Brasil avança em norma para projeto estrutural em UHPC
Em julho de 2025, foi publicado um conjunto de quatro normas voltadas ao concreto de ultra alto desempenho (UHPC): ABNT NBR 17246 – partes 1 a 4. Agora, a Comissão de Estudo Estruturas de Concreto de Ultra Alto Desempenho em Edificações (CE-002:124.029), vinculada ao Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-002), trabalha na elaboração da norma brasileira para projeto estrutural em UHPC.
Segundo a professora Ana Elisabete Jacintho, cerca de 75% dos estudos já foram concluídos, e a expectativa é que o texto seja encaminhado para consulta pública até o final de 2026.
De acordo com ela, a futura norma brasileira irá adaptar ao contexto nacional as recomendações da Associação Francesa de Normalização (AFNOR), presentes na NF P18-710, que trata do projeto estrutural em concreto armado e protendido com UHPC.
“Esta norma pretende dar respaldo à industrialização de pré-fabricados em UHPC, permitindo a fabricação de peças mais esbeltas e mais resistentes, que podem ser utilizadas em diversas frentes de trabalho”, afirma Ana Elisabete.
Um dos avanços previstos é a incorporação explícita da resistência residual à tração do UHPC reforçado com fibras no dimensionamento estrutural.
“A resistência pós-fissuração do UHPC é muito importante para o dimensionamento dos elementos estruturais, e a forma de consideração dessa resistência estará explícita na norma de projetos”, explica.
Apesar do avanço, ainda existem lacunas de pesquisa. Entre elas está o comportamento do UHPC em situações de incêndio, tema que ainda demanda mais estudos.
Comportamento estrutural do UHPC com fibras
Segundo Ana Elisabete, o comportamento estrutural do UHPC com fibras apresenta diferenças relevantes em relação ao concreto convencional, especialmente em alguns aspectos:
- Ultra alta resistência à compressão e deformação limite associada à resistência à tração e à orientação das fibras;
- Definição de classes de comportamento do UHPC em função da ductilidade, considerando os regimes softening e hardening após a fissuração;
- Consideração da resistência à tração do UHPC no dimensionamento à flexão e ao cisalhamento;
- Contribuição das fibras na resistência ao cisalhamento dos elementos estruturais.
ABNT NBR 17246
Publicada em julho de 2025, a ABNT NBR 17246 é composta por quatro partes que tratam especificamente do material UHPC.

“A parte 1 aborda a classificação, os requisitos e a especificação do material. A parte 2 define os procedimentos para validação de dosagens e de produção, enquanto a parte 3 estabelece os protocolos de controle de qualidade. Já a parte 4 apresenta os métodos de ensaio para caracterização do material”, explica Renata Monte, professora doutora do Departamento de Engenharia de construção Civil da Escola Politécnica da USP.
Para a elaboração do conjunto de normas, foram consultadas diversas referências normativas e bibliográficas internacionais.
“A normalização francesa (AFNOR) serviu de base para muitos desenvolvimentos internacionais, incluindo a norma brasileira. A experiência francesa na fabricação do material (Ductal®) e os projetos já realizados foram muito importantes para o avanço da tecnologia”, destaca Renata.
Em relação aos ensaios, ela explica que os protocolos para testes mais simples, como resistência à compressão e módulo de elasticidade, não diferem significativamente dos aplicados ao concreto convencional. No entanto, a capacidade de carga exigida para os equipamentos é maior.
“Isso pode ser um gargalo para alguns laboratórios de controle tecnológico. Além disso, como o UHPC costuma utilizar fibras para atingir resistência à tração, são necessários ensaios específicos, como os de flexão com determinação da resistência residual pós-fissuração”, afirma.
Apesar disso, Renata observa que parte do setor já vem se preparando para essa demanda.
“Alguns laboratórios já estão buscando essa capacitação desde a publicação, em 2021, das normas brasileiras para concreto com fibras.”
Na avaliação de Renata, a existência de normas técnicas não necessariamente acelera o uso da tecnologia, mas traz segurança para sua aplicação quando houver viabilidade técnica e econômica.
“Além disso, a existência de normas nacionais contribui para ampliar a divulgação da tecnologia no meio técnico”, conclui Renata.
Entrevistadas
Ana Elisabete Jacintho é professora em Dedicação Integral da PUC Campinas e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Infraestrutura Urbana. Possui pós-doutorado pela Universidade de São Paulo - Escola Politécnica, mestrado e doutorado em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo - Escola de Engenharia de São Carlos e graduação em Engenharia Civil pela Fundação Educacional de Barretos. Participa do grupo de trabalho ABECE/IBRACON sobre concreto de ultra alto desempenho (UHPC) e coordena o Comitê de Estudos da ABNT sobre o tema.
Renata Monte é engenheira civil formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, possui mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo, além de formação também em Construção de Edifícios e Matemática. É professora do Departamento de Engenharia Civil da Escola Politécnica da USP e integra a equipe de pesquisadores da Unidade EMBRAPII - Materiais para Construção Ecoeficiente. Membro dos comitês técnicos internacionais da RILEM relacionados a materiais cimentícios avançados. Coordenou a Comissão de Estudos de Concreto Reforçado com Fibras e atualmente coordena a Comissão de Estudo de Concreto de Alta e Ultra-alta Resistência, ambas da ABNT.
Contato
anajacintho@puc-campinas.edu.br.
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Mercado imobiliário no Brasil enfrenta escassez de mão de obra
No quarto trimestre de 2025, o mercado imobiliário brasileiro atingiu níveis históricos em lançamentos, vendas, valor geral de lançamentos (VGL) e na oferta de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, segundo a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O período registrou alta de 18,6% em relação ao trimestre anterior, com 133.811 unidades lançadas, enquanto no acumulado de 12 meses o crescimento foi de 10,6%, totalizando 453.005 unidades. O VGL alcançou R$ 292,3 bilhões em 2025, também um recorde e 10,6% acima de 2024. Além disso, houve avanço de 5,4% nas vendas e de 6,2% na oferta final de imóveis, que cresceu 8% em um ano, encerrando 2025 com 347.013 unidades disponíveis.
Paralelamente, o mais recente Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), aponta que a construção civil deverá demandar mais de 4,4 milhões de profissionais até 2027. Já o Índice de Confiança da Construção (ICST), divulgado pelo FGV IBRE em fevereiro de 2026, indica que os empresários do setor seguem enfrentando entraves na contratação de mão de obra qualificada. No período, 41,6% dos entrevistados afirmaram que a escassez de profissionais tem limitado o avanço de seus negócios — o maior percentual registrado para um mês de fevereiro desde 2011.
A economista do FGV Ibre, Ana Maria Castelo, alertou para um gargalo estrutural que deve se intensificar em 2026: a escassez de mão de obra qualificada. A sondagem da FGV Ibre mostra que a limitação relacionada ao mercado de trabalho segue como uma das principais restrições ao avanço dos negócios no setor.
“Se a atividade voltar a acelerar, a pressão sobre o mercado de trabalho será ainda maior. Esse é o grande desafio para sustentar o crescimento nos próximos anos”, avalia.
Para Gustavo Selig, CEO do Grupo Hestia, a escassez de mão de obra já não é uma preocupação futura, mas um desafio concreto nas obras. “Em alguns casos ainda conseguimos administrar a situação, mas já existe impacto real nos cronogramas. Muitas vezes não conseguimos formar equipes completas para determinadas etapas da obra. Quando falta um profissional especializado, o ritmo da construção diminui e o cronograma se estende”, explica.

Crédito: Envato
O impacto nos custos também é significativo. “O aumento do custo da mão de obra pesa muito porque, proporcionalmente, foi bem maior do que o aumento dos materiais. Como a construção civil trabalha com margens apertadas, esse crescimento pressiona a viabilidade dos projetos. As empresas tentam absorver parte desses aumentos com eficiência e melhor gestão, mas existe um limite. Na prática, parte desse custo acaba sendo repassada ao preço final dos imóveis para manter a sustentabilidade dos empreendimentos”, alerta Selig.
Escassez de profissionais e falta de qualificação
Segundo Selig, o setor enfrenta dois problemas simultâneos: “Existe uma escassez de profissionais no mercado, mas também uma grande dificuldade em encontrar trabalhadores com qualificação técnica adequada. Não é apenas falta de gente; muitas vezes é falta de preparo para as novas demandas da construção”.
Ele lembra que, nos últimos anos, houve um afastamento das novas gerações do trabalho no canteiro de obras. “Muitos jovens não enxergam a construção civil como uma carreira atrativa, principalmente no modelo tradicional. Ao mesmo tempo, o setor passa por transformação tecnológica que exige profissionais mais preparados”.
Para enfrentar esse cenário, as construtoras investem em formação interna, programas de capacitação e parcerias com instituições como o SENAI. “A ideia é formar profissionais que o próprio mercado hoje não consegue entregar. A retenção também virou prioridade. Empresas estruturam melhor planos de carreira, investem em segurança, melhores condições de trabalho e benefícios. Hoje, valorizar o profissional é essencial para manter equipes qualificadas”, afirma Selig.
Tecnologia e industrialização como saída
A tecnologia surge como uma resposta estratégica para a escassez de mão de obra. “A construção civil está passando por modernização, incluindo digitalização da gestão das obras e industrialização dos processos construtivos. Sistemas mais industrializados, como pré-fabricados, steel frame e construção modular, transferem parte do trabalho do canteiro para ambientes industriais. Isso aumenta a produtividade, melhora o controle de qualidade e reduz a necessidade de mão de obra intensiva no local da obra”, explica Selig.
Ele complementa: “Ferramentas de planejamento e gestão, como BIM e aplicativos de acompanhamento de obra, permitem organizar melhor os processos, reduzir retrabalho e melhorar logística. Equipes menores conseguem produzir mais, com eficiência e menos desperdício”.
Redução da jornada 6x1 e produtividade
A discussão sobre a redução da escala 6x1 no setor da construção civil é delicada. “Em um cenário de dificuldade para encontrar profissionais, qualquer redução de jornada sem aumento de produtividade impacta diretamente os custos da construção. Menos horas trabalhadas significam a necessidade de contratar mais pessoas, que muitas vezes não estão disponíveis. Além disso, há preocupação com o custo da hora trabalhada. Se a jornada diminui e a produtividade não cresce na mesma proporção, o custo da obra tende a subir. É um tema que precisa ser discutido com muito cuidado”, afirma Selig.
Para David Fratel, diretor de Gente do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), a redução da jornada deve ser o destino final de um processo estruturado, e não o ponto de partida. “A melhor sequência sustentável é: (1) Qualificação, (2) Industrialização, (3) Produtividade e (4) Ganhos Reais de Entrega. Só após esses degraus a redução de jornada se torna viável. Inverter essa lógica gera ineficiência técnica e aumento direto de custos”, alerta Fratel.
Ele detalha que o SindusCon-SP já trabalha para melhorar a produtividade do setor por meio de Trilhas de Carreira Profissional com certificações, industrialização liderada pelos comitês COI e CCI, produtividade debatida no CTQ, segurança jurídica e contratação de jovens-aprendizes geridas pelo Conselho Jurídico. “É um trabalho estruturado para garantir resultados sólidos e irreversíveis”, comenta Fratel.
Fratel ainda reforça: “Propomos revisão da incidência de encargos sociais e a implementação de remuneração por produtividade. Reduzir jornada sem ganho de eficiência apenas transforma horas produtivas em encargos adicionais. A necessidade de um trabalho gradual e estruturado é central no nosso Grupo de Trabalho de Recursos Humanos (GTRH)”.
Selig comenta que muitas empresas investem cada vez mais em tecnologia, planejamento e industrialização para aumentar a produtividade. “A ideia é tornar a obra menos dependente do esforço manual e mais baseada em processos organizados, montagem técnica e sistemas construtivos eficientes. Esse caminho ajuda o setor a se adaptar a mudanças futuras nas relações de trabalho”, conclui.
Fontes
Gustavo Selig é engenheiro civil graduado pela PUC-PR, com Mestrado em Administração de Empresas e Negócios pela FGV-PR. Cofundador e presidente do Grupo Hestia, atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário paranaense, liderando projetos que unem tradição, inovação e propósito.
Foi representante do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) no Ippuc e presidiu a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR) por três gestões consecutivas.
David Fratel é diretor de Gente do SindusCon-SP.
Contatos
gustavo.selig@grupohestia.com.br
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Estrada da América entra na fase final e amplia acesso rural e turístico em Morretes
A pavimentação da Estrada da América, em Morretes, no Litoral do Paraná, está na etapa final de execução e deve alterar a dinâmica de deslocamento na região. Com cerca de sete quilômetros de extensão, a obra recebeu investimento de R$ 12,4 milhões, resultado de convênio entre a Prefeitura e a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística do Paraná. Desse total, R$ 8,8 milhões são repasses estaduais e R$ 3,5 milhões correspondem à contrapartida municipal. O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) atua como órgão interveniente e fiscaliza as medições mensais dos serviços executados.
A estrada, localizada em perímetro urbano e com mais de 200 anos de história, recebe pavimento rígido de concreto em placas de 16 centímetros de espessura, projetado para uma vida útil de aproximadamente 20 anos. Além da nova estrutura, foram realizados serviços de terraplenagem e regularização do subleito. Nesta fase, estão sendo concluídos o sistema de drenagem e a sinalização horizontal e vertical.
Impacto direto na produção rural
De acordo com o engenheiro civil Giovani Alberti, representante regional da Associação Brasileira de Cimento Portland no Paraná (ABCP), a obra tem impactos diretos sobre a economia local. “A pavimentação é fundamental para melhorar o bem-estar da população e fortalecer a produção rural. Ela garante mais segurança, conforto e acesso contínuo a serviços”, afirma.
A região tem forte presença da agricultura familiar e da agroindústria, produzindo principalmente gengibre, banana, cana-de-açúcar destinada à produção de cachaça e hortifrutigranjeiros. Com o novo pavimento, o escoamento tende a ocorrer com menos perdas e menor custo de manutenção dos veículos. “A estrada facilita o transporte e reduz dificuldades enfrentadas em períodos de chuva ou estiagem excessiva”, acrescenta Alberti.

A obra também contou com suporte técnico da entidade. Segundo ele, a associação atuou junto à área de engenharia da Secretaria Municipal de Infraestrutura, oferecendo apoio nas análises técnicas, esclarecimentos e orientações sobre o projeto e a execução do pavimento em concreto.
Turismo e mobilidade urbana
Morretes é reconhecida pelo patrimônio histórico e pelas paisagens naturais que atraem visitantes ao longo do ano. Para o DER, o novo pavimento facilita o acesso às áreas turísticas e melhora a experiência de quem chega à cidade. O órgão destaca que a intervenção amplia o conforto para turistas e moradores. Por estar em perímetro urbano, a estrada também beneficia o transporte coletivo e escolar, além do deslocamento para serviços públicos. A melhoria na regularidade da via reduz transtornos antes associados a trechos de terra ou pavimentos deteriorados. O DER ressalta ainda que a iniciativa é inédita no município e pode servir de referência para futuras intervenções em concreto na região.
Tendência de expansão no Sul
A obra de Morretes integra um movimento mais amplo de modernização da malha rodoviária no Sul do país. No Paraná, o DER tem obras de whitetopping contratadas e em fase de projeto, com previsão de início ainda neste semestre, além de novos editais previstos para rodovias da região de Maringá e ligações estratégicas no estado.
O engenheiro Dejalma Frasson Junior, gerente regional Sul da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), avalia que o avanço do pavimento de concreto decorre da busca por maior durabilidade e garantia de tráfego contínuo. “Os estados da Região Sul têm ampliado o uso dessa tecnologia, tanto em rodovias estaduais quanto em estradas rurais municipais, com foco em segurança e redução de custos de manutenção”, afirma.
Com a conclusão da Estrada da América, Morretes passa a contar com uma via estruturada para atender produtores, moradores e visitantes, consolidando a infraestrutura como um importante vetor de desenvolvimento econômico e social no Litoral paranaense.
Fonte
DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná)
Entrevistados
Dejalma Frasson Junior é engenheiro civil, especialista em gestão empresarial, tecnologia do concreto, engenharia rodoviária e pavimento de concreto. Atualmente, é gerente da Regional Sul da ABCP e professor do IPOS (Instituto de Especialização), na disciplina de Pavimento de Concreto, nos cursos de Infraestrutura de Transportes, Engenharia de Pavimentação e Engenharia Rodoviária.
Giovani Alberti é engenheiro civil e tecnólogo em concreto. Atualmente, é Representante Regional da ABCP-PR.
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Eletrificação, IA e automação marcam o CONEXPO-CON/AGG 2026 em Las Vegas
O CONEXPO-CON/AGG 2026, realizado entre 3 e 7 de março, atraiu mais de 140 mil profissionais da construção de 128 países para Las Vegas, Estados Unidos. A feira reuniu empreiteiros, fabricantes, líderes em tecnologia e representantes da força de trabalho para apresentar novos equipamentos, tecnologias emergentes e soluções desenvolvidas para tornar o setor da construção mais eficiente, seguro e sustentável, mantendo ao mesmo tempo o forte ritmo de crescimento da indústria.
Nesta edição, o CONEXPO-CON/AGG 2026 contou com mais de 2 mil expositores. Entre os destaques estiveram grandes máquinas de movimentação de terra, guindastes de grande porte e equipamentos de pavimentação de última geração, além de soluções digitais para canteiros de obras, automação, sustentabilidade e novos avanços tecnológicos. O pavilhão do evento ofereceu aos participantes a oportunidade de conhecer essas inovações de perto, conectar-se diretamente com fabricantes e tomar decisões de compra mais informadas, capazes de influenciar projetos e negócios nos próximos anos.
“O CONEXPO-CON/AGG é o lugar onde a indústria da construção vem para ver o que está por vir”, afirmou Dana Wuesthoff, diretora do evento. “Esta semana demonstrou a resiliência e a engenhosidade do nosso setor. De máquinas avançadas a ferramentas digitais que ajudam as equipes a trabalhar de forma mais segura e inteligente, as inovações apresentadas aqui irão moldar os canteiros de obras nos próximos anos.”
Inovações que vão definir o próximo canteiro de obras

Crédito: CONEXPO-CON/AGG 2026
Durante a feira, fabricantes apresentaram tecnologias e equipamentos voltados à próxima geração de canteiros de obras, com destaque para automação, eletrificação e soluções digitais. A Komatsu mostrou avanços em controle inteligente de máquinas, enquanto a LiuGong apresentou equipamentos de baixas emissões, incluindo escavadeiras elétricas. Empresas de tecnologia também demonstraram soluções para monitoramento e gestão digital das operações, como sistemas de controle de máquinas, conectividade e análise de dados em tempo real. Já a Bobcat destacou inovações em inteligência artificial, autonomia e conectividade, voltadas para aumentar a eficiência e a produtividade nos canteiros de obras.
Para Saulo Marcel dos Santos, engenheiro civil e diretor responsável técnico da Kerber Pré-Moldados, um dos pontos que mais chamaram atenção no CONEXPO-CON/AGG 2026 foi o avanço na eletrificação das máquinas, além de equipamentos dotados de inteligência artificial e sistemas de controle e monitoramento remoto, inclusive para acompanhamento de manutenção.
“Estamos iniciando no setor de fundações e recentemente adquirimos uma máquina de hélice contínua monitorada. Encontramos muitas empresas apresentando novidades e equipamentos modernos voltados para esse segmento”, comenta Santos.
Para o diretor da Kerber, a principal lição do evento é clara: toda a indústria está investindo fortemente em tecnologia para reduzir custos, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade das operações.
Na avaliação de Luís Antônio Hobi, diretor da Hobimix, os grandes destaques da feira foram os equipamentos elétricos, como carregadeiras e caminhões, além dos sistemas de controle e monitoramento por satélite aplicados às máquinas.
Next Level Awards 2026
Durante o evento, a inovação na indústria também foi reconhecida pelo Next Level Awards, que destaca tecnologias e equipamentos capazes de transformar a execução e a gestão de projetos de construção, promovendo mais produtividade, sustentabilidade e segurança nos canteiros.
O GenSteer™, da Husco, foi eleito como o melhor equipamento. Trata-se de uma nova tecnologia de direção Steer-by-Wire para máquinas fora de estrada. A inovação elimina sistemas eletrônicos redundantes e utiliza a própria força do operador como fonte de energia em caso de falha elétrica, garantindo que a direção continue funcionando. Com isso, a tecnologia torna a direção digital mais segura, simples e escalável, mantendo o controle mesmo em situações de falha do sistema.
Já o Gravis Rack, da Gravis Robotics, ganhou a competição como a melhor tecnologia. O sistema transforma máquinas de movimentação de terra em equipamentos inteligentes ao incorporar sensores 3D, câmeras e processamento embarcado. O Gravis Rack atua como um copiloto na cabine, oferecendo dados em tempo real e orientação para aumentar a segurança e a eficiência. A plataforma também permite operações autônomas, como escavação e carregamento, que podem ser monitoradas por meio de um único tablet.
Fontes
Saulo Marcel dos Santos é engenheiro civil e diretor responsável técnico da Kerber Pré-Moldados
Luís Antônio Hobi é diretor da Hobimix.
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Pré-fabricados de concreto projetam expansão em 2026 com foco em infraestrutura e inovação
O mercado brasileiro de pré-fabricados de concreto inicia 2026 com perspectiva de avanço, impulsionado pela ampliação de obras de infraestrutura, pela busca por maior produtividade e pela incorporação de novas tecnologias. A avaliação é da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC), entidade que reúne fabricantes e empresas ligadas à industrialização da construção.
Segundo a presidente executiva da ABCIC, Íria Doniak, o segmento deve manter a trajetória de crescimento ao longo do ano, tanto em áreas já consolidadas quanto em frentes ainda pouco exploradas. “O setor vai continuar avançando em inúmeros aspectos, atuando em segmentos tradicionais e explorando novos mercados nos quais a pré-fabricação de concreto ainda tem potencial a ser ampliado, como o setor imobiliário”, afirma.
Ela destaca que os investimentos em tecnologias digitais e em novos materiais permanecem no centro das estratégias das empresas, com impacto direto na eficiência produtiva e na competitividade.
Infraestrutura lidera demanda
Entre os vetores de expansão, a infraestrutura ocupa posição de destaque. O sistema de pré-fabricação atende obras rodoviárias, ferroviárias e aeroportuárias, além de projetos de mobilidade urbana. “Vemos um investimento importante sendo realizado nesses modais, que são atendidos pelo nosso setor”, diz Íria.
A executiva também destaca o setor de energia renovável, especialmente a geração eólica no Nordeste, onde projetos têm adotado soluções industrializadas em concreto.

No caso das rodovias, as concessionárias vêm priorizando intervenções que conciliem segurança, redução de custos de manutenção e menor impacto ao tráfego. A construção industrializada contribui para esse cenário ao permitir montagens mais rápidas e com menor contingente de trabalhadores em campo. Em mercados como os Estados Unidos, métodos acelerados de construção já são adotados como padrão em diversas frentes.
Produtividade e previsibilidade
A escassez de mão de obra e a pressão por cronogramas mais curtos têm reforçado a preferência pelo modelo industrializado. Para Íria, a pré-fabricação oferece maior previsibilidade de prazos e custos, além de ganhos significativos de produtividade.
“Os desafios ligados à escassez de mão de obra, à maior produtividade, ao combate às mudanças climáticas e à busca pela neutralidade de carbono contribuem para o maior uso da industrialização”, afirma. Ela acrescenta que a necessidade de reduzir o déficit habitacional e de melhorar a infraestrutura urbana amplia o espaço para o sistema construtivo industrializado.
Outro fator valorizado pelas empresas é a mitigação de riscos. A produção em ambiente controlado contribui para a redução de passivos trabalhistas e ambientais, além de minimizar desperdícios.
Concretos especiais ganham espaço
O avanço tecnológico também se reflete na adoção de concretos de alto desempenho. De acordo com levantamento da entidade, cresceu o número de empresas que já utilizam ou estão implantando o uso de Ultra High Performance Concrete (UHPC). Em 2023, 10% das associadas declaravam utilizar a tecnologia. Em 2024, o índice subiu para 14%. Outras 56% informaram estar em fase de estudos para adoção.
O concreto autoadensável também registra ampla presença, sendo produzido por 78% das empresas consultadas no último ano. Para a presidente executiva, o uso de materiais como o concreto reforçado com fibras e o UHPC melhora o desempenho estrutural e contribui para ganhos logísticos. “No caso do concreto reforçado com fibras e do UHPC, há redução do volume de concreto utilizado nos elementos, com impacto em transporte e montagem”, explica.
Perspectiva para 2026
A ABCIC acompanha a evolução de um setor que se posiciona como alternativa para obras de maior complexidade e escala. Para 2026, a combinação entre investimentos em infraestrutura, modernização tecnológica e demanda por eficiência deve sustentar a expansão do mercado.
A consolidação da construção industrializada no país dependerá da continuidade de políticas de investimento e da capacidade das empresas de ampliar a presença em novos segmentos, como o setor imobiliário. A avaliação do setor indica que há espaço para crescimento consistente, desde que o ambiente econômico favoreça a retomada de projetos públicos e privados e mantenha o ritmo de inovação observado nos últimos anos.
Entrevistada
Íria Doniak, presidente executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto)
Contato
sylvia@meccanica.com.br (Assessoria de Imprensa)
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Normas técnicas ganham protagonismo na agenda ambiental da construção em 2026
A discussão sobre reduzir as emissões de CO₂ na construção civil está cada vez mais relacionada às normas técnicas. Em 2026, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) deverá consolidar e atualizar os documentos que orientam todas as etapas, do projeto à operação das edificações, com foco em desempenho, controle de processos e sustentabilidade.
Mario William Esper, presidente da ABNT, explica que o apoio normativo para reduzir emissões não se concentra em um único texto. Na prática, ele está distribuído em diversas normas e frentes de trabalho que envolvem fabricantes de materiais, projetistas, construtoras, bem como gestores e responsáveis pela operação e manutenção dos edifícios. “Diminuir as emissões na construção passa por toda a cadeia. Por isso, o suporte técnico se apoia em normas que tratam de sustentabilidade, desempenho, eficiência e controle, criando condições para evitar desperdícios e impactos ao longo da vida útil dos edifícios”, afirma.
Entre as iniciativas em andamento, Esper destaca os comitês que definem referências para temas como taxonomia, inventário de emissões e análise de ciclo de vida. No que diz respeito aos materiais, já estão sendo desenvolvidas normas que estabelecem requisitos relacionados à redução de emissões em cimento, aço e concreto.
A ABNT também mantém grupos que atuam na gestão de resíduos sólidos e logística reversa, contribuindo diretamente para reduzir perdas e aumentar a reciclagem. No universo da construção civil, as discussões abrangem industrialização, uso de BIM, coordenação modular e estudos para a criação de uma norma específica sobre inventários de gases de efeito estufa em edificações, alinhada a referências internacionais.
No que se refere a desempenho, a ABNT NBR 15575 já estabelece requisitos ligados à sustentabilidade, enquanto outros grupos seguem avançando em eficiência energética e desempenho térmico.

Crédito: Envato
A atualização das normas de produto também integra a agenda. A ABNT NBR 13281, publicada em 2018, estabeleceu requisitos de desempenho para argamassas, contribuindo para maior durabilidade e redução de custos com manutenção e descarte.
Na visão de Esper, esse tipo de norma contribui, mesmo que indiretamente, para a mitigação de emissões. “Quando a norma eleva o padrão técnico do produto e orienta o uso correto, reduz falhas, retrabalhos e manutenção precoce. O benefício ambiental muitas vezes vem desse efeito acumulado”, explica. Ele também lembra que critérios mais rigorosos de qualidade e durabilidade tendem a diminuir desperdícios na obra e o consumo de recursos ao longo do tempo.
Na construção civil, referências como a ABNT NBR ISO 14068 e a ABNT PR 2060 ajudam a dar mais consistência técnica às estratégias de descarbonização, porque organizam critérios para quantificação, redução e neutralidade de carbono. “Isso é relevante para todo o ciclo do empreendimento, da escolha de materiais e sistemas à operação da edificação, bem como fortalece decisões mais seguras, mensuráveis e alinhadas à sustentabilidade”, assinala.
Já as normas como a ABNT NBR ISO 14064 e a ABNT NBR ISO 14067 são referenciais importantes, porque dão base técnica para medir emissões e calcular a pegada de carbono de produtos. “No contexto da construção civil, isso contribui para comparações mais objetivas entre materiais, processos e soluções construtivas, favorecendo escolhas com menor impacto ambiental”, aponta Esper.
Em janeiro de 2026, foi publicada a ABNT NBR 20250, que estabelece diretrizes gerais de sustentabilidade para produtos e serviços. O documento está alinhado ao Programa Selo Verde, do governo federal,e busca orientar a adoção de medidas que minimizem impactos negativos e potencializem os positivos nas áreas ambiental, social e econômica. A norma também tem como objetivo auxiliar na verificação de práticas sustentáveis e oferecer maior clareza técnica para compras públicas.
Segundo Esper, outras discussões estão em andamento, incluindo a elaboração de documentos para produtos laminados de alumínio, polímeros de fonte renovável e vidros com atributos sustentáveis. O objetivo é estabelecer critérios verificáveis que auxiliem projetos, especificações e fiscalização.
Apesar dos avanços, ele acredita que o setor ainda precisa ganhar escala e consistência. “O desafio é transformar boas práticas em referências técnicas mais amplas, que orientem projetos e decisões de forma uniforme”, afirma. Esper destaca a importância de articulação com órgãos públicos e com toda a cadeia produtiva, assim como do investimento em tecnologia e recursos para agilizar a criação e atualização das normas.
Em relação a todos os documentos em elaboração, a expectativa é que parte das novas normas seja publicada no primeiro semestre de 2026, dependendo do andamento das etapas formais, como consulta pública.
Para o setor da construção, o avanço nas normas promete influenciar os projetos futuros, oferecendo critérios mais claros de desempenho ambiental e aumentando a previsibilidade técnica das soluções adotadas.
Entrevistado
Mario William Esper é engenheiro civil e mestre em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). É presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), presidente da Associação Mercosul e diretor titular adjunto do Departamento da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Integra também o Conselho Superior do Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o grupo curador do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS) do Ministério do Desenvolvimento Regional. Atua na área de normalização técnica desde 2001 e tem longa trajetória na Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), onde iniciou carreira como estagiário de engenharia civil em 1974.
Contato
mario.william@abnt.org.br
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Mercado imobiliário cresce 10% em 2025 e prevê queda da taxa Selic para estimular lançamentos em 2026
O mercado imobiliário brasileiro encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados históricos. Entre outubro e dezembro foram lançadas 133.811 unidades, um crescimento de 18,6% em comparação com o mesmo período de 2024, representando o maior volume trimestral dos últimos dez anos. No acumulado do ano, os lançamentos somaram 453 mil unidades, crescimento de 10,6% em relação a 2024 e novo recorde da série histórica. Os dados integram a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, iniciativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborados pela Comissão da Indústria Imobiliária (CII/CBIC) em correalização com o SESI Nacional e parceria com a Brain Inteligência Estratégica.
Em termos financeiros, o volume total de vendas lançadas atingiu R$ 292 bilhões em 2025. Segundo Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP, o desempenho surpreende diante do cenário de juros elevados. “Apesar da taxa de juros persistente em 15% ao ano, o incorporador continuou a sentir a demanda e fez seus lançamentos imobiliários independentemente desse patamar”, afirmou.
As vendas seguiram o mesmo ritmo: no quarto trimestre, foram comercializadas 109 mil unidades, e no acumulado de 2025, o setor totalizou 426.260 imóveis vendidos, representando uma alta de 5,4% em relação ao ano anterior.
Petrucci destacou a trajetória de crescimento ao longo dos últimos anos. “Em 2020 acumulávamos 279 mil unidades vendidas em 12 meses. O mercado mostrou resiliência mesmo diante de pandemia, alta de custos e instabilidade econômica”, aponta.

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Oferta cresce, mas estoque segue sob controle
A oferta final de imóveis encerrou o ano em 347 mil unidades, avanço de 6,2% em comparação com 2024. O aumento decorre principalmente do volume expressivo de lançamentos no último trimestre.
Apesar disso, o indicador de escoamento permanece saudável. O tempo médio para absorção da oferta está em 9,8 meses, bem abaixo dos quase 30 meses registrados no auge da crise dos distratos, em 2016. “Mais importante que o número absoluto é o tempo de escoamento. Hoje ele está abaixo de um ano, o que indica equilíbrio”, explicou Petrucci.
Minha Casa, Minha Vida responde por metade do mercado
O programa Minha Casa, Minha Vida consolidou sua posição como principal motor do setor. Em 2025, respondeu por 52% dos lançamentos e 49% das vendas nas 221 cidades monitoradas pela pesquisa.
Foram 224 mil unidades lançadas e quase 200 mil vendidas dentro do programa, com crescimento de 15,9% nas vendas ao longo do ano. “O Minha Casa, Minha Vida é hoje um programa consolidado como política de Estado. Mais de 50% dos financiamentos imobiliários do país passam por ele”, afirmou Petrucci. O escoamento nesse segmento é ainda mais rápido, próximo de oito meses. O bom desempenho reflete a forte demanda pelo primeiro imóvel, aliada ao déficit habitacional estimado em quase 6 milhões de moradias.
Intenção de compra atinge nível recorde
Dados da Brain Inteligência indicam que 50% dos domicílios com renda superior a R$ 2.500 manifestam intenção de comprar imóvel, o maior índice da série histórica.
Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor da empresa, explicou que diferentes faixas de renda sustentam esse movimento. “Na classe média e baixa, a renda tem crescido acima da inflação. Já no segmento de alta renda, a taxa de juros elevada favorece quem investe e usa a aplicação para pagar parcelas”, afirmou.
Segundo ele, 35% dos interessados pretendem comprar um imóvel nos próximos 12 meses. A maior parte procura moradia própria, mas 11% pretendem adquirir imóveis para locação, reforçando o imóvel como reserva patrimonial.
Preços sobem acima da inflação
O índice de valorização imobiliária apurado pela FGV registrou alta de 18,6% nos últimos 12 meses, superando tanto o INCC quanto o IPCA. Para Araújo, esse cenário estimula compras antecipadas. “Há clientes travando o preço do imóvel hoje, corrigido pelo INCC, enquanto mantêm aplicações financeiras rendendo próximo de 15% ao ano. A diferença gera ganho financeiro relevante”, observa.
Perspectivas para 2026
O setor projeta 2026 com cautela, mas confiante. A expectativa de redução da taxa Selic para a faixa de 12% deve estimular tanto a demanda quanto novos lançamentos. “A queda da Selic tende a impulsionar o ânimo de quem já tem intenção de compra. O mercado pode repetir 2025 ou até superar, dependendo do ambiente macroeconômico”, avaliou Petrucci.
Araújo, no entanto, ressalta que a base de comparação é elevada. “Não é simples superar recordes sucessivos. A tendência é crescer em ritmo menor, mas ainda positivo”, afirma. Com crédito disponível, orçamento robusto do FGTS e possível ampliação das faixas de renda do programa habitacional, o mercado entra em 2026 sustentado por demanda consistente e fundamentos sólidos, mantendo perspectiva de crescimento equilibrado.
Fontes
Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP
Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor da Brain Inteligência
Contato
ascom@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Novas soluções de segurança reduzem acidentes na construção
A atualização da Norma Regulamentadora NR-1, que passa a vigorar plenamente em maio de 2026, consolida uma mudança estrutural na gestão de segurança e saúde do trabalho no Brasil. Se antes predominava uma abordagem reativa, centrada à acidentes já ocorridos, o novo texto normativo reforça a adoção de uma gestão preventiva e contínua de riscos — incluindo fatores psicossociais — como eixo estratégico da proteção à saúde e à integridade dos trabalhadores.
Na construção civil, essa transformação já apresenta resultados concretos. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgados em novembro de 2025 indicam redução superior a 30% nos acidentes de trabalho em 2023, inclusive nos casos mais graves. O avanço está relacionado à atualização da NR-18, de 2020, que fortaleceu o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nos canteiros, e que ganha agora nova dimensão com a integração exigida pela NR-1.
Da reação à gestão integrada de riscos
Para Haruo Ishikawa, vice-presidente de Relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP, o principal impacto da norma está na consolidação da gestão estruturada de riscos como prática obrigatória.
“Com a plena exigibilidade prevista para maio de 2026, a NR-1 reforça a gestão estruturada de riscos como eixo central da prevenção. Nos canteiros, todo risco ocupacional deve estar formalmente identificado, avaliado e controlado dentro do PGR”, afirma.
Na prática, isso significa que a empresa deve considerar não apenas riscos físicos, químicos e biológicos, mas também fatores ergonômicos, organizacionais e psicossociais. Pressão por prazo, jornadas extensas, mudanças constantes de tarefa, falhas de comunicação e clima organizacional passam a integrar formalmente a matriz de risco.
O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) precisa estar integrado à gestão da obra, com revisões contínuas — já que o canteiro é um ambiente dinâmico. A participação ativa dos trabalhadores na identificação de perigos torna-se obrigatória, assim como o monitoramento da eficácia das medidas adotadas.

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Segurança, saúde mental e produtividade
A inclusão dos riscos psicossociais formaliza um debate que já vinha ganhando espaço no setor: ambientes mais seguros também reduzem estresse e adoecimento mental.
Segundo Ishikawa, há relação direta entre sobrecarga mental e acidentes. “A sobrecarga provoca queda de atenção, aumento de erros operacionais, impulsividade e fadiga cognitiva. A NR-1 determina que esses fatores sejam identificados e controlados no PGR.”
Aspectos aparentemente simples, como conforto térmico inadequado, impactam a concentração e elevam o risco de falhas. Posturas incorretas geram fadiga precoce e perda de precisão. A desorganização do canteiro aumenta o risco de quedas, colisões e retrabalho.
Soluções de alto impacto incluem áreas de sombra e pausas térmicas, layout racional do canteiro, rodízio de tarefas, ferramentas ergonômicas, sinalização clara e planejamento diário das frentes de trabalho. Ishikawa acredita que medidas administrativas e organizacionais, quando bem aplicadas, reduzem não apenas acidentes, mas rotatividade e afastamentos.
Para Ishikawa, uma gestão bem estruturada dentro do canteiro reduz significativamente os acidentes de trabalho — inclusive aqueles relacionados à saúde mental. “Obras organizadas, com planejamento consistente e controle efetivo de riscos, apresentam menor rotatividade, maior produtividade e menos afastamentos. Isso ocorre porque a gestão moderna atua de forma preventiva, com foco em planejamento, comunicação eficiente, fortalecimento da cultura de segurança e tomada de decisões baseada em dados. Por isso, é fundamental que as empresas mantenham indicadores estatísticos atualizados sobre seus canteiros. É preciso identificar, com clareza, quais são as principais causas de acidentes, em que etapas eles ocorrem com mais frequência e quais fatores estão envolvidos. Esses dados são essenciais para promover melhoria contínua e ajustar as medidas de controle de forma eficaz”, afirma.
Ao falar sobre os principais fatores de estresse no canteiro, a resposta é complexa, mas a NR-1 avança ao reconhecer oficialmente os riscos psicossociais como ocupacionais. “Entre os fatores mais comuns estão a pressão excessiva por prazos, jornadas extensas, mudanças constantes de tarefa sem o devido preparo, clima organizacional inadequado, baixa autonomia e falhas de comunicação. A pressão por prazo, por exemplo, pode levar o trabalhador a atuar sob tensão permanente. Jornadas prolongadas aumentam a fadiga e elevam o risco de acidentes — não é raro que ocorrências aconteçam no fim do dia, quando o nível de exaustão já compromete a atenção. A troca frequente de funções sem treinamento adequado também gera insegurança e estresse. A fadiga cognitiva reduz a capacidade de concentração, aumenta erros operacionais e pode levar a decisões impulsivas. Por isso, a NR-1 determina que esses fatores sejam formalmente identificados, avaliados e controlados no PGR”, destaca Ishikawa.
No contexto das operações em concreteiras, os riscos ocupacionais exigem atenção redobrada em razão das características técnicas das atividades e do ambiente de trabalho. Conforme José Antonio Morais Belo, engenheiro de segurança do trabalho da Concrebras, os principais riscos envolvem: lesões por operação de equipamentos e tubulações pressurizadas; choques elétricos inclusive de alta tensão com a operação de lanças, que podem atingir a fiação aérea; acidentes na operação dos equipamentos (bombas de concreto) e caminhões betoneira, instabilidade ou baixa capacidade de suporte do solo nos canteiros de obras; além de quedas relacionadas a pisos irregulares e desníveis.
Profissionalização da gestão e dados como base de decisão
A aplicação consistente do PGR tem impulsionado a profissionalização da gestão de obras e plantas industriais. Empresas que estruturam o programa com base na realidade específica de cada operação — e não em modelos padronizados — apresentam redução consistente de acidentes.
“O PGR não pode ser um documento copiado. Ele precisa refletir o risco real do canteiro ou da planta industrial. É um instrumento dinâmico, que acompanha o andamento da obra”, reforça Ishikawa.
A norma também passa a exigir indicadores mais robustos, como o monitoramento de taxas de acidentes e incidentes, a eficácia das medidas de controle, os indicadores de saúde organizacional e a aderência aos programas de treinamento. O treinamento, por sua vez, deve ser baseado no risco real das atividades, ser periódico, documentado e ter sua eficácia avaliada.
O que muda a partir de 2026?
De acordo com Ishikawa, com a plena exigibilidade da NR-1 em maio de 2026, as empresas precisarão:
- Revisar o PGR e incluir formalmente riscos psicossociais e organizacionais;
- Atualizar matrizes de risco conforme mudanças no canteiro ou na planta;
- Estruturar processos formais de gestão de mudanças e investigação de incidentes;
- Criar indicadores preventivos, além dos tradicionais índices de acidentes;
- Capacitar lideranças com foco em gestão de risco e fatores humanos. “A forma como o gestor se comunica e conduz a equipe impacta diretamente o clima organizacional. Uma liderança despreparada pode gerar estresse desnecessário e aumentar riscos. Por isso, defendo que a liderança deve ser exemplo dentro do canteiro, tanto na postura quanto no compromisso com a segurança”, opina Ishikawa.
- Garantir participação efetiva dos trabalhadores.
“A NR-1 representa, na minha visão, uma verdadeira mudança de paradigma: ela abandona o modelo reativo e consolida uma gestão contínua e integrada dos riscos, incorporando de forma estruturada os fatores humanos e organizacionais. Em síntese, a norma reconhece que os riscos psicossociais fazem parte da gestão de segurança e precisam ser tratados de maneira preventiva e sistêmica”, comenta Ishikawa.
Ishikawa percebe que ainda há apreensão em relação à NR-1, mas, na prática, não se trata de algo intransponível. “A norma exige, essencialmente, aquilo que a construção civil já precisa fazer: melhorar a organização da obra e estruturar de forma mais consistente a organização do trabalho dentro do canteiro. Não há ‘segredo’. Trata-se de incorporar mais um elemento fundamental à gestão — que, no fim, contribui para qualificar o setor como um todo. O mundo mudou, as relações de trabalho mudaram e os riscos psicossociais sempre existiram. A diferença agora é que eles passam a ser reconhecidos formalmente. É importante distinguir, inclusive, aquilo que o trabalhador traz de sua vida pessoal dos fatores que são gerados ou agravados no ambiente de trabalho — e é sobre estes que a empresa precisa atuar. Atuo há 24 anos na área de saúde e segurança do trabalhador da construção civil e posso afirmar: não é um ‘bicho de sete cabeças’. A exigibilidade plena da norma se aproxima e é natural que haja preocupação. Mas, com organização, capacitação e uso adequado das ferramentas de gestão, a NR-1 tende a fortalecer — e não fragilizar — a construção civil”, afirma Ishikawa.
De acordo com Belo, a NR 01 estabelece a implantação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) que subsidia o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). “A partir do programa, aqui na Concrebras, nós levantamos todos os riscos para elaborar o Inventário de Riscos Ocupacionais (IRO) que possuem detalhamento técnico, número de envolvidos e medidas de controle necessárias para que o risco seja reduzido. Utilizamos uma matriz de risco específica que traduz para uma leitura técnica dos riscos mais relevantes, o que nos possibilita a criação de planos de ação, com classificação de prioridades. A partir do plano de ação estabelecido, estudamos novas tecnologias de bombeamento, inspeções detalhadas do processo produtivo, alinhamos com os clientes modelos mais seguros de operação, treinamos as equipes. Exemplo: temos acidentes com o uso de marretas para fechamento de abraçadeiras, portanto, estudamos a partir da identificação do risco, o uso de ferramentas específicas e apropriadas com o intuito de reduzir a exposição”, conclui.
Entrevistado
Haruo Ishikawa é vice-presidente das Relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP.
José Antonio Morais Belo é engenheiro de segurança do trabalho da Concrebras.
Contato
rmontagnini@sindusconsp.com.br
jose.belo@cimentoitambe.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Duplicação da BR-470 tem investimento de R$ 1,7 bilhão
A duplicação da BR-470 no trecho entre Navegantes e Indaial, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, deve se estender ao menos até 2027, de acordo com estimativa do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
O DNIT informou ao Massa Cinzenta que a duplicação da BR-470/SC é uma das principais obras de infraestrutura em andamento em Santa Catarina. Segundo o órgão, até o momento, 86% dos serviços estão concluídos, com 62 quilômetros já duplicados e liberados ao tráfego.
Ainda de acordo com o DNIT, o empreendimento contempla 73 quilômetros entre Navegantes e Indaial, divididos em quatro lotes, com investimento total aproximado de R$ 1,7 bilhão. A conclusão da duplicação está prevista para 2026, nos lotes 1 e 2, e para 2027, nos lotes 3 e 4.
Solução construtiva

Ao Massa Cinzenta, o DNIT destacou que a solução construtiva adotada na obra consiste na implantação de pista nova paralela à existente, com pavimento flexível. A restauração das pistas atuais, por sua vez, é realizada com a adoção de pavimento semirrígido nos lotes 1, 2 e 3, e de pavimento flexível no lote 4.
Desafios da obra
Segundo o DNIT, entre os principais desafios enfrentados ao longo da execução está o remanejamento da rede de gás natural, cujo atraso na realocação impacta diretamente o cronograma. Além disso, o órgão também mencionou a interferência de outras redes públicas, como energia elétrica, telecomunicações e abastecimento de água. Nos primeiros anos, também houve entraves relacionados a desapropriações.
Soluções sustentáveis
No campo ambiental, o empreendimento incorpora soluções sustentáveis. “No lote 3, em Blumenau, está prevista a implantação de um passa-fauna aéreo, estrutura projetada para permitir a travessia segura de animais silvestres sobre a rodovia, contribuindo para a redução de atropelamentos, preservação da biodiversidade e manutenção da conectividade entre fragmentos de vegetação”, afirmou o DNIT.
Obras de arte
A obra de duplicação da BR-470/SC prevê a construção de 27 viadutos, dos quais 20 já foram concluídos. O DNIT informou ao Massa Cinzenta, que em todas as obras de arte especiais da rodovia é adotado o método construtivo com vigas pré-moldadas.
“Ainda restam sete viadutos a serem finalizados: um no lote 1, no km 4, em Navegantes; um no lote 2, no km 35, em Gaspar; dois no lote 3, nos km 52 e 54, em Blumenau; e três no lote 4, no km 60, em Blumenau, e nos km 62 e 64, em Indaial. Ao todo, estão previstos cinco viadutos no lote 1, sete no lote 2, oito no lote 3 e sete no lote 4”, destacou o órgão.
Fonte
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT)
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Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Seis megatendências moldam o mercado imobiliário e apontam estratégias para lançamentos e investimentos no setor
O mercado imobiliário brasileiro entra em um novo ciclo de transformação. Não se trata apenas de variações de crédito ou de preço. O que muda é o perfil do morador, a forma de consumir moradia e o conceito de valor atribuído ao imóvel.
Estudos recentes realizados pela Brain Inteligência identificaram seis megatendências que já impactam lançamentos e investimentos no país. Elas influenciam desde o tamanho das unidades até o conceito de luxo voltado ao público de alta renda. “O mercado imobiliário está passando por uma transformação estrutural. Não é uma projeção. É algo que já está acontecendo”, afirma Guilherme Werner, sócio e consultor da Brain. Segundo ele, fatores demográficos, econômicos e comportamentais já alteram o padrão dos lançamentos no país e exigem revisão estratégica das empresas.
Famílias menores pressionam metragens
O Brasil registra queda contínua na taxa de fecundidade. As famílias estão menores, e o número de moradores por domicílio diminui. Esse movimento reduz a necessidade de grandes áreas privativas, com crescimento da demanda por apartamentos compactos e funcionais. A prioridade deixa de ser metragem ampla e passa a ser eficiência de planta.
O desafio para o mercado é duplo: adequar o produto à nova realidade demográfica e, ao mesmo tempo, comunicar que menos espaço pode significar menor custo total e melhor aproveitamento. “Com menor adensamento dos núcleos familiares, o impacto direto é a compactação das metragens”, explica Werner. Ele ressalta que não se trata apenas de lançar imóveis pequenos, mas de redesenhar plantas para garantir funcionalidade.
A redução de área contribui para alinhar preços à capacidade de compra atual. Porém, o consultor observa que o consumidor ainda associa valor a espaço amplo. “O mercado precisa trabalhar o entendimento de que, muitas vezes, ele nem precisa de tanto espaço”.
Locação cresce entre médias e altas rendas
Outra tendência é o aumento da proporção de imóveis alugados. A capacidade de compra do consumidor imobiliário se deteriorou nos últimos anos, pressionada pela alta dos custos de construção e restrição de crédito. “Há uma tendência clara de aumento na locação. E não é só na baixa renda”, afirma Werner. Segundo ele, famílias de média e alta renda também optam por alugar, priorizando acesso ao imóvel em detrimento da posse formal.
Esse movimento fortalece modelos como multifamily e empreendimentos estruturados para locação de longo prazo. “As pessoas querem ter acesso ao imóvel. Não necessariamente declará-lo como bem próprio”, aponta.
Acesso supera a posse
A mudança geracional reforça esse cenário. Consumidores mais jovens valorizam mobilidade e flexibilidade. “A lógica do acesso, combinada à busca por experiências, altera o ciclo de permanência nos empreendimentos”, afirma Werner ao analisar o comportamento de compra. Para as incorporadoras, isso exige oferta de serviços agregados, tecnologia e gestão eficiente. O produto deixa de ser apenas a unidade privativa.
Fachadas biofílicas ganham espaço

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A busca por áreas verdes e espaços de descompressão se intensificou após a pandemia. Projetos paisagísticos mais robustos ganham protagonismo. “Os empreendimentos com investimento paisagístico começam a tomar maior protagonismo no mix do mercado imobiliário”, diz Werner. O conceito de biofilia — que propõe a integração entre arquitetura e natureza — traduz essa tendência, se manifestando na valorização da ventilação natural e áreas abertas de convivência. A demanda aparece em diferentes padrões de construção e renda.
Leia mais sobre a tendência da biofilia nas edificações: https://www.cimentoitambe.com.br/edificio-arvore-traz-agua-filtrada-e-ar-mais-puro-aos-moradores/
Diferenciais ambientais
A sustentabilidade consolidou-se como vetor estratégico. No início, o apelo esteve concentrado na economia, e soluções como energia solar e sistemas de eficiência hídrica contribuíam para a redução de custos condominiais. Agora, a motivação inclui preocupação ambiental genuína. “A sustentabilidade começa a ganhar proporção junto aos públicos, sobretudo de maior renda”, afirma Werner. Ele destaca que o imóvel é um ativo de longa duração e precisa ser pensado para décadas. Isso significa que compradores vêm demonstrando disposição para pagar mais por diferenciais ambientais.
Quiet luxury redefine o alto padrão
No segmento premium, o conceito de quiet luxury avança. O luxo deixa de ser exibido e passa a ser experimentado. “É o luxo de não aparecer”, resume Werner. O foco está em arquitetura assinada, curadoria de serviços e parcerias estratégicas em áreas comuns, como spas, academias e adegas.
As seis megatendências não atuam de forma isolada, elas se conectam. O resultado é um mercado mais segmentado e exigente. Para se destacar, incorporadoras precisam apoiar decisões em dados, leitura demográfica e análise de comportamento. É preciso entender quem compra, como compra e por que compra. “Quem compreender essas mudanças e traduzir isso em produto vai sair na frente”, conclui Werner.
Entrevistado
Guilherme Werner é especialista em Planejamento e Gestão de Negócios pela FAE Business School, com formação em Comunicação Social pela Universidade Positivo. Possui formação complementar ampla nas áreas de planejamento estratégico, incorporação de edifícios e desenvolvimento urbano, além de Conselheiro Imobiliário. Atua como professor em diversos cursos de especialização, extensão e MBAs ligados ao segmento. É sócio e consultor da Brain, e já atuou em estudos de mercado em todo o país.
Contato
murilo.sacardi@viracomunicacao.com.br (Assessoria de Imprensa)
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