Improviso é o grande vilão das obras
Construções com canteiros planejados geram economia, menos acidentes de trabalho e cumprem cronograma de entrega

O sucesso de uma construção começa pelo canteiro de obras. Mas como planejar esse que vai ser o QG de um empreendimento? Para responder a essa e outras perguntas, os engenheiros civis Tarcísio Abreu Saurin e Carlos Torres Formoso lançaram o livro Planejamento de Canteiro de Obras e Gestão de Processos. Na entrevista abaixo, Tarcísio Abreu Saurin descreve a importância da organização e destaca que o improviso ainda impera em obras que não sofrem fiscalização. Em contrapartida, afirma que nas grandes cidades do Brasil o nível de planejamento já se equipara ao de países desenvolvidos. Confira:
O quanto o planejamento de um canteiro de obras influencia no sucesso de uma obra?
Dizer em termos financeiros é difícil, pois tem dezenas de fatores que influenciam. Mas ele tem uma influência fundamental, embora difícil de quantificar, para combater perdas de materiais e, especialmente, para melhorar as condições de trabalho. Um canteiro bem planejado vai permitir que os materiais sejam transportados nas instâncias menores possíveis e em condições que preservam a integridade física deles. Os funcionários vão estar menos expostos a riscos, já que não estarão circulando num canteiro desorganizado, com materiais que possam despencar sobre eles ou ser pisoteados. Mas, basicamente, o planejamento tem impacto na redução da perda de materiais e uma melhoria na prevenção a acidentes de trabalho.
O planejamento de um canteiro de obras passa também pela logística de compra e entrega dos suprimentos no local de uma obra ou isso é outro departamento?
Com certeza, porque as entregas de materiais no canteiro de obras têm que ser coordenadas com o planejamento de canteiro para que sejam entregues materiais em quantidades que o canteiro tenha espaço para estocar e que o canteiro tenha instalações para estocar estes materiais da forma como eles exigem. Por exemplo, cimento exige que exista uma área coberta para estocagem, um piso nivelado, um estrado para colocar o produto em cima. Já o uso de PVC exige um armário específico para colocação, já que são materiais de grande dimensão. Especialmente materiais de grande porte exigem esta integração maior com o setor de compras, pois são materiais que vão ocupar bastante espaço no canteiro.
Quais os problemas mais comuns detectados em um canteiro de obras?
O problema mais comum em termos genéricos é o improviso. É não haver, por exemplo, esta integração do planejamento de canteiro com as outras áreas da empresa. É chegar material no canteiro de obras e não ter um local adequado para estocá-lo, obrigando, por exemplo, descarregar o produto na calçada ou em um local que ofereça risco de acidentes. Entre os fatores que causam este problema está a existência de fiscalização do Ministério do Trabalho nas cidades. Localidades onde não existe fiscalização forte, a tendência é que as construtoras não se preocupem muito, especialmente com questões ligadas às áreas de vivência dos funcionários. Neste caso, os canteiros de obras não têm vestiário, não têm banheiro, não têm um refeitório. Já em obras nas cidades maiores, e que são fiscalizadas, as construtoras se preocupam mais em fazer um canteiro organizado.
Quanto um investimento em aprimoramento da mão de obra da construção civil ajuda no planejamento de um canteiro de obras?
Certamente ajuda muito, especialmente para manter o canteiro limpo e organizado. Tem uma prática que é largamente utilizada pelas construtoras e utilizada na indústria, chamada 5s, que é um programa de origem japonesa de organização e limpeza das instalações industriais. Ele foi estendido para a construção civil e implica, entre outras coisas, que os funcionários tenham disciplina para colocar os materiais e os equipamentos nos locais corretos, e que exista identificação visual dos locais para estocar cada material e cada equipamento. Isto exige disciplina e o treinamento dos funcionários é fundamental para obter sucesso.
Uma obra que começa sem organização em seu canteiro de obras pode aumentar em quanto o atraso no cronograma da obra?
O único dado que eu conheço mais próximo a isso é em relação a acidentes de trabalho, onde o custo de uma obra pode encarecer em 10%. E a organização do canteiro de obras influencia nisso.
Hoje, no Brasil, como as empresas tratam do planejamento do canteiro de obras? A maioria já se deu conta da importância ou não?
As construtoras de médio e grande porte estão num estágio bastante bom em relação a isso e, especialmente nas cidades maiores, onde a fiscalização é eficaz, a qualidade do canteiro de obras sem dúvida teve uma evolução muito grande nos últimos 15 anos. Estas construtoras de médio e grande porte realmente têm canteiros muito bem organizados, com equipamentos industrializados, com contêineres que são aproveitados de uma hora para outra. Elas têm uma preocupação com todos os equipamentos de segurança e de armazenagem de materiais.
Comparando com outros países, como está o Brasil em relação ao planejamento de canteiro de obras?
As construtoras de médio e grande porte das grandes cidades estão num nível equivalente ao de países desenvolvidos. As práticas utilizadas aqui são as mesmas usadas nos Estados Unidos, na Europa ou no Japão.
Programas como PAC e Minha Casa, Minha Vida, além de eventos como Copa e Olimpíadas, devem levar o país a aprimorar a forma de planejar suas obras?
Eu acredito que sim, pois as obras relativas a estes eventos vão ser frequentemente obras de grande porte, obras bastante complexas que envolverão muitos recursos, prazos longos, muitos intervenientes e muitos fornecedores de várias construtoras no mesmo canteiro de obras. Pela complexidade dos empreendimentos, será fundamental o investimento em gestão de planejamento de canteiro de obras.
O Brasil, hoje, já forma profissionais especializados em planejamento de canteiros de obras?
No Brasil, já existem faculdades enfatizando a gestão de empreendimentos de construção civil. É uma tendência e vêm surgindo vários cursos de engenharia de produção civil que agregam o planejamento de canteiros de obras. Além disso, já existe uma série de cursos de especialização no Brasil inteiro na área de gestão empreendimentos da construção civil que acabam trabalhando estas questões de canteiros de obras.
Este profissional seria uma fusão de engenheiro com administrador de empresas?
Eu diria que é a fusão de um engenheiro civil com um engenheiro de produção.
Entrevistado: Tarcísio Abreu Saurin: saurin@ufrgs.br
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Projeto e Execução de Estruturas de Concreto
Seminário irá discutir as principais tendências e desafios para projeto e execução de estruturas de concreto
A PINI promoverá em São Paulo, no dia 16 de março, o seminário Projeto e Execução de Estruturas de Concreto. De acordo com Eric Cozza, diretor de redação da PINI, o objetivo do evento é reunir profissionais reconhecidos para discutir as principais tendências de projeto e execução de estruturas de concreto: avanços e desafios relacionados à racionalização de custos, conformidade técnica, desempenho e durabilidade das estruturas.

Segundo Cozza, com o lançamento do plano habitacional Minha Casa, Minha Vida e a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, o patrimônio construído no Brasil alcançará, em breve, um novo patamar e que, por isso, o evento faz parte de uma discussão fundamental. Alguns dados já divulgados pelo governo brasileiro comprovam essa expectativa. Apenas para sediar a Copa do Mundo, o Brasil deverá investir até R$ 20,1 bilhões em obras.
Um dos principais desafios do setor será atender a esta demanda. Novos processos e tecnologias deverão ser implementados para garantir o aumento da produtividade. Apenas atender a cronogramas e custos não será suficiente, a otimização de recursos será fundamental, sem detrimento, é claro, da qualidade.
É isso o que ressalta o diretor da PINI: Para chegar lá sem perdas de qualidade e com custos competitivos, novos parâmetros de projeto, novas metodologias de planejamento, sistemas construtivos industrializados e tecnologias avançadas devem tomar conta dos canteiros de obras em todo o País avalia. E o concreto certamente ocupará posição de destaque em muitas obras.
Para Cozza a cultura de utilização de estruturas de concreto é muito forte no meio técnico nacional. Os avanços dessa tecnologia no século XX permitiram o surgimento de uma nova expressão arquitetônica no mundo, com destaque para os mestres brasileiros do movimento modernista. E agora, mais do que nunca, é a hora de discutir e planejar o futuro das estruturas de concreto no país.
Pré-moldados de concreto
Os pré-moldados de concreto, tradicionalmente utilizados como sistemas construtivos de galpões, têm evoluído consideravelmente do ponto de vista técnico e estético. Cada vez mais eles se apresentam como uma solução viável e vantajosa para diversos tipos de obras. Além das obras industriais, os segmentos habitacional e comercial e obras de infraestrutura como passarelas, terminais de aeroportos, pontes e viadutos podem se beneficiar deste sistema construtivo. Além disso, a tendência é que os pré-moldados prevaleçam na construção de novos estádios, como já ocorreu em obras do Pan-americano do Rio.
Programação do evento:
* Desafios e Tendências Tecnológicas para o Concreto Estrutural - Luiz Carlos Pinto da Silva Filho (Escola de Engenharia)
* Tendências de Projeto de Estruturas de Concreto no Brasil - Virgílio Augusto Ramos (Cia. de Engenharia Civil)
* Normas e Aspectos de Durabilidade, Resistência e Desempenho Relacionados às Estruturas de Concreto - Inês Laranjeiras Battagin (CB-18 ABNT)
* Novas Aplicações e o Futuro dos Pré-Moldados de Concreto no Brasil - Eng. Francisco Pedro Oggi (Empório do Pré-Moldado)
* Casos de Execução de Estruturas de Concreto da Cyrela - Engenheiro Antônio Carlos Zorzi (diretor técnico da Cyrela).
Cozza explica que as palestras terão abordagens específicas, mas que serão complementares entre si. Ou seja, cada uma delas poderá despertar diferentes discussões e dúvidas. De qualquer forma, as questões centrais talvez sejam: a continuidade do ciclo de crescimento da indústria da construção civil permitirá investimentos em inovações relacionadas à tecnologia do concreto estrutural? A utilização de pré-moldados de concreto ganhará novas tipologias e alcançará um novo patamar no Brasil? Como aliar velocidade de execução, custo competitivo e bom desempenho estrutural?.
Público-alvo:
O público-alvo será formado por diretores e coordenadores técnicos de construtoras, engenheiros de obras, projetistas de estruturas, arquitetos, tecnólogos, professores, pesquisadores, estudantes e todos os envolvidos nas áreas de projeto e execução de estruturas de concreto. Todo profissional envolvido com as etapas de projeto e execução de obras necessita de atualização tecnológica constante nessa área argumenta Cozza.
SERVIÇO
Seminário: Projeto e Execução de Estruturas de Concreto
Data: 16 de março de 2010
Local: Milenium Centro de Convenções. Rua Doutor Bacelar, 1043 - Vila Mariana - São Paulo
Horário: 9h às 17h
Informações e inscrições: (11) 2173-2474 / 2465 ou eventos@pini.com.br
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Projetos para as estações da Linha 4-Amarela de Metrô de São Paulo aliam estética à qualidade funcional
Geometria de tendência circular permite a percepção de amplitude espacial para evitar a sensação de clausura e de confinamento comum em espaços subterrâneos
Créditos: Vanda Pereira Cúneo - Assistente de Marketing
A equipe de projetos do Metrô de São Paulo optou pela valorização da iluminação e ventilação naturais ao desenvolver o conceito arquitetônico das onze estações da futura Linha 4-Amarela, que liga a região da Luz ao bairro Vila Sônia, atualmente em construção.

"O uso de condicionantes arquitetônicos aliado a materiais empregados no acabamento possibilitou a criação de amplos espaços, criando situações novas à percepção do usuário", explica Ivan Piccoli, coordenador de projetos do Metrô. "A geometria, de tendência circular, permite ainda a percepção de amplitude espacial, o que evita a sensação de clausura e de confinamento, comum em espaços subterrâneos", acrescenta.
Dois exemplos desse conceito arquitetônico adotado pelo Metrô na Linha 4 são as estações Butantã e Pinheiros. A primeira, apesar de retangular, terá suas áreas de acesso e circulação totalmente iluminadas pela luz natural vinda da cobertura transparente. A segunda, por sua vez, seguirá a tendência circular apontada por Piccoli e terá também fechamento em vidro, o que valoriza o uso de iluminação e ventilação naturais.

Além do aproveitamento de elementos naturais, os arquitetos do Metrô ainda optaram pela utilização de novas tecnologias e sistemas construtivos para melhorar a circulação e seguranças dos usuários nos espaços internos das estações. Um exemplo é o mezanino metálico preso ao teto por tirantes e suspenso sobre as plataformas, que já foi empregado na estação Alto do Ipiranga, na Linha 2-Verde e também será utilizado na Linha 4-Amarela. Segundo Piccoli, essa solução, importada do Metrô de Bilbao, na Espanha, proporciona uma melhor distribuição dos passageiros nas estações, além de um resultado estético diferente.
A tecnologia também será usada no túnel que vai interligar a Linha 4-Amarela com a Linha 2-Verde, na região da avenida Paulista. No local, ao invés dos saguões convencionais, em que os usuários andam de um lado para o outro, os arquitetos projetaram a instalação uma esteira rolante com cerca de 100 metros de extensão.
As plataformas de embarque das novas estações ainda terão portas de 2,5 metros de altura feitas em vidro laminado, que se abrirão somente quando o trem parar na plataforma. Esse dispositivo já existe em estações dos metrôs de Londres, Paris e Hong Kong e visa oferecer mais segurança aos passageiros.

Por fim, outro aspecto arquitetônico adotado da Linha 4-Amarela é a utilização de materiais de cores vivas para destacar elementos construtivos das novas estações, criando novas possibilidades de percepção do espaço, ao invés da monotonia do concreto armado cinza. Essas cores poderão ser vistas nos revestimentos e pisos de todas as estações. Com o intuito de aliar durabilidade à beleza, as novas unidades terão revestimentos coloridos e em aço inox e piso de porcelanato.
Linha 4-Amarela
Com extensão de 12,8 quilômetros e 11 estações, a Linha 4-Amarela será implantada em duas etapas. Na primeira, em 2010, serão inauguradas seis estações: Butantã, Pinheiros, Faria Lima, Paulista, República e Luz, além da entrada em operação do pátio de manutenção Vila Sônia. Já na segunda fase, prevista para 2012, serão entregues as estações intermediárias Fradique Coutinho, Oscar Freire, Higienópolis-Mackenzie, São Paulo/Morumbi e Vila Sônia.






Fonte: Piniweb
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Ponte de concreto vence a força do rio Negro
Governo do Amazonas constroi no rio Negro a mais extensa ponte sobre água doce do Brasil

No Amazonas, sobre o rio Negro, está em construção a maior ponte em ambiente de água doce do Brasil. A obra é também a segunda maior do mundo, perdendo apenas para a Ciudad Bolivar, que cruza o rio Orinoco, na Venezuela. Utilizando a tecnologia de concreto resfriado, o empreendimento, quando pronto, vai medir três mil, quinhentos e noventa e cinco metros contra os três mil e seiscentos da ponte venezuelana.
Por causa das enchentes no rio Negro em 2009 as maiores já registradas desde 1953 -, o cronograma sofreu atraso e a inauguração da ponte estaiada será em outubro deste ano. Até o final de janeiro, das 246 estacas que sustentam a construção, restam apenas duas para serem cravadas. A ponte e o anel rodoviário em seu entorno têm um orçamento de R$ 574 milhões. Apesar de contar com financiamento do BNDES, ela não faz parte do rol de construções do PAC.
Atualmente, a travessia do rio Negro para Manaus é feita por balsas que levam até 40 minutos para cruzar de uma margem a outra. Com a ponte, o trajeto levará menos de 10 minutos. A projeção é que a construção receba um fluxo semanal próximo dos 15 mil veículos. No entanto, como a construção foi planejada para suportar o crescimento da região até 2060, seu projeto pode receber o dobro do fluxo de veículos esperado em sua inauguração.

Com isso, a expectativa é de que a obra faça a economia de Manaus e região metropolitana dar um salto. Os trinta municípios vizinhos da capital poderão compartilhar de todos os benefícios que decorrem do projeto da Zona Franca de Manaus. Além disso, ao norte, a ponte facilitará a conexão com Roraima e com os países caribenhos. Ao sul, permitirá a ligação com a BR-319 e o restante do país por rodovia, explica René Levy, secretário da Região Metropolitana de Manaus.
A construção da ponte é hoje o empreendimento que mais emprega mão de obra em Manaus. Atualmente, são mais de 3.300 trabalhadores diretos e 8 mil indiretos. A ponte é construída pelo consórcio Rio Negro, formado pelas construtoras Camargo Corrêa e Construbase.
Etapas da obra
Os trabalhos de construção avançam em etapas diversificadas que envolvem as sondagens, fundações, cravação, concretagem de tabuleiros e das estacas de camisas metálicas, que medem até 70 metros. Na margem esquerda do rio, onde fica Manaus, já foram concluídos 25 vãos, totalizando 1.125 metros de tabuleiro. Também neste trecho, da margem esquerda, o trabalho de lançamento de vigas longarinas continua, para posterior conclusão de toda a concretagem do tabuleiro do lado de Manaus.

No apoio central da ponte, que mede 55 metros de altura, foi concluída em janeiro a concretagem da laje de travamento, que servirá de suporte para o mastro central, de onde se originará o tabuleiro que sustentará os dois vãos centrais de 200 metros cada um. Já foi iniciada a concretagem da primeira camada para construção do mastro central, que mede 103 metros.
Na margem direita do rio Negro, em Iranduba, a 25 quilômetros da capital, as atividades se concentram na parte viária e na cravação, escavação e concretagem de camisas metálicas (tubos) e construção de pilares. Neste trecho já estão prontos 14 pilares. Dos 246 tubos previstos para a obra, faltam apenas dois para serem cravados no leito do rio.
Além da fábrica de camisas metálicas, o consórcio Rio Negro colocou em funcionamento, em Iranduba, o pátio de fabricação de vigas. Também entrou em operação, o carrelone, um equipamento que faz o transporte das vigas longarinas com mais rapidez até o local de lançamento no vão. Os trabalhos preliminares de sondagens no rio Negro, no início da obra, revelaram a necessidade de utilização de equipamentos especiais para a execução do empreendimento, devido às peculiaridades da região Amazônica, explica o gerente de obras do consórcio Rio Negro, Henrique Domingues.
Algumas das dificuldades citadas pelos engenheiros do Consórcio Rio Negro são as grandes lâminas dágua, a forte correnteza e profundidades que chegam a 70 metros em alguns trechos do percurso da Ponte. Entre os equipamentos especiais necessários na obra está um guindaste com capacidade para movimentar até 300 toneladas, utilizado para posicionar as estacas no leito do rio.
Texto complementar
Volume de concreto equivale a dois Maracanãs
Entrevista com o secretário da Região Metropolitana de Manaus, René Levy, sobre aspectos especiais da ponte que cruzará o rio Negro.
A ponte é a maior do Brasil sobre ambiente de água doce. O projeto se inspira em algum outro já construído ou ele apresenta inovações que a tornam uma obra diferenciada?
O projeto utiliza a tecnologia de Stay, já aplicada em outras pontes no Brasil como em outros países. Mas a diferença dela para as demais é o marque central e os dos dois vãos livres ao redor deste marque central, que tem 172 metros de altura, a partir do nível de água, e vãos livres de 55 metros de altura por 200 de largura. Isso vai dar à ponte um formato em diamante e ela poderá ser vista a uma distância de até 30 quilômetros.
Em termos de sistema construtivo, há alguma novidade empregada na construção da ponte?
Nós tivemos alguns desafios muito grandes. Primeiro, por que estamos construindo num rio gigantesco, onde o menor trecho é exatamente este onde estamos construindo. Segundo, pelo vazio científico que se tinha da região, o que obrigou investigações geológicas para a implantação das fundações. A obra exigiu camisas metálicas de grandes proporções. Nós temos a menor delas em torno de dois metros e vinte centímetros de diâmetro e a maior de dois metros e meio de diâmetro. Elas estão cravadas num leito absolutamente desconhecido e com uma força dágua respeitável. Tínhamos pouco conhecimento da corrente e das profundidades variáveis do rio. Isso torna a obra um desafio diário e exige novidades tecnológicas, como a aplicação de blocos de coroamento em casca para suportar a força do rio Negro e suas cheias.
O concreto empregado na obra tem algum componente diferenciado?
Uma curiosidade é que é um concreto resfriado, em função do volume necessário para fazer a concretagem das fundações, que às vezes alcançam mais de 90 metros de comprimento e que demoram algo em torno de dez horas para concretar. Então houve a necessidade de se resfriar o concreto. O material é misturado com gelo para que haja uma cura homogênea e se evite qualquer área de fragilidade.
O rio Negro, pela sua dimensão, tem exigido estratégias de engenharia diferenciadas para a realização da obra?
Como eu citei anteriormente, o grande desafio era o desconhecimento geológico, geotécnico e hidrológico do rio. Para a obra suportar todo esse impacto, posso afirmar que há, submerso no rio Negro, um volume de concreto equivalente ao estádio Maracanã. E sobre as águas do rio haverá um outro Maracanã em concreto.
Características do projeto
* Comprimento total da ponte 3.595 m
* Número de vãos 73
* Extensão do trecho estaiado 400,0 m
* Extensão do vão central 2 x 200,0 m
* Largura da seção tipo 20,70 m
* Largura da seção estaiada 24,60 m
* Altura do vão central 55 m
* Altura do mastro central 103 m
* Número total de estais 56 m
* Total de vigas pré-moldadas 213
* Número total de estacas escavada 246
* Volume de concreto por estaca: 2.800 sacos de cimento
Curiosidades
* Concreto Estrutural (m3) 138.000 equivalente a 25 prédios de 20 andares
* Aço CA-50 (toneladas) 12.300 equivalente 20 balsas cheias de aço
* Aço CP-190 RB (toneladas) 1.630
* Aço CP-172 RB (toneladas) 570
* Cimento um milhão de sacas de cimento
* Vigas Pré-moldadas 45 metros (peças) 213
* Pilares /apoios (unidades) 74
* Base de Solo-Areia-Seixo (m3) 47.000
* Revestimento Betuminoso (toneladas) 72.000
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Confiança vira exigência do mercado
Cultura autoritária, com alta concentração de poder, começa a tornar-se um traço de rejeição diante do avanço da gestão por lealdade

Conquistar confiança nem sempre é fácil. Para obter credibilidade é necessário ser convincente, objetivo e consciente das próprias ações. Se nas relações interpessoais isso se torna difícil, o que dirá dentro de uma empresa? A organização, além de possuir colaboradores, produtos e serviços, tem também vínculo com investidores, parceiros, acionistas e outra infinidade de interlocutores. Saber agregar o valor da confiança para toda essa cadeia é essencial para a estabilidade da companhia e sua marca. É isso que prega o especialista em gestão por confiança, Marco Tulio Zanini, autor do livro Confiança - O Principal Ativo Intangível de uma Empresa, e que na entrevista a seguir dá dicas de como dar e receber confiança. Confira:
O modelo de gestão que as empresas adotavam até pouco tempo atrás era a supervisão direta e o controle hierárquico dos colaboradores. Hoje, a gestão por confiança já conseguiu substituir esse modelo ou ela ainda é pouco usada nas corporações?
O modelo tradicional, baseado em controle formal com supervisão direta, é ainda a realidade em grande parte das empresas. No entanto, em algumas indústrias, este modelo já não apresenta a mesma eficiência que apresentou no passado. E isso se deve basicamente ao aumento da demanda pelo trabalho mais especializado, com a aplicação mais intensiva do conhecimento no processo produtivo. Empresas que operam com processos produtivos, que demandam alta especialização da mão-de-obra, e contratos de trabalho de longo prazo, têm maior necessidade de desenvolver relações mais consensuais e cooperativas, baseadas em confiança.
Não é meio utópico imaginar que uma empresa será gerida apenas pelo sistema de confiança mútua, sem que haja um controle da produção?
Certamente que, mesmo quando falamos em sistemas produtivos onde a confiança é um elemento de extrema relevância, há a necessidade de algum controle dos processos e normas. Não se pode argumentar em direção a sistemas produtivos que sejam geridos unicamente pelas relações de confiança, com a ausência total de controles. Normas e regras, como as regras de segurança, por exemplo, são críticas em algumas indústrias de alto risco, e quando bem empregadas geram confiabilidade e reforçam as relações de confiança. A emergência do tema confiança, no entanto, deve-se ao extremo oposto. Uma grande parte dos sistemas de produção no Brasil carece de relações de confiança, ou seja, são extremamente ineficientes porque há o abuso do emprego do controle direto.
Os colaboradores já estão preparados para aderir à gestão por confiança ou ainda precisam ter a tutela do gerente, meio como a de um pai sobre um filho?
No Brasil convivemos com um ambiente empresarial extremamente diversificado quanto à qualidade da gestão. Em geral, somos mais ineficientes do que os países que apresentam culturas igualitárias, onde os indivíduos percebem-se como iguais e os problemas que surgem em todos os níveis são tratados sob esta lógica da igualdade. Desperdiçamos muito nosso potencial humano numa cultura autoritária de alta concentração de poder. A premissa de que os colaboradores precisam da tutela do gerente, numa lógica paternalista, nasce desta cultura de desigualdade onde se assume que os indivíduos hierarquicamente superiores devem dirigir os demais que estão sob sua direção. Assumimos que aqueles que são hierarquicamente inferiores precisam de instrução, regras e treinamento para apresentarem um bom desempenho. Esta crença já é um traço de uma cultura que consegue resultados muito negativos quanto à capacidade de gerar autonomia na base.
O quanto o modelo de gestão por confiança pode representar em economia para as empresas?
Não podemos quantificar exatamente, pois varia de acordo com o valor que se pretende entregar ao mercado. Mas um modelo de gestão baseado em confiança pode representar verdadeiramente uma revolução na criação e entrega de valor ao mercado. Por definição, e observação prática, as sociedades de alta confiança são mais eficientes e capazes de gerarem sustentabilidade quando comparadas às sociedades de baixa confiança. Segundo pesquisas do Banco Mundial, a economia das nações tem nos mostrado isso. Países que apresentam maiores níveis de confiança tendem à riqueza. Ao contrário, países com menores níveis de confiança tendem à pobreza. Nas empresas, guardando-se às proporções, a mesma lógica se aplica. Empresas sustentáveis são aquelas que compartilham valores e possuem uma boa governança - base para a manutenção das relações de confiança entre os diversos públicos de interesse.
Como se implanta uma gestão por confiança ou a DPC (Direção por Confiança) numa empresa?
A implantação de um novo modelo de gestão baseado em confiança demanda um diagnóstico e uma análise particular em cada caso, como base para um processo de mudança bem estruturado, levando-se em consideração o ambiente industrial e a cultura de um país e de uma organização. Em geral, busca-se criar consistência, integridade e transparência na gestão, tratando de mecanismos formais e informais. É importante, no entanto, que a implantação deste modelo esteja associada a uma estratégia de entrega de valor ao mercado, com o apoio do conselho e encabeçado pela alta administração da empresa, ou seja, esta decisão cabe a estes sujeitos em primeiro lugar.
A gestão por confiança funciona num ambiente onde haja colaboradores descontentes?
Em qualquer empresa sempre haverá colaboradores descontentes. No entanto, quando este descontentamento se torna uma epidemia organizacional, gerar confiança pode ser uma tarefa extremamente penosa. O importante é analisamos o porquê do descontentamento e tratar a sua causa. É ai que começamos a gerar confiança.
O que uma empresa deve fazer se quiser mudar seu modelo de gestão baseado no autoritarismo e no paternalismo para a gestão por confiança?
Em geral, deverá criar um sistema que reconheça e premie o mérito e o bom desempenho, definindo regras claras, com transparência. Deve estar claro para todos dentro da empresa como as pessoas estão sendo promovidas, remuneradas e consideradas no plano de sucessão da empresa. É preciso criar mecanismos que possam inibir as relações baseadas em lealdade pessoal, e incentivar relações profissionais baseadas no mérito. Deve estar claro o que se espera de cada indivíduo, e como este é avaliado por seus superiores. Além disso, é necessário que as pessoas possam compartilhar valores e práticas que apontem para esta direção, contrários à manutenção de práticas de abuso de poder e favoritismos.
O mundo mergulhou, entre 2008 e 2009, numa crise global desencadeada pela falta de confiança. Como as corporações passarão a encarar o quesito confiança daqui por diante?
Certamente, com maior seriedade. O resgate da confiança é sempre mais penoso e custoso para as organizações. No entanto, a confiança deverá emergir de novos modelos e políticas de governança corporativa que assegurem a boa conduta dos indivíduos nos negócios de interesse coletivo. É necessário que este novo modelo de governança comunique maior credibilidade, assegurando ainda mais a boa conduta daqueles que possuem obrigações e responsabilidades fiduciárias com seus diversos públicos. Esta credibilidade deve assegurar o restabelecimento das relações de confiança no mercado.
Há um país em que o modelo de gestão por confiança esteja mais arraigado do que em outros lugares? Países como Noruega, Finlândia e Suécia são economias fortes, e modelos de sociedades de alta confiança com alta percepção de igualdade. São exemplos da compatibilidade entre alta produtividade e alta qualidade de vida. A base desta confiança institucionalizada está na percepção de igualdade entre os indivíduos, um valor presente na celebração de contratos, decisões e criação de políticas sociais.
E no Brasil, como anda a implantação deste modelo?
Temos ilhas de excelência que apresentam soluções extremante autênticas e inovadores em gestão. Mas ainda são poucos os exemplos. No geral, no Brasil, somos extremamente ineficientes para implementarmos modelos de gestão baseados em confiança. Isso porque admiramos muito a confiança como um valor, mas em nossas práticas cotidianas acabamos assumindo, de maneira informal, as características de uma sociedade de desiguais, com baixa confiança. Práticas de concentração de poder, falta de autonomia e dificuldades de se estabelecer a noção de mérito são frequentes. No entanto, os exemplos de modelos de gestão baseado em relações de confiança são crescentes. É necessário dedicar tempo para a construção de um modelo de gestão estratégica de pessoas alinhadas a uma entrega de valor consistente ao mercado, onde a confiança se evidencie como uma competência distinta, e um diferencial competitivo.
Email do entrevistado: Assessoria de imprensa: borgeslivia@hotmail.com
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Quem é o consumidor de materiais de construção
Setor deve continuar investindo em capacitação profissional para atender a um público cada vez mais exigente
Além de conhecer plenamente todas as características e funcionalidades de cada produto, quem comercializa materiais de construção também deve ficar atento ao perfil dos seus consumidores. Saber como o comprador se comporta no ponto de venda é fundamental para direcionar tanto as ações de comunicação da marca como a própria postura dos vendedores.

Para a profissional de Marketing, Kátia Matias, Gerente Geral da Doutores da Construção, PDV é o local onde opções podem ser comparadas, no entanto, somente com um bom apoio de um vendedor treinado e conhecedor dos produtos que vende, o consumidor conseguirá sair da loja com o produto certo para a sua necessidade, analisa.
De acordo com a pesquisa Comportamento do Consumidor em Lojas de Materiais de Construção e Home Centers, realizada pelo POPAI Brasil em 2009, 71% dos consumidores finais decidem a compra direto no ponto de venda. Já entre os consumidores profissionais, 56% das decisões de compra são tomadas no PDV. Considerando estes dados, compreende-se que, quanto mais informações o consumidor tiver, mais seguro ele ficará ao optar entre um ou outro produto.
A pesquisa do POPAI identificou também que o sistema de auto-serviço, no qual o próprio cliente escolhe o produto na prateleira sem a intervenção de um vendedor, ainda não é tão habitual no Brasil. Segundo a pesquisa, a preferência dos consumidores é pelo contato direto com o vendedor. A partir desta informação conclui-se que o investimento e a capacitação da equipe de vendas continuam sendo diferenciais importantes para a decisão de compra.

Para Cesar Luiz Gonçalves, presidente do Simaco (Sindicato do Comercio Varejista de Materiais de Construção no Paraná) e VicePresidente da Fecomercio (Federação do Comercio do Paraná), o vendedor de materiais de construção é encarado muitas vezes como um consultor e, por isso, deve estar muito bem preparado. O consumidor espera que o vendedor ofereça a ele o melhor produto para a sua necessidade, pelo menor custo possível diz.
Segundo Kátia Matias, um bom profissional de vendas é aquele que conhece bem o sistema construtivo e pode ajudar o consumidor a identificar o que ele realmente precisa para que sua construção ou reforma seja concluída de maneira eficiente e sem desperdício. Capacitar esse profissional de vendas é muito importante, e a Doutores da Construção vem trabalhando fortemente nisso em conjunto com as lojas e com as indústrias.
Lidando com diferentes perfis
O setor de materiais de construção tem a característica peculiar de ter que lidar com dois públicos bem definidos: os consumidores domésticos e os consumidores profissionais.
O profissional, seja ele um arquiteto, engenheiro ou mestre de obras, costuma ser mais exigente, especialmente quanto à qualidade do produto, por estar habituado com a utilização dos materiais de construção em seu dia a dia. A gerente da Doutores da Construção sugere que o ideal é que os vendedores conheçam tecnicamente as soluções das indústrias e possam apoiar o momento da compra, levando ao consumidor profissional informações relevantes sobre as diferentes opções do mercado.
Dificilmente o profissional aceita ser atendido por um vendedor que tenha menos conhecimento que ele acredita Cesar Luiz Gonçalves. Já em relação ao consumidor final, ele diz que o vendedor tem a tarefa de vender a realização de um sonho.
Mesmo ainda havendo a predominância de consumidores homens, é importante que o setor também esteja preparado para atrair e fidelizar o público feminino. Kátia Matias afirma que as mulheres influenciam bastante a compra de materiais de construção, principalmente no que se refere aos materiais de acabamento. No geral, o que temos notado é um aumento do número de mulheres nesse mercado, inclusive entre aquelas que buscam um conhecimento profissional para atuação no setor. Temos em torno de 3% da base de profissionais treinados pela Doutores da Construção composto pelo público feminino exemplifica.
O presidente do Simaco concorda que as mulheres preocupam-se mais com a estética, enquanto os homens são mais focados nos custos. Segundo Gonçalves, o vendedor deve estar apto a apresentar a elas os valores agregados de cada produto.
Em relação à classe social, o estudo mostrou que a maior parte dos compradores de material de construção é da classe B, representada por 52%; seguida pelas classes C, com 31%, A, com 14% e D, com 3%. Na avaliação de Kátia, as expectativas positivas de retomada de crescimento, de emprego e o próprio PAC auxiliarão o mercado e farão com que as vendas aumentem em todas as classes, inclusive entre as mais baixas.
Cesar Luiz Gonçalves ressalta ainda a importante participação no mercado do consumidor formiguinha, aquele que, aos poucos, vai comprando os materiais e realizando, sozinho ou com serviço terceirizado, a reforma ou a construção da casa própria. É esse consumidor que garante a sobrevivência das pequenas lojas de materiais existentes nas periferias e seu potencial deve ser considerado diz.
Contatos:
Doutores da Construção: italo.genovesi@ketchum.com.br
Simaco: simacopr@simaco.com.br
Texto complementar
Doutores da Construção é uma plataforma de negócios que se utiliza de técnicas de treinamento, relacionamento e fidelização, tendo como objetivo principal melhorar a experiência do consumidor. O trabalho é focado nos profissionais instaladores que atuam na construção civil - pedreiros, pintores, encanadores, eletricistas, além dos vendedores de lojas de materiais de construção. O programa disponibiliza treinamento para este público por meio de salas de aulas nas lojas credenciadas, utilizando um sistema de transmissão ao vivo via satélite.
Os profissionais passam por uma avaliação teórica, todos os treinados têm o seu nome disponibilizado no site www.doutoresdaconstrucao.com.br. Também podem ser obtidas informações sobre profissionais, lojas e a Comunidade, pelo telefone (11) 3103-2900.
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Imóveis financiados com poupança batem recorde em 2009
Dados da Abecip revelam que o valor financiado chegou a R$ 34,017 bilhões, o que representa crescimento de 13,3% em relação a 2008
O financiamento imobiliário com recursos da poupança foi recorde em 2009, em valor e em número de unidades, segundo divulgou a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O valor financiado chegou a R$ 34,017 bilhões, o que representa crescimento de 13,3% em relação aos R$ 30,032 bilhões de 2008. Foram financiadas 302.680 mil unidades, superando as 299.746 mil do ano anterior, que também tinha sido recorde.
O crédito habitacional com recursos da poupança deve crescer 50% em 2010 na comparação com o ano passado, conforme projeção da Abecip, chegando a R$ 45 bilhões. A entidade estima, ainda, financiamento recorde de 400 mil a 450 mil unidades. O crédito imobiliário com recursos de poupança aumentou 51% no mês de dezembro, para R$ 3,829 bilhões. O número de unidades financiadas foi de 31.688 mil - 24,45% acima do registrado em dezembro de 2008.
Em dezembro, a Abecip afirmou, em nota, que o desempenho dos financiamentos com recursos da poupança em 2009 deveria ser "ainda melhor que o de 2008". A projeção representava melhora em relação à estimativa divulgada em agosto pela entidade de crédito imobiliário de, no mínimo, R$ 30 bilhões.
No ano passado, a captação líquida (depósitos menos retiradas) dos recursos da poupança destinados ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) aumentou 11,05%, para R$ 23,805 bilhões. Em dezembro, a captação líquida cresceu 2,92%, para R$ 7,164 bilhões.
Fonte: Abecip
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Construtoras descobrem a terceira idade
Projeto criado na Universidade Federal de São Paulo adapta apartamentos às pessoas com mais de 60 anos
Novos empreendimentos começam a propor construções que levem em conta as necessidades da terceira idade. Isso surge em função da demanda, já que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta que, até 2025, a população brasileira terá cerca de 32 milhões de pessoas com idade acima dos 60 anos. Pensando nesse público, e em seu potencial de compra, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Tecnisa, desenvolveu o projeto "Construindo com Consciência Gerontológica".
O trabalho foi conduzido por um grupo multidisciplinar, formado por professores da universidade, arquitetos, engenheiros, gerontólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, e consiste em adaptar plantas às normas de acessibilidade da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). O resultado prático criou menos escadas e mais rampas; facilitou o acesso às piscinas; implantou fechaduras invertidas e pisos opacos e antiderrapantes nos banheiros; eliminou os cantos vivos e tornou mais largas as áreas de circulação e os vãos das portas.

A coordenadora do projeto foi a gerontóloga Naira Dutra Lemos, da Unifesp, que levou em consideração os dados do Sistema Único de Saúde (SUS), que aponta que as quedas em ambientes domésticos lideram as estatísticas de acidentes envolvendo pessoas da terceira idade. O índice é tão alto que a Organização Mundial da Saúde já criou o Dia Mundial de Ação contra Quedas, que é em abril, exatamente para combater ambientes que ofereçam risco para os idosos. Então, uma das preocupações do projeto foi atentar para os pisos antiderrapantes, sobretudo nos banheiros, afirmou a médica.
Naira Dutra Lemos chama a atenção para o fato de que o programa "Construindo com Consciência Gerontológica" não inviabiliza que idosos e jovens convivam no mesmo imóvel adaptado para a terceira idade. O projeto é útil também para quem têm crianças pequenas, e hoje é muito comum em uma casa ou em um apartamento residirem um senhor ou uma senhora de 70, 80 anos e uma criança de 3, 4 anos, diz.
A gerontóloga elenca as principais reclamações dos idosos com relação às habitações:
* Prédios baixos, de até cinco andares, pecam pelo excesso de escadas e a ausência de rampas e elevadores.
* Algumas edificações, sobretudo as mais antigas, não possuem rampas que deem acesso à entrada do prédio. Neste caso, um idoso ou um cadeirante sente muitas dificuldades para ingressar no imóvel.
* Vãos das portas estreitos, que dificultam o tráfego interno de um idoso que, por ventura, precise do auxílio de um andador, cadeira de rodas ou até mesmo bengala.
* Banheiros sem pisos antiderrapantes e com poucos pontos de apoio, como barras de segurança, principalmente na área do banho.
* Ambientes com iluminação precária, que facilitam os tropeços, esbarrões e, consequentemente, as quedas.
* Portas com fechaduras sem alça, o que dificulta o apoio e o manuseio.
A especialista avalia que a nova preocupação das construtoras com a terceira idade tem a ver com um novo posicionamento do mercado. No Brasil, já é comum pessoas com idade acima de 60 anos continuarem plenamente ativas e com renda média até superior aos mais jovens. A medicina evoluiu, a tecnologia evoluiu e o idoso também evoluiu. Ele hoje é tão consumidor quanto um adulto de 30 anos. Por isso, passou a exigir acessibilidade adequada e habitações adaptadas a ele, diz Naira Dutra Lemos, lembrando que o idoso já enfrentar condições difíceis quando sai de casa, com calçadas irregulares, e o mínimo que pode exigir é que a construção civil lhe ofereça conforto em casa.



Entrevistada: Naira Dutra Lemos: nairadutra@uol.com.br
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Como evitar os danos causados por desastres naturais
Engenheiros lançam manifesto para alertar autoridades e sociedade sobre a necessidade de ações urgentes a fim de se evitar e minimizar as catástrofes
A cada ano, em especial na época de chuvas, repetem-se no Brasil as tragédias decorrentes de desastres naturais, como enchentes e deslizamentos, sem que sejam tomadas medidas efetivas de prevenção. Diante deste cenário, entidades de diversas categorias se mobilizam com a intenção de oferecer às autoridades competentes subsídios técnicos capazes de prevenir ou ao menos amenizar as perdas.
Um exemplo é a ABENC (Associação Brasileira de Engenheiros Civis) que, em dezembro de 2009, realizou simultaneamente, em Curitiba, o 1º Seminário Brasileiro sobre Catástrofes Naturais e Antropogênicas e o 1º Seminário Brasileiro de Engenharia Civil Emergencial. Após os debates, concluiu-se que pouco ou quase nada tem sido feito em relação à utilização de conhecimentos e ferramentas já desenvolvidas a fim de se evitar e minimizar os efeitos de catástrofes. Com base nesta conclusão, e considerando necessárias mudanças de atitude, os participantes organizaram um manifesto com orientações sobre as causas, efeitos, prevenção e mitigação das catástrofes naturais e antropogênicas e seu atendimento emergencial.

Na entrevista a seguir, o presidente da ABENC, engenheiro civil Ney Fernando Perracini de Azevedo, fala sobre a importância da prevenção e as ações da entidade neste sentido.
Quais os desastres naturais mais preocupantes no país atualmente?
Em várias regiões do País problemas com inundações e deslizamentos de encostas têm ocorrido frequentemente, exigindo maiores atenções das autoridades e da sociedade.
É consenso que muitos estragos decorrentes de fenômenos naturais poderiam ser evitados. Muitas soluções técnicas, inclusive, já foram apresentadas. O que o país precisa fazer, então, para minimizar os danos?
Embora muitas vezes fenômenos naturais extremos surpreendam, a prevenção pode reduzir significativamente os efeitos de ocorrências graves e até amenizá-las. Sem dúvida, o primeiro passo é o da prevenção, desde as previsões climáticas, que podem antecipar informações úteis para providências específicas em áreas de risco, até rigorosos critérios de ocupação e uso do solo. Os administradores públicos têm o dever de assumir responsabilidades, sobretudo no impedimento de ocupação de áreas impróprias e na fiscalização de ocupações irregulares. Para tanto, há necessidade de estudos pertinentes, como mapeamento das áreas de risco e criação de bancos de dados, que podem fornecer úteis subsídios para decisões de caráter preventivo.
Como o setor da construção civil pode colaborar com a prevenção de desastres naturais?
A Engenharia Civil, abrangendo o setor da construção, desempenha importante papel na prevenção. Cabem-lhe as atribuições de identificar e avaliar áreas de risco e de indicar, recomendar, projetar e executar obras necessárias à segurança do patrimônio e das pessoas. A Engenharia Civil combate os riscos, que geralmente se associam à falta de critérios técnicos, e dispõe de instrumentos para preveni-los e, no caso de já existirem, eliminá-los ou reduzi-los. A ABENC luta para que esse relevante papel seja melhor compreendido, em especial no âmbito municipal. É recomendável que a classe dos Engenheiros Civis e o setor da Construção Civil se envolvam nesse processo, que passa pela conscientização dos administradores públicos e da sociedade.
O que caracteriza uma obra segura?
Adequação ambiental e segurança são aspectos intrínsecos da Engenharia Civil, que, por suas próprias características, intervém no meio natural, porém racionalmente, atendendo a múltiplos requisitos. Evidentemente, obra bem projetada e bem construída atende aos requisitos de segurança, mas é preciso considerar a sua localização, o seu entorno, porque há riscos externos, como os riscos comuns em áreas sujeitas a enchentes ou deslizamentos de encostas. Para ser segura, a obra tem que se situar em local seguro. Não pode haver obra segura em local de risco.
Como se certificar que uma obra é segura e que vai resistir a um possível fenômeno natural de maior intensidade?
É quase zero a probabilidade de ocorrência grave em edificação projetada e construída por profissionais capacitados, de acordo com as normas técnicas e em local considerado adequado, desde que bem conservada. Deslizamentos são comuns em regiões montanhosas e as inundações afetam áreas que podem ser facilmente identificadas como de risco. No entanto, não se deve esquecer do imponderável, do improvável, como inesperados tornados que recentemente afetaram algumas cidades brasileiras, mas os riscos de ocorrências dessa natureza são muito pequenos.
A falta de manutenção das obras acentua os riscos?
Representando o Colégio de Entidades Nacionais (CDEN), a ABENC participou recentemente de grupo de trabalho formado pelo Confea para estudar a valorização e regulamentação da manutenção das obras de Engenharia, considerando-se edificações, pontes, estradas, barragens e outras. Há consenso quanto à necessidade de manutenção contínua, com inspeções ou fiscalizações periódicas, tanto em obras de infraestrutura como em edificações de uso público, como escolas, hospitais, terminais de transporte, hotéis e shoppings, entre outras. Em algumas cidades brasileiras já atuam empresas de Engenharia especializadas na manutenção de edifícios altos. A ABENC tem como uma das suas bandeiras o apoio à valorização das atividades de manutenção das obras de Engenharia Civil.
A Lei de Assistência Técnica Gratuita pode contribuir com a construção de edificações mais seguras? De que maneira?
Certamente, a assistência técnica é essencial para a segurança. A construção de edificações por pessoas sem a necessária habilitação profissional, ainda comum nas áreas mais modestas de algumas regiões brasileiras, atende precariamente a contingentes populacionais de baixa renda, sem lhes garantir conforto e segurança. A referida lei permite acesso a serviços de Engenharia para essas pessoas e lhes abre perspectivas de melhor qualidade de vida.
Quais são as características de uma área para que ela seja considerada de risco?
Condições topográficas, geológicas, pluviométricas, fluviométricas e outras devem ser consideradas para estabelecer características de uma área e seu risco, além do histórico de ocorrências extremas na região ou em condições similares. A partir dessas condições, cada caso merece análise específica.
Construções em encostas podem ser viáveis? Existem áreas de encostas que, com planejamento adequado, podem ser habitadas?
Nessa questão é recomendável não generalizar. Dependendo das condições locais, algumas obras em encostas podem ser aceitas, mas sendo respeitadas as condições originais, como, por exemplo, evitando grandes cortes ou interferências no fluxo das águas.
Após os últimos acontecimentos, quais deveriam ser os próximos passos, em relação à prevenção de catástrofes?
A sucessão de catástrofes ou desastres exige séria reflexão de todos os brasileiros sobre a questão, muitas vezes tratada sem a merecida importância. Procurando fazer a sua parte, como representante de uma das profissões de maior responsabilidade no processo de desenvolvimento nacional, a ABENC realizou em Curitiba, em dezembro de 2009, dois seminários nacionais, um para debater as catástrofes naturais e antropogênicas e outro para focar a Engenharia Civil Emergencial, contando com participantes de todas as regiões brasileiras. Os participantes desses seminários aprovaram documento final recomendando a implantação de fórum nacional de debate sobre o tema, a ser coordenado pela ABENC, e realização de programas de prevenção, contando com a participação da Secretaria Nacional da Defesa Civil, além de mobilização geral para estudos de causas e consequências de desastres e catástrofes.
Entrevistado:
Ney Fernando Perracini de Azevedo é engenheiro civil, formado pela UFPR em 1965. Trabalhou no Comitê Coordenador dos Estudos Energéticos da Região Sul do Brasil (Comitê Sul), que realizou os primeiros estudos do aproveitamento integrado do potencial energético da região. Atuou por 30 anos na Copel, em atividades relativas às obras das usinas de Salto Osório e Foz do Areia, na manutenção de obras civis e, por mais de 16 anos, na Assessoria da Presidência da Empresa. Foi professor da Faculdade Católica de Administração e Economia (FAE), por sete anos. Aposentou-se como Professor Adjunto da UFPR, onde lecionou por 30 anos disciplinas relativas a Estatística e Qualidade. Presidiu o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) por três gestões. Presidiu o Departamento do Paraná da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENC/PR). Atualmente é Presidente da ABENC/Nacional.
E-mail
presidencia@abenc.org.br
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Texto complementar
MANIFESTO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENGENHEIROS CIVIS SOBRE PREVENÇÃO DE CATÁSTROFES E MELHORIA DO ATENDIMENTO EMERGENCIAL
O 1º Seminário Brasileiro sobre Catástrofes Naturais e Antropogênicas e o 1º Seminário Brasileiro de Engenharia Civil Emergencial realizaram-se em Curitiba, simultaneamente, de 14 a 16 de dezembro de 2009, idealizados e organizados pela Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENC), como uma das atividades comemorativas dos seus 30 anos de fundação.
Causas, efeitos, prevenção e mitigação das catástrofes naturais e antropogênicas e seu atendimento emergencial foram debatidos com a comunidade de Engenheiros Civis e profissões correlatas, bem como autoridades e representantes de organizações regionais, nacionais e internacionais, ensejando reflexões sobre os desafios que a sociedade deve enfrentar.
1. Constatando que pouco ou quase nada tem sido feito em relação à utilização de conhecimentos e ferramentas já desenvolvidas e existentes no sentido de evitar e minimizar os efeitos de catástrofes e considerando necessária mudança de atitudes que atualmente no Brasil quase se restringem a reparos e reconstruções após as ocorrências, aceitas como frutos da fatalidade , os participantes dos Seminários decidem:
1.1. Alertar as administrações federal, estaduais e municipais para a necessidade de medidas preventivas eficazes, como forma de evitar inestimáveis prejuízos ao patrimônio público e privado e ameaças à vida humana pelas catástrofes naturais e antropogênicas que vêm se repetindo, com preocupante freqüência, no continente e especialmente em nosso País.
1.2. Ressaltar o papel da Engenharia Civil e das profissões correlatas como de fundamental importância para estudo, prevenção e minoração das causas e efeitos das catástrofes.
1.3. Recomendar mapeamento das áreas de risco como providência primordial para identificação da vulnerabilidade, definição de ação preventiva e rápido atendimento das ocorrências, ajudando a hierarquizar prioridades.
1.4. Recomendar a criação e manutenção de bancos de dados de geodesastres, pluviométricos, fluviométricos e outros considerados pertinentes e defender sua melhor utilização para estudos de riscos e prevenção.
1.5. Recomendar às administrações municipais que dediquem especiais atenções às áreas de risco e priorizem projeto e execução de obras de Engenharia Civil como de canalização de rios, drenagens, proteção e recuperação de encostas, entre outras , importantes para evitar problemas em áreas de risco e proporcionar a desejável segurança da população.
1.6. Enfatizar a responsabilidade das administrações municipais quanto à necessidade de limitar e/ou orientar a sempre crescente impermeabilização do solo e de evitar ocupação desordenada do espaço físico, recomendando maior rigor no planejamento territorial urbano e rural quanto à ocupação e ao uso do solo.
1.7. Recomendar efetiva fiscalização municipal na expansão urbana, combatendo ocupações irregulares, que degeneram as cidades e comprometem seriamente a qualidade de vida.
1.8. Regulamentar a manutenção predial como exigência para edificações com grande número de usuários, sejam públicas como terminais de transporte, escolas, hospitais e outras ou privadas como hotéis, shoppings e outras.
1.9. Recomendar rigorosa fiscalização do comportamento de obras de grande porte, como barragens, obras de arte especiais, estradas e outras.
1.10. Enfatizar a co-responsabilidade dos diversos setores governamentais na prevenção e mitigação de riscos.
1.11. Propor o estabelecimento de políticas públicas que tratem do tema.
2. Levando em conta que a sociedade tem responsabilidades e muitas vezes interfere no meio, provocando catástrofes não-naturais, e que o ser humano, por viver aglomerado nas cidades, tornou-se mais vulnerável aos eventos extremos da natureza e suas consequências, os participantes dos Seminários decidem:
2.1. Reforçar a necessidade da educação ambiental e da conscientização com vistas à aplicação continuada de seus ensinamentos e conceitos pela sociedade.
2.2. Recomendar campanhas de orientação à população quanto aos riscos e inconvenientes da ocupação de áreas impróprias.
3. Buscando melhoria do atendimento emergencial, os participantes dos Seminários decidem:
3.1. Destacar que, nos atendimentos de emergência, em cooperação com os demais participantes da Defesa Civil, os Engenheiros Civis podem oferecer notáveis contribuições, por disponibilizarem instrumentos técnicos úteis para ordenamento de ações e tomada de decisões, contribuindo para redução dos riscos e minimização dos danos.
3.2. Observar que fazem parte das atribuições profissionais do Engenheiro Civil a avaliação, a inspeção e a liberação de áreas de risco.
3.3. Estimular o preparo de pessoas com forte e competente formação técnica nas áreas da Engenharia Civil, da Geologia, da Geografia e demais profissões correlatas, para atendimento pré, durante e pós ocorrência das catástrofes.
3.4. Promover a integração entre órgãos governamentais, entidades prestadoras de apoio e comunidade, com vistas a respostas integradas a toda a sociedade logo após a ocorrência.
3.5. Comunicar constantemente à população, em linguagem simples e inteligível, os fatos reais e as ações mitigadoras, do momento e futuras no curtíssimo prazo, de modo a evitar ao máximo a ansiedade, o pânico e também o possível afluxo de pessoas despreparadas às regiões sinistradas, durante o atendimento emergencial.
3.6. Defender o envolvimento e efetiva parceria da área judicial com os diversos órgãos de Defesa Civil, de modo a agilizar, com atitudes judiciais rápidas e pontuais, o atendimento às potenciais ocorrências.
3.7. Indicar como fundamental, após solucionada a ocorrência, a retro análise da situação, como forma de melhor entendê-la e registrar subsídios que possam orientar providências em relação a possíveis problemas futuros.
3.8. Recomendar que a recuperação dos espaços degradados e a reconstrução emergencial obedeçam a critérios técnicos adequados, evitando-se a repetição de erros ou a realização de obras precárias.
4. Diante da clara necessidade de ações práticas para debate com vistas a prevenção de catástrofes e melhoria do atendimento emergencial, os participantes dos Seminários decidem:
4.1. Propor a criação de fórum nacional de debate sobre catástrofes e atendimento emergencial, sob coordenação da ABENC e participação de outras instituições interessadas.
4.2. Recomendar à Secretaria Nacional da Defesa Civil que lidere, em nível nacional, programas de Prevenção de Desastres, pois somente a prevenção pode evitar e/ou minimizar os desastres e suas conseqüências, abrangendo aspectos humanos, materiais e econômico/financeiros.
4.3. Mobilizar instituições de ensino, órgãos públicos e organizações privadas no sentido de que promovam estudos permanentes sobre catástrofes, inclusive no tocante a possíveis causas e mudanças climáticas.
4.4. Encaminhar este Manifesto a órgãos públicos e entidades privadas, incluindo associações de municípios e outras instâncias políticas, para que suas orientações e recomendações alcancem diretamente os agentes políticos.
Curitiba/PR, 16 de dezembro de 2009
Inicio e Fim de Pega. Qual a utilidade?
Embora sejam termos conhecidos no meio técnico, ainda permanecem algumas dúvidas sobre a utilidade destes conceitos e como são utilizados no concreto
Créditos: Engº Jorge Aoki - Gerente de Assessoria Técnica da Itambé
Nos manuais de concreto é muito comum a referência aos tempos de pega e em todo ensaio de cimento chega a ser quase obrigatória a determinação destes tempos. A norma brasileira NBR NM 65:2003 - Cimento Portland - Determinação do tempo de pega, utiliza a pasta de consistência normal (NM 43:2002) e o aparelho de Vicat. Também define no item 3.1 o conceito de tempo de inicio de pega: "É, em condições de ensaio normalizadas, o intervalo de tempo transcorrido desde a adição de água ao cimento até o momento em que a agulha de Vicat correspondente penetra na pasta até uma distância de (4 ± 1) mm da placa base". Já para o fim de pega, o item 3.2 define que este tempo ocorre quando a agulha estabiliza a 0,5 mm na pasta.
Na prática, os tempos de pega referem-se às etapas do processo de endurecimento, solidificação ou enrijecimento do cimento e, em consequência, do concreto. Também são utilizados os termos perda de plasticidade, perda de trabalhabilidade ou ainda cristalização para o entendimento destes tempos. Não conseguimos ainda encontrar um significado para a palavra "pega". Apenas a associação do sentido de 'pegar' com endurecer ou solidificar.
Mas outra questão mais intrigante nos chama a atenção: o que é e qual a utilidade do tempo de fim de pega?
O tempo de inicio de pega é mais fácil de ser entendido. O cimento necessita de água para formar um processo cristalino que conduz a sua solidificação, principal característica reológica. Usamos o termo "hidratação' para designar as reações deste processo. Porém, os compostos que formam o cimento (aluminatos e silicatos na maioria) não reagem com a mesma velocidade, ou melhor, não se hidratam ao mesmo tempo. Segundo os pesquisadores METHA & MONTEIRO as reações com aluminatos ocorrem primeiro e são as responsáveis pela perda da consistência e pela pega. Já as reações com os silicatos respondem pelo endurecimento e ganho de resistência mecânica em idades posteriores.
Das reações com os aluminatos resulta um cristalino na forma de pequenas agulhas prismáticas que começam a ocorrer após algumas horas (geralmente entre 2 a 4 horas) do inicio da hidratação. Este "retardamento" se deve à adição de sulfato de cálcio (gesso), já que a reação com o aluminato do cimento é instantânea, ou seja, a pega é imediata.
Portanto, o momento de início da cristalização ou do endurecimento é chamado de tempo de inicio de pega. No concreto, este tempo determina o período útil que temos para terminar o processo de aplicação, ou seja, compreende desde a mistura dos materiais - contato da água com o cimento - até o seu adensamento e acabamento final.
Mas e o tempo de fim de pega? Diversos autores o definem como o momento final do enrijecimento do concreto ou o inicio do ganho da resistência mecânica propriamente dita. Talvez por isso, as normas brasileiras determinem seu valor máximo, que é de 10 horas. Porém, na prática, não o utilizamos para as medidas pós-acabamento como a cura, serragem para execução de juntas ou polimento superficial. Tampouco para o cálculo das dosagens ou mesmo no processo de fabricação do cimento.
Os tempos de pega contam hoje com diversos aditivos que aceleram ou retardam estes tempos, sem prejuízo para o desenvolvimento das outras características do concreto, como as resistências. Em determinadas situações de concretagem as alterações destes tempos são muito úteis e até necessárias, como no transporte do concreto em longas distâncias ou regiões de tráfego complicado.
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