Interior descobre pavimento urbano de concreto

Cidades de médio porte, com população entre 250 mil a 700 mil habitantes, são incentivadas pela ABCP a investir na tecnologia para economizar recursos

Por: Altair Santos

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) define como cidade de médio porte aquela com população entre 250 mil a 700 mil habitantes. No país, 75 municípios se enquadram neste perfil. É para esse grupo que a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) se dedicará em 2013, a fim de levar o conceito de pavimento urbano de concreto ao interior. "Toda cidade que tiver planejamento urbano é de interesse da ABCP ajudar a desenvolver projetos, principalmente os ligados ao transporte público. As de médio porte estão despertando para isso, seja investindo em corredores exclusivos de ônibus, contornos ou ciclovias", explica Ronaldo Vizzoni, gerente nacional de infraestrutura da ABCP.

Ronaldo Vizzoni: optar pelo pavimento de concreto exige vontade política.

Entre os municípios de médio porte que adeririam ao pavimento urbano de concreto, a maioria está localizada nos estados de São Paulo e Paraná. Entre eles, São José dos Campos-SP, Ribeirão Preto/SP, Sorocaba/SP, Cascavel/PR, Londrina/PR, Maringá/PR e Ponta Grossa/PR. Há também as cidades de Uberlândia/MG, Feira de Santana/BA, Olinda/PE, Joinville/SC e Criciúma/SC. Segundo Vizzoni, as prefeituras dessas cidades já entenderam que investir em pavimento rígido é economia para o município. "O pavimento rígido gera tarifa social nas passagens dos ônibus, devido à sua longa duração, inexistência de trilhas de rodas, buracos e grandes deformações plásticas. Isso baixa significativamente o custo operacional dos veículos", afirma.

Quando não é possível pavimentar longos trechos em concreto no ambiente urbano, o recomendável é que ele seja utilizado pelo menos em paradas de ônibus, onde as operações de frenagem e arrancada danificam rapidamente o asfalto. Sugere-se também que em ruas onde há operações de carga e descarga o pavimento em concreto tenha prioridade. Da mesma forma, é de bom senso aplicá-lo em cruzamentos, curvas e alças de acesso. Nestes trechos, o pavimento de concreto garante a mobilidade e fluidez do tráfego, reduzindo gastos com manutenção. Além disso, proporciona maior aderência da superfície, luminosidade, solidez e demarcação clara das pistas.

BRT de Sorocaba, no interior de São Paulo: uma das cidades de médio porte que aderiu ao pavimento de concreto.

Para Ronaldo Vizzoni, o maior desafio para levar o concreto às ruas e avenidas das cidades de médio porte está em demonstrar economicamente às prefeituras a viabilidade técnica e econômica do pavimento rígido, além dos aspectos relacionados à sustentabilidade. "Também é preciso vontade política e visão de longo prazo do prefeito", alerta, assegurando que, independentemente de onde se localize a cidade, a ABCP tem amplas condições de prestar assessoria técnica e de fornecer equipamentos para as obras. "Damos apoio desde o projeto até a execução das obras, com o mesmo atendimento que prestamos às grandes cidades", garante o gerente nacional de infraestrutura da associação.

Impulso

Em 2012, o governo federal deu um grande incentivo para que as cidades de médio porte possam reestruturar a malha urbana. Foi lançado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Médias Cidades. Uma linha de financiamento no valor de R$ 7 bilhões passou a ficar disponível para os 75 municípios com população entre 250 mil a 700 mil habitantes. Essas cidades, de acordo com o IBGE, estão distribuídas em 18 estados. Para elas, o PAC da Mobilidade dará prioridade a projetos de corredores de ônibus. Até o final do ano passado, 71 haviam cadastrado projetos para receber os recursos. Nos documentos entregues ao Ministério das Cidades, e ainda em fase de análise, boa parte propunha trechos em pavimento rígido.

Entrevistado
Ronaldo Vizzoni, gerente nacional de infraestrutura da ABCP
Currículo
- Ronaldo Vizzoni é graduado em engenharia civil e administração de empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
- Também é pós-graduado em marketing industrial na Fundação Getúlio Vargas (FGV)
- Atualmente é responsável pela consultoria de grandes obras e ministra cursos na ABCP para capacitação de mão de obra relacionada a pavimento de concreto em rodovias e corredores de ônibus
Contato: ronaldo.vizzoni@abcp.org.br

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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Crédito imobiliário bate recorde em 2012: isso é bom ou ruim?

No ano passado, Caixa Econômica Federal liberou R$ 101 bilhões para financiar a compra da casa própria. Este ano, volume pode chegar a R$ 120 bilhões

Por: Altair Santos

O crédito para a compra da casa própria bateu recorde em 2012. A Caixa Econômica Federal concedeu um volume de R$ 101 bilhões para empréstimos imobiliários. Houve um crescimento de 33,8% em relação ao ano anterior (2011) quando a disponibilidade de recursos atingiu R$ 75,4 bilhões. Diante do aquecimento do mercado, a projeção para 2013 é ainda mais otimista. O banco estima que as contratações cheguem a R$ 120 bilhões.

Octavio de Lazari Júnior, presidente da Abecip: crédito imobiliário ganha peso no Brasil e situação veio para ficar.

Do total de crédito concedido pela Caixa para financiamentos imobiliários, boa parte veio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) que destina 65% dos depósitos da caderneta de poupança para a compra da casa própria. Foram R$ 44,95 bilhões. O banco complementou R$ 38,7 bilhões com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e R$ 17,36 com verbas do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e de demais fontes.

Como em 2012 a caderneta de poupança registrou a maior captação líquida desde 1995 - ano em que o Banco Central passou a fazer o acompanhamento -, e os depósitos superaram os saques em R$ 49,719 bilhões, a expectativa segue altamente positiva para o setor de empréstimos imobiliários.

É o que demonstra o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) Octavio de Lazari Júnior. "O crédito imobiliário ganha peso no Brasil, e esta é uma situação que veio para ficar. Ele está pronto para uma expansão mais forte do ritmo de operações, baseada em instituições financeiras sólidas e empresas imobiliárias capitalizadas, além de oferta satisfatória de crédito, custos de transação baixos e condições adequadas de competitividade, incluindo instrumental jurídico sólido", avalia.

O executivo complementa sua análise explicando o porquê de os empréstimos imobiliários terem batido recorde no ano passado. "Destacaram-se, em 2012, os financiamentos destinados às pessoas físicas, que em muitos casos haviam adquirido o imóvel na planta e agora estão contratando o crédito", disse.

Octavio de Lazari Júnior também vê como positivo o fato de ter caído a participação das pessoas jurídicas no crédito imobiliário. "Longe de ser má notícia, isso indica normalização após os problemas conhecidos de custos e mão de obra, entre outros. Deve ser vista, portanto, como sinal do grau de maturidade de incorporadores e construtores, que após uma fase de transição preparam-se para um novo salto e para a retomada dos lançamentos em 2013", complementa.

O presidente da Abecip, seguindo as projeções da Caixa Econômica Federal, aposta que os financiamentos imobiliários crescerão de 15% a 20% em 2013. "A estabilização em curso dos preços dos imóveis será muito favorável para a qualidade do crédito, além da baixíssima inadimplência verificada no SBPE", diz.

Dados mais recentes do Banco Central demonstram que a falta de pagamento dos financiamentos, de fato, é baixa. O BC considera em atraso contratos com três meses seguidos sem pagamento. Por esse critério, a inadimplência no volume total de créditos via operações com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) é de 5,36% - a menor desde 2002.

Outro lado

Para o professor da Fundação Getúlio Vargas, Samy Dana, que tem a coluna Caro Dinheiro, no jornal Folha de S. Paulo, esse positivismo no crédito imobiliário só se sustenta se o governo federal mantiver sob controle a inflação. Foi o que escreveu no artigo Existe bolha imobiliária no Brasil?, de 10 de janeiro de 2013. "Quando a inflação dos preços alcança níveis inadmissíveis para a população, a política monetária se inverte, destruindo a maioria dos investimentos de longo prazo. (...) Principalmente o setor imobiliário. Com os juros baixos em excesso, a construção de casas e apartamentos, que antes não era possível, se torna lucrativa e então os empréstimos são realizados e as obras começam. O crédito abundante cria uma demanda crescente por moradias, os preços aumentam e logo um mercado especulativo é criado. Investidores percebem que comprar na planta e revender depois é um método fácil de ganhar dinheiro. Tudo isso é sustentado pelo crédito abundante e barato. Quando os juros sobem, os lucros dos empreendimentos desaparecem, as construtoras sofrem, os preços caem e os especuladores também perdem dinheiro e, numa espiral de prejuízos, a economia inteira é afetada", conclui.

Leia a íntegra do artigo Existe bolha imobiliária no Brasil? Clique aqui

Entrevistado
Octavio de Lazari Júnior, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip)
Currículo
- Octavio de Lazari Júnior é graduado em ciências econômicas pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Osasco (FAC-FITO), com especialização em estratégias financeiras e marketing MBA-BRADESCO pela Fundação Instituto de Administração - FIA (FEA/USP)
- Iniciou a carreira no Banco Bradesco S.A. em setembro de 1978. Em dezembro de 1998, foi promovido ao cargo de superintendente executivo, sendo, em maio de 2009, eleito diretor. Em agosto de 2010, tornou-se diretor departamental e, em janeiro de 2012, diretor executivo adjunto, cargo que ocupa atualmente
- É também presidente do conselho diretor da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip)
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Formação de líderes vai além do banco escolar

Segundo o consultor Alfredo Castro, cursos, livros, MBA e outros programas de educação respondem por 10% no desenvolvimento de uma liderança

Por: Altair Santos

No milênio passado, Jack Welch, que comandou a General Eletric por décadas e foi eleito o CEO (Chief Executive Officer) do século nos Estados Unidos, criou a regra 20-70-10. Para ele, uma companhia deveria se basear nos seguintes pilares: premiar os melhores colaboradores, que, segundo seus conceitos, representam 20% do corpo de uma empresa, manter 70% dos funcionários, que compõem a média, e afastar 10%, que formam a taxa dos que pouco produzem.

Alfredo Castro: o bom líder deve ser obcecado por formar seu sucessor.

Com base no que definiu Welch, novas regras foram criadas. No livro The Talent Masters, o indiano Ram Charan, considerado um dos gurus do universo empresarial, elaborou o modelo 70-20-10, onde, de acordo com sua análise, o aperfeiçoamento do profissional se dá com base nos seguintes percentuais: 70% pelo compartilhamento de experiências no próprio trabalho, 20% em salas de aula e 10% pelo esforço do próprio colaborador em acelerar seu aprendizado dentro da corporação.

Partindo das ideias de Jack Welch e Ram Charan, o consultor brasileiro Alfredo Costa projetou a regra 10-20-70 para explicar como se formam bons líderes. Segundo seus conceitos, as lideranças nascem além dos bancos escolares. "Na escola, nos livros e nos cursos de MBA estão 10% da formação de um líder. Outros 20% vêm da orientação que ele recebe dos seus líderes e 70% da sua capacidade de vencer os desafios novos e aprender com eles. A experiência é mais importante que o banco de escola", avalia.

A partir da regra 10-20-70, Alfredo Castro teorizou as dez competências da liderança, que são:

1) Possuir equilíbrio entre conhecimento técnico e comportamental;

2) Conhecer seu próprio perfil e comportamento, ficando atento ao impacto que provoca na equipe;

3) Ter capacidade de pensar globalmente e de compreender as mudanças econômicas e sociais;

4) Compreender o conceito de diversidade de maneira ampla, incluindo novos fatores que possam impactar no futuro;

5) Demonstrar boa percepção a respeito de seu próprio comportamento e o dos outros;

6) Ser ético e íntegro em relação a seus valores;

7) Ter habilidade no uso de ferramentas tecnológicas e estar integrado com as mídias sociais;

8) Ser capaz de construir parcerias e influenciar pessoas, mesmo sem ter autoridade sobre elas;

9) Possuir competência para entender as necessidades dos colaboradores e dividir a liderança;

10) Ter habilidade para mudar o estilo de liderança, sabendo variar entre autoridade e orientação.

Segundo o consultor, essas competências não se limitam aos líderes de empresas de ponta, mas servem para qualquer corporação que busque desafios e mostre disposição em competir no mercado. "Hoje em dia, o líder pode comandar duas pessoas ou duas mil. Então, essas competências são recomendadas para empresas de todos os tamanhos, desde que elas queiram superar desafios", completa.

Alfredo Costa ressalta ainda que o líder que segue as dez competências relevantes para a função deve também saber quando começar a preparar o sucessor. "O líder teve ter duas obsessões: o modelo que ele irá adotar e quem irá substituí-lo. Ele só vai descobrir esse talento se desenvolver a equipe e delegar poderes. Isso deve ser como água para a liderança. É vital", explica o consultor, completando que há casos em que a preocupação do líder com essas prioridades é tão intensa que ele chega a contratar um consultor externo para ajudá-lo. "É um recurso que só funciona quando o consultor domina a técnica da liderança. Caso contrário, é dentro da própria empresa que o líder vai encontrar as respostas", conclui.

Entrevistado
Alfredo Castro, consultor empresarial
Currículo
- Alfredo Castro é graduado em engenharia civil, com pós-graduação em Finanças e especialização em Qualidade, Psicologia e Eficiência Organizacional
- É sócio-diretor da MOT (Mudanças Organizacionais e Treinamento Ltda), voltado à consultoria empresarial
- Atua como professor de cursos de MBA da FIA/USP e palestrante. Desenvolve e aplica treinamento técnico e comportamental para alta gerência e diretoria de empresas. É master trainer certificado pela Development Dimensions International (DDI) de Pittsburgh- EUA
Contato: alfredocastro@motvirtual.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Recordista, material de construção vende R$ 55 bilhões

Anamaco comemora valor arrecadado, mas estima que em 2013 números serão mais positivos, por conta dos incentivos governamentais

Por: Altair Santos

O comércio de materiais de construção atingiu em 2012 um recorde: vendeu R$ 55 bilhões - valor que nunca havia sido alcançado em um único ano. Em relação ao volume de produtos negociados, houve crescimento de 3,5% no comparativo a 2011. O percentual ficou abaixo do projetado pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) no começo de 2012, que era de 8%.

Expectativa do setor é que em 2013 vendas retomem ritmo de crescimento interrompido em 2012.

Para o presidente da entidade, Cláudio Conz, a demora do governo em liberar a linha de financiamento de material de construção com recursos do FGTS atrapalhou o setor. "A linha esbarrou em uma série de questões burocráticas, mas confiamos que em 2013 ela entre em vigor e impulsione as vendas. Muitos consumidores estão aguardando a medida para iniciar suas obras", diz o executivo, projetando crescimento de 6,5% este ano.

O financiamento poderá ser usado para construção, reforma ou ampliação de unidade habitacional, além de instalação de hidrômetro e sistema de aquecimento solar para residências. A concessão do crédito não dependerá de renda familiar e será destinada apenas a titulares de conta vinculada ao FGTS. Os empréstimos poderão ser de até R$ 20 mil e terão juros nominais de 8,5% ao ano. A amortização deverá ser feita em, no máximo, dez anos.

Terão prioridade famílias com renda até R$ 5,4 mil, para compra de materiais para imóveis de até R$ 90 mil, incluindo idosos, pessoas com deficiência e mulheres chefes de família. "Além destas medidas de incentivo, estamos também otimistas por causa da manutenção da redução do IPI para os produtos do setor, das obras do Minha Casa, Minha Vida e dos eventos esportivos no país", afirma o presidente da Anamaco.

Para a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) a medida que permite usar recursos do FGTS nas reformas também é aguardada. Até porque, para o setor, o crescimento foi de apenas 2% em 2012. Mas, segundo o presidente do organismo, Walter Cover, as projeções para 2013 são mais otimistas. A expectativa é de crescimento de 5% este ano. "A prorrogação das atuais alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) a perspectiva de melhorias nas linhas de crédito no varejo e a aceleração das obras previstas pelos programas governamentais sustentam essas previsões", cita Cover.

Outro recorde

A venda de cimento também atingiu um recorde em 2012. O volume em toneladas alcançou 68,3 milhões no ano passado, superando a marca do período anterior, que foi de 63,5 milhões. Os dados foram divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e equivalem a um crescimento de 6,9% - inferior aos 7,3% de 2011. A projeção era de que o setor poderia crescer 8,1%, mas houve uma desaceleração ao longo dos trimestres do ano passado. No 1º (janeiro, fevereiro e março) o setor cresceu 13,7%; no 2º (abril, maio e junho) 5,9%; no 3º (julho, agosto e setembro) 4,7% e no 4º (outubro, novembro e dezembro) 4,4%.

Entrevistados
Anamaco, Abramat e SNIC (via assessoria de imprensa)
Contatos: www.anamaco.com.br / www.abramat.org.br / www.snic.org.br

Créditos foto: Rafael Silva/Cohab

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Uso da internet mede interesse no trabalho

Para especialista, se alguma empresa tem registro de cyberslacking é por que o colaborador que a comete pode estar dando sinais de desmotivação

Por: Altair Santos

Conhecido pelo termo inglês de cyberslacking, o tempo que o colaborador desperdiça na internet tem sido um dos principais problemas relacionados com a baixa produtividade nas empresas. Pesquisa da Triad PS revela que 62,3% dos que têm acesso à rede, dentro das corporações, se perdem em outros assuntos durante a navegação e procrastinam tarefas importantes.

Samuel Pagano: empresas com metas bem definidas não precisam colocar filtros em suas redes.

Para o consultor Samuel Pagano, a culpa não está na internet, mas no nível de interesse que o trabalho desperta no colaborador. Segundo ele, o cyberslacking está relacionado à desmotivação do funcionário. Neste caso, é papel da empresa detectar onde está a falha e estabelecer metas bem definidas de produtividade, que voltem a conectar o indivíduo com sua função. Veja como fazer isso na entrevista a seguir:

Recentemente, a Triad PS revelou pesquisa em que mais de 62% dos entrevistados admitiram se perder na internet, comprometendo a produtividade no trabalho. Como se resolve isso?
Isso se resolve com bom planejamento e metas bem descritas. Cabe à empresa deixar bem claro aos colaboradores que a internet é uma ferramenta para auxiliar na produtividade e para atingir os objetivos da corporação. Caso contrário, a pessoa acaba se dispersando e não atingindo o que foi proposto pela Companhia.

A empresa colocar filtros que impeçam o acesso a determinados sites e redes sociais é uma solução que traz resultado?
Não, principalmente barrando redes sociais. Hoje há muitos clientes sendo atraídos através das redes sociais. Diria que não só clientes, mas colaboradores também. Além disso, atualmente se faz muita pesquisa de mercado usando as redes sociais. Elas foram incorporadas às ferramentas de trabalho, tornaram-se aliadas e filtrá-las é contraproducente.

As empresas que conseguiram aumentar a produtividade, apesar da internet, obtiveram sucesso com quais ações?
Um passo importante se dá na contratação do colaborador. É importante deixar claro qual será o papel do indivíduo na corporação e qual é o intuito da empresa. Assim, quando a pessoa é contratada, ela sabe onde a Companhia quer chegar, quais as metas e como funciona o planejamento.

Como daria para definir o que é cyberslacking?
Cyberslacking está ligada com a desmotivação do colaborador e a perda de foco dentro da empresa. Daí, ele utiliza a internet como uma fuga e isso se torna um vício, que é denominado de cyberslacking. Quais são os sintomas. O mais acentuado é quando o empregado chega na Companhia e, antes de ver os emails, ele mergulha nas redes sociais e deixa de lado o planejamento e as metas da corporação.

Cyberslacking: vício faz com que produtividade seja deixada em segundo plano na corporação.

Quando ocorre cyberslacking em algum setor da empresa, qual o peso da responsabilidade do gestor da área?
É 100%. O gestor tem que nortear a equipe. Ele tem que estar atento e saber qual a necessidade de cada um de seus comandados. E isso se dá com interação, para que ele possa medir o grau de envolvimento do funcionário.

E quando é o gestor quem pratica cyberslacking?
Aí é complicado, pois ele vai perder o controle da equipe, deixá-la desmotivada e isso vai refletir na produtividade. Daí, quem estiver acima dele na hierarquia precisa intervir e, provavelmente, esse gestor vai precisar ser monitorado para ver o grau do vício e quais razões o levaram àquele comportamento.

A pesquisa da Triad PS também mostrou índices altos para "falta de energia para iniciar uma tarefa" (60,4%) e "preguiça" (44,1%). Isso mostra colaboradores pouco comprometidos. Quando é assim, de que forma dá para reverter o quadro?
Uma empresa precisa ter um plano de carreiras para sinalizar ao colaborador que, se ele for produtivo, vai atingir as metas da corporação e, consequentemente, seus objetivos. Caso contrário, o que vai acontecer: quando chegar domingo à noite, na hora do Fantástico, o funcionário vai pensar: meu Deus, amanhã é segunda-feira, tenho que ir trabalhar! Isso é um sinal claro de desmotivação. Então, cabe à empresa fazê-lo encontrar respostas para as seguintes perguntas: por que ele está vindo trabalhar? Por que a empresa precisa dele? O que ele quer fazer com o dinheiro que ganha? Quais as metas pessoais? Onde ele pode chegar dentro da empresa? Tudo isso está contemplado na palavra planejamento. A empresa e seus colaboradores precisam andar de mãos dadas.

Segundo estudo realizado nos Estados Unidos, um colaborador, lá, perde até duas horas de sua carga horária na internet. Será que no Brasil os trabalhadores perdem mais tempo na internet?
Isso está menos vinculado à nacionalidade e mais à produtividade. Vai de cada empresa e de cada indivíduo. Um brasileiro motivado vai produzir mais que um americano desmotivado, e vice-versa. O importante é que, após cumprir sua carga horária, o trabalhador tenha a convicção de que produziu.

Entrevistado
Samuel Pagano, consultor da Triad Consulting e sócio-proprietário da Fábrica de Empreendedores Treinamentos
Currículo
- Samuel Pagano tem formação em marketing e pós-graduação em pedagogia empresarial
- É consultor da Triad Consulting e sócio-proprietário da Fábrica de Empreendedores Treinamentos
Contato: comercial@triadedotempo.com.br
Crédito: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Trem-bala mostra China veloz e Brasil lento

Construção recentemente inaugurada em Pequim revela que burocracia e equívocos operacionais são os maiores obstáculos nacionais em direção às megaobras

Por: Altair Santos

Em 2007, quando o Brasil começou a debater o projeto do trem-bala, a China também pôs em andamento o plano de construir a maior linha de TAV (Trem de Alta Velocidade) do mundo. No final de 2012, os chineses inauguraram o trecho de 2.298 quilômetros, entre Pequim e Cantão, que será percorrido em oito horas a uma velocidade média de 315 km/h. Enquanto isso, o governo brasileiro ainda está na fase do edital de licitação e espera que o leilão ocorra em setembro de 2013. Se, finalmente, tudo correr dentro do prazo, é possível que o trem-bala brasileiro seja inaugurado entre 2019 e 2020, com uma extensão de 511 quilômetros, unindo Campinas/SP ao Rio de Janeiro/RJ, com passagem por São Paulo/SP.

TAV chinês: tecnologia exportada para mais de 10 países.

Diante desta disparidade, a pergunta que se faz é: por que a China consegue construir com tanta velocidade, enquanto o Brasil esbarra nas dificuldades burocráticas e operacionais? Para a ANEINFRA (Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura) que recentemente coordenou um grupo de trabalho sobre o tema, os dois países legislam de forma muito diferente sobre as obras de infraestrutura. O regime de contratação chinês é muito mais simplificado e a legislação ambiental quase inexiste. No caso brasileiro, além das exigências legais, a falta de mão de obra nos organismos que deveriam agilizar os processos licitatórios de infraestrutura é outro empecilho.

Três dos principais ministérios ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento - Transportes, Cidades e Integração Nacional - perderam, desde 2009, 818 analistas de infraestrutura, que são os servidores responsáveis pela elaboração de projetos licitatórios e cronogramas de investimento. Enquanto isso, entre 2008 e 2012, a China Railway Construction Co. - estatal responsável pela malha ferroviária no país - contratou 14 mil engenheiros civis e elétricos. Até 2020, quando o TAV deverá se estender por uma rota de 16 mil quilômetros em território chinês, outros seis mil engenheiros deverão ser contratados. Ou seja, a demanda de mão de obra é outro abismo que separa Brasil e China.

Só no trecho Pequim-Cantão trabalharam 110 mil operários. Por isso, em documento sobre o trem-bala, o Comitê Brasileiro de Túneis (CBT) alerta que o projeto nacional deverá definir todo o arcabouço que envolverá a megaobra antes de levá-la a leilão. "Caberá estabelecer procedimentos e normas, definir especificações e padrões de controle de construção, operação e manutenção. Todas essas atribuições e responsabilidades são de natureza estritamente técnica", diz o CBT, que conclui: "Projetos detalhados e licitações justas vão certamente implicar na redução de custos da construção e da operação."

Trem-bala consumiu 117 milhões de toneladas de concreto na China.

No TAV Chinês, que já tem 14.813 mil quilômetros construídos, foram investidos o equivalente a R$ 300 bilhões. No Brasil, estima-se que a obra custará R$ 35,6 bilhões. No entendimento de especialistas, trata-se de um custo muito alto para um traçado de 511 quilômetros. Por isso, o CBT defende que se "promova, já na fase da pré-licitação, a realização de estudos mais aprofundados e detalhados do projeto básico, tal como recomenda a prática da boa engenharia em projetos de vulto e tal como aconteceu em casos semelhantes em países que adotam tais sistemas”. É o que diz o trecho do documento do comitê, intitulado "TAV – Presente (quase) perfeito para o futuro".

Além do projeto, da execução e da tecnologia, o trem-bala brasileiro precisará também de uma boa estratégia para o fornecimento do material de construção para a megaobra. Na China, por exemplo, foram consumidos nos trechos já construídos do TAV 48,8 milhões de m3 de concreto e 5,040 milhões de toneladas de aço. O país também desenvolveu know-how para construir o trem-bala. A ponto de hoje exportá-lo para Turquia, Venezuela, Arábia Saudita, Rússia, México, Polônia, Índia, Austrália, Cingapura, Vietnã e Estados Unidos. O Brasil também pode importar essa tecnologia, mas só quando superar todos os obstáculos para ter seu primeiro TAV.

Entrevistados
Comitê Brasileiro de Túneis (CBT) e ANEINFRA (Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura) (via assessoria de imprensa)
Contatos: www.tuneis.com.br / www.aneinfra.org.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Mercado exige qualidade dos postes de concreto

Brasil tem 21 fábricas certificadas - a maioria nos estados de Paraná e Santa Catarina -, que passaram a aperfeiçoar seus produtos a partir da ABNT NBR 8451:2011

Por: Altair Santos

Programas governamentais, como Luz para Todos, Aceleração do Crescimento e Minha Casa, Minha Vida têm impulsionado o mercado de postes de concreto e, consequentemente, o aprimoramento de sua fabricação. Há dez anos, o Brasil possuía apenas seis empresas certificadas - hoje são 21. A maioria absoluta concentra-se nos estados do Paraná e de Santa Catarina. É em território paranaense onde está também o único certificador do país para esse tipo de artefato de cimento: o OCP LACTEC (Organismo Certificador de Produtos, do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento).

Eustáquio Ferreira, tecnologista e auditor do programa Qualicerti/Lactec/OCP Lactec: organismo certifica os postes no Brasil

Segundo Eustáquio Ferreira, tecnologista e auditor do programa Qualicerti/Lactec/OCP Lactec, o controle de qualidade dos postes segue as seguintes normas: ABNT NBR 12654 (Controle tecnológico de materiais componentes do concreto), ABNT NBR 12655 (Concreto de cimento Portland - Preparo, controle e recebimento) e ABNT NBR 8451:2011 (Postes de concreto armado e protendido para redes de distribuição e transmissão de energia elétrica). Esta, mais recente, e que passou a vigorar a partir de 7 de janeiro de 2012, é considerada um marco para o setor. "Ela trouxe um avanço técnico considerável para a fabricação de postes", diz o especialista.

A grande virtude da nova norma é que ela permite um controle sistemático de toda a matéria-prima utilizada no processo de fabricação de postes, ou seja, agregados, água, aditivos, aço e cimento, além de ensaios de verificação da conformidade do concreto fresco e endurecido. Neste caso, todos os resultados de ensaios preconizados pela ABNT NBR 8451:2011 devem ser atendidos. Tais como: inspeção geral (dimensional, acabamento e identificação), absorção de água, elasticidade (flecha nominal e residual), ruptura, carga vertical, cobrimento de armadura e retilineidade.

Outro aspecto importante trazido pela ABNT NBR 8451:2011 é que ela reativou a fabricação de postes com concreto protendido, o que é uma tendência mundial e no Brasil estava parado há mais de 40 anos por não existir um controle eficaz do processo de produção. "Essa era uma falha enorme no setor", resume o tecnologista e auditor do programa Qualicerti/Lactec/OCP Lactec, lembrando que, a partir da nova norma, os concretos para postes devem atender três classes de agressividade ambiental:

Postes para linha de transmissão: norma recomenda concreto armado ou concreto protendido.

- Classe ambiental II - CA (Concreto armado) 25,0 MPa e CP (concreto protendido) 30,0 MPa.
- Classe ambiental III CA (Concreto armado) 30,0 MPa e CP (concreto protendido) 35,0 MPa.
- Classe ambiental IV CA (Concreto armado) 40,0 MPa e CP (concreto protendido) 40,0 MPa.

Tratam-se de medidas novas para combater as patologias mais comuns aos postes de concreto, que são ataques químicos (cloretos, sulfatos), abrasão e RAA (Reação álcali agregado). "A RAA pode ser mitigada por meio do uso de aditivos minerais, como a pozolana e microsílicas ou sílica. Mesmo assim, a RAA em postes de concreto ainda é um assunto que merece maior investigação através de pesquisas científicas. Já os ataques no concreto por íons cloretos e sulfatos podem ser evitados com a espessura de cobrimento adequado, conforme especificado pela norma ABNT NBR 8451:2011. O objetivo é proteger as armaduras da deterioração e, consequentemente, o rompimento do concreto por fissuração", define Eustáquio Ferreira.

Confira os parceiros da Cia. de Cimento Itambé que fabricam postes: clique aqui

Entrevistado
Eustáquio da Conceição Ferreira, tecnologista e auditor do programa Qualicerti/Lactec/OCP Lactec
Currículo
- Eustáquio Ferreira cursa engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- É técnico em Química (Escola Técnica Vital Brasil, de Belo Horizonte) e bacharel em Ciências Contábeis (UNICENTRO de Guarapuava-PR) (1989 – 1992)
- Possui experiência de 35 anos em construção de hidrelétricas e PCHs, qualidade de materiais, normatização e certificação de artefatos de concreto.
- Atua como coordenador do comitê de postes, cruzetas de concreto e mourões de concreto.
- É palestrante e coordena o Workshop Qualicerti de artefatos de concreto, realizados na sede do LACTEC, em Curitiba
- Ganhou o Prêmio Liberato Bernardo 2009, do Ibracon, como tecnologista em laboratório de concreto
Contato: eustaquio@lactec.org.br

Créditos foto: Divulgação / CEEE

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Recuperar obra inacabada é superar imprevistos

Equipe destacada para finalizar construção nunca sabe o que poderá encontrar nas estruturas do edifício e, normalmente, é preciso refazer o projeto

Por:Altair Santos
Palácio das Araucárias, em Curitiba: acabamento exigiu materiais leves para não sobrecarregar estrutura.

No final de 2005, um edifício abandonado havia 20 anos teve sua obra reiniciada no Centro Cívico de Curitiba - região que abriga prédios públicos do governo paranaense, além da sede da prefeitura da capital. Inicialmente projetada para abrigar as várias varas cíveis da cidade, a construção passou por uma reforma conceitual e hoje é a sede de algumas secretarias governamentais. Inaugurado em 2007, com o nome de Palácio das Araucárias, o empreendimento é emblemático para a engenharia civil, quando se precisa exemplificar como é preciso estar preparado para imprevistos ao reativar uma obra inacabada.

Para dar vida ao "esqueleto", a Thá Engenharia lançou mão de uma série de tecnologias que, ao mesmo tempo que recuperaram a estrutura de concreto, não a sobrecarregaram. Além disso, foi preciso considerar que o prédio fora abandonado por causa de problemas no projeto. Não havia, por exemplo, estudo do solo onde a construção se localiza. Isso causou desnivelamento das lajes e comprometimento dos pilares de sustentação, que chegaram a ficar com as ferragens aparentes. A solução foi construir uma estrutura auxiliar para o prédio e recuperar a antiga, substituindo barras de ferro e injetando concreto em algumas áreas.

Esqueleto do Palácio das Araucárias: abandonado por 20 anos, prédio tinha ferragens aparentes nos pilares de sustentação.

Revitalizados, os pilares receberam revestimento com ACM (Aluminum Composite Material) para protegê-los de infiltrações e outras patologias. A fachada, que estava fora do nível, foi revestida com granito preso a inserts metálicos. Com isso, chegou-se ao prumo sem expor o edifício à sobrecarga. Outra medida para poupar a edificação de peso excessivo foi retirar o piso de concreto, onde ele estava desnivelado, e substituí-lo por estruturas metálicas, além de construir as paredes internas no sistema drywall e valorizar o vidro na fachada. As limitações que a obra inacabada impunha levaram a Thá Engenharia a adotar conceitos hoje muito comuns aos prédios verdes.

Retomar a construção de prédios inacabados, porém, tem sempre um preço elevado. O resgate do Palácio das Araucárias custou R$ 30 milhões. "Recuperar significa mandar o prédio para a UTI. Ele será curado de uma série de anomalias e os remédios não saem barato. Então, esse tipo de obra sempre terá um acréscimo de custo, sem dúvida alguma", explica Euclésio Manoel Finatti, vice-presidente administrativo do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Paraná (SindusCon-PR). Ele lembra que o setor está sempre atento às edificações inacabadas. "Isso gera desconforto e a recomendação às construtoras é que iniciem uma obra com a certeza de que ela será finalizada", alerta.

Euclésio Manoel Finatti, do SindusCon-PR: prédios inacabados geram desconforto ao setor.

Nesse aspecto, em 1999 a construção civil brasileira sofreu um dos maiores impactos negativos, gerados pela falência da Encol. A empresa deixou 762 prédios inacabados em 64 cidades do país, causando prejuízo a 42 mil compradores. Mais de uma década depois, um bom número desses edifícios já foi entregue e outros estão em processo de retomada das obras. A maioria deles foi encampada por construtoras de pequeno e médio porte, que usaram os incentivos financeiros e fiscais dados pelo programa Minha Casa, Minha Vida para retomar as construções e alavancar seus negócios.

Vale lembrar que, no caso dos prédios inacabados da Encol, eles foram abandonados por falta de recursos e não por falhas nos projetos, o que tornou a recuperação muito mais em conta e com menos imprevistos. "De qualquer forma, um empreendimento parado sempre exige uma avaliação técnica. Não é recomendável retomar uma obra que ficou muito tempo parada sem a análise de um perito", recomenda o engenheiro civil Euclésio Manoel Finatti.

Entrevistado
Euclésio Manoel Finatti, vice-presidente administrativo do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Paraná (SindusCon-PR)
Currículo
- Euclésio Manoel Finatti é engenheiro civil graduado pela PUC–PR e pós-graduado em Engenharia de Produção pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP)
- Também é graduado em Ciências Econômicas pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná
- É diretor e responsável técnico há mais de 26 anos da Braengel – construções e empreendimentos imobiliários Ltda
- Participa há 18 anos da diretoria do SindusCon-PR, do conselho deliberativo do IEP (Instituto de Engenharia do Paraná) e da Federação das Indústrias do Estado do Paraná(FIEP)
- Representa a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) no grupo de trabalho PAC/Trabalhadores da Construção Civil do ministério do Trabalho.
Contato: euclesio@braengel.com.br / braengel@braengel.com.br /www.braengel.com.br

Créditos foto: Divulgação / Júlio Covello / SECS

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Fundos imobiliários atraem pequeno e médio investidor

Em 2012, aplicação foi a que teve maior rentabilidade (35%). Mas é preciso estar atento aos riscos e escolher com cuidado um dos 87 fundos existentes no Brasil

Por: Altair Santos

Os fundos imobiliários negociados na BM&F/Bovespa renderam em 2012, segundo o Ifix - índice que mede o desempenho desta modalidade de investimento, 35,02%. Foi, disparado, o tipo de aplicação que mais retorno trouxe no ano passado. A pujança tem explicação. Com a queda da taxa Selic, os fundos imobiliários passaram a atrair pequenos e médios investidores, que saíram em busca de ganhos maiores para seus recursos. O resultado é que o número de pessoas físicas que recorreram ao investimento quase triplicou em 12 meses. Saiu de 35,2 mil investidores para 96,2 mil.

Sérgio Belleza: fundos imobiliários que operam no país são muito seguros.

Há a expectativa de que mais investidores acabem aderindo a esse modelo de aplicação em 2013. O motivo é simples: os fundos imobiliários tendem a se manter mais lucrativos que outros investimentos, mesmo que não rendam tanto quanto no ano passado. Além disso, os analistas econômicos avaliam que a popularização deste tipo de aplicação está apenas começando e que, por si só, a adesão de novos interessados será suficiente para mantê-la aquecida. Outra tendência é que o número de fundos aumente. No final de 2011, eram 66. Ao término de 2012, foram contabilizados 93 em operação no Brasil.

Atualmente, os fundos imobiliários que atuam no país acumulam patrimônio de R$ 37 bilhões. São recursos investidos em shopping centers, edifícios comerciais, empreendimentos industriais e nos setores hoteleiro e hospitalar. Instalados no Brasil há quase 20 anos (a lei que regulamenta essa modalidade é de junho de 1993) eles funcionam com uma estrutura semelhante aos dos fundos de capitais, só que exclusivamente focados em negócios imobiliários. Atualmente, os lotes mínimos giram em torno de R$ 1 mil a R$ 5 mil. Isso não impede, no entanto, que investidores com maior poder aquisitivo adquiram cotas maiores.

Fundos imobiliários aceitam aplicações a partir de R$ 1.000,00 e estima-se que haja no país quase 100 mil investidores.

Outra vantagem dos fundos imobiliários é a isenção de Imposto de Renda para o investidor que tenha menos de 10% de participação no capital total do empreendimento, o que abrange quase a totalidade das pessoas físicas que buscam esse tipo de investimento. Além disso, a depreciação do imóvel é controlada pelo administrador, o que permite que ele possa vender o empreendimento e comprar ativos imobiliários de construções mais novas, e que mantenham a rentabilidade dos cotistas. Em 2012, a rentabilidade da aplicação girou de 0,65% a 0,70% ao mês, superando todos os investimentos de renda fixa.

O portfólio de imóveis ofertados no Brasil e a segurança da aplicação são outras virtudes dos fundos imobiliários. "O brasileiro tem como premissa a segurança no investimento em imóveis. Com relação aos fundos imobiliários que operam no país, eles são muito seguros, pois não é permitido que eles tomem recursos emprestados para a compra de um imóvel, utilizando somente recursos próprios. Além disso, contam com os mesmos órgãos de regulamentação e fiscalização do mercado de ações: CVM, Banco Central, ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e BM&F/Bovespa", explica o especialista Sérgio Belezza Filho.

Confira os fundos imobiliários que mais atraíram negócios em 2012: clique aqui

Entrevistado
Sérgio Belezza Filho, sócio e diretor da empresa Fundo Imobiliário - Consultoria de Investimentos Ltda
Currículo
- Sérgio Belezza Filho é sócio e diretor das empresas Fundo Imobiliário Ltda. e Ticker – Agente Autônomo de Investimentos Ltda
- É professor-convidado do FGV-PEC (Programa de Educação Continuada da Fundação Getúlio Vargas) no módulo de Investimentos Imobiliários, além de palestrante
- Criou o website Fundo Imobiliário - Investimento Concreto (www.fundoimobiliario.com.br)
- É membro da Comissão Consultiva de Produtos Financeiros Imobiliários do SECOVI-SP e consultor de Valores Mobiliários e Agente Autônomo de Investimentos, com registro na CVM
Contato: sergio@fundoimobiliario.com.br / www.fundoimobiliario.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Varandas de prédios precisam de cuidados especiais

Estruturas têm a tendência de serem vulneráveis a patologias, principalmente quando o morador decide promover intervenções sem avaliação técnica

Por: Altair Santos

Em 2008, o edifício Dom Gerônimo, na cidade de Maringá - localizada no noroeste paranaense - sofreu um colapso progressivo de varandas instaladas em 15 pavimentos do prédio. Houve uma combinação de falha de execução com falta de manutenção, que culminou com o desabamento das sacadas. As construções ficaram vulneráveis a infiltrações, permitindo a corrosão das ferragens.

Valmir Luiz Pelacani: norma de desempenho trará mais segurança às varandas.

Com isso, a marquise instalada sobre a varanda do 15º andar desabou, causando um efeito dominó sobre as demais estruturas, que foram construídas em sistema de balanço.

O acidente desencadeou uma série de inspeções prediais na cidade. Finalizado o trabalho, em 2009 constatou-se que aproximadamente 50% das marquises dos prédios em Maringá continham patologias que colocavam em risco a vida útil das estruturas e ameaçavam os usuários dos apartamentos e os pedestres. O problema levou à aprovação de uma lei municipal que passou a obrigar vistorias periódicas nas varandas, sacadas e marquises dos edifícios, além de impor limites às transformações que os moradores normalmente costumam fazer nessas estruturas - por vezes agregando-as às áreas úteis do apartamento.

Varanda em apartamento, com inclusão de churrasqueira e muretas divisórias: sobrecarga.

A partir da NBR 15575 (norma de desempenho) prevista para entrar em vigor em março de 2013, a expectativa dos engenheiros-peritos é que esse tipo de "agressão" às estruturas de varandas e sacadas seja feita seguindo orientações técnicas. "A partir da norma de desempenho, as construtoras deverão entregar manuais aos moradores, especificando como usar, como operar e como intervir, se for o caso, na área comum e na área privativa do prédio. Esse manual será semelhante ao que acompanha os veículos novos, em que o comprador é orientado sobre as revisões e o que pode ou não fazer no carro", alerta o engenheiro civil Valmir Luiz Pelacani.

O especialista lembra que toda varanda é projetada para receber uma sobrecarga de segurança. Se a estrutura for do tipo em balanço, o cuidado deve ser redobrado quanto à mudança no seu uso. "Alterar o uso da sacada, agregando-a ao ambiente de uso interno do apartamento, como a sala, por exemplo, pode incorrer em risco à estrutura. Qualquer mudança de uso das varandas deve ser precedida de cálculo e análise de profissional devidamente habilitado", destaca o perito, que prestou assessoria técnica para a elaboração da lei municipal que existe em Maringá.

Marquise e varandas que desabaram em edifício de Maringá, em 2008.

Valmir Luiz Pelacani cita que, dependendo da estrutura da sacada, até “spliters” de ares-condicionados podem sobrecarregá-la. No caso de instalações de vidros laminados do tipo “blindex” sobre os peitoris das varandas, trata-se de um procedimento que depende de estudo para ver se a estrutura suporta o peso do vidro temperado (geralmente acima de 10 mm de espessura).

Mas o que mais causa apreensão é quando um morador decide quebrar paredes para unir a sacada à sala. "É necessário avaliar se é possível efetuar a abertura no local desejado sem que ela abale os elementos estruturais de concreto. Saliento que as paredes em alvenaria autoportante (blocos de concreto celulares ou vazados) não devem sofrer aberturas sem participação antecipada do profissional responsável pelo cálculo estrutural. Via de regra, jamais deve ser aberto parede com este tipo de alvenaria autoportante", ressalta o engenheiro-perito.

Patologias mais comuns

Vista de aberturas em alvenaria de blocos de concreto para agregar a varanda à sala: procedimento perigoso.

- O problema mais comum encontrado em varandas, principalmente as com estruturas em balanço, concentra-se no acúmulo e infiltração de água.

- Se a varanda, sacada ou marquise acumula água em local não projetado (ralo e tubulação de drenagem de água pluvial) é sinal de risco à estrutura (corrosão e perda da resistência das ferragens pelo efeito químico conhecido como “pilha”).

- Outro risco está relacionado à falta de manutenção, o que pode causar a soltura de rejuntes dos pisos ou a trinca do cimentado, comprometendo o sistema de impermeabilização e levando à instabilidade da estrutura em concreto armado.

- Não raramente podem ocorrer também colapsos por falha de projeto, sobrecarga de utilização (peso em excesso) ou aumento de dimensões do ambiente sem a devida readequação do projeto estrutural (agregá-la à área interna).

Poça de água em marquise de prédio.

 

 

 

 

 

 

 

Entrevistado

Valmir Luiz Pelacani, engenheiro-perito e membro titular do IBAPE (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia)
Currículo
- Valmir Luiz Pelacani é graduado em engenharia civil pela Universidade Estadual de Maringá (1985)
- É membro titular do IBAPE (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia)
- Foi professor da UEM (1990) e do CESUMAR (Centro Universitário de Maringá) (2010 e 2011)
- Atua como diretor da AEAM (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá)
- É autor dos livros "O Perito Judicial e o Assistente Técnico" e "Responsabilidade Civil na Construção"
Contato: pelacani@creapr.org.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330