Desfavelização impulsiona mercado de habitações populares

Nas regiões metropolitanas de Curitiba e Belo Horizonte, projetos erguem moradias dignas, urbanizam áreas de risco e aquecem a construção civil

Estão em curso no Brasil vários programas de desfavelização. Estimulados por recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), eles servem também de incentivo ao mercado de habitações populares e aquecem a construção civil. O objetivo é tirar famílias de área de risco e degradadas, reassentando-as em apartamentos ou casas com saneamento básico e urbanização.

Vila Viva: na região de Belo Horizonte, 4.130 apartamentos beneficiam 7.414 famílias
Vila Viva: na região de Belo Horizonte, 4.130 apartamentos beneficiam 7.414 famílias

Em dois estados – Minas Gerais e Paraná – esses programas se destacam. Na região de Belo Horizonte se desenvolve o Vila Viva. Trata-se de um dos maiores processos de desfavelização do país. Com investimento de R$ 572,3 milhões oriundos do PAC, 125 mil moradores dos Aglomerados da Serra e Morro das Pedras, e das vilas Califórnia, São José, Pedreira Prado Lopes e Taquaril, estão sendo beneficiados com as construções de 4.130 apartamentos. Das 7.414 famílias, 2.000 já estão vivendo em novos lares.

O Programa Vila Viva também engloba ações de promoção social e desenvolvimento comunitário, educação sanitária e ambiental e criação de alternativas de geração de trabalho e renda. No momento, os seis canteiros de obras do programa empregam diretamente 1.410 trabalhadores. Na Serra, 80% dos trabalhadores contratados residem no aglomerado. Já no Taquaril, do total de 133 trabalhadores nas obras de urbanização, cerca de 85% moram na própria comunidade.

Vila Zumbi, na região de Curitiba: sobrados transformam a favela desde 2004
Vila Zumbi, na região de Curitiba: sobrados transformam a favela desde 2004

No Paraná, um dos programas mais relevantes ocorre na Vila Zumbi dos Palmares, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Trata-se do programa Direito de Morar. Desde 2004, a Cohapar realocou 289 famílias que viviam em áreas de risco, na beira do rio Palmital ou da BR-116, e hoje moram em sobrados. Além disso, regularizou a situação de outras 1,8 mil famílias que ocupavam a área. Todos receberam infraestrutura necessária (água, luz e esgoto) e foram incluídos automaticamente nos programas sociais do governo do Paraná.

A intervenção custou R$ 21 milhões, assim divididos: recuperação ambiental (R$ 9,6 milhões), sistema de drenagem de águas pluviais (R$ 4,6 milhões), pavimentação e paisagismo das ruas (R$ 3,4 milhões), instalação de rede de esgoto (R$ 1,2 milhão), recuperação ambiental (R$ 283 mil), construção de 281 sobrados (R$ 3,7 milhões), melhoria nas instalações de 400 moradias (R$ 2,6 milhões).

Abraçando também um programa de desfavelização, a Prefeitura de Curitiba coloca em andamento um conjunto de intervenções que atende 39 vilas e cerca de 9 mil famílias. “Este tipo de atuação alcança um dos pontos mais críticos da questão habitacional, levando infraestrutura para áreas de ocupação irregular, onde as condições de moradia das famílias são muito precárias”, explica o presidente da Cohab, Mounir Chaowiche.

Os projetos de urbanização prevêem dois tipos de solução. Para as famílias que estão em locais onde não há restrições ao uso habitacional são feitas obras de infraestrutura e, quando necessário, construção de equipamentos comunitários. Nas áreas onde há risco para as famílias, as condições são insalubres ou não é permitida a permanência de moradias, está prevista o reassentamento para loteamentos da Cohab. Para abrigar as famílias no novo local, estão sendo construídas casas e sobrados de alvenaria.

Vila Parolin, em Curitiba: transformação da favela mais antiga da capital paranaense
Vila Parolin, em Curitiba: transformação da favela mais antiga da capital paranaense

Entre as áreas onde há projetos de urbanização em andamento está a Vila Parolin, a mais antiga ocupação irregular da cidade, com mais de 50 anos de existência. De acordo com Chaowiche, a atuação no local é emblemática, porque marca o ingresso do programa habitacional da Prefeitura numa área que é considerada uma das mais complexas da cidade. Ali, o projeto prevê obras de infraestrutura para as 830 famílias que permanecerão na Vila e reassentamento de outras 677.

A urbanização da Vila Parolin terá um custo global de R$ 32,8 milhões, dos quais R$ 17,2 milhões são de investimentos da Prefeitura e o restante virá do Orçamento Geral da União (OGU). Somente com a construção das casas para reassentamento serão investidos R$ 13,2 milhões. Atualmente, estão em obras sobrados e casas de tamanhos variados, com até três quartos, que vão transformar a mais antiga favela de Curitiba.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação.


Não basta ter inteligência, é preciso Inteligência Competitiva

Novo método de gestão de negócios aponta caminhos para que empresas e instituições possam se adiantar à concorrência

Giancarlo Proença
Giancarlo Proença

Importante ferramenta de gestão de negócios, a Inteligência Competitiva (IC) está a procura de espaço dentro das empresas brasileiras. As que já a adotaram melhoraram a forma de detectar tendências, avaliar informações e apoiar o desenvolvimento de estratégias. Trata-se, portanto, de parte-chave do sistema, ressaltando que o processo de inteligência – informação relevante submetida ao processo de análise -, só traz resultados se contar com a interação de todos os envolvidos no desenvolvimento de diferentes iniciativas em prol da constante inovação corporativa.

Saindo da parte teórica para a prática, o gerente de Inteligência Competitiva Giancarlo Proença usa um exemplo clássico para explicar como sua especialidade pode mudar os rumos de um negócio. “Por muito tempo, os relógios suíços foram o exemplo da precisão mecânica perfeita. Pois bem, enquanto os suíços disputavam entre si para ver quem faria o mecanismo mais preciso para um relógio, na década de 30 pesquisadores americanos desenvolveram os primeiros relógios com cristal de quartzo. O resultado foi um relógio preciso e barato. Essa tecnologia foi desprezada pelos relojoeiros suíços, que viram o mercado ser tomado pela onda digital”, explica.

Em outro exemplo, Proença lembra da Kodak e da Fuji, que monopolizaram a concorrência sem ficar atentas ao restante do mercado. “O que aconteceu? A Sony desenvolveu a câmera digital e engoliu as duas ex-potências do mercado fotográfico”, cita. O especialista afirma que se neste, e em outros casos, tivesse havido Inteligência Competitiva, essa derrocada poderia ter sido evitada. “Esse é o papel da IC: montar uma árvore de inteligência em que concorrentes, clientes, fornecedores, tecnologia, preços, enfim, todos os fatores relacionados ao mercado estejam sob constante monitoramento.”

Proença destaca ainda que a Inteligência Competitiva tem ligação direta com as cinco forças responsáveis pela maior ou menor competitividade no mercado, apontadas pelo teórico da administração Michael Porter: a concorrência, a capacidade de negociação dos fornecedores, o poder de barganha dos clientes, a ameaça de novos concorrentes e a entrada de produtos substitutos. “Se eu fosse definir em duas palavras o que é Inteligência Competitiva, seriam: saber antes. A grande virtude da IC é apresentar as tendências e apontar caminhos para que empresas e instituições possam se adiantar à concorrência e demais forças presentes no ambiente”, diz.

Resumidamente, para não perder nenhum aspecto relevante, o programa de Inteligência Competitiva deve detectar as necessidades de informação. Depois, a empresa deve dispor de uma boa equipe de coleta e pesquisa dos dados. A análise também deve dispor de um grupo de trabalho especializado e bastante focado. Por fim, a inteligência – informação relevante submetida ao processo de análise – precisa chegar às pessoas certas. ”Para isso, o processo de disseminação é essencial. Todas essas etapas precisam do suporte de boas ferramentas computacionais e de interação entre os envolvidos”, reforça Giancarlo Proença.

O especialista, no entanto, ressalta que Inteligência Competitiva não deve ser confundida com espionagem empresarial. “Existe um código de ética rígido e a IC trabalha apenas com informações públicas, adquiridas de forma lícita e legal”, afirma. No Brasil, ele cita pelo menos quatro empresas que já se valem da Inteligência Competitiva: Natura, TIM, Petrobras e Vale do Rio Doce. “Cada um busca um aprimoramento. A Natura, por exemplo, focaliza a área comercial. Já a TIM prioriza o atendimento. Mas no final, a Inteligência Competitiva acaba sendo útil a todos os departamentos estratégicos da empresa, pois ela interliga informações e monitora todos os ambientes”, explica.

Referências literárias

Livro: Inteligência Empresarial Estratégica
Autor: Walter Félix Cardoso Júnior
Resumo: obra estuda a relação de considerações teóricas de Inteligência Competitiva com a realidade prática do dia-a-dia das organizações, o que levou o autor à criação de um método de Inteligência Empresarial Estratégica. Além disso, há considerações a respeito de conceitos teóricos de planejamento e administração estratégica, autoconhecimento, gestão do conhecimento, competitividade, gestão de negócios, psicanálise e psicolinguística.
Sobre o autor: Walter Félix Cardoso Júnior fez doutorado em 1990 em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro, e é também doutor em Engenharia de Produção pela UFSC. Além de professor na Unisul, o autor exerce consultoria sênior nas áreas de Inteligência Empresarial e Planejamento e Gestão de Recursos de Defesa.

Livro: Inteligência Competitiva
Autor: Leonard M. Fuld
Resumo: obra mostra como pensar de maneira crítica sobre as informações das quais se dispõe e a transformá-las em diferencial competitivo - uma espécie de "inteligência competitiva exclusiva". O autor, que já ajudou muitas empresas a desenvolverem programas e sistemas de inteligência, utiliza essas experiências como exemplo para mostrar ao leitor de que forma é possível entender o mercado e estar sempre à frente. Sobre o o autor: Leonard Fuld é pioneiro no campo da inteligência competitiva. Ele criou muitas das técnicas crescentes de inteligência atualmente usadas por corporações em todo o mundo. Fuld é um dos quatro primeiros especialistas a integrar a Sociedade de Profissionais de Inteligência Competitivos (SCIP), em 1998. Sua companhia, a Fuld, foi fundada em 1979 e especializou-se no fornecimento de inteligência de negócios a corporações para melhorar a tomada de decisão de estratégia, operações e aplicações táticas.

Livro: Inteligência Competitiva na Prática
Autores: John E. Prescott e Stephen H. Miller
Resumo: obra é uma coletânea de artigos da Competitive Intelligence Review que apresenta técnicas exeqüíveis e comprovadas na prática sobre como a inteligência competitiva pode ser aplicada numa variedade de setores empresariais. Mostrando contribuições dos principais líderes executivos como Robert Galvin, da Motorola, John Pepper, da Procter & Gamble, e Gary Costly, da Kellogg, os notáveis estudos de caso corporativos abrangem aplicação da IC em vendas e marketing, pesquisa de mercado e prognósticos, desenvolvimento de novos produtos e equipes.
Sobre os autores: John E. Prescott é mestre a Universidade de Pittsburgh e Ph.D em Inteligência Competitiva. Stephen H. Miller é editor-gerente da Competitive Intelligence Review e editor-chefe da Competitive Intelligence Magazine, publicada pela Society of Competitive Intelligence Professionals.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação.


Sustentabilidade é também responsabilidade social

Professor da USP esclarece o que são projetos sustentáveis e aponta se o Brasil está no caminho certo

Edifício-sede da Petrobras, no Rio: exemplo de construção sustentável no Brasil
Edifício-sede da Petrobras, no Rio: exemplo de construção sustentável no Brasil

Na prática, o conceito de edificações sustentáveis não tem nem dez anos. Apesar de o avanço ser considerável neste período, o professor Marcelo de Andrade Romero, da Fundação para a Pesquisa Ambiental - órgão conveniado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo -, acredita que há muito por fazer ainda. Especialista no assunto, ele começa defendendo que as escolas de engenharia e arquitetura se voltem com mais atenção para a sustentabilidade. Além disso, esclarece que é preciso desmistificar o tema. Segundo o professor, projetos sustentáveis não fazem parte apenas de grandes edificações. Eles podem estar presentes também em casas populares. Essa e outras teses ele defende na entrevista a seguir. Confira:

No Brasil, quando se fala em construção sustentável, pensa-se logo em obras que demandam alta tecnologia e custo elevado. Uma construção barata também pode ter um perfil de sustentabilidade? Como?
Claro que pode, sem dúvida nenhuma. Uma construção sustentável não precisa ser uma construção cara, nem com alta tecnologia. Qualquer construção pode ter um caráter de sustentabilidade, desde que o seu projeto de arquitetura contemple critérios de sustentabilidade, a escolha dos materiais contemple critérios de sustentabilidade e a construção contemple critérios de sustentabilidade. Não tem problema nenhum. E é claro que isso pode acontecer de uma casa de interesse social até um prédio de 50 andares, com escritórios. Então não é verdade que apenas os edifícios caríssimos são sustentáveis, de forma nenhuma.

Como está o nível dos profissionais da engenharia no quesito construções sustentáveis? Ainda falta qualificação no setor?
Falta muita qualificação no setor, mas isso não é culpa do setor. Acontece que a questão da sustentabilidade nos edifícios, com alguns critérios definidos, surgiu no início deste século. Portanto, não tem nem dez anos. Então, o mercado ainda está se preparando para isso. É algo novo, mas as escolas precisam estar atentas para abordar o tema.

E o mercado de trabalho para esses profissionais, como está?
Existem cursos de pós-graduação que já estão tratando deste assunto. Os profissionais e o mercado da construção estão atentos a isso. Os selos internacionais estão entrando no Brasil, apesar de estarem produzindo no mundo pouco mais que dez anos. Então eu diria que a velocidade que o Brasil está acompanhando é muito boa. O país está atendendo a demanda e começa a responder às exigências da sustentabilidade.

Uma obra construída dentro do conceito de sustentabilidade pode deixar de sê-la se quem for usufruir dela não souber usá-la?
Não, por que a construção, por si só, já faz um controle maior de consumo de energia, água e de emissão de poluição. Isso já está incorporado desde o projeto. Mas é claro que se o usuário tiver um controle maior do uso, esse edifício de alta tecnologia terá um desempenho melhor de suas operações ou, como nós chamamos, de comissionamento.

No Brasil, existe alguma edificação que seja o grande exemplo de construção sustentável. Qual?
Esta é uma questão difícil de ser respondida, pois existem obras sustentáveis, existem edifícios sustentáveis, como também existem obras que receberam selos de certificação sustentável. Existem edifícios com caráter de sustentabilidade e existem edifícios certificados, que são coisas separadas. No Brasil existem edifícios interessantes. Citaria como exemplo dois em São Paulo e um no Rio. Um é o do Banco Real/Santander, o outro é um laboratório de análises clínicas e tem o prédio da Petrobras, no Rio.

Qual a real definição de uma edificação sustentável?
A sustentabilidade, tal como é entendida hoje, envolve um controle muito grande do consumo de água, do consumo de energia, da geração de resíduos, da poluição interna e da qualidade do ambiente interior. Então, um edifício sustentável é um edifício que tenha estas características.

Só no fato de um construtor usar materiais certificados, dentro das normas técnicas, sem desperdiçá-los, é considerado um exemplo de obra sustentável?
Não. Só o fato do uso de materiais não. É muito positivo, é muito importante, evidentemente, mas o conceito de sustentabilidade vai além de materiais. Os edifícios durante a sua vida útil têm que consumir o menos possível de energia e água.

Sobre as pessoas que trabalham diretamente na obra, como conscientizá-los de que ele pode contribuir com a sustentabilidade da obra apenas evitando o desperdício, por exemplo?
Isso é o papel que a construtora vai ter, organizando o pessoal de canteiro. Tem duas coisas: primeiro reduzir o desperdício e segundo tem que pegar os resíduos da construção e canalizar este resíduo para a reciclagem. São dois trabalhos. Primeiro, reduzir o resíduo; segundo, organizar o resíduo e levá-lo para tratamento e aproveitamento. Quem faz isso é a empresa que gerencia. É um papel muito ligado entre construtora e gerenciadora. Uma obra sustentável passa por esta etapa.

Para pegar um exemplo simples, que pudesse ilustrar bem essa questão de construção sustentável, poderia ser usada a fábula dos três porquinhos ou hoje aquela estória deveria ser contada de outra forma?
Na verdade, você pode ter uma casa sustentável de palha, de madeira ou alvenaria. Se estas casas forem construídas de acordo com o clima, com critérios de sustentabilidade, e tiverem um controle grande de poluição interna, água e energia, elas podem ser sustentáveis perfeitamente. Pode ser qualquer uma. Então, hoje, a gente teria que mudar a história dos três porquinhos.

Onde a construção sustentável mais ganha destaque: no decorrer da obra, quando ela evita desperdício; na questão do saneamento básico ou na questão do consumo de energia elétrica e de água?
De tudo. A construção sustentável tem um controle maior na questão de consumo de água e conseqüentemente de água residual. Ela também tem um controle grande na quantidade de água tratada utilizada para irrigação, que deve ser mínima. Tem ainda a importância na reutilização da água, do tratamento dos resíduos e de água in loco. A questão da energia se divide em dois blocos. Primeiro, a energia que pode ser reduzida por meio do projeto de arquitetura e a energia ativa, que é a energia elétrica utilizada durante a vida útil. Então são duas energias. A questão é: quanto eu posso conservar de energia futura por meio do projeto de arquitetura, que são as tecnologias passivas? E tem as tecnologias ativas que é consumo de energia elétrica resultante. Na verdade, tudo tem a mesma importância. O que acontece é que às vezes uma certificação dá mais peso para uma, outra certificação dá mais peso para outra. Mas todas são importantes.

Como o conceito de construção sustentável poderia agir nas áreas com favelas. Há solução para esse problema?
Na favela em si acho difícil. Mas nos programas que você substitui favelas por construções regulares de interesse social, aí pode tranqüilamente e tem um mercado enorme para isso.

A questão da construção sustentável passa também pela questão social, correto?
Passa perfeitamente. Porque um dos itens da sustentabilidade é a responsabilidade social. Então passa pela questão da construção sustentável no processo de produção, passa pela qualidade do edifício entregue para o mutuário e passa pela qualidade que ele vai ter de uso e operação. Em algumas certificações isso aí é uma condição que tem que ser seguida.

Uma obra tem várias etapas: em qual delas os conceitos de sustentabilidade são mais importantes?
A gente pode definir o processo projetual de produção dos edifícios em três partes. Na verdade, essas partes também podem se subdividir. A primeira é a parte de desenho, de concepção. É a parte projetual em si. Nela, os critérios de sustentabilidade têm de entrar desde o primeiro traço, senão você não consegue depois. Então isso aí tem um peso enorme. A segunda parte também tem um peso com a mesma proporção, que é quando você constrói. A terceira etapa, a parte de uso e operação, é quase que uma decorrência das duas anteriores. Ela tem um peso grande, que é o peso de você operar o edifício da forma que ele foi construído e projetado. Mas eu diria que o maior peso está nas duas primeiras etapas, que é quando se concebe o projeto e quando se constrói. A parte de uso é quase uma decorrência.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação.


Curitiba adere à Hora do Planeta

Cidade estará entre as mais de mil que, no dia 28 de março, vão desligar simbolicamente as luzes por uma hora

Curitiba estará entre as 1.189 cidades de 80 países que dia 28 de março vão aderir à campanha Hora do Planeta 2009. Na cidade, dez monumentos terão suas luzes apagadas por uma hora, das 20h30 às 21h30. Os ícones da capital que serão apagados são: Teatro do Paiol, Fonte dos Anjos, Torre da Biodiversidade, Estufa do Jardim Botânico, Linha Verde - Monumento de bambu, as fontes das praças Santos Andrade e Generoso Marques, portais de Santa Felicidade e Polonês, pista de atletismo da praça Osvaldo Cruz e cancha polivalente da Praça Ouvidor Pardinho.

Por enquanto, além de Curitiba, aderiram à Hora do Planeta Florianópolis, o Rio de Janeiro, o estado do Amazonas e os municípios de Jurumin (SP), São Geraldo do Araguaia (TO) e Cametá (PA).

No ano passado, a Hora do Planeta conseguiu a adesão de mil cidades em todo o mundo. Esta é a primeira vez que o Brasil participa do ato, que foi lançado em 2007, quando apenas a cidade de Sydney, na Austrália, aderiu.

Segundo o diretor executivo da Hora do Planeta, Andy Ridley, o ato pode atingir 1 bilhão de pessoas que, ao desligarem as luzes na noite de 28 de março, estarão votando em prol de uma tomada de ação contra as mudanças climáticas.

Fonte: www.horadoplaneta.org.br

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação.


Gineceu arquitetônico

Dominique Perrault faz homenagem à emancipação das mulheres coreanas em edifício cuja arquitetura funde-se ao tecido urbano e à topografia feminina

Créditos: Engª. Naguisa Tokudome - Assessora Técnico Comercial Itambé

Gineceu arquitetônico

Uma década depois de ter afundado uma praça-jardim no centro da Biblioteca Nacional da França, em Paris, e desconstruir o significado de piso térreo, Dominique Perrault enterrou no parque central do campus da Universidade de Mulheres Ewha, em Seul, um volume de 350 mil m³ para abrigar 22 mil estudantes.

Muito na Coréia mudou desde que, em 1886, a missionária metodista norte-americana Mary Scranton fundou em sua casa a Ewha Haktang (Academia Botão de Pêra), primeira instituição educacional para mulheres do país, criada para que mulheres coreanas se libertassem da servidão doméstica. Somente em 1935 ela se mudaria de seu terreno repleto de pereiras no norte da cidade para o campus no bairro de Shinchon-dong.

Desde 1960, a renda per capita do país cresceu 200 vezes, e com ela emergiu uma classe média disposta a investir na educação dos filhos - e das filhas. Na virada do milênio, as construções neogóticas do missionário norte-americano William Merrell Vories já não comportavam mais as estudantes daquela que se tornou a maior universidade feminina do mundo. Faltava não apenas espaço para estudar, como também equipamentos que tornassem a vida estudantil uma experiência agradável.

Aumentar a área construída não poderia significar a perda dos gramados, flores e árvores que dão o histórico caráter pastoral do campus. A solução foi construir em uma área de 19 mil m² um volume subterrâneo. Enquanto sua cobertura vegetal reconstrói a topografia do lugar tal como um discreto monte de Vênus, um vale de 250 m de comprimento e 25 m de largura recorta o prédio ao meio, iluminando e ventilando naturalmente suas encostas de vidro encaixilhado em alumínio. Com sua vastidão e claridade, o vale, que faz a circulação do prédio, elimina o mal-estar que se pode sentir ao entrar numa construção subterrânea.

Perrault descreve esse vale como uma nova Champs Elysées, uma via que convida o público a fruir o campus. Serve ao mesmo tempo de acesso aos quatros andares do edifício, encruzilhada de trajetórias, espaço para troca de ideias após aulas, teatro ao ar livre, praça e área de exposições. Como uma rampa, ele desce suavemente do sul até se encerrar ao norte numa monumental escadaria que serve de bancada informal para as jovens se encontrarem.

A Universidade precisava não apenas de uma intervenção arquitetônica para aumentar sua capacidade, mas também de uma integração entre o campus e o tecido urbano. O bairro de Shinchon-dong tem quatro universidades. Em torno delas surgiram cinemas, shopping centers, cafés, karaokês, discotecas e lan houses que fazem dele uma das áreas mais jovens e movimentadas de Seul. Não haveria por que uma instituição pioneira na valorização profissional das coreanas manter suas estudantes encasteladas num campus voltado para si. Nos anos de 1950, a Ewha ofereceu-lhes pela primeira vez a oportunidade de estudar disciplinas então consideradas desapropriadas para mulheres, como medicina, direito, ciências e jornalismo. Entre suas ex-alunas estão Han Myung-sook, a primeira mulher a ocupar o cargo de premiê do país, entre 2006 e 2007, e a artista plástica Song Sanghee que, na Bienal de São Paulo de 2006, expôs "máquinas" semelhantes a instrumentos de tortura destinadas a moldar as mulheres à etiqueta social.

Programa
As salas de aula e a biblioteca da universidade estão instaladas em seus três primeiros andares, de cima para baixo. São os mais iluminados. Quando possível, paredes dos dois lados das salas são fechadas em vidro, para que a luz atravesse o prédio.

A circulação vertical pode ser feita não só pela rampa externa, como também por meio de um sistema de escadas e corredores internos, adjacente às cortinas de vidro. Ao descer até o nível mais baixo da rampa, o usuário encontra um programa comercial completo. O objetivo é que as atividades urbanas invadam o campus.

Ao chegar por uma das oito portas do fundo do vale o visitante é recebido por lojas; seguindo ao norte, sob as escadarias do vale, encontra um teatro e uma área de exibições; ao sul, uma academia, duas salas de cinema e um teatro estudantil. Tanto a menor necessidade de iluminação natural quanto o ruído produzido por um maior fluxo de usuários em movimento justificam a escolha desse andar inferior para o programa comercial. Abaixo desse nível, há dois andares subterrâneos de estacionamentos, que economizam a escassa área do terreno.

Enquanto em Paris Perrault fez tributo à leitura com suas quatro torres abertas como livros em ângulos retos nas esquinas de um terreno retangular, em Seul criou, com a suave elevação do volume subterrâneo e seu brutal rompimento tal como uma falha geológica, uma homenagem às mulheres coreanas que, por meio dos estudos, lutam para vencer a marginalização.

Fonte: PiniWEB

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação.


Um presente para Curitiba

Parceria público-privada revitaliza o Paço Municipal, um dos principais monumentos da cidade

Paço Municipal: a história de Curitiba passa por ele
Paço Municipal: a história de Curitiba passa por ele

Única edificação do Paraná tombado pelo patrimônio municipal, estadual e federal, o Paço Municipal, localizado na praça Generoso Marques, no centro de Curitiba, está prestes a retomar seu período de glória. Ex-sede da prefeitura e do antigo Museu Paranaense, o prédio passa por um processo de revitalização e será reaberto no dia 29 de março, no dia em que a cidade completa 316 anos.

Sua recuperação se dá graças a uma parceria público-privada, entre a Prefeitura de Curitiba e a Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), e a administração do edifício ficará a cargo do Serviço Social do Comércio (Sesc). Transformado em Paço Cultural, ele passará a abrigar ambiente para exibição audiovisual, salão multiuso, camarim, sala de leitura, salas de aula de arte e oficinas pedagógicas, salão de exposição, estúdio de gravação, livraria, loja, internet e café. Fazer essa adaptação, de um prédio que antes foi a “casa” de 42 prefeitos de Curitiba, para um espaço cultural foi a missão dos arquitetos Cyro Corrêa Lyra e Abrão Assad.

Construído na gestão do ex-prefeito Cândido de Abreu, e inaugurado em 1916, o Paço Municipal é um prédio de arquitetura neoclássica, cuja reforma procurou preservar essa característica. “O maior desafio em trabalhar em um acervo histórico é mantê-lo íntegro e, ao mesmo tempo, proporcionar os espaços para as novas funções. Foi isso que procuramos fazer”, explica Abrão Assad.

Uma tecnologia inovadora usada na revitalização do Paço Municipal está relacionada à impermeabilização do prédio. Com ela, o edifício está protegido de pichadores. “Trata-se de um impermeabilizante que fica impregnado na massa da parede e, no caso da pedra, na porosidade do material. É uma tecnologia que permite que se mantenha o prédio limpo. Se não tivéssemos este recurso, teríamos que raspar as pedras pichadas, como fizemos no início da obra, ou utilizar produtos que poderiam contaminar ou prejudicar a natureza do material. O produto forma uma couraça em volta do Paço”, diz Assad.

Como se encontra em uma região histórica da cidade, o Paço Municipal revelou, durante as obras de revitalização, verdadeiros tesouros arqueológicos que estavam escondidos há mais de um século.

“Quando fazíamos o assoalho do térreo descobrimos que existia outro piso, a um metro e meio de profundidade, que era do antigo Mercado Municipal de Curitiba que existia naquele lugar antes de ele ser utilizado para o Paço Municipal. Então, o visitante poderá vê-lo através de visores no assoalho. É uma arquitetura rica, com detalhes do pátio do antigo mercado. Essa descoberta resgata a história da cidade”, entusiasma-se Abrão Assad.

Prefeito terá sala no novo Paço Municipal
A restauração do prédio do Paço Municipal permitiu que fossem recuperados móveis utilizados pelo ex-prefeito Cândido de Abreu, em 1916. As relíquias ficarão em uma sala batizada de Cândido de Abreu, na qual o atual e os futuros prefeitos de Curitiba poderão utilizá-la. São móveis no estilo manuelino, todos no mesmo estilo, incluindo um relógio, uma mesa de trabalho, poltronas, biblioteca, uma cristaleira, um balcão e um porta-telefone. Na sala, o prefeito poderá promover eventos oficiais importantes. Será uma sala especial para despachos e assinaturas de contratos e acordos de relevância para a cidade.

Revitalização do centro velho
A reforma do prédio do Paço Municipal está inserida em um amplo projeto de valorização e renovação do entorno do chamado centro histórico de Curitiba. O objetivo é revitalizar a região. Dentro do projeto, foram realizadas melhorias em todo o perímetro entre as praças Generoso Marques, Tiradentes e 19 de Dezembro, passando pelas ruas Riachuelo, Barão do Serro Azul, Monsenhor Celso e Barão do Rio Branco.

"A reforma do Paço e as melhorias em seu entorno ajudam na revitalização da região central da cidade", explica o prefeito Beto Richa.

Além de reformar a Praça Tiradentes, a Prefeitura de Curitiba já reformou a Praça Generoso Marques, que ganhou espelho d’água com quatro jatos nas laterais, canteiro de flores no chão, floreiras, bancos e lixeiras. As novas calçadas ao redor da praça são antiderrapantes e dão mais segurança aos pedestres, em especial às pessoas com deficiência. Foram colocadas pedras portuguesas nas calçadas ao redor do prédio e na área central da praça. O restante recebeu piso em forma de blocos de concretos.

A região recebeu também um projeto de iluminação cênica no Paço Municipal, para destacar detalhes da arquitetura, usando técnicas de luz e sombras e luzes com cores diferentes. As praças Generoso Marques e José Borges de Macedo receberam novos postes republicanos, mais altos e com design que melhora a luminosidade. Toda a fiação agora é subterrânea. Também foram instaladas câmeras de segurança na região.

Fontes: SMCS / Abrão Assad Arquitetura e Urbanismo Ltda.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação.


Imprescindível no mundo

Com crise ou sem crise, o engenheiro civil é hoje o profissional com mais ferramentas para se adaptar ao mercado globalizado

Versátil, a engenharia civil hoje desperta o interessa tanto de homens quanto de mulheres
Versátil, a engenharia civil hoje desperta o interessa tanto de homens quanto de mulheres

Definição de engenheiro civil: um profissional a postos para qualquer função. É assim que o coordenador do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná, Marcos Antônio Marino, vê o profissional que ajuda a formar. Para ele, quem opta por essa profissão sai na frente em relação às demais porque tem maior capacidade de adaptação às variações do mercado. Se o período for de riqueza, é ele quem vai construir. Se for de contenção, é ele quem vai administrar. Confira os segredos desta profissão na entrevista a seguir:

Como o engenheiro civil está posicionado hoje no mercado?
Antes da crise, posicionamento total. Agora, diminuiu sensivelmente, mas não tanto quanto outros setores da economia. A profissão continua indo razoavelmente bem. Até porque é uma função fundamental para o desenvolvimento do país. Engloba tudo. Sem esta função não se faz nada em lugar nenhum do mundo. Qualquer projeto não pode prescindir de um engenheiro civil. Qualquer projeto, qualquer sonho, passa pelo engenheiro civil. É ele quem vai construir. Você pensa num hospital, quem vai construir é um engenheiro civil, certo? Então, qualquer coisa que se sonhe, que se pense, que se projete, passa pelo engenheiro civil.

Ele hoje é mais um técnico ou um gestor?
Ele tem que ser os dois.

Por quais adaptações terá de passar esse profissional para se garantir no mercado e assegurar melhor remuneração nos tempos atuais?
É uma questão de competência, como em qualquer outra profissão. O fato de o profissional estar empregado não garante que ele seja bom. Ele vai ter de mostrar competência, como um médico, como um administrador. Aí não é uma coisa particular da engenharia civil, aí é do ser humano. Aonde o profissional entrar, terá de se adaptar com rapidez. E isso está relacionado à competência.

Não é raro ver engenheiros atuando no mercado financeiro ou até em áreas administrativas. Por que esses setores absorvem esses profissionais?
Porque a formação do engenheiro civil é uma formação eclética. Na engenharia civil, além da área técnica, você atua muito na área administrativa, você atua muito na área econômica. Nós tivemos mais de um ministro da Fazenda que era engenheiro. Por quê? Porque o engenheiro tem uma formação universitária, uma formação ampla. Ele não é um engenheiro apenas focado em engenharia civil. Ele é um sujeito que tem que pensar muito na parte administrativa e muito mais ainda na parte econômica. Automaticamente, um bom engenheiro é também um economista e um administrador. Isso é inevitável. Senão não tem sucesso na profissão.

Recentemente, o IEP (Instituto de Engenharia do Paraná) lançou um curso pré-vestibular com vocação para orientar jovens a optarem pela engenharia. Como o jovem hoje encara o curso: a procura é boa ou já foi melhor?
A procura é muito boa. Veja, nós temos vários cursos de Engenharia Civil no Paraná. Dois federais - a Universidade Federal e a Universidade Tecnológica - e tem todas as estaduais e as particulares. Fazendo um raciocínio rápido, diria que temos dez cursos de Engenharia Civil no Estado, e todos eles têm demanda alta.

Antigamente, engenharia, medicina e direito eram vistos como cursos nobres. Isso parece que fazia estudantes das classes C, D e E fugirem destes cursos. Com está isso agora?
Na minha época, nos anos 60, havia esse glamour. Acho que isso ainda continua com a medicina, mas em relação à engenharia civil as oportunidades são bem maiores, e mais diversas. A Engenharia Civil se desdobrou em Engenharia Cartográfica, Engenharia Ambiental, Engenharia de Produção. A Engenharia Civil se transformou em vários cursos e isso despertou maior interesse.

Com o aquecimento da economia, descobriu-se que havia falta de engenheiros no mercado. Como ficará agora, após essa freada causada pela crise global?
É temporário. Na hora em que o mundo sair da crise, quem sairá na frente será o engenheiro civil, que vai ter de construir tudo de novo. Isso é cíclico. A primeira coisa que o pessoal faz quando tem uma crise é parar de construir. Depois que os erros são corrigidos, começa-se a construir de novo, e correndo. Aí falta engenheiro para trabalhar.

Qual a diferença entre o curso de Engenharia Civil e o curso de Engenharia de Produção Civil?
O engenheiro civil, pelo menos os da Federal do Paraná, é um profissional a postos para qualquer função. Ele vai atuar na área de produção, na área de meio ambiente, na área de saneamento, na área de transporte. É aquele que atua em todas as áreas. O engenheiro civil de produção é como o nome está dizendo. Ele vai, especificamente, para uma produção mais qualificada, mais direcionada. Assim, ele se torna o engenheiro de produção mecânico, o engenheiro de produção elétrico. É uma área específica da engenharia. Já a Engenharia Civil é mais universal.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação.


Cresce demanda por áreas industriais

A demanda por áreas industriais aumentou significamente no ano passado e a previsão do setor é que para o primeiro semestre de 2009 o quadro se mantenha estável. Segundo levantamento da Colliers International, uma das líderes mundiais no segmento de imóveis corporativos, galpões cujos aluguéis pedidos eram de R$ 14 o metro quadrado no início de 2008, finalizaram o ano pedindo em média R$ 20 o metro quadrado.

O motivo da estabilidade é a alta demanda e a baixa oferta. Áreas no entorno das rodovias Anhanguera, Castello Branco e Bandeirantes foram as que tiveram a maior demanda. Também se percebeu uma alta significativa em trecho da rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo ao Paraná.

Embora 2008 tenha sido um ano que o mercado absorveu, em sua maioria, grandes áreas (acima de 10.000 metros quadrados de área construída), a demanda por galpões modulares com áreas na faixa de 1.000 a 3.000 metros quadrados continuam sendo uma tendência para 2009, estima a consultoria.

Fonte: Blue Comunicação

Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Tempestade Comunicação.


Curitiba quer incluir 20 mil moradias no pacote de habitação

Prefeitura tenta receber dinheiro do governo federal. Projeto do Palácio do Planalto é construir 1 milhão de casas no país

O prefeito de Curitiba, Beto Richa, reuniu-se dia 9 de março com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para discutir a participação da cidade no programa habitacional que será lançado em breve pelo governo federal. A reunião, no Palácio do Planalto, em Brasília, teve a participação de prefeitos de outras capitais e dos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Márcio Fortes, das Cidades. "Curitiba tem se destacado na execução dos programas habitacionais, por isso a nossa expectativa é de incluir 20 mil casas e apartamentos no novo programa, para serem construídos nos próximos dois anos", disse Richa.

O pacote habitacional que será anunciado pelo governo federal será um reforço ao plano de gestão municipal, que prevê o atendimento a 40 mil famílias em quatro anos. "Há uma sintonia entre as duas esferas de governo, que veem a habitação como uma política social de amplo alcance e um forte indutor das economias locais", disse Richa.

Conforme o presidente da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), Mounir Chaowiche, que acompanhou o prefeito a Brasília, para construir as 20 mil unidades, a Prefeitura deverá se valer da experiência dos últimos quatro anos, quando o programa habitacional do município teve um grande impulso, com o atendimento a 30 mil famílias.

Os mecanismos para financiamento das novas unidades serão duas linhas de recursos com as quais a Cohab já trabalha – os programas de Arrendamento Residencial (PAR) e Imóvel na Planta. Atualmente, estão em construção na cidade 1.082 apartamentos do PAR e mais 577 do Imóvel na Planta.

Para construir as 20 mil novas unidades seriam necessários recursos da ordem de R$ 760 milhões, considerando-se o valor unitário médio de R$ 38 mil. "O município irá participar da composição deste valor, com as contrapartidas necessárias aos contratos de financiamento", disse Chaowiche.

Outra condição colocada pelo governo federal para liberação de recursos, a redução dos tributos municipais para baratear o custo das unidades, já é cumprida parcialmente pela Prefeitura de Curitiba, que libera as empresas que participam do PAR (Programa de Arrendamento Residencial), do pagamento do ITBI (Imposto de Transmissão sobre Bens Imóveis) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Ubano). O governo federal quer que também seja adotada a desoneração do ISS (Imposto sobre Serviços), medida para a qual o prefeito solicitou estudos à Secretaria de Finanças.

Fonte: SMCS

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação.


Crédito habitacional expande e move economia

Procura por novos financiamentos blinda construção civil e pacote de moradias deve trazer ainda mais luz ao setor

Crédito habitacional expande e move economia
Crédito habitacional expande e move economia

Sem tomar conhecimento da crise, o financiamento habitacional no Brasil experimenta neste início de 2009 uma expansão jamais vista. No 1.º bimestre do ano, foram fechados 94.682 contratos, totalizando R$ 4,2 bilhões. O resultado representa uma evolução de 119% em relação aos valores financiados no mesmo período do ano passado, o que significou um novo recorde para o desempenho do setor.

O cenário positivo tende a tornar-se ainda melhor a partir do anúncio do pacote habitacional que o governo federal lançará neste mês. O plano é construir um milhão de moradias até 2010. Serão beneficiadas famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos, que receberão subsídios para custear os financiamentos. Entre eles, a possibilidade de pagar prestações simbólicas de R$ 20 e o direito de começar a quitar as mensalidades somente após receber as chaves da nova moradia.

Diante deste impulso, a Caixa Econômica Federal estima que o ano deve fechar com um crescimento real de, no mínimo, 30% na concessão de créditos imobiliários. Segundo a presidente do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho, a Caixa, que responde por mais de 50% do crédito habitacional no país, tem verba para atender a demanda. “A captação recorde de poupança no ano passado nos permite ter o volume de recursos necessários”, garante. Ela informa que o banco conta com mais de R$ 90 bilhões para o crédito habitacional.

Só neste ano, os contratos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), as populares cadernetas de poupança, totalizaram R$ 2,4 bilhões no bimestre e financiaram a compra de 54.753 imóveis, o que significa 57,7% do volume total contratado. A Caixa também usou R$ 1,7 bilhão de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o financiamento de 35.959 novas moradias – 59,74% a mais do que as 22.510 unidades contratadas no mesmo período de 2008.

A média diária de contratação, entre janeiro e fevereiro, foi de 2.393 unidades, no valor de R$ 108 milhões, contra média de 1.039 casas e R$ 49,4 milhões em igual período de 2008. “Foi o melhor primeiro bimestre da Caixa em volume de contratação do crédito imobiliário”, comemorou Maria Fernanda Ramos Coelho.

A aposta do governo federal é que o estímulo à compra da casa própria será o trampolim para o Brasil sustentar o crescimento. “O pacote habitacional que iremos lançar terá duplo efeito: combaterá o déficit habitacional e gerará empregos”, resume a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Com informações da Agência Brasil

Crédito habitacional precisa ser desburocratizado

Para o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), seção Curitiba, José Pedro Paes Antunes dos Santos, o pacote habitacional que o governo está prestes a lançar só trará efeitos positivos se vier acompanhado de uma desburocratização no setor. Segundo ele, a obtenção de financiamento habitacional ainda é difícil no Brasil. “Em média, um crédito habitacional leva três meses para ser obtido. Há uma série de exigências a serem cumpridas e uma vasta documentação é pedida. Isso precisa mudar”, diz.

Paes Antunes faz uma comparação com um financiamento para um automóvel. “Há carros que custam mais caro que uma casa, mas, no entanto, o consumidor chega na loja hoje e amanhã recebe as chaves do veículo. É preciso imprimir essa velocidade ao setor das moradias”. Para isso, ele avalia ser necessária uma revisão da política habitacional.

Ainda de acordo com o representante da ABMH, o crédito habitacional embute nos contratos algumas armadilhas, principalmente para a classe média. Por isso, ele defende que, em certos casos, o financiamento deve ser pelo menor prazo possível. “Amortizar parte do valor do imóvel com uma boa entrada é fundamental. Além disso, não comprometer mais do que 30% da renda é essencial”, ensina.

Outra preocupação da ABMH foi trazida à tona em recente carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, intitulado “Problemas dos Mutuários da Habitação”, a associação revela que o Sistema Financeiro Habitacional (SFH) tornou-se uma verdadeira colcha de retalhos. “Existem mais de 300 tipos de contratos de financiamento habitacionais no país, e muitas vezes os mutuários nem sabem o que assinam”, revela. Isso, segundo a entidade, gera inadimplência alta, os famosos “contratos de gaveta” e faz tramitar atualmente na Justiça mais de 450.000 ações de mutuários contra o SFH.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação.