Norma de Desempenho ensina engenheiros a ler normas
Em vigor há três anos, ABNT NBR 15575 deixa profissionais mais atentos, ainda que existam construtoras que relutem adotá-la em suas obras
Por: Altair Santos

O engenheiro civil Ivanor Fantin Júnior, assessor técnico de engenharia junto ao SindusCon-PR, esteve recentemente palestrando no Congresso de Inovação Tecnológica (Cintec 2015), em Joinville-SC, sobre as implicações da Norma de Desempenho na construção civil. O especialista atuou na elaboração da ABNT NBR 15575, principalmente no período em que esteve em revisão, entre 2010 e 2013. Conhecedor do assunto, ele assegura que uma das virtudes da Norma de Desempenho é ter feito os engenheiros reaprenderem a ler normas. “Considero essa norma a mais importante em 30 anos na construção civil brasileira. Um dos motivos é que ela despertou os engenheiros a voltarem a ler normas técnicas”, afirma.
De acordo com Ivanor Fantin Júnior, os engenheiros civis que vieram dos anos 1980 e 1990 passaram muito tempo não falando em normas, até pelo baixo volume de obras empreendidas nas chamadas “décadas perdidas”. “Não se prestava mais atenção nisso (normas técnicas). Até nas escolas de engenharia os professores não tocavam mais neste tema” diz. Agora, segundo o especialista, a Norma de Desempenho tem que ser o “livro de cabeceira” dos engenheiros, calculistas, projetistas, tecnólogos e arquitetos. “Essa norma é a porta de entrada para a engenharia do futuro, focada em obras duráveis, sustentáveis e que priorizam o usuário”, completa.
Do usuário ao fabricante

Fantin lembra que a primeira publicação da Norma de Desempenho ocorreu em maio de 2010. Porém, havia grandes incongruências na primeira versão, as quais levaram a norma a entrar em processo de revisão. “Como exemplo, se ela tivesse vigorado com o texto original, pelo menos 94% dos pisos cerâmicos brilhantes vendidos no Brasil estariam proibidos de uso. Então, houve grande movimento para a revisão, que teve duração de três anos. A norma definitiva foi publicada em 19 de julho de 2013. Mas até agora, pouca gente foi atrás. Pequenas e médias construtoras nem começaram a estudá-la ainda. Quem já tinha projeto aprovado antes da data da publicação não seguiu a norma. Então, boa parte das construtoras está começando agora a pensar em Norma de Desempenho”, alerta.
A ABNT NBR 15575 define que o engenheiro civil tem que voltar a controlar a obra. Além disso, mexe com toda a cadeia produtiva da construção civil, inclusive o usuário. “Ao usuário, cabe seguir o manual de manutenção. Antes da Norma de Desempenho, um manual de manutenção tinha oito páginas. Agora, passa de cem. Um manual bem feito especifica até as cargas máximas que uma laje deve suportar. Quanto ao fabricante, não cabe mais especificar o produto como o mais bonito, o mais durável, o mais tradicional. Ele tem que vir com os resultados dos ensaios. Uma série de empresas já está se enquadrando à Norma de Desempenho. É uma questão de mercado. Segui-la é garantir a venda do imóvel. Quem ainda não acordou para ela, vai ficar para trás”, assegura Ivanor Fantin Júnior.
Entrevistado
Engenheiro civil Ivanor Fantin Júnior, assessor técnico de engenharia junto ao SindusCon-PR
Contato: engenharia@sindusconpr.com.br
Créditos Fotos: Divulgação/Cintec-Intercon 2015
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Maior desafio brasileiro é produzir com qualidade
Materiais em não-conformidade, serviços mal executados e projetos que levam a erros de execução ainda predominam em boa parte das obras nacionais
Por: Altair Santos
O Brasil tem programas de gestão de qualidade, normas técnicas e certificadores para cobrar qualidade na construção civil. No entanto, o mercado ainda não se comporta assim. Materiais em não-conformidade, serviços mal executados e projetos que levam a erros de execução ainda predominam em parte das obras nacionais, seja de infraestrutura ou habitacional. De acordo com o engenheiro, e professor-doutor Paulo Henrique Laporte Ambrozewicz, o próprio governo federal dá mau exemplo nesta área. Ele cita o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), onde 70% das obras estão inacabadas. “O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Cuiabá é um exemplo. Os vagões estão enferrujando no pátio e a obra não foi concluída. Isso é planejamento, isso é gestão de qualidade da construção. No caso desta obra, a falta de ambos”, diz.

Em palestra recente no Congresso de Inovação Tecnológica (Cintec 2015), em Joinville-SC, Paulo Laporte afirmou que o Brasil precisava criar padrões construtivos. O especialista usou os Estados Unidos como exemplo. “Lá, a obra sai com qualidade porque existe um padrão para se construir e todos seguem esse padrão”, afirmou, ao avaliar que o maior desafio brasileiro é produzir com qualidade. “Nossa indústria (a da construção civil) é nômade, pois tem processos inconstantes. Não é um processo industrial. Muda de obra para obra, seja qual for o sistema: estrutura metálica ou estrutura de concreto. Além disso, utiliza mão de obra cíclica e mal treinada para processos e serviços diferentes. Isso gera orçamentos e prazos com baixo grau de precisão, sem contar erros de estrutura e processos ruins de produção que contrariam programas de qualidade. O resultado são projetos mal executados, que geram perdas de dinheiro e de tempo”, cita.
Não é por falta de programas de qualidade que isso ocorre na construção civil brasileira. Em 1990, o país ganhou o PBQP (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade). Oito anos depois, foi criado o PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat). Mais recentemente veio o Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil (SiAC), que utiliza parâmetros da norma ISO 9001. “O objetivo destes programas é promover a concorrência justa, estimular a melhoria contínua, fazer o setor assumir compromissos com a qualidade dos materiais e dos serviços. Mas isso é realidade hoje? Não”, explica Paulo Laporte, lembrando que qualidade e produtividade são portas para o conhecimento. “Certificados de qualidade não se compram. Leva tempo conquistar”, completa.
Inflação compromete qualidade

O palestrante avalia que há um componente cultural nesse paradigma da qualidade na construção civil. “O consumidor não quer qualidade, quer preço. É cultural. Isso gera dificuldades para construir com qualidade no Brasil”, alerta. Ele aborda ainda que o processo inflacionário pode gerar ainda mais empecilhos para que o país alcance padrões internacionais. “A inflação impacta na qualidade do empreendimento, pois o construtor quer terminar a obra rápido para não ver seu lucro se diluir. Nos anos 1980, vivemos esse cenário”, recorda. Outros obstáculos são tributos e encargos. Paulo Laporte usou um exemplo. “Uma obra que na nota fiscal custa R$ 500 mil vai gerar R$ 100 mil em impostos, R$ 200 mil para pagar a mão de obra - sendo que R$ 100 mil irão para encargos - e R$ 200 mil para a compra de materiais e o lucro do construtor. Então, para tirar sua margem, ele terceiriza os serviços, em vez de contratar diretamente. É um sistema falho? É, mas sem o qual não se sobrevive”, finaliza.
Entrevistado
Engenheiro civil, mestre e doutor em engenharia de produção, Paulo Henrique Laporte Ambrozewicz
Contato: contato@grupola.com.br
Créditos Fotos: Divulgação/Cintec-Intercon 2015
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Principal matéria-prima de uma obra é a informação
Sem dados sobre como construir, nenhum projeto se torna viável. No momento, a melhor ferramenta para fazer essa gestão é o BIM
Por: Altair Santos
O princípio básico de uma obra é a informação. Sem dados sobre como construir, nenhum projeto se torna viável. Esses são conceitos que nortearam a palestra do engenheiro civil Tiago Francisco Campestrini no Congresso de Inovação Tecnológica (Cintec 2015), realizado recentemente em Joinville-SC. O especialista afirmou que atualmente não há melhor ferramenta para fazer a gestão de toda a informação de um empreendimento do que o BIM (Building Information Modeling), apesar de existirem outros modelos para gestão de obras. Segundo ele, operar bem essas tecnologias, e explorar toda a potencialidade, é implantar um processo de melhoria contínua desde o projeto até a execução da obra. “O BIM permite entender a matéria-prima da obra, que é a informação, e fazer a gestão de todos os dados relacionados a uma construção”, diz.

O engenheiro explicou ainda que o bom uso do BIM, assim como de outras ferramentas de gestão de obras, se reflete em futuros projetos que a construtora vá empreender. “Ele permite fazer um diário da obra, coletando informações de cada área envolvida, e os respectivos problemas ocorridos diariamente. Esses dados ficam armazenados e quando se monta um novo projeto ele alerta para problemas que possam surgir em determinada etapa, seja concretagem, alvenaria ou revestimento. O objetivo é que o erro não seja repetido. Então, ele gera um processo automático de melhoria contínua. Por isso, costumo dizer que o BIM é a tecnologia das tecnologias”, elogia Tiago Francisco Campestrini.
O palestrante alertou ainda que o BIM e seus similares começam a estabelecer uma fronteira entre as construtoras, e que, futuramente, irá segregar as que não trabalham com softwares de gestão de obras. “BIM já não é mais um sistema, mas um conceito em que estão ligadas produtividade, tecnologia e qualidade da obra”, define. “Por isso, quando uma empresa usa a ferramenta pela primeira vez, vê os ganhos, e que vale a pena o investimento, ela não para mais de fazer o projeto e a gestão da obra pelo BIM. Além disso, usá-lo é uma questão de sobrevivência no mercado. Daqui a três anos, será impossível para qualquer empresa que não tenha BIM ganhar licitação governamental, por exemplo”, estima.
Obviamente, o BIM - software mais usado no mundo para gestão de obras - não é uma ferramenta que, por si só, irá resolver todos os problemas que surgirem no canteiro. Como instrumento de gestão, ele precisa que as pessoas envolvidas no empreendimento estejam compromissadas e entendam todos os processos. “A formação das equipes é primordial, pois a tecnologia impõe uma mudança cultural. A equipe de projetos precisa atuar junto com a de execução. Também é necessário seguir rigorosamente o cronograma. Não adianta nada o projetista atuar com BIM, mas atrasar a entrega do projeto”, orienta. Essa unidade, lembra Tiago Francisco Campestrini, é importante por que a ferramenta funciona também como um simulador de situações. “Na construção civil é normal surgirem problemas e o BIM ajuda a solucioná-los”, garante.

Por agregar todas as informações, a ferramenta permite também que haja o controle da mão de obra e dos equipamentos que serão usados no canteiro, além de possibilitar construir com redução de custo e de desperdícios. “No BIM são definidas as metas: preciso reduzir custos, preciso minimizar perdas no revestimento, preciso controlar a alvenaria estrutural. Reunidas essas informações, a ferramenta simula e aponta soluções. Foi assim que a China construiu um prédio em 15 dias. Lá a obra só começa quando o planejamento chega a 100%. Aqui no Brasil, a construção civil se dá por satisfeita se o planejamento atingir 70% do que foi definido na fase de projeto. Mas esse processo de melhoria contínua pode evoluir sempre com o BIM (e outros modelos de gestão de obras)”, conclui Tiago Francisco Campestrini.
Entrevistado
Engenheiro civil Tiago Francisco Campestrini, coordenador de projetos BIM da Campestrini Gestão de Projetos e autor do livro Entendendo BIM
Contato: tiago@campestrino.com.br
Créditos Fotos: Divulgação/Cintec-Intercon 2015
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Certificação sustentável chega às escolas brasileiras
Selo LEED Schools, da Green Building Council, além de minimizar consumo de água e de energia elétrica, melhora rendimento dos alunos
Por: Altair Santos

A Escola Estadual Erich Walter Heine, na cidade do Rio de Janeiro, é a primeira da América Latina a receber a certificação LEED Schools, da Green Building Council. Exemplo bem-sucedido em economia de gastos com água e energia elétrica, e em melhoria de rendimento dos alunos, o colégio estimulou outros a seguir o mesmo caminho. É o caso do Colégio Santa Cruz, na cidade de São Paulo, e o Colégio Israelita Brasileiro, em Porto Alegre-RS. Em comum, estas instituições de ensino enfrentavam reclamação dos alunos, por causa do calor nas salas de aula, e alto custo com ar-condicionado. A solução foi promover “retrofit verde” nos prédios.
Na escola Erich Walter Heine, as iniciativas geraram uma redução mensal de R$ 4.000,00 para R$ 1.600,00 na conta de água, e de R$ 4.500,00 para R$ 1.800,00 na de luz. O prédio hoje conta com lâmpadas de led, que apagam assim que as salas são liberadas, e faz a reutilização da água da chuva para uso em banheiros, hortas e jardins. A edificação também ganhou um telhado verde para minimizar o calor e os custos com ar-condicionado. Foram investidos R$ 16 milhões nas reformas, todas elas seguindo os conceitos da certificação LEED Schools. Ao todo, houve a adoção de mais de 50 procedimentos para melhorar o aproveitamento dos recursos naturais e tornar a escola uma construção sustentável.
A readequação do prédio teve reflexo no desempenho dos alunos. O colégio aparece atualmente com a segunda melhor média de notas no ranking de escolas estaduais do Rio de Janeiro. O rendimento dos alunos também melhorou após o retrofit realizado no colégio Santa Cruz, na cidade de São Paulo. A escola adotou telhados verdes com a intenção de levar conforto térmico às salas de aula e adotou o reaproveitamento da água da chuva para fins não potáveis.
Maior telhado verde de Porto Alegre

No Colégio Israelita Brasileiro, na capital gaúcha, o que incomodava os alunos era o calor nas salas de aula. Os prédios antigos, alguns com mais de 40 anos, tinham pouca ventilação e as esquadrias das janelas não favoreciam a luz natural. “A direção da escola pretendia instalar sistema de ar-condicionado em toda a escola, mas o custo seria muito elevado. Adotando padrões de construção sustentável, o orçamento caiu praticamente pela metade”, disse Guido Petinelli, que atuou no retrofit do colégio de Porto Alegre e relatou o case no Congresso de Inovação Tecnológica (Cintec 2015), realizado recentemente em Joinville-SC.
O que transformou o ambiente nas salas de aula do Colégio Israelita Brasileiro foram as reformas nas esquadrias e o uso de vidros duplos. Essas medidas permitiram a instalação de um sistema de ar-condicionado que consome bem menos energia, e que economizou R$ 150 mil no orçamento da reforma. “Essa economia possibilitou a instalação de um telhado verde, que hoje é o maior da cidade de Porto Alegre”, relata Guido Petinelli . Atualmente, as salas de aula da escola da capital gaúcha têm temperatura média anual que varia de 24 °C a 26 °C, independentemente da estação do ano. Além disso, o desempenho dos alunos melhorou, em média, 40%.
Entrevistado
Arquiteto Guido Petinelli, sócio-diretor da Petinelli, empresa de engenharia e consultoria em construção sustentável e certificação LEED, com escritórios em Curitiba-PR e Porto Alegre-RS
Contato: guido@petinelli.com
Créditos Fotos: Divulgação/Cintec-Intercon 2015
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Indústria da construção civil cresce da porta para dentro
Relatório anual da ABRAMAT mostra que setor modernizou equipamentos e obteve ganhos de produtividade, mas agora se ressente da falta de demanda
Por: Altair Santos
O mais recente relatório anual da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), denominado de “Perfil da Cadeia Produtiva da Construção e da Indústria de Materiais e Equipamentos, edição 2015”, mostra que o setor conseguiu números relevantes da porta para dentro da fábrica, principalmente no que se refere ao aumento de produtividade e modernização de equipamentos. Porém, aponta o estudo, a situação econômica do país não permite que essas conquistas se reflitam no mercado. “O esforço continuado das empresas da indústria brasileira de materiais de construção para manter seus níveis de eficiência esbarra nas dificuldades macroeconômicas, o que afeta o dinamismo setorial”, resume o documento.

Segundo o relatório, a indústria de material de construção fez a “lição de casa” quanto às ações que abrangem da porta para dentro da fábrica, e que envolvem processos produtivos, padrão de gestão e uso de tecnologias. Também avançou nas relações com clientes, fornecedores e competidores, priorizando gestão da marca, política de pós-venda, cadeia de suprimentos e distribuição e custos logísticos. No entanto, nada disso foi compensado por elementos macroeconômicos que estão fora do alcance das empresas, como câmbio, juros, impostos e política de comércio exterior. O documento destaca que, até 2013, o chamado equilíbrio entre o que acontece da porta para dentro da fábrica entre o que ocorre da porta para fora se manteve sustentável, mas se perdeu a partir de 2014.
De acordo com o documento da ABRAMAT, cujos dados foram coletados e organizados pela Fundação Getúlio Vargas, “desde junho de 2014 começou a ocorrer uma paralisia na demanda, especialmente aquela originada no consumo das famílias. Essa dinâmica foi reforçada pela progressiva perda de fôlego das vendas no varejo. Na outra ponta, as construtoras também reduziram suas atividades. Tanto no segmento imobiliário quanto no de infraestrutura”. Para enfrentar a retração no mercado interno, alguns setores da cadeia produtiva da construção civil têm compensado a falta de demanda no país através das exportações. Aproveitando-se da desvalorização cambial, setores como o de vidros e de aços longos foram os que mais venderam para outros países.
Cimento
Quanto à indústria do cimento, ela é tradicionalmente pouco afetada pelos fluxos de comércio exterior, cita o documento. Em 2014, as exportações foram de US$ 14,5 milhões, o equivalente a apenas 0,2% do valor total das vendas. Já as importações somaram US$ 190 milhões ou 2,3% do valor das vendas da indústria nacional. Com isso, o saldo de comércio exterior desse segmento foi negativo em US$ 175,5 milhões, tendo aumentado 5% em relação a 2013. Segundo dados do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria de Cimento), a produção nacional em 2014 atingiu a marca de 71,2 milhões de toneladas. Apesar da desaceleração em relação ao ano anterior, quando a produção física teve expansão de 19,8%, a série histórica atingiu seu ponto mais alto em 2014.
Para Walter Cover, presidente da ABRAMAT, o relatório não apenas diagnostica o cenário atual da indústria de materiais de construção no país, como serve para balizar as ações do segmento para o futuro. “Trata-se de um estudo completo sobre a estrutura e desempenho do setor. Tenho certeza que será muito útil no processo de planejamento das empresas e para pesquisas sobre a construção civil no Brasil”, completa.
Confira o relatório completo
www.abramat.org.br/site/lista.php?secao=9
Entrevistado
Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) (via assessoria de imprensa)
Contato: abramat@abramat.org.br
Crédito Foto: Divulgação/EBC
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Ranking mostra cidades mais inteligentes do Brasil
Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba encabeçam lista de metrópoles que adotam princípios inovadores em gestão urbana
Por: Altair Santos
O Brasil ganhou seu primeiro ranking de cidades inteligentes. A lista mapeou 700 municípios para poder classificar os 50 mais desenvolvidos, e que atendem a maioria dos seguintes quesitos: mobilidade, urbanismo, economia, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, saúde, segurança, educação, governança e empreendedorismo. O Ranking Connected Smart Cities é considerado um ponto de partida para que as cidades brasileiras possam alcançar padrões internacionais de “cidades inteligentes”. No ranking, as cinco cidades que encabeçam a lista são Rio de Janeiro-RJ, São Paulo-SP, Belo Horizonte-MG, Brasília-DF e Curitiba-PR.

Segundo o presidente da Urban Systems, Thomaz Assumpção, o projeto serve para despertar no poder público e na iniciativa privada novas maneiras de perceber as cidades. “É preciso que representantes tenham consciência dos investimentos e aprimoramentos que devem ser realizados nas diversas áreas mapeadas, pois a questão das cidades é uma das principais pautas da atualidade. É a partir delas que vamos buscar reduzir o consumo dos recursos naturais, minimizando custos e melhorando a vida das pessoas”, afirma, destacando que as capitais brasileiras estão mais sintonizadas com os conceitos de cidades inteligentes do que municípios do interior.
Das dez cidades que lideram o ranking, nove são capitais e apenas São Caetano do Sul, no ABC paulista, surge no topo da lista representando cidades com menos de 200 mil habitantes. O alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), considerado o 1º do país, e boas políticas de segurança pública destacam o município paulista. No entanto, boa parte das metrópoles brasileiras com vocação para cidades inteligentes o faz por ter conseguido avanços em obras de mobilidade urbana. É o caso do Rio Janeiro, cujos projetos vinculados aos jogos olímpicos de 2016 tiveram peso significativo para que ocupasse o primeiro lugar. Entre eles, destacam o Porto Maravilha e a linha 4 do metrô – hoje o maior projeto de mobilidade urbana do país.
Além dos serviços públicos básicos
Reforma no plano diretor da cidade e investimento em modais alternativos, como ciclovias, fizeram São Paulo aparecer em segundo lugar no ranking de cidades inteligentes do Brasil. Já Belo Horizonte ocupa o terceiro lugar por causa de investimentos em projetos de BRT (Bus Rapid Transit) e também pelas intervenções na área de saneamento básico. Avançando na linha do empreendedorismo, Brasília começa a instalar um dos mais complexos parques tecnológicos do país, cuja finalidade é desenvolver pesquisas na área de medicina e biodiversidade. Esse projeto colocou a capital federal em 4º lugar no ranking.
Curitiba surge na 5ª colocação do Connected Smart Cities pelo legado em transporte público e pelas ações na área de educação. A capital paranaense também foi bem ranqueada pelas iniciativas em empreendedorismo digital. Aliás, a conexão de cidades com a Tecnologia de Informação e com o mundo digital também permitiram que Florianópolis, Porto Alegre e Recife aparecessem entre as dez cidades melhor posicionadas na lista. A capital pernambucana, por exemplo, é uma das que mais tem pontos livres de acesso à internet em áreas públicas. “Cidades inteligentes devem ir além dos serviços públicos básicos. Elas precisam fazer com que seus cidadãos aprendam a pensar. Para isso, têm que estar atentas aos avanços tecnológicos”, alerta Thomaz Assumpção.
No mundo, as principais cidades inteligentes são Barcelona, Estocolmo, Seul, Cingapura e Londres.
Acesse o Ranking Connected Smart Cities
http://issuu.com/connectedsmartcities/docs/cat__logo_connected_smart_cities_20
Entrevistado
Engenheiro civil Thomaz Assumpção, presidente da Urban Systems (via assessoria de imprensa)
Contatos
contato@urbansystems.com.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Europa abre portas do futuro para a construção civil
BATIMAT de Paris mostrou novas tendências, que priorizam projetos, conceitos de sustentabilidade e edificações que geram a própria energia
Por: Altair Santos
A BATIMAT, realizada no começo de novembro de 2015, em Paris, é referência mundial em termos de inovações voltadas para o segmento de materiais, sistemas e projetos para a construção civil. Bianual, neste ano ela foi mais que um evento para expor produtos. Por causa da COP 21 (Conferência Mundial Sobre o Clima), que acontece de 30 de novembro a 11 de dezembro na capital francesa, a BATIMAT agregou dois importantes seminários à feira: INTERCLIMA + ELEC e IDEOBAIN. O primeiro, criado para debater como as construções podem ser menos agressivas ao clima e como podem gerar conforto térmico; o segundo, para abordar o reúso da água consumida em casa, para fins não potáveis.

Os debates abrangeram quatro grandes temas na BATIMAT: “A digitalização da construção”, “O desempenho e a eficiência energética”, “O homem e a construção”, e “Da construção à cidade conectada”. O que eles quiseram mostrar é que não se pode mais projetar uma edificação sem o auxílio de softwares, caso a intenção seja criar prédios sustentáveis. Os palestrantes mostraram que a opção por sistemas construtivos e a escolha dos materiais devem estar de acordo com zonas climáticas, insolação do terreno e perfil do público que irá ocupar o prédio ou a casa. Produtos com soluções pré-fabricadas, capazes de agrupar várias tarefas e economizar tempo e mão de obra, também tendem a ocupar maior espaço nos empreendimentos.
Concreto translúcido
Na feira francesa, foi mostrado que as edificações deverão ser construídas sobre um tripé: qualidade do projeto, conceitos de sustentabilidade e tecnologia. Os empreendimentos deverão ser capazes de gerar parte da energia que consomem e de realizar a gestão da água. Desempenhos térmicos e acústicos estarão ligados a centrais inteligentes, que também conectarão a casa ao entorno urbano, seja no quesito segurança ou na questão da mobilidade. Tudo coordenado pela Tecnologia da Informação.

São inovações que já começam a ser realidade em obras no Brasil e no mundo, e que tendem a se popularizar na construção civil. No entanto, os debatedores deixaram claro: para que esses avanços se concretizem, toda a cadeia produtiva do setor deverá estimular departamentos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento).
Um dos produtos inovadores apresentados na BATIMAT foi o concreto translúcido preenchido por fibras ópticas. O material, que até então estava limitado ao campo da pesquisa, entrou no mercado a partir da feira francesa. Os fabricantes que estavam expondo no evento ofereceram paredes pré-fabricadas de concreto translúcido, com a finalidade de gerar luz interna a baixíssimo custo. Os elementos funcionam como peças decorativas e fonte de energia, e foram destaque dentro do estande chamado Planète Beton (Planeta Concreto). O espaço concentrou as novidades relativas ao material e teve grande concentração de produtos que estimulam a construção industrializada.

Entrevistado
Reed Exposition, promotora da BATIMAT (via assessoria de imprensa)
Contato: beatrice.panizza@reedexpo.fr
Créditos Fotos: Divulgação/BATIMAT
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Hotel em Copenhague leva concreto pré-fabricado ao limite
Na Dinamarca, construção do Bella Sky, com suas duas torres inclinadas, desafiou construção industrializada e consumiu 20 mil m³ de concreto
Por: Altair Santos
Na Dinamarca, a construção industrializada do concreto foi submetida a um de seus mais rigorosos testes, e passou com louvor. O hotel Bella Sky, inaugurado em 2011 em Copenhague, foi construído totalmente com estruturas pré-fabricadas, incluindo paredes de concreto. O desafio da obra foi viabilizar duas torres com inclinação de 15° que, juntas, formam um complexo com formato em “V”. Segundo o engenheiro estrutural, Kaare K. B. Dajhl, responsável pela obra, a opção pelo pré-fabricado foi importante para que as peças fossem perfeitamente construídas. Cada prédio tem 76,5 metros de altura e todo o complexo consumiu 7.100 elementos pré-fabricados, onde o peso das peças maiores chegou a 15 mil quilos. O volume de concreto empregado na obra foi de 13 mil m³ e mais 7.200 m³ aplicados nas fundações.

Kaare K. B. Dajhl disse que não teria sido possível projetar um edifício com essa complexidade sem o uso do BIM (Building Information Modeling). “Quando uma estrutura desta natureza é projetada, é impossível obter uma boa compreensão sem um modelo 3D. Neste caso, o BIM foi usado extensivamente para decidir e compreender como a estrutura de apoio iria transferir as vastas forças para a fundação”, explicou. O uso do modelo não envolveu apenas a equipe de projetistas e de engenheiros da construtora Ramboll – responsável pela obra. Todo o sistema foi compartilhado com as concreteiras contratadas, os fabricantes de aço, de estruturas pré-moldadas e os demais prestadores de serviço ligados à execução do empreendimento. “A comunicação foi um dos alicerces desta obra”, completou o engenheiro.
Concreto sob tensão

O modelo estrutural básico do empreendimento utilizou paredes pré-moldadas carregadas verticalmente, combinadas com lajes alveolares e vigas e pilares pré-fabricados. O uso de elementos pré-fabricados implicou na necessidade de transferir os esforços através das ligações entre os elementos. A grandiosidade dos esforços resultou em altas taxas de armadura e na necessidade de reprojetar os detalhes usuais de ligação entre peças pré-moldadas. “O projeto impôs uma nova maneira de trabalhar com o concreto armado. As tensões sobre a estrutura inclinada foram sem precedentes, o que apelou para uma nova maneira de criar cargas em estruturas de concreto. O reforço necessário para garantir a estabilidade e a transferência de forças nesse projeto é algo que nunca havíamos feito. Por isso, sem um projeto em BIM não teríamos como viabilizá-lo”, disse Kaare K. B. Dahl.
O engenheiro-projetista esteve recentemente palestrando no Brasil sobre os desafios da construção do Bella Sky, do grupo Marriott. Para Kaare K. B. Dahl, as torções a que o concreto foi submetido só foram possíveis por que houve a opção pelo pré-fabricado. "No exterior, um edifício como o Bella Sky normalmente seria construído usando concreto pré-moldado in loco, aço ou uma construção mista (aço e concreto). Na Dinamarca, temos uma tradição para a utilização de unidades de concreto pré-fabricado. Isso resulta em menos falhas nas unidades individuais e é muito mais confortável para trabalhar. Com uma geometria tão complexa, no entanto, foi um grande desafio colocar esse quebra-cabeça de concreto em pé, montando as peças adequadamente e tornando o edifício viável", afirmou.

Entrevistado
Engenheiro de estruturas Kaare K.B. Dahl, mestre, Ph.D e gerente de projeto sênior da construtora dinamarquesa Ramboll
Contatos
kbd@ramboll.dk
www.ramboll.dk
info@ramboll.com
Créditos Fotos: Divulgação/Ramboll
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Bons projetos devem praticar gentileza urbana
Conceito adotado pela arquitetura define obras privadas que agregam intervenções para favorecer o urbanismo e o paisagismo em seu entorno
Por: Altair Santos
A gentileza urbana é um conceito amplo. Agrega iniciativas que podem ir desde dispor livros para outras pessoas, enquanto elas aguardam em um ponto de ônibus, até unir um grupo de voluntários para limpar pichações. Na arquitetura, porém, o termo é mais específico. Define obras privadas que agregam intervenções para favorecer o urbanismo e o paisagismo público em seu entorno. Por princípio, somente empresas e empreendedores podem promover gentileza urbana. “Obras executadas pelo poder público, seja municipal, estadual ou federal, não se enquadram neste conceito para não ganharem cunho político”, explica a arquiteta Rose Guedes, presidente da IAB-MG e vice-presidente extraordinária do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil).

O IAB possui até um prêmio que escolhe anualmente as melhores ações praticadas no país. Um prédio que agrega uma praça ao seu projeto paisagístico, e a torna um espaço público, está praticando gentileza urbana. Em tempos de sustentabilidade, uma construção que capta água da chuva e fornece parte do que é armazenado para regar um espaço público também age com gentileza urbana. Um exemplo recente foi contemplado no projeto paisagístico de Benedito Abbud para o edifício Simphonia WOA Beiramar, em Florianópolis-SC. O empreendimento revitalizou e humanizou parte da rua Rui Barbosa, no bairro Agronômica. Além de nova pavimentação, nova sinalização horizontal da via (faixas de pedestres, lombada e ciclovia) e novas calçadas, o trecho ganhou novo passeio público e ajardinamento.
Compromisso do arquiteto
Há outros casos de ações privadas que adotaram espaços públicos, promovendo a revitalização paisagística e até conceitual. A praça da Estação, em Belo Horizonte-MG, é um exemplo deste tipo de gentileza urbana, e que em 2009 foi premiada pelo IAB. Os parklets – minipraças que proliferam nas grandes metrópoles, substituindo vagas para carros estacionarem – também se enquadram no conceito de gentileza urbana, pois normalmente são empreendimentos promovidos pela iniciativa privada, com a concessão do poder público. Já os shopping centers, na opinião de Rose Guedes, surgem como a antítese da gentileza urbana. “Eles, na verdade, são um descompromisso com a cidade”, avalia, citando que atualmente a referência mundial da gentileza urbana concentra-se principalmente no trabalho do italiano Renzo Piano.

Rose Guedes lembra ainda que todo arquiteto deve ter compromisso com a gentileza urbana. “O arquiteto quando faz um projeto, por natureza, tem que ser gentil com a cidade e com quem vive na cidade”, diz. A especialista lembra ainda que não cabe lei para caracterizar uma gentileza urbana. A partir do momento que se tentar legislar sobre uma ação que deve ser voluntária, ela (a gentileza urbana) se descaracteriza. “Não existe lei para isso. Existe incentivo, estímulo, campanhas, mas não existem leis e nem acho que devam existir leis para isso. Tem que ser voluntário, um trabalho de conscientização social, um trabalho de generosidade que as pessoas devem ter, independentemente de leis”, afirma, lembrando que Oscar Niemeyer, ao projetar Brasília, demonstrou esse compromisso do arquiteto.
Entrevistada
Rose Guedes é arquiteta, presidente do IAB-MG, vice-presidente extraordinária do IAB e conselheira do CAU-BR
Contato: roseguedes8@gmail.com
Créditos Fotos: Divulgação/IAB-MG









