Pré-fabricado foi destaque na Construction Expo 2013
ABCIC montou salão dentro da feira e ainda promoveu curso para desmistificar o uso da construção industrializada em canteiros de obras
Por: Altair Santos
De 5 a 8 de junho de 2013, a Construction Expo transformou-se no QG da construção civil nacional e internacional. A feira, que ocorreu em São Paulo, reuniu expositores de 15 países e atraiu para o Construction Congresso - evento coligado à exposição - palestrantes de 135 organismos ligados à cadeia produtiva do setor. Entre os debates, os sistemas inovadores de construção centralizaram as atenções. Sobretudo, por que o Brasil tem 8.500 projetos de obras que dependem da tecnologia para se viabilizar. Destes, 46% estão vinculados ao setor de óleo e gás, 25% ao de transporte, 14% ao de energia, 10% ao de indústria, 2% ao de saneamento, 2% ao de infraestrutura esportiva e 1% ao de infraestrutura. “Estamos falando de R$ 1,6 trilhão em investimentos”, disse Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), organizadora da feira.

Para Afonso Mamede, presidente da Sobratema, o papel da Construction Expo foi propor caminhos e soluções para o desenvolvimento tecnológico da construção civil. Neste aspecto, o salão da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto) foi emblemático. Quem visitou o espaço pode conhecer melhor as vantagens do sistema de construção industrializada de concreto. Entre elas, maior durabilidade, resistência, precisão, redução de custos, agilidade em atender prazos mais ousados e qualidade. Dentro do Construction Congresso, a ABCIC também promoveu um curso sobre pré-fabricados de concreto. As aulas foram ministradas pelo engenheiro projetista Carlos Franco. “Trata-se de uma forma interessante de divulgação e de desmistificação do pré-fabricado”, constata Franco.
Entre as falsas ideias que ainda existem no mercado há a de que o pré-fabricado serve apenas para uso em obras repetitivas e industriais. Hoje, segundo Carlos Franco, o pré-fabricado tem condições de atender a inúmeras tipologias e aplicações de obras, inclusive a residencial. Outra mística que paira no mercado se refere ao custo e à rigidez de formas desse tipo de sistema construtivo, o que não é verdade, segundo o engenheiro. “O pré-fabricado dialoga com outros métodos construtivos, inclusive as construções metálica e in loco”, diz. Por isso, o foco do curso, segundo Carlos Franco, foi atingir um público diversificado, de arquitetos a engenheiros e até estudantes, utilizando-se uma linguagem acessível e, ao mesmo tempo, bem completa do sistema, dando a cada um dos segmentos a possibilidade de desenvolvimento, expansão e pesquisa.

De acordo com a presidente-executiva da ABCIC, Íria Lícia Olívia Doniak, essa é a primeira vez que essa atividade é realizada como apêndice de um evento como a Construction Expo. Para ela, a expressiva procura pelo curso foi uma grata surpresa, atingindo um número significativo de participantes. A dirigente destacou ainda que a Construction Expo foi também um canal para aproximar fabricantes de pré-fabricadosdos clientes. “A feira proporcionou uma oportunidade para essas companhias aprofundarem o relacionamento entre eles e com seus clientes. Além disso, deixou um legado institucional de conteúdo e informações, que poderão ser trabalhados posteriormente em outras ocasiões para divulgação do sistema construtivo”, avalia.
Entrevistado
Carlos Franco, projetista de estruturas e consultoria em pré-moldados de concreto.
Currículo
- Carlos Franco graduado em engenharia civil, com especialização em engenharia de estruturas, pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie.
- Atuou por mais de 16 anos no Escritório Técnico Julio Kassoy e Mário Franco, atingindo a posição de engenheiro coordenador.
Cursou a extensão em administração industrial da Fundação Vanzolini, no período de 1993 a 1995.
- Atuou como Assessor Técnico na PAVI do BRASIL, pré-fabricação Tecnologia e Serviços, no âmbito da construção industrializada e no emprego do GFRC de 2001 à 2002.
- Foi Gerente de Projetos e Responsável Técnico na STAMP Painéis Arquitetônicos, onde coordenou diversas obras,além de ter participado em diversos projetos de desenvolvimento tecnológico, no período de 2003 à 2005, Inclusive junto à matriz Canadense, BÉTONS PREFABRIQUÉS DU LAC.
- Atualmente dirige a CAL-FAC, empresa que atua em projeto estruturais convencionais e pré-fabricados.
Contato: www.constructionexpo.com.br / calfac@calfac.com.br / abcic@abcic.org.br
Créditos fotos: Cia. de Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Sistemas construtivos unem universidades
UFSCar, USP, UFRJ e UNESP atuam em parceria para formar especialistas em gestão e tecnologia para edificações
Por: Altair Santos
A demanda das empresas de engenharia por profissionais com capacidade de gestão que ultrapasse os limites do canteiro de obras tem influenciado o modelo de ensino das universidades. Para atender engenheiros que buscam requisitos como dimensionar a concepção do empreendimento, a atividade de projeto, o planejamento da produção e fabricação de materiais e componentes, UFSCar, USP, UFRJ e UNESP uniram esforços para lançar o curso em gestão e tecnologia de sistemas construtivos de edificações.

Segundo o professor-doutor Guilherme Aris Parsekian, a especialização a nível de pós-graduação não pretende atingir apenas engenheiros, mas também arquitetos e tecnólogos. "Houve uma união de esforços entre centros de excelência do ensino da engenharia civil e o curso é para quem busca atualização e complementação de suas atividades profissionais. Sobretudo, aqueles que atuam na área de edificações", diz.
O novo curso, que começa dia 13 de julho e está restrito a 30 vagas, é uma atualização da pós-graduação criada em 1999 (aperfeiçoamento profissional em racionalização de processos e produtos na construção de edifícios). "De lá para cá, várias mudanças foram realizadas a partir desta experiência. Novas disciplinas foram agregadas à grade curricular e novos docentes passaram a abraçar a ideia", afirma Parsekian, lembrando que a modalidade é presencial e terá duração de 372 horas-aula (18 meses no total, sendo 15 de disciplinas).
As inscrições estarão abertas até o dia 28 de julho e as aulas ocorrerão no departamento de engenharia civil da UFSCar, em São Carlos-SP. "Serão oferecidas disciplinas voltadas à tecnologia da construção e ao gerenciamento do projeto e da execução. Uma extensa equipe de especialistas da UFSCar, USP, UFRJ, UNESP e de renomadas empresas atuantes em projetos e gestão de obras de engenharia são responsáveis pela elaboração do conteúdo", completa.
O curso é composto pelas seguintes disciplinas:
Tecnologia dos Sistemas Construtivos em Estruturas de Concreto.
Tecnologia dos Sistemas Construtivos Industrializados.
Tecnologia dos Sistemas Construtivos em Alvenaria Estrutural e de Vedação.
Tecnologia de Produção de Revestimentos de Argamassa e Cerâmicos.
Durabilidade dos Materiais e Componentes da Construção Civil.
Tecnologia e Sustentabilidade de Sistemas Hidráulicos e Sanitários.
Tecnologia de Sistemas Prediais de Eletricidade e de Telefonia e Automação Predial.
Gestão do Processo de Projetos.
Ferramentas para Planejamento e Controle de Obras.
Gestão de Custos na Construção Civil.
Gestão de Recursos Físicos nos Canteiros de Obras.
Projeto de Canteiros de Obras.
Sustentabilidade e Certificação Ambiental de Edificações.
Produção Enxuta na Construção Civil.
Metodologia do de Trabalho Técnico.
Dezessete professores ministrarão aulas durante a duração do curso. Destes, onze estão vinculados à UFSCar e outros seis ligados à USP, UFRJ e UNESP. O título de professor-doutor vale para 95% deles. "Estão previstas 15 disciplinas, com número distinto de horas-aula em função das suas especificidades, nas quais serão ministradas aulas expositivas e realizados debates com os alunos, com apresentação de temas e questões para análise, discussões e conclusões, podendo, a critério dos professores, ser determinada a realização de trabalhos e seminários sobre as matérias, com participação individual ou em grupo de alunos", explica Guilherme Aris Parsekian, que ao lado dos professores José Carlos Paliari e Simar Vieira de Amorim é um dos coordenadores da pós-graduação.
Entrevistado
Guilherme Aris Parsekian, professor do departamento de engenharia civil da UFSCar.
Currículo
- Guilherme Aris Parsekian é graduado em engenheiro civil pela UFSCar (1993) com mestrado em engenharia de estruturas (EESC/USP, 1996) - menção distinção -, doutor em engenharia civil (EPUSP, 2002), pós-doutor em engenharia civil (UFSCar, 2006) e pós-doutor em engenharia civil (University of Calgary - Canadá, 2008).
- Suas áreas de atuação são: alvenaria estrutural, desenvolvimento de sistemas construtivos, racionalização de edificações, projeto de edificações e CAD aplicado ao projeto de edificações.
Contato: parsekian@ufscar.br / parsekian.ufscar@gmail.com
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Combate às patologias mobiliza sete países
Cinpar 2013 reuniu especialistas do Brasil, Espanha, Argentina, Chile, França, República Tcheca e Portugal, com foco nos prédios históricos
Por: Altair Santos
De 3 a 5 junho, em João Pessoa-PB, aconteceu o IX Congresso Internacional sobre Patologia e Recuperação de Estruturas - Cinpar 2013. O evento reuniu especialistas de sete países (Brasil, Espanha, Argentina, Chile, França, República Tcheca e Portugal ) e atraiu cerca de cinco mil participantes, entre professores, pesquisadores, alunos e profissionais que atuam nas áreas da engenharia civil e arquitetura. Sediado no espaço do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) o evento começou como todos queriam: um palestrante de peso.

Quem abriu os debates foi a pesquisadora espanhola María del Carmen Andrade Perdrix, considerada uma das referências internacionais sobre corrosão e premiada internacionalmente por suas pesquisas nesta área. O título de sua palestra foi “Análise crítica sobre a modelização da vida útil para corrosão de armaduras em ambientes com cloretos”. O tema abordado pela especialista tratou de uma das manifestações patológicas que mais afetam as estruturas de concreto armado no Brasil, como explica o professor da Universidade Positivo e sócio-fundador e diretor de planejamento do Instituto IDD, César Henrique Sato Daher.
As corrosões de armadura, na maioria das vezes, são provenientes de más especificações de projeto, emprego de concretos de baixa qualidade ou má execução das estruturas. "São fenômenos que ocorrem quando há a quebra da camada protetora do concreto sobre as armaduras, causadas por agentes agressivos (gás carbônico, cloretos, sulfatos etc) e que permitem a ocorrência das reações eletroquímicas de corrosão da armadura. Essas reações fazem com que uma parte da armadura sofra um aumento de seção, e outra uma redução. O perigo está nas regiões em que o aço da armadura sofre redução da seção transversal com consequente perda da capacidade estrutural, podendo levar a um colapso localizado e a um colapso generalizado, se as devidas medidas terapêuticas não forem aplicadas", diz Daher.

O Cinpar 2013 se dividiu em três áreas temáticas: manifestações patológicas na construção; ensaios não destrutivos e destrutivos para avaliação de estruturas; materiais (materiais de reparo, materiais inovadores e materiais sustentáveis) e patrimônio histórico. Em todas elas, os debatedores se concentraram em mostrar o que está sendo feito no Brasil e no mundo para prevenir manifestações patológicas. No caso das corrosões das armaduras, está se trabalhando na melhoria da qualidade dos projetos de estruturas e dos concretos. Além disso, produtos mais eficazes têm surgido, como os concretos de alto-desempenho, os autoadensáveis e produtos inibidores de corrosão que podem ser adicionados aos concretos no estado fresco.
César Henrique Sato Daher destacou ainda que a conscientização do meio técnico e a troca de experiências, através da divulgação de pesquisas em congressos e em cursos específicos, também ajudam a buscar soluções contra as manifestações patológicas. "No IDD, por exemplo, temos trabalhado fortemente neste sentido, através de cursos de pós-graduação com os maiores especialistas da área, visando a disseminação do conhecimento inclusive com intercâmbios internacionais. A Alconpat (Associação Latino Americana de Controle de Qualidade, Patologia e Recuperação das Construções) tem feito um grande trabalho neste sentido, assim como o Cinpar (no congresso, dos 176 trabalhos apresentados, 102 foram publicados). São eventos que têm sido uma grande fonte de trocas de experiências e aprendizado para quem se interessa pelo assunto. O que felizmente temos observado é um número cada vez maior de adeptos a essa área de suma importância dentro da engenharia", destacou.

Normas
Fundamentais para estimular a evolução das construções, as normas brasileiras publicadas pela ABNT também desempenham papel importante na prevenção às patologias, e não deixaram de ser citadas no Cinpar 2013. Entre elas, destacam-se a NBR 6118 - Projeto de estruturas de concreto - Procedimento - e a NBR 12655 - Concreto - Preparo, controle e recebimento -, que regulamentam os projetos de estruturas de concreto armado e as especificações de concretos para estruturas, respectivamente. "Elas incorporam diretrizes de medidas preventivas, principalmente no que tange à corrosão das armaduras", reforça Daher, lembrando ainda da NBR 15577 - Agregados - Reatividade álcali-agregado - e da NBR 15575 - norma de desempenho -, que, segundo ele, vem corroborar para a minimização das manifestações, através do atestado de desempenho. A NBR 15575 entra em vigor no dia 19 de julho de 2013.
Entrevistado
Congresso Internacional sobre Patologia e Recuperação de Estruturas - Cinpar 2013 (via assessoria de imprensa)
Cesar Henrique Sato Daher, professor da Universidade Positivo e sócio-fundador e diretor de planejamento do Instituto IDD

Currículo
- César Henrique Sato Daher possui master internacional em patologia avançada, pelo Cinvestav-MX.
- Mestre em construção civil (2009) pelo programa de pós-graduação em construção civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
- Possui graduação em Engenharia Civil (1998) pela mesma Universidade e é técnico em edificações pela UTFPR (1995).
- É sócio-fundador e diretor de planejamento do Instituto IDD.
- Sócio-fundador da DAHER Tecnologia em Engenharia Ltda.
- Professor do curso de Engenharia Civil da Universidade Positivo (UP).
- Diretor técnico do Instituto Brasileiro do Concreto - regional Paraná (IBRACON-PR) desde 2010.
Contato: daher@institutoidd.com.br
Créditos fotos: Adino Bandeira/IFPB
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Canteiros de obras abrem as portas à arqueologia
Descobertas históricas em locais onde a construção civil opera têm sido estimuladas por leis federais, através do Iphan
Por: Altair Santos
Publicada há 11 anos, a portaria 230 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que obriga construções de médio e grande porte a passarem por avaliações arqueológicas do terreno, tem contribuído enormemente para a descoberta de vestígios culturais no país. Antes da aprovação, em média seis estudos arqueológicos eram autorizadas por ano em canteiros de obras. Hoje, passam de mil. Em 2011, o Iphan autorizou 1.018 intervenções e no ano passado foram 1.431. "Tem sido rigoroso o cumprimento desta portaria, que está embutida na lei de licenças ambientais. Isso aumenta a demanda por pesquisas arqueológicas", afirma o arqueólogo Sérgio Bruno Almeida, especialista em prospecções em canteiro de obras.

Segundo o especialista, atualmente 80% dos estudos arqueológicos que acontecem em áreas urbanas no Brasil ocorrem em função de descobertas em canteiros de obras. Por isso, há construtoras que passaram a incorporar arqueólogos em seus quadros técnicos, para acelerar processos e impedir que empreendimentos sejam paralisados quando o canteiro de obras já estiver instalado. Normalmente, a pesquisa se dá antes de a empresa adquirir o terreno. "As construtoras que têm um grande volume de obras estão bem atentas a essas investigações. Tudo o que elas não querem é iniciar a obra e depois descobrir que há um sítio arqueológico no local", explica Sérgio Bruno Almeida, lembrando que essa demanda também tem feito engenheiros civis se especializarem em arqueologia.
Recentemente, os casos mais emblemáticos de revelações arqueológicas em canteiros de obras estão relacionados com o setor público. Na hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, ocorreram descobertas de tribos indígenas extintas há séculos. Da mesma forma, na região portuária do Rio de Janeiro obras de revitalização da área trouxeram à tona o cais do Valongo - local onde eram desembarcados os escravos africanos trazidos ao Brasil nos séculos XVIII e XIX. Em outras situações, no entanto, o próprio poder público procura omitir sítios arqueológicos. Em 2010, a prefeitura de São Paulo foi acusada de esconder descobertas em obras do metrô, na região do Largo de Pinheiros. No entanto, o Iphan interveio e fez valer a portaria 230. "Não é sempre que isso ocorre. Na maioria das vezes, um sítio arqueológico se perde entre as obras", diz Sérgio Bruno Almeida.

O arqueólogo lembra que na América do Sul, Bolívia e Peru são os países que têm as legislações mais rigorosas quanto à descoberta de vestígios culturais em canteiros de obras. "O Peru, por exemplo, obriga que as construtoras tenham arqueólogos em seus quadros técnicos. Mas o Brasil não fica tão atrás. Temos uma das legislações mais modernas sobre o assunto. O que falta é maior fiscalização e fazer a portaria 230 abranger também as pequenas obras, a fim de que todas as construtoras se conscientizem sobre o valor das pesquisas arqueológicas", conclui Sérgio Bruno Almeida.
Entrevistado e currículo
Sérgio Bruno Almeida é arqueólogo, sócio da Fronteiras Arqueologia, empresa goiana que trabalha com pesquisas em sítios em canteiros de obras.
Contato: sergio@fronteirasarqueologia.com.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
CBIC ajuda a popularizar norma de desempenho
Guia orientativo permite melhor compreensão da ABNT NBR 15575, tanto para os mercados imobiliário e da construção civil quanto para o consumidor.
Por: Altair Santos
A norma de desempenho - ABNT NBR 15575 - entra definitivamente em vigor no dia 19 de julho. Desde a sua publicação, em 19 de fevereiro de 2013, a cadeia produtiva da construção civil tem se esforçado para, não só compreendê-la, mas divulgá-la a outros setores. O objetivo é disseminar sua importância, que impõe novos requisitos, critérios e parâmetros a futuros imóveis habitacionais que venham a ser construídos a partir do segundo semestre deste ano. Uma das publicações-referência no sentido de popularizar a norma de desempenho é o guia orientativo lançado recentemente pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Por meio físico, a publicação teve uma tiragem inicial de 12 mil exemplares, que esgotou-se em pouco tempo. Um segundo lote está sendo providenciado e pode ser adquirido através do e-mail: desempenho@cbic.org.br. Quem preferir, pode fazer o download gratuito diretamente do site da CBIC ou dos 36 parceiros da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Ao final desta reportagem, o Massa Cinzenta também disponibiliza o documento em PDF para quem quiser baixá-lo. "O guia é uma norma comentada e o retorno tem sido altamente positivo", afirma Geórgia Grace, assessora técnica e responsável pela gestão geral dos projetos da CBIC.
No entender do presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, pela primeira vez uma norma vinculada à construção civil estabelece exigências de conforto e segurança em imóveis. "As regras privilegiam benefícios ao consumidor e dividem responsabilidades entre fabricantes, projetistas, construtores e usuários. É uma norma pensada para o morador, que diz o que ele tem que receber em termos de segurança, conforto e qualidade. Facilita inclusive a fiscalização”, afirma o dirigente, que acompanhou de perto a elaboração do guia orientativo, para torná-lo o mais abrangente possível.

Segundo Geórgia Grace, o manual sobre a norma de desempenho desencadeou uma mobilização pela compreensão e aplicação prática da ABNT NBR 15575. "Estão previstos vários seminários até a entrada em vigor da norma e a CBIC tem recebido uma demanda grande para participar dos eventos", diz a assessora técnica, afirmando haver uma preocupação da cadeia produtiva da construção civil com empecilhos jurídicos que o não cumprimento da norma possa desencadear. "O código de defesa do consumidor, no artigo 39, fala que os produtos e serviços têm que atender as normas técnicas da ABNT. Dentro da NBR 15575, ela remete ao atendimento de 157 normas", explica.
A especialista lembra ainda que, a partir da norma de desempenho, pela primeira vez o Brasil conta com parâmetros que estabelecem a vida útil mínima dos vários sistemas que compõem uma edificação, além de normalizar as relações de responsabilidade entre os vários agentes envolvidos numa habitação. Ela ressalta ainda que a NBR 15575 abre as portas para sistemas construtivos inovadores. "Trata-se de uma oportunidade maravilhosa para a inovação tecnológica, para o desenvolvimento tecnológico, para a competitividade", afirma Geórgia Grace, lembrando que todas as possibilidades da norma estão contempladas no guia orientativo da CBIC.
Baixe o guia orientativo da CBIC sobre a norma de desempenho

Entrevistada
Geórgia Grace, assessora técnica e responsável pela gestão geral dos projetos da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Currículo
- Geórgia Grace é graduada em engenharia civil, com especialização em gestão ambiental. Tem experiência em gerência de projetos de obras residenciais, industriais e de turismo.
- Ocupa o cargo de assessora técnica da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), responsável pela gestão geral dos projetos da instituição.
Contato: www.cbic.org.br / comunicacao@cbic.org.br / redacao@cbic.org.br
Créditos fotos: Divulgação/CBIC
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Construtoras apontam principais gargalos do MCMV
Pesquisa encomendada pelo SindusCon-SP mostra catorze obstáculos encontrados pelas empresas, e que impedem o avanço do programa
Por: Altair Santos
O programa Minha Casa, Minha Vida completou em 2013 quatro anos de implantação. Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelam que, neste período, 68,8% das construtoras que atuam formalmente no Brasil já tiveram ou ainda têm contratos vinculados ao principal plano habitacional do governo federal. O percentual mostra a importância do MCMV para a cadeia produtiva da construção civil e, por isso, as empresas passaram a cobrar o aperfeiçoamento do programa. É o que revela pesquisa realizada em conjunto pelo SindusCon-SP, CBIC e FGV, e que entrevistou as 66 construtoras do país que mais operam com o Minha Casa, Minha Vida. O resultado é um diagnóstico que aponta 14 gargalos que podem emperrar o programa, caso não sejam solucionados.

Um dos obstáculos é o pouco incentivo que o governo federal tem dado para que haja contratação de novas unidades habitacionais que contemplem a faixa 1 do MCMV (famílias com renda mensal de até R$ 1.600). É neste setor que se situa boa parcela do déficit habitacional do país - hoje, segundo números oficiais, estimado em 5,4 milhões de moradias. De acordo com a pesquisa, 62% das construtoras pretendem atuar nesta faixa do Minha Casa, Minha Vida, que desde 2012 não recebe novos contratos. A demanda reprimida já estaria na casa das 500 mil unidades, comprometendo 400 mil postos de trabalho e impedindo que sejam gerados R$ 15,7 bilhões em volume de negócios na cadeia produtiva da construção civil.
Na sequência, entre outras dificuldades apontadas pelas construtoras, estão os processos de aprovação junto a organismos do governo (77,3 pontos) a contratação de mão de obra qualificada (75,3 pontos) legalização para entrega dos empreendimentos (73,5 pontos) e serviços de cartórios (73 pontos). "Neste assunto, o interessante seria reunir em um só balcão todas essas demandas, para que se obtivesse agilidade. Uma solução seria fazer algo semelhante ao que é realizado nos feirões de imóveis da Caixa, onde todos os despachos para a compra do imóvel são feitos em um único local", sugere o vice-presidente de Habitação Popular do SindusCon-SP, João Cláudio Robusti.
A pesquisa encomendada pelo SindusCon-SP, CBIC e FGV mostrou que 62% das construtoras que operam dentro do Minha Casa, Minha Vida avaliam que o programa é "muito importante" dentro do horizonte de negócios. Por outro lado, 79% disseram estar "insatisfeitos, em parte" com a gestão do plano habitacional. As empresas reclamam, por exemplo, da burocracia das instituições financiadoras para liberar recursos aos projetos que propõem sistemas construtivos inovadores. Esse ponto gera desconforto em 70,6% das construtoras. Da mesma forma, a incidência tributária sobre processos industrializados é outro gargalo que atrapalha o setor - apontado por 66,4% dos entrevistados.
Segundo João Claudio Robusti, tratam-se de obstáculos que têm feito as empresas reverem seus investimentos no Minha Casa, Minha Vida. "Algumas já estão pisando no freio e não sabem se continuarão no programa até 2015", diz. O que confirma essa tendência é a resposta dada à pergunta embutida na pesquisa, que fazia o seguinte questionamento: "Você tem dificuldades para trabalhar com o PMCMV?" Para 53%, "tanto quanto o usual de minhas operações; para 42%, "mais do que o usual de minhas operações" e somente 5% disseram "menos que o usual para minhas operações". "Temos um amplo leque de problemas para atacar, mas precisamos deixar claro que o programa é essencial para o país", finaliza Robusti.
Confira os 14 gargalos que atrapalham o Minha Casa, Minha Vida:
- Gargalo (grau de insatisfação)
- Falta de terrenos (78,8%)
- Processos de aprovação de projetos junto a organismos de governo (77,3%)
- Contratação de mão de obra qualificada (75,3%)
- Custos para a contratação de equipamentos e processos construtivos (74%)
- Legalização para entrega dos empreendimentos (73,5%)
- Viabilização do empreendimento no valor estabelecido pelo programa (72,7%)
- Atraso nas ligações de energia elétrica e saneamento básico (71,3%)
- Entraves criados pelas instituições financeiras para aprovar sistemas inovadores (70,6%)
- Processo de desligamento e repasse (69,9%)
- Oferta de serviços no mercado (60,5%)
- Incidência tributária sobre processos industrializados (66,4%)
- Empecilhos do ministério do Trabalho para a contratação de serviço terceirizado (56,8%)
- Adequação do comprador às condições do programa (55,1%)
- Fiscalização das obras (42,7%)
Entrevistado
João Cláudio Robusti, vice-presidente de Habitação Popular do SindusCon-SP
Currículo
- João Cláudio Robusti é graduado em engenheiro civil, foi ex-presidente do SindusCon-SP e ocupa o cargo de vice-presidente de Habitação Popular do SindusCon-SP (Sindicato da Construção do Estado de São Paulo)
Contato: sindusconsp@sindusconsp.com.br
Créditos foto: Divulgação/SindusCon-SP
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Mané Garrincha: o novo gigante de concreto armado
Estádio de Brasília é considerado pela Fifa como o mais bonito da Copa do Mundo de 2014 e consumiu 177 mil m³ de concreto
Por: Altair Santos
O estádio Mané Garrincha foi eleito pela Fifa como o estádio brasileiro mais bonito, sob o ponto de vista arquitetônico, para sediar jogos da Copa das Confederações, que começa dia 15 de junho de 2013, e da Copa do Mundo, daqui a um ano. Boa parte da beleza da arena de Brasília está relacionada às estruturas de concreto que circundam a obra, seguindo projeto do escritório Castro Mello Arquitetos, em parceria com a SBP (Schlaich Bergermann und Partner) da Alemanha. No entanto, o plano original não previa a prevalência do concreto, mas do aço. Apenas com a interferência do governo do Distrito Federal, que financiou integralmente a construção, e quis privilegiar o material que transformou a cidade em referência mundial para a arquitetura - através das obras de Oscar Niemeyer -, é que o concreto se impôs no Mané Garrincha.

O resultado é que a arena de Brasília, entre todos os 12 estádios que sediarão jogos da Copa do Mundo, foi a que empregou o maior volume de concreto em sua construção. Houve um consumo de 177.096 m³. “Valeu a pena perseguir esse conceito na obra. Se perguntarem qual o meu estádio favorito, posso dizer que Brasília está na minha primeira lista, entre os 10 melhores do mundo”, revelou o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, na visita técnica que aprovou o Mané Garrincha para sediar partidas da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. O empreendimento também rendeu elogios do governador do DF, Agnelo Queiroz. "A Castro Mello Arquitetos criou um projeto que preservou os conceitos arquitetônicos que fizeram com que a cidade fosse reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade", disse, ainda sonhando com a possibilidade de o estádio sediar a partida de abertura da Copa.
Construído predominantemente em concreto armado e com estruturas pré-fabricadas de concreto, o Mané Garrincha caminha para ser o primeiro a receber o certificado máximo de sustentabilidade: o Leed Platinum - reconhecimento internacional de que a obra é altamente sustentável. Atualmente, nenhum estádio de futebol no mundo possui essa certificação. O selo é concedido a empreendimentos que fazem uso intenso de materiais recicláveis e que empregam em suas estruturas fontes alternativas de energia. No caso da arena de Brasília, ela tem em sua cobertura 9,6 mil painéis fotovoltaicos com potencial de gerar 2,5 megawatts de energia. Isso a torna autossuficiente em produção de energia e capaz de ceder o excedente para a iluminação pública de seu entorno. O estádio também tem a capacidade de armazenar 6,84 milhões de litros de água da chuva - o equivalente a 80% da demanda para a irrigação do gramado e uso em vasos sanitários e mictórios.

Com 70.846 lugares, o Mané Garrincha empregou 15 mil operários em sua construção e custou R$ 1,566 bilhão - é, até agora, o estádio mais caro para a Copa do Mundo no Brasil. Para obter o retorno do que investiu, o governo do DF estuda abrir uma concessão para que a iniciativa privada assuma o controle da arena, gerando receita e atraindo eventos para a cidade. Porém, mesmo antes de uma eventual privatização, o Mané Garrincha já tem agenda fechada com eventos esportivos, culturais e congressos até 2019, além de atrações permanentes para o Distrito Federal, como dois restaurantes, 14 lanchonetes, 40 bares, um museu do futebol e centros comerciais ao seu redor.

Entrevistado
Secretaria da Copa do Distrito Federal (Secopa-DF) (via assessoria de imprensa)
Contato: www.copa2014.df.gov.br / facebook.com/copadf / twitter.com/copagov_df / imprensa.secomdf@buriti.df.gov.br / imprensagdf.copa@gmail.com
Créditos fotos: Secopa-DF / Carlos Mello Arquitetos / Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Construção civil precisa eliminar desperdícios
Estudo mostra que setor ainda peca em quesitos como estoque, logística, cadeia de suprimentos e novos processos de produção
Por: Altair Santos
Todas as pesquisas voltadas ao setor da construção civil convergem para temas comuns. Apontam que é preciso qualificar a mão de obra, melhorar a gestão dos custos, industrializar processos e investir em novas tecnologias. Em resumo, a palavra-chave é produtividade. Porém, apesar de os estudos evidenciarem as carências, ainda há poucas empresas do setor, principalmente as construtoras, propensas a rever seus métodos de produção. "A preocupação com o aumento da produtividade ainda não atingiu grande parte destas empresas. Predomina o desperdício. Os estoques ainda são muito altos, devido à baixa flexibilidade existente no processo produtivo. Há muita movimentação e transporte, os quais não agregam valor para o processo ou para o cliente, além de uma grande quantidade de refugo e retrabalho. Existe também falta total de sincronismo entre uma etapa e outra, assim como baixa, ou nenhuma, integração na cadeia de suprimentos", explica Ruy Cortez de Oliveira, do Kaizen Institute Brazil.

De origem japonesa, a metodologia Kaizen significa "melhoria contínua". Nasceu com o Sistema Toyota de Produção (STP) - revolucionário processo industrial de fabricação de veículos, e disseminado para outros setores da economia. A filosofia, que prega aprimoramento gradual e contínuo, tem como premissa básica a seguinte frase: "Hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje”. Ou seja, é essencial que nenhum dia se passe dentro de uma empresa sem que alguma melhoria seja implementada. "O Kaizen tem os seguintes fundamentos: criação de fluxo com base na demanda do cliente; busca contínua da qualidade na fonte; foco na eliminação dos desperdícios e das perdas; gestão orientada para o "Gemba" (local onde as coisas acontecem); desenvolvimento das pessoas; gestão transparente", relaciona Ruy Cortez de Oliveira, lembrando que empresas que adotam o método Kaizen, quando vão ampliar suas plantas, procuram construtoras que também se norteiem pela filosofia para não comprometer a produtividade.
O especialista alerta que o método Kaizen, além de salutar para a cadeia produtiva da construção civil, também deveria ser implantado nos programas governamentais que estimulam o surgimento de novas obras, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Minha Casa, Minha Vida. "Há necessidade de um melhor gerenciamento dos recursos, para poder aplicá-los no momento certo e, assim, evitar atrasos e ineficiência de todos os programas. Uma das ferramentas do Kaizen é o gerenciamento de projetos, que busca garantir que os recursos sejam bem aplicados e a data da entrega do empreendimento, produto ou processo seja alcançada", diz, completando que as construtoras que já adotam o sistema Kaizen têm conseguido aumento de produtividade em torno de 10%, no comparativo com as demais. "É mudar o modelo produtivo ou permanecer na época das pirâmides", finaliza Ruy Cortez de Oliveira.
Entrevistado
Ruy Cortez de Oliveira, sócio-diretor do Kaizen Institute Brazil
Currículo
- Ruy Cortez de Oliveira é graduado em engenharia metalúrgica, pela Escola de Engenharia Mauá, e pós-graduado em engenharia pela Escola Politécnica da USP
- É consultor do BID (Banco Interamericano para o Desenvolvimento) e do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) desde 1997
- Foi também sócio-diretor da CGE Consulting, da Normatec Engenheiros Associados e gerente do setor de qualidade e engenharia da Equipamentos Villares
Contato: www.br.kaizen.com / rcortez@kaizen.com
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Ascensão profissional passa pelo traquejo social
Quem estabelece bom ambiente no trabalho valoriza suas qualificações e ajuda na criação de um amplo networking, diz especialista
Por: Altair Santos
Saber conviver com pessoas de idades diversas, opções religiosas distintas, culturas, hábitos e opções sexuais diferentes são alguns desafios enfrentados atualmente pelos colaboradores. O ambiente corporativo também exige a compreensão dos limites, dos direitos e dos deveres de líderes e liderados, empresários e empregados. Tratam-se de situações que hoje fazem parte do dia a dia das empresas, e que só se acomodam se houver traquejo social. "Nesse cenário heterogêneo dentro das Companhias, é preciso saber conviver com as diferenças de forma civilizada", diz Silmara Leite Ribeiro Santos, especialista em etiqueta corporativa e social.

É por isso que, além da qualificação, o traquejo social tornou-se decisivo para o sucesso profissional dentro de uma corporação. "De nada adianta um colaborador ser extremamente qualificado tecnicamente, ter estudado nas melhores universidades, se não tiver um bom relacionamento com os demais colaboradores ", reforça Silmara Leite, avaliando que o profissional que domina exemplarmente seu ofício, mas não tem traquejo social, corre o risco de ser superado por um que equilibre desempenho com boas relações na empresa. "Sempre prevalece o profissional que tenha bom relacionamento e competência técnica", completa.
Usar o traquejo social para relacionar-se faz , muitas vezes, que ele seja confundido com networking. "Na verdade, ambos se complementam. Ter educação e respeitar a opinião alheia, mesmo que não concorde com ela, são exemplos de traquejo social. Networking é a rede de contatos que o profissional possui. Traquejo social é a forma como esta rede é tratada", ensina, lembrando que boa parte das reclamações trabalhistas que vão parar nos tribunais nascem da falta de traquejo social. "A base do traquejo social é o respeito. Sem ele, vem a intolerância e isso contamina o ambiente corporativo, gerando processos", explica.
Silmara Leite reforça que, também no canteiro de obras, deve prevalecer o traquejo social. "Por que não cumprimentar o trabalhador num canteiro de obras? Ele está exercendo sua função como qualquer outro colaborador. Por que não agradecer pelo serviço executado? Educação é universal", alerta, tocando num ponto que reflete, inclusive, na produtividade da obra. "Muitos colaboradores da construção civil precisam migrar em busca de melhores oportunidades de trabalho. A distância da cidade natal, e dos familiares, dificulta a adaptação no ambiente de trabalho. Se este for mais receptivo e acolhedor, o indivíduo certamente se sentirá mais confortável e a produtividade tenderá a melhorar", complementa.
A especialista em etiqueta corporativa e social também destaca que os canteiros de obras ganharam um novo componente que exige traquejo social, que são as mulheres. "Saber respeitar e conviver com elas é imprescindível. Isto é ter traquejo, que é uma ferramenta que se estende também ao varejo da construção civil, tanto na venda de materiais de construção quanto de imóveis. Quem atua nestas áreas, seja homem ou mulher, precisa saber receber o cliente ou o fornecedor e escutá-lo de modo atencioso. Certamente, o traquejo social vai ajudar o vendedor a perceber o que o cliente realmente precisa. Isto é demonstração de educação e empatia", ressalta, finalizando: "Profissionais bem treinados, qualificados e com competência comportamental adequada aos cargos que ocupam irão agregar valor à marca. Imagem pessoal e imagem profissional estão cada vez mais interligadas."
Dicas para aprimorar o traquejo social
Comportamento
- Autocontrole;
- Capacidade de conviver com as diferenças;
- Capacidade de influenciar;
- Forma de lidar com as dificuldades do dia a dia;
- Arrojo para contribuir e colocar em prática novos planos e ideias;
- Postura adequada ao usar a internet, especialmente redes sociais;
- Comportamento apropriado ao receber visitantes, participar de reuniões, viagens de negócios e eventos empresariais.
Imagem
- Cuidados com vestuário, higiene, comunicação oral e escrita também contam pontos. Se não forem levados a sério, podem impedir uma contratação ou prejudicar uma ascensão profissional.
Entrevistada
Silmara Leite Ribeiro Santos, especialista em etiqueta corporativa e social
Currículo
- Silmara Leite Ribeiro Santos é formada em administração, com ênfase em marketing e pós-graduada em finanças, pela Unifae
- Acumulou vasta experiência corporativa no mercado financeiro, com passagens por corretoras de valores, bancos de varejo e holdings
- Especialista em etiqueta, é professora e coordenadora do curso de etiqueta social e corporativa do Centro Europeu e professora convidada na disciplina de etiqueta no curso full marketing da mesma instituição
- É também professora de etiqueta da Casablanca Escola de Modelos e Atores
- Dirige a Pitacos Marketing e Eventos
Contato: www.pitacosdasil.com.br / sandrasantosjornalistabr@gmail.com
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Geologia vive fase de simbiose com a engenharia
Investimentos em óleo e gás, mineração, energia e infraestrutura inseriram definitivamente o geólogo no canteiro de obras
Por: Altair Santos
Investimentos em óleo e gás, mineração, energia e construção civil têm aproximado os geólogos, que dia 30 de maio comemoram seu dia, da engenharia. Criou-se uma simbiose entre os profissionais das duas áreas, seja para investigar o impacto ambiental que uma obra possa causar ou para estudar a constituição do solo, fornecendo dados para a execução de projetos. "O que nós estamos vendo hoje é o ressurgimento das obras de infraestrutura e, com isso, reativou-se o casamento entre geologia e engenharia, como foi na década de 1970", recorda João Jerônimo Monticeli, presidente da ABGE (Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental).

O dirigente avalia que a definição de uma política para a exploração de petróleo, aliada à retomada dos leilões por parte da ANP (Agência Nacional de Petróleo) vai requerer muito mais mão de obra. "Não digo apenas para os profissionais de geologia, mas para os profissionais da engenharia", diz João Jerônimo Monticeli, observando que a demanda tem feito engenheiros migrarem para a geologia. "Há, principalmente, engenheiros ambientais complementando a formação com a geologia, recorrendo ao conhecimento sobre hidrogeologia, que é o estudo do fluxo de águas subterrâneas", completa.
Além do setor de óleo e gás, a mineração também tem sido um mercado com forte absorção de geólogos. "Neste segmento, contribuem para o crescimento desde as importações da China e até a retomada do interesse da indústria de cimento por novas jazidas de calcário", ressalta o presidente da ABGE, lembrando que os estudos para a extração de petróleo a partir do xisto - o que nos Estados Unidos já é uma realidade - também impulsionam a geologia. "Este modelo de exploração vai impactar o nosso mercado, principalmente para quem atua na área de pesquisa", avalia.
Para João Jerônimo Monticeli, a geologia operando paralelamente com a engenharia encontra campo para atuar, inclusive, em áreas urbanas. "A geologia sempre esteve ligada a grandes obras de infraestrutura, como pontes, barragens e túneis, mas o planejamento urbano tem aberto outras oportunidades. Estudos sobre riscos geológicos, escorregamentos e enchentes têm sido muito requisitados pelos planos diretores municipais. É o que chamamos de geologia urbana, hoje amplamente usada para desenvolver, recuperar e conservar cidades", afirma, relatando que na Grã-Bretanha geólogos ajudaram a recuperar cidades como Grangemoth, Bradfort, Glasgow, Warrington, Manchester, Liverpool e Salford.
No Brasil, Monticeli lembra que a geologia tem sido acionada também para prospectar terrenos nos grandes centros urbanos, onde falta espaço para novos empreendimentos imobiliários. Quando não são contratados por construtoras, os profissionais trabalham para companhias públicas de habitação. "A construção habitacional não pode errar. Ela não tem como correr o risco de empreender em terrenos que possa vir a sofrer erosão. Por isso, os geólogos são fundamentais para, através dos conhecimentos dos meios físicos, evitar a ocupação de terrenos inadequados", afirma, comemorando as oportunidades que se abrem aos geólogos.
Entrevistado
João Jerônimo Monticeli, presidente da ABGE (Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental)
Currículo
- João Jerônimo Monticeli é graduado em geologia pela Universidade de São Paulo (USP) em 1971. Também é mestre em engenharia civil e geotecnia, pela Escola de Engenharia Civil da UFSCar (1984)
- Trabalhou no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) na CESP (Companhia Energética de São Paulo) e no Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí
- Atualmente é consultor em geologia de engenharia ambiental e de políticas e gestão de recursos hídricos
Contato: joaojeronimo@terra.com.br
Créditos foto: Divulgação