SEMTEC 2026 destaca o uso de combustíveis alternativos e coprocessamento

Entre os dias 19 e 21 de maio, foi realizado em Belo Horizonte (MG) o SEMTEC 2026, o Seminário Técnico da Indústria de Cimento e de Cal. O evento contou com mais de 50 palestras que abordaram boas práticas e inovações no setor.

O tema central do evento foi a fábrica do futuro. As apresentações foram divididas em áreas específicas, como transformação digital e uso de novas ferramentas com IA, manutenção preditiva e prescritiva, melhor controle de processos e produção, transformação da sacaria de 50 kg para 25 kg, otimização energética e, com especial enfoque, a pegada de carbono.

O evento foi bastante abrangente, cobrindo todas as áreas de uma fábrica de cimento. O SEMTEC visa abarcar desde estagiários até diretores e, por isso, é gratuito e realizado próximo aos polos cimenteiros. Entre os patrocinadores, estiveram presentes 67 companhias com forte atuação nas indústrias de cimento e cal”, afirma Tiago Couto, diretor da Densit do Brasil, empresa responsável pela realização do SEMTEC.

Para Douglas de Conto, assessor técnico da Cimento Itambé, que compareceu ao evento, o SEMTEC 2026 mostrou que a indústria de cimento e cal está vivendo uma transformação muito mais estratégica do que apenas operacional.

“Os debates deixaram claro que hoje o setor precisa equilibrar três grandes pilares: descarbonização, eficiência energética e competitividade econômica”, pontua.

Tema central do evento do SEMTEC 2026 foi fábrica do futuro. Crédito: Divulgação/SEMTEC 2026

Uso de combustíveis alternativos e coprocessamento

Dentre as grandes tendências debatidas no SEMTEC 2026, Tiago Couto aponta os cimentos com menor razão clínquer/cimento, o aumento do consumo de combustíveis alternativos e melhores consumos energéticos.

Segundo o assessor técnico da Itambé, o setor busca produzir mais, consumir menos energia fóssil e reduzir a pegada de carbono do cimento.

“A questão da diversificação energética gerou debates relevantes. O setor está cada vez mais pressionado pelos custos dos combustíveis tradicionais e pelas metas ambientais, então temas como biomassa, resíduos industriais, RDF e coprocessamento aparecem como soluções técnicas e econômicas ao mesmo tempo”, afirma Douglas.

Uma das tecnologias destacadas , segundo o assessor técnico da Itambé, é o uso de combustíveis alternativos e do coprocessamento, porque já está trazendo impacto direto nas fábricas. “A indústria vem substituindo parte do coque de petróleo por biomassa, resíduos industriais e combustíveis derivados de resíduos, reduzindo custos energéticos e emissões de CO2 ao mesmo tempo”, justifica.

De Conto também ressaltou o uso da argila calcinada e de materiais cimentícios suplementares, que ajudam a reduzir a quantidade de clínquer no cimento, diminuindo a pegada de carbono da produção.

Após esta edição do SEMTEC, Tiago Couto acredita que um dos grandes desafios do setor é a mudança da norma brasileira, visando minimizar o uso de clínquer, que hoje limita o uso de calcário a 25%, e a implementação do saco de 25 kg como obrigatório.

Aplicação de oxigênio via VPSA em fornos de cimento

Douglas e Tiago apontam que a aplicação de oxigênio via VPSA em fornos de cimento, associada ao uso de combustíveis alternativos, esteve entre os temas mais debatidos do evento.

“O tema mostrou como a indústria cimenteira está buscando aumentar eficiência energética, produtividade e sustentabilidade ao mesmo tempo. Chamou-me atenção, principalmente, a forma como o enriquecimento com O2 pode compensar limitações operacionais dos combustíveis alternativos, permitindo maior substituição de combustíveis fósseis sem perder estabilidade do processo. Foi uma palestra muito interessante porque uniu visão técnica, impacto econômico e sustentabilidade industrial de maneira bastante prática”, comenta o assessor técnico da Cimento Itambé.

Sustentabilidade

De Conto acredita que um ponto muito forte desta edição foi perceber que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma necessidade de mercado. “Hoje, reduzir emissões significa também reduzir custos energéticos, aumentar eficiência e garantir competitividade futura para as cimenteiras. Sobre o mercado atual do cimento e da cal, a grande ideia que conecta praticamente todos os temas do evento é como tornar a indústria mais sustentável, eficiente e competitiva em um cenário de pressão ambiental, energética e econômica”, destaca.

Neste contexto, De Conto vê que tecnologias ligadas à captura de carbono, à eficiência térmica e à economia circular tendem a ganhar cada vez mais espaço.

Transformação digital: automações e IA

Para De Conto, o Semtec 2026 mostrou que a indústria brasileira de cimento e cal está avançando de forma consistente na transformação digital. “A indústria 4.0 já está chegando às plantas por meio de automação avançada, sensores online, monitoramento em tempo real e sistemas inteligentes de controle de processo. Os debates mostraram que as fábricas estão buscando operações cada vez mais eficientes, previsíveis e sustentáveis, utilizando análise de dados e otimização operacional para reduzir o consumo energético, aumentar a produtividade e diminuir emissões”, comenta.

“O uso de sensores online, análise de dados em tempo real e inteligência artificial permite prever falhas, reduzir paradas não programadas e otimizar o desempenho dos fornos e moinhos. Além disso, sistemas digitais de controle ajudam as plantas a operar com maior estabilidade, menor consumo energético e mais produtividade, tornando a manutenção mais preventiva e estratégica. Da mesma forma, automação e controle inteligente de processo ajudam as fábricas a operar com menor consumo energético e maior eficiência”, explica De Conto.

Fontes

Tiago Couto é diretor da Densit do Brasil, empresa responsável pela realização do SEMTEC.

Douglas de Conto é assessor técnico da Cimento Itambé, Engenheiro Civil – UNIFACEAR e Tecnólogo em Concreto – UTFPR. Especialista em Patologia nas Obras Civis – IDD, possui mais de 15 anos de atuação na área da construção civil, com foco em tecnologia do concreto. Consultoria técnica de campo em concreteiras, indústrias de pré-fabricados e fabricantes de artefatos de concreto. Diagnóstico e análise de manifestações patológicas em estruturas. Desenvolvimento de soluções técnicas aplicadas à durabilidade e desempenho do concreto.

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Uso do concreto aparente cresce em projetos voltados à eficiência térmica e integração urbana

O concreto deixou de ocupar apenas a função estrutural das edificações para assumir protagonismo estético e funcional na arquitetura contemporânea. Em projetos de diferentes escalas, o material vem sendo associado a tendências que valorizam desempenho térmico, durabilidade, racionalização construtiva e integração entre arquitetura e cidade. Nesse contexto, destacam-se a arquitetura bioclimática e a retomada da linguagem brutalista.

A valorização do concreto aparente não é recente, mas ganhou novo impulso nos últimos anos. Segundo a engenheira da Geplan, Natália Smaniotto Bach, esse movimento teve início ainda no modernismo, quando arquitetos passaram a explorar o concreto não apenas como solução estrutural, mas também como elemento de expressão estética. “O concreto aparente começou a ser valorizado por sua aparência crua e sua capacidade de criar formas inovadoras. Depois, ganhou destaque no movimento brutalista, que enfatizava a honestidade dos materiais e formas robustas”, afirma.

A linguagem brutalista, difundida internacionalmente sobretudo entre as décadas de 1950 e 1970, voltou a influenciar projetos contemporâneos, especialmente em edifícios culturais, corporativos e residenciais de alto padrão. Caracterizada pela exposição da estrutura, pela valorização das formas geométricas e pela ausência de revestimentos convencionais, essa vertente faz na materialidade parte central da identidade arquitetônica.

Sesc Pompéia é uma das referências no uso de concreto aparente. Crédito: Divulgação

No Brasil, obras como o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, de Paulo Mendes da Rocha, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, de Vilanova Artigas, e o Sesc Pompeia, de Lina Bo Bardi, são referências do uso do concreto aparente como expressão arquitetônica permanente.

Menos revestimentos e maior durabilidade

Além do aspecto visual, o concreto aparente vem sendo adotado também por razões técnicas e econômicas. Ao eliminar etapas como reboco, massa corrida e pintura, o sistema reduz o consumo de materiais, simplifica o cronograma executivo e diminui a geração de resíduos. “A principal vantagem do concreto aparente está na redução ou eliminação dos revestimentos convencionais, uma vez que o próprio elemento estrutural passa a constituir o acabamento final da edificação”, explica Natália.

Essa característica também reduz interfaces entre equipes de obra, diminui retrabalhos e pode reduzir custos futuros de manutenção. “O concreto aparente não demanda repinturas frequentes nem substituição de revestimentos destacáveis. As manutenções normalmente se restringem à limpeza e tratamentos pontuais”, afirma.

Outro fator que impulsiona o uso do material é a durabilidade. Quando corretamente especificado e executado, o concreto apresenta elevada resistência mecânica, bom desempenho frente à umidade e ao desgaste natural, além de maior estabilidade estética ao longo do tempo.

Arquitetura bioclimática impulsiona novas aplicações

Arquitetura bioclimática utiliza o potencial do concreto para promover eficiência térmica. Crédito: Divulgação

O concreto também ganhou espaço em projetos de arquitetura bioclimática, modelo que busca adaptar as edificações às condições climáticas locais para ampliar o conforto térmico e reduzir o consumo energético.

Nesse contexto, a inércia térmica do concreto passou a ser utilizada estrategicamente para minimizar oscilações de temperatura nos ambientes internos. A arquiteta e urbanista Paula Morais explica que esse desempenho está diretamente relacionado às características e às necessidades específicas de cada projeto. “A arquitetura bioclimática fundamenta-se na utilização de elementos que auxiliam diretamente na eficiência energética da edificação, controlando variáveis conforme a necessidade climática. O concreto armado apresenta-se como um aliado estratégico pela sua inércia térmica, que auxilia na regulação das temperaturas internas”, destaca.

Ela aponta que estratégias passivas relacionadas à incidência solar, ventilação e microclima urbano têm orientado soluções arquitetônicas mais integradas ao espaço público e ao território. “É preciso respeitar as particularidades de implantação e o microclima específico de cada projeto”, ressalta.

A arquiteta também observa que o concreto é um sistema construtivo amplamente difundido e acessível. Sua ampla aceitação deve-se ao fato de ser um sistema de fácil manuseio e de conhecimento popular na hora da execução.

Integração entre cidade e edifícios

A discussão sobre sustentabilidade e desempenho urbano também tem aproximado a arquitetura bioclimática do planejamento dos espaços públicos. Em projetos contemporâneos, áreas de convivência, fachadas ativas e ambientes de fruição coletiva passaram a ser incorporados ao desenho arquitetônico como forma de estimular circulação de pessoas e ampliar a sensação de segurança urbana.

A proposta busca criar edificações que dialoguem com o entorno urbano, favorecendo o uso coletivo dos espaços e reduzindo barreiras físicas entre cidade e arquitetura.

Nesse cenário, o concreto segue como um dos materiais mais presentes nas novas soluções arquitetônicas. Seja pela estética, pela durabilidade ou pelo desempenho térmico, o ele consolida sua presença em projetos que priorizam eficiência construtiva, sustentabilidade e integração urbana.

Entrevistados

Natália Smaniotto Bach é engenheira civil, mestra em Engenharia Civil na área de Construção Civil e pós-graduanda em Gestão de Projetos, com oito anos de experiência na coordenação e compatibilização de projetos multidisciplinares, atuando na integração entre arquitetura e engenharia, com foco em soluções técnicas, resolução de interferências e cumprimento de prazos. Atualmente, é engenheira da Geplan.

Paula Morais é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com especialização em Meio Ambiente e Arquitetura Bioclimática pela Universidad Politécnica de Madrid e MBA em Administração e Gestão de Incorporações e Construções Imobiliárias pela FGV. Fundadora do Estudio Convexo, aplica e estudos de clima e desempenho ambiental aos projetos que desenvolve, com foco em eficiência térmica, respeito ao território e sustentabilidade.

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natalia.bach@gmail.com

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Ana Carvalho

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IBGE aponta aumento de pessoas morando sozinhas e setor da construção civil investe em moradias funcionais

O retrato mais recente dos domicílios brasileiros divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma uma mudança no perfil das famílias do país. Hoje, um em cada cinco lares brasileiros é ocupado por apenas uma pessoa. O fenômeno, que já vinha sendo percebido pelo mercado imobiliário, tem provocado transformações nos projetos residenciais e nas estratégias da construção civil.

Ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas morando sozinhas, o país também registra aumento dos imóveis alugados e desafios ligados à infraestrutura urbana, como a falta de saneamento em parte das moradias. Para especialistas do setor, o cenário aponta para uma demanda cada vez maior por empreendimentos compactos, funcionais e localizados próximos aos centros urbanos.

Segundo Adalberto Scherer, diretor comercial da Cibraco Imóveis, o movimento acompanha mudanças sociais observadas em diversos países. “A pesquisa do IBGE simplesmente reflete uma tendência mundial. Hoje as pessoas têm menos filhos, são menos patrimonialistas e procuram muito mais uma qualidade de vida individual”, afirma.

Público valoriza áreas comuns que estimulem a convivência e a qualidade de vida. Crédito: Envato

De acordo com ele, fatores como envelhecimento da população, mudanças nas relações familiares e a busca por praticidade têm alterado o perfil de consumo imobiliário. “As pessoas querem ter facilidade na vida delas. E a construção vem se adaptando rapidamente, montando empreendimentos menores e que ofereçam bastante prestação de serviço para os moradores”, diz.

Apartamentos compactos se tornam protagonistas

O crescimento dos chamados domicílios unipessoais acelerou a procura por studios e apartamentos compactos, principalmente em regiões urbanas com boa oferta de serviços e mobilidade. Para Gustavo Selig, CEO do Grupo Hestia, o mercado precisou rever conceitos tradicionais de moradia. “Os dados mais recentes do IBGE só chancelam o que a gente já via no canteiro de obras. Esse salto das unidades unipessoais nos últimos anos é um fenômeno urbano consolidado”, afirma.

Segundo ele, imóveis entre 20 e 45 metros quadrados passaram a ocupar posição de destaque nos lançamentos imobiliários. “O boom dos studios e microapartamentos não é um modismo passageiro, mas uma resposta direta a esse novo perfil de morador que prioriza praticidade e eficiência no cotidiano”, explica.

A mudança não se limita ao tamanho dos imóveis. Os empreendimentos passaram a incorporar soluções para otimização dos espaços internos, integração tecnológica e ampliação das áreas compartilhadas. “A engenharia de produto hoje trabalha com plantas super funcionais e otimização máxima do espaço, prevendo marcenaria inteligente para que o morador tenha tudo sem aperto”, afirma Selig.

Áreas comuns ganham importância

Com unidades menores, as áreas comuns passaram a ter papel estratégico nos empreendimentos. Segundo Selig, a lógica atual do mercado combina metragem reduzida com oferta ampliada de serviços dentro do condomínio. “Se a área privativa é menor, o condomínio precisa compensar com áreas comuns robustas, como coworking, lavanderia coletiva, academia e espaços de convivência”, afirma.

A localização também se tornou um fator decisivo. Imóveis próximos ao trabalho, ao transporte coletivo e a centros comerciais tendem a atrair mais esse público, que busca reduzir deslocamentos e ganhar tempo na rotina.

Outro aspecto valorizado é a tecnologia integrada aos empreendimentos. Sistemas automatizados, fechaduras biométricas e infraestrutura para veículos elétricos passaram a fazer parte dos novos projetos voltados ao público urbano.

Envelhecimento da população cria novas demandas

O aumento de mulheres acima dos 60 anos vivendo sozinhas também tem levado construtoras a desenvolver projetos voltados à autonomia e segurança desse público.

Segundo Selig, o conceito conhecido como “senior living” vem ganhando espaço no Brasil, mas com uma proposta diferente dos modelos tradicionais de moradia assistida. “Elas não buscam um ambiente com cara de clínica, mas sim um lar moderno que ofereça segurança e independência”, afirma.

Entre as adaptações presentes nos novos empreendimentos estão pisos antiderrapantes, iluminação automatizada, portas mais largas e sistemas de monitoramento integrados à arquitetura.

Além da acessibilidade, os projetos também apostam em espaços de convivência e serviços sob demanda. “Serviços como limpeza contratada e pequenos reparos ajudam a manter a autonomia e permitem que a moradora tenha mais controle sobre a própria rotina”, destaca.

Mercado vê oportunidade de expansão

Para o setor da construção civil, a mudança no perfil demográfico representa uma oportunidade de expansão em diferentes segmentos. Além dos compactos de alto padrão, o mercado também observa crescimento de projetos voltados à longevidade e à moradia acessível. Selig afirma que já existem empreendimentos privados e iniciativas habitacionais públicas focadas exclusivamente na população acima de 60 anos, com estruturas adaptadas para garantir segurança, saúde e convivência social.

Já para Adalberto Scherer, a tendência deve continuar nos próximos anos, impulsionada pelas transformações sociais e pelo envelhecimento da população brasileira. “Em breve teremos mais idosos do que jovens no Paraná. A construção civil percebeu isso e passou a desenvolver unidades menores, mais funcionais e próximas dos centros urbanos”, afirma.

O avanço das moradias unipessoais mostra que o conceito de habitação no Brasil está em transformação. Mais do que metragem, os novos consumidores buscam praticidade, mobilidade, segurança e qualidade de vida. E o setor da construção civil já começou a adaptar seus projetos a essa nova realidade.

Entrevistados

Adalberto Scherer Filho é graduado em Administração de Empresas pela FAE e Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba. Especialista em Marketing pela FAE). Atua há 30 anos como diretor executivo da Cibraco Imóveis.

Gustavo Selig é engenheiro civil graduado pela PUC-PR, mestre em Administração de Empresas e Negócios pela FGV-PR. Cofundador e presidente do Grupo Hestia, atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário paranaense.

Contato

contato@rafaelasalomon.com.br (Assessoria de Imprensa)

gustavo.selig@grupohestia.com.br

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Ana Carvalho

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Como fazer a interpretação técnica em ensaios de concreto?

Em ensaios de concreto, interpretar corretamente um resultado é tão importante quanto executá-lo. A análise isolada de um valor de resistência à compressão pode resultar em interpretações incompletas sobre a qualidade do material. O ACI 214R-11 – Guide to Evaluation of Strength Test Results of Concrete propõe uma leitura mais robusta e ampla: os resultados devem ser avaliados considerando média, dispersão, tendência e coerência estatística.

O ACI 214R-11 propõe que os ensaios de concreto devem ser avaliados considerando média, dispersão, tendência e coerência estatística. Crédito: Divulgação/Assessoria Técnica - Cimento Itambé

Embora o documento tenha como foco principal a resistência à compressão, seus fundamentos são aplicáveis a outros controles tecnológicos do concreto. A lógica central é: um resultado individual informa pouco; uma série de resultados bem amostrada e tecnicamente interpretada revela a estabilidade do processo.

O resultado de resistência é consequência de toda a cadeia de ensaio

O ACI 214R-11 reforça que a resistência obtida em corpos de prova moldados, curados e rompidos sob condições padronizadas representa o desempenho do concreto ensaiado, e não diretamente a resistência in situ da estrutura.

Por isso, antes de interpretar um resultado baixo como problema do material, é necessário avaliar a confiabilidade do dado: a amostragem foi representativa? A moldagem foi adequada? A cura inicial foi preservada? Houve excentricidade, falha de retífica, tipo de neoprene ou anomalia durante a ruptura?

Na prática, o resultado reflete a combinação entre concreto produzido, amostragem, preparo dos corpos de prova e execução do ensaio. Qualquer desvio nessa cadeia pode comprometer sua interpretação.

Figura 1: Curvas de frequência normal para três distribuições diferentes com a mesma média, mas variabilidade diferente.

Fonte: Baseado no ACI 214R-11

Variabilidade: entender a origem é essencial

O ACI 214R-11 diferencia duas fontes principais de variação:

Variação entre lotes, associada às oscilações reais do processo produtivo, como alterações nos materiais, na relação água/materiais cimentícios, na mistura, no transporte ou na uniformidade da carga.

Variação dentro do mesmo ensaio, relacionada principalmente à amostragem, moldagem, cura e ruptura dos corpos de prova.

Essa distinção tem efeito direto no diagnóstico técnico. Diferenças elevadas entre corpos de prova de uma mesma amostra tendem a indicar fragilidade no procedimento de ensaio.oscilações relevantes entre médias de ensaios sucessivos podem sinalizar instabilidade do concreto produzido. Portanto, a dispersão dos resultados não deve ser tratada apenas como “variação natural”. Ela é um indicador de controle — ou de perda dele.

Amostragem representativa: a base de qualquer análise confiável

O ACI 214R-11 ressalta que a validade da análise estatística depende de amostragem representativa e aleatória. Quando a coleta é feita por conveniência ou sem critério técnico, cria-se um viés que compromete toda a avaliação posterior. Em termos práticos, não existe interpretação estatística confiável construída sobre uma amostragem inadequada.

Tendência importa – e muito

A análise técnica não deve observar apenas se um resultado atende ou não a um limite. É necessário verificar também a tendência do processo ao longo do tempo.

Uma sequência gradual de redução da resistência, mesmo ainda acima da especificação, pode indicar deslocamento da média e perda progressiva de robustez. O ACI 214R-11 reconhece o uso de ferramentas como cartas de controle justamente para identificar esse tipo de comportamento antes que ele se converta em não conformidade.

Essa leitura preventiva amplia o valor do controle tecnológico: os ensaios deixam de ser apenas uma verificação documental e passam a funcionar como instrumento de diagnóstico, previsibilidade e tomada de decisão.

Figura 2: Resultados de resistência mecânica

Fonte: Baseado no ACI 214R-11

Interpretar resultados é controlar o processo

A principal contribuição do ACI 214R-11 está em transformar a resistência do concreto em informação de processo. Um resultado tecnicamente interpretado deve responder a perguntas objetivas:

  • O dado é confiável?
  • A dispersão está compatível com o histórico?
  • Há tendência de deslocamento da média?
  • A variabilidade vem da produção ou do ensaio?

Quando essas perguntas fazem parte da rotina de controle, a análise de resultados se torna mais precisa, reduz decisões precipitadas e fortalece a segurança técnica do processo.

Para mais informações e para implementar estes conceitos na rotina de controle tecnológico, clientes podem consultar a equipe de Assessoria Técnica da Itambé!

https://www.cimentoitambe.com.br/assessoria-tecnica/
Guilherme Bessornia, Coordenador de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé

Referências:

ACI 214R-11 – Guide to Evaluation of Strength Test Results of Concrete.

Autor

Guilherme Bessornia 
Coordenador de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé, Engenheiro Químico pela Universidade de Sorocaba, especialista em Engenharia de Materiais pela Universidade de Mogi das Cruzes e mestrando em Ciência e Tecnologia de Materiais pela Universidade Estadual Paulista. Possui 12 anos de experiência em materiais cimentícios e químicos para construção civil, com atuação em consultoria técnica de campo e nos segmentos de pré-fabricados, artefatos de cimento, infraestrutura, fibrocimento, argamassa e concreteiras.

Contato

guilherme.bessornia@cimentoitambe.com.br

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Abcic inaugura Regional Sul em Florianópolis (SC)

No dia 7 de maio, a Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic) inaugurou sua Regional Sul, sediada em Florianópolis (SC). O evento reuniu associados, arquitetos, engenheiros, construtoras e convidados do setor.

Durante o evento, aconteceu o Encontro Regional Sul, aberto pela engenheira Íria Doniak, presidente executiva da Abcic, e por Felipe Cassol, diretor da Regional Sul. Ambos ressaltaram a relevância da criação de uma sede regional para fortalecer o associativismo e ampliar a representatividade da entidade junto às empresas e profissionais da cadeia da construção industrializada.

A nova regional terá papel estratégico na identificação das demandas e desafios específicos da região, contribuindo para o desenvolvimento de ações voltadas às necessidades técnicas, tecnológicas e mercadológicas dos associados, além de fomentar oportunidades de expansão, inovação e negócios.

Na apresentação, Felipe Cassol também destacou que esta regional tem como objetivo promover o desenvolvimento do setor de pré-fabricado de concreto e a difusão desse sistema construtivo e da industrialização da construção. “Queremos integrar a cadeia do pré-fabricado de concreto junto aos seus públicos de interesse, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da industrialização da construção, por meio de ações e atividades técnicas, setoriais, de conhecimento, de normalização, formação e qualificação de pessoas, institucionais e acadêmicas”, afirmou.

Regional Sul deve ampliar a representatividade da entidade junto às empresas e profissionais da cadeia da construção industrializada.
Crédito: Abcic

Ao todo, são 18 fabricantes, 21 fornecedores de produtos e equipamentos (incluindo a Cimento Itambé), 8 fornecedores de serviços e 33 profissionais técnicos associados à Regional Sul da Abcic.

Mercado imobiliário de Santa Catarina

A programação incluiu ainda uma palestra de Marcelo Brognoli, presidente do Creci-SC, que apresentou uma análise do mercado imobiliário catarinense, seus desafios e oportunidades. Para Brognoli, o mercado imobiliário catarinense movimenta a economia, atrai investimentos, gera empregos e transforma cidades. Nesse cenário, ele aponta que o corretor de imóveis exerce um papel estratégico, contribuindo para um ambiente cada vez mais profissional, seguro e preparado para o futuro.

Durante a apresentação, ele destacou que Santa Catarina vive um momento histórico e mostrou dados: 94% de crescimento em lançamentos; R$ 41,9 bilhões de VGV em 2024, um crescimento de 108% sobre 2021; e 65% dos lançamentos do Sul entre 2024 e 2025. A fonte é de uma pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com a BRAIN, de julho de 2025.

Grupos de trabalho

A Abcic apresentou ainda sua estrutura de planejamento estratégico, organizada em cinco grupos de trabalho (GTs), com foco em fortalecimento institucional, desenvolvimento técnico, sustentabilidade e inovação. A iniciativa busca ampliar a atuação da entidade, fortalecer o relacionamento com os associados e impulsionar novas oportunidades para o setor da construção industrializada em concreto.

GT01 – Valorização da associação e dos associados

O grupo tem como objetivo fortalecer a marca e a representatividade da associação, promovendo iniciativas voltadas à valorização dos associados e ao incentivo às melhores práticas do mercado. Entre as prioridades estão o fortalecimento do selo da entidade, a promoção da Abcic, o estímulo à aderência às normas técnicas e a criação de políticas de associação, retenção e desenvolvimento dos membros.

O GT também prevê ações para reduzir barreiras de entrada, ampliar o engajamento dos associados e estruturar trilhas de desenvolvimento profissional.

GT02 – Estrutura executiva

Voltado ao fortalecimento institucional e financeiro da entidade, o GT de Estrutura Executiva trabalha na implementação de um novo modelo operacional para a associação. Entre os objetivos estão a separação das funções institucionais das associativas, a redefinição do modelo de operação sustentável e a criação de um plano de transição financeira.

O grupo também discute a modernização do estatuto, a atualização do Selo de Excelência e o desenvolvimento de um modelo regionalizado de atuação, ampliando os canais de comunicação, atendimento e prestação de serviços aos associados.

GT03 – Edifícios altos

Com foco no desenvolvimento técnico e na expansão da cadeia de valor, o GT de Edifícios Altos atua na elaboração de conteúdos técnicos voltados à construção vertical industrializada. Entre as ações previstas estão a tradução do manual da fib, o desenvolvimento de um manual de construção de edifícios altos e a criação de diretrizes para contratação nesse segmento.

GT04 – Sustentabilidade

A sustentabilidade aparece como um dos pilares estratégicos da entidade. O GT trabalha na construção de um roadmap de sustentabilidade, no estímulo ao selo de sustentabilidade em nível 3 e na implementação das DAPs (Declarações Ambientais de Produto), alinhadas às normas internacionais e brasileiras.

As ações contemplam diferentes sistemas construtivos, como lajes, painéis, pilares, vigas e estacas, além da emissão de DAPs para associados.

GT05 – Desenvolvimento do portal de serviços de conteúdo

O quinto grupo de trabalho é dedicado à criação de um portal de serviços e conteúdo para o setor. A proposta inclui a definição de um modelo de parcerias e viabilização financeira, além do planejamento e desenvolvimento da plataforma.

O portal deverá reunir conteúdos organizados por eixos temáticos, categorias e gestão do conhecimento, incorporando recursos como gamificação. O projeto prevê inicialmente um MVP (produto mínimo viável), seguido por expansão gradual da plataforma.

Fontes

Felipe Cassol é engenheiro e diretor da Regional Sul da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).

Marcelo Brognoli é presidente do Creci-SC.

Íria Lícia Oliva Doniak, engenheira civil, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) e presidente da fib – International Federation of Structural Concrete (2025-2026).

Contatos

Abcic: sylvia@meccanica.com.br

Creci-SC: claudio.pizarro@creci-sc.gov.br

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Especialistas alertam para impacto do uso do FGTS

A proposta do governo de permitir o uso de parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para renegociação de dívidas, medida que vem sendo chamada de Desenrola 2, reacendeu o debate sobre os limites de utilização dos recursos do fundo e os possíveis impactos sobre o financiamento habitacional no Brasil. A medida prevê a liberação até 20% do saldo disponível no FGTS, limitada a R$ 1 mil por trabalhador, para renegociação de débitos.

Embora seja vista como alternativa para aliviar o orçamento de trabalhadores endividados, representantes do setor da construção civil e economistas avaliam que a retirada de recursos do FGTS pode comprometer a capacidade de financiamento da habitação popular e reduzir investimentos ligados ao setor.

Estudo do Departamento da Indústria da Construção e Mineração da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estima que, caso os R$ 8,2 bilhões deixem de ser destinados aos financiamentos habitacionais, o impacto potencial poderá chegar à redução de 36,1 mil unidades habitacionais e de 189,2 mil postos de trabalho.

Alívio financeiro imediato

Para o coordenador do curso de Ciências Econômicas e do Global Economics Program da FAE Centro Universitário, Guilherme Moura, a medida pode trazer benefícios pontuais para trabalhadores endividados. “O trabalhador se vê endividado e, ainda assim, impossibilitado de utilizar recursos próprios depositados no fundo para quitar suas obrigações. Como consequência, acaba arcando com juros elevados, mesmo dispondo de capital, ainda que indisponível”, afirma.

Financiamentos com recursos do FGTS somaram R$ 32,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
Crédito: Envato

Segundo ele, utilizar o próprio saldo do FGTS para pagamento de dívidas pode reduzir o comprometimento financeiro das famílias, sobretudo em um cenário de juros elevados praticados no mercado. “Ao recorrer ao próprio recurso, o trabalhador consegue reduzir encargos financeiros, evitando a incidência de juros e sem contrair novos compromissos”, explica.

Construção civil teme redução de recursos

Criado em 1966, o FGTS surgiu com o objetivo de formar uma reserva financeira para trabalhadores demitidos sem justa causa. Ao longo das décadas, porém, o fundo passou a financiar também programas habitacionais, obras de saneamento e mobilidade urbana. “O FGTS vem sendo, ao longo do tempo, direcionado para múltiplas finalidades, evoluindo além de sua função original de proteção ao trabalhador em caso de desligamento”, afirma Moura. Atualmente, além do financiamento imobiliário, o fundo também permite modalidades como saque-aniversário, uso como garantia de empréstimos e liberações extraordinárias em situações específicas, como calamidades públicas.

Para entidades ligadas à construção civil, a ampliação dessas possibilidades pode reduz a capacidade de investimento do fundo em habitação popular. O presidente da Câmara Brasileira da Construção Civil, Renato Correia, afirma que o FGTS é hoje a principal fonte de financiamento da habitação de interesse social no país. “É a única fonte de recurso ou quase a maior parte dos recursos para fazer frente a esse direito fundamental da habitação”, afirma.

Dados da CBIC mostram que os financiamentos com recursos do FGTS somaram R$ 32,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de quase 22% em relação aos R$ 26,7 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. No total, 142.455 unidades foram financiadas entre janeiro e março deste ano.

Dessa maneira, retirar recursos do fundo pode reduzir diretamente o número de moradias financiadas. “Com 10 bilhões, o Faixa 1 comprometeu-se a contratar 65 mil unidades. Com 8 bilhões, seriam aproximadamente 50 mil unidades”, explica.

Ele ressalta que a preocupação do setor não se limita ao valor envolvido, mas ao direcionamento dos recursos do fundo. “É uma questão de princípio a defesa do uso do FGTS para aquilo que ele se destina, que é salvaguardar o trabalhador e financiar habitação, mobilidade e saneamento”, declara.

Mercado imobiliário sob pressão

O debate ocorre em um momento de forte demanda por crédito imobiliário. Mesmo com juros elevados, o mercado imobiliário segue aquecido no país. Segundo Guilherme Moura, o FGTS desempenha papel estratégico nesse cenário ao permitir financiamentos com taxas menores para famílias de média e baixa renda. “Os recursos do fundo permitem a oferta de crédito com taxas de juros inferiores às praticadas no mercado, tornando-se um instrumento central para a aquisição da casa própria”, afirma.

O economista observa, porém, que já há sinais de limitação nos recursos disponíveis. “Essa limitação se reflete, por exemplo, em atrasos na liberação de financiamentos, especialmente em instituições como a Caixa Econômica Federal”, explica. Por isso, o direcionamento de recursos para novas finalidades pode ampliar as dificuldades de acesso ao crédito imobiliário. “Parte dos consumidores acaba recorrendo a outras linhas de crédito disponíveis no mercado, frequentemente com custos mais elevados”, conclui.

Entrevistados

Renato Correia é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Guilherme Moura é doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do Curso de Ciências Econômicas e do Global Economics Program (GEP) na FAE Centro Universitário.

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Tetrápodes reforçam proteção e durabilidade em áreas costeiras

A revitalização da orla de Matinhos (PR), concluída em 2025, utilizou sistemas de tetrápodes em diferentes trechos da obra de contenção costeira.

“Os tetrápodes são blocos de concreto pré-moldados utilizados como camada de proteção em obras costeiras. Seu formato com quatro braços permite que as peças se encaixem de forma irregular, formando uma estrutura estável e permeável. Esse sistema funciona dissipando a energia das ondas. Em vez de refletir a onda, como acontece em estruturas rígidas, os tetrápodes permitem a passagem parcial da água, reduzindo a força do impacto sobre a estrutura e ajudando no controle da erosão costeira. Eles integram um sistema maior de proteção, composto por núcleo, camadas filtrantes e camada externa (carapaça), garantindo estabilidade e eficiência hidráulica”, explicam Gabriel Spuldaro, engenheiro civil e coordenador de obras da GEPLAN, e Issac Vitorino, engenheiro civil da GEPLAN.

Na revitalização da orla de Matinhos, foram utilizados tetrápodes na Praia Brava (340 peças), Flórida (681), Riviera (681), Rio Matinhos Norte (469), Paraná Sul (1.241) e Rio Matinhos Sul (1.259). As peças empregadas têm cerca de 3 metros de altura e 4,3 metros cúbicos de volume, pesando, cada uma, entre 10 e 12 toneladas.

De acordo com Spuldaro e Vitorino, a solução com tetrápodes foi adotada por apresentar melhor desempenho em regiões sujeitas a ondas de alta energia e ocorrência de ressacas.

Em comparação a outras técnicas, como enrocamento simples, muros ou geobags, os engenheiros da GEPLAN enumeram as vantagens dos tetrápodes:

  • maior capacidade de dissipação de energia
  • maior estabilidade estrutural
  • menor risco de deslocamento
  • maior durabilidade em ambiente marinho

“Essa escolha prioriza segurança, eficiência e desempenho a longo prazo”, pontuam.

Critérios para uso de tetrápodes na Orla de Matinhos

De acordo com Spuldaro e Vitorino, os principais critérios para adoção do sistema foram:

  • energia das ondas e intensidade das ressacas
  • estabilidade hidráulica da estrutura
  • controle da erosão costeira
Na orla de Matinhos, foram utilizados tetrápodes de concreto de alta resistência com fck da ordem de 40 MPa. Crédito: Roberto Dziura Jr/AEN

“O dimensionamento dos blocos foi feito para resistir às forças atuantes, garantindo que permaneçam estáveis mesmo em condições severas. Aspectos como custo e execução foram considerados, mas o fator determinante foi o desempenho técnico”, justificam Spuldaro e Vitorino.

Os tetrápodes possuem um custo inicial mais elevado em relação a soluções mais simples, como enrocamento ou geobags, segundo Spuldaro e Vitorino. “No entanto, a maior densidade das peças — proporcionada, inclusive, pelo uso de magnetita — aumenta a estabilidade e reduz a necessidade de manutenção, resultando em melhor desempenho e maior durabilidade ao longo do tempo”, sugerem.

Tipo de concreto

No caso da obra de Matinhos, foi utilizado concreto de alta resistência (não UHPC), com fck da ordem de 40 MPa, adequado para ambientes marinhos agressivos (locais próximos ao mar onde as estruturas de concreto ficam expostas a condições que aceleram sua deterioração, como maresia, ondas, vento, cloretos presentes no sal, entre outros).

“Este material atende plenamente às exigências estruturais e de durabilidade desse tipo de obra. O concreto apresenta elevada trabalhabilidade, com alta fluidez, permitindo o correto preenchimento das formas e garantindo qualidade das peças. Para isso, são empregados aditivos como plastificantes ou superplastificantes. Um diferencial importante é o uso de magnetita como agregado, que aumenta a densidade do concreto. Isso torna os tetrápodes mais pesados e, consequentemente, mais estáveis frente à ação das ondas, reduzindo o risco de deslocamento”, destacam Spuldaro e Vitorino.

Construção industrializada

Os tetrápodes são produzidos de forma industrializada, em ambiente controlado, garantindo padronização, qualidade e maior rigor no controle do processo produtivo. Posteriormente, após a fabricação e período de cura, as peças são transportadas por carretas especiais até o canteiro de obras. “No local, são movimentadas e posicionadas com o uso de guindastes ou equipamentos de grande porte”, relatam os engenheiros Spuldaro e Vitorino.

Por fim, o assentamento é feito de forma controlada, buscando o intertravamento entre os blocos, o que é essencial para garantir a estabilidade da estrutura e sua eficiência hidráulica.

Desafios de execução em obras costeiras

De acordo com Spuldaro e Vitorino, os principais desafios de execução em obras costeiras estão:

  • condições variáveis do mar e do clima
  • necessidade de trabalhar com janelas operacionais limitadas
  • logística de transporte e manuseio de peças pesadas
  • execução em terreno instável (areia e zona de arrebentação)
  • precisão no posicionamento das estruturas

“Além disso, é comum a necessidade de ajustes durante a execução para garantir o desempenho final da obra”, concluem os engenheiros.

Fontes

Gabriel Spuldaro é engenheiro civil e coordenador de obras da GEPLAN.

Issac Vitorino é engenheiro civil da GEPLAN.

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Coprocessamento ganha protagonismo diante da pressão energética global

O primeiro trimestre de 2026 encerrou com crescimento de 1,8% nas vendas de cimento, enquanto março registrou o maior volume de comercialização da história da indústria, com 5,8 milhões de toneladas vendidas — avanço de 9,1%, segundo dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Apesar do desempenho positivo, a entidade alerta que o atual cenário geopolítico exige cautela. O conflito no Oriente Médio provocou instabilidade nos mercados de energia, impactando diretamente os preços do petróleo e do gás natural.

De acordo com a ABCP, os reflexos para a indústria brasileira são imediatos. Cerca de 80% do coque de petróleo utilizado nos fornos é importado, e esse insumo representa quase um terço dos custos energéticos das fábricas. Soma-se a isso a alta de 30% no preço do óleo diesel, que pressiona ainda mais a logística de um setor em que aproximadamente 90% do transporte é realizado por rodovias.

No cenário internacional, as tensões no Oriente Médio ampliam a volatilidade de curto prazo e elevam as incertezas nos mercados globais, criando desafios adicionais para indústrias intensivas em consumo energético, como a cimenteira.

Coprocessamento ganha protagonismo

Para Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP, o desempenho do setor em 2026 dependerá tanto da duração dos impactos externos quanto de fatores internos, como a taxa de juros e os custos logísticos. “A robusta diversificação da matriz energética, pilar central do Roadmap Net Zero 2050 do setor, mostra-se como a melhor rota para reduzir a exposição à volatilidade do mercado internacional”, afirma.

Forno da fábrica da Itambé alcança índices de 65% de substituição térmica. Crédito: Divulgação

Entre as principais alternativas adotadas pela indústria estão a biomassa e o Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU). Como parte dessa estratégia, o setor projeta investir R$ 3,5 bilhões até 2030 na modernização de fábricas e unidades de preparo de resíduos. A meta é viabilizar o processamento anual de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de resíduos urbanos — volume equivalente a cerca de 300 mil caminhões de lixo que deixarão de ser descartados inadequadamente.

A Cimento Itambé é uma das empresas que vêm se destacando no avanço do coprocessamento no país. Segundo Israel Vaz, gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé/Rio Bonito Soluções Ambientais, o protagonismo da empresa está ligado não apenas à adoção de tecnologias avançadas e à qualificação das equipes, mas também ao compromisso histórico da alta direção com sustentabilidade e inovação industrial.

“A alta diretoria, os acionistas e os proprietários sempre mantiveram uma visão estratégica alinhada às práticas sustentáveis, incorporando o coprocessamento não apenas nos projetos específicos da área, mas também aos próprios processos de fabricação de clínquer. Não se trata apenas de produzi-lo, mas de fazê-lo com foco em coprocessamento”, afirma Vaz.

Atualmente, a média de substituição térmica entre os três fornos da companhia está em linha aos objetivos propostos. O principal destaque é o Forno W1, modernizado após um amplo projeto de revamp concluído no ano passado, que já alcança índices de 65% de substituição térmica. A meta da empresa, no entanto, é atingir uma média global de 80% — índice considerado referência em plantas europeias e adotado pela companhia como benchmark para o futuro das operações.

Segundo Vaz, o desempenho posiciona a unidade como referência não apenas no Brasil, mas em todo o continente americano. “Hoje, trata-se do forno com a maior taxa de substituição térmica das Américas, incluindo América do Sul, Central e do Norte”, afirma.

Vaz atribui os resultados a uma trajetória de mais de 30 anos de atuação em coprocessamento, aliada a investimentos robustos em modernização industrial. O projeto de atualização do Forno 1, por exemplo, demandou cerca de R$ 500 milhões e teve o coprocessamento como um dos pilares centrais desde sua concepção.

Desafios técnicos

Apesar dos avanços, ampliar as taxas de coprocessamento ainda representa um desafio técnico significativo. Segundo Vaz, os resíduos gerados no Brasil possuem características extremamente heterogêneas, com grande variação de poder calorífico, composição química e presença de contaminantes.

“Os resíduos chegam às fábricas com características muito distintas, e isso exige um controle rigoroso antes da utilização nos fornos”, explica.

Embora o coprocessamento seja estratégico para a sustentabilidade do setor, a prioridade da empresa continua sendo a qualidade do clínquer e do cimento produzidos. Nesse contexto, um dos principais desafios é transformar resíduos de diferentes origens em um combustível alternativo mais homogêneo, capaz de ser utilizado sem comprometer a estabilidade operacional nem a qualidade final do produto.

Para garantir esse controle, a companhia mantém dois laboratórios dedicados ao monitoramento contínuo dos materiais utilizados no coprocessamento. As unidades realizam análises por raio X, plasma e um rigoroso controle analítico. Um dos laboratórios, localizado em Rio Bonito, possui certificação NBR 17025 pelo INMETRO, assegurando a confiabilidade técnica dos resultados obtidos.

Novas tecnologias

A inovação tecnológica é considerada peça-chave para ampliar as taxas de substituição térmica. Segundo Vaz, diversas soluções já estão em desenvolvimento dentro do grupo Itambé, atuando em duas frentes principais: o tratamento dos resíduos e a otimização do processo de clinquerização.

Uma das linhas de atuação busca tratar a heterogeneidade dos resíduos recebidos pela fábrica, tornando os materiais mais homogêneos antes de sua utilização nos fornos. Nesse sentido, a empresa vem investindo em tecnologias de análise e trituração, incluindo a aquisição de um equipamento triturador austríaco de alta performance.

Paralelamente, a companhia também desenvolve soluções voltadas à remoção de contaminantes metálicos e não metálicos presentes nos resíduos, reduzindo riscos de interferência no processo produtivo e aumentando a confiabilidade operacional.

Outra frente estratégica envolve o próprio processo de clinquerização. Os estudos atuais buscam otimizar os processos de produção, aumentar o tempo de residência dos resíduos, permitindo uma combustão mais eficiente e completa. Com isso, torna-se possível ampliar gradualmente as taxas de substituição térmica sem comprometer a estabilidade da operação.

Fontes

Paulo Camillo Penna é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG e MBA em Desenvolvimento de Projetos. Possui mais de 30 anos de experiência em altos cargos executivos no setor público, empresas e em entidades nacionais representativas de diversos segmentos. É membro do Conselho de Administração da Federação Interamericana de Cimento (FICEM) e integrante do Global Cement and Concrete Association (GCCA). Atualmente, é presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Israel Vaz é gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé / Rio Bonito Soluções Ambientais. Profissional graduado em engenharia química pela UFPR (2012), pós-graduado em MBA lean manufacturing pela UTFPR (2015) e pós-graduado em Gestão da Produção e Recursos Humanos pela FAVENI (2021). Vasta experiência na área industrial, atuando com ênfase no monitoramento, avaliação, controle e otimização do processo produtivo de fabricação de cimento (Fornos de Clínquer, Moagens de Crú, Moagens de Combustível, Moagens de Cimento, Coprocessamento, Ensacadeiras e Paletizadoras). Gestor de equipes e responsável por garantir a performance operacional, monitorando suas etapas e mapeando oportunidades de melhoria, a fim de assegurar a eficiência dos processos com o objetivo de alavancar a excelência operacional. Atuação conjunta com todos os níveis hierárquicos da Cia.

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Construção civil mantém geração de empregos e financiamento em alta no primeiro trimestre

A construção civil apresentou desempenho positivo de geração de empregos, na expansão do financiamento imobiliário e no aumento nas vendas de cimento no primeiro trimestre de 2026. Apesar dos indicadores favoráveis, o setor já sente os efeitos do cenário econômico mais desafiador, marcado por juros elevados, inflação persistente e aumento nos custos dos materiais de construção. Os dados foram apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante coletiva sobre o desempenho do setor no primeiro trimestre do ano.

A entidade revisou a expectativa de crescimento da construção civil em 2026 de 2% para 1,2%. Segundo a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, o setor segue sustentado pelos resultados do mercado imobiliário registrados em 2025 e pelo volume de investimentos em infraestrutura previstos para este ano. “O número de lançamentos e vendas do ano passado continua movimentando o nível de atividade da construção em 2026, porque o ciclo produtivo do setor é longo”, afirmou.

Construção respondeu por 20% dos empregos gerados no país

Um dos principais destaques do trimestre foi o mercado de trabalho. Entre janeiro e março, a construção civil criou 120.547 empregos formais, resultado 18,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Com isso, o setor passou a responder por praticamente 20% de todas as vagas com carteira assinada criadas no país no período. A construção encerrou março com 3,063 milhões de trabalhadores formais. O resultado representa crescimento de 3,5% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Obras de infraestrutura impulsionaram geração de empregos em Curitiba no primeiro trimestre.
Crédito: Divulgação/DER

De acordo com Ieda, o desempenho foi o melhor para um primeiro trimestre desde o início da atual série histórica do Novo Caged, iniciada em 2020. “O setor voltou a contratar em todos os segmentos após o período sazonal do fim do ano. O resultado do primeiro trimestre foi o melhor dos últimos sete anos”, destacou. Entre as cidades, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba registraram os maiores volumes de contratação. Curitiba destacou-se com a geração de 3.025 postos de trabalho, impulsionada principalmente por obras de infraestrutura e construção de edifícios.

Crédito imobiliário cresce com FGTS e SBPE

O financiamento imobiliário também apresentou expansão no primeiro trimestre. As operações com recursos do FGTS somaram R$ 32,5 bilhões, alta de 21,6% em relação ao mesmo período de 2025. Já os financiamentos via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) alcançaram R$ 42,3 bilhões, crescimento de 11,9%.

Em número de unidades financiadas, o FGTS respondeu por 142,4 mil imóveis entre janeiro e março. Pelo SBPE, foram 125,4 mil unidades.

Para o presidente da CBIC, Renato Correia, o FGTS continua sendo uma das principais bases de sustentação da habitação popular no país. “O FGTS é fundamental para financiar habitação de interesse social. O déficit habitacional brasileiro ainda é muito elevado e o setor depende desses recursos para ampliar o acesso à moradia”, afirmou.

Custos e juros pressionam setor

Mesmo com indicadores positivos, a construção enfrenta um cenário mais desafiador em 2026. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 5,84% em 12 meses até março, acima da inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que ficou em 4,14%.

O maior impacto veio da mão de obra, com aumento de 8,82% no período. Além disso, a CBIC alertou para a aceleração recente dos custos de materiais e equipamentos, influenciada pelo aumento do petróleo. “O aumento do custo dos materiais preocupa porque não era previsto no início do ano. O setor já enfrenta juros elevados e dificuldade de contratação de mão de obra”, explicou Ieda.

A taxa Selic elevada voltou a aparecer como a principal preocupação dos empresários da construção. Em abril, o Índice de Confiança do Empresário da Construção caiu para 46,4 pontos, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança.

Segundo Renato Correia, a combinação entre juros altos, pressão nos custos e redução das margens exige atenção, especialmente em obras públicas e projetos habitacionais de interesse social. “Os contratos de habitação popular trabalham com margens muito estreitas, concluiu.

Fontes

Renato Correia é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Ieda Vasconcelos é economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

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Jornalista responsável

Ana Carvalho

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Curitiba aposta em incentivos para reativar o Centro urbano

O programa “Curitiba de Volta ao Centro”, lançado em 2025, propõe uma requalificação abrangente da região central da cidade, com foco em habitação, mobilidade, segurança e desenvolvimento econômico, com o objetivo de tornar o Centro mais ativo e diverso ao longo de todo o dia.

No fim de março de 2026, o prefeito Eduardo Pimentel anunciou a abertura de consulta pública para o primeiro edital de subvenção econômica do programa. A iniciativa prevê que a Prefeitura subsidie entre 25% e 50% dos custos de obras de revitalização de imóveis localizados na área central. O edital, com lançamento previsto para o início de maio, poderá disponibilizar até R$ 10 milhões.

Na mesma ocasião, foram assinados cinco decretos que regulamentam o programa, que contempla não apenas as subvenções, mas também incentivos fiscais e construtivos voltados à requalificação da região central. Ao todo, estão previstos R$ 30 milhões em subvenções, somados a R$ 133 milhões em benefícios fiscais.

O plano contempla investimentos em retrofit de edifícios, restauração de imóveis históricos e ampliação da oferta habitacional. As ações se concentram em áreas estratégicas, como o Centro, Centro Histórico e Rodoferroviária.

Curitiba abre consulta para edital que financia até 50% de obras no Centro, com até R$ 10 mi e pacote de R$ 163 mi em incentivos para revitalização urbana.
Crédito: Divulgação/Prefeitura de Curitiba

A iniciativa responde a um processo recente de esvaziamento do Centro, que perdeu população e dinamismo à medida que o crescimento urbano se deslocou para outras regiões da cidade. O objetivo é reverter esse cenário, ampliar a ocupação, estimular o comércio e valorizar o patrimônio.

Para Maria Eugenia Fornea, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (ADEMI-PR), essas iniciativas representam um avanço concreto, posicionando Curitiba em um patamar mais sofisticado de política urbana voltada à requalificação do Centro.

“O programa passa a contar com um instrumento que dialoga com a lógica de decisão do investidor. A subvenção estruturada deixa de ser hipótese e se torna um mecanismo real de viabilização econômica. Hoje, o programa saiu do campo conceitual e entrou no da viabilidade, tendo como próximo passo ganhar escala”, afirma Maria Eugenia.

Moradia como eixo central da transformação

Um dos pilares do programa é o incentivo à ocupação residencial, com o objetivo de reverter o esvaziamento urbano e promover vitalidade contínua.

A estratégia inclui:

• estímulo ao retrofit de imóveis ociosos

• incentivo à habitação de interesse social

• promoção de diversidade tipológica

A diretriz é clara: garantir permanência urbana, diversidade de perfis e um Centro mais equilibrado e habitado.

Segundo Maria Eugenia Fornea, há demanda real por moradia na região central — desde que a oferta esteja alinhada à qualidade do produto e à diversidade de públicos.

Ela também destaca que a política pública corrige distorções do mercado, evitando a produção excessiva de estúdios e orientando a cidade para um modelo mais equilibrado.

Retrofit ganha protagonismo

A requalificação do estoque existente é um dos principais motores do programa, com foco na preservação do patrimônio histórico e na reutilização de edifícios.

O plano propõe:

incentivos fiscais e construtivos

• uso da Transferência do Direito de Construir (TDC)

• estímulo à recuperação de edificações protegidas

Para a presidente da ADEMI-PR, o retrofit envolve complexidade técnica, exigindo compatibilização de sistemas e alinhamento com regras urbanísticas.

Maria Eugenia avalia que o mercado está em processo de amadurecimento, precisando de previsibilidade, padronização técnica e segurança jurídica para ganhar escala.

Uso misto e ativação urbana

O programa aposta na diversificação de usos como estratégia de revitalização urbana e fortalecimento do ecossistema local.

O diagnóstico aponta:

base comercial consolidada

• presença de gastronomia e vida noturna

• concentração de serviços especializados

A estratégia envolve:

flexibilização de usos

• incentivo ao retrofit

• estímulo à ativação cultural e turística

A proposta é transformar o Centro em um espaço de permanência, e não apenas de circulação.

Mobilidade e cidade para pessoas

Outro eixo estruturante é a mobilidade ativa, com foco no transporte coletivo e na construção de uma cidade para pessoas.

Entre as propostas estão:

• ampliação de calçadas e ciclovias

• requalificação de ruas emblemáticas

• reorganização do sistema viário

• incentivo a baixa emissão de carbono

Gargalos: execução, previsibilidade e escala

Os desafios agora estão na implementação da política pública, com foco em execução eficiente, previsibilidade e ganho de escala.

Pontos críticos incluem:

execução consistente e coordenação institucional

previsibilidade da subvenção e redução de risco

regularização fundiária e segurança jurídica

• alinhamento entre viabilidade econômica e regras urbanísticas

Além disso, permanece o desafio de transformar o programa em um fluxo contínuo de projetos, garantindo escala e sustentabilidade urbana ao longo do tempo.

Fonte

Maria Eugenia Fornea é graduada em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é mestre em Gestão Urbana e especializações em planejamento de cidades. Com mais de 15 anos de atuação no setor imobiliário, é CEO e fundadora da incorporadora curitibana Weefor, onde lidera iniciativas voltadas à reflexão sobre arquitetura, cidade e desenvolvimento urbano. Atualmente, é presidente da ADEMI-PR da gestão 2026/2027.

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thabata@versotht.com.br (Assessoria de Imprensa)

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP

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