Governo do RS adota monitoramento remoto para obras

O Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Obras Públicas (SOP), começou a utilizar um sistema de captura de realidade ampliada que permite o monitoramento contínuo das obras de forma remota, com o apoio de imagens em 360°.

De acordo com a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado, a tecnologia contribui para tornar a execução mais eficiente, ao possibilitar o registro constante do avanço físico, reduzindo falhas, desperdícios e a necessidade de retrabalho.

Tecnologia de Captura da Realidade

Para Tales Silva, CEO da CONSTRUCT IN, empresa responsável pelo sistema adotado no Rio Grande do Sul, o grande diferencial do uso da Captura da Realidade é a transição da gestão baseada em percepções subjetivas para decisões fundamentadas em evidências e dados estruturados.

O sistema utiliza um modelo híbrido que combina uma plataforma digital (Visi) com serviços especializados, garantindo a padronização e qualidade das informações geradas.

“Tecnicamente, a captura utiliza tecnologias como câmeras 360°, drones e laser scanning para criar um histórico visual contínuo. Essas imagens e ortomosaicos são organizados cronologicamente e integrados aos modelos BIM e dados físico-financeiros da obra”, explica Silva.

Ferramenta gera economia em deslocamentos, hospedagem, diárias e horas improdutivas de gestores. Crédito: CONSTRUCT IN

As imagens 360º são registradas por meio de uma câmera 360º conectada ao aplicativo Visi, no qual são vinculadas, no momento da captura, a um ponto na planta baixa da edificação, além de registrar a data e horário da imagem. “Dessa forma, as imagens são facilmente coletadas em campo e enviadas automaticamente para o sistema”, afirma o CEO.

Processo do registro de imagens

O registro das imagens é orientado pela localização dos pontos na planta baixa do projeto, portanto é necessário que o profissional responsável pela captação, saiba identificar corretamente o ambiente em que se encontra. “A orientação é que os registros sejam feitos sempre no centro do ambiente, uma margem de erro de até 1,5m não afeta a qualidade da comparação”, destaca Silva. 

Além disso, o sistema utiliza uma inteligência artificial que ajusta e compatibiliza automaticamente as capturas realizadas em um mesmo local ao longo do tempo. “Esse alinhamento automatizado permite a comparação precisa do histórico da obra, transformando registros isolados em uma "verdade visual" auditável e contínua”, pontua o CEO da CONSTRUCT IN.

A periodicidade das capturas é flexível e deve ser adaptada à velocidade e à fase do ciclo de vida da construção para gerar valor real na tomada de decisão:

  • Estágios Iniciais (Fundação e Estrutura): Recomendam-se capturas mais espaçadas, variando entre 7 e 15 dias, dependendo da complexidade do cronograma.
  • Fase de Acabamento e Instalações: Devido à rapidez das mudanças e à criticidade dos detalhes, a frequência pode ser aumentada para uma ou duas vezes ao dia.
  • Monitoramento de Deformações: Em casos específicos de engenharia, como o controle de estruturas, as campanhas podem ser quinzenais para garantir a precisão milimétrica necessária.

Para lidar com os desafios físicos inerentes ao canteiro de obras, como poeira, iluminação precária e movimentação intensa, Silva aponta que em situações de baixa luminosidade, utiliza-se suporte de luz externa para viabilizar a nitidez da imagem capturada.

“A combinação dessas abordagens assegura que o dado operacional seja transformado em um ativo estratégico, independente das condições adversas do canteiro físico”, justifica.

Integração com plataformas de gestão de obras

A plataforma centraliza indicadores físico-financeiros, cronogramas de avanço, modelos BIM e Relatórios Diários de Obra (RDO).

“A solução centraliza modelos BIM diretamente na plataforma, unindo a ‘verdade visual’ aos dados de projeto. No aspecto técnico de engenharia, as nuvens de pontos geradas pela engine Raise são compatíveis e integráveis com os principais softwares de mercado, como Revit, ArchiCAD, AutoCAD, Inventor e AVEVA. Além disso, a plataforma Visi atua como um hub que consolida dados de execução para apoiar a tomada de decisão estratégica”, comenta o CEO da CONSTRUCT IN.

Benefícios e ganhos

A adoção contínua de registros visuais tende a tornar as decisões mais assertivas e a ampliar a transparência na aplicação de recursos em infraestrutura de prédios públicos. Com a documentação detalhada de cada fase da obra, o Estado passa a ter mais controle e visibilidade sobre prazos, custos e o cumprimento dos requisitos técnicos das intervenções.

“Estamos elevando o padrão das obras do Estado. A adoção dessa tecnologia torna o monitoramento dos trabalhos mais eficiente e preciso. O acompanhamento minucioso de cada etapa garante maior exatidão na construção e, consequentemente, edificações mais qualificadas e seguras”, comenta a secretária de Obras Públicas, Izabel Matte.

De acordo com Silva, a ferramenta pode trazer diversos ganhos:

  • Redução de retrabalho: até 22% do custo de correções, com identificação precoce de desvios evita demolições e retrabalho de instalações.
  • Redução de visitas de engenharia: de R$ 10 mil a R$ 25 mil por mês por obra. Economia em deslocamentos, hospedagem, diárias e horas improdutivas de gestores.
  • Otimização de reuniões e aprovações: redução de até 30% no tempo de decisão. Decisões mais rápidas por meio de registros visuais claros e verificáveis.
  • Redução de tempo de obra (gestão visual): de 3 a 7 dias por mês de obra. Maior previsibilidade e coordenação de etapas com base no status visual da execução.
  • Economia em documentação técnica e fotos: de R$ 2 mil a R$ 6 mil por mês. Substituição de vistorias e relatórios manuais por registros automáticos e organizados.

Fontes

Tales Silva é CEO da CONSTRUCT IN.

Izabel Matte é secretária de Obras Públicas do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Contato

Assessoria de imprensa CONSTRUCT IN: cassio.valler@camp1.co

Governo do Estado do Rio Grande do Sul - jornalismo-secom@secom.rs.gov.br

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Retrofit pode movimentar R$ 40 bilhões por ano até 2040

Na cidade de São Paulo, mais de sete mil edifícios apresentam potencial para retrofit, com projeção de crescimento de cerca de 15% ao ano na próxima década. De acordo com a Caixa Econômica Federal, o setor pode movimentar aproximadamente R$ 40 bilhões por ano até 2040, alcançando cerca de 80 mil unidades e participação próxima de 10% do mercado. Os dados foram apresentados durante o 2º Seminário Internacional de Retrofit Urbano do SindusCon-SP, realizado no dia 17 de março de 2026.

Durante o evento, Cassiano Alves, superintendente executivo da Caixa, destacou o potencial econômico da atividade. “O mercado anseia pela reocupação dos centros urbanos, que já contam com toda a infraestrutura instalada. É bom para todos, inclusive para o Estado, que tem a população de volta a esses locais”, afirmou Alves. Segundo ele, o retrofit pode elevar o valor do metro quadrado em até 30% e reduzir os custos operacionais na mesma proporção.

Para Odair Senra, vice-presidente de Imobiliário do SindusCon-SP, o retrofit tende a ganhar ainda mais espaço em cidades como São Paulo. “Aqui a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento tem incentivos para o retrofit”, destaca.

Cases internacionais

2º Seminário Internacional de Retrofit trouxe cases como Battersea Power Station, Morland Mixité, Point du Jour e Barbican Centre. Crédito: SindusCon-SP

O seminário também reuniu exemplos internacionais que demonstram o impacto do retrofit na requalificação urbana. “Os cases são espetaculares! Mostram que a requalificação de edificações pode se conectar a políticas bem-sucedidas de requalificação de espaços urbanos”, afirmou Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, na abertura do evento. Senra acrescentou que a iniciativa busca apresentar soluções que, além de requalificar empreendimentos, contribuem para revitalizar o espaço urbano.

Battersea Power Station

Entre os destaques, o arquiteto Sebastien Ricard, da WilkinsonEyre, apresentou o retrofit da Battersea Power Station. O projeto conciliou preservação histórica e novos usos, transformando a antiga usina em um complexo com áreas comerciais, culturais e de convivência, sem perder a identidade original concebida por Sir Giles Gilbert Scott.

A intervenção incorporou soluções modernas de engenharia, restaurou espaços icônicos e preservou elementos industriais originais. Também enfrentou desafios estruturais relevantes, como a reconstrução das chaminés sob supervisão da Historic England. O resultado é um exemplo de como o retrofit pode transformar estruturas obsoletas em novos polos urbanos.

Barbican Centre

Outro caso apresentado foi o do Barbican Centre, considerado um dos primeiros exemplos de retrofit urbano em larga escala. Construído sobre uma área devastada pelos bombardeios da Blitz, o projeto transformou ruínas em um bairro completo, integrando habitação, cultura e serviços.

A proposta, liderada pelo escritório Chamberlin, Powell & Bon, combinou preservação de estruturas históricas com novas soluções urbanísticas, criando um ambiente autossuficiente e antecipando conceitos contemporâneos de reabilitação urbana.

Point du Jour

O conjunto Point du Jour, do arquiteto Fernand Pouillon, também foi destacado como exemplo de retrofit ao transformar uma antiga área industrial em Paris em um projeto habitacional de qualidade. Com 2.260 unidades, o empreendimento integrou moradia, comércio e espaços públicos, reforçando a importância da requalificação urbana para a vitalidade das cidades.

Morland Mixité

Já o arquiteto Marcio Uehara apresentou o projeto Morland Mixité, parte do programa Réinventer Paris. O retrofit transformou um edifício público ocioso em um complexo de uso misto, com habitação, hotel, comércio e equipamentos públicos, revitalizando o entorno.

Assinado por David Chipperfield, o projeto combinou requalificação urbana, reaproveitamento de materiais e viabilidade econômica. Uehara também destacou o projeto In Vivo, que utiliza fachadas com microalgas para melhorar o desempenho térmico e gerar novos usos industriais, ampliando o potencial inovador do retrofit.

Fontes

Cassiano Alves, superintendente executivo da Caixa Econômica Federal.

Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP.

Odair Senra, vice-presidente de Imobiliário do SindusCon-SP.

Contato

SindusCon-SP: rmontagnini@sindusconsp.com.br

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Reforma tributária deve reconfigurar custos e operações na construção civil

A implementação da reforma tributária sobre o consumo, iniciada em 2026 e com trasição prevista até 2033, deve provocar mudanças relevantes na dinâmica da construção civil no Brasil. O novo sistema substitui gradualmente tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, com cobrança mais uniforme e baseada no destino da operação.

A alteração não se limita à simplificação tributária. Na prática, ela modifica a forma como empresas calculam custos, estruturam contratos e definem preços. Na avaliação de especialistas, o setor tende a ganhar eficiência ao longo do tempo, mas o período de transição exigirá planejamento rigoroso e adaptação operacional.

Leia mais: Reforma Tributária: o que muda para 2026 e como a construção civil deve se preparar

Mudança na lógica de tributação

Reforma deve consolidar maior transparência na formação de preços e estrutura de custos mais racional. Crédito: Envato

Segundo o tributarista Altair Toledo, sócio da ToledoZanardo Estratégia Tributária e Gestão Empresarial, a reforma apresenta uma ruptura do modelo atual, marcado por regras fragmentadas e incidência cumulativa de impostos. “Saímos de um modelo complexo, com diferentes regras para cada imposto, cumulatividade e disputas de competência, para um IVA dual mais simples e baseado no destino”, afirma.

De acordo com ele, a apuração dos tributos tende a se tornar mais integrada, com regras mais uniformes e possibilidade de aproveitamento amplo de créditos. “Isso altera a operação das empresas, porque a apuração deixa de considerar cada tributo isoladamente e passa a ser feita de forma integrada”, explica.

A mudança também impacta decisões estratégicas. “A escolha de onde instalar uma operação ou de quem comprar deixa de ser orientada por incentivos fiscais e passa a considerar o que faz sentido para o negócio”, diz.

Leia mais: Executivos discutem influência dos juros e da reforma tributária no mercado imobiliário

Fim do efeito cascata e impacto nos custos

Um dos principais pontos da reforma é a eliminação do efeito cascata, quando há incidência de imposto sobre imposto ao longo da cadeia produtiva. No modelo atual, insumos da construção chegam às construtoras com carga tributária acumulada desde as etapas anteriores. Para Toledo, esse é um dos avanços mais relevantes. “O efeito cascata sempre foi um dos grandes vilões do custo Brasil. Quando cada etapa paga imposto sobre uma base já tributada, o preço final incorpora camadas sucessivas de carga”, afirma.

Com o novo sistema, os tributos pagos anteriormente passam a gerar créditos financeiros. “Tudo que foi pago antes vira crédito, independentemente da natureza do insumo. Isso limpa a formação de preço, reduz distorções e permite que o custo real do produto apareça”, orienta.

Tributarista Altair Toledo.
Crédito: Divulgação

Leia mais: Reforma tributária será positiva para a construção civil, dizem representantes do setor

Impactos específicos na construção civil

A construção civil deve sentir os efeitos da reforma de forma particular, já que opera atualmente sob regimes específicos que tendem a ser revistos. “O setor é muito impactado porque tem uma cadeia longa e intensiva em serviços. A mudança para um IVA com crédito amplo altera de forma significativa a dinâmica de custos”, afirma Toledo.

Entre os principais efeitos está a ampliação do crédito financeiro. “Materiais, serviços e até itens que hoje não geram crédito passam a gerar. Isso muda a composição do custo da obra”, diz. Ele também destaca o fim da cumulatividade em etapas relevantes. “A redução do custo embutido nos insumos melhora a previsibilidade, especialmente em relação ao ISS”.

Além disso, haverá revisão de regimes específicos e necessidade de ajustes operacionais. “Sistemas, contratos, precificação e compliance terão de ser atualizados para o novo modelo”, alerta.

Transição exige planejamento e gestão financeira

O período de convivência entre o modelo atual e o novo sistema deve exigir atenção das empresas. A necessidade de lidar com regras simultâneas aumenta a complexidade e pode gerar incertezas na formação de preços. Para Toledo, a adaptação passa por planejamento. “O setor tende a ganhar eficiência, mas o período de transição exige atenção, planejamento e adaptação para evitar surpresas”, afirma. A revisão do planejamento tributário, a reorganização financeira e a atualização de processos internos, estão entre as principais medidas que devem ser medidas adotadas pelas empresas para manter competitividade.

Tendência de maior eficiência no longo prazo

Apesar dos desafios iniciais, a expectativa é de um ambiente mais previsível. A padronização das regras e a redução de distorções tributárias devem favorecer decisões mais alinhadas à realidade econômica dos projetos.

No médio e longo prazo, a reforma deve consolidar uma nova dinâmica no setor, com maior transparência na formação de preços e estrutura de custos mais racional. A adaptação antecipada tende a ser um diferencial competitivo para empresas que buscam estabilidade durante a transição.

Entrevistado

Altair Toledo é sócio da ToledoZanardo Estratégia Tributária e Gestão Empresarial. Possui MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV, com módulo internacional em Gestão Financeira Corporativa no New York Institute of Finance (EUA). Ex-sócio da KPMG, atuou na área de consultoria tributária e em programas de liderança corporativa. É professor em cursos de especialização da PUC e PUCRS Online, nas áreas de planejamento tributário, Inteligência Financeira e gestão financeira. 

Contato
toledo@toledozanardo.com.br

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Ana Carvalho
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Expo Revestir destaca avanço do concreto na arquitetura contemporânea

A Expo Revestir 2026, realizada de 9 a 13 de março, em São Paulo, consolidou-se mais uma vez como vitrine das transformações na arquitetura e no design de interiores. A feira reuniu mais de 300 marcas em uma área de 65 mil metros quadrados, com lançamentos que indicam mudanças no uso de materiais e no comportamento do setor.

Feira consolida-se como vitrine das transformações na arquitetura e no design de interiores. Crédito: Divulgação

Entre as principais tendências observadas, o concreto destaca-se por ampliar sua presença nos projetos. O material também ganha protagonismo como elemento estético e conceitual, acompanhando uma arquitetura que valoriza formas simples, materiais aparentes e soluções duráveis.

Concreto como linguagem arquitetônica

De acordo com a arquiteta e urbanista Lorena Bannach, o concreto passou a ocupar um novo papel nos projetos contemporâneos. “Ele deixa de ser apenas estrutural e passa a integrar a linguagem arquitetônica, com estética própria e forte apelo visual”, afirma.

Esse movimento dialoga com correntes como o minimalismo, o brutalismo e a arquitetura industrial, além de se fazer presente em propostas contemporâneas e até em projetos com abordagem biofílica. A combinação entre aparência bruta, textura natural e flexibilidade de uso permite que o material atenda a diferentes propostas, mantendo unidade visual e coerência construtiva.

Segundo ela, a busca por uma arquitetura mais honesta, que valoriza os materiais em sua forma original, contribui para esse avanço. Ao mesmo tempo, o concreto atende a demandas práticas, como resistência, durabilidade e baixa necessidade de manutenção.

Pisos drenantes são um dos destaques presentes na exposição. Crédito: Acervo particular/Lorena Bannach

Aplicações ampliadas na feira

Na Expo Revestir, o concreto apareceu em múltiplas soluções, reforçando sua versatilidade. Entre os destaques estão pisos para áreas internas e externas, incluindo os modelos drenantes, desenvolvidos para suportar alto tráfego sem comprometer o acabamento.

Outra inovação são os pisos atérmicos, indicados para áreas abertas, como piscinas, por não reterem calor. O material também foi explorado em elementos como bricks, revestimentos ripados, mosaicos e painéis decorativos, que ampliam as possibilidades de composição visual.

Peças utilitárias e de design também ganharam espaço. Cubas, banheiras, spas e até puxadores em concreto indicam uma ampliação do uso do material para além das superfícies tradicionais, aproximando-o do design de interiores.

Personalização e desempenho

A arquiteta Simone Kay Fujiwara avalia que a feira evidenciou uma mudança na forma como os materiais são desenvolvidos e aplicados. “Observa-se um avanço consistente no desenvolvimento dos materiais, com revestimentos em grandes formatos, superfícies de alto desempenho e maior facilidade de manutenção”, afirma.

Ela também destaca a valorização da identidade nos projetos. “Ao mesmo tempo, a personalização aparece como um dos principais direcionamentos, com soluções que permitem maior liberdade de escolha e composição”, completa. Nesse contexto, o concreto se beneficia da possibilidade de variação de cores, texturas e acabamentos, ampliando sua aplicação em diferentes propostas arquitetônicas.

Tendências que vão além do material

Bricks, revestimentos, cobogós e granilites estão em evidência.
Crédito: Acervo particular/Lorena Bannach

Além do concreto, a Expo Revestir também apontou outras direções para o setor. Superfícies inspiradas em elementos minerais, o uso de pedras naturais, tons terrosos e grandes formatos reforçam uma arquitetura voltada à experiência sensorial e à conexão com a natureza.

A sustentabilidade também ganha espaço, tanto nos processos produtivos quanto nas características dos produtos. A presença de materiais reciclados e de soluções voltadas à eficiência ambiental indica uma mudança consistente na indústria.

Integração entre estética e funcionalidade

O avanço do concreto na arquitetura reflete uma mudança mais ampla no setor. O material passa a reunir atributos técnicos e estéticos, contribuindo para projetos que conciliam desempenho, durabilidade e identidade visual.

Ao ampliar suas aplicações e dialogar com diferentes tendências, o concreto se consolida como uma solução alinhada às demandas atuais da arquitetura. Mais do que um insumo estrutural, torna-se parte ativa da concepção dos espaços e da experiência do consumidor.

Entrevistadas

Lorena Bannach é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Positivo, com pós-graduação em Master em Arquitetura, Lighting Design e Interiores e é proprietária da Lorena Bannach Arquitetura e Interiores desde 2013.

Simone Kay Fujiwara é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mais de 20 anos de atuação. É proprietária do escritório Simone Kay Arquitetura.

Contato
contato@lorenabannach.com.br

simone@simonekay.arq.br

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Ana Carvalho
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Taxa Selic é reduzida para 14,75% a.a.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) realizou o primeiro corte na taxa de juros desde maio de 2024, interrompendo um período de quase dois anos sem reduções. A diminuição foi de 0,25 ponto percentual, fazendo com que a Selic passasse a 14,75% ao ano.

De acordo com análise da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), esse movimento reflete a postura prudente do colegiado diante de um ambiente externo ainda instável, influenciado pelas tensões no Oriente Médio, pela alta nos preços do petróleo e pelos riscos inflacionários em escala global.

Para a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, a taxa Selic, que voltou ao nível observado em maio de 2025, segue em patamar bastante elevado. “E o custo disso é o adiamento de investimentos produtivos, pressão no orçamento das famílias, que já registram endividamento elevado e um maior custo fiscal. Vale destacar que, depois de crescer 2,3% em 2025, as projeções sinalizam um menor dinamismo da economia brasileira em 2026. A pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central, com instituições do mercado financeiro, projeta alta de 1,83% para o Produto Interno Bruto (PIB). O Fundo Monetário Internacional (1,6%) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (1,7%) também estimam crescimento inferior a 2% para a economia nacional. E os juros em alto patamar refletem diretamente nesse menor ritmo de atividade”, explica a economista.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referência oficial da inflação no país, registrou alta de 3,81% nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026. Já o Boletim Focus, divulgado em 13 de março de 2026, projeta que o indicador encerre o ano em 4,10%.

Impactos na construção civil

Taxa de juros alta eleva o custo da construção em patamares superiores à inflação. Crédito: Envato

Ieda destaca que a taxa de juros elevada é um dos principais problemas enfrentados pela construção civil. A Sondagem Indústria da Construção, conduzida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), revela que, há mais de um ano, esse fator figura entre os três principais desafios apontados pelos empresários do setor.

“Outro dado da Sondagem Indústria da Construção também demonstra os efeitos dos juros altos no setor. O indicador de facilidade ao acesso ao crédito está muito abaixo da linha divisória de 50 pontos. Quanto mais distante dessa linha maior a dificuldade. No 4º trimestre/25, ele alcançou 39,0 pontos, mantendo-se ainda 11 pontos abaixo da linha divisória e refletindo a dificuldade da Construção nesse quesito”, afirma Ieda.

A economista também destaca outro entrave: a elevação do custo da construção em patamares superiores à inflação. “O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou alta de 5,68% nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026. No período, os gastos com materiais e equipamentos avançaram 3,29%, enquanto os custos com mão de obra tiveram elevação de 8,86%. Em comparação com o IPCA, observa-se que os custos da construção seguem acima da inflação geral”, pontua. Isso evidencia que os custos da construção seguem acima da inflação geral”, pontua.

Para Ieda, a queda consistente no custo do crédito poderá incentivar lançamentos imobiliários, ampliar o acesso à casa própria, impulsionar a cadeia produtiva do setor e, consequentemente, gerar mais renda na economia. “O setor precisa de uma melhor perspectiva do custo do crédito no horizonte para impulsionar o seu crescimento e contribuir ainda mais para o desenvolvimento sustentado do país”, comenta.

Para Fabrício Bellini, CEO da Blue Heaven, mais importante do que prever a velocidade da queda dos juros é compreender seus efeitos práticos. Segundo ele, a simples expectativa de redução já reposiciona o mercado, levando investidores a enxergar o imóvel comouma forma de proteção e potencial de valorização — antes mesmo de a queda se concretizar.

No segmento de alto padrão, esse movimento é ainda mais evidente em regiões com restrições de oferta. Bellini destaca que a redução da Selic tende a destravar decisões de compra e, ao mesmo tempo, aumentar o interesse por ativos escassos e menos dependentes do ciclo econômico. “O investidor experiente busca escassez, liquidez e previsibilidade — e, com a virada da curva de juros, essa equação se torna mais favorável para quem se antecipa”, conclui.

Para Caio Portugal, presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO), a queda dos juros é fundamental para destravar investimentos e ampliar o acesso ao crédito imobiliário. Mesmo que mais moderado, o corte já indica uma mudança relevante no ciclo econômico.

Ele alerta, porém, que a instabilidade externa pode manter o crédito restrito por mais tempo, reforçando a necessidade de maior previsibilidade na política monetária e de medidas que incentivem o financiamento habitacional. Ainda assim, destaca que o movimento marca o início da flexibilização, essencial para reaquecer o setor.

Fontes:

Ieda Vasconcelos é economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Fabrício Bellini é CEO da Blue Heaven.

Caio Portugal é presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO).

Contatos

CBIC: imprensa@cbic.org.br

Assessoria de imprensa Blue Heaven: redacao7@rotascomunicacao.com.br

Assessoria de imprensa AELO: veramoreira@veramoreira.com.br

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Licitação integrada ganha espaço como modelo de contratação e avança no setor público

A licitação integrada vem ganhando maior visibilidade nas contratações públicas de obras e serviços de engenharia no Brasil. A modalidade altera a lógica tradicional das licitações ao concentrar, em um único contratado, etapas como o desenvolvimento dos projetos e a execução da obra, com base em diretrizes previamente estabelecidas pela administração pública.

O modelo está previsto no Regime Diferenciado de Contratações, instituído pela Lei nº 12.462 de 2011, e foi incorporado à Lei nº 14.133 de 2021, conhecida como Nova Lei de Licitações, que consolidou novas formas de contratação para obras e serviços de engenharia.

De acordo com a engenheira Daniela Ferrari, vice-presidente de Habitação do SindusconSP e do SecoviSP, o modelo responde a uma demanda antiga do setor produtivo. “Licitação integrada é uma modalidade de contratação pública em que um único contratado fica responsável por várias etapas do empreendimento, desde o projeto básico e executivo até a execução da obra e entrega final em condições de operação”, afirma.

Segundo ela, essa estrutura permite que as empresas participantes apresentem propostas com base em sua própria experiência técnica e nos sistemas construtivos que dominam. “Isso amplia as possibilidades de soluções para o poder público, principalmente em um momento em que o setor dispõe de diferentes tecnologias construtivas além dos métodos tradicionais”, observa.

Como funciona a contratação integrada

Licitação Integrada tem sido usada em projetos habitacionais no programa Pode Entrar da Prefeitura de São Paulo. Crédito: Leon Rodrigues/SECOM

Na prática, o poder público apresenta um anteprojeto com diretrizes gerais da obra. A partir desse documento, as empresas interessadas desenvolvem a proposta completa, que inclui os projetos detalhados e a solução construtiva a ser adotada.

Esse formato transfere ao contratado a responsabilidade pela elaboração dos projetos básico e executivo, bem como pela execução da obra. O modelo costuma ser acompanhado por uma matriz de risco bem definida, com o objetivo de reduzir incertezas e acelerar a entrega do empreendimento.

Vantagens e desafios do modelo

Entre os pontos positivos apontados pelo setor está a possibilidade de reduzir aditivos contratuais, um problema recorrente em obras públicas quando os projetos apresentam falhas ou detalhamento insuficiente. A contratação integrada tende a mitigar esse risco. “A administração pública pode receber propostas mais interessantes e aproveitar o repertório técnico da iniciativa privada. Além disso, o modelo reduz a chance de aditamentos motivados por projetos incompletos”, afirma.

Por outro lado, o sistema exige maior preparação da administração pública na definição dos critérios de escolha da proposta vencedora. “É necessário estabelecer parâmetros claros de avaliação, que podem considerar fatores como prazo de execução, custo global ou desempenho técnico”, orienta.

Além disso, o modelo pode reduzir a participação de empresas menores. Como a elaboração de um projeto completo exige investimento prévio, algumas companhias podem optar por não participar da disputa.

Aplicações e perspectivas

Daniela Ferrari, vice-presidente de Habitação do SindusconSP e do SecoviSP.
Crédito: Divulgação

A contratação integrada já vem sendo utilizada em projetos habitacionais e obras públicas. Em São Paulo, por exemplo, o formato foi adotado em iniciativas da Prefeitura, como o programa Pode Entrar, e em licitações conduzidas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano na Baixada Santista.

Apesar dessas experiências, o modelo ainda passa por um processo de consolidação. Para Daniela, o avanço depende do fortalecimento da segurança jurídica e da construção de referências práticas. “A nova lei ainda é recente e passa por um período de amadurecimento. É importante produzir estudos de caso e desenvolver materiais técnicos que ajudem a consolidar entendimentos e dar mais segurança nas decisões”, afirma.

Segundo a engenheira, também é necessário ampliar o debate sobre a interpretação de conceitos presentes na legislação, como a caracterização de soluções inovadoras. O objetivo é evitar entraves e permitir que diferentes alternativas construtivas possam ser avaliadas de forma transparente.

Com a ampliação das discussões e o avanço das experiências práticas, a expectativa do setor é de que a licitação integrada se torne uma ferramenta mais presente na contratação de obras públicas, principalmente em projetos que exigem rapidez, eficiência e maior integração entre projeto e execução.
Entrevistada

Daniela Ferrari é engenheira civil com mais de 33 anos de experiência, formada pelo Mackenzie, pós-graduada em engenharia de produção pela Fundação Vanzolini/USP, MBA em finanças pelo IBMEC e governança corporativa pela Saint Paul Business School. Atualmente é diretora de Relações Institucionais na Tenda e vice-presidente de habitação no SindusconSP e SecoviSP. É membro dos Conselhos de Habitação e Políticas Urbanas do Município de São Paulo e do Fundo Paulista de Habitação de Interesse Social do Estado de São Paulo.

Contato
dferrari@tenda.com (Assessoria de Imprensa)

Crédito: Divulgação

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Ana Carvalho
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Brasil avança em norma para projeto estrutural em UHPC

Em julho de 2025, foi publicado um conjunto de quatro normas voltadas ao concreto de ultra alto desempenho (UHPC): ABNT NBR 17246 – partes 1 a 4. Agora, a Comissão de Estudo Estruturas de Concreto de Ultra Alto Desempenho em Edificações (CE-002:124.029), vinculada ao Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-002), trabalha na elaboração da norma brasileira para projeto estrutural em UHPC.

Segundo a professora Ana Elisabete Jacintho, cerca de 75% dos estudos já foram concluídos, e a expectativa é que o texto seja encaminhado para consulta pública até o final de 2026.

De acordo com ela, a futura norma brasileira irá adaptar ao contexto nacional as recomendações da Associação Francesa de Normalização (AFNOR), presentes na NF P18-710, que trata do projeto estrutural em concreto armado e protendido com UHPC.

“Esta norma pretende dar respaldo à industrialização de pré-fabricados em UHPC, permitindo a fabricação de peças mais esbeltas e mais resistentes, que podem ser utilizadas em diversas frentes de trabalho”, afirma Ana Elisabete.

Um dos avanços previstos é a incorporação explícita da resistência residual à tração do UHPC reforçado com fibras no dimensionamento estrutural.

“A resistência pós-fissuração do UHPC é muito importante para o dimensionamento dos elementos estruturais, e a forma de consideração dessa resistência estará explícita na norma de projetos”, explica.

Apesar do avanço, ainda existem lacunas de pesquisa. Entre elas está o comportamento do UHPC em situações de incêndio, tema que ainda demanda mais estudos.

Comportamento estrutural do UHPC com fibras

Segundo Ana Elisabete, o comportamento estrutural do UHPC com fibras apresenta diferenças relevantes em relação ao concreto convencional, especialmente em alguns aspectos:

  • Ultra alta resistência à compressão e deformação limite associada à resistência à tração e à orientação das fibras;
  • Definição de classes de comportamento do UHPC em função da ductilidade, considerando os regimes softening e hardening após a fissuração;
  • Consideração da resistência à tração do UHPC no dimensionamento à flexão e ao cisalhamento;
  • Contribuição das fibras na resistência ao cisalhamento dos elementos estruturais.

ABNT NBR 17246

Publicada em julho de 2025, a ABNT NBR 17246 é composta por quatro partes que tratam especificamente do material UHPC.

Texto da norma brasileira para projeto estrutural em UHPC deverá ser encaminhado para consulta pública até o final de 2026. Crédito: Envato

“A parte 1 aborda a classificação, os requisitos e a especificação do material. A parte 2 define os procedimentos para validação de dosagens e de produção, enquanto a parte 3 estabelece os protocolos de controle de qualidade. Já a parte 4 apresenta os métodos de ensaio para caracterização do material”, explica Renata Monte, professora doutora do Departamento de Engenharia de construção Civil da Escola Politécnica da USP.

Para a elaboração do conjunto de normas, foram consultadas diversas referências normativas e bibliográficas internacionais.

“A normalização francesa (AFNOR) serviu de base para muitos desenvolvimentos internacionais, incluindo a norma brasileira. A experiência francesa na fabricação do material (Ductal®) e os projetos já realizados foram muito importantes para o avanço da tecnologia”, destaca Renata.

Em relação aos ensaios, ela explica que os protocolos para testes mais simples, como resistência à compressão e módulo de elasticidade, não diferem significativamente dos aplicados ao concreto convencional. No entanto, a capacidade de carga exigida para os equipamentos é maior.

“Isso pode ser um gargalo para alguns laboratórios de controle tecnológico. Além disso, como o UHPC costuma utilizar fibras para atingir resistência à tração, são necessários ensaios específicos, como os de flexão com determinação da resistência residual pós-fissuração”, afirma.

Apesar disso, Renata observa que parte do setor já vem se preparando para essa demanda.

“Alguns laboratórios já estão buscando essa capacitação desde a publicação, em 2021, das normas brasileiras para concreto com fibras.”

Na avaliação de Renata, a existência de normas técnicas não necessariamente acelera o uso da tecnologia, mas traz segurança para sua aplicação quando houver viabilidade técnica e econômica.

“Além disso, a existência de normas nacionais contribui para ampliar a divulgação da tecnologia no meio técnico”, conclui Renata.

Entrevistadas

Ana Elisabete Jacintho é professora em Dedicação Integral da PUC Campinas e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Infraestrutura Urbana. Possui pós-doutorado pela Universidade de São Paulo - Escola Politécnica, mestrado e doutorado em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo - Escola de Engenharia de São Carlos e graduação em Engenharia Civil pela Fundação Educacional de Barretos. Participa do grupo de trabalho ABECE/IBRACON sobre concreto de ultra alto desempenho (UHPC) e coordena o Comitê de Estudos da ABNT sobre o tema. 

Renata Monte é engenheira civil formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, possui mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo, além de formação também em Construção de Edifícios e Matemática. É professora do Departamento de Engenharia Civil da Escola Politécnica da USP e integra a equipe de pesquisadores da Unidade EMBRAPII - Materiais para Construção Ecoeficiente. Membro dos comitês técnicos internacionais da RILEM relacionados a materiais cimentícios avançados. Coordenou a Comissão de Estudos de Concreto Reforçado com Fibras e atualmente coordena a Comissão de Estudo de Concreto de Alta e Ultra-alta Resistência, ambas da ABNT.

Contato

anajacintho@puc-campinas.edu.br.

renata.monte@usp.br

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Mercado imobiliário no Brasil enfrenta escassez de mão de obra

No quarto trimestre de 2025, o mercado imobiliário brasileiro atingiu níveis históricos em lançamentos, vendas, valor geral de lançamentos (VGL) e na oferta de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, segundo a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O período registrou alta de 18,6% em relação ao trimestre anterior, com 133.811 unidades lançadas, enquanto no acumulado de 12 meses o crescimento foi de 10,6%, totalizando 453.005 unidades. O VGL alcançou R$ 292,3 bilhões em 2025, também um recorde e 10,6% acima de 2024. Além disso, houve avanço de 5,4% nas vendas e de 6,2% na oferta final de imóveis, que cresceu 8% em um ano, encerrando 2025 com 347.013 unidades disponíveis.

Paralelamente, o mais recente Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), aponta que a construção civil deverá demandar mais de 4,4 milhões de profissionais até 2027. Já o Índice de Confiança da Construção (ICST), divulgado pelo FGV IBRE em fevereiro de 2026, indica que os empresários do setor seguem enfrentando entraves na contratação de mão de obra qualificada. No período, 41,6% dos entrevistados afirmaram que a escassez de profissionais tem limitado o avanço de seus negócios — o maior percentual registrado para um mês de fevereiro desde 2011.

A economista do FGV Ibre, Ana Maria Castelo, alertou para um gargalo estrutural  que deve se intensificar em 2026: a escassez de mão de obra qualificada. A sondagem da FGV Ibre mostra que a limitação relacionada ao mercado de trabalho segue como uma das principais restrições ao avanço dos negócios no setor.

“Se a atividade voltar a acelerar, a pressão sobre o mercado de trabalho será ainda maior. Esse é o grande desafio para sustentar o crescimento nos próximos anos”, avalia.

Para Gustavo Selig, CEO do Grupo Hestia, a escassez de mão de obra já não é uma preocupação futura, mas um desafio concreto nas obras. “Em alguns casos ainda conseguimos administrar a situação, mas já existe impacto real nos cronogramas. Muitas vezes não conseguimos formar equipes completas para determinadas etapas da obra. Quando falta um profissional especializado, o ritmo da construção diminui e o cronograma se estende”, explica.

Para David Fratel, diretor de Gente do SindusCon-SP, a redução da jornada deve ser o destino final de um processo estruturado, e não o ponto de partida.
Crédito: Envato

O impacto nos custos também é significativo. “O aumento do custo da mão de obra pesa muito porque, proporcionalmente, foi bem maior do que o aumento dos materiais. Como a construção civil trabalha com margens apertadas, esse crescimento pressiona a viabilidade dos projetos. As empresas tentam absorver parte desses aumentos com eficiência e melhor gestão, mas existe um limite. Na prática, parte desse custo acaba sendo repassada ao preço final dos imóveis para manter a sustentabilidade dos empreendimentos”, alerta Selig.

Escassez de profissionais e falta de qualificação

Segundo Selig, o setor enfrenta dois problemas simultâneos: “Existe uma escassez de profissionais no mercado, mas também uma grande dificuldade em encontrar trabalhadores com qualificação técnica adequada. Não é apenas falta de gente; muitas vezes é falta de preparo para as novas demandas da construção”.

Ele lembra que, nos últimos anos, houve um afastamento das novas gerações do trabalho no canteiro de obras. “Muitos jovens não enxergam a construção civil como uma carreira atrativa, principalmente no modelo tradicional. Ao mesmo tempo, o setor passa por transformação tecnológica que exige profissionais mais preparados”.

Para enfrentar esse cenário, as construtoras investem em formação interna, programas de capacitação e parcerias com instituições como o SENAI. “A ideia é formar profissionais que o próprio mercado hoje não consegue entregar. A retenção também virou prioridade. Empresas estruturam melhor planos de carreira, investem em segurança, melhores condições de trabalho e benefícios. Hoje, valorizar o profissional é essencial para manter equipes qualificadas”, afirma Selig.

Tecnologia e industrialização como saída

A tecnologia surge como uma resposta estratégica para a escassez de mão de obra. “A construção civil está passando por modernização, incluindo digitalização da gestão das obras e industrialização dos processos construtivos. Sistemas mais industrializados, como pré-fabricados, steel frame e construção modular, transferem parte do trabalho do canteiro para ambientes industriais. Isso aumenta a produtividade, melhora o controle de qualidade e reduz a necessidade de mão de obra intensiva no local da obra”, explica Selig.

Ele complementa: “Ferramentas de planejamento e gestão, como BIM e aplicativos de acompanhamento de obra, permitem organizar melhor os processos, reduzir retrabalho e melhorar logística. Equipes menores conseguem produzir mais, com eficiência e menos desperdício”.

Redução da jornada 6x1 e produtividade

A discussão sobre a redução da escala 6x1 no setor da construção civil é delicada. “Em um cenário de dificuldade para encontrar profissionais, qualquer redução de jornada sem aumento de produtividade impacta diretamente os custos da construção. Menos horas trabalhadas significam a necessidade de contratar mais pessoas, que muitas vezes não estão disponíveis. Além disso, há preocupação com o custo da hora trabalhada. Se a jornada diminui e a produtividade não cresce na mesma proporção, o custo da obra tende a subir. É um tema que precisa ser discutido com muito cuidado”, afirma Selig.

Para David Fratel, diretor de Gente do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), a redução da jornada deve ser o destino final de um processo estruturado, e não o ponto de partida. “A melhor sequência sustentável é: (1) Qualificação, (2) Industrialização, (3) Produtividade e (4) Ganhos Reais de Entrega. Só após esses degraus a redução de jornada se torna viável. Inverter essa lógica gera ineficiência técnica e aumento direto de custos”, alerta Fratel.

Ele detalha que o SindusCon-SP já trabalha para melhorar a produtividade do setor por meio de Trilhas de Carreira Profissional com certificações, industrialização liderada pelos comitês COI e CCI, produtividade debatida no CTQ, segurança jurídica e contratação de jovens-aprendizes geridas pelo Conselho Jurídico. “É um trabalho estruturado para garantir resultados sólidos e irreversíveis”, comenta Fratel.

Fratel ainda reforça: “Propomos revisão da incidência de encargos sociais e a implementação de remuneração por produtividade. Reduzir jornada sem ganho de eficiência apenas transforma horas produtivas em encargos adicionais. A necessidade de um trabalho gradual e estruturado é central no nosso Grupo de Trabalho de Recursos Humanos (GTRH)”.

Selig comenta que muitas empresas investem cada vez mais em tecnologia, planejamento e industrialização para aumentar a produtividade. “A ideia é tornar a obra menos dependente do esforço manual e mais baseada em processos organizados, montagem técnica e sistemas construtivos eficientes. Esse caminho ajuda o setor a se adaptar a mudanças futuras nas relações de trabalho”, conclui.

Fontes

Gustavo Selig é engenheiro civil graduado pela PUC-PR, com Mestrado em Administração de Empresas e Negócios pela FGV-PR. Cofundador e presidente do Grupo Hestia, atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário paranaense, liderando projetos que unem tradição, inovação e propósito.

Foi representante do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) no Ippuc e presidiu a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR) por três gestões consecutivas.

David Fratel é diretor de Gente do SindusCon-SP.

Contatos

gustavo.selig@grupohestia.com.br

rmontagnini@sindusconsp.com.br

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Estrada da América entra na fase final e amplia acesso rural e turístico em Morretes

A pavimentação da Estrada da América, em Morretes, no Litoral do Paraná, está na etapa final de execução e deve alterar a dinâmica de deslocamento na região. Com cerca de sete quilômetros de extensão, a obra recebeu investimento de R$ 12,4 milhões, resultado de convênio entre a Prefeitura e a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística do Paraná. Desse total, R$ 8,8 milhões são repasses estaduais e R$ 3,5 milhões correspondem à contrapartida municipal. O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) atua como órgão interveniente e fiscaliza as medições mensais dos serviços executados.

A estrada, localizada em perímetro urbano e com mais de 200 anos de história, recebe pavimento rígido de concreto em placas de 16 centímetros de espessura, projetado para uma vida útil de aproximadamente 20 anos. Além da nova estrutura, foram realizados serviços de terraplenagem e regularização do subleito. Nesta fase, estão sendo concluídos o sistema de drenagem e a sinalização horizontal e vertical.

Impacto direto na produção rural

De acordo com o engenheiro civil Giovani Alberti, representante regional da Associação Brasileira de Cimento Portland no Paraná (ABCP), a obra tem impactos diretos sobre a economia local. “A pavimentação é fundamental para melhorar o bem-estar da população e fortalecer a produção rural. Ela garante mais segurança, conforto e acesso contínuo a serviços”, afirma.

A região tem forte presença da agricultura familiar e da agroindústria, produzindo principalmente gengibre, banana, cana-de-açúcar destinada à produção de cachaça e hortifrutigranjeiros. Com o novo pavimento, o escoamento tende a ocorrer com menos perdas e menor custo de manutenção dos veículos. “A estrada facilita o transporte e reduz dificuldades enfrentadas em períodos de chuva ou estiagem excessiva”, acrescenta Alberti.

Nova estrada facilita transporte e reduz dificuldades enfrentadas em períodos de chuva ou estiagem excessiva. Crédito: DER

A obra também contou com suporte técnico da entidade. Segundo ele, a associação atuou junto à área de engenharia da Secretaria Municipal de Infraestrutura, oferecendo apoio nas análises técnicas, esclarecimentos e orientações sobre o projeto e a execução do pavimento em concreto.

Turismo e mobilidade urbana

Morretes é reconhecida pelo patrimônio histórico e pelas paisagens naturais que atraem visitantes ao longo do ano. Para o DER, o novo pavimento facilita o acesso às áreas turísticas e melhora a experiência de quem chega à cidade. O órgão destaca que a intervenção amplia o conforto para turistas e moradores. Por estar em perímetro urbano, a estrada também beneficia o transporte coletivo e escolar, além do deslocamento para serviços públicos. A melhoria na regularidade da via reduz transtornos antes associados a trechos de terra ou pavimentos deteriorados. O DER ressalta ainda que a iniciativa é inédita no município e pode servir de referência para futuras intervenções em concreto na região.

Tendência de expansão no Sul

A obra de Morretes integra um movimento mais amplo de modernização da malha rodoviária no Sul do país. No Paraná, o DER tem obras de whitetopping contratadas e em fase de projeto, com previsão de início ainda neste semestre, além de novos editais previstos para rodovias da região de Maringá e ligações estratégicas no estado.

O engenheiro Dejalma Frasson Junior, gerente regional Sul da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), avalia que o avanço do pavimento de concreto decorre da busca por maior durabilidade e garantia de tráfego contínuo. “Os estados da Região Sul têm ampliado o uso dessa tecnologia, tanto em rodovias estaduais quanto em estradas rurais municipais, com foco em segurança e redução de custos de manutenção”, afirma.

Com a conclusão da Estrada da América, Morretes passa a contar com uma via estruturada para atender produtores, moradores e visitantes, consolidando a infraestrutura como um importante vetor de desenvolvimento econômico e social no Litoral paranaense.

Fonte
DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná)

Entrevistados
Dejalma Frasson Junior é engenheiro civil, especialista em gestão empresarial, tecnologia do concreto, engenharia rodoviária e pavimento de concreto. Atualmente, é gerente da Regional Sul da ABCP e professor do IPOS (Instituto de Especialização), na disciplina de Pavimento de Concreto, nos cursos de Infraestrutura de Transportes, Engenharia de Pavimentação e Engenharia Rodoviária.

Giovani Alberti é engenheiro civil e tecnólogo em concreto. Atualmente, é Representante Regional da ABCP-PR.

Contato
daniela.nogueira@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)

Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Eletrificação, IA e automação marcam o CONEXPO-CON/AGG 2026 em Las Vegas

O CONEXPO-CON/AGG 2026, realizado entre 3 e 7 de março, atraiu mais de 140 mil profissionais da construção de 128 países para Las Vegas, Estados Unidos. A feira reuniu empreiteiros, fabricantes, líderes em tecnologia e representantes da força de trabalho para apresentar novos equipamentos, tecnologias emergentes e soluções desenvolvidas para tornar o setor da construção mais eficiente, seguro e sustentável, mantendo ao mesmo tempo o forte ritmo de crescimento da indústria.

Nesta edição, o CONEXPO-CON/AGG 2026 contou com mais de 2 mil expositores. Entre os destaques estiveram grandes máquinas de movimentação de terra, guindastes de grande porte e equipamentos de pavimentação de última geração, além de soluções digitais para canteiros de obras, automação, sustentabilidade e novos avanços tecnológicos. O pavilhão do evento ofereceu aos participantes a oportunidade de conhecer essas inovações de perto, conectar-se diretamente com fabricantes e tomar decisões de compra mais informadas, capazes de influenciar projetos e negócios nos próximos anos.

“O CONEXPO-CON/AGG é o lugar onde a indústria da construção vem para ver o que está por vir”, afirmou Dana Wuesthoff, diretora do evento. “Esta semana demonstrou a resiliência e a engenhosidade do nosso setor. De máquinas avançadas a ferramentas digitais que ajudam as equipes a trabalhar de forma mais segura e inteligente, as inovações apresentadas aqui irão moldar os canteiros de obras nos próximos anos.”

Inovações que vão definir o próximo canteiro de obras

O CONEXPO-CON/AGG 2026 reuniu mais de 2 mil expositores, que apresentaram as mais recentes tecnologias e equipamentos da construção civil.
Crédito: CONEXPO-CON/AGG 2026

Durante a feira, fabricantes apresentaram tecnologias e equipamentos voltados à próxima geração de canteiros de obras, com destaque para automação, eletrificação e soluções digitais. A Komatsu mostrou avanços em controle inteligente de máquinas, enquanto a LiuGong apresentou equipamentos de baixas emissões, incluindo escavadeiras elétricas. Empresas de tecnologia também demonstraram soluções para monitoramento e gestão digital das operações, como sistemas de controle de máquinas, conectividade e análise de dados em tempo real. Já a Bobcat destacou inovações em inteligência artificial, autonomia e conectividade, voltadas para aumentar a eficiência e a produtividade nos canteiros de obras.

Para Saulo Marcel dos Santos, engenheiro civil e diretor responsável técnico da Kerber Pré-Moldados, um dos pontos que mais chamaram atenção no CONEXPO-CON/AGG 2026 foi o avanço na eletrificação das máquinas, além de equipamentos dotados de inteligência artificial e sistemas de controle e monitoramento remoto, inclusive para acompanhamento de manutenção.

“Estamos iniciando no setor de fundações e recentemente adquirimos uma máquina de hélice contínua monitorada. Encontramos muitas empresas apresentando novidades e equipamentos modernos voltados para esse segmento”, comenta Santos.

Para o diretor da Kerber, a principal lição do evento é clara: toda a indústria está investindo fortemente em tecnologia para reduzir custos, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade das operações.

Na avaliação de Luís Antônio Hobi, diretor da Hobimix, os grandes destaques da feira foram os equipamentos elétricos, como carregadeiras e caminhões, além dos sistemas de controle e monitoramento por satélite aplicados às máquinas.

Next Level Awards 2026

Durante o evento, a inovação na indústria também foi reconhecida pelo Next Level Awards, que destaca tecnologias e equipamentos capazes de transformar a execução e a gestão de projetos de construção, promovendo mais produtividade, sustentabilidade e segurança nos canteiros.

O GenSteer™, da Husco, foi eleito como o melhor equipamento. Trata-se de uma nova tecnologia de direção Steer-by-Wire para máquinas fora de estrada. A inovação elimina sistemas eletrônicos redundantes e utiliza a própria força do operador como fonte de energia em caso de falha elétrica, garantindo que a direção continue funcionando. Com isso, a tecnologia torna a direção digital mais segura, simples e escalável, mantendo o controle mesmo em situações de falha do sistema.

Já o Gravis Rack, da Gravis Robotics, ganhou a competição como a melhor tecnologia. O sistema transforma máquinas de movimentação de terra em equipamentos inteligentes ao incorporar sensores 3D, câmeras e processamento embarcado. O Gravis Rack atua como um copiloto na cabine, oferecendo dados em tempo real e orientação para aumentar a segurança e a eficiência. A plataforma também permite operações autônomas, como escavação e carregamento, que podem ser monitoradas por meio de um único tablet.

Fontes

Saulo Marcel dos Santos é engenheiro civil e diretor responsável técnico da Kerber Pré-Moldados

Luís Antônio Hobi é diretor da Hobimix.

Jornalista responsável: 
Marina Pastore – DRT 48378/SP 
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