Weber Saint-Gobain é pioneira em gestão do fornecedor

No Brasil, empresa inova ao aplicar sistema de aperfeiçoamento de qualidade dentro da cadeia produtiva da construção civil

Por: Altair Santos

Fora do Brasil, a gestão de fornecedores é uma prática considerada essencial para a sustentabilidade das empresas. Há corporações, principalmente as ligadas aos setores automobilístico e alimentício, que a praticam há mais de uma década. No país, é mais recente. Trazido pelas multinacionais instaladas em território nacional, o sistema começou a se difundir há cerca de cinco anos. Entre as primeiras a implantá-lo, estão a Wall Mart - maior empresa do mundo em volume de negócios e faturamento - e a Unilever. No setor da construção civil, a francesa Weber Saint-Gobain é pioneira no Brasil. “Implantamos a metodologia faz quatro anos e foi uma quebra de paradigmas dentro do setor”, afirma Fernando Eduardo de Souza, engenheiro de desenvolvimento da Weber Saint-Gobain.

Fernando Eduardo Souza: implantar gestão de fornecedor na construção gerou quebra de paradigmas

Na Weber Saint-Gobain Brasil, a gestão de fornecedor é denominada de Engenharia de Qualidade do Fornecedor (EQF). Existe um trabalho realizado pelo departamento técnico, responsável por homologar, avaliar e monitorar os parceiros. Todas as companhias que passam a fazer parte da cadeia produtiva da multinacional francesa se submetem a esse programa. Na fase de homologação, verifica-se a capacidade de fornecimento, com base em normas técnicas e na legislação vigente nos três níveis (federal, estadual e municipal). A etapa de avaliação funciona como uma auditoria, em que é verificado o potencial do fornecedor em atender os padrões de qualidade do grupo Saint-Gobain.

Segundo Fernando Eduardo de Souza, há cinco níveis que classificam os fornecedores: D, C, B, A e S. “Os melhores são B, que é classificado como um bom fornecedor; A, fornecedor exemplar, e S, que passa a ser um fornecedor recomendado pela Weber Saint-Gobain”, explica. Independentemente da nota, o fornecedor da Weber Saint-Gobain é constantemente monitorado. A qualquer momento, ele pode ser submetido ao Índice de Qualidade do Fornecimento (IQF). “A metodologia ajuda a adotar medidas corretivas e preventivas. O objetivo também é diminuir eventuais não conformidades. Em 2014, as não conformidades foram reduzidas em mais de 30%”, complementa o engenheiro de desenvolvimento da Weber Saint-Gobain.

Inspeção na Cia. de Cimento Itambé
Para os fornecedores da Saint-Gobain, compartilhar a gestão é visto como uma oportunidade de melhoria. “O feedback é positivo, pois contribui também para que o fornecedor melhore seu produto. No final, é uma garantia de qualidade para o consumidor final, favorecendo toda a cadeia produtiva”, avalia Fernando Eduardo de Souza, que recentemente aplicou o EQF na fábrica da Cia. de Cimento Itambé, localizada em Balsa Nova-PR, na região metropolitana de Curitiba. A empresa é um dos fornecedores de cimento para a Weber Saint-Gobain.

Para parceiros como a Cia. de Cimento Itambé, a gestão de fornecimento da Saint-Gobain orienta-se, principalmente, pela norma técnica ABNT NBR 11578 - Cimento Portland composto. A inspeção também segue a ISO 19011, que define diretrizes para auditoria de sistemas de gestão. “Procedimentos internacionais também são levados em consideração, como american standards (definidas pela American National Standards Institute (ANSI)) e normas europeias”, conclui Fernando Eduardo de Souza.

Entrevistado
Engenheiro químico Fernando Eduardo de Souza, engenheiro de desenvolvimento da Weber Saint-Gobain.
Contato: fernando-eduardo.souza@saint-gobain.com

Crédito Foto: Divulgação/Saint-Gobain

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

CBIC prega combate à burocracia e apoio às PPPs

À frente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, José Carlos Rodrigues Martins anuncia metas realistas e quer estímulo ao investimento privado

Por: Altair Santos

Empossado em agosto de 2014 como o novo presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Rodrigues Martins, já definiu as bandeiras pelas quais irá se esforçar ao longo de sua gestão, e que coincidirá com o segundo mandato de Dilma Rousseff à frente da Presidência da República. Para ele, é preciso liderar um processo que não interrompa os investimentos na construção civil. Esse caminho passa pelo combate à burocracia, a fim de destravar obras, e pelo estímulo a iniciativas que apoiem empreendimentos de infraestrutura através de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). “O governo perdeu sua capacidade de investimento e não há outra saída para retomá-la, senão através de PPPs e concessões, despindo-se do viés ideológico”, avalia.

José Carlos Rodrigues Martins, ao lado do presidente do SindusCon-PR, José Eugenio Souza de Bueno Gizzi: momento é de preservar conquistas para o setor, como o Minha Casa Minha Vida e o PAC

Engenheiro civil formado na turma de 1977 da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e com a carreira construída na construção civil paranaense, José Carlos Rodrigues Martins anunciou seu plano de gestão em uma sabatina realizada no começo de novembro no SindusCon-PR. Convidado pelo presidente do sindicato, José Eugenio Souza de Bueno Gizzi, Martins estima que, além de capital privado, as PPPs podem ajudar a implementar modelos mais saudáveis de gestão de obras. “Veja o aeroporto de Brasília depois da privatização. Parece um aeroporto europeu e funcionou perfeitamente durante a Copa do Mundo”, diz, citando que é preciso criar também um sistema que democratize a participação de médias e pequenas empreiteiras em processos licitatórios.

José Carlos Rodrigues Martins lembra que a Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR) tem 330 empresas filiadas, mas basicamente dez, que são as megaempreiteiras, participam dos processos de licitação. “O desafio é criar um modelo que faça todas participarem, criando um ambiente mais saudável de concorrência”, defende, citando que também é possível avançar em políticas que desburocratizem a construção civil. “Hoje, o excesso de burocracia encarece em 12% o custo final de um imóvel. Só o município de Curitiba poderia aumentar em R$ 300 milhões sua receita - isso sem criar novos impostos ou elevar alíquotas – desburocratizando processos, como alvarás e liberação de Habite-se”, resume o presidente da CBIC.

Passado e futuro
Para Martins, é necessário também que a construção entenda o momento do mercado e adapte-se para não elevar mais seus custos. “O mercado aceitou, até certo ponto, que nosso custo aumentasse. Agora, precisamos elevar a produtividade, pois não há mais espaço para se aumentar preço. Por isso, acredito que nos próximos quatro anos nosso setor passe maciçamente por capacitação, produtividade e inovação tecnológica”, crê. Tudo isso, diz o presidente da CBIC, sem dissociar a construção civil de economia e política. “Nosso setor é, basicamente, movido pelos investimentos. Só que isso está diretamente ligado a decisões políticas e decisões econômicas. Porém, no momento, 2015 ainda é um grande ponto de interrogação para nós”, alerta.

José Carlos Rodrigues Martins avalia que, de 2004 a 2014, a construção civil brasileira deu um grande salto. “Em dez anos, saímos de um milhão de trabalhadores com carteira assinada para mais de três milhões. O financiamento imobiliário saiu de R$ 5 bilhões para quase R$ 150 bilhões. A produção de cimento avançou de 33 milhões de toneladas por ano para 71 milhões de toneladas por ano. Convivemos com um PIB crescendo mais do que o país, mas agora nos deparamos com outro mundo. Nossa luta, então, é para preservarmos conquistas. Entre elas, programas que canalizam investimentos para o setor, como o Minha Casa Minha Vida e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Ainda que os volumes de recursos sejam menores, acredito que esses programas não serão desativados”, prevê.

Entrevistado
Engenheiro civil José Carlos Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Contatos
www.cbic.org.br
comunica@cbic.org.br

Crédito Foto: Divulgação/SindusCon-PR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concreto chega à moda e conquista a Europa

Estúdio IVANKA, escritório de design e arquitetura com sede na Hungria, inova com coleções que emprestam aos tecidos e ao couro a textura do concreto

Por: Altair Santos

Concreto Genezis é o nome da grife que tem sido apresentada em feiras de moda da Europa, a começar pela Paris Fashion Week. Uma pasta de concreto é agregada aos tecidos para criar roupas-conceito, tanto para homens quanto para mulheres. O desenvolvimento do material e o design das confecções foram criados pelo famoso casal de arquitetos húngaros, Katalin Ivanka e Andreas Ivanka. Donos do Estúdio IVANKA, localizado em Budapeste-Hungria, eles fazem do concreto a matéria-prima para produzir peças de decoração, joias, móveis e, agora, roupas. “A ideia de conceituar moda em cima do concreto era um projeto antigo nosso. O desenvolvimento da tecnologia do material permitiu que chegássemos a um concreto autoadensável bem leve, onde as roupas eram mergulhadas e depois moldadas”, explica o casal Ivanka.

Para a Paris Fashion Week, o Estúdio IVANKA desenvolveu também bolsas e relógios para expor no principal evento de moda da Europa. Todos os modelos criados se inspiraram na urbanidade. “Achamos que as roupas femininas deveriam explorar o dualismo da mulher urbana: ao mesmo tempo frágil e ao mesmo tempo dura como o concreto”, define Katalin Ivanka. No caso das peças masculinas, os modelos agregaram couro. Para desenvolver a coleção, foram necessários dois anos. O longo tempo trouxe resultados positivos, principalmente no desenvolvimento de uma massa de concreto antialérgica e que não causa danos à pele humana. Por isso, o Estúdio IVANKA decidiu abrir uma nova ramificação, criando a “Casa do Concreto da Moda”. O objetivo é seguir desenvolvendo coleções e testando a aplicação do concreto nos mais variados tecidos.

Moda para o dia a dia

Clientes para vincular suas grifes aos produtos do casal húngaro Ivanka não faltam. O interesse internacional inclui marcas como Liberty London, Andaz by Hyatt, Oakley, Levi Strauss, Bang & Olufsen e Vodafone, entre outros. O crescimento levou a IVANKA a conceber uma fábrica na região de Budapeste. Transformar uma pequena empresa familiar em uma nova estrutura corporativa profissional abriu as portas para investidores e levou à concepção de um conselho consultivo, formado por um corpo de profissionais de diferentes áreas do conhecimento para dar a assistência significativa à empresa. É isso que faz com que a marca Ivanka seja, hoje, uma das mais valorizadas da Europa. “Essa estrutura nos estimula a criar mais, sempre usando o concreto como nossa matéria-prima”, revela Andreas Ivanka.

Criado em 2002, o Estúdio IVANKA já tem um novo projeto em andamento, depois de conceber moda a partir do concreto: criar instrumentos musicais com o material. A empresa também criou uma grife a base de couro e camurça, que imita a textura do concreto. Neste caso, pigmentos tirados do cimento ajudam a tingir as peças. “A coleção explora os efeitos produzidos pelo concreto, fazendo com que o couro imite essa textura. Diferentemente da coleção-conceito apresentada na Paris Fashion Week, estas peças são projetadas para o uso diário”, diz Katalin Ivanka.

Entrevistados
Arquitetos e designers Katalin Ivanka e Andreas Ivanka, sócios do Estúdio IVANKA (via assessoria de imprensa)

Contatos:
info@ivankaconcrete.com
laszlo.perlaki@ivanka.hu

Crédito Foto: Divulgação/Estádio IVANKA

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Coleção-conceito apresentada na Paris Fashion Week, e que usou uma pasta de concreto aplicada sobre tecidos

Estúdio IVANKA cria bolsas de concreto leve e relógios com o mesmo material

Moda para o dia a dia, criada pelo Estúdio IVANKA, empresta ao couro e à camurça a mesma textura do concreto

Estaleiro na Bahia inova em construção pré-fabricada

Obra que venceu o Prêmio Talento Engenharia Estrutural 2014 optou por um processo totalmente industrializado para superar restrições ambientais

Por: Altair Santos

Empreendimento orçado em R$ 2,6 bilhões, o estaleiro Enseada do Paraguaçu, que está em construção no município de Maragogipe-BA, no Recôncavo Baiano, foi contemplado recentemente com o Prêmio Talento Engenharia Estrutural 2014, na categoria construção industrializada. A obra inova em termos de estruturas pré-fabricadas de concreto - desde o porte das peças até a qualidade dos encaixes. A edificação é composta por cinco galpões geminados, em que se destaca uma estrutura formada por vigas e pilares de grandes dimensões. Com mais de 41 metros de vão, as treliças da cobertura estão apoiadas em pilares que chegam a mais de 35 metros de altura.

Estaleiro em Maragogipe, no litoral da Bahia: 11 mil m³ de concreto em peças moldadas a 110 quilômetros de distância

A envergadura das peças, que, em alguns casos, chegam a pesar 44 toneladas, se deve ao fato de que os galpões de 70 mil m² terão de suportar 23 pontes rolantes capazes de movimentar, individualmente, o peso de até 120 toneladas. O estaleiro Enseada do Paraguaçu será usado para a produção de navios e plataformas de exploração de petróleo. A cargo do consórcio Enseada Indústria Naval S.A., a obra engloba quatro empreiteiras: Odebrecht, OAS, UTC e Kawasaki Heavy Industries. Já a empresa contratada para a fabricação dos elementos de concreto foi a T&A Pré-fabricados, que instalou uma unidade a 110 quilômetros do canteiro de obras exclusivamente para construir as peças pré-fabricadas.

Toda a estrutura consumiu mais de 11 mil m³ de concreto na confecção dos elementos. Por questões ambientais, o canteiro de obras do estaleiro precisou ser o mais enxuto possível. Uma das exigências era que não gerasse resíduos de construção. Por isso, criou-se uma espécie de linha de montagem no local da obra. As peças pré-fabricadas chegavam, eram armazenadas e uma equipe técnica formada por 170 pessoas montava as estruturas. Previsto para ser inaugurado no primeiro semestre de 2015, o estaleiro Enseada do Paraguaçu empregou o uso de gruas e guindastes para içar até 220 toneladas. “É um canteiro de obras extremamente mecanizado e limpo”, diz o engenheiro civil George Magalhães Maranhão, responsável pelo projeto.

Encaixes milimétricos

Construção do estaleiro vai substituir mão de obra por gruas e guindastes no canteiro de obras

Para Caroline Azevedo, gerente de sustentabilidade do estaleiro Enseada do Paraguaçu, o empreendimento mostra que é possível a convivência entre construção civil e áreas de preservação ambiental, sem que uma prejudique a outra. “A prova é que obtivemos todas as licenças ambientais exigidas. Além do licenciamento clássico ambiental, fomos licenciados também pelo patrimônio histórico, por meio do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], pela Fundação Palmares, pela característica de estarmos dentro de uma comunidade quilombola; pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, por estarmos vizinhos a uma área de proteção federal; e pelo Estado, por estarmos dentro da APA [Área de Preservação Ambiental] Baía de Todos-os-Santos”, afirma Caroline.

Outro desafio da obra foi especificar como seria a ligação dos elementos. O objetivo era que eles saíssem da indústria de pré-fabricados já com os encaixes prontos, para que no canteiro de obras ocorresse apenas o içamento e a montagem. “Na fábrica, foi adotado um processo de verificação milimétrica, por meio de gabaritos, que aprovava ou não a saída de peças para a obra. Os pilares, por exemplo, foram fabricados em três partes para facilitar o transporte. Por isso, o encaixe não poderia falhar”, explica George Magalhães Maranhão. Além de servir à indústria naval do petróleo, o estaleiro Enseada do Paraguaçu fornecerá equipamentos para a indústria militar.

Clique aqui e entenda mais sobre como foi construído o estaleiro Enseada do Paraguaçu.

George Magalhães Maranhão: vencedor do Prêmio Talento Engenharia Estrutural 2014


Entrevistado
Engenheiro civil George Magalhães Maranhão
, diretor-presidente da George Maranhão Engenharia e Consultoria Estrutural
Contato: projetos@georgemaranhao.com.br

Crédito Foto: Divulgação/George Magalhães Maranhão

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Norma de Desempenho também exige mudança cultural

Para engenheira Sueli Bacchereti Bueno, revisão do imóvel deve perseguir modelo já adotado com automóveis e as próprias pessoas, ao prevenir doenças

Por: Altair Santos

Em vigor desde 19 de julho de 2013, a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575) ainda é tema de profundos debates no meio técnico da construção civil. Entre eles, como fazer o consumidor entender o que significa esta norma técnica e o que ela representa para a qualidade do imóvel adquirido. É esse o alerta que faz a engenheira civil Suely Bacchareti Bueno, projetista e ex-presidente da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural). Para ela, a questão do ciclo de vida útil da construção – um dos itens mais comentados da norma – passa por uma mudança cultural do usuário.

Sueli Bacchereti Bueno: fazer a manutenção do imóvel custa menos

Segundo a especialista, é preciso difundir a prática da manutenção do imóvel da mesma forma que ocorreu com o setor automobilístico. “Hoje, o consumidor promove as revisões em seu veículo conforme o manual do proprietário, o que prolonga a vida útil do carro e evita transtornos. Assim deve ser com o imóvel”, diz. Ela também usou como exemplo o hábito de as pessoas irem com mais frequência ao médico e ao dentista. “As pessoas descobriram que é mais barato, e dói menos, fazer a manutenção da saúde. Da mesma forma, deve ser com os imóveis”, completa.

Suely Bueno defende que a cadeia produtiva da construção civil promova campanhas de esclarecimento ao consumidor sobre o que é a Norma de Desempenho, sobretudo no que se refere ao ciclo de vida útil e à manutenção do empreendimento. “Vamos ter que ensinar os consumidores a revisar seus imóveis. Hoje, já funciona assim para os elevadores. Muitos edifícios adotam como regra a revisão mensal do sistema. Em algumas cidades, isso já é lei. Por que não, isso se estender a toda edificação?”, questiona, entendendo que esses conceitos deveriam se propagar às obras públicas. “Existem governantes que preferem inaugurar novas obras, em vez de atuar na manutenção dos empreendimentos já construídos. As definições de ciclo de vida útil devem valer para todas as construções”, complementa.

Além de vigas e lajes
Sob o aspecto técnico, Suely Bueno afirma que a Norma de Desempenho também precisa ser melhor entendida pelos engenheiros-projetistas. “Os projetistas estão vulneráveis se não entenderem as exigências de performance de uma estrutura, a partir dos conceitos da Norma de Desempenho. Hoje, não se trata mais de projetar uma viga ou uma laje, mas de projetar uma viga e uma laje que devem ter desempenho acústico e que vão receber um tipo de piso e um tipo de caixilho de porta adequados à norma. É preciso levar em consideração todo o sistema, ou seja, se uma disciplina falhar desencadeia falhas em outras disciplinas”, alerta.

A Norma de Desempenho, de acordo com a engenheira civil, também exige que o projetista passe a ter a prática de documentar todos os procedimentos adequados à ABNT NBR 15575. “Ao contrário do que se imagina, a Norma de Desempenho está amparada pelo Código do Consumidor, que é lei. Assim, se um usuário vier a acionar a justiça, desencadeará um processo que fará com que a incorporadora acione a construtora, e que essa acione fornecedores de materiais e projetistas. Então, o que resta é que a Norma de Desempenho é uma grande oportunidade de fortalecer a engenharia e a arquitetura”, conclui.

Entrevistada
Suely Bacchereti Bueno, engenheira-projetista, sócia-diretora da JKMF e ex-presidente da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural)
Contato: jkmf@jkmf.com.br

Crédito Foto: Divulgação/ABECE

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

“Crise do teto” é o atual desafio para a engenharia

Novo presidente da ABECE, Augusto Pedreira de Freitas, afirma que não é mais possível subir preço de obra, e que saída está na produtividade

Por: Altair Santos

Empossado como o novo presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE) o engenheiro civil Augusto Pedreira de Freitas afirmou que o organismo, assim como a construção civil brasileira, tem três desafios prioritários no momento: superar a “crise do teto”, trabalhar em defesa da qualificação dos materiais e agir em prol da segurança dos projetos. Sobre a “crise do teto”, Pedreira afirma que não é mais possível subir preço da obra, sob o risco de “ninguém conseguir vender mais nada”.

Augusto Pedreira de Freitas: reduzir retrabalho no canteiro de obras é imperativo

Para se adequar ao momento, o novo presidente da ABECE defende que se melhore a produtividade e se reduza o retrabalho nos canteiros de obras. “Nossos empreendimentos já estão com preço máximo. Não conseguimos mais transferir aumento de custo para o preço de venda. Temos que buscar produtividade tanto na parte construtiva quanto na parte de desenvolvimento de projeto. Para isso, precisamos, para melhorar fluxo de desenvolvimento, trabalhar o treinamento de pessoal de obra, para que eles executem melhor o projeto e reduzam o retrabalho”, alerta Augusto Pedreira de Freitas.

Ainda de acordo com o dirigente, é esse novo foco na engenharia de produtividade que vai gerar ganho direto às construtoras e permitir que mantenham seus lucros sem elevar preço final. “Se for para aumentar preço de obra, preço de projeto e preço do empreendimento ninguém vai vender nada”, completa Pedreira.

Materiais e normas técnicas
Quanto aos materiais, o novo presidente da ABECE avalia que eles também precisam passar por inovações que levem as construtoras a modernizar a forma como constroem. “Do concreto aos produtos de acabamento, tudo pode evoluir e tornar-se mais adequado ao ritmo das obras, sem perder qualidade. As outras associações - tenho absoluta certeza - podem nos ajudar muito neste avanço. Aí, é preciso dedicação dos laboratórios de pesquisa. Quanto às construtoras, elas também precisam modernizar seus procedimentos de construção”, avalia o novo presidente da ABECE.

Quando se refere a “procedimentos de construção”, Augusto Pedreira de Freitas defende que organismos como ABECE, ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto) e ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), em conjunto com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para que intensifiquem a normalização e o treinamento de mão de obra dentro da normalização. “A segurança do projeto passa pelo cumprimento das normas técnicas. Mas, infelizmente, ainda têm aqueles que não seguem as normas, e que ainda dizem: a norma soy yo. É sobre esses que a ABECE precisa atuar. Em cima dos projetos fora de norma”, finaliza Pedreira.

Entrevistado
Engenheiro civil Augusto Pedreira de Freitas, presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE)
Contato: abece@abece.com.br

Crédito Foto: Divulgação/ABECE

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construtoras diversificam negócios e adotam aluguel

Em vez de vender seus apartamentos, empresas preferem locar. Motivo principal está no público com alto poder aquisitivo, que cansou de morar em hotel

Por: Altair Santos

Um novo nicho de mercado tem estimulado construtoras a se transformarem também em imobiliárias. Mais do que isso. Passaram a empreender em novos imóveis com o objetivo de alugar, em vez de vender. “Existe um público com demanda reprimida, formado por executivos que se mudam para grandes cidades, como São Paulo, e que não querem mais morar em hotéis. Preferem a personalização de um apartamento e a privacidade que ele oferece. São profissionais bem-sucedidos, e que têm bons salários, mas que, pela sazonalidade imposta por seus cargos, preferem não comprar imóveis, e sim alugá-los. A entrada deste novo player faz algumas construtoras diversificarem seus negócios”, diz Jaques Bushatsky, diretor de legislação do inquilinato do Secovi-SP.

Jaques Bushatsky, diretor de legislação do inquilinato do Secovi-SP: não tem nada a ver com crise. É uma questão de prospectar novos negócios

Advogado, Jaques Bushatsky não vê correlação com o momento atual do mercado imobiliário, onde as construtoras estão demorando mais para negociar seus estoques e reavaliando o cronograma de novos lançamentos, com este novo modelo de negócio. “Não tem nada a ver com crise. É mais uma tendência estimulada por um novo tipo de consumidor”, avalia.

Uma das primeiras a explorar esse nicho é a Vitacon Incorporadora e Construtora. Em 2013, a empresa lançou a linha VN Casa com a finalidade de construir imóveis residenciais e explorá-los comercialmente através de aluguel. “O serviço é inovador e tem o foco nos profissionais expatriados que precisam ficar em São Paulo, por conta dos compromissos corporativos, mas preferem um ambiente semelhante ao de casa, ao invés da impessoalidade de um quarto de hotel. As locações variam a partir de trinta dias”, revela Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon.

Modelo consagrado em NY

Os endereços da linha VN Casa, que inclui os edifícios VN Casa do Ator, VN Turiassu e VN Quatá, estão localizados em bairros onde o metro quadrado é um dos mais valorizados da cidade de São Paulo. As unidades medirão de 25 m² a 60 m² e as obras devem ser concluídas em até 20 meses. Quando os apartamentos ficarem prontos, a administração será entregue a uma start-up criada unicamente para gerenciar e alugar as unidades: a Sampa Housing. A Vitacon investirá R$ 2,5 milhões em dinheiro e R$ 240 milhões em imóveis na imobiliária, que oferecerá serviço de locação desburocratizada, como nos hotéis – incluindo check-in e pagamento através do cartão de crédito. Os apartamentos também são entregues mobiliados para o locatário, e com serviço de internet e TV por assinatura.

Vitacon Quatá: projetado exclusivamente para locação

Fora do Brasil, esse modelo de negócio já está consagrado em cidades como Nova York, nos Estados Unidos. “O mercado de locação de imóveis é muito forte no exterior. Veja que recentemente até o Grupo Safra entrou neste ramo. Comprou o maior prédio de Londres (Inglaterra) para alugar. É um mercado potente, bem regulado e seguro”, afirma Jaques Bushatsky. Conhecido no setor imobiliário norte-americano como “long stay”, essas locações costumam variar de três meses a trinta meses. “É uma modalidade que pode atrair até proprietários que vão deixar seu imóvel fechado por uma temporada, e podem disponibilizá-lo para locação por tempo determinado”, define Alexandre Lafer Frankel, mostrando o potencial do novo negócio.

Entrevistados
Engenheiro civil Alexandre Lafer Frankel, sócio-fundador e CEO da Vitacon Incorporadora e Construtora
Advogado Jaques Bushatsky, diretor de legislação do inquilinato do Secovi-SP, professor, palestrante e autor de obras e artigos jurídicos

Alexandre Lafer Frankel, dono da construtora Vitacon: imóveis voltados a executivos de multinacionais

Contatos
secretaria@advocaciabushatsky.com.br
tatiana.botaro@vitacon.com.br (assessoria de imprensa)

Créditos Fotos: Divulgação/Vitacon

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Chile terá maior ponte pênsil da América Latina

Estrutura com 2.650 metros ligará a ilha de Chiloé ao continente. Consórcio de empreiteiras multinacionais inicia obras em fevereiro de 2015

Por: Altair Santos

O Chile é o país sul-americano que melhor utiliza as PPPs (Parcerias Público-Privadas) para viabilizar obras de infraestrutura. A maturidade alcançada neste tipo de licitação atrai empresas de engenharia do mundo todo. Por conta da credibilidade alcançada pelo governo chileno, as empreiteiras OAS (Brasil), Hyundai (Coreia do Sul), Systra (França) e Aas-Jakobsen (Noruega) uniram-se em um consórcio para construir a maior ponte pênsil da América Latina. As obras começam em fevereiro de 2015 e o empreendimento irá ligar a ilha Chiloé, na região central do Chile, ao continente, passando pelo Canal de Chacao.

Ponte Chacao: 38 mil m³ de concreto e 1.300 toneladas de aço

O projeto está orçado em 740 milhões de dólares (cerca de 1,850 bilhão de reais) e deverá ficar pronto no prazo de 79 meses (seis anos e sete meses). A ponte terá a extensão de 2.650 metros e será explorada (via pedágio) por um prazo de 20 anos pelo consórcio, com possibilidade de renovação do contrato. A fiscalização estará a cargo do Departamento de Estradas e Rodagem, ligado ao ministério de Obras Públicas do governo do Chile. Quando pronta, a ponte receberá quatro faixas de trânsito e sua construção envolverá aproximadamente dois mil trabalhadores.

O projeto estima o uso de 38 mil m³ de concreto e 1.300 toneladas de aço. Haverá a construção de três âncoras sólidas (duas delas localizadas nas margens da ponte, e uma no centro) as quais sustentarão o sistema de cabos de ligação. Duas torres de sustentação terão 179,8 metros de altura e uma terá 160,77 metros. A ponte contará com dois grandes vãos – um a 1.055 metros, a partir da ilha, e outro a 1.100 metros, a partir do continente. Em relação ao nível do mar, a estrutura terá uma altitude de 59 metros, para permitir a passagem de embarcações (veja vídeo no final da reportagem).

Superconcreto
Por causa do risco de abalos sísmicos, que frequentemente acontecem no Chile, e da velocidade do vento no canal, que pode chegar a 200 km/h, além das fortes correntes marítimas na região, a ponte pênsil irá utilizar superconcreto em suas estruturas. O material tem resistência superior a 150 MPa e os testes, após análise em túnel de vento, passarão pelo Laboratório de Materiais Avançados à Base de Cimento (LMABC), da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP). No centro de pesquisa da escola já foi desenvolvido superconcreto com até 220 MPa de resistência.

O projeto da ponte sobre o Canal de Chacao foi idealizado há 11 anos. Antes de consolidá-lo, o governo chileno realizou visitas técnicas a seis pontes semelhantes – quatro delas construídas na China e duas na Coreia do Sul. “Este é um projeto emblemático para o Chile. Por isso, passou por três governos até que se decidisse pela sua construção. Também foi minuciosa a escolha dos consórcios que se apresentaram. Escolhemos não apenas o que fez a melhor proposta, mas o que tem um histórico de obras bem-sucedidas em todo o mundo”, definiu o ministro de Obras Públicas, Alberto Undurraga.

Veja vídeo sobre construção da ponte pênsil:

Entrevistado
Ministério de Obras Públicas do Chile (via assessoria de imprensa)
Contato: www.mop.cl/Prensa

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Escola falha em inovação e prejudica empresas

Do ensino fundamental às universidades, políticas pedagógicas valorizam pouco os mecanismos que formam profissionais focados na produtividade

Por: Altair Santos

Para o consultor Mário Mendes Júnior, as escolas brasileiras - do ensino fundamental às universidades – têm políticas pedagógicas equivocadas em relação à inovação. Elas priorizam a escolarização em detrimento do espírito empreendedor, um dos pilares que levam ao surgimento de movimentos inovadores. Ainda segundo Mário Mendes Júnior, o governo também erra em não financiar a inovação, direcionando recursos maiores para projetos e empresas já consolidadas. Assim, o país deixa de dar um tratamento linear à inovação, limitando-se a nichos. Um deles é a construção civil, como o entrevistado revela a seguir:

Mário Mendes Júnior: Brasil tem cultura de segregar mundo das ciências

Por que o Brasil ocupa posição tão ruim em rankings internacionais de inovação?
Porque investe errado na educação. Digo isto, porque ciência, tecnologia e inovação estão muito distantes da população, chegando a ser quase uma ficção de Júlio Verne para a maioria dos brasileiros. Como no Brasil a maior parte das inovações acontece por acaso, e os índices de classificação quase sempre estão ligados ao número de registro de patentes, sempre ficamos para trás. Identificar a inovação e ter acesso a sua proteção é fundamental para começarmos a melhorar a nossa participação nos rankings. Um bom exemplo é o caso do inventor brasileiro do identificador de chamadas telefônicas (Bina), que luta na justiça até hoje pelos seus direitos de propriedade intelectual.

Qual a responsabilidade do governo neste mau desempenho?
Crianças crescem muito rápido e não pertencem a nós (seus pais). Elas pertencem ao seu tempo. Aplico aqui esta frase porque é comum no Brasil confundirmos educação com escolarização, embora ambos apoiem na formação do indivíduo. O problema é que as políticas pedagógicas que norteiam a educação no Brasil são totalmente equivocadas e pouco levam em consideração os mecanismos de produção de inovação.

Qual a responsabilidade das empresas neste mau desempenho?
No Brasil, competir no mercado internacional já é algo muito inovador. O que faz com que uma companhia seja mais inovadora de fato não é apenas o que ela inventa, mas sim como gasta o escasso recurso disponível. A habilidade para direcionar investimentos e executar estratégias é a verdadeira responsabilidade das empresas brasileiras, tendo em vista o restrito cenário que têm para inovar.

Qual a responsabilidade das universidades neste mau desempenho?
O principal papel das universidades é inovar na metodologia de atração de estudantes mais talentosos, estimulando a empreenderem. No Brasil, ainda se tem a cultura catedrática de segregar o mundo das ciências: exatas, biológicas, humanas e artes. Este esquema é contraproducente, pois quanto mais humanizado e eclético um engenheiro for, mais percepção das necessidades da sociedade terá. Isto vale também para as artes, cada vez mais audiovisuais e tecnológicas. Sair da era dos diodos e tríodos para a da colaboração multidisciplinar é o fator crítico de sucesso das universidades brasileiras.

Há algum segmento da economia nacional que se destaque em inovação?
Sim, a construção civil sempre se destacou e ainda será a vanguarda das próximas décadas. Não apenas pela demanda sempre crescente da infraestrutura, e pela necessidade de eliminação do déficit habitacional brasileiro, mas também pela contribuição mundial que nossos urbanistas e engenheiros emprestam ao mundo há mais de um século. Um bom exemplo é o engenheiro civil Saturnino de Brito (patrono da engenharia sanitária do país). Passados mais de 84 anos, algumas de suas obras seguem extremamente eficientes e resolveram muitas das mazelas de água e esgoto nas cidades brasileiras e também mundo afora. Em resumo: criamos uma grande escola de engenharia para desenvolvimento de cidades.

Como o senhor vê a construção civil brasileira sob o aspecto da inovação?
Se a construção civil não inovar a passos mais largos no Brasil, será inviável viver em uma sociedade sustentável. As políticas públicas até 2050 certamente suprirão nosso déficit habitacional e finalmente teremos resolvido as questões de água e esgoto, pois isso já vem acontecendo em diversos países. No futuro não haverá lixo, e sim matéria-prima a ser reprocessada. Este é o futuro da construção: desenvolvimento de materiais cerâmicos, polímeros e biopolímeros com ciclos eternos de reutilização. Não tenho dúvida de que o setor dará conta, pois algo parecido já ocorreu na área envolvendo a migração das tecnologias de materiais da petroquímica para a cloroquímica.

O setor da construção civil é, naturalmente, árido para a inovação ou há segmentos ainda mais restritos?
Há tanto espaço para inovação na construção civil quanto a defasagem existente entre o que conhecemos sobre o universo e a sua real extensão. Abrir a mente para novos modelos de moradias e novos materiais será premissa fundamental. Quando se trata de inovação, não há segmento restrito, pois sempre haverá a possibilidade de resolver uma demanda de forma mais econômica, sustentável e segura. A restrição sempre será o acesso ao capital de risco, já que alguns segmentos são mais atraentes para os investidores.

O capital humano é o grande propulsor da inovação?
Digamos que seja o vetor fundamental. Porém, sem política industrial de inovação ainda seremos meros coadjuvantes neste processo. Ainda que o mundo esteja cada vez mais plano, as novas tecnologias de produtos e serviços deverão complementar outros processos tecnológicos globais. Temos como exemplo disto a dobradinha Estados Unidos e Índia nos segmentos de Tecnologia da Informação e Comunicação.

Mas só capital humano não basta. O que é preciso mais?
É preciso um maior acesso ao capital de risco empreendedor, que leve em conta os setores mais promissores e estratégicos do Brasil, em detrimento das empresas consolidadas de mercado - hoje financiadas pelo BNDES.

O que o Brasil deve fazer para melhorar seu desempenho em inovação?
É preciso uma nova geopolítica e também renovação política para que os reduzidos programas de subvenção econômica e fomento sejam mais eficazes. Nossos parceiros do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão mais rápidos do que nós neste nivelamento do globo.

Entrevistado
Pesquisador Mário Mendes Junior, voltado a temas de desenvolvimento econômico mundial. É autor do livro “Procura-se Jovem Negro para Salvar o Planeta”.
Contato: mariomj@terra.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Ciclo PDCA para construção requer linguagem própria

Especialista afirma que ferramenta é adaptável a qualquer segmento da economia e recomendado a pequenas e médias empresas do setor

Por: Altair Santos

O Ciclo PDCA, sigla em inglês para Plan-Do-Check-Act (planejar-fazer-checar-agir) está arraigado em algumas empresas, sobretudo nas gigantes nacionais e nas multinacionais. No entanto, ainda é visto como inovador em companhias de pequeno e médio porte, principalmente as ligadas à cadeia produtiva da construção civil. Para o consultor empresarial Everton Carsten, a aplicação do PDCA neste segmento depende do desenvolvimento de uma linguagem apropriada. Obtida a adaptação, entende o especialista, os resultados virão de acordo com a forma de se planejar e do envolvimento dos colaboradores com o sistema de qualidade. Confira na entrevista a seguir:

Everton Carsten, diretor executivo da ECR: Ciclo PDCA hoje é essencial para os engenheiros

A aplicabilidade do PDCA na construção civil requer adaptações nos conceitos que integram esse modelo de gestão de qualidade?No caso da construção civil, qual é a demanda pelo Ciclo PDCA?
Com o apoio dos Sindicatos da Construção Civil, a filosofia da melhoria da qualidade começou a ser implantada nas construções e, consequentemente, a aplicação do PDCA para o desenvolvimento de projetos e processos ganhou corpo no setor.

Não vejo a necessidade de adaptação do PDCA para a aplicação na construção civil. O que é necessário é correlacionar a linguagem da construção civil com a do PDCA, pois é uma ferramenta que é totalmente adaptável a qualquer meio que utilizarmos. Basta compreendermos a sua forma e a sequência de funcionamento.

Hoje há muitos engenheiros procurando estudar o Ciclo PDCA?
Eu diria que é necessário que engenheiros tenham o pleno conhecimento, e também saibam aplicar o Ciclo do PDCA. Porém, a procura não é muito significativa, principalmente em relação aos treinamentos específicos de MASP (Método de Análise e Solução de Problemas), onde o PDCA é a ferramenta principal deste método.

A partir do PDCA, como é possível saber se um problema está sendo resolvido de forma correta?
O próprio ciclo do PDCA nos leva a este entendimento, de que o problema em questão está sendo resolvido de forma correta. Nos estágios de C - Check (verificação) e A - Action (Ação e Melhoria) temos condições de avaliar se as ações que foram planejadas e realizadas para a solução do problema foram as melhores. Havendo a necessidade de correção, nestes estágios poderemos verificar e já projetarmos melhorias que levem a soluções de problemas.

Até que ponto o PDCA permite saber se propostas ou novas ideias para um projeto irão funcionar?
No estágio P – Plan (Planejamento) podemos utilizar ferramentas que nos proporcionam informações para a tomada de decisão do melhor caminho a ser seguido. Esta é a visão japonesa, ou seja, devemos nos dedicar mais tempo para planejar, pois certamente a execução será feita de forma mais rápida e assertiva. Por isso, quanto mais dados e estatísticas forem utilizados no processo de planejamento, melhor será a nossa execução. Seja para o desenvolvimento de um projeto seja para a solução de um problema.

O Ciclo PDCA é o mais recomendado para pequenas e médias empresas, que precisam implantar mudanças sem desperdiçar recursos?
Certamente, o ciclo do PDCA é a melhor ferramenta para ser utilizado pelas pequenas e médias empresas para a realização de melhorias e também para obter a solução de problemas. Esta postura também impacta no uso de recursos, pois quando planejamos melhor as nossas ações o uso dos recursos é desenvolvido de forma mais adequada. Consequentemente, também teremos menor desperdício.

Desde a implantação do PDCA, até a percepção de que ele está trazendo resultados, há um intervalo de tempo definido ou depende de empresa para empresa?
A velocidade de aparecer os resultados depende de cada empresa, pois o envolvimento das pessoas conta muito neste processo. Quanto mais as pessoas se envolverem e se dedicarem em aplicar o Ciclo do PDCA, certamente teremos mais resultados.

A empresa que pretende implantar o PDCA precisa ter algum antecedente em gestão de qualidade?
Pela simplicidade e facilidade de aplicação do Ciclo do PDCA não é pré-requisito que a empresa tenha uma estrutura e ou conhecimento de qualidade. O que importa é que a empresa tenha o objetivo de melhorar o seu desempenho. É claro que se ela utilizar os conceitos e aplicar os benefícios que a qualidade proporciona, certamente haverá um melhor resultado.

O PDCA vale apenas para setores como diretoria, recursos humanos e marketing de uma empresa ou ele atinge o chão da fábrica também, disseminando-se na empresa?
O Ciclo do PDCA pode e deve ser aplicado em todos os ambientes da empresa, pois não há distinção de área e ou de cargo para o uso. Quanto mais pessoas utilizando, mais resultados positivos a empresa terá no desenvolvimento da sua cultura de qualidade e também no seu desenvolvimento perante o mercado.

Entrevistado
Everton Carsten é advogado e especialista em gestão empresarial, com certificações internacionais. Fundador e diretor da ECR Consultoria, atua em áreas como estratégia empresarial, liderança, controladoria e Finanças.
Contato: everton@ecrconsultoria.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330