Controle de granulometria dos agregados influenciam durabilidade do concreto
A qualidade do concreto depende diretamente da granulometria, da forma e da classificação dos agregados — fatores que determinam sua trabalhabilidade, resistência e durabilidade. Em painel da Concrete Show 2025, Francisco Holanda, diretor técnico da Holanda Engenharia, e Benito Bottino, diretor técnico da Sobratema, destacaram como o controle da granulometria tem garantido maior uniformidade e qualidade ao material utilizado nas obras.
De acordo com Holanda e Bottino, praticamente todo o concreto utilizado em obras é bombeado — ninguém mais carrega baldes ou sacos no ombro. “Para que isso seja possível, a granulometria e a forma dos agregados se tornam fatores decisivos: quanto menores e mais arredondados, melhor o bombeamento e menor o desgaste dos equipamentos”, explicam. Segundo os palestrantes, também tem havido um crescimento da demanda por agregados miúdos, abaixo de 14mm. Este tipo de material é ideal para estruturas mais delgadas, pré-moldados, concreto bombeado, concreto autoadensável e microconcreto.
Case: Aeroporto de Lima

Crédito: Marina Pastore
Durante a apresentação, um exemplo emblemático apresentado foi o do Aeroporto de Lima, no Peru, que teve uma concretagem de grandes dimensões: foram 48 caminhões em fila, durante oito horas, preenchendo uma estrutura de 1,20 metro de espessura, 12 metros de altura e 32 metros de comprimento em uma única etapa. “O resultado só foi viável porque se utilizou um microconcreto desenvolvido especialmente para garantir fluidez, resistência e sustentabilidade”, afirmam Holanda e Bottino.
Esse tipo de tecnologia também está presente em concretos autoadensáveis, capazes de preencher estruturas densamente armadas sem a necessidade de vibração. “A solução é usada tanto em peças pré-moldadas e vigas protendidas quanto na recuperação de edificações antigas, que exigem materiais capazes de ocupar espaços confinados, com acabamento de alta qualidade e sem retrabalho”, destacam os especialistas.
Granulometria controlada
De acordo com Holanda e Bottino, a demanda por concretos mais sofisticados, no entanto, impõe novos desafios aos produtores de agregados e às concreteiras. “Para atender ao mercado, é necessário fornecer materiais com granulometria controlada, sem arestas e sem contaminação com pó de pedra e pedrisco. Nessa condição, o agregado naturalmente proporciona uma redução de 15% a 20% na água de amassamento. Esse fator é altamente sustentável e ainda acrescenta um parâmetro importante de durabilidade. Em outras palavras: há menos consumo de água e de cimento. Consequentemente, há menor emissão de CO₂”, alertam.
Nesse cenário, a areia artificial ganha espaço como alternativa sustentável. Segundo Holanda e Bottino, diferente do pó de pedra residual da britagem, que não possui controle de qualidade, a areia artificial é intencionalmente produzida, com maior qualidade, e já foi utilizada em obras de grande porte no Brasil e no exterior, muitas vezes substituindo totalmente a areia natural. “Além de oferecer durabilidade e uniformidade ao concreto. E tem o aspecto ambiental disso, porque se isso fica estocado, acaba se tornando um passivo ambiental”, pondera.
Fontes
Francisco Holanda é diretor técnico da Holanda Engenharia.
Benito Bottino é diretor técnico da Sobratema.
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Uso de fibras ganha destaque no Concrete Show

Créditos: Marina Pastore
O uso de fibras no concreto foi um dos principais temas do Concrete Show 2025, evento que reuniu especialistas em construção civil e tecnologia de concretos. Durante diversas palestras, os profissionais destacaram como esses filamentos plásticos sintéticos, incorporados à mistura, aumentam a resistência à tração e a pós-fissuração, além de permitir redução de espessura das placas de pavimento e otimização de custos.
Carlos Bassamino, diretor na R9Pro Engenharia e Consultoria, na palestra “Inovação e Projetos de Pavimentos Rígidos com Fibras”, explicou que se trata de milhares de filamentos plásticos dispersos no concreto, que, sob carga, promovem a distribuição interna dos esforços. O resultado é um ganho em resistência à tração e, principalmente, em resistência pós-fissuração – o mesmo efeito buscado no uso do aço.
“Essas fibras são filamentos plásticos sintéticos à base de polipropileno (PP). O material é escolhido por oferecer boa resistência mecânica e excelente desempenho frente à alcalinidade elevada do concreto. Outros plásticos tenderiam a se deteriorar, dissolvendo ou perdendo massa, enquanto o PP apresenta baixa perda de massa e já conta com respaldo normativo”, destaca Bassamino.
De acordo com Prof. Dr. Carlos Marmorato, livre-docente da Unicamp e presidente da ABIFIBRA, na construção civil, as fibras podem atuar de diferentes formas: como reforço contínuo ou descontínuo, reforço interno ou externo. “As macrofibras, em específico, enquadram-se como um reforço descontínuo interno, onde eu armo o concreto a partir das macrofibras”, explica.
Propriedades
As macrofibras são elementos de reforço estrutural do concreto, cuja eficiência depende principalmente do volume incorporado à mistura, e não apenas do tipo de fibra. Segundo Marmorato, “quando pensamos em fibras, o que realmente importa é a quantidade adicionada por metro cúbico de concreto, pois é isso que define seu desempenho estrutural”.
Com a publicação das novas normas em 2021, projetos de pavimentação rígida reforçada com fibras passaram a ser apoiados em ensaios de controle tecnológico, especialmente o Crack Mouth Opening Displacement (CMOD). Esse teste avalia o comportamento pós-fissuração do concreto, distinguindo entre hardening – quando a fibra aumenta a resistência após a fissuração – e softening, quando há perda gradual de resistência. “O comportamento softening é o mais comum em pavimentos e representa uma mudança importante no entendimento da engenharia de materiais”, explica Marmorato.

Créditos: Marina Pastore
Além do aspecto mecânico, o desempenho das fibras também envolve a durabilidade química. Segundo Marmorato, elas precisam ser inertes ao ambiente alcalino do concreto, caso contrário, sofrem degradação. “Uma macrofibra sintética estrutural de qualidade otimiza a transferência de tensões e mantém a resistência residual do concreto, mesmo após a fissuração”, afirma o especialista. De acordo com a NBR 16940:2021, fibras estruturais devem atingir pelo menos FR1 = 1,3 MPa e FR4 = 1,0 MPa, mas em projetos práticos os valores podem ser até duas vezes superiores, evidenciando diferenças significativas de desempenho mesmo com a mesma dosagem.
Macrofibras para pavimento de concreto
Em sua palestra, Bassamino pontua que no conceito tradicional, conhecido como sistema PCA, tem só concreto simples fazendo reforço estrutural, sem armaduras estruturais. “Mas estamos introduzindo as macrofibras estruturais. Isso traz um benefício significativo no que diz respeito à espessura – vamos ter espessuras menores e placas menores. No sistema PCA, as placas têm 3,60 m de largura por 5 a 6 metros de comprimento. Quando uma carga é aplicada, gera-se um momento fletor. Com uma placa maior, é preciso vencer um esforço maior. Ao trabalhar com placas menores, de 1,80 m por 2 m, o momento fletor acaba sendo menor. Consequentemente, é possível baixar a espessura. Isso representa uma melhoria com relação a custo e durabilidade. A macrofibra vai atuar na pós-fissuração do concreto. E eu posso aplicar em formas deslizantes ou em pavimentadoras de asfalto”, expõe Bassamino.
Quando a fibra não é utilizada, o esforço se propaga e o concreto acaba rompendo, já que não há nenhum elemento estrutural responsável por transferir a carga entre as placas. “Com a fibra, a situação muda: ela atua como uma espécie de costura interna. Ao receber a carga, cada filamento plástico contribui para redistribuir a energia, permitindo a transferência de esforços entre uma placa e outra”, destaca Bassamino.
De acordo com Bassamino, a vantagem é significativa, sobretudo nas juntas serradas, onde o custo de instalar barras seria elevado. Já nas juntas de parada – pontos de interrupção da concretagem – ou em ligações longitudinais, o sistema tradicional ainda exige barras.
No CCRF aplicado em áreas vicinais, conseguimos eliminar até mesmo essas barras de transferência, garantindo maior agilidade construtiva e viabilidade técnica comprovada.
No pavimento flexível, a carga é muito pontual: quando a roda passa, gera-se um bulbo de tensão que se propaga intensamente para as camadas inferiores. “Já no pavimento rígido, esse bulbo é bem menor. O comportamento é semelhante ao de uma laje ou radiê: a carga se distribui uniformemente por uma área maior, o que permite reduzir espessuras de base e, consequentemente, obter economia no dimensionamento”, conclui Bassamino.
Uso de fibras no concreto projetado

Créditos: Marina Pastore
Na palestra “Tendências da Aplicação de Fibras em Concreto Projetado”, o professor e doutor Paulo Fernando Araújo da Silva, abordou o concreto projetado, muito usado em túneis e obras de grande porte. Segundo ele, este material apresenta retração maior que o concreto convencional, aumentando o risco de fissuras se não houver cuidados específicos. Segundo o professor, “enquanto o concreto bombeado convencional registra retrações de cerca de 500 µm/m, o projetado pode chegar a 700 µm/m na via seca e 850 µm/m na via úmida, exigindo atenção redobrada na cura e no controle da quantidade de água”.
Para minimizar esses efeitos, o especialista destaca o uso de fibras no concreto. “As microfibras de polipropileno ajudam a controlar fissuras por retração plástica e aumentam a resistência ao fogo, enquanto as macrofibras sintéticas atuam na pós-fissuração, mantendo as fissuras estreitas e protegendo a armadura da corrosão”, explica Araújo da Silva. Ele acrescenta que, apesar de eficazes, as fibras de aço podem aumentar o desgaste das máquinas de projeção, o que limita seu uso em alguns projetos.
O professor também reforça a importância de medir a tenacidade do concreto, que indica sua capacidade de continuar resistindo após a fissuração. “Ensaios avançados, como o da placa francesa, fornecem uma avaliação mais realista do desempenho do concreto com fibras. Além disso, o uso de microfibras ajuda a prevenir o spalling, o desprendimento de pedaços de concreto em situações de altas temperaturas”, afirma. Para Araújo da Silva, a combinação dessas técnicas garante revestimentos mais duráveis e seguros, sobretudo em túneis e obras críticas de infraestrutura.
Fontes
Carlos Bassamino é diretor na R9Pro Engenharia e Consultoria.
Carlos Marmorato é livre-docente da Unicamp e presidente da ABIFIBRA.
Paulo Fernando Araújo da Silva é mestre em Engenharia de Construção Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e Doutor em Infraestrutura pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).
Contatos
Carlos Bassamino: contato@r9pro.com.br
Carlos Marmorato: cemgomes@unicamp.br
Paulo Fernando: darciliapaulo@uol.com.br
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Itambé investe R$ 500 milhões em novo forno e consolida-se como uma das principais fornecedoras de cimento da Região Sul
A Cimento Itambé, empresa paranaense com 48 anos de atuação, acredita no avanço do setor da construção civil e investiu R$ 500 milhões em um novo forno em sua fábrica, localizada em Balsa Nova, na Região Metropolitana de Curitiba. Além disso, foram investidos R$ 150 milhões em novos negócios, por meio da Novo Horizonte, empresa de calcário agrícola, e da Rio Bonito Soluções Ambientais, totalizando R$ 650 milhões em investimentos nos últimos três anos.
O novo equipamento, recém-inaugurado, foi resultado de dois anos de construção e gerou cerca de 5 mil empregos diretos. Ao entrar em operação, o novo forno eleva a capacidade de produção da fábrica em 600 mil toneladas de cimento por ano.
Essa expansão representa um aumento na capacidade de produção de clínquer, o principal insumo do cimento. Com a ampliação, nossa capacidade total de produção de cimento chega a 3 milhões de toneladas por ano. “Com o novo equipamento, reforçamos nosso compromisso de produzir cimentos de qualidade para atender nossos clientes, além de promover a inovação industrial e a sustentabilidade, pilares da nossa atuação”, destaca o diretor-superintendente da Itambé, Alexander Capela Andras.
Desempenho energético
De acordo com o diretor industrial da Cimento Itambé, Fábio Garcia, foram selecionados os melhores equipamentos e periféricos disponíveis no mercado para compor o novo forno. “O equipamento atingiu o recorde de substituição térmica nas Américas, com um consumo térmico e elétrico World Class. Com a injeção de combustíveis alternativos, o forno apresenta a redução de até 65% de combustíveis fósseis”, informa.

Crédito: Divulgação
Toda a planta opera com automação completa dos processos industriais, o que garante maior controle de qualidade, segurança operacional e eficiência energética. “Este forno representa mais do que um avanço tecnológico: reflete nosso propósito de crescer com responsabilidade, inovando com respeito ao meio ambiente e mantendo nosso dever com a sociedade e com o meio ambiente”, completa Andras.
Segundo Marcio Lobo, diretor comercial da Itambé, o forno reforça o compromisso da empresa em oferecer produtos com regularidade técnica e volumes adequados para atender ao crescimento do mercado da construção civil.
A empresa é considerada referência nacional em qualidade e eficiência, mantendo sua matriz de decisões e investimentos no Paraná. O investimento consolida a posição da Itambé como uma das principais fornecedoras de cimento da Região Sul. “Essa ampliação nos deixa ainda mais preparados para atender nossos clientes e o mercado em obras de infraestrutura, habitação e pavimentação em toda a nossa área de atuação”, assinala.
Sustentabilidade como diferencial competitivo
Um dos principais diferenciais do projeto é seu foco ambiental. O novo forno foi projetado para operar com substituição de combustíveis fósseis por fontes alternativas e renováveis, como biomassa e resíduos industriais. Essa medida contribui diretamente para a redução das emissões de CO₂ e para o aumento da eficiência energética da planta.
A empresa emprega combustíveis alternativos que substituem os combustíveis fósseis, reduzindo de forma significativa as emissões de CO₂. Além disso, por meio do coprocessamento de resíduos industriais, a Itambé dá a destinação correta a cerca de 168 mil toneladas de resíduos anualmente, ajudando a reduzir o volume que seria enviado a aterros sanitários.
O presidente do Conselho de Administração, Claudio Gomes Slaviero, reforça o compromisso da empresa com o Estado. “Há mais de 50 anos investimos no Paraná. Nosso foco é o desenvolvimento da nossa terra, com geração de emprego, inovação e respeito ao meio ambiente. O Paraná é a base de tudo o que construímos”.
Fontes
Alexander Andras é diretor-superintendente da Itambé.
Marcio Lobo é diretor comercial da Itambé.
Fábio Garcia é diretor industrial da Itambé.
Claudio Gomes Slaviero é presidente do Conselho de Administração.
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Ana Carvalho
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Concreto de alta performance marca obra do primeiro wellness building do Brasil
Muitas obras estão utilizando o concreto aparente como solução arquitetônica e criando diferenciais únicos. Exemplo disso é o AGE360, que começa a mudar a paisagem urbana com seus 124 metros de altura e um conceito arquitetônico inédito no país. Além de ser o primeiro wellness building do Brasil, o edifício é também um marco em soluções construtivas, especialmente pelo uso diferenciado do concreto aparente, que se tornou elemento estrutural e estético central no projeto.

Crédito: Joana França
Desenvolvido pela incorporadora AG7 com assinatura do arquiteto Greg Bousquet, fundador da Architects Office, o AGE360 adota um exoesqueleto de concreto que libera os interiores de pilares, oferecendo plantas flexíveis e vistas desobstruídas. “Tivemos que realizar inúmeros testes in loco para assegurar consistência na textura, tingimento e acabamento do concreto. A uniformidade foi essencial para manter a identidade visual do edifício”, explica Bousquet.
Um concreto sob medida para um projeto singular
Para atender às exigências técnicas e estéticas, a AG7 contou com a expertise técnica da Concrebras, responsável pelo fornecimento de todo o concreto da obra. “Trabalhamos de maneira conjunta na criação do concreto aparente, um dos componentes arquitetônicos mais marcantes do projeto”, afirma o engenheiro Sergio Davidovicz, especialista técnico da Concrebras.
A empresa desenvolveu uma solução personalizada para atender tanto às demandas estéticas do cliente quanto aos requisitos técnicos da obra, assegurando qualidade, longevidade e a identidade visual pretendida para o empreendimento.
As áreas comuns, como piscina, spa e jardins elevados, foram posicionadas no meio da torre, criando pontos de encontro com vistas abertas para a cidade e o Parque Barigui. “Essa decisão reforça o conceito de wellness e promove o bem-estar, colocando o morador no centro do projeto”, completa o arquiteto da obra.
A complexidade arquitetônica do AGE360 exigiu uma formulação exclusiva que garantisse não apenas resistência e durabilidade, mas também o padrão visual desejado. “Fizemos testes de trabalhabilidade, controle de textura e cor, além de ensaios para avaliar o desempenho do concreto sob as condições climáticas de Curitiba. Cada detalhe, do traço à execução, foi pensado para entregar um resultado final uniforme e de alta qualidade”, explica Karolina Kloss, assessora técnica comercial da Concrebras.
Ela ressalta que o concreto aparente apresenta desafios específicos, porque qualquer variação de tonalidade ou textura é perceptível e pode comprometer o efeito estético. O acompanhamento de laboratório foi constante, ajustando dosagens, controlando umidade e temperatura, e seguindo os protocolos rigorosos de moldagem, desforma e cura”, complementa.
Logística e execução de alto nível
A obra consumiu mais de 3.300 m³ de concreto, fornecidos pela Central CIC da Concrebras, estrategicamente localizada próxima ao canteiro. O transporte e a aplicação exigiram planejamento logístico detalhado, com fornecimento por etapas de acordo com o cronograma e uso de equipamentos especiais para atingir as alturas do edifício.
A proximidade da central de concreto foi fundamental para manter a consistência do material durante as aplicações, especialmente em um projeto que exige um padrão estético tão elevado. “Coordenar a entrega e o bombeamento nas alturas da torre, sem perder o controle de qualidade, foi um dos maiores desafios que superamos com planejamento e integração com a equipe de obra”, detalha.
Integração entre concreto, arquitetura e natureza
O exoesqueleto de concreto não é apenas funcional, mas estabelece diálogo com os elementos naturais. Jardineiras embutidas nos terraços, combinadas ao acabamento mineral, criam contraste harmônico com a vegetação. “O contraste entre o mineral e o vegetal fortaleceu o conceito de integrar o prédio à natureza”, observa Bousquet. Essa integração reforça a proposta de bem-estar do projeto e amplia sua relevância arquitetônica, já reconhecida por prêmios como o iF Design Award 2021 e o Rethinking the Future.

Crédito: Joana França
Um legado de precisão construtiva
O AGE360 mostra como o concreto pode ultrapassar seu papel tradicional para se tornar protagonista na arquitetura. Ao unir engenharia de ponta, estética refinada e atenção ao bem-estar, o edifício deixa para Curitiba um marco de inovação construtiva e urbanística. “Cada decisão foi guiada pela funcionalidade, mas resultou em algo poeticamente integrado ao contexto urbano e natural”, resume Bousquet.
De acordo com Karolina, estruturas de concreto aparente são sempre desafiadoras, mas no AGE360 foi possível aliar desempenho e beleza. “É gratificante ver o resultado e saber que a Concrebras fez parte dessa história”, conclui Karolina Kloss.
Entrevistados
Karolina Kloss é engenheira civil graduada pela Universidade Positivo de Curitiba (UP). Possui pós-graduação em Construção Civil: Residenciais, Industriais e Especiais, atualmente é pós-graduanda em Patologia nas Obras Civis pelo IDD. Atua como Assessora Técnica Comercial na Concrebras.
Sergio Davidovicz é engenheiro civil e possui pós-graduação em Patologia das Construções. Atua há 34 anos como Especialista Técnico na Concrebras.
Fonte
AG7
Contatos
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sergio@concrebras.com.br
sabrina.pereira@motim.cc (Assessoria de Imprensa)
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Ana Carvalho
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Norma para concreto de ultra-alto desempenho (UHPC) é publicada
O Brasil acaba de dar um passo importante para consolidar o uso do concreto de ultra-alto desempenho (UHPC, na sigla em inglês) no país. A partir de 2025, o UHPC passa a contar com uma norma técnica nacional: a NBR 17246, estruturada em quatro partes, que cobre desde classificação e requisitos até métodos de ensaio e controle de qualidade.

Crédito: Envato
O UHPC proporciona oportunidades singulares para a construção pré-fabricada, como elementos esbeltos, uso efetivo de pré-tensionamento e produtos arquitetônicos e estruturais inovadores, segundo o professor Sri Sritharan, doutor em Engenharia de Estruturas pela Universidade da Califórnia – San Diego, professor titular da Iowa State University. Dentre as possibilidades de aplicação em pré-moldados, o professor cita vigas de ponte (formato tradicional em “I”); superestrutura de ponte (formato otimizado em “π”); sistema de laje de ponte (painéis tipo waffle); conexões; revestimento de tabuleiro; estacas; estruturas de casca (conchas) e torres de aerogeradores.
Historicamente, o UHPC foi usado no Brasil de forma restrita, inicialmente em elementos decorativos e, mais recentemente, em aplicações estruturais, como uma passarela para pedestres apresentada no 64º Congresso Brasileiro de Concreto (CBC), em Florianópolis, e posteriormente instalada em uma comunidade na cidade de São Paulo, segundo Roberto Christ, coordenador do itt Performance e professor do Curso de Graduação em Engenharia Civil da Unisinos.
Por que usar o UHPC?
De acordo com Marco Antonio Carnio, coordenador do Comitê IBRACON/ABECE 303: Uso de Materiais Não Convencionais para Estruturas de Concreto, Fibras e Concreto Reforçado com Fibras e professor de Estruturas de Concreto da PUC-Campinas, hoje o UHPC apresenta grande potencial, especialmente no setor de pré-fabricados, graças à sua ampla gama de aplicações. “A tecnologia permite produzir peças mais leves, reduzindo custos de montagem e possibilitando o uso de guinchos e equipamentos menores. Do ponto de vista ambiental, a alta resistência do material possibilita dimensões reduzidas, o que significa menor consumo de matéria-prima, contribuindo para a descarbonização e a desmaterialização das estruturas. Além disso, o UHPC oferece uma durabilidade superior, prolongando significativamente a vida útil das construções e otimizando transporte, montagem e manuseio”, afirma.
Da experimentação à padronização
Primeiramente, o CT 303 do IBRACON/ABECE publicou uma prática recomendada que ajudou a uniformizar o conhecimento. No entanto, logo em seguida, o comitê começou a trabalhar em uma norma nacional, para conferir responsabilidade e segurança ao uso do concreto.
“Antes da norma, os projetistas precisavam recorrer a documentos estrangeiros, como ACI, FHWA e AFGC, ou a normas brasileiras indiretas, como a NBR 16935 e a NBR 16938, o que limitava a difusão do material e aumentava os riscos de aprovação e execução de projetos”, explica Roberto Christ, coordenador do itt Performance e professor do Curso de Graduação em Engenharia Civil da Unisinos.
De acordo com o engenheiro Alvaro Barbosa, coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC), a ideia era tirar o UHPC do limbo “experimental”, dar segurança jurídica a projetos e contratos, padronizar ensaios, qualidade e dosagem, e alinhar o país ao que ACI, FIB e AFGC já vêm consolidando. “Em 2024, ainda se apontava que, sem norma própria, o uso ficava restrito à pesquisa e a guias estrangeiros.”
Como fica a NBR 17246?
De acordo com Barbosa, a nova série de normas é organizada em quatro partes:
• Parte 1 – Classificação, requisitos e especificação: define termos, classes de resistência, propriedades reológicas, durabilidade e critérios de desempenho do material.
• Parte 2 – Ensaios de validação de dosagem e produção: apresenta procedimentos para validar traços, empacotamento de partículas, adição de fibras e controle de reologia.
• Parte 3 – Controle de qualidade: detalha planos de inspeção, amostragem, rastreabilidade de fibras e insumos, e critérios de aceitação.
• Parte 4 – Métodos de ensaio: estabelece métodos para ensaios mecânicos e de durabilidade, incluindo compressão, tração, tenacidade e permeabilidade.
Para Christ, todas as propriedades especificadas na Parte 1 são importantes. “Como o UHPC apresenta grandes vantagens, sua utilização é viável em diversas aplicações — não apenas em elementos estruturais, mas também em elementos decorativos e estruturas complementares. Dependendo da aplicação, uma propriedade pode ter maior relevância que outra. De forma geral, as principais propriedades especificadas na norma são: resistência à compressão; resistência à tração no limite de elasticidade (que evidencia o comportamento pós-fissuração); consistência da mistura; densidade aparente; teor de ar incorporado; retração; índice de vazios; carga elétrica passante; e permeabilidade aparente a gases”, destaca.
Segundo Barbosa, entre as propriedades que exigiam regulamentação específica estão a alta resistência à compressão (mínimo de 100 MPa no Brasil), a resistência à tração no limite de elasticidade (indicando o comportamento pós-fissuração), a consistência, a densidade aparente, a retração, a permeabilidade e a carga elétrica passante. O UHPC também exige atenção especial à produção, ao controle de fibras, ao lançamento, ao adensamento e à cura, mas não demanda mudanças significativas nos métodos construtivos tradicionais.
Barbosa aponta outras propriedades que exigiam regulamentação específica:
• Comportamento em tração com fibras (endurecimento pós-fissuração, tenacidade/energia).
• Reologia/trabalhabilidade (mistura de baixa relação a/aglomerante, aditivos de alta eficiência).
• Durabilidade (baixa permeabilidade, cloretos, gelo-degelo, abrasão) e fogo (parâmetros térmicos ainda carecem de padronização local).
Alinhamento internacional
A série brasileira se inspira nas normas europeias, especialmente no Eurocode, e mantém convergência com referências internacionais, como o ACI 239, os guias AFGC (França) e o FHWA (EUA), segundo Barbosa.
“As normas técnicas brasileiras sobre o UHPC estão mais alinhadas com as definições das normas europeias, utilizando como referência o Eurocode”, informa Christ.
Apesar da inspiração nas normas europeias, elas foram adaptadas às características brasileiras. “No caso do UHPC, há particularidades importantes: a produção depende de cimentos nacionais, com características próprias, além de agregados diferentes e fibras especiais. Isso torna o processo mais complexo, já que nem todos os fabricantes dispõem dessas fibras — hoje, existem apenas dois ou três produtores globais. Também é necessário considerar o papel dos aditivos, em grande parte fornecidos por empresas multinacionais, mas já com experiências nacionais relevantes. Assim, o desafio está em adaptar essas soluções às condições específicas do Brasil.
No campo do projeto, a ABNT NBR 6118 traz adaptações a partir das normas internacionais, mas ajustadas à realidade brasileira. “No país, estamos habituados a trabalhar com concretos de até 90 MPa de resistência à compressão — em geral, de 50 a 92 MPa. Já no caso do UHPC, falamos de valores bem superiores, de 100 a 200 MPa, podendo chegar a 230 MPa. Produzir concretos acima de 100 MPa não é tarefa simples e representa uma meta desafiadora”, destaca Carnio.
Barbosa compartilha um quadro comparativo com as normas internacionais:
Perspectivas
O lançamento da norma promete estimular o mercado de pré-fabricados e a indústria de concretos especiais, consolidando o UHPC como alternativa viável para projetos que exigem alta resistência, durabilidade e desempenho estrutural diferenciado. Para engenheiros e projetistas, a expectativa é que a norma facilite a aprovação de projetos, reduza riscos e abra espaço para inovações construtivas com o material.
De acordo com Carnio, o Ibracon agora também está trabalhando em uma comissão de norma para UHPC relacionada a projetos, especificamente sobre como projetar utilizando UHPC. “A norma dá segurança sobre o sistema construtivo para toda a sociedade — isso inclui construtoras, fabricantes de materiais, projetistas, consumidores, entre outros. Hoje, há ações isoladas, desenvolvendo aplicações, especialmente em pré-fabricados. Mas ainda é incipiente. Com a norma, tende a ganhar maior escala. As duas normas foram feitas em paralelo, mas a de projetos ainda está em fase final”, aponta.
Entrevistados
Marco Antonio Carnio é coordenador do Comitê IBRACON/ABECE 303: Uso de Materiais não convencionais para Estruturas de Concreto, Fibras e Concreto Reforçado com Fibras e professor de Estruturas de Concreto da PUC Campinas.
Roberto Christ é coordenador do itt Performance, professor do Curso de Graduação de Engenharia Civil e coordenador do Curso de Especialização em Patologia, Perícias e Desempenho das Edificações da Unisinos.
Alvaro Barbosa, coordenador Técnico da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC).
Contatos
alvaro@abesc.org.br
RCHRIST@unisinos.br
mac@evengenharia.com.br
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Concreto que fixa carbono: inovação pode transformar resíduos da construção em aliados contra mudanças climáticas
Transformar resíduos de concreto em materiais de alto desempenho, enquanto se captura e armazena carbono, deixou de ser apenas uma possibilidade teórica. Uma pesquisa conduzida pelo engenheiro civil e doutorando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Victor Saldanha Cassel, avaliou o uso de dióxido de carbono (CO₂) no tratamento de agregados graúdos reciclados de concreto, aplicando a tecnologia CCUS (Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono).
“O objetivo foi avaliar como o tratamento com CO₂ impacta nas propriedades físicas e microestruturais do material, além de medir o potencial de fixação do gás na matriz cimentícia”, explica Cassel. Em ambiente controlado, com alta concentração de CO₂, as partículas recicladas foram expostas por 24 horas ao processo de carbonatação acelerada.
Resultados: mais qualidade e menos emissões
Os ensaios mostraram que os agregados reciclados de concreto apresentaram um potencial de fixação de CO2 entre 9 e 13 kg por tonelada de material, além de melhorias na massa específica, microdureza, menor absorção de água e porosidade reduzida.

Crédito: Envato
O pesquisador afirma que, quanto maior a quantidade de CO₂ fixado, melhor foi a qualidade do agregado. “Observamos aumento da densidade, maior resistência e menor absorção de água, o que abre espaço para um uso mais amplo desse material na construção”, revela.
No cenário nacional, a pesquisa estima que, com aumento do índice de reciclagem e carbonatação completa, seria possível capturar em média 39,5 mil toneladas de CO₂ por ano. “Essa é uma oportunidade de alinhar o setor da construção às metas globais de neutralização de carbono, ao mesmo tempo em que se aproveitam resíduos que hoje têm destinação limitada”, destaca Cassel.
Essa estratégia não apenas valoriza resíduos da construção e demolição (RCD), mas também abre portas para geração de créditos de carbono, agregando viabilidade econômica à prática.
Benefícios para a construção e para o planeta
A tecnologia pode representar uma dupla vantagem: amplia o uso de agregados reciclados, reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais, e contribui para as metas globais de neutralização das emissões até 2050. “É um caminho para viabilizar tecnicamente o uso em maior escala desses agregados e ainda contribuir para reduzir as emissões de CO₂ da indústria da construção”, resume o engenheiro.
A transição do laboratório para a escala industrial exigirá ajustes, como definição da etapa ideal para aplicação do tratamento e otimização de parâmetros ambientais para maximizar a fixação de CO₂ em menos tempo. “O desafio agora é entender como aplicar essa tecnologia em larga escala sem gerar impactos ambientais adicionais e com custo viável para as empresas”, observa. Além disso, estudos futuros deverão avaliar o desempenho mecânico e a durabilidade de concretos produzidos com esses agregados tratados, fortalecendo a aplicação em obras reais.
Economia circular na prática
De acordo com a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (ABRECON), o Brasil gera anualmente cerca de 107 milhões de toneladas de RCD, mas apenas 17% desse volume é reciclado.
O uso de CO2 para o tratamento de agregados reciclados representa um caminho concreto para impulsionar a economia circular na construção civil, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados a consumo responsável e ação climática.
A pesquisa evidencia que, quando ciência e engenharia se encontram, o concreto não é apenas um material estrutural, mas pode ser também um aliado no combate às mudanças climáticas.
Entrevistado
Victor Saldanha Cassel é engenheiro civil graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), mestre e doutorando em engenharia civil com ênfase em construção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Contato
victorcassel29@gmail.com
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Condomínios apostam em facilidades como escolas e restaurantes
O mercado imobiliário de alto padrão em São Paulo teve crescimento de 238,9% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. Na região Sudeste, os empreendimentos de luxo foram o grande destaque do trimestre, com crescimento expressivo de 14,4% nos lançamentos e 30% nas vendas. Já no Sul, os imóveis de luxo também se destacaram, com crescimento de 53,3% nos lançamentos e 22,5% nas vendas, impulsionados pela área do litoral norte de Santa Catarina e de Florianópolis.

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Dentro deste movimento de expansão do mercado imobiliário de alto padrão, vêm os lançamentos que apostam em grandes diferenciais de lazer e infraestrutura que vão de marinas e campos de golfe a escolas e restaurantes.
“Hoje, esses condomínios estão se tornando verdadeiros hubs, agregando não só a moradia e o lazer, mas serviços, comércio e outras comodidades”, explica Guilherme Craveiro, sócio fundador da FGR Incorporações, uma das pioneiras no desenvolvimento de condomínios horizontais em Goiânia.
Em artigo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), Brian Pieroni, engenheiro e diretor da Bild Desenvolvimento Imobiliário, aponta que é difícil falar sobre o mercado imobiliário atual sem mencionar o fenômeno dos condomínios estilo home resort, ou como é mais conhecido, clube privativo.
“De uns anos para cá, o que antes era visto como luxo – piscinas, academias, espaços gourmet, bicicletas à disposição dos moradores, área para pets, espaço exclusivo para lavagem de carros e coworkings – virou quase item essencial para quem busca qualidade de vida e praticidade. Os condomínios-clube nasceram dessa demanda. E estão ganhando cada vez mais força”, informou Pieroni.
Condomínios com infraestruturas diferenciadas
Veja alguns exemplos de condomínios que investiram em infraestrutura de lazer e serviços com propostas diferenciadas:
Condomínio com marina:
Localizado em Balneário Camboriú, o Marina Beach Towers possui uma marina exclusiva, com serviço de colocação e retirada da embarcação no mar, limpeza de embarcações e manutenção de carretas, tudo incluído na taxa condominial. Também tem serviços como concierge, central delivery, arrumadeira, personal trainer, serviço de toalhas, monitores para crianças, cabelereiro e manicure, massagista, marinheiros e lavanderia.
Condomínio com Centro Hípico:
O condomínio Kurumim, situado em Itu (SP), dispõe de uma hípica com equipe de tratadores e veterinários. A estrutura inclui ainda piscina, trilha ecológica, quadras poliesportivas e campo de futebol.
Escola de inglês e restaurante:
Em Goiânia, os condomínios Jardins desenvolvido pela FGR Incorporações costumam contar com mercado autônomo, aplicativo com rede de diaristas, pet móvel e lava car móvel. Um de seus últimos lançamentos, o Jardins Grécia, terá restaurante, escola de inglês, quadra de pickleball, trilha de mountain bike, capela, espaço feira, horta e pet place.
Campo de golfe:
O condomínio Reserva Camboriú Yacht & Golf, em Camboriú (SC), conta com um campo de golfe executivo e atracadouros de barcos com acesso ao mar pelo Rio Camboriú.
Fontes
Guilherme Craveiro é sócio fundador da FGR Incorporações, uma das pioneiras no desenvolvimento de condomínios horizontais em Goiânia.
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Como reter talentos na construção civil?
A falta de profissionais continua sendo um obstáculo para a construção civil no Brasil: 82% das empresas afirmam enfrentar dificuldades para contratar novos trabalhadores, de acordo com a Sondagem da Construção, levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).
Em março de 2025, o índice alcançou o nível mais alto desde outubro de 2012. No segmento de serviços especializados, 70% das empresas relatam não conseguir encontrar profissionais disponíveis no mercado — o maior patamar desde o início da série histórica, em julho de 2010.

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“As empresas ficaram mais pessimistas neste início de ano, refletindo as dificuldades com a escassez de mão de obra qualificada, que vêm alcançando patamares recordes, e um crédito mais caro. Houve também uma desaceleração da atividade, que deve ser revertida, pois as indicações são de retomada das contratações de mão de obra, mantendo o mercado de trabalho pressionado”, afirmou Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE.
Para Bruna Siciliano, presidente do Grupo Siciliano Brasil, a construção civil apresenta um ponto de inflexão em relação a outras indústrias.
“Contratar, recrutar, capacitar e introduzir profissionais nos canteiros de obras é diferente do que ocorre, por exemplo, na indústria de mineração. No processo de contratação, recrutamento, seleção e inserção em uma frente de trabalho — seja numa fábrica automobilística ou em qualquer outro setor — a indústria da construção civil é única. Isso porque existem códigos de conduta, o Anexo 4 da Constituição, sindicatos e uma série de peculiaridades que envolvem o setor. Isso obriga o empregador a se adaptar às regras vigentes, seguindo a CLT. Além disso, a própria indústria da construção cria códigos de conduta específicos”, comenta Bruna.
Outra questão, segundo Bruna, é que hoje existe uma espécie de bolha no mercado imobiliário, com mais canteiros de obras espalhados por cidades como São Paulo do que a capacidade de mão de obra para atendê-los.
“Ela acaba não sendo suficiente. E o cenário se torna ainda mais problemático porque muitos orçamentos dessas obras, já em andamento, estão defasados. Quando se contrata um empreiteiro para executar serviços de impermeabilização, gesso ou qualquer outra etapa, a construtora, incorporadora ou gerenciadora trabalha com um orçamento que, muitas vezes, foi definido há dois ou até quatro anos. Esse valor já não reflete a realidade atual, especialmente diante das mudanças climáticas, que também aceleram esse processo”, afirma Bruna.
Como reter talentos?
Para Bruna, reter profissionais na construção civil exige ir além da remuneração. “Contratamos mentes criativas para reduzir a rotatividade e oferecer inovação aos projetos. Pagamos acima da média do mercado, temos plano de carreira e olhamos não só para o colaborador, mas também para sua família e rede de apoio. Isso transmite segurança, alinhada aos nossos pilares: proteger, desenvolver e incluir”, afirma.
Bruna destaca que a nova geração busca equilíbrio entre salário e qualidade de vida. “Por isso, a Siciliano, signatária do Pacto Global da ONU, inclui seus colaboradores em programas de capacitação da organização, reforçando políticas de ESG e direitos humanos. Como prestadores de serviço, nossos profissionais são prioridade. Além da CLT e do plano de carreira, oferecemos benefícios como descontos em farmácias, acesso a academias, atendimento médico remoto e parcerias para desenvolvimento horizontal e transversal”, explica.
Sobretudo, o investimento em qualificação da mão de obra também é importante. “A gente tem parceria com todos os nossos stakeholders, com os nossos principais fabricantes. Em 2025, em parceria com a Viapol, colaboradores participarão de treinamentos na fábrica de Caçapava, aprendendo sobre processos produtivos e aplicação de produtos. Com o Senai da Construção Civil, no Tatuapé, são oferecidos cursos como técnico em edificações, leitura de projetos e mestre de obras. Entre as iniciativas recentes, há um programa lançado com o Ministério do Trabalho para formar jovens aprendizes de 16 a 21 anos. Trabalhamos o letramento desses jovens e de suas famílias, preparando-os para o mercado e respondendo às demandas da geração Z”, conclui Bruna.
Entrevistada
Bruna Siciliano é especialista em construções saudáveis e sustentáveis, economia verde, soluções baseadas na natureza e descarbonização aplicadas a indústria da construção civil. Também é empreendedora e presidente do Grupo Siciliano Brasil, CEO Siciliano Ltda, Siciliano Tecnologia e Cofundadora da Siciliano Pro.
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Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Queda acentuada no funding para produção e custo de capital em alta dificultam atuação da construção civil
A construção civil brasileira vive um momento de atenção em relação ao acesso a recursos para financiar a produção. Embora o crédito para pessoa física, destinado à compra de imóveis, siga em ritmo razoável, o financiamento voltado para as incorporadoras e construtoras tem sofrido forte retração, obrigando as empresas a recorrerem a capital de mercado, com custo significativamente mais alto.
De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o volume de recursos da poupança direcionado pelos bancos para financiar a construção recuou 48,6% nos primeiros quatro meses desse ano em relação ao mesmo período de 2024.
“Os agentes financeiros estão canalizando recursos para pessoa física, mas a produção registrou uma queda muito grande. As empresas estão sendo financiadas com recursos de capital com custo mais elevado, e isso se reflete no preço final do imóvel”, afirma Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre.
Odair Senra, vice-presidente de Imobiliário do SindusCon-SP, explica que a dificuldade é estrutural. Segundo ele, a produção e comercialização de imóveis para habitação, por ser uma atividade que demanda muito capital, precisa contar com financiamentos à produção e à comercialização. “Quando existe a escassez de um desses financiamentos, o mercado tende a adiar lançamentos ou até não produzir essas habitações. O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que conta com recursos das Cadernetas de Poupança, é um meio importante para esse mercado”, assinala.
Pressão no crédito e no preço
O cenário atinge especialmente empreendimentos voltados à média e alta renda, segmentos que já vinham enfrentando desafios com o encarecimento do crédito. Segundo Ana Maria, o custo mais alto do financiamento se soma a outro gargalo: a escassez de mão de obra qualificada. “São duas limitações importantes no momento: financiamento mais caro e falta de trabalhadores especializados. Isso afeta diretamente a confiança empresarial e as perspectivas de crescimento”, explica.
Apesar das dificuldades, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) segue como principal sustentação para o mercado. Em abril desse ano, o governo criou uma nova faixa para atender parte da classe média, com financiamento de imóveis de até R$ 500 mil e taxas mais baixas que as praticadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). “Essa mudança deve contribuir, mas não resolve o problema do funding da produção”, pondera a economista.
Alternativas em discussão
Entre as propostas do setor para aliviar a escassez de crédito, está a liberação dos depósitos compulsórios da poupança — atualmente 20% do total fica imobilizado. A proposta, liderada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP), é que os recursos sejam liberados para abastecer os financiamentos imobiliários. Isso representaria uma injeção na ordem de R$ 150 bilhões no setor.
As regras vigentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) determinam que 65% dos depósitos da poupança devem ir para os financiamentos imobiliários, enquanto 15% são usados livremente pelos bancos e 20% são guardados como depósitos compulsórios para assegurar a liquidez do sistema. “Isso pode ajudar no curto prazo, aumentando a disponibilidade de recursos para o financiamento”, observa Ana Maria.

Crédito: Envato
No diálogo com o poder público, Senra reforça uma preocupação central do setor. “Face às propostas que estão surgindo através do Banco Central, pleiteamos que as atuais regras do SBPE não sejam alteradas sem um período importante de transição, necessário para a adaptação do mercado”, aponta. Segundo ele, isso é fundamental para não estancar a produção de habitações e não prejudicar os potenciais adquirentes de casa própria.
Ele também ressalta que o mercado já vem encontrando alternativas. “Já há alguns anos, vem crescendo a utilização de recursos do mercado de capitais, que podem suprir a eventual falta dos recursos das Cadernetas de Poupança. São os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LGIs, que são gerados e geridos por FIIs (Fundos de Investimentos Imobiliários)”, complementa.
Perspectivas para 2025
A expectativa para 2025 é de crescimento, mas em ritmo menor que o observado no ano passado. Ana Maria projeta que a expansão da construção fique próxima à do PIB, estimada em cerca de 2%. “O boom do mercado imobiliário e os investimentos em infraestrutura devem continuar impulsionando a atividade, mas o ritmo será mais moderado”, analisa.
Mesmo em um cenário mais restritivo, a presença de recursos no orçamento do Minha Casa Minha Vida é vista como fator importante para sustentar o desempenho do setor. “O programa continuará sendo uma força importante e pode ganhar mais protagonismo diante dessa conjuntura mais desafiadora”, conclui.
Entrevistados
Ana Maria Castelo é coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre.
Odair Senra é vice-presidente de Imobiliário do SindusCon-SP
Contatos
ana.castelo@fgv.br
rmontagnini@sindusconsp.com.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Lançamento de imóveis em SC cresce 94% em cinco anos
Entre 2021 e 2025, o número de apartamentos lançados no Sul do Brasil cresceu 57%, enquanto as vendas de unidades novas avançaram 46% no mesmo período. Os dados fazem parte de um levantamento divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), feito em parceria com a Brain Inteligência e Estratégia. O estudo abrange 68 dos principais municípios dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, considerando o intervalo entre 1º de abril de 2020 e 31 de março de 2025.
No primeiro trimestre de 2025, entre as capitais do Sul, Florianópolis liderou o mercado imobiliário com aumento de 36,3% nos lançamentos e quase o dobro nas vendas, que cresceram 97% em relação ao mesmo período de 2024. Em contraste, Curitiba registrou forte retração, com quedas de 41,2% nos lançamentos e 12,6% nas vendas. Porto Alegre apresentou crescimento mais equilibrado, com alta de 18,6% nos lançamentos e 43,5% nas vendas. Juntas, as três capitais representaram 21,2% dos lançamentos e 24% das vendas da região no período.
Santa Catarina
A pesquisa aponta que o desempenho de Santa Catarina tem sido o principal motor de crescimento da região.
Nos 25 municípios catarinenses analisados, os lançamentos de apartamentos cresceram 94%, saltando de 24.762 unidades ofertadas entre abril de 2020 e março de 2021 para 41.357 no período correspondente entre 2024 e 2025. No mesmo intervalo, as vendas também apresentaram forte avanço, passando de 28.292 para 48.847 imóveis comercializados — um aumento de 72%.

Crédito: Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú/Divulgação
“Santa Catarina tem uma combinação rara no Brasil: economia forte, segurança acima da média, qualidade de vida e um mercado imobiliário que se valoriza de forma constante. Isso atrai tanto quem quer morar quanto quem quer investir. Com o crescimento populacional puxado por migração de outras regiões, a demanda por moradia cresceu e as construtoras estão acompanhando esse movimento, principalmente em cidades com peso turístico e econômico, como Itajaí e Balneário Camboriú”, afirma Fábio Inthurn, CEO da Lotisa Empreendimentos.
Perfil dos consumidores em Santa Catarina
Para Inthurn, o mercado em Santa Catarina mudou bastante. “Hoje, vemos desde studios compactos até imóveis de alto padrão à beira-mar. Os apartamentos menores, bem localizados e com plantas práticas ganharam espaço, principalmente entre jovens, investidores e quem busca praticidade. Mas em cidades como Itajaí, o que mais cresce é o médio padrão — famílias que querem mais conforto e um bom custo-benefício. Já o alto padrão continua firme em mercados consolidados, como Balneário Camboriú e a Praia Brava, onde luxo e vista para o mar seguem muito valorizados”, comenta.
Ainda de acordo com Inthurn, o perfil dos compradores está cada vez mais diverso. “Santa Catarina foi o estado que mais recebeu novos moradores segundo o Censo de 2022, e isso ampliou muito a base de compradores. Tem gente vindo de todo o Brasil buscando mais segurança, qualidade de vida e oportunidade. Além disso, cresceu muito o número de investidores do agro, especialmente do Paraná, Santa Catarina e do Centro-Oeste, que veem no mercado imobiliário uma forma segura de diversificar o patrimônio. E claro, há também o cliente local que quer trocar de imóvel ou investir em uma segunda unidade”, destaca.
Desafios de lançar em Santa Catarina
Na opinião de Inthurn, os principais desafios hoje são a escassez de terrenos bem localizados, especialmente em cidades como Balneário Camboriú, a burocracia nos processos de licenciamento e o acesso ao funding, que está mais seletivo.
“O mercado financeiro tem sido criterioso na hora de alocar capital, e empresas com boa governança e histórico sólido têm se destacado, mantendo acesso às melhores condições de financiamento. Além disso, mantemos um landbank estruturado, com potencial para R$ 3,5 bilhões em lançamentos futuros, o que nos garante solidez e capacidade de crescimento consistente. Já a burocracia para aprovar um empreendimento, que envolve trâmites necessários, mas ainda falta agilidade, previsibilidade e mais uniformidade entre os municípios. Isso impacta diretamente o ritmo dos lançamentos. Mesmo assim, seguimos confiantes no potencial de expansão do setor em Santa Catarina”, pondera Inthurn.
Outros estados
Ainda de acordo com a pesquisa divulgada pela CBIC, na mesma comparação temporal, os 22 municípios pesquisados no Paraná passaram de 18.784 apartamentos lançados até o fim de março de 2021 para 29.958 em 2025 – elevação de 55,4% – e a vendas subiram 34,7%, indo de 22.378 a 30.156 unidades.
No Rio Grande do Sul, houve 3,87% mais lançamentos nos 21 municípios cujos dados foram analisados, indo de 18.111 para 18.812 imóveis colocados no mercado (no período de 12 meses encerrado no 1º trimestre de 2021) a 23.222 lançados no ciclo fechado no 1º trimestre de 2025. Já a venda de unidades cresceu 22%, indo de 19.038 para 23.222 apartamentos negociados.
Entrevistado
Fábio Inthurn, CEO da Lotisa Empreendimentos.
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