ECC aposta na ductilidade e autocura para ampliar durabilidade estrutural
Conhecido internacionalmente como bendable concrete (concreto dobrável ou flexível, em tradução livre), o Engineered Cementitious Composite (ECC) vem ganhando espaço em pesquisas e aplicações ao redor do mundo por apresentar um comportamento pouco comum aos materiais cimentícios: ele dobra antes de romper. No Brasil, a tecnologia ainda dá seus primeiros passos, mas já mobiliza pesquisadores e especialistas interessados em ampliar a vida útil das estruturas e reduzir custos de manutenção.
“O ECC entrou nas mídias internacionais como um concreto que dobrava. Havia imagens de peças esbeltas sendo flexionadas sem romper de forma frágil, algo muito diferente do concreto convencional”, explica Hinoel Zamis Ehrenbring, especialista em compósitos cimentícios e desempenho do concreto.
Desenvolvido há cerca de 30 anos pelo pesquisador Victor Li, nos Estados Unidos, o ECC nasceu de uma inquietação: como tornar o concreto menos frágil e mais resiliente, especialmente diante de solicitações intensas, movimentações estruturais e até sismos?
Microfissuras controladas: o segredo do desempenho

Crédito: Hinoel Zamis Ehrenbring
Diferentemente do concreto tradicional, que tende a concentrar a tensão em uma única fissura que rapidamente se propaga até a ruptura, o ECC foi concebido para distribuir essas tensões em milhares de microfissuras extremamente finas.
“No concreto convencional, surge uma fissura principal que se abre e leva ao colapso frágil. No ECC, usamos fibras dispersas na matriz cimentícia que promovem a formação de inúmeras microfissuras, todas com abertura controlada”, afirma Ehrenbring.
Essas fissuras chegam a cerca de 0,1 mm, valor inferior ao limite mais restritivo previsto na NBR 6118 para ambientes de alta agressividade. “Estamos falando de fissuras da ordem de um fio de cabelo. Isso muda completamente o comportamento do material e sua relação com a durabilidade”, destaca.
O controle é garantido pela incorporação de fibras — geralmente de PVA (álcool polivinílico) ou polipropileno — que atuam como “pontes” de transferência de tensão. “São milhares de fibras por centímetro cúbico. Quando a matriz fissura, essas fibras ‘grampeiam’ a abertura e impedem que ela se propague, causando a formação de novas microfissuras”, explica o engenheiro.
Ductilidade semelhante ao aço
Uma das principais características do ECC é a ductilidade à tração — capacidade de deformar antes de romper, mantendo ou até aumentando a resistência ao longo do carregamento.
“O ECC vai deformando, microfissurando, mas não perde resistência. Ele avisa antes de romper. Esse comportamento é muito importante do ponto de vista da segurança estrutural”, afirma Ehrenbring.
Essa propriedade foi inicialmente pensada para regiões com alta atividade sísmica, como Japão e Estados Unidos, especialmente em zonas críticas de ligação entre vigas e pilares. “A ideia era inserir um material mais maleável nesses pontos, que pudesse absorver deformações sem colapso abrupto”, destaca Ehrenbring.
Embora o Brasil não enfrente sismos com a mesma intensidade, o especialista enxerga aplicações promissoras em infraestrutura, especialmente em pontes, viadutos e pavimentos de concreto.
Juntas de dilatação e pavimentos: aplicações estratégicas
Segundo Ehrenbring, as juntas de dilatação são hoje um dos principais pontos críticos de manutenção em obras de arte especiais. “Muitas manifestações patológicas e até colapsos estão ligados à falta de manutenção dessas juntas. O ECC pode funcionar como uma placa dúctil sobre a junta, permitindo movimentação com estanqueidade à água e menor necessidade de intervenção”, explica Ehrenbring.
Outra frente é o whitetopping — técnica de reabilitação de pavimentos com a aplicação de uma camada delgada de concreto sobre o revestimento existente. “Enquanto soluções convencionais trabalham com espessuras acima de 10 cm, o ECC pode atuar com menos de 5 cm. Usamos menos material e entregamos maior desempenho”, informa Ehrenbring.
Apesar do custo por metro cúbico ser superior ao do concreto convencional — em grande parte devido às fibras — o consumo reduzido e a maior durabilidade podem compensar ao longo do ciclo de vida.
“Entre 60% e 80% do custo do ECC está nas fibras. Mas a lógica não é um grande volume deste compósito, e sim pouco material mais eficiente”, pontua Ehrenbring.
Sustentabilidade direta e indireta
O ECC também evoluiu sob a ótica ambiental. Se nas primeiras formulações o consumo de cimento ultrapassava 1.000 kg/m³, hoje a incorporação de materiais cimentícios suplementares — como cinza volante, argilas calcinadas e sílica ativa — reduziu significativamente esse volume.
“Por utilizarmos menor volume de ECC nas aplicações e trabalharmos com traços mais otimizados, conseguimos reduzir emissões de CO₂ diretamente”, explica Ehrenbring.
Há ainda um ganho indireto: maior durabilidade significa menos intervenções, menos consumo de insumos e menor geração de resíduos ao longo do tempo. “No Brasil, temos um histórico de baixa cultura de manutenção preventiva. Sistemas que demandem menos intervenções periódicas já representam um avanço importante em sustentabilidade”, aponta Ehrenbring.
Autocicatrização: o próximo passo
Além do controle de fissuração, pesquisas recentes avançam na incorporação de mecanismos de autocicatrização.
“Se eu tenho microfissuras muito finas, a chance de elas se fecharem ao longo do tempo é maior. Estamos estudando estratégias com cristalizantes, adições minerais e até micro-organismos que favoreçam essa colmatação”, afirma o engenheiro.

Como as fissuras do ECC são significativamente menores do que os limites tradicionalmente tratados por aditivos cristalizantes, a tendência é que a selagem seja ainda mais eficiente.
Disseminação no Brasil
Em 2023, Ehrenbring publicou, ao lado de Bernardo Tutikian, um livro dedicado ao tema, “Concreto flexível com fibras: princípios, dosagens e aplicações do Engineered Cementitious Composites", reunindo pesquisas nacionais e internacionais. A proposta é difundir conhecimento técnico de forma acessível e incentivar aplicações práticas.
“O Brasil ainda está nos primeiros passos. Temos estudos em várias universidades, mas a aplicação em larga escala depende de validação prática e confiança do mercado. Assim como ocorreu com o concreto de ultra-alto desempenho (UHPC), é um processo que leva tempo”, avalia Ehrenbring.
Para ele, a consolidação do ECC no país pode levar de cinco a dez anos, mas a tendência global é clara. “O futuro aponta para compósitos cimentícios com controle de fissuração e capacidade de cicatrização. É uma mudança de paradigma: sair do combate à fissura e passar a gerenciá-la de forma inteligente.”
Se consolidado, o ECC pode representar um avanço significativo na engenharia estrutural, combinando desempenho mecânico, durabilidade e novas estratégias de sustentabilidade em um único material.
Fonte
Hinoel Zamis Ehrenbring possui doutorado em Engenharia Civil, com ênfase em materiais e sustentabilidade, pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Pela mesma instituição, possui mestrado e graduação também em engenharia civil. É professor do curso de graduação de Engenharia Civil da UNISINOS, bem como nos cursos de especialização da mesma instituição. Também atua como professor dos cursos de extensão e especialização do IDD. Em ambas as instituições ministra disciplinas voltadas aos temas de estruturas, materiais, desempenho e técnicas construtivas. É autor do livro "Concreto flexível com fibras: princípios, dosagens e aplicações do Engineered Cementitious Composites". Também, é autor do Capítulo "Concreto Autoadensável" do livro CONCRETO: CIÊNCIA E TECNOLOGIA (IBRACON). Em 2020, assumiu a diretoria regional do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) no estado do Rio Grande do Sul. Também é delegado regional da Associação Brasileira da Patologia das Construções (ALCONPAT - Brasil). É o responsável técnico do itt Performance/Unisinos. Também, presta consultoria em materiais de construção civil (compósitos cimentícios) e sistemas construtivos, com foco em desempenho.
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Construção projeta crescimento de 2% em 2026 após ano marcado por desaceleração
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 2% para a construção civil brasileira em 2026. Se confirmada, a alta representará aceleração em relação a 2025, quando a estimativa foi de avanço de 1,3%, e marcará o terceiro ano consecutivo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do setor.
De acordo com a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o cenário combina desafios e oportunidades. “Será um desempenho melhor do que o observado em 2025, ainda que o ambiente macroeconômico permaneça desafiador”, afirmou ela durante coletiva de imprensa.
O cenário traçado pela entidade combina fatores positivos, como início do ciclo de redução da taxa básica de juros, orçamento recorde do FGTS para habitação e continuidade dos investimentos em infraestrutura, com desafios estruturais, entre eles a elevada carga tributária, o custo da mão de obra e o ritmo mais moderado da economia nacional.
Desaceleração em 2025 e mercado de trabalho resiliente

Crédito: Envato
Dados apresentados pela CBIC mostram que a construção cresceu 1,3% em 2025, sendo que o principal fator de desaceleração foi o patamar elevado da taxa básica de juros. “Os juros no maior nível em quase 20 anos impactaram decisões de investimento e o ritmo de novos empreendimentos”, observa.
Apesar disso, o mercado de trabalho manteve desempenho robusto. O Brasil encerrou 2025 com taxa de desemprego de 5,1%, a menor da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012, e com quase 103 milhões de pessoas ocupadas. Na construção, o número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 2,945 milhões, alta de 3% em relação a 2024.
Custos pressionados e crédito em transição
Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 5,92% em 2025, superando a inflação oficial de 4,26%. O principal vetor foi o custo da mão de obra, que subiu 8,98%. Para Ieda Vasconcelos, esse movimento exige atenção. “A pressão maior veio da mão de obra, reflexo de um mercado de trabalho aquecido. Isso impõe desafios às empresas na gestão de custos”, disse.
No crédito imobiliário, os financiamentos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) recuaram 13% em 2025, somando R$ 156 bilhões. Já os recursos do FGTS cresceram 8,75%, alcançando R$ 138 bilhões. A expectativa da CBIC é de melhora gradual nesse cenário, impulsionada por mudanças no modelo de financiamento habitacional.
Infraestrutura mantém papel de sustentação
Os investimentos em infraestrutura alcançaram R$ 280 bilhões em 2025, crescimento de cerca de 3% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base. Desse total, 84% tiveram origem no setor privado. O segmento foi o único da construção a ampliar o saldo de empregos em relação a 2024, reforçando seu papel como vetor de estabilidade em momentos de menor dinamismo imobiliário.
Ouça também o podcast sobre cenário econômico para 2026: https://www.cimentoitambe.com.br/cenario-economico-da-construcao-civil-2026-2-2/
Ambiente de negócios e fatores que sustentam o crescimento
Além dos indicadores econômicos, a CBIC aponta fatores institucionais e estruturais como determinantes para o desempenho da construção em 2026. A elevada carga tributária passou a ser o principal problema do setor no quarto trimestre de 2025, à frente dos juros altos e da escassez de mão de obra. Ainda assim, a entidade avalia que há fundamentos capazes de sustentar a expansão. “Mesmo com desafios fiscais e um crescimento mais moderado da economia nacional, existem estímulos importantes em curso, como o orçamento recorde do FGTS para habitação, a continuidade das obras de infraestrutura e programas voltados à moradia”, afirmou Ieda Vasconcelos.
A combinação entre crédito direcionado, investimentos públicos e privados e demanda habitacional reprimida sustenta a expectativa de que a construção civil volte a ganhar tração em 2026, mantendo-se como um dos setores com maior capacidade de geração de empregos e dinamização da economia.
Fonte
Ieda Vasconcelos é economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
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Novo Roadmap Net Zero redefine estratégia climática da indústria do cimento
A indústria brasileira do cimento deu um passo decisivo na agenda climática com o lançamento do novo Roadmap Net Zero, que atualiza e amplia de forma significativa a estratégia setorial de descarbonização até 2050. Diferentemente da primeira versão, apresentada em 2019, o novo documento deixa de olhar apenas para o processo industrial e passa a considerar todo o ciclo de vida do cimento, do clínquer à obra, incluindo energia, sistemas construtivos e soluções baseadas na natureza.
Segundo Gonzalo Visedo, Head de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland/Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (ABCP/SNIC), a reformulação foi motivada pelo amadurecimento técnico do setor e pela necessidade de alinhar o cimento brasileiro às metas globais de neutralidade climática.
Do ‘portão para dentro’ à cadeia completa
O Roadmap de 2019 estava estruturado em quatro frentes: uso de adições, combustíveis alternativos, eficiência energética e captura, uso ou estocagem de carbono (CCUS). Embora esses eixos permaneçam centrais, o novo Roadmap Net Zero incorpora Reduções Indiretas através do uso de energias limpas como eólica e solar, Remoções e Compensações, através do CCUS e de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e a Desmaterialização, considerando uma maior eficiência nos concretos e sistemas construtivos.
Na prática, isso significa olhar para além da fábrica. “Passamos a considerar, além das reduções diretas no clínquer e no cimento, as reduções indiretas via eletricidade limpa, as remoções e compensações por meio do CCUS e das Soluções Baseadas na Natureza, além da desmaterialização, com maior eficiência no uso do concreto e dos sistemas construtivos”, explica Visedo.
Onde estão as maiores oportunidades de redução
De acordo com as projeções do Roadmap Net Zero para 2050, a contribuição potencial para a neutralidade climática do setor se distribui da seguinte forma:
- Reduções diretas (clínquer e cimento): 30%
- Reduções indiretas (eletricidade): 5%
- Desmaterialização (concreto e construção): 19%
- Remoções e compensações (CCUS, SbN e metanização): 46%
Apesar do peso crescente das remoções, as prioridades imediatas seguem sendo as ações sob controle direto da indústria. “As prioridades do setor continuam sendo, certamente, as Reduções Diretas, que contemplam o processo produtivo do clínquer e cimento e onde temos participação direta no esforço de descarbonização. Estamos falando das soluções ‘portão pra dentro’, como o aumento do uso de adições, do coprocessamento de combustíveis alternativos e de medidas de eficiência térmica”, destaca Gonzalo.

Crédito: Envato
Ao mesmo tempo, o executivo chama atenção para o tamanho do desafio que é descarbonizar as emissões remanescentes do setor, aqui consideradas no eixo Remoções e Compensações, com uma participação relativa de 46% do potencial de redução.
“Neste capítulo específico, o Roadmap Net Zero inova ao trazer, além do CCUS - que vem sendo estudado há tempos pelo setor, mas que tem demonstrado enorme complexidade para se materializar nos países em desenvolvimento - as Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e o papel estruturante que as remoções biogênicas e compensações florestais podem ter no esforço para alcançar a neutralidade carbônica da indústria brasileira. Principalmente considerando as condições climáticas e de biodiversidade do país e o potencial custo-efetivo desta solução frente ao CCUS, representando um diferencial competitivo nacional em relação a soluções tecnológicas de elevado custo”, afirma.
Marcos temporais e horizonte de médio prazo
A modelagem do Roadmap foi desenvolvida a partir de ferramenta da Global Cement and Concrete Association (GCCA) e trabalha com horizontes de curto e longo prazo, especialmente 2030 e 2050.
“Para estes períodos, foram realizadas inúmeras interações e consultas ao setor e a especialistas, tentando projetar as tendências, oportunidades, desafios e potencial de penetração de cada uma das principais alavancas de descarbonização do setor”, relata Visedo.
Como diferencial, o Roadmap Net Zero Brasil incluiu também uma linha de tendência para 2040, permitindo uma leitura mais clara do médio prazo.
Monitoramento, governança e revisões
O Roadmap não estabelece metas obrigatórias, mas funciona como um instrumento orientativo, capaz de projetar e simular diferentes cenários integrados, além de dimensionar o impacto de diferentes estratégias ao longo do tempo. Dessa forma, subsidia a formulação de planos de ação voltados à implementação das diversas alternativas de mitigação.
O acompanhamento dos indicadores é realizado com base no banco de dados ambiental internacional do setor, o GNR/GCCA, considerado o maior do mundo em um segmento industrial.
“Este monitoramento nos ajuda a avaliar periodicamente o progresso em cada um dos principais KPI’s do Roadmap, compreender quais estratégias têm se mostrado mais eficazes frente a outras, quais soluções tecnológicas se revelam mais factíveis e buscar formas de alavancar aquelas soluções que estejam prosperando mais lentamente”, ressalta Visedo.
Diálogo com construtoras, projetistas e incorporadoras
Pela primeira vez, o Roadmap brasileiro explicita o papel da cadeia da construção na descarbonização do cimento, incluindo construtoras, projetistas e incorporadoras.
“O cimento, como insumo fundamental da construção civil, tem um papel transversal na agenda de sustentabilidade da cadeia como um todo. Ao abordar, pela primeira vez, potenciais de descarbonização do cimento ao longo desta cadeia, o Roadmap simboliza um convite para a incorporação de novos atores, segmentos e especialistas para, de forma conjunta, buscarmos soluções para um objetivo comum”, afirma Gonzalo. “Quanto mais integrados estiverem os setores, maior será o alcance e mais rápido o atingimento dos objetivos.”
Desafios para sair do papel
Para que o Roadmap Net Zero se concretize, o setor aponta a necessidade de condições estruturantes claras. O documento elenca seis ações-chave para viabilizar a transição:
- Modernização regulatória e segurança jurídica;
- Apoio financeiro e incentivos econômicos direcionados;
- Integração da cadeia de valor;
- Valorização do atributo sustentável e estímulo à demanda;
- Inovação aplicada e desenvolvimento tecnológico;
- Coordenação de políticas e governança integrada.
“Todas elas, de certa forma, demandam políticas públicas específicas, aspectos regulatórios ou instrumentos financeiros habilitantes”, conclui Gonzalo Visedo.
Fonte
Gonzalo Visedo é Head de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland/Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (ABCP/SNIC).
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Whitetopping ultradelgado amplia durabilidade de vias urbanas e reduz custos de manutenção
A reabilitação de vias urbanas representa um desafio constante para gestores públicos, que precisam conciliar restrições orçamentárias com a demanda por soluções duráveis e que minimizem intervenções recorrentes no pavimento. Nesse cenário, o whitetopping ultradelgado tem se destacado como uma solução técnica e econômica para recuperar pavimentos asfálticos deteriorados, ampliando a vida útil das vias e diminuindo gastos com novas manutenções ao longo do ciclo de serviço da via.
A técnica consiste na aplicação de uma camada fina de concreto de cimento Portland diretamente sobre o asfalto existente. No caso do whitetopping ultradelgado, essa camada varia, em geral, de 5 a 10 centímetros, podendo chegar a espessuras ainda menores em estudos experimentais. Segundo o engenheiro Pedro Matiazzi da Silva, doutorando pela Unisinos e diretor regional do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) no Mato Grosso, trata-se de uma estratégia de reabilitação consolidada no exterior e em evolução no Brasil. “O whitetopping ultradelgado é uma técnica de reabilitação de pavimentos flexíveis, em que se executa uma camada fina de concreto sobre o pavimento asfáltico para recuperar sua capacidade estrutural”, afirma.
Origem e evolução da tecnologia

Crédito: Divulgação DER
O whitetopping surgiu nos Estados Unidos ainda no século passado e começou a ser estudado no Brasil a partir da década de 1990. Com o avanço das pesquisas, a redução das espessuras tornou-se o principal foco de desenvolvimento, dando origem ao whitetopping ultradelgado.“Quando falamos em ultradelgado, estamos tratando de espessuras menores, uso de fibras e outros componentes que melhoram o desempenho do concreto”, explica.
Esses estudos buscam aprimorar propriedades como resistência mecânica, controle de fissuração, aderência entre as camadas e desempenho estrutural sob tráfego intenso, garantindo a integridade do sistema mesmo com redução das espessuras e menor consumo de material.
Vantagens técnicas e econômicas
Entre os principais diferenciais do whitetopping ultradelgado está o potencial de durabilidade superior quando comparada ao recapeamento asfáltico convencional, especialmente tratamentos superficiais como o microrevestimento. “É um material que apresenta vida útil muito maior, reduzindo significativamente a necessidade de manutenção”, destaca o engenheiro.
Do ponto de vista econômico, embora o custo inicial possa ser mais elevado, análises de custo de ciclo de vida indicam vantagens em médio e longo prazo. A maior durabilidade e a menor frequência de intervenções compensam o investimento ao longo dos anos. Além disso, o reaproveitamento do pavimento asfáltico existente reduz a necessidade de remoção integral da estrutura, diminuindo custos associados à demolição e à reconstrução. “Quando se avalia o custo ao longo do tempo, fica evidente a economia, já que a manutenção é menor e o intervalo entre intervenções é muito maior”, afirma Silva.
Outro aspecto relevante é o desempenho térmico. Superfícies de concreto tendem a apresentar maior refletância solar e menor absorção de calor quando comparadas ao revestimento asfáltico. Essa característica contribui para a redução de deformações plásticas associadas à altas temperaturas e favorece a estabilidade do pavimento sob tráfego.
Rigidez, fadiga e durabilidade

Crédito: Acervo pessoal
O comportamento estrutural do whitetopping ultradelgado está associado ao elevado módulo de elasticidade do concreto, que resulta em maior rigidez ao sistema e menor deformação sob carga. A incorporação de fibras sintéticas contribui para o controle de fissuras, aumentando a tenacidade e pode ampliar a resistência à fadiga. “Trabalhar com fibras permite aumentar o desempenho à fadiga, principalmente em espessuras menores, controlando a propagação de fissuras”, explica o pesquisador. Em termos de durabilidade, estudos indicam vida útil superior a 12, 15 e até 20 anos, superando com folga o desempenho do micro revestimento asfáltico, geralmente estimado em cerca de 10 anos.
Aderência entre camadas e novos compósitos
Um dos principais desafios técnicos do whitetopping ultradelgado é garantir a aderência entre o concreto e o pavimento asfáltico existente. Avanços recentes envolvem o preparo adequado da superfície, com controle rigoroso de limpeza e umidade, além do uso de primers e adesivos poliméricos para melhorar a ligação mecânica e química entre as camadas. “Ainda é um aspecto que precisa ser aprimorado, mas já existem estudos que indicam rugosidade ideal e técnicas eficientes para essa aderência”, ressalta Silva.
As pesquisas também avançam na redução adicional de espessura com o uso de fibras de polipropileno e PVA, além de compósitos cimentícios de alto desempenho, como os do tipo ECC, caracterizados por alta ductilidade e controle rigoroso da fissuração. No exterior, especialmente nos Estados Unidos e na China, já há aplicações experimentais com camadas entre 25 e 50 milímetros. No Brasil, esses materiais ainda enfrentam desafios de custo e execução, permanecendo principalmente no campo da pesquisa e desenvolvimento.
Estratégia para gestores públicos
Para a gestão pública, o whitetopping ultradelgado se apresenta como alternativa de planejamento de longo prazo. A redução de manutenções corretivas, os maiores intervalos entre intervenções nas vias e o aproveitamento do pavimento existente contribuem para maior previsibilidade orçamentária. Além disso, há ainda ganhos ambientais, já que a diminuição de espessura reduz o consumo de concreto e as emissões associadas à sua produção.
“Quando se pensa no longo prazo, o gestor consegue reduzir gastos não previstos com manutenção e ainda adotar uma solução mais durável e sustentável para o ambiente urbano”, conclui Silva.
Entrevistado
Pedro Matiazzi da Silva é engenheiro civil graduado pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), pós-graduado em Gerenciamento de Projetos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), mestrado em Arquitetura e Urbanismo com a pesquisa com foco em concreto com adição de fibras de polipropileno pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), doutorando em Engenharia Civil com o trabalho focado em desenvolvimento de compósitos cimentícios para recapeamento urbano como alternativa ao whitetopping ultradelgado também na UNISINOS. Atualmente, é diretor regional do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) no Mato Grosso, é responsável técnico da Vipp Mix e Concreart, docente no Centro Universitário Fasipe de Sinop -MT.
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Concreto massa avança no controle térmico com mais planejamento
Por muito tempo, o controle térmico do concreto massa foi considerado uma preocupação restrita a grandes volumes e obras de infraestrutura pesada. Contudo, nos últimos anos, esse entendimento vem mudando — especialmente em edificações urbanas, onde blocos de fundação de pequeno e médio porte têm revelado riscos térmicos relevantes quando não analisados adequadamente desde a fase de projeto.
Segundo Bruno Pessoa, doutorando pela Universidade de São Paulo (USP) e engenheiro consultor na Britez Consultoria, o principal avanço observado nos últimos três a cinco anos não está associado a uma tecnologia isolada, mas a uma maior maturidade do mercado em relação ao tema.
“Hoje existe um entendimento mais claro, principalmente nas grandes metrópoles, de que o controle térmico deve começar ainda na fase de projeto, passando pela escolha dos materiais, definição do traço, estudos térmicos computacionais e planejamento executivo da concretagem”, afirma.
Avaliação prévia do risco térmico ganha protagonismo
Um dos pontos que Bruno Pessoa destaca como avanço recente é o desenvolvimento de ferramentas simplificadas para avaliação preliminar do risco térmico, voltadas especialmente a projetistas e engenheiros de obra. A proposta é permitir decisões antecipadas, antes mesmo da execução.

Crédito: Envato
“Apesar do aumento do interesse de construtoras e incorporadoras, ainda existem muitas dúvidas sobre quais elementos devem ser caracterizados como concreto massa. Blocos de fundação de pequeno e médio porte, por exemplo, costumam ser negligenciados”, explica.
Nesse contexto, Bruno é autor de um artigo técnico no qual propõe um diagrama de estimativa expedita do risco térmico em blocos de fundação, permitindo antecipar diretrizes de projeto ou avaliar o risco antes da concretagem — uma abordagem prática que busca preencher uma lacuna recorrente no dia a dia das obras.
Produtos específicos e monitoramento em tempo real
Além da evolução conceitual, o engenheiro observa um movimento crescente das empresas de concretagem no desenvolvimento de soluções específicos para elementos com maior potencial de acúmulo térmico. Soma-se a isso a maior disseminação do uso de sistemas de monitoramento térmico em tempo real, atualmente mais acessíveis e viáveis do que há alguns anos.
De acordo com Bruno Pessoa, esses sistemas permitem acompanhar a evolução da temperatura no interior do elemento estrutural, auxiliando na tomada de decisões durante a cura e reduzindo o risco de fissuração térmica.
Gelo, agregados resfriados ou nitrogênio líquido?
Entre as soluções disponíveis para controle térmico do concreto massa, todas têm como objetivo reduzir a temperatura inicial do concreto, mas apresentam diferenças significativas em eficiência, custo e logística.
O uso de gelo, por meio da substituição parcial da água de amassamento, é a alternativa mais comum no Brasil. Segundo Pessoa, trata-se de uma solução simples, amplamente disponível e de custo relativamente baixo.
“Quando bem controlado, o uso de gelo permite reduções típicas entre 5 e 12 °C na temperatura inicial do concreto. Em contrapartida, exige rigor no controle do teor de água e impacta a operação da central, já que a adição costuma ser manual”, ressalta.
Já o resfriamento de agregados, prática comum em outros países, ainda não é adotado de forma sistemática no Brasil. Medidas como aspersão de água ou sombreamento do agregado graúdo são frequentes, mas têm efeito limitado e normalmente funcionam apenas como complemento ao uso de gelo.
O nitrogênio líquido, por sua vez, é a alternativa com maior potencial de redução térmica, permitindo quedas rápidas e expressivas da temperatura inicial, frequentemente superiores a 20 °C. No entanto, o alto custo, a logística especializada, as exigências de segurança e a baixa disponibilidade restringem seu uso a situações muito específicas, de acordo com Pessoa.
“Na prática, o nitrogênio líquido tem o maior potencial de resfriamento, mas o gelo ainda apresenta o melhor equilíbrio entre eficiência, custo e viabilidade operacional na maioria das obras”, resume.
Experiências com controle térmico
Bruno Pessoa relata experiências em obras onde o controle térmico foi decisivo para o desempenho do concreto, especialmente em blocos de fundação de edifícios. Nessas situações, a limitação da temperatura inicial — associada a planejamento da concretagem e estratégia de cura — resultou em estruturas sem fissuração térmica visível e com temperaturas máximas abaixo de limites críticos, como 65 °C.
Na prática, os maiores problemas não costumam ocorrer em blocos de grandes dimensões.
“Em grandes volumes, o risco térmico geralmente é reconhecido desde o início e há abertura para estudos específicos. Os problemas mais recorrentes aparecem em blocos de menor porte, tratados como elementos convencionais apenas por não terem grandes volumes”, observa.
Ainda persiste no mercado a ideia de que apenas elementos acima de 100 m³ caracterizam concreto massa. No entanto, blocos com altura superior a cerca de 1,0 m, mesmo com volumes menores, já podem desenvolver gradientes térmicos relevantes e atingir temperaturas prejudiciais (acima de 65°C), dependendo do consumo de cimento e do calor de hidratação.
“É justamente nesses elementos que observo com mais frequência problemas de origem térmica, quase sempre associados à ausência de uma avaliação prévia do risco térmico ainda na fase de projeto ou de planejamento da concretagem”, comenta Pessoa.
Controle térmico como estratégia de durabilidade
Mais do que evitar fissuras iniciais, o controle térmico adequado tem impacto direto na durabilidade das estruturas e na redução de manutenção futura.
“Ao limitar a fissuração precoce e controlar a abertura das fissuras, reduz-se a permeabilidade do concreto e a entrada de agentes agressivos ao longo do tempo”, explica Bruno.
Além disso, temperaturas elevadas nas idades iniciais estão associadas ao risco de formação de etringita tardia (DEF) — um mecanismo de degradação que provoca expansões internas, fissuração progressiva e perda de propriedades mecânicas.
“Por isso, vejo o controle térmico não apenas como uma medida para mitigar problemas iniciais, mas como uma estratégia fundamental de desempenho e durabilidade ao longo da vida útil da estrutura”, conclui.
Fonte
Bruno Pessoa é doutorando pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Engenharia civil (UNICAMP). Atua como engenheiro consultor na Britez Consultoria. Autor e coautor de artigos técnicos indexados e de congresso. Experiência com consultoria em tecnologia do concreto e patologia das construções.
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Cadeia da construção acelera ajustes para cumprir metas de descarbonização
A descarbonização deixou de ser um debate prospectivo e passou a orientar decisões concretas ao longo da cadeia da construção civil. Alinhados por compromissos ambientais, regulação crescente e exigências de financiamento, fabricantes de materiais, construtoras, projetistas e instituições de pesquisa vêm reorganizando processos produtivos e critérios de especificação para reduzir emissões de CO₂ sem comprometer desempenho e durabilidade.
Segundo a engenheira Edna Possan, professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), o movimento precisa ser analisado de forma sistêmica. “A combinação dos materiais é que vai nos levar ao processo de descarbonização. Cada material tem o seu melhor lugar de uso, desde que se conheça o seu comportamento em uso e o carbono associado”, afirma.
Indústrias de base revisam processos produtivos

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Os setores cimenteiro e siderúrgico estão entre os mais mobilizados para reduzir as emissões. No caso do cimento, o Brasil parte de uma posição relativamente favorável. “O cimento brasileiro está entre os de menor emissão de carbono do mundo, com algo em torno de 550 a 600 quilos de CO₂ por tonelada, mesmo assim é um valor elevado quando olhamos para as metas globais de carbono neutro”, explica Edna.
A estratégia adotada envolve tanto a redução do teor de clínquer quanto o desenvolvimento de novos ligantes e compósitos. “Nosso grupo de pesquisa conseguiu desenvolver cimentos com até 60% menos dióxido de carbono em relação ao convencional a partir de resíduos da construção, com forte engenharia de processo e de materiais”, relata a pesquisadora.
Tecnologia e ciência como vetores de mudança
Para Edna Possan, o avanço da descarbonização está diretamente ligado ao investimento em tecnologia e inovação. “Eu acredito que a tecnologia nos trouxe até aqui e ela vai nos permitir permanecer neste mundo que precisa ser descarbonizado. Isso exige parceria entre universidades, empresas, poder público e terceiro setor”, destaca.
Essa lógica tem orientado o desenvolvimento de materiais de baixo carbono, que precisam atender simultaneamente a dois critérios. “As novas tecnologias precisam reduzir o dióxido de carbono incorporado e, ao mesmo tempo, manter desempenho e durabilidade. Não faz sentido reduzir emissão se a vida útil da edificação for comprometida”, afirma.
No concreto, esse equilíbrio passa por dosagens mais eficientes, uso de cimentos menos emissivos, fillers minerais e aditivos químicos avançados. “Hoje, o concreto no Brasil pode variar de forma muito significativa em quilos de CO₂ por megapascal de resistência, dependendo da mistura. Isso mostra o quanto o conhecimento técnico ainda é decisivo”, observa.
Metas chegam ao mercado e ao financiamento

Crédito: Arquivo pessoal
O movimento da cadeia ganha força adicional com a entrada de instrumentos de política pública. Um exemplo é a plataforma BIPC (Benchmark Iterativo para Projetos de Baixo Carbono), lançada pela Caixa Econômica Federal, voltada ao mercado imobiliário financiado com recursos públicos. “Tem-se a perspectiva de que, nos próximos anos, quem for produzir habitação com financiamento público terá que apresentar inventário de carbono e de energia das construções e isso já é uma exigência internacional e que no BIPc passa também a ser uma norma”, explica Edna.
A plataforma se conecta a ferramentas de avaliação do ciclo de vida, como o Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção (Sidac), que permitem calcular emissões associadas a materiais e sistemas construtivos. Esse avanço impõe uma mudança cultural no setor. “Engenheiros, arquitetos e especificadores vão precisar conhecer não apenas as propriedades mecânicas e estéticas dos materiais, mas também a energia e o carbono incorporados”, afirma.
Novo paradigma para toda a cadeia
Na avaliação da pesquisadora, a descarbonização não será alcançada por uma única solução tecnológica, mas pela soma de ajustes ao longo de toda a cadeia. Concreteiras, por exemplo, terão de aprender a dosar concretos de baixo carbono mantendo desempenho, enquanto projetistas poderão contribuir com otimização estrutural e escolhas mais eficientes de sistemas. “O setor inteiro está sendo chamado a reaprender. Assim como hoje olhamos o rótulo de um alimento para saber suas calorias, em breve os materiais de construção terão tabelas claras de carbono e energia”, conclui Edna.
Entrevistada
Edna Possan é engenheira civil formada pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) e doutora em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professora titular na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e coordenadora do Laboratório de Desempenho, Estruturas e Materiais (Ladema). Atualmente é membro de diversos comitês de estudos de normas relacionadas a construção civil e presidente da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (Antac). Atua na área de patologia das construções, materiais de construção e meio ambiente.
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edna.possan@unila.edu.br
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Ana Carvalho
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World of Concrete 2026 destaca os desafios econômicos da construção
O World of Concrete, um dos principais eventos dedicado às indústrias da construção em concreto e alvenaria, foi realizado entre os dias 19 e 22 de janeiro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. O evento reuniu mais de 47.400 profissionais e contou com a participação de mais de 1.300 empresas expositoras.
Ao todo, 284 novos expositores participaram do World of Concrete, abrangendo múltiplas categorias de produtos, incluindo movimentação de materiais, produtores de concreto, tecnologia para construção, pré-moldados, alvenaria de concreto, reforços para concreto, produção de cimento, demolição e reparo, superfícies e soluções decorativas.
“É um evento que promove a inovação, eleva o desempenho e celebra a arte do trabalho artesanal”, afirma Jackie James, vice-presidente do World of Concrete. “A cada ano, nossos expositores e participantes se reúnem para se conectar, colaborar e descobrir novas oportunidades que continuarão a moldar o futuro da indústria.”
Previsão Econômica para o Mercado da Construção

Crédito: World of Concrete
O evento contou com um programa educacional abrangente, reunindo diversos especialistas que compartilharam percepções sobre temas atuais, como economia, engenharia e projeções para o futuro para o setor.
O primeiro deles foi a palestra “The Economic Forecast with Ed Sullivan and Pierre Villere”. O painel abordou como navegar pela volatilidade econômica a partir de análises estratégicas de economistas renomados, que apresentaram projeções-chave de mercado e informações específicas por segmento.
Com base no seu relatório The Sullivan Report, o economista Ed Sullivan falou sobre o mercado de cimento dos Estados Unidos. Segundo Sullivan, a indústria acumula três anos consecutivos de retração, com queda superior a 10 milhões de toneladas desde 2022, o que reduziu a utilização do clínquer, diminuiu as importações e moderou os preços do cimento e do concreto. Para 2026, não há sinais claros de recuperação no curto prazo: juros elevados continuam a frear a construção privada, enquanto a inflação segue corroendo os recursos da construção pública. Apesar do bom desempenho da economia recente e do avanço de setores como data centers, seu peso no consumo total de cimento é pequeno e insuficiente para impulsionar o crescimento nacional.
Alguns fatores podem criar condições para uma retomada gradual a partir de 2026, como incentivos fiscais, simplificação regulatória, possível queda dos juros de longo prazo e um novo pacote de investimentos em infraestrutura. No entanto, os efeitos dessas medidas tendem a ser lentos, o que torna improvável um impacto relevante ainda em 2026. Assim, o ano deve marcar um ponto de estabilidade — sem nova queda acentuada, mas também sem crescimento expressivo —, com a recuperação mais consistente da demanda por cimento e concreto sendo esperada apenas a partir de 2027, dependendo sobretudo da trajetória da inflação e dos juros.
Design para construtibilidade
Durante o evento, aconteceu o curso Engineering: Designing for Constructability, direcionado a engenheiros, arquitetos, projetistas e profissionais envolvidos no desenvolvimento e execução de estruturas de concreto. Seu principal objetivo foi mostrar como a construtibilidade pode ser incorporada desde a fase de projeto, contribuindo para a redução de complexidades, aumento da produtividade em obra e melhor alinhamento entre projeto, execução, custos e prazos.
A programação abordou temas como sistemas estruturais em concreto armado, erros recorrentes no projeto de lajes sobre o solo e o uso de concreto reforçado com fibras, além de discutir barreiras históricas à produtividade na construção. Com apresentações de especialistas reconhecidos internacionalmente, o curso combinou fundamentos técnicos, exemplos práticos e tendências recentes do setor, oferecendo ainda horas de educação continuada para atualização e renovação profissional.
Conectando o empreiteiro e o engenheiro
O curso Bridging the Gap Between Contractor & Engineer destacou a importância da colaboração entre engenheiros, projetistas e construtores como fator-chave para aumentar a produtividade na construção em concreto. Entre os principais destaques, evidenciou-se o impacto direto das decisões de projeto, detalhamento técnico e especificações na construtibilidade, no custo e no prazo de execução, além da necessidade de alinhar expectativas desde as fases iniciais, como forma de mitigar conflitos, retrabalhos e reparos de alto custo. A programação mostrou que modelos colaborativos, como Design Assist, Design/Build e Integrated Project Delivery, podem melhorar a eficiência dos sistemas construtivos, estimular a inovação e gerar ganhos reais de desempenho, qualidade e previsibilidade nos projetos.
Fonte
Jackie James é vice-presidente do World of Concrete.
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Economia circular ganha escala na cadeia do concreto e reposiciona práticas da construção
A economia circular avança como um dos principais vetores de transformação da cadeia do concreto no Brasil. Em um setor historicamente intensivo no uso de recursos naturais, as empresas têm adotado modelos produtivos baseados no reaproveitamento de materiais, no fechamento de ciclos e na redução de desperdícios, com reflexos diretos na competitividade, na gestão ambiental e na inovação industrial.
Na prática, a circularidade ao concreto abrange desde o reaproveitamento de resíduos industriais e da própria construção civil até o uso racional da água e a substituição de matérias-primas convencionais por coprodutos. Segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), trata-se de uma mudança estratégica que combina ganhos ambientais e econômicos, ao mesmo tempo em que atende às crescentes exigências regulatórias e às demandas da sociedade por processos produtivos mais responsáveis.
Reuso de água e reciclagem de concreto no dia a dia das usinas

Crédito: Divulgação
Na ponta da produção, as usinas de concreto desempenham papel relevante na consolidação desse modelo. A Concrebras, empresa do grupo Cimento Itambé, é um exemplo de como a economia circular pode ser incorporada à rotina operacional. De acordo com Polyanna Raymundo Simões Vicentin, coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade da empresa, o reuso de água é uma das frentes mais consolidadas. “Implantamos sistemas fechados para reaproveitamento da água proveniente da operação e da lavagem de caminhões, betoneiras e equipamentos. Essa água passa por processos de decantação, clarificação e retorna ao ciclo produtivo, reduzindo de forma significativa o consumo de água potável”, afirma.
Além da água industrial, a captação de água da chuva também integra o processo. A água pluvial coletada em coberturas e áreas impermeabilizadas passa por filtragem e sedimentação antes de ser destinada a atividades operacionais, como lavagem de pátios, controle de poeira e umedecimento de agregados.
Outro eixo relevante é a reciclagem do concreto. Os resíduos gerados na operação são encaminhados para processos de reciclagem. “Essa prática reduz a demanda por recursos naturais, além de garantir a destinação ambientalmente correta”, explica Polyanna
Coprocessamento fecha o ciclo de resíduos industriais

Crédito: Divulgação
Na indústria do cimento, o coprocessamento consolidou-se como uma das principais ferramentas de economia circular. A técnica permite a utilização de resíduos tanto como energia térmica, através da reciclagem energética, quanto como substitutos de matérias-primas no processo de produção de clínquer. Com isso, reduz-se o consumo de insumos tradicionais, valorizando e reduzindo custos de produção ao mesmo tempo em que assegura a destinação ambientalmente adequada de materiais que, em muitos casos, eram descartados de forma inadequada.
Segundo Israel Wisniewski Vaz, gerente técnico e de coprocessamento da Itambé e da Rio Bonito Soluções Ambientais, empresa da Cimento Itambé, os resultados têm sido expressivos. “Em 2025, tivemos um crescimento de 26% em relação ao ano anterior e de mais de 224% na comparação com 2021”, destaca. Em mais de três décadas de atuação na área de coprocessamento, o Grupo Itambé proporcionou a destinação ambientalmente correta de mais de 800 mil toneladas de resíduos.

Crédito: Divulgação
A diversidade de resíduos aceitos é ampla e inclui líquidos, biomassas, pneus inservíveis, lodos de estações de tratamento de efluentes e resíduos sólidos urbanos. Israel aponta que o avanço tecnológico e a acreditação do laboratório da Rio Bonito pelo Inmetro trouxeram mais agilidade e confiabilidade ao processo. “A acreditação ampliou nosso posicionamento de mercado e deu mais segurança técnica aos clientes e aos órgãos ambientais”, afirma.
Ganhos econômicos e ambientais caminham juntos
Do ponto de vista corporativo, a economia circular também se traduz em redução de custos e mitigação de riscos. Irineu Gomes de Amorim Junior, gerente corporativo de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da Cimento Itambé, ressalta que os benefícios vão além do aspecto ambiental.
“O reuso de água reduz gastos com abastecimento, a reciclagem de concreto diminui custos com destinação de resíduos e o uso de cinzas e escórias industriais
permite menor consumo de cimento”, explica. Ele acrescenta que a gestão eficiente de resíduos, aliada à logística reversa contribui para a redução de custos associados ao transporte, à disposição em aterros e à mitigação de passivos ambientais.
Na avaliação dos especialistas, a economia circular na cadeia do concreto deixa de ser apenas uma diretriz conceitual e passa a integrar a estratégia operacional das empresas. Ao conectar inovação, eficiência e responsabilidade ambiental, o setor avança para um modelo produtivo mais alinhado às exigências do futuro da construção civil.
Entrevistados
Polyanna Raymundo Simões Vicentin é graduanda em Engenharia Ambiental pela Universidade Positivo. Possui especialização em Engenharia da Qualidade 4.0, com certificação Black Belt pela UFPR, em Gestão por Processos pela PUC-PR e MBA em Administração e Qualidade pela Uninter. Atualmente, atua como coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade na Concrebras.
Irineu Gomes de Amorim Junior é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pelo CEFET-PR e Mestre em Governança e Sustentabilidade pelo ISAE/FGV. Atualmente é gerente corporativo de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da Cia de Cimento Itambé.
Israel Wisniewski Vaz é graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Gestão da Produção e Recursos Humanos pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI), MBA em Lean Manufacturing pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Atualmente, é gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé e Rio Bonito Soluções Ambientais.
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Preço dos imóveis residenciais fecha 2025 com alta de 18,64%
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) anunciou que os preços dos imóveis residenciais no Brasil encerraram 2025 em trajetória de valorização, segundo o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R Abecip). O indicador registrou alta de 1,52% em dezembro e acumulou valorização de 18,64% no ano, o maior resultado desde o início da série histórica, em 2016. O movimento foi disseminado regionalmente, refletindo demanda resiliente, restrições estruturais de oferta e a consolidação do imóvel como ativo de preservação de valor, com desempenho muito acima da inflação (IPCA) e dos custos da construção (INCC).
Para Priscilla Cioli, presidente da Abecip, o desempenho de 2025 confirma a resiliência do mercado imobiliário, mesmo em um ambiente de juros elevados. Segundo ela, a forte alta da Selic impactou especialmente o crédito para a média renda, mas o setor encontrou caminhos para sustentar o crescimento, apoiado no bom desempenho do FGTS, em avanços regulatórios e na diversificação das fontes de funding. “O mercado superou as expectativas e mostrou capacidade de adaptação, inclusive com maior uso de recursos livres e soluções de tesouraria para financiamento”, afirma.
O cenário macroeconômico também contribuiu para dar sustentação à demanda. Em 2025, o rendimento médio mensal cresceu cerca de 5%, ampliando a capacidade de compra das famílias, enquanto a inflação ficou abaixo do esperado. Além disso, avanços em digitalização — como assinatura eletrônica e registro digital — ajudaram a reduzir entraves na jornada do crédito imobiliário, aumentando a eficiência do setor.

Crédito: Envato
Resultados por região
No recorte regional, o Sudeste apresentou aceleração homogênea. São Paulo subiu 1,61% em dezembro e acumulou 15,76% em 12 meses; o Rio de Janeiro avançou 0,41% no mês, com alta anual de 14,17%; e Belo Horizonte manteve trajetória firme, com valorização acumulada de 20,06%. No Nordeste, o fim de ano mais aquecido impulsionou altas expressivas: Salvador registrou uma das maiores variações mensais, de 2,74%, encerrando o ano com 23,37%, enquanto Recife acumulou 24,71% em 12 meses. No Sul, o comportamento foi mais heterogêneo, com Curitiba entre os mercados mais aquecidos do país, somando 24,68% no ano, enquanto Porto Alegre desacelerou. Já no Centro-Oeste, Brasília foi o grande destaque nacional, com valorização histórica de 27,11% em 2025.
Perspectivas para 2026
As perspectivas para 2026 são moderadamente positivas, porém condicionadas ao comportamento dos juros no segundo semestre. A Abecip projeta crescimento de aproximadamente 16% no mercado de crédito imobiliário, com expansão de 15% no SBPE, 5% no FGTS e avanço expressivo de 66% dos recursos livres. A expectativa é que a implementação gradual de um novo modelo de crédito, com menor dependência de funding subsidiado e maior participação de fontes de mercado, contribua para maior sustentabilidade no sistema médio e longo prazo.
Ainda assim, Priscilla Cioli ressalta que a trajetória de queda da Selic será determinante para destravar uma retomada mais robusta do setor. “O mercado tem potencial para crescer, mas a velocidade dessa expansão depende diretamente da redução dos juros e da consolidação do novo modelo de funding”, afirma. Com isso, 2026 tende a se configurar como um ano de transição, marcado pela acomodação dos preços em patamares elevados e pela preparação para um ciclo de crescimento mais consistente a partir de 2027.
Fonte
Priscilla Cioli é presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
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Assessoria de imprensa ABECIP: kauane.rezende@agenciafr.com.br
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Moinho vertical da Cimento Itambé torna-se referência e reforça compromisso do setor com eficiência energética e descarbonização
O desempenho operacional do Moinho Vertical N5 da Cimento Itambé colocou a unidade paranaense em posição de destaque no setor cimenteiro. A empresa recebeu reconhecimento da FLSmidth, fabricante do equipamento, após o moinho atingir uma Eficiência Global do Equipamento (OEE) acumulada de 98,2% ao longo de 12 meses, consolidando a operação como referência internacional em termos de desempenho, estabilidade e confiabilidade.
O indicador OEE reúne três fatores principais: disponibilidade do equipamento, performance produtiva e qualidade. No caso do Moinho Vertical N5, o índice de 98,2% significa que o equipamento esteve praticamente todo o tempo disponível, operou próximo da capacidade nominal e manteve padrões elevados de qualidade.

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Instalado em novembro de 2014, o Moinho Vertical N5, modelo OK 33.4, é o principal moinho na produção de cimento da fábrica da Itambé, em Balsa Nova, no Paraná. Com capacidade de produção de cerca de 1 milhão de toneladas por ano, o equivalente a aproximadamente 150 toneladas por hora, o equipamento produz o cimento CP II-F-40, produto de alto desempenho, amplamente utilizado na construção civil e reconhecido pelos clientes atendidos pela Itambé por sua elevada resistência mecânica, confiável estabilidade e consistente padrão de qualidade.
Segundo o diretor industrial da Cimento Itambé, Fábio Garcia, trata-se de um ativo estratégico para a companhia. “Esse moinho produz o CP II-F-40, que exige uma moagem mais fina para entregar maior resistência. Por ser um moinho vertical de rolos, ele apresenta um consumo de energia significativamente menor em comparação aos moinhos horizontais, o que reduz custos e aumenta a eficiência do processo”, afirma.
Alta produtividade com menor consumo de energia
Além da relevância produtiva, o moinho vertical se destaca pelo impacto direto na eficiência energética da operação. De acordo com a empresa, o uso da tecnologia de moinhos verticais permite uma redução de até 38% no consumo de energia na operação comparativamente aos moinhos horizontais.
Para Fábio Garcia, a eficiência energética está diretamente ligada à agenda ESG com a qual as empresas do grupo estão engajadas e à descarbonização da indústria. “Esse moinho está conectado a um cimento com menor pegada de carbono. A eficiência energética se traduz em resultado concreto para o negócio e para o meio ambiente”, destaca.
Operação sofisticada e manutenção rigorosa

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Para obter todos os ganhos, o moinho vertical exige um nível elevado de controle operacional e manutenção contínua. Esse é um dos fatores que levou parte do mercado a abandonar essa tecnologia, optando por equipamentos mais robustos, porém menos eficientes do ponto de vista energético.
O gerente de engenharia mecânica da Cimento Itambé, Celso Carvalho, explica que o desempenho alcançado é resultado de disciplina operacional e rotinas rigorosas. “É um equipamento sofisticado. Ele entrega uma performance excelente, mas demanda muita atenção. Nós temos uma parada semanal do moinho para intervenções de manutenção, verificação de lubrificação e controle de desgaste para que ele possa entregar toda performance”, afirma.
A operação também conta com alto grau de automação e monitoramento contínuo, o que garante estabilidade e previsibilidade ao processo produtivo. “A combinação entre manutenção assídua e operação assistida, com sistemas automatizados de controle, é o que sustenta esse nível de eficiência ao longo do tempo”, acrescenta Carvalho.
Parceria tecnológica e reconhecimento internacional
O reconhecimento foi atestado pela FLSmidth, empresa dinamarquesa que fabrica o moinho vertical. Com a presença do vice-presidente da FLSmidth no Brasil, Thiago Coscelli, a empresa destacou a excelência da operação e a solidez dos sistemas de manutenção da Itambé. Para Celso Carvalho, a parceria com a fornecedora foi determinante. “O apoio, a troca de conhecimento e o reconhecimento têm um peso enorme, porque validam que estamos operando o equipamento dentro dos mais altos padrões globais”, afirma.
Dessa forma, o moinho vertical da Cimento Itambé consolida-se como um ativo estratégico não apenas para a empresa, mas como referência para um setor que busca constantemente aumentar eficiência, reduzir emissões e avançar de forma consistente na agenda de descarbonização.
Entrevistados
Fábio Garcia é graduado em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá, com MBA pela Cornell University (EUA). Com 23 anos de experiência no setor de cimentos, atualmente é diretor Industrial da Cimento Itambé.
Celso José de Carvalho é graduado em Administração de Empresas com enfoque em Análise de Sistemas, especialista em manutenção e projetos de fábricas de cimento. Com 45 anos de experiência no setor de cimentos, atualmente é gerente de Engenharia Mecânica da Cimento Itambé.
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