Drones alteram modelo de negócio das construtoras

Empresas usam pequenas aeronaves não tripuladas para prospectar terrenos, apresentar etapas da obra e promover venda de imóveis já concluídos

Por: Altair Santos

As pequenas aeronaves não tripuladas desembarcaram na construção civil. Conhecidos como drones, essas máquinas passaram a ser usadas pelas construtoras para comprar e vender. Servem para que as empresas avaliem terrenos, visualizem melhor a área e tenham noções mais exatas de como o projeto irá se adequar à topografia e à insolação. Por outro lado, os drones ajudam também a vender e a fornecer informações sobre o cronograma da obra, àqueles que compraram na planta. Conforme o empreendimento avança, filmagens mostram detalhes e são repassados em vídeo aos clientes.

Imagens geradas pelos drones posicionam clientes sobre etapas da obra

Quando o prédio fica pronto, o drone passa a servir de ferramenta para o marketing. O sobrevoo revela detalhes da obra finalizada para cativar potenciais compradores. Além disso, auxilia o comprador a ver aspectos técnicos do imóvel, andar por andar. É o que garante o diretor de empreendimentos da Swell Construções e Incorporações, Leonardo Pissetti. "Antigamente, vendia-se o apartamento somente a partir de uma planta baixa ou da perspectiva de uma fachada. Isso evoluiu para o tour virtual e o apartamento decorado. Agora, o drone abre a possibilidade de anexar imagens reais à comercialização do imóvel", avalia.

A tecnologia ainda auxilia os empreendedores na decisão de compra do terreno, fornecendo informações mais precisas sobre como a insolação afetará a edificação em cada um dos pavimentos e em cada cômodo do imóvel, conforme o horário. “O drone possibilita não só ter uma imagem em 360 graus, mas ver a edificação em várias cotas de níveis, dando a noção exata do que pode ser enxergado a partir de cada um dos pavimentos. Com essas informações, é possível definir o projeto e estabelecer, por exemplo, onde fica melhor instalar a sacada”, diz Leonardo Pissetti.

Leonardo Pissetti, diretor da Swell Construções e Incorporações: drones integram perspectiva do entorno à obra

Dentro do canteiro de obras os drones também se mostram ferramentas úteis. Auxiliam, por exemplo, nas vistorias. “O equipamento possibilita verificar áreas de acesso difícil, como o teto de uma caixa de água ou um telhado. Eles contribuem ainda na prevenção. Você consegue ver, por exemplo, se uma calha foi bem instalada ou se não está entupida”, destaca o diretor da Swell. A empresa foi a primeira no Brasil a usar drones dentro do mercado imobiliário, mas outras incorporadoras já adotam a mesma estratégia. Principalmente nas cidades de São Paulo e Brasília.

Sob o ponto de vista de elemento para venda de imóveis, Leonardo Pissetti entende que o drone, além de passar uma imagem real do imóvel, também ajuda o comprador a ter uma noção exata do entorno. “Antes, ele teria que acessar o Google para ver o parque mais próximo, o shopping, o colégio etc. Com as imagens do drone, todas essas informações estão em um único conteúdo”, afirma, prevendo que os equipamentos não tripulados e o mercado imobiliário não irão mais se separar.


Entrevistado

Engenheiro civil Leonardo Pissetti, diretor de empreendimentos da Swell Construções e Incorporações
Contato: leonardo@swellconstrucoes.com.br

Quando prontos, edifícios são sobrevoados por drones para potencializar as vendas

 

Crédito Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construção civil é campo fértil à Internet das Coisas

Materiais inteligentes, com capacidade de desempenho térmico e acústico, não estão distantes de se tornar realidade nas futuras habitações

Por: Altair Santos

Até 2020, haverá mais máquinas conectadas à internet do que pessoas. As projeções indicam que serão cerca de 50 bilhões de objetos interligados. Na prática, significa que nada escapará da Internet das Coisas (IoT, sigla em inglês) incluindo a cadeia produtiva da construção civil. “Já começamos a viver isso. Aparelhos conectados a aplicativos de smartphones, que permitem abrir e fechar janelas, ligar chuveiros e destrancar portas já são realidade. Do que estamos falando de agora em diante é da capacidade dos materiais agregarem tecnologia. O vidro da janela será painel solar e cortina ao mesmo tempo. O piso irá autorregular a temperatura, dependendo da estação. É isso que a IoT irá agregar à construção civil”, prevê Hugo Fuks, diretor do departamento de informática da PUC-Rio.

Casas tendem a depender cada vez menos do ambiente externo para oferecer conforto térmico e acústico

Segundo o especialista, não há limites para a indústria de materiais quanto à capacidade de ela incorporar tecnologias relacionadas à Internet das Coisas. No entanto, ele avalia que o setor da construção civil precisa querer abrir as portas do futuro. “A construção civil tem que aprender com a indústria automobilística a embarcar a computação e a eletrônica em seus empreendimentos, desde a sua concepção. Como o carro, que já sai inteligente da fábrica, o projeto do prédio também tem que definir que ele terá estruturas inteligentes”, afirma Hugo Fuks, para quem o setor de energia elétrica, entre os sistemas que compõem uma edificação, é o que está mais avançado nesta busca. “Os Smart Grid, que integram de forma inteligente consumo e geração de energia, já são realidade nos Estados Unidos”, completa.

Do piso ao teto

Na prática, significa que a casa fará a gestão da energia, independentemente da predisposição de quem a estiver usando, de economizar ou não eletricidade. Aliás, a casa será também uma fonte de energia. Janelas inteligentes irão absorver a energia solar e armazená-la. O mesmo, estimam os pesquisadores, acontecerá com os pisos cimentícios, cerâmicos, em porcelanato ou madeira. “Eles terão a capacidade de, com a energia acumulada, regular o desempenho térmico”, avalia Hugo Fuks. Os mesmos materiais também poderão fazer a gestão do desempenho acústico. “Tudo que tem processador pode ter comportamento e, portanto, controlado pela Internet das Coisas”, define o diretor do departamento de informática da PUC-Rio.

Hugo Fuks, da PUC-Rio: aplicativos são a porta de entrada para a IoT

Hugo Fuks alerta que, por enquanto, é preciso estar atento a falsas promessas de IoT. “Isto aconteceu com a Inteligência Artificial num primeiro momento. Hoje, carros que começam a andar sem motorista parecem mostrar que as promessas serão cumpridas”, comenta, revelando que, atualmente, existem muitos projetos ligados à construção civil em desenvolvimento em incubadoras pelo mundo afora, mas que eles ainda levarão algum tempo para chegar ao mercado. “Com o tempo, vários destes aplicativos (killer apps) irão evoluir para o sistema operacional das moradias, através da Internet das Coisas”, finaliza.

Entrevistado
Doutor em computação Hugo Fuks, diretor do departamento de informática da PUC-Rio
Contato: hugo@inf.puc-rio.br

Crédito Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Tombamento preserva concreto de Poty Lazzarotto

Decisão do Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico tende a preservar pelo menos 40 murais de um dos principais artistas do Brasil

Por: Altair Santos

Poty Lazzarotto (1924-1998) se definia como desenhista, gravurista, ceramista e muralista. Mas reconhecia, porém, que suas obras mais emblemáticas foram concebidas em concreto. No livro Poty: Murais Curitibanos, a autora Daniela Pedroso procura evidenciar isso. Ela catalogou 40 obras do artista paranaense, mostrando que a fase de trabalhos em concreto começou em 1967. “O mural em concreto aparente mais antigo do Poty está localizado na Praça 29 de março, intitulado Desenvolvimento de Curitiba. Foi produzido em 1967. É possível perceber a exploração tímida dos relevos e o desenvolvimento do tema por meio de módulos. O tratamento dado pelo artista difere muito dos seus últimos murais, onde o relevo se projeta quase como uma escultura”, define a pesquisadora.

Mural “O Paraná”, construído em concreto aparente no Palácio Iguaçu: o mais emblemático de Poty

Autor de painéis emblemáticos construídos em concreto, Poty Lazzarotto tem um, em especial, que é considerado sua “obra perfeita”. É o mural Paraná, localizado na fachada do Palácio Iguaçu - sede do governo paranaense -, em Curitiba. “As formas e relevos são arrojados, assim como a desproporção das figuras. Tudo é muito bem construído, de maneira a nos envolver devastadoramente”, explica Daniela Pedroso, cujo livro publicado em 2006 faz uma análise de toda a obra de Poty que se encontra em espaços públicos. Neste sentido, murais em azulejo, painéis em concreto aparente, esculturas em madeira gravada, pinturas e vitrais foram elencados pela autora.

Também por isso, - por estarem expostas ao tempo - muitas destas obras começaram sofrer com corrosões, descolamento de placas e a se tornarem vulneráveis ao vandalismo. Para recuperar e preservar este patrimônio de todos os paranaenses, o Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (CEPHA) decidiu pelo tombamento de 35 painéis e murais criados por Poty Lazzarotto, e que se encontram no Paraná. “Essa medida agiliza a conservação e a restauração das obras. A meu ver, os murais de azulejo devem ser os primeiros a ser restaurados. Em alguns deles, faltam azulejos e a vegetação se impôs em algumas partes das obras”, revela a autora de Poty: Murais Curitibanos.

Fachada do Teatro Guaíra, em Curitiba: Poty sabia transformar concreto em obra de arte

Escola francesa
Para Daniela Pedroso, as obras em concreto aparente produzidas pelo artista são as que se encontram em melhor estado de conservação, se comparadas com as de azulejo. Por respeito, ou sorte, nem os pichadores atacaram os painéis de Poty. “Quando isso ocorre, faz-se necessário a restauração do patrimônio. No momento, nenhuma de suas obras em concreto aparente apresenta esse tipo de problema (vandalismo)”, comemora a pesquisadora. Além de obras públicas, o artista também produzia arte em concreto para clientes particulares. Estas, no entanto, não fazem parte do acervo tombado pelo governo do Paraná.

Poty e Caribé, artista plástico de Salvador-BA, são os que mais utilizaram e desenvolveram a técnica de painéis em concreto aparente no Brasil. Eles usavam metodologias muito parecidas: esculpiam o desenho em formas de isopor, usavam concreto autoadensável leve, aplicado sobre uma tela fina de aço e, sem o uso de aditivos, promoviam uma cura lenta do material. Poty aprendeu a fazer painéis em concreto no período em que realizou cursos na França, nos anos 1940. Nascido em Curitiba, curiosamente no mesmo dia de aniversário da cidade (29 de março), o artista tem obras espalhadas no Brasil e em países como França, Alemanha e Portugal. No entanto, é em Curitiba onde se concentra boa parte delas.

Confira as 35 obras tombadas de Poty Lazzarotto

Governo Federal
• Painel da fachada do Hospital de Clínicas da UFPR - O Bom Samaritano
• Mural do Hospital de Clínicas - Evolução Hospitalar
• Painel do Museu de Arqueologia e Artes Populares de Paranaguá - Índios
• Painel do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná - História da Tecnologia - O trabalho humano e a evolução tecnológica
• Painel UTFPR - Profissões - Ofícios
• Painel de azulejos do Instituto Nacional de Previdência Social - Litoral Brasileiro
• Painel em azulejos na sede do Tribunal Regional Eleitoral (I e II)
• Painel de azulejos do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná
• Painel em Itaipu, Foz do Iguaçu - Trabalhadores da Barragem

Governo do Paraná
• Painel do Palácio Iguaçu - Pinheiros, Café e Erva-Mate - Trabalho na Lavoura
• Painel da fachada do Palácio Iguaçu - Paraná - Alegoria ao Paraná
• Painel da TV Paraná - A Comunicação, Canal da Música
• Painel (6 faces) do saguão do Edifício BADEP - História do Paraná - Símbolos da História do Paraná
• Painel da sala de reuniões do BADEP - Mapa do Paraná Estilizado
• Painel do Plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná - Assembleia
• Porta dupla face do Salão Nobre da Assembleia Legislativa do Paraná - Lavrador, Sol e Três Planaltos - Trabalhadores
• Painel do saguão da Assembleia Legislativa do Paraná - Sol, Pinhão e Três Planaltos - Sol, Pinhões e Planaltos
• Mural da Assembleia Legislativa do Paraná - Símbolos do Paraná
• Mural no Estacionamento do Museu da Imagem e do Som
• Saguão do Instituto Tecnológico Simepar, no Centro Politécnico da UFPR - O tempo e a Vida!
• Painel de azulejos no Tribunal da Justiça do Paraná
• Porta corta-fogo do grande auditório do Teatro Guaíra - O Teatro, a Música e a Dança
• Painel da fachada do Teatro Guaíra - Evolução das Artes Cênicas - O Teatro no Mundo
• Cortina corta-fogo no auditório Salvador de Ferrante, Teatro Guaíra - História do Teatro no Paraná - História do Teatro Paranaense
• Mural na Sanepar, Curitiba - Evolução do Saneamento Básico
• Duas peças em concreto na Sanepar, Curitiba

Mural na Praça 29 de Março, em Curitiba: o primeiro produzido em concreto por Poty, em 1967

Município de Curitiba
• Painel de azulejos no Mercado Municipal de Curitiba
• Mural da Travessa Nestor de Castro (I) - O Largo da Ordem
• Mural da Travessa Nestor de Castro (II) - Imagens da Cidade
• Monumento do 1º Centenário do Paraná
• Painel da Praça 29 de Março - História de Curitiba
• Painel do Largo Isaac Lazzarotto - Monumento ao Ferroviário

Estruturas Viárias
• Monumento da Rodovia do Café
• Monumento rodoviário no entroncamento Curitiba/Palmas - Decorativo

Município de Maringá
• Painel do Teatro Regional Calil Haddad e Museu Hellenton Borba Cortes

Daniela Pedroso catalogou obras de Poty no livro “Poty: Murais Curitibanos”

Entrevistada
Educadora e pesquisadora Daniele Pedroso, com graduação em educação artística - licenciatura em artes plásticas – pela UFPR. Autora do livro Poty: Murais Curitibanos.
Contato
dapedroso@sme.curitiba.pr.gov.br
danielapedroso@hotmail.com

Crédito Fotos: Divulgação/Prefeitura de Curitiba

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Nanotecnologia define novas fronteiras do concreto

Com base na evolução tecnológica, professor Paulo Monteiro avalia que futuro do material está na descoberta de novos agregados que o levem a durar mais

Por: Altair Santos

Em outubro de 2014, em Natal-RN, foi realizado o 56º Congresso Brasileiro do Concreto, promovido pelo Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto). Entre os convidados esteve o professor da Universidade da Califórnia-Berkeley, nos Estados Unidos, Paulo José Melaragno Monteiro, que palestrou sobre o seguinte tema: “Dois mil anos de tecnologia do concreto e os grandes desafios para este milênio”. Mestre e doutor em engenharia e mecânica estrutural, o especialista fez uma conexão entre a história do material, sua evolução e para onde apontam as pesquisas.

Paulo José Melaragno Monteiro: nanotecnologia fará cimento dar saltos tecnológicos mais rapidamente

Paulo José Melaragno Monteiro, junto com uma equipe internacional de geólogos e engenheiros civis, atuou em um estudo que buscava entender por que o concreto fabricado na Roma Antiga mantém-se intacto até hoje, após dois mil anos, enquanto o material atualmente empregado em obras começa a apresentar fadiga depois de 50 anos. Os rumos das investigações mostraram que o segredo do concreto está em um composto altamente estável, conhecido como silicato hidratado de cálcio e alumínio. O agregado se origina das cinzas vulcânicas.

Esta pozolona foi descoberta por Marcus Vitruvius Pollio, engenheiro do Imperador Augusto, que descreveu o processo no ano 30 a.C. A cinza vulcânica era combinada com cal, para formar uma argamassa, que depois era misturada com pedra, embalada em moldes de madeira e mergulhada na água do mar. Ou seja, em vez de lutar contra os elementos marinhos, os maiores inimigos do concreto moderno, os romanos aproveitavam a água salgada, tornando-a parte integrante do concreto. Essa combinação dava origem à tobermorita de alumínio, que ajuda a explicar a resistência do concreto do Império Romano.

O estudo sobre as investigações a respeito da tobermorita de alumínio foi publicado em 2013 no Journal of the American Ceramic Society, sob o título: “As propriedades elásticas da tobermorita no antigo concreto submarino romano”. Além do professor Paulo José Melaragno Monteiro, participaram da pesquisa os seguintes cientistas: Marie D. Jackson, Juhyuk Moon, Emanuele Gotti, Rae Taylor, Sejung R. Chae, Martin Kunz, Abdul-Hamid Emwas, Cagla Meral, Peter Guttmann, Pierre Levitz e Hans-Rudolf Wenk.

Nanoestruturas
Obviamente que o processo de cura do concreto usado no Império Romano era muito mais lento, algo inimaginável para os tempos atuais. Por isso, Paulo José Melaragno Monteiro, que recentemente também palestrou na FAPESP Week California, em Berkeley, nos Estados Unidos, avalia que a nanotecnologia definirá novas fronteiras para que o concreto consiga se tornar tão sustentável quanto o dos romanos. “O Cimento Portland, o mais utilizado pela construção civil, teve uma evolução que durou dois mil anos. Para avançarmos mais nessa área, diante de todos os desafios que se impõem, não é possível esperar tanto tempo. Por isso, a nanotecnologia nos tem possibilitado trabalhar com mais agilidade na busca por alternativas”, diz.

De acordo com o professor, a urgência por inovações na área do concreto se deve não só aos impactos ambientais que o aumento da demanda irá provocar, mas também à busca de um material mais resistente. “A infraestrutura de concreto armado existente está se deteriorando a um ritmo acelerado. A ação de fenômenos naturais, aliada a ataques de sulfato, entre outros fatores, têm reduzido a durabilidade de estradas, pontes, barragens e edifícios. Para que possamos melhorar a tecnologia existente, é preciso avançar na compreensão da nanoestrutura dos produtos e das reações de deterioração complexas. Esse conhecimento pode ser usado para produzir estruturas mais duráveis de concreto armado”, destaca.

Entrevistado*
Engenheiro civil Paulo José Melaragno Monteiro, professor-titular do Departamento de Engenharia Civil da Universidade da Califórnia-Berkeley (UCB)
Contato: monteiro@ce.berkeley.edu
*Reportagem contou com a colaboração da Agência Fapesp e da assessoria de imprensa do Ibracon

Crédito Foto: Divulgação Ibracon

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Dubai é quem mais lucra com turismo arquitetônico

Dinheiro gerado pelo petróleo permite erguer obras que tornam a cidade dos Emirados Árabes em uma espécie de Meca das construções arrojadas

Por: Altair Santos

Dubai, a principal cidade dos Emirados Árabes, possui quase 2,3 milhões de habitantes e, anualmente, recebe cerca de 4,7 milhões de turistas. Entre os visitantes, pelo menos metade é formada por profissionais e estudantes de arquitetura e engenharia de todo o mundo. Isso faz da metrópole do Oriente Médio uma espécie de Meca do turismo arquitetônico. A ponto de ter tirado Barcelona do posto de primeiro lugar neste segmento.

Burj Khalifa: prédio mais alto do mundo é visitado por mais de 4 milhões de pessoas por ano

Graças aos recursos obtidos com a venda de petróleo, Dubai é um permanente canteiro de obras, e sempre envolvida por projetos superlativos: o prédio mais alto do mundo, o maior shopping center, a maior ponte em arcos, além de outras construções que estão em andamento. Estima-se que o estado permanente de obras mantenha-se inalterado em Dubai pelo menos até 2021, quando os Emirados Árabes Unidos completarão 50 anos. Antes, em 2020, o país receberá a Expo 2020, cujo tema principal será mobilidade e sustentabilidade.

Por isso, o atual fluxo de construções em Dubai concentra-se em empreendimentos urbanos, como pontes, túneis, viadutos e a extensão das linhas de metrô e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Dentro deste conceito, a mais recente obra inaugurada foi a Sheikh Zayed Bridge, entre Dubai e Abu Dhabi. Mas já há outra maior em andamento: a SheikhRashid bin Saeed Bridge, com 12 pistas de cada lado e uma linha de metrô no meio. A capacidade da estrutura comportará 20 mil veículos por hora.

Maior do mundo e mais visitado

Burj Al Arab: o desenho da vela de um barco é uma das arquiteturas mais ousadas do mundo

São os edifícios de Dubai que mais atraem turistas sedentos por arquiteturas arrojadas. A começar pelo Burj Khalifa, o mais alto do mundo. Desde a sua inauguração, em 4 de janeiro de 2010, o empreendimento tem contabilizado perto de 3,5 milhões de visitas por ano. Esse número considera só os que acessam os elevadores do prédio de 828 metros e com 163 andares. Outra obra intensamente visitada na principal cidade dos Emirados Árabes é o Burj Al Arab. O edifício abriga um hotel de luxo em seus 321 metros de altura, mas também é aberto à visitação. Por ano, mais de dois milhões de pessoas passam pela edificação, cuja arquitetura se assemelha a um barco com as velas içadas.

Porém, nenhum empreendimento é tão frequentado em Dubai quanto o The Dubai Mall. O maior shopping center do mundo tem 1.200 lojas e, entre visitantes de outros países e moradores locais, recebe mais de 5 milhões de pessoas por ano. Os números são do governo dos Emirados Árabes, para quem o turismo gera receitas superiores a US$ 10 bilhões anualmente – cerca de R$ 26 bilhões. Dos quais, mais de 1/3 destes recursos vem do turismo arquitetônico de Dubai. Para se ter ideia do volume que isso representa, basta comparar com o que a Copa do Mundo proporcionou de renda ao turismo brasileiro em junho de 2014: US$ 797 milhões (R$ 2,07 bilhões).

Com a Expo 2020, Dubai espera chegar aos 25 milhões de visitantes por ano. Até lá, mais obras continuarão a atrair turistas de todo o mundo. E haja concreto para tantos empreendimentos. A estimativa atual é de que 5 milhões de m³ já foram empregados em canteiros de obras na cidade. Com os empreendimentos cujos projetos já estão em andamento ou por começar, esse volume pode passar de 8 milhões de m³.

Entrevistado
Governo de Dubai (via comitê de imprensa, por email)
Contatos
info@dubaitourism.ae
info@expo2020dubai.ae

Crédito Fotos: Divulgação/Christian Richters

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
The Dubai Mall: maior shopping Center do mundo, com 1.200 lojas
Sheikh Zayed Bridge, entre Dubai e Abu Dhabi: maior ponte em arcos do mundo atrai arquitetos e engenheiros do mundo todo
SheikhRashid bin Saeed Bridge: ponte para 20 mil veículos por hora e acoplada à linha de metrô

Parque usa pistas de skate para combater enchentes

Em períodos chuvosos, área na Dinamarca consegue reter até 23 mil m³. Nos períodos de seca, piscinões se transformam em lazer para os moradores

Por: Altair Santos

O Rabalderparken, parque construído em 2012 na cidade de Roskilde, no sudeste da Dinamarca, está se tornando referência mundial. Os países vizinhos, Holanda e Bélgica, já projetam estruturas semelhantes e não faltam arquitetos, urbanistas e profissionais ligados à construção sustentável que não queiram visitá-lo. Mas o que esse parque tem de diferente? Planejada para drenar as águas pluviais, a área tem uma série de equipamentos multifuncionais que servem ao lazer dos cidadãos quando o período de enchentes chega ao fim.

Ao construir o parque Rabalder, engenheiros projetaram piscinões em formato de pistas de skate: ideia inovadora

Três piscinões, capazes de reter até 23 mil m³ de água, se transformam em pistas de skate, patins e bicicleta quando o Rabalderparken esvazia. Canais de concreto e asfalto viram ciclovias após drenarem a água para um imenso lago no centro do parque e para cisternas subterrâneas que ajudam no abastecimento da cidade. “Isso garante a usabilidade da área durante todo o ano, para que ela não se transforme em um deserto em tempo seco”, afirma o arquiteto Søren Nordal Enevoldsen, do escritório dinamarquês SNE Architects, que foi contratado pela prefeitura de Roskilde para projetar o parque.

Vencedor dos prêmios de construção sustentável City Planning Award 2012 e Sustainable Concrete 2013 Award, o Rabalderparken concorreu em 2014 ao Place By-Design, promovido pela SXSW Eco, que acontece anualmente em Austin, no Texas-EUA, e é considerada uma das principais conferências mundiais no campo da construção sustentável. Na premiação, o parque dinamarquês recebeu “menção honrosa”. “O Rabalderparken oferece uma forma lúdica de abordar o problema das inundações causadas pelas mudanças climáticas globais”, definiram os organizadores da SXSW Eco.

Canais para que a água escoe de volta ao leito dos rios que circundam o parque se transformam em ciclovias quando estão secos

Bairro sustentável

Primeiro passo para a reurbanização de uma área industrial de Roskilde, o Rabalderparken fará parte de um bairro com construções sustentáveis batizado de Musicon. A região escolhida abrigava concreteiras na cidade e, por isso, o concreto foi definido como um elemento protagonista na construção do parque. O Musicon deverá estar totalmente implantado até 2020 e tem o propósito de concentrar, além de residências e prédios de escritórios, escolas de arte e de música. “A ideia é que ele seja uma referência europeia em instalações voltadas para a arte”, explica Søren Nordal Enevoldsen.

O conceito do Rabalderparken, de servir como um catalisador de águas pluviais, não é novo. Em Curitiba-PR, o Parque Barigui foi concebido em 1972, pelo então prefeito Jaime Lerner, com o mesmo objetivo: conter o fluxo de água que inundava aquela região da cidade em períodos de chuva. Por isso, foi construído um lago com 23 mil m² no centro do parque. No caso do Rabalderparken, foram utilizadas novas tecnologias de drenagem, através de canais, piscinões e cisternas.

Parque tem cisternas que drenam as águas das enchentes, para que elas ajudem no abastecimento da água


Entrevistado

Arquiteto Søren Nordal Enevoldsen, da SNE Architects

Contato: sne@snearchitects.com

Crédito Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construção civil ainda atrai poucas startups

Setor é fértil para se investir em empresas inovadoras, mas carga tributária, dificuldade de acesso ao crédito e burocracia desestimulam empreendedores

Por: Altair Santos

A construção civil é um campo fértil para a criação de startups, mas, ao mesmo tempo, árido. “Setores em que há muitos problemas a serem resolvidos são setores com muitas oportunidades. O da construção civil é um deles. Porém, é ainda muito pouco receptivo a inovações. Mas há oportunidades para se pensar em novos processos industriais, soluções que diminuam o tempo das obras, ajudem a evitar desperdícios e agreguem valor sem aumentar o custo”, define Henrique Tormena, coordenador do Instituto Endeavor no Paraná.

Henrique Tormena, da Endeavor: quanto mais problemas para resolver, mais as startups podem ser bem-sucedidas

Além de quebrar paradigmas, startups que planejem atuar na construção civil brasileira precisam também estar preparadas para os obstáculos burocráticos e tributários. Outro desafio é encontrar profissionais capacitados, e que entendam o conceito de uma startup: empresa que é concebida a partir de uma ideia inovadora. “Empreender não é tarefa fácil. Existe a questão do ambiente regulatório, que muda de uma cidade para outra, da dificuldade para encontrar colaboradores capacitados e também da cultura empreendedora no Brasil. Três entre quatro brasileiros sonham ser donos do próprio negócio, mas pouca gente se prepara”, afirma Tormena.

De longe, os empecilhos tributários são os que mais afetam startups no Brasil. De acordo com o Banco Mundial, são necessárias 2.600 horas para pagar impostos no país. A explicação está em outro estudo, do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que detectou 11.500 normas tributárias que uma empresa deve seguir no Brasil. Isso se reflete em dificuldades para que o empreendedor priorize a produtividade e dificulta a captação de recursos para financiar o negócio e fazer evoluir a ideia que originou a startup.

Cinco pecados capitais
Outra pesquisa - desta vez realizada pela Fundação Dom Cabral – revela que quatro em cada dez empresas de inovação não passam dos 12 meses vida no Brasil, por causa de erros recorrentes, que são os seguintes:

1. Fluxo do caixa: a maioria das startups começa a funcionar com o caixa para apenas os dois primeiros meses. Sem planejamento de contas a pagar e receber, elas não chegam a 12 meses de atuação no mercado.

2. Número de sócios: a grande quantidade de sócios em uma mesma empresa dificulta o desempenho no relacionamento e nas decisões, pois os interesses pessoais e profissionais se confundem no ambiente de trabalho.

3. Empréstimos bancários: para permanecer no mercado, as startups recorrem a financiamentos bancários para se manter. A falta de conhecimento e organização nas finanças faz as pequenas empresas entrarem nos juros e parcelamentos bancários, o que inviabiliza a gestão saudável do caixa.

4. Faturamento: um dos problemas é o gasto com folha de pagamento superior a 30% do faturamento. Algumas empresas acabam contratando mais funcionários do que podem, depois acabam por demitir por falta de dinheiro no caixa.

5. Capital de giro: as startups invariavelmente não têm dinheiro em caixa e, assim, não conseguem cumprir com as necessidades imediatas da empresa, o que é algo fundamental para manter o negócio saudável e uma boa imagem no mercado perante fornecedores e clientes.

O resultado deste ambiente pouco propício para startups é que o Brasil ainda não conseguiu produzir uma empresa inovadora que fature U$ 1 bilhão (cerca de R$ 2,6 bilhões) por ano. No mundo, há 46 que já atingiram esse patamar. Destas, 72% encontram-se nos Estados Unidos, 20% na China e 8% na Europa. Porém, mesmo fora do país, o volume de startups ligados à construção civil ainda é pequeno. Não chega a 15%. A maioria ainda está ligada a vendas pela internet.
“Geralmente, os pilares que formam um bom ambiente empreendedor têm vínculo com infraestrutura, acesso ao capital, disponibilidade de capital humano qualificado, ambiente favorável à inovação e cultura”, define Henrique Tormena.

Em 2013, o Fórum Econômico Mundial elegeu, entre as 36 startups mais inovadoras do mundo, uma empresa brasileira: a Bug Agentes Biológicos, localizada em Piracicaba-SP. Ele desenvolve vespas geneticamente modificadas para combater pragas em plantações de cana-de-açúcar e soja, reduzindo a aplicação de agrotóxicos nestas lavouras.

Entrevistado
Engenheiro mecânico Henrique Tormena, coordenador do Instituto Endeavor no Paraná
Contato: henrique.tormena@endeavor.org.br

Crédito Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Infraestrutura do Brasil requer R$ 1,17 tri até 2019

Recursos viabilizarão 6.068 obras relevantes para o país, nas áreas de transporte, energia, óleo e gás, saneamento, habitação e indústria

Por: Altair Santos

Se quiser viabilizar a retomada do crescimento através do impulso à infraestrutura, o Brasil precisará investir R$ 1,17 trilhão até 2019. Esse volume de recursos deverá priorizar seis setores: óleo e gás, transporte, energia, saneamento, infraestrutura de habitação e indústria. São segmentos que englobam 6.068 obras, algumas em andamento, outras já projetadas, mas a maioria apenas em intenção. É o que revela a edição 2014 da pesquisa intitulada “Principais Investimentos em Infraestrutura no Brasil”, encomendada pela Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração).

Diretoria da Sobratema que coordena pesquisa: obras de mobilidade urbana são as que tendem a consumir mais dinheiro

O segmento de transporte é um dos que mais tendem a capitalizar recursos, requerendo investimentos na ordem de R$ 438,4 bilhões para o período 2014-2019. Entre as principais obras neste setor, as relacionadas com a mobilidade urbana em municípios é que deverão absorver a maior parte destes recursos. As mais relevantes são: linha 5 do metrô de São Paulo, linha 4 do metrô do Rio de Janeiro, VLT de Santos, VLT Cuiabá-Várzea Grande, corredor Via 710, em Belo Horizonte, perimetral de Porto Alegre, túnel Santos-Guarujá, ponte sobre o rio Baetatã, em Magoragipe-BA e travessia de Juazeiro, também na Bahia.

Os investimentos em saneamento básico, segundo o levantamento da Sobratema, precisam chegar a R$ 35,8 bilhões até 2019. Atualmente, existem cerca de 1.500 obras em andamento, realizadas por municípios, governos estaduais e parcerias público-privadas. Há outros 3.400 empreendimentos em fase de projeto ou em intenção de construir. No entanto, o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) prevê que sejam aportados recursos da ordem de R$ 508,4 bilhões, entre 2014 e 2033. Do total de investimentos previstos, 59% virão de recursos federais e 41% com recursos de outros agentes, como governos estaduais e municipais, prestadores de serviços de saneamento e iniciativa privada.

Por conta deste volume de recursos, e da quantidade de obras que precisam ser viabilizadas, o presidente da Sobratema, Afonso Mamede, entende que o governo federal não tem mais como recuar em uma política de incentivo à infraestrutura. “Não dá mais para o Brasil não investir em infraestrutura. Ainda que estejamos enfrentando uma acomodação, causada pelo momento econômico, avalio que, a partir de 2016, a infraestrutura será a locomotiva para o país voltar a crescer”, diz.

Já o professor do departamento de economia da PUC-SP e diretor da Insight Consultoria Econômica, que também atua como consultor da Sobratema, Rubens Sawaya, também considera que a retomada do crescimento do país deverá se dar através do impulso às obras de infraestrutura. “Uma hora o investimento em infraestrutura deverá ser retomado. Diria mais: independentemente do momento econômico, dá para fazer”, completa.

Entrevistados
Engenheiro civil Afonso Mamede, presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração)
Economista Rubens Sawaya, professor do departamento de economia da PUC-SP e diretor da Insight Consultoria Econômica
Contato: sobratema@sobratema.org.br

Crédito Foto: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Calcadas em concreto, obras olímpicas saem do papel

Construções de arenas, redes de infraestrutura e empreendimentos de mobilidade urbana aceleram no Rio de Janeiro, para cumprir cronograma do COI

Por: Altair Santos

Após a Copa do Mundo de 2014, o Comitê Olímpico Internacional visitou o Rio de Janeiro e fez acender a luz amarela. A cidade-sede dos jogos olímpicos de 2016 estava muita atrasada e, nos bastidores, se cogitou até uma mudança de local. A advertência serviu como estímulo. Em pouco tempo, as obras deslancharam e o Rio fecha 2014 com o cronograma praticamente em dia. Para recuperar o tempo perdido, e alavancar a produtividade, houve investimento maciço na construção industrializada do concreto e nas estruturas mistas (concreto e aço). Através destas tecnologias, é possível verificar que o parque olímpico, localizado na Barra da Tijuca, já se torna realidade.

Vista panorâmica do parque olímpico: obras mobilizam 4.500 trabalhadores

A pira olímpica irá se acender no estádio Maracanã no dia 5 de agosto de 2016. Até lá, somando todas as obras - incluindo as de infraestrutura e as de mobilidade urbana -, prefeitura e governo do Rio de Janeiro estimam que o volume de concreto a ser produzido para viabilizar os jogos deverá passar de 1 milhão de m³. Só o complexo Ilha Pura, que abrigará a vila olímpica, e depois será transformado em um condomínio residencial, já consumiu 350 mil m³ do material. Outra parte deste volume também está presente nas obras de infraestrutura subterrânea. São 10,5 km de redes de drenagem, 5,3 km em redes de esgoto, 8,3 km de redes de água, 5 km de redes de incêndio, 5 km de rede de iluminação pública, 9,9 km de rede de média tensão e 21,9 km de redes de telecomunicações.

Para dar conta de tanto concreto, usinas montadas no canteiro de obras do parque olímpico trabalham quase ininterruptamente para processar, cada uma, 65 m³/h para o consórcio que toca o empreendimento: o Rio Mais, formado pelas empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Carvalho Hosken. Há ainda as grandes obras de mobilidade espalhadas pela cidade, e que seguem consumindo grandes volumes de concreto. A saber: linha 4 do metrô (120 mil m³), quatro linhas de BRT (Bus Rapid Transit) (70 mil m³), 28 km de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) (23 mil m³) e recuperação e construção de 60 obras de arte (viadutos e pontes), além da abertura de três túneis.

Obras no parque olímpico investem na construção industrializada para cumprir cronograma

Arquitetura nômade

Somente no parque olímpico da Barra da Tijuca, há 4.500 trabalhadores no canteiro de obras. Outros 850 atuam no complexo esportivo de Deodoro, bairro da cidade do Rio de Janeiro que irá sediar algumas competições olímpicas e dos jogos paraolímpicos. Segundo a Empresa Olímpica Municipal (EOM), criada exclusivamente para gerenciar as obras para 2016, está em uso uma arquitetura inédita neste tipo de evento: a arquitetura nômade. Significa que boa parte das estruturas pré-fabricadas poderá ser desmontada e servir para outras obras. No caso do Rio de Janeiro, algumas já têm destinação certa: irão se tornar escolas após os jogos. “Desde o início dos trabalhos foi necessário pensar em como cada equipamento olímpico seria integrado à rotina da cidade pós-evento, que é o verdadeiro legado dos jogos”, diz o presidente da EOM, Joaquim Monteiro de Carvalho.

A expectativa dos organismos governamentais envolvidos com o projeto olímpico é de que, até o final de 2015, 70% das obras estejam concluídas.

Em que estágio estão as obras para os jogos olímpicos:

Parque olímpico
Arenas Cariocas 1, 2 e 3 - Fase final de montagem das estruturas de concreto pré-moldado e da cobertura, com previsão de conclusão no terceiro trimestre de 2015.
Centro de tênis - fundações foram concluídas.
Velódromo - obras estão em fase de fundação.
Arena do Futuro - fundações e montagem da estrutura metálica (pilares principais, vigas principais da cobertura e treliças) foram concluídas.
Estádio Aquático - em fase final de fundações. Estão em andamento a concretagem da laje de piso e a montagem da estrutura metálica das arquibancadas da piscina principal.
Parque Aquático Maria Lenk - Instalação está pronta e necessita apenas de adaptações.
Arena Rio - Instalação está pronta e necessita apenas de adaptações.
Centro Internacional de Transmissão (IBC) - obra está em fase final de montagem da estrutura metálica do prédio e concretagem das lajes.
Centro Principal de Mídia (MPC) - obras de fundações, contenções e concretagem do segundo pavimento foram finalizadas. Estão em andamento as estruturas de concreto (pilares, vigas e lajes) dos níveis subsolo, térreo e mezanino e a concretagem do terceiro pavimento da torre sul.
Campo de Golfe - obras começaram em 2013 e estão dentro do cronograma.
Riocentro - local está pronto e, em 2015, receberá instalações complementares para se adequar às competições.
Complexo esportivo Deodoro
Arena da Juventude - obras estão em fase de terraplenagem e fundações. Foi concluído o estaqueamento e a colocação de blocos está em andamento.
Circuito de canoagem slalom - obras de terraplanagem estão em fase de conclusão e concretagem da laje do lago está em andamento.

Tecnologias que usam estruturas mistas de concreto e aço são empregadas em obras olímpicas

Entrevistado
Empresa Olímpica Municipal (EOM), Secretaria de Obras do Rio de Janeiro (SEOBRAS) e Comitê Organizador dos jogos olímpicos (via assessoria de imprensa)
Contatos
imprensa@empresaolimpica.rio.rj.gov.br
imprensa@obras.rj.gov.br
pressroom@rio2016.com

Crédito Fotos: Renato Sette Camara/EOM

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

IPT aprimora concreto autoadensável usado em paredes

Material tende a ganhar cada vez mais mercado no Brasil, principalmente se for produzido dentro das especificações recomendadas pela ABNT NBR 15823

Por: Altair Santos

Pesquisadores do Centro de Tecnologia de Obras de Infraestrutura do IPT desenvolveram traço de referência para o concreto autoadensável utilizado em paredes moldadas no local da obra. O material desenvolvido contempla integralmente aos requisitos da ABNT NBR 15823:2010 - Concreto autoadensável - Classificação, controle e aceitação no estado fresco. Para concreteiras e construtoras, é a chance de contar com um material dosado de acordo com suas especificações, e que apresenta ótima trabalhabilidade para aplicação no sistema construtivo de paredes moldadas no local. O projeto esteve a cargo de Alessandra Lorenzetti de Castro e Rafael Francisco Cardoso Santos, ambos do Laboratório de Materiais de Construção Civil do instituto. Na entrevista a seguir, o engenheiro civil Rafael Francisco explica os resultados da pesquisa e no que ela melhora a qualidade do concreto autoadensável aplicado na construção civil brasileira. Confira:

Comparação entre moldes de concreto autoadensável com traço fora da norma (esquerda) e dentro da norma

O que levou o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) a desenvolver um estudo que levasse ao aprimoramento do concreto autoadensável usado em obras residenciais no Brasil?
A indústria brasileira da construção civil experimentou um período de grande demanda por obras no setor habitacional. Esta situação exigiu que as construtoras buscassem formas mais rápidas e eficazes de construir. Tecnologias que permitem a racionalização das obras, com qualidade, durabilidade, segurança estrutural e bom gosto estético ganharam espaço, destacando-se o sistema de paredes de concreto moldadas no local da obra. No entanto, a pesquisa desenvolvida no Laboratório de Materiais de Construção Civil (LMCC) do CT-Obras/IPT verificou discordância entre o que determina a norma brasileira de concreto autoadensável (ABNT NBR 15823:2010) e as características dos materiais utilizados no mercado da construção. Diante desta problemática, o LMCC vislumbrou a necessidade de desenvolver concretos com propriedades diferenciadas, destinados à execução de paredes de concreto, principalmente aquelas moldadas no local. Assim nasceu o projeto intitulado “Produção e avaliação de concreto autoadensável para aplicação em sistemas construtivos de paredes de concreto moldadas na obra”.

Por que a preocupação específica com o concreto autoadensável moldado no local da obra?
Na indústria de materiais pré-moldados (onde o autoadensável também é utilizado) existe um controle de qualidade significativo. Na obra, diversos fatores interferem nesse controle, o que gera dificuldades em realizar a caracterização prevista na norma do material autoadensável. A capacidade de autoadensabilidade é obtida com o equilíbrio entre a alta fluidez e a moderada viscosidade do material. A alta fluidez é alcançada com a utilização de aditivos superplastificantes, enquanto a moderada viscosidade e a coesão são conseguidas com o incremento de um percentual adequado de material com granulometria muito fina e/ou aditivos modificadores de viscosidade.

Materiais finos empregados na composição do concreto autoadensável desenvolvido no IPT deram características ideais ao material

Como a pesquisa desenvolvida no IPT fez para chegar a um concreto autoadensável com as características especificadas na NBR 15823:2010?
A funcionalidade do trabalho do IPT está em contar com um material que atende às propriedades fundamentais do concreto autoadensável: fluidez, habilidade passante e resistência à segregação. A capacidade de autoadensabilidade é obtida com o equilíbrio entre a alta fluidez e a moderada viscosidade do material. A alta fluidez é alcançada com a utilização de aditivos superplastificantes, enquanto a moderada viscosidade e a coesão são conseguidas com o incremento de um percentual adequado de material, através de granulometria muito fina ou aditivos modificadores de viscosidade. Para a composição do traço, foram utilizados aditivos encontrados no mercado. O grande diferencial é a quantidade e o tipo de materiais finos empregados. No caso do traço do IPT, esses materiais são, em boa parte, resíduos oriundos da britagem de rochas (finos de pedreira). Na pasta de cimento a proporção desses produtos chega a 40%.

A pesquisa do IPT tem reflexo sobre a aplicação do concreto autoadensável em outras estruturas, além da parede moldada no local?
A pesquisa realizada no IPT nos dá condição para desenvolver concretos para as diversas aplicações, além da aplicação em paredes moldadas no local. O concreto autoadensável tem a vantagem de ser facilmente aplicado nos mais diversos tipos de estruturas, visto que o atual prédio mais alto do mundo hoje, o Burj Khalifa, também ostenta o recorde de bombeamento de concreto, chegando a 605 metros de altura. Isso, graças às propriedades específicas do concreto autoadensável desenvolvido para aquela obra.

No Brasil, o uso do concreto autoadensável ainda está restrito a poucas obras ou ele já é bem popular?
O concreto autoadensável está relacionado com o aumento na produtividade, redução de mão de obra e melhoria da qualidade e da segurança do ambiente de trabalho, contribuindo com a tecnologia sustentável do concreto. Por essas e outras razões, esse concreto é cada vez mais empregado como material de construção, tanto nos setores de pré-moldados e pré-fabricados, quanto para aplicações de concreto moldado no local, caso das paredes de concreto. No entanto, no Brasil, a utilização do concreto autoadensável é incipiente, estando muito aquém do seu potencial devido. Principalmente, por causa do desconhecimento dos profissionais da construção brasileira a respeito do material. A grande parte do concreto autoadensável produzido no país é aplicada na indústria de elementos pré-moldados, mas já existem registros de sua aplicação em edifícios residenciais, principalmente em Goiânia e na região sul do país.

É possível construir edifícios com concreto autoadensável aplicado em paredes moldadas no local, até quantos andares?
O sistema pode ser empregado em diferentes tipos de edificações: casas térreas, casas assobradadas, edifícios de até cinco pavimentos-tipo, edifícios de oito pavimentos-tipo com limite para ter apenas esforços de compressão, edifício de até trinta pavimentos e, em casos especiais e específicos, edifícios com mais de trinta pavimentos.

Entrevistado
Engenheiro civil Rafael Francisco Cardoso dos Santos, engenheiro-pesquisador do Laboratório de Materiais de Construção Civil (LMCC) do Centro de Tecnologia de Obras de Infraestrutura (CT-Obras) do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).
Contato: ctobras@ipt.br

Crédito Foto: Divulgação/IPT

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330