Whitetopping ultradelgado amplia durabilidade de vias urbanas e reduz custos de manutenção
A reabilitação de vias urbanas representa um desafio constante para gestores públicos, que precisam conciliar restrições orçamentárias com a demanda por soluções duráveis e que minimizem intervenções recorrentes no pavimento. Nesse cenário, o whitetopping ultradelgado tem se destacado como uma solução técnica e econômica para recuperar pavimentos asfálticos deteriorados, ampliando a vida útil das vias e diminuindo gastos com novas manutenções ao longo do ciclo de serviço da via.
A técnica consiste na aplicação de uma camada fina de concreto de cimento Portland diretamente sobre o asfalto existente. No caso do whitetopping ultradelgado, essa camada varia, em geral, de 5 a 10 centímetros, podendo chegar a espessuras ainda menores em estudos experimentais. Segundo o engenheiro Pedro Matiazzi da Silva, doutorando pela Unisinos e diretor regional do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) no Mato Grosso, trata-se de uma estratégia de reabilitação consolidada no exterior e em evolução no Brasil. “O whitetopping ultradelgado é uma técnica de reabilitação de pavimentos flexíveis, em que se executa uma camada fina de concreto sobre o pavimento asfáltico para recuperar sua capacidade estrutural”, afirma.
Origem e evolução da tecnologia

Crédito: Divulgação DER
O whitetopping surgiu nos Estados Unidos ainda no século passado e começou a ser estudado no Brasil a partir da década de 1990. Com o avanço das pesquisas, a redução das espessuras tornou-se o principal foco de desenvolvimento, dando origem ao whitetopping ultradelgado.“Quando falamos em ultradelgado, estamos tratando de espessuras menores, uso de fibras e outros componentes que melhoram o desempenho do concreto”, explica.
Esses estudos buscam aprimorar propriedades como resistência mecânica, controle de fissuração, aderência entre as camadas e desempenho estrutural sob tráfego intenso, garantindo a integridade do sistema mesmo com redução das espessuras e menor consumo de material.
Vantagens técnicas e econômicas
Entre os principais diferenciais do whitetopping ultradelgado está o potencial de durabilidade superior quando comparada ao recapeamento asfáltico convencional, especialmente tratamentos superficiais como o microrevestimento. “É um material que apresenta vida útil muito maior, reduzindo significativamente a necessidade de manutenção”, destaca o engenheiro.
Do ponto de vista econômico, embora o custo inicial possa ser mais elevado, análises de custo de ciclo de vida indicam vantagens em médio e longo prazo. A maior durabilidade e a menor frequência de intervenções compensam o investimento ao longo dos anos. Além disso, o reaproveitamento do pavimento asfáltico existente reduz a necessidade de remoção integral da estrutura, diminuindo custos associados à demolição e à reconstrução. “Quando se avalia o custo ao longo do tempo, fica evidente a economia, já que a manutenção é menor e o intervalo entre intervenções é muito maior”, afirma Silva.
Outro aspecto relevante é o desempenho térmico. Superfícies de concreto tendem a apresentar maior refletância solar e menor absorção de calor quando comparadas ao revestimento asfáltico. Essa característica contribui para a redução de deformações plásticas associadas à altas temperaturas e favorece a estabilidade do pavimento sob tráfego.
Rigidez, fadiga e durabilidade

Crédito: Acervo pessoal
O comportamento estrutural do whitetopping ultradelgado está associado ao elevado módulo de elasticidade do concreto, que resulta em maior rigidez ao sistema e menor deformação sob carga. A incorporação de fibras sintéticas contribui para o controle de fissuras, aumentando a tenacidade e pode ampliar a resistência à fadiga. “Trabalhar com fibras permite aumentar o desempenho à fadiga, principalmente em espessuras menores, controlando a propagação de fissuras”, explica o pesquisador. Em termos de durabilidade, estudos indicam vida útil superior a 12, 15 e até 20 anos, superando com folga o desempenho do micro revestimento asfáltico, geralmente estimado em cerca de 10 anos.
Aderência entre camadas e novos compósitos
Um dos principais desafios técnicos do whitetopping ultradelgado é garantir a aderência entre o concreto e o pavimento asfáltico existente. Avanços recentes envolvem o preparo adequado da superfície, com controle rigoroso de limpeza e umidade, além do uso de primers e adesivos poliméricos para melhorar a ligação mecânica e química entre as camadas. “Ainda é um aspecto que precisa ser aprimorado, mas já existem estudos que indicam rugosidade ideal e técnicas eficientes para essa aderência”, ressalta Silva.
As pesquisas também avançam na redução adicional de espessura com o uso de fibras de polipropileno e PVA, além de compósitos cimentícios de alto desempenho, como os do tipo ECC, caracterizados por alta ductilidade e controle rigoroso da fissuração. No exterior, especialmente nos Estados Unidos e na China, já há aplicações experimentais com camadas entre 25 e 50 milímetros. No Brasil, esses materiais ainda enfrentam desafios de custo e execução, permanecendo principalmente no campo da pesquisa e desenvolvimento.
Estratégia para gestores públicos
Para a gestão pública, o whitetopping ultradelgado se apresenta como alternativa de planejamento de longo prazo. A redução de manutenções corretivas, os maiores intervalos entre intervenções nas vias e o aproveitamento do pavimento existente contribuem para maior previsibilidade orçamentária. Além disso, há ainda ganhos ambientais, já que a diminuição de espessura reduz o consumo de concreto e as emissões associadas à sua produção.
“Quando se pensa no longo prazo, o gestor consegue reduzir gastos não previstos com manutenção e ainda adotar uma solução mais durável e sustentável para o ambiente urbano”, conclui Silva.
Entrevistado
Pedro Matiazzi da Silva é engenheiro civil graduado pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), pós-graduado em Gerenciamento de Projetos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), mestrado em Arquitetura e Urbanismo com a pesquisa com foco em concreto com adição de fibras de polipropileno pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), doutorando em Engenharia Civil com o trabalho focado em desenvolvimento de compósitos cimentícios para recapeamento urbano como alternativa ao whitetopping ultradelgado também na UNISINOS. Atualmente, é diretor regional do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) no Mato Grosso, é responsável técnico da Vipp Mix e Concreart, docente no Centro Universitário Fasipe de Sinop -MT.
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Concreto massa avança no controle térmico com mais planejamento
Por muito tempo, o controle térmico do concreto massa foi considerado uma preocupação restrita a grandes volumes e obras de infraestrutura pesada. Contudo, nos últimos anos, esse entendimento vem mudando — especialmente em edificações urbanas, onde blocos de fundação de pequeno e médio porte têm revelado riscos térmicos relevantes quando não analisados adequadamente desde a fase de projeto.
Segundo Bruno Pessoa, doutorando pela Universidade de São Paulo (USP) e engenheiro consultor na Britez Consultoria, o principal avanço observado nos últimos três a cinco anos não está associado a uma tecnologia isolada, mas a uma maior maturidade do mercado em relação ao tema.
“Hoje existe um entendimento mais claro, principalmente nas grandes metrópoles, de que o controle térmico deve começar ainda na fase de projeto, passando pela escolha dos materiais, definição do traço, estudos térmicos computacionais e planejamento executivo da concretagem”, afirma.
Avaliação prévia do risco térmico ganha protagonismo
Um dos pontos que Bruno Pessoa destaca como avanço recente é o desenvolvimento de ferramentas simplificadas para avaliação preliminar do risco térmico, voltadas especialmente a projetistas e engenheiros de obra. A proposta é permitir decisões antecipadas, antes mesmo da execução.

Crédito: Envato
“Apesar do aumento do interesse de construtoras e incorporadoras, ainda existem muitas dúvidas sobre quais elementos devem ser caracterizados como concreto massa. Blocos de fundação de pequeno e médio porte, por exemplo, costumam ser negligenciados”, explica.
Nesse contexto, Bruno é autor de um artigo técnico no qual propõe um diagrama de estimativa expedita do risco térmico em blocos de fundação, permitindo antecipar diretrizes de projeto ou avaliar o risco antes da concretagem — uma abordagem prática que busca preencher uma lacuna recorrente no dia a dia das obras.
Produtos específicos e monitoramento em tempo real
Além da evolução conceitual, o engenheiro observa um movimento crescente das empresas de concretagem no desenvolvimento de soluções específicos para elementos com maior potencial de acúmulo térmico. Soma-se a isso a maior disseminação do uso de sistemas de monitoramento térmico em tempo real, atualmente mais acessíveis e viáveis do que há alguns anos.
De acordo com Bruno Pessoa, esses sistemas permitem acompanhar a evolução da temperatura no interior do elemento estrutural, auxiliando na tomada de decisões durante a cura e reduzindo o risco de fissuração térmica.
Gelo, agregados resfriados ou nitrogênio líquido?
Entre as soluções disponíveis para controle térmico do concreto massa, todas têm como objetivo reduzir a temperatura inicial do concreto, mas apresentam diferenças significativas em eficiência, custo e logística.
O uso de gelo, por meio da substituição parcial da água de amassamento, é a alternativa mais comum no Brasil. Segundo Pessoa, trata-se de uma solução simples, amplamente disponível e de custo relativamente baixo.
“Quando bem controlado, o uso de gelo permite reduções típicas entre 5 e 12 °C na temperatura inicial do concreto. Em contrapartida, exige rigor no controle do teor de água e impacta a operação da central, já que a adição costuma ser manual”, ressalta.
Já o resfriamento de agregados, prática comum em outros países, ainda não é adotado de forma sistemática no Brasil. Medidas como aspersão de água ou sombreamento do agregado graúdo são frequentes, mas têm efeito limitado e normalmente funcionam apenas como complemento ao uso de gelo.
O nitrogênio líquido, por sua vez, é a alternativa com maior potencial de redução térmica, permitindo quedas rápidas e expressivas da temperatura inicial, frequentemente superiores a 20 °C. No entanto, o alto custo, a logística especializada, as exigências de segurança e a baixa disponibilidade restringem seu uso a situações muito específicas, de acordo com Pessoa.
“Na prática, o nitrogênio líquido tem o maior potencial de resfriamento, mas o gelo ainda apresenta o melhor equilíbrio entre eficiência, custo e viabilidade operacional na maioria das obras”, resume.
Experiências com controle térmico
Bruno Pessoa relata experiências em obras onde o controle térmico foi decisivo para o desempenho do concreto, especialmente em blocos de fundação de edifícios. Nessas situações, a limitação da temperatura inicial — associada a planejamento da concretagem e estratégia de cura — resultou em estruturas sem fissuração térmica visível e com temperaturas máximas abaixo de limites críticos, como 65 °C.
Na prática, os maiores problemas não costumam ocorrer em blocos de grandes dimensões.
“Em grandes volumes, o risco térmico geralmente é reconhecido desde o início e há abertura para estudos específicos. Os problemas mais recorrentes aparecem em blocos de menor porte, tratados como elementos convencionais apenas por não terem grandes volumes”, observa.
Ainda persiste no mercado a ideia de que apenas elementos acima de 100 m³ caracterizam concreto massa. No entanto, blocos com altura superior a cerca de 1,0 m, mesmo com volumes menores, já podem desenvolver gradientes térmicos relevantes e atingir temperaturas prejudiciais (acima de 65°C), dependendo do consumo de cimento e do calor de hidratação.
“É justamente nesses elementos que observo com mais frequência problemas de origem térmica, quase sempre associados à ausência de uma avaliação prévia do risco térmico ainda na fase de projeto ou de planejamento da concretagem”, comenta Pessoa.
Controle térmico como estratégia de durabilidade
Mais do que evitar fissuras iniciais, o controle térmico adequado tem impacto direto na durabilidade das estruturas e na redução de manutenção futura.
“Ao limitar a fissuração precoce e controlar a abertura das fissuras, reduz-se a permeabilidade do concreto e a entrada de agentes agressivos ao longo do tempo”, explica Bruno.
Além disso, temperaturas elevadas nas idades iniciais estão associadas ao risco de formação de etringita tardia (DEF) — um mecanismo de degradação que provoca expansões internas, fissuração progressiva e perda de propriedades mecânicas.
“Por isso, vejo o controle térmico não apenas como uma medida para mitigar problemas iniciais, mas como uma estratégia fundamental de desempenho e durabilidade ao longo da vida útil da estrutura”, conclui.
Fonte
Bruno Pessoa é doutorando pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Engenharia civil (UNICAMP). Atua como engenheiro consultor na Britez Consultoria. Autor e coautor de artigos técnicos indexados e de congresso. Experiência com consultoria em tecnologia do concreto e patologia das construções.
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Cadeia da construção acelera ajustes para cumprir metas de descarbonização
A descarbonização deixou de ser um debate prospectivo e passou a orientar decisões concretas ao longo da cadeia da construção civil. Alinhados por compromissos ambientais, regulação crescente e exigências de financiamento, fabricantes de materiais, construtoras, projetistas e instituições de pesquisa vêm reorganizando processos produtivos e critérios de especificação para reduzir emissões de CO₂ sem comprometer desempenho e durabilidade.
Segundo a engenheira Edna Possan, professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), o movimento precisa ser analisado de forma sistêmica. “A combinação dos materiais é que vai nos levar ao processo de descarbonização. Cada material tem o seu melhor lugar de uso, desde que se conheça o seu comportamento em uso e o carbono associado”, afirma.
Indústrias de base revisam processos produtivos

Crédito: Envato
Os setores cimenteiro e siderúrgico estão entre os mais mobilizados para reduzir as emissões. No caso do cimento, o Brasil parte de uma posição relativamente favorável. “O cimento brasileiro está entre os de menor emissão de carbono do mundo, com algo em torno de 550 a 600 quilos de CO₂ por tonelada, mesmo assim é um valor elevado quando olhamos para as metas globais de carbono neutro”, explica Edna.
A estratégia adotada envolve tanto a redução do teor de clínquer quanto o desenvolvimento de novos ligantes e compósitos. “Nosso grupo de pesquisa conseguiu desenvolver cimentos com até 60% menos dióxido de carbono em relação ao convencional a partir de resíduos da construção, com forte engenharia de processo e de materiais”, relata a pesquisadora.
Tecnologia e ciência como vetores de mudança
Para Edna Possan, o avanço da descarbonização está diretamente ligado ao investimento em tecnologia e inovação. “Eu acredito que a tecnologia nos trouxe até aqui e ela vai nos permitir permanecer neste mundo que precisa ser descarbonizado. Isso exige parceria entre universidades, empresas, poder público e terceiro setor”, destaca.
Essa lógica tem orientado o desenvolvimento de materiais de baixo carbono, que precisam atender simultaneamente a dois critérios. “As novas tecnologias precisam reduzir o dióxido de carbono incorporado e, ao mesmo tempo, manter desempenho e durabilidade. Não faz sentido reduzir emissão se a vida útil da edificação for comprometida”, afirma.
No concreto, esse equilíbrio passa por dosagens mais eficientes, uso de cimentos menos emissivos, fillers minerais e aditivos químicos avançados. “Hoje, o concreto no Brasil pode variar de forma muito significativa em quilos de CO₂ por megapascal de resistência, dependendo da mistura. Isso mostra o quanto o conhecimento técnico ainda é decisivo”, observa.
Metas chegam ao mercado e ao financiamento

Crédito: Arquivo pessoal
O movimento da cadeia ganha força adicional com a entrada de instrumentos de política pública. Um exemplo é a plataforma BIPC (Benchmark Iterativo para Projetos de Baixo Carbono), lançada pela Caixa Econômica Federal, voltada ao mercado imobiliário financiado com recursos públicos. “Tem-se a perspectiva de que, nos próximos anos, quem for produzir habitação com financiamento público terá que apresentar inventário de carbono e de energia das construções e isso já é uma exigência internacional e que no BIPc passa também a ser uma norma”, explica Edna.
A plataforma se conecta a ferramentas de avaliação do ciclo de vida, como o Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção (Sidac), que permitem calcular emissões associadas a materiais e sistemas construtivos. Esse avanço impõe uma mudança cultural no setor. “Engenheiros, arquitetos e especificadores vão precisar conhecer não apenas as propriedades mecânicas e estéticas dos materiais, mas também a energia e o carbono incorporados”, afirma.
Novo paradigma para toda a cadeia
Na avaliação da pesquisadora, a descarbonização não será alcançada por uma única solução tecnológica, mas pela soma de ajustes ao longo de toda a cadeia. Concreteiras, por exemplo, terão de aprender a dosar concretos de baixo carbono mantendo desempenho, enquanto projetistas poderão contribuir com otimização estrutural e escolhas mais eficientes de sistemas. “O setor inteiro está sendo chamado a reaprender. Assim como hoje olhamos o rótulo de um alimento para saber suas calorias, em breve os materiais de construção terão tabelas claras de carbono e energia”, conclui Edna.
Entrevistada
Edna Possan é engenheira civil formada pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) e doutora em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professora titular na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e coordenadora do Laboratório de Desempenho, Estruturas e Materiais (Ladema). Atualmente é membro de diversos comitês de estudos de normas relacionadas a construção civil e presidente da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (Antac). Atua na área de patologia das construções, materiais de construção e meio ambiente.
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World of Concrete 2026 destaca os desafios econômicos da construção
O World of Concrete, um dos principais eventos dedicado às indústrias da construção em concreto e alvenaria, foi realizado entre os dias 19 e 22 de janeiro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. O evento reuniu mais de 47.400 profissionais e contou com a participação de mais de 1.300 empresas expositoras.
Ao todo, 284 novos expositores participaram do World of Concrete, abrangendo múltiplas categorias de produtos, incluindo movimentação de materiais, produtores de concreto, tecnologia para construção, pré-moldados, alvenaria de concreto, reforços para concreto, produção de cimento, demolição e reparo, superfícies e soluções decorativas.
“É um evento que promove a inovação, eleva o desempenho e celebra a arte do trabalho artesanal”, afirma Jackie James, vice-presidente do World of Concrete. “A cada ano, nossos expositores e participantes se reúnem para se conectar, colaborar e descobrir novas oportunidades que continuarão a moldar o futuro da indústria.”
Previsão Econômica para o Mercado da Construção

Crédito: World of Concrete
O evento contou com um programa educacional abrangente, reunindo diversos especialistas que compartilharam percepções sobre temas atuais, como economia, engenharia e projeções para o futuro para o setor.
O primeiro deles foi a palestra “The Economic Forecast with Ed Sullivan and Pierre Villere”. O painel abordou como navegar pela volatilidade econômica a partir de análises estratégicas de economistas renomados, que apresentaram projeções-chave de mercado e informações específicas por segmento.
Com base no seu relatório The Sullivan Report, o economista Ed Sullivan falou sobre o mercado de cimento dos Estados Unidos. Segundo Sullivan, a indústria acumula três anos consecutivos de retração, com queda superior a 10 milhões de toneladas desde 2022, o que reduziu a utilização do clínquer, diminuiu as importações e moderou os preços do cimento e do concreto. Para 2026, não há sinais claros de recuperação no curto prazo: juros elevados continuam a frear a construção privada, enquanto a inflação segue corroendo os recursos da construção pública. Apesar do bom desempenho da economia recente e do avanço de setores como data centers, seu peso no consumo total de cimento é pequeno e insuficiente para impulsionar o crescimento nacional.
Alguns fatores podem criar condições para uma retomada gradual a partir de 2026, como incentivos fiscais, simplificação regulatória, possível queda dos juros de longo prazo e um novo pacote de investimentos em infraestrutura. No entanto, os efeitos dessas medidas tendem a ser lentos, o que torna improvável um impacto relevante ainda em 2026. Assim, o ano deve marcar um ponto de estabilidade — sem nova queda acentuada, mas também sem crescimento expressivo —, com a recuperação mais consistente da demanda por cimento e concreto sendo esperada apenas a partir de 2027, dependendo sobretudo da trajetória da inflação e dos juros.
Design para construtibilidade
Durante o evento, aconteceu o curso Engineering: Designing for Constructability, direcionado a engenheiros, arquitetos, projetistas e profissionais envolvidos no desenvolvimento e execução de estruturas de concreto. Seu principal objetivo foi mostrar como a construtibilidade pode ser incorporada desde a fase de projeto, contribuindo para a redução de complexidades, aumento da produtividade em obra e melhor alinhamento entre projeto, execução, custos e prazos.
A programação abordou temas como sistemas estruturais em concreto armado, erros recorrentes no projeto de lajes sobre o solo e o uso de concreto reforçado com fibras, além de discutir barreiras históricas à produtividade na construção. Com apresentações de especialistas reconhecidos internacionalmente, o curso combinou fundamentos técnicos, exemplos práticos e tendências recentes do setor, oferecendo ainda horas de educação continuada para atualização e renovação profissional.
Conectando o empreiteiro e o engenheiro
O curso Bridging the Gap Between Contractor & Engineer destacou a importância da colaboração entre engenheiros, projetistas e construtores como fator-chave para aumentar a produtividade na construção em concreto. Entre os principais destaques, evidenciou-se o impacto direto das decisões de projeto, detalhamento técnico e especificações na construtibilidade, no custo e no prazo de execução, além da necessidade de alinhar expectativas desde as fases iniciais, como forma de mitigar conflitos, retrabalhos e reparos de alto custo. A programação mostrou que modelos colaborativos, como Design Assist, Design/Build e Integrated Project Delivery, podem melhorar a eficiência dos sistemas construtivos, estimular a inovação e gerar ganhos reais de desempenho, qualidade e previsibilidade nos projetos.
Fonte
Jackie James é vice-presidente do World of Concrete.
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Economia circular ganha escala na cadeia do concreto e reposiciona práticas da construção
A economia circular avança como um dos principais vetores de transformação da cadeia do concreto no Brasil. Em um setor historicamente intensivo no uso de recursos naturais, as empresas têm adotado modelos produtivos baseados no reaproveitamento de materiais, no fechamento de ciclos e na redução de desperdícios, com reflexos diretos na competitividade, na gestão ambiental e na inovação industrial.
Na prática, a circularidade ao concreto abrange desde o reaproveitamento de resíduos industriais e da própria construção civil até o uso racional da água e a substituição de matérias-primas convencionais por coprodutos. Segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), trata-se de uma mudança estratégica que combina ganhos ambientais e econômicos, ao mesmo tempo em que atende às crescentes exigências regulatórias e às demandas da sociedade por processos produtivos mais responsáveis.
Reuso de água e reciclagem de concreto no dia a dia das usinas

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Na ponta da produção, as usinas de concreto desempenham papel relevante na consolidação desse modelo. A Concrebras, empresa do grupo Cimento Itambé, é um exemplo de como a economia circular pode ser incorporada à rotina operacional. De acordo com Polyanna Raymundo Simões Vicentin, coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade da empresa, o reuso de água é uma das frentes mais consolidadas. “Implantamos sistemas fechados para reaproveitamento da água proveniente da operação e da lavagem de caminhões, betoneiras e equipamentos. Essa água passa por processos de decantação, clarificação e retorna ao ciclo produtivo, reduzindo de forma significativa o consumo de água potável”, afirma.
Além da água industrial, a captação de água da chuva também integra o processo. A água pluvial coletada em coberturas e áreas impermeabilizadas passa por filtragem e sedimentação antes de ser destinada a atividades operacionais, como lavagem de pátios, controle de poeira e umedecimento de agregados.
Outro eixo relevante é a reciclagem do concreto. Os resíduos gerados na operação são encaminhados para processos de reciclagem. “Essa prática reduz a demanda por recursos naturais, além de garantir a destinação ambientalmente correta”, explica Polyanna
Coprocessamento fecha o ciclo de resíduos industriais

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Na indústria do cimento, o coprocessamento consolidou-se como uma das principais ferramentas de economia circular. A técnica permite a utilização de resíduos tanto como energia térmica, através da reciclagem energética, quanto como substitutos de matérias-primas no processo de produção de clínquer. Com isso, reduz-se o consumo de insumos tradicionais, valorizando e reduzindo custos de produção ao mesmo tempo em que assegura a destinação ambientalmente adequada de materiais que, em muitos casos, eram descartados de forma inadequada.
Segundo Israel Wisniewski Vaz, gerente técnico e de coprocessamento da Itambé e da Rio Bonito Soluções Ambientais, empresa da Cimento Itambé, os resultados têm sido expressivos. “Em 2025, tivemos um crescimento de 26% em relação ao ano anterior e de mais de 224% na comparação com 2021”, destaca. Em mais de três décadas de atuação na área de coprocessamento, o Grupo Itambé proporcionou a destinação ambientalmente correta de mais de 800 mil toneladas de resíduos.

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A diversidade de resíduos aceitos é ampla e inclui líquidos, biomassas, pneus inservíveis, lodos de estações de tratamento de efluentes e resíduos sólidos urbanos. Israel aponta que o avanço tecnológico e a acreditação do laboratório da Rio Bonito pelo Inmetro trouxeram mais agilidade e confiabilidade ao processo. “A acreditação ampliou nosso posicionamento de mercado e deu mais segurança técnica aos clientes e aos órgãos ambientais”, afirma.
Ganhos econômicos e ambientais caminham juntos
Do ponto de vista corporativo, a economia circular também se traduz em redução de custos e mitigação de riscos. Irineu Gomes de Amorim Junior, gerente corporativo de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da Cimento Itambé, ressalta que os benefícios vão além do aspecto ambiental.
“O reuso de água reduz gastos com abastecimento, a reciclagem de concreto diminui custos com destinação de resíduos e o uso de cinzas e escórias industriais
permite menor consumo de cimento”, explica. Ele acrescenta que a gestão eficiente de resíduos, aliada à logística reversa contribui para a redução de custos associados ao transporte, à disposição em aterros e à mitigação de passivos ambientais.
Na avaliação dos especialistas, a economia circular na cadeia do concreto deixa de ser apenas uma diretriz conceitual e passa a integrar a estratégia operacional das empresas. Ao conectar inovação, eficiência e responsabilidade ambiental, o setor avança para um modelo produtivo mais alinhado às exigências do futuro da construção civil.
Entrevistados
Polyanna Raymundo Simões Vicentin é graduanda em Engenharia Ambiental pela Universidade Positivo. Possui especialização em Engenharia da Qualidade 4.0, com certificação Black Belt pela UFPR, em Gestão por Processos pela PUC-PR e MBA em Administração e Qualidade pela Uninter. Atualmente, atua como coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade na Concrebras.
Irineu Gomes de Amorim Junior é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pelo CEFET-PR e Mestre em Governança e Sustentabilidade pelo ISAE/FGV. Atualmente é gerente corporativo de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da Cia de Cimento Itambé.
Israel Wisniewski Vaz é graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Gestão da Produção e Recursos Humanos pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI), MBA em Lean Manufacturing pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Atualmente, é gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé e Rio Bonito Soluções Ambientais.
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israel.vaz@cimentoitambe.com.br
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Preço dos imóveis residenciais fecha 2025 com alta de 18,64%
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) anunciou que os preços dos imóveis residenciais no Brasil encerraram 2025 em trajetória de valorização, segundo o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R Abecip). O indicador registrou alta de 1,52% em dezembro e acumulou valorização de 18,64% no ano, o maior resultado desde o início da série histórica, em 2016. O movimento foi disseminado regionalmente, refletindo demanda resiliente, restrições estruturais de oferta e a consolidação do imóvel como ativo de preservação de valor, com desempenho muito acima da inflação (IPCA) e dos custos da construção (INCC).
Para Priscilla Cioli, presidente da Abecip, o desempenho de 2025 confirma a resiliência do mercado imobiliário, mesmo em um ambiente de juros elevados. Segundo ela, a forte alta da Selic impactou especialmente o crédito para a média renda, mas o setor encontrou caminhos para sustentar o crescimento, apoiado no bom desempenho do FGTS, em avanços regulatórios e na diversificação das fontes de funding. “O mercado superou as expectativas e mostrou capacidade de adaptação, inclusive com maior uso de recursos livres e soluções de tesouraria para financiamento”, afirma.
O cenário macroeconômico também contribuiu para dar sustentação à demanda. Em 2025, o rendimento médio mensal cresceu cerca de 5%, ampliando a capacidade de compra das famílias, enquanto a inflação ficou abaixo do esperado. Além disso, avanços em digitalização — como assinatura eletrônica e registro digital — ajudaram a reduzir entraves na jornada do crédito imobiliário, aumentando a eficiência do setor.

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Resultados por região
No recorte regional, o Sudeste apresentou aceleração homogênea. São Paulo subiu 1,61% em dezembro e acumulou 15,76% em 12 meses; o Rio de Janeiro avançou 0,41% no mês, com alta anual de 14,17%; e Belo Horizonte manteve trajetória firme, com valorização acumulada de 20,06%. No Nordeste, o fim de ano mais aquecido impulsionou altas expressivas: Salvador registrou uma das maiores variações mensais, de 2,74%, encerrando o ano com 23,37%, enquanto Recife acumulou 24,71% em 12 meses. No Sul, o comportamento foi mais heterogêneo, com Curitiba entre os mercados mais aquecidos do país, somando 24,68% no ano, enquanto Porto Alegre desacelerou. Já no Centro-Oeste, Brasília foi o grande destaque nacional, com valorização histórica de 27,11% em 2025.
Perspectivas para 2026
As perspectivas para 2026 são moderadamente positivas, porém condicionadas ao comportamento dos juros no segundo semestre. A Abecip projeta crescimento de aproximadamente 16% no mercado de crédito imobiliário, com expansão de 15% no SBPE, 5% no FGTS e avanço expressivo de 66% dos recursos livres. A expectativa é que a implementação gradual de um novo modelo de crédito, com menor dependência de funding subsidiado e maior participação de fontes de mercado, contribua para maior sustentabilidade no sistema médio e longo prazo.
Ainda assim, Priscilla Cioli ressalta que a trajetória de queda da Selic será determinante para destravar uma retomada mais robusta do setor. “O mercado tem potencial para crescer, mas a velocidade dessa expansão depende diretamente da redução dos juros e da consolidação do novo modelo de funding”, afirma. Com isso, 2026 tende a se configurar como um ano de transição, marcado pela acomodação dos preços em patamares elevados e pela preparação para um ciclo de crescimento mais consistente a partir de 2027.
Fonte
Priscilla Cioli é presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
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Moinho vertical da Cimento Itambé torna-se referência e reforça compromisso do setor com eficiência energética e descarbonização
O desempenho operacional do Moinho Vertical N5 da Cimento Itambé colocou a unidade paranaense em posição de destaque no setor cimenteiro. A empresa recebeu reconhecimento da FLSmidth, fabricante do equipamento, após o moinho atingir uma Eficiência Global do Equipamento (OEE) acumulada de 98,2% ao longo de 12 meses, consolidando a operação como referência internacional em termos de desempenho, estabilidade e confiabilidade.
O indicador OEE reúne três fatores principais: disponibilidade do equipamento, performance produtiva e qualidade. No caso do Moinho Vertical N5, o índice de 98,2% significa que o equipamento esteve praticamente todo o tempo disponível, operou próximo da capacidade nominal e manteve padrões elevados de qualidade.

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Instalado em novembro de 2014, o Moinho Vertical N5, modelo OK 33.4, é o principal moinho na produção de cimento da fábrica da Itambé, em Balsa Nova, no Paraná. Com capacidade de produção de cerca de 1 milhão de toneladas por ano, o equivalente a aproximadamente 150 toneladas por hora, o equipamento produz o cimento CP II-F-40, produto de alto desempenho, amplamente utilizado na construção civil e reconhecido pelos clientes atendidos pela Itambé por sua elevada resistência mecânica, confiável estabilidade e consistente padrão de qualidade.
Segundo o diretor industrial da Cimento Itambé, Fábio Garcia, trata-se de um ativo estratégico para a companhia. “Esse moinho produz o CP II-F-40, que exige uma moagem mais fina para entregar maior resistência. Por ser um moinho vertical de rolos, ele apresenta um consumo de energia significativamente menor em comparação aos moinhos horizontais, o que reduz custos e aumenta a eficiência do processo”, afirma.
Alta produtividade com menor consumo de energia
Além da relevância produtiva, o moinho vertical se destaca pelo impacto direto na eficiência energética da operação. De acordo com a empresa, o uso da tecnologia de moinhos verticais permite uma redução de até 38% no consumo de energia na operação comparativamente aos moinhos horizontais.
Para Fábio Garcia, a eficiência energética está diretamente ligada à agenda ESG com a qual as empresas do grupo estão engajadas e à descarbonização da indústria. “Esse moinho está conectado a um cimento com menor pegada de carbono. A eficiência energética se traduz em resultado concreto para o negócio e para o meio ambiente”, destaca.
Operação sofisticada e manutenção rigorosa

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Para obter todos os ganhos, o moinho vertical exige um nível elevado de controle operacional e manutenção contínua. Esse é um dos fatores que levou parte do mercado a abandonar essa tecnologia, optando por equipamentos mais robustos, porém menos eficientes do ponto de vista energético.
O gerente de engenharia mecânica da Cimento Itambé, Celso Carvalho, explica que o desempenho alcançado é resultado de disciplina operacional e rotinas rigorosas. “É um equipamento sofisticado. Ele entrega uma performance excelente, mas demanda muita atenção. Nós temos uma parada semanal do moinho para intervenções de manutenção, verificação de lubrificação e controle de desgaste para que ele possa entregar toda performance”, afirma.
A operação também conta com alto grau de automação e monitoramento contínuo, o que garante estabilidade e previsibilidade ao processo produtivo. “A combinação entre manutenção assídua e operação assistida, com sistemas automatizados de controle, é o que sustenta esse nível de eficiência ao longo do tempo”, acrescenta Carvalho.
Parceria tecnológica e reconhecimento internacional
O reconhecimento foi atestado pela FLSmidth, empresa dinamarquesa que fabrica o moinho vertical. Com a presença do vice-presidente da FLSmidth no Brasil, Thiago Coscelli, a empresa destacou a excelência da operação e a solidez dos sistemas de manutenção da Itambé. Para Celso Carvalho, a parceria com a fornecedora foi determinante. “O apoio, a troca de conhecimento e o reconhecimento têm um peso enorme, porque validam que estamos operando o equipamento dentro dos mais altos padrões globais”, afirma.
Dessa forma, o moinho vertical da Cimento Itambé consolida-se como um ativo estratégico não apenas para a empresa, mas como referência para um setor que busca constantemente aumentar eficiência, reduzir emissões e avançar de forma consistente na agenda de descarbonização.
Entrevistados
Fábio Garcia é graduado em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá, com MBA pela Cornell University (EUA). Com 23 anos de experiência no setor de cimentos, atualmente é diretor Industrial da Cimento Itambé.
Celso José de Carvalho é graduado em Administração de Empresas com enfoque em Análise de Sistemas, especialista em manutenção e projetos de fábricas de cimento. Com 45 anos de experiência no setor de cimentos, atualmente é gerente de Engenharia Mecânica da Cimento Itambé.
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Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Por que o desempenho ao fogo ainda limita a aplicação do UHPC?
O Concreto de Ultra Alto Desempenho (UHPC, na sigla em inglês) tem ganhado espaço na engenharia estrutural por permitir soluções mais esbeltas, leves e mecanicamente eficientes. No entanto, quando o tema é segurança ao incêndio, o material ainda enfrenta importantes desafios técnicos que limitam sua aplicação prática em edificações de maior porte. Apesar de suas excepcionais propriedades mecânicas em condições normais, o UHPC apresenta comportamento menos favorável quando submetido a altas temperaturas.
Segundo o engenheiro e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fabrício Bolina, o problema está diretamente ligado às propriedades térmicas do material. “Em razão de sua maior densidade, difusividade e baixa porosidade, as estruturas em UHPC tendem a desenvolver campos térmicos mais severos quando submetidas ao incêndio, atingindo temperaturas mais elevadas se comparadas às estruturas de concreto de resistência normal”, comenta.
Além disso, elementos estruturais em UHPC apresentam seções transversais mais esbeltas, o que reduz a inércia térmica e intensifica o aquecimento. “Como consequência, o aquecimento ocorre de forma mais rápida e com maior amplitude, resultando em degradação mecânica mais pronunciada das suas propriedades. Nessas condições, a elevada resistência mecânica do UHPC é comprometida, o que levanta questionamentos quanto à sua aplicabilidade em circunstâncias em que o requisito se faça necessário”, explica Bolina.
Exigências legais e o paradoxo do UHPC

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No Brasil, os requisitos de segurança estrutural em situação de incêndio são de cumprimento obrigatório, conforme exigências uniformes dos Corpos de Bombeiros estaduais. Embora existam exceções relacionadas à altura ou à área construída, elas geralmente se aplicam a edificações de pequena escala — tipologias que dificilmente representam os principais campos de aplicação do UHPC.
O paradoxo, segundo Bolina, está justamente aí. “À medida que a concepção estrutural se torna mais ousada (seja em termos de altura, vãos ou esbeltez), o UHPC se mostra particularmente atrativo em função de suas elevadas propriedades mecânicas. De forma paradoxal, são exatamente essas situações que impõem os requisitos mais rigorosos de segurança estrutural em incêndio”, pontua.
Para Bolina, essa combinação evidencia uma incongruência relevante: o UHPC ganha força justamente nos cenários em que as exigências de desempenho ao fogo são mais severas, o que constitui uma barreira técnica significativa para a aplicação do UHPC nestas edificações.
Proteção passiva: solução técnica, mas com impacto econômico
Apesar das limitações, o desempenho ao fogo não deve ser interpretado como um impeditivo absoluto ao uso do UHPC. Bolina faz um paralelo direto com as estruturas metálicas, conhecidas por sua elevada sensibilidade ao incêndio, mas amplamente utilizadas na construção civil graças à adoção de sistemas de proteção passiva.
“No caso das estruturas metálicas, é comum o uso de pinturas intumescentes, revestimentos projetados, envelopamentos ou mantas que retardam a elevação da temperatura”, afirma. A mesma lógica pode ser aplicada ao UHPC, mas com ressalvas. Essas soluções implicam custos adicionais, além de exigirem planos de manutenção ao longo da vida útil da edificação, o que reduz a competitividade econômica do material frente ao concreto convencional”, aponta Bolina.
Ausência de casos reais de incêndio com UHPC
Até o momento, Bolina aponta que desconhece registros documentados de estruturas em UHPC que tenham enfrentado situações reais de incêndio. “Essa ausência de registros está associada, em grande medida, à ainda limitada e relativamente recente aplicação do UHPC em obras civis. Dado o número reduzido de edificações e obras de grande porte executadas com UHPC, é estatisticamente plausível que eventos de incêndio ainda não tenham ocorrido ou, se ocorreram, não tenham sido objeto de divulgação técnica ou científica. Assim, com base no conhecimento técnico e bibliográfico atualmente disponível, pode-se afirmar que não há registros de edificações em UHPC que tenham sofrido incêndio”, explica.
Pesquisas internacionais e comparativos inéditos
Desde 2024, Fabrício Bolina vem conduzindo pesquisas voltadas à avaliação do desempenho do UHPC em situação de incêndio, muitas delas em parceria com universidades dos Estados Unidos, Itália e Portugal. Entre os estudos de maior relevância, destaca-se a análise comparativa entre uma estrutura em UHPC e outra em concreto convencional, ambas projetadas para apresentar desempenho mecânico equivalente em condições normais de uso.
Quando submetidas à ação do fogo — especialmente em edificações de grande altura, onde os requisitos de segurança são mais rigorosos — os resultados indicaram que, apesar de demandar maior consumo de material e seções transversais mais robustas, a estrutura em concreto convencional tende a se mostrar economicamente mais viável quando os critérios de resistência ao incêndio são considerados. “Todos os grupos de pesquisa com os quais tenho colaborado convergem para esse mesmo resultado”, destaca o pesquisador.
À época do início dos estudos, havia uma lacuna significativa na literatura técnica, com pouquíssimos trabalhos que comparassem, de forma direta, o desempenho do UHPC e do concreto convencional sob exposição ao fogo. No contexto brasileiro, Bolina foi um dos primeiros a realizar essa análise comparativa, além de estimar propriedades térmicas do UHPC a partir de composições típicas do mercado nacional.
Os resultados evidenciaram, de maneira inédita naquele momento, a maior suscetibilidade do UHPC às elevadas temperaturas, sobretudo em função de suas características térmicas e geométricas — conclusões que, posteriormente, foram corroboradas por estudos de outros grupos de pesquisa internacionais.
Bolina ressalta, contudo, que os achados não têm como objetivo desqualificar o material. “O UHPC é um material de desempenho excepcional. Como qualquer outro empregado na construção civil, apresenta limitações pontuais que precisam ser reconhecidas e tratadas em projeto”, afirma. Para o pesquisador, com abordagens técnicas coerentes e orientadas ao desempenho em situação de incêndio, a tendência é que o UHPC ocupe um espaço progressivamente maior na engenharia estrutural.
Fonte
Fabrício Bolina é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atuando na área de estruturas. Engenheiro Civil, possui Doutorado em Engenharia de Segurança contra Incêndio pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Atual coordenador da ABNT NBR 15200 — Projeto de Estruturas de Concreto em Situação de Incêndio. É autor dos livros “Patologia de Estruturas” e “Modelagem de Estruturas de Concreto em Elementos Finitos”.
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Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Fachadas altas evoluem como sistemas de engenharia e impulsionam a industrialização dos edifícios
As fachadas de edifícios altos atravessam um processo de transformação profunda na construção civil. Impulsionadas pela escassez de mão de obra qualificada, pelo avanço tecnológico e por exigências cada vez mais rigorosas de desempenho, elas deixam de cumprir apenas uma função estética e passam a ser tratadas como sistemas técnicos fundamentais para a eficiência, a segurança e a vida útil das edificações.
Para o arquiteto Ricardo Amaral, o futuro das fachadas está diretamente ligado à industrialização. “A tendência é que as fachadas sejam compostas por elementos pré-fabricados, produzidos fora do canteiro de obras, com maior controle de qualidade, precisão e racionalização do processo construtivo, sendo posteriormente montados na edificação”, afirma. Segundo ele, esse movimento não impõe uma linguagem arquitetônica única, permitindo desde soluções minimalistas até formas orgânicas, cada vez mais presentes na arquitetura contemporânea.

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Industrialização responde à crise de mão de obra
A dificuldade de contratar e formar profissionais especializados tem acelerado a adoção de sistemas industrializados, especialmente em edifícios altos, onde a complexidade construtiva e os riscos operacionais são maiores. Nesse contexto, a fachada passa a ser pensada desde as etapas iniciais do projeto, integrada às decisões de arquitetura, engenharia e logística.
A engenheira civil Jéssica Dantas, diretora do Ibracon e da Alconpat Brasil, destaca que o futuro das fachadas caminha para soluções cada vez mais integradas e performáticas. “A fachada deixa de ser apenas um elemento estético e passa a ser tratada como um sistema técnico crítico, responsável por desempenho térmico, durabilidade, segurança, manutenção e até eficiência operacional do edifício”, ressalta.
Dubai como laboratório de inovação em fachadas
No cenário internacional, Dubai se consolidou como uma das principais referências em fachadas de edifícios altos, reunindo escala, investimento e sedenta por inovação. A cidade tem adotado de forma intensiva a pré-fabricação, o uso de projeto paramétrico e a automação tanto na fabricação quanto na montagem dos sistemas.
Amaral observa que praticamente todas as obras de médio e grande porte na região utilizam componentes industrializados. “Fachadas, estruturas secundárias e elementos de vedação são amplamente pré-fabricados, garantindo velocidade de execução, precisão e redução da dependência de mão de obra no canteiro”, afirma. Ele explica que, enquanto edifícios icônicos exploram geometrias orgânicas, as torres muito altas tendem a adotar linhas mais retas, em função de condicionantes técnicos como vento, comportamento estrutural e eficiência construtiva.

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Jéssica Dantas complementa que Dubai trata a fachada quase como um produto industrial. “Há uso intensivo de painéis pré-fabricados de alta complexidade, com concreto arquitetônico, sistemas híbridos e fabricação robotizada, além de BIM avançado para controle dimensional e sistemas mecanizados de instalação”, informa.
Eficiência térmica, durabilidade e performance
A definição técnica das fachadas tem impacto direto no desempenho global das edificações, especialmente em torres residenciais e corporativas. Materiais e sistemas adequados contribuem para o conforto térmico, redução do consumo energético e maior durabilidade. “As fachadas precisam oferecer eficiência térmica, durabilidade e alta performance. Hoje, há uma ampla variedade de soluções, como vidros de alta performance, sistemas metálicos e revestimentos tecnológicos, que protegem a edificação e ampliam sua vida útil”, explica Amaral.
De acordo com Jéssica, a produção em ambiente controlado reduz falhas e manifestações patológicas. “O controle de interfaces, juntas e sistemas de fixação melhora significativamente a durabilidade e a previsibilidade do comportamento do edifício ao longo da vida útil”, detalha.
Customização industrializada redefine o canteiro
Outra tendência que ganha força é a customização industrializada, que combina identidade arquitetônica com produtividade. A lógica é permitir variações controladas dentro de sistemas modulares, mantendo eficiência de custo e prazo. “A customização industrializada permite variar geometrias, aberturas e elementos de sombreamento por meio do projeto paramétrico, sem perder o controle industrial”, explica Jéssica Dantas. Para ela, esse modelo é especialmente relevante em edifícios altos, onde imagem, desempenho e eficiência precisam coexistir.
Nesse cenário, as fachadas altas consolidam-se como um dos principais vetores de inovação da construção civil, integrando engenharia, tecnologia e arquitetura para responder às demandas técnicas, econômicas e ambientais dos empreendimentos verticais contemporâneos.

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Entrevistados
Jéssica Dantas é engenheira civil e Mestre em Inovação na Construção Civil pela Universidade de São Paulo (USP). Diretora do IBRACON e da ALCONPAT Brasil, atua na linha de frente da transformação do setor como Coordenadora de Qualidade e Desenvolvimento Tecnológico na Cyrela. Palestrante em eventos nacionais e internacionais. Professora e coordenadora da pós-graduação em Inovação e Industrialização da Construção Civil no IDD.
Ricardo Amaral é arquiteto graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), fundador do escritório Ricardo Amaral Arquitetos Associados e da Geplan – Gerenciamento e Planejamento de Obras. Membro da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), possui mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de projetos urbanos e corporativos.
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Jornalista responsável
Ana Carvalho
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MCMV: teto dos imóveis das faixas 1 e 2 é ampliado
O Conselho Curador do FGTS (CCFGTS) aprovou em dezembro de 2025 a atualização dos valores máximos dos imóveis enquadrados nas faixas 1 e 2 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), voltado a famílias com renda mensal de até R$ 4.700.
As mudanças entraram em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026 e revisam os tetos de preços para municípios com mais de 750 mil habitantes e para aqueles com população entre 300 mil e 750 mil, nas categorias de metrópoles e capitais regionais. Os reajustes variam entre 4% e 6%.
Com isso, os valores máximos passam a variar entre R$ 255 mil e R$ 270 mil, o que deve estimular a oferta de moradias e ampliar o alcance do programa.
“Essas famílias vão poder financiar imóveis um pouco mais caros e um pouco melhores. Famílias que moram em Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza ou Salvador, por exemplo, vão poder financiar imóveis de até R$ 270 mil para as faixas 01 e 02. Lembrando que o faixa 3 financia imóveis de até R$ 350 mil, enquanto o faixa 4, classe média, até R$ 500 mil. Com as regras aprovadas, o Conselho fecha os ajustes do MCMV que vão vigorar a partir de janeiro. As famílias vão poder financiar imóveis melhores no Brasil inteiro, vão ter mais subsídio – com destaque para a região Norte. Vamos dar quase R$ 20 mil a mais de subsídio para a região norte do que estávamos dando antes. As famílias vão poder adquirir sua casa com maior apoio do Minha Casa, Minha Vida. Vamos ter em 2026 um orçamento recorde para o programa”, anunciou Hailton Madureira, secretário executivo do Ministério das Cidades.
Ainda de acordo com Ministério, os ajustes aprovados agora passam a integrar o conjunto de medidas anunciadas em novembro pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (CCFGTS), que tem a definição de um orçamento recorde do FGTS para 2026, no valor de R$ 160,5 bilhões — sendo R$ 144,5 bilhões direcionados especificamente para a área habitacional.
Para Madureira, 2026 será um ano de avanço na contratação de moradias pelo programa .“Em 2025, batemos 2 milhões de casas contratadas pelo programa, e queremos chegar a 3 milhões em 2026. Só o MCMV com crédito do FGTS e do fundo social, a gente pretende financiar 750 mil novas casas no Brasil”, comenta Madureira.
MCMV por regiões
O reajuste inclui mais 75 municípios e 51,8 milhões de habitantes, complementando decisões anteriores do Conselho e passando a abranger todo o país. Destaque para as capitais do Norte e Nordeste, todas contempladas, reforçando o papel do programa na redução do déficit habitacional e das desigualdades regionais.

Crédito: Ministério da Casa Civil
Na região Sul, o valor máximo a ser financiado foi reajustado. “Isso vai beneficiar quase todas as cidades do Brasil. O destaque aqui vai para Porto Alegre e Curitiba, cujo novo teto é de R$ 270 mil. Mas dou ainda mais destaque para a região Norte, que além de ter novos tetos, vai ter uma nova curva de subsídios – que pode chegar a R$ 65 mil. É o momento para as famílias brasileiras aproveitarem. Com a reforma do imposto de renda, haverá recursos liberados, tem a nova isenção para quem ganha até R$ 5 mil de não pagar imposto de renda. Então deve ter uma renda disponível nova”, aponta Madureira.
Expectativa do mercado
Para Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV/Ibre, em 2026, as vendas do mercado imobiliário devem se manter elevadas, impulsionadas pelo Minha Casa Minha Vida, mas o crédito para a média e alta renda deve se contrair.
A principal diferença entre 2025 e 2026, segundo Ana Maria Castelo, está no comportamento das famílias. Após um ano de estabilidade, provocado pela postergação de obras e reformas diante dos juros elevados, a expectativa é de retomada.
“No cenário-base, projetamos crescimento de 2,7% do PIB da construção em 2026, com desempenho das empresas em linha com 2025, mas com uma recuperação importante da demanda das famílias”, afirma Ana Maria Castelo. A estimativa considera avanço de cerca de 2,6% no consumo das famílias, após estagnação no ano anterior.
A FGV ainda trabalha com um cenário pessimista, de crescimento de 1,3%, e um cenário otimista, de 3,4%, a depender principalmente do ritmo de queda dos juros e da efetivação dos programas de crédito.
Em comunicado, o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) destacou que a ampliação para novas faixas de renda e as novas regras de crédito — que aumentará o funding para até 100% da poupança e o teto maior no valor do imóvel —, aliadas às mudanças no Imposto de Renda, buscam recompor a capacidade de compra da classe média e reduzir o déficit habitacional.
Efeitos da faixa 4 do MCMV em 2025
Em 2025, uma ampliação do Programa Minha Casa Minha Vida passou a incluir famílias com renda mensal de até R$ 12 mil e imóveis com valor de até R$ 500 mil.
Para as incorporadoras, esse movimento trouxe uma mudança no comportamento do consumidor, que se tornou mais exigente.
“É um comprador que não aceita o básico. Ele quer um bom condomínio clube, áreas de convivência e projetos bem resolvidos. Esse tipo de estrutura, que antes era comum apenas em segmentos superiores, virou um diferencial competitivo no MCMV. Hoje, o cliente quer morar bem desde o primeiro imóvel”, explica Luã Brandalise, COO da Blendi Incorporadora, que atua há seis anos em construções MCMV.
Para Marcos Vinicius, sócio-fundador da Habras, a mudança teve um impacto social positivo, além de impulsionar o mercado imobiliário, atraindo a classe média e aumentando a demanda.
“A Faixa 4 ampliou o público-alvo dos empreendimentos da construtora, especialmente para clientes com renda intermediária que buscavam imóveis de maior padrão sem abrir mão dos benefícios do programa. Isso trouxe mais segurança para as operações comerciais e aumentou a velocidade de vendas dos nossos empreendimentos que estão disponíveis para este público. Muitos compradores conseguiram enquadrar-se nas condições facilitadas, por isso o impacto nas vendas foi positivo. A estratégia é expandir a presença da Faixa 4 em diferentes regiões, trazendo novas opções para clientes que buscam imóveis com mais conforto e infraestrutura. A faixa 4 movimenta tanto a construção civil quanto o crédito habitacional, ampliando o mercado consumidor e acelerando o giro de vendas de empreendimentos”, explica o executivo.
Fontes
Hailton Madureira é secretário executivo do Ministério das Cidades.
Ana Maria Castelo é coordenadora de Projetos da Construção do FGV/ Ibre.
Marcos Vinicius é sócio-fundador da Habras.
Luã Brandalise é COO da Blendi Incorporadora.
Contatos
Hailton Madureira imprensa@cidades.gov.br
Ana Maria Castelo ana.castelo@fgv.br
Marcos Vinicius veronica.rocha@digitaltrix.com.br
Luã Brandalise amanda@noarcomunicacao.com
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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