Globalizados, novos termos definem perfil das empresas

Nomenclatura importada dos Estados Unidos ajuda a mudar conceitos de gestão organizacional e de metodologias de recursos humanos no Brasil

Por: Altair Santos

Sua empresa recorre a especialistas em headhunting? Busca consultoria em outplacement? Ao contratar, pratica assessment? Há estímulo para que os colaboradores busquem coaching? E mentoring, sua empresa tem? O que dizer de job rotation e interim management? Já houve um turnaround em sua empresa? Existe o interesse em formar team building na corporação? Se alguns destes termos já foi praticado pela companhia, é sinal de que ela está sintonizada com as tendências mundiais. Caso contrário, é possível que precise rever conceitos sobre gestão organizacional, principalmente na área de recursos humanos (RH).

Simone Turra: empresas nacionais já assimilaram essas nomenclaturas
Simone Turra: empresas nacionais já assimilaram essas nomenclaturas

Segundo a especialista em orientação de carreiras, Simone Turra, essa profusão de conceitos em inglês no ambiente corporativo se deve ao fato de as teorias de administração, em grande parte, nascerem nos Estados Unidos. Além disso, o inglês, globalmente, é a língua dos negócios. “Os termos em inglês utilizados na área de RH se dão pelo fato de que muitas das políticas, métodos ou serviços de recursos humanos são oriundos destes mesmos mercados internacionais, principalmente o norte-americano, que sempre se mostrou de vanguarda neste segmento”, diz.

Hoje, esses termos não se limitam às empresas multinacionais. Já existe um bom número de companhias nacionais que também passaram a utilizá-los. “O trânsito de pessoas de RH entre empresas nacionais e multinacionais equilibrou o conhecimento das tendências internacionais de RH, fazendo com que as empresas nacionais assimilassem as nomenclaturas. Além disso, alguns serviços de RH foram literalmente importados. Não existiam como conhecimento em nosso mercado e, consequentemente, não tinham tradução adequada, o que fez com que a expressão em inglês permanecesse e a nacionalização de nomenclatura não ocorresse”, explica Simone Turra.

Atenção, candidatos
Além do RH das corporações, muitos destes termos são utilizados também por empresas de recrutamento, principalmente pelas que selecionam cargos de liderança. “Tal serviço é baseado em uma estrutura vinda dos Estados Unidos, chamada de executive search. Este trabalho tem como principal agente o headhunter (caçador de talentos) que se torna especialista em fazer networking (relacionamentos profissionais) e acompanhar a carreira dos executivos, podendo intermediar encontros entre profissionais e empresas”, afirma a especialista, alertando ser importante que candidatos a vagas em empresas com RH globalizado conheçam essa nomenclatura. “Se não os termos usados pela área de RH, pelo menos os termos utilizados na área em que atua”, destaca.

Ainda de acordo com Simone Turra, essas nomenclaturas e conceitos melhoram a performance organizacional das empresas, além de garantir crescimento profissional e alinhamento de carreira aos colaboradores. Para ela, qualquer corporação que queira garantir diferencial competitivo deve investir em seu RH como área, de forma que os colaboradores desenvolvam as competências necessárias para que a empresa se destaque e consiga concorrer no mundo globalizado.

Veja o que significam alguns dos termos mais usados nas empresas com RH globalizado:

Headhunting
É o processo em que uma empresa especializada recruta e seleciona no mercado de trabalho um profissional com o perfil definido para um determinado cargo. Atenção: essa definição é especificada pela empresa interessada em preencher uma vaga. Diferente do que muitos pensam, o Headhunter – consultor especializado ou “caça- talentos”- não trabalha para o candidato, buscando vagas para ele. É o contrário, ele trabalha para as empresas que querem acertar em cheio nos profissionais mais adequados para as suas necessidades. O processo de Headhunting costuma ser chamado de executive search quando a busca se refere aos níveis de gestão de uma empresa.

Outplacement
Assim que um profissional é desligado de uma empresa, consultorias de outplacement o acolhem, desde o momento da sua demissão, para orientá-lo sobre a melhor maneira de recomeçar, aconselhando e auxiliando no redirecionamento da sua carreira como executivo, empresário ou mesmo para aposentadoria. Outplacement e recolocação no mercado de trabalho, no Brasil, são geralmente serviços semelhantes, mas no caso do outplacement quem remunera a prestadora de serviço é a empresa que demitiu o funcionário e, no caso da recolocação, quem remunera a prestadora costuma ser o próprio profissional.

Assessment
Assessment significa avaliação de perfil profissional. É um processo utilizado cada vez mais nas organizações que identifica e avalia as competências e potenciais dos colaboradores, por meio de testes e técnicas próprias. A condução geralmente é feita por profissionais especializados e certificados, sejam eles da mesma empresa ou de empresas contratadas. Esse processo estruturado e controlado pode ajudar no plano de carreira de um profissional, que analisa quais competências já estão mais desenvolvidas e quais competências ainda podem ser aprimoradas.

Coaching, Coach e Coachee
É o processo em que um profissional foca em desenvolver e potencializar as competências que mais lhe faltam ou nas quais ele tem dificuldade, como, por exemplo, paciência, pró-atividade, flexibilidade. Por isso, coach é o profissional que aplica o coaching. Ele deve ser treinado e qualificado para isso. Existem diversos cursos de formação extremamente respeitados pelo mundo, que emitem certificados e garantem a qualidade do processo. Já coachee é o profissional que recebe o coaching.

Mentoring
Geralmente é traduzido como tutoria, mentoria ou apadrinhamento. É um método profissional de desenvolvimento. Um mentor - normalmente alguém com mais experiência na mesma área de atuação - passa conhecimento, dicas e conselhos com o objetivo de orientar o profissional menos experiente.

PNL (Programação Neurolinguística)
É um processo educacional sobre como usar melhor o nosso cérebro, ou seja, nos ajuda a captar e registrar informações, que vão desde estruturação e processamento destas informações, através dos cinco sentidos. A partir disso, o cérebro mantém e produz padrões de pensamentos, comportamentais, emocionais e comunicacionais apresentados de forma consciente ou inconsciente em nosso dia a dia.

Job Rotation
Movimentação onde o profissional, para aprender mais sobre um negócio, passa por diversas áreas de uma empresa. Desta maneira, passa a entender não somente os processos e rotinas como também os diferentes pontos de vista e interfaces. O Job Rotation geralmente é uma movimentação lateral, não implicando necessariamente em promoções.

Interim Management
É uma solução na qual executivos e gestores assumem, por um período de tempo limitado (interinos), o controle executivo de um ou vários departamentos de uma organização. Podem ser tarefas gerenciais típicas ou a gestão de situações para as quais as empresas não têm recursos humanos especializados. Geralmente, o gestor interino (Interim Manager) retira-se da empresa ou retorna às suas funções normais, assim que o período e o objetivo proposto forem cumpridos.

Team Building
Conjunto de atividades que reforça, desenvolve o conhecimento e cria laços relacionais mais profundos entre membros de uma empresa. O objetivo dessa prática é alcançar melhores níveis de produtividade e satisfação das equipes no desempenho de suas funções. O team building é cada vez mais importante no desenvolvimento de equipes de alta performance.

Turnaround
Frequentemente traduzido como “virar o jogo” ou “dar a volta”, é um conceito de gestão estratégica utilizado para alterar o rumo de uma empresa que, muitas vezes, está estagnada ou em declínio. Trata-se, portanto, de um redirecionamento estratégico e operacional. Costuma ser um processo complexo e arriscado, uma vez que pode exigir soluções incomuns e radicais, levando em conta as condições financeiras, culturais e tecnológicas de uma organização, além do contexto em que está inserida.

Entrevistada
Psicóloga Simone Turra, com MBA em gestão comercial e especializada em orientação de carreira. Atualmente, dirige a 4 Search
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Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Sustentabilidade surpreendeu engenharia brasileira

Na mais recente edição da Feicon Batimat NE, André Montenegro de Holanda, presidente do Sinduscon-CE, tocou em temas polêmicos do setor

Por: Altair Santos

Na Feicon Batimat Nordeste, que aconteceu de 21 a 23 de outubro, um dos seminários que mais concentrou as atenções foi o que tratou dos rumos da engenharia e da arquitetura no país. Ele atraiu, além de engenheiros civis e arquitetos, projetistas, construtores, professores, peritos e responsáveis por controle e qualidade. A questão central concentrou-se nas novas demandas que se impõem aos profissionais, como construção sustentável, Norma de Desempenho, novos sistemas construtivos, produtividade, mecanização do canteiro de obras, BIM e outras inovações que redefinem as profissões. Usando-as como referência, o engenheiro civil e presidente do Sinduscon-CE, André Montenegro de Holanda, foi taxativo: os conceitos de sustentabilidade estão obrigando a engenharia a se reinventar. Confira a entrevista:

André Montenegro de Holanda: “Nossa engenharia precisa se reinventar”
André Montenegro de Holanda: “Nossa engenharia precisa se reinventar”

Recentemente, o senhor palestrou na Feicon Batimat Nordeste sobre os novos rumos da engenharia. Que rumos seriam esses?
A nossa engenharia precisa se reinventar. Nós tivemos um grande boom nos últimos anos e descobrimos que a nossa engenharia está defasada no comparativo com países mais desenvolvidos, principalmente no que se refere à produtividade. Precisamos reinventar também a forma de financiamento de imóveis. Não podemos ficar alicerçados apenas nos financiamentos da Caixa (Econômica Federal), que dependem da poupança. Como a poupança no momento está ruim, reflete no financiamento.

As mudanças que se impõem à engenharia se dão, principalmente, em quais aspectos?
Nos aspectos de grande produtividade, na implantação de novas tecnologias construtivas, novos materiais, materiais inovadores e treinamento de mão de obra. Nossa mão de obra é muito desqualificada para enfrentar esses desafios. E volto a bater nesta tecla: buscar novas formas de financiamento do mercado imobiliário. Precisamos testar novas fórmulas, verificar modelos de outros países para implantar aqui.

Tecnicamente, com o surgimento de novas tecnologias, produtos e sistemas, construir tende a ficar mais caro ou mais barato no futuro?
Com certeza, mais barato, pois vai aumentar a produtividade. Precisamos de novos equipamentos também para construir com velocidade. Além disso, é fundamental treinar a mão de obra e adequá-la às novas tecnologias.

A engenharia tem sempre um aspecto social embutido, pois envolve oferecer bem-estar e qualidade de vida às pessoas. O senhor entende que os engenheiros têm consciência deste papel ou a corrida pela obra lucrativa ofuscou isso?
Hoje em dia, o que acontece: as empresas que não pensam em sustentabilidade ambiental acabam surpreendidas, ou seja, empresas que não atendem esses quesitos estão fadadas a não ter seus projetos aprovados. Tem que preparar os engenheiros e os arquitetos a pensar em como fazer, quais materiais usar e como aplicá-los. Essa consciência está mudando, por que se trata de um valor intangível para o cliente. Ele vê com bons olhos as empresas que adotam essas boas práticas.

Sob o aspecto de formação acadêmica, a engenharia também se impõe descobrir novos rumos?
Não tenho dúvidas. Mesmo porque, é preciso concentrar o foco na sustentabilidade. A construção civil ainda consome muito material, muita energia, quando a demanda atual pode construir com energia renovável e fazer reúso da água - hoje bens escassos. Há dez anos, tínhamos grande desperdício de materiais. Com as novas técnicas, com o reaproveitamento de materiais, com a reciclagem, com o reúso, com técnicas que geram menos resíduos, o desperdício diminuiu consideravelmente. Isso precisa ser assimilado pelos acadêmicos.

Qual o papel dos Sinduscon’s espalhados pelo país à frente desta transformação?
Os Sinduscon’s são instituições representativas do setor da construção frente aos mais diversos organismos públicos. Eles discutem leis, discutem planos diretores e promovem o entendimento entre as empresas, além de fomentar pesquisas e dar treinamento, como ensinar os engenheiros a serem gestores. Então, os Sinduscon’s estão muitos fortes, tanto na defesa do setor quanto no treinamento, além de contribuir com a sociedade em algumas campanhas, mostrando que o organismo extrapola a atuação meramente para seus associados.

O senhor avalia que a operação Lava-Jato deve influenciar na forma como a engenharia passará a se relacionar com o poder público?
A Operação Lava-Jato é uma operação muito interessante, mas na verdade a operação nada mais é que uma operação que busca a ética dentro do setor, dentro dos relacionamentos do poder público com a iniciativa privada. Acredito que ela vem realmente trazer uma esperança para que as coisas caminhem como têm que caminhar: eticamente, com preços justos, com a sociedade ganhando, as empresas ganhando. Ela vem fazer um contraponto ao que estava acontecendo.

O senhor é a favor de que o mercado de engenharia no Brasil se abra para empresas estrangeiras?
Eu acho que com o mundo globalizado a gente ganha. Vem empresas de fora compartilhar tecnologias, e vice-versa. Não sou contrário à abertura, desde que seja em condições iguais. Não gosto de reserva de mercado, não.

A reserva de mercado das grandes obras nacionais para empresas brasileiras não compromete a concorrência e a possibilidade do país absorver novas tecnologias construtivas?
Concordo. É igual à época em que o governo brasileiro, na época do Collor (ex-presidente Fernando Collor) chamava os nossos carros de carroças. Depois passamos a construir carros com novas tecnologias, passamos a exportar e concorrer lá fora. Então, se trouxermos empresas para cá, com novas tecnologias, isso pode se repetir na construção civil.

De que forma a atual crise que o Brasil vive vai afetar os rumos da engenharia nacional?
É interessante, porque numa época de crise as pessoas que não baixam a cabeça, que enfrentam a crise de cabeça erguida, e que vão atrás de soluções alternativas, encontram soluções de baixo custo, buscam novas formas de financiamento, pesquisam, repensam suas empresas, fazem diferente, saem da zona de conforto e enfrentam a crise.

Entrevistado
Engenheiro civil e presidente do Sinduscon-CE, André Montenegro de Holanda
Contato: andremontenegro@morefacil.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Nova catedral em Belo Horizonte resgata Niemeyer

Um dos últimos projetos do arquiteto, que morreu em 2012, está em obras em Belo Horizonte. Construção é fiel aos seus traços e ao concreto

Por: Altair Santos

Quando ficar pronta, a Catedral Cristo Rei será mais do que um símbolo da fé dos mineiros. Em construção desde 2013 em Belo Horizonte-MG, a obra é também herança do legado arquitetônico deixado por Oscar Niemeyer. O projeto da igreja é um dos últimos concebido por ele antes de morrer, em 2012. Fiel aos traços do arquiteto, e consequentemente ao concreto, a catedral é o 17º templo religioso projetado por Niemeyer. Ainda que ateu declarado, a projeção de sua carreira profissional começou com a construção de uma igreja: a capela da Pampulha, nos anos 1940.

Maquete da Catedral Cristo Rei, em BH: projeto original de Niemeyer foi preservado
Maquete da Catedral Cristo Rei, em BH: projeto original de Niemeyer foi preservado

A Catedral Cristo Rei não deixa dúvidas de que o concreto será o elemento principal da obra. A cargo da empreiteira Mendes Júnior, o templo já consumiu 8 mil m³ do material, somente para a etapa das fundações e consolidação dos três pavimentos, além de 600 toneladas de aço. A edificação terá 100 metros de altura quando pronta, tornando-se uma das mais altas do país. Para sustentar o templo, 600 estacas de concreto, com 15 metros de profundidade cada uma, estão encravadas no solo. Estima-se que outros 10 mil m³ de concreto sejam consumidos até a consolidação da obra.

Ao custo aproximado de R$ 100 milhões, a catedral é financiada pela Arquidiocese de Belo Horizonte, que arrecada recursos através de doações. “O ritmo da obra depende das doações, mas a Arquidiocese de Belo Horizonte espera inaugurá-la em 2021, ano de seu centenário”, diz dom Walmor Oliveira de Azevedo, o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que conta como Oscar Niemeyer projetou a catedral. “Em 2005, o arcebispo procurou o arquiteto Oscar Niemeyer e solicitou uma concepção arquitetônica. Foi prontamente atendido e cinco anos depois, em 2010, ele apresentou o projeto da Catedral Cristo Rei”, revela.

Capa de livro
Com capacidade para receber cinco mil fiéis, a Catedral Cristo Rei terá uma esplanada para 15 mil pessoas, denominada de Praça das Famílias. O complexo contará ainda com um altar externo, coberto por uma concha acústica, adequada para celebrações e também para apresentações artísticas. A dimensão da obra faz sentido, já que a Arquidiocese de Belo Horizonte engloba, além de Belo Horizonte, mais 27 municípios da região metropolitana da capital mineira. Até agora, 25% do dinheiro necessário para viabilizar a obra já foi conseguido. Cada doador terá seu nome escrito e um imenso rosário de pedra que ficará no chão da esplanada.

Etapa das fundações da nova catedral já consumiu 8 mil m³ de concreto
Etapa das fundações da nova catedral já consumiu 8 mil m³ de concreto

Um desenho da Catedral Cristo Rei ilustra a capa do livro lançado em 2011 por Oscar Niemeyer, onde ele mostra todos os templos religiosos que projetou. Em As Igrejas de Oscar Niemeyer, ele relata de onde veio a paixão por esse tipo de construção. “Nasci em uma família muito religiosa. Meu avô era religioso. Na casa onde eu morei, tinha cinco janelas, uma delas transformada em oratório pela minha avó. Tinha missa lá em casa. Era uma coisa muito natural”, conta. Por isso, o arquiteto sempre recebeu propostas para elaborar projetos de igrejas. Há ainda dois que não saíram do papel: uma mesquita em Argel, capital da Argélia, e uma capela em Potsdam, na Alemanha.

Saiba mais sobre a Catedral Cristo Rei: www.catedralcristoreibh.com.br

Entrevistado
Arquidiocese de Belo Horizonte (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@arquidiocesebh.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/Cúria Metropolitana de BH

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construtoras de SC se unem para reduzir custo da obra

Em Joinville, 44 empresas participam de rodadas de negociações para viabilizar novos empreendimentos ou concluir construções em andamento

Por: Altair Santos

Lideradas pelo SindusCon e pela Acomac de Joinville, 44 construtoras do norte de Santa Catarina decidiram unir esforços para negociar serviços, preços, condições e prazos com fornecedores. O objetivo: reduzir o custo das obras, sem perder qualidade. A rodada de negociações, realizada dentro da InterCon (Feira e Congresso da Construção Civil), que aconteceu em Joinville-SC de 21 a 24 de outubro de 2015, atraiu 57 fabricantes da cadeia produtiva da construção civil.

Rodada de negociações em Joinville: alternativa para combater viés de inflação alta e baixa atividade econômica
Rodada de negociações em Joinville: alternativa para combater viés de inflação alta e baixa atividade econômica

Para o presidente do SindusCon Joinville, Vanderlei Buffon, além de viabilizar obras, as negociações também beneficiam o consumidor final. “Com certeza, toda a redução de custos que as construtoras e incorporadoras conseguirem, elas acabarão repassando para seus clientes. Isso reflete em toda a cadeia, pois com preços mais competitivos, as construtoras aumentam o volume de vendas”, analisa o dirigente. Para Sônia Chaves, da Hatus Construtora e Incorporadora, a rodada foi positiva. “Abrimos várias frentes de negócios”, disse.

Já Gustavo de Borba, do Grupo Estrutura - construtora voltada para empreendimentos de alto padrão em Joinville -, o que surpreendeu foi a quantidade de empresas que a rodada atraiu. “Conversamos com muitos fornecedores, especialmente de outras regiões do estado. Todos atenderam o que precisamos”, disse.

Gerador de oportunidades

Encerrada a InterCon, a rodada prosseguirá para que as parcerias efetivamente se concretizem. O modelo, se bem-sucedido, tende a ser implantado em outras regiões de Santa Catarina. Por enquanto, segundo Vanderlei Buffon, não há como estimar o volume de negócios fechados, mas o evento já pode ser considerado um sucesso por ter aproximado a cadeia produtiva. “O evento foi mais uma apresentação de produtos e um gerador de oportunidades de prospecção. No futuro, quando os negócios realmente forem concretizados, poderemos avaliar o resultado final”, afirmou.

Vanderlei Buffon, presidente do SindusCon Joinville: reflexo em toda a cadeira produtiva da construção civil
Vanderlei Buffon, presidente do SindusCon Joinville: reflexo em toda a cadeira produtiva da construção civil

Essa rodada de negociações atraiu fornecedores de outros estados. Fabricantes da área de acabamento, portas e janelas eram maioria na rodada. Leandro Rodrigo Andrade de Campos, assessor de negócios da Sasazaki, uma das empresas fornecedoras, afirma que a InterCon serviu para estabelecer o networking. “O importante não foi o fechamento do negócio, mas sim o contato. Surpreendeu muito porque deixei muitas reuniões agendadas em Joinville”, comemorou.

Rodadas de negociações na construção civil são sempre reativadas quando a atividade econômica encolhe e vem acompanhada de viés de inflação em alta. Em Curitiba, por exemplo, segundo dados da Ademi-PR (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná), em 2015 devem ser entregues 6.499 apartamentos residenciais na capital paranaense. O número é 19,4% a menos do que em 2014. Outro dado refere-se à quantidade de unidades novas em estoque, que recuou 9%, ficando abaixo de 11 mil imóveis. Já a quantidade de habitações residenciais licenciadas para construção em Curitiba passou de 13.044 unidades, em agosto de 2014, para 8.053 unidades, em agosto deste ano.

Entrevistado
Engenheiro civil Vanderlei Buffon, presidente do SindusCon Joinville-SC
Contato: imprensa@sinduscon-joinville.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/Messe Brasil

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Contratações eficazes só fazem bem à obra

Sucesso do empreendimento passa pela qualidade da mão de obra, pelo comprometimento dos fornecedores e pela qualidade dos materiais

Por: Altair Santos

A contratação de profissionais que vão operacionalizar a obra é um passo decisivo para o sucesso do empreendimento. O que pesa é a eficácia de cada contratado e também as conexões que isso irá gerar. A pretensão é que os grupos dominem os departamentos em que irão atuar, e que o relacionamento entre eles gere feedbacks. O bom entrosamento entre as áreas e, consequentemente, entre os profissionais de cada setor, gera o que a especialista em departamento de suprimentos, Valéria Chammas, define como fluxo de informação. “Todos têm que ser donos da informação, e ela precisa chegar com total integridade em cada setor. Isso ajuda a alinhar a obra”, diz.

Quem planeja suprimentos para o canteiro de obras deve ter acesso a todos os dados do empreendimento
Quem planeja suprimentos para o canteiro de obras deve ter acesso a todos os dados do empreendimento

Exemplificando, o engenheiro civil precisa saber transmitir os conhecimentos que deteve do projeto para o mestre de obras, e esse para seus subordinados no canteiro de obras. Por isso, as contratações são decisivas. Essa escolha deve levar em consideração alguns parâmetros. Um deles está relacionado com a localização da obra. “É preciso estar atento às particularidades regionais que envolvem o empreendimento, prestar atenção nas regras da região para a construção civil e também ao mercado de trabalho desta mesma região”, explica Valéria Chammas. Neste caso, atrair profissionais capacitados que moram no entorno da obra pode ser interessante.

Outro ponto que influencia na hora da contratação é o tipo da obra. Se for predial, vai exigir profissionais adaptados às características deste empreendimento. Idem para construções de shopping centers, galpões de logística ou obras de infraestrutura. Os sistemas construtivos também são definidores na escolha dos profissionais. Se os pré-fabricados prevalecerem na obra, ela deve ter especialistas nesta área. Não é diferente, caso tenha estruturas moldadas in loco. O mesmo conceito vale se o empreendimento tiver que buscar certificação para construções sustentáveis. Neste caso, ter profissionais que detenham conhecimento nesta área é fundamental.

Fornecedores e terceirizados
O responsável pela contratação dentro de uma obra - função que muitas vezes também pode ficar a cargo da área de suprimentos - precisa ter o timing para buscar profissionais. De acordo com o avanço do cronograma da construção é que se vai avaliar o momento certo para ter o maior volume de operários no canteiro. Por isso, é importante ter planejamento antecipado para saber onde buscar os trabalhadores. Tê-los já pré-cadastrados é uma alternativa, assim como possuir um perfil bem definido do que será necessário contratar. No recrutamento, outro ponto relevante é a formalização. “A informalidade deve ser evitada sempre, sob o risco de comprometer toda a obra” sentencia Chammas.

A qualidade da contratação também passa pela capacidade dos prestadores de serviço terceirizado e dos fornecedores de materiais. “É preciso dimensionar o fornecedor, para que ele atenda a obra na medida certa. Outro ponto importante é ter o fornecedor com parceiro e fidelizar aqueles que mostram comprometimento”, enumera Valéria Chammas. Na prática, valem duas regras básicas para se encontrar bons fornecedores: o custo-benefício e o sucesso qualitativo. “É como diz a frase do Warren Buffett: preço é o que você paga e valor é o que você leva”, exemplifica a engenheira civil, citando que uma obra funciona como engrenagens, ou seja, uma área depende da outra para o sucesso do empreendimento. A começar pela eficácia das contratações.

Acesse o webseminário na íntegra aqui.

Entrevistada
Engenheira civil Valéria Chammas, gerente de Suprimentos na Libercon Engenharia (com base em webseminário e-Construmarket, concedido no dia 29/10/2015)
Contato: www.libercon.eng.br/libercon-engenharia/contato.asp

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Ibracon prioriza sustentabilidade do concreto

Na 57ª edição do Congresso Brasileiro do Concreto, debates e palestras destacaram durabilidade e resistência do material em vários tipos de obras

Por: Altair Santos

A relação do concreto com a sustentabilidade das construções foi o tema central da 57ª edição do Congresso Brasileiro do Concreto, promovido anualmente pelo Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto). No evento de 2015, realizado de 27 a 30 de outubro, na cidade de Bonito-MS, conferencistas estrangeiros e especialistas brasileiros mostraram quais têm sido as principais práticas para tornar o material mais durável e resistente, o que amplia o ciclo de vida das estruturas e as tornam mais sustentáveis. “Quando as estruturas se tornam mais duráveis, exigindo menos manutenção, elas se tornam mais sustentáveis”, resume o vice-presidente do Ibracon, Julio Timerman.

Sustentabilidade do concreto se mede pela resistência e pela durabilidade
Sustentabilidade do concreto se mede pela resistência e pela durabilidade

Nos três dias do Congresso Brasileiro do Concreto foram apresentados 630 trabalhos, a maioria deles abrangendo a sustentabilidade do concreto. Além disso, cerca de mil profissionais, entre agentes da cadeia produtiva, projetistas, tecnologistas, laboratoristas, construtores, professores, pesquisadores e estudantes de engenharia civil, acompanharam as conferências. “A cadeia produtiva do concreto se engaja nesta verdadeira cruzada de sustentabilidade e de manutenção dos recursos naturais. Hoje em dia, com as novas tecnologias e com a reciclagem de insumos, o setor tem avançado nesta área, principalmente quando respeita os aspectos de sustentabilidade inseridos nas normas técnicas”, diz Timerman.

Construindo na crise

O vice-presidente do Ibracon citou que os participantes do 57º Congresso Brasileiro do Concreto tinham uma preocupação intrínseca: buscar conhecimento para construir estruturas tecnicamente melhores e que gerem menor custo. Para Julio Timerman, a crise econômica desencadeou esse comportamento. “A engenharia busca alternativas para construir estruturas mais resistentes e esbeltas, economizando recursos. Isso também é sustentabilidade. Foi assim que aconteceu no período da Segunda Guerra Mundial, quando o concreto protendido permitiu um grande salto para se construir grandes estruturas. A crise influi, mas temos que aproveitar esta situação para nos sobressairmos nos aspectos técnico e econômico”, destaca.

Mesa de debatedores no 57º Congresso Brasileiro do Concreto: sustentabilidade do material foi o tema central do encontro
Mesa de debatedores no 57º Congresso Brasileiro do Concreto: sustentabilidade do material foi o tema central do encontro

Entre os conferencistas com experiência internacional que participaram do 57º Congresso Brasileiro do Concreto esteve a brasileira Jussara Tanesi, que atua no Transportation Research Board. O organismo é um centro de pesquisa governamental, que pesquisa materiais e o aperfeiçoamento de tecnologias para serem aplicadas na construção de estradas, pontes, viadutos e túneis nos Estados Unidos. Outro palestrante foi Lambert Houben, da Universidade de Delft, na Holanda. Essa universidade é, atualmente, uma das mais inovadoras em pesquisas relacionadas ao concreto. Ambos destacaram o excelente nível das normas técnicas brasileiras voltadas à produção de concreto e o reconhecimento do Ibracon como um dos principais organismos do continente americano em pesquisa de concreto. “O Brasil sempre foi reconhecido mundialmente pelos seus aspectos técnicos e aspectos executivos na área do concreto”, finaliza Julio Timerman.

Entrevistado

Engenheiro civil Julio Timerman, vice-presidente do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto), com vasta experiência em engenharia de estruturas

Contato: projetos@engeti.eng.br

Cerca de mil especialistas envolvidos com cadeia produtiva do concreto participaram do congresso realizado em Bonito-MS
Cerca de mil especialistas envolvidos com cadeia produtiva do concreto participaram do congresso realizado em Bonito-MS

Créditos Fotos: Divulgação/Ibracom

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Hermann Tilke: o engenheiro que reinventa autódromos

Profissional alemão revoluciona a arquitetura das pistas. Hoje, é o projetista de 65 circuitos localizados na Europa, Ásia e América do Norte

Por: Altair Santos

Hermann Tilke atesta que, como piloto, transformou-se em um excelente engenheiro civil e arquiteto. Após não dar certo nas pistas, procurou dar vazão à sua paixão projetando autódromos pelo mundo. A partir de seus conceitos - que não se limitam ao traçado, mas à arquitetura que envolve os complexos voltados para o automobilismo e o motociclismo -, ele revolucionou o significado de autódromo.

Hermann Tilke: após atuar na construção de rodovias, ele transformou o conceito de autódromo
Hermann Tilke: após atuar na construção de rodovias, ele transformou o conceito de autódromo

Além de corridas de carros ou motos, os projetos desse alemão de 60 anos englobam outros empreendimentos, pois no entorno dos traçados são construídos hotéis, centros comerciais e até shopping centers. Isso dá vida às estruturas, mesmo quando não há competição. Mas não é só isso que faz Hermann Tilke ser hoje o número um em construção de autódromos no mundo. Sua principal qualidade está no fato de projetar pistas extremamente seguras.

Engenheiro com especialidade em projetos de rodovias, Tilke trabalhou por 10 anos atuando em obras de autopistas na Alemanha e em outros países, como Áustria e Suíça. De lá, trouxe conceitos inovadores para dentro dos autódromos. Entre eles, grandes áreas de escape revestidas em concreto, em vez das tradicionais britas, onde os carros atolavam e corriam o risco de capotar, como ocorreu com Ayrton Senna no GP do México em 1991. Pesquisa desenvolvida por ele revelou que o gripping do concreto aumenta o poder de frenagem do carro em até 40%.

De autódromos a hospitais

Circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi: complexo luxuoso de entretenimento atrai milionários do mundo todo
Circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi: complexo luxuoso de entretenimento atrai milionários do mundo todo

Hoje, Hermann Tilke tem em seu currículo 65 autódromos construídos. Os mais recentes incluem a total reestruturação do circuito Hermanos Rodriguez, na Cidade do México, onde a Fórmula 1 voltou a competir, e o traçado na capital do Azerbaijão, Baku, que receberá a principal categoria do automobilismo mundial em 2016. “Quando projeto um circuito, preciso pensar nos pilotos, que querem acelerar e ultrapassar; nas equipes, que querem ganhar corridas, mas preservar seus pilotos e carros, e no público, que quer ver emoção, mas não quer o trauma de graves acidentes”, explica.

Tanto a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) quanto a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) fazem questão de colocar suas principais categorias – F1 e MotoGP - correndo em autódromos desenhados por Hermann Tilke. No atual calendário da Fórmula 1, por exemplo, só os tradicionais autódromos de Spa-Francorchamps, na Bélgica; Monza, na Itália; Mônaco, na Europa; Interlagos, no Brasil, e Suzuka, no Japão, não foram projetados por Tilke.

A forma como concebe a construção da infraestrutura que envolve os autódromos, incluindo boxes, arquibancadas, paddocks e centros médicos, tem levado Hermann Tilke para outras áreas. Sua empresa, a Tilke Engenheiros e Arquitetos, já foi contratada para projetar hospitais, hotéis e até estádios de futebol. Porém, ele garante que sua paixão é desenhar circuitos. “Para quem gosta de engenharia, calcular uma curva, prevendo o que um carro irá fazer nela, muitas vezes a 200 km/h, é indescritível”, assegura o engenheiro alemão.

Entrevistado
Engenheiro civil e arquiteto Hermann Tilke (via assessoria de imprensa)

Contatos:
mailbox@tilke.de
www.tilke.de

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Mercado imobiliário esquece 2015 e já projeta 2016

Setor investe em planejamento para não ser surpreendido, como foi no ano passado. Para isso, se ancora em dados e análises especializadas

Por: Altair Santos

O ano de 2015 ainda não terminou, mas para o mercado imobiliário já é hora de pensar em 2016. Com os lançamentos em baixa e os estoques precisando se readequar a uma nova realidade econômica, o setor busca se ancorar em dados para dar os próximos passos. Com o máximo de informações que possa conseguir, as construtoras e incorporadoras investem em planejamento. A lista do que as empresas querem saber é encabeçada por cinco perguntas:

Consultores e players da área mapeiam números para tentar diagnosticar probabilidades para 2016
Consultores e players da área mapeiam números para tentar diagnosticar probabilidades para 2016

1) O preço dos imóveis vai subir ou vai cair?
2) Haverá crédito para o construtor e para quem quer comprar?
3) Que tipo de imóvel deve atrair mais o consumidor?
4) Em quais regiões do país ainda é possível investir no mercado imobiliário?
5) O Minha Casa Minha Vida irá sobreviver?

Para Lucas Vargas, VP Executivo do grupo VivaReal, os sinais por trás dos números já permitem tirar algumas conclusões. À frente do DMI (Dados do Mercado Imobiliário) - relatório sobre o comportamento do setor -, o especialista avalia que os imóveis tendem a seguir valorizados ou ter queda leve de preços nas cidades entre 500 mil e dois milhões de habitantes. Já nos grandes centros urbanos, a perspectiva é de que os preços atuais não se sustentem. “Uso Curitiba como exemplo. Em 2014, quando os preços dos imóveis em São Paulo já davam sinais de exaustão, na capital paranaense o metro quadrado continuava a subir. Em 2015, os preços assentaram e em 2016 eles tendem a estabilizar em Curitiba”, afirma.

Imóvel na planta em extinção
O DMI aponta que imóveis novos com dois quartos tendem a seguir despertando maior interesse dos compradores. Pela pesquisa, 51% dos que pretendem adquirir a casa própria ou trocar de imóvel pensam em ir para um apartamento com dois quartos, principalmente nos grandes centros urbanos. Outro dado é que 74% dos que têm intenção de comprar imóvel buscam os que se encontram na faixa de até R$ 500 mil. “Aí existe um conflito, pois a oferta de apartamentos prontos neste preço só atende 42% dos interessados em todo o país”, diz Lucas Vargas, revelando que o risco de faltar crédito para construir e para comprar imóvel novo pode estimular dois mercados: o de consórcio de imóveis e o de aluguel.

Para Rogério Santos, da RealtON, especialista com 27 anos de mercado imobiliário, o chamado “imóvel na planta” tende a ser deixado de lado pelo setor em 2016. “Estamos vivendo um momento único para o estoque. Antes, o foco dos maiores investimentos ficava nos lançamentos e os imóveis que sobravam exigiam enormes esforços para venda. Hoje, isso se inverteu”, afirma. Diante deste cenário, construtoras e incorporadoras devem se concentrar na compra de terrenos em 2016, para - caso a economia volte a crescer - dar início a novos investimentos em 2017. A prática, chamada de land banking, consiste na aquisição de áreas cujas características territoriais, geográficas e topográficas sejam atraentes para loteamento e venda no futuro, com ganho de capital. “Estamos encerrando o ciclo de 2012 agora em 2015 e, como trabalhamos com ciclos de 36 meses a 40 meses, iniciamos o planejamento do próximo”, detalha Leonardo Pissetti, diretor de empreendimentos da Swell Construções e Incorporações.

Entrevistados
- Engenheiro de telecomunicações e administrador Lucas Vargas, VP (Vice-Presidente) Executivo do grupo VivaReal
- Rogério Santos, CEO da RealtON e graduado em marketing
- Engenheiro civil Leonardo Pissetti, diretor de empreendimentos da Swell Construções e Incorporações

Contatos
contato@realton.com.br
leonardo@swellconstrucoes.com.br
pesquisa@vivareal.com

Crédito Foto: Images Money/Flickr

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construção civil tem QG tecnológico em Ponta Grossa

Com a conclusão do IST na cidade paranaense, setor ganha impulso para aprimorar materiais, investir em inovação e testar sistemas construtivos

Por: Altair Santos

Em operação plena, o Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil (IST), localizado na cidade de Ponta Grossa-PR, dispensa a modéstia. Segundo um de seus coordenadores, José Rossa Júnior, o objetivo é torná-lo referência nacional e internacional. Com especialistas e equipamentos de novíssima geração, o IST já atende 200 empresas do setor, mas tem potencial para, a curto prazo, atender uma demanda três vezes maior. Confira por que na entrevista a seguir:

Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil: equipado para se tornar um dos melhores do país
Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil: equipado para se tornar um dos melhores do país

Após os laboratórios de cerâmica vermelha, concreto e argamassa e minerais, que estão em operação desde 2014, o IST de Ponta Grossa passa a contar com laboratórios de química, tecnologias construtivas e desenvolvimento de novos produtos na área da construção civil. O que isso representa para o mercado da construção civil?
Representa um suporte para auxiliar no desenvolvimento das indústrias do setor. No IST (Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil do Paraná) as indústrias encontrarão infraestrutura laboratorial completa, com equipe técnica qualificada, que trarão a solução completa para atender a todas as demandas do setor. Desde serviços mais simples, como ensaios de resistência à compressão, a desenvolvimentos e otimizações de produtos.

O IST dará suporte à indústria da construção civil, através de consultorias especializadas, ensaios laboratoriais e pesquisas?
Em consultorias, o IST atua nas seguintes áreas:
- PSQs (Programas Setoriais da Qualidade)
- Melhoria no processo produtivo
- Implantação, adequação e manutenção do PBQP-H
- Lean Construction
- BIM (Building Information Modeling)
- Avaliação e adequação de projetos em relação à Norma de Desempenho
- Elaboração de catálogos técnicos, manual de uso, operação e manutenção das edificações
Em metrologia, atendemos toda a cadeia da construção civil, analisando desde insumos, como areia, brita, cal e cimento, passando por produtos acabados como concreto, argamassas, artefatos de cimento, cerâmicas, solos e pavimentação, completando o ciclo com a avaliação de sistemas e edificações para atendimento ao escopo da Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575). Outra linha de atuação muito forte do IST é a de inovação, onde atuamos em pesquisa aplicada às indústrias do setor para o desenvolvimento de uma nova solução seja de produto ou processo, para torná-las mais competitivas elevando assim o nível do setor.

Em termos de equipamentos para os laboratórios, o IST possui máquinas de última geração?
O IST possui infraestrutura laboratorial completa, com o que existe de mais moderno para serviços metrológicos nas áreas de agregados, química, cerâmica vermelha, concreto, argamassas e tecnologias construtivas. Exemplificando: acabamos de realizar a instalação de dois novos equipamentos de fluorescência e difração de raios-X, da marca Panalytical, que serão utilizados transversalmente em todas as áreas acima citadas. E os investimentos não param. Para atendimento à Norma de Desempenho estamos trabalhando nos projetos dos
equipamentos que serão desenvolvidos exclusivamente para o IST. Hoje já contamos com os equipamentos para avaliação de estanqueidade e choque térmico de alvenarias, além das medições de acústica com equipamentos da Bruel, que é referência mundial.

O IST tem a ousadia de se colocar como o mais avançado na área de construção civil do sul do país?
Sem dúvida alguma o IST de Construção Civil do Paraná está entre os principais centros de serviços metrológicos, consultorias e inovação para o setor de construção civil do país, e para
reforçar nossa capacidade de atendimento contamos com o apoio da rede Senai e parceiros em âmbito regional, nacional e internacional.

Em termos de pesquisas inovadoras, já existe alguma sendo processada no IST?
Existem vários projetos que já foram executados e outros que estão em execução. Em linhas gerais, trabalhamos principalmente com a incorporação de resíduos ou subprodutos, agregando novas funcionalidades a produtos já existentes ou, como é o caso do projeto atual, onde estamos utilizando dois subprodutos industriais, que isoladamente gerariam um grande impacto ambiental. Além disso, estamos desenvolvendo um novo tipo de revestimento que será utilizado no setor da construção civil.

Quantas empresas já são atendidas no IST, e quantas ele tem potencial de atender?
Em dois anos de atuação já atendemos mais de 200 indústrias, e a expectativa é de que esse número seja triplicado.

O IST tem capacidade de atender toda a região sul ou ele se concentrará no Paraná?
Hoje a estrutura laboratorial para a área de construção civil está bem defasada. Temos poucas opções bem equipadas e que atendam os requisitos normativos de climatização, que requerem controle de temperatura, umidade e velocidade do vento. Aqueles laboratórios que
atendem a esses requisitos possuem uma grande demanda de serviços, fazendo com que o tempo de entrega seja elevado. Assim, a ideia é que o IST possa suprir essa demanda do setor não só na região sul, mas nacionalmente.

Parece que existe a possibilidade de o IST ganhar extensões em Maringá, Cascavel, Curitiba e Pato Branco? O que isso significará para as pesquisas?
Essas extensões que chamamos de polos avançados já existem em Maringá, Cascavel e Pato Branco. Eles foram criados para a realização de serviços de menor complexidade e de menor valor agregado, que por questões logísticas poderiam ficar inviáveis. A governança desses serviços, bem como os serviços de maior complexidade de todo o estado, é realizada no IST em Ponta Grossa.

Em termos de profissionais que atuam no IST, quantos são e qual a especialização?
Atualmente, contamos com 14 profissionais, todos graduados nas áreas de engenharia civil, de materiais e química. Entre eles, contamos com quatro mestres e um doutor. A expectativa é de que esse número chegue a 25 profissionais até 2021.

O IST também será um formador de novos pesquisadores?
Em nosso quadro contamos com Bolsistas CNPQ, da Fundação Araucária e estagiários que estão sendo preparados para se tornarem pesquisadores.

Entrevistado
Químico industrial e mestre em ciência dos materiais, José Rossa Júnior, coordenador STI (Serviços Tecnológicos e Inovação) do Senai de Ponta Grossa-PR
Contato: jose.rossa@pr.senai.br

Crédito Foto: Divulgação/Senai

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Conexpo mostra inovações do concreto no continente

Feira realizada no Chile promoveu a Expo Hormigón, que, entre as novidades, revelou os avanços no uso de colas químicas para grandes estruturas

Por: Altair Santos

Entre 21 e 24 de outubro de 2015, a capital do Chile - Santiago - sediou a Conexpo Latin America. O evento reuniu fabricantes de equipamentos e produtos, desenvolvedores de tecnologias e especialistas da construção civil. Paralelamente à feira, que contou com 800 expositores, atraiu 35 mil visitantes e movimentou US$ 200 milhões em negócios (R$ 800 milhões), aconteceram outras duas exposições: a Edifica, voltada para a área da arquitetura, e a Expo Hormigón, cujas sessões técnicas debateram a produção de concreto no continente e a aplicação do material nas mais variadas obras.

Expo Hormigón atraiu importantes empresas que atuam no mercado do concreto
Expo Hormigón atraiu importantes empresas que atuam no mercado do concreto

Como os demais países da América Latina utilizam as normas técnicas dos Estados Unidos para a produção de concreto - a exceção é o Brasil, que possui normas próprias - o centro das atenções na Expo Hormigón foi a ACI318 -14S (Requisitos para construção com concreto estrutural), que recentemente passou por revisão e mudou os parâmetros para o uso de âncoras com adesivos químicos. As alterações trazem maior responsabilidade para fabricantes, projetistas e construtores que atuam de acordo com a ACI318 -14S.

Ainda que a norma norte-americana não gere reflexos no Brasil, as influências dela sobre adesivos químicos e outros produtos usados no concreto podem, indiretamente, trazer essas novidades ao país. O objetivo é a fabricação de componentes mais eficazes, principalmente para estruturas sujeitas a colapsos causados por terremotos, como o que atingiu o Chile em 2010. Boa parte dos viadutos que caíram era construída com estruturas pré-moldadas e usava adesivos químicos nos parafusos que uniam as peças, e que se soltaram com o tremor.

A partir do terremoto foi instalada uma comissão para revisar a ACI318 -14S, principalmente em seu capítulo 17, que trata dos adesivos químicos. “Os adesivos devem resistir a incêndios, exposições químicas severas e aos impactos”, diz o engenheiro civil Claudio Medel Lavin, que palestrou em uma das sessões técnicas. O especialista é diretor de desenvolvimento e recuperação de estruturas da Sika para o Chile. Medel também é ligado ao Instituto Del Cemento y del Hormigón do Chile – similar do Ibracon no Brasil.

Engenheiros civis e tecnólogos formaram o público quer acompanhou a Expo Hormigón
Engenheiros civis e tecnólogos formaram o público que acompanhou a Expo Hormigón

Além de um seminário específico sobre adesivos químicos para reforçar estruturas de concreto, a Expo Hormigón teve também palestras sobre a industrialização da habitação através do concreto, que abordou a construção de edifícios com paredes de concreto, além de tecnologias para a construção de pavimentos de concreto, e que os tornem mais competitivos e melhorem a qualidade. O Chile é o país da América Latina com a maior quilometragem em pavimento rígido. Quase 80% de suas principais estradas têm o concreto como matéria-prima.

Entrevistado
Engenheiro civil Claudio Medel Lavin, diretor de desenvolvimento e recuperação de estruturas da Sika para o Chile

Contato: info@ich.cl

Conexpo, realizada de 21 a 24 de outubro, em Santiago do Chile: US$ 200 milhões em negócios
Conexpo, realizada de 21 a 24 de outubro, em Santiago do Chile: US$ 200 milhões em negócios

Créditos Fotos: Divulgação/ Expo Hormigón/Conexpo

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330