Tetrápodes reforçam proteção e durabilidade em áreas costeiras
A revitalização da orla de Matinhos (PR), concluída em 2025, utilizou sistemas de tetrápodes em diferentes trechos da obra de contenção costeira.
“Os tetrápodes são blocos de concreto pré-moldados utilizados como camada de proteção em obras costeiras. Seu formato com quatro braços permite que as peças se encaixem de forma irregular, formando uma estrutura estável e permeável. Esse sistema funciona dissipando a energia das ondas. Em vez de refletir a onda, como acontece em estruturas rígidas, os tetrápodes permitem a passagem parcial da água, reduzindo a força do impacto sobre a estrutura e ajudando no controle da erosão costeira. Eles integram um sistema maior de proteção, composto por núcleo, camadas filtrantes e camada externa (carapaça), garantindo estabilidade e eficiência hidráulica”, explicam Gabriel Spuldaro, engenheiro civil e coordenador de obras da GEPLAN, e Issac Vitorino, engenheiro civil da GEPLAN.
Na revitalização da orla de Matinhos, foram utilizados tetrápodes na Praia Brava (340 peças), Flórida (681), Riviera (681), Rio Matinhos Norte (469), Paraná Sul (1.241) e Rio Matinhos Sul (1.259). As peças empregadas têm cerca de 3 metros de altura e 4,3 metros cúbicos de volume, pesando, cada uma, entre 10 e 12 toneladas.
De acordo com Spuldaro e Vitorino, a solução com tetrápodes foi adotada por apresentar melhor desempenho em regiões sujeitas a ondas de alta energia e ocorrência de ressacas.
Em comparação a outras técnicas, como enrocamento simples, muros ou geobags, os engenheiros da GEPLAN enumeram as vantagens dos tetrápodes:
- maior capacidade de dissipação de energia
- maior estabilidade estrutural
- menor risco de deslocamento
- maior durabilidade em ambiente marinho
“Essa escolha prioriza segurança, eficiência e desempenho a longo prazo”, pontuam.
Critérios para uso de tetrápodes na Orla de Matinhos
De acordo com Spuldaro e Vitorino, os principais critérios para adoção do sistema foram:
- energia das ondas e intensidade das ressacas
- estabilidade hidráulica da estrutura
- controle da erosão costeira

“O dimensionamento dos blocos foi feito para resistir às forças atuantes, garantindo que permaneçam estáveis mesmo em condições severas. Aspectos como custo e execução foram considerados, mas o fator determinante foi o desempenho técnico”, justificam Spuldaro e Vitorino.
Os tetrápodes possuem um custo inicial mais elevado em relação a soluções mais simples, como enrocamento ou geobags, segundo Spuldaro e Vitorino. “No entanto, a maior densidade das peças — proporcionada, inclusive, pelo uso de magnetita — aumenta a estabilidade e reduz a necessidade de manutenção, resultando em melhor desempenho e maior durabilidade ao longo do tempo”, sugerem.
Tipo de concreto
No caso da obra de Matinhos, foi utilizado concreto de alta resistência (não UHPC), com fck da ordem de 40 MPa, adequado para ambientes marinhos agressivos (locais próximos ao mar onde as estruturas de concreto ficam expostas a condições que aceleram sua deterioração, como maresia, ondas, vento, cloretos presentes no sal, entre outros).
“Este material atende plenamente às exigências estruturais e de durabilidade desse tipo de obra. O concreto apresenta elevada trabalhabilidade, com alta fluidez, permitindo o correto preenchimento das formas e garantindo qualidade das peças. Para isso, são empregados aditivos como plastificantes ou superplastificantes. Um diferencial importante é o uso de magnetita como agregado, que aumenta a densidade do concreto. Isso torna os tetrápodes mais pesados e, consequentemente, mais estáveis frente à ação das ondas, reduzindo o risco de deslocamento”, destacam Spuldaro e Vitorino.
Construção industrializada
Os tetrápodes são produzidos de forma industrializada, em ambiente controlado, garantindo padronização, qualidade e maior rigor no controle do processo produtivo. Posteriormente, após a fabricação e período de cura, as peças são transportadas por carretas especiais até o canteiro de obras. “No local, são movimentadas e posicionadas com o uso de guindastes ou equipamentos de grande porte”, relatam os engenheiros Spuldaro e Vitorino.
Por fim, o assentamento é feito de forma controlada, buscando o intertravamento entre os blocos, o que é essencial para garantir a estabilidade da estrutura e sua eficiência hidráulica.
Desafios de execução em obras costeiras
De acordo com Spuldaro e Vitorino, os principais desafios de execução em obras costeiras estão:
- condições variáveis do mar e do clima
- necessidade de trabalhar com janelas operacionais limitadas
- logística de transporte e manuseio de peças pesadas
- execução em terreno instável (areia e zona de arrebentação)
- precisão no posicionamento das estruturas
“Além disso, é comum a necessidade de ajustes durante a execução para garantir o desempenho final da obra”, concluem os engenheiros.
Fontes
Gabriel Spuldaro é engenheiro civil e coordenador de obras da GEPLAN.
Issac Vitorino é engenheiro civil da GEPLAN.
Contato
geplan@geplangerenciamento.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Coprocessamento ganha protagonismo diante da pressão energética global
O primeiro trimestre de 2026 encerrou com crescimento de 1,8% nas vendas de cimento, enquanto março registrou o maior volume de comercialização da história da indústria, com 5,8 milhões de toneladas vendidas — avanço de 9,1%, segundo dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Apesar do desempenho positivo, a entidade alerta que o atual cenário geopolítico exige cautela. O conflito no Oriente Médio provocou instabilidade nos mercados de energia, impactando diretamente os preços do petróleo e do gás natural.
De acordo com a ABCP, os reflexos para a indústria brasileira são imediatos. Cerca de 80% do coque de petróleo utilizado nos fornos é importado, e esse insumo representa quase um terço dos custos energéticos das fábricas. Soma-se a isso a alta de 30% no preço do óleo diesel, que pressiona ainda mais a logística de um setor em que aproximadamente 90% do transporte é realizado por rodovias.
No cenário internacional, as tensões no Oriente Médio ampliam a volatilidade de curto prazo e elevam as incertezas nos mercados globais, criando desafios adicionais para indústrias intensivas em consumo energético, como a cimenteira.
Coprocessamento ganha protagonismo
Para Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP, o desempenho do setor em 2026 dependerá tanto da duração dos impactos externos quanto de fatores internos, como a taxa de juros e os custos logísticos. “A robusta diversificação da matriz energética, pilar central do Roadmap Net Zero 2050 do setor, mostra-se como a melhor rota para reduzir a exposição à volatilidade do mercado internacional”, afirma.

Entre as principais alternativas adotadas pela indústria estão a biomassa e o Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU). Como parte dessa estratégia, o setor projeta investir R$ 3,5 bilhões até 2030 na modernização de fábricas e unidades de preparo de resíduos. A meta é viabilizar o processamento anual de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de resíduos urbanos — volume equivalente a cerca de 300 mil caminhões de lixo que deixarão de ser descartados inadequadamente.
A Cimento Itambé é uma das empresas que vêm se destacando no avanço do coprocessamento no país. Segundo Israel Vaz, gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé/Rio Bonito Soluções Ambientais, o protagonismo da empresa está ligado não apenas à adoção de tecnologias avançadas e à qualificação das equipes, mas também ao compromisso histórico da alta direção com sustentabilidade e inovação industrial.
“A alta diretoria, os acionistas e os proprietários sempre mantiveram uma visão estratégica alinhada às práticas sustentáveis, incorporando o coprocessamento não apenas nos projetos específicos da área, mas também aos próprios processos de fabricação de clínquer. Não se trata apenas de produzi-lo, mas de fazê-lo com foco em coprocessamento”, afirma Vaz.
Atualmente, a média de substituição térmica entre os três fornos da companhia está em linha aos objetivos propostos. O principal destaque é o Forno W1, modernizado após um amplo projeto de revamp concluído no ano passado, que já alcança índices de 65% de substituição térmica. A meta da empresa, no entanto, é atingir uma média global de 80% — índice considerado referência em plantas europeias e adotado pela companhia como benchmark para o futuro das operações.
Segundo Vaz, o desempenho posiciona a unidade como referência não apenas no Brasil, mas em todo o continente americano. “Hoje, trata-se do forno com a maior taxa de substituição térmica das Américas, incluindo América do Sul, Central e do Norte”, afirma.
Vaz atribui os resultados a uma trajetória de mais de 30 anos de atuação em coprocessamento, aliada a investimentos robustos em modernização industrial. O projeto de atualização do Forno 1, por exemplo, demandou cerca de R$ 500 milhões e teve o coprocessamento como um dos pilares centrais desde sua concepção.
Desafios técnicos
Apesar dos avanços, ampliar as taxas de coprocessamento ainda representa um desafio técnico significativo. Segundo Vaz, os resíduos gerados no Brasil possuem características extremamente heterogêneas, com grande variação de poder calorífico, composição química e presença de contaminantes.
“Os resíduos chegam às fábricas com características muito distintas, e isso exige um controle rigoroso antes da utilização nos fornos”, explica.
Embora o coprocessamento seja estratégico para a sustentabilidade do setor, a prioridade da empresa continua sendo a qualidade do clínquer e do cimento produzidos. Nesse contexto, um dos principais desafios é transformar resíduos de diferentes origens em um combustível alternativo mais homogêneo, capaz de ser utilizado sem comprometer a estabilidade operacional nem a qualidade final do produto.
Para garantir esse controle, a companhia mantém dois laboratórios dedicados ao monitoramento contínuo dos materiais utilizados no coprocessamento. As unidades realizam análises por raio X, plasma e um rigoroso controle analítico. Um dos laboratórios, localizado em Rio Bonito, possui certificação NBR 17025 pelo INMETRO, assegurando a confiabilidade técnica dos resultados obtidos.
Novas tecnologias
A inovação tecnológica é considerada peça-chave para ampliar as taxas de substituição térmica. Segundo Vaz, diversas soluções já estão em desenvolvimento dentro do grupo Itambé, atuando em duas frentes principais: o tratamento dos resíduos e a otimização do processo de clinquerização.
Uma das linhas de atuação busca tratar a heterogeneidade dos resíduos recebidos pela fábrica, tornando os materiais mais homogêneos antes de sua utilização nos fornos. Nesse sentido, a empresa vem investindo em tecnologias de análise e trituração, incluindo a aquisição de um equipamento triturador austríaco de alta performance.
Paralelamente, a companhia também desenvolve soluções voltadas à remoção de contaminantes metálicos e não metálicos presentes nos resíduos, reduzindo riscos de interferência no processo produtivo e aumentando a confiabilidade operacional.
Outra frente estratégica envolve o próprio processo de clinquerização. Os estudos atuais buscam otimizar os processos de produção, aumentar o tempo de residência dos resíduos, permitindo uma combustão mais eficiente e completa. Com isso, torna-se possível ampliar gradualmente as taxas de substituição térmica sem comprometer a estabilidade da operação.
Fontes
Paulo Camillo Penna é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG e MBA em Desenvolvimento de Projetos. Possui mais de 30 anos de experiência em altos cargos executivos no setor público, empresas e em entidades nacionais representativas de diversos segmentos. É membro do Conselho de Administração da Federação Interamericana de Cimento (FICEM) e integrante do Global Cement and Concrete Association (GCCA). Atualmente, é presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).
Israel Vaz é gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé / Rio Bonito Soluções Ambientais. Profissional graduado em engenharia química pela UFPR (2012), pós-graduado em MBA lean manufacturing pela UTFPR (2015) e pós-graduado em Gestão da Produção e Recursos Humanos pela FAVENI (2021). Vasta experiência na área industrial, atuando com ênfase no monitoramento, avaliação, controle e otimização do processo produtivo de fabricação de cimento (Fornos de Clínquer, Moagens de Crú, Moagens de Combustível, Moagens de Cimento, Coprocessamento, Ensacadeiras e Paletizadoras). Gestor de equipes e responsável por garantir a performance operacional, monitorando suas etapas e mapeando oportunidades de melhoria, a fim de assegurar a eficiência dos processos com o objetivo de alavancar a excelência operacional. Atuação conjunta com todos os níveis hierárquicos da Cia.
Contatos
snic@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)
israel.vaz@cimentoitambe.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Construção civil mantém geração de empregos e financiamento em alta no primeiro trimestre
A construção civil apresentou desempenho positivo de geração de empregos, na expansão do financiamento imobiliário e no aumento nas vendas de cimento no primeiro trimestre de 2026. Apesar dos indicadores favoráveis, o setor já sente os efeitos do cenário econômico mais desafiador, marcado por juros elevados, inflação persistente e aumento nos custos dos materiais de construção. Os dados foram apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante coletiva sobre o desempenho do setor no primeiro trimestre do ano.
A entidade revisou a expectativa de crescimento da construção civil em 2026 de 2% para 1,2%. Segundo a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, o setor segue sustentado pelos resultados do mercado imobiliário registrados em 2025 e pelo volume de investimentos em infraestrutura previstos para este ano. “O número de lançamentos e vendas do ano passado continua movimentando o nível de atividade da construção em 2026, porque o ciclo produtivo do setor é longo”, afirmou.
Construção respondeu por 20% dos empregos gerados no país
Um dos principais destaques do trimestre foi o mercado de trabalho. Entre janeiro e março, a construção civil criou 120.547 empregos formais, resultado 18,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Com isso, o setor passou a responder por praticamente 20% de todas as vagas com carteira assinada criadas no país no período. A construção encerrou março com 3,063 milhões de trabalhadores formais. O resultado representa crescimento de 3,5% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Crédito: Divulgação/DER
De acordo com Ieda, o desempenho foi o melhor para um primeiro trimestre desde o início da atual série histórica do Novo Caged, iniciada em 2020. “O setor voltou a contratar em todos os segmentos após o período sazonal do fim do ano. O resultado do primeiro trimestre foi o melhor dos últimos sete anos”, destacou. Entre as cidades, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba registraram os maiores volumes de contratação. Curitiba destacou-se com a geração de 3.025 postos de trabalho, impulsionada principalmente por obras de infraestrutura e construção de edifícios.
Crédito imobiliário cresce com FGTS e SBPE
O financiamento imobiliário também apresentou expansão no primeiro trimestre. As operações com recursos do FGTS somaram R$ 32,5 bilhões, alta de 21,6% em relação ao mesmo período de 2025. Já os financiamentos via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) alcançaram R$ 42,3 bilhões, crescimento de 11,9%.
Em número de unidades financiadas, o FGTS respondeu por 142,4 mil imóveis entre janeiro e março. Pelo SBPE, foram 125,4 mil unidades.
Para o presidente da CBIC, Renato Correia, o FGTS continua sendo uma das principais bases de sustentação da habitação popular no país. “O FGTS é fundamental para financiar habitação de interesse social. O déficit habitacional brasileiro ainda é muito elevado e o setor depende desses recursos para ampliar o acesso à moradia”, afirmou.
Custos e juros pressionam setor
Mesmo com indicadores positivos, a construção enfrenta um cenário mais desafiador em 2026. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 5,84% em 12 meses até março, acima da inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que ficou em 4,14%.
O maior impacto veio da mão de obra, com aumento de 8,82% no período. Além disso, a CBIC alertou para a aceleração recente dos custos de materiais e equipamentos, influenciada pelo aumento do petróleo. “O aumento do custo dos materiais preocupa porque não era previsto no início do ano. O setor já enfrenta juros elevados e dificuldade de contratação de mão de obra”, explicou Ieda.
A taxa Selic elevada voltou a aparecer como a principal preocupação dos empresários da construção. Em abril, o Índice de Confiança do Empresário da Construção caiu para 46,4 pontos, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança.
Segundo Renato Correia, a combinação entre juros altos, pressão nos custos e redução das margens exige atenção, especialmente em obras públicas e projetos habitacionais de interesse social. “Os contratos de habitação popular trabalham com margens muito estreitas, concluiu.
Fontes
Renato Correia é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Ieda Vasconcelos é economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Contato
imprensa@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Curitiba aposta em incentivos para reativar o Centro urbano
O programa “Curitiba de Volta ao Centro”, lançado em 2025, propõe uma requalificação abrangente da região central da cidade, com foco em habitação, mobilidade, segurança e desenvolvimento econômico, com o objetivo de tornar o Centro mais ativo e diverso ao longo de todo o dia.
No fim de março de 2026, o prefeito Eduardo Pimentel anunciou a abertura de consulta pública para o primeiro edital de subvenção econômica do programa. A iniciativa prevê que a Prefeitura subsidie entre 25% e 50% dos custos de obras de revitalização de imóveis localizados na área central. O edital, com lançamento previsto para o início de maio, poderá disponibilizar até R$ 10 milhões.
Na mesma ocasião, foram assinados cinco decretos que regulamentam o programa, que contempla não apenas as subvenções, mas também incentivos fiscais e construtivos voltados à requalificação da região central. Ao todo, estão previstos R$ 30 milhões em subvenções, somados a R$ 133 milhões em benefícios fiscais.
O plano contempla investimentos em retrofit de edifícios, restauração de imóveis históricos e ampliação da oferta habitacional. As ações se concentram em áreas estratégicas, como o Centro, Centro Histórico e Rodoferroviária.

Crédito: Divulgação/Prefeitura de Curitiba
A iniciativa responde a um processo recente de esvaziamento do Centro, que perdeu população e dinamismo à medida que o crescimento urbano se deslocou para outras regiões da cidade. O objetivo é reverter esse cenário, ampliar a ocupação, estimular o comércio e valorizar o patrimônio.
Para Maria Eugenia Fornea, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (ADEMI-PR), essas iniciativas representam um avanço concreto, posicionando Curitiba em um patamar mais sofisticado de política urbana voltada à requalificação do Centro.
“O programa passa a contar com um instrumento que dialoga com a lógica de decisão do investidor. A subvenção estruturada deixa de ser hipótese e se torna um mecanismo real de viabilização econômica. Hoje, o programa saiu do campo conceitual e entrou no da viabilidade, tendo como próximo passo ganhar escala”, afirma Maria Eugenia.
Moradia como eixo central da transformação
Um dos pilares do programa é o incentivo à ocupação residencial, com o objetivo de reverter o esvaziamento urbano e promover vitalidade contínua.
A estratégia inclui:
• estímulo ao retrofit de imóveis ociosos
• incentivo à habitação de interesse social
• promoção de diversidade tipológica
A diretriz é clara: garantir permanência urbana, diversidade de perfis e um Centro mais equilibrado e habitado.
Segundo Maria Eugenia Fornea, há demanda real por moradia na região central — desde que a oferta esteja alinhada à qualidade do produto e à diversidade de públicos.
Ela também destaca que a política pública corrige distorções do mercado, evitando a produção excessiva de estúdios e orientando a cidade para um modelo mais equilibrado.
Retrofit ganha protagonismo
A requalificação do estoque existente é um dos principais motores do programa, com foco na preservação do patrimônio histórico e na reutilização de edifícios.
O plano propõe:
• incentivos fiscais e construtivos
• uso da Transferência do Direito de Construir (TDC)
• estímulo à recuperação de edificações protegidas
Para a presidente da ADEMI-PR, o retrofit envolve complexidade técnica, exigindo compatibilização de sistemas e alinhamento com regras urbanísticas.
Maria Eugenia avalia que o mercado está em processo de amadurecimento, precisando de previsibilidade, padronização técnica e segurança jurídica para ganhar escala.
Uso misto e ativação urbana
O programa aposta na diversificação de usos como estratégia de revitalização urbana e fortalecimento do ecossistema local.
O diagnóstico aponta:
• base comercial consolidada
• presença de gastronomia e vida noturna
• concentração de serviços especializados
A estratégia envolve:
• flexibilização de usos
• incentivo ao retrofit
• estímulo à ativação cultural e turística
A proposta é transformar o Centro em um espaço de permanência, e não apenas de circulação.
Mobilidade e cidade para pessoas
Outro eixo estruturante é a mobilidade ativa, com foco no transporte coletivo e na construção de uma cidade para pessoas.
Entre as propostas estão:
• ampliação de calçadas e ciclovias
• requalificação de ruas emblemáticas
• reorganização do sistema viário
• incentivo a baixa emissão de carbono
Gargalos: execução, previsibilidade e escala
Os desafios agora estão na implementação da política pública, com foco em execução eficiente, previsibilidade e ganho de escala.
Pontos críticos incluem:
• execução consistente e coordenação institucional
• previsibilidade da subvenção e redução de risco
• regularização fundiária e segurança jurídica
• alinhamento entre viabilidade econômica e regras urbanísticas
Além disso, permanece o desafio de transformar o programa em um fluxo contínuo de projetos, garantindo escala e sustentabilidade urbana ao longo do tempo.
Fonte
Maria Eugenia Fornea é graduada em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é mestre em Gestão Urbana e especializações em planejamento de cidades. Com mais de 15 anos de atuação no setor imobiliário, é CEO e fundadora da incorporadora curitibana Weefor, onde lidera iniciativas voltadas à reflexão sobre arquitetura, cidade e desenvolvimento urbano. Atualmente, é presidente da ADEMI-PR da gestão 2026/2027.
Contato
thabata@versotht.com.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Jovens lideram compra do primeiro imóvel e impulsionam habitação popular no Brasil
O mercado imobiliário brasileiro tem observado uma mudança consistente no perfil de compradores. Jovens entre 19 e 30 anos passaram a ocupar posição central na aquisição do primeiro imóvel, especialmente no segmento de habitação popular. A busca pela casa própria, associada à saída do aluguel e à construção de estabilidade financeira, tem direcionado decisões e influenciado a oferta de empreendimentos.
De acordo com o gerente comercial Felipe Ramos, da Blendi Empreendimentos, essa tendência é evidente no dia a dia das vendas. “Quase 70% dos nossos clientes têm entre 19 e 30 anos. É o perfil que mais procura o primeiro imóvel”, afirma. Segundo ele, a motivação principal não está ligada ao investimento, mas à necessidade de moradia. A aquisição do imóvel passa a ser vista como um marco da vida adulta, associado à independência e à previsibilidade financeira.
Programas habitacionais ampliam acesso

O avanço desse público no mercado está diretamente relacionado a mudanças recentes em políticas habitacionais e condições de crédito. Ramos destaca que três fatores têm impacto direto nesse movimento. “A ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida, a expectativa de queda da taxa de juros e o orçamento recorde do FGTS foram fundamentais para impulsionar o setor”, explica.
Na prática, essas mudanças se traduzem em condições mais favoráveis para esse público. “O resultado é uma parcela menor, maior capacidade de financiamento e mais opções de imóveis disponíveis”, resume.
Além disso, a reconfiguração das faixas de financiamento permite que parte dos compradores migre para condições mais favoráveis. “Quem muda de faixa pode ter redução de juros e aumento da capacidade de financiamento sem elevar o valor da parcela”, afirma.
Imóveis mais acessíveis e funcionais
Como reflexo desse cenário, a resposta das incorporadoras tem sido a ampliação de empreendimentos voltados a esse perfil. Os projetos priorizam unidades compactas, com melhor aproveitamento de espaço e valores compatíveis com a renda dos compradores.
Em cidades como Londrina e Maringá, os imóveis enquadrados na faixa de entrada partem de cerca de R$ 220 mil, com teto próximo de R$ 255 mil em determinadas categorias. Já empreendimentos com padrão um pouco mais elevado podem chegar a valores entre R$ 260 mil e R$ 270 mil, ainda dentro de condições acessíveis para parte desse público.
“O objetivo é ajustar a parcela que o cliente consiga pagar, mantendo qualidade na entrega do produto”, explica Ramos. Segundo ele, a renda média dos compradores varia entre R$ 2.500 e R$ 3.500, o que orienta o desenho financeiro dos projetos.
O que os jovens valorizam
Além do preço, há mudanças claras nas preferências. O tamanho do imóvel deixou de ser o principal critério, dando lugar à funcionalidade e à infraestrutura oferecida. “O que mais preza é um apartamento compacto, mas funcional, inserido em um condomínio com estrutura completa”, afirma Ramos. Ele ressalta que o aproveitamento inteligente dos espaços se tornou mais relevante do que a metragem total.
Entre os itens mais valorizados estão áreas de lazer, como piscina, salão de festas e espaços esportivos, além de facilidades como bicicletário, espaço pet e soluções sustentáveis. A localização também pesa na decisão, com preferência por regiões próximas a serviços essenciais e ao transporte.
Esse conjunto de fatores evidencia um mercado mais alinhado às necessidades do comprador jovem. Ao priorizar moradia, previsibilidade de custos e qualidade de vida, essa geração redefine padrões e sustenta o crescimento da habitação popular no país.
Entrevistado
Felipe Ramos é graduado em Administração pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná e atualmente cursa MBA em Gestão Comercial pela Fundação Getulio Vargas. É gerente comercial da Blendi Empreendimentos.
Contato
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Vendas de cimento crescem no primeiro trimestre e somam 15,9 milhões de toneladas no país
O setor de cimento registrou crescimento de 1,8% no volume de vendas no primeiro trimestre de 2026, alcançando 15,9 milhões de toneladas comercializadas no país. O resultado reflete a sustentação da demanda por fatores econômicos internos, com destaque para o nível de emprego e a continuidade de políticas públicas voltadas à habitação e à infraestrutura.
Paulo Camillo Penna, presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), avalia o período, ressaltando a resiliência do setor. “O crescimento é um reflexo direto dos fundamentos macroeconômicos brasileiros, que atuaram como motores da demanda setorial”, afirma.
Emprego e renda sustentam consumo

Entre os principais fatores que contribuíram para o resultado, destaca-se o aquecimento do mercado de trabalho. O país atingiu 102,1 milhões de pessoas ocupadas e uma taxa de desemprego de 5,8% em fevereiro, considerada a menor para o período. O rendimento médio mensal também contribuiu para sustentar a capacidade de consumo das famílias.
Segundo Penna, esse cenário favoreceu principalmente a autoconstrução. “Com um rendimento médio mensal de R$ 3.679, a massa salarial foi preservada, o que garantiu a continuidade do consumo e impulsionou a construção”, explica.
Outro ponto de destaque foi o programa habitacional do governo federal. “O programa Minha Casa Minha Vida consolidou-se como o principal vetor da atividade, sendo responsável por 52% dos novos empreendimentos”, afirma o executivo. A meta de entrega de 3 milhões de unidades até 2026 projeta impacto relevante na demanda do setor.
Região Sul com desempenho acima da média nacional
Os investimentos em obras de infraestrutura também contribuíram para o resultado do trimestre. A continuidade de projetos, tanto públicos quanto privados, ajudou a equilibrar o cenário diante de desafios como a taxa Selic em patamar elevado, que atingiu 14,75% em março.
Na análise regional, o Sul apresentou desempenho acima da média nacional. Em março, a região cresceu 10,5% em comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a alta foi de 3,3%. “Os mesmos efeitos macroeconômicos que estão direcionando o crescimento nacional atuam na região sul”, afirma Penna.
O executivo destaca ainda a característica dos estados da região. “Os estados do Sul, principalmente Paraná e Santa Catarina, têm se caracterizado pelo forte investimento em pavimentação de estradas utilizando o concreto”, diz. (incluir link de matéria sobre Pavimento em concreto no Sul).

Projeção para 2026 aponta crescimento moderado
Para o restante do ano, a expectativa é de expansão moderada, condicionada a fatores econômicos e políticos. Entre os elementos positivos estão a reindustrialização e a continuidade dos programas habitacionais. “A projeção para 2026 vai depender da mitigação de riscos estruturais e conjunturais que permeiam o setor”, afirma.
Por outro lado, o cenário ainda apresenta pontos de atenção. A instabilidade geopolítica, com impactos sobre os preços de petróleo e frete, pode pressionar custos de produção. Além disso, a escassez de mão de obra e o endividamento das famílias tendem a limitar novos investimentos em construção.
Há também incertezas regulatórias no ambiente interno. “A incerteza regulatória decorrente de discussões legislativas adiciona camadas de cautela que podem impactar o planejamento setorial caso não haja a estabilidade necessária”, avalia. Mesmo diante desses desafios, o setor mantém a perspectiva de continuidade da demanda, apoiado em fatores estruturais e na necessidade permanente de investimentos em habitação e infraestrutura no país.
Entrevistado
Paulo Camillo Penna égraduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG e MBA em Desenvolvimento de Projetos. Possui mais de 30 anos de experiência em altos cargos executivos no setor público, empresas e em entidades nacionais representativas de diversos segmentos. É membro do Conselho de Administração da Federação Interamericana de Cimento (FICEM) e integrante do Global Cement and Concrete Association (GCCA). Atualmente, é presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).
Contato
snic@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
China constrói a ponte mais alta do mundo
A China inaugurou, em 2025, a ponte mais alta do mundo. Intitulada Huajiang Grand Canyon, ela se eleva 625 metros acima do Rio Beipan e se estende por 2.890 metros sobre um cânion. Sua construção levou mais de três anos e custou mais de 2 bilhões de yuans (R$ 1,5 bilhão).
A estrutura conta ainda com um vão central de 1.420 metros, o que a coloca como a maior ponte já construída em região montanhosa.
Integrando a rodovia Liuzhi–Anlong, a obra deve encurtar drasticamente o deslocamento entre os condados de Zhenfeng e Guanling, situados em lados opostos do cânion: o trajeto passará de cerca de duas horas para poucos minutos.
Trata-se de uma ponte suspensa composta por treliças de aço. Somadas, essas estruturas metálicas alcançam cerca de 22 mil toneladas — um peso comparável ao de três Torres Eiffel. A ponte emprega de forma inovadora tecnologias avançadas, como um sistema inteligente de içamento de cabos e fios de aço de alta resistência de 2.000 MPa.
Embora o aço seja bastante presente na superestrutura, especialmente nos cabos e no tabuleiro, o concreto desempenha um papel essencial nas estruturas de sustentação. O projeto utiliza ancoragens assimétricas, incluindo uma ancoragem por gravidade com cerca de 160 mil metros cúbicos de concreto e outra em túnel, profundamente embutida na encosta da montanha. As torres principais, uma com 262 metros de altura e a outra com 205 metros, também são executadas em concreto, garantindo estabilidade e a adequada transferência de cargas para o maciço rochoso.

Crédito: Glabb, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
O projeto inclui plataformas de observação, um elevador panorâmico de vidro que conduz a um café instalado no topo de um dos arcos e uma passarela também em vidro, permitindo aos visitantes contemplar a paisagem a cerca de 580 metros de altura. A ponte ainda oferece atividades como bungee jumping e slackline.
Estrutura da ponte
Para o engenheiro William Hungria, ao analisar a Ponte Huajiang sob a ótica da engenharia, o que chama atenção não é só a altura. “É o fato de que ela resolve, ao mesmo tempo, três problemas difíceis: vencer um vão enorme, trabalhar a uma altura em que o vento passa a mandar no projeto e ainda se apoiar em um terreno que não facilita em nada”, explica.
A escolha por uma ponte suspensa não é estética, é inevitável. “Quando você não tem como apoiar no meio do caminho, você precisa ‘pendurar’ a estrutura. Os cabos principais assumem a tração, as torres recebem esses esforços e os transferem para o solo, e o tabuleiro fica ali, funcionando como uma viga leve sustentada por pendurais. É um sistema extremamente eficiente, porque usa o aço exatamente onde ele é mais forte: na tração”, pontua Hungria.
Só que a partir de certa escala, o problema deixa de ser resistência e passa a ser comportamento. “A mais de 600 metros de altura, o vento não é mais um carregamento secundário. Ele vira protagonista. A estrutura precisa lidar com oscilações, torção, efeitos aeroelásticos. Não é à toa que esse tipo de ponte depende de muito ensaio em túnel de vento e de um desenho de tabuleiro que não é só estrutural, mas também aerodinâmico. A seção costuma ser uma caixa metálica fechada, justamente para dar rigidez e ‘cortar’ o vento de forma controlada”, afirma Hungria.
De acordo com o engenheiro, os cabos são o coração da obra. “É ali que está a confiança da estrutura inteira. São milhares de fios de aço trabalhando juntos, protegidos contra corrosão, monitorados ao longo do tempo. Não é exagero dizer que, em uma ponte dessas, tudo gira em torno de manter esses cabos íntegros”, comenta.
As torres trazem outro tipo de desafio. “Em um cânion, você não está apoiando em solo plano e previsível. Está lidando com encostas, rocha irregular, acesso difícil. A fundação precisa ancorar bem, transferir carga com segurança e ainda ser executável em um lugar onde logística já é um problema por si só. Aqui entra muita engenharia geotécnica pesada, não é só cálculo estrutural”, destaca Hungria.
A execução da ponte é quase tão complexa quanto o projeto, segundo o engenheiro. “Você não monta isso de baixo para cima. Primeiro lança cabos-piloto, depois forma os cabos principais, instala os pendurais e só então começa a pendurar os segmentos do tabuleiro. Tudo isso com controle geométrico muito preciso, porque qualquer erro pequeno no início vira um erro grande no meio do vão”, justifica Hungria.
O tabuleiro, por sua vez, precisa ser leve, rígido e estável ao vento. “É um equilíbrio fino. Se fica pesado demais, sobrecarrega os cabos. Se fica leve demais sem rigidez, vibra. Por isso o uso de aço de alta resistência e seções fechadas bem estudadas”, expõe Hungria.
O engenheiro ainda destaca que a obra não termina quando inaugura. “Em um ambiente desses, manutenção é parte do projeto. Pintura anticorrosiva, inspeção de cabos, monitoramento estrutural, acesso técnico em altura. Tudo precisa estar previsto desde o início, porque depois não é simples ‘voltar lá e resolver’”, alerta.
Um dos destaques da ponte é uma cascata. Para Hungria, do ponto de vista técnico é um ponto crítico a ser controlado. “Água e estrutura nunca são amigos naturais. Então ela precisa ser completamente independente do sistema estrutural, com drenagem muito bem resolvida, impermeabilização e controle. Se não fizer isso direito, vira um ponto de patologia rápido”, pondera.
Na opinião de Hungria, a grande lição que fica de uma obra como essa é: em estruturas desse porte, não ganha quem calcula mais bonito, mas quem entende melhor o conjunto. “Terreno, vento, execução, material e manutenção. Tudo ao mesmo tempo”, conclui.
Fonte
William Hungria é engenheiro civil, pós-graduado em Gerenciamento de projetos e Incorporação imobiliária e CEO da Haga. Trabalha há 12 anos com obras de construção de casas e reformas, além de ter atuado em diversas grandes obras de infraestrutura portuária e rodoviária.
Contato
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Governo isenta ICMS sobre cimento para pavimentação de rodovias no Paraná
O Governo do Estado do Paraná oficializou, em março, um decreto que concede isenção do ICMS nas operações internas com cimento destinado à pavimentação de estradas e vias públicas no Paraná. Antes, a alíquota era de 19,5%. A iniciativa busca reduzir os custos de manutenção das rodovias e impulsionar novos investimentos em infraestrutura no Estado.
A medida, formalizada pelo decreto nº 12.956/2026, incorpora a decisão do Convênio 05/26 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e já está em vigor. A isenção é válida até o fim de 2027 e abrange o limite de 884.990 toneladas de cimento voltadas exclusivamente à pavimentação, sem exigência de estorno de crédito.
“Fomos autorizados, de forma unânime, a isentar o ICMS incidente sobre o cimento destinado à pavimentação de rodovias. Com isso, tanto o nosso DER quanto as concessionárias das rodovias no Paraná poderão adquirir cimento sem a incidência do imposto para obras de duplicação ou implantação de vias em concreto”, afirmou o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara.
Segundo Ortigara, a mudança tende a reduzir os custos de construção e conservação das rodovias paranaenses, com benefícios diretos para a população. Ele destaca que os pavimentos em concreto apresentam maior durabilidade e demandam menos manutenção ao longo do tempo, e que a desoneração do imposto deve incentivar construtoras e concessionárias a adotarem esse tipo de solução nas obras.

Ortigara acrescenta ainda que a essa medida também reduz despesas tanto para as empresas quanto para o Estado, permitindo direcionar recursos economizados para novas melhorias e para a aceleração de projetos.
O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) avalia que a isenção de ICMS sobre o cimento para pavimentação no Paraná é uma medida de racionalidade econômica. “Ao reduzir o custo direto de um insumo fundamental, o Estado otimiza o uso do recurso público, permitindo que o orçamento de infraestrutura seja utilizado de forma mais eficiente. Na prática, isso viabiliza a execução de obras que, anteriormente, poderiam ser inviabilizadas ou postergadas pela pressão de custos. O impacto imediato é o aumento da previsibilidade para o setor de pavimentação, garantindo que o cronograma de entrega das obras de infraestrutura estadual e municipal ganhe celeridade”, pontua Paulo Camillo Vargas Penna, presidente executivo do SNIC.
Para Penna, o pavimento de concreto segue avançando como uma solução de mais durável, sustentável e alinhada às diretrizes de descarbonização do Ministério dos Transportes. “Esse método construtivo vem se destacando com atributos como redução das ilhas de calor, maior luminosidade, e proporciona mais conforto e segurança para os usuários. Essa medida vem somar aos diversos benefícios que o pavimento de concreto traz para a sociedade”, comenta.
Obras com pavimento de concreto no Paraná
Atualmente, o Paraná conta com cerca de 755 quilômetros de rodovias em obras de pavimentação ou duplicação com concreto. Dentre as obras mais recentes estão:
- Duplicação da Rodovia da Uva (PR-417): ampliação do trecho entre Curitiba e Colombo, com foco na melhoria da mobilidade e da segurança viária.
- PRC-280: modernizada com a aplicação da tecnologia whitetopping (concreto sobre base existente), aumentando a resistência ao tráfego pesado.
- Rodovias do Litoral: projeto de duplicação com pavimento em concreto, com investimento de R$ 274,5 milhões.
- PRC-466 (Guarapuava): duplicação recentemente concluída, utilizando pavimento rígido para maior durabilidade.
- PRC-487 e PR-460: restauração prevista com o uso da técnica de whitetopping.
- PR-151: importante ligação entre os municípios de Ponta Grossa e Palmeira, na região dos Campos Gerais.
- Região Central do Estado: conjunto de intervenções estratégicas para melhoria da malha viária.
- PRC-272: destaque para a recuperação de 54,8 quilômetros entre Lidianópolis e Mauá da Serra.
“Essa já é uma realidade no Paraná. E, em breve, havendo interesse por parte das empreiteiras, concessionárias e empresas contratadas pelo DER, poderemos avançar significativamente, com a implantação de até mais 800 quilômetros de rodovias em whitetopping ou em concreto no estado”, destacou Ortigara.
Modelo para outros estados
O Brasil possui cerca de 1,7 milhão de quilômetros de estradas e rodovias, o que coloca o país como a 4ª maior malha rodoviáriado mundo. Porém, apenas cerca de 12% dessa extensão é pavimentada. Entre as rodovias pavimentadas, aproximadamente 57% apresentam condições regular, ruim ou péssimo. Diante desse cenário, o país demanda investimentos em soluções mais duráveis e de qualidade superior para a infraestrutura viária.
“O SNIC entende que a estratégia adotada pelo Paraná é um exemplo de política de desoneração inteligente. A pavimentação é a espinha dorsal do escoamento da produção e para o desenvolvimento regional. Portanto, desonerar insumos básicos da construção é um mecanismo eficaz para reduzir o Custo Brasil. Embora cada estado tenha suas particularidades fiscais e orçamentárias, o modelo paranaense pode demonstrar que a desoneração de materiais de construção gera um retorno social e econômico superior à receita que o governo abdica. É, sem dúvida, uma referência técnica relevante para outros entes federados que buscam destravar investimentos em infraestrutura. O pavimento de concreto deixou de ser utilizado apenas em rodovias e vem sendo adotado em ruas e avenidas de cerca de 200 municípios levando os benefícios e qualidades desse método construtivo para dentro das cidades”, conclui Penna.
Fonte
Norberto Anacleto Ortigara é o atual Secretário de Estado da Fazenda do Paraná. Ele já ocupou diversas posições na Secretaria da Agricultura do Paraná. Iniciou sua trajetória em março de 1978 e desempenhou papéis como analista do mercado agrícola, chefe da Divisão de Conjuntura Agropecuária, diretor do Departamento de Economia Rural (DERAL) em duas ocasiões (de 1989 a 1994 e de 1995 a 1998), e diretor-geral da Secretaria da Agricultura, de 1999 a 2002. Foi superintendente na Secretaria Municipal do Abastecimento de Curitiba entre 2005 e 2006 e depois secretário municipal até 2010. Em 2011 se tornou secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento onde permaneceu até abril de 2024.
Paulo Camillo Vargas Penna é presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG, com MBA em Desenvolvimento de Projetos, possui mais de 30 anos de experiência em cargos executivos no setor público, em empresas e entidades nacionais representativas. Atuou como Presidente da Fundação TV Minas, Diretor da ABRAS e da ABRALATAS, além de Vice-Presidente do SINFERBASE e do Grupo AES Brasil, e Presidente do IBRAM. É integrante do Fórum Nacional da Indústria (FNI), membro convidado do World Economic Forum (WEF) e atua em conselhos da FIESP, FIEMG e CIRJ.
Contato
alexandre.arcari@fsb.com.br– Assessoria de imprensa SNIC
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Whitetopping impulsiona nova restauração da PRC-272 no Vale do Ivaí e ampliação da capacidade da via
A técnica de whitetopping, que utiliza o pavimento asfáltico existente como base para a aplicação de uma nova camada de concreto, tem sido adotada em projetos recentes no Paraná e será utilizada na restauração da PRC-272, entre Mauá da Serra e Lidianópolis, no Vale do Ivaí. A solução, escolhida por sua durabilidade e menor necessidade de manutenção, será aplicada em um trecho de quase 55 quilômetros, aliada a melhorias nas condições de tráfego e à segurança viária.
De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), dez empresas participaram da disputa. A Construtora Tripoloni foi classificada com a proposta negociada de R$ 384 milhões e deve avançar para a fase de habilitação. O projeto integra um conjunto mais amplo de investimentos em infraestrutura rodoviária no Paraná, com foco em durabilidade, segurança e eficiência logística.
Técnica amplia vida útil da rodovia
A diretora técnica do DER/PR, Janice Kazmierczak Soares, explica que a adoção do whitetopping segue uma estratégia já aplicada em outras regiões do estado. “Esta é a nova obra do DER/PR utilizando a técnica whitetopping, em que o pavimento asfáltico existente é aproveitado como base para uma nova camada de pavimento rígido de concreto, uma técnica que já empregamos no sul do estado para restaurar uma das principais rodovias da região, a PRC-280”, afirma. A técnica contribui para melhorar o desempenho estrutural da pista, especialmente em trechos com tráfego intenso de veículos pesados.

Integração regional e investimento bilionário
A obra na PRC-272 faz parte do chamado “eixo Y”, corredor estratégico que conecta a região central do Paraná a outras áreas do estado. Segundo Janice, o conjunto de contratos já firmados demonstra a dimensão do investimento. “Até o momento, temos seis contratos assinados, sendo três obras de duplicação em concreto de Guarapuava a Pitanga; três obras em whitetopping com ampliação de capacidade entre Pitanga e Mauá da Serra; e de Pitanga a Campo Mourão já temos uma obra de whitetopping em andamento, com uma outra devendo ser licitada nos próximos meses”, explica.
Ela destaca ainda o volume de recursos envolvidos. “É um investimento superior a R$ 2 bilhões em todas estas empreitadas, atendendo mais de 300 quilômetros de rodovias estaduais”, completa.
Ampliação de capacidade e segurança
No trecho entre Mauá da Serra e Lidianópolis, a intervenção abrange 54,81 quilômetros, desde o entroncamento com a BR-376 até a região próxima à ponte sobre o Rio Ivaí, no distrito de Porto Ubá. O projeto inclui a implantação de acostamentos em ambos os lados da via e 31,7 quilômetros de faixas adicionais, que devem melhorar a fluidez do tráfego em subidas e trechos sinuosos.
Também estão previstas vias marginais em áreas urbanas, correções de traçado, retornos em nível, além de sinalização completa, dispositivos de segurança viária, drenagem e obras de arte corrente. Entre as estruturas planejadas, destacam-se três novos viadutos. “Vamos implantar três novos viadutos nesta empreitada, dois deles no perímetro urbano dos municípios de Faxinal e de Cruzmaltina, e um na zona rural, no entroncamento com a PR-453”, detalha a diretora.
Cronograma prevê entrega até 2029
O processo licitatório está em fase final, com expectativa de assinatura do contrato ainda neste semestre. O modelo adotado é o de contratação integrada, que contempla tanto a elaboração dos projetos quanto a execução da obra.
Segundo o DER/PR, o prazo estimado para desenvolvimento dos projetos e obtenção das licenças ambientais é de 10 meses, seguido de 24 meses para execução. “Prevemos entregar a obra no primeiro semestre de 2029”, afirma Janice. Com a iniciativa, o poder público reforça a estratégia de modernização da infraestrutura rodoviária, apostando em soluções técnicas que ampliam a vida útil das vias e contribuem para a competitividade regional.
Entrevistado
Janice Kazmierczak Soares é diretora técnica do DER/PR.
Contato
comunicacao@der.pr.gov.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
FEICON 2026: construção industrializada e sustentabilidade pautam o setor
Realizada entre 07 e 10 de abril em São Paulo (SP), a Feira Internacional da Construção Civil 2026 (FEICON) é um dos principais eventos voltado aos mercados de construção civil e arquitetura na América Latina. Esta edição, reuniu representantes da indústria, do varejo, distribuidores e profissionais do setor em torno de oportunidades concretas de conexão e geração de negócios.
“A feira reúne, no mesmo ambiente, os diferentes elos do setor em um momento em que decisões precisam ser tomadas com base em dados, diálogo e visão de longo prazo. Quando indústria e varejo se encontram presencialmente, com foco em negócios, relacionamento e leitura de mercado, criam-se condições concretas para transformar posicionamento em resultado e preparar o segmento para um novo ciclo de crescimento”, afirma Ivan Romão, diretor da FEICON.
Confira alguns destaques da feira:
Sustentabilidade
A FEICON reafirmou seu papel como vitrine de sustentabilidade e adaptação climática, apresentando soluções que unem eficiência operacional à economia circular.

Crédito: FEICON/Divulgação
Entre os destaques da programação, esteve a adaptação do setor às demandas de sustentabilidade, transição energética e resiliência climática. Um exemplo é da Selecta Soluções, que inovou seu processo de fabricação de blocos ao adotar uma matriz energética sustentável. A empresa utiliza biomassa e combustível derivado de móveis descartados (como sofás e guarda-roupas) para alimentar seus fornos. Outro destaque foi a Tigre (TAE) que lançou a UNIFAM, uma estação individual que trata até 800 litros de esgoto por dia. A solução elimina odores, reduz o lodo e garante o descarte ecológico da água.
Além disso, durante o evento, foi realizada uma edição da Rota da Sustentabilidade, iniciativa que destaca produtos com impacto comprovado nos pilares ambiental, social e de governança (ESG). A proposta é aproximar soluções já disponíveis no mercado das demandas por eficiência e responsabilidade ao longo da cadeia construtiva.
“A Rota da Sustentabilidade transforma critérios ambientais, sociais e de governança em parâmetros concretos para o setor. Ao reunir soluções avaliadas tecnicamente e dar visibilidade a esses avanços, a FEICON contribui para que a sustentabilidade também se torne um critério de negócio na construção civil”, destaca Romão.
Dentre as soluções apresentadas, estão:
Bostik – Super Fort 3+ Argamassa de alta performance aplicada em camada única, reduzindo etapas e desperdícios na obra. Oferece maior rendimento e utiliza embalagem com pelo menos 70% de plástico reciclado, fortalecendo práticas de economia circular.
Metro Modular – Formas modulares para concreto Sistema industrializado de formas reutilizáveis, feito em materiais plásticos e metálicos. Aumenta produtividade, diminui perdas no canteiro e é totalmente reciclável ao fim da vida útil.
Espaço Smart – Aço XCarb (Green Steel) Aço produzido com emissões significativamente menores, usando fontes limpas e processos de descarbonização. Atende à demanda por estruturas com menor impacto ambiental ao longo do ciclo de vida.
Force Line – Extensão elétrica Extensão fabricada com 64% de latão reciclado, reduzindo a extração de matéria-prima virgem e incentivando o reaproveitamento de metais.
Inovação
O evento também se consolida como um espaço para a apresentação de inovações tecnológicas, novos produtos e as principais tendências que devem direcionar o mercado.
“A FEICON é onde o setor se encontra para conhecer as inovações que vão moldar o futuro da construção. É uma vitrine que conecta demanda e oferta, tecnologia e aplicação prática”, afirma Romão.
Na edição de 2026, o Selo Inovação Varejo destacou soluções que unem design estratégico e sustentabilidade. Entre os exemplos estão o tapume ecológico da Onduline, produzido com fibras vegetais reutilizáveis e isolantes, e a cadeira da Tramontina, fabricada com plástico rastreável retirado do litoral brasileiro, em parceria com ONGs.
Industrialização
Em um momento em que a construção civil enfrenta escassez de mão de obra, a Arena ABRAMAT debateu a construção industrializada como alternativa tanto para esse desafio quanto para o déficit habitacional brasileiro. O professor Paulo Eduardo Fonseca, da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da USP (Universidade de São Paulo), destacou o lançamento de um programa nacional de capacitação a distância, parte do projeto Construa Brasil, que visa integrar academia e setor produtivo para acelerar a adoção de métodos construtivos industrializados em obras de infraestrutura e habitação, garantindo maior controle de custos, qualidade e eficiência operacional.
“A lógica industrializada precisa avançar não apenas na habitação, mas também em hospitais, escolas, equipamentos sociais e infraestrutura pesada, como pontes, viadutos e obras viárias. É preciso difundir mais, fazer maior uso, para, só assim, conseguirmos superar os desafios que a gente tem no setor”, destacou Fonseca.
Ainda dentro deste tema, Daniela Ferrari, diretora de Relações Institucionais da Tenda, afirmou que a construção industrializada tende a ganhar força diante da escassez de mão de obra qualificada e da necessidade de processos mais ágeis e econômicos. Segundo a executiva, essa mudança é impulsionada pela demanda por práticas sustentáveis e pelo uso de insumos com menor pegada de carbono.
Inteligência artificial
O painel “Como a IA está redefinindo as organizações e o futuro profissional”, da Feiconference, debateu os impactos da Inteligência Artificial na construção civil, destacando o equilíbrio entre ganhos de agilidade e os riscos técnicos envolvidos. Especialistas como André Bina Possato, head de Data e AI no Quinto Andar, e Cristiano Gregorius, diretor da Sienge, enfatizaram o aumento da produtividade, citando desde a facilidade em criar protótipos de baixo custo até a automação de 60% dos atendimentos ao cliente. No entanto, o sucesso dessa implementação exige vencer barreiras culturais e adoção de estratégias de integração que envolvam toda a organização, garantindo que a tecnologia atue como suporte e não um gargalo.
Por outro lado, o setor enfrenta o desafio da precisão absoluta, já que falhas digitais na engenharia podem resultar em erros físicos fatais. Luiz Henrique Ferreira, curador da Feiconference, e Flávio Maranhão, engenheiro da Intelicity, alertaram que, embora a IA otimize tarefas administrativas, sua aplicação em projetos estruturais é complexa devido à rigidez normativa e ao alto custo de possíveis erros. Diferente de outras indústrias que permitem a lógica de "tentativa e erro", a construção civil exige um planejamento rigoroso e validação contínua, de modo agarantir que a adoção de novas tecnologias não comprometa a segurança e a responsabilidade técnica das obras.
Fonte
Ivan Romão é diretor da FEICON.
Paulo Eduardo Fonseca é professor da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da USP (Universidade de São Paulo).
Daniela Ferrari é diretora de Relações Institucionais da Tenda.
André Bina Possato é head de Data e AI no Quinto Andar.
Cristiano Gregorius é diretor da Sienge.
Luiz Henrique Ferreira é curador da Feiconference.
Flávio Maranhão é engenheiro da Intelicity.
Contato
Assessoria de imprensa FEICON - gabriela@phideias.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience








