Fundações por hélice-contínua invadem grandes centros urbanos
Sistema ganha competitividade em regiões com alta densidade de edifícios, por causar menos poluição sonora e oferecer menor risco à estrutura de prédios vizinhos
Por: Altair Santos
A estaca helicoidal, que perfura o solo como um “saca-rolhas gigante”, é cada vez mais usada para as fundações de edifícios nos grandes centros urbanos. Sua competitividade se deve ao fato de produzir menos poluição sonora e também por oferecer baixo risco às estruturas de prédios vizinhos. Não significa dizer, porém, que o tradicional método que utiliza o bate-estacas esteja condenado. É o que o coordenador do curso de Engenharia Civil da Universidade de Goiás, Rodrigo Gustavo Delalibera, explica na entrevista a seguir. Confira:

A execução de fundações de edifícios utilizando o sistema hélice-contínua já é predominante neste tipo de construção no Brasil?
O uso de estacas do tipo hélice-contínua monitorada foi desenvolvida nos Estados Unidos. No Brasil, esse tipo de estaca é usado desde 1987 e sua aplicação vem demonstrando grande crescimento principalmente em regiões metropolitanas, onde as vibrações provocadas pelos bate-estacas podem gerar patologias nas edificações limítrofes. É muito difícil afirmar que o sistema “hélice-contínua monitorada” seja predominante na construção de edifícios no país, pois a escolha de um sistema de fundações depende de muitas variáveis envolvidas, como: a intensidade dos esforços solicitantes nas fundações; a existência de edifícios limítrofes; a topografia do terreno; a disponibilidade de sistemas de fundações na região onde será construído o edifício; o custo das fundações, o perfil geotécnico do terreno, entre outros. Cabe ao engenheiro civil, fazer uma análise técnica e orçamentária e, assim, definir qual o tipo de fundação indicado para o edifício em análise. Contudo, pode-se afirmar que nas regiões metropolitanas, onde há grande densidade de construções e, para edifícios altos, o sistema de fundação hélice-contínua monitorada é competitivo.
A poluição sonora e o risco que a fundação pelo modelo bate-estaca pode trazer às edificações vizinhas são os principais motivos que têm estimulado a opção pelo sistema helicoidal?
Esse, sem dúvida, é o principal motivo da utilização desse sistema construtivo de fundações em regiões centrais das cidades. A vibração provocada pelo equipamento bate-estaca, ou até mesmo pelo equipamento utilizado para a construção de uma estaca tipo Franki, causa muita vibração. Essa vibração, geralmente afeta as construções vizinhas e, por muitas vezes, ocorrem o aparecimento de fissuras. Aconselha-se que a utilização de sistemas de fundações que geram vibrações no terreno, seja utilizada em regiões onde há poucas edificações.
As denominadas construções verdes substituíram definitivamente a fundação bate-estaca pela helicoidal?
Em situações onde não possam ser gerados vibrações e excesso de poluição sonora, a fundação tipo hélice-contínua monitorada é a mais indicada para edifícios altos. Contudo, para edifícios de médio porte, podem-se utilizar as estacas escadas com trado mecânico e as estacas tipo Strauss.
Isso não significa, no entanto, que a fundação bate-estaca esteja condenada a desaparecer.
Como disse anteriormente, para cada caso de construção, uma análise técnica e orçamentária deve ser feita. A utilização de fundações em estacas pré-moldadas de concreto (ou estacas de perfis metálicos ou até mesmo de madeira) tem seu espaço garantido no mercado. Em situações onde os esforços nas fundações têm valores considerados elevados e o nível de água impede a construção de outro tipo de fundação, uma alternativa é a utilização de estacas pré-moldadas.
Antes de fazer a opção por um ou outro sistema de fundação é preciso, então, observar as características geotécnicas do solo?
É de fundamental importância ter um prévio conhecimento do solo do local onde será construído o futuro edifício. Cito Pedro Donizete Zacarin: sem sondagem não existe fundação. No mínimo um ensaio a percussão simples com circulação de água (SPT, do inglês Standard Penetration Test) deve ser feito. O número de furos de sondagem é função da área projetada da edificação em planta sobre o terreno. O ensaio de SPT dará condições técnicas para que o engenheiro civil possa projetar uma fundação com segurança e economia. Atualmente, um ensaio denominado SPTT tem sido utilizado com maior frequência, pois por meio deste ensaio é possível ter parâmetros de maior precisão sobre o atrito lateral exercido pela estaca junto ao solo.
Quais fatores que determinam a escolha do tipo de fundação?
- O perfil geotécnico do terreno onde será construída a edificação.
- A intensidade das ações transmitidas pelos pilares às fundações.
- A profundidade do nível de água no terreno.
- A topografia do terreno.
- A existência de construções ao redor da futura edificação.
- A disponibilidade de fundações disponível no mercado.
- O custo da fundação.
Utilizar fundação feita pelo sistema hélice-contínua ou pelo sistema bate-estaca traz alguma alteração na estrutura do edifício em construção? Por exemplo, edifícios com andares altos carecem de um tipo de fundação diferentemente de outros?
A utilização de estacas hélice-contínua monitorada ou pré-moldada não acarreta mudança na superestrutura. Entende-se por superestrutura, os pilares, as vigas e lajes do edifício. O que muda é o projeto da infraestrutura. Dependendo do tipo de fundação a ser utilizada, o número de estacas por pilar poderá ser diferente. Desta forma, o elemento de ligação entre os pilares e as estacas, chamado bloco de coroamento ou bloco sobre estacas poderá ser diferente em ambos os casos.
Quais as vantagens e desvantagens de cada tipo de fundação?
Cada sistema de fundação tem suas vantagens e desvantagens. Neste texto vou me ater às fundações do tipo hélice-contínua monitorada e pré-moldada de concreto.
- Vantagens da hélice-contínua monitorada: alta produtividade; elevado grau de qualidade; possibilidade de execução muito próxima a divisa do terreno, evitando excentricidades entre as ações atuantes nos pilares e o centro das estacas; pode ser executada abaixo do nível de água; pode ser utilizada em qualquer tipo de solo; provoca pouca ou nenhuma vibração; apresenta baixa intensidade de barulho para sua execução.
- Desvantagens da hélice-contínua monitorada: necessidade de locais planos para locomoção dos equipamentos de execução; grande acumulo de solo retirado, exigindo remoção constante; número grande de estacas para ser competitiva com os demais sistemas disponíveis no mercado.
- Vantagens das estacas pré-moldadas de concreto: podem ser construída abaixo do nível de água; apresentam excelente resistência mecânica e geotécnica; podem ser construídas em qualquer tipo de solo, onde o SPT seja inferior a 25 golpes para diâmetros menores que 30 cm e 35 golpes para diâmetros maiores ou iguais a 30 cm; ótimo controle tecnológico dos materiais concreto e aço.
- Desvantagens das estacas pré-moldadas de concreto: produzem excessiva vibração e alta intensidade de barulho durante sua cravação; Dificuldade de transporte para estacas com comprimento maior que 12 m; Faz-se necessária emendar estacas quando o comprimento do fuste for maior que o comprimento de produção das estacas.
Quais normas regem a execução de fundações?
A norma para projeto e execução de fundações vigente no país é a “NBR 6122:2010 – Projeto e execução de fundações”. Porém, é necessária a utilização de outras normas como: NBR 6118; NBR 6484; NBR 6489; NBR 6502; NBR 7190; NBR 8681; NBR 8800; NBR 9061; NBR 9062; NBR 9603; NBR 9604; NBR 9820; NBR 10905; NBR 12069; NBR 12131; NBR 13208.
Os sistemas para executar fundações influenciam no tipo de concreto que se deve usar nas fundações?
Para cada tipo de sistema de fundação a ser utilizada faz-se necessário especificar a resistência característica à compressão do concreto (fck) mínima, a plasticidade do concreto (ensaio do tronco de cone – Slump Test), o consumo mínimo de cimento por metro cúbico e o módulo de elasticidade longitudinal do concreto aos 28 dias de idade.
Por exemplo, para a execução de uma fundação do tipo hélice-contínua monitorada é necessário que o concreto resistência característica à compressão igual ou superior a 20 MPa, slump igual a 22 cm ± 2 cm, fator água-cimento entre 0,53 e 0,56, consumo mínimo de cimento igual a 400 kg/m3, exsudação ≤ 1,0%, teor de ar incorporado ≤ 1,5 % e início de pega ≥ 3,0 horas.
No que hoje tecnologias como CAD e BIM determinam o tipo de fundação que deve ser usado numa edificação?
O advento de ferramentas computacionais tem permitido aos engenheiros uma melhor qualidade nos projetos civis de engenharia. Isso ocorre também nos projetos estruturais e de fundações. As modelagens computacionais permitem ao engenheiro analisar inúmeras possibilidade de esquemas estáticos e, assim, optar por um que apresente bom desempenho estrutural e economia na construção.
Fontes citadas pelo entrevistado
Manual de especificações de produtos e procedimentos ABEF, Ed. ABEF.
Fundações, teoria e prática, Ed. Pini.
Fundações por estacas, Cinta e Aoki, Ed. Oficina de textos;
Fundações, vol. 02, Velloso & Lopes, Ed. Oficina de textos.


Entrevistado
Rodrigo Gustavo Delalibera, coordenador do curso de Engenharia Civil do Campus Catalão da Universidade Federal de Goiás
Currículo
- Graduado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia de São José do Rio Preto
- Mestre em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia de São Carlos-USP
- Doutor em Engenharia de estruturas pela Escola de Engenharia de São Carlos-USP
- Atualmente é professor-adjunto II da Universidade Federal de Goiás e coordenador do curso de Engenharia Civil do campus Catalão
Contato: dellacivil@gmail.com / dellacivl@yahoo.com.br
Crédito fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Engenheiros sem Fronteiras leva obras às comunidades carentes
Versão brasileira do Engineer Without Borders atrai estudantes em busca de experiência profissional e intercâmbio com outros países
Por: Altair Santos
Fundada em 2002, a organização Engineer Without Borders já atua em 47 países. No Brasil, ela é representada desde 2009 pelo grupo Engenheiros Sem Fronteiras (ESF). O projeto é voltado para atender comunidades carentes ou atingidas por catástrofes. Obras de saneamento, construções de pontes e estradas e viabilização de infraestrutura para levar iluminação e eletricidade às localidades mais necessitadas estão entre as missões do ESF. “O objetivo principal é desenvolver projetos em comunidades socialmente frágeis. A perspectiva do grupo é o de transcender a proposta assistencialista ou de assessoria técnica, transferindo conhecimento da área técnica para as comunidades. Assim, elas podem reproduzir e ampliar as ações desenvolvidas”, explica Idamar Sidnei Cobianchi Nigro, coordenador do Engenheiros Sem Fronteiras no Brasil.

Depois de uma tentativa frustrada de se criar um núcleo do ESF na Universidade de São Paulo (USP), em 2007, o grupo se consolidou em Viçosa, em Minas Gerais, com o apoio da universidade local e do Sindicato de Engenheiros no Estado de Minas Gerais (SENGE-MG). Hoje, o Engenheiros Sem Fronteiras trabalha para implantar núcleos por todo o país. Para isso, conta com a participação de organizações já consolidadas em outros países. Em agosto de 2011, integrantes da Engineer Without Borders de Maryland, nos Estados Unidos, estarão no Brasil para uma ação na Ilha das Peças, no litoral paranaense. Além de prestar ajuda à comunidade local, o plano é dar os primeiros passos para que o ESF se consolide também no Paraná. “Esse intercâmbio é importante para a organização ganhar corpo no Brasil”, diz Idamar Sidnei Cobianchi Nigro.
O ESF conta com engenheiros graduados, que atuam voluntariamente como orientadores, e têm atraído muitos estudantes de engenharia. A maioria pertence aos cursos de Engenharia Civil, de Produção, Agrícola, Ambiental e Elétrica. “Esta característica de voluntariado é muito nova no Brasil e demanda uma mudança cultural, mas estamos conseguindo expandir o projeto”, comemora o coordenador da ESF. Segundo Idamar Nigro, os estudantes que aderem ao projeto têm a oportunidade de colocar em prática o conhecimento aprendido durante o curso. “Além disso, há a valorização da profissão de engenharia, o crescimento pessoal através do trabalho em equipe, do contato com realidades diferentes e do convívio pela igualdade dentro da organização, já que todos os membros têm voz e participação na entidade e nos projetos”, completa.
Atualmente, o ESF, por meio do Núcleo Viçosa, já finalizou dois projetos na cidade mineira. Um de análise do setor de emergência de um hospital público e outro de implantação da metodologia do 5S (leia texto complementar abaixo) numa casa de caridade a idosos. Além disso, o grupo desenvolve projetos de aquecedores solares de baixo custo. O Engenheiros Sem Fronteiras também se encarrega da construção de um abrigo para crianças em risco de morte, que buscam tratamento no hospital público de Viçosa. Por conta dessas ações, a organização recebe o apoio de uma incubadora formada por empresas de base tecnológica, que oferece cursos e treinamento aos engenheiros e estudantes do ESF.
Os profissionais e estudantes envolvidos se dedicam ao Engenheiros Sem Fronteiras em horários alternativos. Não há remuneração e a ESF opera como uma organização não-governamental. A captação de recursos para as atividades do grupo vem de uma política de parcerias, como a que atualmente existe com a Universidade Federal de Viçosa, além de entidades de classe, CREAs, empresas privadas e outras ONGs.
Texto complementar
O que é o 5S
O 5S é uma ferramenta de trabalho que permite melhorar a eficiência e a produtividade através de organização e limpeza. Por isso, o 5S é considerado o primórdio dos programas de qualidade. Criado no Japão, o método se baseia em cinco palavras japonesas:
- Seiri (Senso de utilização): refere-se à prática de verificar todas as ferramentas, materiais, etc. na área de trabalho e manter somente os itens essenciais para o trabalho que está sendo realizado.
- Seiton (Senso de ordenação): enfoca a necessidade de um espaço organizado. A organização, neste sentido, refere-se à disposição das ferramentas e equipamentos em uma ordem que permita o fluxo do trabalho.
- Seisō (Senso de limpeza): designa a necessidade de manter o mais limpo possível o espaço de trabalho. A limpeza, nas empresas japonesas, é uma atividade diária. Ao fim de cada dia de trabalho, o ambiente é limpo e tudo é recolocado em seus lugares, tornando fácil saber o que vai aonde, e saber onde está aquilo o que é essencial.
- Seiketsu (Senso de higiene): em Japonês, Seiketsu traduz-se por higiene, no sentido filosófico de "higienismo", ou seja, no sentido do cuidar da higiene própria em todos os niveis, diferenciando-se, assim, de Seiso.
- Shitsuke (Senso de autodisciplina): refere-se à manutenção e revisão dos padrões. Uma vez que os 4S’s anteriores tenham sido estabelecidos, transformam-se numa nova maneira de trabalhar, não permitindo um regresso às antigas práticas.
Entrevistado
Idamar Sidnei Cobianchi Nigro, coordenador do Engenheiros Sem Fronteiras no Brasil
Currículo
- Graduado em Engenharia de Produção pela União Educacional Minas Gerais (Uniminas)
- Atualmente é professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Contato: idamar.nigro@ufv.br / http://www.esf-brasil.org/index.php / http://www.ewb-international.org/members.htm
Crédito Foto: Divulgação/ESF
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Contra apagão de talentos, empresas investem em programas de trainees
Recrutados encontram muito mais desafios pela frente e, em contrapartida, precisam mostrar planejamento de carreira e capacidade para trabalhar em equipe
Por: Altair Santos
Em 2010, a IBM realizou uma pesquisa que chamou de “CEO Study”. Nela, foram colhidas opiniões de 1,5 mil lideranças empresariais de 60 países, ligadas a 33 setores diferentes da economia. No Brasil, 66 fizeram parte do levantamento. O que chamou a atenção foi que 71% deles disseram que o que mais os preocupa no país é o “apagão de talentos”. Eis aí um dos motivos que têm levado as corporações a fortalecerem seus programas de trainees. Para descobrir novos talentos, elas hoje oferecem cada vez mais desafios aos jovens, mas também exigem como contrapartida planejamento de carreira e capacidade para trabalhar em equipe.

Segundo a professora-mestre em gestão de negócios e Recursos Humanos, Adilséia Soriani Batista, que recentemente conquistou o prêmio “50 RHs Mais Admirados do Brasil”, o que as empresas estão oferecendo atualmente é muito mais do que um treinamento. “Elas estão fazendo um intensivo plano de desenvolvimento destas pessoas. As organizações têm muito claras suas demandas, e passaram a aprimorar cada vez mais o processo de seleção para saber quem são os colaboradores que trabalham com ela e para ela”, avalia a especialista.
Um processo comum nos novos programas de treinamento é o trabalho rotativo, onde o recrutado percorre as várias áreas da empresa para ver em qual ele desempenha melhor. “Isso é muito salutar, pois permite ao jovem entender como funciona a empresa e possibilita à empresa ver em qual ambiente da organização ele pode render mais”, explica Adilséia Soriani Batista. Por outro lado, completa a gestora em RH, o trabalho rotativo também vai de encontro ao que as novas gerações buscam – principalmente a chamada geração Y -, que são as tarefas desafiadoras.
Atualmente, os jovens em fase final de conclusão de curso universitário ou recentemente formados, na faixa etária entre 22 e 26 anos, são os que mais ocupam os programas de trainees nas empresas. As corporações também passaram a garimpar talentos nas redes sociais, aplicando testes de pré-seleção via Facebook, Twitter e LinkedIn. “Essa opção pelas redes sociais também acaba sendo uma boa fonte para ajudar no recrutamento, já que esse público hoje se encontra lá”, afirma Adilséia.
Um bom programa de treinamento dura de um a três anos. “É o tempo ideal para que ele possa se desenvolver e assumir uma posição sólida na empresa”, diz a especialista, que defende que programas de trainee não fiquem limitados apenas à gestão do RH da companhia. “A participação das lideranças da corporação é essencial dentro de um bom programa de trainee. Eles é que vão passar para o treinado a convicção de que ele está em um ambiente corporativo que vai desenvolvê-lo”, completa.
Outro item importante em um programa para selecionar jovens talentos é o retorno que o gestor vai passar ao treinado. “Ele precisa ser constantemente informado para corrigir eventuais falhas e se sentir motivado para seguir em frente. Normalmente, um erro cometido pelos programas de treinamento é que eles dão o retorno apenas no final, e aí não dá tempo para recuperar um talento em potencial”, cita a gestora em RH, dizendo que o oposto também ocorre, ou seja, o desinteresse do treinado. Neste caso, ela comenta que o jovem deve estar focado no desenvolvimento, não no salário. “O programa serve para despertar o talento e questioná-lo sobre o que ele quer de sua escolha profissional. Isso é fundamental para o seu processo de crescimento.”
Por fim, Adilséia Soriani Batista lembra que é importante também para as empresas não confundirem estágio com programa de treinamento, que é muito mais complexo. “O estagiário não tem o status diferenciado dentro das organizações como tem o treinado. Esse passa por sessões de conversas muito mais continuadas e é submetido a programas de treinamento mais intensamente. Ele tem a oportunidade de rodar por várias áreas da organização, coisa que o estagiário não faz. Então, há uma grande diferença”, conclui.
Entrevistada
Adilséia Soriani Batista, especialista em gestão de RH
Currículo
- Graduada em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1985
- Pós-graduada em duas especializações: Administração de Recursos Humanos e Psicologia Organizacional e do Trabalho
- Mestre em Administração-Gestão de Negócios, pela UEL, em 2003
- Profissional com larga experiência na área de Recursos Humanos, atuando em todos os subsistemas com mais de 26 anos de experiência
- Atualmente é Gerente de Recursos Humanos da Belagrícola e Professora efetiva da Faculdade Pitágoras, além de atuar como professora convidada de cursos de pós-graduação de Instituições como PUC-PR, UNIFIL, UNOPAR, INESUL, UNIOESTE e FGV
- Ganhadora dos prêmios “50 RHs Mais Admirados do Brasil”, nas edições 2010 e 2011
Contato: adilseia@gmail.com
Crédito foto: Arquivo pessoal/Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Disseminar BRT no Brasil será o legado da Copa 2014
Todas as cidades-sede do mundial terão Bus Rapid Transit, uma ideia que nasceu em Curitiba nos anos 1970
Por: Altair Santos
O BRT (Bus Rapid Transit) que em Curitiba está consolidado desde a década de 1970, usa a Copa do Mundo para se propagar pelo país. Nove cidades escolhidas como sede do evento optaram por esse sistema de transporte. Na maior parte delas, as vias serão construídas com pavimento rígido e terão assistência técnica da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). “No caso dos BRTs, que devem acontecer em muitas cidades, a ABCP tem conseguido viabilizar em concreto praticamente todas as possibilidades”, diz Ronaldo Vizzoni, gerente da área de infraestrutura e lider do projeto de pavimentação da ABCP.

Segundo Vizzoni, desde que atendidos os requisitos para a instalação de um BRT, o pavimento em concreto tem um custo mais barato que o asfalto. “O BRT tem que trafegar em corredor segregado, ou seja, exclusivo. Ele não pode ter qualquer cruzamento ou interrupção, caso contrário será um corredor de ônibus. Além disso, opera com linhas de alta frequência, de forte apelo mercadológico e veículos de qualidade, cujas estações de embarque são integradas com metrô, trens urbanos e intermunicipais e corredores de linhas de ônibus convencionais. Então, ele precisa trafegar em um corredor que requer durabilidade. Por isso, o pavimento de concreto é sempre a melhor opção”, explica.
Sobre o fato de o Bus Rapid Transit tornar-se o transporte público “oficial” do evento Copa do Mundo nas cidades-sede, o consultor Cláudio de Senna Frederico, que ocupa a vice-presidência da Associação Nacional de Trânsito e Transporte Público (ANTP), avalia que esse será o legado do mundial para melhorar a mobilidade nos grandes centros urbanos do país. “É uma solução realista, que encara a necessidade de, em curto espaço de tempo, causar o maior efeito possível sobre todas as cidades que têm problemas no transporte público”, afirma.
Cláudio de Senna Frederico, no entanto, alerta que só o BRT não vai representar a solução para os problemas de mobilidade das cidades. “O BRT aparece como uma boa solução, mas ele precisa estar agregado a um conjunto de medidas para se resolver o problema de transporte público. Não vai haver nunca um único produto, um único modo de transporte que resolva tudo”, alerta, completando que é preciso integrar. “É necessário um sistema que opere de forma conjunta. Por isso, o futuro do BRT é flexibilizar, oferecendo uma diversidade de ofertas interligadas ao seu corredor.”
PAC da Mobilidade
A instalação de BRTs nos principais centros urbanos do país faz parte do PAC Mobilidade das Grandes Cidades, lançado em fevereiro de 2011 pelo governo federal. O programa divide os municípios em três grupos, beneficiando 39% da população brasileira. O primeiro grupo – chamado de MOB 1 – atende as capitais das regiões metropolitanas com mais de 3 milhões de habitantes. O MOB 2 inclui municípios com população entre 1 milhão e 3 milhões de habitantes e o MOB 3 está voltado para cidades com população entre 700 mil e 1 milhão de habitantes.

Cada uma das nove cidades que compõem o MOB 1 – todas elas sedes da Copa do Mundo de 2014 - poderá apresentar até quatro propostas de BRT que, juntas, somem, no máximo, R$ 2,4 bilhões. Cada cidade do MOB 2 poderá fazer até três propostas que, juntas, somem R$ 430 milhões. Já os municípios do MOB 3 terão direito, cada um deles, a até duas propostas que, juntas, sejam de no máximo R$ 280 milhões.
Ao todo, serão destinados R$ 18 bilhões para este novo PAC. Destes, R$ 6 bilhões terão como origem investimentos diretos da União e R$ 12 bilhões virão de financiamentos. Os projetos podem incluir sistemas de transporte sobre pneus, como corredores de ônibus exclusivos, de veículos leves sobre pneus e sistemas sobre trilhos, como trens urbanos, metrôs e veículos leves sobre trilhos.
As primeiras cidades beneficiadas são Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Recife, Fortaleza, Salvador e Curitiba. No caso da capital paranaense, ela vai apenas aperfeiçoar seu sistema de transporte, que há quase 40 anos se baseia no conceito de BRT. Já o MOB 2 inclui municípios como Manaus, Belém, Goiânia, Guarulhos, Campinas e São Luís, enquanto o MOB 3 irá priorizar Maceió, Teresina, Natal, Campo Grande, João Pessoa, São Gonçalo, Duque de Caxias (RJ) e Nova Iguaçu (RJ) e São Bernardo do Campo (SP).
Você sabia?
- O BRT de Curitiba transporta atualmente 2,26 milhões de passageiros por dia em 82 quilômetros de vias expressas
- Em 2010, 16 cidades ao redor do mundo adotaram o BRT
- Em 2011, 49 cidades ao redor do mundo estão implantando o sistema de transporte coletivo
- Na América latina, o BRT já transporte 17 milhões de pessoas por dia
- Buenos Aires inaugurou em maio de 2011 12,5 quilômetros de BRT
- Nos Estados Unidos, cinco cidades já aderiram ao BRT, entre elas Los Angeles (20 km) e Cleveland (10 km). Outras oito cidades estudam a implantação do sistema




Entrevistados
Cláudio de Senna Frederico
Consultor internacional em transporte urbano e vice-presidente da ANTP (Associação Nacional de Trânsito e Transporte Público)
Ronaldo Vizzoni
Gerente da área de infraestrutura e lider do projeto de pavimentação da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Currículos
Claudio de Senna Frederico
- Engenheiro mecânico pela PUC-RJ e consultor internacional em transporte urbano
- Vice-presidente da ANTP (Associação Nacional de Trânsito e Transporte Público)
- Ex-secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo
- Primeiro gerente de operações do Metrô de São Paulo e primeiro diretor de operações do Metrô do Rio de Janeiro
- Assessora a Scania na formação de sua área de BRT, projetos de sistemas de transporte e combustíveis alternativos para o Brasil e América Latina
Ronaldo Vizzoni
- Engenheiro civil e administrador de empresas pela Universidade Mackenzie (SP)
Pós-graduado em Marketing Industrial pela FGV
- Projetista de estruturas
- Profissional da ABCP desde 1996, tendo atuado como gerente do escritório regional de São Paulo até 2001
- Atualmente é gerente da área de infraestrutura e líder do projeto de pavimentação da ABCP
Contatos: antpsp@antp.org.br / csfrederico@gmail.com / ronaldo.vizzoni@abcp.org.br
Créditos Fotos: Divulgação/ANTP/ABCP/Pedro Ribas/SMCS
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Saúde torna-se prioridade no setor da construção civil
Empresas estão cada vez mais conscientes de que trabalhadores saudáveis geram valor agregado. Investimento também ajuda a reter mão de obra qualificada
Por: Altair Santos
A acirrada competição por mão de obra qualificada agregou benefícios aos trabalhadores da construção civil. Entre eles, os cuidados que as empresas do setor passaram a ter com a saúde dos colaboradores. Não só com os que atuam diretamente nos canteiros de obra, a partir da adoção de sistemas de gestão de segurança e saúde, mas também com os que desenvolvem um trabalho mais voltado para o planejamento da obra, como engenheiros, arquitetos e projetistas.

Segundo o médico Ricardo de Marchi, presidente da CPH Health - empresa voltada para o desenvolvimento de programas de promoção de saúde para o ambiente corporativo -, as empresas da construção civil mudaram a forma de encarar o investimento em saúde. “Antes, elas viam isso como custo administrativo. Agora, veem como valor agregado. O funcionário passou a ser enxergado como um ativo. E um empregado saudável vale mais”, analisa.
De acordo com o especialista, isso se deve ao fato de as empresas estarem dispostas a reter os bons profissionais, reduzindo a alta rotatividade de mão de obra – antes tão comum no setor da construção civil, principalmente. “Anteriormente, as empresas pensavam: por que vou investir em saúde se o meu empregado hoje vai estar em outra construtora amanhã? Daí, elas não investiam. Hoje, a mentalidade mudou. Até porque a Agência Nacional de Saúde tem monitorado isso”, diz Ricardo de Marchi.
Para profissionais como engenheiros, levantamento da CPH Health revela que as doenças que mais afetam esses profissionais são as relacionadas à parte emocional (depressão e estresse), ao sistema osteomuscular, além de riscos cardíacos. Neste caso, há uma relação direta com o sedentarismo. Segundo recente pesquisa do Instituto Datafolha, metade dos profissionais brasileiros – e aí se incluem engenheiros e arquitetos – não pratica atividade física.
O índice de sedentarismo cresce conforme a idade. Dos 18 aos 24 anos, 39% dos profissionais não praticam atividades físicas. Na faixa etária de 25 a 44 anos, a taxa de sedentarismo aumenta para 50%. Dos 45 aos 59 anos, passa para 53%. Entre os idosos de 60 a 70 anos, chega ao seu ápice: 57% levam uma vida sem nenhuma atividade física. “Na média, isso resulta em muita gente obesa, muita gente comendo mal, muita gente estressada, muita gente não dormindo direito”, avalia o médico Ricardo de Marchi.
Para diminuir o impacto do sedentarismo na produtividade, as empresas têm investido em boa alimentação e também estimulado a atividade física. “Se há atividade física diária, combinada com uma alimentação balanceada, o estresse tem menor chance de interferir”, diz o médico da CPH Health, lembrando que o estresse funciona de forma diferente sobre cada profissional. “O estresse hoje está presente em todas as profissões, mas provoca reações muito individuais. O engenheiro que está sentado numa mesa, fazendo cálculos, tem um tipo de fator que atua sobre ele. Já o engenheiro que está em campo, no canteiro de obras, tem outro tipo de fator”, completa.
Entrevistado
Ricardo de Marchi, médico e Presidente da CPH Health Solutions
Currículo
- Ricardo de Marchi é médico, com mestrado pela Universidade de Paris IV e certificações em promoção de saúde pela Universidade de Stanford e Instituto Cooper
- É fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida. Também é membro-fundador do International Institute for Health Promotion (Washington DC)
- Autor de 3 livros sobre o tema “Saúde e Qualidade de Vida”
- Atua também como consultor em estratégicas de saúde para empresas
Contato: rdmarchi@cph.com.br
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Proposta do Pronatec é amplificar rede da educação profissional
Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego pretende, até 2014, abrir oito milhões de vagas nas escolas e zerar déficit de mão de obra qualificada
Por: Altair Santos
Com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), o governo federal pretende criar oito milhões de vagas na educação profissional até 2014, com a construção de 201 escolas de educação profissional e tecnológica. O Pronatec vai ofertar vagas gratuitas em instituições públicas e privadas - incluindo as do Sistema S (Sesi, Senai, Sesc e Senac) - a estudantes e trabalhadores interessados em qualificação profissional.

Precisando ainda ser aprovado pelo Congresso nacional, o Pronatec também propõe expandir o programa de financiamento estudantil (Fies) para estudantes que queiram ingressar no ensino profissionalizante e para empresas que queiram capacitar seus funcionários.
Outra ação será a ampliação da Escola Técnica Aberta do Brasil (E-Tec), modalidade a distância, que instalou 259 polos em 19 estados até 2010, atendendo a cerca de 29 mil estudantes. Em 2011, serão mais de 47 mil vagas; 77 mil em 2012; mais de 197 mil em 2013 e cerca de 263 mil em 2014.
Segundo o governo, a ideia é dar mais celeridade ao acordo firmado no governo anterior com o Sistema S, segundo o qual essas entidades devem aplicar dois terços de seus recursos advindos do imposto sobre a folha de pagamentos do trabalhador na oferta de cursos gratuitos.
À frente do Pronatec está o Secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Eliezer Moreira Pacheco, que é também o representante do Sistema S no Ministério da Educação. Na entrevista a seguir, ele detalha como vai funcionar o Pronatec e de que forma o programa vai ajudar a impulsionar a formação de mão de obra técnica no país. Confira:
O Pronatec, lançado recentemente, já está em vigor ou ainda precisa passar pelo Congresso Nacional? Há previsão de quando ele irá vigorar?
O projeto de lei que cria o Pronatec foi enviado ao Congresso Nacional pela presidenta Dilma Rousseff após o lançamento do programa, em 28 de abril. Lá ele passará por algumas comissões antes de ser votado. A previsão é que ainda no segundo semestre de 2011 possamos contar com o Pronatec como um potencializador das ações do governo federal em termos de democratização do acesso à formação profissional.
Qual será a participação do Sistema S (Sesi, Senai, Sesc e Senac) no Pronatec?
Terá uma participação muito importante. As escolas do Sistema S vão ofertar cursos técnicos a estudantes do ensino médio e de qualificação profissional a trabalhadores reincidentes do seguro desemprego. Estudantes e empresas também poderão acessar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para fazer um curso técnico em uma escola do Sistema S. Além disso, o Pronatec dá prosseguimento ao acordo firmado em 2008, entre o Ministério da Educação e as entidades do Sistema S, para ampliar cursos gratuitos oferecidos por Senai e Senac.
A meta é formar técnicos em nível de ensino médio. Haverá cursos voltados para a construção civil, já que é um dos setores que mais têm carência de mão de obra qualificada?
Sim, todas as modalidades de cursos técnicos terão facilidades de acesso para beneficiar os estudantes e trabalhadores que desejarem se qualificar. A construção civil é um setor estratégico para o desenvolvimento do país, ainda mais com os grandes eventos que serão sediados no país. Além disso, esta é uma área que carece de mão de obra qualificada e precisa formar técnicos rapidamente para sustentar o ritmo de crescimento brasileiro.
Hoje, ainda sem o impulso do Pronatec, qual a participação do sistema S na formação de profissionais para o mercado da construção civil?
Atualmente o Sistema S possui mais de 351 mil matrículas em cursos técnicos e de formação inicial e continuada. Dentre estes, há cursos voltados para áreas ligadas à construção civil, tais como técnico em edificações e técnico em desenho de construção civil, por exemplo.
Dentro do Pronatec existe o projeto de se construir escolas de educação profissional e tecnológicas. Algumas destas escolas serão voltadas apenas para formar trabalhadores capacitados para a construção civil?
Os 201 campi da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica que serão construídos seguirão a mesma lógica aplicada na expansão da rede, ou seja, os cursos ofertados atendem às demandas dos arranjos produtivos locais. Certamente, onde houver necessidade de profissionais de construção civil teremos cursos nesta área. Além disso, com o programa Brasil Profissionalizado repassaremos aos estados recursos para a construção de escolas técnicas estaduais. Da mesma forma, caberá aos governos estaduais estudar quais cursos deverão ser implantados em cada unidade.
Quais os pré-requisitos para o estudante que quiser se beneficiar do Pronatec?
Após a aprovação pelo Congresso Nacional, do projeto de lei que cria o programa, será realizada uma campanha informativa com os requisitos para os estudantes e trabalhadores poderem se inscrever.
Qual a expectativa de que o Pronatec comece a colocar profissionais no mercado?
Até o final de 2014 esperamos beneficiar oito milhões de brasileiros. Como estão previstas no projeto ações para facilitar o acesso a cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC), geralmente mais rápidos, em alguns meses após o início do programa já teremos trabalhadores formados via Pronatec.
Até que o Pronatec dê resultado, o que o Sistema S tem feito para suprir a demanda por mão de obra qualificada, principalmente na construção civil?
Como citado anteriormente, existe um acordo firmado desde 2008 no qual as entidades pertencentes ao Sistema devem disponibilizar de forma gratuita vagas em cursos técnicos e de formação inicial e continuada. Só em 2010 foram mais de 351 mil vagas para a formação de trabalhadores e estudantes.
Qual a previsão de investimento para viabilizar o Pronatec?
Ao longo deste ano será investido mais de R$ 1 bilhão para a concessão de bolsas e para financiar cursos de educação profissional. A previsão é de que até o final de 2014 R$ 7,4 bilhões serão investidos nas ações do programa.
Em termos de impulso para a economia do país, o que vai significar o Pronatec?
Dados demonstram que há uma necessidade de trabalhadores qualificados para ser suprida no país, em diversos setores. Com a plena expansão pela qual passam a indústria e os serviços, abre-se uma grande demanda por mão de obra especializada. Uma pesquisa recente do ManpowerGroup sobre escassez de talentos demonstrou que, no Brasil e no mundo, o técnico é o perfil profissional mais em falta no mercado. Além disso, de acordo com a pesquisa A Educação Profissional e Você no Mercado de Trabalho, da Fundação Getúlio Vargas, a chance de um brasileiro com formação técnica ingressar no mercado de trabalho é 48% maior. Outra pesquisa, do próprio MEC, revela que o índice de empregabilidade entre os egressos da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica é de 72%. O Pronatec vai impulsionar e incentivar a formação de trabalhadores para preencher estas vagas nas empresas, indústrias, construção civil e outros setores estratégicos para a manutenção do crescimento nacional.
Entrevistado
Eliezer Moreira Pacheco, Secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação e representante do Sistema S no MEC
Currículo
- Eliezer Moreira Pacheco é graduado em História pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), especialista em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
- Foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)
- Desde 2005, é Secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação
Contato: eliezer.pacheco@mec.gov.br / danilo.almeida@mec.gov.br (assessoria de imprensa)
Crédito Foto: Divulgação/MEC
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Plano define futuro da mineração brasileira
Principal legado do Plano Nacional de Mineração será o levantamento geológico de jazidas ainda não conhecidas no país
Por: Altair Santos
A expectativa é de que nos próximos 20 anos o Brasil aumente até cinco vezes a produção de cimento, minério de ferro e aço. Essa projeção consta do Plano Nacional de Mineração (PNM), lançado em fevereiro de 2011. O programa pretende nortear o setor até 2031 e prevê o investimento de R$ 650 milhões, principalmente em pesquisa mineral para a expansão e descoberta de jazidas e também para a implantação de novas unidades de transformação mineral.

De acordo com o assessor do departamento minerário do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), Carlos Eugênio Gomes Farias, o principal legado do PNM será o levantamento geológico de jazidas ainda não conhecidas no país. “Isso será muito importante para o desenvolvimento do setor. É preciso ter mais conhecimento geológico, porque, no que concerne às jazidas de calcário, importantes para a indústria cimenteira, as reservas atuais são suficientes, mas é preciso agregar mais reservas nos próximos 20 anos”, disse.
O assessor do SNIC avalia que o Plano Nacional de Mineração precisa também se preocupar com a infraestrutura que movimenta o setor e que, segundo ele, é um “problema sério”. “Existem gargalos, principalmente no transporte ferroviário, no transporte rodoviário e no sistema portuário. Melhorar isso é muito importante para o escoamento, não só de cimento, mas de todo o setor mineral”, disse.
Para tornar o setor mineral mais competitivo, o PMN prevê a criação da Agência Nacional de Mineração e do Conselho Nacional de Política Mineral, que vão trabalhar a consolidação do marco regulatório, a questão da outorga de títulos minerais e uma nova política de royalties. No documento que lançou o plano há o reconhecimento de que a atual legislação sobre o pagamento de indenizações pela exploração da mineração apresenta fragilidades e que o modelo de tributação onera a indústria mineral no país.
No entender do setor, desde que o PMN não consiga desobstruir os problemas do setor haverá dificuldades para que o plano incentive a inovação tecnológica ao longo da cadeia produtiva e também para que seja agregado valor aos produtos. “O setor mineral é um setor básico para toda a indústria. Só existe indústria de construção civil, indústria de automóvel e qualquer outra indústria por causa da indústria mineral. O mineral é sempre um fator básico. Então é muito importante para o setor resolver as questões propostas no plano”, diz Carlos Eugênio Gomes Farias.
O objetivo do Plano Nacional de Mineração é fazer com que o setor atinja no Brasil o mesmo status obtido na atividade petrolífera. A expectativa é de que até 2031 o faturamento da indústria mineral aumente em 50% sua participação no PIB (Produto Interno Bruto) nacional, que hoje está em 10%. No ano passado, o faturamento do setor foi de R$ 282 milhões e representou 25% das exportações do país.
Entrevistado
Carlos Eugênio Gomes Farias, assessor do departamento minerário do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento)
Currículo
- Carlos Eugênio Gomes Farias é graduado em Engenharia de Minas pela Universidade Federal de Pernambuco (1966)
- Pós-graduado em Engenharia Econômica (Universidade Católica de Pernambuco), em Administração (Fundação Getúlio Vargas) e Engenharia Ambiental (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
- Já atuou como professor de Geometria Analítica e de Termodinâmica da Universidade Católica de Pernambuco
- Atualmente é diretor Técnico da Companhia Nacional de Mineração Candiota e assessor do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC)
Contato: ceugeniofarias@terra.com.br
Crédito Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Paver transforma calçadas de Curitiba
Bloco de concreto intertravado avança pelas ruas da capital paranaense e melhora mobilidade dos pedestres
Por: Altair Santos
A calçada que utiliza bloco de concreto intertravado, também conhecido como paver, já é predominante na cidade de Curitiba. Em seis anos, esse modelo de calçamento já se estendeu por 363 quilômetros da capital paranaense, e a tendência é que avance mais. Numa nova etapa para revitalizar os equipamentos de mobilidade para os pedestres, outros 88 quilômetros estão em obras no município.

Além do trecho da avenida Marechal Floriano, que vai da Linha Verde até a divisão com São José dos Pinhais, e que soma 14 quilômetros de extensão, mais oito bairros de Curitiba estão ganhando calçamento em paver. São Rebouças, Alto da XV, Alto da Glória, Centro Cívico, Bom Retiro, Mercês, Batel e Água Verde. Todos estão interligados pelo Anel Viário que a prefeitura está viabilizando para desafogar o trânsito no entorno do centro da capital.
Trata-se de obras que, junto com a revitalização de avenidas como a Fredolin Wolf e a construção do binário Chile-Guabirotuba, já integram o programa de mobilidade de Curitiba para a Copa do Mundo de 2014. Por isso as novas calçadas em paver priorizam ruas que dão acesso ao transporte coletivo e a equipamentos urbanos como escolas, colégios, unidades de saúde, hospitais, parques e praças.
Além do paver, a Prefeitura de Curitiba tem utilizado também o piso vibro prensado para calçadas customizadas, como a da Rua Riachuelo, e iniciou recentemente o uso de blocos fabricados com resíduos da construção civil. “Nossas calçadas são modelos de inovação. Tudo é pensado. Desde a acessibilidade, passando pela iluminação, até o paisagismo. Hoje, as árvores que ornamentam essas calçadas são escolhidas para não danificá-las com a raiz”, explica o secretário municipal de obras públicas, Mário Yoshio Tookuni.
Curitiba, desde 2007, tem uma lei que padroniza as calçadas da cidade. Para serem construídas, elas devem estar de acordo com os critérios estabelecidos pelo decreto 1066/07. São permitidos três padrões: paver, asfalto ou placas pré-moldadas de concreto. Diz a lei que o calçamento com paver é prioridade para as chamadas vias estruturantes. São proibidos obstáculos como degraus, rampas e desníveis que dificultem o livre trânsito de pedestres. É proibida a construção de estacionamento de veículos na calçada ou na faixa de recuo predial obrigatório.
Veja o que diz o decreto 1066/07:
Determina padrões de construção e de materiais para serem usados na pavimentação dos diferentes tipos de calçadas. Os padrões são definidos de acordo com os lugares da cidade, como área central, setor histórico, unidades de conservação e demais vias. Ao todo são quatro padrões de materiais com as seguintes características:
- Padrão A: executados com blocos de concreto intertravados, o paver, que apresenta vantagens como boas resistências, durabilidade, drenagem superficial, boa estética integrando-se aos ambientes, além da facilidade de aplicação e, principalmente, manutenção, reaproveitamento das peças e flexibilidade em cores.
- Padrão B: executadas em CBUQ (asfalto) com fiada de paralelepípedo.
- Padrão B1: CBUQ (asfalto) sem acabamento.
- Padrão C: placas de concreto de 40cm x 40cm ou 45cm x 45cm, com rejunte nivelado na superfície do piso.
O decreto diz ainda que o IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) pode utilizar outras tecnologias ou materiais desde que resultem em superfície regular, firme contínua e antiderrapante. As calçadas de Curitiba também devem atender à norma técnica NBR 9050 (acessibilidade a edificações, mobiliário, espaço e equipamentos urbanos).
Das ruas da capital paranaense só as tombadas pelo patrimônio histórico da cidade não podem sofrer mudança de material. É o caso da Rua XV, originalmente construída em petit pavet, em 1972. Mesmo assim, a secretaria municipal de obras públicas, em conjunto com o IPPUC, estuda a revitalização do calçamento da Rua das Flores. Entre as propostas está a de construir um contrapiso de concreto e reassentar o petit pavet em cima. “Isso acabaria com as ondulações das pedras e daria mais estabilidade para os pedestres”, explica o secretário Mário Yoshio Tookuni.

Entrevistado
Mário Yoshio Tookuni, secretário de obras públicas da Prefeitura de Curitiba
Currículo
- Engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) – 1973
- Possui curso de aperfeiçoamento em Engenharia de Construção, na Faculdade de Engenharia da Universidade de Kyoto (Japão) – 1981
- Coordenou o Departamento da Cidade Industrial de Curitiba - de 1979 a 1982
- Diretor do Departamento de Edificações da Secretaria Municipal de Obras Públicas - De 1986 a 1988 e em 1999
- Diretor técnico e também geral do Departamento Estadual de Construção de Obras e Manutenção (DECOM) - 1991 a 1994
- Superintendente da Secretaria Municipal de Obras Públicas - 1999 a 2004
- Coordenador geral da Unidade Técnico-Administrativa de Gerenciamento (UTAG) – 2005
- Diretor do Departamento de Pavimentação da Secretaria Municipal de Obras Públicas – 2006
- Secretário municipal de Obras Públicas – desde 2006
Contato: matookuni@smop.curitiba.pr.gov.br
Crédito: Divulgação/Prefeitura de Curitiba
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Lei tende a reduzir resíduos sólidos na construção civil
Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor desde 2010, mas com previsão de estar totalmente implantada em 2014, cria responsabilidade compartilhada entre poder público e empresas
Por: Altair Santos
Não é possível apontar com precisão que a construção civil brasileira é a grande vilã das estatísticas sobre produção de resíduos sólidos no país. Quem faz essa constatação é o diretor-executivo da Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) Carlos Alberto Vieira da Silva Filho, que diz que não há como confirmar se o setor polui mais ou menos do que outras áreas da economia. “O peso específico do resíduo da construção civil é bastante elevado. Por ser mais pesado, ele se destaca nas estatísticas em relação a outros tipos de resíduos. Mas não há dados suficientes que permitam comparar setores que produzem mais ou menos resíduos”, afirma.

Em 2010, o Brasil produziu 60,8 milhões de toneladas de lixo sólido, dos quais os dados brutos apontam que quase 31 milhões vieram de resíduos de novas construções e de demolições. É o que diz o Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil, divulgado em abril de 2011 pela Abrelpe. No entanto, saindo da frieza dos números, percebe-se um esforço do setor em dar destinação adequada aos resíduos. Em parcerias com o poder público, as empresas têm estimulado projetos de gerenciamento de resíduos da construção civil. O resultado é que atualmente boa parte das cidades com mais de 500 mil habitantes possui diretrizes para a destinação dos resíduos e seu aproveitamento em processos de reciclagem.
A partir da lei sancionada em agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), todos os municípios brasileiros terão que pôr em prática medidas que impeçam que esses materiais cheguem aos aterros. O prazo vai até 2014. “Reciclar o material excedente é a saída para a construção civil e a Política Nacional de Resíduos Sólidos estimula isso”, diz Carlos Alberto Vieira da Silva Filho. Neste sentido, algumas ideias já têm sido colocadas em prática. Belo Horizonte e Porto Alegre, por exemplo, criaram recentemente Bolsas de Resíduos, onde são publicadas ofertas de solo escavado para obras de terraplenagem e de resíduos de gesso, para que sejam utilizados como matéria-prima nas indústrias de cimento.
Segundo o diretor-executivo da Abrelpe, iniciativas como as que já existem em Porto Alegre e Belo Horizonte vão ao encontro ao que prega a Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Na lei, há a determinação de que na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos seja aplicada uma ordem de prioridade de ações conforme sequência estabelecida pela legislação: redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final dos rejeitos. Com a vigência da lei, apenas os rejeitos poderão ser encaminhados para disposição em aterros, os demais materiais precisam passar por processos licenciados de aproveitamento”, explica. “Para isso, será necessário uma efetiva fiscalização por parte das autoridades municipais”, completa.
Responsabilidade compartilhada
De acordo com o diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Silvano Silvério da Costa, uma das novidades da Política Nacional de Resíduos Sólidos é possibilitar o compartilhamento da responsabilidade sobre a destinação dos rejeitos. “Antes, só o poder público municipal era responsável pela coleta dos resíduos sólidos. A partir da lei, isso passa a ser compartilhado com fabricante, distribuidor, comerciante e usuário”, diz. Depois que o modelo for totalmente implantado, com previsão para agosto de 2014, Costa lembra que o município será obrigado a fazer a coleta seletiva e mandar para o aterro sanitário só o que não for passível de reciclagem ou reutilização – o chamado rejeito.
Segundo ele, de 30% a 37% do lixo produzido no país constitui resíduo seco que pode ser reutilizado. Outros 55% são resíduos úmidos, aí incluindo o material orgânico. Sobram, portanto, de 8% a 10% de rejeito. “Com a nova lei, é só o material sem possibilidade de reaproveitamento que o município enviará para o aterro sanitário, o que vai reduzir em muito o desperdício de resíduos sólidos reaproveitáveis”, avalia Silvano Silvério da Costa.
O diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente salienta ainda que a lei cria a obrigatoriedade do município se adequar à sistemática de coleta seletiva, pois determina que os municípios que não o fizerem, até agosto de 2014, deixarão de receber repasses de verbas do governo federal. Essa obrigação aumenta os desafios para as pequenas e médias cidades que ainda usam lixões a céu aberto por não disporem de recursos financeiros nem capacidade técnica para a gestão adequada dos serviços. Para esses casos, Costa afirma que os municípios mais pobres podem viabilizar autarquias regionais, com interveniência dos governos estaduais.
Entrevistado
- Carlos Alberto Vieira da Silva Filho, diretor-executivo da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais)
- Ministério do Meio Ambiente
Currículo
- Carlos Alberto Vieira da Silva Filho é advogado pós-graduado em Direito Administrativo e Econômico pela Universidade Mackenzie
- Diretor-executivo da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais)
- Secretário-executivo da Rede Ibero-Americana de Resíduos Sólidos firmada entre entidades do Brasil, Argentina, Portugal e Espanha.
- Coordenador da Regional da América Latina da ISWA (International Solid Waste Association)
Contato: Carlos Alberto Vieira da Silva Filho (assessoria de imprensa) - comunicacao@abrelpe.org.br / Ministério do Meio Ambiente (assessoria de imprensa) - ascom@mma.gov.br
Crédito: Divulgação/Abrelpe
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Investimento em pesquisa destaca curso de Engenharia Civil da PUC-RJ
Universidade tem 95% de professores-doutores e vários trabalhos premiados e incentivados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Por: Altair Santos
O número de alunos do curso de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) dobrou desde 2009. O motivo é a posição alcançada pela graduação no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). A avaliação, aplicada a quem ingressa e conclui cursos superiores no país, colocou a Engenharia Civil da PUC-RJ em 1.º lugar no ranking do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgado em janeiro de 2011.

Com nota 4,59, o curso estima que alcançará desempenho ainda melhor na próxima edição do Enade, cuja avaliação está marcada para 6 de novembro de 2011. “A demanda pela Engenharia Civil aumentou, mas estamos conseguindo agregar mais qualidade ao curso. Hoje temos cerca de 240 alunos, mas o corpo docente formado por 95% de professores-doutores e o investimento na infraestrutura do curso nos faz crer que estamos qualificando ainda mais a graduação”, diz Michéle Dal Toé Casagrande, coordenadora da graduação.
Fundado no início dos anos 1950, o curso de Engenharia Civil da PUC-RJ tem como diferencial o investimento em pesquisa. “Temos muitos professores antigos, que já têm linhas de pesquisa consolidadas e isso faz com que a Engenharia Civil tenha uma experiência maior para passar para os alunos. Hoje, por exemplo, temos 18 professores envolvidos em tempo integral como pesquisadores do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)”, revela Michéle Casagrande.
A Engenharia Civil da PUC-RJ desenvolve atualmente pesquisas voltadas para poços de petróleo, estruturas de aço e concreto e geotécnica, cuja demanda por causa dos recentes deslizamentos ocorridos na região serrana do Rio de Janeiro tem sido grande. A universidade também desenvolve estudos sobre perfurações de túneis e pavimentos em estradas. “Trabalhamos para ampliar o laboratório de pavimentação, visando mais projetos voltados para estradas em parceria com empresas”, afirma a coordenadora.
Por conta das pesquisas, a PUC-RJ comemora duas premiações recentes. Em 2010, ganhou concurso promovido pela Construtora Odebrecht, voltado para construções sustentáveis. O trabalho vencedor usou cinzas de resíduos sólidos para a base de pavimento. Neste ano, a universidade ganhou o prêmio Oscar Niemeyer, promovido pelo CREA-RJ. “Tudo isso ajuda no currículo dos alunos e permite que eles sejam absorvidos rapidamente pelo mercado de trabalho”, avalia Michéle Casagrande.
Para alunos que queiram continuar a estudar após a conclusão da graduação, a PUC-RJ também tem cursos de pós-graduação e doutorado, além de intercâmbio com universidades estrangeiras. Há convênios com França, Inglaterra, Estados Unidos, Espanha e Itália. “Elas recrutam os melhores alunos e também vem estudantes destes países para cá. No momento, tenho alunos de Portugal, da Dinamarca e da França”, completa a coordenadora. Sinal de que o status alcançado pela engenharia Civil da PUC-RJ já ultrapassou as fronteiras do país.
Serviço
Outros cursos da PUC-RJ bem conceituados pelo Enade:
- Arquitetura (4.º do país)
- Ciências Sociais (3.º)
- Filosofia (4.º)
- História (3.º)
- Pedagogia (1.º)
- Engenharia Industrial (1.º)
- Informática (10.º)

Entrevistada
Michéle Dal Toé Casagrande, coordenadora do curso de graduação de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Currículo
- Possui Graduação em Engenharia Civil pela Universidade de Passo Fundo (UPF/1998)
- Mestrado (UFRGS/2001) e Doutorado (UFRGS/2005) em Engenharia Civil / Geotecnia, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com Doutorado Sanduiche em Geotechnical pela Imperial College of Science, Technology and Medicine - London (2004)
- Atualmente é professora do Quadro Principal do Departamento de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (DEC / PUC-RJ) atuando em Ensino e Pesquisa a nível de Graduação e Pós-Graduação
- Tem experiência na área Geotécnica, atuando principalmente em reforço de solos e pavimentos, geotécnica experimental, bem como no estudo do comportamento de materiais alternativos e novos materiais geotécnicos para aplicações em obras de terra e pavimentação
- É Bolsista de Produtividade em Pesquisa Nível 2 do CNPq, Diretora Técnica da ABPv (Triênio 2011-2013) e Secretária Geral da ABMS / NRRJ (Biênio 2011-2012).
Contato: michele_casagrande@puc-rio.br / michele.casagrande@hotmail.com
Créditos Fotos: Divulgação/PUC-RJ/Arquivo pessoal