Curitiba aposta em incentivos para reativar o Centro urbano

O programa “Curitiba de Volta ao Centro”, lançado em 2025, propõe uma requalificação abrangente da região central da cidade, com foco em habitação, mobilidade, segurança e desenvolvimento econômico, com o objetivo de tornar o Centro mais ativo e diverso ao longo de todo o dia.

No fim de março de 2026, o prefeito Eduardo Pimentel anunciou a abertura de consulta pública para o primeiro edital de subvenção econômica do programa. A iniciativa prevê que a Prefeitura subsidie entre 25% e 50% dos custos de obras de revitalização de imóveis localizados na área central. O edital, com lançamento previsto para o início de maio, poderá disponibilizar até R$ 10 milhões.

Na mesma ocasião, foram assinados cinco decretos que regulamentam o programa, que contempla não apenas as subvenções, mas também incentivos fiscais e construtivos voltados à requalificação da região central. Ao todo, estão previstos R$ 30 milhões em subvenções, somados a R$ 133 milhões em benefícios fiscais.

O plano contempla investimentos em retrofit de edifícios, restauração de imóveis históricos e ampliação da oferta habitacional. As ações se concentram em áreas estratégicas, como o Centro, Centro Histórico e Rodoferroviária.

Curitiba abre consulta para edital que financia até 50% de obras no Centro, com até R$ 10 mi e pacote de R$ 163 mi em incentivos para revitalização urbana.
Crédito: Divulgação/Prefeitura de Curitiba

A iniciativa responde a um processo recente de esvaziamento do Centro, que perdeu população e dinamismo à medida que o crescimento urbano se deslocou para outras regiões da cidade. O objetivo é reverter esse cenário, ampliar a ocupação, estimular o comércio e valorizar o patrimônio.

Para Maria Eugenia Fornea, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (ADEMI-PR), essas iniciativas representam um avanço concreto, posicionando Curitiba em um patamar mais sofisticado de política urbana voltada à requalificação do Centro.

“O programa passa a contar com um instrumento que dialoga com a lógica de decisão do investidor. A subvenção estruturada deixa de ser hipótese e se torna um mecanismo real de viabilização econômica. Hoje, o programa saiu do campo conceitual e entrou no da viabilidade, tendo como próximo passo ganhar escala”, afirma Maria Eugenia.

Moradia como eixo central da transformação

Um dos pilares do programa é o incentivo à ocupação residencial, com o objetivo de reverter o esvaziamento urbano e promover vitalidade contínua.

A estratégia inclui:

• estímulo ao retrofit de imóveis ociosos

• incentivo à habitação de interesse social

• promoção de diversidade tipológica

A diretriz é clara: garantir permanência urbana, diversidade de perfis e um Centro mais equilibrado e habitado.

Segundo Maria Eugenia Fornea, há demanda real por moradia na região central — desde que a oferta esteja alinhada à qualidade do produto e à diversidade de públicos.

Ela também destaca que a política pública corrige distorções do mercado, evitando a produção excessiva de estúdios e orientando a cidade para um modelo mais equilibrado.

Retrofit ganha protagonismo

A requalificação do estoque existente é um dos principais motores do programa, com foco na preservação do patrimônio histórico e na reutilização de edifícios.

O plano propõe:

incentivos fiscais e construtivos

• uso da Transferência do Direito de Construir (TDC)

• estímulo à recuperação de edificações protegidas

Para a presidente da ADEMI-PR, o retrofit envolve complexidade técnica, exigindo compatibilização de sistemas e alinhamento com regras urbanísticas.

Maria Eugenia avalia que o mercado está em processo de amadurecimento, precisando de previsibilidade, padronização técnica e segurança jurídica para ganhar escala.

Uso misto e ativação urbana

O programa aposta na diversificação de usos como estratégia de revitalização urbana e fortalecimento do ecossistema local.

O diagnóstico aponta:

base comercial consolidada

• presença de gastronomia e vida noturna

• concentração de serviços especializados

A estratégia envolve:

flexibilização de usos

• incentivo ao retrofit

• estímulo à ativação cultural e turística

A proposta é transformar o Centro em um espaço de permanência, e não apenas de circulação.

Mobilidade e cidade para pessoas

Outro eixo estruturante é a mobilidade ativa, com foco no transporte coletivo e na construção de uma cidade para pessoas.

Entre as propostas estão:

• ampliação de calçadas e ciclovias

• requalificação de ruas emblemáticas

• reorganização do sistema viário

• incentivo a baixa emissão de carbono

Gargalos: execução, previsibilidade e escala

Os desafios agora estão na implementação da política pública, com foco em execução eficiente, previsibilidade e ganho de escala.

Pontos críticos incluem:

execução consistente e coordenação institucional

previsibilidade da subvenção e redução de risco

regularização fundiária e segurança jurídica

• alinhamento entre viabilidade econômica e regras urbanísticas

Além disso, permanece o desafio de transformar o programa em um fluxo contínuo de projetos, garantindo escala e sustentabilidade urbana ao longo do tempo.

Fonte

Maria Eugenia Fornea é graduada em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é mestre em Gestão Urbana e especializações em planejamento de cidades. Com mais de 15 anos de atuação no setor imobiliário, é CEO e fundadora da incorporadora curitibana Weefor, onde lidera iniciativas voltadas à reflexão sobre arquitetura, cidade e desenvolvimento urbano. Atualmente, é presidente da ADEMI-PR da gestão 2026/2027.

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Jovens lideram compra do primeiro imóvel e impulsionam habitação popular no Brasil

O mercado imobiliário brasileiro tem observado uma mudança consistente no perfil de compradores. Jovens entre 19 e 30 anos passaram a ocupar posição central na aquisição do primeiro imóvel, especialmente no segmento de habitação popular. A busca pela casa própria, associada à saída do aluguel e à construção de estabilidade financeira, tem direcionado decisões e influenciado a oferta de empreendimentos.

De acordo com o gerente comercial Felipe Ramos, da Blendi Empreendimentos, essa tendência é evidente no dia a dia das vendas. “Quase 70% dos nossos clientes têm entre 19 e 30 anos. É o perfil que mais procura o primeiro imóvel”, afirma. Segundo ele, a motivação principal não está ligada ao investimento, mas à necessidade de moradia. A aquisição do imóvel passa a ser vista como um marco da vida adulta, associado à independência e à previsibilidade financeira.

Programas habitacionais ampliam acesso

Incorporadoras ampliam empreendimentos voltados ao público jovem, com unidades compactas e valores compatíveis com a renda. Crédito: Envato

O avanço desse público no mercado está diretamente relacionado a mudanças recentes em políticas habitacionais e condições de crédito. Ramos destaca que três fatores têm impacto direto nesse movimento. “A ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida, a expectativa de queda da taxa de juros e o orçamento recorde do FGTS foram fundamentais para impulsionar o setor”, explica.

Na prática, essas mudanças se traduzem em condições mais favoráveis para esse público. “O resultado é uma parcela menor, maior capacidade de financiamento e mais opções de imóveis disponíveis”, resume.

Além disso, a reconfiguração das faixas de financiamento permite que parte dos compradores migre para condições mais favoráveis. “Quem muda de faixa pode ter redução de juros e aumento da capacidade de financiamento sem elevar o valor da parcela”, afirma.

Imóveis mais acessíveis e funcionais

Como reflexo desse cenário, a resposta das incorporadoras tem sido a ampliação de empreendimentos voltados a esse perfil. Os projetos priorizam unidades compactas, com melhor aproveitamento de espaço e valores compatíveis com a renda dos compradores.

Em cidades como Londrina e Maringá, os imóveis enquadrados na faixa de entrada partem de cerca de R$ 220 mil, com teto próximo de R$ 255 mil em determinadas categorias. Já empreendimentos com padrão um pouco mais elevado podem chegar a valores entre R$ 260 mil e R$ 270 mil, ainda dentro de condições acessíveis para parte desse público.

O objetivo é ajustar a parcela que o cliente consiga pagar, mantendo qualidade na entrega do produto”, explica Ramos. Segundo ele, a renda média dos compradores varia entre R$ 2.500 e R$ 3.500, o que orienta o desenho financeiro dos projetos.

O que os jovens valorizam

Além do preço, há mudanças claras nas preferências. O tamanho do imóvel deixou de ser o principal critério, dando lugar à funcionalidade e à infraestrutura oferecida. “O que mais preza é um apartamento compacto, mas funcional, inserido em um condomínio com estrutura completa”, afirma Ramos. Ele ressalta que o aproveitamento inteligente dos espaços se tornou mais relevante do que a metragem total.

Entre os itens mais valorizados estão áreas de lazer, como piscina, salão de festas e espaços esportivos, além de facilidades como bicicletário, espaço pet e soluções sustentáveis. A localização também pesa na decisão, com preferência por regiões próximas a serviços essenciais e ao transporte.

Esse conjunto de fatores evidencia um mercado mais alinhado às necessidades do comprador jovem. Ao priorizar moradia, previsibilidade de custos e qualidade de vida, essa geração redefine padrões e sustenta o crescimento da habitação popular no país.

Entrevistado

Felipe Ramos é graduado em Administração pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná e atualmente cursa MBA em Gestão Comercial pela Fundação Getulio Vargas. É gerente comercial da Blendi Empreendimentos.

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felipe@blendi.com.br

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Vendas de cimento crescem no primeiro trimestre e somam 15,9 milhões de toneladas no país

O setor de cimento registrou crescimento de 1,8% no volume de vendas no primeiro trimestre de 2026, alcançando 15,9 milhões de toneladas comercializadas no país. O resultado reflete a sustentação da demanda por fatores econômicos internos, com destaque para o nível de emprego e a continuidade de políticas públicas voltadas à habitação e à infraestrutura.

Paulo Camillo Penna, presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), avalia o período, ressaltando a resiliência do setor. “O crescimento é um reflexo direto dos fundamentos macroeconômicos brasileiros, que atuaram como motores da demanda setorial”, afirma.

Emprego e renda sustentam consumo

Região Sul destaca-se pelo forte investimento em pavimentação de estradas utilizando o concreto. Crédito: DER

Entre os principais fatores que contribuíram para o resultado, destaca-se o aquecimento do mercado de trabalho. O país atingiu 102,1 milhões de pessoas ocupadas e uma taxa de desemprego de 5,8% em fevereiro, considerada a menor para o período. O rendimento médio mensal também contribuiu para sustentar a capacidade de consumo das famílias.

Segundo Penna, esse cenário favoreceu principalmente a autoconstrução. “Com um rendimento médio mensal de R$ 3.679, a massa salarial foi preservada, o que garantiu a continuidade do consumo e impulsionou a construção”, explica.

Outro ponto de destaque foi o programa habitacional do governo federal. “O programa Minha Casa Minha Vida consolidou-se como o principal vetor da atividade, sendo responsável por 52% dos novos empreendimentos”, afirma o executivo. A meta de entrega de 3 milhões de unidades até 2026 projeta impacto relevante na demanda do setor.

Região Sul com desempenho acima da média nacional

Os investimentos em obras de infraestrutura também contribuíram para o resultado do trimestre. A continuidade de projetos, tanto públicos quanto privados, ajudou a equilibrar o cenário diante de desafios como a taxa Selic em patamar elevado, que atingiu 14,75% em março.

Na análise regional, o Sul apresentou desempenho acima da média nacional. Em março, a região cresceu 10,5% em comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a alta foi de 3,3%. “Os mesmos efeitos macroeconômicos que estão direcionando o crescimento nacional atuam na região sul”, afirma Penna.

O executivo destaca ainda a característica dos estados da região. “Os estados do Sul, principalmente Paraná e Santa Catarina, têm se caracterizado pelo forte investimento em pavimentação de estradas utilizando o concreto”, diz. (incluir link de matéria sobre Pavimento em concreto no Sul).

Paulo Camillo Penna, presidente executivo da ABCP e SNIC. Crédito: Divulgação

Projeção para 2026 aponta crescimento moderado

Para o restante do ano, a expectativa é de expansão moderada, condicionada a fatores econômicos e políticos. Entre os elementos positivos estão a reindustrialização e a continuidade dos programas habitacionais. “A projeção para 2026 vai depender da mitigação de riscos estruturais e conjunturais que permeiam o setor”, afirma.

Por outro lado, o cenário ainda apresenta pontos de atenção. A instabilidade geopolítica, com impactos sobre os preços de petróleo e frete, pode pressionar custos de produção. Além disso, a escassez de mão de obra e o endividamento das famílias tendem a limitar novos investimentos em construção.

Há também incertezas regulatórias no ambiente interno. “A incerteza regulatória decorrente de discussões legislativas adiciona camadas de cautela que podem impactar o planejamento setorial caso não haja a estabilidade necessária”, avalia. Mesmo diante desses desafios, o setor mantém a perspectiva de continuidade da demanda, apoiado em fatores estruturais e na necessidade permanente de investimentos em habitação e infraestrutura no país.

Entrevistado

Paulo Camillo Penna égraduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG e MBA em Desenvolvimento de Projetos. Possui mais de 30 anos de experiência em altos cargos executivos no setor público, empresas e em entidades nacionais representativas de diversos segmentos. É membro do Conselho de Administração da Federação Interamericana de Cimento (FICEM) e integrante do Global Cement and Concrete Association (GCCA). Atualmente, é presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

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China constrói a ponte mais alta do mundo

A China inaugurou, em 2025, a ponte mais alta do mundo. Intitulada Huajiang Grand Canyon, ela se eleva 625 metros acima do Rio Beipan e se estende por 2.890 metros sobre um cânion. Sua construção levou mais de três anos e custou mais de 2 bilhões de yuans (R$ 1,5 bilhão).

A estrutura conta ainda com um vão central de 1.420 metros, o que a coloca como a maior ponte já construída em região montanhosa.

Integrando a rodovia Liuzhi–Anlong, a obra deve encurtar drasticamente o deslocamento entre os condados de Zhenfeng e Guanling, situados em lados opostos do cânion: o trajeto passará de cerca de duas horas para poucos minutos.

Trata-se de uma ponte suspensa composta por treliças de aço. Somadas, essas estruturas metálicas alcançam cerca de 22 mil toneladas — um peso comparável ao de três Torres Eiffel. A ponte emprega de forma inovadora tecnologias avançadas, como um sistema inteligente de içamento de cabos e fios de aço de alta resistência de 2.000 MPa.

Embora o aço seja bastante presente na superestrutura, especialmente nos cabos e no tabuleiro, o concreto desempenha um papel essencial nas estruturas de sustentação. O projeto utiliza ancoragens assimétricas, incluindo uma ancoragem por gravidade com cerca de 160 mil metros cúbicos de concreto e outra em túnel, profundamente embutida na encosta da montanha. As torres principais, uma com 262 metros de altura e a outra com 205 metros, também são executadas em concreto, garantindo estabilidade e a adequada transferência de cargas para o maciço rochoso.

Ponte Huajiang, conta com cerca de 22 mil toneladas de estrutura metálica e 160 mil metros cúbicos de concreto.
Crédito: Glabb, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O projeto inclui plataformas de observação, um elevador panorâmico de vidro que conduz a um café instalado no topo de um dos arcos e uma passarela também em vidro, permitindo aos visitantes contemplar a paisagem a cerca de 580 metros de altura. A ponte ainda oferece atividades como bungee jumping e slackline.

Estrutura da ponte

Para o engenheiro William Hungria, ao analisar a Ponte Huajiang sob a ótica da engenharia, o que chama atenção não é só a altura. “É o fato de que ela resolve, ao mesmo tempo, três problemas difíceis: vencer um vão enorme, trabalhar a uma altura em que o vento passa a mandar no projeto e ainda se apoiar em um terreno que não facilita em nada”, explica.

A escolha por uma ponte suspensa não é estética, é inevitável. “Quando você não tem como apoiar no meio do caminho, você precisa ‘pendurar’ a estrutura. Os cabos principais assumem a tração, as torres recebem esses esforços e os transferem para o solo, e o tabuleiro fica ali, funcionando como uma viga leve sustentada por pendurais. É um sistema extremamente eficiente, porque usa o aço exatamente onde ele é mais forte: na tração”, pontua Hungria.

Só que a partir de certa escala, o problema deixa de ser resistência e passa a ser comportamento. “A mais de 600 metros de altura, o vento não é mais um carregamento secundário. Ele vira protagonista. A estrutura precisa lidar com oscilações, torção, efeitos aeroelásticos. Não é à toa que esse tipo de ponte depende de muito ensaio em túnel de vento e de um desenho de tabuleiro que não é só estrutural, mas também aerodinâmico. A seção costuma ser uma caixa metálica fechada, justamente para dar rigidez e ‘cortar’ o vento de forma controlada”, afirma Hungria.

De acordo com o engenheiro, os cabos são o coração da obra. “É ali que está a confiança da estrutura inteira. São milhares de fios de aço trabalhando juntos, protegidos contra corrosão, monitorados ao longo do tempo. Não é exagero dizer que, em uma ponte dessas, tudo gira em torno de manter esses cabos íntegros”, comenta.

As torres trazem outro tipo de desafio. “Em um cânion, você não está apoiando em solo plano e previsível. Está lidando com encostas, rocha irregular, acesso difícil. A fundação precisa ancorar bem, transferir carga com segurança e ainda ser executável em um lugar onde logística já é um problema por si só. Aqui entra muita engenharia geotécnica pesada, não é só cálculo estrutural”, destaca Hungria.

A execução da ponte é quase tão complexa quanto o projeto, segundo o engenheiro. “Você não monta isso de baixo para cima. Primeiro lança cabos-piloto, depois forma os cabos principais, instala os pendurais e só então começa a pendurar os segmentos do tabuleiro. Tudo isso com controle geométrico muito preciso, porque qualquer erro pequeno no início vira um erro grande no meio do vão”, justifica Hungria.

O tabuleiro, por sua vez, precisa ser leve, rígido e estável ao vento. “É um equilíbrio fino. Se fica pesado demais, sobrecarrega os cabos. Se fica leve demais sem rigidez, vibra. Por isso o uso de aço de alta resistência e seções fechadas bem estudadas”, expõe Hungria.

O engenheiro ainda destaca que a obra não termina quando inaugura. “Em um ambiente desses, manutenção é parte do projeto. Pintura anticorrosiva, inspeção de cabos, monitoramento estrutural, acesso técnico em altura. Tudo precisa estar previsto desde o início, porque depois não é simples ‘voltar lá e resolver’”, alerta.

Um dos destaques da ponte é uma cascata. Para Hungria, do ponto de vista técnico é um ponto crítico a ser controlado. “Água e estrutura nunca são amigos naturais. Então ela precisa ser completamente independente do sistema estrutural, com drenagem muito bem resolvida, impermeabilização e controle. Se não fizer isso direito, vira um ponto de patologia rápido”, pondera.

Na opinião de Hungria, a grande lição que fica de uma obra como essa é: em estruturas desse porte, não ganha quem calcula mais bonito, mas quem entende melhor o conjunto. “Terreno, vento, execução, material e manutenção. Tudo ao mesmo tempo”, conclui.

Fonte

William Hungria é engenheiro civil, pós-graduado em Gerenciamento de projetos e Incorporação imobiliária e CEO da Haga. Trabalha há 12 anos com obras de construção de casas e reformas, além de ter atuado em diversas grandes obras de infraestrutura portuária e rodoviária.

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Governo isenta ICMS sobre cimento para pavimentação de rodovias no Paraná

O Governo do Estado do Paraná oficializou, em março, um decreto que concede isenção do ICMS nas operações internas com cimento destinado à pavimentação de estradas e vias públicas no Paraná. Antes, a alíquota era de 19,5%. A iniciativa busca reduzir os custos de manutenção das rodovias e impulsionar novos investimentos em infraestrutura no Estado.

A medida, formalizada pelo decreto nº 12.956/2026, incorpora a decisão do Convênio 05/26 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e já está em vigor. A isenção é válida até o fim de 2027 e abrange o limite de 884.990 toneladas de cimento voltadas exclusivamente à pavimentação, sem exigência de estorno de crédito.

“Fomos autorizados, de forma unânime, a isentar o ICMS incidente sobre o cimento destinado à pavimentação de rodovias. Com isso, tanto o nosso DER quanto as concessionárias das rodovias no Paraná poderão adquirir cimento sem a incidência do imposto para obras de duplicação ou implantação de vias em concreto”, afirmou o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara.

Segundo Ortigara, a mudança tende a reduzir os custos de construção e conservação das rodovias paranaenses, com benefícios diretos para a população. Ele destaca que os pavimentos em concreto apresentam maior durabilidade e demandam menos manutenção ao longo do tempo, e que a desoneração do imposto deve incentivar construtoras e concessionárias a adotarem esse tipo de solução nas obras.

Mudança tende a diminuir os custos de construção e conservação das rodovias paranaenses. Crédito: DER

Ortigara acrescenta ainda que a essa medida também reduz despesas tanto para as empresas quanto para o Estado, permitindo direcionar recursos economizados para novas melhorias e para a aceleração de projetos.

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) avalia que a isenção de ICMS sobre o cimento para pavimentação no Paraná é uma medida de racionalidade econômica. “Ao reduzir o custo direto de um insumo fundamental, o Estado otimiza o uso do recurso público, permitindo que o orçamento de infraestrutura seja utilizado de forma mais eficiente. Na prática, isso viabiliza a execução de obras que, anteriormente, poderiam ser inviabilizadas ou postergadas pela pressão de custos. O impacto imediato é o aumento da previsibilidade para o setor de pavimentação, garantindo que o cronograma de entrega das obras de infraestrutura estadual e municipal ganhe celeridade”, pontua Paulo Camillo Vargas Penna, presidente executivo do SNIC.

Para Penna, o pavimento de concreto segue avançando como uma solução de mais durável, sustentável e alinhada às diretrizes de descarbonização do Ministério dos Transportes. “Esse método construtivo vem se destacando com atributos como redução das ilhas de calor, maior luminosidade, e proporciona mais conforto e segurança para os usuários. Essa medida vem somar aos diversos benefícios que o pavimento de concreto traz para a sociedade”, comenta.

Obras com pavimento de concreto no Paraná

Atualmente, o Paraná conta com cerca de 755 quilômetros de rodovias em obras de pavimentação ou duplicação com concreto. Dentre as obras mais recentes estão:

  • Duplicação da Rodovia da Uva (PR-417): ampliação do trecho entre Curitiba e Colombo, com foco na melhoria da mobilidade e da segurança viária.
  • PRC-280: modernizada com a aplicação da tecnologia whitetopping (concreto sobre base existente), aumentando a resistência ao tráfego pesado.
  • Rodovias do Litoral: projeto de duplicação com pavimento em concreto, com investimento de R$ 274,5 milhões.
  • PRC-466 (Guarapuava): duplicação recentemente concluída, utilizando pavimento rígido para maior durabilidade.
  • PRC-487 e PR-460: restauração prevista com o uso da técnica de whitetopping.
  •  PR-151: importante ligação entre os municípios de Ponta Grossa e Palmeira, na região dos Campos Gerais.
  • Região Central do Estado: conjunto de intervenções estratégicas para melhoria da malha viária.
  • PRC-272: destaque para a recuperação de 54,8 quilômetros entre Lidianópolis e Mauá da Serra.

“Essa já é uma realidade no Paraná. E, em breve, havendo interesse por parte das empreiteiras, concessionárias e empresas contratadas pelo DER, poderemos avançar significativamente, com a implantação de até mais 800 quilômetros de rodovias em whitetopping ou em concreto no estado”, destacou Ortigara.

Modelo para outros estados

O Brasil possui cerca de 1,7 milhão de quilômetros de estradas e rodovias, o que coloca o país como a 4ª maior malha rodoviáriado mundo. Porém, apenas cerca de 12% dessa extensão é pavimentada. Entre as rodovias pavimentadas, aproximadamente 57% apresentam condições regular, ruim ou péssimo. Diante desse cenário, o país demanda investimentos em soluções mais duráveis e de qualidade superior para a infraestrutura viária.

“O SNIC entende que a estratégia adotada pelo Paraná é um exemplo de política de desoneração inteligente. A pavimentação é a espinha dorsal do escoamento da produção e para o desenvolvimento regional. Portanto, desonerar insumos básicos da construção é um mecanismo eficaz para reduzir o Custo Brasil. Embora cada estado tenha suas particularidades fiscais e orçamentárias, o modelo paranaense pode demonstrar que a desoneração de materiais de construção gera um retorno social e econômico superior à receita que o governo abdica. É, sem dúvida, uma referência técnica relevante para outros entes federados que buscam destravar investimentos em infraestrutura. O pavimento de concreto deixou de ser utilizado apenas em rodovias e vem sendo adotado em ruas e avenidas de cerca de 200 municípios levando os benefícios e qualidades desse método construtivo para dentro das cidades”, conclui Penna.

Fonte

Norberto Anacleto Ortigara é o atual Secretário de Estado da Fazenda do Paraná. Ele já ocupou diversas posições na Secretaria da Agricultura do Paraná. Iniciou sua trajetória em março de 1978 e desempenhou papéis como analista do mercado agrícola, chefe da Divisão de Conjuntura Agropecuária, diretor do Departamento de Economia Rural (DERAL) em duas ocasiões (de 1989 a 1994 e de 1995 a 1998), e diretor-geral da Secretaria da Agricultura, de 1999 a 2002. Foi superintendente na Secretaria Municipal do Abastecimento de Curitiba entre 2005 e 2006 e depois secretário municipal até 2010. Em 2011 se tornou secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento onde permaneceu até abril de 2024.

Paulo Camillo Vargas Penna é presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG, com MBA em Desenvolvimento de Projetos, possui mais de 30 anos de experiência em cargos executivos no setor público, em empresas e entidades nacionais representativas. Atuou como Presidente da Fundação TV Minas, Diretor da ABRAS e da ABRALATAS, além de Vice-Presidente do SINFERBASE e do Grupo AES Brasil, e Presidente do IBRAM. É integrante do Fórum Nacional da Indústria (FNI), membro convidado do World Economic Forum (WEF) e atua em conselhos da FIESP, FIEMG e CIRJ.

Contato

ncs@sefa.pr.gov.br

alexandre.arcari@fsb.com.br– Assessoria de imprensa SNIC

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Whitetopping impulsiona nova restauração da PRC-272 no Vale do Ivaí e ampliação da capacidade da via

A técnica de whitetopping, que utiliza o pavimento asfáltico existente como base para a aplicação de uma nova camada de concreto, tem sido adotada em projetos recentes no Paraná e será utilizada na restauração da PRC-272, entre Mauá da Serra e Lidianópolis, no Vale do Ivaí. A solução, escolhida por sua durabilidade e menor necessidade de manutenção, será aplicada em um trecho de quase 55 quilômetros, aliada a melhorias nas condições de tráfego e à segurança viária.

De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), dez empresas participaram da disputa. A Construtora Tripoloni foi classificada com a proposta negociada de R$ 384 milhões e deve avançar para a fase de habilitação. O projeto integra um conjunto mais amplo de investimentos em infraestrutura rodoviária no Paraná, com foco em durabilidade, segurança e eficiência logística.

Técnica amplia vida útil da rodovia

A diretora técnica do DER/PR, Janice Kazmierczak Soares, explica que a adoção do whitetopping segue uma estratégia já aplicada em outras regiões do estado. “Esta é a nova obra do DER/PR utilizando a técnica whitetopping, em que o pavimento asfáltico existente é aproveitado como base para uma nova camada de pavimento rígido de concreto, uma técnica que já empregamos no sul do estado para restaurar uma das principais rodovias da região, a PRC-280”, afirma. A técnica contribui para melhorar o desempenho estrutural da pista, especialmente em trechos com tráfego intenso de veículos pesados.

Projeto inclui a implantação de acostamentos em ambos os lados da via e 31,7 quilômetros de terceiras faixas. Crédito: DER

Integração regional e investimento bilionário

A obra na PRC-272 faz parte do chamado “eixo Y”, corredor estratégico que conecta a região central do Paraná a outras áreas do estado. Segundo Janice, o conjunto de contratos já firmados demonstra a dimensão do investimento. “Até o momento, temos seis contratos assinados, sendo três obras de duplicação em concreto de Guarapuava a Pitanga; três obras em whitetopping com ampliação de capacidade entre Pitanga e Mauá da Serra; e de Pitanga a Campo Mourão já temos uma obra de whitetopping em andamento, com uma outra devendo ser licitada nos próximos meses”, explica.

Ela destaca ainda o volume de recursos envolvidos. “É um investimento superior a R$ 2 bilhões em todas estas empreitadas, atendendo mais de 300 quilômetros de rodovias estaduais”, completa.

Ampliação de capacidade e segurança

No trecho entre Mauá da Serra e Lidianópolis, a intervenção abrange 54,81 quilômetros, desde o entroncamento com a BR-376 até a região próxima à ponte sobre o Rio Ivaí, no distrito de Porto Ubá. O projeto inclui a implantação de acostamentos em ambos os lados da via e 31,7 quilômetros de faixas adicionais, que devem melhorar a fluidez do tráfego em subidas e trechos sinuosos.

Também estão previstas vias marginais em áreas urbanas, correções de traçado, retornos em nível, além de sinalização completa, dispositivos de segurança viária, drenagem e obras de arte corrente. Entre as estruturas planejadas, destacam-se três novos viadutos. “Vamos implantar três novos viadutos nesta empreitada, dois deles no perímetro urbano dos municípios de Faxinal e de Cruzmaltina, e um na zona rural, no entroncamento com a PR-453”, detalha a diretora.

Cronograma prevê entrega até 2029

O processo licitatório está em fase final, com expectativa de assinatura do contrato ainda neste semestre. O modelo adotado é o de contratação integrada, que contempla tanto a elaboração dos projetos quanto a execução da obra.

Leia mais: https://www.cimentoitambe.com.br/licitacao-integrada-ganha-espaco-como-modelo-de-contratacao-e-avanca-no-setor-publico/

Segundo o DER/PR, o prazo estimado para desenvolvimento dos projetos e obtenção das licenças ambientais é de 10 meses, seguido de 24 meses para execução. “Prevemos entregar a obra no primeiro semestre de 2029”, afirma Janice. Com a iniciativa, o poder público reforça a estratégia de modernização da infraestrutura rodoviária, apostando em soluções técnicas que ampliam a vida útil das vias e contribuem para a competitividade regional.

Entrevistado

Janice Kazmierczak Soares é diretora técnica do DER/PR.

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FEICON 2026: construção industrializada e sustentabilidade pautam o setor

Realizada entre 07 e 10 de abril em São Paulo (SP), a Feira Internacional da Construção Civil 2026 (FEICON) é um dos principais eventos voltado aos mercados de construção civil e arquitetura na América Latina. Esta edição, reuniu representantes da indústria, do varejo, distribuidores e profissionais do setor em torno de oportunidades concretas de conexão e geração de negócios.

“A feira reúne, no mesmo ambiente, os diferentes elos do setor em um momento em que decisões precisam ser tomadas com base em dados, diálogo e visão de longo prazo. Quando indústria e varejo se encontram presencialmente, com foco em negócios, relacionamento e leitura de mercado, criam-se condições concretas para transformar posicionamento em resultado e preparar o segmento para um novo ciclo de crescimento”, afirma Ivan Romão, diretor da FEICON.

Confira alguns destaques da feira:

Sustentabilidade

A FEICON reafirmou seu papel como vitrine de sustentabilidade e adaptação climática, apresentando soluções que unem eficiência operacional à economia circular.

FEICON apresentou soluções que unem eficiência operacional à economia circular.
Crédito: FEICON/Divulgação

Entre os destaques da programação, esteve a adaptação do setor às demandas de sustentabilidade, transição energética e resiliência climática. Um exemplo é da Selecta Soluções, que inovou seu processo de fabricação de blocos ao adotar uma matriz energética sustentável. A empresa utiliza biomassa e combustível derivado de móveis descartados (como sofás e guarda-roupas) para alimentar seus fornos. Outro destaque foi a Tigre (TAE) que lançou a UNIFAM, uma estação individual que trata até 800 litros de esgoto por dia. A solução elimina odores, reduz o lodo e garante o descarte ecológico da água.

Além disso, durante o evento, foi realizada uma edição da Rota da Sustentabilidade, iniciativa que destaca produtos com impacto comprovado nos pilares ambiental, social e de governança (ESG). A proposta é aproximar soluções já disponíveis no mercado das demandas por eficiência e responsabilidade ao longo da cadeia construtiva.

“A Rota da Sustentabilidade transforma critérios ambientais, sociais e de governança em parâmetros concretos para o setor. Ao reunir soluções avaliadas tecnicamente e dar visibilidade a esses avanços, a FEICON contribui para que a sustentabilidade também se torne um critério de negócio na construção civil”, destaca Romão.

Dentre as soluções apresentadas, estão:

Bostik – Super Fort 3+ Argamassa de alta performance aplicada em camada única, reduzindo etapas e desperdícios na obra. Oferece maior rendimento e utiliza embalagem com pelo menos 70% de plástico reciclado, fortalecendo práticas de economia circular.

Metro Modular – Formas modulares para concreto Sistema industrializado de formas reutilizáveis, feito em materiais plásticos e metálicos. Aumenta produtividade, diminui perdas no canteiro e é totalmente reciclável ao fim da vida útil.

Espaço Smart – Aço XCarb (Green Steel) Aço produzido com emissões significativamente menores, usando fontes limpas e processos de descarbonização. Atende à demanda por estruturas com menor impacto ambiental ao longo do ciclo de vida.

Force Line – Extensão elétrica Extensão fabricada com 64% de latão reciclado, reduzindo a extração de matéria-prima virgem e incentivando o reaproveitamento de metais.

Inovação

O evento também se consolida como um espaço para a apresentação de inovações tecnológicas, novos produtos e as principais tendências que devem direcionar o mercado.

“A FEICON é onde o setor se encontra para conhecer as inovações que vão moldar o futuro da construção. É uma vitrine que conecta demanda e oferta, tecnologia e aplicação prática”, afirma Romão.

Na edição de 2026, o Selo Inovação Varejo destacou soluções que unem design estratégico e sustentabilidade. Entre os exemplos estão o tapume ecológico da Onduline, produzido com fibras vegetais reutilizáveis e isolantes, e a cadeira da Tramontina, fabricada com plástico rastreável retirado do litoral brasileiro, em parceria com ONGs.

Industrialização

Em um momento em que a construção civil enfrenta escassez de mão de obra, a Arena ABRAMAT debateu a construção industrializada como alternativa tanto para esse desafio quanto para o déficit habitacional brasileiro. O professor Paulo Eduardo Fonseca, da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da USP (Universidade de São Paulo), destacou o lançamento de um programa nacional de capacitação a distância, parte do projeto Construa Brasil, que visa integrar academia e setor produtivo para acelerar a adoção de métodos construtivos industrializados em obras de infraestrutura e habitação, garantindo maior controle de custos, qualidade e eficiência operacional.

“A lógica industrializada precisa avançar não apenas na habitação, mas também em hospitais, escolas, equipamentos sociais e infraestrutura pesada, como pontes, viadutos e obras viárias. É preciso difundir mais, fazer maior uso, para, só assim, conseguirmos superar os desafios que a gente tem no setor”, destacou Fonseca.

Ainda dentro deste tema, Daniela Ferrari, diretora de Relações Institucionais da Tenda, afirmou que a construção industrializada tende a ganhar força diante da escassez de mão de obra qualificada e da necessidade de processos mais ágeis e econômicos. Segundo a executiva, essa mudança é impulsionada pela demanda por práticas sustentáveis e pelo uso de insumos com menor pegada de carbono.

Inteligência artificial

O painel “Como a IA está redefinindo as organizações e o futuro profissional”, da Feiconference, debateu os impactos da Inteligência Artificial na construção civil, destacando o equilíbrio entre ganhos de agilidade e os riscos técnicos envolvidos. Especialistas como André Bina Possato, head de Data e AI no Quinto Andar, e Cristiano Gregorius, diretor da Sienge, enfatizaram o aumento da produtividade, citando desde a facilidade em criar protótipos de baixo custo até a automação de 60% dos atendimentos ao cliente. No entanto, o sucesso dessa implementação exige vencer barreiras culturais e adoção de estratégias de integração que envolvam toda a organização, garantindo que a tecnologia atue como suporte e não um gargalo.

Por outro lado, o setor enfrenta o desafio da precisão absoluta, já que falhas digitais na engenharia podem resultar em erros físicos fatais. Luiz Henrique Ferreira, curador da Feiconference, e Flávio Maranhão, engenheiro da Intelicity, alertaram que, embora a IA otimize tarefas administrativas, sua aplicação em projetos estruturais é complexa devido à rigidez normativa e ao alto custo de possíveis erros. Diferente de outras indústrias que permitem a lógica de "tentativa e erro", a construção civil exige um planejamento rigoroso e validação contínua, de modo agarantir que a adoção de novas tecnologias não comprometa a segurança e a responsabilidade técnica das obras.

Fonte

Ivan Romão é diretor da FEICON.

Paulo Eduardo Fonseca é professor da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da USP (Universidade de São Paulo).

Daniela Ferrari é diretora de Relações Institucionais da Tenda.

André Bina Possato é head de Data e AI no Quinto Andar.

Cristiano Gregorius é diretor da Sienge.

Luiz Henrique Ferreira é curador da Feiconference.

Flávio Maranhão é engenheiro da Intelicity.

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Revisão do Plano Diretor projeta desenvolvimento urbano de Curitiba até 2050 e mobiliza setor imobiliário

Curitiba inicia um novo ciclo de revisão do seu Plano Diretor, instrumento que orienta o crescimento urbano, a ocupação do solo e a integração das políticas públicas. Prevista em lei a cada dez anos, a atualização busca adequar a cidade às transformações sociais, econômicas e ambientais, além de estabelecer diretrizes para o desenvolvimento até 2050.

O processo atual marca a terceira revisão estruturada do plano desde 2004 e reforça uma tradição de planejamento urbano que acompanha Curitiba desde 1966. A proposta em elaboração incorpora temas contemporâneos, como mudanças climáticas, mobilidade e articulação metropolitana, com foco em uma visão de longo prazo.

Atualização frente às mudanças urbanas

A revisão do Plano Diretor atende a uma exigência do Estatuto da Cidade e responde à necessidade de manter as políticas públicas alinhadas às dinâmicas urbanas. Segundo Thomaz Ramalho, diretor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a atualização integra um ciclo contínuo de gestão da cidade. “A cidade muda, surgem novos padrões de ocupação, novas demandas por mobilidade, habitação e infraestrutura”, afirma.

Ele destaca ainda que o processo assegura a integração das políticas urbanas. “Revisar o plano é garantir que as políticas públicas continuem integradas e aderentes ao território, com base em um ciclo contínuo de planejamento, implementação e avaliação”, completa.

A presidente da ADEMI-PR, Maria Eugenia Fornea, reforça que a revisão também representa uma oportunidade de aprimoramento. “Mais do que uma exigência legal, essa revisão é uma oportunidade de atualizar as diretrizes urbanas a partir das mudanças econômicas, sociais, ambientais e territoriais que acontecem ao longo do tempo, além de avaliar a efetividade do plano vigente e corrigir eventuais distorções”, afirma.

Diretrizes impactam desenvolvimento urbano

A revisão do Plano Diretor envolve a atualização de princípios, objetivos e estratégias que orientam o crescimento da cidade. O documento não define projetos específicos, mas estabelece parâmetros para políticas públicas e para a atuação da iniciativa privada.

Plano diretor deve entrar em vigor até o final do ano
Crédito: Valéria Rolim/CTUR

“Isso envolve temas estruturantes como uso e ocupação do solo, mobilidade, habitação, meio ambiente, desenvolvimento econômico e social, além da organização territorial”, explica Maria Eugenia. Nesse sentido o Plano Diretor direciona as políticas públicas e a atuação do poder público e do setor privado a partir de uma visão integrada e de longo prazo.

Segundo Ramalho, a proposta tem caráter sistêmico e integra diferentes áreas do planejamento urbano. “É uma revisão sistêmica, que articula diferentes políticas no território e organiza essas agendas a partir de uma visão de longo prazo para a cidade”, afirma.

Contribuições do setor imobiliário

A ADEMI-PR participa do processo com propostas voltadas à viabilidade urbana e ao equilíbrio do mercado. Entre os pontos apresentados está a necessidade de ampliar a efetividade da habitação de interesse social. “Hoje ainda existe uma distância relevante entre o que está previsto na legislação e o que fecha conta na prática, então é fundamental ajustar parâmetros e instrumentos para que essas unidades aconteçam”, afirma Maria Eugenia.

Outro destaque é o incentivo à densificação em áreas com infraestrutura já instalada. “A cidade já tem uma base construída relevante e faz mais sentido aproveitá-la melhor, evitando expansão desordenada e melhorando a eficiência urbana”, diz.

A entidade também defende maior previsibilidade nas regras urbanísticas. “Temos trazido a necessidade de mais previsibilidade e transparência nos instrumentos urbanísticos, com regras claras e estáveis, além de mecanismos de monitoramento contínuo, com dados abertos”, afirma.

Além disso, há preocupação com o perfil das unidades habitacionais. “Observamos um crescimento muito acelerado de unidades compactas e isso precisa ser acompanhado com atenção, para evitar distorções futuras no mercado e na própria dinâmica urbana”, completa.

Participação social e etapas

O processo de revisão está estruturado em etapas ao longo de 2025 e 2026, incluindo diagnóstico, elaboração de propostas e consolidação final. As discussões envolvem audiências públicas, oficinas comunitárias e eventos técnicos. “O percurso é conduzido com ampla participação, incluindo oficinas comunitárias, audiências públicas e atividades de imersão urbana”, afirma Ramalho.

A proposta do novo Plano Diretor deve ser encaminhada à Câmara Municipal em junho de 2026, com expectativa de aprovação até o fim do ano. “Esse cronograma garante um processo que combina etapas técnicas e participação social ao longo de mais de um ano, até a consolidação final do plano”, afirma Maria Eugenia.

Com a revisão, Curitiba atualiza seu principal instrumento de planejamento urbano e estabelece diretrizes que devem orientar o crescimento da cidade nas próximas décadas, com impacto direto na organização territorial e no desenvolvimento do setor imobiliário.

Entrevistados

Thomaz Ramalho é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), é mestre em Master in pianificazione nei PVS: progetto urbano pelo Istituto Universitario di Architettura di Venezia. Atuou como pesquisador no Centro de Estudos da Metrópole (FAU-USP), no Centro de Política e Economia do Setor Público da FGVSP, na FIPE (USP) e na FGV Cidades. Possui experiência profissional e acadêmica internacional, incluindo Angola, Itália, Holanda, Camboja, China, Etiópia, Quênia e Moçambique, onde atuou como funcionário das Nações Unidas (ONU-Habitat, UNOPS e UNDP), além de ter exercido consultoria privada, consultoria independente e professor universitário. Atualmente, é diretor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).

Maria Eugenia Fornea é graduada em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é mestre em Gestão Urbana e especializações em planejamento de cidades. Com mais de 15 anos de atuação no setor imobiliário, é CEO e fundadora da incorporadora curitibana Weefor, onde lidera iniciativas voltadas à reflexão sobre arquitetura, cidade e desenvolvimento urbano. Atualmente, é presidente da ADEMI-PR da gestão 2026/2027.

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Novas regras para recarga elétrica em condomínios demandam adaptação de edifícios no Brasil

Com uma frota que gira em torno de 670 mil veículos eletrificados, a mobilidade elétrica avança e começa a transformar a rotina dos condomínios. Garagens antes projetadas apenas para estacionamento passam a incorporar infraestrutura de recarga, exigindo novos critérios técnicos, jurídicos e de gestão. Nesse cenário, normas aprovadas recentemente em São Paulo, além de projetos em tramitação em outras cidades, sinalizam um novo marco regulatório para edifícios residenciais e comerciais.

A chamada Lei do Direito à Recarga (Lei 18.403/2026), aprovada recentemente no estado de São Paulo, é vista pelo mercado como um passo relevante para dar previsibilidade ao setor e reduzir conflitos entre moradores e administrações condominiais. A tendência é que esse modelo influencie outras regiões do país, especialmente grandes centros urbanos, onde cresce a adoção da mobilidade elétrica.

Para Márcio Severine, diretor de Infraestrutura da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), a nova legislação tem impacto direto sobre a transição energética no transporte. “Esta lei tem um papel muito relevante no processo de eletrificação da frota, pois garante os direitos do consumidor e da livre iniciativa, além de segurança jurídica”, afirma.

Da autorização prévia à comunicação formal

Infraestrutura de recarga ganha relevância no mercado imobiliário e prepara empreendimentos para a nova demanda. Crédito: Divulgação

Um dos pontos centrais da nova regra é a mudança na instalação de carregadores. Na prática, o morador deixa, em determinados casos, de depender de autorização prévia e passa a apenas comunicar formalmente o condomínio, desde que cumpra os requisitos técnicos previstos. Para o advogado especialista em Direito Condominial Luis Gustavo Stremel, a alteração reduz entraves administrativos e acompanha uma demanda crescente do mercado consumidor. “O principal ponto é a liberação da instalação, invertendo a ordem de controle. Antes o condômino pedia autorização ao síndico, agora ele apenas comunica a administração”, explica.

Apesar da flexibilização, especialistas destacam que a instalação não é automática. O projeto deve respeitar a capacidade elétrica do edifício, padrões internos de operação e normas técnicas aplicáveis. A instalação de carregadores depende de análise prévia de carga elétrica da unidade e das áreas comuns, além de execução por profissional habilitado, com emissão de ART, documento que formaliza a responsabilidade técnica pelo serviço. Também cabe ao morador arcar com os custos da implantação individual, salvo deliberação diferente em assembleia.

Entre as referências técnicas citadas por especialistas estão a ABNT NBR 5410, que trata das instalações elétricas de baixa tensão, e a ABNT NBR 17019, voltada à alimentação de veículos elétricos. Essas normas abordam dimensionamento, proteção, aterramento e condições de segurança operacional. Diante desse cenário, os condomínios deverão discutir temas como medição de consumo, reembolso de energia, padronização de equipamentos e planejamento de expansão de infraestrutura. Isso porque a tendência é de aumento gradual da demanda por pontos de recarga nos próximos anos.

Segurança e modernização das garagens

Outro debate em curso envolve sistemas complementares de segurança, como detectores de fumaça, sprinklers e ventilação mecânica. Embora nem todas essas exigências estejam previstas nas normas mais recentes, especialistas avaliam que a modernização dos estacionamentos deve avançar.

Severine pondera que a atualização precisa ser abrangente. “A norma geral de estacionamentos precisa ser atualizada, não por causa dos veículos elétricos, que têm probabilidade cerca de 60 vezes menor de incêndio em comparação com os veículos a combustão interna, mas visando o aumento da segurança dos condomínios residenciais”, diz.

Já Stremel defende equilíbrio entre proteção e viabilidade econômica. “O ambiente condominial não comporta um investimento muito complexo. Qual seria o equilíbrio entre a necessidade e a segurança é a dúvida que os técnicos habilitados deverão responder”, observa.

Tendência de valorização imobiliária

Além do aspecto regulatório, a infraestrutura de recarga começa a ganhar relevância no mercado imobiliário. Empreendimentos preparados para essa demanda tendem a se destacar na atração de moradores e locatários, especialmente em cidades com maior circulação de veículos eletrificados.

Para síndicos, incorporadoras e administradoras, o desafio passa a ser transformar a garagem em ativo estratégico do condomínio. Mais do que instalar pontos de recarga, será necessário planejar o uso da energia, modelos de gestão e garantir segurança para uma mudança que já começou.

Entrevistados

Márcio Severine é graduado em Engenharia Elétrica e Administração de Empresas, MBA (Universidade de Toronto) e pós-graduado em Comunicações Elétricas (Politécnico de Turim). É cofundador da Mobilitas, empresa de engenharia EPC que atua em Infraestrutura de Recarga para veículos leves e pesados e Sistemas de Armazenamento de Energia. Atualmente é membro do Conselho Diretor e Diretor de Infraestrutura da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE).

Luis Gustavo Stremel é graduado em Direito e especialista em Direito Condominial, dedicando-se a orientar síndicos e administradores em assembleias, mediação de conflitos, elaboração de convenções e processos judiciais.

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Sistema construtivo aberto amplia eficiência e flexibilidade nas obras

O avanço da industrialização na construção civil tem impulsionado a adoção de métodos mais eficientes e integrados. Entre eles, o sistema construtivo aberto se destaca por permitir a combinação de diferentes materiais, fornecedores e tecnologias em uma mesma obra, com base em padrões previamente definidos. A proposta é garantir compatibilidade entre os componentes e ampliar a flexibilidade ao longo do ciclo de vida do edifício.

De acordo com o arquiteto Marcio Porto, do escritório Sidonio Porto Arquitetos Associados, o conceito está diretamente ligado à padronização. “Um sistema construtivo aberto é um método que prevê a padronização e a compatibilidade entre os diversos componentes da obra de um edifício. Sua concepção é pensada na fase de projeto e permite que produtos de diversos fabricantes sejam utilizados em uma obra da forma mais livre e ampla possível”, afirma.

Integração de sistemas e liberdade de escolha

Na prática, o modelo possibilita que diferentes partes da edificação, como estrutura, vedação e fachadas, sejam fornecidas por empresas distintas, desde que sigam uma lógica comum de modulação. Essa interoperabilidade amplia a competitividade entre fornecedores e reduz a dependência de soluções fechadas.

Sede da Brazilglass em Guararema (SP) utilizou painéis de concreto pré-fabricado nas lajes.
Crédito: Acervo Pessoal/Marcio Porto

Outro ponto relevante é a possibilidade de manutenção e substituição de componentes de forma independente. Como os elementos são concebidos para funcionar de maneira integrada, mas não exclusiva, eventuais intervenções ao longo do tempo tornam-se mais simples e menos onerosas. Além disso, o sistema favorece adaptações futuras. Projetos concebidos dentro dessa lógica permitem ampliações ou mudanças de uso com maior facilidade, o que aumenta a vida útil da edificação e sua capacidade de resposta a novas demandas.

Ganhos com o uso de pré-fabricados

A integração com elementos industrializados, especialmente o concreto pré-fabricado, potencializa os benefícios do sistema aberto. Segundo Porto, o principal impacto ocorre nos prazos. “Na prática o maior impacto se dá na velocidade da obra. A otimização do cronograma é o grande diferencial, uma vez que os prazos podem ser encurtados e são mais garantidos”, explica.

Como os componentes são produzidos fora do canteiro, é possível executar simultaneamente etapas distintas da obra. Enquanto elementos estruturais são fabricados na indústria, as fundações e a infraestrutura avançam no local. Esse paralelismo reduz o tempo total de execução, com estimativas de economia entre 20% e 40% em projetos que combinam diferentes sistemas industrializados.

O uso de elementos pré-fabricados também contribui para maior previsibilidade orçamentária. A produção em ambiente controlado reduz desperdícios, diminui a dependência de mão de obra intensiva e mitiga riscos associados à variação de insumos.

Qualidade e sustentabilidade

Campus da Flextronics em Sorocaba (SP) contou com estruturas feitas em sistema de forma mista com painéis de fachada em concreto pré-fabricado.
Crédito: Acervo Pessoal/Marcio Porto

Outro aspecto relevante é o ganho de qualidade. Componentes produzidos industrialmente apresentam maior precisão dimensional e melhor acabamento, o que facilita sua integração com outros sistemas, como fachadas e esquadrias. No caso do concreto pré-fabricado, há um controle rigoroso do processo produtivo, resultando em menor variabilidade e maior desempenho.

Do ponto de vista ambiental, o sistema aberto contribui para a redução de resíduos no canteiro e para o uso mais eficiente dos recursos. Em alguns casos, há ainda a possibilidade de desmontagem parcial da edificação e de reaproveitamento de componentes, o que reforça a lógica de sustentabilidade ao longo do ciclo de vida da obra. “Tivemos a oportunidade de elaborar projetos utilizando sistemas construtivos abertos compostos por painéis de concreto pré-fabricado nas lajes, como é o caso da sede da Brazilglass em Guararema (SP). Também elaboramos obras em que as estruturas foram feitas em sistema de forma mista, e, portanto, aberta, com vigas e pilares em aço e concreto pré-fabricado e vedadas com painéis de fachada também pré-fabricados, como é o caso dos edifícios industriais do campus da Flextronics em Sorocaba (SP)”.

Planejamento como fator determinante

Apesar das vantagens, a adoção do sistema construtivo aberto exige um alto nível de planejamento. A definição do método ocorre ainda nas etapas iniciais do projeto e orienta todas as decisões subsequentes. Alterações ao longo do processo tendem a gerar retrabalho e aumentar os riscos à execução.

Marcio Porto afirma que a compatibilização entre arquitetura, estrutura e instalações é determinante para o sucesso do modelo. “Soluções modulares pré-fabricadas exigem projetos muito bem pensados desde a origem. A arquitetura precisa ser concebida já prevendo a industrialização de todo o processo construtivo”, ressalta.

Com planejamento adequado, o sistema construtivo aberto se consolida como uma alternativa eficiente para diferentes tipologias de empreendimentos, especialmente aqueles que demandam rapidez, padronização e flexibilidade.

Entrevistado

Marcio Porto é graduado em Arquitetura pela Universidade Mackenzie, mestre e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/USP, professor da Universidade Mackenzie e sócio-diretor do escritório Sidonio Porto Arquitetos Associados.

Contato marcio.porto@sidonioporto.com.br

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