Moradores do Minha Casa Minha Vida buscam upgrade na casa própria

Quem adquiriu a casa própria no auge do Minha Casa Minha Vida agora usa o imóvel para obter residências melhores Crédito: Prefeitura de Curitiba/SMCS
Quem adquiriu a casa própria no auge do Minha Casa Minha Vida agora usa o imóvel para obter residências melhores
Crédito: Prefeitura de Curitiba/SMCS

Pesquisa divulgada pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) mostra que as famílias que adquiriram imóveis do programa Minha Casa Minha Vida, entre 2009 e 2016, estão em busca de um upgrade na casa própria. O estudo destaca que elas desejam uma moradia melhor e em bairros mais centrais. Esses mutuários têm o seguinte perfil: pertencem às faixas 2 e 3 do MCMV, são adimplentes, já amortizaram boa parte da dívida contraída com o financiamento, viram seus imóveis valorizarem e buscam usá-los como parte do pagamento da nova residência 

O estudo foi liderado pela ADEMI-PE (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco) e mostra que essa tendência é maior nos estados da região nordeste do país. O levantamento também aponta que algumas famílias até cogitam preservar o imóvel adquirido pelo MCMV e comprar outra unidade através do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo). Essa modalidade de financiamento permite ao contratante possuir mais de uma residência em seu nome. “Hoje, muitas dessas famílias já têm condições de acessar um imóvel mais caro, migrando do MCMV para o SBPE, desde que tenha uma linha que aceite o imóvel usado para fazer um upgrade”, diz o presidente da ADEMI-PE, Avelar Loureiro Filho. 

Antes de ser substituído pelo programa Casa Verde e Amarela, o Minha Casa Minha Vida financiou 2,3 milhões de unidades habitacionais nas faixas 2 e 3 – boa parte com recursos do FGTS. Como o financiamento era subsidiado, e as prestações possuíam valor baixo, isso permitiu que as famílias incluídas no programa se capitalizassem para buscar imóveis melhores. De acordo com o estudo da ADEMI-PE, as unidades das faixas 2 e 3 do MCMV valem hoje entre 190 mil reais e 240 mil reais. Já as famílias interessadas em um upgrade em suas moradias buscam imóveis na faixa de 400 mil reais. 

Atualmente, SBPE financia 3 vezes mais imóveis que o FGTS  

Outra razão que tem feito as famílias recorrerem a financiamentos bancários através do SBPE está no fato do Casa Verde e Amarela estar em ritmo lento. Lançado em agosto de 2020, o programa tinha como uma das metas colocar unidades de melhor qualidade no mercado. Porém, ele já sofreu cortes no orçamento que chegam a 45%. A razão são os contingenciamentos promovidos pelo governo federal para equilibrar as contas. Assim, a solução para quem quer fazer o upgrade é recorrer ao SBPE.  

Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), desde 2020 o SBPE está financiando 3 vezes mais imóveis que o FGTS. O motivo principal é que os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço passaram a ser o principal financiador do auxílio emergencial – ajuda dada aos vulneráveis desde o começo da pandemia de COVID-19. “Em 2020, o crescimento do financiamento imobiliário atingiu 177 bilhões de reais, puxado basicamente pelo SBPE, que financiou 124 bilhões de reais, enquanto o FGTS financiou 53 bilhões de reais. Já no primeiro semestre de 2021 foram financiados 121,7 bilhões de reais, dos quais 96,1 bilhões de reais via SBPE e 24,6 bilhões através do FGTS”, revela a presidente da Abecip, Cristiane Portella. 

Entrevistado
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e ADEMI-PE (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco)   

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ascom@cbic.org.br
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ademi-pe@ademi-pe.com.br 

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330


Pela 1ª vez, LEED Homes Awards premia edifício brasileiro

Llum comprovou consumir 25% menos energia e 20% menos água, comparado às construções convencionais Crédito: Construtora Laguna
Llum comprovou consumir 25% menos energia e 20% menos água, comparado às construções convencionais
Crédito: Construtora Laguna

edifício residencial Llum, da construtora Laguna, foi eleito por voto popular o “projeto de 2021” pelo USGBC (United States Green Building Council). Construído em Curitiba-PR, o prédio obteve a certificação LEED Gold e o reconhecimento internacional faz dele o 1º do Brasil a ser premiado no LEED Homes Awards – evento anual da USGBC para construções multifamiliares e unifamiliares.  

Llum venceu na votação popular o projeto norte-americano Cincinnati Scholar House e o chinês Qianhai Kerry Center Bayview A1-2-3, que receberam menções honrosas. O edifício ainda estava inscrito na categoria “excepcional prédio multifamiliar”, e também foi eleito, juntamente com duas construções norte-americanas: Chloe on Madison, em Seattle, e o Reed College Trillium Residence Hall, em Portland. 

De acordo com Gabriel Raad, CEO da construtora Laguna, a escolha do Llum é resultado de um projeto bem planejado e executado. “Se você construir um edifício excelente e realmente confortável, um dos resultados naturais será o LEED”, avalia. O selo não define apenas os parâmetros de sustentabilidade da obra, mas também estabelece métricas de qualidade”, completa. 

Construído no bairro Batel, um dos mais tradicionais de Curitiba-PR, o Llum foi entregue no 1º semestre de 2019. Como é de praxe, até que estejam habitados e todas as suas operações sejam colocadas em prática, os edifícios que buscam a certificação LEED carregam uma pré-certificação. A confirmação do selo ocorre depois que os requisitos são reconhecidos pelo certificador, o que acontece normalmente um ano após a entrega da edificação. 

Para conseguir a certificação LEED Gold são avaliadas as seguintes categorias: processo integrado, localização e mobilidade, terrenos sustentáveis, eficiência hídrica, energia e atmosfera, materiais e recursos, qualidade do ambiente interno, inovação e prioridade regional. O Llum comprovou consumir 25% menos energia e 20% menos água, comparado às construções convencionais, além de priorizar a luz natural e materiais com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis. O empreendimento tem 20 pavimentos e 15 unidades no total. 

Certificação LEED tem sido cada vez mais requisitada para construções residenciais 

Segundo o presidente e CEO do USGBC, Mahesh Ramanujam, o Llum comprova que o padrão LEED continua a ajudar os edifícios a se tornarem sustentáveis ​​e mais saudáveis ​​para os ocupantes. “A certificação é ainda mais importante quando ela chega em nossas casas”, afirma. “A certificação LEED tem sido cada vez mais requisitada para construções residenciais. Isso é muito salutar”, reforça. 

edifício tem a assinatura de um time renomado. O projeto arquitetônico é do arquiteto Flávio Schiavon, o design de interiores de João Armentano, o paisagismo de Benedito Abbud e o projeto luminotécnico de Regina Bruni.  

Além do Llum, Curitiba também é a cidade onde está o 1º edifício do mundo a se tornar autossuficiente em abastecimento de água: o prédio corporativo Eurobussiness, construído em 2016. Entre as capitais brasileiras, a paranaense é ainda a que mais tem construções certificadas com o selo LEED Zero Energy Building. 

Entrevistado
USGBC (United States Green Building Council) (via departamento de comunicação)  

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info@usgbc.org 

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Altair Santos MTB 2330


Crise hídrica desperta interesse pelo pavimento de concreto permeável

Qualificação da mão de obra é um dos requisitos para a execução correta do piso de concreto permeável Crédito: Facebook/Tecnika Engenharia Especializada
Qualificação da mão de obra é um dos requisitos para a execução correta do piso de concreto permeável
Crédito: Facebook/Tecnika Engenharia Especializada

pavimento de concreto permeável começa, lentamente, a ganhar espaço nos projetos de urbanização das cidades. A crise hídrica que o país atravessa impulsiona a busca por sistemas que acelerem a absorção da água da chuva, reduzindo a impermeabilização urbana, e que ajudem também no escoamento rápido para a rede de captação pluvial 

O pavimento de concreto permeável executado in loco é uma alternativa viável, mas esse tipo de sistema requer cuidados técnicos. É o que explica o engenheiro civil Mogar Sincak, ao participar de webinar promovido pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) no dia 31 de agosto de 2021.  

Mogar Sincak destaca que o aditivo é decisivo na composição do pavimento. “O fabricante do aditivo é quem define o traço do concreto, de acordo com o dimensionamento. Também é necessário seguir as recomendações da norma técnica (ABNT NBR 16416:2015 – Pavimentos permeáveis de concreto – requisitos e procedimentos)”, alerta.  

Ainda sobre o aditivo, o engenheiro civil destaca que ele acelera a cura do concreto em poucos minutos. “Por isso, é recomendável pavimentar em dias nublados ou no início dos períodos noturnos, sem chuva. O clima influencia bastante na qualidade do pavimento”, afirma Mogar Sincak, que atua com instalações de pavimentos permeáveis no Rio Grande do Sul. 

engenheiro civil ressalta ainda que o treinamento da equipe é decisivo para a qualidade do pavimento. “A execução errada pode resultar na perda do piso”, diz. O traço correto e a granulometria, com o uso de brita zero, são igualmente importantes para a eficácia do pavimento de concreto permeável. Ele também comenta que é necessário fazer o estudo do solo antes de implementar a obra. “Se o solo tiver baixa permeabilidade, é necessário executar valas”, completa.  

Como o processo de cura do concreto é muito rápido, por causa do aditivo, Mogar Sincak explica que o caminhão-betoneira não pode vir cheio. “O recomendável é que ele venha pela metade, com no máximo 4 m³. Se vier totalmente carregado, com 8 m³, e como o aditivo acelera o tempo de pega, pode não dar tempo suficiente para aplicar todo o concreto, relata. 

Mercado contrata com mais frequência os pisos com 8 centímetros de espessura 

Piso de concreto permeável atende calçadas, estacionamentos, condomínios, ruas urbanas com fluxo de veículos leves e sarjetas permeáveis Crédito: Facebook/Tecnika Engenharia Especializada
Piso de concreto permeável atende calçadas, estacionamentos, condomínios, ruas urbanas com fluxo de veículos leves e sarjetas permeáveis
Crédito: Facebook/Tecnika Engenharia Especializada

Em média, para pisos com 8 centímetros de espessura, que atendem estacionamentos, condomínios, ruas urbanas com fluxo de veículos leves, calçadas e sarjetas permeáveis, o consumo de cimento é de 300 quilos por m³, revela o engenheiro civil. Sobre o custo, ele cita que, se o pavimento de concreto permeável não precisar de grandes obras pluviais, o valor é muito semelhante ao do pavimento de concreto convencional. “Caso contrário, ele se torna mais caro”, realça. 

Em sua participação no webinar da ABCP, Mogar Sincak afirma que pavimentos de concreto permeável com 15 centímetros de espessura suportam veículos pesados. No entanto, o mercado tem contratado com mais frequência pisos de 8 centímetros. Sobre as qualidades do pavimento, o engenheiro civil destaca os principais:

– Porosidade aumenta a capacidade drenante. 
– Não usa areia como agregado.
– Absorve rapidamente a água, pela quantidade de vazios, e é mais eficaz que o bloco intertravado de concreto permeável.
– A liberação da área para o tráfego acontece em 24 horas.
– Elimina canaletas e bocas de lobo.
– É sustentável, pois faz uma primeira filtragem da água e permite a coleta.
– Alternativa para áreas vulneráveis a enchentes.
– Dependendo do município, a obra pode se beneficiar do IPTU Verde.

Assista ao webinar promovido pela ABCP 

Entrevistado
Reportagem com base no webinar “Pavimento permeável de concreto”, promovido pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) 

Contato
dcc@abcp.org.br 

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Altair Santos MTB 2330


Crise hídrica desperta interesse pelo pavimento de concreto permeável

Qualificação da mão de obra é um dos requisitos para a execução correta do piso de concreto permeável Crédito: Facebook/Tecnika Engenharia Especializada
Qualificação da mão de obra é um dos requisitos para a execução correta do piso de concreto permeável
Crédito: Facebook/Tecnika Engenharia Especializada

pavimento de concreto permeável começa, lentamente, a ganhar espaço nos projetos de urbanização das cidades. A crise hídrica que o país atravessa impulsiona a busca por sistemas que acelerem a absorção da água da chuva, reduzindo a impermeabilização urbana, e que ajudem também no escoamento rápido para a rede de captação pluvial 

O pavimento de concreto permeável executado in loco é uma alternativa viável, mas esse tipo de sistema requer cuidados técnicos. É o que explica o engenheiro civil Mogar Sincak, ao participar de webinar promovido pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) no dia 31 de agosto de 2021.  

Mogar Sincak destaca que o aditivo é decisivo na composição do pavimento. “O fabricante do aditivo é quem define o traço do concreto, de acordo com o dimensionamento. Também é necessário seguir as recomendações da norma técnica (ABNT NBR 16416:2015 – Pavimentos permeáveis de concreto – requisitos e procedimentos)”, alerta.  

Ainda sobre o aditivo, o engenheiro civil destaca que ele acelera a cura do concreto em poucos minutos. “Por isso, é recomendável pavimentar em dias nublados ou no início dos períodos noturnos, sem chuva. O clima influencia bastante na qualidade do pavimento”, afirma Mogar Sincak, que atua com instalações de pavimentos permeáveis no Rio Grande do Sul. 

engenheiro civil ressalta ainda que o treinamento da equipe é decisivo para a qualidade do pavimento. “A execução errada pode resultar na perda do piso”, diz. O traço correto e a granulometria, com o uso de brita zero, são igualmente importantes para a eficácia do pavimento de concreto permeável. Ele também comenta que é necessário fazer o estudo do solo antes de implementar a obra. “Se o solo tiver baixa permeabilidade, é necessário executar valas”, completa.  

Como o processo de cura do concreto é muito rápido, por causa do aditivo, Mogar Sincak explica que o caminhão-betoneira não pode vir cheio. “O recomendável é que ele venha pela metade, com no máximo 4 m³. Se vier totalmente carregado, com 8 m³, e como o aditivo acelera o tempo de pega, pode não dar tempo suficiente para aplicar todo o concreto, relata. 

Mercado contrata com mais frequência os pisos com 8 centímetros de espessura 

Piso de concreto permeável atende calçadas, estacionamentos, condomínios, ruas urbanas com fluxo de veículos leves e sarjetas permeáveis Crédito: Facebook/Tecnika Engenharia Especializada
Piso de concreto permeável atende calçadas, estacionamentos, condomínios, ruas urbanas com fluxo de veículos leves e sarjetas permeáveis
Crédito: Facebook/Tecnika Engenharia Especializada

Em média, para pisos com 8 centímetros de espessura, que atendem estacionamentos, condomínios, ruas urbanas com fluxo de veículos leves, calçadas e sarjetas permeáveis, o consumo de cimento é de 300 quilos por m³, revela o engenheiro civil. Sobre o custo, ele cita que, se o pavimento de concreto permeável não precisar de grandes obras pluviais, o valor é muito semelhante ao do pavimento de concreto convencional. “Caso contrário, ele se torna mais caro”, realça. 

Em sua participação no webinar da ABCP, Mogar Sincak afirma que pavimentos de concreto permeável com 15 centímetros de espessura suportam veículos pesados. No entanto, o mercado tem contratado com mais frequência pisos de 8 centímetros. Sobre as qualidades do pavimento, o engenheiro civil destaca os principais:

– Porosidade aumenta a capacidade drenante. 
– Não usa areia como agregado.
– Absorve rapidamente a água, pela quantidade de vazios, e é mais eficaz que o bloco intertravado de concreto permeável.
– A liberação da área para o tráfego acontece em 24 horas.
– Elimina canaletas e bocas de lobo.
– É sustentável, pois faz uma primeira filtragem da água e permite a coleta.
– Alternativa para áreas vulneráveis a enchentes.
– Dependendo do município, a obra pode se beneficiar do IPTU Verde.

Assista ao webinar promovido pela ABCP 

Entrevistado
Reportagem com base no webinar “Pavimento permeável de concreto”, promovido pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) 

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Restauração do Museu do Ipiranga entra em contagem regressiva

Canteiro de obras do Museu do Ipiranga: trabalhos de ampliação e restauração alcançaram 70% do cronograma Crédito: Marcelo Pereira/SECOM
Canteiro de obras do Museu do Ipiranga: trabalhos de ampliação e restauração alcançaram 70% do cronograma
Crédito: Marcelo Pereira/SECOM

Em 7 de setembro de 2022, o Brasil comemora o bicentenário de sua independência. A reabertura do Museu do Ipiranga, que passa por restauração, vai coincidir com a data. As obras no edifício de 125 anos encontram-se 70% concluídas. A execução atua em duas frentes: restauro e ampliação, que fará o prédio sair dos originais 6.600 m² para 12.400 m² de área construída 

ampliação inclui uma nova entrada para o público, bilheterias, auditório para 200 pessoas, espaço educativo, café, loja e sala de exposição temporária. Já o restauro é a etapa mais complexa do projeto. Antes de iniciar a recuperação da arquitetura original do prédio, houve trabalhos de engenharia para fazer o micro estaqueamento, a contenção do terreno e o grampeamento do solo, a fim de garantir o reforço das fundações do museu 

Projeção mostra como ficará a fachada do Museu do Ipiranga após a restauração: nova entrada para o público Crédito: H+F Arquitetos
Projeção mostra como ficará a fachada do Museu do Ipiranga após a restauração: nova entrada para o público
Crédito: H+F Arquitetos

Na parte interna do edifício histórico ocorreu a concretagem dos pisos do porão e a execução de fundações para que o prédio possa receber elevadores. A obra também ganhou instalações elétricas e hidráulicas novas e, além de elevadores, terá escadas rolantes, sistema de ar-condicionado e proteção contra incêndio. “As obras do Museu do Ipiranga garantirão um sistema de segurança predial de nível internacional”, diz o reitor da USP, Vahan Agopyan, que é engenheiro civil. A Universidade de São Paulo faz a gestão administrativa e financeira do museu. 

Museu do Ipiranga está fechado para visitação desde 2013, por causa da má conservação do prédio. Já as obras de restauração começaram em 2019. A recuperação arquitetônica está a cargo do escritório H+F Arquitetos, que em 2018 venceu concurso público para o retrofit do edifício-monumento. O projeto inclui o restauro da fachada, dos interiores e dos elementos de marcenaria, como portas e batentes. Também serão recuperadas as esquadrias, o forro e o piso de madeira do museu. 

Prédio é a primeira grande edificação de São Paulo erguida em alvenaria estrutural

Novas estruturas de concreto reforçaram as fundações do museu e abriram espaço para a transformação do subsolo do edifício-monumento Crédito: Governo de SP
Novas estruturas de concreto reforçaram as fundações do museu e abriram espaço para a transformação do subsolo do edifício-monumento
Crédito: Governo de SP

Originalmente, o Museu do Ipiranga foi concebido pelo arquiteto italiano Tommaso Gaudencio Bezzi, que pretendia que a edificação abrigasse uma escola de arquitetura. As obras começaram em 1885 e foram concluídas em 1890, mas somente em 1895 foi decidida qual seria a finalidade da construção: transformá-lo no museu que perpetuaria a memória da Independência do Brasil 

prédio é a primeira grande edificação de São Paulo erguida em alvenaria estrutural, com tijolos cerâmicos. Seu desenho arquitetônico foi inspirado nos grandes edifícios acadêmicos europeus do século 19, como o Reichstag de Berlim, na Alemanha, e a Universidade de Viena, na Suíça. 

Com a restauração do museu, a expectativa é que ele receba cerca de 1 milhão de visitantes por ano. O investimento total nas obras é de 210 milhões de reais, dos quais 170 milhões de reais foram captados junto à iniciativa privada. O valor investido pelo governo de São Paulo é de 19 milhões de reais, enquanto a Fundação de Apoio à USP injetou mais 11 milhões de reais na recuperação do prédio.

Entrevistados
Universidade de São Paulo, Governo de São Paulo e Prefeitura de São Paulo (via assessorias de imprensa) 

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Altair Santos MTB 2330


Varejo de materiais de construção tende a crescer 16% em 2021

Varejo de materiais de construção vai crescer quase o triplo do que os demais segmentos do varejo, avalia FGV IBRE Crédito: Wikimedia Commons
Varejo de materiais de construção vai crescer quase o triplo do que os demais segmentos do varejo, avalia FGV IBRE
Crédito: Wikimedia Commons

Os dados mais recentes do Termômetro Anamaco mostram que o varejo do setor tende a encerrar 2021 com crescimento de 16%, na comparação com 2020. O levantamento é coordenado pelo instituto de pesquisa da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção, em conjunto com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE). “O varejo de materiais de construção vai fechar o ano com quase o triplo de crescimento dos demais varejos, que somados devem ficar em 5,5%”, diz o economista e consultor do FGV IBRE, Robson Gonçalves. 

analista ressalta que o segmento seguirá crescendo em 2022, mas em patamares mais modestos. “A expectativa é que no ano que vem tenhamos o crescimento do PIB em 1,5%, bem abaixo do 5,2% estimado em 2021. O varejo de materiais de construção acompanhará esse índice e também tende a crescer 1,5% em 2022”, avalia. Robson Gonçalves explica o porquê. “No contexto pós-pandemia, que é o que se espera que aconteça no ano que vem, a disputa pelo bolso do consumidor será maior. Haverá outros setores que virão sedentos para recuperar as perdas. Entre eles, o turismo. Após 2 anos de restrições a viagens, existe a tendência de que as pessoas busquem viajar mais a partir de 2022, reduzindo o foco na compra e na reforma de suas casas”, completa. 

Para o economista do FGV IBRE, o varejo de materiais de construção praticamente não teve concorrência em 2020 e 2021. “As pessoas foram surpreendidas pela pandemia e obrigadas a mudar suas rotinas. A casa virou o centro das atenções, obrigando o consumidor a ir às compras. Fosse para adquirir um novo imóvel ou apenas para trocar a cor da tinta nas paredes. O dinheiro do consumidor não encontrou concorrência e foi realocado praticamente todo para o varejo da construção civil. A ponto de, por muitos meses, o volume de vendas do varejo ter sido maior que o volume de produção da indústria, o que causou aumento de preços e até desabastecimento em alguns segmentos”, cita Robson Gonçalves. 

Anamaco propõe linha de crédito especial para lojistas de materiais de construção 

O superintendente da Anamaco, Waldir de Abreu, afirma que o setor busca manter o aquecimento em 2022 através de negociação com a Caixa Econômica Federal para a abertura de uma linha de crédito especial para o varejo de materiais de construção. “Mostramos à diretoria da Caixa que a abertura de uma linha especial tiraria o lojista do setor do sufoco. Hoje, muitos estão sobrevivendo de recebíveis do cartão de crédito. O crescimento que vai se consolidar em 2021 é significativo, mas precisamos pensar em um crescimento sustentável ao longo dos anos. Caso contrário, continuaremos perdendo lojas. Em 5 anos, quase 5 mil CNPJs de lojistas de materiais de construção desapareceram. Mas continuamos grandes, com mais de 130 mil lojas em todo o país”, alerta o dirigente.  

Em 2020, o varejo de materiais de construção cresceu 11% na comparação com 2019. O faturamento do setor no ano passado somou 150,55 bilhões de reais.  

Assista ao webinar da Anamaco

Entrevistado
Reportagem com base no webinar “O comportamento das vendas no varejo de matcon”, promovido pela Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco) 

Contato
imprensa@anamaco.com.br 

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Altair Santos MTB 2330


Varejo de materiais de construção tende a crescer 16% em 2021

Varejo de materiais de construção vai crescer quase o triplo do que os demais segmentos do varejo, avalia FGV IBRE Crédito: Wikimedia Commons
Varejo de materiais de construção vai crescer quase o triplo do que os demais segmentos do varejo, avalia FGV IBRE
Crédito: Wikimedia Commons

Os dados mais recentes do Termômetro Anamaco mostram que o varejo do setor tende a encerrar 2021 com crescimento de 16%, na comparação com 2020. O levantamento é coordenado pelo instituto de pesquisa da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção, em conjunto com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE). “O varejo de materiais de construção vai fechar o ano com quase o triplo de crescimento dos demais varejos, que somados devem ficar em 5,5%”, diz o economista e consultor do FGV IBRE, Robson Gonçalves. 

analista ressalta que o segmento seguirá crescendo em 2022, mas em patamares mais modestos. “A expectativa é que no ano que vem tenhamos o crescimento do PIB em 1,5%, bem abaixo do 5,2% estimado em 2021. O varejo de materiais de construção acompanhará esse índice e também tende a crescer 1,5% em 2022”, avalia. Robson Gonçalves explica o porquê. “No contexto pós-pandemia, que é o que se espera que aconteça no ano que vem, a disputa pelo bolso do consumidor será maior. Haverá outros setores que virão sedentos para recuperar as perdas. Entre eles, o turismo. Após 2 anos de restrições a viagens, existe a tendência de que as pessoas busquem viajar mais a partir de 2022, reduzindo o foco na compra e na reforma de suas casas”, completa. 

Para o economista do FGV IBRE, o varejo de materiais de construção praticamente não teve concorrência em 2020 e 2021. “As pessoas foram surpreendidas pela pandemia e obrigadas a mudar suas rotinas. A casa virou o centro das atenções, obrigando o consumidor a ir às compras. Fosse para adquirir um novo imóvel ou apenas para trocar a cor da tinta nas paredes. O dinheiro do consumidor não encontrou concorrência e foi realocado praticamente todo para o varejo da construção civil. A ponto de, por muitos meses, o volume de vendas do varejo ter sido maior que o volume de produção da indústria, o que causou aumento de preços e até desabastecimento em alguns segmentos”, cita Robson Gonçalves. 

Anamaco propõe linha de crédito especial para lojistas de materiais de construção 

O superintendente da Anamaco, Waldir de Abreu, afirma que o setor busca manter o aquecimento em 2022 através de negociação com a Caixa Econômica Federal para a abertura de uma linha de crédito especial para o varejo de materiais de construção. “Mostramos à diretoria da Caixa que a abertura de uma linha especial tiraria o lojista do setor do sufoco. Hoje, muitos estão sobrevivendo de recebíveis do cartão de crédito. O crescimento que vai se consolidar em 2021 é significativo, mas precisamos pensar em um crescimento sustentável ao longo dos anos. Caso contrário, continuaremos perdendo lojas. Em 5 anos, quase 5 mil CNPJs de lojistas de materiais de construção desapareceram. Mas continuamos grandes, com mais de 130 mil lojas em todo o país”, alerta o dirigente.  

Em 2020, o varejo de materiais de construção cresceu 11% na comparação com 2019. O faturamento do setor no ano passado somou 150,55 bilhões de reais.  

Assista ao webinar da Anamaco

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Reportagem com base no webinar “O comportamento das vendas no varejo de matcon”, promovido pela Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco) 

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Sim, é possível produzir cimento com menor emissão de CO₂

Cimento Portland: insubstituível, material concentra pesquisas que buscam mantê-lo dentro dos padrões ambientais Crédito: Creative Commons
Cimento Portland: insubstituível, material concentra pesquisas que buscam mantê-lo dentro dos padrões ambientais
Crédito: Creative Commons

Até a metade deste século não há previsão de que o consumo de Cimento Portland vá diminuir. Todas as projeções indicam que em 2050 a produção mundial sairá dos atuais 4 bilhões de toneladas por ano para chegar aos 5 bilhões de toneladas. Isto mostra o quanto o material é imprescindível para que a humanidade possa progredir, mas impõe um desafio à indústria da construção civil: como continuar usando cimento e concreto em escala elevada sem aumentar a emissão de CO₂? 

Na 4ª edição da Semana Acadêmica de Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia do Paraná, o doutor em engenharia civil Jorge Luiz Christofolli tratou desse assunto em palestra online. Ele cita algumas possibilidades para mitigar a emissão de CO₂, que são: minimizar o consumo de concreto através do aumento das resistências com o uso de aditivos de última geração, o que permite diminuir o volume e peso das estruturasNo cimento podemos reduzir o teor de clínquer, tema tratado em sua tese de doutorado. 

pesquisa utilizou modelos matemáticos de empacotamento de partículas, a fim de diminuir o número de vazios e aumentar a resistência do cimento e concretoNo estudo foram utilizados materiais como o fíler, a nano-sílica e a argila calcinada (metacaulim) em alto grau de finura para substituir parcialmente o clínquer 

Nos ensaios conseguimos reduzir a emissão de CO₂ em 39% para a produção do cimento.  

 “Também produzimos um cimento que substituiu 50% de clínquer, e que obteve ganho de resistência, chegando a 68 MPa aos 28 dias. Obviamente, foram ensaios de laboratório, mas que mostraram ser possível diminuir a emissão de CO₂ através da redução do percentual de clínquer, e ainda aumentar a resistência do cimento e do concreto”, explica Jorge Luiz Christofolli 

 “O fundamento principal da minha tese é mostrar que é possível produzir cimento e concreto com uma redução importante da pegada de CO₂”, relata. 

Gerente de desenvolvimento técnico da Concrebras, Jorge Luiz Christofolli ainda destaca em sua palestra porque o Cimento Portland está entre os materiais mais usados no mundo. “Ele é barato, não tem material substituto com igual performance e sua matéria-prima é abundante na crosta terrestre.”, finaliza.  

Assista à palestra “Como mitigar a pegada do CO₂ na produção de cimento e concreto”     

Entrevistado
Reportagem com base na palestra “Como mitigar a pegada do CO₂ na produção de cimento e concreto”, do engenheiro civil Jorge Luiz Christofolli, durante a 4ª edição da Semana Acadêmica de Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia do Paraná 

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Desafio das novas concessões é levar tecnologia às rodovias

Trecho urbano da Via Dutra na cidade de São Paulo-SP: nova concessão da rodovia prevê mais de 400 obras estruturais Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Trecho urbano da Via Dutra na cidade de São Paulo-SP: nova concessão da rodovia prevê mais de 400 obras estruturais
Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

secretário de infraestrutura terrestre do Ministério da Infraestrutura (MInfra), Marcello da Costa Vieira, afirma que o desafio das futuras concessões de rodovias é levar tecnologia para a estrada. “Os próximos leilões vão conceder 20 mil quilômetros de rodovias. Quando eles ocorrerem, a expectativa é que já tenhamos 5G no Brasil. Isso vai representar o futuro para as estradas”, disse, ao participar do evento virtual Smart.Con.  

Segundo o secretário, além do usuário poder contar com acesso a dados de internet em todo o trecho percorrido, a segurança na rodovia também terá um salto de qualidade. “A Tecnologia de Informação estará presente, o que permite monitorar o tráfego com câmeras de última geração, que estarão conectadas com uma central de controle em Brasília. As inovações também permitirão trocar as praças de pedágio pelo sistema free flow”, revela.  

O free flow dispensa as praças de pedágio e o pagamento ocorre de acordo com a quantidade de quilômetros rodados. A tecnologia já é adotada em 20 países e o monitoramento é feito por radares que leem chips instalados nos veículos. A implantação depende do 5G. De acordo com Marcello Vieira, as primeiras rodovias a agregarem essa alta tecnologia no Brasil serão a Via Dutra, a Rio-Teresópolis e a BR-040, no trecho entre Rio de Janeiro-RJ e Juiz de Fora-MG. 

Principal concessão rodoviária do Brasil, Dutra vai a leilão no dia 29 de outubro 

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, ao anunciar que a Dutra irá a leilão no dia 29 de outubro de 2021, confirmou que a rodovia será a mais moderna do Brasil. “Teremos a Nova Dutra toda iluminada com led. Vamos combater o roubo de carga com monitoramento. Será uma rodovia extremamente inteligente. Não é só mobilidade, é mais do que isso. É segurança também”, afirma. 

Quem arrematar a Dutra, que engloba um trecho de 625 quilômetros entre as regiões metropolitanas das cidades de São Paulo-SP e Rio de Janeiro-RJ, levará também a concessão da Rio-Santos – trecho da BR-101 entre os litorais de São Paulo e Rio de Janeiro. O investimento previsto nas duas rodovias, ao longo de 30 anos, é estimado em 14,8 bilhões de reais. 

Além de contar com tecnologia de compartilhamento de dados ao longo de toda a extensão, a modernização da Dutra e da Rio-Santos vai incluir as seguintes obras: 

Dutra

– Implantação da nova subida para Serra das Araras, no Rio de Janeiro-RJ, em um trecho de 16,2 quilômetros, que passará a contar com 4 faixas.
– 590 quilômetros de faixas adicionais, 144 quilômetros de vias marginais e mais de 400 obras estruturais, além de passagens de fauna e passarelas.
– 3 novos pontos de parada para caminhoneiros.

Rio-Santos

– Duplicação de 80,2 quilômetros, até Angra dos Reis. 
– 1 novo ponto de parada para caminhoneiros. 

Desde 1996, a administração da Dutra é de responsabilidade da concessionária CCR Nova Dutra. O contrato de concessão de 25 anos termina em 28 de fevereiro de 2022. 

Entrevistado
Reportagem com base na participação do secretário de infraestrutura terrestre do Ministério da Infraestrutura (MInfra), Marcello da Costa Vieira, no evento Smart.Con 

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Em laboratório, é criado o concreto mais resistente do mundo

Pesquisa com o concreto mais resistente do mundo aconteceu no departamento de geociência e engenharia civil da Universidade de Kanazawa. Crédito: Kanazawa University
Pesquisa com o concreto mais resistente do mundo aconteceu no departamento de geociência e engenharia civil da Universidade de Kanazawa.
Crédito: Kanazawa University

Uma nova geração de UHPC (Ultra-high Performance Concrete) foi desenvolvida na Universidade de Kanazawa, no Japão. Conhecido no Brasil como CUAD (concreto de ultra-alto desempenho) esse material atinge resistências que variam entre 200 MPa e 300 MPa. Já o concreto obtido em laboratório, e denominado de PFC (porosity-free concrete [concreto livre de porosidade]) chegou a 400 MPa de resistência à compressão, tornando-se o tipo de concreto mais forte já produzido no mundo 

A pesquisa foi publicada no International Journal of Civil Engineering e revela que o segredo do estudo foi aumentar de 1% para 2% o teor das fibras de aço incorporadas ao material, em relação à totalidade de componentes do concreto. Juntamente com o uso de aditivos superplastificantes, o reforço com fibras elevou em até 50% a resistência do PFC ao impacto, na comparação aos concretos de alto desempenho (CAD) – neste quesito comparativo, o UHPC alcança percentuais máximos de 30% a 40%.  

O estudo mostra ainda que foram usadas fibras de aço com 9 milímetros de comprimento e diâmetro de 0,15 milímetros. Nos ensaios, o volume de fibras chegou ao máximo de 160 kg/m³, ou seja, o dobro do utilizado nos concretos de alto desempenho, que podem chegar até a 80 kg/m³. Em termos de comparação, os concretos convencionais reforçados com fibra de aço costumam utilizar de 20 kg/m³ a 40 kg/m³.   

A equipe de pesquisadores também relata que a precisão dos testes em laboratório, utilizando vigas como corpos de prova, chegou a 80%. O processo de cura das peças testadas usou a técnica de “cura a vapor”, com temperatura máxima de 90 ͦC, seguida de “cura térmica”, com temperatura máxima de 180 ͦC, e intervalo de 48 horas entre elas.  

Embora seja um trabalho científico para verificar os limites do concreto, os pesquisadores da Universidade de Kanazawa acreditam que o material desenvolvido possa, futuramente, chegar às aplicações práticas da engenharia. ”A descoberta dá uma contribuição significativa para a compreensão do papel do PFC na melhoria da segurança de muitas estruturas grandes, incluindo prédios altos, pontes e estradas”, avalia o professor-doutor Yusuke Kurihashi, do departamento de engenharia estrutural da Universidade de Kanazawa. 

Junto com Yusuke Kurihashi, também assinam a pesquisa os professores-doutores Katsuya Kono e Masato Komuro. “O desenvolvimento contínuo de materiais de construção é particularmente importante em áreas onde desastres naturais frequentes ameaçam a integridade das estruturas. Nossos testes de impacto em uma variedade de amostras revelaram que o PFC é capaz de suportar abalos sísmicos, explosões e impactos causados por aeronaves”, revela Yusuke Kurihashi, no texto do International Journal of Civil Engineering. 

Novos testes publicados em 2021 garantiram maior flexibilidade ao material 

Após a primeira publicação, em fevereiro de 2020, os pesquisadores continuaram testando o PFC e, em janeiro de 2021, voltaram a divulgar uma atualização do trabalho, desta vez no Structural Journal, que é a revista científica da ACI (Americam Concrete Institute). As fibras de aço foram reforçadas com polímeros e fibras de aramida. O novo estudo mostra que, apesar da capacidade de resistência ter se mantido praticamente inalterada, preservando os 400 MPa, o material ganhou em capacidade à flexão. 

Os próprios autores ainda consideram a pesquisa como um “trabalho experimental”. Por isso, não conseguem estimar por quanto o mercado poderia precificar o m³ do concreto livre de porosidade. Comparativamente, o UHPC, quando começou a ser usado em obras estruturais nos Estados Unidos, custava até 3 mil dólares a jarda cúbica – equivalente a 0,7645 m³ – para elementos moldados in loco. Hoje, indústrias norte-americanas de pré-fabricados têm conseguido reduzir pela metade o valor, ou seja, vender a jarda cúbica por 1.500 dólares. 

Entrevistado
Reportagem com base na publicação do International Journal of Civil Engineering, que traz a pesquisa desenvolvida dentro da Universidade de Kanazawa, no Japão     

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