Marisco vira agregado oficial de blocos de cimento

Tecnologia sustentável aumenta resistência dos artefatos em cerca de 20% e pode ser aplicada em elementos estruturais e não-estruturais

Por: Altair Santos

Onze anos após os primeiros testes com cascas de mariscos substituindo a areia fina na fabricação de pavers, a indústria de artefatos de cimento de Santa Catarina já considera o beneficiamento das conchas como um agregado oficial na produção de blocos. Desde 2015, a tecnologia evoluiu. Os resíduos de ostras e mexilhões também passaram a ser aproveitados. Além disso, as pesquisas permitiram fabricar outros produtos, como blocos de concreto estruturais e não-estruturais. “Conseguimos produzir elementos com 20% mais resistência que os blocos convencionais”, explica a engenheira civil e ambiental Bernadete Batalha Batista, que desenvolveu a tecnologia.

Cascas substituem agregados finos e médios e atendem a um amplo portfólio de artefatos
Cascas substituem agregados finos e médios e atendem a um amplo portfólio de artefatos

Com o apoio dos departamentos de engenharia das universidades Federal de Santa Catarina (UFSC) e Unisul, a pesquisa conseguiu chegar à composição ideal dos agregados. “Fizemos vários traços para o bloco de concreto. Chegamos a substituir totalmente a areia fina e a areia média pelas cascas, mas no final optamos por usá-las como complemento em quantidades menores, pois a resistência chega a um limite em que não altera mais. Além disso, usando muito as cascas como agregado o bloco perde a aparência lisa e compromete o acabamento. Já no pavimento drenante a areia é substituída totalmente, pois as cascas ajudam a drenar e a aparência não é tão importante”, revela Bernadete Batalha Batista.

Construção sustentável
Chamados no mercado de “blocos verdes”, os artefatos de cimento que usam cascas de mariscos, ostras e mexilhões atendem as especificações da ABNT NBR 6136:2014 - Blocos vazados de concreto simples para alvenaria - Requisitos. Com espessura mínima de 25 mm, os elementos têm absorção máxima de água na ordem de 10%. Já a resistência à compressão varia de 3 MPa para os não-estruturais a 20 MPa para os estruturais. Essas características fazem com que os produtos conquistem mercado no segmento de construções sustentáveis. “Em 2015, vários empreendimentos que buscavam o selo de prédio verde, principalmente os que atendiam requisitos da certificação LEED, usaram nossos blocos verdes”, disse a engenheira.

Em Santa Catarina, as parcerias com prefeituras e centros de pescadores que cultivam a maricultura na região do entorno de Florianópolis permitiram que o “bloco verde” fosse vendido com preço igual ao bloco convencional. “No entanto, aplicar a tecnologia em outro estado terá um custo maior”, admite Bernadete Batalha Batista. A engenheira entende também que poderia haver mais fábricas produzindo artefatos com agregados da maricultura, porém, segundo ela, falta cultura ambiental. “Até mesmo em Santa Catarina a produção poderia ser maior, pois o estado é o principal produtor da América Latina de mariscos, ostras e mexilhões. Mas falta entender os conceitos de reciclagem e de que, atualmente, tudo pode ser transformado”, avalia.

Além do uso em blocos de concreto e pavers, os resíduos da maricultura podem ser aplicados em outros materiais usados na construção civil. O Conselho Brasileiro da Construção Sustentável (CBCS), através de pesquisas, detectou que as cascas de mariscos, ostras e mexilhões são ricas em carbonato de cálcio (CaCO3) - elemento que pode ser empregado em diversas atividades, como controlador de pH do solo, no processo de fabricação de tintas, vidros e aditivos.

Veja como os resíduos da maricultura são transformados em agregados finos
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Entrevistada
Engenheira civil e engenheira ambiental Bernadete Batalha Batista, especializada em construção sustentável e diretora da BBB Ambiental - Consultoria e Assessoria Ambiental e Civil, Pesquisas e Inovação
Contato: bbbambiental@gmail.com

Crédito Foto: Divulgação/BBB Ambiental

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Crowdfunding chega para inovar mercado imobiliário

Consolidada nos Estados Unidos e na Inglaterra, modalidade de financiamento viabiliza construção de edifício na cidade de São Paulo

Por: Altair Santos

Nos Estados Unidos, a terceira torre do World Trade Center é financiada através da modalidade conhecida como crowdfunding. Traduzindo, trata-se de financiamento coletivo ou, mais coloquialmente, a tradicional vaquinha. No mercado imobiliário norte-americano e britânico, o modelo é cada vez mais comum. No Brasil, o VN Cardoso de Mello é o primeiro empreendimento a utilizar o crowdfunding. Para fechar a arrecadação, que obteve 128% do valor inicialmente projetado, o empreendimento aceitou participação individual de investidores, com a cota mínima de R$ 1 mil. Quando o prédio estiver pronto, e com as unidades vendidas, cada cotista terá retorno do investimento de acordo com a valorização de mercado do imóvel.

Paulo Deitos Filho: crowdfunding não é reflexo da crise, mas uma nova alternativa de investimento imobiliário
Paulo Deitos Filho: crowdfunding não é reflexo da crise, mas uma nova alternativa de investimento imobiliário

A execução do empreendimento é de responsabilidade da construtora e incorporadora VitaCon, que irá erguer o VN Cardoso de Mello na cidade de São Paulo. Para viabilizar o primeiro crowdfunding imobiliário do país, a empresa precisou da autorização da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Para disponibilizar as cotas foi usada a plataforma URBE.ME, criada no Brasil exclusivamente para o setor imobiliário. Através da ferramenta online, indivíduos investem valores a partir de R$ 1 mil em determinado empreendimento e, em troca, adquirem títulos que lhes conferem o direito a uma participação no valor de vendas do imóvel. “O crowdfunding revelou-se uma alternativa consistente para financiar a construção civil”, diz Paulo Deitos Filho, CEO da URBE.ME.

Novo perfil do mercado

Para o executivo, o sucesso do modelo consagra-se através do interesse de outras construtoras e incorporadoras em aderir ao crowdfunding. “Tem mais quatro projetos para captar recursos usando a mesma modalidade”, afirma, descartando que a procura por essa alternativa de financiamento imobiliário tenha a ver com a crise econômica. “O que estamos assistindo é uma mudança de perfil no mercado. Aquele investidor que comprava no pré-lançamento, na planta, para revender o imóvel quando ele ficasse pronto, vai deixar de existir. Surge um novo investidor, que é o que ajuda o incorporador a empreender e a tirar um projeto do papel. A rentabilidade dele vem quando o prédio fica pronto”, completa Paulo Deitos Filho.

Edifício VN Cardoso de Mello: primeiro do Brasil a usar crowdfunding, cuja captação extrapolou o valor inicial do projeto
Edifício VN Cardoso de Mello: primeiro do Brasil a usar crowdfunding, cuja captação extrapolou o valor inicial do projeto

Para garantir credibilidade à captação de recursos, a URBE.ME, antes de entrar no projeto da construtora, adota procedimentos de segurança. Entre eles, realizar um checklist na empresa, além de estudar a viabilidade do projeto. “Realizamos um estudo para ver se o projeto será seguro para o investidor e se tem condições de captar via crowdfunding”, explica o CEO do URBE.ME.  No caso do VN Cardoso de Mello, o empreendimento atraiu 177 investidores.  “Nossa tarefa é desenvolver este modelo e permitir que ele se torne uma alternativa de investimento no mercado imobiliário brasileiro. No futuro, pode vir a ser até uma opção de financiamento para programas como o Minha Casa Minha Vida”, projeta o executivo.

Entrevistado
Administrador Paulo Deitos Filho, graduado pela Unisinos-RS e CEO da URBE.ME
Contato: contato@urbe.me

Créditos fotos: Divulgação/VitaCon

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

 


Combate ao déficit habitacional passa por tecnologia 3D

Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, desenvolve impressora que constrói estruturas para casas de dois pavimentos em 24 horas

Por: Altair Santos

Está em fase de teste, na Universidade do Sul da Califórnia (USC), uma impressora 3D gigante capaz de “imprimir” em 24 horas as estruturas de casas de até dois pavimentos, cada uma medindo aproximadamente 80 m². O equipamento foi projetado pelo professor Behrokh Khoshnevis, mestre em engenharia industrial e de sistemas, além de diretor do programa de pós-graduação de engenharia de produção da USC. O desenvolvimento da tecnologia, batizada de Contour Crafting, conta com a parceria da Caterpillar.

Impressora 3D utiliza concreto autoadensável para erguer paredes e assentar as lajes
Impressora 3D utiliza concreto autoadensável para erguer paredes e assentar as lajes

Na concepção de Khoshnevis, a impressora de estruturas de concreto para construir casas pode beneficiar, principalmente, os países com grande déficit habitacional, como o Brasil. “Usando este processo, pode-se construir uma única casa ou um condomínio, com as unidades podendo ter design diferente. A impressora incorpora o projeto e já prepara as paredes para receber instalações elétricas, hidráulicas e de ar-condicionado”, explica o professor da USC, afirmando que o sistema Contour Crafting aceita softwares como BIM e similares.

A tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos é um avanço em relação à que já está em funcionamento na China. A que opera em Xangai usa o sistema 3D apenas para “imprimir” as paredes e precisa de mão de obra para montá-las na estrutura da casa. No caso do Contour Crafting, um pórtico com braços robóticos vai “imprimindo” as paredes através de injeção de concreto autoadensável. O que depende de ação humana é a construção do radier, sobre o qual será erguida a casa. Outra característica do pórtico é que ele instala as lajes pré-fabricadas, para consolidar o segundo pavimento das casas.

Behrokh Khoshnevis: projeto inicial era levar tecnologia para a Lua e para Marte
Behrokh Khoshnevis: projeto inicial era levar tecnologia para a Lua e para Marte

De Marte para habitação de interesse social
A instalação dos telhados e a fase de acabamento das casas também dependem de mão de obra. “O objetivo da pesquisa, em 2012, era para abordar a aplicação do Contour Crafting em habitats de construção em outros planetas. O conceito era que a tecnologia viabilizasse estruturas na Lua e em Marte, antes do fim do novo século. Essa ideia não está abandonada, mas o sistema construtivo permite enfrentar o déficit habitacional. Trata-se de um método economicamente viável para a construção de habitação a preços acessíveis”, avalia Behrokh Khoshnevis.

China e Arábia Saudita são os primeiros países que negociam com a Universidade do Sul da Califórnia o emprego da tecnologia para utilizá-la na produção de casas populares em alta escala. Os dois países também se interessam em ser parceiros no desenvolvimento do sistema, para que ele permita “imprimir” estruturas de prédios de até cinco pavimentos. O objetivo é vender a tecnologia para países com altas taxas de déficit habitacional. Além de China e Arábia Saudita, incluem-se nesta lista Coreia do Sul, Índia, Turquia, Malásia, Egito, Vietnã, Argélia e Brasil.

Outra meta dos que pretendem incluir a tecnologia no mercado imobiliário é fazer com que ela se torne cada vez mais barata e adaptada à realidade dos países. Hoje, o custo para se “imprimir” a estrutura de uma casa no sistema Contour Crafting é de US$ 5.929,00 (cerca de R$ 24 mil). A intenção é simplificar o processo e fazê-lo chegar a US$ 1.000,00 (R$ 4 mil). “A esse custo, o sistema se viabilizaria para causas humanitárias, construindo habitações de interesse social em áreas frequentemente ameaçadas por desastres naturais”, justifica Behrokh Khoshnevis.

Veja vídeo da evolução da tecnologia Contour Crafting

Entrevistado
Engenheiro industrial Behrokh Khoshnevis, diretor do programa de pós-graduação de engenharia de produção da Universidade do Sul da Califórnia (USC)
Contatos
khoshnev@usc.edu
www.bkhoshnevis.com
www.contourcrafting.org

Créditos fotos: Divulgação/Contour Crafting

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Reformas reanimam vendas de materiais para construção

Indicadores da Anamaco revelam que pequenas obras devem impulsionar o comércio do setor em 2016, revertendo retração do ano passado

Por: Altair Santos

Em 2015, as 150 mil lojas associadas à Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) fecharam o ano com queda de 5,8% nas vendas. Foi o pior índice em 20 anos, e a primeira retração em 12 anos. “Nós já esperávamos encerrar o ano com queda nas vendas, mas vínhamos batendo recordes consecutivos de faturamento desde a última retração do setor, registrada em 2003. E, mesmo em 2003, vínhamos de um recorde histórico desde 1994. Já passamos por isso antes e sabemos como o nosso mercado se comporta”, explica Cláudio Conz, presidente da Anamaco.

Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco: expectativa de que as reformas reaqueçam as vendas
Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco: expectativa de que as reformas reaqueçam as vendas

O dirigente avalia que após o primeiro trimestre o setor tende a voltar a crescer. “Teremos um primeiro trimestre difícil, o que é uma característica do nosso mercado. Com o recesso de fim de ano e as férias escolares, as pessoas deixam para iniciar as reformas depois do carnaval. A partir de abril e maio, a nossa previsão é que o setor volte a crescer. Se tudo sair como esperamos, fecharemos 2016 com um crescimento de 4,5% a 6% sobre 2015”, avalia. A expectativa de Cláudio Conz é de que o consumidor adie as obras em função da crise econômica, mas não consiga prorrogá-la por muito tempo. Para isso, ele aposta nas reformas.

O presidente da Anamaco afirma que o mercado de comerciantes de materiais de construção deve se concentrar nos 65 milhões de casas e apartamentos que já estão prontos no país. Segundo o dirigente, as reformas proteladas em 2015 serão retomadas em 2016. “O tempo joga a nosso favor”, afirma Cláudio Conz, ancorando seu prognóstico no mais recente estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas da Anamaco, divulgado em dezembro de 2015. O levantamento mostrou que no último mês do ano passado 33% das lojas das regiões norte e nordeste do Brasil começaram a reagir com o aumento das vendas. No sul, foram 28%; no sudeste 22% e 18% no centro-oeste.

Venda e consultoria
Entre as categorias que a pesquisa da Anamaco abrange, a de tintas foi a que teve melhor desempenho em dezembro, com alta de 9%. Na sequência, vieram telhas de fibrocimento (2%). No entanto, metais sanitários, revestimentos cerâmicos, cimentos, louças sanitárias e fechaduras retraíram respectivamente 2%, 3%, 5%, 6% e 7%, segundo o levantamento. “As pessoas estão adiando as obras maiores, mas não conseguirão fazer isso por muito tempo porque a infiltração na parede não espera e o cano quebrado não espera. Então, uma hora esses consertos terão de ser feitos", diz Conz.

Para o presidente da Anamaco, o que as lojas estão sendo orientadas a adotar é fornecer, junto com a venda de materiais, a consultoria para o consumidor. “Reformas e construções se tornam caras pela falta de planejamento e por não ter uma orientação de um engenheiro ou de um arquiteto. Então, se a loja que vende o material der essa orientação e indicar profissionais especializados, ela estará dando um passo para fidelizar o cliente e garantir uma venda com qualidade”, entende Claudio Conz.

Entrevistado
Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção)
Contato: presidencia@anamaco.com.br

Crédito foto: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Lava Jato deve levar a rebranding de empreiteiras

Além de conduzir as grandes empreiteiras brasileiras a novos modelos de gestão, operação também exigirá que elas revisem suas marcas

Por: Altair Santos

A Operação Lava Jato tende a levar as empreiteiras brasileiras ligadas às investigações na Petrobras a novos modelos de gestão, e também à revisão de suas marcas. É o que entende o especialista em rebranding, David Ferreti. Entre as empresas envolvidas estão Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, OAS, UTC e Galvão Engenharia. Para Ferreti, no caso dessas companhias, a verdade deve ser o elemento mais poderoso dentro das ações de rebranding. Confira a entrevista:

Rebranding vai além da simples troca de um logotipo ou de uma marca
Rebranding vai além da simples troca de um logotipo ou de uma marca

Como se define rebranding? Além disso, o conceito está relacionado apenas à marca de uma empresa ou é mais amplo?
Fazer renascer empresas, produtos e serviços por meio de avançadas técnicas de rebranding, e que, por alguma razão, deixaram de acompanhar a velocidade do mercado, é o que chamamos de “efeito Phoenix”, ou seja, uma ampla e complexa união de estratégias de marketing e comunicação voltadas para a revitalização de negócios. É um trabalho que exige um vasto conhecimento mercadológico, da concepção do produto à sua fabricação, distribuição, divulgação, revenda, consumo e pós-venda. Um trabalho que extrapola os serviços tradicionais de uma agência de propaganda. Neste caso, o rebranding pode ter vários aspectos, dependendo das necessidades da empresa. Ele pode ser um projeto de renovação visual ou até mesmo de conceito e filosofia corporativa.

Quando é recomendado para uma empresa fazer rebranding?
Cito alguns casos onde o rebranding é recomendado:
1. Quando o mercado muda e a empresa começa a perder terreno.
2. Nas fusões ou aquisições, quando as marcas exigem unificação visual ou de conceito.
3. Em atualizações visuais (o que antes era a imagem ideal para a empresa não serve mais, e isso exige uma marca e um conceito que reflitam essa mudança).
4. A imagem atual limita o crescimento da empresa. Um exemplo internacional: a Starbucks Coffee deixou apenas a ilustração da sereia e a marca Starbucks em seu novo logo, sem o complemento “coffee”, que limitava a expansão em direção à comercialização de outros produtos ou serviços.
5. Quando a marca nominativa ou figurativa (logomarca), o conceito, a linha de produtos, embalagens ou a imagem corporativa não identificam mais quem é a empresa.

Normalmente, empresas que buscam fazer rebranding são as que precisam alavancar seus negócios?
Geralmente são empresas que identificam o estágio em que estão, não se satisfazem com ele e percebem que é preciso renascer para o mercado em todos os sentidos. Nesse aspecto, um projeto de rebranding é um grande investimento, com resultados que podem ser colhidos até a curto prazo.

David Ferreti: rebranding pode ir além de um projeto de renovação visual e mexer com conceitos e com a filosofia corporativa
David Ferreti: rebranding pode ir além de um projeto de renovação visual e mexer com conceitos e com a filosofia corporativa

Quem mais busca rebranding: empresas tradicionais, empresas que mudam o foco de seus negócios ou startups?
Diz o ditado que há três tipos de empresas: as que fazem as coisas acontecerem, as que observam as coisas acontecerem e as que se surpreendem com o que aconteceu. Acredito que o primeiro tipo seja o que mais deve procurar se envolver em rebranding. Para as outras, já é uma questão de vida ou morte. Mas pelo teor da pergunta, diria que as tradicionais e as que querem mudar o foco de seus negócios.

Empresas que passam por grandes impactos, e que tem suas imagens danificadas, é sugerido fazer rebranding?
É preciso levantar primeiramente o que causou o dano à imagem e estudar o seu impacto tanto interna quanto externamente. Com esse estudo em mãos é possível determinar as possibilidades de um projeto de Rebranding ser bem-sucedido.

A questão anterior foi uma entrada para perguntar se as empreiteiras envolvidas na Lava Jato tendem a fazer rebranding para criar uma nova imagem perante os clientes?
A verdade é o elemento mais poderoso de qualquer ação de propaganda. O fato de um trabalho de rebranding injetar vida nova a uma organização, seja ela de que tipo for, não significa que isso vá cobrir a verdade do mercado. É preciso atitude, responsabilidade, honestidade nos propósitos e, principalmente, ética. Se a empresa esteve envolvida na Operação Lava Jato, e aprendeu a duras penas a respeitar os limites éticos de relacionamento com o mercado, ela pode e deve passar por um trabalho de rebranding. Neste caso, não apenas para mudar sua imagem, mas toda a estrutura administrativa, repensando o futuro, suas relações e atitudes. Tudo isso, para reconquistar o respeito do mercado, de seus clientes, funcionários e fornecedores. Caso contrário, um projeto de rebranding com más intenções só serviria para enterrá-la mais depressa.

Quais setores da economia são mais flexíveis ao rebranding?
Os setores da economia voltados para produtos, serviços e bens de capital são os mais flexíveis aos projetos de rebranding. Já os que operam commodities nem tanto.

Em que posição a construção civil fica neste termômetro?
Em termos de rebranding, aqui se deve considerar as construtoras, as lojas de materiais de construção e afins. Um dos grandes trabalhos de rebranding realizados pela DFA foi exatamente para uma empresa que compõe essa cadeia construtiva: a MSA Marmoraria Santo Antonio, uma das empresas mais solicitadas por decoradores e arquitetos brasileiros. Ela queria se internacionalizar e hoje atende clientes até na Flórida, nos Estados Unidos.

A cadeia da construção é ampla. Os segmentos de lojas de materiais de construção e de construtoras são as mais abertas ao rebranding?
Depende da necessidade, do momento que uma loja está vivendo e de suas pretensões. Enfim, os projetos de rebranding podem ser aplicados independentemente do ramo de atividade. Só depende da visão do empresário. Na verdade, o rebranding tem de ser resultado da decisão e da inteligência, nunca apenas da necessidade e do acaso.

Entrevistado
Publicitário David Ferreti, diretor de planejamento e criação da agência DFA
Contato: david@dfa.com.br

Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Museu do Amanhã assenta ciência sobre o concreto

Obra icônica em área revitalizada na cidade do Rio de Janeiro transforma-se em um dos símbolos dos jogos olímpicos de 2016

Por: Altair Santos

Inaugurado dia 17 de dezembro de 2015, o Museu do Amanhã é a obra icônica de uma área revitalizada na cidade do Rio de Janeiro para os jogos olímpicos. Com seu acervo voltado para retratar a ciência, o museu está assentado sobre uma esplanada de concreto, defronte para a Baía da Guanabara. O projeto foi concebido pelo arquiteto e engenheiro espanhol Santiago Calatrava. A construção envolve estruturas de aço, concreto, alvenaria convencional e até drywall. A modelagem contou com a tecnologia BIM e, como no Brasil não existem normas técnicas específicas para o tratamento acústico de museus, o empreendimento precisou usar a norma australiana AS 2107:2000. Na obra, foram empregados 22 mil m³ de concreto armado.

Museu do Amanhã: arquitetura futurista sobre esplanada de concreto
Museu do Amanhã: arquitetura futurista sobre esplanada de concreto

Com certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), a edificação persegue conceitos de sustentabilidade até então inéditos no Brasil. A cobertura, com telhas aladas, não tem apenas função estética. Cada uma das 48 peças fabricadas em Portugal está conectada a um mecanismo que permite que elas se movimentem de acordo com o posicionamento do sol. Equipadas com 5.492 placas fotovoltaicas, as telhas de aço captam a luz solar para transformá-la em energia elétrica. Já o espelho d´agua que envolve o museu interage com o sistema de climatização do prédio. Ele capta a água da Baía da Guanabara, despolui uma parte - devolvendo-a ao mar - e armazena outra para usar na refrigeração do prédio. A economia estimada com esse processo é de 9,6 milhões de litros de água por ano.

Desafios para a engenharia
O presidente do consórcio Porto Novo, José Renato Ponte, o qual é responsável pela obra, relata alguns desafios encarados pela engenharia durante a execução do projeto: “O prédio é uma obra de arte. Portanto, exigiu soluções para problemas que apareceram durante a construção. Na fundação, por exemplo, imaginávamos usar mil estacas, mas foram necessárias 2.500 para suportar a cobertura metálica, que pesa 3.800 toneladas. Um edifício comum usa de noventa a cem quilos de aço por metro cúbico de concreto. Para construir o Museu do Amanhã utilizamos 250 quilos. Além disso, as paredes da edificação têm angulações específicas, o que nos levou a confeccionar formas especiais para a concretagem”.

Visão noturna do Museu do Amanhã: projeto do espanhol Santiago Calatrava é novo cartão postal do Rio
Visão noturna do Museu do Amanhã: projeto do espanhol Santiago Calatrava é novo cartão postal do Rio

Essas formas vieram com as tubulações para água, esgoto, ar-condicionado e eletricidade já acopladas a elas, o que permitiu executar a concretagem sem prejudicar os projetos elétricos e hidráulicos do edifício. “O museu é um bloco de concreto recoberto por estrutura metálica”, define José Renato Ponte. A construção do prédio envolveu 1.200 operários e custou R$ 215 milhões. Sua arquitetura, assim como a concepção da cobertura, foi inspirada em um tipo de bromélia, a Tillandsia cyanea, que Santiago Calatrava viu em uma de suas visitas ao Rio de Janeiro. O Museu do Amanhã, com suas exposições permanentes e itinerantes, instiga o visitante com cinco perguntas que dão sentido ao local: “De onde viemos? Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? Como queremos chegar lá?”.

Clique aqui para saber mais sobre o Museu do Amanhã.

Entrevistado
CDURP (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro) (via assessoria de imprensa)
Contato: cdurp@cdurp.com.br

Créditos fotos: Porto Maravilha/Beth Santos

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Novo prédio mais alto de Londres investe no simples

Com 309,6 metros, 1 Undershaft tem arquitetura retangular, sutil afunilamento no topo e vão térreo que se abre para um amplo espaço público

Por: Altair Santos

Nada de curvas e grandes torres, o edifício 1 Undershaft, que será o mais alto de Londres (309,6 metros), investe na simplicidade arquitetônica. A torre será uma coluna retangular, com um sutil afunilamento no topo, mas sua personalidade estará no vão térreo, que se abre para um amplo espaço público. Idealizado pelo arquiteto Eric Parry, o empreendimento faz parte da revitalização urbana que Londres vem experimentando desde os jogos olímpicos de 2012. Prédio sustentável, o 1 Undershaft terá sua construção centrada em estruturas mistas de concreto e aço, além de fachada envidraçada.

O 1 Undershaft terá sua construção centrada em estruturas mistas de concreto e aço e fachada envidraçada
O 1 Undershaft terá sua construção centrada em estruturas mistas de concreto e aço e fachada envidraçada

No projeto da edificação de 73 andares, e que será exclusivamente para abrigar escritórios, Eric Parry disse que o objetivo é “transmitir calma”. Para isso, o arquiteto idealizou uma fachada envidraçada que dará o efeito, para quem olha o edifício de seu entorno, de que ele é todo branco. A inspiração veio do Monumento a Washington – um obelisco com 170 metros de altura, construído há quase 130 anos na capital dos Estados Unidos para homenagear o primeiro presidente norte-americano (George Washington). O 1 Undershaft só não tem o topo pontiagudo por causa de restrições impostas pela aviação civil.

Outra referência para o prédio é a igreja da era medieval localizada nos arredores do terreno aonde a megaestrutura será construída: a Saint Andrew Undershaft. Daí vem o nome do edifício. A região em que a torre será erguida é conhecida pela grande concentração de escritórios e instituições financeiras. Por isso, Eric Parry projetou um amplo espaço público no vão térreo do 1 Undershaft. A praça é mais uma inspiração arquitetônica dos Estados Unidos: o Rockfeller Center, em Nova York. “O objetivo é que o espaço reúna os londrinos no happy hour”, prevê o arquiteto.

Edifício foi projetado pelo arquiteto Eric Parry e faz parte da revitalização de Londres iniciada em 2012
Edifício foi projetado pelo arquiteto Eric Parry e faz parte da revitalização de Londres iniciada em 2012

Investimento asiático

O 1 Undershaft terá investimento asiático. A Aroland Holdings, que financia arranha-céus em Cingapura e na China, também vai bancar a construção do maior edifício de Londres. A prioridade do grupo sediado em Cingapura é que os empreendimentos sigam os mais rigorosos critérios de certificações de prédios verdes. Esse procedimento surgiu depois que a Aroland Holdings foi incluída em uma lista de 2012, publicada pela revista Newsweek, como uma das menos ecológicas da Ásia. Para reverter essa imagem, a empresa passou a investir em grandes torres sustentáveis.

Entre os requisitos exigidos pela Aroland Holdings, na construção das torres financiadas pelo grupo, estão o uso de concreto com baixa emissão de CO2. À espera da licença ambiental para definir o consórcio que irá construir o 1 Undershaft, o arquiteto Eric Parry avalia que as obras devem começar no final do primeiro semestre deste ano. A expectativa é de que o empreendimento seja entregue até 2020, fechando o ciclo da mais intensa revitalização de Londres, e que fez surgir na cidade uma série de edifícios com mais de 100 metros de altura, o que inaugurou uma nova era de arranha-céus na capital da Inglaterra.

Monumento de Washington inspirou o projeto arquitetônico do 1 Undershaft
Monumento de Washington inspirou o projeto arquitetônico do 1 Undershaft

Entrevistado
Eric Parry Architects (via assessoria de imprensa)
Contato: epa@ericparryarchitects.co.uk

Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Marketing digital já define 60% das vendas de imóveis

Tecnologia altera hábito do comprador, que passa a consolidar a escolha da casa, do apartamento ou do escritório antes mesmo de contatar o corretor

Por: Altair Santos

Marketing digital e mercado imobiliário se tornaram indissociáveis. Não há mais como vender imóveis sem o uso da internet. Segundo o especialista em mídias digitais, Marlon Cézar Marchini, atualmente 60% dos compradores de casas, apartamentos e escritórios definem a aquisição antes do primeiro contato com o corretor, ou seja, através de visitas aos sites dos empreendimentos. Por isso, marketing digital tornou-se vital para as empresas - não só para imobiliárias, mas construtoras e incorporadas. “Um só dado motiva essa transformação no mercado: 40 milhões de brasileiros já utilizam a internet por 17 horas”, ressalta Marlon Cézar Marchini.

Marlon Cezar Marchini: 93% buscam portais de internet para comprar imóveis
Marlon Cezar Marchini: 93% buscam portais de internet para comprar imóveis

Como utilizar com eficácia a internet foi o tema central do seminário “Inovação para o Mercado Imobiliário”. O evento, promovido pela Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), com o apoio do Sebrae-PR, teve o objetivo de contribuir com a qualificação técnica e profissional dos proprietários, gestores e executivos das construtoras, incorporadoras e imobiliárias. “As ferramentas de mídia social e comércio eletrônico consolidam-se como parte integrante do planejamento de comunicação e marketing no ambiente empresarial”, ressalta o diretor de relações Institucionais da Ademi-PR, Marcelo Gonçalves.

Marlon Cézar Marchini mostrou o tamanho da cadeia produtiva da construção civil no Paraná, que envolve 108 mil empresas, indo desde fabricantes de artefatos de cimento até serviços de pintura de edificações. Todos esses segmentos, de acordo com o especialista, já utilizam a internet para movimentar seus negócios. “Nem que seja uma página na web com endereço e número do telefone para contato”, diz. No entanto, as ferramentas mais sofisticadas são as que circundam o mercado imobiliário, e que englobam construtoras, incorporadoras, imobiliárias e também as empresas ligadas a vendas de materiais de construção. Esse grupo abdicou radicalmente do marketing tradicional, que se concentra em materiais impressos, para adotar quase que integralmente o marketing digital.

Era digital
O motivo é que, com base em dados da economia paranaense, Marlon Cézar Marchini revelou em sua palestra que 83% dos interessados em imóveis já fazem busca via smartphones (números do Google). Além disso, os vídeos imobiliários apresentam aumento de 113% desde 2013 (números do Youtube). Outra estatística que mostra a nova tendência está no fato de que 93% dos que buscam comprar ou mudar de imóvel recorrem a portais especializados em venda de imóveis (dados do Google). “Vivemos na era digital e isso está mudando o mundo, quem dirá o mercado imobiliário”, afirma o especialista.

Sobre os dados apresentados no seminário, e que reuniu pouco mais de 100 empresários do setor do mercado imobiliário, a consultora do Sebrae-PR, Adriana Kalinowski, avalia que o potencial do mercado digital contribui para entender o comportamento do consumidor e a definir estratégias que ajudem a se aproximar do cliente. “Um contato mais personalizado, por meio desses canais, pode ser decisivo na concretização de um negócio”, finaliza.

Entrevistado
Marlon Cezar Marchini é especialista em artes visuais e em liderança transformacional. Atualmente é sócio-fundador da agência Evonline.
Contato: marlon@evonline.com.br

Crédito foto: Divulgação/Ademi-PR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Retomar crescimento passa por habitação e infraestrutura

Estudo da FGV, encomendado pela ABRAMAT, sugere que país precisa investir o equivalente a 6% do PIB em obras para sair da inércia

Por: Altair Santos

Qual o futuro da cadeia produtiva da construção civil brasileira diante do atual cenário econômico? A fim de obter resposta para essa pergunta, a ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais da Construção) encomendou um estudo para a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Mais especificamente para a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV. Ela fez uma análise conjuntural para concluir que, entre as portas de saída da crise, está a construção civil. Mas o modelo de crescimento do setor, desta vez, deve ser outro.

Ana Maria Castelo: desaceleração da construção civil começou em 2010, mas ninguém percebeu
Ana Maria Castelo: desaceleração da construção civil começou em 2010, mas ninguém percebeu

Em seu estudo, a economista detecta elementos que fizeram com que a construção civil entrasse em queda livre depois de ver seu PIB crescer 42% entre 2007 e 2013, enquanto o PIB do país crescia 22% no mesmo período. “Ignoramos alguns indícios que já se manifestavam em 2010, sinalizando que o processo não seria sustentável”, diz. Entre os indícios estão também equívocos do setor, como não ter induzido o governo a adotar regras claras e transparentes dos marcos regulatórios para atrair investimentos. Outro erro foi não ter trabalhado para obter a simplificação tributária em vez das desonerações temporárias.

O crescimento ancorado na incorporação da mão de obra farta, barata, porém desqualificada, foi outra estratégia pouco assertiva da construção civil no período de 2007 a 2014. “Isso desencadeia lições que, para um novo movimento em direção ao crescimento, devem ser aprendidas pelo setor. Entre elas, está a necessidade de melhorar processos, investir em tecnologia, produtividade e industrialização”, discorre Ana Maria Castelo, dizendo que o momento é de usar esses ensinamentos para voltar a crescer, mas desta vez de forma sustentável.

Saída é atrair investidor estrangeiro
Ainda de acordo com a economista, as obras de infraestrutura e o setor habitacional são estratégicos para a construção civil sair da inércia. Para isso, ela analisa que é hora de atrair o capital estrangeiro. “O investidor externo tem percepção de que o Brasil é atrativo. Mas é preciso garantir um ambiente de confiança para atraí-lo. Hoje, principalmente por causa da situação política, isso não existe. Mas é possível reverter. Afinal, os ativos brasileiros estão baratos e, para eles (investidores estrangeiros), seria a hora certa para comprar”, diz. Segundo o estudo da FGV, para recuperar o tempo perdido, o Brasil precisa investir anualmente o equivalente a 6% do PIB em infraestrutura. Isso em uma projeção até 2024.

Dentro do mercado habitacional, é a demanda futura quem exige que programas como o Minha Casa Minha Vida não sejam descontinuados. “Até 2024 teremos mais 16 milhões de famílias em busca da casa própria. Essa demanda estará fortemente concentrada no segmento de menor poder aquisitivo e é preciso atendê-la”, finaliza Ana Maria Castelo.

Entrevistada
Economista Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV (Fundação Getúlio Vargas)
Contato: abramat@abramat.org.br

Crédito foto: Divulgação/ABRAMAT

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Em ano olímpico, obras já começam a subir no pódio

Jogos acontecem em agosto, na cidade do Rio de Janeiro, e instalações precisam ser entregues ao COI (Comitê Olímpico Internacional) até junho

Por: Altair Santos

O ano de 2016 chegou e, com ele, vêm as olimpíadas. O evento acontece de 5 a 21 de agosto, na cidade do Rio de Janeiro-RJ, e todas as obras precisam ser entregues ao COI (Comitê Olímpico Internacional) até junho. Algumas instalações, principalmente as que estão em construção no complexo olímpico da Barra da Tijuca, devem ser concluídas até março. O cronograma mais recente, divulgado no começo de janeiro de 2016, revela que as execuções estão entre 90% e 100% concluídas.

Parque olímpico: obras dentro do cronograma e previsão de que sejam entregues em dia
Parque olímpico: obras dentro do cronograma e previsão de que sejam entregues em dia

A partir de janeiro de 2016 uma série de competições-teste estão programadas. Na opinião dos engenheiros envolvidos, vai dar tempo - ainda que as obras de mobilidade urbana da cidade corram risco de só ficar prontas após os jogos. A principal delas é a Linha 4 do Metrô, ligando a Barra da Tijuca ao bairro de Ipanema. Das escavações, 83% estão concluídas, segundo relatório divulgado em 15 de dezembro pela secretaria estadual dos transportes do estado do Rio de Janeiro.

De acordo com o secretário Carlos Roberto Osório, faltam R$ 500 milhões para concluir a obra – dinheiro que deve ser liberado pelo BNDES. Mesmo assim, o governo do Rio de Janeiro mantém a data de inauguração da Linha 4 do Metrô para 1º de julho de 2016. A expectativa dos responsáveis pela obra é que o governo federal libere a verba em atraso a partir de março deste ano.

Quanto às obras para os jogos, o cronograma está em dia, com algumas exceções. Perto de 200 dias do início da Rio 2016, as obras do parque olímpico chegaram a 95% do plano de execução. No bairro de Deodoro, onde 11 modalidades serão disputadas, a principal instalação, a Arena da Juventude, está com 75% de seu cronograma executado. Tanto as instalações de Deodoro quanto as da Barra da Tijuca receberão também os jogos paralímpicos, de 7 a 18 de setembro.

Complexo de Deodoro: Arena da Juventude é a obra mais atrasada
Complexo de Deodoro: Arena da Juventude é a obra mais atrasada

A prefeitura da cidade e o governo do estado do Rio de Janeiro estimam que o volume de concreto usado nas instalações para os jogos ultrapasse um milhão de m³. O material tem sido mais empregado nas obras de mobilidade, já que os ginásios utilizam muitas estruturas metálicas, além de elementos pré-moldados de concreto.

Para dar conta da produção do material, três centrais atendem exclusivamente os complexos esportivos e as obras de mobilidade espalhadas pela cidade. A saber: linha 4 do metrô (120 mil m³), quatro linhas de BRT (Bus Rapid Transit) (70 mil m³), 28 quilômetros de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) (23 mil m³) e recuperação e construção de 60 obras de arte (viadutos e pontes), além da abertura de três túneis e piscinões para prevenir enchentes.

As obras estão a cargo de cinco empreiteiras

Camargo Correa, através da CCR
– VLT do Porto (R$ 1,188 bilhão) e Transolímpica (R$ 1,806 bilhão).
Mendes Júnior
– Desvio do Rio Joana, para a contenção de enchentes na área do Maracanã (R$ 185,94 milhões).
OAS
– Parque de Deodoro (R$ 647,1 milhões), revitalização da região portuária (R$ 8,2 bilhões), construção de reservatórios contra enchentes (R$ 421 milhões) e limpeza das lagoas da Barra (R$ 673 milhões).
Odebrecht
– Parque Olímpico (R$ 1,678 bilhão), Vila dos Atletas (R$ 2,909 bilhões), construção do VLT do Porto (R$ 1,188 bilhão), Transolímpica (R$ 1,806 bilhão), duplicação do Elevado do Joá (R$ 459,88 milhões), saneamento da zona oeste do Rio (R$ 431 milhões), revitalização do porto (R$ 8,2 bilhões) e Linha 4 do metrô (R$ 8,890 bilhões).
Queiroz Galvão
– Parque de Deodoro (R$ 647,1 milhões), Linha 4 do Metrô (R$ 8,890 bilhões) e limpeza das Lagoas da Barra (R$ 673 milhões). (obras em conjunto com a OAS)

Olimpíadas também levam obras de infraestrutura para o Rio de Janeiro, como piscinões para combater enchentes
Olimpíadas também levam obras de infraestrutura para o Rio de Janeiro, como piscinões para combater enchentes

Entrevistados
Empresa Olímpica Rio 2016, Secretaria de Obras do Governo do Rio de Janeiro (SEOBRAS) e Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos (via assessoria de imprensa)
Contatos
imprensa@empresaolimpica.rio.rj.gov.br
imprensa@obras.rj.gov.br
pressroom@rio2016.com

Créditos fotos: Gabriel Heusi/Brasil2016.gov.br/Divulgação/Cidade Olímpica

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330