Com um ano, CAU ainda mapeia arquitetos do Brasil
Censo organizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo é fundamental para saber quem são e quais são as perspectivas dos profissionais que atuam no país
Por: Altair Santos
Não é à toa que o Conselho de Arquitetura e Urbanismo escolheu o dia 15 de dezembro como data de fundação. O marco coincide com o aniversário de Oscar Niemeyer, que recebeu o registro número 1 do CAU. Em 2012, o conselho, que desvinculou arquitetos e urbanistas do Confea/CREA, completa um ano. Neste período, o maior desafio tem sido identificar os profissionais que atuam em todo o país.

Por isso, o CAU promove um censo para mapear a categoria. O trabalho tem sido feito paralelamente à emissão da carteira de identidade profissional de arquitetos e urbanistas. "Agora que temos um conselho exclusivo, pretendemos fazer uma pesquisa abrangente para conhecer quem são os profissionais de arquitetura e urbanismo do Brasil. O objetivo é estratificar o nosso conjunto para podermos nos aproximar e ter um CAU cada vez mais útil para todos”, explica o ouvidor geral do CAU, José Eduardo Tibiriçá.
Os dados mais recentes, divulgados Confea/CREA, revelam que em 2010 havia 79.093 arquitetos e urbanistas e engenheiros-arquitetos no Brasil. Destes, 57,22% concentravam-se na região Sudeste do país, 21,28% na região Sul, 11,73% na região Nordeste, 6,76% no Centro-Oeste e 3,01% no Norte. Ainda de acordo com a pesquisa, que contou com a participação da ABEA (Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo), o Brasil forma anualmente 6.500 profissionais nos 200 cursos espalhados no território nacional.
Com o censo, que tende a atualizar esses números e aprofundar os dados, o Conselho espera definir uma política salarial para a categoria, identificar profissionais de outras áreas que estejam desenvolvendo atividades de atribuição exclusiva a arquitetos e urbanistas e definir a geografia dos profissionais no país, até para estimular a criação de novos cursos em instituições de ensino. Além disso, o CAU trabalha na consagração de um código de ética e na criação de um manual de fiscalização e exercício profissional.
Para o presidente nacional do CAU, Haroldo Pinheiro, além de organizar o Conselho é obrigação da atual diretoria conduzir debates sobre a atualização do ensino de arquitetura e urbanismo, assim como dar ênfase à responsabilidade técnica do setor. "Estamos determinados a lutar pela correta compreensão da importância da nossa profissão e pela universalização do acesso à arquitetura e urbanismo de qualidade", destaca.
A criação do CAU foi o último decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com data de 31 de dezembro de 2010. Amparado pela lei n.º 12.378, o Conselho dota de personalidade jurídica de direito público o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo. De acordo com Haroldo Pinheiro, trata-se de uma "realidade irretornável". "O apagão que havia sido previsto para a arquitetura e urbanismo não ocorreu. Estamos concluindo as normas fundamentais para o funcionamento do nosso conselho e abrindo discussões públicas sobre os diversos assuntos de interesse da sociedade, no que se refere ao setor", conclui.
Entrevistado
Haroldo Pinheiro, presidente nacional do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR)
Currículo
- Haroldo Pinheiro é arquiteto e urbanista, formado pela Universidade de Brasília (1980). Entre seus principais trabalhos, é autor do projeto e membro da direção da obra de retrofit do Palácio do Congresso Nacional, em Brasília, com supervisão de Oscar Niemeyer
- Também é coautor do anteprojeto de arquitetura e urbanismo para alteração no centro urbano de Brasília – SHN/SDN, com Lúcio Costa
- Atuou em inúmeros projetos e obras com o arquiteto João Filgueiras Lima (Lelé), fundando, em sociedade, o Instituto Habitat
- Foi presidente nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e membro do Conselho Superior da União Internacional dos Arquitetos (UIA)
- Atualmente é presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR)
Contato: comunicacao@caubr.gov.br / www.caubr.org.br
Créditos foto: Divulgação/CAU
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Bons e maus exemplos ajudam a evitar colapso progressivo
Caso Ronan Point, ocorrido em 1968, em Londres, foi significativo para a engenharia estrutural, assim como o atentado ao prédio do Pentágono, em 2001
Por: Altair Santos
Uma das sumidades nacionais em projetos estruturais, o engenheiro civil Antonio Carlos Reis Laranjeiras cita que o fenômeno conhecido como colapso progressivo é abordado pelas normas brasileiras de forma sumária e sem maiores aprofundamentos. Ele se refere à NBR 9062- estruturas pré-moldadas - e à NBR 6118 - projetos de estruturas de concreto -, que está em processo de revisão. Quando for republicada, em 2013, a nova NBR 6118 será mais abrangente para abordar os cuidados que devem se tomados para se evitar esse tipo de patologia. Porém, enquanto a norma ainda está em fase de elaboração de seu texto final, o que os engenheiros estruturais fazem é se apegar nos bons e maus exemplos para que seus projetos não passem nem perto do risco de sofrer colapso estrutural.

Recentes desabamentos ocorridos no Brasil realçaram a preocupação dos especialistas com o risco de as edificações virem a sofrer esse tipo de patologia. Por isso, atualmente, a segurança estrutural passou a ser tema de um bom número de seminários e palestras. Um dos mais recentes ocorreu no ENECE 2012 (Encontro Nacional de Engenharia Estrutural e Consultiva) onde o engenheiro Justino Vieira explicou que os riscos de colapso progressivo ocorrem, basicamente, em duas situações: na fase de execução da obra, quando o colapso pode se dar por baixa resistência do concreto, retirada prematura do escoramento ou aplicação de técnica inadequada, ou, quando o prédio já está concluído, por erros de projeto ou intervenções de terceiros na estrutura do edifício.
Justino Vieira cita um exemplo emblemático para a engenharia estrutural, que foi o caso Ronan Point. Trata-se de uma edificação construída na região oeste de Londres, que em 1968 teve parte de sua estrutura afetada por um colapso progressivo. Construído com painéis portantes pré-moldados, o prédio foi alvo de explosão de um botijão de gás localizado no 18º andar. Isso causou o desmoronamento em cadeia dos painéis portantes, trazendo abaixo uma parte do edifício. "Foi um acidente que não poderia ter atingido as proporções que atingiu, mas isso ocorreu por que os pilares e as vigas de transição falharam", explica o engenheiro, lembrando que o colapso progressivo está ligado à desproporção entre a causa e o dano final que ela causa a uma estrutura.

A partir do caso Ronan Point, as normas britânicas vieram sofrendo revisões constantes até culminar na BS 5950-2000, que hoje é tida como referência mundial para que construções se protejam do risco de colapso progressivo. Justino Vieira cita ainda que outro bom exemplo contra esse tipo de patologia ocorreu no atentado ao Pentágono, em 2001. O fato de o prédio ter resistido a um ataque aéreo demandou estudos sobre sua estrutura, e que passaram a nortear futuros projetos. "O Pentágono tem tudo de bom que se possa imaginar. Há pilares sistemáticos, harmoniosamente distribuídos, e a estrutura é fortemente porticada. Os pilares principais contêm concreto confinado e a sobrecarga projetada é muito maior do que necessitaria", elogia.
Outro bom exemplo, cita o especialista, está no Empire State Building, em Nova York. "É um prédio de uma robustez enorme. Por quê? Por que há redundância das estruturas. Isso se consegue projetando vigas e pilares pouco espaçados, pensando em vigas contínuas que resistam à torção, em pilares bem confinados e em lajes com armaduras anticolapso progressivo. É com uma boa conectividade horizontal e vertical que se garante a redundância das estruturas e se evita a construção de castelos de cartas", ensina, concluindo que hoje, além de normas mais rigorosas, os engenheiros estruturais têm a tecnologia a seu favor. "Antigamente prevalecia a sensibilidade e o desconfiômetro. Hoje há softwares que avaliam esforços numa amplitude muito maior. Basta saber usá-los bem", completa.
Entrevistado
Justino Vieira, professor na Universidade Federal Fluminense e na PUC-Rio
Currículo
- Justino Vieira é engenheiro civil graduado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) com mestrado pela UFF
- É professor das cadeiras de sistemas isostáticos, estruturas de edifícios e complementos de concreto armado, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio e na UFF
- É associado da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) no Rio de Janeiro.
- Atua na área de projeto de edificações em concreto armado desde 1970 e é sócio da Justino Vieira Monica Aguiar Projetos Estruturais
Créditos foto: Divulgação/ABECE
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Novo forno da Itambé atrai mais visitas à fábrica
Companhia tem programa destinado a clientes, estudantes de engenharia civil e arquitetura, além de associações, sindicatos e institutos ligados à construção civil
Por: Altair Santos
A terceira linha de produção da Cia. de Cimento Itambé, instalada na fábrica de Balsa Nova, na região metropolitana de Curitiba, tem servido também para alavancar o programa de visitas da empresa. Desde a instalação dos novos equipamentos, em 2012, a unidade de produção e a mina receberam 239 pessoas, entre clientes, profissionais da construção e estudantes de engenharia civil e arquitetura. Associações, sindicatos e institutos ligados ao setor também se inscrevem para acompanhar todas as etapas do processo de fabricação de cimento.

O programa formal da Cia. de Cimento Itambé começou em 2005, embora a empresa desde a sua fundação, já levasse clientes e formadores de opinião à fábrica. A visita é agendada previamente, por questões de segurança, e para a preparação dos setores para receber os visitantes. Um assessor técnico faz o acompanhamento, e no início da visita faz uma palestra sobre o processo da fabricação. A Itambé fornece todos os equipamentos de proteção individual e o agendamento é feito através do preenchimento de formulário no site www.cimentoitambe.com.br.
Entre os visitantes que recentemente estiveram na fábrica da Cia. de Cimento Itambé estão os diretores da ASCON Vinhedos (Associação das Empresas de Construção Civil da região de Bento Gonçalves-RS) e da Bento Concretos. "Estivemos em uma comitiva de quinze pessoas e conhecer o novo parque fabril só reforçou para nós a qualidade da Itambé", disse Alan Scomazzon, diretor da Bento Concretos, que usa Cimento Itambé para produzir concreto para pré-moldados, tubos, calhas e galerias.
Para Diogo Parisotto, presidente da ASCON Vinhedos, a visita à Cia. de Cimento Itambé permitiu fortalecer a marca da empresa junto à associação. "Pudemos esclarecer todas as nossas dúvidas e verificar todo o processo de fabricação. Nos foi proporcionado uma troca fantástica de conhecimento. Desta forma, a imagem da Itambé ficou ainda mais fortalecida perante nosso público, pois percebemos a seriedade com que a empresa trata de seus processos, materiais e funcionários", afirmou.
Parisotto afirma que o setor da construção civil na região da serra gaúcha passa por uma fase de crescimento constante. "O mercado na serra gaúcha é um mercado muito eletivo e forte, onde a região se destaca pelas características de imóveis com um padrão de construção muito qualificado. Por isso, a Cia. de Cimento Itambé é uma parceira importante nessa nossa preocupação de crescer com sustentabilidade", comenta o presidente da ASCON Vinhedos, que foi fundada em 1996 e reúne construtoras e incorporadoras, prestadores de serviço, lojas de materiais de construção e indústrias cimentícias.
Entrevistados
- Diogo Parisotto, presidente da ASCON Vinhedos
- Alan Scomazzon, diretor da Bento Concretos
Currículos
- Diogo Parisotto é graduado em administração de empresas pela UCS (Universidade de Caxias do Sul) e pós-graduado na FGV em MBA em Gestão de Negócios Imobiliários e da Construção Civil
- Atua há 17 anos no ramo da construção civil e ocupa o cargo de sócio-diretor da Parisotto Construções
- É presidente da ASCON Vinhedos e diretor do setor da construção civil do CIC (Centro da Indústria e Comércio) de Bento Gonçalves-RS
- Alan Scomazzon é graduado em administração de empresas e há três anos é diretor da Bento Concretos
Contatos: comercial@parisottoconstrucoes.com.br / comercial@bentoconcretos.com.br
Créditos foto: Divulgação/Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Benefícios do coprocessamento são irrefutáveis
Para o setor de cimento, queima de resíduos não representa apenas a substituição de combustíveis fósseis, mas uma ferramenta de gestão de passivos ambientais
Por: Altair Santos
No Brasil, o coprocessamento de resíduos em fornos da indústria de cimento tende a atingir em 2013 a marca de 1,5 milhão de toneladas. A taxa de crescimento, em relação a 2012, será de 10%, como prevê o geólogo Yushiro Kihara, gerente de tecnologia da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). "Ao longo dos últimos anos, notamos o crescimento da utilização de resíduos em fornos de cimento, como combustível alternativo ou substituto de matéria prima. Mantendo-se a taxa histórica, estima-se para 2013 uma evolução do coprocessamento próxima a 10%", diz.

Desde a década de 1980 a indústria nacional de cimento atua com coprocessamento de resíduos. Hoje, o setor é referência internacional, por seu excelente desempenho em termos de emissão específica de CO₂ - equiparável a países como Estados Unidos, União Europeia e Japão. "Essa posição é fruto de um grande esforço das indústrias que realizam, há anos, ações pela redução das emissões, dentre as quais o coprocessamento é a principal ferramenta", destaca Yushiro Kihara.
Isso se deve ao fato de o coprocessamento ter agregado competitividade às cimenteiras. "Ele gera economia de recursos naturais não renováveis, tais como combustíveis convencionais e matérias primas, causando redução significativa dos custos de produção e, como consequência, tornando a empresa mais competitiva", explica o engenheiro Ronaldo Ferrari, gerente de coprocessamento da Cia. de Cimento Itambé, que tornou-se parceira da ABCP num projeto que se propõe a explicar as vantagens ambientais do coprocessamento.
Segundo Yushiro Kihara, entre as alternativas de destinação de resíduos e passivos ambientais, o coprocessamento é o que reúne os melhores benefícios econômicos e ambientais, pois elimina definitivamente os resíduos, preservando jazidas e reduzindo a pegada ambiental das atividades extrativas. Um exemplo emblemático é o que a indústria de cimento faz com os pneus inservíveis - hoje o principal resíduo coprocessado no Brasil. Somente no ano de 2011 registrou-se a recuperação térmica de mais de 45 milhões de pneus utilizados como combustível alternativo para a produção de cimento. "Com isso, presta-se um serviço de saúde pública ao país, ajudando no combate à dengue", alerta.
Atualmente, a indústria brasileira de cimento é composta por 15 grupos, que, juntos, reúnem 81 unidades de produção espalhadas pelo país. Destas fábricas, 52 são dotadas de fornos que possuem tecnologia para coprocessar resíduos e 36 estão licenciadas para operar o coprocessamento. Há a tendência deste número aumentar, haja vista que o setor vem se modernizando e adquirindo fornos dotados de equipamentos específicos, como pré-aquecedores e pré-calcinadores - essenciais para que possam utilizar diferentes tipos de resíduos sem afetar a qualidade do cimento produzido. "Uma das premissas básicas do coprocessamento é não influenciar na qualidade do cimento produzido, além de não causar impactos ambientais significativos, não afetar as condições de saúde e segurança e não causar danos aos equipamentos utilizados na fabricação", frisa Ronaldo Ferrari.
Parceira ambiental

A partir da lei 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos - aprovada em 2010 e que prevê a extinção dos lixões até 2014 -, a indústria cimenteira tende a se tornar uma grande parceira ambiental do país, como ressalta Yushiro Kihara. "O coprocessamento nos fornos de cimento é uma das alternativas mais eficazes para a destinação ambientalmente correta e segura de grandes volumes de resíduos. A contribuição da indústria tende a se tornar mais significativa após 2014, pois o que se verifica atualmente é que no Brasil se descartam, por dia, 200 mil toneladas de resíduos urbanos e menos de 2% desse volume é reciclado. E mais agravante: quase 40% são lançados no ambiente", cita.
De acordo com Ronaldo Ferrari, a indústria de cimento está preparada para absorver os resíduos passíveis através da tecnologia de coprocessamento. "Trata-se de uma destinação definitiva e mais nobre do que aterros ou lixões", destaca. Já Yushiro Kihara complementa que coprocessar o lixo urbano será o novo estágio do coprocessamento. "Segundo o artigo 1.º da Resolução 264 do CONAMA, é proibido o coprocessamento de resíduos domiciliares brutos, ou seja, não classificados. Mas o coprocessamento de resíduos domiciliares tratados poderá constituir, após a extinção dos lixões, numa excelente opção para amenizar o problema da saturação de aterros municipais. No que depender da indústria cimenteira, ela está pronta para cumprir essa função", finaliza.
Saiba mais sobre coprocessamento: clique aqui
Entrevistados
Yushiro Kihara, gerente de tecnologia da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e Ronaldo Ferrari, gerente de coprocessamento da Cia. de Cimento Itambé
Currículos
- Yushiro Kihara é geólogo graduado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP (1969), mestre em mineralogia pelo Instituto de Geociências da USP (1973) e doutor em mineralogia e petrologia pelo Instituto de Geociências da USP (1982).
- Atualmente é professor doutor do Instituto de Geociências da USP e gerente de tecnologia da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).
- Autor e coautor de 100 trabalhos técnico-científicos publicados em revistas e anais de congressos nacionais e internacionais.
- Ronaldo Ferrari é engenheiro químico, com especialização em gestão em engenharia ambiental
- Ocupa o cargo de gerente de coprocessamento da Cia. de Cimento Itambé.
Contatos: yushiro.kihara@abcp.org.br / ronaldo@cimentoitambe.com.br
Créditos foto: Divulgação/Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Niemeyer transformou concreto em obra de arte
O mais famoso arquiteto brasileiro morre aos 104 anos, deixando um legado de 500 obras espalhadas por todos os continentes
Por: Altair Santos
Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares, ou simplesmente Oscar Niemeyer, deixa como seu principal legado para a arquitetura e a engenharia o fato de ter conseguido transformar o concreto armado em arte. Em As Curvas do Tempo, seu livro de memórias lançado quando ainda era um jovem de 91 anos, ele descreve sua paixão. "De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein", narra, pautando a partir desta frase toda a sua obra.

Com Niemeyer, a densidade do concreto tornou-se leve. É o que se pode constatar no conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte/MG, ou nos verdadeiros palácios que projetou em Brasília/DF. Do Alvorada ao Planalto, passando pelo Congresso Nacional, o prédio do Supremo Tribunal Federal ou pela catedral do Distrito Federal, é possível ver um Niemeyer comprometido com sua paixão pelas curvas e com a funcionalidade dos prédios que idealizou.
Essa característica própria do arquiteto o fez espalhar obras por todos os continentes. Nas cidades contempladas com seus projetos, as construções tornaram-se verdadeiros marcos para a arquitetura local. Calcula-se que cerca de 500 obras assinadas por Niemeyer estejam hoje em algum lugar do mundo. O número tende a crescer mesmo após sua morte, pois ele deixou projetos prontos, cujas construções ainda estão sendo viabilizadas. Não é à toa que o professor e sociólogo Darcy Ribeiro, um de seus melhores amigos, e também já falecido, o definiu com a seguinte frase: “Daqui a 300 anos o único brasileiro conhecido será Oscar Niemeyer”.
Entre as "esculturas" que Niemeyer deixou fora do Brasil, as mais relevantes são as seguintes:
1938 – Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial de Nova York (Nova York - EUA) - desmontada
1947 – Sede da ONU (Nova York – EUA)
1947 – Residência de Burton Tremaine (Santa Bárbara – EUA) – projetada
1955 – Museu de Arte Moderna (Caracas – Venezuela) – projetada
1957 – Prédio para a exibição Interbau (Berlim – Alemanha)
1962 – Feira Internacional e Permanente do Líbano (Trípoli – Líbano)
1963 – Universidade de Haifa – pré-projeto (Haifa – Israel)
1966 – Pestana Casino Park (Funchal – Portugal)
1968 – Centro Cívico (Argel – Argélia) – interrompida
1968 - Mesquita de Argel sobre o mar (Argel – Argélia)(projetada)
1968 – Sede da Editora Mondadori (Milão – Itália)
1969 – Universidade Mentouri (1ª etapa) (Constantine – Argélia)
1971 – Sede do Partido Comunista Francês (Paris – França)
1972 – Centro Cultural Le Volcan (Le Havre – França)
1972 – Bolsa do Trabalho (Bobigny – França)
1975 – Sede da FATA Engenharia (Turim – Itália) – projetada
1975 – Escola Politécnica de Arquitetura e Urbanismo (Argel – Argélia)
1975 – Sala Poliesportiva “A Cúpula” (Argel - Argélia)
1980 – Mesquita estadual de Penang (George Town – Malásia)
1981 – Ilha de Lazer (Abu Dhabi – Emirados Árabes Unidos)
1989 – Sede do jornal L’Humanité (Seine-Saint-Denis – França)
2001 – Auditório (Ravello – Itália) - projetada
2001 – Acqua City Palace (Moscou - Rússia) (projetada)
2003 – Pavilhão da Galeria Serpentine (Londres – Reino Unido)
2006 – Centro Cultural Principado de Astúrias (Avilés – Espanha)
2007 – Centro Cultural (Valparaíso – Chile) – projetada
2007 – Universidade de Ciência e Informática (Havana – Cuba ) – inacabada
2008 – Puerto La Musica (Rosário – Argentina)
2010 – Auditório (Ravello – Itália) - projetada
Trajetória
Oscar Niemeyer não foi um gênio precoce. Formou-se engenheiro-arquiteto pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, com quase 27 anos. Trabalhou de graça até praticamente os 30 anos e somente aos 33 assinou sua primeira obra relevante: o conjunto arquitetônico da Pampulha, encomendada pelo então prefeito de Belo Horizonte/MG, Juscelino Kubitschek. Ainda pelas mãos de JK, projetou Brasília/DF. Daí em diante, não parou mais. "Tenho vontade de ajudar as pessoas, ser-lhes útil, dividir", se autodefiniu.
Se não bastasse todo o seu legado, Oscar Niemeyer ainda ajudou na evolução da indústria do cimento e do concreto. Exigente com a qualidade do material empregado em suas obras, ele incentivou a criação de normas e especificações cada vez mais detalhadas. Sobre a predileção pelo concreto, a melhor definição que deu foi em uma de suas últimas entrevistas - publicada no começo de 2012 pela revista do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto). "O concreto corresponde a um material especialmente generoso, capaz de oferecer ilimitadas possibilidades ao arquiteto. Ainda mais quando esse se anima em explorar as linhas curvas ou o jogo entre retas e curvas, como é o meu caso", disse.
Confira linha do tempo sobre a vida de Oscar Niemeyer: clique aqui
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Sociedade muda, e com ela as plantas das moradias
Fórmula criada há 150 anos, na Belle Époque francesa, sofre alterações a partir do novo papel da mulher na família e em sua inserção no mercado de trabalho
Por: Altair Santos
O modelo de plantas de habitações, centrado em três áreas - social, íntima e serviços -, predomina em praticamente todo o mundo desde a Belle Époque francesa, há cerca de 150 anos. Em busca de respostas para saber por que esse tipo de construção criou raízes tão profundas na humanidade, o Nomads-USP (Núcleo de Estudos de Habitares Interativos, da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo em São Carlos) iniciou estudo, ainda em processo de conclusão, o qual aponta que essa formatação de planta tende a sofrer transformações, apesar da resistência do mercado imobiliário.

Segundo o arquiteto Felipe Anitelli, que desde 2007 é pesquisador do Nomads, já há vários indicadores que sugerem que esse conceito de planta não é mais tão eficiente para o contexto cultural e sócio-econômico atual. "Esse modelo tem como forte referência a planta burguesa europeia, difundida e popularizada no século 19. Acho improvável que seja adequado para a sociedade do século 21", diz, afirmando que o comportamento da mulher tem muito a ver com essa tendência de mudança. "A sociedade mudou e os modos de vida são outros. A alteração do papel da mulher na família e sua inserção no mercado de trabalho não cabe mais numa planta moldada de acordo com as demandas da Belle Époque", completa.
De acordo com o mais recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) hoje só 48,5% das famílias brasileiras são constituídas por casal e filho(s). A maioria já é composta por casal ou pessoas que moram sozinhas. Isso, constata o Nomads, vem derrubando alguns paradigmas da arquitetura para habitações. Um deles é o fim da estanqueidade funcional entre as áreas social, íntima e de serviços. A queda da parede entre a cozinha e a sala, é uma prova cabal disso. "Antigamente, fazer comida era uma atribuição dos serviçais. Hoje, isso está mais vinculado a lazer e convivência. Por isso, a cozinha migrou para a área social", explica Felipe Anitelli.
Só que o arquiteto do Nomads, que agora aprofunda a pesquisa visitando as capitais brasileiras para perceber as diferenças entre uma região e outra do país, afirma que em algumas cidades - como Porto Alegre e Pernambuco - a tradição de separar a cozinha da sala com paredes e portas ainda persiste. "Pode ser conservadorismo desses mercados. Aliás, os avanços nas plantas poderiam ocorrer de forma mais acelerada se os produtos imobiliários desenvolvidos atualmente por incorporadoras brasileiras ousassem mais", avalia, citando que há ainda poucas construtoras no país que adotam, por exemplo, o modelo de plantas flexíveis.
Isso leva, na maioria das vezes, o próprio comprador a "customizar" o imóvel, transformando quarto em escritório ou sala de TV ou ampliando as zonas íntimas ou sociais de uma habitação. "Portanto, afirmações como 'apartamentos de um, dois e três dormitórios' estão perdendo o sentido. Muitas vezes, dentro do próprio edifício, já é possível encontrar unidades habitacionais que mantiveram a tradição e outras que foram transformadas, rompendo com o paradigma da Belle Époque", conclui o pesquisador da Nomads.
Entrevistado
Felipe Anitelli, pesquisador do grupo de pesquisas Nomads-USP do IAU-USP
Currículo
- Felipe Anitelli é graduado em arquitetura e urbanismo pelo Centro Universitário Barão de Mauá de Ribeirão Preto em 2003
- Tem doutorando no Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos (com apoio FAPESP) e mestrado pelo IAU-USP em 2010 (com apoio FAPESP). A temática de estudo do mestrado e do doutorado é o edifício de apartamentos paulistano e brasileiro
- Desde 2007 é pesquisador do grupo de pesquisas Nomads-USP
Contato: felipeanitelli@yahoo.com.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
IPT tem história intimamente ligada ao concreto
Dos 12 laboratórios do centenário instituto, dois dedicam-se exclusivamente às pesquisas relacionadas com a construção civil
Por: Altair Santos
Fundado em 1899, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) tem no concreto o material mais estudado ao longo de sua história. Até hoje, aliás, a cadeia produtiva do cimento concentra boa parte das pesquisas em seus dois centros voltados a estudos da construção civil: o Centro de Tecnologia de Obras de Infraestrutura (CT-OBRAS) e o Centro Tecnológico do Ambiente Construído (CETAC). Atualmente, o foco desses dois laboratórios está na busca de compósitos de baixo impacto ambiental. "Como exemplo, recentemente estudamos a aplicação de fibras obtidas na reciclagem de plástico residual para obtenção de painéis cimentícios reforçados", explica José Maria de Camargo Barros, diretor do CT-OBRAS.

Vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, o IPT tem um total de doze centros tecnológicos. No entanto, os que se dedicam às pesquisas para a construção são os mais tradicionais. Ao longo deste mais de um século, o instituto se dedica, tanto para o setor público quanto para o privado, a realizar os seguintes estudos:
- Ensaios laboratoriais químicos, físico-mecânicos e microestruturais;
- Coleta e execução de ensaios de materiais básicos de construção civil (como cimento Portland, cal, gesso, revestimento pétreo e agregados);
- Oferta de apoio tecnológico na caracterização de materiais convencionais e não-convencionais envolvidos na fabricação de cimento Portland e cal;
- Realização de dosagem de argamassas e concretos especiais;
- Pesquisas de compatibilidade de aditivos e adições minerais em concreto e atuação em caracterização e estudos de rochas ornamentais, com foco na normalização internacional.
Segundo José Maria de Camargo Barros, as crescentes demandas ambientais levam o IPT a dedicar-se com mais afinco aos estudos do uso de RCD (Resíduo da Construção e Demolição) na construção civil. "Podemos citar o desenvolvimento de cimento de baixo impacto ambiental a partir de finos de RCD. Outro campo de pesquisa é o estudo de aplicação de materiais não convencionais para a produção de cimento Portland, seja como matéria prima alternativa na produção de clínquer seja como adição mineral, empregando-se materiais residuais e subprodutos industriais e agrícolas. Já na cadeia produtiva do concreto, temos dado ênfase ao uso de RCD como agregado. Também as adições minerais têm sido testadas para a produção de concretos, visando um material ecoeficiente, ou seja, concreto com baixo consumo de cimento/MPa de resistência à compressão", relata.

Atualmente, 60% das receitas do IPT se originam de pesquisas, testes e análises técnicas de materiais para indústrias ligadas ao setor privado. O instituto contou em 2012 com um orçamento de R$ 200 milhões e espera incrementá-lo em pelo menos 20% para 2013. Para atrair ainda mais clientes, tem havido maciço investimento no aprimoramento dos laboratórios. Recentemente foi inaugurado um setor voltado ao desenvolvimento da nanotecnologia - área na qual a construção civil também apresenta demandas ao Instituto de Pesquisa Tecnológica.
Confira linha do tempo sobre a história do IPT: clique aqui.
Entrevistado
José Maria de Camargo Barros, diretor do Centro de Tecnologia de Obras de Infraestrutura (CT-OBRAS) do IPT.
Currículo
- José Maria de Camargo Barros é graduado em engenharia civil pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (1976). Possui mestrado (1985) e doutorado (1997) em engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
- Recebeu bolsa do CNPq na categoria doutorado-sanduiche (1993/94 - University of Michigan)
- É pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, consultor ad hoc da FAPESP, além de professor titular da Escola de Engenharia Mauá e professor titular e coordenador do curso de engenharia civil da Faculdade de Engenharia São Paulo
Contato: jmbarros@ipt.br / www.ipt.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Vocação turística impulsiona infraestrutura de SC
Com investimento federal estimado em R$ 5 bilhões, Estado tem 72 grandes obras programadas, algumas já em fase de execução.
Por: Altair Santos
Desde a criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Santa Catarina é o estado da região sul que mais conseguiu canalizar recursos federais para obras de infraestrutura. Há 72 empreendimentos em fase de projeto ou em etapa de execução programados para as várias regiões catarinenses. Por causa da vocação turística do estado, boa parte destas obras está voltada para rodovias, ferrovias e vias urbanas. Dos R$ 5,16 bilhões de investimentos programados para Santa Catarina até 2017, R$ 3,05 bilhões serão revertidos ao setor de mobilidade.

A obra que mais tem recursos assegurados é a que envolve a duplicação da BR-101, no trecho que liga Santa Catarina ao Rio Grande do Sul. São R$ 2,2 bilhões, entre eles R$ 597 milhões para a construção da terceira maior ponte do Brasil - perdendo em extensão apenas para a Rio-Niterói e a do Rio Negro, no Amazonas. Com o canteiro de obras recentemente instalado, o empreendimento deve ficar pronto em 2015. Ligando Florianópolis a Laguna, a obra terá 2.815 metros de comprimento, dos quais 400 metros de vão central serão estaiados, com 60 cabos sustentados por dois mastros de concreto.
As torres terão 50 metros de altura, e cada uma delas sustentará 30 estais (15 de cada lado). Já a estrutura da ponte de Laguna, que quando inaugurada irá se chamar Anita Garibaldi, será construída com aduelas pré-moldadas. O projeto prevê o uso de 500 unidades, cada uma pesando 30 toneladas e medindo quatro metros de comprimento. A cargo de um consórcio que engloba as construtoras Camargo Corrêa, M. Martins e Construbase, estima-se que a obra irá consumir 65 mil toneladas de cimento.
Outros projetos rodoviários relevantes em construção em Santa Catarina, e que também contam com recursos federais, são a via expressa do Porto de Itajaí e as duplicações das rodovias BR-282 (Florianópolis), BR-280 (trecho São Francisco do Sul-Jaraguá do Sul) e BR-470, entre o Porto de Navegantes e Indaial, passando pela BR-101, Gaspar e Blumenau. Esta obra foi dividida em quatro lotes, dos quais dois tiveram editais de licitação publicados em 2012. No trecho 1, que ligará Navegantes à BR-101, previsto para ser licitado em 2013, há estudos da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) favoráveis à pavimentação em concreto numa extensão de 20 quilômetros.
O estado também tem recebido um forte investimento em empreendimentos ferroviários. Entre eles, a construção do contorno de São Francisco do Sul, do contorno de Joinville, da ferrovia Litorânea (Imbituba-Araquari) e da ferrovia do Frango (Itajaí-Chapecó). Ainda na parte de obras de mobilidade, está em construção o novo complexo aeroportuário de Florianópolis.
Setor elétrico
Outra grande construção em Santa Catarina é a usina hidrelétrica Garibaldi. A cargo da construtora Triunfo, o empreendimento tem orçamento de R$ 780 milhões. Erguida no rio Canoas, entre os municípios de Abdon Batista e Cerro Negro - a 350 quilômetros de Florianópolis -, a obra terá capacidade instalada de 190 megawatts. A hidrelétrica será construída com laje de concreto compactado a rolo (CCR). A barragem terá 37 metros de altura e 915 metros de largura.
Entrevistado
Departamento Estadual de Infraestrutura de Santa Catarina (Deinfra-SC)
Contato: www.deinfra.sc.gov.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Sete virtudes destacam prédios de Recife
Edificações com quase 130 metros de altura investem em inovações e conseguem superar a reação álcali-agregado, uma característica da capital pernambucana
Por: Altair Santos
Torres Gêmeas. Esse é o apelido que os recifenses deram aos edifícios Píer Maurício de Nassau e Píer Duarte Coelho, que levaram modernidade ao centro velho da capital pernambucana. No entanto, a coincidência com os prédios que até 2001 foram referência para Nova York e para o mundo para por aí. Nos empreendimentos que estão de frente para Olinda, a concepção arquitetônica e o modelo de construção em nada se comparam às edificações norte-americanas. Utilizando 100% de tecnologia nacional, e apostando no potencial do concreto para erguer arranha-céus, o projeto foi eleito pela ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) como a melhor edificação do Brasil em 2012.

Sete virtudes garantiram o prêmio às Torres Gêmeas de Recife: concepção estrutural, processo construtivo, originalidade, monumentalidade, relação com o ambiente, esbeltez e estética. "Dificilmente, um empreendimento consegue nota máxima em todos os quesitos e a somatória de pontos acaba por definir o ganhador. No caso desse empreendimento, seus destaques foram a concepção estrutural, simples para a esbeltez, e o formato do edifício. A originalidade na interação com a fundação, para uma solução inovadora que vencesse os desafios do solo de Recife, juntamente com a estética, além da relação com o ambiente, também conquistaram importantes pontos que garantiram o merecido prêmio para este projeto", explica Augusto Guimarães Pedreira de Freitas, vice-presidente de relacionamento da ABECE.
Com função habitacional, o Píer Maurício de Nassau e o Píer Duarte Coelho têm 42 andares cada um, com apartamentos medindo 247 m², e que, a princípio, criam um contraste estético na área central da capital pernambucana. Os edifícios localizam-se em uma região portuária cercada de antigas linhas férreas desativadas. Desabitados ou sem população fixa, esses setores da cidade, a partir dos novos empreendimentos, passam por um processo de reurbanização. "Foi pensando na implantação desse arrojado projeto que a Moura Dubeux Engenharia S/A partiu para a modernização através da construção das duas torres. A região central do Recife voltou a ser local para moradia com qualidade de vida", avalia o engenheiro civil João José Asfura Nassar, autor do projeto estrutural.

Além de superar o desafio imposto pelo local em que foi construído, as Torres Gêmeas de Recife também suplantaram obstáculos técnicos. Contando com pesquisas e testes realizados nas universidades de Pernambuco, os prédios neutralizaram, por exemplo, a propensão a reações álcali-agregado nas estruturas dos edifícios recifenses. "Nas fundações do empreendimento, para inibir a reação álcali-agregado (RAA) foi utilizado adição de metacaulim na proporção de 12%. Esta recomendação hoje é utilizada em todas as fundações das edificações de Recife", revela Nassar. Além disso, as edificações consumiram concreto com resistência característica (fck) variando ao longo de sua altura, partindo de fck ≥ 50MPa até fck ≥ 35MPa. O volume empregado foi de 14.250 m³.
Com 126,47 metros de altura, o projeto das torres não precisou ser submetido a testes em túnel de vento por que Recife tem uma das menores velocidades de vento no mundo. "Isso permite fazer edifícios com esbeltez alta, chegando até a valores de 14. Só para se ter uma noção, no mundo existe uma tabela para classificar a esbeltez dos edifícios e poucos passam do nível seis, o que já indica alta esbeltez", comenta João José Asfura Nassar. Por esse motivo foi possível inovar na fundação dos edifícios, que utilizaram estacas metálicas com seção decrescente. "Inicialmente, foram executadas estacas-piloto e realizados vários ensaios de carregamento dinâmico e provas de carga estática, que atestam a viabilidade técnica da solução. O projeto foi então desenvolvido, trazendo resultados plenamente satisfatórios", finaliza o projetista.
Entrevistados
- Augusto Guimarães Pedreira de Freitas, vice-presidente de relacionamento da ABECE.
- João José Asfura Nassar, autor do projeto estrutural e sócio da Nassar Engenharia Estrutural S/C Ltda.
Currículos
- Augusto Guimarães Pedreira de Freitas é graduado em engenharia civil pela EPUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) em 1988
- Possui especialização em vários cursos de extensão na área de projeto estrutural de concreto armado e protendido, alvenaria estrutural e garantia de qualidade
- É sócio e diretor-administrativo do escritório Pedreira de Freitas S/C Ltda
- Ocupa a vice-presidência de relacionamento da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural)
- João José Asfura Nassar é graduado em engenharia civil pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1979
- É um dos pioneiros nos estudos de reações álcali-agregado nas edificações de Recife
- Em 1985 fundou a Nassar Engenharia Estrutural S/C Ltda
- Já elaborou cerca de 2.400 projetos no Brasil e outros países, como Angola e Honduras
Contatos: engenharia@nassarengenharia.com.br / www.premiotalento.com.br / www.abece.com.br
Créditos fotos: Abece / Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Geração Y chega à liderança com expectativas elevadas
Moldados no Brasil em crescimento, novos ocupantes de cargos de poder almejam, além de bons salários, atuar em empresas preocupadas com a sustentabilidade
Por: Altair Santos
Em empresas vinculadas aos setores de tecnologia, mineração e industrial, representantes da geração Y - conceito criado para definir os nascidos entre 1979 e 1995 - têm galgado cargos de liderança com mais rapidez que seus antecessores. A explicação é que eles chegam às Companhias trazendo um conjunto de habilidades que facilita evoluírem na carreira de forma mais acelerada. Ao mesmo tempo, são colaboradores que entram nas corporações com expectativas elevadas e só se mantêm se elas forem atendidas. "A explicação é em função do cenário em que esta geração foi moldada, ou seja, no Brasil em crescimento, com mercado de trabalho aquecido e com escassez de talentos. Então esse ambiente faz com que a geração Y, por princípio, seja mais ambiciosa e mais exigente", explica Sócrates Melo, da consultoria e recrutamento Robert Half.

Recentemente, a Robert Half, que além do Brasil opera nos Estados Unidos, Canadá, Europa, Ásia, América Latina e Oceania, realizou pesquisa com 2.179 CFOs (chefes do setor financeiro) para coletar dados sobre a geração Y. A conclusão foi que 48% dos executivos entrevistados apontaram que os nascidos no período de 1979 a 1995 são os mais difíceis de atrair e de reter. A principal dificuldade de retenção é por conta das expectativas em relação ao plano de carreira (60%), seguida da remuneração (54%) e da qualidade de vida (36%). "A geração Y tem afinidade com empresas que valorizem a sustentabilidade, cultivando qualidade de vida, bem-estar e preocupação ambiental", afirma Sócrates Melo. No setor da construção civil, Companhias com esse perfil têm conseguido não só atrair jovens como promovê-los a cargos de liderança.
Segundo o consultor da Robert Half, na função de liderança a geração Y começa a administrar profissionais que têm os mesmos anseios: crescimento acelerado, necessidade de feedbacks e questionadores. "Por isso, o desafio destes jovens gestores é conseguir orientar essa energia para a execução de projetos, com foco nos resultados. Quando isso ocorre, os profissionais desta geração se diferenciam", afirma. Sócrates Melo entende também que esse processo de promover líderes da geração Y é um caminho sem volta. Até por que, ela se mostra mais preparada que os concorrentes da geração X. "Eles trazem consigo muita vontade e desejo de mudança", explica. Estima-se que no Brasil 20% das grandes corporações, principalmente as que operam no sistema financeiro e em áreas tecnológicas, já tenham jovens até 35 anos em cargos de liderança.
Diferença
Na pesquisa da Robert Half fica definida a diferença entre a geração Y e suas antecessoras: a “baby boomers”, que engloba profissionais nascidos entre 1946 e 1962, e a "X", formada por pessoas que nasceram entre 1963 e 1978. A “baby boomers” ficou marcada por pessoas totalmente fiéis à empresa, permanecendo muitas vezes toda a carreira com um só emprego. Já a X buscou a diversificação, mas com uma dedicação extrema ao trabalho para atingir o sucesso profissional. Ainda de acordo com o estudo, a geração Y busca uma nova maneira de encarar a vida profissional e prefere mostrar o trabalho em resultado produzido e não em horas trabalhadas. Isso significa o fim dos workaholics. "O modelo em que competência é entrar às 7h e sair à meia-noite está sendo desafiado. A geração Y quer subir rapidamente, mas com qualidade de vida", finaliza a análise.
Entrevistado
Sócrates Melo, diretor de operações dos escritórios da Robert Half em Belo Horizonte e Rio de Janeiro
Currículo
- Sócrates Melo é graduado em Business Administration pela Northwood University, com especialização em Contabilidade e Finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)
- Iniciou sua carreira na área de importação e exportação, na Knor-Bremse, foi analista financeiro na CCP – Food (USA) e retornou ao Brasil para atuar como Supervisor Administrativo Financeiro na MJMelo. Na área de recrutamento, iniciou como gerente administrativo financeiro na Locer Consultoria, de onde foi para a Robert Half
Contato: socrates.melo@roberthalf.com.br
Créditos foto: Divulgação







