Aurélio Alberton, vice-presidente de tecnologia, qualidade e habitação do SindusCon de Santa Catarina.

Comparativamente ao SindusCon do Paraná e ao do Rio Grande do Sul, o organismo catarinense mostra-se mais atuante. Apesar da falta de um cadastro positivo, mobiliza-se quando as construtoras apontam falhas em algum segmento da cadeia produtiva. “Recentemente, fizemos um acordo para melhorar a qualidade dos elevadores e das gruas utilizadas nas obras”, afirma Marco Aurélio Alberton, reconhecendo que em outros países, como a França, existe fiscalização governamental sobre qualidade e desempenho das construções. “Aqui, apenas quando a obra é entregue, e quando surgem problemas, é que vem um perito para fazer a avaliação judicial, para depois ser comprovado ou não o desempenho da obra”, completa.
No SindusCon-RS, através de nota divulgada pela assessoria de imprensa, foi explicado que o organismo não “gerencia os materiais que as empresas utilizam em suas obras”. “No que tange ao concreto, temos uma parceria com a ABCP(Associação Brasileira de Cimento Portland), através da Comunidade da Construção, que promove a orientação das empresas associadas”, completa a nota. Para o SindusCon-RS, ao disseminar o cumprimento de normas técnicas, ministrar cursos e realizar parcerias, como a firmada com a ABCP, ele já cumpre o papel de incentivar boas práticas no canteiro de obras. Procedimento semelhante é adotado no SindusCon-PR. “Não temos iniciativas voltadas especificamente ao segmento de controle de qualidade do concreto e, neste caso, agimos em parceria com a ABCP”, diz breve nota divulgada pela assessoria de imprensa do organismo paranaense.

Gestão do concreto preocupa
No CREA-PR, o assessor de relações com o setor empresarial, Euclésio Manoel Finatti, afirma que a missão do conselho é verificar se as concreteiras têm responsável técnico. “Todas as empresas têm que ter um responsável técnico. É este profissional que vai verificar a qualidade do trabalho que está sendo executado na obra. Ele é o responsável pela qualificação, pela qualidade do concreto e pelo tipo de aplicação do produto”, explica Finatti. Em caso de denúncia, o CREA-PR informa que é o responsável técnico da concreteira que fica sob investigação. “Damos continuidade à denúncia, levando-a para o conselho e para a câmara especializada de engenharia civil, que é quem faz essas verificações sobre concreto. Ela vai avaliar e ver se o profissional fez o procedimento correto”, conclui Euclésio Manoel Finatti.
Recentemente, no 4º Fórum de Engenharia do Recife-PE, o diretor de planejamento e professor do Instituto IDD, Cesar Henrique Daher, demonstrou preocupação com a gestão tecnológica do concreto nas obras nacionais. “O que se vê no mercado atual é a perda da cultura voltada ao controle de qualidade do concreto. As empresas que fazem a gestão tecnológica deste material tão fundamental para a construção civil ainda são deixadas em segundo plano e tratadas como coadjuvantes pelos gerentes das obras, o que coloca em risco a segurança do projeto total”, destacou. Segundo Daher, uma das soluções para este problema é o maior envolvimento do engenheiro tecnologista em todas as fases da obra, desde a primeira etapa do projeto até a entrega do resultado final. Daher diz ainda que é fundamental a atuação deste profissional em colaboração com os engenheiros projetistas, gerentes e executores da obra.

Entrevistados
- Sindicato da Indústria da Construção do Paraná (via assessoria de imprensa)
- Sindicato da Indústria da Construção do Rio Grande do Sul (via assessoria de imprensa)
- Engenheiro civil Marco Aurélio Alberton, vice-presidente de tecnologia, qualidade e habitação do SindusCon-SC
- Engenheiro civil Euclésio Manoel Finatti, assessor de relações com o setor empresarial do CREA-PR
- Engenheiro civil Cesar Henrique Daher, diretor de planejamento e professor do Instituto IDD
Contatos
sinduscon@sindusconpr.com.br
sinduscon@sinduscon-fpolis.org.br
euclesio@braengel.com.br
atendimento@institutoidd.com.br
www.sinduscon-rs.com.br
Créditos Fotos: Divulgação/SindusCon-SC/CREA-PR
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Impressora 3D constrói casas com concreto reciclado
Em 24 horas, equipamento produz estruturas para montar dez residências, a um custo de aproximadamente 12 mil reais cada unidade
Por: Altair Santos
As impressoras 3D desembarcaram na construção civil. A empresa chinesa Xangai Winsun Decoração Projeto Co. Engenharia desenvolveu tecnologia para “imprimir” até dez casas em 24 horas. A empresa possui 77 patentes voltadas a materiais de construção, tais como fibra de vidro reforçada com gesso e fibra de vidro misturada ao concreto armado. Neste caso, o grande trunfo é o material utilizado: concreto com agregados recicláveis, o que confere um caráter ambientalmente sustentável à inovação.

A moradia fabricada a partir de tecnologia 3D possui 200 m² e seu processo de construção custa, em média, US$ 4.800 (cerca de R$ 12 mil), sem incluir gastos com mão de obra para montagem, materiais elétricos, hidráulicos e de acabamento. Como esses serviços são baratos na China, o valor da casa totalmente pronta se aproxima dos US$ 10 mil (R$ 25 mil). O equipamento monta as estruturas com uma mistura de concreto autoadensável e fibra de vidro, camada por camada, em um processo semelhante à fabricação de maquetes e protótipos em impressoras 3D.
A empresa com sede em Xangai-China investiu 20 milhões de yuan (US$ 3,2 milhões) em um período de doze anos, desenvolvendo o processo de construção. Ao “imprimir” as casas, o sistema 3D já calcula e marca espaços para instalar encanamento, rede elétrica e outras necessidades de uma habitação.
Segundo o CEO da empresa, Ma Yihe, o desenvolvimento da impressora consumiu a maior parte do tempo do projeto. Foi construída uma máquina que mede 32 metros de comprimento por 10 metros de largura e 6,6 metros de altura, acoplada a uma usina para produzir o concreto. "Nós compramos peças para a impressora no exterior e montamos o equipamento em uma fábrica em Suzhou", explica Ma Yihe.

A Winsun Engenharia agora planeja instalar 100 modelos da impressora em várias regiões da China para construir casas populares, a fim de ajudar a reduzir o déficit habitacional no país. O plano já atraiu parcerias. A gigante chinesa do setor da construção civil, a Tomson Group, está se associando ao projeto para desenvolver edifícios de até cinco pavimentos.
Concorrência dos EUA
Projeto semelhante está em desenvolvimento na University of Southern California (USC), e que foi batizado de Contour Crafting. O avanço da tecnologia norte-americana em relação à chinesa é que ela permite instalar a impressora 3D no canteiro de obras, eliminando o transporte das peças pré-fabricadas até o local. "Em comparação com a construção pré-fabricada, a impressão 3D não é muito mais barata, principalmente quando ela ocorre no local da obra", avalia o professor Behrokh Khoshnevis, diretor do programa de pós-graduação em Engenharia de Produção da USC.
De acordo com Khoshnevis, esta tecnologia aponta para vários mercados, propiciando a desfavelização em países como Brasil, Índia e China, além de nações africanas. Os primeiros testes com a impressora 3D desenvolvida nos Estados Unidos devem ocorrer em 2015, uma vez que a universidade precisa provar que as suas habitações impressas em 3D cumprem as normas do código de construção dos EUA.

Já para Ma Yihe, da chinesa Winsun Engenharia, a nova tecnologia estabelece uma espécie de divisor de águas na construção civil. “Estamos vendo nascer um novo modelo de construtora. A que não gera resíduos para fabricar suas edificações. Pelo contrário, recicla tudo. A pasta cimentícia usada como a “tinta” da impressora é uma prova de que é possível”, afirma.
Entrevistados
- Professor Behrokh Khoshnevis, diretor do programa de pós-graduação em Engenharia de Produção da University of Southern California (USC) (via email)
- Ma Yihe, CEO da Xangai Winsun Decoração Projeto Co. Engenharia (via email)
Contatos
KhoshnevAT@uscDOT.edu
http://www.bkhoshnevis.com
yhbm@yhbm.com

Créditos Fotos: Divulgação/Winsun New Materials
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
ABRAMAT completa 10 anos e fortalece construção civil
A partir do surgimento da entidade, indústria brasileira do setor passou a investir continuamente em tecnologia, mas ainda sofre com “Custo Brasil”
Por: Altair Santos
Fundada em 2004, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) tornou-se, neste período, referência institucional na defesa dos interesses do setor. Em 10 anos, ela vem atuando como interlocutora junto ao poder público e à sociedade, e influenciando na adoção de medidas e políticas que ampliem a atividade da construção. A ABRAMAT tem como associadas as principais empresas do segmento, líderes em vendas, produtividade, qualidade e inovação tecnológica.

Para Walter Cover, presidente da associação, a ABRAMAT trabalha em conjunto com seus associados e parceiros para o desenvolvimento da construção civil no Brasil. Os números divulgados pela entidade geram estatísticas do setor que auxiliam ações, fomentando a demanda para o crescimento social, equilibrado e sustentável no país. Ainda que 2014 apresente desempenho abaixo do esperado, Cover acredita na retomada do crescimento em 2015, desde que o Custo Brasil seja minimizado. Confira a entrevista:
A ABRAMAT completou recentemente 10 anos de atuação. Quais avanços obtidos pelo setor o senhor destaca neste período?
Nesses 10 anos destacamos que o setor da construção apresentou um avanço muito significativo. A escala de produção aumentou fortemente. Houve grandes avanços na oferta de crédito ao consumidor, tanto para aquisição de imóveis, como para reformas e aquisição de materiais, além da retomada de política habitacional voltada à habitação de interesse social, com a criação do Programa Minha Casa Minha Vida, investimentos nas obras de infraestrutura, através do PAC, e estímulos para o setor, principalmente com a desoneração tributária (IPI dos materiais e desoneração de folha de pagamentos).
Atualmente, dentro da cadeia produtiva da construção civil, quais setores estão ligados à ABRAMAT?
A ABRAMAT é uma associação que reúne indústrias de materiais de praticamente todos os segmentos, tanto materiais básicos como de acabamento. Entre os segmentos, podemos destacar aço, cimento, argamassas, impermeabilizantes, tubos e conexões, esquadrias, vidros, coberturas, louças, acessórios e metais sanitários, revestimentos cerâmicos, pisos vinílicos, drywall, materiais elétricos, fios e cabos elétricos.
Quais produtos são lideres de venda atualmente, dentro da cadeia produtiva que envolve a ABRAMAT?
A ABRAMAT não tem estatísticas de vendas de segmentos específicos. Só trabalha com acompanhamento das vendas totais da indústria de materiais e dos grupos de materiais básicos e materiais de acabamento. Em 2014, os produtos de acabamento tiveram desempenho melhor que os produtos de base.
A ABRAMAT sempre procurou incentivar seus associados a investirem em qualidade e inovação tecnológica. Hoje, os produtos brasileiros se equivalem aos padrões internacionais?
Sim. As indústrias brasileiras líderes em seus segmentos investem continuamente em tecnologia de produção, em inovação e estão atualizadas em relação ao que há de mais avançado no mundo para seus produtos. Boa parte das empresas tem unidades fora do país também e parte delas exporta para diversos países, atendendo aos padrões exigidos.
Ao longo destes dez anos, qual o período mais próspero e qual o período de menor crescimento a cadeia produtiva ligada à ABRAMAT enfrentou?
A ABRAMAT tem o seu próprio índice, que o Índice ABRAMAT do Mercado Interno. Por ele, o melhor ano foi 2010, com expansão de 14,4%. O pior foi 2009, com redução de 8,8%, no auge da crise internacional. Em 2014, até setembro, a queda foi de 6,5%.

Dentro do que é considerado “Custo Brasil”, o que mais atrapalha o crescimento do setor ligado à ABRAMAT?
Difícil isolar um só fator. Os mais importantes são excessiva carga tributária, juros altos, câmbio muito valorizado e infraestrutura insuficiente e cara.
O senhor acredita que é possível recuperar as perdas de 2014 no 4º trimestre?
Infelizmente, não conseguiremos recuperar as perdas de venda como um todo. Projetamos que fecharemos o ano com uma queda de 3% a 4%, comparado a 2013.
Por que as vendas caíram?
Pelos dias perdidos de venda na Copa do Mundo e os feriados gerados pelo evento, pelo pessimismo generalizado de consumidores e empresas em relação à economia, pelos atrasos nas obras de infraestrutura e pela queda do consumo em função dos juros altos e falta de confiança.
Quais as perspectivas para 2015?
São melhores que 2014. O Minha Casa Minha Vida deverá ser mais vigoroso, as obras das concessões leiloadas em 2014 devem ser executadas, o consumo deverá aumentar com a redução das incertezas, o câmbio mais desvalorizado deve favorecer as exportações e teremos as obras relacionadas com as Olimpíadas no Rio.
Nos próximos 10 anos, quais as metas traçadas pela ABRAMAT?
São dez: redução do Custo Brasil e aumento da produtividade setorial; integração dos agentes da cadeia produtiva e ambiente de negócios cooperativo; políticas públicas permanentes; valorização da inovação; construção ambiental e socialmente sustentável; atendimento às necessidades dos clientes; força de trabalho capacitada e comprometida; tecnologias da informação e comunicação; produção fora do canteiro de obras e eficiência dos processos de produção.
Entrevistado
Walter Cover, Engenheiro agrônomo, Ph.D em economia agrícola e presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção).
Contato: abramat@abramat.org.br
Crédito Foto: Divulgação/ABRAMAT
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Concreto faz arte sair das galerias e ir para as ruas
Paredes e muros servem como telas para que artistas e grafiteiros transformem o espaço urbano das principais metrópoles do mundo
Por: Altair Santos
A tendência é mundial. Em grandes metrópoles da Europa, dos Estados Unidos e da América do Sul já é possível observar dezenas de pinturas expostas em paredes e muros, de preferência de concreto. É o que se convencionou chamar de street art (arte de rua), que evoluiu da pichação para o grafite e hoje expõe verdadeiras obras de arte a céu aberto. Os autores também se consagram mundialmente. Um exemplo é o brasileiro Eduardo Kobra, um dos mais requisitados para expor seu trabalho, assim como os irmãos conhecidos como Os Gêmeos.
Eles e outros artistas vêm desmistificando a arte de rua e influenciando em reformas de leis sobre poluição visual das cidades. Nova York e São Paulo, por exemplo, tiveram que rever restrições, depois que pinturas como as que Kobra faz passaram a ser denominadas como obras de arte. “O maior museu é a rua, ao ar livre, e que faz com que a arte possa chegar a todas as pessoas, pobres ou ricos", afirma Eduardo Kobra, que se considera um muralista – aquele que busca autorização para trabalhar com arte urbana em alto nível.
Esses artistas usam como tela o concreto. É quase unanimidade entre eles que o material é o melhor para realçar as tonalidades e os desenhos – na maioria, gigantescos. Essa opinião também é compartilhada por arquitetos, que se unem aos artistas de rua para promover intervenções urbanas. No Brasil, esse movimento ganhou o sugestivo nome de MUDA e conta também com a participação de engenheiros civis. A defesa é que as obras de arte de rua não apenas mudam o visual das cidades, mas ajudam a melhorar o humor das pessoas.
Esse conceito também foi encampado pelas empresas. A Natura, indústria brasileira conhecida por fabricar produtos de beleza e perfumes, lançou uma marca chamada Urbano, que faz todo o seu marketing em cima de arte de rua. Em Frankfurt, na Alemanha, o Deutsche Bank patrocinou recentemente a ida de 11 artistas de rua do Brasil para promover uma intervenção no espaço urbano da cidade, em parceria com a prefeitura local. O objetivo era mudar a paisagem de prédios abandonados e revitalizar monumentos públicos, alguns com fachada em concreto aparente.
A seguir, veja fotos de como a arte de rua já se tornou uma tendência mundial.
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Fidelizar cliente na construção civil requer qualidade
Especialista afirma que construtoras devem pensar no consumidor como alguém que irá recomendar suas obras para outras gerações
Por: Altair Santos
Na cadeia produtiva da construção civil, assim como na gastronomia, na moda ou na indústria automobilística, é possível fidelizar. Aí, incluem-se também os insumos, como cimento e concreto. Quem garante é o especialista em estratégias de fidelização, Marcelo Cristiano Gonçalves. Para ele, qualidade, serviço e pós-atendimento são fundamentais, independentemente do setor em que se atue. Ainda segundo o especialista, fidelização não é peça de marketing e, em seu entender, na construção civil ela funciona em cadeia. “Neste setor, mais do que em outros, a fidelização se dá em duas frentes: na qualidade do material empregado na obra e no cumprimento do prazo de entrega ao cliente final. Esta idoneidade faz com que a construtora ganhe a preferência do consumidor e o estimule a recomendar produtos da empresa para outras pessoas”, afirma.

Fidelização, explica Marcelo Cristiano Gonçalves, é basicamente “entregar produtos com a qualidade esperada, com o atendimento adequado e no tempo prometido”. No entanto, no caso da cadeia produtiva da construção civil, ele afirma que há setores que, antes de pensar em fidelizar consumidores, precisam trabalhar fortemente a marca. Ele cita a Tigre como o exemplo melhor acabado. “Antes, canos e conexões, dentro de uma obra, eram vistos como commodities. A Tigre trabalhou o reforço de marca e hoje, quando você pensa em tubos e conexões, pensa em Tigre. Outros insumos da construção civil, como cimento e concreto, também podem fazer isso, ou seja, pensar no fortalecimento de suas marcas”, avalia, completando que, no final, o que faz a diferença é a qualidade: “O que faz a pessoa comprar pela primeira vez pode até ser o preço, mas o que faz a pessoa repetir a compra é a qualidade”.
Fidelização para toda vida
O especialista avalia que, no caso da construção civil e, especificamente, no caso das construtoras, o conceito de fidelização deve ser estruturado em cima do tempo de vida do cliente. “É o que os americanos chamam de life time valory (valor do tempo de vida). Quando uma construtora só pensa no valor do contrato, ela vai fazer uma venda. Mas quando pensa no tempo de vida daquela pessoa, e que ela poderá influenciar suas gerações, a venda se torna perene. Quando ela mesma, um filho ou um neto, vier a comprar outro apartamento, certamente haverá influência para que a compra de um novo imóvel seja daquela construtora. Por quê? Porque houve qualidade e houve comprometimento da construtora com a obra. Isso é fidelização”, diz.
Além disso, Marcelo Cristiano Gonçalves bate na tecla de que, no longo prazo, fidelizar é mais barato do que atrair um novo cliente. “No longo prazo, o custo para fidelizar um cliente é mais barato. Para conquistá-lo pela primeira vez é preciso investir em marketing, cujo custo para convencê-lo pela primeira vez é maior do que para atraí-lo pela segunda vez. O custo para adquirir um cliente hoje está muito complicado, pois a concorrência é muito grande. Então, é muito mais inteligente a empresa fazer um bom trabalho de pós-venda, já pensando na pré-venda de um novo produto. Na verdade, o conceito pós-venda tem que ser substituído pelo conceito pré-venda. O pessoal não faz mais pós-venda. A partir do momento que você vendeu tem que atender o cliente de tal maneira que ele seja a sua próxima venda. Tem que pensar nele como pré-venda. Mas sempre partindo do princípio de que o que foi entregue na primeira vez tinha qualidade”, finaliza.
Entrevistado
Marcelo Cristiano Gonçalves é graduado em administração e pós-graduado em inovação estratégica pela HSM. Sócio-fundador da Marka Fidelização, é palestrante requisitado para falar sobre fidelização, relacionamento com clientes e qualidade
Contato: marcelo@markafidelizacao.com.br
Crédito Foto: Divulgação