Prédio de Curitiba será quase 5 vezes maior que o Cristo Redentor

Chamado OÁS, o edifício terá 50 andares e sua fundação tem 21 metros de profundidade.
Crédito: Divulgação GT Building

Com 179 metros, o OÁS está sendo construído em Curitiba (PR) com a promessa de ser o edifício mais alto da cidade. O empreendimento está localizado no bairro Champagnat e tem previsão de conclusão em abril de 2027. Se a construção fosse finalizada hoje, estaria no top 10 dos prédios mais altos do Brasil, superando o último colocado nesse ranking, que alcança 172 metros. Outra curiosidade sobre o empreendimento é que quando a obra for concluída, o OÁS será 4,7 vezes maior que o Cristo Redentor. O empreendimento é da incorporadora GT Building e está em construção pela Thá Engenharia.

Confira detalhes do projeto e da construção do OÁS:

Fundação

Em dezembro de 2023, foi concluída uma importante etapa da construção do OÁS: a sua fundação. Para suportar a estrutura de 50 andares do arranha-céu em Curitiba, que tem um peso estimado de cerca de 70 mil toneladas, a fundação foi construída com uma profundidade de 21 metros, o que corresponde à altura de um prédio de seis andares. A fundação escolhida para a obra foi estaca de grande diâmetro com lama, embutida na rocha. “O que motivou a escolha foi principalmente pelas cargas de fundação, em que tivemos que embutir as estacas de fundação na rocha para fazer frente aos grandes esforços de solicitação da estrutura”, comenta Heron Martinelli, engenheiro e gerente do Grupo Thá. 

Essa base é composta por três elementos principais. O primeiro deles é a cortina de contenção em parede de diafragma, com mais de 200 tirantes estrategicamente posicionados para garantir eficiência na contenção do solo. Já a composição, por sua vez, conta com estacas de 35 pés (o equivalente a 10,68 metros) de profundidade, ancorando o edifício com segurança nas características geológicas específicas da região. Por fim, estão os blocos estruturais, que atingiram o total de 23.300 m³ de concreto de alto desempenho e aproximadamente 2 toneladas de aço.

Dos 50 andares do empreendimento, os últimos três se destacam como uma verdadeira área de lazer para os moradores.
Crédito: Divulgação GT Building

O grande desafio da concretagem da fundação foi o volume: 1.144 m3, divididos em 143 caminhões, utilizados no bloco. “A equipe THÁ, em conjunto com a Daher e a equipe da Concrebras, precisou estudar a forma de concretagem para atender o volume. O resultado apontou que teríamos de dividir o volume em três dias de concretagem e assim tivemos que usar três tipos de concreto para cada dia. Usamos concreto fluido com e sem retardador de pega, concreto bombeado convencional, tudo com cerca de 100 kg de gelo por m3”, revela Martinelli.

A respeito do clima, o engenheiro Sergio Davidovicz, especialista técnico de concreto da Concrebras, conta que foi um desafio o lançamento do concreto abaixo da temperatura de 20 ºC, necessária para não ultrapassar o limite de 65 °C após hidratação do cimento. “A temperatura ambiente estava em torno de 30 °C, o que dificultou alcançar esse objetivo. Houve a necessidade da adição de 100 kg/m3 de gelo em substituição à água do traço. Foram utilizadas nesta concretagem 115 toneladas de gelo em escamas. A logística de atendimento, combinada com a adição de gelo e sílica ativa também foi um grande diferencial para a concretagem, o qual utilizamos duas bombas de concreto com vazões médias de 50 m3/hora cada”, lembra Davidovicz.

Desafios da construção de prédios altos

Ao construir edifícios altos, é comum ter que lidar com desafios como o transporte vertical de pessoas e materiais. Na construção do OÁS, Martinelli conta que o OÁS vai contar com uma grua, dedicada a estrutura, além de três elevadores de alta velocidade para a subida dos outros materiais e dos trabalhadores, sendo esses três elevadores escalonados.

Leia também: Quão alto podemos construir?

O 48º pavimento possui uma piscina que percorre todo o andar, juntamente com uma sauna e um espelho d'água.
Crédito: Divulgação GT Building

Em relação à altura do empreendimento, uma série de estudos foram realizados para projetar as possibilidades de construção. Um deles é relacionado ao túnel de vento, feito por uma empresa britânica que, por meio de dados coletados por institutos de meteorologia e da posição dos edifícios vizinhos à obra, simulou um ensaio climático para deduzir o vento que atingirá o edifício e seu entorno. 

“Durante a fase de projetos foi contratado o ensaio de túnel de vento da estrutura, em que a equipe de engenheiros da THÁ e de estrutura da Kalkulo Projetos Estruturais juntamente com a Nova Fluid Mechanics, fez as análises dos esforços de vento, estabilidade, conforto de usuário e sloshing, que é o ensaio para verificar se a aceleração do prédio, quando sobre o efeito do vento, não prejudica a permanência da água em recipientes como uma piscina”, relata Martinelli. 

Além disso, Martinelli destaca que, durante a fase de concepção do projeto arquitetônico, este foi submetido ao Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA) por intermédio de uma empresa especializada. O projeto incluiu detalhes específicos, como o cone do edifício, para obter a necessária liberação para a construção da edificação.

A Concrebras também participará da estrutura do edifício OAS. “O desafio será a realização das concretagens em alturas elevadas, o que exige equipamentos de bombeamento com grande performance, com alta pressão e com características de segurança compatíveis. Quanto ao concreto, deverá permanecer plástico durante todo o processo de bombeamento, para que mantenha as condições de lançamento, adensamento e acabamento compatíveis com a qualidade exigida da obra”, comenta Davidovicz. 

Crédito: Divulgação GT Building

Projeto arquitetônico 

Entre os 50 andares do empreendimento, os últimos três se destacam como uma zona de lazer destinada aos residentes. No 48º andar, encontra-se uma piscina que é acompanhada por um projeto paisagístico, sauna e um espelho d'água. Neste mesmo andar, uma área de balanço com piso de vidro proporciona uma vista panorâmica de 360º da cidade. Os andares 49º e 50º encantam com uma área gourmet, bar de champanhe e uma luneta para a observação das estrelas. Além desses espaços, o 5º e o 25º andar também serão ambientes compartilhados, oferecendo comodidades para as atividades do dia a dia.

Sustentabilidade

O empreendimento OÁS está comprometido com a sustentabilidade, sendo anunciado como um empreendimento Carbono Zero. De acordo com Martinelli, isto significa que ele busca compensar as emissões de carbono geradas durante todas as fases da construção por meio de iniciativas de recuperação de áreas degradadas e preservação de florestas nativas. Além disso, o OÁS conta com diversas certificações de eficiência energética e bem-estar, incluindo GBC Condomínio, LEED, PBE Edifica e Fitwel. Entre suas práticas sustentáveis, destacam-se a utilização de módulos fotovoltaicos para as áreas comuns, sistema de reaproveitamento de água de chuva e utilização de água cinza nas descargas. 

Crédito: Divulgação GT Building

O OÁS também é reconhecido por ter implementado tecnologias eficientes para atender às normas do EDGE, buscando uma redução significativa no consumo de energia, água e energia embutida em materiais. “O EDGE é composto por um software gratuito e que permite a avaliação de um projeto de construção de acordo com uma linha de base adequada ao país em questão. Para atender ao requisito mínimo para certificação estabelecido pela norma EDGE, precisamos demonstrar uma redução de 20% no consumo de energia, água e energia embutida em materiais. O software permite ainda a avaliação de diferentes tecnologias de construção sustentável, levando em consideração o custo de investimento, economias no período operacional e identifica as tecnologias com melhor retorno para aquele projeto”, conclui Martinelli.

Entrevistados
Heron Martinelli é engenheiro e gerente do Grupo Thá. 
Sergio Davidovicz é engenheiro e especialista técnico em Concrebras.

Contato
Assessoria de imprensa GT Building - giulie@excom.com.br
Sergio Davidovicz - sergio@concrebras.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.


Reforma tributária será positiva para a construção civil, dizem representantes do setor

Plenário da Câmara foi palco da promulgação da reforma tributária.
Crédito: Jonas Pereira/Agência Senado

Discutida há mais de 40 anos, a reforma tributária foi aprovada pela Câmara dos Deputados no dia 15 de dezembro e promulgada pelo Congresso Nacional cinco dias depois, abrindo espaço para a mudança de todo o sistema de cobrança de impostos no Brasil.

A Emenda Constitucional 132, que instituiu a reforma, tem o objetivo de simplificar a tributação relacionada ao consumo, promovendo mais transparência e impulsionando o crescimento econômico. A partir de 2033, a ideia é que os cinco tributos cobrados atualmente (ICMS, ISS, IPI, PIS e Confins) sejam unificados e divididos entre os níveis federal (com o CBS: Contribuição sobre Bens e Serviços) e estadual/municipal (IBS: Imposto sobre Bens e Serviços). Em 2026, está previsto o início da fase de transição, com a aplicação de uma alíquota única de teste.

Em relação ao setor da construção civil, Rodrigo Navarro, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), avalia de forma otimista as mudanças propostas pela emenda. "O setor industrial brasileiro como um todo entende a reforma tributária como positiva e necessária, no tocante à simplificação, ao não aumento da carga tributária, à atenção aos regimes específicos de tributação existentes, à não cumulatividade de tributos e a um período adequado de transição."

Navarro destaca alguns itens de maior impacto da proposta, levando em conta a essencialidade do ecossistema da construção. "Como a inexistência do mecanismo atual de Substituição Tributária, o que para a indústria de materiais de construção é importante (consolidando a prática já adotada por alguns Estados hoje), a manutenção da previsão de regime específico para operações com bens imóveis (como construção e incorporação imobiliária) e a inclusão do saneamento além da concessão de rodovias dentre os segmentos se faz importante."

Durante o prazo estipulado para que as medidas entrem em vigor, as ações, segundo o representante da Abramat, terão que ser discutidas e implementadas. "Um exemplo é a equalização de tributação entre construção industrializada e tradicional. Certamente não poderemos aguardar o período de transição previsto de 10 anos para termos isso. Há muito trabalho previsto no caso das leis complementares que começam agora no primeiro trimestre, pois há preocupações importantes nessa área. Dentre elas, o grande número de exceções à alíquota de referência do IBS e CBS", afirma Navarro. 

Íria Doniak, presidente-executiva da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), também ressalta o aspecto positivo da reforma tributária em relação à industrialização do setor. "Uma das grandes discrepâncias [do modelo atual] é a incidência de impostos entre obras com diferentes sistemas construtivos, como as realizadas no próprio canteiro de obras e as industrializadas, ou modernamente chamadas 'off-site', produzidas industrialmente e montadas no canteiro de obras", explica. "Independentemente de onde incide o tributo, o impacto se reflete em toda a cadeia produtiva e impede a modernização da construção civil e o aumento da produtividade", completa Doniak.

Para a presidente-executiva da Abcic, o período de adaptação para a efetivação das novas medidas será importante, já que muitas definições ainda estão por vir. "A expectativa é que não se alongue muito o período de transição, além do previsto, o que pode implicar em aumento de custos e dificuldade de se conviver com os dois sistemas. Precisamos resolver os obstáculos e desenvolver um caminho para produtividade e inovação."

O Massa Cinzenta aproveitou para perguntar sobre outras ações promovidas pelo governo e que podem mexer de forma mais direta com o setor da construção. "Destaco o Programa Construa Brasil, iniciado pelo governo anterior e adotado pelo atual MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços], que trata de três eixos fundamentais para a construção civil no país: desburocratização, digitalização e industrialização", diz Íria Doniak.

Já Rodrigo Navarro enumera outras iniciativas importantes para a indústria, de forma geral. "Teremos a implementação do novo PAC, que contém muitas obras previstas; a continuidade da implementação do novo marco regulatório do saneamento; as ações relacionadas aos três eixos do Programa Construa Brasil (Desburocratização, Digitalização e Industrialização da Construção); a execução das moradias do Minha Casa Minha Vida; a retomada de obras paradas; o estímulo a lançamentos imobiliários, por meio de linhas de crédito diferenciadas; e ações que auxiliem emprego e renda, fundamentais para o nosso varejo."

Fontes
Câmara dos Deputados
Íria Doniak, presidente-executiva da Abcic
Presidência da República
Rodrigo Navarro, presidente da Abramat

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience

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Novo Plano Diretor de São Paulo traz avanços para habitação, mobilidade e áreas verdes

Novas revisões promovem mudanças em altura máxima de prédios.
Crédito: Envato

Durante dois anos, de 2021 a 2023, a Administração Municipal de São Paulo realizou debates com diversos segmentos da sociedade para formular a revisão intermediária do Plano Diretor Estratégico (PDE), que é uma lei municipal em vigor desde 2014 (Lei 16.050/14), para orientar o crescimento e o desenvolvimento urbano da cidade.

Sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) em julho do ano passado, a revisão (Lei 17.975/2023) traz alterações que buscam aprimorar diretrizes relacionadas a diferentes setores. Na área habitacional, por exemplo, uma das mudanças permite que empreendimentos de habitação popular (localizados na chamada Zona Especial de Interesse Social) ganhem mais espaço em regiões mais bem servidas de transporte público: agora, será possível construir 50% de imóveis a mais nestes locais em relação ao que era previsto no PDE de 2014.

Haverá, também, um rigor maior do que diz respeito ao controle das destinações de unidades populares às famílias de baixa renda. Mesmo que, posteriormente, o local seja comercializado, ele deverá continuar a atender ao perfil de família inicial, com faixa de renda similar ao declarado no licenciamento do imóvel. 

Além disso, a revisão ampliou a gama de instrumentos para o combate a imóveis ociosos na cidade, colocando à disposição chamamentos públicos para a realização de consórcio imobiliário e a desapropriação amigável, nos casos em que o valor da dívida relativa ao IPTU supere o valor do imóvel. 

Mobilidade e áreas verdes

O estímulo ao adensamento populacional é outro ponto de destaque da revisão do Plano Diretor. As novas medidas buscam reduzir os deslocamentos entre moradia e emprego ao ampliar as áreas dos chamados Eixos, localizados no entorno de transportes públicos. Nestes espaços, é permitida a construção de prédios mais altos. Antes, o Eixo nas proximidades de estações de trem e de metrô compreendia um raio de 600 metros, e, agora, passou para 700 metros. No caso de corredores de ônibus, o círculo foi ampliado de 300 para 400 metros

A nova atualização do PDE também prevê a elaboração de um Plano Municipal Hidroviário, algo que não existia na versão anterior. O projeto deverá ser realizado em conjunto com os Planos Municipais de Mobilidade Urbana, de Saneamento Ambiental Integrado, de Drenagem e de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. 

Já em relação às questões climáticas, agora, a Lei incorpora as diretrizes e os princípios que integram o Pacto Global das Nações Unidas, adotando ações necessárias para o enfrentamento das mudanças no meio ambiente. Para isso, novas áreas foram incluídas na lista de possíveis parques para a cidade, com incentivo para a criação de parques em bairros periféricos.

O marco legal do saneamento básico, aprovado em 2020, também passa a ser a base para a Política de Saneamento Ambiental de São Paulo, enquanto o mapa de Ações Prioritárias no Sistema de Drenagem, criado com a revisão, detalha quais são as infraestruturas planejadas neste setor.

Lei de Zoneamento é aprovada pela Câmara

A Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, conhecida como Lei de Zoneamento, também passou por uma revisão, aprovada em dezembro de 2023 pela Câmara Municipal de São Paulo. Complementar ao Plano Diretor, a lei tem como objetivo garantir o crescimento ordenado da capital, adequando as políticas públicas, urbanas, sociais e econômicas à realidade do município.

Um dos pontos do projeto propõe uma maior concentração de pessoas em determinados espaços. Dentro das Zonas de Centralidade, que são locais mais centrais dentro dos bairros, com grande presença de atividade empresarial, mas distantes do transporte público, os prédios poderão chegar a 60 metros - antes, o limite era de 48 metros. Já nas Zonas Mistas, locais que privilegiam construções medianas, os prédios agora podem passar de 28 para 42 metros de altura.

As regras em relação aos estacionamentos também estão presentes na revisão da Lei de Zoneamento. Hoje, qualquer apartamento pode ter espaço para estacionamento, independentemente do tamanho do imóvel. Com a nova versão, locais de até 30 metros quadrados só terão direito a uma vaga, e, no caso de residências maiores, será permitida uma vaga a cada 60 metros quadrados de área construída.

Agora, a nova Lei aguarda a sanção do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. 

Fontes
Câmara Municipal de São Paulo
Prefeitura Municipal de São Paulo

Site dedicado ao Plano Diretor de SP: https://planodiretorsp.prefeitura.sp.gov.br/

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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Pavimento de concreto ganha cada vez mais espaço em rodovias do Paraná

Governo anuncia novas obras de pavimentação em concreto.
Crédito: Gabriel Rosa/AEN

O projeto de restauração da PRC-280 com o uso de pavimento de concreto continua sendo ampliado, agora com o anúncio da aplicação da tecnologia entre os municípios de Palmas e Clevelândia, no Sudoeste do Paraná. O trecho possui 45 km, e o investimento será de R$ 188 milhões.

A iniciativa faz parte de um programa mais amplo que prevê a revitalização completa da rodovia, que possui 45 anos e é a principal ligação entre as regiões Oeste, Sudoeste, a capital e o litoral do Estado, onde está localizado o Porto de Paranaguá

Durante o evento de divulgação deste novo trecho, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, também confirmou a pavimentação em concreto até Pato Branco, que irá contemplar mais 37 km. A previsão é de que a conclusão dessas obras dure até 15 meses, após a conclusão da licitação.

Ao todo, 142 km da PRC-280 serão aprimoradas com a utilização de pavimentação de concreto - 60 km de restauração já foram concluídos, entre Palmas e Trevo Novo Horizonte, no acesso à BR-153.

“O primeiro trecho que inauguramos já trouxe mais segurança aos caminhoneiros e aos demais motoristas que trafegam pela rodovia, reduzindo drasticamente os acidentes”, disse Ratinho Júnior. O governador também falou sobre a importância das mudanças e como isso pode influenciar outros Estados. "Depois de concluída, a nova PRC-280 vai se transformar em um dos mais modernos corredores logísticos do Brasil. Isso tem despertado, inclusive, a visita de técnicos de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo ao Paraná para conhecer o modelo construtivo.”

Alex Maschio, diretor do Instituto Ruas (Curitiba), Mestre em Planejamento Urbano, Especialista em Gestão Pública e especialista no Brasil em pavimentação em concreto, destaca o investimento do Estado neste tipo de pavimento. "O Paraná talvez seja hoje o Estado que mais investe na solução em pavimento de concreto, a partir da percepção do governador, com essa obra da PRC-280, do retorno de investimento", diz. "Com aquele primeiro trecho de 60 km, entre o entroncamento da 153 até Palmas, ele percebeu que conseguia, com economia de recursos, possibilitar uma obra de mais qualidade e uma melhor entrega para a população. E a partir disso ele definiu não só que a maioria dos projetos, todos aqueles possíveis, sejam realizados em concreto, como também estendeu isso para outras obras urbanas."

O especialista ressalta que o Distrito Federal e alguns Estados do Nordeste também estão investindo e realizando uma quantidade significativa de obras com pavimento de concreto. "O diferencial é que as obras que estão acontecendo pelo Brasil, em sua maioria, são realizadas pelo DNIT [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, vinculado ao Ministério dos Transportes]. Porém, no Paraná, as obras são do Estado, do DER [Departamento de Estradas de Rodagem] do Paraná."

Em relação à experiência dos motoristas, Alex Maschio explica que o usuário comum, de imediato, vai perceber a tonalidade do pavimento, que fica mais clara, e conseguir ter uma sensibilidade em relação à segurança noturna, por exemplo, mas que ele talvez não tenha ideia dos benefícios que o pavimento de concreto irá trazer a longo prazo. "Que não vai ser necessário ficar fazendo manutenção nas mesmas vias ao longo dos anos, que o pavimento de concreto é muito mais eficiente do ponto de vista da sustentabilidade, em relação a outras soluções de pavimento, que ele absorve menos calor", explica.

"Então, para o usuário final, sem dúvida nenhuma, só tem benefícios a longo prazo. E com certeza essa solução só tem a multiplicar no Estado do Paraná e no Brasil todo, tanto nas obras rodoviárias quanto nas obras urbanas também, que é um trabalho que a gente tem feito bastante no interior dos Estados e nas cidades menores."

Fontes
Alex Maschio, diretor do Instituto Ruas (Curitiba)
Governo do Estado do Paraná

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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Robô-escavadeira constrói muro sozinho e promete ser o futuro da construção

Máquina constrói muro de maneira autônoma.
Crédito: ETH Zurich

Pesquisadores da ETH Zurich (Laboratório de Sistemas Robóticos da Suíça), desenvolveram um robô-escavadeira capaz de realizar tarefas pesadas do setor da construção e, mais para frente, poderá construir prédios inteiros sozinho. 

No primeiro experimento, divulgado em novembro do ano passado, o equipamento autônomo conseguiu construir uma parede com 6 metros de altura e 65 metros de comprimento, com a utilização de pedras que pesavam várias toneladas e também de concreto reciclado - isso tudo sem qualquer interferência humana. 

Chamado de HEAP (Hydraulic Excavator for an Autonomous Purpose), o robô é capaz de desenhar de forma autônoma um mapa em 3D do canteiro de obras e identificar o material recebido através de sensores, chamados LiDAR (Light Detection and Ranging). Assim, o equipamento também consegue escanear e identificar o peso de cada material e seu centro de gravidade, para então, a partir de um algoritmo, determinar qual a posição ideal para cada uma delas - é possível colocar de 20 a 30 pedras de uma só vez, encaixando-as com precisão de centímetros.

O muro experimental foi construído em um parque industrial localizado próximo ao Aeroporto de Zurique, local administrado pela construtora Eberhard. A empresa está utilizando o local para testar diversas tecnologias da ETH Zurich e demonstrar outras possibilidades que possam agilizar o setor da construção e evitar desperdícios de tempo, além dos materiais utilizados. 

O sistema de base da escavadeira foi projetado para ser facilmente manobrado e composto por estabilizadores. Permite também rotação e guinadas totais, tanto na base do equipamento quanto para a extremidade do braço. Os 23 eixos presentes são controláveis individualmente e permitem a manipulação de objetos com peso de até 3.000 kg, com alcance vertical de até 9 metros.  

A máquina futurista foi criada a partir da modificação da escavadeira Menzi Muck Series M545, com o intuito de testar o potencial de máquinas autônomas em atividades da construção civil. Por seu grau de precisão, o robô também permite que nas construções de paredes, por exemplo, sejam usados pedras e entulhos de origem local, em vez de materiais novos, como tijolos.

Além da ETH Zurich, outras empresas pelo mundo também estão investindo em robôs-escavadeira, como é o caso da empresa Built Robotics, com sede na Califórnia, nos Estados Unidos. Criada exatamente para o desenvolvimento destes equipamentos para a construção civil, a companhia já anunciou, por exemplo, uma opção de robô autônomo para a criação de parques solares em grande escala. 

Vídeo do processo do robô-escavador:

https://www.youtube.com/watch?v=P7wmotyKgXc

Fonte
ETH Zurich

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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Projeto realiza capacitação digital de profissionais da construção

Projeto Click já beneficiou mais de 130 colaboradores.
Crédito: Instituto A.Yoshii

Uma das grandes questões do setor da construção civil é a falta de mão de obra, além da qualificação destes profissionais. Com a necessidade cada vez mais latente da modernização do canteiro de obras, um dos grandes desafios é integrá-los ao uso de tecnologias. Para promover a inclusão digital dos colaboradores do canteiro de obras, o departamento de Recursos Humanos da Grupo A.Yoshii, em colaboração com o Instituto A.Yoshii e em parceria com o Senai Londrina, desenvolveu o Projeto Click.

O programa acontece regularmente, duas vezes por semana ao longo de todo o ano, oferecendo cursos introdutórios de informática, workshops e facilitando o acesso à internet para os participantes.

“O Projeto ‘Click - Inserção Digital’ teve início em 2010 com o objetivo de promover o acesso dos colaboradores do Grupo A.Yoshii ao universo digital, por meio de aulas de informática básica”, pontua Aparecido Siqueira, presidente do Instituto A.Yoshii.

Crédito: Assessoria de imprensa

De acordo com Siqueira, em 2024 os alunos darão início ao módulo II do curso, com aulas até o mês de abril. O projeto é divulgado nos canteiros de obras para todas as lideranças (mestres, contramestres, encarregados, almoxarifes e administrativos) e aqueles que tiverem interesse devem se inscrever conforme a disponibilidade de novas turmas.

“A expectativa é dar continuidade ao projeto no próximo ano, com uma nova turma em Londrina. A expansão dessa iniciativa para as outras praças onde o Grupo A.Yoshii atua - Maringá, Curitiba e Campinas - está em avaliação”, destaca Siqueira.

Resultados

Até o momento, o Projeto Click já beneficiou mais de 130 colaboradores, segundo Siqueira. Mas os resultados vão além de números. 

Crédito: Assessoria de imprensa

“Adquirir conhecimentos básicos em informática é fundamental para a inclusão e o desenvolvimento pessoal e profissional de cada indivíduo. Com as aulas do ‘Projeto Click’, os colaboradores relatam avanços no trabalho diário, como na questão da digitação, no manuseio dos notebooks e em outras ferramentas digitais de trabalho, no acesso às planilhas de Excel e às ferramentas de pesquisa na internet, além de

envio de e-mails”, relata Siqueira. 

O mestre de obras Emerson Aparecido de Jesus é responsável por coordenar todos os serviços no canteiro e se interessou pelo projeto porque nunca teve a chance de fazer um curso de informática. “Quero muito aprender para estar atualizado, poder responder e-mails de trabalho, montar planilhas, fazer pesquisas e buscar arquivos. Oportunidades como essa mostram que a empresa valoriza as pessoas, não apenas o trabalho. Para mim, todo esse aprendizado é mais um degrau rumo ao meu desenvolvimento pessoal e profissional”, comenta. 

Crédito: Assessoria de imprensa

Da mesma forma, o mestre hidráulico Mauro Caetano sempre teve vontade de aprender, mas nunca encontrava o momento certo. “Como hoje em dia tudo está ligado ao meio digital, eu não poderia ficar para trás. Ainda estou me familiarizando com as teclas, mas já estou ganhando mais confiança com as aulas e muito motivado com esse novo aprendizado, pois, no dia a dia, tenho que me comunicar a todo momento com os mestres de obras e engenheiros para discutir os projetos, além de trabalhar com planilhas. Encaro essas aulas como uma grande oportunidade para me desenvolver profissionalmente e na vida pessoal também. É um conhecimento essencial”, afirma. 

Entrevistados
Aparecido Siqueira é presidente do Instituto A.Yoshii.
Emerson Aparecido de Jesus é mestre de obras.
Mauro Caetano é mestre hidráulico.

Contato
Assessoria de imprensa Instituto A.Yoshii  - analuiza@centralpress.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

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Como a academia e as empresas podem trabalhar juntas pela inovação?

Para ser interessante para empresas e universidades, os projetos devem ser competitivos, atendendo às demandas do mercado brasileiro.
Crédito: Envato

A inovação é fundamental para a evolução do setor da construção civil. Durante o 8º Congresso Brasileiro do Cimento, Vahan Agopyan, secretário de Ciência e Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, ressaltou: “não tem jeito de nos mantermos competitivos como uma indústria se não investirmos pesadamente em inovação”. Dentro deste contexto, como promover uma integração entre o Estado, as universidades e as empresas para incentivar o desenvolvimento de novas técnicas e produtos?

Na opinião de Agopyan, o Brasil enfrenta alguns problemas com relação a este tópico, mas vem evoluindo muito. “Talvez as pessoas não saibam, mas as principais universidades paulistas recebem suporte das empresas equivalentes às principais universidades do mundo. Do orçamento da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 6 a 7% vem das empresas. Similar ao que acontece com o MIT, por exemplo”, afirma.

Neste sentido, Agopyan vê o papel do Estado como um articulador das parcerias. “Buscamos fortalecer a articulação, ampliar a compreensão e promover o desenvolvimento de ambientes inovadores em nosso Estado. A parte científica conta com apoio consistente, como demonstrado recentemente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que, há três meses, destinou quase meio bilhão de reais para laboratórios multiusuários”, esclarece Agopyan.

 As universidades e as empresas estão preparadas para o desafio?

Para Agopyan, a academia brasileira passou por transformações significativas durante as últimas cinco décadas em que esteve envolvido. “Havia, em um passado recente, certo receio de colaboração. As empresas viam a universidade como excessivamente burocrática, enquanto as universidades suspeitavam do desejo das empresas de controle. Felizmente, isso já mudou. Essa mentalidade é agora parte de um passado superado”, defende.

Por outro lado, Agopyan aponta que é preciso aprimorar os canais de comunicação nas empresas. “É notável que ter um representante dedicado à área de pesquisa e desenvolvimento pode facilitar esse contato. Além disso, acredito que as empresas devem cultivar pequenos grupos de pesquisa e desenvolvimento, pois nem todas as questões precisam ser resolvidas por meio da universidade ou do instituto de pesquisa. Existem desafios pontuais que podem ser enfrentados internamente. Ter um pequeno grupo de P&D pode aprimorar significativamente a implementação de inovação dentro das empresas. Atualmente, esse tipo de grupo não demanda necessariamente grandes investimentos, já que os laboratórios das instituições de pesquisa estão disponíveis para a indústria.”, justifica.

Hub de Inovação na Construção Civil (hubIC): Estratégias e Desafios

Durante o 8º Congresso Brasileiro do Cimento, Carlos Massucato, Membro do Comitê Gestor do hubIC, falou sobre esta iniciativa, um convênio de cooperação técnica entre a USP e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). O objetivo é desenvolver e criar “ambientes cooperativos de inovação especializados na promoção de soluções inovadoras de construção digital, em particular para a cadeia de valor do cimento, que sejam competitivas para países em desenvolvimento e que apresentem baixa pegada ambiental, alta produtividade e qualidade e difundam soluções bem como ações que preparem o setor e a sociedade para a transição para uma economia digital e circular”, segundo informa a entidade.

De acordo com Massucato, o hubIC funciona, pois apresenta uma proposta bastante clara sobre como conduzir essa transformação no setor. As premissas seguidas pelos projetos desenvolvidos pela entidade são:

  • Competitividade, atendendo às demandas do mercado brasileiro;
  • Necessita aumentar a produtividade;
  • Priorizar a rentabilidade;
  • Compromisso com performance e qualidade em todo o processo envolvido.

Um dos pontos chaves para chegar a soluções é ouvir os concorrentes. “Nós unimos um pool de empresas e começamos a compreender suas dores. Não há desafio que seja enfrentado apenas pelo CEO da empresa; ao invés disso, há uma estruturação desse processo para quem realmente enfrenta e busca solucionar essas questões. No hubIC, não abrimos mão do termo ‘pré-competitivo’ e investimos esforços diários nesse aspecto. É simples trazer inovação para um ambiente controlado com seus próprios profissionais, mas é fundamental também dialogar com seus concorrentes. Essa é a grande estratégia do hubIC. É relevante porque muitas questões e desafios são comuns entre os competidores. Por vezes, sentimos receio de admitir que nossos problemas são semelhantes aos dos outros concorrentes. No entanto, ao reunir esses problemas em uma mesma mesa, torna-se muito mais fácil encontrar soluções e reduzir custos”, explica Massucato.

Fontes
Vahan Agopyan é secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. Engenheiro Civil pela EPUSP - Escola Politécnica da USP (1974), Mestre em Engenharia Urbana e de Construções Civis pela mesma instituição (1978) e PhD (Civil Engineering) pela University of London King’s College (1982). Docente da EPUSP desde 1975, sendo professor titular de Materiais e Componentes de Construção Civil da EPUSP e Reitor da Universidade de São Paulo, na gestão 2018-2022. Fundador e atual conselheiro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), participou de diversos conselhos como o do Instituto de Engenharia (IE), Instituto Mauá de Engenharia (IMT), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e Conselho Superior de Estudos Avançados da FIESP. Foi Diretor da Escola Politécnica da USP, Pró-Reitor de Pós-Graduação da USP, Diretor-Presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e Coordenador de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo. Foi conselheiro e vice-presidente do International Council for Research and Innovation in Building and Construction (CIB), conselheiro da FAPESP, do IPT, da CAPES e do Centro Paula Souza. Orientou 22 Teses de Doutorado, 23 Dissertações de Mestrado e 7 alunos de Iniciação Científica. Tem experiência na área de Construção Civil, com ênfase em Materiais e Componentes, atuando principalmente com materiais reforçados com fibras. Mais recentemente, dedica-se aos estudos da qualidade e sustentabilidade da Construção Civil. Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, Eminente Engenheiro do Ano.

Carlos Massucato é mestre em Engenharia Civil pela Universidade Estadual De Campinas (Unicamp). É diretor do Instituto Brasileiro do Concreto e Coordenador do CT 101 – Comitê Técnico IBRACON/ ABECE/ABCIC de Sustentabilidade do Concreto. Membro do Comitê Gestor do hubIC, parceria entre Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli USP) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Consultor Técnico da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração – CBMM, líder mundial na produção e da tecnologia do Nióbio.

Contatos
Carlos Massucato: Carlos.massucato@massucato.com
Vahan Agopyan: vahan.agopyan@poli.usp.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.


Agenda: veja os principais eventos da construção civil em 2024

De Nova Délhi a Fortaleza, eventos da construção civil trazem debates sobre métodos construtivos, sustentabilidade e tendências, além de promover networking.
Crédito: Concrete Show

Para qualquer profissional, é fundamental estar sempre atualizado e de olho nas tendências e tecnologias que vão surgindo. E no setor de construção civil, isso se intensifica ainda mais já que todo ano aparecem novas técnicas construtivas e materiais diferenciados. Para quem quer acompanhar de pertinho todas estas inovações do mercado, vale a pena ficar de olho no calendário de eventos do setor e já se programar para visitar as principais feiras

O Massa Cinzenta fez uma seleção dos principais eventos de construção civil, concreto e cimento ao longo do ano. Confira abaixo!

JANEIRO

World of Concrete

Data: De 23 a 25 de janeiro de 2024

Local: Las Vegas Convention Center – Las Vegas, Estados Unidos

Site para inscrição: https://www.worldofconcrete.com/en/home.html

Valor para participar: a partir de US$ 90

Com 50 anos de serviço às indústrias globais de construção de concreto e alvenaria, o World of Concrete é um evento pioneiro. O objetivo é oferecer conexões, conhecimento e oportunidades para impulsionar o crescimento, os negócios e decisões mais informadas nesta indústria. É o principal evento anual para profissionais em concreto e alvenaria, oferecendo soluções inovadoras, competições e um programa educacional abrangente. O WOC360, em colaboração com a World of Concrete, fornece recursos e educação essenciais para o sucesso empresarial, cobrindo temas como segurança, tecnologia e estratégias comerciais.

ABRIL

Feicon Batimat - Salão Internacional da Construção

Data: De 02 a 05 de abril de 2024

Local: São Paulo Expo - São Paulo (SP), Brasil

Site para inscrição: https://www.feicon.com.br/pt-br/Visitar/Credenciamento.html

A FEICON se destaca como uma das feiras mais abrangentes no ramo da construção civil e arquitetura na América Latina, fornecendo oportunidades para todos os elos da indústria. Ao reunir os principais participantes e uma ampla variedade de produtos em acabamentos, estruturas, instalações e áreas externas, a FEICON não só dá o tom das tendências, mas também apresenta tecnologias e produtos inovadores. Além disso, oferece uma programação diversificada e atrações destinadas a varejistas, distribuidores, engenheiros, construtores, arquitetos e outros profissionais do mercado da construção civil.

M&T Expo - Part of bauma network

Data: De 23 a 26 de abril de 2024

Local: São Paulo Expo - São Paulo (SP), Brasil

Site para inscrição: https://www.mtexpo.com.br/ 

Valores para inscrição: gratuito

A M&T Expo é um evento líder na América Latina para os setores de Construção e Mineração desde 1995. Funciona como um ponto de encontro para fabricantes, usuários e fornecedores, impulsionando o desenvolvimento dessas áreas através de negociações, compartilhamento de conhecimento e networking durante todo o ano. A feira costuma ser um palco para lançamentos e inovações das principais indústrias de máquinas e equipamentos.

Em 2024, o evento se torna ainda mais relevante diante das novas concessões previstas para o transporte terrestre em 2024 e aos investimentos do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). A M&T Expo contará com uma série de atividades, incluindo a Arena de Demonstração para visualização de equipamentos em operação, bem como o Congresso Nacional de Valorização do Rental. Além disso, a M&T Expo terá iniciativas voltadas para sustentabilidade e qualificação da mão de obra, como o Prêmio Mais Sustentável, focado em reconhecer práticas responsáveis, e o M&T Expo Capacita, que visa treinar operadores e supervisores. Outras atrações incluem cursos gratuitos de treinamento de operadores e o Museu de Máquinas do Brasil, uma exposição de equipamentos antigos.

MAIO

XX International Conference on Building Pathology and Constructions Repair - Cinpar 2024

Data: De 29 a 31 de maio de 2024

Local: Centro de eventos do Ceará - Fortaleza (CE), Brasil

Site para inscrição: https://sites.google.com/view/cinpar-2023/home 

Valor para participar: a partir de R$ 350 até R$ 550

A compreensão dos aspectos-chave na patologia e reabilitação estrutural é essencial para profissionais nessa área, incluindo expertise em materiais como pedra, madeira, aço e concreto, além do conhecimento em testes e comportamento estrutural. O campo tem experimentado um notável crescimento devido à conscientização no setor da construção e à inovação em materiais e técnicas, refletido pelo aumento dos investimentos. O CINPAR evoluiu de focar em danos para abordar temas avançados como materiais de ponta e mudanças climáticas, consolidando sua posição como líder na área. O evento de 2024 oferece uma oportunidade ímpar para expansão de conhecimento e networking, mantendo sua reputação internacional como um dos principais encontros na área.

JULHO

CBPAT 2024 - 6a. Edição do Congresso Brasileiro de Patologia das Construções

Data: De 17 a 20 de julho de 2024

Local: Unichristus – Campus Dom Luís - Fortaleza (CE), Brasil

Site para inscrição: https://www.cbpat.org.br/ 

Valor para participar: a partir de R$ 305 até R$ 600

Este evento é um fórum de discussões que aborda o controle de qualidade, patologia e reabilitação de estruturas e sistemas construtivos, aplicáveis tanto em edificações tradicionais como em projetos de infraestrutura. Seu principal objetivo é promover a divulgação de pesquisas científicas e tecnológicas relacionadas a esses temas vitais e áreas afins. O congresso visa promover a integração dos profissionais atuantes na construção civil, visando aprimorar o desenvolvimento profissional no setor. O congresso também possibilita aos participantes submeter artigos científicos a respeito de temas como mecanismos de deterioração, ensaios não destrutivos, técnicas e materiais de reparo e recuperação, fundações, levantamento de manifestação patológica, educação e ensino sobre a patologia das construções, entre outros.

AGOSTO

Concrete Show

Data: De 06 a 08 de agosto de 2024

Local: São Paulo Expo - São Paulo (SP), Brasil

Site para inscrição: https://www.concreteshow.com.br/pt/home.html 

Há 15 anos o Concrete Show vem fomentando o mercado, ao combinar exposição, experiências, debates, networking e conteúdo técnico e qualificado, gerando grandes oportunidades de negócios. Para 2024, a organização prevê um evento ainda mais expressivo devido ao número significativo de empresas que estão renovando sua participação da edição atual e à crescente demanda de outras empresas interessadas em ingressar na próxima edição. De acordo com os organizadores, mais de 40% das empresas que expuseram em 2023 já confirmaram presença no Concrete Show de 2024. Além da presença de vários expositores do setor de construção civil e ligados à área de concreto, o evento conta com uma série de painéis e palestras com muito conteúdo sobre tendências, novidades, tecnologias e técnicas. Na Arena 120 Ideias, por exemplo, ocorrem apresentações de 30 minutos gratuitas para os profissionais do segmento, dos temas mais atuais e relevantes do setor. Voltado para profissionais da cadeia construtiva. Já no Congresso ‘Construindo Conhecimento’, é possível ter acesso a conteúdo de qualidade, palestras exclusivas, convidados internacionais e troca de experiências. 

Durante o Concrete Show, acontece também o Seminário de Estruturas Pré-fabricadas de Concreto, evento técnico sobre o setor de pré-fabricados de concreto com o tema “A Industrialização da Construção em concreto: Soluções sustentáveis para as edificações”. Este seminário é focado em empresários e profissionais que atuam no setor, clientes, fornecedores, professores universitários e estudantes de engenharia, arquitetura e tecnologia da construção.

SETEMBRO

10th International Conference on concrete under severe conditions - Environment & Loading - CONSEC 2024

Data: De 25 a 27 de setembro de 2024

Local: Chennai, Índia 

Site para inscrição: https://consec24.com/ 

Valor para participar: a partir de USD 250 até USD 900

As conferências CONSEC têm como foco os avanços nas áreas relacionadas a projeto, construção, teste e preservação de diversos materiais e sistemas de construção expostos a condições ambientais e de carga severas. Com edições realizadas em países como China, Itália e Brasil, o evento agora será realizado no Instituto Indiano de Tecnologia Madras. A CONSEC24 fornecerá uma plataforma única para troca de ideias de maneira focada e holística para o projeto, construção e conservação de estruturas de concreto armado expostas a condições severas. A organização do evento também prevê alguns workshops pré e pós-conferência sobre tópicos relacionados.

Annual Meeting & International Symposium on Dams for People, Water - Environment and Development (ICOLD 2024)

Data: De 29 de setembro a 03 de outubro de 2024

Local: Nova Délhi, Índia 

Site para inscrição: https://www.icold2024.org/#/home 

Valor para participar: a partir de USD 500 até USD 1700

O tema do Simpósio Internacional da ICOLD 2024 será "Barragens para Pessoas, Água, Meio Ambiente e Desenvolvimento", enfatizando o papel crucial das barragens no desenvolvimento sustentável e na proteção ambiental. O evento contará com uma ampla gama de sessões técnicas, palestras e discussões em painéis, proporcionando uma excelente plataforma para os participantes compartilharem experiências, insights e melhores práticas, ao mesmo tempo que promovem a aprendizagem mútua. Além do programa técnico, haverá amplas oportunidades de networking e socialização, incluindo eventos culturais, tours técnicos e atividades sociais, permitindo que você se envolva na cultura da Índia. 

Inclusive, o país conta com um impressionante histórico de mais de 6.300 barragens, com aproximadamente 411 barragens atualmente em construção. O país se destaca como líder global no desenvolvimento de infraestrutura hídrica vital, liderando projetos significativos como Bhakra, Koldam, Barragem de Tehri, Barragem de Bichom e projetos Inferior do Subansiri, além dos Projetos de Melhoria e Reabilitação de Barragens apoiados pelo Banco Mundial. Esses empreendimentos modernos de infraestrutura hídrica, apoiados pelo INCOLD, têm contribuído significativamente para o crescimento sustentável da agricultura, abastecimento de água e setores de energia da Índia, atendendo efetivamente às demandas crescentes de uma nação dinâmica.

OUTUBRO

Modern Construction Show

Data: De 01 a 04 de outubro de 2024

Local: Distrito Anhembi – São Paulo (SP), Brasil

O Modern Construction Show tem foco exclusivo na industrialização do setor da Construção e nas tecnologias relacionadas. A exposição abrange inovações e avanços tecnológicos, proporcionando espaços propícios para networking, mobilizando anualmente todo o setor da construção industrializada. Além disso, palestras e workshops ministrados por especialistas globais oferecem uma visão exclusiva das principais tendências, pesquisas e insights dessa área, orientando e impulsionando o planejamento estratégico de todas as empresas e profissionais participantes. Durante o evento, também será realizado o Seminário de Estruturas Pré-fabricadas de Concreto.

65º Congresso Brasileiro do Concreto

Data: De 22 a 25 de outubro de 2024

Local: Alagoas, Maceió 

Site para inscrição: https://site.ibracon.org.br/event/65cbc2024/

Promovido pelo Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), o Congresso Brasileiro do Concreto oferece a oportunidade aos participantes de ter acesso a palestras de especialistas renomados, seminários e apresentações técnico-científicas. Eles poderão visitar stands de fornecedores de equipamentos e serviços relacionados ao concreto. O evento oferece uma excelente chance para ampliar conhecimentos, networking e troca de experiências essenciais para profissionais e pesquisadores da área. Há também iniciativas para incentivar a participação de jovens estudantes e engenheiros, incluindo descontos na inscrição e concursos cujos vencedores serão premiados durante o evento.

NOVEMBRO

fib Symposium ReConStruct - Resilient Concrete Structures

Data: De 11 a 13 de novembro de 2024

Local: Christchurch - Nova Zelândia

Site para inscrição: https://confer.co.nz/fib2024/

Valor para participar: a partir de $NZD 545 (membros jovens)

Entre 2010 e 2011, a cidade de Christchurch passou por um terremoto devastador, que arrasou com o centro e centenas de prédios foram demolidos. Depois disso, a cidade reestabeleceu suas funções rapidamente e promoveu uma grande reconstrução, implantando técnicas resilientes a abalos sísmicos, além de tecnologias inovadoras. Por conta disso, o evento ganhou o nome de “Resilient Concrete Structures”, ou em português, “Estruturas de Concreto Resilientes”.  Além disso, o evento também trará discussões a respeito da redução de emissões de carbono, já que a Nova Zelândia tem a meta de atingir o Net Zero até 2050 e vem trabalhando no seu Roadmap.  

Fontes

FEICON
M&T Expo
CINPAR
CBPAT 2024
Concrete Show
ICOLD 2024
CONSEC 2024
Ibracon
ib Symposium 2024
World of Concrete

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.


Quão alto podemos construir?

Com 828 metros e 163 andares, Burj Khalifa é o edifício mais alto do mundo atualmente.
Crédito: Burj Khalifa

Atualmente, o Burj Khalifa é considerado o mais alto arranha-céu do mundo, com 828 metros e 163 andares. Na Arábia Saudita, a Torre de Jeddah começou a ser construída com a promessa de superar os mil metros de altura. Sua construção ficou paralisada durante cinco anos e foi retomada em 2023. Outro edifício que também foi criado com o intuito de superar o Burj Khalifa foi o Dubai Creek Tower – só que assim como a Torre de Jeddah, teve suas obras paradas e a previsão é de que sejam retomadas em 2024. 

Aqui no Brasil, os números são mais modestos – o edifício mais alto fica em Balneário Camboriú (SC), o One Tower, e conta com 290 metros de altura e 84 pavimentos. 

Com tantos arranha-céus surgindo pelo mundo, a pergunta que fica é: o quão alto é possível construir? No entanto, a resposta para isso não é tão simples e depende de vários fatores. E, além disso, há que levar em consideração que, conforme as tecnologias evoluem, é possível aumentar a altura dos prédios. “Em 1890, um prédio com 10 pavimentos foi considerado o primeiro arranha-céu”, lembra Luiz Roberto Prudêncio Junior, professor e doutor em Engenharia Civil, além de sócio proprietário da PWD – Consultoria em Concretos.

Tipos de base

Um dos principais fatores que vai influenciar no tamanho do prédio é a largura de sua base. De acordo com Prudêncio, existem basicamente duas linhas de edifícios altos sendo construídas no mundo. A primeira segue o padrão China/Dubai, que normalmente são edifícios que têm uma grande base. “A planta baixa do térreo destes prédios ocupa uma quadra inteira ou até mais. Isso faz com que as cargas do edifício se distribuam por uma área bem maior. Então, é possível fazer prédios altos, mas a resistência que eu vou precisar na estrutura embaixo, do concreto, não é absurda”, explica Prudêncio. 

Outra linha é dos prédios presentes nos Estados Unidos, principalmente em Chicago e Nova York. Eles são parecidos com os prédios que temos aqui na região de Balneário Camboriú. “São terrenos pequenos, ou seja, a planta baixa dele é pequena em relação à altura. Então a esbeltez desse prédio é muito elevada. Isso vai causar dois problemas: o primeiro deles é o excesso de carga nas fundações e nos primeiros pavimentos. Então, será necessário um concreto com fck (resistência característica à compressão) de 100 MPa ou até mais para conseguir fazer um edifício”, pontua Prudêncio. 

Principais desafios na construção de arranha-céus

Projeto da Jeddah Tower prevê edifício com mais de mil metros de altura; obra foi paralisada e retomada.
Crédito: Jeddah Economic Company

Construir edifícios altos envolve uma série de desafios:

Estrutura e resistência

De acordo com Prudêncio, o primeiro grande desafio da altura é essa relação de resistência no concreto para os pavimentos inferiores. “Tem um limite – até quanto pode chegar um concreto? Existem estudos em laboratório e em algumas obras, em que se fala em 150 MPa ou até mais, mas isso em laboratório. Na hora de fazer um concreto, já começa a ficar muito difícil atingir esta resistência quando ele é produzido em central dosadora. Uma coisa é fazer isso em um laboratório, onde tudo é muito preciso. Outra é em uma central, onde existe uma variação natural dos materiais componentes – da brita, da areia, do cimento, etc. Haverá uma variabilidade muito alta que vai dificultar a obtenção de resistência muito elevada”, comenta Prudêncio. 

Em Balneário Camboriú, por exemplo, Prudêncio conta que os edifícios que possuem maior demanda por resistência estão solicitando 70 MPa

Bombeabilidade

Outro grande desafio ao trabalhar com concretos de alta resistência é o fato de que eles precisam ser produzidos com uma quantidade de cimento muito elevada e baixa quantidade de água. “Isso faz com que o concreto tenha uma viscosidade muito alta. Isso atrapalha bastante a bombeabilidade desse material. Não é como um concreto comum de 40-50 MPa. Ele fica tão pesado e viscoso que se torna difícil bombear em grandes alturas”, define Prudêncio. 

Módulo de elasticidade

Uma terceira dificuldade ao construir prédios altos é a questão do módulo de elasticidade desses concretos. “Em edifícios altos, como estes de Balneário em que o índice de esbeltez é muito elevado, o esforço lateral do vento impõe deformações grandes. Para combatê-las, é preciso trabalhar na inércia das peças e no módulo de elasticidade deste concreto”, lembra Prudêncio. 

De acordo com o professor, na região de Santa Catarina, por exemplo, o maior módulo de elasticidade que é possível encontrar comercialmente é na faixa de 40 GPa. “Acima disso, já precisa ter um conjunto de agregados de grande módulo, britas especiais e todo um esforço para reduzir a quantidade de pasta do cimento às custas de um aditivo superplastificante e de grande eficiência. Isso deve ter um grande comprometimento na reologia do concreto (ciência que estuda a relação entre os esforços e a deformação do material). Para fazer um módulo elevado, novamente, não é possível colocar cimento demais. Quando coloco pouca água e muito aditivo, o concreto fica viscoso, difícil de bombear. Então, hoje, a gente já conseguiu aqui na nossa região, em laboratório, módulos acima de 50 GPa. Mas a escala de aplicação em obra tende a ser 42,5 GPa, como num edifício que estamos concretando. É o mais alto módulo que temos hoje aqui na nossa região”, revela Prudêncio. 

Fundações

Dubai Creek Tower tem objetivo de superar Burj Khalifa.
Crédito: Creek Beach Emaar

Outro grande desafio são as fundações desse edifício. “Um edifício desses tem grande carga na base e é necessário que ela seja profunda. Normalmente, será preciso levar essa fundação até a rocha e usar concretos de alta resistência também nas fundações. E essa é uma dificuldade que vamos enfrentar hoje. Em cima destas estacas, há um bloco de coroamento (elemento complementar de fundações profundas). Se for trabalhar com resistências da torre de 100 MPa, será necessário ter no mínimo 70-80 MPa de resistência do concreto no bloco. E são blocos de 5.000 m3 para mais. Isso gera um problema térmico nesse concreto. Será necessário tratar essa dosagem com muita cautela para não ter problema. Provavelmente, será utilizado gelo e nitrogênio líquido para fazer um pré-resfriamento. Pós-resfriamento é uma coisa muito cara e difícil de se fazer, mas são todas as possibilidades para tratar com esse edifício”, justifica Prudêncio. 

Transporte vertical de pessoas e materiais

Algo a se pensar ao construir um arranha-céu é o transporte vertical de pessoas e materiais: como levar armadura, concreto e tijolo lá para cima? São necessários elevadores de grandes dimensões. Também é possível levar o material pela grua, mas em dia de vento, ela começa a balançar e não é possível fazer isso. “Toda a logística de transporte precisa ser muito bem estudada e é muito difícil”, recomenda Prudêncio. 

Revestimento

Nesses edifícios altos, não é possível trabalhar com revestimento argamassado. “É preciso trabalhar com pele de vidro, o que é difícil, ou com fachadas ventiladas. Se for colocado um revestimento, com a movimentação das estruturas, há uma grande chance de desplacamento”, afirma Prudêncio.

Divisórias internas

Outra questão é a parte de divisórias internas. Segundo Prudêncio, tem-se trabalhado mais com gesso acartonado/drywall, justamente para impedir que as movimentações que ocorram nesse edifício causem fissuras e trincas nas paredes de alvenaria. 

Instalações

No caso das instalações hidráulicas e sanitárias em geral, tem-se grandes alturas de queda. “Além disso, é preciso levar a água lá para cima. Onde tiver um tubo de queda de esgoto, é preciso fazer sistemas especiais – não é possível “jogar” algo a partir de 500 metros de altura. Então existe toda uma preocupação quanto às instalações. Tem que ter projetos muito especializados”, comenta Prudêncio. 

Incêndio

Com 290 metros de altura e 84 pavimentos, One Tower é o edifício mais alto do Brasil.
Crédito: FG Empreendimentos

Na parte de incêndio, será preciso trabalhar com sprinkler em todos os andares, para não ter risco de mortes no caso de uma ocorrência. “É necessário também ter um esquema de evacuação eficiente das pessoas”, destaca Prudêncio.

Damper

No caso das estruturas, mesmo que seja utilizada uma com uma robustez adequada, que tem um módulo adequado no concreto, provavelmente será necessário colocar massas, chamadas de damper, em cima da cobertura. 

“Na hora que bate o vento, cria-se um esforço contrário para amortizar o balançar deste edifício. Normalmente, é uma esfera metálica que fica presa com molas e amortecedores ou às vezes até água. Com o vento, aquela massa faz uma força contrária e vai amortizando. Quando não há esse sistema, os prédios balançam bastante e causa um desconforto – é possível ver a água da piscina movimentando e lustres balançando”, argumenta Prudêncio.

Mas afinal, quão alto é possível construir?

Considerando todos esses fatores, qual poderia ser a altura máxima de um edifício hoje? Para Prudêncio, no padrão brasileiro, que trabalha com edifícios mais esbeltos, os 150 pavimentos são o limite. Entretanto, para edifícios com base maior, poderia chegar a 1 km de altura

“Com o conhecimento que temos a respeito dos materiais hoje, acredito que seria algo em torno de 500-600 metros para prédios mais esbeltos e até 1 km para prédios com bases maiores. Pode ser que daqui a 20 anos, este número seja totalmente ultrapassado. Mas hoje e na próxima década, creio que seja isso”, conclui. 

Entrevistado

O professor Luiz Roberto Prudêncio Junior é doutor em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP (com Bolsa sanduiche IRC/NCC - Ottawa). Realizou pós-doutorado na Loughborough University, Inglaterra (2000-2001) e na Universidade da Califórnia – Berkeley (2014-2015). É professor titular emérito do Departamento de Engenharia Civil da UFSC. Sócio proprietário da PWD – Consultoria em Concretos, é consultor de empresas de pré-fabricados, de produção de agregados e de grandes construtoras nacionais na especificação, dosagem e controle de concretos utilizados na infraestrutura e superestrutura de grandes obras, principalmente relacionadas a edifícios altos.

Contato
prudenciouk@hotmail.com

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.


Pesquisa inédita do SindusCon-SP mostra desafios do setor de RH na construção civil

Novo estudo tem como foco o RH das empresas de construção.
Crédito: Envato

Para mapear a área de Recursos Humanos de empresas da construção, o SindusCon-SP lançou uma pesquisa inédita em parceria com a Falconi, chamada Práticas de Gestão de Pessoas na Construção Civil. O estudo surgiu da necessidade de indicadores mais precisos para uma análise melhor do setor.

Apresentado no dia 12 de dezembro, o levantamento traz informações sobre o perfil dos trabalhadores, dados sobre turnover (taxa de rotatividade de colaboradores), remuneração e benefícios, com o intuito de mostrar o panorama atual e colocar em discussão o que pode ser melhorado.

"O principal objetivo é mapear e especialmente acompanhar nas próximas edições como o setor desenvolve e pode aperfeiçoar as suas relações com os seus colaboradores", diz Rodrigo Fairbanks von Uhlendorff, coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP. Já David Fratel, coordenador do Grupo de Trabalho Recursos Humanos (GTRH) do CTQ, afirma que "a análise nos levará a propor ações para tratar a escassez de mão de obra no segmento da construção civil”.

Dados da pesquisa inédita

Ao todo, 123 companhias do Estado de São Paulo participaram da pesquisa. Foram ouvidas empresas de diferentes tamanhos e com modelos de trabalho tanto híbridos quanto presenciais. Segundo os dados, quase metade dos entrevistados apontaram o desenvolvimento de líderes e a capacitação como sendo os principais desafios da área de RH. Ainda em relação ao tema, 46% disseram aplicar trilhas de desenvolvimento em seus processos internos, enquanto 42% garantem realizar programas para formação de liderança.

O SindusCon-SP, nesse sentido, busca fortalecer a área educacional com a realização de cursos rápidos de atualização para os profissionais, diretamente nos canteiros de obras, em convênio com o Senai-SP. Já a plataforma SindusCon-SP na Prática disponibiliza cursos on-line para estagiários e recém-formados.

Fernando Ladeira, vice-presidente da Falconi para soluções de Gestão de Pessoas, durante apresentação da pesquisa.
Crédito: Reprodução/SindusCon-SP

A pesquisa também abordou o absenteísmo (porcentagem de faltas ao trabalho): 54% registram até 2% ao mês, 25% disseram ter entre 2% e 7% mensais e 21% das empresas calculam mais de 7%. Os principais motivos alegados para as faltas são saúde física (36%), questões familiares (15%) e saúde mental (6%), mas vale lembrar que uma em cada quatro empresas afirmaram não realizar o mapeamento dos motivos do absenteísmo.  

Quando o assunto é o turnover, além do custo financeiro, as empresas com alta rotatividade de colaboradores apresentam perda de produtividade e de qualidade de produção, piora no clima e no engajamento, além da sobrecarga dos demais funcionários. 

Na pesquisa inédita, 17% das companhias registram alto índice de turnover voluntário (quando o desligamento é decisão do colaborador), que é acima de 6% ao mês, o que significa aproximadamente 72% ao ano. Já em relação ao turnover involuntário (quando a iniciativa de desligamento parte da empresa), 19% das empresas dizem ter alto índice, acima de 6% ao mês.

No caso do desligamento voluntário, as principais causas são oportunidades de trabalho (43%), remuneração (18%), carreira (14%) e benefícios (7%). No involuntário, os entrevistados responderam desempenho (46%), alinhamento cultural (19%), absenteísmo (13%) e orçamento (11%).

Clique aqui para conferir a pesquisa do Sinduscon-SP na íntegra. 

Fontes
SindusCon-SP

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.