Industrialização pode ajudar a reduzir o déficit habitacional

Industrialização na construção civil reduz tempo de obra em até 70%, além de diminuir a quantidade de resíduos produzidos.
Crédito: AESCOM/MCid

O déficit habitacional no Brasil foi estimado em 5.876.699 domicílios em 2019, segundo os últimos dados divulgados pela Fundação João Pinheiro (FJP). Na pandemia, entretanto, esse índice parece ter aumentado. Em entrevista ao Massa Cinzenta, Renato de Sousa Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), apontou que é preciso reduzir o déficit habitacional de quase 7 milhões de famílias sem moradia digna.

Durante o encontro entre a CBIC, a Caixa Econômica Federal e a Secretaria Nacional de Habitação (SNH) em julho de 2023, a industrialização do setor da construção foi apontada como ferramenta para contribuir com a resolução do déficit habitacional.

No evento, Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa, lembrou que a quantidade de unidades previstas para minimizar este índice nos próximos 20 anos é de cerca de um milhão de habitações por ano. Por isso, ela vê a necessidade de uma maior escala de produção.

O tema também fez parte do Seminário Industrialização da Construção Residencial, promovido pelo Sindicato da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) e Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-RS). Roberto Sukster, vice-presidente do Sinduscon-RS, ressaltou a importância de um esforço coletivo de toda a cadeia produtiva para tornar a construção industrializada uma realidade concreta. O presidente da Asbea-RS, Vicente Brandão, lembrou que a projeção do déficit habitacional para 2030, segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), é de 30,7 milhões de unidades. “Além de vontade política, é preciso muita agilidade no enfrentamento deste gargalo social”, pontuou Brandão.

Uma das vantagens deste sistema é que ele reduz tempo de obra em até 70%, além de diminuir a quantidade de resíduos produzidos. De acordo com Ricardo Brito, diretor de Engenharia da Callabrez, a industrialização consiste na utilização de sistemas construtivos que utilizam menor número de materiais e poucos processos. 

“Quando falamos em robotização ou digitalização isso vem desde a parte de projeto, passando pela execução e pela montagem. Industrializar efetivamente é quando estamos construindo offsite. Nós temos a planta, nós trabalhamos com as peças prontas na planta e trazemos para a montagem em canteiro. À medida em que a robotização avança, os processos de montagem começam a ficar muito mais seguros e eles passam a ser monitorados por drones e a fazer a operação dos guindastes com muito mais tecnologia envolvida. No projeto, a décima dimensão do BIM é a industrialização. Com relação à sustentabilidade, a industrialização tem um papel preponderante em relação à neutralidade de carbono”, afirmou a engenheira Íria Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic) e vice-presidente da Federação Internacional do Concreto (fib) na gestão 2023-2024 durante o evento Concrete Show 2023. 

Entraves para industrialização da construção civil

No Brasil, ainda existem diversos desafios relacionados à industrialização. “Temos um mercado imenso para crescer com sistemas construtivos industrializados. As barreiras não são de natureza tecnológica – elas são referentes a questões tributárias, de financiamento (ainda demasiadamente longos), entre outros. Mas estes desafios estão sendo vencidos justamente porque estão sendo atropelados pela demanda da neutralidade de carbono. Não vai existir outra forma de desmaterializar a não ser utilizar o concreto de uma forma mais inteligente do que aquela que utilizamos hoje”, argumenta Íria.

“Nós precisamos trabalhar para mudar as políticas públicas no sentido de desenvolver projetos, como o Minha Casa Minha Vida, utilizando construção industrializada, como forma de reduzir a autoconstrução que gera muito desperdício. Temos muito potencial para crescer com relação a isso. Há vários sistemas construtivos que estão sendo desenvolvidos, como paredes de concreto pré-moldadas, alvenaria estrutural, entre outros. Com o déficit residencial que nós temos hoje, cabe ao Governo incentivar o uso de boas técnicas neste programa habitacional”, destacou Julio Timerman, vice-presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), durante o Concrete Show 2023.

Uma pesquisa conduzida pela FGV IBRE em abril de 2023 com empresas do setor de construção no país apresentou uma visão bastante desfavorável com relação ao uso de pré-fabricados: somente 34,6% das empresas incorporam este tipo de tecnologia em seus projetos. O desempenho mais positivo é observado entre as empresas que se dedicam a Edificações Não Residenciais, alcançando 47,7%. Mesmo entre as empresas que adotam abordagens industrializadas, apenas 24,5% empregam essas técnicas em mais da metade de suas empreitadas. 

De acordo com artigo da FGV “Construção: produtividade e modernização”, de Ana Maria Castelo, Iuri Viana e Carlos André Vieira, dentre os aspectos que dificultam a industrialização estão a qualificação da mão de obra, o custo do financiamento e a estrutura tributária que onera mais a aquisição de insumos industrializados, deixando a produção no canteiro menos onerosa do ponto de vista tributário. Segundo o artigo, no Brasil, há uma relação importante da questão da baixa produtividade na construção civil com os baixos níveis de utilização de processos industrializados. 

A construção que lida com a parte fabril tem um entrave grande que é a questão dos impostos – tanto a produção fabril quanto a do canteiro de obras terão uma questão de taxação maior. “É muito difícil ver este tipo de construção ficar muito mais barata do que aquelas feitas com os sistemas construtivos tradicionais. Ainda existe uma questão logística importante – há um processo de fábrica que demora muito mais tempo e que precisa ser transportado para o canteiro de obras e esta montagem é muito rápida. Necessariamente, há este descompasso, no qual o tempo de produção é muito diferente”, explica Daniela Dietz Viana, professora adjunta do Departamento Interdisciplinar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuando no curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, com foco nas disciplinas da terminalidade de Engenharia de Serviços.

Para Daniela, uma das formas de entender este entrave é a questão do objetivo da construção. “Se o proprietário tem um ganho muito grande com esta questão do tempo, vai valer a pena gastar mais no produto e ganhar no tempo para ele ficar pronto. Há casos famosos de escolas e hospitais que foram desenvolvidos com esta tecnologia modular e tinham essa necessidade de serem produzidos de forma muito rápida”, aponta. 

Íria e Timerman apontaram durante o Concrete Show 2023 que atualmente existe uma dificuldade com relação à mão de obra, uma vez que os jovens hoje estão mais interessados na tecnologia. “Trabalhar a indústria para qualificar e reter a mão-de-obra num ambiente industrial acaba sendo mais fácil e também conseguimos produzir mais com menos em todos os sentidos – tanto dos recursos materiais quanto dos recursos humanos”, conclui Íria. 

Fontes:
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
FGV IBRE
Caixa Econômica Federal
Sindicato da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS)
Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-RS)
Ricardo Brito é diretor de Engenharia da Callabrez

Daniela Dietz Viana é professora adjunta do Departamento Interdisciplinar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuando no curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, com foco nas disciplinas da terminalidade de Engenharia de Serviços.

Contatos
CBIC: imprensa@cbic.org.br
FG IBRE: assessoria.fgv@insightnet.com.br
Caixa Econômica Federal: impre​nsa@ca​ixa.gov.br 
Sindicato da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS):   sinduscon@sinduscon-rs.com.br 
Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-RS): asbea@asbea.org.br 
Assessoria de imprensa Callabrez – boncomunica@gmail.com  
Daniela Dietz Viana: dietz.viana@ufrgs.br
Abcic - sylvia@meccanica.com.br
Ibracon - fabio@ibracon.org.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Atualização da ABNT NBR 14725 é publicada

A norma anterior ainda pode ser aceita por 24 meses após a publicação da revisão.
Crédito: Envato

Em julho de 2023, foi publicada a atualização da norma ABNT NBR 14725, que estabelece novas diretrizes para classificação de perigo, rotulagem e a nova Ficha com Dados de Segurança (FDS). 

De acordo com Camila Hubner Barcellos Devincentis, superintendente do Comitê Brasileiro de Química – ABNT/CB-010 e gerente de Assuntos Regulatórios, Comissões Setoriais, Sustentabilidade e Inovação da Abiquim, a ABNT NBR 14725 constitui parte do esforço para a aplicação do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos, no âmbito das Nações Unidas. “Ela se tornou referência para as empresas classificarem e comunicarem os perigos dos produtos químicos, por meio dos rótulos e de suas Fichas de Dados de Segurança (FDS), gerando maior segurança em todo o ciclo de vida do produto assim como para os trabalhadores, a sociedade e o meio ambiente”, explica Camila.

A ABNT NBR 14725 tem como base o Livro Púrpura da ONU (Purple Book) para classificação e comunicação de perigos segundo o Sistema Globalmente Harmonizado (GHS), que é revisado a cada dois anos, e não se encontra disponível no idioma português. “A revisão da ABNT NBR 14725 foi realizada justamente para contemplar a 7ª edição do Purple Book para o Brasil, considerando os critérios para classificação de perigo GHS para produtos químicos, bem como a comunicação de perigos por meio da rotulagem e Ficha de Dados de Segurança (FDS)”, destaca Camila.

A norma anterior ainda pode ser aceita por 24 meses após a publicação da revisão, de acordo com o citado na ABNT NBR 14725. “Entretanto, é importante ressaltar que esta é uma orientação, pois a ABNT NBR 14725 não está explicitamente citada em legislação brasileira, e nesse caso não tem caráter compulsório (obrigatório)”, justifica Camila.

O que muda com esta revisão?

A ABNT NBR 14725 - Produtos químicos — Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente — Aspectos gerais do Sistema Globalmente Harmonizado (GHS), classificação, FDS e rotulagem de produtos químicos, antes dividida em 4 partes, em sua nova versão passou a ser uma única norma, segundo Camila.

Além disso, Camila aponta outras mudanças importantes:

Classificação de perigo
A - Inclusão das classes “explosivos dessensibilizados” e “perigos à camada de ozônio”;
B - Alteração nos critérios de classificação das classes de perigo “gases inflamáveis”, “toxicidade aguda”, entre outras;
C - Inclusão e/ou alteração de frases de perigo (frases H) e frases de precaução (frases P).

Rotulagem
A - Inclusão de regras para rotulagem de pequenas embalagens e produtos de uso interno.

Fichas de Segurança
A - Atualização do nome do documento, conhecido atualmente como FISPQ – Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos, para FDS – Ficha de Dados de Segurança, alinhada à nomenclatura do GHS.

Impactos para a construção civil

De acordo com o Decreto no 2.657/98 e a Portaria no 229/11 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que alterou a Norma Regulamentadora 26, todo produto químico classificado como perigoso de acordo com o Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS) deve possuir a FDS. “A ficha também é exigida para produto químico não classificado como perigoso, mas cujos usos previstos ou recomendados derem origem a riscos à segurança e saúde dos trabalhadores. No caso da construção civil, ela deve ser exigida para produtos do tipo: pigmentos, colas, adesivos e selantes, solventes, dentre outros”, afirma Camila.

Camila lembra ainda que a FDS é uma das principais ferramentas no processo de comunicação de perigos entre o fabricante e o usuário de produtos químicos, e as informações ali contidas contribuem para o atendimento a outras regulamentações existentes.

Entrevistada 
Camila Hubner Barcellos Devincentis é superintendente do Comitê Brasileiro de Química – ABNT/CB-010 e gerente de Assuntos Regulatórios, Comissões Setoriais, Sustentabilidade e Inovação da Abiquim 

Contato:
Assessoria de imprensa: daniela.nogueira@fsb.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
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Pacto Nacional prevê conclusão de 3.500 obras de infraestrutura escolar até 2026

Cerca de 3.500 obras devem ser finalizadas até 2026, segundo o Pacto Nacional.
Crédito: Gov.br/Divulgação

Publicado em maio no Diário Oficial da União, o Pacto Nacional pela Retomada de Obras e de Serviços de Engenharia Destinados à Educação Básica tem o objetivo de viabilizar a conclusão de mais de 3.500 obras de infraestrutura paralisadas ou inacabadas em todo o país. A iniciativa, anunciada pelo presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo Ministro da Educação, Camilo Santana, prevê investimentos que somam quase R$ 4 bilhões - e que serão utilizados entre 2023 e 2026.

O intuito é contemplar obras que estiverem paralisadas ou inacabadas na data de entrada em vigor da Medida Provisória 1.174, ou seja, 12 de maio de 2023. Para participar, os entes federativos (estados, municípios e Distrito Federal) deverão manifestar interesse junto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), via Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (Simec), até as 23h59 de 10 de setembro de 2023. Depois, o FNDE realizará diligências, emitindo a aprovação técnica ou não, em cada um dos casos.

“Estamos criando as condições técnicas necessárias para viabilizar essas obras e entregá-las à população", afirmou Camilo Santana, sobre o Pacto Nacional. "Vamos fazer um esforço coletivo, uma parceria federativa dos três entes federados do Brasil, para entregar essas obras à população brasileira e iniciar novas obras."

A presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba, também destacou a importância da finalização das construções pelo país. "Agora é hora de arregaçarmos as mangas e colocarmos essa retomada para frente. Queremos dar o máximo de celeridade, publicidade e transparência para esse processo, pois esperamos ver a participação de toda a sociedade cobrando e acompanhando essa medida que vai beneficiar milhares de jovens e crianças em todo o nosso Brasil."

Presidente Lula e ministro Camilo Santana anunciam Pacto Nacional para obras na educação.
Crédito: Angelo Miguel
Gov.br/Divulgação

O Simec possui em seu sistema, atualmente, mais de 3.500 obras escolares que receberam recursos do FNDE no âmbito do Plano de Ações Articuladas (PAR) e que estão com status de inacabadas ou paralisadas. Dessas, mais de 1.200 unidades são destinadas à educação infantil (incluindo creches e pré-escolas) e quase 1.000 são para o ensino fundamental. Estão cadastradas, ainda, mais de 1.200 novas quadras esportivas ou coberturas de quadras (pertencentes às escolas), 86 obras de reforma e ampliação e 40 escolas de ensino profissionalizantes. 

Mais obras para a educação básica

Além do investimento previsto para o Pacto Nacional, o Ministério da Educação já transferiu, de janeiro a julho deste ano, mais de R$ 769 milhões para a regularização de obras para a educação já em andamento, por meio do FNDE. De acordo com a assessoria de comunicação do MEC, nos primeiros 100 dias de governo, o Fundo Nacional transferiu mais do que o dobro do valor registrado durante todo o ano passado, em relação a obras escolares.

No primeiro semestre de 2023, apenas do ProInfância, foram repassados R$ 212,9 milhões para a construção de unidades de educação infantil. De janeiro a dezembro de 2022, o valor total foi de cerca de R$ 65,8 milhões.

Fontes
Ministério da Educação
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE)

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Fabiana Seragusa 
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Construção gera mais de 169 mil novos empregos no primeiro semestre de 2023

Setor da construção gerou mais de 169 mil novos empregos até junho.
Crédito: Envato

Os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho por meio do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que a indústria da construção acumulou 169.531 novas contratações com carteira assinada de janeiro a junho de 2023. Esse número equivale a uma variação relativa de +7% sobre o contingente de trabalhadores em dezembro do ano passado.

No relatório, o órgão faz um agrupamento por tipo de atividade econômica, e, nesse caso, a construção só fica atrás da área de serviços, que gerou o equivalente a 599.454 vagas no primeiro semestre. A indústria em geral chegou a 135.361, a categoria de agricultura, pecuária produção florestal, pesca e aquicultura criou 86.837 empregos, e o comércio listou 32.367.

No entanto, quando a comparação é feita observando cada setor separadamente, dentre todos os tipos de atividades, a construção lidera o ranking. Nesse caso, com 169.531 vagas acumuladas, fica à frente de atividades administrativas e serviços complementares (128.424), indústrias de transformação (119.174) e educação (109.153). 

Dados da construção em junho

Levando em consideração apenas os dados de junho, o Novo Caged mostra que a construção foi responsável pela abertura de 20.953 postos de trabalho, um aumento de 0,82% em relação a maio. Isso representa 13,3% de todos os empregos gerados por todos os setores das atividades econômicas no Brasil (ao todo, foram 157 mil no mês).

Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP.
Crédito: Divulgação

Para o presidente da SindusCon-SP, Yorki Estefan, esse aumento de vagas em junho ainda reflete o aquecimento da atividade, mas ressalta que está havendo uma tendência de desaceleração no ritmo do crescimento. “É provável que, mais adiante, tenhamos novos lançamentos, especialmente no segmento da habitação popular, em função de uma redução gradual dos juros, o que traz boas perspectivas para o emprego na construção a partir de 2024", explica. "Além disso, esperamos aumento dos postos de trabalho no segmento de infraestrutura, pelo crescimento de obras contratadas pelas prefeituras."

Ainda segundo o relatório do Ministério do Trabalho, os estados que mais registraram novas vagas na construção em junho foram Minas Gerais (4.165), Pará (3.821), Ceará (2.403), São Paulo (1.870), Rio de Janeiro (1.676), Goiás (1.384), Maranhão (1.042), Mato Grosso (1.038) e Paraná (1.035). Já Alagoas, Bahia, Paraíba, Roraima, Santa Catarina e Rio Grande do Sul computaram quedas.

Já em relação às atividades imobiliárias, que, no Novo Caged, integram o setor de serviços (incorporação imobiliária), foram criados 346 novos empregos em junho, uma oscilação de 0,18% em comparação com maio. O acumulado do primeiro semestre chegou a 2.684 (+1,44% sobre o número de dezembro de 2022).

Fontes
Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP)
Ministério da Educação - Novo Caged

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Fabiana Seragusa 
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Obras de contenção de encostas são realizadas em Maceió

Em 2023, com três obras já realizadas, houve uma redução de 60% no número de ocorrências.
Crédito: Jonathan Lins

Na cidade de Maceió (AL), a Prefeitura tem realizado obras de contenção de encostas em regiões com grande risco de deslizamentos, principalmente durante o período das chuvas. No momento, cinco obras estão em andamento e outras três já foram entregues.

Ao total, estão sendo investidos R$ 150 milhões para realizar a contenção de encostas da capital, de acordo com a Secretaria de Infraestrutura de Maceió (SEMINFRA). As obras de contenção de encostas nos bairros Benedito Bentes, Jacintinho e Barro Duro já foram entregues. No início de julho, as obras de Tabuleiro do Martins e Bebedouro estavam com um percentual de execução de 75%. Atualmente, são mais de 2.600 m2 de solo grampeado em poucos meses de obra, segundo a SEMINFRA.

A previsão é que parte das seis obras que estão em execução no momento sejam entregues este ano e as demais no primeiro semestre do ano que vem, segundo a SEMINFRA. “O prazo varia conforme tamanho da obra e da área contemplada”, destacou o órgão.

Técnica para contenção de encostas

Para realizar as obras de contenção de encostas, a Prefeitura de Maceió começou a utilizar a tecnologia de recomposto de PVC, um revestimento seguro de longa durabilidade. No total, 16 pontos da capital receberão essa tecnologia. 

“A intervenção consiste em aplicar o geocomposto, seguido de uma cobertura de concreto jateado, o que proporciona uma proteção duradoura e oferece segurança a quem mora em áreas de encosta”, explica a SEMINFRA. 

Obras utilizam a tecnologia de recomposto de PVC, um revestimento seguro de longa durabilidade.
Crédito: Junior Bertoldo

Em alguns pontos da Chã da Jaqueira e na Morada dos Palmares, a SEMINFRA utiliza as tecnologias de geomanta e solo grampeado para contenção de áreas de encostas, também com o objetivo de garantir a segurança dos moradores dessas localidades.

Redução de ocorrências

De acordo com a SEMINFRA, em 2023, Maceió reduziu em 60% o número de ocorrências comparando com anos anteriores. De janeiro a junho de 2023 foram registrados 877 chamados, enquanto 2021 registrou 2.274 e 2022 registrou 2.178, no mesmo período.

“As obras garantem mais segurança e proteção nos períodos chuvosos, para as famílias que moram próximo a áreas de risco. O trabalho de contenção de encostas envolve áreas de vulnerabilidade social, com crescimento populacional desordenado e com ausência de infraestrutura adequada de escoamento de água pluvial e saneamento. Desta forma, a presença de lixos afeta na topografia e no tipo de solo. Além disso, há a preocupação da realocação das famílias, conforme cada necessidade. Não mudar a estrutura da comunidade é um dos pontos levados em consideração no desenvolvimento do projeto e execução da obra”, informa a SEMINFRA.

Fonte
Secretaria de Infraestrutura de Maceió (SEMINFRA)

Contato
Assessoria de imprensa: maceiosecom@gmail.com

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Marina Pastore
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Túnel Santos-Guarujá tem projeto previsto para 2024; orçamento é de R$ 5,8 bilhões

Túnel de 860 metros pretende ligar as cidades de Santos e Guarujá.
Crédito: Reprodução/Porto de Santos

Um projeto aguardado há mais de 90 anos pode estar prestes a sair do papel: a construção do túnel Santos-Guarujá. Durante um encontro realizado em 20 de julho no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP), o presidente da entidade, Vinicius Marchese, assinou um termo de cooperação com a Autoridade Portuária de Santos (APS), representada pelo seu diretor-presidente, Anderson Pomini. A intenção é unir esforços e promover a troca de informações em todos os processos relativos à execução das obras. 

“O túnel vai acontecer. Por meio do termo assinado, colocamos o Conselho à disposição, com todo material humano e capacidade técnica dos engenheiros, agrônomos, geocientistas e tecnólogos que compõem nosso Sistema, para ajudar na execução dessa solução”, afirmou Marchese.

A iniciativa pretende adaptar um projeto já desenvolvido em 2012 pela Dersa (empresa estadual de infraestrutura viária) e prevê a construção de um trecho submerso de 860 metros, para ligar as cidades de Santos e Guarujá. Segundo o Governo do Estado de São Paulo, por dia, cerca de 78 mil pessoas utilizam as balsas disponibilizadas atualmente para o trajeto, enquanto aproximadamente 10 mil caminhões são obrigados a percorrer até 45 km para conseguir chegar ao outro lado, todos os dias. O orçamento previsto é de R$ 5,8 bilhões.

"A obra trará benefícios econômicos, sociais, ambientais e logísticos em favor de toda comunidade portuária, influenciando nos nove municípios da Baixada Santista", destacou Pomini, da APS, sobre o reflexo positivo do projeto para milhares de pessoas. "É de vital importância a implementação dessa obra do túnel para o Brasil."

Vinicius Marchese (Crea-SP) assina termo de cooperação, ao lado de Anderson Pomini (APS).
Crédito: Reprodução/Crea-SP

De acordo com a assessoria de comunicação do Porto de Santos, a construção do túnel Santos-Guarujá deverá entrar no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal. Segundo a nota, "o objetivo da Autoridade Portuária de Santos (APS) é de que o projeto executivo seja elaborado em 2023/2024, com a concorrência pública para execução da obra e início da mobilização do canteiro de obras em 2025/2026 e entrega do túnel ao tráfego em 2028".

Informações do Crea-SP mostram que o túnel, que permitirá o tráfego de veículos, pedestres e ciclistas, tem como referência um projeto que está em andamento para ligar a Dinamarca e a Alemanha, com uma extensão de 18 km, que vai se tornar a maior construção submersa desse tipo no mundo. 

O modelo de túnel avaliado atualmente no litoral paulista prevê três pistas de cada lado, para o tráfego de carros, caminhões e ônibus, além de uma área central com ciclovia e espaço para pedestres. O projeto inclui, ainda, um espaço, também na parte central, para Veículo Leve sobre Trilhos.

Fontes
Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP)
Autoridade Portuária de Santos (APS)

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Fabiana Seragusa 
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Governo do Paraná cria edital para restauração em concreto da PR-180

As obras serão realizadas em um trecho que abrange desde o quilômetro 217,02 em Goioerê até o quilômetro 228,15 em Quarto Centenário.
Crédito: DER/PR

O Governo do Estado do Paraná, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), lançou em julho o edital de restauração em concreto e ampliação da capacidade de um trecho de 11,3 km da rodovia PR-180, entre Goioerê e Quarto Centenário, na região Centro-Oeste. Para a realização desta obra, será utilizada a técnica de whitetopping, que consiste na aplicação de concreto como revestimento sobreposto ao asfalto.

Este projeto integra o programa governamental Paraná Concreto, que visa implementar e restaurar pavimentos em rodovias de todas as áreas do estado. Outra obra que utilizou esta técnica anteriormente foi a PRC-280. O investimento previsto para esse projeto é de aproximadamente R$ 72.650.378,14, com recursos do Tesouro do Estado.

A avaliação das propostas de preços ocorrerá em 24 de agosto, no auditório da sede do DER/PR em Curitiba, com transmissão ao vivo pela internet, a partir das 14h, quando serão abertos os envelopes contendo as propostas.

“A PR-180 faz a ligação com o Noroeste do Estado e é importante para o escoamento da produção agrícola, principalmente Cascavel, Umuarama e Campo Mourão. Há muitas cooperativas no local e, portanto, há um tráfego muito grande de caminhões. Existem também indústrias na região. Então, faremos uma série de melhorias na rodovia”, explica Fernando Furiatti, diretor-geral do DER/PR. 

De acordo com Furiatti, a expectativa é que o processo de licitação seja finalizado em 90 dias e que as obras comecem ainda em 2023. 

Obras

As obras de melhoria serão realizadas em um trecho que abrange desde o quilômetro 217,02, em Goioerê, até o quilômetro 228,15, em Quarto Centenário. O pavimento existente passará por processos de fresagem e reperfilagem para receber as novas placas de concreto, que terão uma espessura de 21 centímetros.

Para melhorar as condições de tráfego, as faixas de rolamento serão ampliadas de 3,20 metros para 3,40 metros, com a inclusão de novas terceiras faixas. Essas novas faixas têm a finalidade de solucionar os pontos onde o tráfego de veículos pesados causa congestionamentos e ultrapassagens perigosas.

Além disso, os acostamentos também serão aprimorados, com cada lado da rodovia recebendo acostamentos de 2,50 metros de largura, construídos com pavimento rígido de concreto. Nessas áreas, serão utilizadas placas com espessura de 15 centímetros.

Escolha do whitetopping

Para Furiatti, o histórico positivo da utilização do pavimento rígido na PRC-280 foi um dos fatores que motivaram o uso desta técnica em outras rodovias do estado. 

Outro motivo para uso do whitetopping foi o fato de que ele se tornou mais viável em comparação ao material betuminoso. “Nesta região, temos uma certa dificuldade com relação à entrega do material betuminoso. Obviamente, o aumento do valor destes insumos fez com que o concreto se tornasse mais vantajoso”, pontua Furiatti. 

Ainda, segundo Furiatti, o fato de ter uma vida útil maior e necessitar menor manutenção também motivou o uso da técnica na região. 

Whitetopping em pista simples

Tal como aconteceu na PRC-280, o trecho a ser restaurado também é com pista simples. Furiatti aponta que o sucesso desta experiência anterior mostra que é possível a realização da obra. 

“Vale lembrar que o primeiro whitetopping com pista simples foi feito aqui no estado do Paraná. Ele será feito com a rodovia em operação e através do sistema ‘pare e siga’. Foi o mesmo processo realizado na PRC-280 e será replicado na PR-180”, afirma o diretor-geral do DER/PR.  

Paraná Concreto

Além deste trecho da PR-180, também está prevista a restauração de outro trecho da PRC-280, que vai de Palmas a Clevelândia. “É um trecho de aproximadamente 40 km. Já temos empresa vencedora da licitação e devemos dar ordem de serviço nos próximos dias. Trata-se de uma obra de mais de R$ 180 milhões”, lembra Furiatti. 

O diretor-geral do DER/PR destaca ainda que o conjunto de obras de concreto que o Estado do Paraná vem fazendo é uma iniciativa inovadora. “Antes da PRC-280, o Paraná nunca havia feito o whitetopping. Além disso, estamos fazendo a contratação integrada, que acelera o processo licitatório e as obras, uma vez que sem projeto executivo muitas vezes não é possível licitar. Neste novo trecho da PRC-280, fizemos em um tempo muito curto um anteprojeto destas rodovias e agora a empresa escolhida deve fazer o projeto executivo e entregar a obra. No caso do trecho Goioerê e Quarto Centenário, será através de projeto executivo. São várias inovações que fizemos nesta gestão de 2019 até agora”, conclui.

Entrevistado: 
Fernando Furiatti é diretor-geral do DER/PR.

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Assessoria de imprensa: comunicacao@der.pr.gov.br

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Marina Pastore
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Cidade do Espírito Santo planeja pavimentar 43 km de vias com concreto

Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim investe em pavimento de concreto.
Crédito: Patricia Pim/PMCI

Em maio, a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, anunciou que iria pavimentar 43 quilômetros de vias do município com concreto, apostando na maior resistência e na manutenção mais fácil, em comparação com o asfalto. E em julho o projeto se mostrava a todo vapor, com várias obras sendo concluídas. 

No dia 17, por exemplo, a Secretaria Municipal de Manutenção e Serviços (Semmat) finalizou o revestimento de concreto na rua Projetada, no distrito de Gironda. O local também ganhou serviço de drenagem pluvial e construção de meio-fio, para garantir maior durabilidade ao local, segundo os representantes.

Já no dia 27, foi a vez de a rua Clemente Sartório, no bairro IBC, receber a pavimentação em seus 265 metros de extensão, nos quais foram empregados cerca de 240 metros cúbicos de concreto. Só em julho, outras duas ruas da cidade receberam a tecnologia: a Rodolfo Marins e a Jorge José das Neves, ambas também no bairro IBC.

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Pavimento de concreto será implementado em 242 km de vias no DF

Prefeitura de Manaus utiliza pavimento de concreto em região portuária

Pavimento de concreto pode ser alternativa para escassez de asfalto

Projeto de pavimentação de concreto

O projeto completo de pavimentação dos 43 km em Cachoeiro de Itapemirim inclui dois pacotes de obras, que vão abranger 170 ruas de 17 bairros e de quatro distritos, com investimentos totais que giram em torno de R$ 110 milhões, segundo dados da própria Prefeitura. As modernizações também preveem 12 km de novas redes de drenagem. 

Segunda parte do pacote de obras começou em junho.
Crédito: Márcia Leal/PMCI

"É um grande investimento que estamos realizando para melhorar as condições de mobilidade de nosso município, garantindo mais segurança para motoristas e pedestres e melhor qualidade de vida para os moradores das regiões contempladas, principalmente naquelas que sofrem com lama e poeira em períodos chuvosos”, afirma o prefeito da cidade, Victor Coelho

O primeiro pacote de obras contemplou 82 logradouros e foi finalizado no final de maio deste ano, promovendo melhorias em bairros como Aeroporto, Marbrasa e Central Parque e nos distritos de Coutinho e Córrego dos Monos. A segunda parte do pacote teve início em junho e inclui obras em mais 88 vias, em bairros como Bom Pastor, Rubem Braga e São Francisco de Assis, entre outros. 

“A pavimentação em concreto oferece inúmeras vantagens, como maior resistência ao tráfego pesado, maior durabilidade e menor necessidade de manutenção, além de proporcionar uma superfície regular e aderente, contribuindo para a segurança no trânsito", explica o Secretário Municipal de Obras, Rodrigo Bolelli. "Com esses investimentos, a Prefeitura de Cachoeiro reafirma seu compromisso em promover melhorias na infraestrutura da cidade, buscando o bem-estar e a qualidade de vida de todos os cidadãos."

A Prefeitura reforça a série de benefícios que o pavimento de concreto proporciona, destacando que, quando usado em formato de blocos intertravados, ele também auxilia no escoamento das águas pluviais, em períodos chuvosos, além de provocar a redução da velocidade dos veículos nas vias.

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience


CBIC elege Renato Correia como novo presidente; confira entrevista

Para Renato Correia, a Reforma Tributária precisa caminhar no sentido de alavancar o crescimento do país e promover maior igualdade.
Crédito: Diego Bresani

O engenheiro Renato de Sousa Correia foi eleito em maio de 2023 como o novo presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para o próximo triênio (2023-2026). Antes de assumir o cargo, em 1º de Julho de 2023, ele exercia o segundo mandato consecutivo de vice-presidente da Região Centro-Oeste da CBIC. 

Para a sua gestão, ele pretende continuar com o foco no planejamento estratégico adotado nos últimos anos pela entidade. Confira a entrevista completa com o novo presidente da CBIC.

Quais são os principais planos e desafios para seu mandato?

Renato Correia: A indústria da construção é um setor muito relevante para a economia do país. Grande gerador de emprego e renda, leva bem-estar e qualidade de vida aos brasileiros. Mas precisamos avançar sempre. A CBIC e toda sua base de associações vêm focando sua atuação em melhorar o ambiente de negócios, levar previsibilidade, simplificação e segurança jurídica ao setor. Além disso, é fundamental reforçarmos nossas ações para combater a informalidade e aumentar os investimentos no setor para atender as necessidades da população com saneamento, habitação, estradas, escolas, creches. A construção é para as pessoas.

A CBIC tem um legado, é uma entidade séria e comprometida com o Brasil, com a sociedade, com a melhoria das empresas, dos processos e do bem-estar social. Colocar nosso serviço a serviço dos brasileiros é o que a CBIC faz.

Você afirmou que habitação e saneamento não se resolvem sem uma indústria da construção adequada. Quais são os planos da CBIC neste sentido?

Renato Correia: A principal ação é fazer com que poder público e iniciativa privada caminhem de forma integrada na resolução dos gargalos de moradia e saneamento. É inaceitável que 100 milhões de brasileiros não tenham acesso a coleta de esgoto. Também é preciso reduzir o déficit habitacional de quase 7 milhões de famílias sem moradia digna. São demandas importantes e nós somos instrumento de solução para isso.

Durante a discussão do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida no Congresso, a CBIC levou uma série de sugestões técnicas no sentido de melhorar e dar eficiência ao programa, por exemplo, dar condição de valor, assegurar que as empresas vão receber, ter continuidade, segurança jurídica. Grande parte das sugestões foi acatada, pois levamos a experiência do setor, de quem atua no dia a dia e sabe os desafios e as oportunidades. 

Precisamos que o poder público destine recurso para isso, que consiga utilizar de forma eficiente e que, de forma especial, proteja o FGTS. O FGTS foi criado como forma de proteger o trabalhador em caso de demissão, para que ele tenha uma subsistência nesse período adverso, e para financiar habitação e saneamento. Mas, à medida em que se retira para outras funções, em que pese ser necessário atender a população, essa reserva patrimonial é reduzida. É como se vendesse a janela da casa para atender o consumo imediato. Não é o melhor para a família e nem é o melhor para população brasileira. 

A sustentabilidade é uma das grandes questões da construção civil atualmente. Quais avanços a CBIC pretende conquistar nessa área?

Renato Correia: A CBIC tem fomentado bastante o tema da sustentabilidade. Trabalhamos muito a conscientização do setor, para que todos se envolvam e se compreendam como parte do processo. A construção tem grande responsabilidade nas emissões de carbono, por exemplo, e assumimos o compromisso de trabalhar para amenizar os efeitos do processo construtivo ao meio ambiente. Temos trabalhado bastante temas que agregam alternativas com menos emissão de carbono do setor. É o caso da construção com madeira engenheirada, que traz ganhos ambientais e deixa os canteiros mais limpos e sustentáveis. Também temos feito parcerias importantes e a IFC (International Finance Corporation, braço do Grupo Banco Mundial) é uma delas por financiar construções sustentáveis, edifícios verdes. Essas são algumas iniciativas e que serão reforçadas cada vez mais com as práticas ESG.

O Minha Casa, Minha Vida é um dos principais projetos do governo atual e recentemente anunciou uma ampliação para atender famílias de classe média. Como você vê esse movimento? Quais as sugestões da CBIC para o programa?

Renato Correia: O movimento de ampliação do programa é muito positivo, inclusive sugerimos ao governo essa iniciativa. Todas as nossas sugestões foram no sentido de melhorar e de dar eficiência ao programa, como dar condição de valor, adequar o teto, dar segurança às empresas, garantir a continuidade do programa. O que queremos é que a moradia chegue à ponta, que as pessoas possam ter uma habitação de qualidade.  A habitação é a porta de entrada de todos os outros direitos do cidadão.

Você comentou que para atender a demanda da sociedade é preciso um ambiente de negócios adequado e isso passa pela melhoria da legislação. Na sua opinião, quais leis precisariam de melhoria?

Renato Correia: Temos um acompanhamento intensivo dos projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional. São centenas de propostas que acompanhamos e fazemos uma atuação direta, tanto em Brasília quanto nos estados, com nossos associados. A indústria da construção é uma atividade pujante, longa e que acaba sendo atingida e impactada por muitos projetos. Destaco a Reforma Tributária, que é um tema desafiador e que precisa caminhar no sentido de alavancar o crescimento do país e promover maior igualdade social. O Brasil precisa se modernizar, simplificar e trazer uma tributação mais justa para toda a economia, permitindo que tenhamos um ambiente propício para o desenvolvimento, com menos burocracia e mais eficiência.

Tem havido muitos debates no setor de construção civil em relação à tecnologia e inteligência artificial. Quais avanços devemos ter nos próximos anos? Como a CBIC vê esta questão? 

Renato Correia:  A inteligência artificial tem ganhado espaço em todas as atividades econômicas e na construção não tem sido diferente. A IA tem tido papel importante em etapas como na modelagem e design, inclusive considerando fatores como sustentabilidade, eficiência energética e otimização de espaços; na automação da construção, deixando o processo mais eficiente e seguro; e no gerenciamento de projetos e planejamento, pela capacidade de analisar um grande volume de dados.

Mas é importante ressaltar que esses avanços ainda estão em processo de desenvolvimento e implementação, e podem variar de acordo com as regulamentações, investimentos e adoção da tecnologia por parte das empresas do setor. No entanto, a tendência é que a tecnologia e a inteligência artificial continuem desempenhando um papel cada vez mais relevante na transformação da indústria da construção nos próximos anos.

Recentemente, houve um debate sobre a questão da baixa concorrência em leilões no setor da infraestrutura. Por que isto acontece e qual seria a solução para esta questão? 

Renato Correia: Essencialmente, projetos de grandes dimensões, seja de saneamento ou de extensão de rodovias, se feitos em lotes grandes e valores muito expressivos, podem diminuir a concorrência e aumentar o custo. Além disso, em eventuais problemas, a correção de rumo é mais difícil.

A CBIC tem defendido bastante a segmentação dos projetos, permitindo que mais empresas de médio porte sejam contratadas para lotes menores, favorecendo a concorrência e permitindo aos contratantes menos riscos e menores custos, em especial com seguros.

Entrevistado:
Renato Correia é engenheiro civil e presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com mais de 30 anos de experiência no setor imobiliário. Sócio-diretor da Vega Incorporações de Goiânia, foi presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), vice-presidente da CBIC na Região Centro-Oeste e vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO). Representou o setor na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) na elaboração da norma de desempenho das edificações habitacionais NBR 15575, que trata dos requisitos e características indispensáveis de uma obra para o consumidor. Também presidiu o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico (Codese) de Goiânia, entidade apartidária e sem fins lucrativos responsável por envolver a sociedade civil no planejamento de médio e logo prazo das cidades.

Contato:
Assessoria de imprensa CBIC: imprensa@cbic.org.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Mercado de locação de equipamentos de construção cresce no país

Segundo a ALEC, existem 20.000 locadoras no Brasil apenas na área de equipamentos de linha leve.
Crédito: Envato

O segmento de locação de equipamentos de construção tem crescido nos últimos anos. De acordo com a Associação Brasileira de Locadores de Equipamentos e Bens Móveis (ALEC), o cenário atual do mercado de locação no país é promissor. A instituição aponta que o setor teve um forte crescimento em 2020 e 2022, acompanhando o ritmo da construção civil que registrou um aumento de 17,7%, em comparação com os 8,2% da economia brasileira no mesmo período. Para 2023, a ALEC estima um crescimento de 4% para o setor de locação de equipamentos para construção da linha leve.

Além disso, estima-se que existam aproximadamente 20.000 locadoras no Brasil apenas na área de equipamentos de linha leve. Segundo a ALEC, nos últimos anos, houve o surgimento de muitas empresas novas e a geração de mais de 210 mil empregos, fatores que evidenciam o aquecimento desse mercado. Este tema, inclusive, fará parte do Concrete Show 2023, com um seminário intitulado “Alugar São Paulo”.

“O setor de locação de equipamentos para construção é diversificado e cada tipo de máquina ou equipamento desempenha um papel fundamental em diferentes fases da obra. Desde a preparação do terreno até o acabamento, diversos equipamentos são utilizados para realizar tarefas específicas de forma eficiente e produtiva”, explica Bruno Arena, vice-presidente da ALEC.

No Brasil, o perfil das empresas e construtoras que costumam optar pela locação de equipamentos é bastante diversificado. “Essa prática abrange desde mestres de obras, empreiteiros e engenheiros autônomos até construtoras de pequeno, médio ou grande porte. Além disso, pessoas físicas também estão entre os clientes que optam por esse serviço. O conceito de locação de equipamentos tem se tornado cada vez mais difundido e sua adoção em detrimento da compra tem se consolidado. Isso se deve ao fato de que a locação é uma alternativa mais econômica e sustentável, permitindo que as empresas e profissionais tenham acesso a uma ampla gama de máquinas e ferramentas especializadas sem o custo elevado de aquisição e manutenção. Dessa forma, a locação oferece maior flexibilidade e eficiência para atender às necessidades específicas de cada projeto, independentemente do porte ou escopo da obra”, aponta Arena. 

Desafios do setor

Para vice-presidente da ALEC, o perfil das empresas e construtoras que costumam optar pela locação de equipamentos é bastante diversificado.
Crédito: ALEC

Um dos desafios enfrentados pelo setor é o equilíbrio entre a manutenção e a rentabilidade. “A manutenção adequada dos equipamentos é fundamental para o equilíbrio financeiro de uma locadora. O foco principal dessas empresas é fornecer equipamentos com as melhores tecnologias e em ótimas condições para seus clientes. Para garantir isso, cada equipamento passa por uma inspeção rigorosa após cada locação. Caso esteja em boas condições, é prontamente disponibilizado para outra locação. Caso necessite de reparos mais profundos, é encaminhado para uma manutenção completa. Uma prática comum é a renovação da frota a cada quatro anos, permitindo que a locadora ofereça constantemente equipamentos de última geração aos clientes. No entanto, para viabilizar essa renovação periódica, é essencial que a locadora pratique preços de locação compatíveis com o mercado. Ainda, ela deve manter uma gestão financeira sólida e examinar cuidadosamente seus gastos”, afirma o vice-presidente da ALEC.

Outra questão importante para as empresas do setor é a adoção de práticas e medidas preventivas para evitar golpes e fraudes. Dentre elas, Arena destaca o cadastro completo do cliente, consultas em órgãos de proteção ao crédito, verificação de documentos, análise de site dos possíveis clientes, comprovante de residência, troca de informações com outras locadoras e cautela em transações suspeitas. 

Mercado global de locação de equipamentos

No mundo, o mercado global de locação de equipamentos de construção apresenta boas taxas de crescimento, principalmente com o retorno da demanda no cenário pós pandemia. “Diferentemente do observado no Brasil, o setor se destaca principalmente pela locação de máquinas pesadas e para concretagem. Nos EUA, por exemplo, apenas nos estados da Califórnia, Texas e Flórida são encontradas mais de 3 mil empresas de locação de equipamentos (no país são encontrados alguns dos principais players do setor como a United Rentals, Sunbel, Herc Rentals e H&E Equipment Services)”, revela o vice-presidente da ALEC.

Para equipamentos compactos, espera-se que o mercado global se expanda constantemente à medida em que se observa um crescimento da demanda por ferramentas, principalmente em países em desenvolvimento, segundo Arena. “O destaque de participação nesse mercado permanece com a região da América do Norte e Europa que juntas correspondem a grande parte de todo este setor”, conclui.

Entrevistado: 
Bruno Arena é vice-presidente da Associação Brasileira de Locadores de Equipamentos e Bens Móveis (ALEC).

Contato:
Assessoria de imprensa: imprensa@alec.org.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP