Sanepar prevê investimentos de R$ 2,9 bi em novas PPPs
Em julho de 2023, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) realizou pela primeira vez um leilão na sede da B3 para a execução de serviços de esgotamento sanitário em 16 municípios do Centro-Litoral do Paraná. Na ocasião, a melhor proposta de Parceria Público-Privada (PPP) foi do grupo Angea, com R$ 3,19 o metro cúbico de esgoto tratado.
Com o sucesso da empreitada, em dezembro de 2023, a Sanepar realizou uma audiência pública na B3 sobre os projetos de Parcerias Público-Privadas (PPP) que serão contratados para as regiões Oeste e Centro-Leste do Paraná. O próximo passo é a realização do leilão, que deve acontecer no dia 21 de maio de 2024, às 14h.
Desta vez, os projetos de PPP contemplam a prestação de serviços de esgotamento sanitário em 112 municípios nas regiões Oeste e Centro-Leste do Paraná. Estima-se que o investimento total seja de R$ 2,9 milhões. O objetivo é que até 2033 cerca de 900 mil pessoas nos municípios selecionados passem a ser atendidas com coleta e tratamento.
“A Sanepar atende atualmente 80,2% da população com coleta e tratamento de esgoto. Estamos muito próximos de atender a meta estabelecida pelo marco do saneamento. Poderíamos fazer isso sozinhos, mas o objetivo é acelerar o processo com as PPP, o que significa entregar com mais celeridade uma vida melhor às pessoas”, afirmou Claudio Stabile, diretor-presidente da Companhia.
A PPP será realizada em três lotes, na modalidade de concorrência, com julgamento das propostas e habilitação dos concorrentes. São os seguintes lotes:
- Lote 1 – Centro-Leste – 36 municípios – R$ 934 milhões – 221.900 pessoas com serviço de esgotamento sanitário até 2033;
- Lote 2 – Oeste – 48 municípios – R$ 1,29 bilhão – 323.800 pessoas com serviço de esgotamento sanitário até 2033;
- Lote 3 – Oeste – 28 municípios – R$ 685 milhões – 328.800 pessoas com serviço de esgotamento sanitário até 2033.
De acordo com a especialista da Sanepar que coordena o processo da PPP, Marisa Capriglione, a parceria público-privada (PPP) abrange a coleta, transporte, tratamento e disposição final do esgoto, com obras e operações previstas até o ano de 2048. Do montante total a ser investido, a maior fatia, correspondendo a 48,4%, será destinada à instalação da rede coletora de esgoto, enquanto 24,7% serão alocados na construção das estações de tratamento de esgoto.
Em busca do Marco do Saneamento
Recentemente, a cidade de Maringá (PR) foi a primeira colocada na 16ª edição do Ranking do Saneamento 2024. No top 20, também estão outros municípios paranaenses como Cascavel, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu e Londrina.
De acordo com o estudo intitulado "Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Paraná", foi observado que entre 2005 e 2022 houve um significativo aumento na extensão da rede de distribuição de água no estado. Em 2005, essa rede abrangia 40 mil quilômetros, aumentando para 72,9 mil quilômetros até 2022, refletindo uma taxa média de crescimento anual de 3,6%. Durante o mesmo período, a rede de coleta de esgoto também registrou um incremento, passando de 19 mil quilômetros para 42,2 mil quilômetros, representando um aumento de 4,8%.
Fonte
Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar)
Contato
imprensa@sanepar.com.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
Indicador Abrainc/Fipe registra recorde na venda de novos imóveis em 2023
Os resultados consolidados de 2023 mostram que houve um aumento de 32,6% de vendas de novos imóveis de janeiro a dezembro, em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 163.108 unidades. O número estabeleceu um novo recorde da série histórica, iniciada em 2014.
Os dados foram obtidos pelo indicador Abrainc/Fipe, que é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a partir de informações obtidas de 20 empresas associadas à Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).
As unidades comercializadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) registraram crescimento de 42,2% (117.434 unidades), enquanto o segmento de Médio de Alto Padrão (MAP) teve aumento de 14% (42.997). Em relação ao valor dos imóveis, que ficou 34,7% mais alto (R$ 47,9 bilhões), o MCMV fechou com +55,1% (R$ 26 bi), e o MAP, +18,9% (R$ 21,1 bi).
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"Frente a um desafiador início de ano no contexto macroeconômico, com repercussões em diversos setores, os ajustes nos indicadores econômicos e as melhorias substanciais no programa Minha Casa, Minha Vida desempenharam papéis determinantes no bom desempenho do setor no último ano", ressaltou o presidente da Abrainc, Luiz França.
Segundo a Associação, o bom resultado de 2023 reflete as medidas de ajuste para ampliação do acesso às famílias de menor renda, sendo importante manter regras estáveis para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que é a principal fonte de recursos para o crédito imobiliário.
Em relação aos lançamentos, o indicador Abrainc/Fipe apontou uma queda de 2% no ano passado (118.062 unidades). O recuo de 38% (24.527) no segmento MAP contribuiu para o número, que se mostrou negativo apesar do crescimento de 16,7% (92.273) do MCMV. Em comparação ao valor, houve um incremento de 10,1% (R$ 38 bi) nos lançamentos, com uma queda de 9,2% (R$ 16,7 bi) no MAP e elevação de 39,3% (R$ 21,3%) nos imóveis do MCMV.
Luiz França enfatiza que a construção civil é responsável por 11% dos empregos formais do país e por 9% dos impostos gerados no Brasil, e que a continuidade da redução da taxa Selic (taxa básica de juros da economia) será fundamental para que o setor continue se desenvolvendo neste ano.
"Com a atual tendência de queda da taxa de juros, é esperado um aumento nas vendas em 2024, tornando a compra de imóveis para investimento ainda mais atrativa", avalia o presidente da Abrainc. "Além disso, observou-se um incremento de 17% nos preços dos aluguéis, fortalecendo ainda mais a procura por ativos imobiliários."
Fontes
Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc)
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
Vogg Experience
A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
Veja os desafios e soluções do edifício mais alto de Itapema (SC)

Crédito: Rodrigo Kirck Arquitetura
Nos próximos anos, a cidade de Itapema (SC) deverá ganhar o seu prédio mais alto, o Empire 234, com previsão de entrega para 2030. Como o nome sugere, o arranha-céu terá 234 metros de altura, 60 andares e mais de 50.000 m2 de área construída. Quando ficar pronto, ele estará entre os dez edifícios mais altos do país.
Desafios e soluções deste projeto
A construção de um prédio desta magnitude engloba diversos desafios. Por conta disso, as soluções arquitetônicas e de engenharia deste empreendimento foram destaque na Feira Construsul, realizada em Balneário Camboriú. Confira as soluções utilizadas neste empreendimento:
- Sistemas preventivos contra incêndio: o prédio contará com dois tipos de escada. Do térreo ao oitavo pavimento, será a enclausurada ventilada. A partir do nono pavimento, haverá uma antecâmara ventilada (tipo balcão). Não haverá escada pressurizada. Além disso, o prédio terá dois pavimentos com redutos (locais protegidos contra o fogo), com capacidade para 205 pessoas. Também haverá sistemas de sprinkler com 3.315 chuveiros automáticos e 683 detectores pontuais;
- O prédio contará com captação de ar limpo para renovação de ar dos redutos, que será realizado na cobertura;
- Climatização de áreas comuns: serão 744 pontos para instalação de evaporadoras e 795 toneladas de carga térmica ou 9.543.000 BTU. Haverá splits individuais, multisplit e multisplit VRV. Ainda, a otimização da carga elétrica será realizada através do sistema VRV. A climatização foi planejada para reduzir o consumo energético;
- Sistemas elétricos e de telecomunicações: será feita uma subestação com 1.000kVA instalados. Serão 3 linhas de barramento, com o cerca de 780 m de barramento blindado;
- Sistema hidrossanitário: o projeto prevê 20 estações redutoras de pressão, distribuídas em 10 pavimentos e instaladas em quatro colunas com diferentes configurações. Será feito um recalque hidráulico com um único lance sem necessidade de tanques intermediários, com motobombas de 60cv;
- Túnel de vento: ao construir um arranha-céu, um dos grandes desafios é a proteção contra o evento. De acordo com o arquiteto Rodrigo Kirck, do escritório Rodrigo Kirck Arquitetura, o projeto Empire 234 teve no seu início com as simulações em softwares de túnel de vento virtual. Em uma segunda etapa, houve a reformulação prismática para aumento de inércia. Na terceira, foi feita a confecção de maquete em escala com mais de 300 sensores para testes em túnel de vento na Inglaterra. Com os resultados, a equipe chegou à etapa de detalhamento pré-executivo de todas as disciplinas do futuro empreendimento;
- Fundação: Kirck aponta que a fundação do Empire 234 ainda está em desenvolvimento, visto a complexidade de ancoragem da torre que sofre muito com relação à altura e ventos;
- Projeto arquitetônico: Kirck menciona que os maiores desafios surgiram com a necessidade de mais de uma morfologia de pavimento tipo (também conhecido como pavimento padrão). Aliado a isso, há a complexidade da altura da edificação, necessitando compatibilizar com os limites impostos pelos projetos complementares.
Modelagem

Crédito: Rodrigo Kirck Arquitetura
Devido ao tamanho de empreendimento, complexidade do projeto e quantidade de elementos a serem modelados por todas as disciplinas, tornou-se necessário trabalhar e modelar os projetos das instalações divididos em setores.
“Na primeira etapa de projeto, onde discutimos todas as necessidades técnicas do empreendimento, fizemos as análises gerais de toda a arquitetura e pensamos no conjunto completo das necessidades da engenharia. Assim, após recebermos o projeto de arquitetura revisado contendo as adequações solicitadas pela equipe da Exponent, nós partimos para as primeiras modelagens. A quantidade de divisões dos modelos é decidida em conjunto entre os responsáveis de cada projeto e equipe de qualidade da Exponent, observando as complexidades, quantidade de modelagens, e principalmente, as vantagens que a divisão dos modelos irá nos proporcionar, como: facilidade de exportar e compartilhar os projetos, facilidade de vincular os projetos, praticidade no processo de compatibilização e identificação de interferências”, explica Leandro Oliveira, engenheiro e coordenador de projetos na Exponent Engenharia.
Para o projeto Empire 234, optou-se por dividir os projetos em quatro setores, seguindo os critérios mencionados. De acordo com Oliveira, isso permitiu que trabalhassem de forma mais eficiente, como se estivesse lidando com quatro projetos distintos, mas sempre mantendo a visão integrada do projeto como um todo.
Uso do BIM no Empire 234
Para Oliveira, usar metodologias e processos BIM (Building Information Modeling) proporcionou melhor direcionamento dos projetos, desde os primeiros passos. Com a determinação de um bom Plano de Projeto contendo todas as definições de processos de trabalho, foram organizadas as informações que são cruciais para o direcionamento da elaboração dos projetos e principalmente no alinhamento das comunicações.
“Além disso, usar processos e metodologias BIM nos proporciona aumento da qualidade dos projetos, como confiabilidade nos quantitativos de materiais, disponibilidade de informação dos projetos através de modelos em 3D, compatibilização entre todos os projetos, fidelidade das informações das plantas baixas com as modelagens e qualidade técnica dos projetos. Esses são apenas alguns dos aspectos que evidenciam os benefícios do BIM para o projeto e construção do Empire 234. A sua utilização não apenas otimizou os processos envolvidos, mas também contribuiu para um resultado de alta qualidade e alinhado às expectativas e necessidades do cliente”, destaca Oliveira.
Entrevistados
Leandro Oliveira é engenheiro e coordenador de projetos na Exponent Engenharia.
Rodrigo Kirck é arquiteto do escritório Rodrigo Kirck Arquitetura.
Contatos
Leandro Oliveira: leandro@exponent.eng.br
Rodrigo Kirck: contato@rodrigokirck.com.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
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Palestra aborda inspeção e recuperação de edifícios em cidades litorâneas
A palestra "Edifícios em cidades litorâneas: inspeção, diagnóstico, recuperação e monitoramento de estruturas de concreto armado" foi um dos destaques da programação da Construsul BC – Feira da Indústria da Construção e Acabamento, que teve sua primeira edição realizada de 23 a 26 de abril em Balneário Camboriú (SC).
O responsável pela apresentação foi o engenheiro civil Joelcio Luiz Stocco, que falou sobre aspectos técnicos e métodos aplicados para evitar e recuperar a deterioração de estruturas em empreendimentos localizados no litoral.
Ao Massa Cinzenta, ele explica que as construções de edifícios nestes lugares não são mais complicadas nem mais caras do que em outros locais. "Porém, trata-se de uma região de alta agressividade ambiental, muitas vezes com névoa salina constante, sendo assim, as orientações normativas quanto à durabilidade devem ser atendidas tanto nos projetos quanto na execução", explica.
Abaixo, leia o bate-papo com Joelcio Luiz Stocco, mestre em engenharia pela Universidade Federal de Santa Catarina, sócio-administrador da Stocco Engenheiros Associados, diretor regional em Santa Catarina do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon) e membro da Diretoria da Associação Brasileira de Patologia das Construções (Alconpat Brasil).
O quanto a tecnologia evoluiu, ao longo dos anos, para beneficiar a segurança de construções em cidades litorâneas?
Joelcio Luiz Stocco - Se pensarmos que o concreto armado é um material relativamente recente, pouco mais de 100 anos, ainda estamos aprendendo muito sobre ele. Porém, a tecnologia do concreto armado evoluiu drasticamente mais recentemente. O grande crescimento do uso do concreto armado se deu a partir dos anos 1950 no Brasil, e, em Florianópolis, onde atuo, a década de 1970 marcou o uso de um grande número de edifícios em concreto armado com ênfase no concreto aparente.
Com o passar do tempo, temos observado um grande número de manifestações patológicas surgindo nessas edificações. Os critérios de durabilidade foram tratados de forma mais firme somente a partir de 2003, quando a ABNT NBR 6118 passou por uma mudança expressiva e inseriu o tópico de durabilidade em seu texto. A versão anterior, a NB-1, de 1978, que passou a se chamar NBR 6118 em 1980, fazia apenas considerações sobre efeitos de segunda ordem de acordo com o ambiente, falando de algumas medidas, como, por exemplo, um maior cobrimento em ambientes agressivos, dependendo da agressividade, sem se aprofundar no tema.
Sendo assim, pode-se afirmar que critérios normativos acerca de durabilidade são recentes, mas tem se discutido muito o tema, onde a tecnologia do concreto armado evolui rapidamente. Contudo, as recomendações normativas ainda não são postas em prática de forma absoluta, e é comum ainda se encontrar obras que não seguem as prescrições da norma e que continuam apresentando danos com o passar do tempo.
Qual o tipo de concreto mais indicado nestes casos e suas especificidades?
Joelcio Luiz Stocco - Concretos com baixa porosidade, relação água/cimento (a/c) menor ou igual a 0,55, por norma. Na minha opinião, e em vários cursos que participei, já se fala em relações a/c menor ou igual a 0,5, mas, se já forem atendidas as orientações normativas, a estrutura vai apresentar um bom desempenho quanto à durabilidade.
Cabe salientar que na grande maioria das vezes a especificação do concreto vem apenas com a resistência à compressão, o famoso "fck", e, em outros casos, quem está fazendo a ordem de compra apenas informa a classe do concreto sem levar em conta a relação água/cimento (a/c).
Considerando que atualmente estamos conseguindo produzir concretos com até 8,5 kg de cimento por MPa [unidade de medida do fck], então, um concreto de resistência à compressão fck = 30 MPa estaria com uma relação a/c = 0,73, para um consumo de água de 185 litros por metro cúbico. O que acaba não atendendo à indicação das normas. Contudo, o uso de adições tipo escórias, fíler ou materiais pozolânicos pode colaborar para diminuir a porosidade do concreto.
Dessa forma, um profissional especialista em tecnologia do concreto pode colaborar muito na especificação do tipo de concreto mais apropriado para cada situação, e o próprio calculista poderia utilizar em seus projetos uma classe de concreto mais elevada, se beneficiando assim dessa maior resistência para otimizar seus cálculos.
Os danos mais observados são quais? E como evitá-los ou amenizá-los?
Joelcio Luiz Stocco - Os danos mais observados em estruturas de concreto armado em regiões litorâneas são os causados pela despassivação da armadura, provocado por elevado teor de íon cloreto, que, inicialmente, se manifesta com fissuras no concreto por causa da expansão da armadura, devido aos produtos de corrosão, seguido por lascamento do concreto e corrosão acentuada da armadura, evoluindo para lascamento acentuado do concreto e perda significativa da seção da armadura.
O item 6.3.3.2 da NBR 6118 (ABNT, 2023) já trata do assunto de como evitar ou minimizar esse problema: “…As medidas preventivas consistem em dificultar o ingresso dos agentes agressivos (íon cloreto nesse caso) ao interior do concreto. O cobrimento das armaduras e o controle da fissuração minimizam este efeito, sendo recomendável o uso de concretos com pouca porosidade…”.

Crédito: Reprodução/Palestra Stocco
Também temos que pensar no tratamento das armaduras que já apresentam corrosão. Por algum tempo, foi utilizada uma técnica de aplicação de um metal de sacrifício (zinco) sobre as armaduras, porém, essa técnica se mostrou pouco durável, com a volta dos problemas num curto espaço de tempo. Atualmente, o procedimento mais usado é o de evitar a condição de ocorrência de corrosão.
Para que ocorra corrosão da armadura é necessário que três condições estejam presentes: o contaminante, que no nosso caso é o íon cloreto, a presença de água (umidade) e o oxigênio. Então, uma vez que o íon cloreto se liga à armadura, ele não sai mais. Até existem técnicas para a sua remoção, mas que, na prática, se tornam inviáveis economicamente. Dessa forma, o procedimento mais usual é a diminuição do teor de íon cloreto com remoção mecânica, aplicação de "anticorrosivo" e ponte de ligação sobre a armadura, finalizando com argamassa polimérica ou grout de recuperação, evitando que a água e o oxigênio cheguem até a armadura.
Outras medidas adicionais podem ser tomadas, como, por exemplo: aplicação de revestimentos hidrofugantes, pinturas especiais, proteção catódica das armaduras, entre outros (vide item 7.7 - Medidas especiais da NBR 6118). Cabe salientar que com o passar do tempo os problemas tendam a voltar, então, se torna essencial um acompanhamento das estruturas de concreto através de monitoramento periódico. Dessa forma, é possível que se procedam intervenções menores que recuperam o desempenho das estruturas e são menos onerosas aos proprietários.
Fonte
Joelcio Luiz Stocco, engenheiro civil e representante da Stocco Engenheiros Associados Ltda
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
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Autocicatrização do concreto garante maior durabilidade às estruturas
A primeira edição da Construsul BC – Feira da Indústria da Construção e Acabamento foi realizada em Balneário Camboriú (SC) de 23 a 26 de abril e reuniu cerca de 150 expositores do setor, além de promover uma série de palestras relevantes sobre os mais diversos assuntos.
Um dos destaques foi a apresentação "Autocicatrização do concreto, o caminho para durabilidade das estruturas", ministrada pela engenheira civil Rafaela Eckhardt, consultora técnica da Penetron. "Atualmente, a autocicatrização no concreto ocorre através de um aditivo cristalizante incorporado ao concreto fresco, que, em contato com água e com os compostos de hidratação do cimento, reage formando cristais insolúveis nos poros e fissuras do concreto, com aberturas de até 0,5 mm", explica a especialista, ao Massa Cinzenta.
"Este processo pode ocorrer em até 28 dias em contato permanente com água. Apesar do aditivo ser a forma mais utilizada no mercado, principalmente em situações de obras novas, há também o fornecimento desta tecnologia aplicada de forma tópica por projeção ou pintura sobre o concreto endurecido, ambas com o mesmo desempenho", complementa.
O chamado concreto autocicatrizante tem a capacidade de "curar" ou reparar suas fissuras sem a intervenção externa, promovendo a selagem e recuperação das propriedades do material e mantendo sua estrutura. "Com base nos ensaios de penetração de cloretos e de carbonatação, em modelos de durabilidade, ou seja, em corpos de prova fissurados (considerando a situação mais crítica presente em obra), é verificada uma vida útil de 110 anos [em vez de 50] para a estrutura de concreto autocicatrizante, justificada pela proteção que o material dá à estrutura, impedindo a entrada de agentes agressivos ao concreto e ao aço", afirma Rafaela Eckhardt.
Em relação aos custos, a especialista diz que eles são baixos, principalmente se forem considerados o custo/benefício e o ganho de durabilidade - e garante que o mercado já vem utilizando o material em larga escala.
A indicação para o seu uso, segundo ela, seria em situações de concretos hidráulicos, que terão contato com a água. "Sendo assim, se for citar estruturas que deveriam receber o autocicatrizante, teremos alguns exemplos na parte imobiliária: subsolos, piscinas, fundações, contenções, concreto aparente, poços de elevador etc. Já nas áreas de infraestrutura: Estações de Tratamento de Água (ETA) e Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), pontes, túneis, portos, silos, estádios, barragens etc."
Com a tecnologia desenvolvida ao longo dos anos, a engenheira civil afirma que a autocicatrização foi aperfeiçoada, já que foi observado que "não há efetividade em durabilidade quando não se tem essa característica junto com a redução da permeabilidade, pois todo o concreto fissura, e, se esta fissura não for colmatada [preenchida], a penetração de agentes agressivos irá ocorrer por ela". Rafaela reforça, ainda, que o Brasil, de forma geral, está bem avançado no assunto e que a tecnologia está consolidada. E destaca a realização do 1º Simpósio Brasileiro de Autocicatrização (Sibracic), na UFRGS, em Porto Alegre, em setembro deste ano.
A especialista também diz que não há uma norma técnica brasileira específica sobre autocicatrizante ou cristalizante, e que, por isso, são utilizadas como parâmetros as seguintes normas:
NBR 11768: Aditivos químicos para concreto de cimento Portland, que informa a existência de um aditivo redutor de permeabilidade (RP), porém, não aborda requisitos de desempenho e não fala sobre a característica de autocicatrização.
GB 18445: Materiais cimentícios impermeabilizantes por cristalização capilar, onde aqui já constam informações de desempenho, além de abordar a cristalizante por adição e por pintura.
ACI 212.3: Relatório sobre aditivos químicos para concreto, onde aqui a tecnologia é descrita como aditivo redutor de permeabilidade, havendo a separação entre os cristalizantes, para condições hidrostáticas (PRAH – Permeability-Reducing Admixture: Hydrostatic Conditions), e os hidrofugantes, para condições não hidrostáticas (PRAN - Permeability-Reducing Admixture: Non-Hydrostatic Conditions).
Ainda sobre documentos técnicos, Rafaela Eckhardt informa que o CT 501 (Comitê Ibracon/IBI Estanqueidade de Estruturas de Concreto) está elaborando uma espécie de guia, que, futuramente, deverá ser uma norma, sobre o aditivo redutor de permeabilidade por cristalização capilar integral autocicatrizante, onde serão avaliados os desempenhos quanto à redução da permeabilidade e à autocicatrização de fissuras.
Fontes
Construsul BC – Feira da Indústria da Construção e Acabamento
Rafaela Eckhardt, engenheira civil e consultora técnica da Penetron
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
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Obras de concreto estanque: veja como minimizar problemas

Crédito: Envato
De acordo com dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI), os gastos com impermeabilizantes durante o processo de construção são estimados entre 1% e 3% do custo total da obra, podendo atingir de 10% a 15% em situações que demandam correção. Durante a Feira Construsul, realizada em Balneário Camboriú, André Luís Rossi, sócio-proprietário da Fênix Engenharia e Consultoria, falou sobre a importância da Análise Técnica (ATP) e Controle de Qualidade (CQP) de projeto para obras de concreto estanques.
Primeiramente, Rossi abordou a importância da impermeabilização. “Ela se faz necessária para evitar desperdício de água, proteger e valorizar o patrimônio, aumentar a durabilidade das estruturas e garantir a salubridade do ambiente”, afirma Rossi.
Para evitar problemas de infiltração, Rossi destaca a importância de fazer um planejamento que inclua as seguintes etapas:
- Envolvimento no pré-projeto;
- Análise do projeto estrutural e arquitetônico;
- Definição de parâmetros para estruturas estanques;
- ATP – Avaliação Técnica do Projeto;
- Projeto de impermeabilização;
- CQP - Controle De Qualidade Do Projeto.
Projeto de Impermeabilização
Para Rossi, é fundamental ter um projeto para uma fase tão complexa da obra. “A escolha e definição de um sistema impermeabilizante passa por muitas variáveis, que são analisadas na elaboração de um projeto de impermeabilização. Este documento também deve trazer um estudo de detalhes e fatores que podem interferir em um bom desempenho da impermeabilização. Por fim, deve considerar a durabilidade da estrutura e a estanqueidade”, pontua Rossi.
- Leia também: Impermeabilização deve vir contemplada no projeto
ATP -Avaliação Técnica de Projeto Estrutural
A ATP é um processo de análise técnica não somente na parte de impermeabilização, mas sim para qualquer projeto estrutural, principalmente em estruturas que têm um grau de responsabilidade sobre o cálculo delas. “É uma espécie de ‘conferência’. Caso seja necessário, os ajustes são feitos por dois profissionais, tanto pelo projetista quanto pelo profissional que está realizando a ATP em comum acordo sobre as modificações”, expõe. Ainda de acordo com Rossi, ela deve ser realizada antes da execução das estruturas e o ideal é que seja feita junto com o desenvolvimento do projeto.
Rossi afirma que a ATP é composta por uma análise criteriosa dos projetos estruturais. “No caso dos projetos de obras estanques, analisamos todos os aspectos de esforços que serão solicitados pela estrutura, tanto das lajes subpressão, quanto das paredes de contenções e blocos de fundação”, destaca.
O objetivo da ATP é avaliar se o projeto atende às questões de segurança e desempenho exigidos para a estrutura usada como elemento estanque. “A ATP traz uma análise detalhada e criteriosa para minimizar possíveis erros e garantir a segurança e estabilidade da estrutura. Caso a ATP não seja feita, corre-se o risco de ter uma estrutura que não tenha o desempenho necessário, além de comprometer a vida útil do edifício”, justifica Rossi.
Ainda, deve ser feita por um profissional diferente do responsável pelo Projeto Estrutural. “Para realizar a ATP de um projeto, é necessário que o profissional seja um engenheiro especialista em Cálculo Estrutural. No caso da ATP para obras de concreto estanques, é de extrema importância que o profissional, além de ser um calculista estrutural com uma certa experiência, conheça também sobre solos, pois a influência do lençol, tipo de solo e atuação dele na estrutura irão influenciar nos cálculos finais de esforços na estrutura”, detalha Rossi.
CQP – Controle de Qualidade do Projeto
De acordo com Rossi, o CQP (Controle de Qualidade do Projeto) nada mais é que a conferência, acompanhamento e direcionamento de algumas etapas. “No caso da impermeabilização ou estanqueidade da obra, trata-se de detalhes e tratamentos para que sejam executados minimizando ou zerando a possibilidade de erros, ou de processos aplicados de forma errada. Ele ajuda a identificar as formas para eliminar causas de resultados insatisfatórios”, explica Rossi.
Os procedimentos do CQP são desenvolvidos durante a execução e detalhes são observados durante visitas. Além disso, há várias reuniões de alinhamento.
A qualidade das aplicações ou execuções de procedimentos visando a estanqueidade indicada em projeto, ou até mesmo durante o CQP, exigem uma certa experiência, por isso é recomendado que seja executado por uma mão de obra que saiba todos os procedimentos para o sucesso da etapa de execução.
“Existe uma sinergia entre o executor do CQP e a equipe de aplicação, garantindo que tudo ocorra conforme especificado. O alinhamento entre a equipe e o sistema escolhido para aplicação em certas etapas inclui muitas vezes o treinamento pelos fabricantes e a, experiência e vivência de situações encontradas em outras obras”, conclui Rossi.
Entrevistado
André Luis Rossi é sócio-proprietário da Fênix Engenharia. Trabalhou como consultor técnico comercial de empresas como a Lwart, Sika, Dryko e Penetron. Como engenheiro civil, atuou em obras comerciais e de infraestrutura, além de loteamento. Também foi engenheiro civil da Odebrecht Engenharia.
Contato: rossi.adnrefenix@gmail.com
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Marina Pastore
DRT 48378/SP
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Conheça o museu “flutuante” com 1 km construído na China
No início do ano, foi inaugurado na China um museu que fica nas proximidades de um lago artificial e se estende por 1 quilômetro. Caracterizado por uma arquitetura que emula as formas sinuosas das ondas do mar, o Museu de Arte Zaishui está localizado em Rizhao, na província de Shandong. Trata-se de uma realização do escritório de arquitetura Junya Ishigami + Associates, do Japão.
O interior do museu não só funciona como um local para exposições, mas também desempenha o papel de área comercial e centro de visitantes.
Arquitetura integrada à natureza
O design do Museu de Arte Zaishui é uma fusão entre arquitetura moderna e a natureza circundante. No momento do planejamento, o arquiteto Junya Ishigami embarcou em uma jornada até Wuzhen, uma cidade entrelaçada por canais, onde pôde explorar diversas opções. No desfecho, optou não por localizar o museu à margem, mas sim integrá-lo ao próprio lago.

Crédito: Arch-Exist
Ancorado ao solo em ambas as extremidades, o museu se estende ao longo das margens do lago. Dentro da estrutura principal, ausentam-se paredes, divisões ou barreiras visuais. Em seu lugar, um piso de concreto polido contínuo distingue os espaços. À semelhança de muitas construções tradicionais japonesas, o piso transcende sua função básica de sustentação, tornando-se um elemento crucial na definição do ambiente. Sua superfície em concreto, expansível e contrátil, delineia áreas específicas e rotas de circulação.
No ponto mais estreito, localizado no hall de entrada, o piso se estreita a apenas 213 cm de largura. A água do lago se estende pelas bordas externas deste caminho, onde o concreto se curva suavemente, simulando uma praia de areia. "Eu o concebi como uma ilha", comenta Ishigami.
Materiais utilizados
O espaço é equipado com 900 painéis de vidro transparente, os quais se estendem por cerca de 10 cm abaixo da superfície do lago. Uma lacuna entre o envidraçamento e o piso de concreto, deliberadamente deixada aberta, permite que a água flua para dentro, enquanto nas áreas ocupadas, o piso se eleva constantemente 10 cm acima dela. Durante o inverno, quando o lago congela, um sistema de aquecimento de volume de ar variável sob o piso mantém a água no interior líquida, apesar de estática e cristalina. No verão, as brisas trazem ar fresco ao ambiente, graças aos cem painéis operáveis. "Meu objetivo era criar um novo ambiente externo dentro do próprio edifício", explica o arquiteto.
Entre as camadas de vidro, estão 150 colunas de concreto reforçado com aço ao longo de cada lado do edifício. Com espaçamento de aproximadamente 6,10 metros e dimensões de 35,5 cm por 22,8 cm, essas colunas transferem suas cargas para fundações únicas, assentadas no fundo estável do lago. Sob a água, elas também sustentam as barras de aço que prendem as unidades envidraçadas por baixo. Ao contrário de projetos anteriores de Ishigami, como o Workshop do Instituto de Tecnologia de Kanagawa, que empregou 305 colunas de aço superfinas, o sistema estrutural aqui foi mais direto. Contudo, a realização de uma construção de concreto de alta qualidade exigiu orientação dos arquitetos e inúmeras simulações por parte do empreiteiro.
Um dos destaques do projeto é o telhado ondulado, construído em concreto. Alcançando sua altura máxima de 4,88 metros no extremo oeste do edifício, ele declina até atingir sua mínima elevação de 1,22 metros. Essas variações possibilitaram a Ishigami manipular as relações entre o interior e o exterior. Onde o telhado se inclina para baixo, apenas o lago é visível, enquanto nas áreas onde se eleva, a paisagem se expande, revelando a montanhosa vista ao longe. Na sua face inferior, o teto de concreto é banhado pela luz do sol em constante mutação, cujas sombras se refletem na água. Além de lâmpadas portáteis para emergências, o sol é a única fonte de iluminação do museu, novamente obscurecendo a distinção entre o interior e o exterior. Para aproveitar ao máximo as melhores horas de luz do dia, o museu opera somente das 10h às 16h.
Fonte
Escritório de arquitetura Junya Ishigami + Associates
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
Contrapisos autonivelantes: quais as vantagens e onde usá-los?

Crédito: Eng. Civil Luiz Alberto Trevisol, MSc.
O contrapiso autonivelante nasceu na Europa nos anos 70. No entanto, ele passou a ser difundido de forma mais efetiva na Espanha a partir dos anos 90, mais precisamente em 1999.
“O contrapiso autonivelante é uma argamassa de alta fluidez, mais precisamente autoadensável, para ser usada como camada de revestimento intermediária, ou seja, como etapa de regularização”, define Luiz Alberto Trevisol Junior, engenheiro civil e gerente técnico da Hobimix.
Como é feito um piso autonivelante?
Trevisol explica que o contrapiso autonivelante é desenvolvido a partir da combinação de agregados com curvas granulométricas precisamente ajustadas. Ainda, conta com uma composição de aglomerantes e adições que tem como objetivo garantir uma melhor reologia do material e, aditivos de última geração que além de promoverem a fluidez do material e a retenção da água, permitem com que ele possa ser aplicado e bombeado a grandes alturas.
“A dosagem racional aliada à escolha das matérias primas e o controle no momento da produção permitem que o material mantenha suas características durante a aplicação, mesmo quando submetido a transporte a grandes alturas garantindo produtividade”, pontua o gerente técnico da Hobimix.
Onde utilizar um contrapiso autonivelante?
Os contrapisos autonivelantes podem ser utilizados em quaisquer áreas que necessitem de regularização e/ou proteção mecânica. “Suas características permitem que ele tenha um ótimo desempenho em ambientes internos como residências e áreas comerciais como supermercados e lojas. Já para áreas externas, o indicado é que os espaços que receberão o contrapiso e o revestimento final sejam de tráfego moderado”, sugere Trevisol.
Diferentes tipos de contrapiso autonivelante
Os diferentes tipos de contrapisos autonivelantes variam de acordo com as matérias-primas utilizadas e os aditivos neles empregados, segundo o gerente técnico da Hobimix.
“Essas variações acabam por alterar suas características de aplicação, por exemplo, método de bombeamento e espalhamento bem como as suas resistências finais de compressão, abrasão e seu módulo de elasticidade. Em alguns casos ainda há a utilização de fibras para otimizar o produto em aplicações sobre mantas, no sistema flutuante” Podem ser bombeadas através de autobombas, as mesmas utilizadas para o bombeamento vertical de concreto, ou então em bombas de pistão, utilizadas em aplicações de menor escala, ou ainda em bombas helicoidais que também são conhecidas como bombas de rotor-estator, que funcionam bem para materiais mais viscosos”, afirma Trevisol
Vantagens do piso autonivelante
Na opinião de Trevisol, os benefícios de utilizar os contrapisos autonivelantes passam por aspectos técnicos e econômicos:
- A diminuição da espessura do contrapiso a ser aplicado. Consequentemente, isso diminui a carga aplicada sobre a superfície.
- Como o próprio nome do produto sugere, ele oferece melhor nivelamento da superfície.
- A diminuição do aparecimento de fissuras, uma vez que os usos de aditivos químicos contam com propriedades de retenção de água auxiliam na menor retração do material;
- Quando comparado aos métodos tradicionais de aplicação de contrapiso, a produtividade é infinitamente superior. O fato do produto se ajustar ao ambiente aplicado por conta da sua fluidez e do método de lançamento mecânico faz com que a área aplicada em alguns casos supere os 1000 m²/ dia. Isso diminui consideravelmente o tempo desta fase da obra e, consequentemente, o custo do metro quadrado aplicado;
- Por conta da planicidade e acabamento final, existe a redução do consumo de argamassa colante para assentamento de revestimentos e otimização da aplicação de pisos laminados e vinílicos;
- O contrapiso autonivelante pode ser aplicado sobre sistemas acústicos e de aquecimento.
Entrevistados
Luiz Alberto Trevisol Junior, gerente técnico da Hobimix é engenheiro civil, mestre em engenharia de materiais com trabalho voltado ao estudo das propriedades e desempenho da argamassa estabilizada.
Contato
luiz.alberto@hobimix.com.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
Copel anuncia R$ 2,1 bilhões de investimentos em 2024 para distribuição de energia
O Governo do Paraná e a Copel (Companhia Paranaense de Energia) anunciaram, no início de março, um plano de investimentos recorde para a distribuição de energia no Estado. Serão R$ 2,1 bilhões aplicados em obras de melhorias em todas as regiões, até o final de 2024.
De 2019 até o início deste ano, a companhia já havia totalizado R$ 12,7 bilhões em recursos para o setor. "Estes investimentos dão continuidade à modernização dos ativos da companhia iniciada em 2019 e garantem a prestação de serviço a mais de 11 milhões de paranaenses", destacou o presidente da Copel, Daniel Pimentel Slaviero.
Os projetos preveem a construção de novas redes, de 18 subestações, 12 linhas de distribuição e a ampliação e modernização de outras 80 subestações, além da instalação e substituição de transformadores.
Das 18 novas subestações, três delas devem começar a operar ainda em 2024: a de Petrópolis (em Francisco Beltrão), a de Morangueira (em Maringá) e a de São Miguel do Iguaçu (em Oeste). Outras que também já estão sendo construídas são as de Capanema, Cianorte, Campo Mourão e Apucarana - essa última, de acordo com o Governo do Estado do Paraná, vai operar em 138 mil volts e beneficiará diretamente mais de 14 mil unidades consumidoras da região.
Em relação às 12 novas linhas de distribuição previstas, a ideia é que três fiquem prontas ainda em 2024, ampliando ainda mais o fornecimento de energia em grandes centros urbanos, principalmente. Já sobre as obras de melhorias em outras 80 subestações, o plano prevê a conclusão das obras de 26 delas em 2024, enquanto as outras 54 unidades deverão ser finalizadas a partir de 2025.
Além disso, o aporte financeiro será utilizado em alguns dos principais programas da empresa, como o Paraná Trifásico, que tem como objetivo substituir a rede rural existente por uma mais moderna, com cabos protegidos e capacidade de comunicação remota. Até o final do ano, a intenção é concluir as obras em 20 mil km dessas redes - em 2023, já foram implantados 15 mil km.
"Estamos anunciando o maior investimento da história da Copel. Com isso, estamos colocando mais velocidade no Paraná Trifásico, que é o maior programa de rede trifásica da América Latina", ressaltou o governador do Estado, Carlos Massa Ratinho Junior.
O Rede Elétrica Inteligente, maior programa do gênero no Brasil, também receberá parte do aporte financeiro de R$ 2,1 bilhões. A tecnologia permite que os clientes possam realizar a leitura de consumo de energia de forma on-line, acompanhando e monitorando tudo pelo celular, em tempo real. O sistema permite, ainda, uma redução do tempo de desligamento de energia provocado por intempéries e fatores externos, por exemplo.
Segundo a Copel, em 2024, devem ser instalados cerca de 500 mil medidores inteligentes. Nesta primeira fase, 151 municípios receberão a rede de distribuição automatizada, nas regiões Centro-Sul, Sudoeste, Oeste e Leste.
Os R$ 2,1 bilhões anunciados como investimentos para 2024 se referem somente à modernização e ampliação da rede elétrica do Paraná, mas há outros projetos previstos para Copel. A assessoria de imprensa da companhia informou ao Massa Cinzenta que os investimentos em geração solar, por exemplo, vêm de outra área da empresa, totalizando R$ 2,4 bilhões de recursos neste ano.
Com investimento de R$ 20,6 milhões, três usinas solares começaram a produzir energia em abril: as de Arapongas (Norte), Paranacity (Noroeste) e Umuarama (Noroeste). Juntas, elas têm a capacidade de abastecer cerca de 5 mil residências. As obras fazem parte de um programa da Copel que prevê a neutralização das emissões de gases do efeito estufa até 2030.
Fontes
Copel (Companhia Paranaense de Energia)
Governo do Estado do Paraná
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
Vogg Experience
A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
Imóveis de luxo e superluxo em Curitiba registram recorde de vendas
A venda de apartamentos em Curitiba cresceu 4% em 2023, em relação a 2022, chegando a 7.643 unidades comercializadas, segundo uma pesquisa divulgada pela Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica.
Os dados também mostram um aumento de 23,8% no Valor Geral de Vendas (VGV), totalizando R$ 5,4 bilhões, o que reforça o aquecimento dos segmentos de luxo e superluxo, que tiveram recorde de comercialização, segundo as entidades.
Além disso, o crescimento em ofertas lançadas nos padrões luxo (com valores entre R$ 1,5 milhão e R$ 3 milhões) e superluxo (acima de R$ 3 milhões) superou a média do mercado (que foi de 10,6%), registrando 19,5% e 24,1%, respectivamente.
Dados mais atuais compartilhados pela assessoria de imprensa da Ademi-PR com o Massa Cinzenta mostram que houve uma alta de 8,2% no preço médio do metro quadrado dos apartamentos novos em Curitiba nos últimos 12 meses (quase o dobro da inflação registrada no período, que foi de 4,4%). O preço médio ficou em R$ 12.373 em fevereiro de 2024, enquanto, no mesmo período de 2023, era de R$ 11.426.
Também houve um crescimento de 25,5% em vendas de apartamentos residenciais novos em Curitiba nos dois primeiros meses de 2024, em relação ao mesmo período de 2023 (passando de 1.222 apartamentos para 1.534), e um aumento da velocidade de vendas dos apartamentos novos em fevereiro de 2024 em relação a fevereiro de 2023.
Abaixo, leia o bate-papo com Thomas Gomes, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), sobre os dados da pesquisa e sobre a previsão para o setor em 2024.
Em relação ao mercado de imóveis de luxo e superluxo em Curitiba, quais os principais elementos responsáveis pelo aumento nas vendas?
Thomas Gomes - Os segmentos de luxo e superluxo têm se mostrado resilientes. Houve um número grande de lançamentos, com imóveis mais inovadores, bem localizados e com arquitetura totalmente diferenciada, e isso tem se mostrado muito relevante para quem está fazendo um upgrade, ou seja, trocando seu imóvel atual por um maior ou bem localizado.
Qual é a previsão para 2024, tanto sobre os de luxo e superluxo quanto sobre o mercado como um todo?
Thomas Gomes - A conjuntura econômica está favorável para o mercado imobiliário considerando o contexto de queda na inflação, alta na geração de emprego e renda, assim como as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a tendência de cortes na taxa básica de juros (Selic).
A variação da taxa de juros impacta diretamente no valor do financiamento imobiliário, tanto em relação ao acesso ao crédito pelo comprador quanto para a concessão de recursos para as construtoras e incorporadoras viabilizarem os seus lançamentos imobiliários. Se todas essas tendências se confirmarem, podemos ter mais um ano positivo para o mercado imobiliário.
Qual o impacto do aquecimento do mercado imobiliário de luxo na construção civil, de forma geral?
Thomas Gomes - O mercado imobiliário é o principal gerador de emprego e renda no país. Logo, um mercado aquecido significa mais empreendimentos sendo lançados e, consequentemente, mais vagas de trabalho disponíveis. Porém, o setor está tendo dificuldades para preencher essas vagas com mão de obra especializada, mesmo oferecendo salários atrativos.
Muitas construtoras estão investindo na formação desses profissionais, ainda assim, encontram dificuldades para preencher essas vagas. Esse será o grande desafio do setor da construção civil nos próximos anos.
O crescimento de lançamentos e de vendas de imóveis reverbera em toda a cadeia produtiva, fomentando negócios também nos setores de comércio e serviços, por exemplo, arquitetura, decoração e móveis, gerando oportunidade de trabalho também nessas áreas. Mais trabalho, mais renda e mais dinheiro girando no mercado, o que fortalece a economia. E, assim, cria-se um ciclo virtuoso e próspero.
Fontes
Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR)
Brain Inteligência Estratégica
Thomas Gomes, presidente da Ademi-PR
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
Vogg Experience
A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
























