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Retrofit é solução para centros das capitais brasileiras

Construção Sustentável, Gestão, Mercado da Construção, Sustentabilidade 24 de setembro de 2013

Mercado da reforma de prédios antigos revitaliza áreas, mas ainda esbarra na burocracia e na ausência de normas específicas para o setor

Por: Altair Santos

É praticamente consenso entre os prefeitos das capitais que assumiram seus cargos em 2012, de que é preciso tomar medidas para recuperar os prédios abandonados nos centros das cidades. O problema é que as políticas públicas para incentivar o retrofit em edifícios em áreas centrais praticamente inexistem. Mesmo assim, há iniciativas bem-sucedidas que, lentamente, começam a estimular esse modelo de construção sustentável. Uma delas está em Belo Horizonte – cidade que saiu na frente para criar uma legislação que trate especificamente da concessão de prédios abandonados para retrofit.

Teodomiro Diniz Camargos: retrofit de edifícios em Belo Horizonte torna-se modelo ao país

Na capital mineira, o construtor Teodomiro Diniz Camargos passou a atuar na recuperação e na transformação de prédios comerciais em prédios residenciais. No Congresso Brasileiro da Construção Sustentável, que aconteceu dia 17 de setembro de 2013, em São Paulo, o engenheiro civil falou dos desafios e o que estimula ele e outros empresários a atuar neste segmento. “Além das questões técnicas, como estruturas com pilares e vigas muito grandes, que, às vezes, complicam uma remodelagem arquitetônica, tem ainda as dificuldades de logística em área central. Retirar entulhos, por exemplo, é sempre uma dificuldade”, cita.

Teodomiro Diniz Camargos lembra também que o cumprimento da norma de desempenho nas obras de retrofit – principalmente na questão acústica – esbarra em aspectos tecnológicos, como encontrar esquadrias que possam substituir as janelas antigas. “No mercado brasileiro ainda são poucos os que fabricam com medidas fora do padrão”, revela, lembrando que talvez fosse o caso da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) pensar em uma norma específica para o retrofit. “Nesta área, ainda há uma ausência total de especificações”, alerta.

Mas nada se compara à burocracia para se viabilizar reformas em prédios antigos. Um caso emblemático foi o do edifício Chiquito Lopes, no centro de Belo Horizonte. O retrofit do empreendimento fazia parte de um plano estratégico da prefeitura da cidade para revitalizar aquela área do centro da capital mineira. Mesmo assim, o município levou 10 meses para aprovar o projeto e a documentação do prédio tramitou mais 10 meses em cartórios. “Sob o ponto de vista empresarial é impensável uma demora dessa. Até porque, o mercado ainda não conhece o produto de retrofit e só costuma comprar quando ele está pronto”, diz Teodomiro Diniz Camargos.

Outro empecilho está na aquisição de financiamentos para esse tipo de obra. “Nem os bancos, e nem o programa Minha Casa, Minha Vida, dispõem de um produto em que o retrofit se enquadre. Deveria haver uma adequação”, avalia o construtor, que propõe que esse tipo de construção tenha uma legislação municipal específica e que lhe sejam concedidos incentivos fiscais, como o IPTU progressivo. “É um modelo que tem similaridade na cidade de Nova York e que poderia ser adotado no Brasil também”, comenta o engenheiro civil, lembrando que a redução do impacto ambiental e a requalificação urbana que o retrofit traz às áreas centrais são aspectos importantes para que esse tipo de obra receba tratamento diferenciado das prefeituras.

Entrevistado
Teodomiro Diniz Camargos, engenheiro civil pela PUC Minas, sócio-gerente da construtora Diniz Camargos e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG)
Contato:
indconst@fiemg.com.br

Crédito foto: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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