Amigo do concreto, Lerner faz 50 anos de arquitetura

Exposição revela várias fases de seu legado: do projeto de uma casa, passando pelo urbanismo de Curitiba, até a idealização de um bairro sustentável

Por: Altair Santos

Engenheiro civil e arquiteto, Jaime Lerner notabilizou-se como urbanista. Principalmente pelas inovações que implantou em Curitiba, quando foi prefeito da cidade por três vezes (1971-1974, 1979-1982 e 1989-1992). Isso permitiu que sua aura pública de arquiteto sobrepusesse à de engenheiro, sem, no entanto, omitir que seu grande legado tem pés bem fincados na engenharia civil. É o que se constata na exposição “Das Vozes da Cidade”, que homenageia os 50 anos de arquitetura e urbanismo de Lerner. Ela mostra desde seu envolvimento com o retrofit, quando em 1971 transformou um antigo depósito de armamentos do exército no Teatro Paiol, até os seus mais recentes projetos, como o bairro sustentável Quartier, na cidade de Pelotas-RS. Em todas as obras, há uma marca: a sutileza com que Jaime Lerner explora o concreto em seus conceitos arquitetônicos.

Jaime Lerner: engenheiro, arquiteto e urbanista, ele usa de forma sutil o concreto e as estruturas mistas

Um exemplo clássico está na própria casa que ele projetou para morar com a família. Construída em 1963, a residência erguida no bairro Cabral, em Curitiba, caracteriza-se pelo emprego do concreto aparente, tanto na construção como no mobiliário. Além do material construtivo, destaca-se no projeto a utilização do teto-jardim - elemento pouco usual para obras dos anos 1960, mas hoje amplamente aplicado na arquitetura contemporânea. De tão inovadores, a arquitetura e os sistemas construtivos usados na casa tornaram-se alvo de estudo da pesquisadora Juliana Harumi Suzuki, que escreveu o trabalho “Um Conceito em Concreto: Residência Jaime Lerner em Curitiba”. A análise foi divulgada pela DOCOMOMO - organização não-governamental presente em mais de 40 países e sediada em Barcelona. Atualmente, a casa abriga a sede da Jaime Lerner Arquitetos Associados e do Instituto Jaime Lerner.

Escola francesa
No estudo, Juliana Harumi Suzuki revela que Jaime Lerner inspira-se na escola francesa de arquitetura, que se notabilizou principalmente pelo uso do concreto aparente e que também influenciou Oscar Niemeyer. Lerner, após concluir os estudos na Universidade Federal do Paraná (UFPR) morou um período em Paris e hospedou-se na Casa do Brasil – um marco da arquitetura na capital francesa e que, desde 1985, está tombado como monumento histórico francês. Lá, desenvolveu conceitos que preserva até hoje, como é possível ver em um de seus mais recentes projetos: o bairro sustentável Quartier. Planejada para receber 10 mil moradores, a área residencial terá 3 mil unidades habitacionais e irá explorar o concreto aparente e também o pavimento em concreto. Por dois motivos: a permeabilidade e a cor clara do material, que, respectivamente, ajudam na absorção da água da chuva pelo solo e reduzem a sensação de calor.

A relação de Jaime Lerner com o concreto, e também com as estruturas mistas (aço e concreto), está bem evidente na exposição “Das Vozes da Cidade”, que pode ser visitada até dia 15 de março de 2015, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Vídeos e áudios com a voz do engenheiro, arquiteto e urbanista explicam o porquê de seus trabalhos. “Tem uma linha do tempo que identifica programas, projetos e realizações, enquanto arquiteto e urbanista, e em parceria com demais profissionais”, revela Sandra Fogagnoli, coordenadora de planejamento cultural do Museu Oscar Niemeyer (MON). A mostra foi organizada pela curadora Valéria Bechara, reunindo desenhos, fotos, vídeos, depoimentos, croquis e maquetes.

Serviço da exposição “Das Vozes da Cidade”
Data: até 15 de março de 2015
Horário: 10h às 18h
Endereço: rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba - PR

Mais informações
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Entrevistados
Museu Oscar Niemeyer
Sandra Fogagnoli, coordenadora de planejamento cultural do Museu Oscar Niemeyer (MON)
DOCOMOMO Brasil
Instituto Jaime Lerner

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Crédito foto: Divulgação/MON

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Lançado cinturão econômico que ligará China à Europa

Chamada de a “obra do século 21”, empreendimento contará com corredor marítimo, rodoviário e ferroviário para encurtar distâncias entre continentes

Por: Altair Santos

Dia 15 de dezembro de 2014 foi dado, em Istambul, na Turquia, o primeiro passo para aquela que alguns especialistas já chamam de a “obra do século 21”. Trata-se de três cinturões (rodoviário, ferroviário e marítimo) que ligarão a China à Europa, passando por 21 países. Batizados de Silk Road Economic Belt e Maritime Silk Road, os projetos se inspiram na antiga Rota da Seda - criada em 200 a.C -, e que foi a primeira ligação entre ocidente e oriente. Porém, agora as novas “rotas da seda” prometem encurtar distâncias, unindo as seguintes nações: China, Bangladesh, Malásia, Camboja, Laos, Mongólia, Mianmar, Cazaquistão, Paquistão, Azerbaijão, Índia, Irã, Iraque, Nairobi, Egito, Grécia, Turquia, Rússia, Alemanha, Áustria e Itália.

Encontro entre líderes chineses, asiáticos e europeus marcou o início do projeto da rota “Euro-Ásia”

De trem será possível fazer o percurso entre China e Itália em 7 dias. Por estrada, o percurso dobra. Já pela rota marítima, um navio que saia da província de Fujian, na China, atracará no porto de Veneza, na Itália, em 30 dias. Hoje, as barreiras alfandegárias fazem com que esse percurso dure quase o dobro do tempo. O investimento para viabilizar esses novos cinturões econômicos são estimados em US$ 50 bilhões (R$ 135 bilhões). A obra, que inclui estradas, ferrovias, portos, pontes e túneis, ficaria pronta em 10 anos. Maior interessado no empreendimento, para conseguir escoar com mais facilidade sua produção industrial e agrícola, o governo chinês promete fazer um aporte de US$ 40 bilhões (R$ 108 bilhões). O resto do investimento seria financiado por bancos europeus.

Três bilhões de pessoas
O trecho terrestre da rota “Euro-Ásia” nascerá na cidade chinesa de Xi'na, no noroeste do país. Tanto a ferrovia quanto a rodovia cruzariam o Cazaquistão, o Iraque, o Irã e desembocariam na Turquia. O projeto ainda prevê ligação com Moscou, na Rússia, e Hamburgo, na Alemanha, antes de ir em direção ao porto de Veneza, na Itália, onde faria a conexão com a rota marítima. Já o trecho navegável abrange mais países e prevê a construção de portos exclusivos para atender a rota, além de uma ampliação no Canal de Suez, no Egito, para a passagem de supernavios. O ponto de partida do cinturão marítimo seria a província de Fujian, no leste da China, e o de chegada o porto de Veneza, na Itália.

Além de facilitar o comércio entre Europa e Ásia, os novos cinturões permitirão também avanços em áreas como telecomunicações, fornecimento de energia (gás e petróleo) e aproximação das duas culturas. “Esta nova Rota da Seda tem uma população de três bilhões e um mercado que não tem paralelo em termos de escala e potencial”, avalia o presidente chinês Xi Jinping. "O projeto é muito ambicioso e definitivamente destinado ao sucesso. Servirá como um motor de desenvolvimento da China, especialmente nas áreas que ainda não estão totalmente estruturadas", completa Cristiana Barbatelli, CEO da Pas Advisors, empresa de consultoria internacional com sede em Xangai.

Mapa mostra por onde passará a nova Rota da Seda: em amarelo a marítima e em vermelho a terrestre

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Cimento queimado é uma “arte” e requer técnica

Após migrar da área rural para os mais arrojados projetos arquitetônicos, piso agregou tecnologias como resinas acrílicas e concreto dosado em central

Por: Altair Santos

O piso de “cimento queimado” migrou das casas das áreas rurais para os mais arrojados projetos arquitetônicos. Hoje, desfila em eventos de decoração e virou sonho de consumo de arquitetos e decoradores. No entanto, para obter bons resultados é preciso dominar a técnica. Caso contrário, corre-se o risco de acontecerem erros no preparo da massa e na forma de “queimar” o cimento, o que resulta em imperfeições como manchas, fissuras e, consequentemente, infiltrações.

Uso de concreto usinado passou a ser comum para substituir o cimento queimado artesanal

A opção pela aplicação do “cimento queimado” de forma artesanal exige, sobretudo, a contratação de mão de obra com experiência neste tipo de trabalho. Ele requer conhecimento no preparo da massa, no uso das ferramentas - principalmente da desempenadeira - e capricho. Afinal, o mau uso do material ou um desnivelamento podem comprometer o resultado. Para minimizar riscos, a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) disponibiliza em seu site um documento que ensina como fazer e aplicar o “cimento queimado”.

Entre as principais recomendações, a ABCP orienta que a área de aplicação do “cimento queimado” fique isolada de 3 a 10 dias, para que se obtenha a cura do piso. “Um dos fatores que influencia a qualidade final do revestimento é a cura. Esse processo deve ser feito molhando-se a superfície logo após a execução”, sugere Rubens Curti, especialista da ABCP em tecnologia do concreto. Ele também recomenda que não se aplique “cimento queimado” em áreas submetidas a molhamento constante. “O piso queimado é muito liso”, alerta.

Como evitar a eflorescência

Aplicação de resinas acrílicas ao cimento queimado evita rachaduras e infiltrações

Quem trabalha com esse material também não orienta que ele seja aplicado sobre outros revestimentos. O ideal é que o piso antigo (madeira, cerâmica ou porcelanato) seja retirado e que o contrapiso seja refeito e nivelado, com a aplicação do “cimento queimado” em seguida. Para reduzir o risco de que surjam trincas, recomenda-se o uso de juntas de dilatação com, no máximo, um metro de distância entre elas. Estas juntas podem ser de madeira, de plástico ou de metal.

Da mesma forma, manchas também podem ser evitadas. A mudança da coloração se deve a um fenômeno conhecido como eflorescência, em que o cimento libera gases que chegam à superfície do piso. A opção por materiais de qualidade é essencial para que esse processo não ocorra. A escolha do cimento, a seleção de uma areia final, clara e lavada e a aplicação de resinas acrílicas com filtros que combatem raios UV (ultravioleta) tendem a evitar o “desbotamento” do revestimento.

Outra solução para se conseguir um piso de “cimento queimado” uniforme é a opção pelo concreto dosado em central ou a compra de argamassas pré-fabricadas que já vêm prontas para a aplicação. Há quem prefira também dar sofisticação ao piso. Neste caso, a substituição do cimento comum pelo cimento branco estrutural, revestido por resina plástica, transmite um efeito semelhante ao do porcelanato. Há ainda quem opte pelo tecnocimento – revestimento com espessura de 2 mm, que usa pó de limestone (espécie de pó de pedra), pó de mármore ou pó de quartzo no lugar da areia, e que dispensa juntas de dilatação.

Confira aqui as orientações técnicas da ABCP para pisos de “cimento queimado”

Aplicação de cimento branco dá uma textura diferente ao piso de cimento queimado
Tecnopiso: evolução do cimento queimado é muito empregado por decoradores


Entrevistado

Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) (via assessoria de imprensa)
Contato: dcc@abcp.org.br

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Taxas e burocracia desafiam construção civil em 2015

Em Curitiba e outras capitais brasileiras, reajustes aplicados ao ITBI e ao IPTU, além da demora na liberação de alvarás, travam setor

Por: Altair Santos

Entre 2013 e 2014, boa parte das prefeituras das capitais reajustou o valor do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis). Hoje, a maioria cobra 3%. No final do ano passado, Curitiba e São Paulo seguiram a tendência: os paranaenses, além de elevar a alíquota da taxa sobre compra de imóveis de 2,4% para 2,7% também reajustaram o IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana). Já a prefeitura paulistana elevou o ITBI para 3% do valor do imóvel. Os aumentos lançaram desafios para a indústria da construção civil em 2015. “A elevação do ITBI será mais um fator a dificultar a aquisição de imóveis e a retomada do crescimento do setor. Não é justo penalizar o adquirente do imóvel no momento em que a indústria imobiliária busca produzir produtos acessíveis”, reclama o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto.

Desburocratização reduziria custo dos imóveis em 12% e poderia injetar até R$ 300 milhões nos cofres da prefeitura de Curitiba.

Na mesma linha de pensamento segue o presidente do SindusCon-PR, José Eugênio Gizzi. “O ITBI representava, alguns anos atrás, 20% do que era arrecadado com o IPTU. Hoje, representa 70%. O imposto teve um aumento real de 20,33%, mas entendemos que há outros caminhos para ampliar receita. Uma delas é desburocratizar o licenciamento de obras. Já mostramos que o excesso de burocracia eleva o custo do imóvel em 12%, além de atrasar o início de obras entre 18 meses e 24 meses. Com a desburocratização, a prefeitura anteciparia receitas. Burocracia na esfera do município eleva o tempo da obra entre 18 meses a 24 meses. O aumento do ITBI e do IPTU em Curitiba aumentará a receita da prefeitura em cerca de 50 milhões de reais. Já a desburocratização renderia até 300 milhões de reais por ano”, considera Gizzi.

Para o presidente do SindusCon-PR, a Prefeitura de Curitiba poderá compensar eventuais desacelerações no setor da construção civil que atua na cidade se viabilizar três medidas: estimular as PPPs (Parcerias Público-Privadas), acelerar a revisão do plano diretor e manter em dia o pagamento de empresas contratadas para obras públicas. “Hoje o governo municipal é incapaz de investir. Se adotar uma nova modelagem para PPPs, principalmente para atrair construtoras e empreiteiras de menor porte, estimularia muito o segmento. Da mesma forma, se o plano diretor atacar a questão do custo dos terrenos. Se a revisão disponibilizar mais áreas, será possível construir imóveis com menor custo. Por fim, seria interessante que os contratantes de obras públicas cumprissem os contratos e pagassem em dia”, avalia.

José Eugênio Gizzi, presidente do SindusCon-PR: mais PPPs, mais terrenos e menos atrasos no pagamento de obras públicas

Secovi e ABRAINC

Em São Paulo, no entanto, o diagnóstico é mais crítico. “O aumento do ITBI inibirá tanto a produção e a comercialização de novas unidades quanto as vendas de imóveis usados, ou seja, os segmentos de incorporação, de compra e venda e os consumidores serão fortemente penalizados. Só para exemplificar, o comprador de um imóvel de R$ 500 mil terá de recolher, com a nova alíquota, R$ 15 mil aos cofres públicos. Essa medida, aliada a tantas outras voltadas à arrecadação de impostos e contrapartidas do setor, é como o tiro de misericórdia na atividade imobiliária e de construção, que tem sido permanentemente desestimulada a crescer e a atender a demanda”, protesta o presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes.

A ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), que reúne 27 companhias, entre elas Brookfield, Cury, Cyrela, Direcional, Emccamp, Even, Eztec, Gafisa, HM, Homex, JHS-F, MRV, Odebrecht Realizações Imobiliárias, PDG, Rodobens, Rossi, Tecnisa, Trisul e Viver, faz avaliação semelhante ao do Secovi-SP. “O setor já está bastante atingido por outros fatores, como falta de confiança na economia, inflação alta, aumento do valor dos terrenos e outorga onerosa dos custos de construção. O aumento de impostos impõe mais desafios para 2015”, complementa o diretor-executivo da ABRAINC, Renato Ventura.

Entrevistados
Engenheiro civil José Eugênio Gizzi, presidente do SindusCon-PR
Engenheiro civil José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP
Engenheiro civil Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP
Engenheiro civil Renato Ventura, diretor-executivo da Abrainc

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Créditos Fotos: Divulgação/Cohab-Ctba/SindusCon-PR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Crise pode atrasar, ainda mais, obras relevantes ao país

Transposição do rio São Francisco, hidrelétrica Belo Monte e linha 4 do metrô da cidade do Rio de Janeiro são alguns dos empreendimentos ameaçados

Por: Altair Santos

A expectativa de que o governo federal promova corte nos investimentos ao longo de 2015 tende a protelar por mais tempo a entrada em operação de obras de infraestrutura relevantes e urgentes ao país. Entre elas, estão a Transposição do Rio São Francisco, a hidrelétrica Belo Monte, a conclusão do segundo trecho da ferrovia Norte-Sul, o avanço da ferrovia Transnordestina e as obras relacionadas aos jogos olímpicos de 2016, das quais a mais importante é a linha 4 do metrô. A previsão é que boa parte destas construções, que deveriam ser entregues até o final de 2015, fique para 2016, 2017, 2018 ou 2019.

Transposição do rio São Francisco: prometida para 2012, tem sido adiada ano a ano e agora ficou para 2016

Um caso emblemático é o da Transposição do rio São Francisco. A obra já passou por quatro atrasos. Ao ser lançada em 2007, incluída entre os principais empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foi prometida para 2010. Depois, para 2012 e adiada novamente para 2014. Agora, segundo o ministério da Integração Nacional, a previsão é de que o canal de irrigação comece a funcionar no primeiro semestre de 2016. “Estamos com 70% (na verdade, 68,7%) das obras executadas. Nossa previsão é entregarmos no início do ano que vem, em 2016”, prometeu o ministro Gilberto Occhi, ao ser empossado dia 3 de janeiro de 2015.

De acordo com o projeto original, a transposição inclui 477 quilômetros de obras lineares, quatro túneis, 14 aquedutos, 9 estações de bombeamento e 27 reservatórios. A obra envolve 1,3 milhão de m³ de concreto e beneficiará quatro estados: Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. O custo inicial era de R$ 4,2 bilhões, mas já atingiu R$ 8,2 bilhões, com perspectivas de nova revisão orçamentária.

A hidrelétrica de Belo Monte é outro empreendimento com atraso. Suas primeiras turbinas deveriam entrar em funcionamento ainda em 2015, mas foram proteladas para 2016. Obra que mais consome concreto no país atualmente - o volume estimado é de 3.389.008 m³ -, a usina em construção no Pará enfrenta atualmente elevado aumento de custo, por causa dos percalços no cronograma. Orçada em R$ 25,8 bilhões, já ultrapassou os R$ 30 bilhões. Recentemente, o consórcio Norte Energia, que vai explorar a hidrelétrica, alertou que cada semestre de atraso nas obras deve acrescentar R$ 370 milhões no valor final do empreendimento. Pelo cronograma original, Belo Monte já está atrasada em mais de um ano.

Ferrovia Transnordestina: idealizada para escoar safra agrícola para os portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, obra sofre com adiamentos

Norte-Sul completa 30 anos

Nada se compara, no entanto, aos atrasos nas obras ferroviárias. O projeto da Norte-Sul, por exemplo, surgiu logo no começo do governo do presidente José Sarney, em 1985. A proposta era viabilizar uma estrada de ferro que ligasse o porto de Barcarena, no Pará, ao do Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Passados quase 30 anos, dos 3.893 quilômetros projetados, apenas 719 estão construídos e em operação. Trata-se do trecho entre Açailândia, no Maranhão, e Palmas, no Tocantins. Um novo percurso de 855 quilômetros (Palmas-TO a Anápolis-GO) está próximo de ser finalizado. Deveria entrar em operação em 2014, mas só deve ser liberado para o tráfego de trens em 2016.

Idem para a ferrovia Transnordestina. A obra com 1.753 quilômetros de extensão era para ter sido inaugurada em 2010. Estratégica, foi projetada para ligar a produção agrícola do interior do Piauí, do Ceará e de Pernambuco aos portos de Suape, no litoral pernambucano, e de Pecém, no litoral cearense. No entanto, o empreendimento encontra-se praticamente abandonado. A parte mais crítica está no Ceará, onde o avanço das obras foi de apenas 4%. Lançada em 2007, hoje nem a Agência Nacional de Transportes Terrestres faz previsão de quando a obra será concluída. O custo da Transnordestina, que estava orçado em R$ 3 bilhões, já passa de R$ 7,5 bilhões.

Linha 4 do metrô do Rio: fundamental para jogos olímpicos, foi adiada de 2015 para 2016

Menos problemática, a linha 4 do metrô da cidade do Rio de Janeiro avança, mas não no ritmo esperado. Considerado estratégico para os jogos olímpicos de 2016, o trecho de 16 quilômetros ligará Ipanema à Barra da Tijuca e seu orçamento já chega a R$ 8,5 bilhões. Ao iniciar seu segundo mandato, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, anunciou cortes e repassou custos da obra ao governo federal e à prefeitura do Rio de Janeiro. Resultado: programada para entrar em teste em 2015, a linha 4 do metrô carioca só começará a funcionar no final do primeiro semestre de 2016, na antevéspera da Olimpíada, que começa dia 5 de agosto.

Entrevistados

Ministério do Planejamento, ministério da Integração Nacional, Consórcio Construtor Rio Barra e Consórcio Construtor Linha 4 Sul (via assessoria de imprensa)

 

Usina Belo Monte: expectativa é de que seja concluída entre o 2º semestre de 2016 e o 1º semestre de 2017

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Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Guia reúne prédios-referência à arquitetura nacional

Edifícios formam coleção de obras de arquitetos que atuaram no Brasil a partir de 1940. Entre eles, Rino Levi, Oswaldo Bratke e Oscar Niemeyer

Por: Altair Santos

Uma lista de 50 prédios considerados emblemáticos sob o ponto de vista arquitetônico integra o projeto Passeios de Arquitetura, criado em 2014 pelo IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil). As edificações foram catalogadas e fazem parte de cinco rotas localizadas no centro da cidade de São Paulo. A ideia nasceu por causa da demanda que o IAB recebe mensalmente, de arquitetos brasileiros e estrangeiros, além de estudantes de arquitetura, que pedem para que o instituto os guie pelas ruas da capital paulista, a fim de mostrar as obras mais relevantes. “Para a escolha dos pontos de interesse arquitetônico levou-se em consideração o conhecimento embasado de autoria e data dos projetos. A partir dessa escolha, têm sido redigidos os verbetes com informações detalhadas de cada lugar. Até o momento, foram elencados 50 pontos, mas sabe-se que ainda existem muitos outros a serem catalogados”, explica Rafael Schimidt, conselheiro superior do IAB.

Rafael Schimidt, do IAB: catalogação deve se estender para outras cidades

Transformado em uma espécie de guia de referência arquitetônica da cidade de São Paulo, o projeto Passeios de Arquitetura contempla edifícios assinados por arquitetos como Rino Levi, Gregori Warchavchik, Oswaldo Bratke e Oscar Niemeyer. Porém, destaca-se a quantidade de edifícios projetados pelo arquiteto Adolf Franz Heep. “Isso ocorre por que a construção dos pontos indicados no guia aconteceu no período de 1940 a 1980. Entre os mais recentes, está o remodelado Instituto de Pesquisa da Santa Casa e alguns prédios localizados dentro do campus da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Porém, vários edifícios foram restaurados e apresentam ampliações contemporâneas”, diz Rafael Schimidt. Para ver estas e outras edificações, basta escolher uma das rotas criadas pelo IAB, que partem sempre de praças paulistanas e abrangem um raio de 600 metros. As rotas são as seguintes: Passeio República, Passeio dom José Gaspar, Passeio Roosevelt, Passeio Rotary e Passeio Arouche.

Em outras cidades
Para conhecer as rotas antecipadamente é possível acessar o site do Passeios de Arquitetura (www.passeiosiabsp.com.br). Segundo Rafael Schimidt, o gerenciamento da plataforma digital permite verificar que o guia é acessado por pessoas em todos os continentes. “Muitos nos escrevem solicitando mais informações e alguns sugerem pontos que ainda não estão indicados nos percursos. Ou seja, o projeto está atingindo os objetivos planejados e desejados e, através das redes sociais, tem ampliado sua abrangência”, afirma. O próximo passo será a criação de passeios guiados. “O objetivo do Passeios de Arquitetura é que as pessoas façam as rotas por conta própria, com o auxílio da plataforma digital acessada pelo celular. Porém, está se cogitando a possibilidade de realizar passeios guiados, já que recebemos muitos pedidos para isso”, completa. A tendência é que arquitetos do próprio IAB, que ajudaram a catalogar os edifícios, se tornem os guias.

Considerado ainda em fase inicial de implantação, o Passeios de Arquitetura tende a agregar mais obras e tem a possibilidade de ser expandido para outras cidades. “Esse trabalho está em pleno andamento e a primeira fase, já concluída, refere-se ao levantamento do conteúdo inicial e ao lançamento da plataforma digital. É possível estender o projeto para outras cidades, mas as ações prioritárias são as seguintes: aumentar a área de abrangência, incluindo outras regiões da cidade de São Paulo; tradução do conteúdo escrito para outras línguas, e interatividade entre os usuários e a plataforma digital”, conclui Rafael Schimidt. Em Curitiba, existe a possibilidade de fazer passeios de arquitetura, a partir das obras de Elgson Ribeiro Gomes. O roteiro está disponível na página do documentário Linhas de Paisagem.

Entrevistado
Arquiteto Rafael Schimidt, professor nos cursos de arquitetura e fotografia do complexo Educacional FMU FIAM FAAM e conselheiro superior do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil).
Contatos
rafaelps@iabsp.org.br
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Créditos Fotos: Divulgação/IAB-SP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Norma melhora instalação de telhas de fibrocimento

Após processo de revisão, que durou mais de oito meses, ABNT NBR 7196 aprimora procedimentos de instalação, segurança e armazenamento do produto

Por: Altair Santos

Desde 11 de dezembro de 2014 está em vigor a versão revisada da ABNT NBR 7196 - Folha de Telha Ondulada de Fibrocimento – Procedimento. Ela estabelece requisitos para projetos e execuções de coberturas e fechamentos laterais com telhas de quatro, cinco, seis e oito milímetros de espessura e perfis estruturais. A normativa teve seu processo de revisão a cargo do Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados (ABNT/CB-18).

Rosário Carvalho Jaques: revisão tornou linguagem da norma mais acessível

O engenheiro Rosário Carvalho Jaques, coordenador de atendimento aos clientes da Multilit, fez parte da comissão que revisou a norma. Destacam-se na nova ABNT NBR 7196 as figuras para facilitar a instalação de parafusos, ganchos e pinos que fixam as telhas de fibrocimento. O novo texto também aborda aspectos de segurança e de manutenção dos equipamentos. Confira entrevista que explica o que mudou na norma técnica:

Desde 11 de dezembro de 2014, a versão revisada da ABNT NBR 7196 - Folha de Telha Ondulada de Fibrocimento – Procedimento – está em vigor. O que mudou na norma e qual o impacto dela no mercado?
Na realidade, não houve mudança estrutural da norma. Ocorreu mais um acréscimo de informação de figuras, para que a norma fosse melhor interpretada. Com relação às informações técnicas, agregou pouca coisa. A base dela continua a mesma.

A norma revisada se dedica bastante à instalação. Por quê?
Ela se dedica à instalação para que os projetos possam seguir as diretrizes que a norma determina.

Quanto ao armazenamento das telhas em fibrocimento, a norma revisada destaca o que neste assunto?
A revisão deixou a critério das empresas esse procedimento, mas ele deverá constar em catálogo. A orientação é que o armazenamento das telhas de cimento no sentido horizontal não ultrapasse a quantidade de 100 a 150 telhas. A Multilit, em particular, orienta que o armazenamento horizontal das telhas de 5 e 6 milímetros seja no máximo de 100 unidades. Na vertical, com 15 graus de inclinação, no máximo 300 unidade. Para telhas com 4 milímetros de espessura podem ser empilhadas no máximo 200 unidades).

A norma revisada aborda o processo construtivo das telhas de fibrocimento?
Ela aborda como instalar a telha e como manter um melhor aproveitamento do projeto, a fim de obter uma eficiente estanqueidade do telhado. Seguindo a norma, é possível conseguir um ótimo custo-benefício na cobertura do telhado.

Hoje há quantos fabricantes de telhas de fibrocimento no país?
São 16 fabricantes, segundo o Instituto Brasileiro do Crisotila. Aí, se inclui a Multilit. No entanto, há no mercado 9 marcas de telhas.

Norma manteve necessidade de três apoios nas telhas com medidas a partir de 2,13 metros

Há algum item mais polêmico na revisão da norma?
Um dos itens bastante discutido foi com relação ao apoio das telhas. Sempre houve necessidade de ter os três apoios nas telhas com medidas a partir de 2,13 metros. Na revisão da norma, houve quem defendesse três apoios a partir de telhas com 1,83 metros de comprimento. Mas prevaleceu o que já existia, ou seja, manter os três apoios a partir das telhas com 2,13 metros.

Por quanto tempo a norma ficou em processo de revisão?
A revisão se estendeu por volta de 16 meses, sem contar o período de consulta pública, que durou mais 4 meses. O importante é que foram agregadas informações, tornando-a mais acessível a quem for utilizá-la. Antes, ela estava com uma linguagem muita técnica.

As telhas de fibrocimento ainda são bem consumidas no mercado da construção civil?
O consumo é bem significativo. Ela é uma telha mais barata e oferece economia na estrutura do telhado. Ao utilizar telhas de fibrocimento, a estrutura não tem necessidade de ser muito robusta, além de não absorver calor. Bem diferente do que ocorre quando são usadas telhas cerâmicas ou telhas de concreto.

A questão da proibição do amianto ainda afeta o mercado de telhas de fibrocimento?
Algumas instituições comentam a respeito do amianto e isso faz com que o consumidor fique confuso, vamos dizer assim. Na realidade, existe falta de informação. Com base em pesquisas, entendemos que o amianto, da forma como ele é utilizado na telha, não causa nenhum dano. O produto é amalgamado na telha e não tem como se soltar. O consumidor não possui esta informação.

Há algum outro material em desenvolvimento que venha a concorrer com as telhas de fibrocimento?
Hoje o que se coloca no mercado são as telhas com fibra de PVA (Polivinil Álcool) e de PP (Polipropileno). Elas aumentam o custo da fabricação e se tornam um pouco mais caras no mercado, em função da necessidade da aplicação de aditivos para que o material possa ser agregado à telha.

Para fabricar uma telha de fibrocimento quanto vai de cimento?
Em média, o cimento compõe 90% de uma telha de fibrocimento. O restante são as outras misturas, os aditivos, as fibras e o filler, que é um material que a gente normalmente reutiliza.

Entrevistado
Engenheiro eletricista Rosário Carvalho Jaques, coordenador de SAC (Serviço de Atendimento aos Clientes) e obras civis da Multilit. Atuou na comissão que revisou a ABNT NBR 7196
Contatos
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cb18@abcp.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/Multilit

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Shopping em SP ganha principal prêmio da Abcic

Tietê Plaza foi eleito a obra do ano de 2014 em pré-fabricados de concreto. Empreendimento usou 25.000 m³ de estruturas, como vigas e lajes

Por: Altair Santos

O vencedor de 2014 do Prêmio Obra do Ano em Pré-Fabricados de Concreto foi o Tietê Plaza Shopping. O empreendimento está localizado na zona oeste da cidade de São Paulo, com área total construída de 130.334 m². Na obra, foram utilizados aproximadamente 25.000 m³ de concreto pré-fabricado, considerando vigas, lajes alveolares, painéis arquitetônicos de fachada estruturais e não estruturais, além de escadas. A obra foi executada pela Racional Engenharia e contou com o projeto arquitetônico de Maria de Fátima Rodrigues Alves, além do projeto estrutural de Carlos Eduardo Melo. A Concrebem Pré-Moldados foi responsável por fornecer as estruturas de pré-fabricados.

Tietê Plaza Shopping: 25.000 m³ de concreto pré-fabricado

A comissão julgadora da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) ainda conferiu menção honrosa a outros dois empreendimentos que se destacaram no uso de estruturas pré-fabricadas de concreto. O primeiro é o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, em Maragogipe-BA. Trata-se de um empreendimento cujas estruturas pré-fabricadas foram fornecidas pela T&A Pré-Fabricados, num total de 11.000 m³ de concreto pré-fabricado. Já a segunda menção honrosa foi concedida para a ampliação do Aeroporto Internacional de Brasília. A obra demandou um volume de 7.318 m³ de concreto e ocupa uma área total de 50.405 m².

Pré-fabricado na Copa
Também foram destacados na premiação da Abcic outros dois sistemas pré-fabricados que ficaram em evidência em 2014: a Arena Corinthians e o Monumento à Copa - um relógio com estrutura pré-fabricada, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, e que realizou a contagem regressiva até a abertura do evento, no dia 12 de junho. Para Íria Doniak, presidente executiva da Abcic, a diversificação de projetos reforça a aplicabilidade do pré-fabricado em diferentes segmentos. “Mesmo indicado para projetos modulares, nosso sistema tem vencido desafios e viabilizado distintos projetos, cumprindo ousados prazos de execução e agregando qualidade a diversos empreendimentos”, ressalta.

Em sua 4ª edição, o Prêmio Obra do Ano destacou projetos arquitetônicos e estruturais

O Prêmio Obra do Ano prestigia as empresas pré-fabricadoras e confere destaque aos arquitetos e engenheiros-projetistas que usam o sistema construtivo em seus projetos. Foi criado em 2011, no ano de comemoração de 10 anos de atividades da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto. A Abcic foi fundada com o objetivo de difundir e qualificar os pré-moldados de concreto destinados às estruturas, fachadas e fundações. Com mais de 100 associados, promove ações e iniciativas inéditas para o desenvolvimento do setor.

A premiação ainda conta com o apoio da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) e do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto).

 

Entrevistado
Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) (via assessoria de imprensa)
Contato: abcic@abcic.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/Abcic

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Recursos hídricos nortearão nova construção civil

Estudo faz raio-x da demanda por água nas principais metrópoles do mundo e mostra inovações que devem reduzir o consumo e minimizar desperdícios

Por: Altair Santos

A Coreia do Sul será o país-sede do Fórum Mundial da Água, entre 12 e 17 de abril de 2015. No evento, haverá um congresso específico para debater o uso de recursos hídricos na construção civil. Os especialistas estimam que do encontro, que acontecerá nas cidades de Daegu e Gyeongbuk, sairão novas tendências tecnológicas, ambientais e econômicas para o setor. Antecipando-se, a Arup - multinacional especialista em projetos de engenharia - encomendou um estudo para entender como estará a gestão da água em 2040. O levantamento analisa o abastecimento de água nas principais cidades do mundo daqui a 25 anos, comparando-as com Sydney, na Austrália.

Escassez dos recursos hídricos exige inovações em todos os setores, incluindo a construção civil

A maior metrópole da Oceania serviu de referência por ter o melhor gerenciamento de seus recursos hídricos - entre as cidades pesquisadas - e por possuir políticas consolidadas de gestão da água, incluindo a usada na construção civil. Um exemplo: em canteiros de obras onde são detectados vazamentos ou desperdícios, o governo de Sydney aplica multas severas e, em alguns casos, interdita a construção. A produção de concreto é uma das áreas que têm controle rigoroso. O motivo, segundo o estudo da Arup, é que a concretagem pode absorver entre 39% e 68% de toda a água consumida em uma obra, dependendo do tamanho do empreendimento e da gestão hídrica adotada pela construtora responsável.

A percepção do estudo é de que a cada metro quadrado de área construída é consumido 0,25 m³ de água. Por isso, o relatório da Arup aposta que se tornarão cada vez mais intensos e relevantes os avanços tecnológicos que agregam nanotecnologia ao concreto, principalmente por que essa inovação demanda menor consumo de água para produzir a mesma quantidade de material. “Este estudo traz uma grande contribuição, no sentido de propor soluções criativas para uma gestão inovadora e eficiente de nossos recursos hídricos, orientando pesquisadores, empresas e o poder público a inovarem, planejarem e realizarem mudanças em escala local e global", avalia Ricardo Pittella, diretor da Arup no Brasil.

Tecnologia a favor da água
A previsão é de que as inovações atingirão também os materiais com que são fabricados os tubos por onde correm as águas para abastecimento, as pluviais (provenientes da chuva) e as águas para tratamento de esgoto. Concreto que se autorregenera e mantas de grafeno são as apostas dos pesquisadores para conseguir reduzir vazamentos neste tipo de tubulação. A ciência e a engenharia estimam ainda que será dominante o emprego de robôs nos canteiros de obras. Betoneiras que dosam o concreto sem manipulação humana e lançadores que detectam vazamento eletronicamente estão entres as máquinas que devem estar presentes no mercado da construção civil até 2040.

O estudo da Arup define que “novos materiais podem proporcionar menos gasto de água e menor consumo de energia, além de reduzir o custo da infraestrutura e da manutenção desta infraestrutura”. O documento ressalta, no entanto, que a construção civil usa bem menos água do que o setor agropecuário. Estima-se que 70% da água doce do mundo são consumidos para produzir alimentos. Segundo dados do Water Resources Group, mantido o ritmo atual, em 2030 essa demanda irá gerar um déficit de 40% na água própria para consumo humano. “Ainda dá tempo para reverter esse quadro, e a saída está nas novas tecnologias”, finaliza o relatório a ser apresentado no Fórum Mundial da Água.

Faça o download da íntegra do documento (em inglês)

Entrevistado
Engenheiro civil Ricardo Pittella, diretor da Arup no Brasil
Contato: americas@arup.com

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Usina Santo Antônio ganha prêmio de sustentabilidade

Reconhecimento foi da International Hydropower Association, cuja especialidade é medir projetos ambientais agregados a empreendimentos hidrelétricos

Por: Altair Santos

A hidrelétrica Santo Antônio, ainda em construção no trecho do rio Madeira que corta o estado de Rondônia, já opera com 31 turbinas das 44 previstas. As obras civis estão 95% concluídas e o consórcio Madeira Energia S.A, constituído por Furnas, Caixa FIP Amazônia Energia, Odebrecht Energia, Andrade Gutierrez e Cemig, estima que, em 2015, conclui um dos empreendimentos mais importantes financiados pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Usina Santo Antônio, no rio Madeira: 95% das obras civis estão prontas e 31, das 44 turbinas, já operam

Atualmente, o cronograma da hidrelétrica enfrenta seus maiores atrasos nas linhas de transmissão para distribuir a energia gerada por Santo Antônio. Com capacidade para colocar 3.568 megawatts no sistema nacional, a usina ganhou recentemente um importante prêmio: o de obra mais sustentável, concedido pela International Hydropower Association (IHA). O organismo é vinculado à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e sua especialidade é medir a sustentabilidade de empreendimentos hidrelétricos.

Santo Antônio foi premiada por atingir boas avaliações dentro de protocolos relevantes estabelecidos pela IHA. Entre eles, respeito aos direitos humanos, baixo impacto nas mudanças climáticas, baixa vulnerabilidade a atos de corrupção e procedimentos transparentes de gestão. Também contribuíram com a premiação o fato de consórcio seguir estritamente os princípios socioambientais estabelecidos pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A ponto de a usina ter sido definida como modelo para futuras hidrelétricas a serem construídas na região amazônica.

Segundo Ricardo Márcio Martins Alves, gerente de Sustentabilidade da Santo Antônio Energia, foram investidos R$ 1,2 bilhão para que a obra cumprisse com os protocolos de sustentabilidade. A usina tem 28 programas que cobrem os meios físico, biótico e socioeconômico. O consórcio teve que compensar os impactos construindo áreas de proteção permanente e reconstituindo reservas legais. Isso contabiliza uma área de 55 mil hectares, sendo 35 mil hectares de proteção ambiental e 20 mil hectares de reserva legal. Também foram investidos R$ 500 milhões no reassentamento de 1.621 famílias que residiam nas áreas afetadas pela construção da hidrelétrica.

Itaipu busca certificação
No pico das obras, Santo Antônio empregou 13 mil trabalhadores da construção civil. A obra também consumiu um volume de 3,2 milhões de m³ de concreto. A utilização de turbinas tipo bulbo permite que a usina produza mais energia com menos volume de água passando pela barragem. Outro projeto agregado à obra da hidrelétrica, e que contribuiu significativamente para que conquistasse a premiação da IHA, é o que interfere o mínimo possível na piscicultura local. Rios paralelos de concreto foram construídos no entorno da megaobra. Eles simulam o curso natural das águas do rio Madeira antes que a barragem fosse erguida. Isso manteve inalterada a piracema e preservou o fluxo de peixes na região.

A próxima hidrelétrica brasileira a reivindicar a certificação de sustentabilidade da International Hydropower Association será a Itaipu Binacional. Em outubro de 2014, a usina passou por sua primeira avaliação oficial. Dario Gonzalez Fiori, um dos coordenadores da aplicação do protocolo da IHA, disse que a recente visita vai ajudar Itaipu a se preparar para a avaliação, em 2015. "Os procedimentos para obter a certificação permitirão que identifiquemos nossos pontos fortes e fracos, e se for o caso, aplicar medidas corretivas", diz. Itaipu é o maior projeto hidrelétrico do mundo, em termos de energia gerada, e estabeleceu o recorde de 98.000 gigawatts em 2013.

Entrevistado
Santo Antônio Energia e International Hydropower Association (via assesoria de imprensa)
Contatos
comunicacao@santoantonioenergia.com.br
mt@hydropower.org

Crédito Foto: Cleriz Muniz

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330