Monotrilho em São Paulo é opção real ao metrô

Primeiro trecho do modal começa a funcionar experimentalmente e quando pronto será o maior sistema elevado de transporte público do mundo

Primeiro trecho do modal começa a funcionar experimentalmente e quando pronto será o maior sistema elevado de transporte público do mundo

Por: Altair Santos

Tudo no monotrilho em construção na cidade de São Paulo é superlativo. Quando pronto – estima-se entre 2016 e 2017 –, sua extensão será de 26,6 quilômetros, o que o transformará no maior sistema de transporte público do mundo a usar esse tipo de modal. Além disso, deverá deslocar cerca de 550 mil passageiros por dia, através de composições computadorizadas e movidas por eletricidade sobre grandes estruturas pré-moldadas, as quais consumirão aproximadamente 110 mil m³ de concreto. Tudo isso, a um custo de R$ 5,4 bilhões e envolvendo 1.600 trabalhadores nos canteiros de obras.

Monotrilho de São Paulo: 2,9 quilômetros operam experimentalmente, 7,7 quilômetros funcionarão em 2015 e 26,6 quilômetros estarão prontos até 2017

Só o que não é superlativo no monotrilho paulista é o seu custo. Toda essa estrutura exige uma demanda de recursos 50% menor, se comparada ao metrô. O sistema enterrado encarece principalmente porque precisa promover desapropriações e também porque as obras avançam mais lentamente e exigem um contingente maior de pessoas. Por isso, o monotrilho surge como uma alternativa real para melhorar a mobilidade nas principais metrópoles brasileiras. Tanto é que, nem concluiu a Linha 15-Prata na zona leste paulistana, o governo de São Paulo, em parceria com o governo federal, anunciou o início das obras da Linha 18-Bronze, que ligará a capital do estado ao ABC paulista (São Caetano do Sul, Santo André e São Bernardo do Campo).

O ministério do Planejamento também estuda abrir linhas de financiamento para a construção de monotrilhos em cidades de médio porte (entre 500 mil a um milhão de habitantes) e entre capitais e regiões metropolitanas, seguindo o modelo do contrato assinado com São Paulo. “É preciso trabalhar nesta direção”, diz a ministra Miriam Belchior. Essa tese ganhou corpo depois que 2,9 quilômetros do sistema paulistano entraram em fase experimental. O trecho liga as estações Vila Prudente e Oratório, percorrendo vias suspensas a 15 metros de altura. Esse percurso foi liberado para que os usuários possam se adaptar ao modal.

O monotrilho é sustentado por pilares espaçados a cada 30 metros. Primeiro, se concreta a parte inferior do pilar usando formas metálicas. Já a parte superior é montada in loco e concretada com auxílio de outras formas metálicas com dimensões variáveis. O sistema também requer vigas de concreto com alta precisão dimensional, pois os pneus dos trens envolvem essas peças e qualquer erro pode causar desníveis que prejudiquem o movimento das composições. Por isso, as vigas são pré-fabricadas em uma fábrica montada especialmente para atender às necessidades da obra.

O mesmo processo é usado para a montagem dos deck-switches – lajes de concreto que permitem aos trens mudar de via. São 36 peças com 60 metros de comprimento, instaladas nas estações e nas regiões de manobra das composições. Para acelerar a obra, que em 2015 porá em funcionamento 7,7 quilômetros, vários consórcios atuam no empreendimento. Ao todo são dez. O principal deles é o Consórcio Expresso Monotrilho Leste, formado por Queiróz Galvão, OAS e Bombardier. Também atuam os consórcios S/A Paulista/Somague, Arc Comércio e Serviços, Siemens/MPE, MPE/Infoglobal, Ebei/Intertechne, Pólux/SMZ/Headway X, Copem/Afire/Tekhnites, Lenc/Hidroconsult, Ductor/Logos e BBL/Tekhnites.

Entrevistados
Consórcio Expresso Monotrilho Leste e Companhia do Metropolitano de São Paulo (METRÔ) (via assessorias de imprensa)
Contatos
www.expressomonotrilholeste.com.br/contato.php
imprensa@metrosp.com.br

Crédito Foto: Guilherme Lara Campos/GESP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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