FEICON 2026: construção industrializada e sustentabilidade pautam o setor
Realizada entre 07 e 10 de abril em São Paulo (SP), a Feira Internacional da Construção Civil 2026 (FEICON) é um dos principais eventos voltado aos mercados de construção civil e arquitetura na América Latina. Esta edição, reuniu representantes da indústria, do varejo, distribuidores e profissionais do setor em torno de oportunidades concretas de conexão e geração de negócios.
“A feira reúne, no mesmo ambiente, os diferentes elos do setor em um momento em que decisões precisam ser tomadas com base em dados, diálogo e visão de longo prazo. Quando indústria e varejo se encontram presencialmente, com foco em negócios, relacionamento e leitura de mercado, criam-se condições concretas para transformar posicionamento em resultado e preparar o segmento para um novo ciclo de crescimento”, afirma Ivan Romão, diretor da FEICON.
Confira alguns destaques da feira:
Sustentabilidade
A FEICON reafirmou seu papel como vitrine de sustentabilidade e adaptação climática, apresentando soluções que unem eficiência operacional à economia circular.

Crédito: FEICON/Divulgação
Entre os destaques da programação, esteve a adaptação do setor às demandas de sustentabilidade, transição energética e resiliência climática. Um exemplo é da Selecta Soluções, que inovou seu processo de fabricação de blocos ao adotar uma matriz energética sustentável. A empresa utiliza biomassa e combustível derivado de móveis descartados (como sofás e guarda-roupas) para alimentar seus fornos. Outro destaque foi a Tigre (TAE) que lançou a UNIFAM, uma estação individual que trata até 800 litros de esgoto por dia. A solução elimina odores, reduz o lodo e garante o descarte ecológico da água.
Além disso, durante o evento, foi realizada uma edição da Rota da Sustentabilidade, iniciativa que destaca produtos com impacto comprovado nos pilares ambiental, social e de governança (ESG). A proposta é aproximar soluções já disponíveis no mercado das demandas por eficiência e responsabilidade ao longo da cadeia construtiva.
“A Rota da Sustentabilidade transforma critérios ambientais, sociais e de governança em parâmetros concretos para o setor. Ao reunir soluções avaliadas tecnicamente e dar visibilidade a esses avanços, a FEICON contribui para que a sustentabilidade também se torne um critério de negócio na construção civil”, destaca Romão.
Dentre as soluções apresentadas, estão:
Bostik – Super Fort 3+ Argamassa de alta performance aplicada em camada única, reduzindo etapas e desperdícios na obra. Oferece maior rendimento e utiliza embalagem com pelo menos 70% de plástico reciclado, fortalecendo práticas de economia circular.
Metro Modular – Formas modulares para concreto Sistema industrializado de formas reutilizáveis, feito em materiais plásticos e metálicos. Aumenta produtividade, diminui perdas no canteiro e é totalmente reciclável ao fim da vida útil.
Espaço Smart – Aço XCarb (Green Steel) Aço produzido com emissões significativamente menores, usando fontes limpas e processos de descarbonização. Atende à demanda por estruturas com menor impacto ambiental ao longo do ciclo de vida.
Force Line – Extensão elétrica Extensão fabricada com 64% de latão reciclado, reduzindo a extração de matéria-prima virgem e incentivando o reaproveitamento de metais.
Inovação
O evento também se consolida como um espaço para a apresentação de inovações tecnológicas, novos produtos e as principais tendências que devem direcionar o mercado.
“A FEICON é onde o setor se encontra para conhecer as inovações que vão moldar o futuro da construção. É uma vitrine que conecta demanda e oferta, tecnologia e aplicação prática”, afirma Romão.
Na edição de 2026, o Selo Inovação Varejo destacou soluções que unem design estratégico e sustentabilidade. Entre os exemplos estão o tapume ecológico da Onduline, produzido com fibras vegetais reutilizáveis e isolantes, e a cadeira da Tramontina, fabricada com plástico rastreável retirado do litoral brasileiro, em parceria com ONGs.
Industrialização
Em um momento em que a construção civil enfrenta escassez de mão de obra, a Arena ABRAMAT debateu a construção industrializada como alternativa tanto para esse desafio quanto para o déficit habitacional brasileiro. O professor Paulo Eduardo Fonseca, da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da USP (Universidade de São Paulo), destacou o lançamento de um programa nacional de capacitação a distância, parte do projeto Construa Brasil, que visa integrar academia e setor produtivo para acelerar a adoção de métodos construtivos industrializados em obras de infraestrutura e habitação, garantindo maior controle de custos, qualidade e eficiência operacional.
“A lógica industrializada precisa avançar não apenas na habitação, mas também em hospitais, escolas, equipamentos sociais e infraestrutura pesada, como pontes, viadutos e obras viárias. É preciso difundir mais, fazer maior uso, para, só assim, conseguirmos superar os desafios que a gente tem no setor”, destacou Fonseca.
Ainda dentro deste tema, Daniela Ferrari, diretora de Relações Institucionais da Tenda, afirmou que a construção industrializada tende a ganhar força diante da escassez de mão de obra qualificada e da necessidade de processos mais ágeis e econômicos. Segundo a executiva, essa mudança é impulsionada pela demanda por práticas sustentáveis e pelo uso de insumos com menor pegada de carbono.
Inteligência artificial
O painel “Como a IA está redefinindo as organizações e o futuro profissional”, da Feiconference, debateu os impactos da Inteligência Artificial na construção civil, destacando o equilíbrio entre ganhos de agilidade e os riscos técnicos envolvidos. Especialistas como André Bina Possato, head de Data e AI no Quinto Andar, e Cristiano Gregorius, diretor da Sienge, enfatizaram o aumento da produtividade, citando desde a facilidade em criar protótipos de baixo custo até a automação de 60% dos atendimentos ao cliente. No entanto, o sucesso dessa implementação exige vencer barreiras culturais e adoção de estratégias de integração que envolvam toda a organização, garantindo que a tecnologia atue como suporte e não um gargalo.
Por outro lado, o setor enfrenta o desafio da precisão absoluta, já que falhas digitais na engenharia podem resultar em erros físicos fatais. Luiz Henrique Ferreira, curador da Feiconference, e Flávio Maranhão, engenheiro da Intelicity, alertaram que, embora a IA otimize tarefas administrativas, sua aplicação em projetos estruturais é complexa devido à rigidez normativa e ao alto custo de possíveis erros. Diferente de outras indústrias que permitem a lógica de "tentativa e erro", a construção civil exige um planejamento rigoroso e validação contínua, de modo agarantir que a adoção de novas tecnologias não comprometa a segurança e a responsabilidade técnica das obras.
Fonte
Ivan Romão é diretor da FEICON.
Paulo Eduardo Fonseca é professor da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da USP (Universidade de São Paulo).
Daniela Ferrari é diretora de Relações Institucionais da Tenda.
André Bina Possato é head de Data e AI no Quinto Andar.
Cristiano Gregorius é diretor da Sienge.
Luiz Henrique Ferreira é curador da Feiconference.
Flávio Maranhão é engenheiro da Intelicity.
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Revisão do Plano Diretor projeta desenvolvimento urbano de Curitiba até 2050 e mobiliza setor imobiliário
Curitiba inicia um novo ciclo de revisão do seu Plano Diretor, instrumento que orienta o crescimento urbano, a ocupação do solo e a integração das políticas públicas. Prevista em lei a cada dez anos, a atualização busca adequar a cidade às transformações sociais, econômicas e ambientais, além de estabelecer diretrizes para o desenvolvimento até 2050.
O processo atual marca a terceira revisão estruturada do plano desde 2004 e reforça uma tradição de planejamento urbano que acompanha Curitiba desde 1966. A proposta em elaboração incorpora temas contemporâneos, como mudanças climáticas, mobilidade e articulação metropolitana, com foco em uma visão de longo prazo.
Atualização frente às mudanças urbanas
A revisão do Plano Diretor atende a uma exigência do Estatuto da Cidade e responde à necessidade de manter as políticas públicas alinhadas às dinâmicas urbanas. Segundo Thomaz Ramalho, diretor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a atualização integra um ciclo contínuo de gestão da cidade. “A cidade muda, surgem novos padrões de ocupação, novas demandas por mobilidade, habitação e infraestrutura”, afirma.
Ele destaca ainda que o processo assegura a integração das políticas urbanas. “Revisar o plano é garantir que as políticas públicas continuem integradas e aderentes ao território, com base em um ciclo contínuo de planejamento, implementação e avaliação”, completa.
A presidente da ADEMI-PR, Maria Eugenia Fornea, reforça que a revisão também representa uma oportunidade de aprimoramento. “Mais do que uma exigência legal, essa revisão é uma oportunidade de atualizar as diretrizes urbanas a partir das mudanças econômicas, sociais, ambientais e territoriais que acontecem ao longo do tempo, além de avaliar a efetividade do plano vigente e corrigir eventuais distorções”, afirma.
Diretrizes impactam desenvolvimento urbano
A revisão do Plano Diretor envolve a atualização de princípios, objetivos e estratégias que orientam o crescimento da cidade. O documento não define projetos específicos, mas estabelece parâmetros para políticas públicas e para a atuação da iniciativa privada.

Crédito: Valéria Rolim/CTUR
“Isso envolve temas estruturantes como uso e ocupação do solo, mobilidade, habitação, meio ambiente, desenvolvimento econômico e social, além da organização territorial”, explica Maria Eugenia. Nesse sentido o Plano Diretor direciona as políticas públicas e a atuação do poder público e do setor privado a partir de uma visão integrada e de longo prazo.
Segundo Ramalho, a proposta tem caráter sistêmico e integra diferentes áreas do planejamento urbano. “É uma revisão sistêmica, que articula diferentes políticas no território e organiza essas agendas a partir de uma visão de longo prazo para a cidade”, afirma.
Contribuições do setor imobiliário
A ADEMI-PR participa do processo com propostas voltadas à viabilidade urbana e ao equilíbrio do mercado. Entre os pontos apresentados está a necessidade de ampliar a efetividade da habitação de interesse social. “Hoje ainda existe uma distância relevante entre o que está previsto na legislação e o que fecha conta na prática, então é fundamental ajustar parâmetros e instrumentos para que essas unidades aconteçam”, afirma Maria Eugenia.
Outro destaque é o incentivo à densificação em áreas com infraestrutura já instalada. “A cidade já tem uma base construída relevante e faz mais sentido aproveitá-la melhor, evitando expansão desordenada e melhorando a eficiência urbana”, diz.
A entidade também defende maior previsibilidade nas regras urbanísticas. “Temos trazido a necessidade de mais previsibilidade e transparência nos instrumentos urbanísticos, com regras claras e estáveis, além de mecanismos de monitoramento contínuo, com dados abertos”, afirma.
Além disso, há preocupação com o perfil das unidades habitacionais. “Observamos um crescimento muito acelerado de unidades compactas e isso precisa ser acompanhado com atenção, para evitar distorções futuras no mercado e na própria dinâmica urbana”, completa.
Participação social e etapas
O processo de revisão está estruturado em etapas ao longo de 2025 e 2026, incluindo diagnóstico, elaboração de propostas e consolidação final. As discussões envolvem audiências públicas, oficinas comunitárias e eventos técnicos. “O percurso é conduzido com ampla participação, incluindo oficinas comunitárias, audiências públicas e atividades de imersão urbana”, afirma Ramalho.
A proposta do novo Plano Diretor deve ser encaminhada à Câmara Municipal em junho de 2026, com expectativa de aprovação até o fim do ano. “Esse cronograma garante um processo que combina etapas técnicas e participação social ao longo de mais de um ano, até a consolidação final do plano”, afirma Maria Eugenia.
Com a revisão, Curitiba atualiza seu principal instrumento de planejamento urbano e estabelece diretrizes que devem orientar o crescimento da cidade nas próximas décadas, com impacto direto na organização territorial e no desenvolvimento do setor imobiliário.
Entrevistados
Thomaz Ramalho é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), é mestre em Master in pianificazione nei PVS: progetto urbano pelo Istituto Universitario di Architettura di Venezia. Atuou como pesquisador no Centro de Estudos da Metrópole (FAU-USP), no Centro de Política e Economia do Setor Público da FGVSP, na FIPE (USP) e na FGV Cidades. Possui experiência profissional e acadêmica internacional, incluindo Angola, Itália, Holanda, Camboja, China, Etiópia, Quênia e Moçambique, onde atuou como funcionário das Nações Unidas (ONU-Habitat, UNOPS e UNDP), além de ter exercido consultoria privada, consultoria independente e professor universitário. Atualmente, é diretor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
Maria Eugenia Fornea é graduada em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é mestre em Gestão Urbana e especializações em planejamento de cidades. Com mais de 15 anos de atuação no setor imobiliário, é CEO e fundadora da incorporadora curitibana Weefor, onde lidera iniciativas voltadas à reflexão sobre arquitetura, cidade e desenvolvimento urbano. Atualmente, é presidente da ADEMI-PR da gestão 2026/2027.
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Novas regras para recarga elétrica em condomínios demandam adaptação de edifícios no Brasil
Com uma frota que gira em torno de 670 mil veículos eletrificados, a mobilidade elétrica avança e começa a transformar a rotina dos condomínios. Garagens antes projetadas apenas para estacionamento passam a incorporar infraestrutura de recarga, exigindo novos critérios técnicos, jurídicos e de gestão. Nesse cenário, normas aprovadas recentemente em São Paulo, além de projetos em tramitação em outras cidades, sinalizam um novo marco regulatório para edifícios residenciais e comerciais.
A chamada Lei do Direito à Recarga (Lei 18.403/2026), aprovada recentemente no estado de São Paulo, é vista pelo mercado como um passo relevante para dar previsibilidade ao setor e reduzir conflitos entre moradores e administrações condominiais. A tendência é que esse modelo influencie outras regiões do país, especialmente grandes centros urbanos, onde cresce a adoção da mobilidade elétrica.
Para Márcio Severine, diretor de Infraestrutura da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), a nova legislação tem impacto direto sobre a transição energética no transporte. “Esta lei tem um papel muito relevante no processo de eletrificação da frota, pois garante os direitos do consumidor e da livre iniciativa, além de segurança jurídica”, afirma.
Da autorização prévia à comunicação formal

Um dos pontos centrais da nova regra é a mudança na instalação de carregadores. Na prática, o morador deixa, em determinados casos, de depender de autorização prévia e passa a apenas comunicar formalmente o condomínio, desde que cumpra os requisitos técnicos previstos. Para o advogado especialista em Direito Condominial Luis Gustavo Stremel, a alteração reduz entraves administrativos e acompanha uma demanda crescente do mercado consumidor. “O principal ponto é a liberação da instalação, invertendo a ordem de controle. Antes o condômino pedia autorização ao síndico, agora ele apenas comunica a administração”, explica.
Apesar da flexibilização, especialistas destacam que a instalação não é automática. O projeto deve respeitar a capacidade elétrica do edifício, padrões internos de operação e normas técnicas aplicáveis. A instalação de carregadores depende de análise prévia de carga elétrica da unidade e das áreas comuns, além de execução por profissional habilitado, com emissão de ART, documento que formaliza a responsabilidade técnica pelo serviço. Também cabe ao morador arcar com os custos da implantação individual, salvo deliberação diferente em assembleia.
Entre as referências técnicas citadas por especialistas estão a ABNT NBR 5410, que trata das instalações elétricas de baixa tensão, e a ABNT NBR 17019, voltada à alimentação de veículos elétricos. Essas normas abordam dimensionamento, proteção, aterramento e condições de segurança operacional. Diante desse cenário, os condomínios deverão discutir temas como medição de consumo, reembolso de energia, padronização de equipamentos e planejamento de expansão de infraestrutura. Isso porque a tendência é de aumento gradual da demanda por pontos de recarga nos próximos anos.
Segurança e modernização das garagens
Outro debate em curso envolve sistemas complementares de segurança, como detectores de fumaça, sprinklers e ventilação mecânica. Embora nem todas essas exigências estejam previstas nas normas mais recentes, especialistas avaliam que a modernização dos estacionamentos deve avançar.
Severine pondera que a atualização precisa ser abrangente. “A norma geral de estacionamentos precisa ser atualizada, não por causa dos veículos elétricos, que têm probabilidade cerca de 60 vezes menor de incêndio em comparação com os veículos a combustão interna, mas visando o aumento da segurança dos condomínios residenciais”, diz.
Já Stremel defende equilíbrio entre proteção e viabilidade econômica. “O ambiente condominial não comporta um investimento muito complexo. Qual seria o equilíbrio entre a necessidade e a segurança é a dúvida que os técnicos habilitados deverão responder”, observa.
Tendência de valorização imobiliária
Além do aspecto regulatório, a infraestrutura de recarga começa a ganhar relevância no mercado imobiliário. Empreendimentos preparados para essa demanda tendem a se destacar na atração de moradores e locatários, especialmente em cidades com maior circulação de veículos eletrificados.
Para síndicos, incorporadoras e administradoras, o desafio passa a ser transformar a garagem em ativo estratégico do condomínio. Mais do que instalar pontos de recarga, será necessário planejar o uso da energia, modelos de gestão e garantir segurança para uma mudança que já começou.
Entrevistados
Márcio Severine é graduado em Engenharia Elétrica e Administração de Empresas, MBA (Universidade de Toronto) e pós-graduado em Comunicações Elétricas (Politécnico de Turim). É cofundador da Mobilitas, empresa de engenharia EPC que atua em Infraestrutura de Recarga para veículos leves e pesados e Sistemas de Armazenamento de Energia. Atualmente é membro do Conselho Diretor e Diretor de Infraestrutura da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE).
Luis Gustavo Stremel é graduado em Direito e especialista em Direito Condominial, dedicando-se a orientar síndicos e administradores em assembleias, mediação de conflitos, elaboração de convenções e processos judiciais.
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Sistema construtivo aberto amplia eficiência e flexibilidade nas obras
O avanço da industrialização na construção civil tem impulsionado a adoção de métodos mais eficientes e integrados. Entre eles, o sistema construtivo aberto se destaca por permitir a combinação de diferentes materiais, fornecedores e tecnologias em uma mesma obra, com base em padrões previamente definidos. A proposta é garantir compatibilidade entre os componentes e ampliar a flexibilidade ao longo do ciclo de vida do edifício.
De acordo com o arquiteto Marcio Porto, do escritório Sidonio Porto Arquitetos Associados, o conceito está diretamente ligado à padronização. “Um sistema construtivo aberto é um método que prevê a padronização e a compatibilidade entre os diversos componentes da obra de um edifício. Sua concepção é pensada na fase de projeto e permite que produtos de diversos fabricantes sejam utilizados em uma obra da forma mais livre e ampla possível”, afirma.
Integração de sistemas e liberdade de escolha
Na prática, o modelo possibilita que diferentes partes da edificação, como estrutura, vedação e fachadas, sejam fornecidas por empresas distintas, desde que sigam uma lógica comum de modulação. Essa interoperabilidade amplia a competitividade entre fornecedores e reduz a dependência de soluções fechadas.

Crédito: Acervo Pessoal/Marcio Porto
Outro ponto relevante é a possibilidade de manutenção e substituição de componentes de forma independente. Como os elementos são concebidos para funcionar de maneira integrada, mas não exclusiva, eventuais intervenções ao longo do tempo tornam-se mais simples e menos onerosas. Além disso, o sistema favorece adaptações futuras. Projetos concebidos dentro dessa lógica permitem ampliações ou mudanças de uso com maior facilidade, o que aumenta a vida útil da edificação e sua capacidade de resposta a novas demandas.
Ganhos com o uso de pré-fabricados
A integração com elementos industrializados, especialmente o concreto pré-fabricado, potencializa os benefícios do sistema aberto. Segundo Porto, o principal impacto ocorre nos prazos. “Na prática o maior impacto se dá na velocidade da obra. A otimização do cronograma é o grande diferencial, uma vez que os prazos podem ser encurtados e são mais garantidos”, explica.
Como os componentes são produzidos fora do canteiro, é possível executar simultaneamente etapas distintas da obra. Enquanto elementos estruturais são fabricados na indústria, as fundações e a infraestrutura avançam no local. Esse paralelismo reduz o tempo total de execução, com estimativas de economia entre 20% e 40% em projetos que combinam diferentes sistemas industrializados.
O uso de elementos pré-fabricados também contribui para maior previsibilidade orçamentária. A produção em ambiente controlado reduz desperdícios, diminui a dependência de mão de obra intensiva e mitiga riscos associados à variação de insumos.
Qualidade e sustentabilidade

Crédito: Acervo Pessoal/Marcio Porto
Outro aspecto relevante é o ganho de qualidade. Componentes produzidos industrialmente apresentam maior precisão dimensional e melhor acabamento, o que facilita sua integração com outros sistemas, como fachadas e esquadrias. No caso do concreto pré-fabricado, há um controle rigoroso do processo produtivo, resultando em menor variabilidade e maior desempenho.
Do ponto de vista ambiental, o sistema aberto contribui para a redução de resíduos no canteiro e para o uso mais eficiente dos recursos. Em alguns casos, há ainda a possibilidade de desmontagem parcial da edificação e de reaproveitamento de componentes, o que reforça a lógica de sustentabilidade ao longo do ciclo de vida da obra. “Tivemos a oportunidade de elaborar projetos utilizando sistemas construtivos abertos compostos por painéis de concreto pré-fabricado nas lajes, como é o caso da sede da Brazilglass em Guararema (SP). Também elaboramos obras em que as estruturas foram feitas em sistema de forma mista, e, portanto, aberta, com vigas e pilares em aço e concreto pré-fabricado e vedadas com painéis de fachada também pré-fabricados, como é o caso dos edifícios industriais do campus da Flextronics em Sorocaba (SP)”.
Planejamento como fator determinante
Apesar das vantagens, a adoção do sistema construtivo aberto exige um alto nível de planejamento. A definição do método ocorre ainda nas etapas iniciais do projeto e orienta todas as decisões subsequentes. Alterações ao longo do processo tendem a gerar retrabalho e aumentar os riscos à execução.
Marcio Porto afirma que a compatibilização entre arquitetura, estrutura e instalações é determinante para o sucesso do modelo. “Soluções modulares pré-fabricadas exigem projetos muito bem pensados desde a origem. A arquitetura precisa ser concebida já prevendo a industrialização de todo o processo construtivo”, ressalta.
Com planejamento adequado, o sistema construtivo aberto se consolida como uma alternativa eficiente para diferentes tipologias de empreendimentos, especialmente aqueles que demandam rapidez, padronização e flexibilidade.
Entrevistado
Marcio Porto é graduado em Arquitetura pela Universidade Mackenzie, mestre e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/USP, professor da Universidade Mackenzie e sócio-diretor do escritório Sidonio Porto Arquitetos Associados.
Contato marcio.porto@sidonioporto.com.br
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Projeto Profissão Construir capacita mão de obra para construção civil
Há anos, a construção civil brasileira enfrenta um desafio persistente: a escassez de mão de obra qualificada. Diante desse cenário, o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Joinville (SINDUSCON Joinville) tem adotado uma postura mais propositiva. Em vez de apenas apontar o problema, a entidade passou a investir em soluções concretas, dando origem ao projeto Profissão Construir, estruturado sobre três pilares: valorização das profissões, formação técnica e empregabilidade.
O primeiro eixo trata da valorização das funções operacionais, muitas vezes subestimadas no imaginário coletivo. “Ser carpinteiro, armador ou pedreiro exige habilidade e conhecimento. É uma arte, não é algo que qualquer pessoa pode executar. Por isso, é essencial reconhecer e valorizar essas funções”, destaca Carlos Lopes, presidente do Instituto Profissão Construir. A proposta é justamente reposicionar essas atividades como carreiras dignas, técnicas e com potencial de crescimento.

Crédito: Divulgação/ Instituto Profissão Construir
Curso
O segundo pilar está diretamente ligado à formação profissional. A iniciativa busca transformar ocupações tradicionalmente vistas como informais em trajetórias estruturadas, com capacitação contínua e possibilidades de evolução. Para isso, o projeto passou por um processo de reformulação profunda.“A proposta foi desenvolver conteúdos mais atuais, organizados de forma modular, que sejam de fácil compreensão para os alunos e, ao mesmo tempo, alinhados às reais necessidades do mercado”, afirma Lopes.
Essa reformulação deu origem ao Instituto Profissão Construir, uma entidade sem fins lucrativos criada para ampliar o alcance da iniciativa e consolidar sua atuação na qualificação de mão de obra. A estrutura conta com a participação de diversos agentes do setor, incluindo professores do SENAI, profissionais da administração pública e especialistas das próprias empresas apoiadoras. Essa integração permite que o conteúdo oferecido em sala de aula reflita, de fato, a realidade dos canteiros de obras.
A metodologia adotada combina teoria e prática em proporções equilibradas, garantindo que o aluno desenvolva não apenas conhecimento técnico, mas também habilidades aplicáveis no dia a dia. Todos os participantes iniciam pelo módulo de Iniciação na Construção Civil, etapa obrigatória para quem não possui experiência prévia. Após essa fase, já é possível ingressar no mercado como ajudante e, a partir daí, avançar para módulos mais específicos, como elétrica, alvenaria e pintura.

Empregabilidade
O terceiro pilar do projeto é a empregabilidade, que se conecta diretamente à demanda do setor. “O projeto busca conectar os profissionais formados às oportunidades do mercado, garantindo inserção e continuidade no setor”, revela Lopes. Esse vínculo entre formação e mercado é um dos principais diferenciais da iniciativa, contribuindo para reduzir o descompasso entre oferta e demanda de mão de obra.
Atuação dos parceiros
A Cimento Itambé e a Concrebras estão entre as apoiadoras do programa. Mais do que aporte financeiro, contribuem ativamente na construção dos conteúdos, compartilham conhecimento técnico e garantem insumos para as aulas práticas. “É uma participação direta, conectando quem demanda a mão de obra, quem fornece tecnologia e quem está em formação. O Instituto atua como esse elo entre todos os agentes do setor”, afirma Lopes.
Resultados
Os resultados já demonstram o impacto positivo do projeto. Atualmente, mais de mil pessoas estão matriculadas e cerca de 850 já concluíram os cursos. “Desses, aproximadamente 80% já atuam na construção civil. Há também aqueles que buscam o curso para uso próprio, como pequenas reformas em casa — o que, para nós, também é positivo”, comenta Lopes. Além de gerar empregabilidade, a iniciativa contribui para ampliar a percepção de valor do setor.
Desafios: escala de formação e atração de jovens

Apesar dos avanços, ainda há desafios a serem superados. Um dos principais gargalos é a limitação no número de instrutores, o que restringe a capacidade de expansão dos cursos.
A ausência de programas estruturados para jovens também é um ponto de atenção. “Sabemos que a escolha profissional acontece, em geral, entre os 14 e 17 anos. Se não nos conectarmos com esse público, dificilmente conseguiremos atrair novos talentos”, pondera Lopes.
Formação técnica como resposta a um risco estrutural
Nesse contexto, o Instituto atua não apenas na formação técnica, mas também na transformação cultural da construção civil. A proposta é romper com o estigma de subemprego e apresentar o setor como uma opção profissional sólida, com boas perspectivas de renda e crescimento. “Estamos mostrando que é possível construir uma carreira sólida dentro do setor, com aprendizado estruturado e perspectivas concretas de evolução”, afirma.
A iniciativa também se insere em um debate mais amplo sobre o futuro do trabalho. Em países desenvolvidos, já se observa um desequilíbrio entre formação acadêmica e mão de obra técnica, com escassez de profissionais qualificados na execução. O Brasil, segundo Lopes, ainda tem a oportunidade de evitar esse cenário, desde que invista de forma estruturada na base da formação.

Crédito: Divulgação/ Instituto Profissão Construir
Com alta demanda por habitação e infraestrutura, a construção civil segue como um dos motores da economia nacional. No entanto, sem mão de obra qualificada, o crescimento do setor pode ser comprometido. Nesse sentido, o Instituto Profissão Construir surge como uma resposta concreta e estratégica, capaz de alinhar formação, mercado e desenvolvimento social. Para Lopes, o caminho é claro: “O Brasil é, essencialmente, um grande canteiro de obras. Se não prepararmos essa mão de obra agora, enfrentaremos um gargalo nos próximos anos. Mas, se fizermos o dever de casa, o setor pode crescer com mais qualidade, produtividade e segurança.”
Fonte
Carlos Lopes é presidente do Instituto Profissão Construir.
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Engenharia consultiva reduz riscos em projetos da construção
Em um cenário cada vez mais orientado por eficiência, governança e segurança jurídica, a engenharia consultiva ganha protagonismo como um dos pilares na viabilização de empreendimentos. Mais do que suporte técnico, trata-se de uma atuação estratégica que conecta planejamento, execução e desempenho de longo prazo, garantindo decisões mais assertivas desde as fases iniciais e protegendo o capital investido diante das crescentes complexidades do setor.
O engenheiro civil Sady Ivo Pezi Júnior define a consultoria como o elo entre a teoria normativa e a prática do canteiro de obras — uma atuação essencial para garantir que o investimento do cliente, seja ele público ou privado, seja preservado e valorizado ao longo do tempo.
Para ele, a engenharia consultiva representa a convergência entre técnica e estratégia. “Sob a égide do Sistema CONFEA/CREA, a responsabilidade técnica (ART) é nossa base ética e legal. Mas, para o mercado de capitais, o consultor hoje é um gestor de incertezas. A engenharia consultiva é estratégica porque garante o Compliance técnico e a governança (ESG). Não olhamos apenas se a viga suporta a carga, mas se aquele método construtivo garante a liquidez do ativo e atende à NBR 15575 (Norma de Desempenho) a longo prazo”, explica.
Quando a engenharia consultiva deve entrar em um projeto?
Na avaliação de Pezi Júnior, a engenharia consultiva deve estar presente desde o primeiro momento, como um ato estruturante de governança.
“No setor público, a Lei 14.133/2021 (Art. 18) é clara: o planejamento é a fase precípua, e o Estudo Técnico Preliminar (ETP) é onde a inteligência consultiva molda a viabilidade. No setor privado, especialmente para Family Offices e Fundos de Investimento, o consultor deve atuar na Due Diligence técnica antes mesmo da aquisição do ativo”, explica o engenheiro civil.

No entanto, muitas vezes, a engenharia consultiva entra tarde nos projetos. “Ainda vivemos o ‘vício da urgência’, onde se confunde início de obra com eficiência. Ignora-se a Curva de MacLeamy: o custo de mudar um projeto no papel é ínfimo, mas na obra é exponencial. Entrar tarde significa que o consultor trabalhará para remediar erros de concepção, em vez de evitá-los”, comenta Pezi Júnior.
O custo invisível da ausência de consultoria
De acordo com o engenheiro civil, o erro capital é a negligência com o Custo Total de Propriedade (TCO). “O empreendedor foca no Capex (investimento inicial) e ignora que a falta de uma consultoria de valor comprometerá o Opex (custo de operação) por décadas. Subestimar a consultoria é descumprir as boas práticas da NBR 12721 e abrir mão da previsibilidade. Sem o consultor, o orçamento vira uma peça de ficção, e o investidor fica exposto à ‘cultura do aditivo’, que drena a rentabilidade e gera insegurança jurídica”.
A redução real de custos nasce da extinção da improvisação. “Através da Gestão de Projetos (metodologia PMP/PMBOK) e da Engenharia de Valor, otimizamos sistemas e eliminamos o desperdício de capital”, pontua Pezi Júnior.
No mercado, o engenheiro acredita que a Lei 14.133 deu um passo gigante ao permitir o julgamento por "Maior Retorno Econômico", valorizando quem entrega eficiência, não apenas o menor preço nominal. “No setor privado e fundos imobiliários, o consultor está deixando de ser visto como ‘custo’ para se tornar o Agente Fiduciário Técnico do investidor, protegendo o capital contra pleitos (claims) infundados e atrasos crônicos”, defende.
Riscos que podem ser antecipados
A atuação da engenharia consultiva também é decisiva na proteção do fluxo de caixa, especialmente por meio da estruturação de matrizes de risco. Segundo Pezi Júnior, este profissional é responsável por antecipar:
• Riscos de Interface: Conflitos entre disciplinas que paralisam frentes de obra.
• Riscos Regulatórios: Garantia de que cada etapa cumpra rigorosamente as NBRs e exigências do CREA, evitando embargos.
• Riscos de Compliance: No setor público e privado, garantimos que o "as-built" reflita a realidade, eliminando passivos ocultos que costumam surgir após a entrega das chaves.
Fonte
Sady Ivo Pezzi é engenheiro civil e conselheiro de negócios com mais de 37 anos de experiência na interseção entre engenharia, gestão e governança. Fundador da Sady Pezzi Soluções Empresariais, lidera projetos de auditoria técnica, inspeções prediais e reestruturação de processos. Atua também como professor de pós-graduação na ESIC Business & Marketing School.
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Concretagem do edifício Oás mobiliza tecnologia de concreto de alto desempenho e logística para vencer desafios estruturais
A concretagem do edifício Oás, em Curitiba, entra em fase decisiva com o avanço das lajes superiores e a proximidade da altura final prevista de 179 metros. De acordo com a GT Building, o empreendimento, que deve se consolidar como o mais alto da capital paranaense, reúne soluções técnicas voltadas à construção vertical em grande escala, com ênfase no desempenho estrutural e no controle rigoroso dos materiais.
Conforme informações da GT Building, desde o início das obras, em fevereiro de 2023, o processo de concretagem vem sendo conduzido com planejamento detalhado e uso de tecnologias específicas. A etapa inicial contemplou a execução do bloco de fundação, com volume de 1.144 metros cúbicos de concreto, considerado o maior já realizado na cidade. Para garantir estabilidade térmica durante o processo de cura, foram utilizadas mais de 114 toneladas de gelo na composição do concreto.
Bombeamento em altura exige precisão técnica

Um dos principais desafios da obra está relacionado ao transporte do concreto até os pavimentos mais altos. Segundo o diretor de operações da GT Building, Maurício Fassina, o material precisa ser bombeado desde o nível da rua até cerca de 160 metros de altura, sem perda de qualidade. “O processo exige um sistema de bombeamento altamente eficiente, capaz de transportar o material por grandes alturas sem comprometer suas propriedades físicas e mecânicas”, afirma. Ele destaca ainda que o controle tecnológico é determinante para manter a trabalhabilidade, a resistência e a homogeneidade do concreto durante todo o percurso.
O concreto utilizado na estrutura, fornecido pela Concrebras, possui resistência característica de 50 MPa aos 28 dias, assegurando elevada capacidade de suporte de cargas. Esse padrão atende às exigências estruturais de edifícios altos, uma vez que o desempenho do material influencia diretamente a segurança e a durabilidade da construção.
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Concreto de alto desempenho e controle de qualidade
A execução da supraestrutura, composta por lajes, vigas e pilares, utiliza concreto de alto desempenho com aditivos de terceira geração à base de policarboxilatos. Esses aditivos proporcionam maior fluidez à mistura, facilitando tanto o bombeamento quanto a aplicação em grandes alturas.

De acordo com o engenheiro civil Sergio Davidovicz, especialista técnico da Concrebras para as regiões de Curitiba e Joinville, o controle do abatimento do concreto foi ajustado ao longo do processo. “Os valores iniciais partiam de cerca de 100 milímetros e chegavam a mais de 200 milímetros após a adição dos aditivos, garantindo melhor trabalhabilidade”, explica.
Outro fator relevante foi a logística da obra. Localizado em uma região com intenso fluxo de veículos, o canteiro exigiu operações com horários restritos para a circulação de caminhões e o posicionamento de bombas. Ao longo da construção, o volume total de concreto utilizado se aproxima de 19.500 metros cúbicos.
Parcerias técnicas e histórico de grandes obras
A escolha da Concrebras como fornecedora de concreto levou em consideração sua experiência prévia em projetos de grande porte. Segundo Fassina, o histórico positivo e a capacidade técnica foram fatores determinantes para a decisão. “A empresa já atua em obras com alturas superiores e dispõe de tecnologia capaz de garantir o bombeamento sem perda de desempenho, o que foi decisivo para este projeto”, afirma.
O portfólio inclui empreendimentos de alta complexidade, como torres residenciais de grande altura e estruturas institucionais, o que reforça a capacidade de atuação em projetos que exigem soluções técnicas avançadas.
Etapa final e impacto no cenário urbano
Com a concretagem dos pavimentos finais em andamento, o edifício Oás se aproxima da conclusão da estrutura principal. A obra representa um marco para a engenharia local, tanto pela altura quanto pelas soluções adotadas ao longo do processo construtivo.

Crédito: Divulgação
A combinação entre tecnologia de materiais, planejamento logístico e rigor no controle de execução evidencia a evolução das técnicas de construção vertical no país. Ao atingir sua altura máxima, o empreendimento deve redefinir o perfil urbano da região e consolidar novos padrões para edificações de grande porte em Curitiba.
Entrevistados
Maurício Fassina, possui mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário e na construção civil, com expertise em incorporação de imóveis alto padrão, análise de viabilidade de novos negócios e vasta experiência em orçamento e gestão de obras. Gestão de parcerias e reporte a sócios. Atualmente, ocupa o cargo de Diretor de Operações na GT Building.
Sergio Davidovicz é engenheiro civil graduado pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e pós-graduado em Patologia das Construções pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Atualmente, atua como especialista técnico da Concrebras nas regiões de Curitiba e Joinville.
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Ana Carvalho
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Novo teto do Minha Casa, Minha Vida amplia alcance e pode impulsionar mercado imobiliário
As recentes mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) indicam uma reconfiguração do mercado imobiliário. Com a elevação do teto para aquisição de imóveis na Faixa 4 para até R$ 600 mil e a ampliação da renda familiar permitida para até R$ 13 mil, o programa passa a contemplar uma parcela maior da população, incluindo famílias que anteriormente não se enquadravam nas condições mais favoráveis de financiamento.
A atualização das regras, aprovada pelo Conselho Curador do FGTS, altera a dinâmica de acesso ao crédito habitacional. Na avaliação de especialistas do setor, o novo limite aproxima-se da realidade de cidades com maior valorização imobiliária. Em Curitiba, por exemplo, o preço médio dos imóveis e a valorização recente vinham dificultando a adesão ao programa em sua configuração anterior.
Ampliação do crédito e redução de custos
Um dos pontos destacados pelo setor é a origem dos recursos utilizados para financiamento. Segundo Ilso Gonçalves, CEO da JBA Imóveis e vice-presidente de Desenvolvimento Urbano do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), a utilização do FGTS como fonte de funding tende a tornar o crédito mais acessível. “O principal ponto é que o funding para o mercado imobiliário será oriundo do FGTS, que é um recurso muito maior que o funding do SBPE. As taxas de juros para as construtoras são de cerca de 9% ao ano, enquanto no SBPE tem taxas na faixa de 12% ao ano”, afirma.

Crédito: Envato
Ele também ressalta que as condições para o consumidor final se tornam mais competitivas. “As taxas de juros para o consumidor vão de 8% a 12% por ano mais TR, dependendo do relacionamento do cliente, enquanto no SBPE são na faixa de 11% ao ano mais TR”, completa.
Potencial de crescimento nos lançamentos
Apesar da relevância do programa em âmbito nacional, Curitiba ainda apresenta baixa participação do MCMV nos lançamentos imobiliários. Em 2025, apenas 5% dos novos empreendimentos na cidade estavam vinculados ao programa. Com as novas regras, a expectativa é de crescimento significativo. “Acredito que o MCMV nestes valores da faixa 4 até R$ 600.000 poderá aumentar substancialmente o volume de vendas, que pode alcançar de 15 a 20% do volume de vendas na capital”, projeta Gonçalves.
A ampliação também pode destravar projetos que antes não eram viáveis economicamente, especialmente em regiões com maior disponibilidade de terrenos e custo mais acessível.
Expansão geográfica e diversificação de produtos
A tendência é de que a expansão do programa alcance diferentes regiões da cidade, especialmente os eixos norte e sul. “O eixo norte apresenta áreas com valores que viabilizam a construção de apartamentos dentro do MCMV. Mas a região sul, a maior de Curitiba, possui áreas com valor comercial e potencial construtivo que impulsionam a construção para as faixas 3 e 4”, detalha.
Além da expansão territorial, há expectativa de diversificação no perfil dos empreendimentos. A ampliação do teto permite incluir imóveis com padrão construtivo superior e maior infraestrutura, como áreas de lazer e itens de segurança, sem comprometer a viabilidade financeira dos projetos.
Impacto no mercado de imóveis usados
Outro efeito esperado é o aquecimento do mercado de imóveis usados. O novo teto se aproxima do valor médio praticado na cidade, o que pode ampliar as opções para os compradores. “O mercado de usados irá aumentar, pois essa faixa de valores é próxima da média dos imóveis usados à venda em Curitiba em 2025, que estava em R$ 477 mil”, afirma Gonçalves.
Atualmente, o estoque de imóveis usados na capital gira em torno de 50 mil unidades, entre terrenos, apartamentos, casas e sobrados. Com o acesso facilitado ao crédito, parte desse estoque pode ser absorvida mais rapidamente.
Novo cenário para o setor
As mudanças no Minha Casa, Minha Vida indicam um reposicionamento do programa frente às transformações do mercado imobiliário. Ao ampliar o público atendido e ajustar os limites financeiros, a política habitacional passa a dialogar de forma mais direta com a realidade de grandes centros urbanos. Em Curitiba, o novo cenário tende a estimular investimentos, ampliar a oferta de imóveis e facilitar o acesso à moradia. O impacto, no entanto, dependerá da velocidade de adaptação das construtoras e da resposta do mercado nos próximos meses.
Entrevistado
Ilso Gonçalves é sócio-fundador e CEO da JBA Imóveis e vice-presidente de Desenvolvimento Urbano do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR). Atua no mercado imobiliário desde 1990. Ele também é membro da Ademi-PR (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná), da ADPI (Associação dos Proprietários de Imobiliárias de Curitiba) e da Confraria Imobiliária.
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Ana Carvalho
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Projeto transforma o Novo Centro Administrativo de São Paulo
O consórcio MEZ-RZK Novo Centro venceu o leilão de concessão do Novo Centro Administrativo do Governo de São Paulo, garantindo a gestão do projeto pelos próximos 30 anos. O investimento previsto é de R$ 6 bilhões. A disputa ocorreu na B3, em São Paulo, e contou com a participação do Consórcio Acciona-Construcap.
As empresas serão responsáveis pela construção das torres, com prazo estimado de cerca de cinco anos, e, após a entrega, pela gestão completa do complexo, incluindo segurança, manutenção e operação.
O projeto arquitetônico, escolhido em concurso promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), é assinado por Pablo Chakur, do escritório Ópera Quatro, e prioriza flexibilidade construtiva e de uso, com execução por módulos e etapas. Do total de investimentos, o Estado aportará R$ 3,4 bilhões, enquanto o consórcio investirá R$ 2,7 bilhões.

Projeto
A nova sede administrativa ocupará quatro quadras no entorno da Praça Princesa Isabel, totalizando cerca de 288,6 mil m² de área construída. O projeto equilibra a valorização do patrimônio histórico do centro de São Paulo com soluções arquitetônicas contemporâneas.
De acordo com o arquiteto Pablo Chakur, a proposta aposta na variação de alturas entre os edifícios para criar uma paisagem mais dinâmica e integrada ao entorno, evitando a monotonia e estimulando a ocupação do espaço urbano.
“Defendemos, neste estudo, que o Centro Administrativo do Governo do Estado de SP não deve fundamentar sua representatividade numa monumentalidade arquitetônica, mas na força de transformação que transmite para a cidade através da sua relação estreita e franca com a pré-existência do bairro, impulsionando, assim, a gradativa e necessária reocupação do centro da cidade. A leitura histórico-morfológica do território foi determinante para projetarmos, com fundamentos e princípios, um complexo morfologicamente integrado com a paisagem, adaptável ao futuro, adequado à escala do pedestre e que respeita e valoriza a história do bairro”, declarou Chakur.
O conjunto será composto por cinco edifícios, cada um dividido em dois blocos, o que permite uma ocupação flexível por secretarias de diferentes portes, de forma independente ou compartilhada. A expectativa é que o complexo abrigue cerca de 22 mil servidores públicos. Segundo a arquiteta Fernanda Ferreira, também do escritório Ópera Quatro, o modelo atende à diversidade de estruturas administrativas e garante adaptabilidade ao longo do tempo.

No térreo, o projeto prioriza a abertura ao público, com fachadas ativas destinadas a comércios e serviços — como lojas, cafés e restaurantes — incentivando a circulação e permanência de pessoas. A praça também será requalificada, com a ampliação de eixos de circulação que criam pátios internos e reforçam a conexão entre as quadras e o bairro.
Apesar do caráter aberto, o acesso às áreas corporativas será controlado de forma independente em cada bloco, com o térreo funcionando como a transição entre os espaços públicos e privados.
A sustentabilidade é um dos pilares do projeto. Entre as estratégias adotadas estão as fachadas duplas de vidro, que criam uma camada de ar responsável por reduzir a carga térmica e, consequentemente, a demanda por climatização artificial, sem comprometer a entrada de luz natural. A solução contribui para a eficiência energética do conjunto, que também contará com painéis fotovoltaicos na cobertura para geração de energia solar.
Novo terminal de ônibus
O projeto do Novo Centro Administrativo de São Paulo inclui a construção de um novo terminal de ônibus no centro, que substituirá o Terminal Princesa Isabel. A nova estrutura será implantada na região da Luz, próxima ao futuro complexo estadual, com integração direta às linhas de metrô e da CPTM, facilitando o deslocamento dos passageiros sem necessidade de conexões adicionais.

Segundo Edgard Benozatti, presidente da Companhia Paulista de Parcerias (CPP), o acesso ao sistema será simples e feito diretamente pela calçada. A mudança das operações só ocorrerá após a plena operação do novo terminal, garantindo a continuidade do serviço.
A iniciativa faz parte do plano de requalificação do centro da capital. A área do atual terminal foi transferida ao Governo do Estado, e a futura concessionária também deverá desenvolver estudos para melhorar a mobilidade e o tráfego no entorno.
Restauração de imóveis tombados
De acordo com a Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo, o projeto inclui a restauração de 17 imóveis históricos no centro de São Paulo, com investimento superior a R$ 100 milhões, transformando construções atualmente degradadas em novos espaços públicos, culturais e de serviços. A iniciativa faz parte da requalificação dos Campos Elíseos, com foco em revitalizar a região e valorizar seu patrimônio arquitetônico.
Entre os principais destaques está o Palácio dos Campos Elíseos, um dos marcos históricos e políticos mais relevantes do Estado, que será preservado e integrado ao novo complexo. O edifício seguirá com função institucional, servindo como espaço para recepções oficiais e eventos solenes do governo.

A maioria dos imóveis a serem restaurados são antigas residências dos séculos XIX e XX, com características ecléticas e neoclássicas, que ganharão novos usos definidos em conjunto com os órgãos de preservação, contribuindo para devolver vitalidade ao centro da capital.
“Esse projeto vai muito além da racionalização administrativa. Estamos tratando de um novo olhar para o centro de São Paulo, que passa pela requalificação urbana com respeito à memória da cidade. Preservar esses imóveis é preservar a identidade paulista”, conclui o secretário de Projetos Estratégicos (SPE), Guilherme Afif.
Fontes
Pablo Chakur é arquiteto do escritório Ópera Quatro.
Edgard Benozatti é presidente da Companhia Paulista de Parcerias (CPP).
Guilherme Afif é secretário de Projetos Estratégicos (SPE).
Contatos imprensa.spi@sp.gov.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Governo do RS adota monitoramento remoto para obras
O Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Obras Públicas (SOP), começou a utilizar um sistema de captura de realidade ampliada que permite o monitoramento contínuo das obras de forma remota, com o apoio de imagens em 360°.
De acordo com a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado, a tecnologia contribui para tornar a execução mais eficiente, ao possibilitar o registro constante do avanço físico, reduzindo falhas, desperdícios e a necessidade de retrabalho.
Tecnologia de Captura da Realidade
Para Tales Silva, CEO da CONSTRUCT IN, empresa responsável pelo sistema adotado no Rio Grande do Sul, o grande diferencial do uso da Captura da Realidade é a transição da gestão baseada em percepções subjetivas para decisões fundamentadas em evidências e dados estruturados.
O sistema utiliza um modelo híbrido que combina uma plataforma digital (Visi) com serviços especializados, garantindo a padronização e qualidade das informações geradas.
“Tecnicamente, a captura utiliza tecnologias como câmeras 360°, drones e laser scanning para criar um histórico visual contínuo. Essas imagens e ortomosaicos são organizados cronologicamente e integrados aos modelos BIM e dados físico-financeiros da obra”, explica Silva.

As imagens 360º são registradas por meio de uma câmera 360º conectada ao aplicativo Visi, no qual são vinculadas, no momento da captura, a um ponto na planta baixa da edificação, além de registrar a data e horário da imagem. “Dessa forma, as imagens são facilmente coletadas em campo e enviadas automaticamente para o sistema”, afirma o CEO.
Processo do registro de imagens
O registro das imagens é orientado pela localização dos pontos na planta baixa do projeto, portanto é necessário que o profissional responsável pela captação, saiba identificar corretamente o ambiente em que se encontra. “A orientação é que os registros sejam feitos sempre no centro do ambiente, uma margem de erro de até 1,5m não afeta a qualidade da comparação”, destaca Silva.
Além disso, o sistema utiliza uma inteligência artificial que ajusta e compatibiliza automaticamente as capturas realizadas em um mesmo local ao longo do tempo. “Esse alinhamento automatizado permite a comparação precisa do histórico da obra, transformando registros isolados em uma "verdade visual" auditável e contínua”, pontua o CEO da CONSTRUCT IN.
A periodicidade das capturas é flexível e deve ser adaptada à velocidade e à fase do ciclo de vida da construção para gerar valor real na tomada de decisão:
- Estágios Iniciais (Fundação e Estrutura): Recomendam-se capturas mais espaçadas, variando entre 7 e 15 dias, dependendo da complexidade do cronograma.
- Fase de Acabamento e Instalações: Devido à rapidez das mudanças e à criticidade dos detalhes, a frequência pode ser aumentada para uma ou duas vezes ao dia.
- Monitoramento de Deformações: Em casos específicos de engenharia, como o controle de estruturas, as campanhas podem ser quinzenais para garantir a precisão milimétrica necessária.
Para lidar com os desafios físicos inerentes ao canteiro de obras, como poeira, iluminação precária e movimentação intensa, Silva aponta que em situações de baixa luminosidade, utiliza-se suporte de luz externa para viabilizar a nitidez da imagem capturada.
“A combinação dessas abordagens assegura que o dado operacional seja transformado em um ativo estratégico, independente das condições adversas do canteiro físico”, justifica.
Integração com plataformas de gestão de obras
A plataforma centraliza indicadores físico-financeiros, cronogramas de avanço, modelos BIM e Relatórios Diários de Obra (RDO).
“A solução centraliza modelos BIM diretamente na plataforma, unindo a ‘verdade visual’ aos dados de projeto. No aspecto técnico de engenharia, as nuvens de pontos geradas pela engine Raise são compatíveis e integráveis com os principais softwares de mercado, como Revit, ArchiCAD, AutoCAD, Inventor e AVEVA. Além disso, a plataforma Visi atua como um hub que consolida dados de execução para apoiar a tomada de decisão estratégica”, comenta o CEO da CONSTRUCT IN.
Benefícios e ganhos
A adoção contínua de registros visuais tende a tornar as decisões mais assertivas e a ampliar a transparência na aplicação de recursos em infraestrutura de prédios públicos. Com a documentação detalhada de cada fase da obra, o Estado passa a ter mais controle e visibilidade sobre prazos, custos e o cumprimento dos requisitos técnicos das intervenções.
“Estamos elevando o padrão das obras do Estado. A adoção dessa tecnologia torna o monitoramento dos trabalhos mais eficiente e preciso. O acompanhamento minucioso de cada etapa garante maior exatidão na construção e, consequentemente, edificações mais qualificadas e seguras”, comenta a secretária de Obras Públicas, Izabel Matte.
De acordo com Silva, a ferramenta pode trazer diversos ganhos:
- Redução de retrabalho: até 22% do custo de correções, com identificação precoce de desvios evita demolições e retrabalho de instalações.
- Redução de visitas de engenharia: de R$ 10 mil a R$ 25 mil por mês por obra. Economia em deslocamentos, hospedagem, diárias e horas improdutivas de gestores.
- Otimização de reuniões e aprovações: redução de até 30% no tempo de decisão. Decisões mais rápidas por meio de registros visuais claros e verificáveis.
- Redução de tempo de obra (gestão visual): de 3 a 7 dias por mês de obra. Maior previsibilidade e coordenação de etapas com base no status visual da execução.
- Economia em documentação técnica e fotos: de R$ 2 mil a R$ 6 mil por mês. Substituição de vistorias e relatórios manuais por registros automáticos e organizados.
Fontes
Tales Silva é CEO da CONSTRUCT IN.
Izabel Matte é secretária de Obras Públicas do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Contato
Assessoria de imprensa CONSTRUCT IN: cassio.valler@camp1.co
Governo do Estado do Rio Grande do Sul - jornalismo-secom@secom.rs.gov.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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