Construção civil projeta PIB alto em 2010
É o que revela a 42.ª sondagem trimestral do setor, realizada pelo SindusCon-SP com empresas de todo o país
O PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil deverá crescer 8,8% em 2010. As previsões são do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), com base na 42.ª Sondagem Nacional da Indústria da Construção Civil, que o organismo realiza trimestralmente, e cujos dados mais recentes serão divulgados no final de março.

Através do diretor de economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, o Itambé Empresarial conseguiu antecipar algumas informações. Entre elas, a consolidação de expectativas projetadas na 41.ª sondagem, como a forte a percepção de que o crédito imobiliário crescerá e que boa parte dos empreendimentos será voltada para as famílias de média e de baixa renda. Os investimentos imobiliários deverão passar de R$ 170 bilhões em 2009 para R$ 202 bilhões em 2010, prevê o estudo.
Há, adicionalmente, um sentimento geral de que os investimentos em infraestrutura terão maior vigor neste ano. Além disso, a percepção dos empresários do setor é de que em 2010 os efeitos de eventos como Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas Rio 2016 já comecem a ser sentidos. A construção civil vive de investimentos. Nestes eventos, cerca da metade dos investimentos que serão feitos na economia brasileira passarão pelas mãos do setor. Estádios, alojamentos, estradas, aeroportos, hotéis, telecomunicações, enfim, tudo o que será necessário fazer para esses dois grandes espetáculos terão grande influência no nível de atividade da construção civil, disse Eduardo Zaidan.
O impacto desta expansão deverá se refletir em novo aumento no nível de emprego na construção civil. A expectativa é de que os postos de trabalho com carteira assinada no setor cresçam 8% em 2010. Isto significa que deveremos chegar a cerca de 2,4 milhões de empregos formais no ano que vem, avalia Zaidan, acrescentando: Os empresários mostram-se satisfeitos com o desempenho atual das construtoras e revelam uma expectativa futura ainda melhor.
Referência
A Sondagem Nacional da Indústria da Construção Civil, realizada pelo SindusCon-SP, é uma referência para o setor. Realizada trimestralmente, desde 1999, ela ouve, em média, 300 empresas de todo o país a cada consulta. Nesta 42.ª edição, foram incluídas perguntas sobre insumos, mão de obra, desempenho passado, futuro e percepção de inflação. As construtoras de pequeno e médio porte são as que mais participam da pesquisa.
Entrevistado: Eduardo Zaidan, diretor de economia do SindusCon-SP.
Email: ezaidan@sindusconsp.com.br
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Lei de segurança no trabalho pode desonerar empresas
No início deste ano entrou em vigor a nova legislação sobre segurança no trabalho. Especialista explica o que muda
Em janeiro de 2010 entrou em vigor a nova lei de acidentes de trabalho e doenças contraídas em ambientes corporativos. A intenção da legislação é melhorar o regimento de proteção aos trabalhadores e fixar valores mais próximos à realidade de cada empresa.

Ela altera, por exemplo, o cálculo da contribuição paga pelas empresas à Previdência Social, que antes recolhia uma taxa fixa de 1%, 2% ou 3% sobre a folha de pagamento (de acordo com o grau de risco de seu ramo de atuação). Agora, essa taxa será calculada separadamente.
Para explicar o que muda na lei, seus benefícios e como as empresas devem se adaptar a elas, o especialista Alex Rocha, coordenador do curso de Segurança no Trabalho da Facear (Faculdade Educacional Araucária), concedeu a entrevista a seguir. Confira:
Desde janeiro está em vigor a nova lei de acidentes de trabalho e doenças contraídas em ambiente corporativo. O que essa lei muda para as empresas?
O que muda para as empresas é para melhorar as condições de trabalho, tanto da empresa em questões de qualidade e produtividade, quanto relativo à saúde, segurança e assistência ao trabalhador.
Por que a lei mudou? A anterior era ineficiente?
Não, porém ficava a cargo do INSS comprovar que o acidente ou doença que o trabalhador estava contraindo era causado pela funcionalidade, ou seja, pelo cargo que ele exercia e agora, a empresa vai ter de provar para o INSS que a causa da doença não é relativa ao cargo do trabalhador.
Todas as empresas estão enquadradas na nova lei?
Não, as pequenas e as micro-empresas não adeptas ao Simples não serão afetadas.
Essa lei não vai acabar tributando ainda mais as empresas?
Depende. Se as empresas cumprirem a nova lei, algumas terão redução em até 50% dos encargos relativos a este imposto. Porém, aquelas que não cumprirem, e dependendo do cargo do funcionário, vão ter acréscimo, podendo até dobrar o imposto pago.
Com relação aos direitos dos colaboradores, o que a lei muda para eles?
Foi criado para eles o auxílio acidentário, que vai garantir o recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço durante o tempo de afastamento e ainda vai proporcionar a este trabalhador uma estabilidade temporária de 12 meses.
Existe algum artigo da lei que vai exigir mais atenção dos departamentos das empresas que cuidam de segurança do trabalho?
A própria alteração da lei vai exigir mais atenção daquelas empresas com mais acidentes e acidentes mais graves, pois passarão a contribuir mais se não sanearem estes problemas.
A lei terá capacidade, por exemplo, de reduzir o número de acidentes na construção civil?
Acredito que sim, e bastante, desde que também haja uma fiscalização desta lei.
Como está a construção civil hoje, em termos de acidente de trabalho? Ela ainda lidera o ranking ou melhorou bastante sua posição?
O setor melhorou sensivelmente em relação ao que era, porém com esta nova lei a tendência é que melhore ainda mais.
As perícias médicas mudam com a nova lei de segurança no trabalho?
Sim. Agora, as empresas terão de provar que o problema do funcionário não é relacionado ao seu cargo e sim que ele já vinha com este problema. Então não cabe mais ao perito do INSS fazer esta comparação, por que antes ele tinha que fazer esta relação acidente com nexo-causal do empregado.
Hoje, quais os acidentes de trabalho ou doenças geradas em ambiente corporativo mais comuns?
Em ambiente corporativo uma das mais comuns é a LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e lombalgias. Outro grande problema nos ambientes corporativos é o estresse, que está no topo do ranking. Ele está relacionado a outros problemas de saúde do funcionário, inclusive a problemas psicológicos. O estresse desencadeia insônia, fadiga excessiva e desânimo, mas normalmente o empregado não o correlaciona ao trabalho e isso se torna uma doença crônica. É como se o estresse desse o start para as outras doenças.
Entrevistado: Alex Rocha, coordenador do curso de Segurança no Trabalho da Facear (Faculdade Educacional Araucária): coord.seguranca@facear.edu.br
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ABNT prepara nova norma para a construção civil
Norma de Coordenação Modular para Edificações entra em consulta pública nacional pela Internet
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) colocou em consulta pública nacional, pela internet, a Norma de Coordenação Modular para Edificações. A fim de que toda a cadeia produtiva da construção civil tenha condições de participar, o prazo de consulta se estenderá até 1.º de junho de 2010.
Esta norma definirá os termos, o valor do módulo básico e os princípios da coordenação modular que se aplicam a todos os tipos de projetos de edificações, projeto e produção de componentes construtivos e à construção de edificações. A norma deve ser observada também na elaboração de normas específicas concernentes à definição de medidas e tolerâncias de componentes construtivos.
Sua aplicação possibilitará, entre outros benefícios, a intercambialidade entre componentes/sistemas, ganhos de escala e produtividade, e redução significativa das perdas (sobras de obras), destacou Claudionel Leite, especialista de projetos da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A elaboração do texto-base foi realizada ao longo do segundo semestre de 2009 por cerca de 60 entidades/empresas do setor da Construção Civil de todo o país, além de representantes do Governo. A implantação da coordenação modular é uma medida definida na Agenda de Ação do setor Construção Civil, dentro da categoria Programas Para Fortalecer a Competitividade, da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP).
Como acessar a consulta pública: http://www.abntonline.com.br/consultanacional/
Fonte: assessoria de Comunicação Social ABDI
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Mutuário terá direito de escolher seguradora
Valor do seguro habitacional varia atualmente de aproximadamente 0,5% a 20% do total do financiamento
A partir do dia 17 de fevereiro, os mutuários passaram a ter o direito de escolher a instituição que querem contratar o seguro habitacional, na hora da compra da casa própria.
Antes das novas regras, a instituição de crédito que financiava o imóvel também fazia o seguro habitacional, com uma seguradora escolhida pelo banco.
Agora, as financeiras devem oferecer duas opções de seguradoras, sendo que uma delas não pode ser do mesmo grupo do banco, e o cliente poderá ainda cotar em uma terceira opção. Nesse último caso, o mutuário terá de pagar taxa de até R$ 100.
Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o valor do seguro habitacional varia atualmente de aproximadamente 0,5% a 20% do total do financiamento. O valor cobrado depende da idade do mutuário, do tipo de imóvel e do valor do financiamento.
Fonte: Agência Brasil
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Os desafios da ocupação urbana
Sociólogo analisa o movimento da população e cria indicador para avaliar as novas formas de ocupação das cidades
Um dos maiores desafios da gestão pública é resolver problemas relacionados ao desenvolvimento urbano, sobretudo das grandes cidades e suas regiões metropolitanas. A constatação é de que a falta de planejamento tem tornado o crescimento de muitas cidades insustentável.

Pensando nisso, o sociólogo Ricardo Ojima, através de sua tese de doutoramento em demografia, apresentada ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, desenvolveu um indicador de dispersão urbana. A ferramenta pode ser utilizada, inclusive, para orientar os gestores públicos a organizar o desenvolvimento de seus municípios ou regiões metropolitanas.
Existem inúmeros desafios que são resquícios dos processos anteriores e que podem ser agravados caso não haja um planejamento do que se espera para a ocupação urbana no futuro ressalta o sociólogo. Apesar de não acreditar em soluções em curto prazo, Ricardo Ojima defende a necessidade de ações imediatas como uma fiscalização mais efetiva e a mudança de uma gestão municipal para uma gestão metropolitana mais abrangente. Saiba mais sobre os desafios da ocupação urbana na entrevista abaixo.
Quais as características da ocupação urbana no Brasil?
A ocupação urbana brasileira foi marcada por um processo acelerado de transformações. A transição urbana, ou seja, a passagem de uma população predominantemente rural para uma urbana, não só no Brasil como nos demais países latino-americanos ocorreu em um ritmo muito rápido. A partir de 1960 a população rural brasileira se manteve estável (na casa dos 38 milhões). Enquanto isso, a população urbana que era de 31 milhões em 1960, passou a ser de 80 milhões em 1980, momento em que a população passa a decrescer. Neste ritmo acelerado, planejar o crescimento da cidade apresentava desafios de ordem mais imediata, considerando a demanda por moradia e espaço urbano. Neste momento, um processo de verticalização iniciou-se, principalmente nos centros urbanos, elevando o custo da terra e, de certa forma, levando a população mais carente a se alocar nas periferias urbanas destes centros.
Atualmente, o ritmo de crescimento das cidades está estabilizado. Alguns centros urbanos que tradicionalmente cresciam a elevadas taxas, hoje apresentam crescimento próximo a zero ou até negativos em alguns casos (como é o caso do centro de São Paulo). Com isso, surge uma oportunidade de que as formas de planejar a cidade sejam mais viáveis e eficazes. Ainda não poderia considerar que seja uma ocupação planejada, mas medidas de controle podem ser mais facilmente aplicadas. Com isso, poderíamos dimensionar adequadamente a localização de serviços públicos (educação, saúde, etc), planejar melhor o sistema viário e de transporte, entre outros.
Quais os problemas mais graves acarretados por uma ocupação urbana desordenada?
Quando a ocupação urbana se torna desordenada, problemas viários, sanitários, ambientais, de segurança, de acesso a serviços se tornam mais complexos de serem resolvidos. Tanto para atender a população mais carente, como também apresentam impactos negativos para toda a sociedade já que esses problemas repercutem.
Tem-se verificado um movimento de dispersão urbana? O que isso significa?
Considera-se como dispersão urbana o processo de desconcentração da população dentro do espaço urbano. Ou seja, se em um momento da urbanização brasileira a verticalização das áreas centrais favorecia a concentração da população nos centros urbanos, hoje, uma parcela importante da população tem se dirigido para regiões mais distantes dos centros em busca de fatores como qualidade de vida, menores custos da terra, melhor acesso viário, entre outros. Além disso, a especificidade do processo de dispersão recente é a movimentação da população de média e alta renda em um padrão de habitação mais disperso, ou seja, em lotes individuais com áreas maiores.
Um exemplo de dispersão urbana são os condomínios fechados localizados em áreas mais distantes dos centros urbanos, correto? O que esses condomínios representam em sua opinião?
Os condomínios e loteamentos fechados poderiam ser considerados como um dos ícones desse processo de expansão urbana contemporâneo no Brasil. Embora seja especialmente direcionado para um público de média e alta renda, hoje já existe possibilidade de acesso por uma parte mais ampla da população. Trata-se de um novo padrão de consumo do espaço urbano, que se opõe ao período de verticalização da década de 70, onde residir em um prédio no centro da cidade representava status social. Hoje, residir em um loteamento fechado é mais valorizado. Eles representam, portanto, uma mudança importante no padrão de ocupação presente e futuro. Com ele, os custos sociais de implantação de serviços públicos tende a ser mais elevado, já que o atendimento destes serviços está mais disperso no espaço. Além disso, incentiva o uso de automóveis particulares, já que é pouco atrativo economicamente para empresas concessionárias de transporte público assumir linhas de transporte em regiões de baixa densidade populacional (ou seja, em que o volume regular de passageiros é baixo). Em termos dos fatores ambientais, incentiva-se o aumento das emissões de gases de efeitos estufa, tanto pelo uso intensivo de automóveis, como pelo padrão de consumo mais elevado que a população que vive nesses contextos apresenta.
Essa dispersão não contribui para evitar o inchaço populacional das grandes cidades? Quais os prós e contras da dispersão e da aglomeração?
Embora pareça ser um fenômeno que evitaria o inchaço urbano nas grandes cidades, podemos observar que o processo de crescimento populacional já está estagnado. Por duas razões: os fluxos migratórios rural-urbano já são muito pequenos e a taxa de crescimento da população em geral já está baixa, com estimativas de que passe a ser decrescente antes do meio deste século. O grande problema da dispersão urbana é que com ele há um processo de uso do espaço mais intensivo. Assim, a cidade passa a ocupar um espaço muito maior, embora em termos populacionais ele não apresente crescimento proporcional. Com isso, incentiva-se a demanda por deslocamentos cotidianos mais intensos e em uma sociedade baseada no transporte automotivo, isso implica em mais automóveis circulando nas ruas, agravando congestionamentos e emissões de gases de efeito estufa, por exemplo.
Em que consiste o indicador de dispersão urbana que você desenvolveu?
O indicador consiste em uma análise de fatores que me permitiram comparar as aglomerações urbanas brasileiras em termos do seu padrão de ocupação, considerando elementos que me permitiam identificar se a aglomeração era mais ou menos dispersa. Foram considerados fatores como densidade da população urbana, a fragmentação das áreas urbanas, o formato que a área urbana apresenta no espaço e os volumes de movimentos populacionais entre um município e outro dentro da mesma aglomeração.
Quais os principais erros que ainda são cometidos na ocupação urbana e que deveriam ser eliminados?
Ainda existe dificuldade do poder público fiscalizar o padrão de ocupação urbana. Em parte, pelas ocupações irregulares (que nem sempre são originadas pela população de baixa renda, uma vez que existem diversos empreendimentos imobiliários de médio padrão que se instalam sem as devidas licenças) e, por outro lado, por muitas vezes os lobbies das corporações imobiliárias conseguirem desarticularem planos diretores, leis de zoneamento urbano, de acordo com os interesses econômicos.
O que precisaria ser feito, por exemplo, para viabilizar o programa Minha Casa Minha Vida, dentro dos conceitos de uma ocupação urbana ordenada?
Em parte dos casos, um programa habitacional poderia considerar a construção de conjuntos habitacionais verticalizados (não necessariamente com muitos andares), mas que possa otimizar o uso do espaço urbano. Assim, parte das famílias poderia ser alocada em regiões não muito afastadas dos centros e locais de trabalho e, portanto, reduzindo os seus custos de deslocamento. Em algumas cidades, isso não se faz necessário, mas há casos em que os antigos centros urbanos possuem vazios urbanos que poderiam ser utilizados. Assim, é importante destacar que não existe uma fórmula única para solucionar os problemas urbanos, cada caso deve ser considerado e, de acordo com suas especificidades, avaliar as melhores alternativas, levando em conta, inclusive os interesses da população a ser atendida.
Além das ações políticas, o que a sociedade e as empresas podem fazer para contribuir para uma ocupação urbana mais organizada e sustentável?
Creio que o principal articulador dessas soluções deva ser, mesmo, os governos locais e regionais. É preciso que se tenha consciência dos prós e contras que cada modelo de urbanização trás consigo.
Você defende que as soluções devam ter uma dimensão supramunicipal, ou seja, que haja uma gestão metropolitana. Por quê?
Isso se deve ao fato de que a urbanização contemporânea extravasa os limites municipais. Em grande parte das aglomerações urbanas brasileiras, as pessoas frequentam mais de uma cidade para suas atividades diárias, seja por trabalho, estudo, lazer ou compras. Em parte, os municípios de uma mesma aglomeração urbana acabam competindo entre eles, oferecendo loteamentos e planejando a oferta de espaço sem pensar no conjunto dos demais municípios. Com isso, podem ser criadas demandas sociais para um município, derivadas do que outro município planejou. Por exemplo, aumentar a demanda no sistema de saúde de um município, devido aos novos loteamentos que outro município vizinho aprovou nos limites de sua área administrativa, mas no qual o serviço de saúde mais próximo, fica naquele município vizinho.
Quais soluções estão sendo discutidas e implementadas para reverter isso? Na sua opinião, quais deveriam ser os próximos passos para solucionar o problema da ocupação urbana no país em curto, médio e longo prazos?
Em curto prazo, creio ser difícil solucionar os problemas devido ao fato de que muitos deles não são exclusivamente novos e motivados por esse novo padrão de ocupação. Em verdade, existem inúmeros desafios que são resquícios dos processos anteriores e que podem ser agravados caso não haja um planejamento do que se espera para a ocupação urbana no futuro. Os investimentos cada vez mais terão custos elevados e, em um país com dificuldades orçamentárias, otimizar os recursos é essencial.
Entrevistado:
Ricardo Ojima - ojima@nepo.unicamp.br
Ricardo Ojima concluiu o mestrado em Sociologia em 2003 e o Doutorado em Demografia em 2007, ambos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 2009 encerrou pesquisa de pós-doutoramento junto ao Núcleo de Estudos de População (NEPO/Unicamp) sob financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Atua na área de População, Planejamento Urbano e Regional e Mudança Ambiental. Atualmente é Gestor de Ensino e Pesquisa da Fundação João Pinheiro (FJP-MG) e pesquisador colaborador do Núcleo de Estudos de População (NEPO/Unicamp). É sub-coordenador do Grupo de Trabalho População, Espaço e Ambiente da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP).
Bibliografia: Dimensões da urbanização dispersa e proposta metodológica para estudos comparativos. Ricardo Ojima - Revista Brasileira de Estudos de População Dez. 2007 Vol.: 24 n.2
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Bairro brasileiro vira referência internacional em sustentabilidade
Em Palhoça (SC), está em construção um empreendimento para 30 mil pessoas credenciado por organismos de construção verde dos EUA

O Conselho da Construção Verde dos Estados Unidos (USGBC, na sigla em inglês) criou recentemente o programa de desenvolvimento positivo para o clima. O objetivo é acompanhar projetos urbanos que comprovem estar comprometidos com a redução do volume da emissão de CO2. Em todo o planeta, foram escolhidos 16 empreendimentos que servirão de exemplo para comprovar que, com estratégias construtivas, é possível criar áreas ambientalmente sustentáveis. No Brasil, o projeto escolhido é o bairro Pedra Branca, que está em construção no município de Palhoça, em Santa Catarina.

A área, com cerca de 1,7 milhão de metros quadrados, deverá abrigar uma população de 30 mil pessoas dentro de 15 anos. A âncora do empreendimento, a universidade Unisul, ganhou um terreno de 150 mil metros quadrados onde construiu seu campus. O conceito urbanístico adotado no Pedra Branca prioriza a caminhabilidade integrada com edificações sustentáveis. O bairro também conta com um sistema de drenagem de águas pluviais. A meta é otimizar a utilização dos recursos naturais e gerar a menor quantidade de resíduos possível.

Para a diretora-geral da Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica, Silvia Manfredi, o desafio do bairro Pedra Branca será conseguir coexistir com a infraestrutura da cidade, que não prioriza a sustentabilidade. O conceito puro de bairro sustentável propõe que ele seja totalmente autossuficiente. Por exemplo, deveria gerar a própria energia consumida, gerar alimento para a população, gerar todos os recursos que ele consome ali. O ideal, neste bairro, seria que as pessoas morassem e trabalhassem lá e que tudo o que se consumisse fosse produzido nele. Mas na prática não é isso que ocorre, diz.
No entanto, ela elogia o projeto. No Brasil são raras ideias como essa e quando elas surgem devem ser valorizadas. Se, na prática, o Pedra Branca conseguir tornar-se 50% sustentável já será um avanço, afirma. O bairro em Palhoça prega que as construções utilizem materiais renováveis ou de menor impacto ambiental, com proficiência energética em termos de economia de energia elétrica e economia de água. A ANAB acompanha um desses empreendimentos. Trata-se de uma construção comercial que busca a certificação LEED.
Silvia Manfredi lembra que na China e no Japão já existem cidades sustentáveis. Lá, além das premissas de sustentabilidade, existe a preocupação com a mobilidade urbana. O transporte público e meios alternativos, como a bicicleta, são priorizados. O carro tem pouco espaço naquelas cidades, conta. No programa da USGBC, no entanto, os projetos que serão acompanhados, além do de Palhoça, estão em Melbourne, Austrália; Toronto, Canadá; Victoria, Canadá; Ahmedabad, Índia; Jaipur, Índia; área externa da Cidade do Panamá, Panamá; Pretória, África do Sul; Joanesburgo, África do Sul; Seul, Coreia do Sul; Estocolmo, Suécia; Londres, Reino Unido; São Francisco, EUA; e Destiny, Florida, EUA.
Texto complementar
Cidades cada vez mais poluidoras
No ano passado, pela primeira vez, metade da população do mundo (3,2 bilhões de pessoas) morava em cidades - esse número deve crescer para 70% até 2050. As cidades ocupam apenas 2% da massa de terra do planeta e já são responsáveis por mais de dois terços do uso da energia e das emissões de gases causadores do efeito estufa no mundo. O rápido crescimento urbano e as mudanças climáticas estão colocando as cidades do planeta numa situação difícil, com crescentes custos de infraestrutura, energia, serviços de saúde e assistência social que ganharão maior vulto com a pressão da adaptação climática. A maneira como as cidades mudam e crescem é, portanto, um componente essencial para lidar com a crise do clima.
Entrevistada:
Sílvia Manfredi, diretora-geral da ANAB, arquiteta e Urbanista formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie em 1997 e especialista em Gestão Ambiental pelo Senac em 2004.
Pesquisa, desde 2002, o tema da sustentabilidade na Construção Civil e saúde nas habitações.
Email: lubra@ig.com.br
ANAB - Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica
Site: http://www.anabbrasil.org/index.asp
Site: www.cidadepedrabranca.com.brMeta-tags
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Métodos de ensaios não destrutivos para estruturas de concreto
Métodos não destrutivos contribuem para evitar danos à estrutura
Créditos: Engª. Giovana Medeiros - Assessora Técnico Comercial Itambé
Comumente, a inspeção e o diagnóstico do desempenho de estruturas de concreto armado estão relacionados com ensaios de resistência à compressão em testemunhos extraídos da própria estrutura, ou seja, ensaios destrutivos que danificam ou comprometem seu desempenho.
A utilização de ensaios não destrutivos passa a ser uma alternativa mais atraente, uma vez que os métodos se modernizaram, aumentando a precisão de análise. As vantagens dos ensaios não destrutivos são: proporcionar pouco ou nenhum dano à estrutura, serem aplicados com a estrutura em uso e permitir que problemas possam ser detectados em estágio ainda inicial.
Na construção civil, as aplicações destes ensaios são para verificar as resistências à compressão, localizar e detectar corrosão em armaduras do concreto armado e encontrar defeitos localizados como rachaduras e vazios, dentre outros. Frequentemente assistimos a quedas de marquises, viadutos e outras obras. Desta forma, a manutenção preventiva das estruturas é imprescindível, muito mais eficiente, com baixos custos e permite maior vida útil.
De maneira geral, existem duas classes de métodos de ensaios não destrutivos para aplicação em estruturas de concreto. A primeira consiste em métodos utilizados para estimar a resistência do material, tais como ensaio de dureza superficial (esclerometria), resistência à penetração e método da maturidade. A segunda classe inclui métodos que medem outras características e defeitos internos do concreto, por meio de propagação de ondas e termografia infravermelha. Além destes métodos, existem ainda outros que fornecem informações sobre armaduras para localizar barras, especificar seu diâmetro e o potencial da corrosão.
Métodos de ensaios não destrutivos
Os métodos esclerométricos, segundo a NBR 7584/1995, fornecem informações sobre a dureza superficial do concreto e devem ser empregados principalmente em circunstâncias onde haja averiguação da uniformidade da dureza superficial do concreto, comparação de concretos com um referencial e estimativa da resistência à compressão do concreto. Neste método, é muito importante a capacitação do profissional que irá realizar os ensaios, para evitar erros e decisões precipitadas.
O método de resistência à penetração utiliza um penetrômetro Windsor, que por sua vez dispara um pino contra o concreto. O comprimento do pino que fica exposto é uma medida da resistência à penetração do concreto. Esta medida pode ser relacionada com sua resistência à compressão.
O método da maturidade permite uma estimativa da resistência do concreto, a partir do seu histórico de tempo e temperatura. Sendo assim, é possível realizar o cálculo do tempo necessário para que elementos estruturais sejam desmoldados após atingirem uma resistência suficiente às cargas decorrentes do andamento da obra.
O método do ultrassom, segundo a NBR 8802/1994, determina a velocidade de propagação de ondas longitudinais, obtidas por pulsos ultrassônicos, através de um componente de concreto. As principais aplicações deste método são: verificar a homogeneidade do concreto; detectar eventuais falhas internas de concretagem, profundidade de fissuras e outras imperfeições; e monitorar variações no concreto, ao longo do tempo, decorrentes de agressividade do meio.
A termografia infravermelha constitui na percepção da temperatura superficial de um corpo pelo mecanismo de transferência de calor (radiação), sendo possível detectar, com precisão, grandes defeitos e delaminações no interior de estruturas de concreto.
Com o crescimento considerável da construção civil, novos materiais foram desenvolvidos e as propriedades do concreto foram aprimoradas. Tecnologias mais avançadas por técnicas não-destrutivas não têm sido utilizadas com a eficiência e frequência no campo do concreto. E a carência de normalização nacional, que reflete no cenário tecnológico, faz com que a aplicação de ensaios não-destrutivos na indústria da construção civil se torne cada vez menos frequente.
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A importância da racionalização construtiva
Conjunto de boas práticas na construção garante aumento da produtividade, além de reduzir custos e tempo
Diminuir custos e prazos e ainda manter a qualidade. Este é o objetivo de quem adota a racionalização construtiva. Muitas construtoras já descobriram que, quando bem empregadas, as metodologias da racionalização ajudam a reduzir os problemas construtivos e ainda permitem ganhos de produtividade e qualidade.

A construção tradicional está, cada vez mais, perdendo espaço nos canteiros de obras por não atender à demanda do mercado. Para o engenheiro civil Alberto Casado, professor da Escola Politécnica de Pernambuco e coordenador do POLITECH - Grupo de Pesquisa em Tecnologia e Gestão da Construção de Edifícios, a racionalização construtiva deixou de ser uma estratégia competitiva e tornou-se uma necessidade para a própria sobrevivência da empresa.
O que é racionalização?
Por definição, Casado explica que a racionalização trata da melhor utilização dos recursos existentes em todas as etapas da obra. Isso significa que os recursos devem ser utilizados em sua total capacidade reforça. Segundo o engenheiro, é preciso considerar como recursos a mão de obra, os materiais, as ferramentas, a energia, os meios de transporte, entre tantos outros.
A utilização racionalizada de todos os recursos envolvidos é possível através da mudança organizacional dos processos tradicionais de construção e da adequação tecnológica. Todo e qualquer tipo de desperdício deve ser combatido, sendo que a utilização de recursos além do necessário à produção também deve ser caracterizada como um desperdício.
O importante, de acordo com Casado, é que a racionalização seja contemplada desde a fase de projeto. A inexistência de um projeto específico, que vise à racionalização, certamente vai gerar desperdícios, falhas de execução, retrabalho, gerando mais custos e prolongando os prazos de entrega avalia.
Algumas vezes, a racionalização é minimizada a ações de pequeno impacto e extensão. Em alguns casos são feitas melhorias pontuais e individualizadas na obra, como a mudança de uma ferramenta ou técnica. Essas ações, no entanto, não atingem resultados tão significativos quanto uma ampla aplicação da racionalização construtiva poderia alcançar.
A filosofia da racionalização construtiva serve para todo tipo de obra, independente do porte. Porém, as medidas e estratégias que serão adotadas visando à racionalização dependerão das características e particularidades de cada uma orienta o engenheiro do POLITECH.
Características da racionalização construtiva:
- Otimização do processo produtivo;
- Racionalização do uso de recursos humanos;
- Racionalização de materiais;
- Racionalização do tempo;
- Padronização de projetos;
- Mecanização e uso de novas tecnologias;
- Projeto elaborado de acordo com a necessidade do empreendimento.
Para o sucesso da racionalização é necessária uma mudança de cultura no ambiente construtivo. Para isso, é fundamental contar com o engajamento de uma equipe multidisciplinar. Essa é uma tarefa que exige o envolvimento de todos os participantes da cadeia construtiva confirma Casado.
Além da capacitação e comprometimento de todos os envolvidos, é necessária uma gestão global do processo de racionalização. Profissionais que atuem antecipando ações, planejando riscos, mensurando recursos humanos, insumos e maquinário, podem contribuir para alcançar os resultados almejados. Consultorias, parcerias e convênios com universidades e institutos de pesquisa têm dado bons resultados a algumas construtoras sugere Alberto Casado.
Industrialização na construção civil
Não tem como falar de racionalização sem considerar os benefícios da industrialização na agilidade e simplificação dos processos construtivos. A industrialização está em um nível superior ao da racionalização, pois contempla também a mecanização resume o engenheiro.
A racionalização, no entanto, ainda é considerada uma alternativa mais próxima à realidade da construção civil do que a industrialização, seja pela dificuldade de promover a mecanização maciça no canteiro de obras ou pela falta de recursos financeiros.
E-mail de contato: Alberto Casado - acasado@poli.br
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Ponte Rio-Niterói completou 36 anos
Dia 04 de março a Ponte Presidente Costa e Silva comemorou mais um ano de vida
Créditos: Vanda Pereira Cúneo - Assistente de Marketing
36 Anos, o então presidente Médici percorria a Ponte Rio-Niterói a bordo de um Rolls Royce presidencial, na inauguração do que hoje é considerada a sétima maior ponte do mundo e um cartão postal do Rio de Janeiro.
Além de marcar a fusão do antigo Estado do Rio com o Estado da Guanabara, a inauguração da ponte, no dia 4 de março de 1974, transformou o caminho daqueles que faziam a travessia de seus carros em balsas, da capital para os municípios não só da região metropolitana, mas do norte e noroeste do estado.
Quem pode imaginar que, em 1970, para fazer a travessia da Baía de Guanabara, que hoje é feita em 15 minutos, era preciso esperar duas horas em uma fila para poder embarcar o veículo e depois mais uma hora para chegar?

Haroldo Cruz Júnior, que vivenciou as obras naquela época, contou que, durante a construção da ponte, muitos ainda duvidavam que ela seria concluída. "Era uma obra ousada para a época e perigosa, disse.
Para ele, atualmente é tão comum atravessá-la, que quem não viveu aquele tempo e as dificuldades para ir para Niterói, não consegue assimilar a importância de uma obra tão grande.
"Se hoje já achamos cansativa a viagem, imagine naquela época? Os veículos de passeio não eram tão confortáveis, as estradas eram piores e a assistência de um socorro era praticamente inexistente", lembrou Haroldo.
A obra para a construção da ponte, que tem uma extensão de 13,29 km (8,83 deles sobre a água) e 72 m de altura em seu ponto mais alto, custou na época 400 milhões de dólares, o que hoje seria 2.5 bilhões de dólares.
Cerca de dez mil operários e 200 engenheiros trabalharam no empreendimento, que durou cinco anos e três meses para a conclusão. Hoje, cerca de 145 mil veículos passam pela Ponte todos os dias. E, nos feriados, este volume chega a até 160 mil.
Graças às melhorias que vem recebendo ao longo dos últimos anos, com a modernização da via, sistemas de controle de tráfego de última geração e revitalização com programas de conservação e manutenção que são referência no Brasil e no exterior, a ponte passou a ser considerada uma das rodovias mais modernas e seguras do país.

Curiosidades
O vão central da ponte, com 72 metros de altura, é a única parte que não foi feita só de concreto. Com 800 metros de comprimento, ele foi construído também em aço e é o maior vão em viga reta do mundo.
Para imaginar a quantidade de material usado, se pegássemos todo o concreto da Ponte, daria para fazer oito estádios do Maracanã. E, se as vigas de ferro fossem alinhadas, dariam a volta na Terra.
A estrutura de concreto e aço da ponte possui um sistema de amortecimento que absorve a energia decorrente de vibrações (movimentos de carros e ventos). A ponte tem ainda 11 sub-estações de energia, 42 transformadores, 980 pontos de iluminação pública e 400 pontos de sinalização náutica e aérea.
Fonte: SRZD
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Megaobra encurta distâncias no Sul
Alta tecnologia em concreto está presente nos túneis da BR-101, entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Considerada a obra rodoviária mais importante do país no momento, a duplicação da BR-101 Sul está finalizando a etapa de construção dos túneis sob o Morro Alto, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com extensão de 1.662 metros cada um, eles evitaram o desmatamento de 14 quilômetros quadrados de uma área ambiental localizada na região de Maquiné (RS). Além disso, os túneis reduziram em 11 quilômetros o percurso de 99 quilômetros entre Osório, no litoral norte gaúcho, e Palhoça, do lado catarinense.
Sob a responsabilidade da empreiteira Queiroz Galvão, a construção contou com a assessoria da ABCP Sul (Associação Brasileira de Cimento Portland). Entre outubro e dezembro do ano passado foi executada a pavimentação dos túneis numa extensão de 3.560 metros e volume de 10.370 metros cúbicos de concreto. No momento, a executora está realizando trabalhos complementares, como barreiras de segurança e acabamentos de pista. O cronograma prevê a liberação da obra ainda neste semestre. Os túneis têm 15 metros de largura cada um, com 12 metros de pista.

A ABCP apoiou a executora da obra cedendo, sob a forma de comodato, equipamentos como pavimentadora de fôrma deslizante, usina de concreto e texturizadora, além de treinar a equipe de trabalho (engenheiros e operários) e acompanhar a execução das placas de concreto. Segundo o engenheiro Fernando Druck, representante regional da ABCP-RS, o projeto de dimensionamento do pavimento de concreto determinou a construção de uma camada de concreto compactado com rolo (CCR) de 11 centímetros e placas de concreto com 24 centímetros de espessura, capaz de suportar alto tráfego de veículo por 20 anos sem necessidade de manutenção.
O concreto utilizado é do tipo convencional. O material foi projetado para suportar resistências à tração na flexão de 4,5 MPa. Além disso, foram utilizados aditivos específicos para essa aplicação do concreto, com a inclusão de fibras de polipropileno - indicadas para evitar fissuramento por retração de secagem. Trata-se de uma pavimentação de alta tecnologia. A utilização da pavimentadora de fôrmas deslizantes no túnel, inclusive com a concretagem de placas de pequena largura, mostrou-se eficaz e muito econômica em termos de prazo de conclusão e principalmente de acabamento final da pista, explica Fernando Druck.

Diferente do material usado no pavimento, as paredes dos túneis receberam concreto fluído, desenvolvido para esse uso e aplicado com equipamentos de projeção, similares a um canhão de água. A função foi formar uma barreira de contenção das rochas do túnel e evitar a passagem de água. Toda a obra levou em conta um plano de gerenciamento ambiental. Com a opção pela construção de túneis sob o Morro Alto preservou-se as áreas de várzea e o ecossistema complexo da região, protegido por lei e considerado de preservação da Mata Atlântica.
Email do entrevistado
Fernando Druck, representante regional da ABCP-RS: fernando.druck@abcp.org.br
Nathalie Bandeira de Mello (assessoria de imprensa): nathalie@primecomunicacao.com.br
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