Produtividade passa pela construção industrializada

Jorge Blatouni Neto, do SindusCon-SP: inovação, desempenho e sustentabilidade são os caminhos para a construção civil enfrentar margens de lucro cada vez mais apertadas

Produtividade passa pela construção industrializada

Produtividade passa pela construção industrializada 1024 573 Cimento Itambé

Desafio dentro do canteiro de obras é neutralizar custo. Para isso, empresas precisam trocar a improvisação por planejamento e processos modulares

Por: Altair Santos

Com a presença de duzentos profissionais e técnicos ligados aos segmentos de engenharia e arquitetura, a ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) promoveu no Concrete Congress – evento paralelo ao Concrete Show 2014 – o seminário Soluções Industrializadas em Estruturas de Concreto para Edificações de Múltiplos Pavimentos. Entre os palestrantes esteve o engenheiro civil Jorge Batlouni Neto, coordenador do comitê de tecnologia e qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e presidente da Tecnum Engenharia. Ele analisou o momento do mercado brasileiro da construção civil, ressaltando a importância da interação entre projeto e sistemas pré-fabricados. A seu ver, será difícil obter crescimento na produtividade sem que o setor abrace a construção industrializada. Confira:

Jorge Blatouni Neto, do SindusCon-SP: inovação, desempenho e sustentabilidade são os caminhos para a construção civil enfrentar margens de lucro cada vez mais apertadas

Qual o atual desafio da construção civil?
De dez anos para cá, o cenário mudou. Desde que a construção civil saiu da inércia, entre 2004 e 2005, o desafio era entregar a obra dentro do cronograma. Hoje, é neutralizar custos. De que forma: aumentando a produtividade. A produção de obras praticamente dobrou no Brasil neste período, mas não houve aumento real de produtividade. O contexto mudou, os atores mudaram. Produzir mais em menor tempo, mas sem descuidar da qualidade, do compromisso com a sustentabilidade e com a vida útil das construções são as novas prioridades.

Onde entra a construção industrializada neste novo contexto?
As novas diretrizes passam por inovação, desempenho e sustentabilidade. De que forma? Acabando com a improvisação e optando por métodos construtivos previamente definidos.  É preciso diminuir a variabilidade do projeto, e isso se faz através da padronização modular e transferindo processos para a construção industrializada.

Quando decidir por uma obra industrializada ou não?
A decisão de industrializar deve ser tomada na fase de elaboração do projeto. Mas há outras variantes que precisam ser levadas em conta. Por exemplo: a área onde será construída a obra tem disponibilidade de energia elétrica? Afinal, serão usados equipamentos que consomem energia, como as gruas. Outro fator determinante é saber se há equipamentos disponíveis e se existe mão de obra especializada. Trabalhar com pré-fabricados requer muitos cuidados em termos de segurança e o operário especialista precisa ser treinado até para escapar de um acidente, se ele vier a ocorrer.

O risco de patologias em obras industrializadas é maior ou menor?
Diria que a industrialização não é o fim, mas o caminho para reduzir riscos de patologia. Além disso, a certificação de produtos e sistemas usados em obras pré-fabricadas é cada vez maior. Os selos de qualidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) estão aí para comprovar isso.

O que ainda impede que a construção industrializada tenha um mercado mais amplo?
O Brasil tem uma cadeia de impostos terríveis. Para se ter uma ideia, o concreto produzido no país é 50% mais caro do que na Alemanha. Mas, mesmo assim, a construção industrializada é o caminho para a construção civil nacional conseguir aumentar sua produtividade em 4% ao ano, como planeja o setor. E quando se fala em produtividade, é a produtividade do dinheiro. A margem de lucro na construção civil está cada vez mais apertada. É preciso buscar sistemas que permitam construir neutralizando os custos.

Entrevistado
Engenheiro civil Jorge Batlouni Neto, coordenador do comitê de tecnologia e qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e presidente da Tecnum Engenharia
Contato: jbn@tecnum.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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