Perna mecânica é opção para obras de acabamento
Equipamento é aliado tanto na segurança quanto nas metas para elevar produtividade. Pode ser usado diretamente na obra e no estoque de materiais
Por: Altair Santos
A tecnologia não é apenas concorrente da mão de obra na construção civil. Ela pode também ser aliada na segurança e na conquista de mais produtividade. Um exemplo é a perna mecânica, que já é realidade em construtoras que atuam em obras de edifícios corporativos, onde os cronogramas estão cada vez mais apertados. O equipamento dispensa andaimes para o acabamento interno, como aplicação de reboco, gesso, drywall e arremates.

Quem já usou garante que o acessório permite maior mobilidade e estabilidade, visto que os pés da perna mecânica são emborrachados e impedem que o operário escorregue, minimizando o risco de acidentes. “Só o fato de a perna mecânica dispensar o uso de escadas, que é um grande foco de acidentes de trabalho em canteiros de obras, já reduz consideravelmente a exposição dos operários ao perigo de cair”, atesta Haroldo Izareli, gerente de novos negócios da Walsywa, uma das fabricantes de pernas mecânicas no Brasil.
Com um estande na recente edição do Concrete Show 2015, o fabricante foi um dos que mais atraiu público. Com os equipamentos expostos, não faltaram trabalhadores da construção civil para testá-los. “Nos Estados Unidos, na etapa de acabamento interno das obras, a perna mecânica já é o equipamento mais usado. Aqui no Brasil, a crise não nos atingiu. As vendas estão em escala exponencial. Quando o construtor confere suas vantagens, opta por essa solução”, completa Haroldo Izareli.
O ganho de produtividade é uma das vantagens da perna mecânica em canteiros de obras. Ela dispensa a montagem de andaimes e o sobe-desce de escadas. O cálculo é que, a cada 1 m² coberto com escada ou andaime, o equipamento consegue cobrir 3 m². Também é adaptável para obras com pé-direito entre 2,5 m a 4 m de altura. Os fabricantes asseguram que o uso da perna mecânica não requer treinamento e só há duas restrições: para trabalhadores que sofrem de labirintite e que estão acima do peso. O produto, fabricado essencialmente em alumínio, suporta até 102 quilos de peso.

No mercado, há equipamentos de fabricação nacional e importados. Em média, um par de pernas mecânicas custa aproximadamente R$ 1 mil. Quem vende, afirma que o custo-benefício compensa a diferença entre o aluguel de um andaime e o preço de uma escada. Além da utilização em canteiros de obras, o produto é recomendado também para a movimentação de materiais estocados, auxiliando no carregamento e no descarregamento de caminhões.
Entrevistado
Haroldo Izareli, gerente de novos negócios da Walsywa
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Nova norma para cidades mede qualidade de vida
ISO 37120:2014 já é requerida por cidades como Toronto, Barcelona e Londres. No Brasil, ABNT cria comissão para adaptá-la à realidade nacional
Por: Altair Santos
A ISO 37120:2014 é a primeira norma ISO voltada para as cidades. Entre suas abrangências, estão economia, educação, energia, ambiente, finanças, serviços de emergência, saúde, lazer, segurança, resíduos, transportes e água. A 37120 estabelece definições e metodologias para um conjunto de indicadores, no sentido de orientar e medir o desempenho dos serviços da cidade, tornando mensurável a qualidade de vida que ela proporciona aos seus cidadãos e o potencial de suas obras públicas. Lançada em maio de 2014, só agora a norma começa a ser avaliada no Brasil. A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) criou recentemente uma comissão para adequar a ISO 37120:2014 à realidade brasileira. Entre os integrantes deste comitê está a engenheira civil e professora Iara Negreiros, que explica quais benefícios a norma pode trazer às cidades que decidirem implantá-la. Confira:

Qual o objetivo da ISO 37120:2014?
A ISO 37120:2014 – Sustainable development of communities – Indicators for city services and quality of life (Desenvolvimento sustentável das comunidades - Indicadores de serviços da cidade e qualidade de vida) é a primeira norma internacional ISO (International Organization for Standardization) para indicadores de cidades. Ela está sendo desenvolvida como parte de um conjunto integrado de normas para o desenvolvimento sustentável nas comunidades. Segundo o próprio documento ISO 37120:2014, a norma define e estabelece metodologias para um conjunto de indicadores, a fim de guiar e medir a performance de serviços urbanos e qualidade de vida. Ela segue princípios estabelecidos e pode ser utilizada em conjunto com a ISO 37101 – Sustainable development in communities – Management systems (O desenvolvimento sustentável em comunidades - Sistemas de gestão). A ISO 37120:2014 é aplicável a qualquer cidade, municipalidade ou governo local que intencione medir sua performance de uma forma comparável e verificável, independentemente do tamanho e da localização.
Essa ISO pode ser entendida como uma certificação ou como uma norma?
É necessário enfatizar que o processo de normalização é diferente de certificação. Deve-se separar os conceitos entre a criação e a publicação de uma norma – a normalização – e a aplicação e certificação por uma norma. Segundo a ABNT, certificação é um processo no qual uma entidade de terceira parte avalia se determinado produto atende às normas técnicas. Portanto, para existir um processo de certificação é primeiro necessário a publicação de normas técnicas nacionais. Neste caso, estamos nos deparando pela primeira vez com a publicação de uma norma de referência para as cidades, que é o primeiro passo para o processo de normalização, que é anterior à certificação.
Lançada em maio de 2014, já existem cidades que tenham requerido essa ISO?
Internacionalmente, acessamos dados da aplicação desta norma (ISO 37120:2014) em 20 cidades-piloto, tais como Toronto, Barcelona e Londres, com detalhes dos resultados, quando disponíveis, para cada um dos 100 indicadores da norma (46 essenciais + 54 de apoio), além dos 39 indicadores de perfil. Fora estas 20 cidades, desconheço dados de indicadores ISO 37120 de outras, bem como de alguma cidade brasileira.

Existe um comitê no Brasil para a implantação desta ISO?
A ABNT, recentemente, criou a ABNT/CEE-268 - Comissão de Estudos Especial Desenvolvimento Sustentável em Comunidades, cujo âmbito de atuação é a normalização no campo de desenvolvimento sustentável em comunidades, compreendendo qualidade de vida, infraestrutura e serviços públicos, no que concerne à terminologia, requisitos e procedimentos. Esta comissão é espelho do ISO/TC 268, Sustainable development in communities (Desenvolvimento sustentável em comunidades), que publicou, entre outros documentos, a norma ISO 37120, e está elaborando outras normas ISO para cidades, como a já citada ISO 37101.
E como está a implantação desta ISO no país?
A comissão ABNT/CEE-268 estudará a internalização destas normas do ISO/TC 268 à realidade brasileira, que é o primeiríssimo passo para pensarmos em qualquer processo de implantação. É uma comissão aberta a todos que se interessem em participar.
A senhora atua de que forma para a implantação da ISO no Brasil?
Participo desta comissão ABNT/CEE-268 e do Comitê Temático Urbano do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável). Tenho particular interesse acadêmico em indicadores de sustentabilidade urbana por conta de minha pesquisa de mestrado (defendido em 2009) e de doutorado, em andamento, cujo tema é retrofit urbano. Venho há alguns anos estudando indicadores de sustentabilidade urbana, em conjunto com o professor-doutor Alex Abiko, e já identificamos 185 sistemas de indicadores aplicáveis a cidades, anteriores a ISO 37120, como ele próprio mencionou na Sessão Urbana do 8º SBCS (Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, realizado dia 22 de setembro de 2015).
Recentemente, a senhora palestrou no 8º Simpósio Brasileiro sobre Construção Sustentável exatamente sobre a ISO 37120:2014. Como foi a receptividade do público especializado em relação à implantação da ISO no Brasil?
Ao final da própria sessão urbana do 8º SBCS houve o lançamento da comissão ABNT/CEE-268, convidando à participação da primeira reunião. Por conta disso, muitos profissionais interessados, representantes dos mais diversos stakeholders das cidades, participaram da reunião da comissão ABNT/CEE-268, em que o professor-doutor Alex Abiko foi eleito como coordenador.
Alguma capital brasileira conseguiria cumprir o grau de exigência da ISO para obter a certificação?
Ainda não há definição de processos de certificação pela ISO 37120:2014 no país, nem mesmo a publicação de uma norma brasileira que reflita esta ISO, que seria um passo anterior a qualquer processo de implantação. Porém, a meu ver, os 100 indicadores da norma (46 essenciais + 54 de apoio) e os 39 indicadores de perfil são, na maioria, simples e factíveis. Como mencionei na minha palestra no 8º SBCS, aproximadamente 30% destes indicadores já são mensurados e disponibilizados por outras instituições, tais como IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) e, no caso do estado de São Paulo, Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados).
O município de Sorocaba, no interior de São Paulo, seria o primeiro a se candidatar para obter essa certificação no país?
Sorocaba foi simplesmente escolhida pelo CT Urbano do CBCS pelos motivos que mencionei em minha palestra: é um município de grande porte, com vários indicadores já publicados em outras plataformas, próximo à cidade de São Paulo (aproximadamente 100 quilômetros de distância) e onde o CT Urbano se reúne. Além disso, resido há dois anos em Sorocaba, portanto tenho mais facilidade de acesso aos números. Neste levantamento de dados de Sorocaba, ainda em andamento, já obtive 60 dos 100 indicadores da norma, e 34 dos 39 indicadores de perfil, em parceria com instituições locais, tais como Secovi-SP (Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo), Prefeitura de Sorocaba, Urbes - Trânsito e Transportes - e SAAE Sorocaba (Serviço Autônomo de Água e Esgoto).
Quais vantagens uma cidade obtém ao seguir a norma ISO 37120:2014?
O próprio documento ISO 37120:2014 cita que cidades necessitam de indicadores para medir sua performance. Porém, indicadores existentes geralmente não são padronizados, consistentes e comparáveis no tempo ou entre cidades. Segundo nota informativa da norma ISO 37120:2014, seu uso ajudará os gestores municipais, políticos, pesquisadores, empresários, urbanistas, designers, engenheiros civis e outros profissionais a se concentrarem em questões-chave, além de pôr em prática políticas mais habitáveis, tolerantes, sustentáveis, resilientes, economicamente atraentes e prósperas para as cidades. Os indicadores incluídos na ISO 37120:2014 poderão ajudar as cidades a avaliar o seu desempenho e medir o seu progresso gradativamente, com o objetivo final de melhorar a qualidade de vida e a sustentabilidade. A abordagem uniforme da norma permitirá que as cidades comparem perfeitamente onde estão em relação a outras cidades. Esta informação pode, por sua vez, ser usada para identificar as melhores práticas, para o aprendizado de uma cidade com outra.
Quais os principais entraves para que uma ISO dessas possa ganhar adesões no Brasil?
Particularmente, não visualizo entraves. Talvez existam algumas dificuldades em adotar indicadores ou adaptar a metodologia de mensuração de alguns indicadores existentes ao método descrito na norma, o que faz parte de qualquer processo de padronização.
Para adquirir a norma ISO 37120:2014 – Sustainable development of communities – Indicators for city services and quality of life, acesse aqui.
Veja aqui as cidades que já requereram a ISO 37120:2014.
Informe-se mais sobre a comissão formada para adaptar a ISO 37120:2014 à realidade brasileira:
http://www.abnt.org.br/abnt-cee-268-desenvolvimento-sustentavel-em-comunidades
Entrevistada
Engenheira Civil Iara Negreiros. Possui mestrado em engenharia e planejamento urbano pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e atualmente é doutoranda também pela Politécnica USP. Atuou como professora-substituta na Universidade Federal do Amazonas e professora horista em faculdades particulares
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iara.fioravanti.sampaio@gmail.com
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Maior túnel do mundo é aberto entre Suíça e Itália
Megaobra tem 57 quilômetros e será percorrida por um trem de alta velocidade que, a partir de 2016, unirá as cidades de Zurique e Milão
Por: Altair Santos
Até o começo de 2016, toda a linha férrea que cruza o túnel de Gothard, nos Alpes Suíços, estará concluída. São 57 quilômetros cortando a cadeia de montanhas que é um símbolo da Europa. A perfuração das rochas começou em 2000 e foi concluída em 2011. Em 80% dela foram usados escavadores gigantes e em 20% utilizou-se o método tradicional com explosivos. Conforme o túnel foi avançando, o revestimento das paredes e o radier, ambos em concreto, deram forma ao túnel.

Quando estiver totalmente concluído, o Gothard terá consumido 1,3 milhão de m³ de concreto e 440 mil toneladas de cimento. Com o túnel, a travessia em trem de alta velocidade entre as cidades de Zurique, na Suíça, e Milão, na Itália, será feita em cerca de duas horas. Bem-sucedida desde a etapa de projeto, que começou a ser concebido em 1996, passando pela execução de longo prazo (16 anos), a megaobra já serve de inspiração para outros empreendimentos. Também já foram iniciados projetos para viabilizar um túel ligando Lyon (França) a Turim (Itália) e outro substituindo o túnel Brenner, entre Áustria e Itália – todos cortando os Alpes.
Os 57 quilômetros do Gothard são insuperáveis. Trata-se do maior túnel do mundo. Ultrapassa em extensão o Túnel Seikan, no Japão, que mede 53,85 quilômetros e liga as ilhas de Honshu e Hokkaido. Também é maior que o Eurotúnel, que liga França e Inglaterra, atravessando o Canal da Mancha, e que tem um percurso de 50,5 quilômetros. Para superar os 57 quilômetros, foram extraídos 12 milhões de toneladas de rocha, dos quais 2 milhões de toneladas foram transformados em agregados (brita e areia de brita) para a composição do concreto. Já os resíduos de rocha inadequados para usar como agregados foram utilizados em aterros.

Cura do concreto a 20 °C
Duas usinas capazes de produzir 120 m³ de concreto por hora foram instaladas em cada uma das extremidades do túnel, para fornecer material para o revestimento das paredes e a construção do radier que suporta os trilhos. Os agregados chegavam às usinas transportados por trens. Uma megaobra desta envergadura, obviamente, não sai barato. O custo está estimado em 10,1 bilhões de francos suíços - o equivalente a quase 40 bilhões de reais, já considerando a desvalorização da moeda brasileira.
Em termos de uso de tecnologias inovadoras, o Gothard não as poupou. Por ser construído em uma região de baixas temperaturas em boa parte do ano, foi necessário que a engenharia projetasse grandes aquecedores para manter a temperatura entre 20 °C e 25 °C nos trechos concretados do túnel. Com isso, se atingiu a cura ideal do material, dando-lhe uma aparência de concreto envernizado. Além disso, atingida a resistência ideal do concreto, cumpre-se o que determina o projeto: megaobra com ciclo de vida útil superior a 100 anos.

Com a concretagem concluída, e 94% dos trilhos instalados, no dia 1º de outubro de 2015 começaram os primeiros testes com os trens. Esse período deverá se estender até junho de 2016. No segundo semestre do ano que vem haverá as primeiras viagens com trens cargas. Em seguida, virão os testes com passageiros. “Também testaremos a ventilação e o sistema de evacuação de passageiros, em caso de incêndio. Após a abertura, queremos ter o túnel mais seguro da Europa”, diz Renzo Simoni, CEO da AlpTransit Gotthard - consórcio responsável pela construção. A megaobra envolveu dois mil operários no ápice do empreendimento, sendo que nove morreram nas escavações.
Entrevistado
Consórcio AlpTransit Gotthard (via assessoria de imprensa)
Contato: info@alptransit.ch
Créditos Fotos: Divulgação/AlpTransit Gotthard
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Depois dos tetos verdes, a vez dos paredões verdes
Edifícios com fachadas cobertas por plantas ajudam meio ambiente e minimizam danos da poluição sonora nos grandes centros urbanos
Por: Altair Santos
O teto verde não é a única intervenção construtiva sustentável que está transformando as metrópoles brasileiras. Estimuladas por incentivos fiscais dados pelas prefeituras, como descontos no IPTU, as fachadas verdes também passaram a ser incorporadas à cena urbana.

Neste caso, os jardins verticais são planejados para ocupar as empenas cegas de edifícios, que são as paredes sem janelas, normalmente encontradas em prédios antigos. Esses projetos paisagísticos transformam as edificações em gigantescos “aparelhos de ar-condicionado” ao ar livre. Também minimizam os efeitos da poluição sonora, pois as plantas funcionam como um colchão que impede a reverberação do som.
O impacto ambiental positivo que as paredes verdes causam levou ao surgimento do Movimento 90°, liderado por moradores de prédios que ocupam o entorno do viaduto mais polêmico da cidade de São Paulo: o Elevado Costa e Silva, popularmente conhecido como Minhocão.
A intenção deles é que a prefeitura da capital paulista estimule intervenções paisagísticas nas 140 empenas cegas presentes nos edifícios ao longo do viaduto, a fim de reduzir, principalmente, a poluição sonora. Para o arquiteto Guilherme Wisnick, as cidades precisam pensar em alternativas para enfrentar o que ele denomina de “rodoviarismo”, que foi o que predominou nas metrópoles brasileiras nos anos 1960, 1970, 1980 e 1990, e que privilegiou os veículos automotores.

Técnicas de instalação
Para o especialista, os paredões verdes podem ser o começo de um novo modelo de cidade. ”O rodoviarismo sacrificou os espaços públicos e as áreas verdes. Então, os paredões verdes cobrindo as empenas cegas dos edifícios que cercam o Minhocão são de um simbolismo forte para a cidade”, diz. Para estimular o projeto paisagístico, o Movimento 90° desenvolveu uma técnica para instalar a vegetação nas paredes.
Ela utiliza vasos de feltros, sistema de irrigação que capta água da chuva e uma chapa impermeável feita de materiais recicláveis, que funciona como isolante para que a parede não receba a umidade gerada pelas plantas. O procedimento acaba contribuindo também para que o prédio se adapte à Norma de Desempenho.
Dois dos principais requisitos da ABNT NBR 15575 estão ligados ao desempenho térmico e ao desempenho acústico da edificação, o que os paredões verdes ajudam a cumprir. Nos edifícios que já possuem fachadas sustentáveis, a temperatura interna nos apartamentos e nas salas comerciais cai, em média 8 °C. Já os ruídos ficam em torno de 25 decibéis menores.
Esses valores podem variar se o isolamento das empenas cegas utilizar materiais com melhor desempenho termoacústico. O tipo de vegetação também influencia no desempenho dos jardins verticais. Isso, se o edifício a sofrer a intervenção não tiver patologias. Neste caso, o recomendável é promover um retrofit no prédio para depois instalar o jardim vertical.
Em boa parte das 140 empenas cegas que envolvem o Minhocão há patologias como eflorescências, causadas por infiltrações, fissuras e trincas. Os engenheiros civis e arquitetos envolvidos com o Movimento 90° atuam na recuperação destes paredões antes de transformá-los em jardins verticais.
Veja vídeos que mostram como se instala e quais as vantagens dos paredões verdes
https://youtu.be/DQFpkgJh3_Q
https://youtu.be/zdyFbHFw6Bk
Entrevistado
Movimento 90° (via assessoria de imprensa)
Contatos
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www.movimento90.com
Créditos Fotos: Divulgação/Movimento 90°
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Varejo da construção deve oferecer produtos e soluções
Novo modelo de venda não envolve apenas a entrega do material, mas a oferta de serviços acoplados a ele, e que facilitem a vida do consumidor
Por: Altair Santos
Como o varejo da construção civil deve se preparar para atrair um consumidor cada vez mais cético e disposto a não gastar? Foi essa a pergunta que a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) e o Sebrae (Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas) procuram responder em um workshop que tem percorrido as principais cidades brasileiras, em parceria com as Acomacs, que são as associações regionais de comerciantes de material de construção. O objetivo é orientar o lojista a capacitar e a investir no atendimento e na conquista do cliente.

Em uma loja de varejo, é preciso saber trabalhar desde a emoção do cliente até a forma como o material será entregue na casa do consumidor. “O empresário tem que viver a loja e ouvir o cliente. Um dos segredos é provocar a emoção, para motivá-lo a comprar. O consumidor não compra a tinta apenas para pintar a parede. Ele quer deixar a casa dele bonita, e muitas vezes mais bonita que a do vizinho”, diz Mauro Tadeu Florio, diretor de comunicação da Anamaco.
Já Paulo Henrique Bueno Tavares, consultor de projetos do Sebrae-SP, cita que existem uma série de processos que precisam ser bem avaliados, mesmo em uma loja de bairro. “O empresário precisa acompanhar desde a encomenda até a chegada do material, passando pela armazenagem no estoque, a expedição correta depois da venda, o carregamento e o transporte até o cliente. Nestes processos sempre existem pontos de desperdício, e é preciso estancá-los”, afirma.
Inovar no formato da venda também é relevante, citam os especialistas. Segundo Adriano Augusto Campos, consultor de Inovação do Sebrae-SP, hoje não basta apenas ter o produto na prateleira, é preciso oferecer soluções para o cliente. “Em vez de ofertar apenas materiais de construção isoladamente, com suas funcionalidades conhecidas, o varejista pode oferecer pacotes que ajudem a dar qualidade à obra. Por exemplo, em vez do tijolo, que tal um conjunto completo para erguer a parede? Em vez da telha, que tal o telhado já instalado, e com isolamento térmico. O importante é que os produtos sempre tragam conveniência, customização e agilidade para os consumidores”, afirma.
Menos custo, mais tecnologia
Segundo levantamento do Sebrae, as revendas que adotam esses procedimentos têm conseguido aumento de faturamento. O comprador - apontam estudos - procura sempre a diminuição do custo total da obra, mas quer também os melhores componentes e tecnologias disponíveis. Assim empresas devem introduzir melhorias que as diferenciem da concorrência perante seus clientes, tais como:
- Entrega agregada de produtos e serviços no prazo (agilidade)
- Entrega de produtos pré-fabricados que contribuam para a industrialização da obra
- Economia pela redução de estoques e redução da mão de obra
- Produtos e soluções sustentáveis que, por exemplo, diminuam a geração de resíduos na obra
- Customização conforme exigências do cliente, de acordo com as especificações do projeto
- Conveniência e comodidade na compra de produtos e serviços
- Treinamento constante de equipes de venda e atendimento
Adriano Augusto Campos destaca ainda que a inovação no comércio varejista não significa, necessariamente, introduzir novidades, mas melhorar algo que já existe. Para isso, lembra, a empresa precisa se preocupar com os seguintes aspectos:
- Analisar a concorrência
- Estar sempre atenta a novos produtos e serviços
- Aproximar-se da cadeia produtiva que compõe seu mercado (fabricantes, clientes, universidades, outras empresas parceiras)
- Conhecer bem e manter um bom relacionamento com os clientes
- Avaliar o impacto das mudanças e corrigir os problemas quando as ideias não forem realizáveis.
Entrevistados
- Adriano Augusto Campos, consultor de Inovação do Sebrae-SP
- Paulo Henrique Bueno Tavares, consultor de projetos do Sebrae-SP
- Mauro Tadeu Florio, diretor de comunicação da Anamaco
Contatos
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Minha Casa Minha Vida esquece de reurbanizar favelas
Grupo de arquitetos voltado para a habitação de interesse social tenta compensar falha do programa com adoção de seus projetos pelas Cohabs
Por: Altair Santos
Para alguns urbanistas, o programa Minha Casa Minha Vida teve um erro de concepção ao não priorizar a reurbanização de favelas e a recuperação de áreas degradadas nos grandes centros urbanos. Para compensar essa falha, especialistas têm se preocupado em viabilizar projetos que permitam a transformação destes bolsões de pobreza em espaços habitáveis dignamente. Para isso, a solução tem sido sensibilizar organismos como as Cohabs.

Trata-se de um movimento que já constituiu um bom número de projetos, mas cujas parcerias com os poderes públicos municipais e estaduais ainda resultam em poucas ações concretas. No Brasil, atualmente, só há dois cases emblemáticos: a favela do Sapé, no bairro Rio Pequeno, na periferia da cidade de São Paulo, e o conjunto habitacional do Jardim Edite, que convive com uma área nobre da capital paulista.
São complexos de interesse social que se diferenciam do antigo projeto Cingapura, viabilizado pelo então prefeito paulistano Paulo Maluf no início dos anos 1990. “Não é apenas verticalizar as favelas, mas levar para esses espaços serviços públicos como postos de saúde, creches e escolas técnicas que permitam a qualificação dos moradores que irão habitá-los”, explicou o arquiteto Milton Liebentritt de Almeida Braga, do escritório MMBB Arquitetos, em um recente webseminário promovido pelo portal AECweb.
O Jardim Edite ocupa um dos espaços urbanos com o m² mais caro da cidade de São Paulo: o da avenida Berrini. Antes de a infraestrutura rodoviária ser construída, a favela já existia no local. Em vez de removê-la, a prefeitura de São Paulo denominou a área como uma ZEIS (Zona Especial de Interesse Social) e abriu para a iniciativa privada pensar em soluções. Da mesma forma ocorreu com a favela do Sapé. Nos dois modelos de reurbanização, as estruturas pré-fabricadas de concreto foram decisivas para o cumprimento do cronograma das obras.
Parcerias público-privadas
Para Milton Braga, é a prova de que a desfavelização é possível. Mas para isso, diz, é importante estabelecer a parceria entre o poder público, que planeja, e a iniciativa privada, que constrói. “O Brasil tem um exemplo eloquente de sua capacidade de desenvolver projetos urbanos planejados, que é Brasília. No entanto, boa parte de suas metrópoles cresceu desordenadamente, pelas mãos dos loteamentos privados, e sem contar com o planejamento do poder público. O resultado é um tecido urbano fragmentado, sem equilíbrio e organização. São Paulo é um exemplo clássico”, afirma.
Diante desta linha de raciocínio, o arquiteto avalia que os cases do Jardim Edite e da favela do Sapé podem servir de exemplo não apenas para habitações de interesse social, mas para se combater um dos males das grandes cidades brasileiras, que são as enchentes e a poluição de rios e córregos. “Com a reurbanização de favelas é possível abrir espaço para restabelecer as áreas verdes no entorno de rios e córregos, criando parques lineares com calçamento e ciclovias”, avalia, convicto de que os primeiros passos para essa transformação começam a ser dados.
Entrevistado
Arquiteto Milton Liebentritt de Almeida Braga, sócio do escritório MMBB Arquitetos (via webconferência do portal AECweb)
Contato: mmbb@mmbb.com.br
Créditos Fotos: Pedro Vannucchi/Divulgação/MMBB
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Em tese, Brasil produz o melhor concreto do mundo
Principais nomes da engenharia estrutural não têm dúvidas de que normas técnicas vigentes garantem excelente qualidade ao material produzido no país
Por: Altair Santos
Em todo o continente americano, o Brasil é o único país que não segue as normas da ACI (American Concrete Institute) dos Estados Unidos. Para 50 nações, seja na América do Norte, Central ou do Sul, quando o assunto é concreto estrutural, vale a ACI 318-14 - Building Code Requirements for Structural Concrete (Exigências do código de construção para concreto estrutural). Na Europa, prevalece a EN 206: 2013. Já em território nacional vigoram as normas técnicas ABNT NBR 6118 - Projeto de estruturas de concreto – Procedimento; ABNT NBR 12655 - Concreto de Cimento Portland – Preparo, controle e recebimento, e ABNT NBR 7680:2015 - Concreto – Extração, preparo, ensaio e análise de testemunhos de estruturas de concreto.

Essas três normas, no entender de algumas das principais autoridades brasileiras em engenharia estrutural, possuem requisitos para fazer do concreto produzido no país o melhor do mundo. “O procedimento de controle adotado no Brasil é o mais rigoroso do mundo.
Com amostragem total exigida pelas normas, conhecemos toda a população em exame. Mais segurança que isso, impossível”, afirmou o doutor em engenharia civil pela POLI-USP, Paulo Helene, que, ao lado dos também engenheiros civis Roberto José Falcão Bauer, Egydio Hervé Neto, Bernardo Fonseca Tutikian e Antonio Domingues de Figueiredo, participou de um abrangente seminário sobre as práticas de análise da resistência do concreto em estruturas.
Normas conservadoras
O evento ocorreu dentro do Concrete Show 2015. No encontro, um dos mais veementes defensores das normas brasileiras foi Egydio Hervé Neto, que entre as atribuições é perito em inspeção e diagnóstico de patologias em estruturas, especialista em tecnologia do concreto e qualidade, além de consultor de empresas de construção. “Eu respeito muito as normas técnicas brasileiras. São feitas por pessoas muito especializadas, redigidas por grupos multidisciplinares, entre eles professores universitários extremamente capacitados, o que me deixa tranquilo quanto ao seu conteúdo. Não existe nenhum outro documento para consultar a não ser a norma brasileira, quando se está dentro do território nacional”, assegurou.
Tanto a EN 206: 2013 quanto a ACI 318-14 Building Code Requirements for Structural Concrete, segundo os especialistas, são mais flexíveis que as ABNT NBR 6118, ABNT NBR 12655 e ABNT NBR 7680:2015. Para Bernardo Tutikian, coordenador do Instituto Tecnológico de Desempenho para Construção Civil (ITT Performance) e presidente da Alconpat Brasil, chega a ser proposital o rigor das normas brasileiras. “Nossas normas são conservadoras, mas são assim por segurança”, explica. Um destes rigores foi debatido exaustivamente no seminário. Trata-se da questão que envolve a resistência do corpo de prova em relação à resistência característica do concreto. No Brasil, as normas técnicas dizem que não se pode aceitar nenhum valor de fci (resistência de cada exemplar de corpo de prova) abaixo do fck (resistência característica do concreto). Já a ACI 318-14 aceita variação de 3,5 MPa a 4 MPa, enquanto a EN 206: 2013 considera um fci até 10% abaixo do fck. É por isso que, no que depender das exigências técnicas impostas pelas normas, o Brasil, em tese, produz o melhor concreto do mundo.
Entrevistados
Engenheiros civis especialistas em estruturas de concreto, Paulo Helene, Roberto José Falcão Bauer, Egydio Hervé Neto, Bernardo Fonseca Tutikian e Antonio Domingues de Figueiredo
Contato: concrete@concreteshow.ubm-info.com
Crédito: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Na prática, Minha Casa Minha Vida 3 está suspenso
Terceira etapa do programa, que contrataria mais de 3 milhões de unidades até 2018, fica prejudicada pelo ajuste fiscal e por cortes no orçamento
Por: Altair Santos
A fase 3 do Minha Casa Minha Vida está suspensa por tempo indeterminado. Ela deveria ter entrado em vigor a partir de 10 de setembro, quando o governo federal prometeu que iniciaria a abertura de novos contratos para viabilizar mais três milhões de unidades até 2018. No entanto, a falta de recursos causou a mudança de rota. Agora, o compromisso é de apenas tentar honrar as obras já contratadas, relacionadas às fases 1 e 2 do MCMV. “A prioridade do momento é completar as unidades habitacionais que já estão contratadas. A fase 3 será implementada de uma maneira mais devagar, condizente com o cenário fiscal que a gente vê para o próximo ano (2016)”, disse o ministro do planejamento, Nelson Barbosa.

Além do adiamento de uma nova etapa do Minha Casa Minha Vida, o programa também sofreu cortes nos subsídios e aumento de juros. “Continua a haver subsídios, só que numa escala menor do que eram no ano passado (2014). Nós enfrentamos um novo cenário fiscal, e também decidimos adequar o programa à evolução de renda da população, das condições e da capacidade de financiamento dos beneficiários”, afirmou o ministro do planejamento. Assim, a faixa 1, que continua isenta, passa a ter limite mínimo de renda de R$ 1,8 mil – antes era R$ 1,6 mil. Também foi criada a faixa 1.5, que atinge renda de até R$ 2.350, e que vai pagar juros de 5%. Já as faixas 2 e 3 também tiveram os juros ampliados para até 8%.
Outra mudança diz respeito ao limite do valor da prestação para a faixa 1 do programa. Antes, o beneficiário podia comprometer somente 5% de seu salário com a parcela. Agora, as famílias que fazem parte da renda mínima deverão destinar 10% do que recebem ao pagamento da prestação. Esse percentual pode chegar a 20%, dependendo da renda familiar. Estas alterações, segundo o ministro das cidades, Gilberto Kassab, são para garantir que haverá o pagamento dos contratos. “É pé no chão e mantém o programa dentro da nova realidade do país. O ritmo não será o que gostaríamos, mas não podemos desconhecer o que está acontecendo. Agora, a expectativa da indústria da construção é pela regularização de débitos pendentes em obras executadas”, disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, sobre as mudanças no MCMV.

Queda no volume de obras
Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas, 55,7% das construtoras que prestam serviço para o Minha Casa Minha Vida estão recebendo o desembolso por obras executadas com pelo menos 60 dias de atraso. Isso, de acordo com a FGV, faz com que 57% das empresas que atuam no MCMV acreditem que o volume de empreendimentos sofrerá queda drástica nos próximos 12 meses. Para 2016, o investimento do governo federal no Minha Casa Minha Vida perdeu inicialmente R$ 4,8 bilhões e não deve ultrapassar o teto de R$ 15 bilhões. Esse recurso será destinado à construção de 1,6 milhão de unidades que ainda não saíram do papel.
Criado em 2009, o Programa Minha Casa, Minha Vida já contratou 4 milhões de unidades habitacionais, com investimento total superior a R$ 270 bilhões, de acordo com o ministério das cidades. Até agora, 2,4 milhões de moradias já foram entregues e 1,6 milhão estão em fase de projeto.
Entrevistados
Ministérios do planejamento e das cidades (via EBC - Empresa Brasileira de Comunicação)
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) (via assessoria de imprensa)
Contatos
cidades@cidades.gov.br
gabinete.ministro@planejamento.gov.br
comunica@cbic.org.br
Créditos Fotos: EBC/Agência Brasil
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Obras de infraestrutura: ainda é possível investir
Seminário promovido pelo SindusCon-PR mostra que bom caminho para novos modelos de Parcerias Público-Privadas está nos municípios
Por: Altair Santos
O SindusCon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná), em parceria com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), promoveu dia 15 de setembro, em Curitiba, o primeiro seminário regional sobre concessões e parcerias público-privadas (PPPs). No encontro, especialistas sinalizaram que o caminho para a retomada de obras públicas é um só: apostar nesta modelagem para destravar projetos de infraestrutura não só na esfera federal, mas estadual e municipal.

O presidente da CBIC, José Carlos Martins, fez uma defesa veemente das PPPs. “Não tem outra saída para o país. Até agora, elas não andaram por mera questão ideológica. Mas é a melhor solução, principalmente em tempos de baixa receita. Elas evitam o inchaço da máquina pública e permitem ao estado readquirir a capacidade de investimento. Além disso, melhoram a qualidade do serviço, que passa a ser remunerado pelo desempenho, além de ser melhor fiscalizado pela sociedade”, argumentou.
O advogado Fernando Vernalha Guimarães, especialista nos aspectos jurídicos das PPPs, revelou que até o momento apenas 81 PPPs foram assinadas entre o poder público e a iniciativa privada no país, independentemente do nível de governo. Ele recordou ainda que boa parte destes contratos assinados subverte a natureza das parcerias. “A maioria é subsídio patrocinado, onde o poder público entra com a maior parte dos recursos. Porém, não equaciona a matriz de risco, o que acaba afugentando o investidor”, ressaltou.
PPPs municipais
Vernalha destacou que um novo ciclo de PPPs começa a ser estabelecido nos municípios, principalmente os do sul do país. Boa parte destes contratos envolve obras para a área de saúde, como a construção de hospitais, e de mobilidade urbana. “Os municípios estão fomentando projetos interessantes de PPPs”, completou o consultor Bruno Pereira, da Radar PPP – empresa que orienta tanto o poder público quanto o setor privado sobre como estabelecer as parcerias público-privadas.
Para intensificar as PPPs, as prefeituras têm investido na qualificação de quadros para entender como se faz a modelagem. “As PPPs engatinham no Brasil. Agora é que alguns governantes começam a entender que os serviços devem ser públicos, mas não necessariamente estatais”, reforça Rodrigo Garcia, secretário de habitação do governo de São Paulo, que apresentou um case de PPP para habitação de interesse social coordenada pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo).
Por fim, o professor da Fundação Getúlio Vargas, Gesner Oliveira, alertou que o rebaixamento de grau de investimento do Brasil pode ser um obstáculo ao estímulo das PPPs. “O rebaixamento de risco afeta o custo de capital das empresas e, obviamente, os programas de concessões. Entre eles, o PIL (Programa de Investimento em Logística), que o governo federal anunciou com 198,4 bilhões de reais, mas na verdade são 80 bilhões e poucos. Mas a questão não é o volume de recursos, mas como viabilizar o programa. O governo federal quer transferir o risco de prejuízo totalmente para a iniciativa privada, sem compartilhar esse risco. Isso subverte o conceito das PPPs, que é dividir o lucro e minimizar a possibilidade de prejuízo”, finalizou.
Entrevistados
Engenheiro civil José Carlos Martins, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Advogado Fernando Vernalha Guimarães, da Vernalha Guimarães & Pereira Advogados
Advogado Bruno Pereira, consultor da Radar PPP
Rodrigo Garcia, secretário de habitação do governo de São Paulo
Gesner Oliveira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e sócio da GO Associados
Contatos
gesner@goassociados.com.br
bp@bslaw.com.br
fernando.vernalha@vgpadvogados.com.br
comunica@cbic.org.br
imprensa@casapaulista.sp.gov.br
Crédito Foto: Divulgação/SindusCon-PR/Priscilla Fiedler
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Nova geração de máquinas qualifica artefatos de cimento
Equipamentos importados levam fabricantes a atingir novos patamares em termos de qualidade, acabamento e durabilidade de seus produtos
Por: Altair Santos
Prestes a completar 10 anos, o Programa de Desenvolvimento Empresarial (PDE) é um dos propulsores da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) para melhorar a produção e a qualidade dos artefatos de concreto fabricados no Brasil. O objetivo é manter o setor bem treinado, levando inovações e orientando sobre a necessidade de manter as fábricas sempre atentas aos avanços tecnológicos. Na recente edição do Concrete Show, realizada no final de agosto na cidade de São Paulo, engenheiros que integram o PDE procuraram destacar a nova geração de máquinas que chegam ao mercado brasileiro para qualificar os artefatos de cimento.

Os equipamentos - alguns deles expostos no Concrete Show - tiram o segmento da era artesanal para lançá-lo numa fase de escala industrial. No Brasil, as máquinas fabricadas na Espanha e nos Estados Unidos estão entre as que mais têm conseguido crescer neste mercado. Além de permitir 100% de automação do processo industrial, o maquinário ainda promove a paletização do produto, facilitando o transporte e a logística de armazenamento dentro da fábrica. Outra vantagem desta nova geração de equipamentos é que eles facilitam a produção de artefatos com dupla camada, além de permitir geometrias variadas e oferecer maiores alternativas para a pigmentação.
No Concrete Show foi mostrado o case da ConcrEpoxI, empresa localizada em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco. Três anos antes de instalar a unidade, a empresária Renata Gaudêncio, de 34 anos, matriculou-se no PDE para absorver o máximo de conhecimento. Junto com um grupo de engenheiros da regional Norte e Nordeste da ABCP, ela também esteve em Barcelona, na Espanha, para participar de congressos e feiras voltadas ao artefato de cimento. Foi lá que sentiu a necessidade de ter em sua fábrica máquinas que lhe permitisse produzir elementos inovadores e com qualidade. “Tentei fugir do conceito mais do mesmo, que muitas vezes permeia o setor”, explicou.
Menos commodities, mais sofisticação
Durante a fase de instalação da fábrica, Renata Gaudêncio, cuja formação está ligada à arquitetura, teve constante assessoria de Eduardo Moraes, que é gerente regional da ABCP para o Norte e Nordeste. “Uma das inovações deste case que trouxemos para o Concrete Show é que houve investimento em equipamentos que possibilitassem inovar no design e na diversidade do tamanho das peças”, relatou o engenheiro. “Sabemos que o consumidor não quer mais comprar commodities. Ele quer inovação, beleza e preço adequado”, completou Renata Gaudêncio.
Não basta, no entanto, apenas investir em máquinas. No segmento de artefatos de concreto é fundamental também ter o controle de qualidade e o atendimento às normas técnicas. Além disso, observar as demandas do mercado, e muitas vezes antecipá-las, também facilita a ação do fabricante. “O que tentamos fazer foi levar o pavimento intertravado de concreto para dentro das garagens das casas e para o hall de entrada dos hotéis. Também estamos presentes nas calçadas e nas praças, mas oferecemos produtos para quem busca sofisticação”, finalizou Renata Gaudêncio.
Entrevistados
Engenheiro civil Eduardo Moraes, gerente regional da ABCP para o Norte e Nordeste
Arquiteta Renata Gaudêncio, empresária e diretora da ConcreEpoxI
Contatos
eduardo.moraes@abcp.org.br
comercial@concrepoxiartefatos.com.br
Crédito Foto: Divulgação/ConcrEpoxI












