Engenheiro clínico: todo hospital deve ter um
Profissional é importante desde a concepção do projeto arquitetônico de um complexo de saúde até a instalação e uso correto de equipamentos hospitalares
Por: Altair Santos
Resolução publicada em 2010 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determina que todo estabelecimento de saúde, seja ele hospital ou posto de pronto-atendimento, deve ter entre seus gestores um profissional especializado em engenharia clínica.

A participação deste especialista, diz a resolução publicada em 25 de janeiro de 2010 no Diário Oficial da União, não se limita apenas à fase de operação da unidade de saúde, mas deve estar integrada desde a sua concepção, ou seja, ainda na fase de projeto.
“Quando um hospital está em construção, o engenheiro clínico pode especificar, com apoio de requisitos de pré-instalação dos diversos equipamentos, o dimensionamento de áreas físicas e os dimensionamentos elétricos e hidráulicos do prédio”, explica Marcos Antônio Rocha, que ocupa a gerência de engenharia clínica do Centro de Engenharia Biomédica da Unicamp (Universidade de Campinas).
Além destas atribuições, a engenharia clínica - também conhecida como engenharia hospitalar - fornece orientação na especificação, aquisição, instalação, utilização e manutenção de equipamentos médico-hospitalares. Cabe ainda ao especialista na área contribuir no acesso às tecnologias da instituição médica, planejando o hospital para melhorar sua qualidade, atender a demanda de clientes e otimizar a produtividade de funcionários e médicos.
Hoje, no Brasil, poucas instituições de ensino oferecem a especialização, que é voltada principalmente para engenheiros, arquitetos, físicos, químicos e administradores.
Além da Unicamp, há cursos nas seguintes instituições:
Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (CESAS);
Universidade de Brasília (UnB Gama);
Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações);
Inca (Instituto Nacional do Câncer);
TGS Eventos Educacionais;
UFBA (Universidade Federal da Bahia);
Unifor (Universidade de Fortaleza);
UCL (Universidade do Centro Leste);
UFMA (Universidade Federal do Maranhão);
UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre)

Em questões de segurança hospitalar, o engenheiro clínico também é estratégico. “Normalmente, ele tem a função de orientar e fiscalizar o cumprimento da legislação”, diz Marcos Antônio Rocha, alertando, porém, que ainda são poucas as unidades de saúde no país que possuem engenheiros clínicos em seus quadros. “É a minoria absoluta”, diz. “Infelizmente, as construtoras especializadas em projetos hospitalares também absorvem poucos engenheiros clínicos”, completa.
A profissão de engenheiro clínico surgiu nos Estados Unidos, na década de 1970. Atualmente, naquele país, cada hospital com mais de 300 leitos é obrigado a ter um departamento de engenharia clínica. No Brasil, entre os mais de 6.000 complexos de saúde espalhados em território nacional, podem-se encontrar serviços de engenharia clínica em hospitais universitários, em hospitais privados de maior complexidade e em alguns institutos especializados.
Hoje, no país, boa parte dos engenheiros clínicos atua em consultoria, principalmente quando os hospitais buscam acreditação e certificações de qualidade.

Serviço
Onde conseguir mais informações sobre Engenharia Clínica:
Associação Brasileira de Engenharia Clínica: http://www.abeclin.org.br
Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica: http://www.sbeb.org.br
International Federation for Medical and Biological Engineering: http://www.ifmbe.org
Entrevistado
Marcos Antônio Rocha, gerente de engenharia clínica do Centro de Engenharia Biomédica da Unicamp
Currículo
Graduado em Tecnologia em Eletrônica Industrial, pela Faculdade Salesiana de Tecnologia (Unisal), em 1989
Contato: rocha@ceb.unicamp.br
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
COPA 2014: Arena das Dunas, enfim, sai do papel
Com cronograma apertado, estádio do Rio Grande do Norte para a Copa do Mundo de 2014 vai apostar maciçamente no pré-moldado
Por: Altair Santos
A expectativa do organismo criado no Rio Grande do Norte para gerenciar as obras voltadas para a Copa do Mundo de 2014 é de que até o começo de junho seja iniciada a demolição do estádio Machadão, em Natal, que será substituído pela Arena das Dunas – um complexo esportivo de 42 mil lugares, a ser construído pela construtora OAS.

Segundo Demétrio Torres, secretário extraordinário da Copa, como o cronograma da obra encontra-se no limite, o sistema construtivo que irá prevalecer será o pré-moldado. “O que se puder fazer em pré-moldado será feito, para que o projeto tenha o menor tempo de execução”, disse.
Para a Copa, as obras propriamente ditas do novo estádio devem começar até o final de 2011. Entre junho e dezembro, ocorrerá a demolição mecânica do Machadão. Segundo a secretaria da Copa do Rio Grande do Norte, o objetivo é usar o máximo de concreto reciclável. Mesmo assim, a estimativa é de que o estádio irá consumir de 15 mil a 20 mil toneladas de cimento. “Não dá para estimar uma quantidade exata, pois tudo vai depender do material que será reaproveitado do Machadão”, explica Demétrio Torres.
Quando o terreno estiver preparado para receber a obra, o secretário da Copa avalia que o novo estádio será erguido em tempo recorde. “Enquanto ocorre o processo de demolição, o pré-moldado já estará em processo de fabricação. Quando a área estiver limpa, a montagem da estrutura do estádio será acelerada, pois o cronograma prevê que a obra seja concluída em dezembro de 2013”, diz. O prognóstico inicial é de que o empreendimento gere de 300 a 400 empregos diretos.

A Arena das Dunas, que é considerada pela Fifa como um dos estádios da Copa do Mundo 2014 com as obras mais atrasadas, demorou para viabilizar-se por causa da engenharia financeira que o governo do Rio Grande do Norte precisou fazer para bancar a construção. O empreendimento será erguido através de uma Parceria Público Privada (PPP). Quem tomará o empréstimo no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) será uma empresa criada especificamente para o empreendimento. O governo do Rio Grande do Norte e a construtora OAS montaram uma sociedade de proposta específica.
Durante 20 anos, a gestão do estádio irá custar R$ 1,2 bilhão, já incluído o custo de construção e a manutenção da Arena das Dunas neste período. Além de responsável pela construção do estádio, o governo do Rio Grande do Norte estará à frente também da duplicação da BR-304, entre Natal e Fortaleza, cuja obra está prevista no PAC da Copa.
Já, através do PAC Mobilidade para Grandes Cidades - um programa do governo federal que integra o Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2) -, o estado obteve a garantia de recursos na ordem de R$ 130 milhões para viabilizar o sistema de Veículo Leve sobre Trilho (VLT) na região metropolitana de Natal. O dinheiro será usado na primeira etapa do projeto, que contempla o percurso entre o bairro da Ribeira, na capital potiguar, e o município de Extremoz.

Entrevistado
Demétrio Torres, Secretário Extraordinário para Assuntos da Copa 2014
Currículo
Graduado em Engenharia Civil e em Segurança do Trabalho, com especialização em Engenharia Rodoviária
Foi secretário municipal de Obras e Infraestrutura de Natal por duas gestões
Atualmente divide o cargo de diretor-geral do DER-RN (Departamento Estadual de Estradas e Rodagens) com o de secretário extraordinário para a Copa do Mundo
Contato: derdg@rn.gov.br
Créditos fotos: SECOPA/RN e Demis Roussos/RN
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Água torna-se estratégica na construção civil
Uso racional de recursos hídricos no setor ganha estímulo do governo, através de chamada pública da Agência Nacional de Águas
Por: Altair Santos
O uso racional de água no setor da construção civil levou a Agência Nacional de Águas (ANA) a lançar no final de 2010 uma chamada pública para atender ao projeto “Desempenho e Inovação de Sistemas e Componentes para Uso Eficiente de Água em Edifícios”. O objetivo é estimular experiências voltadas à economia de recursos hídricos, que minimizem perdas e maximizem a eficiência. Para os trabalhos que forem selecionados, a ANA irá distribuir R$ 500 mil para as pesquisas.

Segundo Cláudio Ritti Itaborahy, que na ANA exerce o cargo de especialista em recursos hídricos, as propostas apresentadas ainda não podem ser divulgadas, pois estão sob avaliação do Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv). Serão contempladas entidades privadas sem fins lucrativos. Caso nenhum trabalho seja aprovado, a Agência Nacional de Águas irá relançar o edital para uma nova seleção de projetos.
A proposta da ANA se divide em dois subprojetos: 1) Levantamento de perfil de utilização de água em pontos de consumo em edifícios residenciais (padrões: interesse social, médio-baixo e médio) e edifício de escritórios; e 2) Avaliação de desempenho de sistemas de água não potável em edifícios. “Eles referem-se ao consumo de água e desempenho de sistemas hidráulicos em edificações já concluídas”, explica Cláudio Ritti Itaborahy.
A iniciativa da Agência Nacional de Águas de estimular projetos construtivos que reduzam o consumo de água se deu pelo incentivo do próprio setor da construção civil. Segundo Itaborahy, um dos impulsos foi a iniciativa do SindusCon-SP, em parceria com a ANA e a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), de publicar o manual de “Conservação e Reuso da Água em Edificações”. “Além disso, é notável a atuação do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) na implantação de conceitos e práticas sustentáveis na cadeia produtiva da indústria da construção civil”, reforça.
Some-se a essas ações, o surgimento de certificações como a LEED e AQUA, que exigem baixo consumo de água para que reconheçam uma edificação com o selo de prédio verde, e que conduziram a ANA a se voltar para o estímulo de obras preocupadas com projetos hídricos econômicos. “A certificação de boas práticas hoje é uma exigência de vários mercados que demandam produtos que utilizam recursos naturais, dentre eles a água. E a construção civil não é exceção”, comenta o especialista em recursos hídricos da agência.
Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), com base em pesquisa da Sociedade Americana dos Engenheiros Civis (ASCE), o setor urbano é responsável por 26% do consumo de toda água potável do país. Já a construção civil responde por 16%. O uso deste recurso não se restringe ao período de construção do empreendimento, mas se estende à edificação já concluída e habitada. Neste caso, um edifício residencial convencional tem nos sanitários os grandes consumidores – responsáveis por aproximadamente 70% de toda a água utilizada em um condomínio.
Entrevistado
Cláudio Ritti Itaborahy, especialista em recursos hídricos da ANA
Currículo
- Doutor em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Viçosa
- Na ANA (Agência Nacional de Águas) exerce o cargo de especialista em recursos hídricos, com lotação na Gerência de Uso Sustentável de Água e Solo (GEUSA)
Contato: claritti@ana.gov.br / imprensa@ana.gov.br / claudia.dianni@ana.gov.br (assessoria de imprensa)
Crédito foto: Divulgação/ANA
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Nanotecnologia impulsiona nova revolução do concreto
Pesquisas já produzem cimento com elementos capazes de gerar materiais altamente resistentes e duráveis, ideais para obras de infraestrutura
Por: Altair Santos
A primeira revolução do concreto ocorreu em 1928, quando surgiu o concreto protendido. Já a segunda revolução, está em curso. Ela nasce a partir da descoberta da nanotecnologia, e com as experiências bem sucedidas de acrescentar nanotubos de carbono ao cimento. O material resultante desta mistura tem surpreendido os pesquisadores, pois permite produzir um concreto com altíssima resistência.

Isso se deve às características peculiares da molécula do carbono, a matéria-prima da nanotecnologia. Trata-se de elemento com excelente resistência mecânica e condutividade elétrica e térmica considerada excepcional. A partir dela, é gerado o nanotubo - uma estrutura cilíndrica formada por átomos de carbono, cujo diâmetro não ultrapassa a bilionésima fração do metro (um nanômetro).
A adição de nanotubos ao cimento Portland é como se microscópicos cabos de aço fossem acrescentados ao material, gerando uma protensão no concreto que pode chegar a 200 MPa (mega Pascal). O produto final, que no Brasil ainda se limita aos laboratórios, já é apontado como o ideal para obras de infraestrutura e construções submarinas, devido à baixa porosidade.
O cimento-nanotubo de carbono, como cientificamente é chamado, ainda não chegou ao mercado devido ao alto custo de sua produção. Quando as pesquisas começaram, comparativamente um saco de 50 quilos não saía por menos de mil vezes mais do que uma embalagem do produto convencional. Por isso, os estudos atualmente são para melhorar esta relação custo-benefício. Neste sentido, um dos trabalhos com melhor resultado ocorre na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

O Laboratório de Nanomateriais do Departamento de Física da UFMG desenvolveu um método em que os nanotubos são gerados a partir da produção do próprio cimento Portland. A pesquisa tem à frente o professor Luiz Orlando Ladeira, que percebeu que o clínquer, componente básico do cimento Portland, é um agente fértil para a geração de nanotubos. “Como o clínquer é resultante de processo de calcinação em altas temperaturas, torna-se um bom suporte para o ancoramento de nanopartículas de metais de transição. Assim, conseguimos enriquecer o clínquer diretamente”, explica Ladeira.
Com a experiência da UFMG, o custo para gerar o cimento-nanotubo de carbono caiu para quatro vezes mais do que a produção de um cimento Portland convencional. Com isso, já foi obtido o registro de patente nacional do material e agora ele passa por uma série de avaliações para especificar propriedades e conjunto de aplicações. Parte desses testes ocorre no Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), que hoje no Brasil é considerado um centro de excelência no campo da nanotecnologia com base no carbono. Essa área contempla os nanotubos, onde a instituição é uma das cinco em todo mundo que desenvolvem um padrão de qualidade para a produção deste material.
Segundo o professor Carlos Alberto Achete, coordenador da Divisão de Metrologia de Materiais do Inmetro, um dos setores mais beneficiados pela nanotecnologia será a construção civil. “Ela será fortemente afetada, pois vai agregar materiais inteligentes, como grafeno, nanotubos, dispositivos orgânicos emissores de luz, nanofluídos e revestimentos tribológicos, entre outros, permitindo o desenvolvimento de produtos finais com melhor performance, maior durabilidade e menor peso”, explica.
Para atender a demanda em torno da nanotecnologia, há quatro anos o Inmetro aprimora seus laboratórios para as atividades de nanometrologia. “Fundamentalmente, devemos estar aptos a dar o apoio à indústria, para garantir a qualidade e as características dos produtos à base nanotecnológica”, diz Achete, para quem a nanotecnologia no Brasil dará grande salto a partir do momento em que for definido um marco regulatório para o setor. “Hoje, o marco regulatório ainda não esta colocado, mas sua elaboração é fruto de intensa discussão dentro do Fórum de Competitividade, coordenado pelo MDIC ( Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comercio Exterior)”, revela.
Entrevistados
Carlos Alberto Achete
Currículo
Doutorado em Engenharia Metalúrgica e de Materiais. Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ – 1987
Professor titular do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós Graduação e Pesquisa de Engenharia.
Coordenador de Laboratórios e Infraestrutura e Coordenador da Divisâo de Metrologia de Materiais do Inmetro
Contato: achete@metalmat.ufrj.br
Luiz Orlando Ladeira
Currículo
Graduado em Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (1974)
Mestrado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal de Minas Gerais (1979)
Doutorado em Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (1989)
Professor adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais, com ênfase em Superfícies e Interfaces; Películas e Filamentos, atuando principalmente nos seguintes temas: nanotubos de carbono, biotecnologia, nanotecnologia e materiais avançados
Contato: ladeira@fisica.ufmg.br
Crédito das fotos:
Divulgação/UFRJ
Foca Lisboa/UFMG
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Jovem causa revolução no mercado imobiliário
Consumidor com menos de 30 anos torna-se preponderante em algumas regiões do país e muda perfil das habitações e da forma de se vender imóveis
Por: Altair Santos
O cenário de crédito habitacional farto tem mudado o perfil dos consumidores de imóveis novos no Brasil, sobretudo apartamentos. Se antes eles tinham mais de 35 anos, família constituída e predisposição por habitações com no mínimo 3 quartos, hoje quem busca o mercado imobiliário tem características bem diferentes: são jovens com menos de 30 anos, boa parte deles solteiros e interessados em imóveis com no máximo 2 quartos.

Segundo relatório da Caixa Econômica Federal, divulgado no final do ano passado, 39% dos consumidores que hoje buscam crédito habitacional no banco são clientes com até 30 anos. Os números se referem à média nacional, mas em algumas regiões do país o percentual cresce. Como no Sul, onde algumas construtoras têm verificado que até 55% de seus compradores se enquadram neste novo perfil.
De acordo com Marcos Kahtalian, consultor do SindusCon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Paraná), o programa Minha Casa, Minha Vida tem forte influencia nesta mudança no mercado imobiliário. “Ele tem sido a maior fonte de recursos para os imóveis tipicamente classificados como primeiro imóvel”, explica. “Assim, o cliente jovem, que normalmente não tem muita poupança, com a oferta de crédito está conseguindo comprar um imóvel”, completa.
Por conta deste novo consumidor, em Curitiba, por exemplo, metade dos lançamentos imobiliários ocorridos em 2010 privilegiava apartamentos com dois ou um quarto ou os chamados studios. Além disso, a forma de venda também mudou. “Houve influência não apenas na metragem, mas também na comunicação do imóvel, que hoje está muito mais forte na internet e com o apoio de mídias sociais. Além disso, o imóvel passou a agregar boas opções de lazer”, analisa Marcos Kahtalian.
Outra tendência que se verifica é a de que o jovem com menos de 30 anos vai aumentar ainda mais sua participação no consumo de imóveis novos. Dados que apontam a queda nos aluguéis para essa faixa etária reforçam a perspectiva. Além disso, estima-se que eles possam influenciar também no mercado de investidores em imóveis. “Hoje, jovens com maior renda também já percebem o mercado imobiliário como uma opção de investimento”, aponta o consultor do SindusCon-PR.
Bom pagador
A entrada do jovem consumidor ao mercado imobiliário também permitiu que no ano passado fosse batido um recorde em financiamentos habitacionais. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), 1,052 milhão de moradias foram financiadas durante todo o ano passado.
Para o diretor de Lançamentos do Secovi-SP (Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo), Fábio Rossi, há ainda um outro aspecto salutar na ampliação da fatia jovem no crédito habitacional. É a baixa inadimplência proporcionada por esse segmento de consumidores. “Trata-se de uma mudança cultural e esse novo público é bastante responsável, fato que colabora com a manutenção dos baixos índices de inadimplência", afirma.
Entrevistados
Marcos Kahtalian, consultor do SindusCon-PR
Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
Secovi-SP (Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo)
Currículo Marcos Kahtalian
- Professor de Marketing de Serviços da UniFAE - Centro Universitário
- Consultor do SindusCon-PR
- Graduado em Comunicação Social pela UFF, pós-graduado em Administração pela FAE
Business School, mestre em Multimeios pela Unicamp
- Profissional reconhecido e premiado em sua área, com mais de quinze anos de consultoria empresarial
- Sócio Fundador da BRAIN, Bureau de Inteligência Corporativa.
Contato: marcosk@swi.com.br / imprensa@sindusconpr.com.br (assessoria de imprensa) / imprensa@abecip.org.br (assessoria de imprensa) / aspress@secovi.com.br (assessoria de comunicação do Secovi-SP)
Crédito da foto
Divulgação/Arquivo pessoal
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Complexo multiuso transforma Londrina
Área em construção na cidade vai agregar shopping, torres comerciais e residenciais, centro de convenções, teatro e parque
Por: Altair Santos

O maior projeto multiuso do sul do Brasil está em construção em Londrina. Trata-se do empreendimento Marco Zero, que vai agregar o Boulevard Londrina Shopping e uma minicidade, com prédios residenciais e comerciais, hotel, escolas, restaurantes, centro de convenções e áreas de lazer, além de um teatro.
O complexo será erguido em uma área de 257 mil m², com potencial construtivo de 900 mil m². A primeira etapa da obra, que inclui o hotel e o shopping, tem entrega prevista para o segundo semestre de 2012. Todo o projeto, que ainda terá cinco torres de 20 andares, estará concluído num prazo máximo de cinco anos.
Segundo o empreendedor Raul Fulgêncio, que foi quem idealizou o projeto, a obra vai mudar o perfil da cidade. “Este empreendimento é maior que o centro de Londrina. Vai criar um novo centro para a cidade, só que planejado”, explica. A expectativa é de que o complexo, quando totalmente concluído, receba um fluxo mensal de 300 mil pessoas. Para se ter uma ideia, a população atual da segunda maior cidade do Paraná é de 506.645 habitantes.
Mas os números não impressionam apenas pelo volume de clientes que irá atrair. Os dados da obra também são impactantes. A estimativa é que o empreendimento consuma pelo menos 180 mil m³ de concreto, com mais de 50% dele em forma de pré-moldado. Além disso, a primeira etapa da construção já está gerando 2.300 empregos diretos. “O Complexo Marco Zero vai criar um novo paradigma para Londrina e já é referência para a construção civil do sul do país”, exalta Fulgêncio.
O investimento total deve chegar a R$ 800 milhões e segue o conceito moderno de empreendimentos deste porte, que é o multiuso, o qual permite aliar moradia, trabalho, compras, lazer e gastronomia em um só local. O complexo também terá um parque de 35 mil m², que depois de concluído será doado à prefeitura de Londrina.
A cargo da construtora Sonae Sierra Brasil, a obra terá as certificações LEED e AQUA e contará com reaproveitamento de água, reaproveitamento de água da chuva, uso inteligente da energia, reaproveitamento de resíduos de demolição para as calçadas. O complexo está sendo erguido em uma antiga área industrial, próximo ao terminal rodoviário de Londrina e ao estádio Vitorino Gonçalves Dias. “Vai gerar um impacto econômico importante para a cidade, pois irá revitalizar uma região que encontrava empecilhos para se desenvolver”, completa Raul Fulgêncio.


Até o final de 2014, mais 124 novos shopping centers devem entrar em operação no Brasil. Só este ano, a expectativa é de que o país atinja a marca de 439 shopping centers em operação, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). A previsão é que mais 18 novos empreendimentos sejam inaugurados até o final do ano. Para 2012, está prevista a abertura de outros 29 centros de compras.

Desde 2006, segundo dados da associação, o número de empreendimentos inaugurados anualmente só não cresceu em 2008. Naquele ano, quando o país teve de enfrentar a crise financeira mundial, foram 11 lançamentos, menos que os 14 do ano anterior.
Clique aqui e assista ao vídeo do empreendimento.
Entrevistados
Raul Fulgêncio, empreendedor imobiliário
Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce)
Currículo
- Raul Fulgêncio é corretor de imóveis e diretor-presidente da Raul Fulgêncio Negócios Imobiliários
Contatos: raul@raulfulgencio.com.br / eduardo.faustino@raulfulgencio.com.br / ana.paula@cdicom.com.br
Site: www.raulfulgencio.com.br
Créditos: Divulgação/Raul Fulgêncio e Agência Londrix
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Isolamento acústico ganha produto inovador
Unisinos, no Rio Grande do Sul, desenvolve tipo de contrapiso leve em concreto para adequar habitações populares à norma de desempenho NBR 15575
Por: Altair Santos
O grande desafio de quem constrói habitações de interesse social no Brasil está em cumprir a Norma Técnica de Desempenho para edificações habitacionais de até cinco pavimentos (ABNT NBR 15575), no que diz respeito ao isolamento acústico da edificação. Atender aos padrões exigidos, sem onerar a obra, é um dilema para os engenheiros. Em busca de uma solução para o impasse, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul, desenvolve pesquisa para criar um contrapiso leve em concreto que permita o isolamento acústico em edifícios residenciais vinculados ao Programa Minha Casa, Minha Vida.

O objetivo é desenvolver um contrapiso em pré-moldado e fácil de transportar. Segundo o coordenador do projeto, o engenheiro civil e professor Bernardo Fonseca Tutikian, da cadeira de tecnologias construtivas, materiais de construção e patologia da Unisinos, os primeiros resultados têm sido animadores. “O contrapiso leve desenvolvido permite ser colocado por cima da laje de concreto armado e pode servir tanto de acabamento final quanto de base para um outro piso”, explica.
Ainda de acordo com Tutikian, os testes com o contrapiso leve desenvolvido na Unisinos mostram que ele não sobrecarrega a estrutura da laje e atende o que a norma de desempenho preconiza. “Ele isola tanto o ruído aéreo (pessoas falando ou outros tipos de sons) quanto o ruído de impacto (pessoas caminhando ou móveis arrastando)”, diz, garantindo que a preocupação do custo x benefício do material também é relevante na pesquisa. “O objetivo é chegar num material de baixo custo e de fácil utilização no local da obra”, completa.
O contrapiso leve desenvolvido pela Unisinos tem as medidas de 60x60 cm e densidade que varia entre 900 a 1.300 kg m3. Ele utiliza como matéria-prima o concreto leve estrutural, além de receber agregados diferenciados para atingir o nível de isolamento acústico desejado. Segundo Tutikian, entre os agregados que trouxeram melhor resultado estão o E.V.A (emborrachado à base de Etil, Vinil e Acetato) e a pedra-pomes. “Mas estamos testando uma série de agregados leves”, diz.
Com a intenção de que ele seja usado como um piso de acabamento, os pesquisadores também estão trabalhando nele versões pigmentadas e antiderrapantes. “Há também a intenção de se aperfeiçoar o piso para a aplicação dele em áreas comerciais e industriais”, revela Bernardo Tutikian.

Desenvolvida no laboratório de material de construção da Unisinos e no laboratório de acústica da Universidade de Caxias do Sul, a pesquisa envolve cinco docentes da universidade Unisinos, um mestrando, dois laboratoristas e um aluno de graduação. O estudo é financiando pela FAPERGS (Fundação da Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul), em parceria com a Dosacon, uma empresa incubadora tecnológica ligada à Univates-RS (Unidade Integrada Vale do Taquari de Ensino Superior) e criada em 2010 para o desenvolvimento de materiais a base de concreto para a industrialização da construção civil.
Entrevistado
Bernardo Fonseca Tutikian, coordenador do curso de Engenharia Civil da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)
Currículo
- Engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2002
- Mestre e Doutor em engenharia, ambos os títulos obtidos na UFRGS, em 2004 e 2007
- Possui especialização em materiais de construção, especificamente em dosagem de concretos auto-adensáveis (CAA), sendo autor do livro 'Concreto Auto-adensável', publicado pela PINI em 2008
- Atualmente é coordenador do curso de Engenharia Civil da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e professor de tecnologias construtivas, materiais de construção e patologia
- Também coordena o curso de especialização em Construção Civil na Unisinos.
- Atua no projeto "Desenvolvimento de Contra Piso Leve em Concreto para Isolamento Acústico em Edificações Residenciais" e coordena o projeto de Infraestrutura Laboratorial, financiado pela FINEP, para a construção e equipagem de um Laboratório de Desempenho.
Contato: bftutikian@unisinos.br
Créditos das fotos: Divulgação/ Unisinos
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Pavimento permeável contra enchentes
ABCP ajuda a propagar sistema nos grandes centros urbanos e recomenda uso em estacionamentos, pátios e ruas de tráfego leve
Por: Altair Santos
Desde 2007, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) se debruça sobre pesquisas com concreto permeável para uso em pavimento. Os estudos foram motivados pela busca de soluções para as enchentes nos grandes centros urbanos. Coordenada pela engenheira civil Mariana Marchioni, que atua na área da indústria de pré-fabricação da ABCP, a experiência resultou na elaboração de um manual de melhores práticas em pavimentos permeáveis, tendo como modelo o pavimento intertravado.

O objetivo é disseminar o uso dos pavimentos permeáveis e seu ótimo custo x benefício no combate às enchentes. Para isso, a ABCP promove cursos e palestras sobre o tema, mostrando que o material tem boa adaptação ao uso urbano, principalmente se utilizado em estacionamentos, pátios e ruas de tráfego leve. Nestes casos, o sistema atua localmente, reduzindo ou retardando o volume de água direcionado ao sistema de drenagem da cidade.
Mariana Marchioni alerta que o pavimento permeável não deve ser confundido com o pavimento intertravado com peças de concreto para pavimentação, também conhecido como “pavers”. “O paver não se trata de um pavimento permeável. Ainda que ocorra uma pequena infiltração inicial, esta infiltração tende a se tornar nula ao longo do tempo. No pavimento permeável, toda a estrutura é feita para permitir a passagem de água”, explica.
Basicamente, o concreto permeável ou poroso é um concreto com vazios que são intencionalmente incorporados ao concreto. Enquanto em um concreto convencional deve-se atingir a maior densidade possível, nos concretos permeáveis é necessário chegar à situação oposta, onde deverão ser criados poros para permitir a infiltração de água. A porosidade de um concreto permeável varia de 15% a 30% e a água geralmente escoa com taxas entre 0,2 cm/s até 1 cm/s, dependendo do material e da sua disposição.

Para a produção de concretos permeáveis, o método mais comum é a eliminação dos agregados mais finos, optando-se pelo uso de agregados graúdos e pasta de cimento. “Assim como o concreto simples, o concreto poroso é 100% reciclável”, lembra Mariana Marchioni. Por isso, A Agência de Proteção Ambiental Norte-Americana (EPA, Environmental Protection Agency) classificou os pavimentos permeáveis de BMP.
A sigla BMP (Best Management Practice) pode ser traduzida livremente como práticas sustentáveis. Ou seja, o EPA classifica os pavimentos permeáveis como uma das soluções sustentáveis para a drenagem urbana, que atua na redução da impermeabilização das cidades assim como na redução da poluição, pois a base do pavimento filtra a água da enxurrada. “Nos Estados Unidos, em alguns casos, a legislação exige a utilização deste tipo de pavimento”, diz Marchioni.
Aliás, o uso dos pavimentos permeáveis já é bem difundido em outros países. Na Alemanha - pioneira no uso deste sistema - são instalados cerca de 20 milhões de m2 de pavimentos permeáveis por ano em construções residenciais e comerciais.

Para propagar o sistema no Brasil, a ABCP promove intercâmbios com o ICPI (Interlocking Concrete Pavement Institute), nos Estados Unidos, e também integra o SEPT (Small Element Pavement Technologists) - um grupo que reúne os maiores especialistas em pavimento utilizando peças de concreto. “ABCP tem estudado este tema e elaborado uma série de ferramentas para ajudar a difundir este sistema. Mas o ideal é que as cidades também possuam um plano diretor de drenagem”, finaliza a pesquisadora da ABCP, Mariana Marchioni.
Serviço
O manual de pavimentos permeáveis pode ser acessado no portal ABCP (www.abcp.org.br) assim como informações sobre os cursos e palestras.
Entrevistada
Mariana Marchioni, engenheira da ABCP
Currículo
- Engenheira civil graduada pela Escola de Engenharia Mauá, 2004
- Cursa mestrado em Engenharia na área de materiais, pela Escola Politécnica da USP
- Atua na área da Indústria de pré-fabricação na ABCP - Desenvolvimento de produtos à base de cimento
- Secretária da norma de pavimento intertravado da ABNT
Contatos : Mariana Marchioni - mariana.marchioni@abcp.org.br
Assessoria de imprensa - marta.oliveira@abcp.org.br
erika.lide@abcp.org.br / rosangela.alves@abcp.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Brasil centraliza debates sobre certificação AQUA
Processo inspirado em modelo francês, e que avalia construções sustentáveis, concorre com o sistema norte-americano LEED
Por: Altair Santos
A cidade de São Paulo sediou em março de 2011 a 2.ª Conferência Internacional sobre o Processo AQUA (Alta Qualidade Ambiental). Os debates em torno da certificação da construção sustentável, criada na França, atraíram especialistas de todo o mundo. Do Brasil, esteve presente o professor Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do Processo AQUA da Fundação Vanzolini.

Em sua palestra, ele destacou os principais aspectos da certificação AQUA para edifícios habitacionais e edifícios em operação. Na entrevista a seguir, Manuel Martins explica as semelhanças e diferenças entre as certificações AQUA e LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), como está o avanço das construções sustentáveis no Brasil e quais os requisitos que um empreendimento deve ter para reivindicar o certificado. Confira:
O processo AQUA (Alta Qualidade Ambiental) se compara à certificação LEED? O que eles têm em comum e o que têm de diferente?
Eles têm em comum a ideia de avaliar a sustentabilidade da construção, em termos de impacto ao meio ambiente, conforto e saúde. Essa preocupação do LEED é a mesma preocupação do AQUA. Agora, a partir daí, eles são totalmente diferentes. O LEED foi desenvolvido nos Estados Unidos com base na experiência de construção americana e nas normas e legislações americanas, enquanto o AQUA, no modelo francês HQE (Haute Qualité Environnementale), que é um modelo anterior ao LEED, leva em conta o desempenho, ou seja, não é um modelo que requeira soluções de projetos pré-concebidos. Porque quando o critério é desempenho, você pode responder a este desempenho com uma solução de projeto adequada para aquele local. Então, a partir daí, a Fundação Vanzolini fez, com a ajuda dos professores da Engenharia de Construção Civil da Poli/USP, a adaptação para o Brasil do HQE francês, que resultou no AQUA. Ele contempla legislações, regulamentações, parâmetros de desempenho e características da construção no Brasil.
Daria para dizer que a certificação AQUA é mais rigorosa do que o LEED?
Veja, o processo americano avalia por pontos. Então, tem de fazer um determinado número de pontos para ser certificado. Isso quer dizer que o empreendedor pode escolher os pontos que ele quer fazer, independentemente do contexto do empreendimento. O fato de ele escolher os pontos significa que o empreendimento pode não sair tão coerente assim e, mesmo assim, atingir o que é requerido pela certificação. Já o AQUA é mais rigoroso. O AQUA tem de atender todos os critérios. Ele busca uma série de fatores, como o contexto do empreendimento, onde ele vai se inserir, o que é o empreendimento, como ele vai funcionar. Além disso, analisa o local do terreno, a questão econômica e legal do empreendimento.
Como é feita a avaliação para se obter a certificação AQUA?
A avaliação do AQUA é feita por meio de auditorias presenciais pela Fundação Vanzolini e por um organismo independente de terceira parte, que faz uma avaliação local, presencial com o empreendedor. Outra diferença é que esta avaliação é feita nas fases principais do empreendimento: na concepção, que corresponde ao projeto, e na realização, que abrange o final da construção e a entrega. Na concepção, uma auditoria fornece um primeiro certificado. Quando concluídos os projetos, é feita uma nova auditoria e sai um novo certificado. O mesmo é feito na fase de realização e de entrega do empreendimento.
Os dois processos, LEED e AQUA, são concorrentes ou complementares?
Eles são concorrentes porque focalizam a sustentabilidade da construção, a avaliação da sustentabilidade da construção de forma diferente. O processo LEED, por exemplo, não tem critério para desempenho acústico. O AQUA tem. O AQUA também exige um sistema de gestão do empreendimento para que se garanta que os objetivos sejam de fato alcançados e controlados ao longo de todo o empreendimento. Então, com estas diferenças, eles não são complementares, pois se alguém desenvolve um projeto que atende o AQUA isso significa que este projeto identificou e atendeu todos os requisitos do AQUA e enfocou a sustentabilidade de maneira coerente e abrangente.
Por que a certificação LEED é mais difundida do que a AQUA?
Porque começou antes. Eles começaram em 1995 no Brasil e nós lançamos o AQUA em 1998. Mas hoje já está equilibrando isso.
A certificação AQUA se baseia em 14 critérios de sustentabilidade distribuídos em quatro grandes temas: ecoconstrução, eco-gestão, conforto e saúde. Quais são esses 14 critérios?
Os critérios são os seguintes:
1- Em ecoconstrução você tem a categoria edifício e seu entorno, que requer que sejam cuidados todos os aspectos que garantam uma boa inserção do empreendimento: onde ele vai ser feito, o ambiente construído, a infraestrutura, os acessos, a conectividade urbana, ecossistema, enfim, tudo o que interage com o edifício e a própria vocação socioambiental do bairro.
2- Escolha integrada dos materiais, produtos e sistemas construtivos. Isso requer critérios de durabilidade compatível com a durabilidade da edificação, por que não tem sustentabilidade se não for durável. Aí, é preciso estar em conformidade com as normas técnicas, pois o sustentável tem que funcionar. Mas, ao mesmo tempo, precisa atender critérios de baixo impacto ambiental e de baixo impacto à saúde humana. Neste caso, inclui também a questão da formalidade da cadeia produtiva, já que a certificação veta recorrer à informalidade.
3- O terceiro item é o canteiro de obras de baixo impacto, em todos os sentidos: ruído, poeira, sujeira, visual, incômodos ao tráfego, etc.. Tem também redução de consumo de água e energia durante a obra, redução da duração de resíduos, destinação correta dos resíduos e eliminação ou redução de poluição de ar, água e solo.
4- No bloco ecogestão, há requisitos começando pela arquitetura e pela envoltória do edifício, de eficiência energética do edifício. Então começa pela arquitetura desenvolvida de modo a aproveitar melhor as condições bioclimáticas e passa pela escolha de sistemas prediais de baixo consumo, de melhor eficiência energética, sistemas de ventilação, sistemas de água e sistemas de climatização. Passa também pelo uso, quando viável, de energias alternativas locais. Se for demonstrado que economicamente é interessante usar energia solar, por exemplo, aí tem que usar energia solar ou para aquecer água. Enfim, é uma análise que depende do local.
5- Na categoria gestão da água, entra o aproveitamento de água de chuva e os sistemas economizadores em bacias, torneiras, chuveiros, que reduzem também o consumo. Tem ainda a gestão da retenção da água de chuva e da infiltração da água de chuva.
6- Sobre gestão dos resíduos de uso do edifício, é preciso um programa, já contemplado no projeto, que informe os fluxos, os locais e as cadeias locais de aproveitamento de resíduos, para que eles sejam conhecidos de antemão.
7- Manutenção do sistema que trata de facilidades de acesso, facilidades de manutenção, monitoramento dos sistemas de iluminação, de resfriamento, ventilação e outros e intervenções que causem menos impacto, tanto ao meio ambiente quanto as pessoas que estão usando o edifício.
8- Em conforto, existe o requisito de conforto térmico, que também começa pela arquitetura e sempre é olhado junto com outros itens, como, por exemplo, a questão da energia, sombreamento, ventilação e climatização.
9- Em conforto acústico, levam-se em consideração os isolamentos e o nível de ruído. Começa pela disposição do ambiente em termos arquitetônicos e passa também pelo formato dos materiais e pelos isolamentos.
10- Conforto visual, que leva em consideração requisitos de iluminação natural – os quais ajudam a economizar a energia - e requisitos de uma boa iluminação artificial, como uniformidade de luminância, temperatura de cor e ofuscamento. Tudo isso, o projeto de luminotécnica vai ter de atender.
11- Em conforto olfativo, que trata da identificação dos odores, da ventilação e do isolamento dos odores, sejam de fora, sejam de dentro, o ideal é ter uma ventilação que garanta as trocas de ar e possibilite um ambiente com boa qualidade do ar em termos de odor.
12- Requisitos de saúde, que levam em conta a qualidade sanitária dos ambientes, a minimização das fontes de ondas eletromagnéticas e a adequação dos ambientes, em termos de facilidade de limpeza para evitar o crescimento de fungos e bactérias.
13- Qualidade sanitária do ar, para identificar agentes poluição - tanto de fora quanto de dentro, se houver -, e tratar de isolar e ventilar para garantir as trocas de ar saudáveis.
14- Qualidade sanitária da água, que precisa atender requisitos que garantam a portabilidade da água, a separação das águas, como redes água não potável e redes de esgoto, e também a separação das redes de água quente e água fria, quando houver no empreendimento.
O senhor, recentemente, palestrou sobre os aspectos da certificação AQUA para edifícios habitacionais e edifícios em operação. Como ela se aplica nestas obras?
Dos edifícios habitacionais você faz uma análise do local, faz uma análise do empreendimento, programa o que vai ser o empreendimento e identifica as 14 categorias de desempenho. Verifica em quais dará para chegar no bom, no superior ou no excelente. Justifica este perfil e define um sistema de gestão para garantir que no desenvolvimento dos projetos e na execução da obra este perfil vai se concretizar. Feito isso, realiza-se uma primeira avaliação e uma auditoria de certificação AQUA pela Fundação Vanzolini. Elas vão avalizar o sistema de gestão e detalhar os princípios de projeto para se atingir o desempenho em uso de energia, em uso da água e em conforto térmico, por exemplo. Para isso, é preciso detalhar no projeto os cálculos, os modelos matemáticos, as definições de materiais, os dimensionamentos dos ambientes, entre outros. Detalha-se o projeto inteiro, mostrando que ele vai resultar no nível de desempenho proposto pelo programa. No final, a Fundação Vanzolini faz outra auditoria e emite um certificado com as três fases preenchidas: programa, concepção e realização. Aí, se tem o empreendimento habitacional com o certificado de todas as fases. O certificado da fase programa pode ser usado no lançamento do empreendimento. O de concepção significa que o projeto deu corpo àquelas diretrizes fundamentadas no programa. E o de realização quer dizer que a sua obra ficou como era para ficar, atendendo o AQUA nos níveis propostos.
E para os edifícios em operação?
Os edifícios em operação exigem um diagnóstico diferente. Primeiro, é preciso verificar se eles têm uma qualidade ambiental intrínseca que permita atingir os níveis de desempenho do AQUA. É preciso um inventário, para ver como eles estão em termos de segurança, rede elétrica, proteção contra incêndios, segurança estrutural, acessibilidade e outros. Com base nesta primeira avaliação, o empreendedor define qual vai ser o perfil de desempenho e o sistema de gestão. Neste caso, diferente do sistema de gestão da execução da obra, que envolve outros atores, como projetistas, construtores e empreiteiros. Agora, prevalece a gestão de uso e os atores são administradores prediais, gestores de facilites e os próprios condôminos. Tudo isso pode ser feito em duas fases. Uma que diagnostica se é possível atingir um perfil de desempenho e estabelecer um sistema de gestão. Essa etapa vai medir durante um ano os registros de desempenho de energia, de água, de conforto e outros. Aí ocorre a segunda avaliação, que permite a certificação final da operação. Feito isso, a Fundação Vanzolini passa a acompanhar anualmente este edifício para manter a certificação, verificando se ele preserva e melhora seus desempenhos.
Empreendimentos voltados para o programa Minha Casa, Minha Vida têm condições de atender a certificação AQUA?
Hoje temos um empreendimento em São Paulo que já se certificou na fase programa habitacional para faixa de três a dez salários mínimos. É perfeitamente viável.
Em termos de empreendimentos sustentáveis, como o Brasil se posiciona no mundo?
França, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Japão e Austrália têm mais porque eles começaram antes. Eu visitei a Austrália em 1994 e eles já estavam fazendo. Na França, o nosso parceiro habitacional Cercol começou em 1992. Os americanos e os alemães começaram em 1990. Mas o Brasil está com um desenvolvimento rápido. Hoje, aliás, o país já tem mais empreendimentos com certificação AQUA do que LEED. São 29 edifícios certificados e um conjunto de 80 casas.
Entrevistado
Professor Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do Processo AQUA da Fundação Vanzolini.
Currículo
- Coordenador Executivo da Certificação da Construção Sustentável (Processo AQUA)
- Coordenador Técnico da Certificação de Sistemas de Gestão Ambiental ISO 14000 e auditor-líder de Sistemas de Gestão da Qualidade, Meio Ambiente, Segurança e Saúde Ocupacional e Responsabilidade Social da Fundação Vanzolini
- Professor de Sistemas de Gestão Integrada dos cursos de pós-graduação na FIA/FEA-USP e IEE-USP
- Engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP e Ph.D pelo Imperial College – London University
- Especialização em Processo AQUA - Construção Sustentável (HQE Francês) - e Gestão (Brasil, França e Japão)
Contato: comunicacao@vanzolini.org.br / karina@ateliedetextos.com.br (assessoria de imprensa)
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Construção civil ganha parceria para qualificar mão de obra
Projeto do governo federal com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) quer preparar 100 mil pessoas acima de 16 anos em 4 anos
Por: Altair Santos
Segundo projeção da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) até 2022 o Brasil terá de investir aproximadamente R$ 1 trilhão em capacitação de mão de obra para o setor da construção civil, se quiser combater o déficit habitacional e avançar nas obras de infraestrutura que o país necessita. Na mesma linha de raciocínio, o diretor de Economia do SindusCon-SP (Sindicato da Construção Civil de São Paulo) Eduardo Zaidan avalia que só há uma saída para se atingir os níveis exigidos de formação de capital humano nesta década. “É preciso mais investimento em educação e em parcerias público-privadas para a qualificação de trabalhadores”, anunciou em março, na abertura da Feicon Batimat 2011.

Seguindo esse conceito, a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) assinaram recentemente um termo de cooperação técnica, cujo objetivo é formatar e executar cursos de treinamento e de capacitação em dez profissões relacionadas à atividade de construção civil na infraestrutura. O acordo foi assinado pelo presidente da Abdib, Paulo Godoy, e pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, após reunião com empresários do setor. “Temos de preparar o caminho para atingir um patamar de R$ 160 bilhões de investimentos em infraestrutura por ano em 2011 ou 2012, e um dos desafios é a mão de obra qualificada”, explicou Godoy.
A capacitação e o treinamento serão destinados a formar e aperfeiçoar as habilidades de trabalhadores que atuem em profissões como encanador, ajudante de eletricista, soldador, carpinteiro, montador de andaimes, armador de telhados, pintor de obras e de estruturas metálicas, pedreiro e construtor de calçadas e pátios. A meta é treinar, em quatro anos, 100 mil pessoas com mais de 16 anos, instalando salas de aula nos canteiros de obra de projetos de infraestrutura espalhados por todas as regiões brasileiras.
Os cursos terão carga horária máxima de 200 horas, das quais 120 horas para aulas teóricas e 80 horas para prática. Matérias como Língua Portuguesa e Matemática serão abordadas transversalmente. “Muitos trabalhadores necessitam de reciclagem e atualização técnica de conhecimentos e práticas para se manter no mercado de trabalho ou, muitas vezes, ainda não atendem às qualificações requeridas para as atividades ligadas à construção de obras de infraestrutura”, explica Fábio Aidar, coordenador do programa de educação continuada da Abdib (Educorp). A formatação dos cursos e a elaboração do material didático serão realizadas em parceria com a Fundação Roberto Marinho. “Todos os cursos serão executados nos locais onde está a demanda, para gerar valor e conhecimento no local, resolvendo problemas imediatos”, explicou o Ricardo Piquet, gerente da Fundação Roberto Marinho.
Projeto autofinanciado
O ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Carlos Lupi, na cerimônia de assinatura do termo de cooperação técnica, em fevereiro de 2011, disse que há recursos governamentais suficientes para programas de treinamento e capacitação de mão de obra. “O que falta é capacidade de geri-los”, afirmou Lupi, lembrando que é necessário enfrentar a carência de mão de obra qualificada, em diversos níveis de formação e em todas as regiões brasileiras. O ministro argumentou que o emprego qualificado é uma das melhores maneiras de distribuir renda de forma perene.

De acordo com o presidente da Abdib, Paulo Godoy, o custo da iniciativa não preocupa as empresas, porque o projeto é autofinanciado. "Se montarmos um bom programa, as empresas que treinarão seus profissionais acabarão elas mesmo custeando a iniciativa. É provável que tenhamos um grande canteiro que possa dar o impulso ao programa", disse ele. Godoy informou que o ministério arcará com uma parte do custo dos cursos de qualificação, contribuindo com a estrutura já existente. O restante será custeado pelas empresas que aderirem ao projeto.
A Abdib e a Fundação Roberto Marinho, a partir da assinatura do termo de cooperação técnica, vão agora formatar as características dos módulos de treinamento e definir questões como elaboração de material didático, locais que receberão os primeiros cursos e outras questões que envolvem a execução do programa, incluindo o investimento necessário. Os cursos serão presenciais, o que não exclui a utilização de todos os tipos de tecnologias e instrumentos de ensino disponíveis. O programa foi idealizado exatamente para que a carência de mão de obra especializada não seja um gargalo para a execução dos projetos de investimento em infraestrutura. O projeto focaliza inicialmente as profissões relacionadas à construção civil por considerar que é um dos setores que mais demandam profissionais preparados, em todas as regiões brasileiras.
Entrevistados
- Paulo Roberto de Godoy Pereira, é presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib)
- Fábio Luiz Marinho Aidar, vice-Presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib)
- Ministério do Trabalho e Emprego
Currículos
Paulo Roberto de Godoy Pereira
- Diplomado como Administrador de Empresas pela Faculdade de Ciências Econômicas da “Universidade Mackenzie” em 1976, com diversos cursos de especialização no Brasil e no exterior
- Desde junho de 2004, é presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib)
- Integrante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI).
Fábio Luiz Marinho Aidar
- Bacharel em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
- Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC
- Curso de extensão em Administração pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas de São Paulo
- Vice-Presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) de 1990 a o presente
- Diretor do Programa de Educação corporativa da Abdib (Educorp).
Contatos
Abdib (assessoria de imprensa): jcasadei@abdib.org.br / cintia@abdib.org.br
Ministério do Trabalho e Emprego (assessoria de imprensa) / ascom@mte.gov.br
