Kingdom Tower entra na fase de pré-construção

Entre os maiores desafios do futuro maior prédio do mundo está o bombeamento do concreto, que precisa percorrer 1.013 metros sem perder propriedades

Por: Altair Santos

À beira do Mar Vermelho, no lado norte de Jeddah, na Arábia Saudita, será construído o maior edifício do mundo. O projeto original previa uma altura de 1.600 metros, mas as condições geológicas do terreno - predominantemente arenoso - o fizeram reduzir a altitude para 1.013 metros. O prédio terá 200 andares, dos quais 160 habitáveis. Ele reunirá um hotel, uma ala residencial e outra ala comercial. Com custo estimado de US$ 1,23 bilhão (cerca de R$ 3 bilhões) a obra deverá durar 65 meses. Caso tenha seu início ainda em 2014, a torre Kingdom Tower só deverá ficar pronta entre 2020 e 2021.

Kingdom Tower: 1.013 metros de desafio à engenharia

O projeto do futuro edifício mais alto do mundo está consolidado desde 2011. Quando a construção estiver concluída, ultrapassará em 185 metros o atual prédio com a maior altitude: o Burj Khalifa, de Dubai (Emirados Árabes Unidos) com 828 metros. Essa edificação, aliás, emprestará várias soluções de engenharia para o Kingdom Tower. Outras ainda estão sendo desenvolvidas. Entre elas, compensações geológicas para o terreno em que será erguida a torre. Outro desafio está no tipo de concreto a ser empregado na obra. As pesquisas apontam que precisará ser um material inovador, da mesma forma que o aço a ser usado na construção precisará ter características bem particulares.

O empreendimento é de responsabilidade da empreiteira Sadin Bin Laden Group (SBG). Já o escritório de arquitetura que assina o projeto é o Adrian Smith + Gordon Gill Architecture - o mesmo que projetou o Burj Khalifa. Mas o protagonista da obra será o Advanced Construction Technology Services (ACTS). O laboratório, com sede no Líbano, será o responsável por todos os testes de materiais empregados na megaconstrução.

Ensaios do aço para a fundação do Kingdom Tower já começaram a ser feitos pela ACTS

Certificado pelo American Concrete Institute (ACI) o ACTS já construiu uma filial ao lado da área do empreendimento para promover todos os ensaios dentro do canteiro de obras. Um dos testes mais rigorosos será o que irá avaliar as propriedades reológicas do concreto para assegurar que o material, ao ser bombeado para altitudes muito elevadas, não perca suas propriedades.

A sul-coreana Samsung, junto com a empresa alemã Putzmeister, foi contratada para desenvolver equipamentos que permitam o bombeamento do concreto em tempo recorde. A solução será lançar o material autoadensável por meio de um tubo fino e pressurizado, com 15 cm de diâmetro, para que ele percorra 1.013 metros na maior velocidade possível. Outra saída encontrada pelos pesquisadores é que o concreto só poderá ser bombeado à noite, já que as altas temperaturas que fazem em Jeddah, durante o dia, podem levar à desidratação do concreto durante o processo de bombeamento.

Concreto usado na obra só poderá ser lançado à noite, por causa do clima de Jeddah

Calcula-se que a King Tower irá consumir 500 mil m³ de concreto e 80 mil toneladas de aço. A fundação da torre terá 60 metros de profundidade, e tem que resistir à corrosão imposta pela água salgada do mar nas proximidades. "Trata-se da estrutura de engenharia mais desafiadora do mundo e um voto de confiança em nossa vasta experiência para ensaios de materiais. Vamos investir a nossa experiência e conhecimento para fornecer informações precisas, confiáveis e rastreáveis nos testes do maior edifício do mundo", diz o engenheiro Khaled Awad, presidente da ACTS.


Confira o vídeo de como ficará a Kingdom Tower

Entrevistado
Advanced Construction Technology Services (ACTS) (por email)
Contato: www.acts-int.com

Créditos Fotos: Divulgação/ Adrian Smith + Gordon Gill Architecture/ engineersinside.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Ciclo DMAIC ganha espaço na construção civil

Ferramenta propicia aumento de produtividade, através de melhorias de processos gerenciais, e gera resultados principalmente em canteiros de obras

Por: Altair Santos

O ciclo DMAIC (Define - Definir, Measure - Medir, Analyse - Analisar, Improve - Melhorar e Control - Controlar) abrangente para projetos de aumento de produtividade, redução de custo e melhoria em processos gerenciais, começa a desembarcar na construção civil. Restrito ainda às grandes empreiteiras e incorporadoras do país, o modelo de gestão serve também para companhias de qualquer tamanho, avalia Alexandre Andrioli Iwankio, da Iwankio Consulting, especialista neste tipo de ferramenta. "A metodologia pode ser aplicada de forma maciça e profunda na construção civil, mesmo em canteiros de obras mais específicos, que não tenham tantos subprocessos. O ciclo DMAIC ajuda a qualificar processos repetitivos, o que é primordial para esse e qualquer outro segmento da economia", analisa.

Alexandre Andrioli Iwankio: Além das corporações, profissionais que dominam a ferramenta são vistos por outros olhos pelo mercado

Conhecido como Seis Sigma DMAIC, o ciclo foi criado nos Estados Unidos, pela Motorola, em meados dos anos 1980. Tornou-se conhecido mundialmente a partir da experiência da GE (General Electric) no início da década de 1990, em função dos resultados extraordinários em termos de aumento de lucratividade. "A estratégia surgiu como uma abordagem estruturada e quantitativa para a melhoria dos processos de trabalho, voltada à redução da variabilidade, que provoca resultados insatisfatórios na performance destes processos", explica Alexandre Andrioli Iwankio, completando que a ferramenta, criada para o setor industrial, hoje está em todos os setores. "Hoje vemos o DMAIC aplicado a qualquer tipo de organização, como bancos, hospitais e call centers."

Brasil
No Brasil, o ciclo DMAIC é usado desde o final dos anos 1990. No dia a dia das empresas que o utilizam, ele é aplicado normalmente na fase de projetos. Resumidamente, cada etapa da ferramenta busca cumprir os seguintes objetivos:

- Define (Definir): determina com precisão o escopo do projeto.
- Measure (Medir): identifica o foco do problema.
- Analyze (Analisar): determina as causas fundamentais para o problema.
- Improve (melhorar): propõe, avalia e implementa soluções para eliminar as causas do problema.
- Control (Controlar): garante que os resultados alcançados sejam mantidos a longo prazo.

Os relatórios sobre a eficácia do ciclo, tanto dentro como fora do país, mostram que quando bem aplicado ele resulta em eficiência operacional, aumento de produtividade, diminuição de retrabalhos, melhoria da qualidade do produto, mais satisfação dos clientes e, consequentemente, maior lucratividade. Isso, sob o ponto de vista das corporações. No entanto, Alexandre Andrioli Iwankio destaca que o modelo traz também resultados para a evolução individual dos profissionais envolvidos. "Quem domina a metodologia, adquire conhecimento diferenciado em relação ao mercado, que está atento aos profissionais que tem a formação de especialista em Seis Sigma DMAIC", destaca.

Serviço
Nos dias 21 e 22 de maio, em São Paulo-SP, haverá no país o VI Congresso Six Sigma Brasil 2014, que tratará do ciclo DMAIC e tentará popularizar a ferramenta. No evento, empresas e profissionais terão a oportunidade de entrar em contato com quem está na vanguarda da aplicação do DMAIC, conhecendo estratégias, estudos de caso e benefícios proporcionados pelo programa às organizações.

Entrevistado
Alexandre Andrioli Iwankio, mestre em engenharia de produção, professor na UniCuritiba e na PUC-PR, além de diretor da Iwankio Consulting - empresa de consultoria especializada em melhoria de processos
Contato: alexandre@iwankioconsulting.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Gerenciamento de betoneira reduz perda de materiais

Equipamento rastreia todo o ciclo do concreto, enquanto ele estiver em transporte, e garante qualidade do produto, além da redução de custo

Por: Altair Santos

O Brasil tem atualmente cerca de nove mil caminhões betoneira circulando diariamente pelo país. Muitos desses equipamentos percorrem mais de uma obra ao longo do dia, o que torna fundamental dar atenção à produtividade. Foi pensando nisso que um grupo de empreendedores desenvolveu um rastreador que, ao mesmo tempo em que planeja a entrega, transmite dados em tempo real dos caminhões.

Sanito de Andrade Cruz Júnior, da Link Monitoramento: rastreador conta até os giros dados pelo balão da betoneira

O aparelho utiliza tecnologias GPS, GPRS e GSM e fornece informações sobre a entrega e a qualidade do concreto, consumo de combustível e prazos de manutenção do veículo. Em média, permite reduzir em até 7% o consumo do diesel e em 10% as horas extras do operador da betoneira."O sistema elimina o telefone para verificar se o motorista já descarregou ou se está voltando para o pátio. O processo dá agilidade e garante um produto com maior qualidade", explica Sanito de Andrade Cruz Júnior, diretor da Link Monitoramento.

O equipamento rastreia todo o ciclo de transporte do concreto, desde a saída do caminhão até o seu retorno. "É possível rastrear os pontos exatos. Desde onde houve o descarregamento, até se o caminhão ficou todo o percurso com o balão girando lentamente, o que garante a qualidade do produto até o momento da entrega", diz Sanito Júnior.

O empreendedor assegura que as empresas que já utilizam o aparelho em suas betoneiras tiveram os seguintes ganhos: aumento de produtividade por caminhão, diminuição no tempo médio da entrega e redução nas taxas de manutenção dos veículos. "Apenas estes três itens já pagam o investimento feito no sistema de rastreamento. Além disso, a empresa ganha também com o aumento do profissionalismo de toda a equipe, desde o encarregado de pátio ao motorista", completa.

A tecnologia do rastreador é mista, pois utiliza componentes importados, mas a concepção do sistema é 100% nacional. "A Link Equipamentos desenvolveu o software e o conceito do serviço. Em conjunto com parcerias, implementa o sistema nos hardwares", afirma Sanito Júnior, para quem o equipamento também traz ganhos no quesito mão de obra, ou seja, ajuda a reduzir a carga horária de quem opera a betoneira. "Ele aumenta a eficiência do processo. Nosso colaborador consegue antecipar de maneira organizada o momento em que a próxima carga deve ficar pronta", revela.

No limite
As betoneiras requerem mais manutenção do que outros veículos. Os motores trabalham quase no limite o tempo todo, sem contar que são veículos que, normalmente, trafegam em perímetro urbano. O rastreador ajuda a minimizar essas condições adversas. "São vários pontos que contribuem para uma menor manutenção. Por exemplo: uma betoneira não pode sair carregada da concreteira e ficar com o balão sem bater. Quando o motorista desliga o caminhão, e para o balão carregado, aguardando sua vez para descarregar em uma obra, no momento em que ele religar a betoneira, e o caminhão voltar a girar, pode ocasionar a quebra do redutor, entre outros desgastes mecânicos do veículo. Além disso, algumas betoneiras têm agregado ao sensor de carga e descarga a função de telemetria, ou seja, com o rastreador sabemos também se o operador trocou a marcha no momento certo e se ele não está excedendo as RPM (rotações por minuto) do veículo", finaliza.

Entrevistado
Sanito de Andrade Cruz Júnior, administrador e diretor da franqueadora Link Monitoramento
Contato: contato@linkmonitoramento.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Priscilla Fiedler

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Em evolução, pequeno construtor vira gestor de obras

Para não estourar capital de giro, empreendedor da área da construção precisa administrar gargalos e seguir à risco o prazo de entrega

Por: Altair Santos

Dia 26 de março é o Dia do Construtor. Puxado pelas novas exigências do setor, esse profissional evoluiu e se transformou em gestor de obras. Construir, hoje, é saber lidar com os gargalos tão comuns no canteiro de obras e ter capacidade para atrair investidores, tanto para a incorporação quanto para a construção. Além disso, o construtor não pode ficar alheio às novas ferramentas, como o BIM, e à atualização das normas técnicas, principalmente depois da entrada em vigor da Norma de Desempenho.

Luiz Alberto de Araújo Costa, presidente da APeMEC: mão de obra e receber em dia são uns dos desafios de pequenos e médios construtores

No entanto, há um cenário um pouco diferente para aqueles que atuam como pequenos e médios construtores. Para esses, capital de giro e qualidade da mão de obra fazem a diferença na hora de empreender. São empresários que precisam cumprir os prazos de entrega para seguir captando novas obras e mantendo-se no mercado. É uma realidade que Luiz Alberto de Araújo Costa, presidente da APeMEC (Associação das Pequenas e Médias Construtoras do Estado de São Paulo) explica como funciona na entrevista a seguir:

Hoje, para o pequeno e médio construtor, qual o peso da gestão da obra no negócio dele?
Estima-se que o peso gire em torno de 10%, em valores financeiros. A gestão da obra começa a ter grande influência, inclusive para minimizar perdas e aumento de produtividade.

A APeMEC oferece que tipo de ajuda ao construtor que encontra dificuldade neste área de gestão?
Oferecemos palestras, cursos, assessoria jurídica e tributária. Quando existem pleitos ou demanda pelos associados, procuramos atendê-los com cursos para esclarecimentos, como Desoneração da Folha de pagamento no Segmento da Construção Civil e Licitação-RDC (Regime Diferenciado de Contratação).

Dentro da gestão da obra quais são os maiores desafios para o pequeno e médio construtor?
Padrão de obra, prazo de entrega, mão de obra e cumprir com as obrigações trabalhistas.

O pequeno construtor já começa a ter acesso a tecnologias, como o BIM, por exemplo, ou isso está distante deste segmento?
Já começa a ser uma preocupação ter acesso às tecnologias e estar atualizado com o mercado. A APeMEC ajuda as empresas trazendo palestras e fazendo convênios com universidades e fornecedores, como por exemplo a parceria que temos com a Softplan, que distribui um software de gestão para a indústria da construção civil, assim como com as Universidades Anhanguera-Morumbi e a UNINOVE.

Quando o pequeno e médio construtor inicia uma obra, quais são as demandas que mais preocupam ele?
Capital de giro, mão de obra, receber de seus clientes públicos ou privados nos prazos acordados.

Hoje, o negócio mais atrativo para pequenos e médios construtores é estabelecer parcerias com grandes incorporadoras ou ele mesmo tocar sua obra?
O mais atrativo, sem sombra de dúvidas, é tocar a própria obra. As grandes empresas fazem verdadeiros leilões, aviltando os preços em função de seus ganhos e lucros.

A compra e a estocagem do material de construção são estratégicas para o pequeno construtor viabilizar seu negócio?
Atualmente não há necessidade de estocar, pois o mercado atende de forma geral a demanda. Estocar seria um erro.

No Brasil, qual é a fatia que o pequeno e o médio construtor ocupam no mercado?
Para obras públicas, em torno de 10% em valores financeiros. Particular, por volta de 50%. Se for para as pequenas obras, como reforma e manutenção, daí é praticamente 100%. Para a mão de obra, a pequena e a média construtora representam em torno de 80% do volume de emprego gerado.

A Norma de Desempenho também entrou na pauta dos pequenos e médios construtores?
Sim, a APeMEC participa das discussões e seminários, informa seus associados através de comunicados. Mas entendemos que a norma está voltada para grandes empreendimentos.

Entrevistado
Engenheiro civil Luiz Alberto de Araújo Costa. Preside a APeMEC (Associação de Pequenas e Médias Empresas de Construção Civil do Estado de São Paulo) desde 2010
Contatos
apemec@apemec.com.br
www.apemec.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Consumidor especializa-se em material de construção

Tendência foi confirmada na 20ª edição da Feicon Batimat, que aconteceu recentemente em São Paulo e reuniu 1.050 expositores

Por: Altair Santos

A 20ª edição da versão brasileira da Feicon Batimat, que aconteceu em São Paulo de 18 a 22 de março de 2014, manteve o foco em um novo modelo de cliente: o consumidor-especialista - aquele que tem se familiarizado cada vez mais com a construção civil e já possui critérios para escolher materiais, produtos, equipamentos e, inclusive, os melhores sistemas para sua construção. Foi ele o centro das atenções para os 1.050 expositores que estiveram na feira.

Versão brasileira da Feicon Batimat mobilizou milhares de pessoas em cinco dias de evento

Diante deste novo consumidor, o desafio é mostrar produtos em conformidade com as novas exigências do mercado, sobretudo depois da entrada em vigor da Norma de Desempenho. Aliás, essa foi a primeira edição da feira desde que a ABNT NBR 15575 passou a definir padrões de qualidade para sistemas construtivos e materiais. "Diferentes métodos ou tecnologias convivem no atual estágio da construção no Brasil, o que dificulta dizer o que é melhor para todos os empreendimentos e projetos. A Feicon Batimat, no entanto, procurou mostrar sistemas confiáveis a projetistas, arquitetos, engenheiros e construtores", diz Liliane Bortoluci, diretora da feira.

Outro objetivo da Feicon 2014 foi apresentar uma tendência que já está consolidada em países da Europa, e também nos Estados Unidos, que é o “faça você mesmo”. "O varejo da construção está atento a isso e, não por acaso, os home centers agora comercializam kits de produtos de fácil aplicação ou instalação. Entre os dois mil lançamentos anunciados na feira, tivemos equipamentos que permitem o trabalho de quem não atua profissionalmente na construção civil, além de produtos que facilitam pequenas reformas e minimizam os custos das construções", afirma Liliane Bortoluci.

Paralelamente à feira, aconteceu a Conferência Feicon Batimat 2014, que teve como tema central a profissionalização da mão de obra. "Os novos processos industriais e construtivos são uma realidade no país, e de extrema importância para acelerar obras, economizar materiais e minimizar desperdícios. Com isso, padronizar processos e qualificar a mão de obra são fundamentais", analisa a diretora da feira.

Crescimento de 5%
A Feicon Batimat, desde a sua 1ª edição, conta com o apoio da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) que representa 144 mil lojas e gera dois milhões de empregos diretos no comércio especializado, abrangendo todos os municípios brasileiros. Por isso, a feira é vista como um termômetro que mostra como será o ano para o setor. "Diria que o evento é também um propulsor de negócios. Ele gerou encomendas para três meses de produção, a partir de negociações que aconteceram dentro da feira", esclarece Liliane Bortoluci. Diante do volume de negócios, a Abramat saiu da Feicon projetando crescimento de 5% para 2014.

Entrevistado
Engenheira civil Liliane Bortoluci, diretora da versão brasileira da Feicon Batimat
Contato: reed@2pro.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Hospitais investem em arquitetura diferenciada

Edifícios requerem cada vez mais peculiaridades em seus processos construtivos. Isso obriga conhecimento específico de quem projeta e constrói

Por: Altair Santos

Edifícios hospitalares requerem cada vez mais peculiaridades em seus processos construtivos. Isso obriga conhecimento específico de quem projeta e constrói. Não é à toa que há um novo segmento na engenharia civil e na arquitetura que tem atraído um bom número de profissionais. Trata-se do setor voltado exclusivamente à construção de hospitais, onde praticamente exige-se que as edificações sejam sustentáveis e com eficiência energética, além de seguras em termos de acessibilidade. "Apesar de ainda não existir uma certificação específica para construções hospitalares, assim como LEED e Aqua, por exemplo, arquitetos e engenheiros que trabalham com o tema procuram cada vez mais seguir estas orientações", afirma o arquiteto Ronald de Goés, especialista em construção hospitalar.

Arquitetura hospitalar passou a ser exigência da Anvisa e do Ministério da Saúde

Também faltam no Brasil disciplinas dentro dos cursos de engenharia civil e de arquitetura que abordem especificamente a construção hospitalar. "Há cursos de especialização em Brasília, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Na graduação, apenas no curso de arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) existe uma disciplina específica sobre o assunto. Também há os cursos da AEA Cursos, que é de São Paulo e oferece carga horária de 20 horas, o que fornece boas informações sobre o tema. Mas essa baixa oferta de especialização não é uma exclusividade do Brasil. Arquitetura hospitalar é um curso difícil de encontrar até mesmo na Europa", cita Ronaldo de Goés, que há quase 40 anos é professor da UFRN.

Recentemente, o poder público, através da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ministério da Saúde, passou a exigir projetos específicos nas licitações voltadas à construção de unidades da rede pública. Isso, segundo Ronaldo de Góes, melhorou sensivelmente a qualidade da arquitetura hospitalar. Porém, ainda há muito terreno para se avançar, diz o especialista. "Na média, os hospitais brasileiros estão aquém do desejado. Por exemplo, postos de saúde e prontos socorros sofrem com a ausência de arquitetura hospitalar. Sem contar que a grande maioria dos hospitais do país está instalada em prédios antigos, alguns com mais de 50 anos. Caberia uma política de retrofit para eles, mas nem se pensou nisso ainda", critica.

Referências
Os hospitais brasileiros referência em arquitetura hospitalar são os da rede Sarah Kubistchek, em Brasília, o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, em São Paulo, e o Miguel Arraes, em Recife. Recentemente, o escritório de Ronald de Góes foi contratado para projetar hospitais em Angola, na África, que atendessem requisitos de arquitetura hospitalar. Segundo ele, uma obra com esses parâmetros precisa pensar em mobilidade, controle de infecções e humanização dos ambientes. O arquiteto também tem em seu currículo o novo Hospital Naval, em Natal.

Entrevistado
Arquiteto e professor-doutor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Ronald de Goés, especialista em projetos hospitalares e de hotéis e diretor-técnico da Ronald de Góes Arquitetura
Contato: rgoesarq@interjato.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Ronald de Goes Arquitetura

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

PR bate recorde com novas empresas da construção civil

Mais de seis mil foram abertas no estado em 2013. Grande maioria das iniciativas está ligada a microempreendedores que atuam em obras de alvenaria

Por: Altair Santos

Em 2013, o Paraná estabeleceu um recorde em número de empresas abertas. Foram 103.825, das quais 52.436 foram de natureza jurídica variada e 51.389 enquadradas na categoria de microempreendedor Individual (MEI). Entre os setores com maior atividade no ano passado, a Junta Comercial do Paraná constatou a liderança da construção civil, responsável pela abertura de mais de seis mil empresas no estado.

Ardisson Naim Akel: alta demanda na construção civil leva microempreendededor a buscar a formalização

Dentro da cadeia produtiva do setor, o ramo de obras de alvenaria liderou, com a abertura de 5.261 empreendimentos. Segundo o presidente da Jucepar, Ardisson Naim Akel, o que pode explicar este volume é a busca da formalização por parte do construtor autônomo - conhecido popularmente como pedreiro. "Percebemos um grande volume de registros de microempreendedores individuais. São aqueles profissionais que pegam um serviço ali, outro aqui, e que estão procurando proteção previdenciária e outros direitos", explica.

Akel avalia que a formalização também passou a ser uma exigência das empresas. "A regularização do microempreendedor individual atende uma série de necessidades, tanto do trabalhador quanto das empresas que contratam mão de obra temporária. Outro motivo é a grande demanda de mão de obra terceirizada para complementar o trabalho das empresas, seja no acabamento, na construção civil ou em pequenas reformas particulares", diz.

Para a Jucepar, o SindusCon-PR tem contribuído com o aumento da formalização da mão de obra que atua nos canteiros de obra no Paraná. "O SindusCon é uma entidade parceira, com quem temos muito diálogo. Da mesma forma temos um relacionamento muito bom com a FIEP (Federação das Indústrias do Estado Paraná) para compartilhamento de informações. Isso, aliada à alta demanda por mão de obra na construção civil, ajuda na formalização do setor", avalia Ardisson Naim Akel.

A opção dos novos empresários pelo formato de microempreendedor individual se dá, segundo a Jucepar, por causa do valor mínimo de capital. "Se ele quer ser simplesmente um prestador de serviços para uma empresa, poderá ter um número de empregados pequenos, não vai ter que investir em equipamento ou em estoque de materiais e não precisará de um capital muito grande. Já, se o projeto dele é ser um pequeno incorporador para construir sobradinhos, por exemplo, ele vai ter que ter equipamento e vai ter que ter um capital maior", comenta o presidente da Jucepar.

Entre as regiões do Paraná com maior número de abertura de empresas, destacam-se Curitiba e região metropolitana. Também há dados significativos nas regiões de Maringá, de Londrina, no oeste do Paraná e na região dos Campos Gerais. Além das 5.261 empresas especializadas em obras de alvenaria, a Jucepar registrou também que foram abertos 960 empreendimentos voltados à construção de edifícios, 477 especializadas em obras de acabamento de construção, 31 voltadas a obras de engenharia civil e 4 de aluguel de andaimes.

Bom sinal
Segundo a Junta Comercial do Paraná, a formalização de microempreendedores da construção civil tende a trazer melhoria nos serviços e dar mais segurança ao contratante. "Quem contrata sabe que trata-se de um profissional que está no mundo legal, que tem endereço fixo, dados de controle social e CNPJ ligado a um CPF e a um RG, ou seja, é mais segurança para o contratante. Já para o empreendedor individual legalizado também há maior segurança. Ele poderá formalizar contratos, cobrar o justo valor, enfim, ter segurança jurídica", conclui Ardisson Naim Akel.

Entrevistado
Ardisson Naim Akel é graduado em direito e em administração de empresas. Ocupa o cargo de presidente da Junta Comercial do Paraná e da Associação Nacional de Juntas Comerciais (Anprej)
Contato: presidencia@jucepar.pr.gov.br

Crédito Foto: Hamilton Zambiancki/Jucepar

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Norma de estacas pré-fabricadas de concreto entra em vigor

ABNT NBR 16258 deve levar três anos para ser absorvida integralmente pelo mercado, mas fabricantes já estão adequando suas linhas de produção

Por: Altair Santos

Desde 17 de fevereiro de 2014, está em vigor a ABNT NBR 16258 (Estacas pré-fabricadas de concreto – Requisitos). A nova norma técnica estabelece novos procedimentos para projeto, fabricação, estocagem e manuseio de estacas pré-fabricadas ou pré-moldadas de concreto, destinadas à utilização como elementos de fundação profunda. A normativa foi elaborada pelo Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados da Associação Brasileira de Normas Técnicas (CB-18/ABNT).

Fabricantes de estacas que adotam boas práticas deverão sentir pouco os impactos da nova norma

Segundo o coordenador da Comissão de Estudos de Estacas Pré-Fabricadas de Concreto, Cláudio Gonçalves, o texto aborda os aspectos técnicos que envolvem a padronização desde a produção fabril. "Na verdade, ela formaliza as boas práticas do mercado", diz o engenheiro civil, para quem as empresas que já adotam os parâmetros contidos na ABNT NBR 16258 não deverão enfrentar percalços. Mesmo assim, a expectativa é de que a norma seja totalmente absorvida no prazo de três anos.  Saiba o porquê na entrevista a seguir:

A NBR 16258 entrou em vigor em 17 de fevereiro de 2014. Neste início de implantação da nova norma, como o mercado a tem assimilado?
Muitas empresas participaram ativamente da elaboração desta norma. Durante esse trâmite, fomos tomando decisões em conjunto com as empresas que estavam participando que, em grande maioria, começaram automaticamente a adaptar a sua linha de produção à nova norma. Elas sabiam que isso não se faria de uma hora para outra, e se anteciparam. Já outras ainda não. Mas é normal em se tratando de uma nova norma. No começo, o pessoal vai se adaptar, vai digerir tudo aquilo que muda. As empresas que já fabricam estacas conforme estes parâmetros vão sofrer menos traumas. Aquelas que não tinham padrão nenhum vão sofrer um pouco mais. Acredito que em dois ou três anos vai estar todo mundo adaptado. Na verdade, a norma é bem democrática e abrange 90% do que já é feito por todos. O que ela faz é apenas formalizar todas as práticas. Agora, trata-se de um período de adaptação e vai haver outro período, que é o do mercado consumidor, de quem compra, de quem projeta e de quem indica o produto. Isso fará uma separação do joio e do trigo, ou seja, daquelas empresas que têm um padrão de qualidade definida e aquelas que ainda não se adaptaram à norma técnica.

Claudio Gonçalves: empresas que já fabricam estacas conforme estes parâmetros vão sofrer menos traumas

Hoje, qual a fatia do mercado que as estacas pré-fabricadas ou pré-moldadas ocupam, e qual a expectativa a partir da norma?
Depende do nicho da obra. Na região litorânea, por exemplo, que requer estacas muito profundas, por causa das camadas moles, a adoção de estacas pré-fabricadas passa de um mercado de 6% para mais de 50%. Nos centros urbanos, onde as obras são mais verticalizadas, a pré-moldada encontra resistência por causa do barulho e da infiltração. Mas isso se refere ao mercado imobiliário. Na minha empresa - a SOTEF Engenharia -, existe uma carteira de 250 mil m³ de estacas pré-moldadas em três regiões (São Paulo; Rio de Janeiro e Minas Gerais). Só que o perfil destas obras é outro. São obras industriais, onde o mercado para a estaca pré-fabricada de concreto está bom. Mas teve uma época, em 2013, em que a estaca por hélice contínua estava em melhor posição. Então, depende muito das oscilações do mercado.

A norma NBR 16258 trata especificamente do quê?
A norma trata de requisitos básicos para fabricar, transportar e poder ter um produto de boa qualidade. É o projeto da estaca propriamente dito: fabricação, matérias primas e estocagem.

Destes requisitos, existe um que seja o mais crítico?
As estacas pré-fabricadas de concreto têm características muito interessantes. Quais? Você testa individualmente uma por uma. Não existe nenhuma estaca de nenhum fabricante que não é testada e testada da pior forma: na martelada. Esta metodologia de testar o produto antes de usar acaba separando a boa da má estaca. Outro aspecto é que, por mais leigo que seja o comprador, só de olhar ele já tem sensação se aquilo está bom ou ruim, se tem trincas ou fissuras. A estaca é um produto de interação que permite até ao leigo agir e avaliar modestamente se aquilo está bom ou ruim. É como ir comprar azulejo. Apenas olhando se percebe se está bem ou mal acabado. Isso salta aos olhos. Há interação com o produto. Com a estaca pré-fabricada de concreto é assim também.

A norma deve forçar a industrialização na fabricação de estacas pré-fabricadas ou pré-moldadas ou as fabricadas artesanalmente ainda continuarão existindo?
Não existe estaca fabricada artesanalmente. Existem dois tipos de estaca: as pré-moldadas e as pré-fabricadas. A estaca só é caracterizada como pré-fabricada quando ela obedece certos requisitos normativos que a encaixam com produto pré-fabricado. Tem uma série de condições industriais e de controle laboratorial que praticamente fazem com que o produto pré-fabricado não tenha a mínima condição de ser artesanal. Já o pré-moldado é mais light. O que é um pré-moldado? Eu quero fazer uma estaca no canteiro de obras. Posso fazer? Tenho uma obra grande, uma usina modesta, um laboratório não tão requintado, mas posso fazer. Obviamente, uma estaca feita desta forma apresenta um padrão de excelência, um padrão de qualidade, um pouco inferior do que outra feita dentro de uma usina com controle severo. Isso exige que uma estaca feita desta forma tenha coeficientes maiores, pois o controle será menor. Então, resumindo: uma estaca pré-fabricada só pode ser fabricada artesanalmente se ela for pré-moldada. E se ela for pré-moldada, precisa ter coeficientes mais rigorosos. Enquanto uma estaca pré-fabricada de concreto de 17x17 tem carga estrutural de 35 toneladas, uma pré-moldada de 20x20 terá que ter carga de 28. É o padrão de controle que me obriga a aumentar o coeficiente para uma carga estrutural menor. É o preço que se paga pelo artesanal.

Antes da NBR 16.258, a fabricação de estacas pré-fabricadas ou pré-moldadas era submetida às seguintes normas: ABNT NBR-6118 (Projeto de estruturas de concreto – Procedimento) e a ABNT NBR-9062 (Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado) além da ABNT NBR-6122 (Projeto e execução de fundações). Elas seguirão fazendo parte da fabricação?
A 6122 é uma norma de fundações, ou seja, é da estaca posta no solo. Ela visa saber como será transferida a carga ao solo. Ela não quer saber como será fabricada a estaca, se tem mais ou menos concreto, se tem módulo ou não. Esse não é o caráter dela. É norma de fundação, não de estrutura. Já a 6118 não fala nada sobre estaca. Para fazer alguma coisa de estaca baseado na 6118 você tem que interpretar que a estaca é um elemento estrutural, e que é dimensionado parte como viga e parte como pilar. Por que parte como viga e parte como pilar? Porque para dimensionar e fazer manuseio e transporte é como se fosse uma viga. Para colocar uma carga, é como se fosse um pilar. Quanto à 9062, é uma norma de pré-fabricado e nela só há uma citação sobre estaca, mas não fala sobre anel, não fala sobre cobrimento, nem sobre emenda e nem sobre concreto específico, pois estaca de pré-fabricado requer concreto específico para resistir ao esforço de compressão.

A norma NBR 16.258 especifica uma resistência mínima e máxima do concreto para a fabricação das estacas?
Em 1986, a NBR 6122 colocava que o concreto de estaca pré-fabricada tinha que ter 25 MPa. Em 1996, passou para 35; em 2010, aumentou para 40 MPa. Por que isso? Porque a tecnologia de concreto avançou vertiginosamente. Hoje há tecnologia para fabricar concreto com resistência maior do que 40. Então, a norma sugere que cada empresa fabrique o seu concreto com a melhor qualidade possível e coloque mais carga de acordo com o seu potencial de fabricar concreto.

A norma também sugere o uso de algum tipo de concreto em detrimento de outro?
Na verdade, a norma fixa 40 MPa como máximo e fixa módulo de elasticidade, que é mais importante do que resistência. Módulo de elasticidade está associado à capacidade que a estaca tem de aceitar deformação.

E quanto ao cimento, ela especifica qual o melhor para a fabricação das estacas?
Ela especifica o cimento, mas hoje 99% das empresas utilizam o cimento de alta resistência inicial.

Uma nova norma sempre leva algum tempo para pegar. O comitê (CB-18) estima um tempo para que ela seja totalmente absorvida pelos fabricantes?
Acredito que em três anos esta norma pega, por que a maior parte das empresas que participaram de sua confecção são empresas que fabricam estacas e já foram se adaptando. Quando o mercado começar a cobrar os requisitos da norma quer dizer que ela pegou.

Entrevistado
Engenheiro civil Claudio Gonçalves, diretor-técnico da Sotef Engenharia Ltda (Sociedade Técnica de Engenharia de Fundações Limitada) e coordenador da Comissão de Estudos de Estacas Pré-Fabricadas de Concreto da CB-18/ABNT
Contato: claudiotec@ig.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Livro escrito por Jaime Lerner inspira pós-graduação

Parceria entre Universidade Positivo e arquiteto faz surgir o curso "Acupuntura Urbana", voltado a planejadores de cidades de médio e grande porte

Por: Altair Santos

Dez anos após seu lançamento, o livro Acupuntura Urbana (editora Record) escrito pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner em 2004, está inspirando um curso de pós-graduação na Universidade Positivo (UP) em Curitiba. A especialização é desenvolvida em conjunto com o Instituto Jaime Lerner, sob a supervisão acadêmica do arquiteto. "Todas as ideias que levaram à estruturação do curso foram pensadas com a participação dele. Houve sempre a preocupação de compor um conjunto de módulos afinados com tais ideias", explica a arquiteta Maria da Graça Rodrigues dos Santos, professora da UP e coordenadora do curso.

Jaime Lerner: supervisão acadêmica da pós-graduação, que parte das teses defendidas no livro Acupuntura Urbana

A pós-graduação apresenta temas como “A cidade moderna”, “Alternativas para a cidade no novo século”, “Cidade e meio ambiente”, “Cidade e mobilidade” e “Cidade e Patrimônio”. "Entendemos que, a partir desta base, o aluno pode conhecer e discutir as questões que caracterizam as cidades contemporâneas e assim apresentar propostas para solucionar os problemas urbanos atuais, ou seja, o conjunto de temas abordados no curso resulta num conhecimento necessário para preparar os profissionais que irão intervir nas nossas cidades", diz Maria da Graça Rodrigues dos Santos.

Outro objetivo da pós-graduação é estimular o debate sobre o planejamento de médias e grandes cidades. "O curso tem foco nestas cidades por que o nível de problema e o grau de complexidade delas requerem a adoção de soluções criativas e inovadoras", diz a professora da Universidade Positivo, mostrando por que o livro Acupuntura Urbana foi escolhido como base para a pós-graduação. "O livro traz o que, no entendimento do arquiteto Jaime Lerner, deve ser considerado para pensar e agir sobre a cidade. Nós reconhecemos a importância desta abordagem e por isso queremos compartilhar esta experiência", completa.

Sobre o curso de pós-graduação Acupuntura Urbana

Com início previsto para maio de 2014, o curso é voltado para arquitetos já graduados e também profissionais que atuem no planejamento de cidades. Todas as ideias que levaram à estruturação da pós-graduação foram pensadas com a participação do urbanista. Segundo Lerner, o curso promove uma revisão crítica das teorias e propostas para a cidade moderna, com a intenção de mostrar novas ideias para o século 21. "A cidade é um sonho coletivo. Mas, às vezes, as cidades precisam de algumas agulhadas que criem uma nova energia, que é o princípio da acupuntura", avalia.

De acordo com Maria da Graça Rodrigues dos Santos, Acupuntura Urbana foi escolhido para referendar a pós-graduação por trazer o que, no entendimento do arquiteto Jaime Lerner, deve ser considerado para pensar e agir sobre a cidade. A carga horária do curso é de 420 horas, com aulas aos sábados (8h30 às 12h30 e 13h30 às 17h30), a cada três semanas. O investimento é de 24 parcelas de R$ 890,00. O período de matrícula é de 1º a 4 de abril de 2014.

Entrevistada
Maria da Graça Rodrigues dos Santos, professora do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Positivo e coordenadora da pós-graduação Acupuntura Urbana
Contatos
mrsantos@up.com.br
exatas@up.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Daniel Katz

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Copa vai começar com pelo menos 30 obras inacabadas

A menos de 90 dias para o início do mundial, o chamado "legado" está cada vez mais comprometido nas cidades-sedes que receberão os jogos

Por: Altair Santos

Além de quatro estádios ainda correrem contra o tempo para ficar 100% prontos - Arena da Baixada, Arena Pantanal, Arena da Amazônia e Arena Corinthians -, há o risco real de, em 12 de junho de 2014, a Copa do Mundo começar sem que pelo menos 30 obras estejam concluídas. Os projetos ameaçados vão desde reformas em aeroportos até empreendimentos voltados à mobilidade. Neste cenário, estão todas as 12 cidades-sedes do mundial.

Corredor de BRT em Cuiabá: uma das várias obras que só deve ser inaugurada depois do mundial

Em 2010, quando foi lançada a Matriz de Responsabilidade, o que ficou conhecido como o "legado da Copa", os governos federal, estaduais e municipais se comprometeram a viabilizar 51 obras, além dos estádios. Quatro anos depois, apenas cinco foram concluídas. Outras onze tiveram seus projetos abortados e somente mais cinco devem ficar prontas até abril. Sobram 30, cujos cronogramas não dão nenhuma garantia de que devam ser inauguradas até junho.

O atraso levou a um debate recente na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal. No encontro que aconteceu dia 11 de março de 2014 participaram integrantes do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) o qual vem acompanhando a evolução da Copa do Mundo no Brasil desde que o país foi oficialmente escolhido pela Fifa, em 2007.

Para o presidente do Sinaenco, José Roberto Bernasconi, o que comprometeu o "legado" foram projetos mal formulados. "Eles criaram uma falsa expectativa em torno da conclusão de todas as obras até o evento", diz, afirmando que talvez o "legado da Copa" para o Brasil seja o fato de que o país poderá aprender com os erros. "É preciso aprender com os erros, o que significa romper com o ciclo vicioso da falta de planejamento e da execução de obras sem o projeto de engenharia completo. Planejar é pensar antes”, ressalta.

Abandono

Presidente do Sinaenco, José Roberto Bernasconi: planejar é pensar antes

Segundo o presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, senador Cyro Miranda (PSDB-GO) o receio é de que, passada a Copa do Mundo, as obras que ficarem inconclusas sejam abandonadas. "Só tem legado quando ele é entregue. Temos preocupações grandes. Depois que passar a Copa, quanto tempo levaremos para entregar esse legado?", indaga.
A opinião do parlamentar foi reforçada pelo representante do Tribunal de Contas da União (TCU) no debate.

"Eventualmente, os empreendimentos atrasaram porque os prazos foram mal dimensionados", afirma Rafael Jardim Cavalcante, citando as reformas nos aeroportos como exemplo. "Quase todos os terminais aéreos vão operar durante a Copa do Mundo com obras provisórias, os chamados ‘puxadinhos’", completa.

As reformas nos aeroportos das cidades-sedes somam R$ 5,469 bilhões. A mais cara está no terminal de Guarulhos, em São Paulo, que envolve R$ 2 bilhões. Em seguida vem o Galeão, no Rio de Janeiro, com custo de R$ 818 milhões. Entre as obras de mobilidade, a com o maior orçamento é o BRT Transcarioca, avaliada em R$ 1,883 bilhão. Nenhum destes empreendimentos têm previsão de ficar pronto até o final de maio.

Clique aqui para ver a situação das 51 obras de mobilidade que representariam o "legado da Copa".

Entrevistados
Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal e Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco)
Contatos
sinaenco@sinaenco.com.br
cyro.miranda@senador.leg.br

Crédito Foto: Portal da Copa/ME/José Medeiros/Geraldo Magela/Agência Senado

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330