Paraná quer construir 1º aeroporto do Brasil para A380
Projeto do terminal encontra-se em fase de licenciamento ambiental e será construído na região da cidade de Ponta Grossa
Por: Altair Santos
O A380 é o maior avião do mundo. Pesa 575 toneladas e tem envergadura de quase 80 metros entre as asas. Por isso, requer terminais especiais para pousar e decolar. No Brasil, dia 14 de novembro de 2015, o aeroporto de Guarulhos-SP recebeu um voo-teste da aeronave. O terminal paulista precisou paralisar todos os outros pousos e decolagens para receber o avião. Sinal de que não suporta voos regulares do A380. Para que o país pudesse receber esse avião seria necessário construir pistas adaptadas a ele ou novos aeroportos. É o que pretende a Companhia Aeroportuária Campos Gerais, em Ponta Grossa, no Paraná.

O projeto, que envolve investimento integral da iniciativa privada, já se encontra na fase de licenciamento ambiental - etapa final do cumprimento dos requisitos legais para a implantação do empreendimento. O objetivo é construir um aeroporto entre os municípios de Ponta Grossa e Palmeira, ficando no meio do caminho entre as cidades do interior e a capital, Curitiba. Com o nome oficial de Aeroporto Internacional dos Campos Gerais, o terminal aéreo também já conta com a aprovação de organismos como ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e CINDACTA/DECEA – ligados à aeronáutica.
O empreendimento será feito em quatro etapas. A primeira fase prevê a construção de duas pistas de pousos e decolagens, pátios de estacionamentos das aeronaves, armazéns e hangares para todo o tipo de cargas (secas, perecíveis, refrigeradas, congeladas, biológicas e em trânsito), além de um terminal de passageiros para atender a demanda inicial. O projeto prevê que se desenvolva no entorno do aeroporto um bairro logístico, capaz de receber um porto seco, também conhecido como Estação Aduaneira Interior (EADI), indústrias e galpões de armazenamento.
O custo estimado da obra é de R$ 3,5 bilhões. Segundo Edison Morozowski, presidente da Companhia Aeroportuária Campos Gerais, há investidores nacionais e internacionais interessados no projeto. Definido como o primeiro grande HUB (aeroporto comercial de transporte multimodal) do Brasil, o aeroporto irá abranger uma área de 50 quilômetros quadrados e envolverá 22 municípios do Paraná, integrando-se aos sistemas rodoviários e ferroviários existentes na região. “O aeroporto formará um complexo de distribuição e recepção de mercadorias no Paraná, com área de influência sobre os estados vizinhos”, diz Edison Morozowski.

Pista especial
Para receber o A380, o aeroporto de Guarulhos-SP precisou de obras de adequação que foram coordenadas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O Centro de Tecnologia de Obras de Infraestrutura do IPT trabalhou especialmente no recapeamento de uma das pistas, que necessitou de pavimentação especial. A mistura asfáltica teve que atender requisitos especiais de aderência. Segundo Rubens Vieira, da Seção de Geotecnia do IPT, o contato pneu-pavimento é essencial nas operações de decolagem e de aterrissagem do A380, o que exige o monitoramento de índices como coeficiente de atrito e profundidade da macrotextura.
Esse controle de atrito é uma das principais características que diferencia a formulação das misturas asfálticas destinadas às pistas de aeroportos e as utilizadas em vias urbanas. “O revestimento da pista é fabricado com materiais pétreos retirados de pedreiras, que são britados e dosados, e em seguida esta combinação de agregados é misturada a um cimento asfáltico do petróleo de fórmula mais resistente do que a usual”, explica Vieira. Outra solução apontada pelo Laboratório de Materiais de Construção Civil do IPT é o uso de pavimento de cimento Portland, a qual deve ser aplicada no futuro aeroporto de cargas do Paraná.
Veja vídeo sobre o terminal de cargas
Entrevistado
Companhia Aeroportuária Campos Gerais (via assessoria de imprensa)
Contato: http://www.cacg.com.br/contacts.html
Créditos fotos: Divulgação/Ivan Bueno/AEN
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Futuro da construção civil mundial está na Ásia
Auditoria internacional revela que, até 2030, nenhum outro país terá tantas obras quanto China e Índia, seguidos de Indonésia, Vietnã e Filipinas
Por: Altair Santos
Estudo da auditoria internacional PwC revela que, até 2025, 63% das obras de infraestrutura em todo o mundo estarão concentradas na Ásia. Só a China responderá por 26% dos empreendimentos, seguida da Índia. O levantamento ainda revela que entre 2025 e 2030, a Índia terá potencial para superar a China e se transformar no país com maior concentração de obras.

O mesmo relatório prevê que o ritmo global da construção civil tende a superar o PIB do planeta no mesmo período. Contribuem para esse crescimento, além de China e Índia, os novos “tigres asiáticos” - Indonésia, Vietnã e Filipinas. Fora da região asiática, os Estados Unidos seguirão encabeçando a construção civil do ocidente. “É normal que a demanda por obras seja maior na Ásia, mas nos surpreende a voracidade da índia”, diz Jonathan Hook, líder global de Engenharia & Construção da PwC.
Estima-se que já em 2016 a Índia ultrapasse o Japão no volume de obras. A construção civil no país, desde 2013, cresce a taxas constantes de 7,4% ao ano. É esse ritmo que faz o documento da PwC assegurar que a China será superada pela índia na condição de “canteiro de obras” do mundo. “A diferença entre a explosão construtiva que se viu na China, e a que é assistida agora na Índia, é que os indianos estão muito preocupados em gerar construções sustentáveis”, afirma Jonathan Hook.
Um exemplo é a ponte Bandra Worli Sea Link, construída na ilha de Mumbai. A obra investiu na construção industrializada e buscou certificação sustentável. Um quesito exigido era que o concreto tivesse baixa emissão de CO2. A solução foi buscar um material com 30 MPa de resistência, após 28 dias, usando cinza volante e um aditivo químico desenvolvido exclusivamente pela BASF para a obra.
Com esses procedimentos, a obra utilizou 400 quilos de cimento para cada metro cúbico de concreto. Ao todo, a Bandra Worli Sea Link consumiu 20 mil m³ de concreto, reduzindo em 4.400 toneladas a emissão de CO2.
Brasil na contramão
O estudo da PwC envolveu 49 países, responsáveis por 90% da produção econômica mundial. O Brasil e as principais nações latino-americanas fizeram parte do levantamento. Pelos dados coletados, a pesquisa indica que a construção civil brasileira, em função das demandas, tem condições de crescer 6% ao ano, em média. No entanto, com um olhar otimista, a expectativa é de que o setor de infraestrutura no país cresça a um ritmo de 2%, a partir de 2017.
A mesma pesquisa apontou onde estão as maiores demandas estruturais do Brasil, que passam por extração (petróleo e gás e commodities), indústria de transformação (refino de petróleo, química e de metais pesados), infraestrutura social (educação e saúde), além de transporte (rodovias, ferrovias, transporte marítimo e aeroportos) e serviços públicos (geração, transmissão e distribuição de energia, gás, água e telecomunicações). São obras que coincidem também com as carências da Índia. Só que, no país asiático, elas já estão em fase de execução, e a pleno vapor.
Entrevistado
Jonathan Hook, líder global de Engenharia & Construção da PwC (via assessoria de imprensa)
Contato: jonathan.hook@pwc.com
Crédito foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Água da chuva para produzir concreto. É possível?
A resposta é sim, mas requer cuidados. Se o pH for ácido, pode afetar a resistência do material e também estimular manifestações patológicas
Por: Altair Santos
Uso de água da chuva na produção de concreto é sempre um assunto que causa polêmica. Pode ou não pode? Um dos principais especialistas no assunto, o gerente de laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), Arnaldo Forti Battagin, afirma que não há problema em utilizar água da chuva para produzir concreto, desde que essa água passe por ensaios e cumpra as exigências mínimas da norma ABNT NBR 15900 - Água para amassamento do concreto – Requisitos. É o que ele explica na entrevista a seguir:

É possível usar água da chuva para produzir concreto? Caso sim, ela precisa passar por tratamento ou pode ser usada do jeito que for captada?
A água precisa ser submetida a todos os procedimentos de que trata a norma técnica (ABNT NBR 15900 - Água para amassamento do concreto – Requisitos). Ela prevê uma série de águas para serem utilizadas na produção de concreto: água de poço, água até de reúso de esgoto, de estação de tratamento de esgoto, água de reúso da concreteira, de lavagem de caminhão etc. Ela não fala explicitamente nada sobre água de chuva, mas de qualquer maneira, as águas pluviais devem passar pelo mesmo ritual, ou seja, fazer os ensaios preliminares previstos na norma, que são ensaios de composição química que estejam ligados a alguns efeitos da durabilidade. Aí tem duas alternativas dos componentes que mudam a cinética de hidratação do cimento e do concreto. Uma está relacionada aos componentes presentes na água, e que podem influenciar quimicamente o concreto. Outra opção é ir diretamente às propriedades que são relacionadas à resistência e ao tempo de pega, em comparação à água tratada. São importantes esses ensaios, que vão detectar, por exemplo, presença de detergentes e de óleos, além do pH da água. O que pode acontecer com a água de chuva? Se ela for de um ambiente urbano, de uma área poluída, ela pode ter um PH ácido. A norma veta o uso de água abaixo do pH 5. Normalmente, as águas de ambientes rurais não têm esse problema.
Existe risco de a água da chuva causar patologias no concreto, como a eflorescência, por exemplo?
Existe, se for uma água ácida. Já a eflorescência dificilmente vai carregar componentes. Por isso, existem os ensaios para prever estes problemas. Mas uma água de chuva não ácida não vai dar eflorescência. Não vai ter carbonatos dissolvidos ou similares. Ela tem que sofrer os mesmo rituais que sofrem uma água e atentar para o problema de ser num ambiente poluído para evitar um pH muito baixo.

O uso de água da chuva altera resistência e durabilidade do concreto?
Sim, e por esse motivo é preciso fazer a análise, para ver se vai dar problema ou não.
O uso de água da chuva muda o prazo de cura do concreto?
Não. O prazo de cura é uma coisa que o próprio usuário, o engenheiro, o construtor estabelece. Não existem recomendações para isso relacionadas ao uso de água da chuva.
Existe norma específica que fala do uso de água da chuva na produção de concreto?
Não existe.
O concreto produzido com água da chuva pode ser usado em estruturas ou somente em elementos não-estruturais?
Pode ser usado em qualquer elemento, desde que ele passe nos ensaios de especificação, que é a parte 1 da NBR 15900. Se esta água de chuva obedecer todos os parâmetros mínimos descritos na norma técnica ela pode ser usada para produzir concreto estrutural sem o menor problema.
No Brasil, o uso de água da chuva para a produção de concreto é comum?
Desconheço que isso seja usado em grande escala. O que está começando são as concreteiras utilizarem a água da lavagem de caminhão, mas assim mesmo é ainda muito incipiente.
Normalmente, quantos litros de água, se de chuva ou tratada, são necessários para produzir um metro cúbico de concreto?
O volume é o mesmo, independentemente da origem da água, ou seja, 150 litros por metro cúbico de concreto.
Há diferença entre usar água da chuva para fabricar concreto e usar água tratada que venha do sistema convencional de captação de água?
Não há diferença nenhuma, desde que a água de chuva obedeça os parâmetros da norma de água de amassamento.
Para concretos especiais, como o autoadensável, é recomendável usar ou não usar água de chuva?
Não é uma questão de recomendação. A recomendação de reaproveitamento de água é uma exigência da sociedade moderna. É preciso saber que água é um bem precioso, finito e que não pode ser substituído. Então, qualquer iniciativa de utilizar a água de chuva para o concreto é bem-vinda, mas desde que obedeça aos parâmetros técnicos exigidos.
Entrevistado
Geólogo Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Contatos
laboratorio@abcp.org.br
arnaldo.battagin@abcp.org.br
Créditos fotos: Divulgação/ABCP e Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Retrofit atinge Avenida Paulista de ponta a ponta
Em São Paulo, uma das ruas mais conhecidas do país passa por completa reforma. A revitalização vai do asfalto aos arranha-céus com mais de 50 anos
Por: Altair Santos
Uma das ruas mais conhecidas do país está passando por um completo retrofit. No chão, a prefeitura de São Paulo revitaliza calçadas e cria ciclovias em seu canteiro central. No alto, os prédios localizados na Avenida Paulista é que se submetem a revitalizações. Com muitos edifícios construídos entre os anos 1940 e 1970, as reformas atingem quase uma dezena de empreendimentos. A opção pelo retrofit se dá por três motivos: o alto custo para demolir e reconstruir obras novas, a burocracia para viabilizar novas edificações na região e a escassez de terrenos.

A Perkins + Will, escritório global de arquitetura e design interdisciplinar, lidera dois grandes projetos na Avenida Paulista, e que somam investimentos de mais de R$ 110 milhões. Um deles é o do Brazilian Financial Center (BFC), conhecido por ter abrigado por muitos anos a sede do Banco Real. A previsão de conclusão é em dezembro de 2016. Nos projetos em andamento, o processo de retrofit é utilizado para adicionar novas tecnologias às construções. "A estimativa de vida útil de uma edificação é de 50 anos. Com o processo de retrofit é possível proporcionar um novo ciclo de vida de mais 40 anos às construções", afirma Douglas Tolaine, diretor de Design da Perkins + Will no Brasil.
O arquiteto explica que o universo de trabalho em retrofit é vastíssimo no Brasil. Além do aspecto cultural de preservação de patrimônio, também reforçam essa tendência a escassez de boas áreas disponíveis em locais estratégicos, aliado ao longo e burocrático tempo para as aprovações de projeto, a complexidade de demolição ou implosão de edificações em zonas consolidadas e o tempo de construção de um novo edifício. Além disso, as certificações para prédios verdes, voltadas para o retrofit, estimulam investir em reformas.

Economia energética de 30%
É o caso do edifício comercial Panorama Paulista. A reforma, concluída em 2014, esteve sob a responsabilidade do escritório Athié Wohnrath. A torre teve 80% de sua estrutura preexistente mantida por meio da conservação de lajes, vigas, pilares e elevadores. Já a fachada, totalmente reformulada, utilizou vidros de alta eficiência e brises de alumínio para atenuar a absorção de calor e o ofuscamento visual. Para adequar o edifício aos padrões de certificação LEED, o projeto ainda contou com a instalação de um sistema hidráulico para a redução em 30% no consumo de água.
Na Avenida Paulista, outro edifício que busca retrofit com certificação sustentável é o Paulista 2028. A reforma é viabilizada pela BNCORP - incorporadora especializada em empreendimentos comerciais -, cujo projeto inclui fachada com vidros de alto desempenho térmico, para minimizar o uso de ar-condicionado, além de dispositivos sanitários de baixo consumo para reduzir o uso da água em até 35%. “A adoção destas e outras medidas no Paulista 2028 devem gerar uma economia de aproximadamente 30% no custo de operação do edifício”, diz Nelson Mazzeo, gerente de marketing e incorporação da BNCORP. O plano prevê também a destinação do entulho e a reutilização de materiais.

Entrevistados
Escritórios Perkins + Will, Athié Wohnrath e BNCORP (via assessoria de imprensa)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Norma-mãe do concreto é reconhecida internacionalmente
ISO (International Organization for Standardization) define que NBR 6118 pode ser usada em qualquer país para projetos de estruturas de concreto
Por: Altair Santos
Após a importante revisão de 2014, a ABNT NBR 6118 - Projeto de estruturas de concreto – Procedimento – foi novamente atestada pela ISO (International Organization for Standardization) como uma das normas técnicas que atendem exigências internacionais e, por isso, pode ser utilizada em qualquer local do mundo para projetos de estruturas de concreto. O reconhecimento ocorreu na reunião realizada em 28 de outubro de 2015, pelo ISO/TC71/SC4 (Performance Requirements for Structural Concrete), em Seul, na Coreia do Sul. A conquista, no entender de organismos que representam a construção civil nacional, vem reafirmar a capacidade da engenharia brasileira, bem como sua tradição na produção de concreto com qualidade. Para explicar o que a internacionalização da ABNT NBR 6118 representa, a engenheira civil Inês Battagin, superintendente do comitê ABNT/CB-18, relata, na entrevista a seguir, todos os passos dados por essa norma técnica para que ela se alinhasse às melhor do mundo. Confira:

O que representa para a construção civil brasileira, ter uma norma como a ABNT NBR 6118, reconhecida como norma internacional?
Representa a certeza de que a engenharia brasileira está entre as melhores do mundo e que o Brasil mantém sua tradição na construção em concreto. Esse reconhecimento, vindo no momento em que o país precisa de estímulo para manter seu crescimento em bases sólidas, reveste-se de grande importância, pois traz consigo a certeza de que qualidade, boas práticas e atendimento à normalização técnica são valores fundamentais.
Em boa parte dos países sul-americanos, as normas dos Estados Unidos prevalecem. É possível que a ABNT NBR 6118 venha a substituir as normas para estruturas de concreto nos países vizinhos a partir de agora?
Acho improvável que isso ocorra, pois cada país tem sua tradição em projetar e construir estruturas. Realizar mudanças nessa área é possível apenas a partir de um longo processo de aculturamento. A própria ISO, ao estabelecer os critérios de verificação das normas nacionais de projeto de estruturas de concreto, para seu registro como documento de validade internacional, reconheceu a dificuldade de alterar culturas locais. Entendo que essa iniciativa da ISO pode aproximar as normas dos países que fazem parte do grupo, na medida em que os especialistas envolvidos nesse trabalho estudam profundamente os documentos submetidos ao processo de aprovação e certamente evidenciam aspectos que podem ser melhorados nas normas de seus próprios países.
O reconhecimento da ISO aumenta também a responsabilidade de toda a cadeia envolvida na produção de concreto e projetos de estruturas no Brasil?
Acredito no incentivo gerado pelo reconhecimento da nossa norma pela ISO, que acaba criando um forte sentimento de compartilhamento, no seu mais genérico sentido. Assim, não se trata de uma responsabilidade imposta, mas sim assumida pelo orgulho do reconhecimento e pelo desejo de manter essa condição ou até de atingir novas metas. A engenharia brasileira sempre foi internacionalmente reconhecida no campo das construções em concreto e tem mostrado que mantém essa hegemonia ao longo do tempo. Precisamos, sim, desenvolver mecanismos para que esse conhecimento não fique restrito, mas seja disseminado em todo o meio técnico nacional, alcançando especialmente os novos profissionais e estudantes.
Como foi o processo de reconhecimento da ABNT NBR 6118 pela ISO? Houve muitas exigências? Demorou muito tempo?
Em todos os trabalhos de normalização internacional o Brasil é representado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que por meio de seus Comitês Brasileiros - no caso, o ABNT/CB-18 Cimento, Concreto e Agregados e a ABNT/CB-02 Construção Civil - indicam os especialistas do país para tomarem parte nas reuniões. No âmbito internacional, esse tema é tratado pela ISO/TC71/SC4 (Performance requirements for structural concrete), que é o subcomitê do TC71 (Concrete, reinforced concrete and pre-stressed concrete) que trabalha com as normas de projeto de estruturas de concreto. As bases internacionais para a avaliação das normas nacionais são estabelecidas na norma ISO 19338 Performance and assessment requirements for design standards on structural concrete.
Com a revisão da ABNT NBR 6118, em 2014, muitas das exigências internacionais já estavam atendidas, o que facilitou o processo. Porém, foi necessário evidenciar esse atendimento. Uma vez mais a ABNT NBR 6118 foi traduzida para o inglês e, para complementar as exigências da ISO, também foram traduzidos para esse idioma os resumos de normas nela referenciadas, como a ABNT NBR 12655, que estabelece os requisitos para preparo, controle e recebimento do concreto, a ABNT NBR 15200, que trata do projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio e a ABNT NBR 9062, de estruturas pré-moldadas de concreto, entre outras.
Complementando a documentação exigida, foi preparado um checklist (conforme a ISO 19338) que informa detalhadamente os itens ou seções da ABNT NBR 6118 que atendem a cada uma das exigências para que normas nacionais possam ser registradas como documentos internacionais pela ISO. A reunião plenária anual da ISO/TC71 e de seus subcomitês, ocasião em que são tomadas as decisões de aprovação do Comitê e se estabelece as deliberações de trabalho, foi realizada este ano (2015) no período de 27 a 29 de outubro, em Seul, na Coreia.
No entanto, para permitir a avaliação prévia da documentação, como exigido pela ISO 19338, todo esse material foi enviado à ISO com mais de um mês de antecedência com relação à reunião plenária. O conteúdo da nossa norma foi avaliado por três países integrantes do ISO/TC71/SC4, sendo aprovado para ser apresentado na reunião desse subcomitê no dia 28 de outubro, onde sua aprovação foi confirmada. Tramitaram simultaneamente as aprovações das normas americana (ACI 318-14) e coreana (KCI 2012). Tanto na reunião do subcomitê (SC4), como na reunião plenária do TC71, as três normas foram aprovadas e referendadas para serem submetidas à aprovação final de todos os países integrantes do grupo por votação direta (ballot eletrônico).
Portanto, ABNT NBR 6118 tem ainda que passar por esse último desafio para ser registrada de acordo com a ISO 19338, mas trata-se de processo formal, uma vez que sua aprovação foi unânime na reunião plenária realizada em Seul. O tempo investido na tradução da nossa norma e na elaboração da documentação necessária para ser apresentada à ISO chegou a cerca de dois anos, sendo que os trabalhos foram intensificados nos últimos meses.

Em 2008 a ABNT NBR 6118 foi reconhecida pela primeira vez. O que mudou daquela iniciativa para esta agora?
A ISO 19338, base para o registro de normas nacionais de projeto de estruturas de concreto como documentos de validade internacional foi publicada em primeira versão em 2003 e serviu ao registro da nossa norma em 2008. Com a revisão da ISO 19338, todas as normas já aprovadas pela ISO precisam ser reavaliadas, de forma a terem seu registro confirmado. Conforme já mencionado, as primeiras normas a atingirem essa meta foram a ABNT NBR 6118, o ACE 318 e a KCI2012. No âmbito internacional, a grande mudança de 2008 para os dias atuais consiste em exigências relativas à durabilidade e à vida útil das estruturas de concreto.
A ABNT NBR 6118, por sua vez, teve seu escopo ampliado na versão de 2014, passando a contemplar os concretos de alta resistência, até C90 (grupo II da ABNT NBR 8953), com as consequentes adequações de todos os critérios de cálculo (novas expressões para a avaliação do módulo de elasticidade do concreto e do valor da tensão de tração no concreto, por exemplo), além de aprimoramentos em itens como a verificação e o detalhamento de projeto de regiões especiais, possibilitando o uso de modelos biela-tirante, bem como novos critérios para a consideração de imperfeições globais e de retração e fluência, entre outros avanços.
O que está previsto para a 6118 a partir de agora: ela deve entrar em novo processo de revisão? Caso sim, o que será revisto?
As normas técnicas são documentos dinâmicos que devem ser revisados com a frequência necessária a se manterem atualizados. A ABNT exige que as normas brasileiras sejam reavaliadas a cada cinco anos, devendo ser confirmadas, se estiverem adequadas ao uso; revisadas, se precisarem de atualização ou melhorias, ou canceladas, caso não sejam mais aplicáveis. O ideal, especialmente em casos como este, é que a comissão de estudo se mantenha ativa e realize pequenas modificações na norma com a frequência adequada à sua constante atualização, de forma que não sejam necessários processos exaustivos e extensos de revisão. Essa é a postura da comissão de estudo responsável pelos trabalhos no âmbito do projeto de estruturas de concreto, que contando com o apoio do CT 301 (Comitê Técnico IBRACON/ABECE de Projeto Estrutural) tem procurado realizar revisões periódicas e baseadas nas práticas recomendadas editadas a cada nova versão publicada dessa norma brasileira.
Em um eventual novo processo de revisão, ela volta a ser analisada pela ISO para que sua internacionalização seja novamente confirmada?
Caso a ABNT NBR 6118 seja revisada e se deseje que a versão mais nova seja reconhecida internacionalmente, esse processo será necessário. Caso contrário, se as modificações forem pequenas, e não houver interesse em realizar um novo processo de registro, ficará valendo a edição anterior como documento de validade internacional. Vale salientar que, em qualquer caso, se a norma ISO 19338 for revisada, obrigatoriamente a nossa norma de projeto estrutural deverá passar por novo processo de avaliação para ter seu registro confirmado.
Em relação às outras normas internacionais que balizam projetos de estruturas de concreto, o que a 6118 tem de especial?
Para o desenvolvimento das diversas revisões da ABNT NBR 6118 foram consultados documentos internacionais e normas de outros países, de forma que se verifica, em alguns requisitos ou critérios de projeto, certa semelhança com o que estabelece o Eurocode 2 (norma da Comunidade Europeia), em outros casos com o ACI 318 (norma americana), em algumas situações com o Model Code da fib (Federação Internacional do Beton) e alguns outros documentos. No entanto, no desenvolvimento da ABNT NBR 6118 sempre se considerou a experiência e o conhecimento do meio técnico nacional como fundamentais para o estabelecimento de requisitos que sejam relevantes para o país e que possam ser cumpridos.
Desde que a 6118 foi criada, ela mudou muito de lá para cá?
A primeira versão dessa norma brasileira foi a NB-1 de 1940 e seu título era “Cálculo e execução de obras de concreto armado”, tendo sido publicado na data de fundação da ABNT. Nos diversos processos de revisão foram feitas alterações em seu escopo, primeiramente transferindo para outra norma a parte relativa a preparo, controle e aceitação do concreto (hoje tratados na ABNT NBR 12655) e depois a parte relativa à execução da estrutura de concreto (atualmente na ABNT NBR 14931). A ampliação no campo do projeto estrutural previsto na ABNT NBR 6118 em 2003 permitiu que essa norma passasse a contemplar o escopo completo das aplicações em concreto, seja ele simples, armado ou protendido.
Qual foi a atualização mais significativa realizada na 6118, desde a sua criação?
Certamente, a revisão realizada em 2003 foi a mais expressiva, pois além da necessidade de atualização (a versão anterior era de 1978), a ABNT NBR 6118 passou a tratar exclusivamente do projeto estrutural e exigiu a revisão de outras normas de base, como a ABNT NBR 8681, de ações e segurança nas estruturas e a ABNT NBR 7187, de pontes de concreto, além do cancelamento da ABNT NBR 7197, que tratava especificamente do projeto de estruturas de concreto protendido, com a incorporação de seu escopo. A partir da revisão realizada em 2003 na ABNT NBR 6118 foi possível avaliar a possibilidade de registro da norma brasileira na ISO pela primeira vez, tendo sido necessário o desenvolvimento de duas normas que eram exigidas pela entidade internacional: a ABNT NBR 15200, de projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio, e a ABNT NBR 15421, de projeto de estruturas resistentes a sismos. Desde 1940 a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) participa do desenvolvimento e da atualização da ABNT NBR 6118, tendo atuado de forma técnica e proativa para o registro da nossa norma como documento de validade internacional, ao lado do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) e da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE).
Entrevistada
Engenheira civil Inês Laranjeira da Silva Battagin, superintendente do ABNT/CB-18 - Cimento, Concreto e Agregados
Contatos
ines.consult@abcp.org.br
cb18@abcp.org.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Para vender, construtoras atraem quem mora fora do país
Empresas miram brasileiros que vivem nos EUA, na Ásia e na Europa. Para esses compradores, alta do dólar fez imóveis ficarem até 60% mais baratos
Por: Altair Santos
Com o consumo interno retraído, o mercado imobiliário voltou-se para os imigrantes brasileiros que moram nos Estados Unidos, na Ásia e na Europa. O objetivo é atraí-los para que invistam em imóveis ou terrenos no país. Com a alta do dólar, casas, apartamentos e até escritórios - para esse tipo de comprador - estão, em média, quase 60% mais baratos.

Especialistas dizem que o Brasil vive uma situação semelhante ao que aconteceu em Miami-EUA, após a crise de 2008. “Voltamos a ser o lugar certo para investir”, diz Rogério Santos, diretor da RealtON. “O que muda em relação ao que ocorreu em Miami e o que acontece no mercado imobiliário brasileiro atualmente é que a nossa política de crédito é diferente da que existe nos Estados Unidos. Aqui não se pode fazer mais de um financiamento por imóvel”, completa Elton Oliveira, diretor de operações internacionais da RealtON.
Após a crise internacional, muitos investidores brasileiros compraram imóveis nos Estados Unidos, principalmente em Miami. Agora, o caminho inverso está aberto. Santa Catarina tem sido um dos estados mais procurados para esse tipo de investimento, com destaque para as cidades de Balneário Camboriú e Florianópolis. Terrenos na capital catarinense, que custavam o equivalente a US$ 160 mil um ano atrás, agora valem US$ 95 mil.
Para se ter ideia, usando US$ 100 mil como base de referência, em 2011 eles valiam R$ 165 mil. Atualmente, os mesmos US$ 100 mil representam R$ 382.530,00, ou seja, valorização de 56,87%. “Para o brasileiro que tem seus rendimentos em dólar, é como se tudo estivesse em promoção no Brasil”, afirma Rogério Santos. “Esse é um movimento de mercado que está mobilizando somente os brasileiros que residem no exterior, já que o investidor estrangeiro tem receio de nossa economia e da instabilidade política. O foco está nos brasileiros”, reforça Elton Oliveira.

Direto com a construtora
A ponto de construtoras brasileiras estarem anunciando em canais de televisão nos Estados Unidos, como é o caso da MRV, da Tecnisa e da divisão imobiliária da Odebrecht. Para o público brasileiro que vive em cidades norte-americanas, como Nova York e Miami, são ofertados apartamentos de até US$ 60 mil. “Existem investidores que procuram imóveis bem localizados e preços mais baixos, mas há também aqueles que procuram imóveis mais caros para usarem de base no Brasil”, revela Elton Oliveira.
Para evitar a burocracia, os brasileiros que moram no exterior buscam comprar imóveis financiados diretamente pela construtora. O procedimento padrão se dá por meio de procuração, ou seja, quem está no exterior nomeia um representante seu no Brasil (parente ou amigo) para efetuar a compra. Há modelos deste tipo de procuração nos consulados brasileiros no exterior, o qual permite que o imóvel fique em nome da pessoa compradora que está no exterior. Pode-se também enviar o contrato diretamente para o comprador no exterior. Porém, esse é um processo mais demorado e permitido somente por algumas construtoras. Existe também a prática de colocar o imóvel em nome de algum parente que esteja no Brasil e, a qualquer momento, transferi-lo posteriormente para o nome de quem o comprou.
Entrevistados
Rogério Santos, CEO da RealtON, e Elton Oliveira, diretor de operações internacionais da RealtON
Contatos
contato@realton.com.br
www.realton.com.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Em tempos de crise, engenharia de valor está em alta
Especialidade está diretamente relacionada à redução de custos, seja ao fabricar um produto, executar um serviço ou viabilizar uma obra
Por: Altair Santos
Resumidamente, Engenharia de Valor é a especialidade em que, antes de fabricar um produto, executar um serviço ou viabilizar uma obra, os recursos disponíveis são analisados ainda na fase de projeto para que sejam evitados custos desnecessários ou que ocorra a extrapolação do orçamento. Nascida no pós-guerra, a metodologia recebeu o nome de Engenharia de Valor em 1947.

Nos Estados Unidos, a partir de 1959, surge a Sociedade Americana de Engenheiros de Valor (em inglês, Society of American Value Engeneers – SAVE). A partir da década de 1960, os conceitos se espalham por diversos países da Europa, até chegar ao Japão. No Brasil, a Engenharia de Valor desembarcou nos anos 1970 e em 1984 foi fundada a Associação Brasileira de Engenharia e Análise do Valor – ABEAV (www.abeav.com.br).
Para explicar os conceitos da Engenharia de Valor, e como a metodologia pode ser aplicada na construção civil, o engenheiro civil Luiz Geraldo Crespo Arruda e a administradora María Esmeralda Ballestero-Alvarez concederam a entrevista a seguir. Ambos fizeram questão de frisar que Engenharia de Valor não pode ser confundido com corte de custos. Confira:
Em tempos de crise, praticar Engenharia do Valor é essencial?
Luiz Geraldo Crespo Arruda - Considerando que uma crise se traduz na perda de valor econômico nas organizações, podemos inferir que o caminho efetivo para reverter estruturalmente tal situação é a adoção de uma filosofia de gestão apropriada para tal demanda, como a Engenharia do Valor, que é unicamente baseada na contra-desvalorização econômica, ou seja, combate à destruição de valor através da (re)criação de valor para todos os interessados. Entretanto, uma filosofia não é algo que se pratique às vezes, e por alguns, mas sim algo que se acredita e se tem como base fundamental de pensamento sistêmico, decisões e ações. Ou seja, posso também sustentar que a crise se instala por fragilidades estruturais e filosóficas oriundas da falta de uma gestão baseada na Engenharia do Valor.
O foco principal da engenharia de valor é meramente baixar custos ou ela engloba outras diretrizes?
María Esmeralda Ballestero-Alvarez - Infelizmente, essa é uma visão muito difundida da Engenharia de Valor, mas que reduz a quase nada sua importância e significado. Desenvolver, usar, praticar e aplicar Engenharia de Valor significa adotar uma filosofia diferenciada em relação aos negócios. Engenharia de Valor é um sistema amplo que se destina a analisar, criticar, modificar e inovar um processo qualquer, visando maximizar os resultados para agregar valor a um produto ou serviço, tanto para o cliente quanto para a empresa. Engenharia de Valor parte da premissa de que, absolutamente tudo que se faça, obrigatoriamente deve agregar valor. Caso contrário, é custo e quem paga o custo (no final das contas) é o cliente. Isso ocorrendo, a concorrência superará a empresa e ela não será competitiva. Desse enfoque, podemos inferir a importância de se fazer Engenharia de Valor, pois ela constitui mais uma ferramenta à disposição dos gestores para tornar a empresa mais competitiva, agressiva, inovadora e criativa.
Em quais áreas a Engenharia de Valor é mais aplicada?
Luiz Geraldo Crespo Arruda - A Engenharia de Valor poderá ser aplicada em organizações de qualquer setor da atividade econômica, basta a mesma considerar que deve gerenciar a valorização do seu negócio. Já dentro dos negócios, podemos aplicá-la em precificação baseada em valor, compras baseada em valor, riscos baseado em valor, venda baseada em valor, marketing baseado em valor, alianças baseada em valor, valorização da informação, potencialidade baseada em valor, valorização de marcas e intangíveis, valorização de ações e cotas, valorização de produtos e serviços, valorização da usabilidade, valorização de processos, valorização ambiental, valorização social, valorização de resíduos, valorização energética, além de desempenho, indicadores e metas baseadas em valor.
A engenharia de valor também prioriza a qualidade?
María Esmeralda Ballestero-Alvarez - Engenharia de Valor somente faz sentido quando utilizada para maximizar resultados de um projeto. Portanto, ela deve considerar também as normas preconizadas pela ISO 21500 (Guia para Gerenciamento de Projetos) na qual a qualidade é a pedra de toque, o ponto fundamental. Somente maximizamos resultados com muita qualidade.
Na construção civil, como a Engenharia de Valor é aplicada?
Luiz Geraldo Crespo Arruda - Podemos aplicar em diversas situações na construção civil. Cito como exemplo a aplicação da Engenharia de Valor nas técnicas de VIPs (Value Improving Pratices), que são uma série de ferramentas utilizadas para otimização do valor de empreendimentos de grande porte. Também podemos citar a aplicação em obras industriais na modalidade de Preço Máximo Garantido (PMG), no qual o cliente e o fornecedor repartem as economias conquistadas através da utilização da Engenharia de Valor. Outra aplicação, mais especificamente voltada para a área predial, é a tendência da elaboração de Produto Imobiliário baseado em valor. E mais recentemente, com o advento da Norma ABNT NBR 15575 (Norma de Desempenho de Edificações), temos o interessante relato do engenheiro Ércio Thomaz, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas): “Com o cruzamento de exigências e respostas, a norma NBR 15575 põe no papel um conceito muito falado, mas pouco aplicado na relação entre construtor e usuário de uma edificação: a relação custo-benefício, e que implica na Engenharia de Valor”. Assim, podemos aplicar a Engenharia de Valor em todos os projetos técnicos, sejam eles arquitetônicos, de instalações ou estruturais, de modo a aumentar a criação de valor econômico. Cito ainda a aplicação da Engenharia de Valor em estudo de potencialidade para avaliações de imóveis pela ABNT NBR 14653 – Avaliação de bens, pelo método involutivo indireto.
Em quais áreas a engenharia de valor é mais aplicada?
María Esmeralda Ballestero-Alvarez - Em todas. Não há uma área que precise mais da Engenharia de Valor do que outra. Qualquer área empresarial usa recursos (tempo, dinheiro, pessoas, tecnologias, materiais, máquinas, equipamentos e matéria-prima). Esses recursos não se encontram infindáveis, à nossa disposição. Eles são escassos e têm custos (dinheiro, tempo, esforços). Então, o pensamento central é: sua área usa recursos? Então, ela é apropriada para usar Engenharia de Valor.
Quando a Engenharia de Valor é usada em uma obra, ela já precisa estar prevista na fase de projeto?
Luiz Geraldo Crespo Arruda - A contratação de projetos de Engenharia de Valor é baseada em retorno sobre o investimento. Estudos estatísticos nos mostram que quando aplicamos a Engenharia de Valor na fase de projeto de necessidades e no projeto conceitual, as taxas de retorno são de cerca de 1:200, ou seja, para cada um real que se gasta no projeto de Engenharia de Valor, cerca de 200 reais são criados em valor econômico. Além desta abordagem, o projeto de Engenharia de Valor deve ser o primeiro projeto a ser elaborado, pois dele partirão o escopo, as premissas e as restrições de necessidades de desempenhos, custos e metas a serem alcançados pelos projetistas e pelo setor de produção.
O Brasil explora pouco as soluções oferecidas pela Engenharia de Valor?
María Esmeralda Ballestero-Alvarez - Na verdade, o que ocorre é a simplificação de seu escopo, a banalização da ferramenta e a redução de seu significado e impacto. Conhecer, dominar e aplicar Engenharia de Valor requer tempo, dedicação, interesse e criatividade. Isso requer investimento na formação de um profissional, e que muitas vezes o mercado não está disposto a recompensar de forma adequada. Infelizmente, não podemos esquecer que estamos mais habituados a obter resultados imediatos do que esperar que eles germinem para a colheita. A partir desse pensamento entende-se o porquê desta simplificação.
Além do Brasil, quais países fazem melhor uso da Engenharia de Valor?
Luiz Geraldo Crespo Arruda - Em termos de política de estado, os Estados Unidos possuem leis que obrigam a utilização da Engenharia de Valor em todos os serviços governamentais desde 1959, conforme resolução 172 do Pentágono. Para se ter uma dimensão, apenas no departamento de transportes, o Federal Highway Administration (FHWA) tem catalogados mais de 12.000 projetos de Engenharia de Valor ao longo dos últimos 40 anos, que analisaram mais de 800 bilhões de dólares em investimentos e já criaram mais de 120 bilhões de dólares de valor econômico. Além das leis de estado, temos também a norma ASTM-1699-Value Engineering/Value Analysis e o Guia Value Standard and Body of Knowledge- da SAVE (Society American of Value Engineers) associação que existe desde 1962.
Temos na comunidade europeia uma abordagem mais normativa, na qual utilizam a norma EN 1325-Value Management. Somente no metrô de Londres são realizados anualmente cerca de cem estudos de Engenharia de Valor. No Japão, existe uma robusta abordagem legislativa de estado, sendo que é obrigatória a aplicação da Engenharia de Valor nos serviços municipais, além da grande aplicação na sua indústria eletrônica, com destaque para a aplicação nos projetos de robótica da Kawasaki. Na Arábia Saudita, temos como determinação a aplicação da Engenharia de Valor em todos os projetos relacionados à economia e à valorização de um bem que lhes é muito escasso: a água potável.
Em empresas privadas, cito a aplicação da Engenharia de Valor na empresa de softwares alemã SAP. Esta empresa é atualmente a maior do mundo em número de Value Engineers (engenheiros do valor).
Como se especializa em engenharia de valor? Existe um curso específico?
María Esmeralda Ballestero-Alvarez - A Engenharia de Valor está contemplada em três formações: administração, economia e ciências contábeis. Trata-se de especialização em nível de pós-graduação, tanto lato como stricto sensu. Outra forma que existe é a especialização em PMBOK - sistema mais conhecido e utilizado para gerenciar projetos de qualquer porte para empresas de qualquer segmento. O Project Management Institute (PMI) no Brasil oferece diversos cursos de certificação, desde técnico até profissional com diversas áreas específicas (projetos, cronograma, negócios, risco, projeto). Os cursos estão disponíveis em: https://brasil.pmi.org/brazil/CertificationsAndCredentials.aspx.
O especialista em Engenharia de Valor é, necessariamente, engenheiro?
Luiz Geraldo Crespo Arruda - Não necessariamente. Cito como exemplo um movimento robusto nos Estados Unidos, da aplicação da Engenharia de Valor em sistemas de saúde. Lá temos as chamadas Nurse Value Analysis, que são as enfermeiras Analistas do Valor. Entretanto, devemos explicitar que a palavra engenheiro ou engenharia são de propriedade legal do Conselho Federal de Engenharia (CONFEA), ou seja, em termos de Direito, somente um engenheiro poderá ser engenheiro de valor, com tal registro de responsabilidade técnica se for graduado ou pós-graduado em titulação conferida pelo CONFEA. Já em termos de fatos, qualquer profissional poderá ser um analista do valor, desde que tenha o conhecimento, não deturpe a metodologia e esteja pronto para uma possível auditoria em seus trabalhos, que autentique que tal projeto realizado realmente é em projeto de Engenharia de Valor e não algo parecido.
Entrevistados
Engenheiro civil Luiz Geraldo Crespo Arruda, com especialidades em qualidade, tecnologia, produtividade, sutentabilidade e gestão de custos. É diretor da ELEGE Engenharia do VALOR & Sustentabilidade
María Esmeralda Ballestero-Alvarez, doutoranda em administração e docente de graduação e pós-graduação em disciplinas ligadas a planejamento estratégico, marketing, desenvolvimento gerencial e desenvolvimento de pessoas. Possui mais de vinte livros publicados.
Contatos:
elege@elegevalorsustentavel.com.br
www.elegevalorsustentavel.com.br
iecatsp@fei.edu.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Brasil busca modelo de industrialização do concreto
Na Austrália, comitiva atuou em seminários e em visitas técnicas, a fim de encontrar modelos que incentivem a construção pré-fabricada no país
Por: Altair Santos
A cidade de Melbourne, na Austrália, reuniu entre o final de agosto e começo de setembro de 2015 a elite da comunidade mundial dedicada à pesquisa e à disseminação da construção industrializada do concreto. Durante o Concrete Australia, ocorreram dois importantes encontros: o fib Presidium e a reunião da C6 (Comissão de pré-fabricados da fib). Uma comitiva brasileira esteve nas duas conferências para absorver novos conceitos e tecnologias, a fim de buscar modelos que incentivem a construção industrializada no país.

Houve também visitas técnicas a canteiros de obras inovadores. Entre eles, prédios com múltiplos pavimentos construídos com painéis e pilares pré-fabricados. O evento, realizado pelo Instituto Australiano de Concreto, em conjunto com o RILEM (União Internacional de Laboratórios e experts em matérias de construção e sistemas estruturais), serviu para mostrar, por exemplo, o quanto o país da Oceania está avançado na utilização de concreto de ultra-alta performance (UHPC) para a fabricação de peças pré-fabricadas para pontes.
A tecnologia permite construir ou substituir estruturas antigas utilizando o processo conhecido como ABC (Accelerated Bridge Construction) [Construção Acelerada de Pontes]. Os benefícios deste modelo incluem interrupção mínima do tráfego de veículos, reduzida manutenção, redução do tamanho das articulações e complexidades, maior durabilidade, velocidade de construção, eliminação de pós-tensão e tempo de uso prolongado das pontes. O UHPC apresenta, entre suas principais características, resistência à compressão seis a oito vezes superiores ao concreto convencional, além de vedação perfeita e capacidade de moldar os mais diversos elencos.
O material foi utilizado também na construção do Mucem (Museu das Civilizações Europeias e Mediterrânicas), em Marselha, na França. A enorme passarela que leva ao prédio e a fachada que envolve o museu foram todas construídas com UHPC. O concreto de ultra-alta performance foi a solução encontrada para que o edifício do Mucem não ficasse exposto à maresia com alta densidade de sal que se verifica na região em que foi construído. Erguido em 2003, o edifício foi um dos bons exemplos de como a construção industrializada oferece alternativas à engenharia civil.

Bons exemplos
Essa constatação é compartilhada pela engenheira Íria Lícia Oliva Doniak, presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto), e que representou o Brasil nas conferências ocorridas na Austrália. “Cada país possui sua cultura em relação às tipologias possíveis de uso das estruturas pré-fabricadas de concreto, que são inúmeras. Desde o total precast, presente nas estruturas em esqueleto dos edifícios da Bélgica, passando pelos edifícios altos com painéis portantes na Holanda, e chegando ao mix destas tipologias nos países nórdicos, que possuem entre 80% e 90% de estruturas pré-fabricadas nas construções, como a Dinamarca e a Finlândia. Na Índia, pelas necessidades locais de habitações e espaço urbano, são adotados os painéis em edifícios habitacionais de alturas mais elevadas. Já na Austrália, este modelo que visitamos mostra que a indústria é fornecedora de componentes, já que faz parte do dia a dia das construtoras trabalharem com a industrialização e terem canteiros de obras altamente mecanizados”, comenta.
Em sua visão, o Brasil tem inúmeras possibilidades de crescimento na indústria das estruturas pré-fabricadas de concreto. Uma delas é “crescer para cima”. “Hoje, a ABCIC, que conhece modelos de desenvolvimento nos mais diversos países, tem estudado especialmente a adoção do sistema no mercado imobiliário, além da habitação social, em edifícios residenciais e comerciais. Não apenas no que tange ao projeto, que é uma fase importante, mas desde a cultura para este desenvolvimento, passando por questões de logística, pois os canteiros no país ainda são pouco mecanizados, até os sistemas de produção e manutenção”, finaliza.
Baixe as apresentações realizadas no Concrete Australia.
http://www.rilem.org/docs/2015145617_concrete-2015-protege.pdf
Entrevistada
Engenheira civil Íria Lícia Oliva Doniak, presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto)
Contato: abcic@abcic.org.br
Créditos Fotos: Divulgação e Clement Mahoudeau/IP3 Press/MAXPPP
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Em vigor, “norma das calçadas” prioriza pedestres
Publicada em setembro, ABNT NBR 16416:2015 agora passa a requerer projeto, estudo do solo e uso de materiais permeáveis em pavimento para pedestres
Por: Altair Santos
Desde 6 de setembro de 2015, está em vigor a ABNT NBR 16416:2015 - Pavimentos Permeáveis de Concreto - Requisitos e Procedimentos. Entre as obras urbanas que mais podem se beneficiar desta norma técnica estão as calçadas. Por isso, ainda que não seja exclusiva para a pavimentação voltada aos pedestres, o setor de construção de artefatos de cimento passou a chamá-la popularmente de “norma das calçadas”. O objetivo da NBR 16416:2015 é definir requisitos mínimos exigíveis ao projeto, especificação, execução e manutenção de pavimentos permeáveis de concreto. Tanto os moldados no local quanto os construídos com peças intertravadas.

Para o engenheiro civil Cláudio Oliveira Silva, gerente de inovação da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), ainda que a norma não tenha como tema central as calçadas, seguramente ela será incorporada aos manuais e guias que cada prefeitura precisa elaborar sobre revestimento de concreto para pedestres. Aliás, a norma foi criada fundamentalmente para balizar o poder público municipal nesta área de pavimentos permeáveis. “A procura por parte de prefeituras e especificadores deste tipo de sistema levou à necessidade da criação de critérios para a correta especificação e execução do pavimento permeável”, explica o especialista.
Além disso, a NBR 16416:2015 envolve também ruas pavimentadas com blocos de concreto para tráfego leve. “A norma abrange qualquer tipo de pavimentação permeável de concreto, de acordo com o que o projetista determinar de carga a ser suportada, seja pedestre, veículos ou armazenamento. Independentemente da finalidade, a norma afirma que o piso deve permitir a percolação de água através de sua estrutura. Neste caso, vários tipos de revestimentos podem ser utilizados. A escolha de cada um depende do tipo de tráfego e condições de entorno”, afirma Cláudio Oliveira Silva.

Mercado receptivo
Redigida no período de dois anos - entre o texto-base e a aprovação final -, a norma de pavimentos permeáveis de concreto reforça a recomendação de estudo do solo, antes de se construir calçadas e ruas pavimentadas. “O estudo do solo deve ser realizado para qualquer tipo de pavimentação, seja permeável ou não. No caso do pavimento permeável, além do suporte do solo (CBR) e de sua expansibilidade, deve-se avaliar também o coeficiente de permeabilidade e assim definir que tipo de estrutura terá o pavimento permeável”, destaca o gerente de inovação da ABCP.
De acordo com Cláudio Oliveira Silva, o item da norma que causou os debates mais acalorados foi o relacionado à especificação de critérios de resistência para os revestimentos de concreto permeável (poroso), seja ele no formato de placas, peças de concreto ou mesmo do concreto moldado no local. “Isso ocorreu devido ao comportamento mecânico diferente, se comparado ao concreto convencional, visto que havia pouco histórico, tanto nacional quanto internacional”, relata, avaliando que a NBR 16416:2015 já caiu nas graças do mercado. “Muitos fabricantes de peças para piso e placas de concreto já fabricam produtos industrializados que podem ser utilizados como revestimento de pavimentos permeáveis”, afirma.
Entrevistado
Engenheiro civil Cláudio Oliveira Silva, gerente de inovação da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Contato: claudio.silva@abcp.org.br
Créditos Fotos: Divulgação e Divulgação/ABCP
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
PR tem mais construtoras entre as 500 maiores do Sul
Tradicional ranking da revista Amanhã lista principais empresas do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Ao todo, 36 se destacam
Por: Altair Santos
O tradicional ranking das 500 maiores empresas do sul do país foi divulgado no final de outubro, em Porto Alegre-RS. A lista traz as companhias que mais se destacam em seus respectivos setores, seja no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina ou no Paraná. No segmento construção e imobiliário, o Paraná se destaca com o maior número de empresas ligadas à construção civil. O estado teve 17 listadas, contra 12 do Rio Grande do Sul e 7 de Santa Catarina. A melhor do sul do país, segundo a revista Amanhã, é a Construtora Triunfo S/A, que na relação geral aparece na 73ª posição.

Parte da explicação para o bom desempenho da construção civil paranaense no ranking anual da revista Amanhã está no fato de o Paraná ter se tornado a 4ª principal economia do país, a partir dos dados econômicos de 2013. O estado ultrapassou o Rio Grande do Sul e passou a responder por 6,3% de todas as riquezas geradas no país, atrás apenas de São Paulo (32,1%), Rio de Janeiro (11,8%), Minas Gerais (9,2%). O Rio Grande do Sul ficou com 6,2%. A mudança de patamar da economia paranaense é histórica. Desde 1949 o Paraná ocupava a posição de 5ª maior economia do Brasil.
Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e confirmados pelo Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social). “O Paraná adensou sua estrutura produtiva nos últimos anos, com um agronegócio pujante, e que não pode ser igualado hoje por nenhum outro estado do Sul e do Sudeste. Ao mesmo tempo, atraiu um ciclo de investimentos produtivos. Isso, obviamente, se reflete na construção civil do estado”, avalia Júlio Suzuki Júnior, presidente do Ipardes.
No balanço geral do ranking da revista Amanhã, no entanto, as empresas do Rio Grande do Sul ainda são maioria. O estado ranqueou 193 corporações, contra 181 do Paraná e 126 de Santa Catarina. Na soma dos faturamentos de 2014, as companhias gaúchas contabilizaram R$ 174 bilhões. No Paraná, esse valor chegou a R$ 166 bilhões no ano passado, considerando apenas receitas líquidas. A primeira empresa no ranking geral da revista Amanhã é a Gerdau. Em 1991, a indústria era uma empresa de base regional e não passava da 5ª colocação entre as maiores do Rio Grande do Sul. Em duas décadas e meia, tornou-se uma multinacional brasileira, alçando a posição de número 1 não apenas na economia gaúcha, mas em toda a região sul.

Economia dinâmica
O ranking é auditado pela PwC, que levanta os dados das companhias através do Valor Ponderado de Grandeza (VPG). O índice apresenta a saúde financeira das empresas não apenas em função da renda, mas pela ponderação de três indicadores financeiros: patrimônio líquido (50%), receita líquida (40%) e lucro líquido ou prejuízo (10%). Por uma questão de credibilidade, todas as informações são extraídas de uma única fonte: os balanços financeiros das corporações listadas. De acordo com os dados de 2014, as marcas que mais cresceram foram as cooperativas industriais. "Nessas mais de duas décadas, vimos várias vezes a economia do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná mudar. As cooperativas industriais são apenas um exemplo disso. Elas conseguiram crescer além de suas fronteiras geográficas, inclusive no cooperativismo de crédito", diagnosticou Carlos Peres, sócio da PwC Brasil e líder para a região Sul.
Quanto ao fato de as empresas ligadas à construção civil aparecerem apenas do 70º lugar do ranking para baixo, os analistas entendem que a lista reflete o impacto da crise econômica no setor. Outra explicação é o dinamismo da economia dos três estados. “Em pouco mais de duas décadas, tudo mudou. Ao analisar os motivos pelos quais companhias entraram ou saíram da listagem, nota-se o saldo positivo de uma economia mais dinâmica, competitiva e internacionalizada. Colocados lado a lado, os rankings contam a história da economia da região sul. Relatam, por exemplo, como tantas empresas do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul saíram de cena por terem sido desestatizadas ou incorporadas por outros grupos. É salutar para a economia dos três estados essa oscilação no ranking”, define Carlos Peres.
Infográfico
Construtoras e incorporadoras com destaque no ranking das 500 maiores do Sul
Empresa Estado Posição no ranking geral
1º Construtora Triunfo S/A PR 73º
2º Grupo Habitasul RS 80º
3º Grupo Plaenge PR 85º
4º Cohapar PR 90º
5º Cesbe S/A PR 94º
6ª Goldztein Cyrela RS 101º
7º CR Almeida PR 114º
8º Combrashop PR 125º
9º A. Yoshii Engenharia PR 132º
10º Toniolo, Busnello S/A RS 159º
11º Melnick Even RS 168º
12º Arena Porto Alegrense RS 195º
13º Hacasa SC 198º
14º Grupo Thá PR 208º
15º Saha PR 234º
16º Nex Group RS 247º
17º Karagounis RS 254º
18º Ivaí Engenharia PR 274º
19º Perville SC 289º
20º Jota Ele PR 303º
21º Cohab-PR PR 310º
22º Vikan participações RS 320º
23º Zita Empreendimentos SC 325º
24º Construtora Castilho PR 335º
25º Intertechne PR 336º
26º Shopping Park Europeu SC 356º
27º Hoelzel RS 418º
28º SBS Engenharia RS 424º
29º Koerich SC 446º
30º Merisa S/A PR 459º
31º Trevisa RS 460º
32º Seta Engenharia SC 479º
33º Paraná Empreendimentos PR 481º
34º Invespark PR 483º
35º STE Engenharia RS 485º
36º Rögga S/A SC 488º
Entrevistados
Carlos Peres, sócio da PwC Brasil e líder para a região Sul
Júlio Suzuki Júnior, presidente do Ipardes
Contatos
carlos.peres@br.pwc.com
diretoria@ipardes.pr.gov.br
Créditos Fotos: Divulgação e Divulgação/Daniel Derevecki









