Cadeia da construção civil ganha a mais completa base de dados
Criado pelo SindusCon-SP, ConstruData reúne estatísticas e informações estratégicas que interessam tanto aos profissionais da área quanto às construtoras e incorporadoras
Por: Altair Santos
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) lançou em outubro de 2011 uma ampla base de dados estratégicos que interessam a todos os segmentos do setor. Reunidas no site batizado de ConstruData, as estatísticas foram organizadas e passaram a fornecer uma extensa gama de indicadores setoriais, demográficos, contas nacionais e regionais, que permitem às construtoras ter subsídios sólidos para estudar a viabilidade econômico-financeira de empreendimentos imobiliários em todo o Brasil.

A elaboração do ConstruData levou três anos e contou com a parceria da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sob a coordenação da economista Ana Maria Castelo, especialista na área da construção civil. O objetivo é que o banco de dados se torne uma ferramenta de consulta para toda a cadeia produtiva, sejam empresas ou profissionais da área. “Essa é a ideia. Para isso estamos tentando cobrir informações de todos os segmentos do setor. Mas é importante lembrar que o site não se restringe apenas ao banco de dados. Ele possui também análises setoriais e disponibiliza a revista Conjuntura da Construção”, explicou.
Através do ConstruData, o empreendedor da construção civil terá acesso a informações melhor organizadas para verificar a viabilidade econômica de um negócio, por exemplo. “É um instrumento que vai facilitar a vida do empreendedor, na medida em que ele vai encontrar um grande número de informações setoriais em um único lugar, sem precisar recorrer a diversas fontes”, completa a economista da FGV. Além disso, o amplo acervo de dados e análises do site vai ajudar os profissionais no entendimento do desempenho e das tendências do setor. “Através da revista Conjuntura da Construção a gente pretende disponibilizar as análises produzidas com base nos dados obtidos via ConstruData”, reforça Ana Maria Castelo.
O ConstruData funciona como um catalisador e organizador de dados. Algumas áreas do site têm atualização quase diária, enquanto outras, que dependem de informações mais amadurecidas, podem ser divulgadas mensalmente, trimestralmente ou anualmente. A ferramenta também pretende agregar números gerados por outros organismos representativos da construção civil. “O objetivo é realmente ser uma referência de informações e análises consolidadas. Estamos apenas começando, ainda há muito que colocar no ConstruData para que ele tenha uma dimensão realmente expressiva dentro da cadeia da construção civil”, conclui a economista da FGV.
Acesse o ConstruData: http://www.construdata.com.br/index.php
Entrevistada
Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV, co-editora da revista Conjuntura da Construção e responsável pela divulgação do INCC-M
Currículo
- Economista e mestre pela Universidade de São Paulo
- É coordenadora de projetos do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio Vargas, responsável pela divulgação do INCC e especialista na área da construção civil
- Co-editora da Revista Conjuntura da Construção, presta assessoria ao Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e à Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT)
Contato: ana.castelo@fgv.br
Créditos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Mão de obra da construção civil adota novo modelo de prestação de serviço
A figura do “pedreiro” cede espaço para empresas especializadas em reforma de imóveis e que agregam profissionais capazes de desenvolver multitarefas
Por: Altair Santos
A falta de mão de obra na construção civil não atinge apenas empreendimentos imobiliários e grandes obras estruturais. Ela afeta também o mercado das pequenas reformas. Só que, neste setor, a escassez de especialistas estimulou um novo modelo de serviço. A figura do “pedreiro” cedeu espaço para empresas que desempenham multitarefas, como solucionar problemas hidráulicos e elétricos ou recuperar fachadas e promover reparos em imóveis.

Bem sucedido, o novo segmento estimula ainda mais o chamado “consumo formiguinha” no comércio de material de construção. Segundo dados da ANAMACO (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) a venda no balcão já representa 77% do volume de produtos negociados anualmente pelas lojas do Brasil. “É um comércio que não para e a gente está atrelado a isso”, conta David Pinto, dono Doutor Resolve.
A empresa de David Pinto é pioneira neste novo modelo de prestação de serviço na construção civil. Fundada em São José do Rio Preto-SP, a Doutor Resolve já conta com 400 franquias espalhadas pelo país e movimenta por ano cerca de R$ 50 milhões em material de construção. “Entre os reparos mais solicitados, nós temos três carros chefe: a alvenaria, a elétrica e a hidráulica. Temos até um dado do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que aponta que pelo menos uma vez por ano um imóvel requer algum tipo de reparo ou reforma. Assim, nossa expectativa é de constante crescimento”, diz o empresário.
Atualmente, a expansão das reformas tem dois vieses. Um está concentrado no mercado de imóveis novos. “Tem havido uma grande demanda neste setor, porque os compradores sempre querem mudar algo e isso gera um volume de empreitadas”, conta David Pinto. O outro se deve à falta de terrenos para construir. “Isso leva às famílias a reaproveitarem os espaços, seja reformando a casa que existe ou construindo novas peças”, diz o dono da Doutor Resolve.
Segundo pesquisa de potencial de mercado, realizado pela Ibope Inteligência, em 2011 o consumo per capita dos brasileiros com material de construção deve fechar em R$ 469. Isso gera a expectativa de que o ano se encerre com um volume de vendas de R$ 76,4 bilhões para o setor. A região sudeste absorve maior parte deste consumo, com 54,2%. Os estados do sul, no entanto, projetam o maior gasto per capita do país: R$ 559.
Confira o estudo completo:
http://www.ibope.com.br/download/110314_Release_Pyxis_Material_de_Constru%C3%A7%C3%A3o.pdf
Entrevistado
David Pinto, presidente da Doutor Resolve
Currículo
-David Pinto, 27 anos, é empresário no ramo de venda de serviços ao varejo e, especialmente, em franquias, com ampla experiência no setor
Contato: presidencia@doutorresolve.com.br / operacoes@doutorresolve.com.br / http://www.doutorresolve.com.br/Dr-Resolve-Doutor-Resolve.aspx
Crédito: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Venda de imóvel na planta ou pelo panfleto abole termo 'imagem meramente ilustrativa'
Por lei, empresas devem entregar aquilo que prometem. SindusCon e Procon orientam consumidor a procurar construtoras que seguem as normas setoriais
Por: Altair Santos
Campanhas de lançamento de imóveis já geraram muita dor de cabeça, tanto para compradores quanto para construtoras. Isso precisou da intervenção do Código do Consumidor, que tem conseguido chegar a um bom termo quanto ao conteúdo que é trazido nos panfletos em relação às obras concluídas e entregues ao cliente.

A equação que minimiza perdas e danos também teve participação ativa do SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) no sentido de orientar as empresas. “Hoje, as construtoras estão atentas a isso, até porque a lei assim exige. Da mesma forma, o consumidor, melhor informado, também tem checado se as informações contidas nos prospectos de venda constam do memorial de incorporação”, diz Marcos Kahtalian, diretor de marketing do SindusCon-PR.
Atualmente, no Procon (procuradoria do Consumidor) do Paraná – contabilizando apenas dados de 2011 –, há 73 reclamações contra construtoras que atuam no estado. “A maioria se refere a imóveis vendidos na planta, que não respeitaram o prazo de entrega”, explica Cláudia Francisca Silvano, coordenadora do Procon-PR. Quando isso ocorre, a empresa autuada pode acabar pagando multa que varia de R$ 426,00 a R$ 3 milhões.
Para evitar transtornos, o SindusCon recomenda que o consumidor, antes de fechar negócio, verifique se a construtora segue as normas setoriais incentivadas pelo sindicato. “A compra de imóvel na planta implica na aquisição de uma promessa. Nesse sentido, para que o consumidor compre de uma empresa, ele precisa confiar nas promessas dessa empresa e ser sensível ao histórico dela, às suas ações e ao relacionamento dela com os clientes”, completa Kahtalian.
Diante desta nova relação entre clientes e construtoras, um subterfúgio antes comum nas peças publicitárias sobre imóveis está caindo em desuso. Trata-se da utilização do termo “imagem meramente ilustrativa”. Já é consenso legal de que a utilização desta expressão em panfletos, páginas da internet e em outras mídias não isenta a empresa de responsabilidade. “A oferta vincula a construtora. Portanto, aquilo que é ofertado no material publicitário tem que ser cumprido. Neste caso, o uso da frase imagens meramente ilustrativas não exime de responsabilidade a empresa”, alerta a coordenadora do Procon-PR.
Sob o ponto de vista do SindusCon, a orientação para as construtoras é que elas só iniciem a venda dos imóveis quando estiverem com o registro da incorporação em mãos, e que sigam fielmente o que preconiza o memorial da obra.
Segundo Marcos Kahtalian, é preciso entender que a transação em torno de um imóvel é mais complexa que as que envolvem outros bens de consumo. “O imóvel, quase sempre, é um investimento familiar. Trata-se de um bem de consumo durável e com valor agregado alto. Por isso, a compra é mais complexa. Mas atualmente as incorporadoras estão atentas a isso e sabem que o processo de compra é mais delicado”, conclui o diretor de marketing do SindusCon-PR.

Entrevistados
Marcos Kahtalian, diretor de marketing do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (SindusCon-PR)
Cláudia Francisca Silvano, coordenadora da Procuradoria do Consumidor no Paraná (Procon-PR)
Currículos
- Marcos Kahtalian é professor de marketing e marketing de serviços dos cursos de graduação e pós-graduação da FAE Business School, em Curitiba
- Mestre em Multimeios pela Unicamp, escreve regularmente colunas de negócios para jornais, revistas e portais de internet
- É consultor de empresas nas áreas de marketing e gestão há mais de 10 anos e atualmente ocupa o cargo de diretor de marketing do SindusCon-PR
- Cláudia Francisca Silvano é advogada, pedagoga, professora universitária de cursos de graduação e pós-graduação.
- Pós-graduada em direito civil e empresarial, atualmente é coordenadora do Procon-PR
Contatos: marketing@sindusconpr.com.br / claudia@procon.pr.gov.br
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Modal hidroviário tem expectativa de receber R$ 2,7 bilhões do PAC2
Atualmente, Brasil transporta cerca de 100 milhões de toneladas por ano pelas hidrovias. Até 2015, pretende que esse volume represente 29% de toda a carga movimentada no país
Por: Altair Santos
O Brasil tem 41 mil quilômetros de rios navegáveis, mas utiliza apenas 13 mil. Esse número perde 1/3 de seu potencial no período da estiagem, quando hidrovias como a Tocatins-Araguaia, a do São Francisco e a do Madeira entram no período das “águas baixas” e se tornam praticamente inviáveis à navegação de grande porte. Por causa desses empecilhos climáticos e também por falta de investimento, o país hoje movimenta apenas 100 milhões de toneladas por ano através do transporte aquífero. Nos Estados Unidos, somente a hidrovia Missisipi-Missouri desloca 600 milhões de toneladas anualmente. Já na europeia Reno-Danúbio são 300 milhões.

Atualmente, o transporte hidroviário corresponde a 18% de toda a carga movimentada por ano no Brasil, contra 21% do ferroviário, 56% do rodoviário e 5% do aéreo. Segundo prevê o Plano Nacional de Logística de Transportes (PNLT) até 2025 a expectativa do governo federal é que as hidrovias correspondam a 29% do transporte de cargas no país. Por isso, a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2) prevê investimento de R$ 2,7 bilhões no modal hidroviário. Boa parte destes recursos irá para a criação do corredor Telespites-Tapájos e melhorias nas hidrovias Tocantis-Araguaia e Paraguai-Paraná, segundo a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).
Hoje, segundo o superintendente de navegação do interior da Antaq, Adalberto Tokarski, apenas a Tietê-Paraná opera no país 24 horas por dia e durante 12 meses. O objetivo é que essas hidrovias que receberão recursos do PAC2 também se tornem navegáveis durante todo o ano, assim como a de Tucuruí, entre Marabá e Vila do Conde, no Pará, num trecho de 445 quilômetros. Desde 2010, esse corredor conta com duas novas eclusas, que agora permitem a navegação de comboios de até 19 toneladas. São obras reivindicadas há 30 anos e que ficaram paradas entre 1981 e 2007.
Há quatro anos foram retomadas em ritmo intenso, graças à injeção de R$ 1 bilhão através de recursos do PAC. A obra impressiona pela grandiosidade. O volume de concreto usado na construção seria suficiente para construir 25 estádios de futebol do tamanho do Maracanã. Cerca de 3.500 operários trabalharam continuamente nas eclusas, que medem 210 metros de largura e 33 metros de comprimento, cada uma. “Para essa hidrovia se tornar navegável por 12 meses, ininterruptamente, falta realizar dragagens em alguns trechos e fazer o derrocamento em outros”, explica Adalberto Tokarski.

Nas hidrovias do norte do país, o minério de ferro é o principal produto transportado nos corredores. Já na região sudeste, o combustível tem se destacado. Segundo o superintendente da Antaq, a iniciativa privada tem sido parceira em novos investimentos no setor. “Na hidrovia Tietê-Paraná, há empresas aprimorando o transporte de álcool combustível (etanol). Na Amazônia, tanto para navegar no Tapajós quanto Madeira, tem alguns setores investindo também, e a mesma coisa acontece no rio Paraguai, onde a Vale comprou a Rio Tinto e quer atingir o volume de 20 milhões por anos naquele trecho”, revela.
Outro ponto destacado pela Antaq é que a engenharia brasileira domina todo o processo de construção de hidrovias, o que torna esse modal mais viável. “Não é preciso importar nenhum tipo de tecnologia para o Brasil construir hidrovias. O país domina a construção de barragens e de eclusas e dispõe de equipamentos para dragagens e derrocamento”, explica Adalberto Tokarski.
Principais hidrovias brasileiras
- Madeira, ligando Porto Velho-RO a Itacoatiara-AM (1.056 km)
Escoa grãos e minérios
- São Francisco, ligando Pirapora-MG a Juazeiro-BA (1.371 km)
Usada como alternativa no transporte de cargas
- Tocantins-Araguaia (2.250 km)
Escoa grãos e minérios
- Tietê-Paraná, ligando Conchas-SP a São Simão-SP (2.400 km)
Escoa, carga, grãos e combustível
- Paraguai-Paraná, liga Corumbá-MS até Porto de Nueva Palmira-Uruguai (1.323 km)
Escoa principalmente soja
Entrevistado
Adalberto Tokarski, superintendente de navegação Interior da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq)
Currículo
- Graduado em engenharia civil e tem experiência nos setores privado e público nas áreas de transporte multimodal e logística
- Também representa a Antaq no Acordo Binacional Brasil-Uruguai sobre a hidrovia da Lagoa Mirim, além de coordenar o Grupo G5+1, formados pelo estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul e pelo governo federal (representado pelo Ministério dos Transportes, Dnit e Antaq), que estuda e planeja o avanço da Hidrovia Tietê-Paraná
Contato: mailto:adalberto.tokarski@antaq.gov.br / asc@antaq.gov.br (assessoria de imprensa) / www.antaq.gov.br
Créditos fotos: Divulgação/Antaq
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Venda de imóvel na planta ou pelo panfleto abole termo 'imagem meramente ilustrativa'
Por lei, empresas devem entregar aquilo que prometem. SindusCon e Procon orientam consumidor a procurar construtoras que seguem as normas setoriais
Por: Altair Santos
Campanhas de lançamento de imóveis já geraram muita dor de cabeça, tanto para compradores quanto para construtoras. Isso precisou da intervenção do Código do Consumidor, que tem conseguido chegar a um bom termo quanto ao conteúdo que é trazido nos panfletos em relação às obras concluídas e entregues ao cliente.

A equação que minimiza perdas e danos também teve participação ativa do SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) no sentido de orientar as empresas. “Hoje, as construtoras estão atentas a isso, até porque a lei assim exige. Da mesma forma, o consumidor, melhor informado, também tem checado se as informações contidas nos prospectos de venda constam do memorial de incorporação”, diz Marcos Kahtalian, diretor de marketing do SindusCon-PR.
Atualmente, no Procon (procuradoria do Consumidor) do Paraná – contabilizando apenas dados de 2011 –, há 73 reclamações contra construtoras que atuam no estado. “A maioria se refere a imóveis vendidos na planta, que não respeitaram o prazo de entrega”, explica Cláudia Francisca Silvano, coordenadora do Procon-PR. Quando isso ocorre, a empresa autuada pode acabar pagando multa que varia de R$ 426,00 a R$ 3 milhões.
Para evitar transtornos, o SindusCon recomenda que o consumidor, antes de fechar negócio, verifique se a construtora segue as normas setoriais incentivadas pelo sindicato. “A compra de imóvel na planta implica na aquisição de uma promessa. Nesse sentido, para que o consumidor compre de uma empresa, ele precisa confiar nas promessas dessa empresa e ser sensível ao histórico dela, às suas ações e ao relacionamento dela com os clientes”, completa Kahtalian.
Diante desta nova relação entre clientes e construtoras, um subterfúgio antes comum nas peças publicitárias sobre imóveis está caindo em desuso. Trata-se da utilização do termo “imagem meramente ilustrativa”. Já é consenso legal de que a utilização desta expressão em panfletos, páginas da internet e em outras mídias não isenta a empresa de responsabilidade. “A oferta vincula a construtora. Portanto, aquilo que é ofertado no material publicitário tem que ser cumprido. Neste caso, o uso da frase imagens meramente ilustrativas não exime de responsabilidade a empresa”, alerta a coordenadora do Procon-PR.
Sob o ponto de vista do SindusCon, a orientação para as construtoras é que elas só iniciem a venda dos imóveis quando estiverem com o registro da incorporação em mãos, e que sigam fielmente o que preconiza o memorial da obra.
Segundo Marcos Kahtalian, é preciso entender que a transação em torno de um imóvel é mais complexa que as que envolvem outros bens de consumo. “O imóvel, quase sempre, é um investimento familiar. Trata-se de um bem de consumo durável e com valor agregado alto. Por isso, a compra é mais complexa. Mas atualmente as incorporadoras estão atentas a isso e sabem que o processo de compra é mais delicado”, conclui o diretor de marketing do SindusCon-PR.

Entrevistados
Marcos Kahtalian, diretor de marketing do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (SindusCon-PR)
Cláudia Francisca Silvano, coordenadora da Procuradoria do Consumidor no Paraná (Procon-PR)
Currículos
- Marcos Kahtalian é professor de marketing e marketing de serviços dos cursos de graduação e pós-graduação da FAE Business School, em Curitiba
- Mestre em Multimeios pela Unicamp, escreve regularmente colunas de negócios para jornais, revistas e portais de internet
- É consultor de empresas nas áreas de marketing e gestão há mais de 10 anos e atualmente ocupa o cargo de diretor de marketing do SindusCon-PR
- Cláudia Francisca Silvano é advogada, pedagoga, professora universitária de cursos de graduação e pós-graduação.
- Pós-graduada em direito civil e empresarial, atualmente é coordenadora do Procon-PR
Contatos: marketing@sindusconpr.com.br / claudia@procon.pr.gov.br
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Canteiro de obras organizado ajuda construção a ficar até 8% mais barata
Por: Altair Santos
Em seu livro, Projeto e Implantação do Canteiro, Ubiraci E. Lemes de Souza descreve que uma obra que tenha seu pátio de construção bem organizado pode evitar perdas financeiras que variam de 3% a 8% em seu orçamento geral. Segmentando por materiais, desde que o armazenamento e o transporte sejam corretos, o desperdício cai nas seguintes percentagens por insumo: cimento (56%), areia (44%), cal (30%), condutores (27%), tubos de PVC e eletrodutos (15%).

São números que mostram que um empreendimento jamais pode começar sem que não se tenha definido a estratégica logística para o canteiro de obras. “Cabe ao engenheiro ter uma boa visão das fases, planejar bem o cronograma, o famoso gráfico de Gantt, e pensar ao longo da obra para promover mudanças no canteiro aproveitando os espaços já construídos. Isso é que fará o trabalho se desenvolver sem atropelos”, explica Roberto Guidugli, especialista em elaboração e gerência de projetos.
Além da gestão dos insumos, a estratégia não pode também se esquecer da mão de obra. Para isso, há duas normas que regulamentam o canteiro. São a NR-18 (Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção) e NR-12284 (Áreas de Vivencia em Canteiros de Obra). “Elas trouxeram novos conceitos aos canteiros de obras e nos últimos dez anos dá para dizer que os pátios das construções estão razoavelmente mais bem organizados. A melhoria é significativa”, avalia Roberto Guidugli.
O especialista alerta, porém, que a construção civil no Brasil ainda precisa investir mais na mecanização do canteiro de obras. “Nós usamos poucos equipamentos para substituir mão de obra e também é reduzida a utilização de produtos semiacabados. No país usa-se muito pouco as gruas, por exemplo. Na Alemanha, você não constrói uma casa sem utilizar uma grua. Aqui, nos prédios até cinco pavimentos, raramente são utilizadas gruas. Também é raro ver esteiras para transportar materiais, assim como o uso de materiais paletizados”, diz.
Roberto Guidugli analisa também que o Brasil precisa avançar no planejamento e na racionalização da obra. “Isso é algo que precisa nascer com o projeto, o que raramente é feito”, afirma. O consultor sugere que os construtores promovam mais intercâmbios. “Eles precisam visitar canteiros de obras que funcionam com bons níveis de organização, participar de congressos e palestras sobre o assunto, ler o que está sendo publicado na área”, recomenda.
Just in time
Outra prática pouco utilizada ainda no Brasil é o processo Just in time, em que o construtor estabelece parcerias com os fornecedores e já recebe o material adequado à obra. “No Brasil, isso só ocorre com o concreto. Quanto aos outros materiais, ainda é muito pequena a demanda. O Just in time no país depende muito de um amadurecimento da gestão da construção civil e de toda a cadeia produtiva”, considera Roberto Guidugli.
Mais um aspecto abordado pelo consultor está relacionado à falta de engenheiros no mercado. Segundo ele, há profissionais atualmente respondendo por até quatro obras ao mesmo tempo. “Qual o tempo que ele vai ter para pensar na logística do canteiro de obras? O ideal é um engenheiro por obra, para que ele possa estudar e planejar todas as etapas da obra, mas não é o que acontece na prática”, finaliza.
Dicas de como armazenar materiais no canteiro de obras
Areia e brita
Terreno precisa estar pavimentado
Materiais devem ser separados por baias e cobertos por lona plástica
Cimento e cal
Material deve ser armazenado sobre estrados de madeiras e ficar em ambiente fechado e livre de umidade
Madeiras, telhas, tijolos ou blocos de concreto
Em local fechado ou coberto por lonas plásticas, para não ficar exposta ao tempo. O ideal é que sejam entregues em embalagens paletizadas
Louças sanitárias
O ideal é que cheguem à obra apenas quando os pavimentos estiverem erguidos, para que possam ser distribuídas nos locais onde serão instaladas. Devem ser mantidas na embalagem original até a instalação
Barras de ferro e tubos e conexões
Devem ser separados de acordo com a bitola e ficar em local coberto e seco
Tintas
Devem ficar em local coberto, seco e livre de altas temperaturas
Entrevistado
Roberto Rafael Guidugli Filho, consultor e especialista em elaboração e gerência de projetos, planejamento e controle de produção e capacitação de pessoal nos canteiros de obras
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade Federal de Ouro Preto (1980)
- Possui especialização em engenharia econômica pela Fundação Dom Cabral (1995) e mestrado em engenharia de produção na área de gestão de qualidade, pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002)
- Já atuou em organismos governamentais como Superintendência de Desenvolvimento da Capital (SUDECAP), Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (URBEL) e Secretaria Municipal Regional de Serviços Urbanos (Belo Horizonte)
- Atualmente é consultor de empresas privadas e estatais e, como professor, ministra cursos de pós-graduação (Lato sensu) na UFMG, no Cefet-MG e na Fumec. Possui artigos publicados no Brasil e no exterior
Contato: robertoguidugli@luisborges.com.br / guidugli@valoragregadoconsultoria.com.br
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Inovação e sustentabilidade marcam 53º Congresso Brasileiro do Concreto
Evento promovido pelo IBRACON, em Florianópolis, teve a apresentação de 524 artigos e o aguardado lançamento do livro Concreto: Ciência e Tecnologia
Por: Altair Santos
De 1º a 4 de novembro de 2011, áreas importantes da cadeia produtiva da construção civil participaram, em Florianópolis, de um dos mais aguardados eventos do setor: o 53º Congresso Brasileiro do Concreto (CBC) promovido anualmente pelo IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto). Nesta recente edição, o encontro estabeleceu um recorde no número de trabalhos técnico-científicos propostos no fórum nacional de debates sobre o concreto e seus sistemas construtivos. Foram 524 apresentações, que se somaram a outras 24, voltadas exclusivamente para a 2ª conferência internacional sobre as melhores práticas em pavimentos de concreto – realizada paralelamente ao evento.
Os 524 artigos técnico-científicos apresentados no 53º Congresso Brasileiro do Concreto e nos eventos paralelos abordaram as seguintes áreas:
| Número de trabalhos aprovados | Temas/Evento Paralelo |
| Gestão e Normalização | 13 |
| Materiais e Propriedades | 263 |
| Projeto de Estruturas | 49 |
| Métodos Construtivos | 14 |
| Análise Estrutural | 114 |
| Materiais e Produtos Específicos | 41 |
| Sistemas Construtivos Específicos | 15 |
| Seminário de Infraestrutura Metroviária e Ferroviária | 15 |

O IBRACON considera também que o evento sobre pavimentação rígida foi o maior do mundo sobre o assunto. “Reunimos 12 convidados internacionais, considerados os maiores especialistas no assunto”, revela José Marques Filho, presidente do Instituto, reforçando que o tema central de todos os debates ocorridos no 53º Congresso Brasileiro do Concreto (CBC) foi o desenvolvimento da infraestrutura, com sustentabilidade. “Finalmente conseguimos reunir toda a cadeia de produção de concreto, juntamente com a área acadêmica, para criar um consenso em torno da sustentabilidade e também para debater projetos inovadores para o nosso setor”, completou.
O Congresso Brasileiro do Concreto, do qual participaram a Cimento Itambé e a Concrebras, tornou-se também um evento referência para o lançamento de livros técnicos publicados pelo IBRACON. Isso ocorre desde 2005, e em 2011 foi apresentada a obra Concreto: Ciência e Tecnologia. O livro contém 51 capítulos, divididos em sete partes, cada uma delas composta pelos seguintes assuntos:
Parte I
Introdução: a evolução do concreto; da arquitetura à estrutura; princípios do projeto estrutural; diretrizes de projeto para desempenho das estruturas; normas e códigos nacionais e internacionais
Parte II
Materiais: cimento Portland; agregados naturais e artificiais; adições minerais; água; aditivos químicos
Parte III
Concreto Fresco: reações de hidratação e pozolânicas; dosagem, propriedades, produção e controle de concreto dosado em central e em canteiro
Parte IV
Propriedades do Concreto Endurecido: nanoestrutura e microestrutura; resistência mecânica; propriedades elasto-plásticas; retração por secagem e fluência; propriedades térmicas
Parte V
Durabilidade do Concreto: ações do meio ambiente; conceitos de durabilidade e vida útil; mecanismos de transporte de massa; ação da carbonatação; ação de cloretos; corrosão das armaduras; reações álcali-agregados; ações físicas e químicas; ações do fogo; ação de agentes biológicos
Parte VI
Patologia, inspeção, diagnóstico e reabilitação: patologia das estruturas; resistência mecânica e fissuração de estruturas acabadas; reabilitação e reforço; proteções superficiais; monitoramento das estruturas
Parte VII
Concretos especiais: de alto e ultra-alto desempenho; com fibras; projetado; concreto massa e compactado a rolo; pavimentos viários; pisos industriais; concreto leve estrutural; concreto pré-fabricado; com polímeros; arquitetônico e decorativo; concreto branco; com agregados reciclados; autoadensável; para fins específicos e de última geração; concreto sustentável; nanociência e nanotecnologia dos materiais cimentícios
Em Concreto: Ciência e Tecnologia, o enfoque central é o estado da arte do material industrializado. O livro foi escrito por uma equipe de professores e profissionais experientes ligados ao IBRACON e em seu lançamento atraiu muitos acadêmicos ao congresso, principalmente pós-graduados. “Ele esmiúça as melhores formas de projetar e construir com concreto”, diz José Marques Filho, comemorando o sucesso do o 53º Congresso Brasileiro do Concreto (CBC).
Entrevistado
José Marques Filho, presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (1980)
- Tem mestrado em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (1990) e doutorado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005)
- Atualmente é consultor da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e coordenador e colaborador do Comitê Brasileiro de Barragens, além de colaborador da International Commission on Large Dams
- Também é professor adjunto da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- Tem experiência nos seguintes temas: CAR, Barragens, Caracterização, Laboratório de Concreto, Maciço Experimental e materiais.
Contato: jmarques@copel.com / fabio@ibracon.org.br (assessoria de imprensa) / www.ibracon.org.br
Créditos fotos: Divulgação/IBRACON
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Escassez de terrenos e novas tecnologias reativam conceito de casas geminadas
Projetos têm conseguido bons resultados termoacústicos e arquitetônicos, o que volta a atrair empreendimentos classe A para esse modelo de construção
Por: Altair Santos

A definição de casa geminada se dá quando duas ou mais habitações têm plantas baixas iguais, porém rebatidas, usando uma mesma parede como divisória. Hoje, esse tipo de construção não tem servido apenas para programas habitacionais, mas passou também a ser incorporada por construções de alto padrão. Um dos motivos é que novas técnicas construtivas permitiram resolver três dos principais problemas que levavam à rejeição da casa geminada: a iluminação e as questões acústicas e térmicas.
Segundo Gustavo Pinto, presidente da AsBEA-PR (Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura no Paraná) boa parte dos projetos hoje já consegue compensar luminosidade e ventilação, além de reduzir satisfatoriamente o impacto termoacústico. “Desde que se execute a técnica adequada, trabalhando com paredes duplas e manta de isolamento, tem-se uma sensível redução destas desvantagens da casa geminada”, afirma. “Agora, se não usar a técnica adequada você passa a ter dificuldades”, completa.
Na opinião do arquiteto, a vantagem da casa geminada é que ela possibilita explorar ao máximo o potencial construtivo do terreno. “Ela permite concentrar a área edificada numa parte do terreno e libera outras para recreação, circulação e estacionamento”, diz. Por isso, cresce o número de projetos classe A de casas geminadas. “Em São Paulo, atualmente, no bairro do Morumbi, há muito projetos assim”, afirma.
A maioria das capitais brasileiras conta com legislação específica para construções geminadas ou aborda os padrões deste tipo de casa em seu código de posturas e obras do município. Já em algumas cidades do interior não há um regramento claro. Com as novas normas do Minha Casa, Minha Vida 2, há prefeituras obrigadas a legislar sobre o assunto. É o caso de Maringá, no noroeste do Paraná, que recentemente determinou que casas geminadas só poderão ser construídas em terrenos com, no mínimo, 400 m².
Para Gustavo Pinto, Curitiba é a cidade com uma das legislações municipais mais bem acabadas sobre casas geminadas. “Ela dá parâmetros muito claros de como você pode ocupar esse tipo de construção no terreno, mantendo a qualidade espacial mínima, principalmente das áreas comuns”, diz o arquiteto. Isso talvez explique o sucesso de construções geminadas na capital paranaense, principalmente sob a forma de sobrados.
Nada se compara, porém, em que se transformou a casa geminada na Inglaterra. O modelo hoje é um padrão cultural entre os britânicos. “Na Inglaterra, existem bairros inteiros com casas geminadas de quadra a quadra. Nos fundos, eles transformam tudo em área comum e em área de recreação. Isso é cultural e vem desde a revolução industrial, motivada também pela questão de ocupação, de eles terem menos áreas para construir”, afirma o presidente da AsBEA-PR, para quem os ingleses deixaram um legado para o mundo sobre construção de casas geminadas. “Eles desenvolveram projetos arquitetônicos interessantes e bem compatibilizados sob o ponto de vista hidráulico, elétrico e estrutural”, finaliza.

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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Universidade investe em produção intelectual continuada para recompor perdas ao mercado
Por: Altair Santos
O maior interesse das empresas em desenvolver departamentos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) tem atraído mestres e doutores do mundo acadêmico para a iniciativa privada. Atentas, para que não haja uma dispersão de cérebros em seus corpos docentes, as universidades intensificam a produção intelectual continuada, através de seus programas de pós-graduação. “Hoje, a formação de recursos humanos está estruturada para suportar eventuais perdas ou trocas de docentes de seus quadros. As linhas de pesquisa englobam vários docentes e a saída esporádica de alguns deles não diminui a capacidade destes programas em formar recursos humanos de alta qualidade no mestrado e no doutorado”, explica o professor-doutor Edilson Sérgio Silveira, coordenador geral dos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No âmbito das empresas, o Brasil ocupa posição desfavorável em produção de conhecimento, se comparado a outros países. Por isso, Edilson Sérgio Silveira avalia como positivo o fato de algumas companhias estarem investindo nesta área, nem que isso resulte em perdas para o universo acadêmico. Ele ressalta, porém, que isso seria mais interessante se ocorresse em conjunto com as universidades. “Algumas empresas desenvolvem esta construção de conhecimento e de desenvolvimento tecnológico em parceria com as universidades, mas são poucas. A Petrobras é um destes exemplos. É preciso entender que um ambiente favorável à pesquisa engloba não apenas infraestrutura física, como laboratórios e equipamentos, mas também grupos de pesquisadores de alto nível. O investimento é custoso, mas essencial para manter a empresa competitiva”, diz.
No entanto, o pesquisador que se transfere de uma universidade para a iniciativa privada precisa saber que irá encontrar um ambiente diferenciado para desenvolver seu trabalho. “A postura do pesquisador em um ambiente de empresa é diferente da apresentada em ambiente acadêmico, mesmo porque os objetivos são outros. A função primordial da academia é a formação de recursos humanos de altíssima qualidade. Já a função da empresa é a obtenção de lucro através do desenvolvimento de novos produtos. Este tipo de pressão pode sim influenciar o desempenho do pesquisador no mercado fora da academia. Por isso, em algumas áreas, é crucial a parceria entre empresa e universidade”, alerta o coordenador dos programas de pós-graduação da UFPR.
A Cimento Itambé mantém desde 2007 um Convênio com a Universidade Federal do Paraná e dentro deste Convênio, está patrocinando em 2011 uma pesquisa sobre concreto junto à cadeira de Materiais de Construção com o envolvimento de dois professores e três alunos bolsistas da graduação.
O Brasil forma atualmente cerca de 12 mil doutores por ano e 36 mil mestres. Em algumas áreas, no entanto, ainda faltam pesquisadores. É o caso das engenharias, onde o mercado tem competido muito com a pós-graduação pelos profissionais. “Certamente, essa dificuldade passa também pela perspectiva de um salário maior do que o incentivo oferecido por uma bolsa de doutorado ou mesmo de mestrado que o aluno receberia durante sua estadia num programa de pós-graduação”, avalia Edilson Sérgio Silveira. Para reverter esse quadro, algumas universidades têm incentivado a cultura empreendedora em seus alunos. Assim, dentro do próprio universo acadêmico eles começam a incubar empresas com caráter inovador. Na UFPR, essa prática permitiu que o número de pós-graduados crescesse 8% de 2008 para cá. Em 2010, a universidade titulou 800 mestres e 250 doutores.
As agências de fomento também têm sido aliadas das universidades para segurar seus pesquisadores. “A UFPR, assim como outras instituições deste porte, incentiva seus pesquisadores a obter financiamento para suas pesquisas nas instituições
de fomento. Também submetemos, como instituição, vários projetos para estas agências de fomento, de modo a garantir um nível de investimento em infraestrutura e equipamentos. Com isso, foi possível fazer com que tanto o número de programas de pós-graduação quanto o número de alunos destes programas aumentasse nos últimos anos”, conclui o professor-doutor Edilson Sérgio Silveira.
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Concreto armado inspira as igrejas de Oscar Niemeyer
Por: Altair Santos
Ícone mundial da arquitetura moderna, e em plena atividade aos 103 anos de idade, Oscar Niemeyer lançou em agosto de 2011 um livro que reúne os principais projetos que fez de templos religiosos. As Igrejas de Oscar Niemeyer traz imagens coloridas de 16 catedrais, igrejas e capelas. Em comum, elas têm suas estruturas erguidas em concreto armado. O material inspira toda a obra do arquiteto.

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares foi o pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado, sobre o qual definiu sua obra. “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, disse , em uma de suas memoráveis frases.
Formado em arquitetura pela Escola Nacional de Belas Artes, Oscar Niemeyer iniciou a consolidação de sua vasta obra com um símbolo da religiosidade: a igreja da Pampulha, que faz parte de um complexo arquitetônico construído entre 1940 e 1944 em Belo Horizonte, a pedido do então prefeito da capital mineira, Juscelino Kubitschek.
A ruptura de conceitos em relação às construções tradicionais de igrejas levou o arquiteto a ganhar notoriedade e a ousar ainda mais. Nos anos 1950, durante a construção de Brasília, projetos seus deram origem à catedral da nova capital, à capela do Palácio da Alvorada e à capela Nossa Senhora de Fátima. Anos mais tarde, ainda no Distrito Federal, ele teve executados seus projetos da Igreja Ortodoxa (1986) e da Catedral Militar (1992).
Niemeyer, que sempre se declarou ateu convicto e comunista, faz em As Igrejas de Oscar Niemeyer um relato do que o influenciou a projetar igrejas. “Nasci em uma família muito religiosa. Meu avô era religioso. Na casa onde eu morei, tinha cinco janelas, uma delas transformada em oratório pela minha avó. Tinha missa lá em casa. Era uma coisa muito natural”, conta.
Por isso, o arquiteto não para de receber propostas para elaborar projetos de igrejas. Os mais recentes são: uma mesquita em Argel, capital da Argélia; uma capela em Potsdam, na Alemanha, e a Catedral do Cristo Rei, em Belo Horizonte. Da concepção à materialização das obras, Niemeyer conta com a fundamental parceria do engenheiro civil José Carlos Sussekind, que desde 1978 substitui o já falecido Joaquim Cardozo. Essa simbiose entre arquiteto e engenheiro já rendeu até um livro: Conversa de Amigos - Correspondência entre Oscar Niemeyer e José Carlos Sussekind.
As Igrejas de Oscar Niemeyer é a terceira obra literária assinada pelo arquiteto. Além dela e o da parceria com José Carlos Sussekind, ele já havia lançado seu livro de memórias, em 1999: As Curvas do Tempo. Niemeyer também inspira outros autores, como o arquiteto gaúcho Eduardo Pizzato, que fez uma avaliação técnica dos principais projetos deste símbolo da arquitetura e lançou o trabalho Curvas nas Obras de Oscar Niemeyer, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Na obra, há uma frase que define a relação entre Niemeyer e o material que é a essência de seu trabalho: “Ele explora a plasticidade do concreto armado como ninguém”.
