COP30 destaca NET Zero do cimento e da habitação

Na COP30, realizada em Belém (PA), cidades foram destacadas como protagonistas da agenda climática global, com relatório da SB COP propondo transformação estrutural em energia, saneamento, mobilidade e habitação resiliente. A indústria do cimento, por sua vez, apresentou seu Roadmap Net Zero até 2050 com foco em eficiência, inovação e soluções baseadas na natureza. A Caixa também lançou a Coalizão pela Habitação Net Zero 2050 para descarbonizar a cadeia habitacional brasileira.

Confira os destaques e soluções propostas durante o evento:

Cidades Sustentáveis

Na COP30, as cidades — responsáveis por mais de 80% das emissões de CO₂, que concentram 57% da população mundial — foram destacadas como protagonistas da agenda climática. O grupo de trabalho Cidades Sustentáveis da SB COP apresentou relatório que propõe transformação estrutural em três áreas prioritárias: energia, saneamento e água; mobilidade urbana e logística; e habitação e infraestrutura resiliente.

O documento recomenda planejamento urbano baseado em dados, incentivo à construção sustentável, reformas de edifícios e uso de tecnologias verdes, além de zoneamento estratégico e soluções baseadas na natureza. A habitação adequada é apontada como essencial para justiça climática.

A metodologia classifica cidades em três arquétipos:

Grupo Azul: baixa maturidade e alta complexidade, foco em serviços básicos.

Grupo Amarelo: maturidade média, foco em eficiência e planejamento integrado.

Grupo Verde: alta maturidade e baixa complexidade, capazes de liderar inovação e economia circular.

Painel discutiu Roadmap Net Zero da Indústria do Cimento Brasileira.
Crédito: ABCP/SNIC

“Cada cidade tem um ritmo e um ponto de partida. As de baixa maturidade precisam primeiro garantir o básico, como saneamento, mobilidade e energia, antes de avançar em tecnologias de ponta. O desafio é oferecer caminhos graduais, mas contínuos, para todas. Precisamos de rotas diferenciadas que respeitem as condições locais e ampliem o impacto social das políticas públicas”, afirmou Nilson Sarti, vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.

No relatório, o setor privado é visto como catalisador de investimentos sustentáveis e de empregos verdes, em parceria com governos e sociedade civil.

Indústria do cimento na COP30

 Durante a COP30, foi apresentado o Roadmap Net Zero da Indústria do Cimento Brasileira, documento elaborado pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

“A indústria brasileira do cimento tem uma longa trajetória de atuação em responsabilidade ambiental, social e econômica. Pouco depois de implementarmos o Roadmap de mitigação do setor em 2019, renovamos nosso compromisso com a descarbonização, lançando nossa proposta de neutralização de emissões até 2050. O novo Roadmap tem como base todo o ciclo de vida da cadeia do cimento apoiado no desenvolvimento de combustíveis e matérias-primas alternativas, eficiência energética, captura, estocagem e uso de carbono, além de Soluções baseadas na Natureza (SbN). Todo esse mapa do caminho incorpora fortemente tecnologia e inovação, com ativa participação da academia, agências de fomento e os diversos integrantes da cadeia da construção”, destacou Paulo Camillo Penna, presidente ABCP/SNIC.

O roadmap organiza a descarbonização em quatro pilares:

1. Reduções Diretas (30% do esforço total)

Envolvem emissões dentro da fábrica:

  • Clínquer - maior responsável por emissões (processo de calcinação).
  • Ações-chave:
    • Substituição de combustíveis fósseis por biomassa, resíduos urbanos (CDRU) e hidrogênio de baixa emissão.
    • Modernização dos fornos e aumento da eficiência térmica.

    • Redução do fator clínquer/cimento com aumento de adições, tais como: pozolanas, fíller calcário, escória, etc.

2. Reduções Indiretas (5%)

  • Ligadas à energia elétrica.
  • Meta: 100% eletricidade renovável até 2050.
  • Ganhos via eficiência energética e cogeração (WHR).

3. Desmaterialização (19%)

  • Construir com mais eficiência e melhorando desempenho.
  • Duas frentes:
    • Eficiência na produção do concreto (otimização de traços, redução de perdas no processo, uso de inteligência artificial).

    • Eficiência na construção (restruturação no planejamento e execução de obras, otimizar projetos, industrialização).

  • Tendência de migração do cimento ensacado para concreto industrializado.

4. Remoções e Compensações (46%)

Essenciais para neutralizar emissões residuais:

  • Recarbonatação natural do concreto (7%).
  • Soluções baseadas na natureza (SbN): reflorestamento, restauração.
  • CCUS (captura, utilização e estocagem de carbono) — necessário em larga escala pós-2040.
  • Metanização: contabilização das emissões de metano evitadas com uso de CDRU.

Além disso, o Roadmap também trouxe uma linha do tempo de transição para atingir o NetZero:

2020–2030 – Desenvolvimento

  • Modernização e eficiência industrial.
  • Ampliação do uso de combustíveis alternativos de baixa emissão.
  • Cimentos com menor fator clínquer.

2030–2040 – Preparação para o Net Zero

  • Desenvolvimento de soluções para hidrogênio.
  • Marco legal para SbN, reconhecimento da recarbonatação.
  • Projetos-piloto de CCUS.
  • Avanço em desmaterialização e eficiência energética.

2040–2050 – Neutralidade

  • Uso em larga escala de hidrogênio e CDRU.
  • CCUS implementado industrialmente.
  • Adoção de SbN respaldada por marcos regulatórios.

Coalizão Habitação Net Zero 2050

Caixa Econômica Federal lançou o programa Coalizão pela Habitação Net Zero 2050.
Crédito: Beatriz Lobo/Caixa

Durante a COP 30, a Caixa Econômica Federal lançou o programa Coalizão pela Habitação Net Zero 2050. O objetivo é descarbonizar a cadeia habitacional brasileira até 2050, em alinhamento com o Acordo de Paris, a Declaração de Chaillot e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

A Coalizão pela Habitação Net Zero 2050 promove a união entre governos, empresas, universidades e sociedade civil para desenvolver soluções de moradia sustentáveis e inclusivas. A iniciativa busca fortalecer políticas e práticas voltadas à neutralidade de carbono, inovação tecnológica, eficiência energética, habitação acessível e resiliência urbana, com base na cooperação multissetorial e na centralidade das pessoas.

A iniciativa se baseia em cinco pilares:

  • Mobilização e Aplicação de Recursos
  • Ecossistema de Habitação Sustentável
  • Cidades Sustentáveis e Resilientes
  • Suporte a Eventos Climáticos Extremos
  • Transição Climática Justa

Parcerias público-privadas

Para Yolanda Tanikawa, engenheira civil, o evento não é apenas um marco diplomático, mas uma oportunidade histórica para repensar como planejamos, financiamos e executamos infraestrutura pública. “Diante disso, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) e as Concessões podem se tornar instrumentos capazes de transformar metas climáticas em resultados concretos, viabilizando investimentos sustentáveis e impulsionando a inovação no setor”, afirma.

Outra sugestão de Yolanda é a criação de mecanismos de incentivo para operadores e concessionárias que superem metas ambientais. “Modelos contratuais podem prever critérios de desempenho atrelados à eficiência energética, ao reuso de água ou à redução comprovada de emissões de carbono. Assim, a sustentabilidade deixa de ser um requisito burocrático e passa a ser um diferencial competitivo que estimula inovação e excelência operacional”, recomenda. 

Yolanda ainda traz como exemplo a PPP realizada em São Paulo para construção de novas escolas públicas. “Ela incorporou requisitos de eficiência energética e materiais sustentáveis, evidenciando que é possível unir metas sociais e ambientais em um mesmo contrato. O mesmo se observa em projetos de iluminação pública, saneamento ambiental e gestão de resíduos, nos quais indicadores de sustentabilidade começam a influenciar diretamente os resultados e a remuneração dos parceiros privados”, opina.

Fontes

Yolanda Tanikawa é engenheira civil, especialista em PPPs e Concessões pela FESPSP - London School of Economics. Atua desde 2007 na Vizca Engenharia e Consultoria com foco em estruturação de projetos, modelagem e gerenciamento de empreendimentos públicos e privados.

Paulo Camillo Penna é presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Nilson Sarti, vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CBIC.

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Assessoria de imprensa Yolanda Tanikawa - gabriel.soares@mention.net.br

Assessoria de imprensa ABCP/SNIC - daniela.nogueira@fsb.com.br

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Desabamentos em edificações: como prever riscos e garantir a segurança estrutural

Os desabamentos continuam entre as ocorrências mais graves da construção civil, gerando impactos humanos, ambientais e econômicos que podem se estender por décadas. Embora estruturas bem projetadas apresentem, em condições normais, um risco extremamente baixo de falhas, esse cenário se altera significativamente diante de uso inadequado, erros de execução ou ausência de manutenção adequada.

Segundo o engenheiro Gilberto Luiz, especialista em patologia de obras, os desabamentos podem ocorrer sempre que o limite de resistência se iguala às solicitações, situação que representa o ponto de ruptura de qualquer sistema estrutural.

O engenheiro Henrique Palumbo, por sua vez, aponta para os sinais de alerta que muitas vezes aparecem antes do colapso. Trincas, recalques diferenciais, fissuras e corrosão de armaduras são alguns dos indícios de que a estrutura já apresenta manifestações patológicas relevantes. “A sobrecarga indevida, como adição de pavimentos sem reforço ou remoção de elementos estruturais em reformas, pode levar ao aumento excessivo das solicitações e comprometer a estabilidade global”, alerta.

Trincas, recalques diferenciais, fissuras e corrosão de armaduras são alguns dos indícios de que a estrutura já apresenta manifestações patológicas relevantes.
Crédito: Acervo Pessoal/Gilberto Luiz

As falhas de execução permanecem entre os fatores mais críticos, conforme destaca o engenheiro Gustavo Selig, CEO do Grupo Hestia. Ele reforça que nem mesmo um bom projeto é capaz de garantir segurança se a obra for mal executada, seja pelo uso de materiais inadequados, pela concretagem deficiente ou pela montagem incorreta das armaduras. “A falta de manutenção, somada a intervenções não acompanhadas por profissionais habilitados, completa o grupo de fatores que mais contribuem para desabamentos no Brasil”, aponta.


Como os riscos são calculados e controlados

A segurança estrutural é quantificada por métodos que buscam assegurar que as solicitações atuantes permaneçam sempre abaixo da capacidade resistente da estrutura. No Brasil, predomina o método determinístico, que estabelece margens de segurança por meio da majoração das cargas e da redução das resistências. “A segurança em projeto é alcançada a partir da administração prudente da diferença entre a resistência e a solicitação das estruturas, atendendo a critérios econômicos, sociais e culturais”, afirma Gilberto Luiz.

Há também metodologias mais recentes, como a análise probabilística, empregada em avaliações avançadas de confiabilidade. Selig observa que esse método representa o futuro, pois “permite uma avaliação mais precisa da probabilidade de falha, resultando em estruturas mais seguras e ao mesmo tempo mais econômicas”.

A etapa de projeto é determinante para o desempenho estrutural. Palumbo explica que é nesse momento que são definidos o sistema estrutural, a modelagem, o dimensionamento e o detalhamento de todos os elementos. Ele ressalta que a concepção preliminar envolve sondagem, definição das cargas atuantes e compatibilização com as demais áreas, além da emissão da ART que formaliza a responsabilidade técnica. Já na execução, o controle rigoroso da obra e o recebimento adequado de materiais garantem a conformidade com o projeto.

Para o engenheiro Sady Ivo Pezzi Júnior, especialista em gestão, engenharia e estratégia, os desabamentos são sempre resultado de uma cadeia de fatores que se acumulam ao longo do tempo. Ele reforça que a cultura da prevenção ainda precisa amadurecer no setor. “Os riscos de desabamento estão diretamente ligados ao não cumprimento dos projetos, às falhas de execução, ao uso de materiais fora das especificações e à ausência de manutenção periódica. São eventos evitáveis, desde que haja responsabilidade técnica em todas as fases, do estudo de solo à entrega da obra e manutenção ao longo dos anos”, informa.

No uso e operação, as inspeções periódicas são fundamentais. Palumbo recomenda intervalos de cinco anos para avaliações técnicas completas. Gilberto Luiz completa que o respeito ao manual do proprietário, às diretrizes da NBR 5674 e aos laudos necessários em reformas evita problemas cumulativos que, se ignorados, podem evoluir para colapso.

Normas, prevenção e os impactos de um colapso

As normas técnicas brasileiras desempenham papel fundamental na prevenção de desabamentos. Entre as principais referências estão a NBR 6118 para estruturas de concreto, a NBR 8800 para estruturas de aço e mistas, a NBR 7190 para estruturas de madeira e a NBR 6120 para cargas variáveis. Complementarmente, a NBR 8681 define critérios gerais de segurança, enquanto a NBR 15575 estabelece requisitos mínimo de desempenho das edificações habitacionais. São documentos que, quando seguidos rigorosamente, asseguram que a obra receba o tratamento técnico adequado desde a concepção até a manutenção. “Erros de projeto, embora menos frequentes devido ao avanço das normas técnicas e ao rigor dos profissionais envolvidos, ainda constituem uma ameaça potencial à segurança das construções. Equívocos na etapa de dimensionamento ou na consideração das cargas atuantes podem resultar em estruturas vulneráveis ao colapso”, informa Palumbo.

Os prejuízos decorrentes de um colapso estrutural atingem proporções amplas. Selig destaca que os impactos humanos são sempre os mais graves, com mortos, feridos e perdas emocionais profundas. Os danos financeiros também são expressivos. “Em 2023, o Brasil gastou mais de R$ 260 milhões apenas com prejuízos relacionados a desabamentos, sem considerar perdas indiretas como interdições, ações judiciais e desvalorização imobiliária”, avalia. Há também efeitos sobre a reputação de construtoras, profissionais e até de órgãos fiscalizadores.

Para Gilberto Luiz, um desabamento envolve prejuízos que podem incluir perdas de vidas, danos ambientais, financeiros e a perda de credibilidade dos construtores. Os especialistas concordam que a maior parte desses eventos poderia ser evitada com planejamento adequado, execução responsável e manutenção contínua.

Colapso pode ser evitado com planejamento adequado, execução responsável e manutenção contínua.
Crédito: Envato

Mais do que um problema técnico, o desabamento é um alerta sistêmico que reforça a necessidade de rigor, transparência e compromisso em todas as etapas da construção civil. Quando cada fase é conduzida com responsabilidade, os riscos são reduzidos e a segurança dos usuários é efetivamente preservada.

Entrevistados

Henrique Augusto Palumbo é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Georreferenciamento (UFPR), Engenharia Ambiental (UFAM), Engenharia de Segurança de Barragens (IDD), associado ao Comitê Brasileiro de Barragens.

Gustavo Selig é graduado em Engenharia Civil pela PUC-PR, mestre em Administração de Empresas e Negócios pela FGV-PR. Cofundador e presidente do Grupo Hestia, atuando há mais de 30 anos no mercado imobiliário paranaense.

Gilberto Luiz é graduado em Engenharia Civil pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), especialista em Patologia nas Obras Civis e Engenharia de Estruturas, diretor técnico da empresa Ad Fiducia Avaliações e Perícias de Engenharia, professor de cursos de pós-graduação e extensão na área de ensaios tecnológicos, inspeção de estruturas e perícias de engenharia, membro do Instituto Catarinense de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape/SC).

Sady Ivo Pezzi Júnior é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduação em Qualidade pelo Tecpar e MBA em Gestão de Marketing pela FAE. Reúne vasta experiência e especialização em áreas de negócios, comercial, marketing, finanças e estratégia. Atualmente, é Head Comercial e Marketing na Geplan Gerenciamento, professor e orientador de Pós-graduação em diversas universidades (PUC-PR, POSITIVO, UNINTER, ESIC, EBS, entre outras).

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Túnel Santos-Guarujá: como fazer a impermeabilização e proteção do concreto?

Em novembro, o Governo de São Paulo homologou e adjudicou a PPP do Túnel Imerso Santos–Guarujá, confirmando a Mota-Engil Latam Portugal S.A. como vencedora da licitação e encerrando o processo. Avaliado em R$ 6,8 bilhões — com R$ 5,1 bilhões de aportes públicos —, o projeto prevê a construção de um túnel de 870 metros sob o canal portuário, com três faixas por sentido, passagem para pedestres e ciclistas e galeria técnica. O contrato de 30 anos inclui também a operação e manutenção da infraestrutura.

Fase atual

A Cetesb emitiu a licença ambiental prévia, confirmando a viabilidade do túnel e permitindo o avanço do projeto, mediante cumprimento de condicionantes ambientais. A próxima etapa será a definição da área da doca de fabricação dos módulos de concreto, cuja produção deve iniciar em 2027. A montagem do túnel está prevista para 2030, com conclusão da obra e início da operação em 2031.

Uso de concreto

O túnel Santos/Guarujá será construído com o método de construção por módulos pré-moldados. De acordo com o Governo Federal, serão produzidos seis módulos de concreto armado em uma doca seca, que depois serão deslocados por flutuação até o canal e submersos no leito portuário. Cada módulo será equipado com câmaras de ar para o transporte e, posteriormente, instalado a 21 metros de profundidade com o apoio de sistemas hidráulicos. Todo o processo de imersão é acompanhado por sensores eletrônicos e demanda rigor absoluto de estanqueidade desde a etapa de fabricação.

Projeto do túnel submerso envolve desafios técnicos ligados à impermeabilização e à proteção do concreto em um ambiente marítimo.
Crédito: Governo de SP

Tecnologia avançada de impermeabilização e proteção do concreto

Devido à sua dimensão, o projeto envolve desafios técnicos ligados à impermeabilização e à proteção do concreto em um ambiente marítimo. O local de instalação do túnel está classificado como Classe IV de agressividade ambiental, segundo a NBR 6118:2014 — um nível que indica elevado potencial de deterioração por ação de cloretos e sulfatos. A exposição contínua à água do mar tende a acelerar a degradação do concreto e a corrosão das armaduras de aço, o que pode comprometer a durabilidade e o desempenho estrutural da obra ao longo dos anos.

“As estruturas que têm contato direto com o ambiente marinho estão entre as mais suscetíveis à deterioração por ataque de cloretos e sulfatos. Por isso, em projetos de túneis imersos, é indispensável pensar também na impermeabilização e proteção química das estruturas no longo prazo, já que as intervenções de manutenção e reparos podem ser mais difíceis, além da necessidade de interromper a operação do túnel para realizá-las. Por isso, utilizar uma tecnologia capaz de tornar a estrutura estanque e, ao mesmo tempo, garantir a autocicatrização de fissuras passivas de até 0,5 mm é fundamental”, explica Cláudio Ourives, engenheiro e CEO da Penetron Brasil. 

O engenheiro afirma que, neste caso, a propriedade autocicatrizante, adicionada por aditivo, no momento da construção dos módulos pré-moldados, oferece permeabilidade zero da estrutura e ainda melhora o desempenho da estanqueidade ao longo dos anos. “Ou seja, a impermeabilização da estrutura se torna cada vez melhor, em vez de diminuir com o passar do tempo, como ocorre com as soluções impermeabilizantes convencionais”, expõe Ourives.

Para o engenheiro, a solução ideal deve ser um aditivo para impermeabilização por cristalização integral autocicatrizante, adicionado diretamente ao concreto durante a produção nas docas secas. “O sistema funciona a partir de compostos químicos ativos que reagem com a umidade do concreto fresco e com os produtos da hidratação do cimento, formando uma estrutura cristalina insolúvel nos poros e capilares. Essa cristalização torna o concreto permanentemente selado contra a penetração de água e outros líquidos, mantendo-se ativa durante toda a vida útil da estrutura”, conclui.

Fonte

Cláudio Ourives é engenheiro e CEO da Penetron Brasil. 

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Paraná investe R$ 1,4 bi em pavimento rígido na região Central do Estado

O Governo do Paraná anunciou o investimento de cerca de R$ 1,44 bilhão a um conjunto de grandes intervenções que incluem duplicações, ampliações e restaurações em concreto em mais de 200 quilômetros de rodovias estaduais na região Central do Estado.

Ao todo são sete obras, duas ainda em fase de licitação, e o valor total deverá superar R$ 2 bilhões para modernizar quase 300 quilômetros de vias. Todas as intervenções adotam o whitetopping, técnica que aplica uma nova camada de concreto sobre o pavimento existente, aumentando a segurança dos usuários e oferecendo uma durabilidade até duas vezes maior que a de soluções tradicionais.

“Atualmente, cerca de 20% de toda a nossa malha está recebendo investimentos em infraestrutura, incluindo obras de ampliação de capacidade, duplicações, contornos e outras melhorias. É um grande orgulho afirmar que o Paraná é hoje o estado que mais realiza obras com esse tipo de estrutura. Temos diversos trechos em whitetopping, além de implantações e duplicações inteiras com pavimento rígido”, afirma Janice Soares, diretora técnica no Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR).

O processo começou na região Sudoeste, com a obra da PRC-280. “Inicialmente executamos 60 km de whitetopping em pista simples e, diante do sucesso, ampliamos a solução para toda a rodovia, totalizando 143 km já concluídos. Esse resultado levou o governo a expandir o uso do pavimento rígido para outras regiões”, explica Janice.

Após a intervenção entre Palmas e Pato Branco, o Governo decidiu realizar um investimento na região central, que possui um dos menores IDHs do estado. “Foi uma decisão do governador Ratinho direcionar recursos para melhorar a infraestrutura e impulsionar o desenvolvimento local. Nesse trecho, estamos executando 80 km de duplicação da PRC-466, de Guarapuava a Pitanga, divididos em três lotes, com pavimento rígido na pista nova e whitetopping na pista existente”, destaca a diretora técnica do DER.

Confira quais são as obras programadas para a região central do estado por rodovia, de acordo como DER/PR:

Todas as obras na região central do Paraná adotam o whitetopping.
Crédito: Ricardo Ribeiro / Agência de Notícias do Governo do Estado do Paraná

PRC-466 

Guarapuava - Palmeirinha 

Em novembro de 2025, a duplicação e restauração em concreto dos 11,52 km da PRC-466 entre Palmeirinha e Guarapuava já alcançou 73,76% de execução. De acordo com o Governo do Estado do Paraná, a obra deve ser entregue no primeiro semestre de 2026, com investimento de R$ 139,7 milhões. Os serviços mais adiantados são a melhoria do pavimento asfáltico existente e a terraplenagem da nova pista, enquanto o pavimento rígido de concreto avança nas duas faixas, utilizando whitetopping sobre o asfalto recuperado. Mais da metade da sinalização já foi implantada, junto com drenagem, iluminação e outros serviços, e a nova ponte sobre o Rio Coutinho já está concluída.

Palmeirinha – Turvo

A obra de duplicação em concreto da PRC-466, no trecho que liga Turvo ao distrito de Palmeirinha, em Guarapuava, abrange 27,02 quilômetros e recebe investimento de R$ 293,75 milhões. O projeto inclui também a recuperação da pista atual com pavimento rígido, a construção de dois viadutos e a edificação de uma nova ponte sobre o Rio Turvo.

Turvo – Pitanga

No final de outubro de 2025, o DER/PR alcançou 5,46% de execução da duplicação em concreto da PRC-466 entre Pitanga e Turvo, em um trecho de 45,5 quilômetros e investimento de R$ 514,2 milhões, com entrega prevista para 2027. As frentes de trabalho incluem terraplenagem, drenagem e a construção de um grande viaduto no entroncamento com a PR-239 e PR-460. A obra também contempla restauração da pista atual pelo método whitetopping, dois novos viadutos adicionais, uma passarela para pedestres em Pitanga e novas pontes sobre os rios Carazinho e Bonito.

Pitanga - Manoel Ribas 

Em outubro de 2025, o DER/PR homologou a licitação para restaurar e ampliar em concreto 43,05 km da PRC-466 entre Manoel Ribas e Pitanga, investimento de R$ 231,6 milhões. As obras incluem restauração total da pista com técnica whitetopping, faixas adicionais em trechos críticos, dois viadutos em desnível (em Manoel Ribas e Pitanga), melhorias de acessos – incluindo a subestação de Furnas – além de novos sistemas de drenagem, sinalização e dispositivos de segurança.

Manoel Ribas – Lidianópolis

No dia 18 de novembro, o DER/PR divulgou o resultado final da licitação para a restauração e ampliação em concreto da PRC-466, entre Lidianópolis e Manoel Ribas, em 51,86 quilômetros, confirmando como vencedor o Consórcio Construtor PR-466 – Porto Ubá, com proposta de R$ 558,59 milhões. Após a homologação, seguirá a formalização do contrato para uma obra que inclui restauração em whitetopping, 15,9 km de duplicação, 17,18 km de terceiras faixas, acostamentos, vias marginais, seis novos viadutos e o alargamento da ponte sobre o Rio Ivaí. O projeto contempla ainda rotatórias, retornos, iluminação, drenagem e sinalização.

PRC-272

Lidianópolis - Mauá da Serra

A intervenção mais extensa é a recuperação dos 54,8 quilômetros da PRC-272 entre Lidianópolis e Mauá da Serra, onde todo o trecho, incluindo acostamentos e terceiras faixas, receberá whitetopping. O projeto prevê ainda três viadutos — em Faxinal, Cruzmaltina e no acesso a Borrazópolis — além de cinco rotatórias alongadas. A obra também inclui a modernização da drenagem, nova iluminação e a instalação de dispositivos de segurança.

Rodovias PRC-487 e PR-460

O DER/PR também contratou a restauração em concreto das rodovias PRC-487 e PR-460, no trecho que liga Pitanga a Nova Tebas, no sentido oposto às demais obras. Com investimento de R$ 267,8 milhões e prazo de 27 meses, a intervenção abrangerá 51,52 quilômetros. O projeto inclui ainda a construção de terceiras faixas nos pontos de maior demanda e acostamentos, todos em pavimento rígido.

Fonte

Janice Kazmierczak Soares é graduada em Engenheira Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduada em Infraestrutura de Transportes pela Universidade Paulista (UNIP) e em Obras Públicas pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atualmente, é diretora técnica do DER/PR.

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comunicacao@der.pr.gov.br (Assessoria de Imprensa)

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Mercado imobiliário avança em lançamentos no 3º trimestre mesmo sob pressão dos juros

O terceiro trimestre de 2025 confirmou a força de um mercado imobiliário que segue avançando, mesmo enfrentando um dos ambientes macroeconômicos mais desafiadores dos últimos anos, especialmente no que diz respeito à taxa de juros. A avaliação é de Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, que apresentou os dados nacionais do setor residencial vertical em coletiva promovida pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Mesmo diante de um cenário marcado por juros de 15% ao ano, Petrucci ressalta que o comportamento do mercado surpreende. “O mercado se mostra extremamente resiliente, apesar de todas as adversidades macroeconômicas”, afirmou. Ele lembrou, contudo, que a taxa de juros é um inibidor muito grande de uma expansão ainda maior, especialmente no segmento de classe média.

Lançamentos seguem em ritmo forte

O trimestre registrou crescimento de lançamentos na comparação com o trimestre anterior e com o mesmo período de 2024. No acumulado dos nove primeiros meses de 2025, foram 307 mil unidades lançadas, e em 12 meses o total chegou a 433 mil unidades. Petrucci destacou o salto histórico do setor: “Há poucos anos acumulávamos menos de 250 mil unidades lançadas. Hoje passamos de 430 mil. É um crescimento significativo e constante”, observa. Os valores também impressionam: só no terceiro trimestre foram R$ 68 bilhões lançados, e o acumulado de 12 meses atingiu R$ 280 bilhões.

Indicadores mostram que as vendas ficaram abaixo dos lançamentos.
Crédito: Envato

O volume vendido mantém patamar elevado, com cerca de 105 mil unidades por trimestre, mas o setor já percebe os primeiros sinais da pressão do crédito caro. As vendas do terceiro trimestre caíram 4,2% frente ao trimestre anterior e 6,5% ante o mesmo período de 2024. Além disso, pela primeira vez, o número de unidades lançadas superou o de unidades vendidas no acumulado de 12 meses. “É a primeira vez que apresentamos indicadores em que as vendas ficam abaixo dos lançamentos”, aponta Petrucci.

A desaceleração ocorre, principalmente, no segmento de classe média, entre R$ 350 mil e R$ 2 milhões. “É nesse público que sentimos a inversão na tendência de velocidade de vendas, especialmente no Sudeste”, explica.

Minha Casa, Minha Vida mantém tração e ganha recursos

Enquanto a classe média sente mais o peso dos juros, o programa Minha Casa, Minha Vida continua sendo o motor do mercado. Nos nove primeiros meses do ano, os lançamentos cresceram 7,9% e as vendas saltaram 15,5%.

A oferta final do programa permanece baixa e o escoamento é mais rápido, em torno de sete meses, contra quase nove meses no mercado geral. “O Minha Casa, Minha Vida continua muito mais aderente que os demais padrões”, destaca. Ele cita ainda o orçamento robusto aprovado para 2026: R$ 144,5 bilhões para habitação e R$ 12,5 bilhões em subsídios. “Temos preservação dos recursos, o que garante continuidade e segurança ao programa”, afirmou.

Intenção de compra em alta indica confiança do consumidor

Mesmo com juros elevados, o desejo de comprar imóvel permanece entre os maiores da série histórica. Levantamento realizado pela Brain Inteligência mostra que 48% das famílias pretendem adquirir um imóvel nos próximos meses, e 6% já estão visitando unidades. Isso é equivalente a 2,6 milhões de famílias prontas para fechar negócio em até 12 meses.

Para Petrucci, isso confirma o comportamento observado. “A empregabilidade e o aumento de renda têm levado as famílias a olharem muito mais para sua realidade do que para o cenário macroeconômico”, conclui.

Fonte
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

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Concreto lapidado ganha espaço na construção civil e se consolida como solução de desempenho e sustentabilidade

A busca por soluções construtivas mais duráveis, sustentáveis e esteticamente qualificadas tem impulsionado a adoção do concreto lapidado em obras de diferentes portes no Brasil. O material, que combina desempenho técnico e apelo arquitetônico, tem se destacado como alternativa a revestimentos tradicionais, sobretudo em edificações que priorizam manutenção reduzida e longa vida útil.

De acordo com pesquisa recente desenvolvida pelos engenheiros Nereu Teixeira Rodrigues Takeda e Hinoel Ehrenbring, o concreto lapidado não apenas entrega ganhos estéticos perceptíveis, como também amplia significativamente o desempenho da superfície. O estudo analisou diferentes níveis de lapidação abrasiva e trouxe resultados consistentes sobre resistência, durabilidade e comportamento químico.

O que é concreto lapidado

Combinação de desempenho técnico, menor impacto ambiental e acabamento arquitetônico coloca a lapidação entre as técnicas mais versáteis da engenharia contemporânea.
Crédito: Arquivo Pessoal.

O processo de lapidação pode ser descrito como um polimento técnico, capaz de transformar a superfície do concreto após o endurecimento. O engenheiro Nereu Takeda explica que “O concreto lapidado é o termo dado a uma peça de concreto com a superfície tratada por meio de máquinas politrizes com discos diamantados de diversas granulometrias. Esse tratamento regulariza e sela a peça, podendo ou não gerar brilho, sem a necessidade de revestimentos adicionais”.

Além do acabamento uniforme e da valorização da textura original, a técnica reduz a necessidade de materiais complementares, como cerâmicas, porcelanatos ou resinas, contribuindo para uma obra mais econômica e ambientalmente responsável.

Avanços em resistência e durabilidade

A pesquisa realizada pelos dois especialistas analisou como diferentes níveis de lapidação afetam características fundamentais do concreto. Segundo Takeda, os resultados em resistência, desempenho e durabilidade foram bastante satisfatórios. “Conforme o aumento da granulometria dos abrasivos, observou-se melhora na resistência à abrasão, ao manchamento, ao ataque químico, além de ganho de dureza e redução de rugosidade”, enumera.

Esses avanços resultam em superfícies mais robustas e menos suscetíveis ao desgaste diário, o que pode reduzir ciclos de manutenção e aumentar a vida útil dos pavimentos. O estudo também avaliou brilho, rugosidade e dureza superficial, consolidando a lapidação como processo eficiente de qualificação do concreto.

O professor Hinoel Ehrenbring destaca que a pesquisa contribui diretamente para o avanço tecnológico do setor. Segundo ele, “a importância está tanto nos ganhos estéticos quanto na durabilidade e nas propriedades mecânicas e químicas, que tornam o concreto lapidado uma solução competitiva para diferentes tipos de obras”.

Sustentabilidade como diferencial

Pesquisa avaliou resultados em resistência, desempenho e durabilidade do concreto lapidado.
Crédito: Arquivo Pessoal.

Além de melhorar o desempenho técnico, o concreto lapidado tem um papel relevante na agenda ambiental da construção civil. Takeda ressalta: “A lapidação traz benefícios ao meio ambiente, reduzindo a extração de rochas ornamentais e a aplicação de revestimentos cerâmicos e porcelanatos”.

Ao reduzir etapas de revestimento, elimina-se também a necessidade de argamassas, rejuntes e placas de revestimento final,elementos que historicamente elevam o impacto ambiental do setor,tanto pelas emissões associadas à sua produção, quanto pela geração de resíduos em eventuais processos de reforma e descarte.

Uma solução em expansão

Com resultados experimentais positivos e crescente valorização estética, o concreto lapidado tende a ganhar ainda mais espaço no mercado brasileiro. Sua aplicação é especialmente vantajosa em edificações corporativas, residenciais de alto padrão, obras industriais e espaços comerciais que exigem resistência intensa ao tráfego. Para Ehrenbring, o caminho é promissor: a combinação de desempenho técnico, menor impacto ambiental e acabamento arquitetônico coloca a lapidação entre as técnicas mais versáteis da engenharia contemporânea.

Entrevistados

Nereu Teixeira Rodrigues Takeda é graduado em Engenharia Civil pela Faculdade Politécnica Unisinos (Rio Grande do Sul), mestre no campo Gerenciamento de Resíduos pelo PPGEC Universidade Unisinos Rio Grande do Sul e sócio-diretor da Construtora Takeda Engenharia e Construção.

Hinoel Ehrenbring é graduado em Engenharia Civil pela Faculdade Politécnica Unisinos (Rio Grande do Sul), doutor em Engenharia Civil, professor do curso de graduação de Engenharia Civil da Unisinos, responsável técnico do itt Performance, diretor regional do IBRACON-RS e autor de livros e artigos relacionados à tecnologia do concreto.

Contatos
nereu.takeda@takedaengenharia.com.br

hzamis@unisinos.br

Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Indústria do cimento prevê crescimento entre 2,0% e 3,0% para 2025

Em setembro de 2025, o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) divulgou a projeção de crescimento de 2,0% no consumo do produto em 2025. Em outubro, a entidade destacou que esse crescimento deve ficar entre 2,0% e 3,0%. Em julho de 2025, a projeção era de um crescimento de 2,1% para o ano. Em março deste ano, a expectativa era de um crescimento de 1%.

As vendas de cimento atingiram 6,3 milhões de toneladas em outubro, resultado que representa um avanço de 7,1% em comparação com o mesmo mês de 2024, de acordo com dados do SNIC.

No acumulado de janeiro a outubro, o setor registrou 56,6 milhões de toneladas comercializadas, alta de 3,5% frente ao mesmo período do ano anterior.

Outro dado apresentado pelo SNIC é o volume médio vendido por dia útil. Em outubro, foram comercializadas 252,3 mil toneladas/dia, aumento de 5,0% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, observa-se um crescimento de 4,0% em comparação ao mesmo período de 2024.

Para Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC, a indústria do cimento demonstra resiliência ao manter uma performance positiva, sob uma base de recuperação de vendas iniciada em 2024. “Contudo, o aumento das incertezas na economia cria um ambiente de cautela. Nossas projeções para 2025 refletem essa moderação, mas o foco em habitação social (MCMV) e soluções de infraestrutura sustentáveis, como o pavimento de concreto, são vetores cruciais que continuarão a contribuir com o consumo e o desenvolvimento econômico, social e ambiental do país”, ponderou.

No acumulado de janeiro a outubro, o setor registrou a comercialização de 56,6 milhões de toneladas de cimento.
Crédito: Divulgação Itambé

Vendas por região

Em outubro de 2025, todas as regiões apresentaram crescimento, com destaque para o Norte e o Nordeste que, ao comparar com outubro de 2024, tiveram um aumento de 17,3% e 12,1% respectivamente. Vale lembrar que, em 2025, o governo federal destinou mais de R$ 4 bilhões em obras para a COP30, que aconteceu no Pará.  As intervenções incluíram a modernização do aeroporto, do terminal hidroviário e do complexo Ver-o-Peso, drenagem de canais, reestruturação de parques e melhorias na mobilidade urbana.

No acumulado do ano (de janeiro a outubro), todas regiões apresentaram crescimento quando o resultado é comparado com o mesmo período de 2024. O Nordeste se destaca novamente, com crescimento de 7,1%.

Fatores positivos: mercado de trabalho aquecido

Um dos fatores que contribuiu positivamente para o crescimento, foi a queda da taxa de desemprego para o menor nível recente (a taxa segue no menor patamar da série histórica, que iniciou em 2012) — 5,6% em setembro — acompanhada de recordes na população ocupada nos postos com carteira assinada e massa salarial chegando a 102,4 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), do FGV Ibre, o indicador registrou alta de 1,3 ponto em novembro, atingindo 89,8 pontos — o maior patamar desde dezembro de 2024 — impulsionado pela melhora no mercado de trabalho e pela desaceleração da inflação.

Desafios para a indústria do cimento

A incerteza macroeconômica tem afetado diretamente o setor da construção, que adotou uma postura mais pessimista no terceiro trimestre. Segundo a Sondagem da Construção, realizada pelo FGV IBRE – Instituto Brasileiro de Economia, o Índice de Confiança da Construção subiu 0,7 ponto em setembro, para 92,3 pontos. Entretanto, caiu 0,7 ponto em outubro, fechando o mês em 91,6 pontos. Este aumento observado em setembro veio após dois meses seguidos de retração. Em novembro, o índice voltou a subir 1,0 ponto, para 92,6 pontos, maior nível desde julho deste ano (92,7 pontos). Na média móvel trimestral, o índice avançou 0,4 ponto.

“De fato, a sondagem de outubro não captou qualquer mudança positiva na percepção das empresas. Assim, o Índice de confiança retornou ao patamar de agosto, puxado pelas expectativas que não sustentaram o crescimento do mês anterior. Na comparação com setembro, o sinal positivo veio do indicador de evolução recente da atividade, que engatou duas melhoras consecutivas, sugerindo retomada. Mas, em relação ao início do ano, houve redução do ritmo de crescimento. Em novembro, a recuperação da confiança foi bem disseminada entre os principais segmentos setoriais, ainda assim, insuficiente para recuperar o patamar do início do ano. Pode-se dizer que, na média, as empresas permaneceram acusando um pessimismo moderado. O indicador de Evolução Recente continuou a trajetória de recuperação, alcançando o melhor resultado desde março, quando iniciou o movimento recente de queda. Ou seja, nos últimos meses do ano, o setor voltou a ganhar ritmo e projeta também aumento da demanda por mão de obra nos próximos meses”, observou Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE.

De acordo com a Sondagem da Construção Civil, a melhora das expectativas foi alavancada pelos segmentos de Infraestrutura e Serviços Especializados, que também indicaram maior intenção de contratar trabalhadores nos próximos meses. Na avaliação de Ana Maria, o segmento de Serviços é o mais intensivo em mão de obra dentro da construção e o que já apresenta maiores dificuldades em contratar trabalhadores qualificados. “Portanto, a retomada do crescimento significa também um mercado de trabalho mais estressado e custos pressionados,” declara Ana Castelo.

Outro desafio para a indústria da construção civil e, consequentemente, do cimento, é a Selic elevada, que pressiona o setor ao tornar os investimentos financeiros mais atrativos do que os imobiliários.

No terceiro trimestre de 2025, os lançamentos imobiliários tiveram leve crescimento de 1,6% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionados sobretudo pelo Sudeste, onde a alta foi de 13,1%. Já as vendas sentiram mais fortemente o impacto dos juros elevados: apesar de permanecerem acima de 100 mil unidades, caíram 6,5% na comparação anual. As únicas exceções foram as Regiões Norte e Sul, que registraram aumentos de 46,7% e 1,3%. O programa Minha Casa, Minha Vida também apresentou queda nas vendas, embora mantenha participação expressiva de 44% no total comercializado, com destaque para o Norte (61% das vendas) e o Sudeste (54%).

Fontes

Paulo Camillo Penna é presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Ana Maria Castelo é coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE.

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SNIC - daniela.nogueira@fsb.com.brAna Maria Castelo - assessoria.fgv@insightnet.com.br

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Marina Pastore – DRT 48378/SP 
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Programa Reforma Casa Brasil deve disponibilizar R$ 40 bilhões

No dia 3 de novembro, entrou em vigor o novo programa habitacional do Governo Federal, o Reforma Casa Brasil. Ele tem como objetivo facilitar o acesso a crédito com juros baixos para reformas, ampliações e adequações de moradias em todo o país.

Dentro do programa, serão disponibilizados R$ 40 bilhões para ações como
pequenas instalações ou trocas, serviços elétricos e hidráulicos, correção e prevenção de infiltrações, troca de pisos e azulejos, reboco e pintura, entre outros.

Como funciona o Programa Reforma Casa Brasil?

Segundo o Governo Federal, o programa contará com R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal destinados a linhas de crédito para famílias com renda mensal de até R$ 9.600,00. Já a Caixa Econômica Federal reservará R$ 10 bilhões do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para atender famílias com rendimentos acima desse valor. No total, o volume de crédito disponibilizado será de R$ 40 bilhões.

O programa foi estruturado em três faixas de renda familiar mensal:

  • Até R$ 3.200,00 – juros de 1,17% ao mês, com prazo de financiamento de até 60 meses.
  • De R$ 3.200,01 a R$ 9.600,00 – juros de 1,95% ao mês, também com prazo máximo de 60 meses.
  • Acima de R$ 9.600,00– juros limitados a 1,95% ao mês, podendo ser menor dependendo da análise de crédito e prazo de até 180 meses.

O crédito é destinado a imóveis residenciais, mas também pode abranger propriedades de uso misto, que conciliem funções residenciais e comerciais. Os recursos poderão ser aplicados na compra de materiais, no pagamento de mão de obra e na contratação de serviços técnicos. O programa tem como foco famílias que vivem em moradias com problemas estruturais, como telhados danificados, pisos deteriorados, instalações elétricas ou hidráulicas precárias, além de situações que demandem melhorias de acessibilidade ou ampliação dos espaços.

Os recursos poderão ser aplicados na compra de materiais, no pagamento de mão de obra e na contratação de serviços técnicos.
Crédito: Envato

O crédito será liberado em duas etapas: após a análise de crédito e envio de fotos comprobatórias do “antes”, feita pelo aplicativo da Caixa, a família aprovada receberá 90% do valor solicitado diretamente na conta bancária. Os 10% restantes serão pagos após a conclusão da obra, mediante o envio de fotos que comprovem a finalização dos serviços. A adesão ao programa será totalmente digital e simplificada, podendo ser feita pelo site ou aplicativo da Caixa Econômica Federal. Embora não seja necessário comparecer a uma agência, o interessado também poderá solicitar o crédito presencialmente. Durante o processo, o beneficiário passará por análise de crédito e deverá informar detalhes da reforma ou melhoria pretendida.

Impactos do Programa Reforma Casa Brasil

A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) divulgou o estudo “Perfil da Cadeia Produtiva da Construção – 2025”, realizado pela Consultoria Ecconit, que mostra a forte contribuição do setor para o PIB: em 2024, a cadeia da construção cresceu 4,4%, acima da média nacional, impulsionada pelo mercado de materiais, que movimentou R$ 318,6 bilhões. O setor também gerou 809 mil novos empregos. Em 2025, após um início de ano positivo, houve desaceleração por causa do endividamento das famílias e do alto custo do crédito, levando a projeções modestas para 2025, com crescimento estimado de apenas 0,5%.

Para 2026, porém, as perspectivas melhoram com o Programa Reforma Casa Brasil. "O programa representa uma mudança importante no cenário que vínhamos observando. Dos R$ 40 bilhões disponibilizados, estimamos que R$ 35,2 bilhões se transformem em demanda para fornecedores em geral, e deste total, R$ 12,3 bilhões devem chegar especificamente à indústria de materiais de construção", explica a economista Ana Maria Castelo, responsável pelo estudo.

O impacto inicial deve ocorrer nos distribuidores, que reforçarão estoques. A consultoria projeta crescimento entre 0,9% e 2,9% para o setor em 2026, dependendo da execução do programa.

Apesar do otimismo, a ABRAMAT aponta desafios que podem limitar os resultados: a falta de mão de obra qualificada — com custos quase 10% acima da inflação — e a necessidade de garantir a conformidade dos materiais financiados. 

“É crucial que a indústria e o varejo se mobilizem para ajudar a suprir essa demanda por mão de obra e se mantenham vigilantes em relação à conformidade dos produtos adquiridos com o crédito governamental. O sucesso do programa depende disso", conclui Paulo Engler, presidente executivo da ABRAMAT.

Fontes

Paulo Engler é presidente executivo da ABRAMAT.

Ana Maria Castelo é coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre.

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ABRAMAT – Assessoria de imprensa - camilabarbieri@a4eholofote.com.br

Ana Maria Castelo - ana.castelo@fgv.br

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Concretos que “sentem”: pesquisa desenvolve tecnologia para construções mais seguras e resilientes

Em um cenário em que o país convive com envelhecimento de edificações, manutenção insuficiente e eventos extremos, como incêndios e desastres naturais, garantir a segurança estrutural de construções é um desafio crescente. Foi diante desse contexto que o engenheiro civil Gustavo Henrique Nalon, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), desenvolveu uma pesquisa inovadora que propõe materiais cimentícios inteligentes aplicáveis à alvenaria estrutural de concreto, conhecidos como componentes de alvenaria autossensores.

“Esses materiais têm a habilidade intrínseca de perceber e quantificar tensões, deformações e vibrações estruturais por meio de alterações em suas propriedades elétricas, podendo atuar em conjunto ou em substituição a sensores convencionais”, explica Nalon. Isso significa que as construções passam a “sentir” quando algo está errado, abrindo caminho para edificações mais seguras e sustentáveis.

Ensaios mecânicos de elementos de alvenaria desenvolvidos no Laboratório de Ensaios Mecânicos da Universidade Federal de Viçosa.
Crédito: Arquivo Pessoal

A pesquisa, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFV (PPGEC), contou com a orientação do professor José Carlos Ribeiro e coorientação de pesquisadores das áreas de estruturas, materiais de construção e física aplicada da UFV e da UFMG. Essa abordagem interdisciplinar uniu engenharia estrutural, nanotecnologia e ciência dos materiais para desenvolver uma solução pioneira de monitoramento estrutural.

Blocos e argamassas que se “autodiagnosticam”

A tese de Nalon concentrou-se na invenção de blocos vazados de concreto e juntas de alvenaria nanomodificados, capazes de automonitorar tensões, deformações e danos antes e após situações críticas, como exposição a elevadas temperaturas e processos de reidratação pós-incêndio.

Segundo o pesquisador, o princípio é simples, mas poderoso. “As adições de nanopartículas condutivas, como o carbon black, permitem que o concreto responda eletricamente a deformações mecânicas. Assim, a estrutura não apenas suporta o carregamento, mas também funciona como um sensor para diagnóstico do desempenho mecânico em tempo real”, assinala.

O comportamento piezoresistivo, caracterizado por variações de resistência elétrica resultantes de deformações, viabiliza um sistema de monitoramento contínuo, durável e de baixo custo, substituindo sensores externos caros e suscetíveis a falhas no longo prazo.

Superando limitações e ampliando possibilidades

Os sistemas tradicionais de Structural Health Monitoring (SHM), que utilizam extensômetros, acelerômetros ou sensores de fibra óptica, podem apresentar diferentes limitações, como alto custo, dificuldade de instalação e baixa durabilidade. Já os componentes autossensores integram material e monitoramento, permitindo o acompanhamento do desempenho estrutural ao longo da vida útil da construção. “As vantagens vão desde a detecção precoce de falhas até a adoção de estratégias de manutenção preventiva, prolongando a durabilidade das edificações e reduzindo custos de reparo”, destaca Nalon.

Gustavo Henrique Nalon venceu Prêmio CAPES de Tese 2025 da área de Engenharias I com pesquisa sobre blocos e argamassas autossensores.
Crédito: Arquivo Pessoal

Além disso, os blocos e argamassas autossensores são compatíveis com o próprio concreto das estruturas, o que facilita sua aplicação em projetos novos e em estruturas já existentes. Outro diferencial é o uso de adições condutivas de baixo custo, como o negro de fumo condutivo, que possibilita a produção em escala. “Isso torna a tecnologia economicamente viável, sem abrir mão do desempenho e da precisão”, acrescenta o engenheiro.

Impactos sociais, econômicos e ambientais

A pesquisa, vencedora do Prêmio CAPES de Tese na área de Engenharia I, também se destaca pelos impactos que pode gerar em diferentes dimensões. No campo social, os novos componentes de alvenaria poderão aumentar a segurança de edificações, pontes e reservatórios, reduzindo riscos de acidentes. Economicamente, a tecnologia reduz gastos com manutenção e substituição de elementos degradados, além de prolongar a vida útil das construções.

Já sob o aspecto ambiental, o uso desses materiais pode evitar demolições desnecessárias e o consumo excessivo de novos recursos naturais, uma vez que permite reabilitar estruturas comprometidas. “Ao favorecer a recuperação de construções afetadas por incêndios, contribuímos para uma construção civil mais sustentável e menos intensiva em carbono”, afirma o pesquisador.

Para Nalon, o avanço representa um passo para a inovação tecnológica e mudanças de paradigma na construção civil. “Estamos caminhando para uma engenharia capaz de unir inteligência, resiliência e sustentabilidade. As construções do futuro serão, ao mesmo tempo, estruturas e sensores, reproduzindo princípios biomiméticos que definem o modo como a natureza sente e reage ao seu entorno”, conclui.

Entrevistado

Gustavo Henrique Nalon é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Viçosa, graduação-sanduíche em Engenharia Civil na University of Evansville (EUA), mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Viçosa e doutor em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Viçosa. Atualmente é professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PEC) da UFJF. Recebeu o Prêmio CAPES de Tese 2025 da área de Engenharias I pelo trabalho “Self-sensing concrete blocks and mortar joints for health monitoring of structural masonry before and after exposure to high temperatures”.

Contato
gustavo.nalon@ufjf.br

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Ana Carvalho
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Tendência: student housing ganha força no Brasil e inaugura nova era de moradias universitárias

O déficit de moradias voltadas ao público universitário tornou-se um dos motores mais relevantes do mercado imobiliário brasileiro. O país ultrapassou 5 milhões de estudantes presenciais, sendo 1,5 milhão migrantes, segundo dados apresentados pela Brain. Ainda assim, a oferta de unidades estruturadas para esse público é mínima: apenas 4.100 camas formais em todo o território nacional. O contraste com mercados mais maduros é evidente. No Reino Unido, são quase 590 mil leitos estudantis; na França e Alemanha, 242 mil e 234 mil, respectivamente.

O movimento coincide com uma mudança importante no perfil do ensino superior. Após anos de avanço acelerado, o Ensino a Distância (EAD) desacelerou: entre 2023 e 2024, o crescimento foi de 5,6%, bem abaixo dos 13,4% registrados no período anterior. As restrições do MEC para áreas como saúde, psicologia e licenciaturas ampliam a permanência física nos campi e, com isso, a urgência por habitação. Globalmente, o setor acompanha trajetória semelhante. O mercado de student housing movimentou US$ 12,7 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 19,6 bilhões até 2033.

Salas de estudo, coworking, cozinhas comunitárias e áreas esportivas compõem a infraestrutura que diferencia o modelo.
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O que é student housing: modelo exclusivo para a vida universitária

Com a necessidade de maior presença física nos campi, a demanda por moradias especializadas tende a aumentar. Para Marcos Kahtalian, vice-presidente de Banco de Dados do Sinduscon-PR, esse cenário reforça a urgência por soluções dedicadas. “O student housing é um tipo de empreendimento no qual todas as unidades são voltadas exclusivamente à moradia estudantil. Ele não pode ter outra destinação”, afirma.

A explicação ajuda a diferenciar esse modelo do mercado tradicional. Kahtalian destaca que, ao contrário de prédios de estúdios e quitinetes, o student housing tem uma lógica própria. “Diferentemente de um prédio de quitinetes, que pode ter todo tipo de morador ou até mesmo hospedagem temporária, o student housing é 100% voltado ao estudante”.

Além disso, a localização é essencial. “Esses empreendimentos normalmente estão muito próximos das universidades. A ideia de o estudante ir a pé para a faculdade é central”, afirma. O modelo também opera com gestão profissionalizada, exigindo operação contínua e especializada. “Não basta construir. É preciso operar o empreendimento e prestar serviços aos alunos que ali vivem”, observa Kahtalian.

Um modelo pensado para a rotina acadêmica

O student housing ultrapassa o conceito de moradia compacta. Trata-se de um projeto concebido desde o início para promover integração, segurança e suporte acadêmico. A operação profissional centraliza contratos, padroniza pagamentos e otimiza ocupação, muitas vezes por meio de aluguel por leito, o que reduz custos para as famílias. Salas de estudo, coworking, cozinhas comunitárias e áreas esportivas compõem a infraestrutura que diferencia o modelo. “Esses empreendimentos atendem às necessidades reais do estudante, garantindo segurança, localização estratégica e ambiente acolhedor”, explica Gabriel Falavina Dias, diretor-executivo da incorporadora ALTMA.

Student housing não apenas se consolida como tendência, mas inaugura um novo capítulo na moradia urbana.
Crédito: Divulgação

Estúdios x student housing: diferenças fundamentais

Enquanto os estúdios tradicionais podem receber moradores de perfis diversos, como jovens profissionais, casais e turistas, o student housing é exclusivo para universitários. Isso se reflete em três pilares:

* Destinação exclusivamente estudantil: a ocupação é restrita a estudantes.

* Operação unificada e especializada: contratos digitais, gestão centralizada e serviços contínuos.

* Infraestrutura acadêmica e de convivência: ambientes de estudo, apoio ao desempenho acadêmico e estímulo à vida comunitária.

No país, o modelo começa a ganhar corpo. Pioneira na incorporação de student housing, a ALTMA lançou o B41 e, mais recentemente, apresentou o Hive, ambos ao lado de uma das maiores universidades de Curitiba, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O B41 teve 100% das unidades vendidas poucas horas após o lançamento, sinalizando demanda reprimida em centros universitários.

O Hive soma 131 unidades mobiliadas e equipadas, com áreas de estudo, cozinha compartilhada, minimercado, esportes e comércio no térreo. A previsão de conclusão é 2028. “O mercado possui enorme potencial devido à informalidade e ao déficit de oferta”, afirma Falavina. Para ele, o país vive um momento decisivo. “Esse mercado deve crescer rapidamente, derrubando barreiras para que jovens estudem em outras cidades com mais tranquilidade”. 

Com a mudança no comportamento universitário e a busca por experiências presenciais mais completas, o student housing não apenas se consolida como tendência, mas inaugura um capítulo na moradia urbana, mais conectado à mobilidade, à segurança e à vida comunitária. Uma transformação que começa nos campi, mas deve ultrapassar as fronteiras da universidade.

Entrevistados

Gabriel Falavina Dias é engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), sócio-fundador e diretor-executivo da incorporadora ALTMA.

Marcos Kahtalian é vice-presidente de Banco de Dados do Sinduscon-PR.

Contatos
roberta.canetti@bombai.com.br (Assessoria de Imprensa)
imprensa@sindusconpr.com.br (Assessoria de Imprensa)

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