Industrialização avança na construção e se consolida como diferencial competitivo

A industrialização da construção civil deixou de ser uma aposta de nicho para se tornar uma estratégia cada vez mais presente nas incorporadoras e construtoras brasileiras. Impulsionada pela falta de mão de obra qualificada, pela necessidade de ganhos de produtividade e pela busca por maior controle financeiro, o movimento aproxima o setor de uma lógica industrial, com processos mais padronizados, previsíveis e eficientes.

Esse avanço ocorre em um momento em que o setor projeta crescimento moderado. Segundo estudo do SindusCon-SP em parceria com o FGV Ibre, é estimado alta de 2,7% no PIB da construção civil em 2026, impulsionado por investimentos públicos e privados, novos modelos de financiamento habitacional e um ciclo consistente de obras de infraestrutura. Nesse cenário, métodos industrializados surgem como resposta direta aos gargalos históricos da atividade.

De acordo com o vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, a industrialização da construção vem se consolidando como uma resposta aos principais gargalos do setor. “Diante da dificuldade de contratar mão de obra qualificada, as empresas buscam soluções que reduzam a dependência de trabalho intensivo, aumentem a produtividade e tragam maior previsibilidade aos prazos e custos”, destaca.

Assim, a industrialização e os sistemas pré-moldados ganham espaço no Brasil, alinhados com uma tendência global. Além disso, a industrialização reduz a dependência do canteiro e diminui riscos de atrasos, retrabalhos e impactos climáticos.

Industrialização tem sido a resposta aos principais gargalos do setor.
Crédito: Envato

Projeto pensado para fabricar e montar

Na base dessa transformação está o DFMA, sigla para Design for Manufacturing and Assembly. Segundo Gustavo Selig, CEO do Grupo Hestia, o conceito redefine a forma como os empreendimentos são concebidos. “Trata-se de uma filosofia que orienta a edificação a ser pensada desde a origem para facilitar sua fabricação e montagem. Na prática, significa projetar sistemas e componentes padronizados, produzidos em ambiente industrial e montados no canteiro de forma rápida e precisa”, afirma.

Dentro desse mesmo movimento de industrialização, os sistemas pré-fabricados seguem a mesma lógica. Elementos como pilares, vigas, lajes e painéis são produzidos fora do canteiro, em fábricas com controle rigoroso de processos e qualidade, e posteriormente transportados para montagem na obra. Já a construção modular representa um nível ainda mais avançado, ao empregar módulos tridimensionais completos, que podem sair da indústria com instalações e acabamentos prontos, sendo conectados no local para formar o edifício com maior rapidez, precisão e previsibilidade.

Ganhos em custo, prazo e sustentabilidade

Entre os principais diferenciais da construção industrializada está a previsibilidade. Ao adotar processos padronizados e repetíveis, os custos e prazos passam a ser definidos com maior precisão. A qualidade também é beneficiada, uma vez que a produção ocorre em ambientes industriais controlados, com menor variabilidade, redução de erros e diminuição significativa de retrabalhos.

Outro fator relevante é a sustentabilidade. A redução do desperdício de materiais no canteiro e o uso mais eficiente de recursos aproximam o setor de práticas alinhadas aos critérios ESG, cada vez mais valorizados por investidores e clientes. “Além disso,há melhorias importantes na segurança do trabalho, pois grande parte das atividades ocorre em fábricas, em condições mais seguras”, acrescenta Selig.

Aceleração de obras

Eduardo Zaidan é vice-presidente de Economia do SindusCon-SP.
Crédito: Divulgação

A redução de prazos está diretamente associada ao paralelismo das atividades. Enquanto o canteiro executa fundações e infraestrutura, componentes e módulos são produzidos simultaneamente na fábrica. Quando chegam à obra, esses elementos são apenas montados em ritmo mais acelerado, em muitos casos, concentrado em dias ou semanas. “O DFMA garante que o projeto já esteja otimizado para essa montagem, reduzindo ajustes e retrabalhos. No controle de custos, o processo industrial oferece menos desperdício, redução de custos indiretos e maior previsibilidade orçamentária. Mesmo quando o custo inicial parece maior, o custo total do projeto tende a ser mais competitivo”, afirma ele.

Tendência que já se traduz em prática

No Brasil, o uso de pré-fabricados de concreto já se consolidou como prática recorrente em edifícios comerciais, industriais e obras de infraestrutura. A construção modular, por sua vez, avança em segmentos como hotéis, hospitais e empreendimentos residenciais, enquanto grandes incorporadoras passam a adotar cada vez mais os conceitos de DFMA em projetos habitacionais, buscando velocidade de execução, padronização e eficiência.

Com perspectivas positivas para o setor em 2026 e um ambiente cada vez mais exigente em relação à produtividade e ao controle, a industrialização deixa de ser apenas uma tendência e se consolida como um diferencial competitivo para empesas que buscam crescer de forma sustentável na construção civil.

Entrevistados

Eduardo Zaidan é vice-presidente de Economia do SindusCon-SP.

Gustavo Selig é engenheiro civil graduado pela PUC-PR, com Mestrado em Administração de Empresas e Negócios pela FGV-PR. Cofundador e presidente do Grupo Hestia, atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário paranaense.

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gustavo.selig@grupohestia.com.br

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Ana Carvalho
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Mercado do cimento projeta crescimento moderado em 2026, sustentado por programas habitacionais, infraestrutura e saneamento

O mercado brasileiro de cimento chega a 2026 com expectativas de expansão, ainda que em ritmo mais moderado do que o observado nos últimos dois anos. De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), as vendas em 2025 alcançaram 67 milhões de toneladas, resultado de um crescimento de 3,7%, o que consolidou a retomada iniciada no ano anterior. Para o próximo ciclo, a avaliação do setor é de cautela, combinada com oportunidades estruturais que podem sustentar o consumo.

Flávio Guimarães, economista do SNIC, aponta que a demanda por cimento deve seguir em trajetória de crescimento em 2026, condicionadas à efetivação de políticas públicas e investimentos voltados à habitação, ao saneamento e à logística. O contexto macroeconômico, porém, impõe limites a uma performance mais robusta. “O crescimento, no entanto, deve ser menor do que o registrado nos dois últimos anos, acompanhando o desempenho da economia”, afirma.

Juros altos e crédito restrito impõem desafios

A manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado e o alto nível de endividamento das famílias seguem pressionando a construção civil. Em 2025, a Selic permaneceu em 15% ao ano, encarecendo o crédito imobiliário, reduzindo a atratividade do financiamento via poupança e tornando ativos imobiliários menos competitivos frente às aplicações financeiras. “O elevado grau de inadimplência e a concorrência do orçamento doméstico com gastos não essenciais continuam afetando a capacidade de investimento das famílias”, destaca Guimarães. Em contrapartida, o mercado de trabalho aquecido e a expansão da massa salarial funcionam como amortecedores parciais desse cenário.

Indústria do cimento projeta 2026 de crescimento moderado, sustentado por políticas públicas, inovação construtiva e investimentos em infraestrutura.
Crédito: Envato

Minha Casa, Minha Vida segue como principal motor

No segmento habitacional, o programa Minha Casa, Minha Vida permanece como o principal vetor de demanda para a indústria do cimento. A nova meta do governo federal de contratar 3 milhões de unidades habitacionais entre 2023 e 2026 representa um aumento significativo em relação ao objetivo inicial. Esse volume de contratações tende a gerar impacto direto no consumo do insumo, ao sustentar a produção de moradias populares em todo país.

“O programa tem apresentado desempenho positivo e já superou a meta inicial, o que levou o governo a ampliar o objetivo. Essa nova meta deve demandar cerca de 13,5 milhões de toneladas de cimento no período”, explica Flávio Guimarães.

Industrialização avança com falta de mão de obra

A dificuldade de contratação de trabalhadores nos canteiros tem acelerado a adoção de sistemas industrializados na construção civil. Produtos pré-moldados, argamassas industrializadas e componentes fabricados fora do canteiro ampliam participação no mercado e impactam positivamente a demanda por cimento.

Para Flávio Guimarães, trata-se de uma tendência estrutural. “A utilização de produtos industrializados acelera a execução das obras e proporciona mais segurança, pois são fabricados com base em normas técnicas e sob rigoroso controle de qualidade”, avalia.

Nesse contexto, soluções construtivas industrializadas, como paredes de concreto moldadas in loco e o uso de blocos de concreto, ganham relevância ao viabilizar maiores volumes de produção com mais eficiência e menor custo, especialmente diante da escassez de mão de obra no setor.

Infraestrutura e saneamento ampliam oportunidades

Na infraestrutura, o pavimento rígido de concreto desponta como alternativa estratégica para rodovias e vias urbanas, em linha com diretrizes de durabilidade e redução de emissões. Com apenas 13% da malha rodoviária brasileira pavimentada, o potencial de expansão é significativo, inclusive em obras de restauração por meio do whitetopping.

O saneamento básico também deve seguir aquecido em 2026, impulsionado por leilões e investimentos privados associados ao novo marco legal do setor. Obras estruturantes de água e esgoto tendem a reforçar a demanda por cimento ao longo do ano.

Diante desse conjunto de fatores, a indústria projeta um ano de 2026 com crescimento moderado, sustentado por políticas públicas, inovação construtiva e investimentos em infraestrutura. Um cenário menos expansivo do que nos anos recentes, mas ainda promissor para um setor que completa um século de atuação no país atento aos desafios econômicos e ambientais.

Entrevistado

Flávio Guimarães é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Fluminense com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tem experiência no mercado financeiro e de construção, atuando há mais de 20 anos no setor de cimento. Integrante do Conselho Empresarial de Economia e do Conselho Empresarial de Meio Ambiente da FIRJAN. Atualmente, é economista do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), responsável pelas análises macroeconômicas e do mercado de cimento e sua segmentação.

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Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Infraestrutura catarinense exige R$ 57 bilhões em investimentos até 2029

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) avalia que o estado precisará investir R$ 57 bilhões entre 2026 e 2029 para que sua infraestrutura de transportes consiga acompanhar o ritmo de crescimento da indústria e da economia. O valor consta na Agenda Estratégica para Infraestrutura e Transporte, que mapeia gargalos históricos e aponta obras consideradas prioritárias pela entidade.

Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a agenda funciona como um norte para o setor produtivo. “A agenda da infraestrutura é sempre um balizador para os empresários para saber aonde devemos chegar”, afirmou.

Segundo o levantamento, cerca de 75% dos recursos deverão vir da iniciativa privada, especialmente por meio de concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e investimentos diretos em portos, rodovias e aeroportos.

Rodovias saturadas e turismo pressionando o sistema

Modal rodoviário representa 68,7% do estado e onde se encontram os maiores gargalos. Contorno Viário da Grande Florianópolis.
Crédito: Arteris Litoral Sul

De acordo com o estudo, a matriz de transportes mostra que o modal rodoviário representa 68,7% do estado. “E, de fato, os gargalos maiores estão neste meio de transporte”, afirma Egídio Martorano, presidente da Câmara de Transporte e Logística da FIESC.

Seleme alertou para o colapso da malha rodoviária catarinense, especialmente no eixo entre Joinville e Florianópolis, região que concentra crescimento populacional, atividade industrial e fluxo turístico.

“Devemos ter um planejamento de Joinville até Florianópolis. Quem não mora na beira da praia e precisa sair dois metros para trás vai ter problemas. As nossas rodovias estão colapsadas. Estamos sempre fazendo uma meia-sola, e vamos ter problemas”, disse.

A preocupação se intensifica a cada chegada do verão. A expectativa é de que Santa Catarina receba cerca de 3 milhões de turistas para a temporada de 25/26, sendo que 600 mil chegarão de avião, desembarcando principalmente em Navegantes e Florianópolis e depois se deslocando entre as praias. “Imagine o verão que vamos ter”, pontuou.

Em Florianópolis, segundo Seleme, as limitações geográficas dificultam novas soluções viárias. “De um lado tem mangue e mar, do outro Mata Atlântica. Eles não estão conseguindo fazer projetos novos. Tudo o que estão fazendo é acostamento e pequenas ampliações de pista. Não tem condições.”

Para o presidente da FIESC, o problema vai além da falta de recursos: é também uma questão de visão estratégica. “Não adianta ir buscar dinheiro lá fora se não há um projeto macro para os próximos 50 ou 100 anos. Temos que pensar muito na nossa infraestrutura para o futuro.”

Ferrovias esquecidas e dependência excessiva das rodovias

Outro ponto crítico levantado por Seleme é a ausência de uma malha ferroviária eficiente no estado. Ele lembrou que regiões como Caçador, já foram estruturadas a partir do transporte ferroviário.

“A estrada de ferro não existe mais e a rodovia é a mesma. Hoje, praticamente só temos a BR-116 para sair do estado. O Brasil estava em evolução e o Sul praticamente parou. O desenvolvimento veio todo para o litoral, que tem basicamente uma rodovia de norte a sul.”

Seleme citou ainda a sobrecarga prevista para a BR-101 nos próximos anos, especialmente na região de Joinville e da BR-280, onde estão concentrados grandes complexos portuários. “Nos próximos anos, deve aumentar em mil contêineres por dia o fluxo na BR-101.”

Infraestrutura como fator decisivo para atração de investimentos

A agenda da FIESC abrange todos os modais: rodoviário, ferroviário, aquaviário, aeroviário e dutoviário. Para Seleme, sem conectividade eficiente, o estado perde competitividade internacional.

“Não tem como você trazer um estrangeiro e colocá-lo num carro para viajar cinco ou seis horas até uma fábrica. Ele desiste”, afirmou Seleme.

Ele também defendeu a ampliação da aviação regional, destacando os esforços do governo estadual para levar voos ao interior. “Vários aeroportos foram reformados. Estão sendo oferecidos subsídios para companhias aéreas. Se não fizer isso, não há interesse.”

Investimentos e papel da iniciativa privada

Dos R$ 57 bilhões estimados, R$ 40,2 bilhões devem ser destinados às rodovias, seguidos por investimentos em ferrovias (R$ 9,9 bilhões), infraestrutura aquaviária (R$ 4,89 bilhões), aeroviária (R$ 991,9 milhões) e dutoviária (R$ 873,1 milhões).

A maior parte dos recursos deverá vir do setor privado, com previsão de R$ 42,6 bilhões em aportes. Entre os projetos estão a ampliação dos portos de Navegantes e Itapoá, parcerias público-privadas (PPPs) para dragagem e aprofundamento do canal da Baía da Babitonga, além de investimentos em rodovias concessionadas e aeroportos como Florianópolis e Jaguaruna.

Para Seleme, esse modelo é inevitável. Segundo ele, essa infraestrutura precisa contar com recursos privados e ser financiada por meio da cobrança pelo uso.

Mobilização política e social

O presidente da FIESC avalia que o volume de investimentos representa um desafio diante da escassez de recursos públicos e da imprevisibilidade orçamentária, sobretudo nos projetos que dependem da União.

“Precisamos fazer um grande esforço e unir toda a sociedade catarinense, as entidades empresariais, o Executivo e nossos parlamentares para uma grande mobilização em prol da melhoria da nossa infraestrutura”, afirmou. “Esse é um tema estratégico, que hoje afeta negativamente todos os setores econômicos, comprometendo a competitividade do estado, a geração de emprego e renda e o desenvolvimento socioeconômico catarinense.”

Obras consideradas prioritárias

Entre as prioridades apontadas pela FIESC estão:

  • Conclusão das duplicações da BR-470 e da BR-280
  • Manutenção das rodovias federais
  • Adequação de capacidade da BR-282 e BR-163
  • Conclusão da BR-285
  • Segunda etapa da bacia de evolução e canal de acesso ao complexo portuário de Itajaí
  • Recuperação e ampliação dos molhes de Imbituba
  • Aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga (PPP)

Segundo a entidade, a previsibilidade de recursos é essencial para garantir prazos e evitar que obras se arrastem por décadas.

Planejamento

Martorano destaca que, no entendimento da FIESC, é fundamental ter o Plano Estadual de Logística de Transporte incorporado. “Como estes portos estão projetados? Quais os acessos? Como eles vão influir nos corredores?”, questiona.

Sobre o Plano Nacional de Logística e Transporte (PNLT), Martorano destacou que é fundamental colocar Santa Catarina no contexto logístico nacional. “Nossos portos, que são de referência, não estão contemplados nestes corredores nacionais. Estes planejamentos têm que prever a inserção de Santa Catarina, bem como planejar o futuro e falar de diversificação de matriz”, propõe.

Outra questão que o planejamento deve levar em consideração é a logística resiliente a eventos severos, preservação das faixas de domínio e das áreas non aedificandi” bem como acesso das áreas lindeiras e planos diretores municipais e o zoneamento ecológico-econômico.

Fontes

Gilberto Seleme é presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina.

Egídio Martorano é presidente da Câmara de Transporte e Logística da FIESC.

Contato

faleconosco@fiesc.com.br

Jornalista responsável: 
Marina Pastore – DRT 48378/SP 
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Agenda: confira os principais eventos da construção civil em 2026

Quer se organizar para acompanhar os principais encontros da construção civil, cimento e concreto? O Massa Cinzenta reuniu os eventos mais relevantes do setor ao longo do ano para ajudar no seu planejamento. Confira a seleção a seguir.

Janeiro

World of Concrete

Data: 19 a 22 de janeiro

Local: Las Vegas, Estados Unidos

Site para inscrição: https://www.worldofconcrete.com

Valor para participar: A partir de US$ 105

A World of Concrete (WOC) 2026, a maior feira internacional de construção em concreto e alvenaria, reunirá no espaço Las Vegas Convention Center empreiteiros, construtores, empresários e profissionais do setor para a maior vitrine de produtos inovadores da história do evento, com mais de 200 expositores estreantes e quase 100 categorias de soluções, incluindo materiais compósitos, concreto usinado, pavimentadoras, bombas para concretagem e muito mais. O evento contará ainda com o programa educacional mais abrangente já realizado, com mais de 150 sessões que incluem desde aplicações técnicas e gestão de projetos até protocolos de segurança, incluindo mais de 60 tópicos inéditos, ambiente bilíngue com tradução em tempo real e workshops interativos. Entre as sessões exclusivas estão painéis sobre previsões econômicas, engenharia de construtibilidade, colaboração entre empreiteiros e engenheiros, desempenho de misturas de concreto, diversidade e liderança feminina, além de seminários sobre robótica e pisos de alta precisão.

Março

CONEXPO-CON/AGG 2026

Data: 03 a 07 de março

Local: Las Vegas, Nevada, EUA.

Site para inscrição: https://www.conexpoconagg.com/

Valor para participar: A partir de US$ 289

A CONEXPO-CON/AGG 2026 é um dos maiores eventos globais do setor de construção pesada, reunindo profissionais, empresas, fabricantes e líderes do setror em uma experiência prática e estratégica que vai além das palestras tradicionais, com máquinas em operação, testes de tecnologias e contato direto com fabricantes e especialistas. O evento cobre toda a cadeia da construção pesada — de asfalto, agregados e concreto a terraplenagem, transporte e gestão de frotas — e oferece uma programação educacional robusta, com mais de 150 sessões, painéis e workshops sobre temas como inteligência artificial, sustentabilidade, segurança, força de trabalho e inovação. Destaque para o Ground Breakers Keynote Stage, que apresenta empresas e soluções que estão redefinindo o futuro do setor, consolidando a feira como um espaço essencial para antecipar tendências, gerar negócios e fortalecer a competitividade.

Abril

FEICON

Data: 07 a 10 de abril de 2026

Local: São Paulo – SP

Site para inscrição: https://www.feicon.com.br/pt-br.html

A FEICON é a principal feira de construção civil e arquitetura do Brasil, abrindo o calendário do setor e reunindo mais de 1.000 marcas em oito pavilhões, com expositores nacionais e internacionais de acabamentos, estruturas, instalações e externos. O evento oferece mais de 200 horas de conteúdo ministrado por especialistas, ditando tendências, apresentando lançamentos e tecnologias, e conectando varejistas, distribuidores, engenheiros, construtores, arquitetos e demais profissionais. Com foco em conteúdo, inovação, relacionamento e negócios, a FEICON funciona como plataforma de inspiração e networking durante todo o ano. Dentro da feira, acontece a Feiconference, 2ª Conferência Internacional de Construção e Arquitetura, que reúne gestores para debater práticas sustentáveis, transformação digital, liderança estratégica e novos modelos de negócios, redefinindo o futuro do setor.

MAIO

SEMTEC 2026 - Seminário Técnico da Indústria de Cimento e Cal

Data: 19 a 21 de maio

Local: Belo Horizonte – MG

Site para inscrição: https://semtecimento.com.br/

Valor para participar: A inscrição será totalmente gratuita para os funcionários da indústria de cimento e cal, incluindo refeições.

O SEMTEC 2026 – Seminário Técnico da Indústria de Cimento e Cal é um evento focado em inovações e boas práticas em todas as áreas de produção e manutenção da indústria de cimento e cal. Com mais de 50 estandes e a presença de palestrantes de empresas renomadas, o seminário oferece uma oportunidade única de aprendizado, networking e participação em premiações. Criado em 2016, o SEMTEC surgiu para suprir a necessidade de um seminário didático voltado à capacitação de técnicos do setor, oferecendo acesso a novas tecnologias, manutenção, indústria 4.0 e otimização de processos, de forma mais acessível e regional, em contraste com outros eventos centralizados em São Paulo.

ENIC 2026 - Encontro Internacional da Indústria da Construção

Data: 19 a 21 de maio

Local: São Paulo – SP

Site para inscrição: https://cbic.org.br/enic/

Valor para participar: A partir de R$ 336

O Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC), promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), reúne líderes empresariais, autoridades, especialistas, representantes da academia e profissionais do setor para antecipar tendências, debater políticas públicas e impulsionar o crescimento da construção no Brasil. Em 2026, o evento consolida um formato ainda mais internacional, inovador e integrado, organizado em seis hubs temáticos — Negócios, Tecnologia, Inovação, Sustentabilidade, Pessoas e Internacional — que estruturam conteúdos estratégicos e promovem conexões entre ideias, conhecimento, novas tecnologias e oportunidades de negócios, criando um ambiente qualificado para transformação sustentável e fortalecimento de marcas junto aos principais tomadores de decisão do setor.

ICOLD 2026 Annual Meeting + 94th Annual Meeting International Commission on Large Dams

Data: 21 a 29 de maio

Local: Guadalajara, Mexico

Site: https://www.icoldmexico2026.com/about-5-3

Valor para participar: A partir de US$ 600

O International Symposium on Large Dams – ICOLD 2026 reunirá especialistas de mais de 100 países para debater o futuro das barragens diante dos desafios globais de água, energia e sociedade. Parte da 94ª Reunião Anual da ICOLD, o evento é um dos mais importantes fóruns internacionais sobre gestão, segurança, projeto, construção, monitoramento e reabilitação de barragens e infraestruturas hídricas, com forte foco em resiliência climática, sustentabilidade, inovação tecnológica e governança. A programação inclui simpósios técnicos, workshops, sessões plenárias, exposições, visitas técnicas e atividades culturais, promovendo a troca de conhecimento científico, experiências práticas e soluções estratégicas para o desenvolvimento seguro e sustentável das barragens em um mundo em transformação.

3ª Construsul BC

Data: 26 a 29 de maio

Local:  Balneário Camboriú – SC

Site para inscrição: https://feiraconstrusulbc.com.br/home/

Em sua terceira edição, a Construsul BC se consolida como um dos principais eventos do setor da construção civil, reunindo expositores e promovendo um ambiente estratégico de negócios e relacionamento. A feira apresenta soluções que abrangem toda a cadeia produtiva, desde a fundação ao acabamento, com foco em eficiência, sustentabilidade e redução de custos operacionais. Marcas líderes e importantes fornecedores expõem inovações em áreas como argamassas, aditivos, impermeabilizantes, sistemas construtivos, iluminação, elétrica, revestimentos, tintas, portas, janelas, cozinhas, banheiros, ferramentas, máquinas e equipamentos. Em paralelo, o evento conta com uma programação gratuita de palestras técnicas e painéis, voltada à atualização profissional e à discussão das principais tendências e desafios da construção civil.

JUNHO

7th fib Congress

Data: 15 a 19 de junho

Local: Lisboa – Portugal

Site para inscrição: https://fiblisbon2026.pt/

Valor para participar: A partir de 400€

O 7º fib Congress, será realizado em Lisboa, reunindo especialistas, pesquisadores, engenheiros e líderes da indústria do concreto estrutural de todo o mundo para discutir o futuro do setor sob o tema “Concreto Estrutural 2050: Rumo à Neutralidade de Carbono, Projeto com IA e Construção Robótica”. O congresso destaca a sustentabilidade como objetivo central e explora o impacto de tecnologias emergentes, como inteligência artificial, BIM, gêmeos digitais, automação e impressão 3D, aplicadas ao projeto, à construção e à reabilitação de estruturas de concreto. Ao longo da programação, palestras magnas, sessões técnicas, apresentações de cases, atividades voltadas a jovens engenheiros e estudantes, além de uma exposição técnica da indústria, promovem a integração entre pesquisa e prática, abrangendo desde materiais de baixo carbono e soluções em estruturas pré-fabricadas até reforço sísmico, durabilidade e grandes obras de engenharia.

7º Congresso Brasileiro de Patologia das Construções (CBPAT 2026)

Data: 24 a 27 de junho

Local: São Paulo – SP

Site para inscrição: https://cbpat.org.br/

Valor para participar: A partir de R$ 300

O 7º Congresso Brasileiro de Patologia das Construções (CBPAT 2026) é o principal fórum técnico-científico nacional dedicado a debates sobre controle da qualidade, diagnóstico, prevenção e recuperação de recuperação de estruturas e sistemas construtivos, reunindo profissionais da construção civil, pesquisadores, empresas, estudantes e gestores públicos. Promovido pela ALCONPAT Brasil, o evento integra academia e mercado por meio de palestras magnas, sessões científicas, minicursos, concurso estudantil e exposição técnica, abordando temas como patologia de estruturas de concreto, aço e madeira, impermeabilização, fundações, fachadas, retrofit, infraestrutura, desempenho das edificações, segurança contra incêndio e o uso de inteligência artificial na construção. Com caráter internacional e foco em soluções técnicas sustentáveis, o CBPAT 2026 reforça seu papel na difusão de conhecimento aplicado e na promoção de práticas de excelência para a durabilidade, segurança e desempenho das obras no Brasil.

Eventos discutem práticas sustentáveis, tecnologias como BIM e gêmeos digitais, além de inovações do mercado.
Crédito: Concrete Show

JULHO

Construsummit

Data: 01 e 02 de julho

Local: Florianópolis -SC

Site para inscrição: https://sienge.com.br/construsummit/

O Construsummit é o maior evento de gestão e tecnologia da Indústria da Construção e do Mercado Imobiliário, reunindo executivos, especialistas e empresas que lideram a transformação digital e a integração da cadeia do setor. Na edição de 2026, o evento aprofunda o debate sobre a nova era da construção, com foco em dados, inteligência artificial, gestão, crédito, produtividade e tecnologia como ferramentas para antecipar cenários socioeconômicos e transformar desafios em oportunidades. Com palestras que apresentam decisores, cases reais e discussões estratégicas que vão além do evento, o Construsummit se destaca pelo forte estímulo ao networking de alto nível e pelo acesso direto a insights aplicáveis para C-levels, gestores, engenheiros, incorporadores, construtoras e fornecedores.

AGOSTO

Construsul

Data: 04 a 07 de agosto

Local: Porto Alegre – RS

Site para inscrição: https://feiraconstrusul.com.br/home/

A Construsul – Feira Internacional da Construção chega à sua 27ª edição em 2026 consolidada como uma das mais relevantes na região Sul, tendo como pilares a geração de negócios, a inovação e a atualização profissional. O evento reúne toda a cadeia produtiva da construção, acabamentos e infraestrutura, com a participação de mais de 300 empresas expositoras e um público altamente qualificado, que inclui construtoras, incorporadoras, lojistas, engenheiros, arquitetos, indústrias e profissionais do setor. Além da área de exposição, a Construsul oferece uma programação gratuita de palestras, seminários e workshops, com debates sobre tecnologia, novos métodos construtivos, construção a seco, cidades resilientes, gestão hídrica e tendências que apontam os caminhos para o futuro da construção, integrando conteúdo técnico, inovação e networking em um único espaço.

Brazil Equipo Show

Data: 04 a 07 de agosto

Local: Jaguariúna – SP

Site para inscrição: https://beshow.com.br/

O Brazil Equipo Show (BES) é um evento internacional outdoor inovador que vai além do modelo tradicional de feiras, reunindo toda a cadeia dos setores de construção, mineração e agro em um ambiente dinâmico, voltado à inovação, ao networking e à geração de negócios. Considerado o grande espetáculo ao ar livre de equipamentos e tecnologias no Brasil, o evento reúne os principais players do mercado e apresenta as mais recentes soluções em máquinas, implementos, peças, serviços e novas tecnologias, com destaque para demonstrações ao vivo e testes de equipamentos em operação. Com público altamente qualificado e, mais recentemente, uma programação de congresso técnico dedicada a temas como digitalização, big data, produtividade, sustentabilidade e eficiência operacional, o BES se consolida como um ponto de encontro estratégico para profissionais e empresas que buscam liderar a transformação e o futuro desses setores.

Concrete Show

Data: 25 a 27 de agosto

Local: São Paulo – SP

Site para inscrição: https://www.concreteshow.com.br/pt/home.html

O Concrete Show South America é o maior e mais completo evento da cadeia construtiva do concreto na América Latina e integra o circuito internacional World of Concrete. Realizado anualmente, o evento reúne há mais de 16 anos empresários, profissionais, executivos, pesquisadores e estudantes de mais de 30 países, promovendo conteúdo técnico qualificado, networking e oportunidades de negócios para toda a cadeia do concreto e da mineração. Reconhecido como o principal ponto de encontro do setor, o Concrete Show apresenta as mais recentes tecnologias, produtos e tendências, além de uma programação robusta de conhecimento, com destaque para o Congresso Construindo Conhecimento, que reúne seminários e debates realizados em parceria com as principais associações da construção civil.

SETEMBRO

Damsweek 2026 - Semana de barragens 2026

Data: 20 a 26 de setembro

Local: Belém – PA

Site para inscrições: https://cbdb.org.br/evento/dams-week-2026?lang=pt-BR

A Damsweek 2026 será realizada em Belém (PA), na Região Amazônica, em um contexto estratégico marcado pelo período pós COP30, quando temas centrais da agenda ambiental global, como desenvolvimento industrial sustentável e gestão de recursos hídricos, estarão em evidência. Promovido pelo Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB), o evento cria um ambiente qualificado para a troca de conhecimentos e o fortalecimento da engenharia de barragens e de estruturas de disposição de rejeitos, com foco em segurança e sustentabilidade ambiental, reunindo profissionais, acadêmicos, empresas e instituições públicas e privadas. A programação contará, de forma excepcional, com a reunião do INCA (ICOLD National Committees of the Americas), ampliando a participação internacional e o intercâmbio de boas práticas científicas e técnicas, além de fomentar networking estratégico em uma região que abriga algumas das maiores e mais relevantes estruturas de barragens do país.

Paving Expo 

Data: 22 a 24 de setembro

Local: São Paulo – SP

Site para inscrições: https://paving.com.br/

Valor para participar: A entrada no Paving Expo é gratuita. No entanto, para participar da Paving Conferece, os valores começam em R$ 660.

A Paving Expo é um evento de negócios em infraestrutura viária e rodoviária do Brasil, consolidado como uma das principais plataformas do setor ao chegar à sua 9ª edição. Reunindo as empresas mais influentes do cenário global, o evento promove inovação, conexões estratégicas e experiências práticas, além de integrar a Paving Conference, o principal congresso técnico nacional em infraestrutura, pavimentação, segurança viária e construção. Com uma programação robusta de debates, palestras e trilhas temáticas que abordam máquinas e equipamentos, pavimentos asfálticos e de concreto, sinalização e segurança viária, geotecnia, ESG, inovação e tecnologia, a Paving Expo conecta poder público, concessionárias, construtoras e especialistas, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento da mobilidade, das rodovias inteligentes e da infraestrutura do país.

Modern Construction Show – 2ª Feira Internacional da Construção Industrializada

Data: 29 de setembro a 01 de outubro

Local: São Paulo – SP

Site para inscrições: https://modernconstructionshow.com.br/

O Modern Construction Show é um ponto de encontro da transformação tecnológica e industrial da construção civil no Brasil, reunindo líderes, especialistas, empresas, investidores e representantes do poder público em um ambiente voltado à geração de negócios, inovação e antecipação de tendências. O evento integra conteúdo técnico de alto nível com experiências práticas e imersivas, como demonstrações ao vivo, cases reais e tecnologias aplicadas, destacando soluções em construção industrializada, pré-fabricados, BIM, modularização, automação de obras e práticas sustentáveis. Com forte foco em networking qualificado e aplicabilidade imediata, o Modern Construction Show conecta toda a cadeia produtiva — de construtoras, incorporadoras e projetistas a universidades, entidades setoriais e órgãos públicos — promovendo conhecimento, parcerias estratégicas e soluções escaláveis para o futuro da construção.

67º Congresso Brasileiro do Concreto

Data: 30 de setembro a 03 de outubro

Local: Natal - RN

Site para inscrições: https://site.ibracon.org.br/

O 67º Congresso Brasileiro do Concreto, promovido pelo Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON), é o maior fórum técnico nacional dedicado à tecnologia do concreto e aos seus sistemas construtivos. O evento reúne profissionais, pesquisadores e estudantes do Brasil e do exterior para a divulgação e o debate de pesquisas científicas, avanços tecnológicos, normas técnicas, metodologias construtivas, materiais e inovações aplicadas às estruturas de concreto. Com uma programação voltada à sustentabilidade, durabilidade, pavimentos de concreto, projetos estruturais e gestão técnica, o congresso se consolida como um espaço fundamental de troca de conhecimento, atualização profissional e desenvolvimento do setor.

OUTUBRO

 FEICON Rio

Data: 06 a 08 de outubro

Local: Rio de Janeiro – RJ

Site para inscrições: https://www.feiconrio.com.br/pt-br.html

Pela primeira vez realizada no Rio de Janeiro, a FEICON Rio marca a expansão desta grande feira de construção civil e arquitetura à cidade, ampliando o alcance de um evento já consolidado em São Paulo. Com um mix completo de soluções em acabamentos, estruturas, instalações e áreas externas, a feira reúne os principais players do setor para apresentar tendências, inovações e lançamentos, além de oferecer workshops, palestras, espaços de inovação e um ambiente estratégico para networking e geração de negócios. Posicionada como uma plataforma de relacionamento, conhecimento e oportunidades ao longo de todo o ano, a FEICON Rio se consolida como um ponto de encontro essencial para profissionais e empresas que buscam crescimento, inovação e grandes contratos na construção civil brasileira.

Fontes

World of Concrete (WOC)

CONEXPO-CON/AGG 2026

FEICON

SEMTEC 2026

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

International Commission on Large Dams

Sul Eventos Feiras Profissionais

IBRACON

Modern Construction Show

Paving Expo

Brazil Equipo Show

Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB)

fib Congress

Concrete Show

International Commission on Large Dams (ICOLD)

Sienge

CBPAT

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Pesquisa traça panorama da maturidade digital na construção

O BIM Fórum Brasil (BFB) divulgou os resultados da Pesquisa Nacional de Maturidade Digital de Incorporadoras e Construtoras, um estudo que apresenta um panorama inédito e integrado sobre o estágio de digitalização das empresas da construção civil no país. O levantamento reuniu informações coletadas entre setembro e outubro de 2025, abrangendo todas as regiões do Brasil.

“A primeira pesquisa foi lançada em 2022, com foco nos profissionais do setor. Em 2024, o estudo foi ampliado e passou a analisar de forma mais diversificada o nível de maturidade do mercado, incluindo uma pesquisa abrangente sobre a adoção do BIM nos municípios brasileiros. Agora, em 2025, lançamos a terceira edição, direcionada especificamente ao segmento de construtoras e incorporadoras — um dos principais motores da adoção do BIM no Brasil. Se, por um lado, o poder público exerce um papel relevante como grande contratante e indutor das iniciativas governamentais, por outro, construtoras e incorporadoras representam a força da iniciativa privada. Os resultados dessa pesquisa são decisivos para orientar estratégias, acelerar a tomada de decisão e impulsionar o avanço da digitalização no setor”, informa Rodrigo Koerich, presidente do BIM Fórum Brasil.

Resultados da Pesquisa BIM Fórum Brasil sobre a maturidade digital

A pesquisa contou com a participação de 130 empresas e apresenta um retrato aprofundado do nível de maturidade digital do setor. Os resultados indicam que, independentemente do porte, a ampla maioria das empresas participantes enquadrou-se em dois dos cinco perfis estabelecidos: iniciante (48,5%) ou tradicional (24,6%). Segundo o critério da pesquisa, as empresas classificadas como tradicionais operam em modelos analógicos sem consciência estratégica consolidada sobre a necessidade da digitalização, enquanto as iniciantes já despertaram para a transformação, mas ainda carecem de estrutura para escalar suas iniciativas informais e reativas. Isso indica que ainda enfrentam barreiras básicas tanto de adoção tecnológica como de mobilização estratégica para a transformação. 

De acordo com pesquisa, a transformação digital não varia de forma qualitativa entre os diferentes portes de empresa.
Crédito: Envato

Para Natália Nakamura, do GT3 do BIM Fórum Brasil, apesar de haver uma intenção das empresas em inovar, ainda existe uma grande distância entre essa vontade e a capacidade real de execução. “Uma grande lacuna que conseguimos perceber é o desafio da execução prática da inovação dentro das empresas”, pontua.

Entre os perfis que indicam evolução na maturidade digital, apenas “com liderança mobilizada” (13,1%) e “convergentes” (13,5%) têm presença relevante na amostra, o que indica que o avanço digital no setor ocorre principalmente pela dimensão estratégica, e não por iniciativas isoladas de tecnologia. O perfil com liderança mobilizada evidencia forte patrocínio executivo e visão clara de transformação, ainda que com limitações operacionais, enquanto os convergentes demonstram maior equilíbrio entre estratégia e técnica, integrando a digitalização de forma efetiva à operação. Já o perfil com base técnica estruturada é pouco representativo (0,8%), reforçando que investimentos tecnológicos sem articulação estratégica não têm sido uma rota eficaz de transformação digital.

“Hoje, já existe uma compreensão mais madura da dimensão digital da construção e da incorporação, que deixa de ser apenas intermediária e se destaca como o bloco de melhor desempenho relativo em todo o diagnóstico. Esse resultado indica que vêm funcionando as ações de sensibilização promovidas por instituições do setor, especialmente ao aproximar os tomadores de decisão das empresas das melhores práticas metodológicas e tecnológicas em ambiente digital”, afirma Laura.

A pesquisa também avaliou quatro eixos: prontidão estratégica digital, cultura e capacidades digitais, infraestrutura digital e inteligência de dados, e processos eficientes e integrados. O estudo mostrou ainda, um descompasso relevante entre o discurso e a intenção estratégica das empresas e a efetiva entrega de resultados na prática.

A prontidão estratégica digital apresenta a maior média (1,93), indicando que as empresas reconhecem a importância da digitalização e possuem uma visão estratégica inicial sobre o tema. Em contrapartida, processos eficientes e integrados registram a menor pontuação (1,45), revelando dificuldade em transformar essa intenção em práticas digitais concretas no negócio. Cultura e capacidades digitais (1,80) e infraestrutura digital e inteligência de dados (1,76) ficam em um patamar intermediário, mostrando que as bases humanas e tecnológicas ainda estão em construção. Esse desempenho geral, com médias abaixo da metade da escala, explica a concentração das empresas nos estágios iniciais da jornada digital.

“Em suma, avaliamos que as empresas têm mais preparo para empreender um esforço de capacitação digital do que resultados operacionais. Isso significa que há mais preparo para começar a se transformar digitalmente do que capacidade de captar resultados operacionais nas atividades ou processos críticos”, afirma Laura Lacaze, diretora da TresT Consultoria.

Outro resultado apontado pela pesquisa foi de que a transformação digital não varia de forma qualitativa entre os diferentes portes de empresa, mas sim em termos de desempenho médio. Pequenas, médias e grandes organizações concentram-se majoritariamente nos perfis tradicionais e iniciantes e enfrentam desafios semelhantes, como processos fragmentados, baixa integração de dados e necessidade de aculturamento digital. As maiores diferenças aparecem nos eixos de infraestrutura digital e inteligência de dados e de processos eficientes e integrados, indicando um ponto crítico: a maturidade operacional das grandes empresas é frequentemente limitada pelas restrições digitais dos pequenos negócios com os quais se relacionam.

O compromisso estratégico com a transformação digital ainda apresenta fragilidades. “Os dados mostram dificuldades em transformar essa visão em iniciativas concretas, com estrutura, metas e acompanhamento de desempenho. A transformação digital não é simples nem imediata: não se resume à contratação de um software ou à realização de um treinamento pontual. Ela exige a construção de um processo estruturado, com prazos definidos, resultados esperados, alocação de recursos humanos e materiais, além de indicadores capazes de medir o que funciona e o que precisa ser ajustado. O principal gargalo identificado — e que se configura como um dos focos centrais de atuação institucional — está justamente no apoio às empresas para materializar essa visão, estruturando ações que permitam sair do estágio atual e avançar de forma consistente para onde desejam estar nos próximos cinco anos”, conclui Laura.

Fontes

Rodrigo Koerich é presidente do BIM Fórum Brasil.

Natália Nakamura integra o GT3 do Bim Fórum Brasil.

Laura Lacaze é diretora da TresT Consultoria.

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contato@bimforum.org.br

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Obediência às normas técnicas são fundamentais para reduzir danos de eventos climáticos intensos

Os eventos climáticos que atingiram a Região Sul nos últimos meses, incluindo ciclos de tempestades com tornados, granizo e vendavais, somaram prejuízos estimados ultrapassam os R$ 335 milhões, com quase 4,8 mil casas danificadas ou destruídas e 23,3 mil pessoas afetadas entre desalojados e desabrigados, de acordo com levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O Paraná concentrou mais de 96% desses prejuízos, com mais de R$ 323,5 milhões e 16 municípios em situação de anormalidade, liderados por Rio Bonito do Iguaçu, onde mais de 80% da população sofreu impacto e seis pessoas perderam a vida nos fenômenos.

Embora a intensidade dos eventos climáticos, cada vez mais frequentes e severos, represente um fator externo inevitável, engenheiros destacam que grande parte dos colapsos estruturais registrados poderiam ser evitada caso as construções fossem devidamente projetadas e executadas para resistir às cargas impostas pelo vento e outros esforços ambientais, previstos em norma.

O engenheiro Gilberto Luiz, especialista em patologia de edificações, informa que os acidentes começam a acontecer quando as pressões alcançam patamares inferiores a 20% do que efetivamente as edificações deveriam resistir. “Estruturas mal dimensionadas e com fixações inadequadas sucumbem até mesmo a ventos de 60 km/h, que são relativamente comuns no Sul do país”, observa.

Município de Rio Bonito do Iguaçu (PR) foi um dos mais afetados pelo tornado.
Crédito: Roberto Dziura Jr/AEN

O que estabelecem as normas técnicas

A ABNT NBR 6123 define critérios para o dimensionamento das edificações frente às ações do vento, considerando características locais e da construção. No Brasil, a velocidade básica do vento varia conforme a região, podendo atingir cerca de 30 a 48 m/s (108 a 173 km/h), com ajustes normativos que asseguram a segurança e o desempenho estrutural frente a ventos extremos. Esses ajustes consideram fatores como localização geográfica, climatologia, topografia, tipo de terreno, altura, uso e vida útil da construção.

A norma não atua isoladamente. Ela é parte de um conjunto que inclui também padrões de projeto e execução para estruturas de concreto, aço e madeira, além das diretrizes de desempenho que garantem segurança, funcionalidade e durabilidade frente a cargas ambientais variadas.

Construções fora da norma ampliam riscos

O cumprimento integral dessas normas é determinante para evitar a transição de danos localizados para cenários de colapso com perdas humanas e materiais. Sistemas de cobertura com fixações subdimensionadas, estruturas leves sem o devido contraventamento e detalhamentos construtivos inadequados aumentam significativamente a vulnerabilidade das edificações às ações do vento, favorecendo o desprendimento de componentes e a ocorrência de falhas progressivas, com riscos diretos à segurança de usuários, ocupantes e transeuntes. Gilberto Luiz destaca que “o vento pode tanto pressionar coberturas e paredes para baixo quanto arrancá-las, quando o esforço ocorre de baixo para cima”, enfatizando a necessidade de atenção a esforços horizontais e de sucção que muitas vezes não são considerados em projetos simplificados.

Resiliência começa no projeto

O balanço de prejuízos evidencia um cenário mais amplo: além de perdas diretas no setor habitacional, os impactos econômicos sobre serviços públicos, atividades produtivas e infraestrutura aumentam a vulnerabilidade das comunidades afetadas.

Em regiões suscetíveis a ciclones extratropicais, tornados e ventos intensos, investir em projetos tecnicamente adequados e na execução rigorosa conforme as normas brasileiras torna-se não apenas uma exigência legal, mas uma estratégia essencial de resiliência urbana e social. O fortalecimento das edificações constitui elemento central dos processos de adaptação às mudanças climáticas e de redução de riscos em áreas expostas a eventos extremos.

Entrevistado

Gilberto Luiz é graduado em Engenharia Civil pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), especialista em Patologia nas Obras Civis e Engenharia de Estruturas, diretor técnico da empresa Ad Fiducia Avaliações e Perícias de Engenharia, professor de cursos de pós-graduação e extensão na área de ensaios tecnológicos, inspeção de estruturas e perícias de engenharia, membro do Instituto Catarinense de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape/SC).

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contato@adfiducia.com.br

Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Construção civil deve ganhar fôlego em 2026

Após um ano de desaceleração em 2025, a construção civil entra em 2026 com perspectivas mais favoráveis, embora ainda cercadas de riscos. A avaliação é da economista Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV/ Ibre, que destaca a combinação de condicionantes positivas e negativas no cenário para o próximo ano. Em um cenário-base (nem pessimista, nem otimista), o FGV/Ibre estima que o PIB da construção deva crescer 2,7% em 2026.

“O ponto de partida para 2026 é um cenário mais equilibrado. Temos fatores que pressionam negativamente, como juros ainda elevados e incertezas globais, mas também um conjunto de vetores positivos que podem sustentar uma retomada mais consistente da atividade”, afirma.

Riscos permanecem no radar

Entre os fatores de risco, Ana Maria aponta a desaceleração do consumo observada ao longo do ano de 2025, o ambiente fiscal doméstico, as incertezas geopolíticas e a manutenção de taxas de juros em patamar elevado por boa parte do ano. “Surpresas negativas no cenário internacional se tornaram recorrentes e continuam interferindo nas decisões de investimento”, ressalta.

Apesar disso, a economista observa sinais de inflexão no ciclo monetário. A expectativa de início do processo de queda dos juros ao longo de 2026, ainda que gradual, é considerada relevante para o setor, especialmente para a retomada das obras das famílias.

Reforma tributária deve ajudar na industrialização, mas efeitos devem aparecer somente a médio prazo.
Crédito: Envato

Expectativas melhoram, apesar do pessimismo moderado

As sondagens do FGV Ibre mostram que, embora consumidores e empresários ainda permaneçam em um patamar moderadamente pessimista, a construção civil apresenta expectativas mais favoráveis do que outros setores da economia. Em novembro de 2025, o indicador de expectativa do setor permaneceu acima do nível observado no conjunto da indústria e dos serviços.

“Houve melhora nas expectativas de demanda e, com isso, também nas intenções de contratação para os próximos meses, especialmente nos segmentos de infraestrutura e serviços especializados”, explica Ana Maria Castelo.

Infraestrutura segue como principal motor

Um dos pilares do crescimento em 2026 deve continuar sendo a infraestrutura. Projeções da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) indicam que os investimentos no setor podem atingir R$ 300 bilhões, estabelecendo um novo recorde histórico.

Segundo Ana Maria, esse desempenho é sustentado por um ciclo de projetos já contratados, além de novos leilões previstos. “Grande parte desses investimentos é puxada pelo setor privado, o que reduz a dependência do orçamento público e dá mais previsibilidade ao ciclo”, afirma.

Reforma Casa Brasil pode impulsionar atividade e emprego

Outro destaque para 2026 é o Programa Reforma Casa Brasil, que prevê R$ 40 bilhões em crédito facilitado e assistência técnica para reformas e melhorias habitacionais. Caso o montante seja integralmente executado em um único ano, o impacto potencial sobre o PIB da construção é estimado em R$ 17,7 bilhões, o equivalente a 4,9% do PIB setorial de 2024.

Além disso, o programa pode gerar cerca de 84 mil empregos formais e 250 mil postos no setor informal, atingindo tanto a autoconstrução quanto empresas prestadoras de serviços. “É um programa com capacidade de transbordamento para os dois lados do PIB da construção, ampliando emprego e renda”, destaca a economista.

Famílias voltam ao centro do crescimento

A principal diferença entre 2025 e 2026, segundo a FGV, está no comportamento das famílias. Após um ano de estabilidade, provocado pela postergação de obras e reformas diante dos juros elevados, a expectativa é de retomada.

“No cenário-base, projetamos crescimento de 2,7% do PIB da construção em 2026, com desempenho das empresas em linha com 2025, mas com uma recuperação importante da demanda das famílias”, afirma Ana Maria Castelo. A estimativa considera avanço de cerca de 2,6% no consumo das famílias, após estagnação no ano anterior.

A FGV ainda trabalha com um cenário pessimista, de crescimento de 1,3%, e um cenário otimista, de 3,4%, a depender principalmente do ritmo de queda dos juros e da efetivação dos programas de crédito.

Escassez de mão de obra segue como desafio

Apesar da perspectiva de crescimento, a economista alerta para um gargalo estrutural que deve se intensificar: a escassez de mão de obra qualificada. A sondagem da FGV Ibre mostra que a limitação relacionada ao mercado de trabalho segue como uma das principais restrições ao avanço dos negócios no setor.

“Se a atividade voltar a acelerar, a pressão sobre o mercado de trabalho será ainda maior. Esse é o grande desafio para sustentar o crescimento nos próximos anos”, avalia.

Um ano de transição

Para Ana Maria Castelo, 2026 deve ser um ano de transição para a construção civil. “Há condições mais favoráveis do que em 2025, mas o setor ainda opera em um ambiente complexo. A retomada dependerá muito do comportamento das famílias, do custo do crédito e da capacidade das empresas de lidar com a escassez de mão de obra”, comenta.

A reforma tributária é apontada como um dos fatores que podem ajudar a mitigar a escassez de mão de obra no setor, ao estimular a industrialização da construção. Em 2026, no entanto, o novo modelo ainda estará em fase de transição.

“Neste primeiro ano, será apenas uma amostra do que virá pela frente. Trata-se de um período de adaptação que, ainda assim, favorece claramente a industrialização. A indústria da construção tem consciência de que não há outro caminho senão o aumento da produtividade, diante da falta de mão de obra”, afirma Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do SindusCon-SP.

Segundo ele, estudos do setor indicam que a idade média do trabalhador da construção civil gira em torno de 40 a 41 anos e não vem sendo renovada. “Há um esforço para tornar o trabalho nos canteiros mais atrativo, mas será indispensável ampliar os investimentos em modulação e industrialização para sustentar a produtividade nos próximos anos. A reforma tributária contribui para esse processo, embora seus principais efeitos devam se materializar no médio prazo”, conclui.

Fontes

Ana Maria Castelo é coordenadora de Projetos da Construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Eduardo Zaidan é vice-presidente de Economia do SindusCon-SP.

Contato

ana.castelo@fgv.br

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Especialistas apontam caminhos para o futuro do concreto no Brasil para acelerar a descarbonização da construção

Os principais pesquisadores mundiais em cimento e concreto reuniram-se durante o workshop internacional “Tecnologias Avançadas e Estratégias de Descarbonização para Concretos de Alta Performance”, que buscou discutir soluções práticas para uma construção mais sustentável. Organizado pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), hubIC, Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e Poli-USP, o evento reforçou a importância de novos ligantes, aplicações de baixo carbono e sistemas avançados de desempenho e durabilidade para o setor.

Paulo Monteiro, professor da University of California (EUA), apresentou um panorama do estado da arte da tecnologia do concreto. Segundo ele, o material vive uma mudança profunda: deixa de ser visto apenas como solução resistente e econômica e passa a carregar uma exigência adicional, que é a redução de emissões. “Hoje projetamos misturas com três metas simultâneas: resistência, durabilidade e baixa pegada de CO₂”, afirmou.

Monteiro destacou que os avanços mais relevantes se concentram na redução do teor de clínquer, principal responsável pelas emissões de CO2 na produção do cimento. Soluções como argilas calcinadas (LC3), escórias, pozolanas naturais e fíler calcário reativo já possibilitam reduções de 25% a 45% nas emissões, sem comprometer a performance dos concretos. “O Brasil é pioneiro no uso de argilas calcinadas combinadas com fíler calcário, e as formulações desenvolvidas na Poli-USP estão mostrando resultados particularmente promissores”, disse.

Palestrantes brasileiros e do exterior trouxeram suas experiências sobre descarbonização da construção.
Crédito: Divulgação

O professor também apontou avanços significativos na química dos aditivos, que vêm viabilizando concretos com maior fluidez, elevada resistência e aplicações inovadoras, como a impressão 3D. Segundo ele, a inteligência artificial deve promover um salto de eficiência no setor: “A aplicação de IA no controle em tempo real e na previsão de desempenho terá impacto profundo na forma como projetamos o concreto no futuro”, afirmou.

LC3 em pavimentação: desempenho superior e durabilidade aprimorada

Outra contribuição técnica relevante foi apresentada pela professora Keijin Wang, da Iowa State University (EUA), que abordou o desempenho do concreto para pavimentação com ligantes mistos inspirados no LC3. A pesquisadora destacou que combinações de cimento Portland, fíler calcário e argilas calcinadas, usando materiais regionais, já apresentam desempenho técnico consistente.

Segundo Keijin, em misturas com 20% a 30% de argila calcinada, o concreto do tipo LC3 desenvolve microestrutura mais densa e alcança maiores resistências em idades avançadas, o que reduz a penetração de umidade e íons agressivos, aumentando a durabilidade. Ela destacou ainda que, embora essas misturas demandem maior dosagem de aditivos superplastificantes e apresentem tempo de pega ligeiramente mais lento, o desempenho final supera o de concretos convencionais atualmente empregados em pavimentação.

A pesquisadora destacou ainda o primeiro caso prático de aplicação de um pavimento LC3, cuja mistura apresentoubom desempenho durante a execução com formas deslizantes e manteveaspecto superficial satisfatório após um ano de exposição às condições de inverno.

Entre as vantagens desse material, ela ressaltou a baixa emissão de carbono, a elevada resistência final e a maior eficiência na contenção da penetração de íons agressivos. Entre os desafios, estão a sensibilidade à cura e a limitada experiência em aplicações em larga escala, fatores que reforçam a necessidade de estudos adicionais.

Concreto reforçado com fibras: soluções para pavimentação avançada

Evento reforçou a importância de novos ligantes, aplicações de baixo carbono e sistemas avançados de desempenho e durabilidade.
Crédito: Divulgação

Já a pesquisadora Somayeh Nassiri, da University of California (EUA) destacou os avanços dos concretos reforçados com fibras (FRC) em aplicações de pavimentação e reabilitação de vias, tecnologia que vem sendo adotada de forma crescente nos Estados Unidos. Segundo ela, "o uso de macrofibras de aço ou sintéticas melhoram a capacidade pós-fissuração e contribuem para a redução da formação de trincas e fissuras”.

Ela também apresentou pesquisas envolvendo nanofibras de quitina e celulose, que, mesmo em dosagens baixíssimas (0,05% a 0,1%), promovem incrementos expressivos em resistência à flexão, tenacidade à fratura e mitigação da reação álcali-sílica.

A pesquisadora destacou ainda o potencial do uso de fibras recicladas de GFRP (Glass Fiber Reinforced Polymer) provenientes de pás de turbinas eólicas, agregando desempenho e sustentabilidade ao reaproveitar resíduos industriais. Porém, ela alerta que os métodos atuais de projeto ainda não capturam totalmente os benefícios do CRF, o que dificulta a justificativa de custos adicionais. “Precisamos de mais testes em campo e laboratório para quantificar os ganhos no ciclo de vida”, afirmou.

Em convergência, os especialistas reforçaram a importância de uma transição baseada em ciência, inovação e uso inteligente dos materiais. Tecnologias como LC3, concretos de alta performance, fibras avançadas e aditivos de nova geração apontam para um futuro no qual baixo carbono e o alto desempenho avançam de forma integrada. O workshop evidenciou que o Brasil reúne condições reais de liderança, tanto na pesquisa de microestrutura quanto na adoção de novos ligantes em escala industrial. Como sinalização ao setor, o debate apontou que para o cumprimento das metas globais de descarbonização, será preciso acelerar a implementação dessas soluções nos próximos anos.

Fonte

Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)

Contato

daniela.nogueira@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)

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Sinduscon-CE lança guia pioneiro e estratégico para acelerar a descarbonização na construção civil

O Sinduscon Ceará apresentou o Guia de Descarbonização na Construção Civil, considerado o primeiro documento técnico brasileiro a reunir, de forma estruturada, recomendações práticas para apoiar empresas e profissionais na redução efetiva das emissões de carbono. A publicação nasce como resposta ao avanço da agenda climática e ao papel estratégico que o setor ocupa na economia e no desenvolvimento urbano.

De acordo com o presidente do Sinduscon-CE, Patriolino Dias de Sousa, a iniciativa reflete o reconhecimento de que o setor da construção civil precisa assumir responsabilidades ambientais com visão de longo prazo e foco em inovação. “O guia surge como um marco que simboliza a abertura de um caminho pautado pela inovação e pela responsabilidade, entendendo a descarbonização como uma oportunidade única para repensar processos e modernizar práticas em toda a cadeia produtiva”, destaca.

O caráter pioneiro da iniciativa é reconhecido nacionalmente. Pela primeira vez, uma publicação setorial consolida conceitos técnicos, diretrizes estratégicas, boas práticas e KPIs obrigatórios para apoiar construtoras na transição para modelos de produção mais sustentáveis. “Ele é inédito porque reúne orientações práticas e estratégicas para reduzir emissões de carbono, consolidando medidas fundamentais e servindo como exemplo de compromisso, liderança e vanguarda do setor produtivo”, reforça Sousa.

Guia ajuda empresas a comparar, promovendo boas práticas rumo à descarbonização do setor
Crédito: Envato

Conteúdo técnico e orientações aplicáveis

O Guia de Descarbonização estrutura sua proposta em três eixos fundamentais: projeto, execução e operação. O objetivo é permitir que cada etapa do ciclo de vida de um empreendimento contribua para a redução de emissões. Entre os principais pontos abordados, estão:

- Priorização de materiais de baixa emissão e soluções industrializadas;

- Eficiência energética desde o anteprojeto;

- Uso de energias limpas nos canteiros;

- Reuso de água, logística reversa e controle rigoroso de resíduos;

- Manutenção preventiva e medição individualizada na fase operacional.

Além disso, o documento apresenta conceitos como o Protocolo GHG (Greenhouse

Gas Protocol) – onde as emissões são classificadas em três escopos – e Declaração Ambientais de Produto (DAP), promovendo padronização e permitindo a comparação entre diferentes obras. “O guia é um manual que organiza conceitos essenciais, estabelece KPIs obrigatórios e reforça boas práticas para viabilizar a descarbonização”, aponta o presidente do Sinduscon-CE.

Medir, reduzir e integrar: pilares da transformação

As orientações práticas são organizadas em três grandes diretrizes estratégicas:

- Mensurar para reduzir: incentivo ao monitoramento contínuo das emissões desde o projeto até o fim da obra. Nesse sentido, ferramentas como a calculadora de carbono disponibilizada pelo Sinduscon-CE ajudam a embasar decisões.

- Adotar soluções eficientes: tecnologias, processos e materiais de menor impacto devem ser incorporados desde o início.

- Trabalhar com agenda integrada: clima, biodiversidade, uso racional de recursos e economia circular passam a ser dimensões centrais da estratégia empresarial.

Segundo a entidade, sustentabilidade precisa ser encarada como equilíbrio entre impacto ambiental, viabilidade econômica e valor social, alinhando o Guia às práticas internacionais de ESG (Environmental, Social and Governance).

Desafios estruturais exigem inovação

Apesar dos avanços, o setor enfrenta desafios históricos. Materiais como básicos como aço e concreto são responsáveis por grande parte das emissões de carbono do setor, o que evidencia a necessidade de soluções tecnológicas, pesquisa aplicada e novos materiais. Além disso, a agenda regulatória também exige atenção, abrangendo temas como taxonomia verde, Plano Prima, eficiência energética e cidades resilientes. “Descarbonizar requer coragem para enfrentar problemas complexos e disposição real para desenvolver soluções e processos mais eficientes”, afirma.

O Guia de Descarbonização está disponível para acesso aberto em guiadescarbonizacao.sindusconce.com.br e deve servir de referência nacional para empresas que buscam alinhar produtividade, responsabilidade ambiental e competitividade.

Entrevistado

Patriolino Dias de Sousa é graduado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e em Direito pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR), pós-graduado em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sendo diretor executivo da Dias de Sousa Construções. Atualmente, é presidente do Sinduscon Ceará.

Contato
presidencia@sindusconce.com.br

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Pesquisa CNT de Rodovias 2025 evidencia gargalos estruturais

A Pesquisa CNT de Rodovias 2025, divulgada em dezembro de 2025, confirma que a infraestrutura rodoviária brasileira ainda enfrenta desafios estruturais significativos, apesar de avanços pontuais observados nos últimos anos. O levantamento avaliou 114.197 quilômetros da malha rodoviária pavimentada do país, analisando critérios técnicos relacionados ao pavimento, à sinalização e à geometria das vias, elementos que compõem o indicador de estado geral das rodovias.

Segundo o levantamento nacional, financiado pelo SEST SENAT, 37,9% da malha avaliada (43.301 km) foi classificada como Ótima ou Boa em 2025, frente a 33,0% em 2024 (36.814 km), o que representa uma melhora de quase 5 pontos percentuais. Já a proporção de trechos em condição Ruim ou Péssima recuou de 26,6% (29.776 km) para 19,1% (21.804 km), queda de 7,5 pontos percentuais. A categoria Regular permaneceu praticamente estável, passando de 40,4% (45.263 km) para 43,0% (49.092 km). De acordo com o estudo, “a situação Regular de uma rodovia sinaliza um estágio inicial de deterioração que pode evoluir para estados mais críticos, como Ruim ou Péssimo, caso não haja intervenção”.

Para o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, as concessões realizadas em 2025 foram decisivas para melhorar a qualidade das rodovias brasileiras. “Elas trouxeram investimentos em manutenção e modernização, aumentando a segurança e o conforto dos usuários. Esse modelo complementa os esforços do poder público e garante vias melhores para o desenvolvimento do país”, afirma.

Pavimento segue como principal fator de impacto operacional

O pavimento permanece como o elemento de maior influência sobre o desempenho das rodovias. Segundo a CNT, mais da metade da extensão avaliada apresenta condições que variam entre regular e péssima, com ocorrência de defeitos como trincamentos, afundamentos e perda de aderência superficial. Essas manifestações patológicas elevam o custo operacional do transporte, aumentam o consumo de combustível e reduzem a vida útil dos veículos.

A pesquisa estima que a má qualidade do pavimento gera um aumento médio de 31,2% no custo operacional do transporte rodoviário no Brasil, além de provocar desperdício superior a 1,2 bilhão de litros de diesel por ano, com impacto direto nas emissões de gases de efeito estufa.

De acordo com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), dentre as estradas pavimentadas no Brasil, apenas 2 a 3% são pavimentadas em concreto.  “Esta técnica já existe há mais de 100 anos. Aqui no Brasil, somente nos últimos 10 – 15 anos que ele passou a ser usado em maior volume”, afirma Dejalma Frasson Junior, gerente da Regional Sul da ABCP.

Cabe ressaltar que o pavimento de concreto se destaca pela alta durabilidade e menor intercorrências de utilização – quando projetado e executado de maneira correta – ao comparar com os demais sistemas de pavimentação, principalmente ao flexível. Dentre os principais benefícios, destacam-se:

  • Vida útil significativamente maior que a do pavimento flexível;
  • Redução de custos com manutenções;
  • Diminuição das intervenções de manutenção, o que reduz congestionamentos e consumo de combustíveis;
  • Maior conforto térmico;
  • Desempenho técnico garante redução na distância de frenagem em até 40%, aumentando a segurança nas estradas;
  • Reciclável ao fim da vida útil e aliado a processos como o coprocessamento de resíduos.

Pavimento de concreto se torna alternativa sustentável para rodovias

Deficiências em sinalização e geometria ampliam riscos

Além do pavimento, a pesquisa aponta problemas recorrentes na sinalização viária, especialmente em rodovias sob gestão pública direta. Trechos sem faixas centrais ou laterais, placas desgastadas e sinalização mal posicionada comprometem a segurança operacional, sobretudo em rodovias de pista simples.

Já a geometria das vias segue como um gargalo histórico. A predominância de pistas simples, curvas com raio inadequado, ausência de acostamentos e falta de dispositivos de segurança contribuem para a elevação dos índices de acidentes. Em 2025, a CNT identificou 2.146 pontos críticos na malha rodoviária nacional, muitos deles associados diretamente a deficiências geométricas.

Concessões apresentam melhor desempenho técnico

Assim como em edições anteriores, a Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostra que rodovias concedidas à iniciativa privada apresentam desempenho técnico superior, com melhores índices de conservação, sinalização e segurança viária. Atualmente, 30.130 km da malha avaliada estão sob concessão, o equivalente a 26,4% do total pesquisado, enquanto os trechos sob gestão pública concentram os piores indicadores.

Para a CNT, a complementaridade entre investimentos públicos e privados é fundamental para garantir previsibilidade, manutenção contínua e modernização da infraestrutura rodoviária.

Desempenho no Paraná

Paraná apresenta desempenho acima da média, mas enfrenta desafios de geometria
Crédito: Roberto Dziura Jr/AEN

No recorte estadual, o Paraná se destaca positivamente em relação à média nacional, mas ainda apresenta gargalos técnicos relevantes. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 avaliou 6.601 km no estado, correspondentes a 5,8% da extensão total analisada no país.

O estado geral das rodovias paranaenses mostra que 48,6% da malha foi classificada como ótima ou boa, enquanto 42,5% aparecem como regulares e apenas 8,9% como ruins ou péssimas, desempenho superior ao observado no cenário nacional.

O pavimento é um dos principais pontos fortes do estado: 50,2% da extensão avaliada apresenta condição ótima ou boa, reflexo de investimentos contínuos, especialmente em rodovias concedidas. Ainda assim, a elevada proporção de trechos classificados como regulares indica a necessidade de manutenção preventiva para evitar o avanço da degradação estrutural. Vale lembrar que, de acordo com o Governo do Estado, hoje são 755 quilômetros de rodovias com obras de pavimentação ou duplicação em concreto em diferentes fases de execução em todo o Paraná. O número representa um aumento de mais de 50% em apenas seis meses, no comparativo com os 500 quilômetros deste tipo de pavimento registrados em junho de 2025. O investimento total já é superior a R$ 3,3 bilhões.

Na sinalização, o Paraná também se destaca, com 70,6% da extensão classificada como ótima ou boa. Contudo, persistem falhas pontuais, como a ausência de faixa central em 2,9% dos trechos e de faixas laterais em 6,2%, fatores que impactam diretamente a segurança viária.

O principal desafio técnico no estado está relacionado à geometria das vias. Apenas 45,5% da extensão avaliada foi classificada como ótima ou boa, enquanto 27,8% aparecem como ruins ou péssimas. A predominância de pistas simples (77,2%) e a falta de acostamento em 44,9% dos trechos comprometem a fluidez do tráfego e elevam o risco de acidentes, sobretudo em corredores logísticos estratégicos.

Segundo a CNT, as condições do pavimento no Paraná geram um aumento médio de 24% no custo operacional do transporte, reforçando a importância de políticas contínuas de conservação, requalificação geométrica e ampliação de investimentos estruturantes.

Fontes

Vander Costa é presidente do Sistema Transporte.

Dejalma Frasson Junior é gerente da Regional Sul da ABCP.

Contatos

Assessoria de imprensa CNT: imprensa@cnt.org.br

Dejalma Frasson Junior: dejalma.frasson@abcp.org.br

Jornalista responsável: 
Marina Pastore – DRT 48378/SP 
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