Brasil ocupa topo do ranking imobiliário internacional

Mercado de escritórios e de condomínios logísticos industriais do país é indicado por associação de investidores estrangeiros
 

Por: Altair Santos

A Associação de Investidores Estrangeiros em Imóveis (Afire, sigla em inglês) divulgou recentemente um estudo que destaca o Brasil como o segundo país mais indicado para compras imobiliárias em 2012. O mercado de escritórios e de condomínios logísticos industriais desperta o interesse de 18,6% dos entrevistados. Só o desempenho dos Estados Unidos, apontado por 42,2% dos investidores, supera o brasileiro. "Isso é extremamente positivo para o país, pois vai atrair grandes fundos internacionais para o nosso mercado corporativo", avalia a consultora Simone Santos. 

Simone Santos: "Investir em imóveis corporativos requer mais análises e mais estudos do investidor”.

Segundo a Afire, em todo o mundo o setor da construção civil voltado para imóveis comerciais receberá investimento de US$ 874 bilhões (R$ 1,52 trilhão). Deste volume de recursos, US$ 162,5 bilhões (R$ 284,3 bilhões) devem desembarcar no Brasil. A expectativa é que em São Paulo, apontada na pesquisa como a quarta cidade que mais receberá recursos para novos empreendimentos - atrás apenas de Nova York, Washington e Londres -, sejam investidos US$ 22,75 bilhões (R$ 39,81 bilhões) em 2012. "São Paulo deve capitanear, mas Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Curitiba também despertam o interesse dos investidores", diz Simone Santos. 

A consultora cita que aproximadamente 70% de todo estoque de empreendimentos previsto para ser entregue até o final do primeiro semestre de 2012 já foi previamente adquirido pelos investidores. Por isso, ela ressalta que o Brasil precisou impor uma velocidade maior na conclusão das obras, capacitando mais os trabalhadores do setor, além de resolver o problema da falta de terrenos para construir. "Um entrave que pode segurar esse volume de investimento é a falta de mão de obra, além da valorização dos terrenos. Este assédio dos investidores pode gerar especulação e se tornar um impeditivo para que determinadas regiões se aproveitem deste bom momento", comenta. 

No entender de Simone Santos, apesar dos recursos que estão chegando ao Brasil, o mercado corporativo não irá se sobrepor em volume ao setor de empreendimentos  residenciais. A consultora destaca que os dois segmentos se comportam de maneira diferente. "Enquanto o residencial é mais varejo, o corporativo requer mais análises, mais estudos. O investidor é diferenciado. Ele busca características que atendam as corporações, como localização da obra, pontualidade e, hoje em dia, empreendimentos sustentáveis", afirma. 

A pesquisa encomendada pela Afire foi realizada pelo centro de Real Estate James A. Graaskamp, da Escola de Negócios de Wisconsin. 

Confira os gráficos que apontam a boa posição do Brasil no mercado imobiliário internacional (clique nas imagens para ampliar): 

 

 

Entrevistada
Simone Santos, diretora de serviços corporativos da Herzog Imóveis Industriais e Comerciais
Currículo
- Graduada em direito pela UNIP (Universidade Paulista)
- Ocupa o cargo de diretora de serviços Corporativos da Herzog Imóveis Industriais e Comerciais há 14 anos
- Tem especialidade em consultoria, pesquisa, avaliações comerciais e tenant representation.
Contato: simone@herzog.com.br / www.herzog.com.br 

Créditos foto: Divulgação 

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

PAC completa cinco anos, mas avança pouco

Programa de Aceleração do Crescimento esbarra no despreparo técnico dos projetos, na falta de boa gestão e no desinteresse da iniciativa privada

Por: Altair Santos

Lançado em 2007, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) caminha lentamente. Dos 1.704 empreendimentos contratados, apenas 243 foram concluídos até o final de 2011. A escassez não se deve à falta de dinheiro. No ano passado foram liberados R$ 28 bilhões para o programa. O problema maior está na elaboração dos projetos. Mal concebidos pelos municípios, eles ficam suscetíveis a contestações judiciais, o que resulta em atrasos ou, em alguns casos, na inviabilidade das obras.

Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil: “saneamento básico é o que mais sofre com lentidão”.

Um dos segmentos mais atingidos por essa demora é o do saneamento básico. Alardeado como um dos carros-chefe do programa, o setor teve 101 projetos contratados em 2011, para municípios com população acima de 500 mil habitantes, mas  que ainda aguardam a liberação de recursos. "Os procedimentos entre a apresentação do projeto até a obra, atualmente demoram acima de 24 meses. Isso quando o processo corre de forma satisfatória", explica Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil.

Segundo dados do próprio Ministério das Cidades, o Brasil investe hoje menos da metade do que deveria em saneamento básico. São R$ 7 bilhões por ano, quando o valor já deveria estar em R$ 15 bilhões para que se atingisse a meta de universalização em 20 anos. Para Édison Carlos, se o PAC não consegue suprir a demanda, deveria ser convocada a participação do setor privado para atuar também em obras de saneamento básico. "Onde isso foi tentado, há exemplos de boa gestão", diz Édison Carlos.

Atualmente, cidades como Ribeirão Preto e Jundiaí, em São Paulo; Niterói, no Rio de Janeiro, e Paranaguá, no Paraná, têm seus sistemas de saneamento básico privatizados. O número de concessões, no entanto, é ínfima e hoje não atinge nem 0,5% dos 5.566 municípios brasileiros. "É preciso desburocratizar as licitações, desonerar o saneamento e estimular as parcerias público-público, público-privado e todas as demais modalidades", defende o presidente da Trata Brasil.

Édison Carlos avalia que mais investimentos em saneamento básico trará ainda maior crescimento à cadeia produtiva da construção civil. "A expansão tem impacto direto no setor, pois são obras grandes, que movimentam grandes quantidades de produtos e serviços. Além disso, em nossa pesquisa Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Básico, realizada em conjunto com a FGV, ficou clara a relação entre a expansão dos investimentos em saneamento básico e os benefícios econômicos para a sociedade. Por exemplo, caso houvesse acesso universal à rede de esgoto, os imóveis poderiam sofrer uma valorização média de até 18%", cita.

Para alcançar esse estímulo, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) lançou recentemente o projeto Sanear É Viver.  Entre as propostas, estão questões relacionadas à produção de planos regionais de saneamento, à recuperação das companhias municipais e estaduais de saneamento, ao desenvolvimento de um Programa de Melhoria da Gestão das Concessionárias, às mudanças no modelo de tributação sobre projetos de saneamento e à política de subsídios para populações de baixa renda.

Gargalos que impedem o PAC de avançar :

- Falta de qualidade técnica dos projetos
- Lentidão das licenças ambientais
- Problemas nas licitações
- Gestão inadequada de empresas operadoras
- Falta de coordenação entre os níveis municipal, estadual e federal
- Falta de mão de obra especializada

Regiões do país mais carentes de saneamento básico:

Sudeste - 95% dos municípios atendidos por coleta de esgoto
Nordeste - 45,6% dos municípios atendidos por coleta de esgoto
Sul - 39,7% dos municípios atendidos por coleta de esgoto
Centro-Oeste - 28,3% dos municípios atendidos por coleta de esgoto
Norte - 13,3% dos municípios atendidos por coleta de esgoto
Fonte: Atlas do Saneamento do IBGE

Confira a pesquisa Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Básico: Clique aqui 

Entrevistado
Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil
Currículo
- Graduado em Química pela Faculdade Oswaldo Cruz
- Pós-graduado em Comunicação Estratégica
- Atuou por quase 20 anos em várias posições no Grupo Solvay, sendo que nos últimos anos foi responsável pela área de Comunicação e Assuntos Corporativos da Solvay Indupa
Contato: edison.carlos@tratabrasil.org.br / milena.serro@tratabrasil.org.br (assessoria de imprensa) / www.tratabrasil.org.br

Créditos foto: Divulgação/Trata Brasil

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Em 2012, empregabilidade para engenheiros será de 100%

Mercado brasileiro tem um déficit de aproximadamente duzentos mil profissionais da área. Maior carência está na construção civil

Por: Altair Santos

De cada 100 vagas ofertadas no Brasil, 22 requisitam engenheiros. Trata-se da profissão com maior demanda no país atualmente, seguida de longe por administradores (14 vagas para cada 100) contabilistas (6 vagas para cada 100) e economistas (5 para cada 100). Os dados constam de pesquisa recentemente divulgada pela consultoria Ricardo Xavier, que revela ainda que de cada 22 engenheiros requisitados pelo menos metade é para o setor da construção civil.

Marshal Raffa: "Quanto mais qualificado for o profissional, mais ele será requisitado pelo mercado”.

Segundo Marshal Raffa, diretor executivo da consultoria, só a engenharia mecânica é tão requisitada quanto a civil. "Os engenheiros ligados à construção civil têm fortalecido esta posição devido aos grandes eventos do mercado brasileiro (Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas). Para a execução destes eventos é necessário infraestrutura. Tem ainda os investimentos no ramo imobiliário e a promessa do governo de executar na prática o PAC 2", diz Marshal.

A expectativa é que as engenharias, em especial a civil, tenham um nível de empregabilidade de 100% pelo menos nos próximos cinco anos. Até porque, há escassez de profissionais no mercado. O Brasil forma anualmente 8 mil engenheiros, mas, de acordo com Marshal Raffa, para suprir a demanda o país deveria, no mínimo, graduar cinco vezes mais engenheiros. "México e Coreia do Sul formam mais do que nós. De cada um graduado aqui, lá eles graduam dois e cinco, respectivamente", diz.

O consultor, no entanto, alerta que, além de graduar engenheiros, o Brasil precisa colocar profissionais qualificados no mercado. "Há uma carência de profissionais formados, mas também, mais do que isso, uma carência de profissionais qualificados", afirma. Por isso, a escala de empregabilidade tem sido a seguinte: 1º) Engenheiros com experiência; 2º) Engenheiros com mestrado e doutorado; 3º) Recém-formados. "Existe trabalho para todos, pois hoje o Brasil deve ter uma falta de cerca de duzentos mil engenheiros", estima Marshal.

Mais concorrido

A demanda por engenheiros civis tem causado mudanças até dentro das universidades. Atualmente, o curso desponta como o mais procurado em algumas instituições. No vestibular Fuvest 2012, que qualifica para a Universidade de São Paulo (USP), a graduação em engenharia ofertada no campus de São Carlos, no interior paulista, foi a mais procurada pelos candidatos. Para os aprovados em 2011, a concorrência foi de 26,78 por vaga; para 2012, 52,27.

Entrevistado
Marshal Raffa, diretor executivo da Ricardo Xavier Recursos Humanos
Currículo

- Graduado em ciência da comunicação (fonoaudiologia) pela PUC Campinas
- Tem MBA em gestão empresarial, especialização em responsabilidade social e coach profissional formado pela Pro Fit & Corporate Coach U
- É docente nas disciplinas de gestão em serviços, gestão de pessoas (bacharelado) e docente em projetos e processos (pós-graduação)
- Possui 15 anos de experiência como headhunter e na área de planejamento de carreira.
Contato: imprensa@ricardoxavier.com.br / www.ricardoxavier.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Engenheiros civis latinos tentam unificar profissão

Entre as reivindicações estão o incentivo à acreditação e o apoio a um modelo de ensino comum nos cursos ofertados pelas universidades

Por: Altair Santos

Engenheiros civis de países de língua portuguesa e espanhola estarão empenhados em 2012 para buscar uma unidade na qualificação profissional e na grade curricular das universidades. O objetivo é diminuir as disparidades e as exigências que são feitas quando os engenheiros se propõem a migrar de uma nação para outra em busca de trabalho. "O pessoal é formado em um país e quer atuar em outro, mas encontra muitas dificuldades. Cada um tem seus critérios. O Brasil esteve no centro da discussão, pois hoje é um dos países onde a construção civil está mais aquecida", revela o presidente da ABENC (Associação Brasileira de Engenheiros Civis), Ney Fernando Perracini de Azevedo.

Ney Fernando Perracini de Azevedo, presidente da ABENC: preocupação para que engenheiros dos países latinos tenham formação de alto nível.

Da preocupação dos engenheiros civis saiu a proposta de se criar o Conselho de Engenharia Civil dos Países de Língua Oficial Portuguesa e Castelhana. Esse foi um dos consensos a que chegaram os profissionais que estiveram reunidos em Curitiba, no final de 2011, para dois eventos que aconteceram paralelamente na capital paranaense: o 3º Encontro das Associações Profissionais de Engenheiros Civis dos Países de Língua Oficial Portuguesa e Castelhana e o 3º Congresso Iberoamericano de Engenharia Civil. Houve a participação de profissionais de 22 países (Angola, Argentina, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Espanha, Honduras, Macau, México, Moçambique, Paraguai, Peru, Porto Rico, Portugal, República Dominicana, São Tomé e Príncipe e Uruguai).

Para que haja um fluxo menos burocrático de engenheiros civis entre os países iberoamericanos foi proposto que se crie um organismo único de acreditação (reconhecimento formal) dos profissionais. Os debates, no entanto, devem amadurecer ao longo do ano e em novembro voltarão a ser discutidos na cidade do Porto, em Portugal. "A acreditação é um tema bastante polêmico. Se o profissional já tem o diploma, o que vai se exigir mais dele para trabalhar em outro país? É preciso definir que credenciais e especializações o profissional precisa ter. Informalmente, isso já ocorre, mas precisa ter algo que dê parâmetros melhores", avalia o presidente da ABENC.

Brasil e Portugal saem na frente neste debate. Em março, a ABENC e a Ordem dos Engenheiros de Portugal se reúnem para uma conferência, em que, além do mercado de trabalho, será debatido também a questão do ensino de engenharia civil nas universidades dos dois países. "A ideia é promover mais intercâmbios. A engenharia brasileira está bastante avançada, desperta o interesse de vários países, principalmente da Europa, e é hora de aproveitar essas oportunidades, tanto para eles quanto para nós", diz Ney Fernando Perracini de Azevedo.

Evento da ABENC, realizado em dezembro de 2011: engenheiros de 22 países estiveram no encontro.
 
Leia a Declaração de Curitiba e Manifesto dos Engenheiros Civis Iberoamericanos:
MANIFESTO DOS ENGENHEIROS CIVIS IBERO e DECLARAÇÃO DE CURITIBA

 

Entrevistado
Ney Fernando Perracini de Azevedo, presidente da ABENC (Associação Brasileira de Engenheiros Civis)
Currículo

- Engenheiro civil, formado pela UFPR em 1965
- Trabalhou no Comitê Coordenador dos Estudos Energéticos da Região Sul do Brasil (Comitê Sul), que realizou os primeiros estudos do aproveitamento integrado do potencial energético da região
- Atuou por 30 anos na Copel, em atividades relativas às obras das usinas de Salto Osório e Foz do Areia, na manutenção de obras civis e, por mais de 16 anos, na Assessoria da Presidência da Empresa
- Foi professor da Faculdade Católica de Administração e Economia (FAE) por sete anos
- Aposentou-se como Professor Adjunto da UFPR, onde lecionou por 30 anos disciplinas relativas à Estatística e Qualidade
- Presidiu o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) por três gestões e presidiu o Departamento do Paraná da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENC/PR)

Contato: presidencia@abenc.org.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

"PAC da América do Sul" soma R$ 203 bi e 520 obras

Programa de ação estratégica entre os 12 países tenta viabilizar, até 2022, 31 projetos âncoras, dos quais o Brasil está envolvido em 11

Por: Altair Santos

O despertar do Brasil para as obras de infraestrutura tem influenciado os países vizinhos. As 12 nações que integram o continente Sul-americano realizam esforços para conseguir viabilizar, até 2022, projetos que englobam rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrelétricas. São 31 empreendimentos âncoras, que vão desencadear pelo menos outros 500 em seu entorno.

João Mendes Pereira, do ministério das Relações Exteriores: recursos seriam financiados pelo Banco do Sul, espécie de BNDES da região.

Chamado de "PAC da América do Sul", o plano já tem algumas obras em andamento, mas depende de viabilizar recursos para entrar em ritmo acelerado.  No Brasil, quem participa das negociações é o ministro João Mendes Pereira, Coordenador-Geral Econômico para a América do Sul, Central e Caribe do ministério das Relações Exteriores. Na entrevista a seguir, ele revela como funciona o projeto e quais as obras prioritárias para o país. Confira:

Como está o desenvolvimento de projetos de infraestrutura para integrar os países da América do Sul?
São 31 projetos que fazem parte da Agenda de Projetos Prioritários de Integração (API) do Conselho de Infraestrutura e Planejamento da UNASUL (União de Nações Sul-Americanas). Como é que nós chegamos a estes 31 projetos? Isto foi um processo ao longo dos últimos dois anos, desde que a UNASUL criou o Conselho de Infraestrutura e Planejamento (COSIPLAN). O conselho montou uma agenda de projetos prioritários, um estatuto, um regulamento e um programa de atividade para os próximos dez anos, de 2012 a 2022. É, digamos assim, o mapa que nós temos que seguir entre os 12 países para alcançar resultados mais concretos. Isso recolhe todo o arcabouço de atividades da IRSA (Iniciativa para Integração da Infraestrutura Física Sul-Americana) lançada no ano 2000, na primeira reunião de presidentes da América do Sul. Os 31 projetos são estruturantes, porque eles têm o caráter de induzir o desenvolvimento das regiões onde serão feitos e vão gerar outras 88 obras satélites. Mantidas as proporções, estamos gerando o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da América do Sul.

Dos 31 projetos, qual obra está mais próxima de sair do papel?
Estas obras têm diferentes perspectivas. Existem algumas que estão bem desenvolvidas como, por exemplo, os eixos rodoviário e ferroviário Montevidéu-Cacequi, que está em fase final de execução, e a rodovia interoceânica, entre Brasil e Peru, concluída em 2011. Outra obra importante é o corredor rodoviário bioceânico, unindo Brasil, Bolívia e Chile. Faltam apenas 40 quilômetros para concluir esta rodovia no território boliviano. Com isso, a expectativa é inaugurar até o meio do ano este corredor que sai de Santos, passa por Paranaguá, vai até Mato Grosso, entra pela Bolívia, via Santa Cruz de la Sierra, e desembarca nos portos chilenos. Outro corredor importante é a ferrovia que sairá de Paranaguá, passando por Foz do Iguaçu, pelo sul do Paraguai, por Resistência, na Argentina, indo até o sul do Pacífico, no porto de Antofogasta, no Chile.

Algumas obras foram projetadas há décadas. Como torná-las realidade?
Um dos grandes desafios é a questão de financiamento para a execução do projeto. São montantes muito grandes. Para ter uma ideia, a agenda de projetos prioritários de 31 projetos tem um valor estimado de quase R$ 24 bilhões. Isso é mais ou menos 12% do total de portfólio de obras que são em torno de 520 e que englobam R$ 203 bilhões. Então, hoje, o grande desafio para tornar realidade estas obras é dar um bom direcionamento para a questão de financiamentos. Entre as equações está o envolvimento de entidades como o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a CAF (Corporação Andina de Fomento) e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para poder pensar nesta questão do financiamento.

Haverá um fundo comum entre os países para custear os empreendimentos?
Não estamos trabalhando com a ideia de fundo para estas obras, mas de um banco de fomento, o Banco do Sul. Atualmente sete países-membros apoiam essa ideia. São Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador e Venezuela e há a expectativa de que Colômbia, Peru, Chile, Guiana e Suriname também possam se incorporar. O banco tem um propósito específico, que é financiar obras de infraestrutura da América do Sul. O convênio já foi assinado em 2009 e ratificado por quatro países: Venezuela, Equador, Argentina e Uruguai. Nós pretendemos, no Brasil, aprovar o convênio ainda este ano, para que o convênio possa entrar em vigor e a partir daí o banco possa iniciar, em cooperação com outras entidades, processos de cofinanciamento. A grosso modo é o conceito de um fundo, mas sem criar novas estruturas de financiamento, e sim buscar novas formas de utilizar as estruturas que já existem. Hoje você tem recursos disponíveis em agências como o BNDES, como o BID, como a CAF, mas que não trabalham articuladamente. Por isso, há um grupo de trabalho que busca soluções para fazer as agências de financiamento conversarem entre si e maturar esta questão do Banco do Sul.

Sob o ponto de vista da construção civil, o que pode significar essas obras para o setor?
Elas permitem que todas as entidades públicas e privadas ligadas à construção civil da América do Sul possam ter uma noção das necessidades de infraestrutura da região e possam pensar as suas atividades. Uma vez que o continente esteja integrado numa matriz de desenvolvimento regional, cria-se uma sinergia positiva de cooperação entre as diferentes entidades e até mesmo entre membros da construção civil, o que gera um efeito dinamizador de crescimento para as atividades de construção civil. Por isso, estamos começando a desenvolver neste início de ano atividades de divulgação desta agenda para o setor privado. O objetivo é mostrar o potencial de obras que existem na região e conseguir dar concretude à execução dos projetos.

Para o Brasil, qual ou quais projetos são mais relevantes?
Se pegar o mapa da América do Sul, pela própria dimensão do Brasil as obras que envolvem o país são relevantes para toda a região. O Brasil faz fronteira com praticamente todos os países, à exceção de Chile e Equador. Então, todas as obras tem alguma importância para o Brasil. Dos 31 projetos, dois são de interesse mais próximo do Brasil e no total são 11 que tem uma interface com o país. Os dois relevantes são o corredor ferroviário bioceânico Brasil-Paraguai-Argentina-Chile, por causa do agrobusiness, da produção agropecuária e do desenvolvimento energético do cone sul. Outro projeto é o que busca desenvolver ligações rodoviárias com Guiana, Suriname e Venezuela. Por quê? Porque ainda há ligações muito tímidas com o norte do Brasil e com o norte do continente. Ao mesmo tempo, são áreas de grande potencial agrícola e energético.

A maioria das obras engloba rodovias e ferrovias?
Tem rodoviárias e ferroviárias, mas tem gasodutos, melhorias logísticas, como portos e aeroportos, e linhas de transmissão, como a Itaipu-Assunção, além de melhorias na navegabilidade e no transporte multimodal, assim como túneis. A variedade de obras é grande.

As obras prioritárias para o Brasil necessitam de quanto em investimento?
Diretamente, são R$ 6,6 bilhões.

Para a economia da região, o que significa viabilizar esses projetos?
A ideia é que essas obras possam contribuir não só para o comércio exterior, mas ser efetivos mecanismos de desenvolvimento das regiões por onde elas passam.

Para o Brasil, a obra mais importante é o corredor ferroviário bioceânico, ligando os portos de Paranaguá e Antofogasta, no Chile.

Confira quais são as 31 obras âncoras da América do Sul: Clique aqui

Veja os documentos aprovados na 2ª reunião ministerial do Cosiplan: Clique aqui

Entrevistado
Ministro João Mendes Pereira, Coordenador-Geral Econômico para a América do Sul, Central e Caribe do ministério das Relações Exteriores
Currículo

- João Mendes Pereira, 46, é bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (1987) e diplomata pelo Instituto Rio Branco (1991)
- É atualmente ministro de Segunda Classe da carreira diplomática
- Serviu na Missão brasileira junto às Comunidades Europeias (1995-1999), na Delegação do Brasil junto à ALADI e ao Mercosul (1999-2003) e na Embaixada do Brasil em Lisboa (2004-2007)
- No Brasil, foi assessor da Divisão de MERCOSUL (1991-1995), Coordenador-Geral das Negociações Mercosul-União Europeia (2003-2004), Chefe da Divisão de Integração Regional I (2007-2009) e exerce, desde 2009, o cargo de Coordenador-Geral Econômico para América do Sul, Central e Caribe
Contato: joao.mendes@itamaraty.gov.br / cgdecas@itamaraty.gov.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Senai terá R$ 1,5 bi para capacitar construção civil

Programa será financiado pelo BNDES e envolve ampliação e modernização de laboratórios, além de unidades móveis para formar profissionais

Por: Altair Santos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestará R$ 1,5 bilhão ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para a implantação, ampliação e modernização de 23 institutos de inovação e 65 institutos de tecnologia. O dinheiro também atenderá a rede de escolas e financiará unidades móveis do Senai. A capacitação de mão de obra para a construção civil será a prioridade do programa.

Unidade móvel do Senai, em Santa Catarina: prioridade é qualificar a mão de obra.

Santa Catarina é um dos primeiros estados beneficiados pelos recursos liberados pelo BNDES. Quatro unidades móveis do Senai já percorrem os municípios para fornecer cursos, em parceria com prefeituras, sindicatos e empresas. Instaladas em contêineres, as unidades oferecerão qualificação e aperfeiçoamento a pedreiros, pintores, instaladores hidráulicos, eletricistas, carpinteiros de fôrma, armadores de ferragem, assentadores de cerâmica, projetistas e mestre de obras (gestores).

Cada unidade móvel tem capacidade para atender 24 alunos. A estimativa é que permaneçam de três a quatro meses em cada localidade, para prestar mais de 160 horas mensais de treinamentos. Elas poderão ser instaladas em ambientes públicos ou nos canteiros de obras. As primeiras cidades catarinenses a receberem o programa são Palhoça, Itajaí, Criciúma e Chapecó. O diretor regional do Senai no estado, Sérgio Roberto Arruda, lembra que a meta é ampliar ainda mais a capacidade de formação das unidades móveis. "O objetivo é atingir sete mil profissionais por ano", diz.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, considera que o investimento na expansão da rede Senai é fundamental para capacitar trabalhadores e agregar inovação às empresas. “Esse programa é muito importante para o país. A agenda de inovação é uma agenda de mobilização empresarial, mas é também de formação de recursos humanos e de desenvolvimento de infraestrutura para a oferta de serviços técnicos e tecnológicos”, disse.

Quanto aos institutos de pesquisa e inovação tecnológica que serão instalados, ampliados e reequipados, a ideia é que eles atuem em sete áreas: produção, microeletrônica, engenharia de superfícies e fotônica, materiais e componentes, tecnologia da comunicação e da informação, tecnologias construtivas e energia.  Segundo o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Lucchesi, que também é diretor-geral do Senai, toda a rede de institutos deve estar pronta e em pleno funcionamento até 2014.  

O lançamento do programa ocorreu no final de 2011, no encontro batizado de Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). O objetivo é estimular as pequenas e médias empresas a desenvolverem novos produtos e aprimorarem seus métodos de produção. Em 2011, segundo pesquisa encomendada pela CNI, apenas 12% das empresas ligadas à confederação apontaram o desenvolvimento de novos produtos como objetivo principal de seus investimentos. A meta é que esse percentual suba para 20,9% em 2012.

Cada unidade é equipada para dar cursos que duram de quatro a seis meses.

Entrevistado
Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)
Contato:
  imprensa@cni.org.br / imprensa@sc.senai.br

Créditos foto: Divulgação / Senai

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Brasil concluiu 11,5 mil grandes obras em 2011

Para 2012, já há 8,5 mil projetos contratados, entre empreendimentos residenciais, comerciais, industriais e de infraestrutura

Por: Altair Santos

Pesquisa da ITC (Inteligência Empresarial da Construção) aponta que em 2011 o Brasil chegou a 11.559 grandes obras concluídas. Envolvendo quase 125 milhões de m², as construções geraram um investimento de R$ 421,5 bilhões. O levantamento contabiliza apenas obras com mais de 1.000 m² de área construída e que tenham custo superior a R$ 1 milhão.

Viviane Guirao, diretora de marketing da UTC: sem a construção civil, o Brasil não cresce.

Para 2012, a pesquisa da ITC detectou  que há 5.000 empreendimentos em fase de projeto e estudo de viabilidade e 3.500 em andamento, já com canteiros de obras instalados. Segundo Viviane Guirao, diretora de marketing da consultoria, a coleta de dados é feita através de contato direto com incorporadores, bancos, construtoras, escritórios de arquitetura e investidores. "A cada ano conseguimos abranger um volume maior de informações e aprimorar a pesquisa", revela Guirao.

Em seu relatório, a ITC divide as obras nos seguintes grupos: comercial, residencial, industrial e infraestrutura. "São segmentos bem diferentes, que têm características próprias e não se limitam a edifícios residenciais ou edifícios corporativos. A ITC divulga também obras de shoppings, de hotéis, de indústrias, saneamento básico, hidrelétricas, termoelétricas, enfim, todo o mercado nacional é avaliado", diz a diretoria de marketing da empresa, para quem as projeções apontam um crescimento sustentável da construção civil no Brasil até 2016.

Viviane Guirao comenta que desde 2007 o avanço do setor tem sido relevante dentro da economia do país.  Em 2010, foram  11.174 grandes obras concluídas; em 2009, 7.487. "A tendência é que até 2016 esse volume de investimento cresça gradativamente, impulsionando toda a cadeia da construção civil. Para construir uma grande obra, é preciso que a indústria esteja produzindo todos os materiais. Então, se o segmento de novos empreendimentos cresce, a indústria também cresce", avalia.

Ainda de acordo com a pesquisa da ITC, fica evidente que o programa Minha Casa, Minha Vida influenciou positivamente na cadeia produtiva da construção civil. O levantamento detecta que das mais de 11,5 mil grandes obras construídas em 2011, 6.500 foram voltadas para a construção de edifícios residenciais e condomínios. "É uma tendência que predomina desde 2007, puxando também as obras viárias e de saneamento básico nas cidades",  aponta Viviane Guirao.

Para 2012 o segmento residencial seguirá forte, mas o setor de edifícios comerciais, incluindo hotéis e shopping centers, deverá ganhar um grande impulso, projeta a ITC. A consultoria também avalia que a construção civil sofre uma descentralização. Regiões como o Nordeste do país, assim como cidades-pólos do interior brasileiro, estão conseguindo atrair, proporcionalmente, tanto investimento quanto as grandes metrópoles. " As construtoras de São Paulo e do Rio de Janeiro abriram seu leque para outras regiões, principalmente o Nordeste, onde a facilidade de crédito atrai os investimentos", cita a diretora de marketing da ITC, dizendo que o resultado da pesquisa leva à seguinte conclusão:  sem a construção civil, o Brasil não cresce.

Confira o relatório da ITC: ITC_relatorio

Entrevistada
Viviane Guirao, diretora de marketing e pesquisa de mercado da ITC (Inteligência Empresarial da Construção)
Currículo

- Graduada em engenharia civil pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) em São Paulo
- Pós-Graduada em Negócios Imobiliários pela FAAP
- Ocupa o cargo de diretora de marketing e pesquisa de mercado da ITC- Informações da Construção
Contato: viviane@itc.etc.br / marketing@itc.etc.br  / http://www.itc.etc.br/default.asp

Créditos foto: Divulgação / ITC

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Varejo da construção civil avança no interior do PR

Com o incentivo do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Materiais de Construção, setor atua em 345 municípios do estado

Por: Altair Santos

No Paraná, o programa Minha Casa, Minha Vida tem cumprido outra função, além de fornecer habitação para as famílias do estado. Seu estímulo faz com que o comércio varejista da construção civil se propague pelo interior. Segundo dados do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Materiais de Construção (Simaco) em 2012 deverá ser alcançada a marca de oito mil pontos de venda em 345 cidades das 355 que há em território paranaense.

Sigismundo Mazurek, presidente do Simaco: "O cimento é igual farinha para o pão. Se não tiver farinha, não sai pão”.

De acordo com o presidente do Simaco, Sigismundo Mazurek, os municípios do interior que mais se destacaram na venda de material de construção em 2011 foram, pela ordem, Londrina, Maringá, Campo Mourão, Cascavel, Guarapuava e Ponta Grossa - contabilizando também as respectivas regiões metropolitanas destas cidades. "De um modo geral, todas as empresas tiveram um desempenho bastante favorável de crescimento no ano passado. Através do Minha Casa, Minha Vida, a Caixa Econômica Federal estendeu financiamento farto para essas regiões e isso estimulou as vendas", diz.

Outra conquista relevante, segundo o Simaco, foi a redução do ICMS para material de construção, baixando de 18% para 12%. No Paraná, há outros benefícios embutidos nessa diminuição do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços. "Nosso sindicato conseguiu também que os governos estadual e municipais reduzissem suas participações no ICMS. Então, aqui no Paraná, o incentivo fiscal é maior que em outros estados ", afirma.

Entre os produtos que o consumidor mais busca no comércio varejista da construção civil ainda se destacam os insumos básicos do setor, como cal, areia, tijolos, porcelanato, tintas e, sobretudo, cimento.  "Sem cimento não tem construção. O cimento é igual farinha para o pão. Se não tiver farinha, não sai pão",  comenta Sigismundo Mazurek, que ressalta também o papel do chamado comércio formiguinha - venda picada para pequenas reformas - no fluxo do setor. "Essa participação do consumidor no dia a dia segue com bastante representatividade no volume de negócios", completa.

Por conta das vendas acentuadas, o Simaco tem desenvolvido trabalho intenso, em parceria com o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) para qualificar não só a mão de obra que atua no comércio varejista da construção civil como a que pretende preencher as vagas ofertadas. "Conseguimos viabilizar cursos gratuitos. Essa é uma bandeira nossa: a de preparar e especializar cada vez melhor quem atende diretamente o consumidor", conclui Mazurek. Os cursos do Senac para o setor formaram em 2011 quase 600 profissionais.

Entrevistado
Sigismundo Mazurek, presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Materiais de Construção (Simaco)

Currículo
- Sigismundo Mazurek atua desde 1978 no setor varejista da construção civil.
- É o fundador da empresa Rei das Fechaduras
- Eleito em 2010, Sigismundo Mazurek cumpre seu segundo mandato à frente do Simaco. O primeiro foi entre 1997 e 2004.
- Ocupa o cargo de diretor da Associação dos Comerciantes de Material de Construção do Paraná (Acomac-PR)
- Desempenha também a função de conselheiro do Sesc-PR e de diretor secretário da Fecomércio-PR.

Contato: sigimazu@hotmail.com

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Favelas carecem de política habitacional específica

Brasil tem 11 milhões de pessoas vivendo em aglomerados subnormais e solução do problema vai além do Minha Casa, Minha Vida

Por: Altair Santos

O Brasil tem 11,4 milhões de pessoas vivendo em favelas, distribuídas em 323 municípios do país. Os dados fazem parte de uma pesquisa sobre aglomerados subnormais divulgada no final de 2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se de um problema que, na opinião do professor Natal Destro, diretor e fundador da Universidade Corporativa Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção) pode resultar em oportunidades, desde que o poder público não engesse sua política habitacional.

Natal Destro: "Não é um modelo único de política habitacional que vai acabar com as favelas".

Para o especialista, só o programa Minha Casa, Minha Vida não vai resolver o problema das favelas no Brasil. Natal Destro defende que haja um projeto específico para transformar essas áreas, ancorado por um forte subsídio governamental. "Quem tem renda de zero a três salários mínimos precisa ser subsidiado integralmente, pois lá na frente esse subsídio vai se transformar em lucro para o governo. Uma favela com casas regularizadas, ruas, luz elétrica e saneamento básico se converte em IPTU, contas de luz e de água", explica.

Outra tese apoiada pelo professor  é que o investimento maciço na transformação das favelas resultaria em geração de empregos e em mais crescimento para o setor da construção civil. "Com o envolvimento de cooperativas, associações de bairros, associações de classe e de interesse social poderia haver a qualificação dos moradores das favelas para eles mesmos gerirem as obras. É preciso perseguir todas as formas para extinguir as favelas, e não só um modelo de programa habitacional", diz.

Natal Destro se apega a uma teoria econômica, a curva de Laffer, para defender que o subsídio às habitações de interesse social resulta em crescimento para o país. "Em economia se estuda a curva de Laffer. De cada real investido na construção civil, ele se multiplica catorze vezes. Nenhuma cadeia produtiva é tão lucrativa no Brasil. A segunda maior é a automobilística, que multiplica cerca de oito vezes cada real investido. Então, para eliminar a linha da pobreza, o país tem de investir em construção civil", avalia.

Obstáculos

O governo federal planeja acabar com o déficit habitacional brasileiro até 2023. Para o professor da universidade Anamaco, isso é possível desde que sejam combatidas três frentes: a corrupção, o desperdício na construção civil e o risco de o Minha Casa, Minha Vida se elitizar. "O Brasil já cometeu esse erro com o BNH (Banco Nacional de Habitação) que terminou como uma instituição que financiava apenas os ricos. Além disso, é preciso seguir combatendo o desperdício na construção civil. Há 15 anos, as perdas em uma obra chegavam a 40%. Hoje, está em 15%. É necessário investir em tecnologias de construção para diminuir cada vez mais o desperdício. Por fim, a corrupção, que desvia anualmente quase R$  80 bilhões - dinheiro que seria suficiente para zerar o déficit habitacional em um ano", alerta.

Apesar dos gargalos a serem superados, Natal Destro lembra que os programas do Brasil para combater a pobreza hoje inspiram outros países. "Nosso modelo é copiado na América Latina, na África, na Ásia e, inclusive, na Europa. Não é perfeito, mas é bom. Porém, dá para aperfeiçoar e fiscalizar com mais eficiência. Com isso, as chances de chegarmos em 2023 com um déficit habitacional zero ou perto de zero são grandes. E a construção civil é a alavanca para isso", finaliza. 

Favela no Brasil: transformação beneficiaria 11,4 milhões e manteria crescimento da construção civil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevistado
Natal Destro, presidente da ACOMAC-SP (Associação dos Comerciantes de Material de Construção de São Paulo)
Currículo
Natal Destro é graduado em administração de empresas, com pós-graduação em comércio exterior e recursos humanos
É palestrante, professor de gestão comercial e de vendas e diretor e fundador da Universidade Corporativa Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção)
Também atua como consultor das entidades como ABRAPE (Associação Brasileira de Produtores de Eventos),  ADIMACO (Associação Nacional dos Distribuidores e Instaladores de Material da Construção a Seco) e ABRADICON (Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores de Material de Construção)
Contato:presidente@acomacsp.com.br

Créditos foto: Divulgação/Agência Brasil

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Construção civil desperta para a inovação

Centros de pesquisa abrem espaço para empresas do setor que queiram desenvolver novos materiais, softwares e sistemas construtivos 

Por: Altair Santos

A inovação chegou para ficar na construção civil. Incentivado por centros de pesquisa coligados com universidades, o setor ganha instrumentos para testar novos materiais e sistemas construtivos. Entre os incubadores de projetos, o Cietec é um dos que há mais tempo está em atividade. Criado em 1998, o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia funciona em São Paulo, com o apoio do governo estadual, do Sebrae, da USP (Universidade de São Paulo), do IPEN ( Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) e do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Desde 2007, o organismo criou um núcleo para fomentar empresas da construção civil voltadas à inovação. 

Sérgio Risola, do Cietec: criando condições para que a construção civil inove.

Catorze empreendimentos ligados à cadeia produtiva do setor foram selecionados pelo Cietec para que se viabilizem comercialmente. Até chegar ao estágio de poder ser testado no mercado, o projeto passa por processos de pré-incubação, incubação e pós-incubação. Nestas etapas, são oferecidas infraestrutura física para a instalação e operação das empresas, além de serviços de apoio para atendimento de suas demandas nas áreas de gestão tecnológica, empresarial e mercadológica. O Cietec dispõe, atualmente, de infraestrutura física e operacional para apoiar cerca de 120 empresas de base tecnológica. “Nosso objetivo é dar condições para que as empresas se desenvolvam em um ambiente inovador e tenham maior chance de sucesso”, afirma Sérgio Risola, diretor do Cietec. 

Dos projetos ligados à construção civil, e que estiveram encubadas no centro de inovação, um dos mais bem sucedidos é o da KMA2. A empresa criou uma proposta baseada em Tecnologia da Informação, que permite o autogerenciamento da obra. "Na solução Arquitecasa desenvolvemos um modelo one-stop shop (tudo em um só lugar) onde o usuário encontra informação e serviços para planejar a construção de sua casa e passar com mais tranquilidade pelo período de projeto e obra", explica o arquiteto Marcelo Brigido, que liderou o desenvolvimento do programa. 

Marcelo Brigido: empresa incubada no Cietec criou gestão de obras via online.

A ideia do Arquitecasa se viabiliza economicamente com o crescimento no volume de micropagamentos realizados por consumidores que usam o simulador de custo e por profissionais da construção, reforma e decoração residencial, que criam suas páginas para apresentar seus trabalhos. “Entendi que havia uma oportunidade para oferecer algo para ajudar a diminuir o risco de problemas no curso da obra. O programa é um simulador em que o usuário entende como as características mais básicas da casa que ele imagina construir se refletem no custo final”, revela Marcelo Brigido.

Em média, o período de incubação de uma empresa em um centro de pesquisa dura três anos. Entre outros projetos que prosperaram no Cietec está o que desenvolveu chapas plásticas de alto desempenho, a fim de que o material concorra com as formas de madeira e de metal para receber o concreto, que atualmente são mais comuns na construção civil. Há também o que propõe o uso racional da água no canteiro de obras e um ainda mais inovador , que passou a estudar os efeitos de abalos sísmicos em grandes obras do país. Apesar de o Brasil ser quase imune a terremotos intensos, recentemente algumas localidades passaram a ser alvo de tremores. Atenta, a Berrocal Vasconcelos desenvolveu equipamentos que medem o impacto dos abalos nas estruturas de concreto de hidrelétricas. 

  

Home principal do Arquitecasa: construtor tem assessoramento pela internet.

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevistado
Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) e Marcelo Brigido, da KMA2
Currículo
- Marcelo Brigido é arquiteto graduado e pós-graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, onde lecionou até 1996.
- Profissional experiente no desenvolvimento de projetos de arquitetura residencial, desenvolveu conhecimentos de marketing durante sua atuação junto ao mercado imobiliário até 2008, quando decidiu empreender e criar a KMA2.
Contato: m.brigido@arquitecasa.com.br / www.arquitecasa.com.br / cietec@cietec.org.br / www.cietec.org.br 

Créditos foto: Divulgação / Cietec 

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330