Inicio e Fim de Pega. Qual a utilidade?

Embora sejam termos conhecidos no meio técnico, ainda permanecem algumas dúvidas sobre a utilidade destes conceitos e como são utilizados no concreto

Embora sejam termos conhecidos no meio técnico, ainda permanecem algumas dúvidas sobre a utilidade destes conceitos e como são utilizados no concreto

Créditos: Engº Jorge Aoki – Gerente de Assessoria Técnica da Itambé

Nos manuais de concreto é muito comum a referência aos tempos de pega e em todo ensaio de cimento chega a ser quase obrigatória a determinação destes tempos. A norma brasileira NBR NM 65:2003 – Cimento Portland – Determinação do tempo de pega, utiliza a pasta de consistência normal (NM 43:2002) e o aparelho de Vicat. Também define no item 3.1 o conceito de tempo de inicio de pega: “É, em condições de ensaio normalizadas, o intervalo de tempo transcorrido desde a adição de água ao cimento até o momento em que a agulha de Vicat correspondente penetra na pasta até uma distância de (4 ± 1) mm da placa base”. Já para o fim de pega, o item 3.2 define que este tempo ocorre quando a agulha estabiliza a 0,5 mm na pasta.

Na prática, os tempos de pega referem-se às etapas do processo de endurecimento, solidificação ou enrijecimento do cimento e, em consequência, do concreto. Também são utilizados os termos perda de plasticidade, perda de trabalhabilidade ou ainda cristalização para o entendimento destes tempos. Não conseguimos ainda encontrar um significado para a palavra “pega”. Apenas a associação do sentido de ‘pegar’ com endurecer ou solidificar.

Mas outra questão mais intrigante nos chama a atenção: o que é e qual a utilidade do tempo de fim de pega?

O tempo de inicio de pega é mais fácil de ser entendido. O cimento necessita de água para formar um processo cristalino que conduz a sua solidificação, principal característica reológica. Usamos o termo “hidratação’ para designar as reações deste processo. Porém, os compostos que formam o cimento (aluminatos e silicatos na maioria) não reagem com a mesma velocidade, ou melhor, não se hidratam ao mesmo tempo. Segundo os pesquisadores METHA & MONTEIRO as reações com aluminatos ocorrem primeiro e são as responsáveis pela perda da consistência e pela pega. Já as reações com os silicatos respondem pelo endurecimento e ganho de resistência mecânica em idades posteriores.

Das reações com os aluminatos resulta um cristalino na forma de pequenas agulhas prismáticas que começam a ocorrer após algumas horas (geralmente entre 2 a 4 horas) do inicio da hidratação. Este “retardamento” se deve à adição de sulfato de cálcio (gesso), já que a reação com o aluminato do cimento é instantânea, ou seja, a pega é imediata.

Portanto, o momento de início da cristalização ou do endurecimento é chamado de tempo de inicio de pega. No concreto, este tempo determina o período útil que temos para terminar o processo de aplicação, ou seja, compreende desde a mistura dos materiais – contato da água com o cimento – até o seu adensamento e acabamento final.

Mas e o tempo de fim de pega? Diversos autores o definem como o momento final do enrijecimento do concreto ou o inicio do ganho da resistência mecânica propriamente dita. Talvez por isso, as normas brasileiras determinem seu valor máximo, que é de 10 horas. Porém, na prática, não o utilizamos para as medidas pós-acabamento como a cura, serragem para execução de juntas ou polimento superficial. Tampouco para o cálculo das dosagens ou mesmo no processo de fabricação do cimento.

Os tempos de pega contam hoje com diversos aditivos que aceleram ou retardam estes tempos, sem prejuízo para o desenvolvimento das outras características do concreto, como as resistências. Em determinadas situações de concretagem as alterações destes tempos são muito úteis e até necessárias, como no transporte do concreto em longas distâncias ou regiões de tráfego complicado.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content



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