Seis megatendências moldam o mercado imobiliário e apontam estratégias para lançamentos e investimentos no setor

O mercado imobiliário brasileiro entra em um novo ciclo de transformação. Não se trata apenas de variações de crédito ou de preço. O que muda é o perfil do morador, a forma de consumir moradia e o conceito de valor atribuído ao imóvel.

Estudos recentes realizados pela Brain Inteligência identificaram seis megatendências que já impactam lançamentos e investimentos no país. Elas influenciam desde o tamanho das unidades até o conceito de luxo voltado ao público de alta renda. “O mercado imobiliário está passando por uma transformação estrutural. Não é uma projeção. É algo que já está acontecendo”, afirma Guilherme Werner, sócio e consultor da Brain. Segundo ele, fatores demográficos, econômicos e comportamentais já alteram o padrão dos lançamentos no país e exigem revisão estratégica das empresas.

Famílias menores pressionam metragens

O Brasil registra queda contínua na taxa de fecundidade. As famílias estão menores, e o número de moradores por domicílio diminui. Esse movimento reduz a necessidade de grandes áreas privativas, com crescimento da demanda por apartamentos compactos e funcionais. A prioridade deixa de ser metragem ampla e passa a ser eficiência de planta.

O desafio para o mercado é duplo: adequar o produto à nova realidade demográfica e, ao mesmo tempo, comunicar que menos espaço pode significar menor custo total e melhor aproveitamento. “Com menor adensamento dos núcleos familiares, o impacto direto é a compactação das metragens”, explica Werner. Ele ressalta que não se trata apenas de lançar imóveis pequenos, mas de redesenhar plantas para garantir funcionalidade.

Legenda: Empreendimentos com investimento paisagístico começam a tomar maior protagonismo.
Crédito: Envato

A redução de área contribui para alinhar preços à capacidade de compra atual. Porém, o consultor observa que o consumidor ainda associa valor a espaço amplo. “O mercado precisa trabalhar o entendimento de que, muitas vezes, ele nem precisa de tanto espaço”.

Locação cresce entre médias e altas rendas

Outra tendência é o aumento da proporção de imóveis alugados. A capacidade de compra do consumidor imobiliário se deteriorou nos últimos anos, pressionada pela alta dos custos de construção e restrição de crédito. “Há uma tendência clara de aumento na locação. E não é só na baixa renda”, afirma Werner. Segundo ele, famílias de média e alta renda também optam por alugar, priorizando acesso ao imóvel em detrimento da posse formal.

Esse movimento fortalece modelos como multifamily e empreendimentos estruturados para locação de longo prazo. “As pessoas querem ter acesso ao imóvel. Não necessariamente declará-lo como bem próprio”, aponta.

Acesso supera a posse

A mudança geracional reforça esse cenário. Consumidores mais jovens valorizam mobilidade e flexibilidade. “A lógica do acesso, combinada à busca por experiências, altera o ciclo de permanência nos empreendimentos”, afirma Werner ao analisar o comportamento de compra. Para as incorporadoras, isso exige oferta de serviços agregados, tecnologia e gestão eficiente. O produto deixa de ser apenas a unidade privativa.

Fachadas biofílicas ganham espaço

A busca por áreas verdes e espaços de descompressão se intensificou após a pandemia. Projetos paisagísticos mais robustos ganham protagonismo. “Os empreendimentos com investimento paisagístico começam a tomar maior protagonismo no mix do mercado imobiliário”, diz Werner. O conceito de biofilia — que propõe a integração entre arquitetura e natureza — traduz essa tendência, se manifestando na valorização da ventilação natural e áreas abertas de convivência. A demanda aparece em diferentes padrões de construção e renda.

Leia mais sobre a tendência da biofilia nas edificações: https://www.cimentoitambe.com.br/edificio-arvore-traz-agua-filtrada-e-ar-mais-puro-aos-moradores/

Diferenciais ambientais

A sustentabilidade consolidou-se como vetor estratégico. No início, o apelo esteve concentrado na economia, e soluções como energia solar e sistemas de eficiência hídrica contribuíam para a redução de custos condominiais. Agora, a motivação inclui preocupação ambiental genuína. “A sustentabilidade começa a ganhar proporção junto aos públicos, sobretudo de maior renda”, afirma Werner. Ele destaca que o imóvel é um ativo de longa duração e precisa ser pensado para décadas. Isso significa que compradores vêm demonstrando disposição para pagar mais por diferenciais ambientais.

Quiet luxury redefine o alto padrão

No segmento premium, o conceito de quiet luxury avança. O luxo deixa de ser exibido e passa a ser experimentado. “É o luxo de não aparecer”, resume Werner. O foco está em arquitetura assinada, curadoria de serviços e parcerias estratégicas em áreas comuns, como spas, academias e adegas.

Leia mais: https://www.cimentoitambe.com.br/tendencia-curadoria-de-imoveis-redefine-experiencia-de-compra-no-mercado-imobiliario-para-clientes-de-alto-padrao/

As seis megatendências não atuam de forma isolada, elas se conectam. O resultado é um mercado mais segmentado e exigente. Para se destacar, incorporadoras precisam apoiar decisões em dados, leitura demográfica e análise de comportamento. É preciso entender quem compra, como compra e por que compra. “Quem compreender essas mudanças e traduzir isso em produto vai sair na frente”, conclui Werner.

Entrevistado
Guilherme Werner é especialista em Planejamento e Gestão de Negócios pela FAE Business School, com formação em Comunicação Social pela Universidade Positivo. Possui formação complementar ampla nas áreas de planejamento estratégico, incorporação de edifícios e desenvolvimento urbano, além de Conselheiro Imobiliário. Atua como professor em diversos cursos de especialização, extensão e MBAs ligados ao segmento. É sócio e consultor da Brain, e já atuou em estudos de mercado em todo o país.

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Construção industrializada materializa a construção 4.0 por meio de processos e tecnologia de produtos

A industrialização no Brasil deixou de ser apenas um campo experimental e se consolidou como uma estratégia estruturante do setor da construção. A incorporação de tecnologias de processo e de produto vem redefinindo a forma de conceber, produzir e montar edificações, gerando impacto direto na produtividade, na qualidade e na previsibilidade dos empreendimentos. Nesse cenário, a construção industrializada se apresenta como a materialização da construção 4.0, ao integrar projeto digital, produção em ambiente fabril e montagem racionalizada no canteiro.

Segundo o professor Paulo Eduardo Fonseca de Campos, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAUUSP), o debate ganhou intensidade nos últimos anos por uma conjunção de fatores estruturais. “Em função do apagão de mão de obra que o setor atravessa, nunca se falou tanto em construção industrializada como agora. Trata-se de um movimento que responde a uma necessidade concreta do mercado”, afirma.

Tecnologias de processo redefinem o canteiro

As tecnologias de processo são pilares centrais dessa transformação. Todos os componentes estruturais, de fechamento e complementares passam a ser produzidos em ambiente fabril, com controle rigoroso de qualidade e de cronograma. “O que caracteriza a construção industrializada é justamente a transferência das atividades do canteiro de obras para a fábrica. Quando isso acontece, o canteiro deixa de ser um local de produção e passa a ser um espaço de montagem”, explica Campos. Esse deslocamento altera profundamente a lógica da obra, reduz interferências externas e permite maior previsibilidade de custos e prazos.

Dentro dessa abordagem, destaca-se o conceito de edifício-produto, baseado em padronização flexível. “A edificação deixa de ser um projeto único e passa a ser concebida como um produto que utiliza componentes e sistemas escaláveis, replicáveis e configuráveis”, diz o professor. Painéis, módulos tridimensionais completos e sistemas construtivos híbridos compõem esse repertório, permitindo diferentes arranjos a partir de uma mesma base industrial.

Industrialização se consolida como novo modelo produtivo para a arquitetura e construção no Brasil
Crédito: Envato.

Tecnologias de produto ampliam o repertório material

Paralelamente, as tecnologias de produto ampliam de forma significativa as possibilidades de aplicação dos materiais, com destaque para o concreto. O desenvolvimento de concretos de alto e ultra desempenho tem permitido a produção de peças mais leves, esbeltas e com maior densidade tecnológica. “Hoje temos concretos de alto desempenho, concretos de pós-reativos, microconcretos e materiais compósitos de base cimentícia, como o concreto reforçado com fibra de vidro. Isso amplia enormemente a paleta de produtos disponíveis para a construção industrializada”, afirma Campos.

Esses avanços possibilitam soluções arquitetônicas mais complexas, com precisão dimensional e elevado nível de acabamento já na fábrica. O uso de materiais híbridos também se intensifica, combinando concreto, aço e madeira engenheirada conforme as potencialidades de cada sistema e material. “Não é necessário que o edifício seja monomaterial. Ao combinar materiais, é possível explorar o melhor desempenho de cada um deles”, observa o professor.

Construção 4.0 ganha forma no setor

A convergência entre tecnologias de processo e de produto encontra na digitalização seu elo integrador. Ferramentas como BIM, DfMA (Design for Manufacturing and Assembly),manufatura digital e impressão 3D tornam possível planejar e controlar o processo de forma integral, estruturando um fluxo contínuo em todas as fases da obra.

O BIM se consolida como ferramenta central. “O Building Information Modeling foi feito para a construção industrializada, pela sua capacidade de integrar projeto, manufatura e montagem”, afirma Campos. A ferramenta permite ajustes precisos ainda na fase de concepção, reduz retrabalhos e eleva o nível de controle sobre custos, prazos e qualidade do empreendimento.

Mais do que uma tendência tecnológica, a industrialização se consolida como um novo modelo produtivo para a arquitetura e a construção no Brasil. Ao combinar processos industriais, inovação em materiais e digitalização, o setor avança rumo a um modelo mais integrado, previsível e alinhado às demandas contemporâneas de desempenho e eficiência.

Entrevistado
Paulo Eduardo Fonseca de Campos é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela PUC-Campinas, mestre em Engenharia de Construção Civil e Urbana pela EPUSP, Doutor em Arquitetura e Urbanismo e pós-doutor pela School of Architecture, Planning and Landscape da Newcastle University, no Reino Unido. É professor associado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAUUSP), onde implantou e coordenou o laboratório de fabricação digital FAB LAB SP e o Grupo de Pesquisa DIGI-FAB - Tecnologias digitais de fabricação aplicadas à produção do Design e Arquitetura Contemporâneos. Foi superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil (CB-02) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Atuou no Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) do Ministério das Cidades, onde foi membro do Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico da Habitação (CTECH).

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Projeto reforça atuação contra judicialização de vícios construtivos

Diante do crescimento expressivo da judicialização relacionada a vícios construtivos e das consequências diretas para a segurança jurídica do setor, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) vem consolidando, em âmbito nacional, o Projeto Vícios Construtivos e Garantias Pós-Obra como uma iniciativa permanente e estratégica. O objetivo é enfrentar práticas abusivas, qualificar o debate técnico e jurídico e estimular soluções mais racionais no período pós-obra, com atenção especial à Habitação de Interesse Social.

Criado como resposta ao aumento de ações judiciais muitas vezes desprovidas de embasamento técnico, o projeto busca equilibrar direitos, preservar o acesso à Justiça e, ao mesmo tempo, conter a litigância predatória que gera custos excessivos para empresas e ameaça a sustentabilidade de políticas públicas como o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Desde 2018, o fenômeno tem se intensificado. Até fevereiro de 2025, mais de 146 mil ações judiciais foram ajuizadas contra o Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), com um prejuízo potencial estimado em R$ 15 bilhões, além de milhões de reais gastos com honorários advocatícios, perícias e custas processuais. Segundo a CBIC, grande parte dessas ações apresenta alegações genéricas e pareceres técnicos sem evidência concreta.

Atuação institucional e novo ciclo em 2026

Para Leonardo Romeo, membro do Conselho Jurídico da CBIC e coordenador nacional do projeto, a abertura do ciclo de 2026 consolida a iniciativa como um eixo central de articulação jurídica e institucional do setor. “O projeto deixa de ser apenas uma iniciativa de acompanhamento e passa a operar como uma atuação permanente, estruturada sobre três pilares: presença, respeito ao setor da construção civil e força institucional”, afirmou.

Segundo Romeo, a judicialização em massa exige uma resposta organizada e coordenada. “Quando a judicialização se espalha de forma desordenada, o setor responde com organização, técnica e atuação coletiva”, destacou.

Presença nos centros de decisão

Ao longo do último ciclo, o projeto avançou no mapeamento de processos estratégicos, no acompanhamento sistemático de recursos repetitivos e temas representativos de controvérsia, além da análise qualificada de projetos de lei com impacto direto sobre garantias, prescrição, decadência e responsabilidades no pós-obra.

Número de processos relacionados ao MCMV saltou de 724 em 2014 para mais de 147 mil em 2025. Crédito: AESCOM/MCid

Essa atuação levou a CBIC a agendas presenciais no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no Conselho da Justiça Federal (CJF) e em todos os Tribunais Regionais Federais, além de interlocução contínua com a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades. “Levamos aos principais centros de decisão uma mensagem clara: a judicialização em massa não é apenas um problema jurídico, mas um fator que compromete a política pública habitacional”, explicou Romeo.

Judicialização e precedentes judiciais

Um dos focos centrais do projeto é o acompanhamento de recursos repetitivos e temas representativos de controvérsia, que têm potencial de impactar milhares de ações simultaneamente. Para Romeo, esses precedentes são decisivos para a previsibilidade do setor. “Quando definidos a partir de premissas genéricas ou provas padronizadas, produzem efeitos multiplicadores negativos. Nossa atuação busca critérios mais objetivos e previsíveis, capazes de conter distorções que alimentam a litigância abusiva”, afirmou.

Nesse contexto, os processos ligados ao Minha Casa, Minha Vida ocupam posição estratégica. “Sem segurança jurídica, não há política habitacional sustentável. A judicialização excessiva encarece o financiamento, desestimula novos empreendimentos e coloca em risco a continuidade do programa”, alertou.

De acordo com a Caixa Econômica Federal, o número de processos relacionados ao MCMV saltou de 724 em 2014 para mais de 147 mil em 2025. Em 2024, a Caixa Econômica Federal desembolsou R$ 92,4 milhões em ações sobre vícios construtivos na Faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida. Desde 2014, as indenizações somam R$ 310 milhões, com crescimento expressivo no período.

Tema Repetitivo nº 1.396 no STJ

Como parte dessa atuação, a CBIC protocolou pedido de intervenção como amicus curiae no Tema Repetitivo nº 1.396, em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O julgamento definirá se é necessária a comprovação de tentativa prévia de solução extrajudicial para caracterizar o interesse de agir em ações de natureza prestacional nas relações de consumo.

Para Romeo, trata-se de um tema sensível e estratégico. “Se o STJ entender que a tentativa prévia não é obrigatória, a consequência prática tende a ser o estímulo ao ajuizamento imediato e em larga escala de ações, inclusive em casos que poderiam ser resolvidos tecnicamente fora do Judiciário”, explicou.

Segundo ele, esse cenário ampliaria custos sistêmicos, sobrecarregaria o Judiciário e incentivaria litígios artificiais. “O acesso à Justiça deve ser preservado, mas a segurança jurídica não é um detalhe — é o alicerce que sustenta a política habitacional, o setor da construção e o próprio sistema de Justiça”, afirmou.

Fonte

Leonardo Romeo é membro do Conselho Jurídico da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e coordenador nacional do Projeto Vícios Construtivos e Garantias Pós-Obra.

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ECC aposta na ductilidade e autocura para ampliar durabilidade estrutural

Conhecido internacionalmente como bendable concrete (concreto dobrável ou flexível, em tradução livre), o Engineered Cementitious Composite (ECC) vem ganhando espaço em pesquisas e aplicações ao redor do mundo por apresentar um comportamento pouco comum aos materiais cimentícios: ele dobra antes de romper. No Brasil, a tecnologia ainda dá seus primeiros passos, mas já mobiliza pesquisadores e especialistas interessados em ampliar a vida útil das estruturas e reduzir custos de manutenção.

“O ECC entrou nas mídias internacionais como um concreto que dobrava. Havia imagens de peças esbeltas sendo flexionadas sem romper de forma frágil, algo muito diferente do concreto convencional”, explica Hinoel Zamis Ehrenbring, especialista em compósitos cimentícios e desempenho do concreto.

Desenvolvido há cerca de 30 anos pelo pesquisador Victor Li, nos Estados Unidos, o ECC nasceu de uma inquietação: como tornar o concreto menos frágil e mais resiliente, especialmente diante de solicitações intensas, movimentações estruturais e até sismos?

Microfissuras controladas: o segredo do desempenho

ECC é utilizado para ampliar a vida útil das estruturas e reduzir custos de manutenção.
Crédito: Hinoel Zamis Ehrenbring

Diferentemente do concreto tradicional, que tende a concentrar a tensão em uma única fissura que rapidamente se propaga até a ruptura, o ECC foi concebido para distribuir essas tensões em milhares de microfissuras extremamente finas.

“No concreto convencional, surge uma fissura principal que se abre e leva ao colapso frágil. No ECC, usamos fibras dispersas na matriz cimentícia que promovem a formação de inúmeras microfissuras, todas com abertura controlada”, afirma Ehrenbring.

Essas fissuras chegam a cerca de 0,1 mm, valor inferior ao limite mais restritivo previsto na NBR 6118 para ambientes de alta agressividade. “Estamos falando de fissuras da ordem de um fio de cabelo. Isso muda completamente o comportamento do material e sua relação com a durabilidade”, destaca.

O controle é garantido pela incorporação de fibras — geralmente de PVA (álcool polivinílico) ou polipropileno — que atuam como “pontes” de transferência de tensão. “São milhares de fibras por centímetro cúbico. Quando a matriz fissura, essas fibras ‘grampeiam’ a abertura e impedem que ela se propague, causando a formação de novas microfissuras”, explica o engenheiro.

Ductilidade semelhante ao aço

Uma das principais características do ECC é a ductilidade à tração — capacidade de deformar antes de romper, mantendo ou até aumentando a resistência ao longo do carregamento.

“O ECC vai deformando, microfissurando, mas não perde resistência. Ele avisa antes de romper. Esse comportamento é muito importante do ponto de vista da segurança estrutural”, afirma Ehrenbring.

Essa propriedade foi inicialmente pensada para regiões com alta atividade sísmica, como Japão e Estados Unidos, especialmente em zonas críticas de ligação entre vigas e pilares. “A ideia era inserir um material mais maleável nesses pontos, que pudesse absorver deformações sem colapso abrupto”, destaca Ehrenbring.

Embora o Brasil não enfrente sismos com a mesma intensidade, o especialista enxerga aplicações promissoras em infraestrutura, especialmente em pontes, viadutos e pavimentos de concreto.

Juntas de dilatação e pavimentos: aplicações estratégicas

Segundo Ehrenbring, as juntas de dilatação são hoje um dos principais pontos críticos de manutenção em obras de arte especiais. “Muitas manifestações patológicas e até colapsos estão ligados à falta de manutenção dessas juntas. O ECC pode funcionar como uma placa dúctil sobre a junta, permitindo movimentação com estanqueidade à água e menor necessidade de intervenção”, explica Ehrenbring.

Outra frente é o whitetopping — técnica de reabilitação de pavimentos com a aplicação de uma camada delgada de concreto sobre o revestimento existente. “Enquanto soluções convencionais trabalham com espessuras acima de 10 cm, o ECC pode atuar com menos de 5 cm. Usamos menos material e entregamos maior desempenho”, informa Ehrenbring.

Apesar do custo por metro cúbico ser superior ao do concreto convencional — em grande parte devido às fibras — o consumo reduzido e a maior durabilidade podem compensar ao longo do ciclo de vida.

“Entre 60% e 80% do custo do ECC está nas fibras. Mas a lógica não é um grande volume deste compósito, e sim pouco material mais eficiente”, pontua Ehrenbring.

Sustentabilidade direta e indireta

O ECC também evoluiu sob a ótica ambiental. Se nas primeiras formulações o consumo de cimento ultrapassava 1.000 kg/m³, hoje a incorporação de materiais cimentícios suplementares — como cinza volante, argilas calcinadas e sílica ativa — reduziu significativamente esse volume.

“Por utilizarmos menor volume de ECC nas aplicações e trabalharmos com traços mais otimizados, conseguimos reduzir emissões de CO₂ diretamente”, explica Ehrenbring.

Há ainda um ganho indireto: maior durabilidade significa menos intervenções, menos consumo de insumos e menor geração de resíduos ao longo do tempo. “No Brasil, temos um histórico de baixa cultura de manutenção preventiva. Sistemas que demandem menos intervenções periódicas já representam um avanço importante em sustentabilidade”, aponta Ehrenbring.

Autocicatrização: o próximo passo

Além do controle de fissuração, pesquisas recentes avançam na incorporação de mecanismos de autocicatrização.

“Se eu tenho microfissuras muito finas, a chance de elas se fecharem ao longo do tempo é maior. Estamos estudando estratégias com cristalizantes, adições minerais e até micro-organismos que favoreçam essa colmatação”, afirma o engenheiro.

Para Hinoel Zamis Ehrenbring, o Brasil ainda está nos primeiros passos com relação ao ECC e a aplicação em larga escala depende de validação prática e confiança do mercado.

Como as fissuras do ECC são significativamente menores do que os limites tradicionalmente tratados por aditivos cristalizantes, a tendência é que a selagem seja ainda mais eficiente.

Disseminação no Brasil

Em 2023, Ehrenbring publicou, ao lado de Bernardo Tutikian, um livro dedicado ao tema, Concreto flexível com fibras: princípios, dosagens e aplicações do Engineered Cementitious Composites", reunindo pesquisas nacionais e internacionais. A proposta é difundir conhecimento técnico de forma acessível e incentivar aplicações práticas.

“O Brasil ainda está nos primeiros passos. Temos estudos em várias universidades, mas a aplicação em larga escala depende de validação prática e confiança do mercado. Assim como ocorreu com o concreto de ultra-alto desempenho (UHPC), é um processo que leva tempo”, avalia Ehrenbring.

Para ele, a consolidação do ECC no país pode levar de cinco a dez anos, mas a tendência global é clara. “O futuro aponta para compósitos cimentícios com controle de fissuração e capacidade de cicatrização. É uma mudança de paradigma: sair do combate à fissura e passar a gerenciá-la de forma inteligente.”

Se consolidado, o ECC pode representar um avanço significativo na engenharia estrutural, combinando desempenho mecânico, durabilidade e novas estratégias de sustentabilidade em um único material.

Fonte

Hinoel Zamis Ehrenbring possui doutorado em Engenharia Civil, com ênfase em materiais e sustentabilidade, pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Pela mesma instituição, possui mestrado e graduação também em engenharia civil. É professor do curso de graduação de Engenharia Civil da UNISINOS, bem como nos cursos de especialização da mesma instituição. Também atua como professor dos cursos de extensão e especialização do IDD. Em ambas as instituições ministra disciplinas voltadas aos temas de estruturas, materiais, desempenho e técnicas construtivas. É autor do livro "Concreto flexível com fibras: princípios, dosagens e aplicações do Engineered Cementitious Composites". Também, é autor do Capítulo "Concreto Autoadensável" do livro CONCRETO: CIÊNCIA E TECNOLOGIA (IBRACON). Em 2020, assumiu a diretoria regional do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) no estado do Rio Grande do Sul. Também é delegado regional da Associação Brasileira da Patologia das Construções (ALCONPAT - Brasil). É o responsável técnico do itt Performance/Unisinos. Também, presta consultoria em materiais de construção civil (compósitos cimentícios) e sistemas construtivos, com foco em desempenho.

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hzamis@unisinos.br

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Construção projeta crescimento de 2% em 2026 após ano marcado por desaceleração

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 2% para a construção civil brasileira em 2026. Se confirmada, a alta representará aceleração em relação a 2025, quando a estimativa foi de avanço de 1,3%, e marcará o terceiro ano consecutivo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do setor.

De acordo com a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o cenário combina desafios e oportunidades. “Será um desempenho melhor do que o observado em 2025, ainda que o ambiente macroeconômico permaneça desafiador”, afirmou ela durante coletiva de imprensa.

O cenário traçado pela entidade combina fatores positivos, como início do ciclo de redução da taxa básica de juros, orçamento recorde do FGTS para habitação e continuidade dos investimentos em infraestrutura, com desafios estruturais, entre eles a elevada carga tributária, o custo da mão de obra e o ritmo mais moderado da economia nacional.

Desaceleração em 2025 e mercado de trabalho resiliente

Infraestrutura foi o único segmento da construção a ampliar o saldo de empregos em 2025.
Crédito: Envato

Dados apresentados pela CBIC mostram que a construção cresceu 1,3% em 2025, sendo que o principal fator de desaceleração foi o patamar elevado da taxa básica de juros. “Os juros no maior nível em quase 20 anos impactaram decisões de investimento e o ritmo de novos empreendimentos”, observa.

Apesar disso, o mercado de trabalho manteve desempenho robusto. O Brasil encerrou 2025 com taxa de desemprego de 5,1%, a menor da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012, e com quase 103 milhões de pessoas ocupadas. Na construção, o número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 2,945 milhões, alta de 3% em relação a 2024.

Custos pressionados e crédito em transição

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 5,92% em 2025, superando a inflação oficial de 4,26%. O principal vetor foi o custo da mão de obra, que subiu 8,98%. Para Ieda Vasconcelos, esse movimento exige atenção. “A pressão maior veio da mão de obra, reflexo de um mercado de trabalho aquecido. Isso impõe desafios às empresas na gestão de custos”, disse.

No crédito imobiliário, os financiamentos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) recuaram 13% em 2025, somando R$ 156 bilhões. Já os recursos do FGTS cresceram 8,75%, alcançando R$ 138 bilhões. A expectativa da CBIC é de melhora gradual nesse cenário, impulsionada por mudanças no modelo de financiamento habitacional.

Infraestrutura mantém papel de sustentação

Os investimentos em infraestrutura alcançaram R$ 280 bilhões em 2025, crescimento de cerca de 3% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base. Desse total, 84% tiveram origem no setor privado. O segmento foi o único da construção a ampliar o saldo de empregos em relação a 2024, reforçando seu papel como vetor de estabilidade em momentos de menor dinamismo imobiliário.

Ouça também o podcast sobre cenário econômico para 2026: https://www.cimentoitambe.com.br/cenario-economico-da-construcao-civil-2026-2-2/

Ambiente de negócios e fatores que sustentam o crescimento

Além dos indicadores econômicos, a CBIC aponta fatores institucionais e estruturais como determinantes para o desempenho da construção em 2026. A elevada carga tributária passou a ser o principal problema do setor no quarto trimestre de 2025, à frente dos juros altos e da escassez de mão de obra. Ainda assim, a entidade avalia que há fundamentos capazes de sustentar a expansão. “Mesmo com desafios fiscais e um crescimento mais moderado da economia nacional, existem estímulos importantes em curso, como o orçamento recorde do FGTS para habitação, a continuidade das obras de infraestrutura e programas voltados à moradia”, afirmou Ieda Vasconcelos.

A combinação entre crédito direcionado, investimentos públicos e privados e demanda habitacional reprimida sustenta a expectativa de que a construção civil volte a ganhar tração em 2026, mantendo-se como um dos setores com maior capacidade de geração de empregos e dinamização da economia.

Fonte
Ieda Vasconcelos é economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

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Novo Roadmap Net Zero redefine estratégia climática da indústria do cimento

A indústria brasileira do cimento deu um passo decisivo na agenda climática com o lançamento do novo Roadmap Net Zero, que atualiza e amplia de forma significativa a estratégia setorial de descarbonização até 2050. Diferentemente da primeira versão, apresentada em 2019, o novo documento deixa de olhar apenas para o processo industrial e passa a considerar todo o ciclo de vida do cimento, do clínquer à obra, incluindo energia, sistemas construtivos e soluções baseadas na natureza.

Segundo Gonzalo Visedo, Head de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland/Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (ABCP/SNIC), a reformulação foi motivada pelo amadurecimento técnico do setor e pela necessidade de alinhar o cimento brasileiro às metas globais de neutralidade climática.

Do ‘portão para dentro’ à cadeia completa

O Roadmap de 2019 estava estruturado em quatro frentes: uso de adições, combustíveis alternativos, eficiência energética e captura, uso ou estocagem de carbono (CCUS). Embora esses eixos permaneçam centrais, o novo Roadmap Net Zero incorpora Reduções Indiretas através do uso de energias limpas como eólica e solar, Remoções e Compensações, através do CCUS e de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e a Desmaterialização, considerando uma maior eficiência nos concretos e sistemas construtivos.

Na prática, isso significa olhar para além da fábrica. “Passamos a considerar, além das reduções diretas no clínquer e no cimento, as reduções indiretas via eletricidade limpa, as remoções e compensações por meio do CCUS e das Soluções Baseadas na Natureza, além da desmaterialização, com maior eficiência no uso do concreto e dos sistemas construtivos”, explica Visedo.

Onde estão as maiores oportunidades de redução

De acordo com as projeções do Roadmap Net Zero para 2050, a contribuição potencial para a neutralidade climática do setor se distribui da seguinte forma:

  • Reduções diretas (clínquer e cimento): 30%
  • Reduções indiretas (eletricidade): 5%
  • Desmaterialização (concreto e construção): 19%
  • Remoções e compensações (CCUS, SbN e metanização): 46%

Apesar do peso crescente das remoções, as prioridades imediatas seguem sendo as ações sob controle direto da indústria. “As prioridades do setor continuam sendo, certamente, as Reduções Diretas, que contemplam o processo produtivo do clínquer e cimento e onde temos participação direta no esforço de descarbonização. Estamos falando das soluções ‘portão pra dentro’, como o aumento do uso de adições, do coprocessamento de combustíveis alternativos e de medidas de eficiência térmica”, destaca Gonzalo.

Novo Roadmap Net Zero incorpora Reduções Indiretas através do uso de energias limpas como eólica e solar.
Crédito: Envato

Ao mesmo tempo, o executivo chama atenção para o tamanho do desafio que é descarbonizar as emissões remanescentes do setor, aqui consideradas no eixo Remoções e Compensações, com uma participação relativa de 46% do potencial de redução.

“Neste capítulo específico, o Roadmap Net Zero inova ao trazer, além do CCUS - que vem sendo estudado há tempos pelo setor, mas que tem demonstrado enorme complexidade para se materializar nos países em desenvolvimento - as Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e o papel estruturante que as remoções biogênicas e compensações florestais podem ter no esforço para alcançar a neutralidade carbônica da indústria brasileira. Principalmente considerando as condições climáticas e de biodiversidade do país e o potencial custo-efetivo desta solução frente ao CCUS, representando um diferencial competitivo nacional em relação a soluções tecnológicas de elevado custo”, afirma.

Marcos temporais e horizonte de médio prazo

A modelagem do Roadmap foi desenvolvida a partir de ferramenta da Global Cement and Concrete Association (GCCA) e trabalha com horizontes de curto e longo prazo, especialmente 2030 e 2050.

“Para estes períodos, foram realizadas inúmeras interações e consultas ao setor e a especialistas, tentando projetar as tendências, oportunidades, desafios e potencial de penetração de cada uma das principais alavancas de descarbonização do setor”, relata Visedo.

Como diferencial, o Roadmap Net Zero Brasil incluiu também uma linha de tendência para 2040, permitindo uma leitura mais clara do médio prazo.

Monitoramento, governança e revisões

O Roadmap não estabelece metas obrigatórias, mas funciona como um instrumento orientativo, capaz de projetar e simular diferentes cenários integrados, além de dimensionar o impacto de diferentes estratégias ao longo do tempo. Dessa forma, subsidia a formulação de planos de ação voltados à implementação das diversas alternativas de mitigação.

O acompanhamento dos indicadores é realizado com base no banco de dados ambiental internacional do setor, o GNR/GCCA, considerado o maior do mundo em um segmento industrial.

“Este monitoramento nos ajuda a avaliar periodicamente o progresso em cada um dos principais KPI’s do Roadmap, compreender quais estratégias têm se mostrado mais eficazes frente a outras, quais soluções tecnológicas se revelam mais factíveis e buscar formas de alavancar aquelas soluções que estejam prosperando mais lentamente”, ressalta Visedo.

Diálogo com construtoras, projetistas e incorporadoras

Pela primeira vez, o Roadmap brasileiro explicita o papel da cadeia da construção na descarbonização do cimento, incluindo construtoras, projetistas e incorporadoras.

“O cimento, como insumo fundamental da construção civil, tem um papel transversal na agenda de sustentabilidade da cadeia como um todo. Ao abordar, pela primeira vez, potenciais de descarbonização do cimento ao longo desta cadeia, o Roadmap simboliza um convite para a incorporação de novos atores, segmentos e especialistas para, de forma conjunta, buscarmos soluções para um objetivo comum”, afirma Gonzalo. “Quanto mais integrados estiverem os setores, maior será o alcance e mais rápido o atingimento dos objetivos.”

Desafios para sair do papel

Para que o Roadmap Net Zero se concretize, o setor aponta a necessidade de condições estruturantes claras. O documento elenca seis ações-chave para viabilizar a transição:

  1. Modernização regulatória e segurança jurídica;
  2. Apoio financeiro e incentivos econômicos direcionados;
  3. Integração da cadeia de valor;
  4. Valorização do atributo sustentável e estímulo à demanda;
  5. Inovação aplicada e desenvolvimento tecnológico;
  6. Coordenação de políticas e governança integrada.

“Todas elas, de certa forma, demandam políticas públicas específicas, aspectos regulatórios ou instrumentos financeiros habilitantes”, conclui Gonzalo Visedo.

Fonte

Gonzalo Visedo é Head de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland/Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (ABCP/SNIC).

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Whitetopping ultradelgado amplia durabilidade de vias urbanas e reduz custos de manutenção

A reabilitação de vias urbanas representa um desafio constante para gestores públicos, que precisam conciliar restrições orçamentárias com a demanda por soluções duráveis e que minimizem intervenções recorrentes no pavimento. Nesse cenário, o whitetopping ultradelgado tem se destacado como uma solução técnica e econômica para recuperar pavimentos asfálticos deteriorados, ampliando a vida útil das vias e diminuindo gastos com novas manutenções ao longo do ciclo de serviço da via.

A técnica consiste na aplicação de uma camada fina de concreto de cimento Portland diretamente sobre o asfalto existente. No caso do whitetopping ultradelgado, essa camada varia, em geral, de 5 a 10 centímetros, podendo chegar a espessuras ainda menores em estudos experimentais. Segundo o engenheiro Pedro Matiazzi da Silva, doutorando pela Unisinos e diretor regional do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) no Mato Grosso, trata-se de uma estratégia de reabilitação consolidada no exterior e em evolução no Brasil. “O whitetopping ultradelgado é uma técnica de reabilitação de pavimentos flexíveis, em que se executa uma camada fina de concreto sobre o pavimento asfáltico para recuperar sua capacidade estrutural”, afirma.

Origem e evolução da tecnologia

Whitetopping ultradelgado se apresenta como alternativa de planejamento de longo prazo.
Crédito: Divulgação DER

O whitetopping surgiu nos Estados Unidos ainda no século passado e começou a ser estudado no Brasil a partir da década de 1990. Com o avanço das pesquisas, a redução das espessuras tornou-se o principal foco de desenvolvimento, dando origem ao whitetopping ultradelgado.“Quando falamos em ultradelgado, estamos tratando de espessuras menores, uso de fibras e outros componentes que melhoram o desempenho do concreto”, explica.

Esses estudos buscam aprimorar propriedades como resistência mecânica, controle de fissuração, aderência entre as camadas e desempenho estrutural sob tráfego intenso, garantindo a integridade do sistema mesmo com redução das espessuras e menor consumo de material.

Vantagens técnicas e econômicas

Entre os principais diferenciais do whitetopping ultradelgado está o potencial de durabilidade superior quando comparada ao recapeamento asfáltico convencional, especialmente tratamentos superficiais como o microrevestimento. “É um material que apresenta vida útil muito maior, reduzindo significativamente a necessidade de manutenção”, destaca o engenheiro.

Do ponto de vista econômico, embora o custo inicial possa ser mais elevado, análises de custo de ciclo de vida indicam vantagens em médio e longo prazo. A maior durabilidade e a menor frequência de intervenções compensam o investimento ao longo dos anos. Além disso, o reaproveitamento do pavimento asfáltico existente reduz a necessidade de remoção integral da estrutura, diminuindo custos associados à demolição e à reconstrução. “Quando se avalia o custo ao longo do tempo, fica evidente a economia, já que a manutenção é menor e o intervalo entre intervenções é muito maior”, afirma Silva.

Outro aspecto relevante é o desempenho térmico. Superfícies de concreto tendem a apresentar maior refletância solar e menor absorção de calor quando comparadas ao revestimento asfáltico. Essa característica contribui para a redução de deformações plásticas associadas à altas temperaturas e favorece a estabilidade do pavimento sob tráfego.

Rigidez, fadiga e durabilidade

Pesquisador Pedro Matiazzi da Silva.
Crédito: Acervo pessoal

O comportamento estrutural do whitetopping ultradelgado está associado ao elevado módulo de elasticidade do concreto, que resulta em maior rigidez ao sistema e menor deformação sob carga. A incorporação de fibras sintéticas contribui para o controle de fissuras, aumentando a tenacidade e pode ampliar a resistência à fadiga. “Trabalhar com fibras permite aumentar o desempenho à fadiga, principalmente em espessuras menores, controlando a propagação de fissuras”, explica o pesquisador. Em termos de durabilidade, estudos indicam vida útil superior a 12, 15 e até 20 anos, superando com folga o desempenho do micro revestimento asfáltico, geralmente estimado em cerca de 10 anos.

Aderência entre camadas e novos compósitos

Um dos principais desafios técnicos do whitetopping ultradelgado é garantir a aderência entre o concreto e o pavimento asfáltico existente. Avanços recentes envolvem o preparo adequado da superfície, com controle rigoroso de limpeza e umidade, além do uso de primers e adesivos poliméricos para melhorar a ligação mecânica e química entre as camadas. “Ainda é um aspecto que precisa ser aprimorado, mas já existem estudos que indicam rugosidade ideal e técnicas eficientes para essa aderência”, ressalta Silva.

As pesquisas também avançam na redução adicional de espessura com o uso de fibras de polipropileno e PVA, além de compósitos cimentícios de alto desempenho, como os do tipo ECC, caracterizados por alta ductilidade e controle rigoroso da fissuração. No exterior, especialmente nos Estados Unidos e na China, já há aplicações experimentais com camadas entre 25 e 50 milímetros. No Brasil, esses materiais ainda enfrentam desafios de custo e execução, permanecendo principalmente no campo da pesquisa e desenvolvimento.

Estratégia para gestores públicos

Para a gestão pública, o whitetopping ultradelgado se apresenta como alternativa de planejamento de longo prazo. A redução de manutenções corretivas, os maiores intervalos entre intervenções nas vias e o aproveitamento do pavimento existente contribuem para maior previsibilidade orçamentária. Além disso, há ainda ganhos ambientais, já que a diminuição de espessura reduz o consumo de concreto e as emissões associadas à sua produção.

“Quando se pensa no longo prazo, o gestor consegue reduzir gastos não previstos com manutenção e ainda adotar uma solução mais durável e sustentável para o ambiente urbano”, conclui Silva.

Entrevistado

Pedro Matiazzi da Silva é engenheiro civil graduado pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), pós-graduado em Gerenciamento de Projetos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), mestrado em Arquitetura e Urbanismo com a pesquisa com foco em concreto com adição de fibras de polipropileno pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), doutorando em Engenharia Civil com o trabalho focado em desenvolvimento de compósitos cimentícios para recapeamento urbano como alternativa ao whitetopping ultradelgado também na UNISINOS. Atualmente, é diretor regional do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) no Mato Grosso, é responsável técnico da Vipp Mix e Concreart, docente no Centro Universitário Fasipe de Sinop -MT.

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Concreto massa avança no controle térmico com mais planejamento

Por muito tempo, o controle térmico do concreto massa foi considerado uma preocupação restrita a grandes volumes e obras de infraestrutura pesada. Contudo, nos últimos anos, esse entendimento vem mudando — especialmente em edificações urbanas, onde blocos de fundação de pequeno e médio porte têm revelado riscos térmicos relevantes quando não analisados adequadamente desde a fase de projeto.

Segundo Bruno Pessoa, doutorando pela Universidade de São Paulo (USP) e engenheiro consultor na Britez Consultoria, o principal avanço observado nos últimos três a cinco anos não está associado a uma tecnologia isolada, mas a uma maior maturidade do mercado em relação ao tema.

“Hoje existe um entendimento mais claro, principalmente nas grandes metrópoles, de que o controle térmico deve começar ainda na fase de projeto, passando pela escolha dos materiais, definição do traço, estudos térmicos computacionais e planejamento executivo da concretagem”, afirma.

Avaliação prévia do risco térmico ganha protagonismo

Um dos pontos que Bruno Pessoa destaca como avanço recente é o desenvolvimento de ferramentas simplificadas para avaliação preliminar do risco térmico, voltadas especialmente a projetistas e engenheiros de obra. A proposta é permitir decisões antecipadas, antes mesmo da execução.

Atualmente, sistemas permitem acompanhar a evolução da temperatura no interior do elemento estrutural.
Crédito: Envato

“Apesar do aumento do interesse de construtoras e incorporadoras, ainda existem muitas dúvidas sobre quais elementos devem ser caracterizados como concreto massa. Blocos de fundação de pequeno e médio porte, por exemplo, costumam ser negligenciados”, explica.

Nesse contexto, Bruno é autor de um artigo técnico no qual propõe um diagrama de estimativa expedita do risco térmico em blocos de fundação, permitindo antecipar diretrizes de projeto ou avaliar o risco antes da concretagem — uma abordagem prática que busca preencher uma lacuna recorrente no dia a dia das obras.

Produtos específicos e monitoramento em tempo real

Além da evolução conceitual, o engenheiro observa um movimento crescente das empresas de concretagem no desenvolvimento de soluções específicos para elementos com maior potencial de acúmulo térmico. Soma-se a isso a maior disseminação do uso de sistemas de monitoramento térmico em tempo real, atualmente mais acessíveis e viáveis do que há alguns anos.

De acordo com Bruno Pessoa, esses sistemas permitem acompanhar a evolução da temperatura no interior do elemento estrutural, auxiliando na tomada de decisões durante a cura e reduzindo o risco de fissuração térmica.

Gelo, agregados resfriados ou nitrogênio líquido?

Entre as soluções disponíveis para controle térmico do concreto massa, todas têm como objetivo reduzir a temperatura inicial do concreto, mas apresentam diferenças significativas em eficiência, custo e logística.

O uso de gelo, por meio da substituição parcial da água de amassamento, é a alternativa mais comum no Brasil. Segundo Pessoa, trata-se de uma solução simples, amplamente disponível e de custo relativamente baixo.

“Quando bem controlado, o uso de gelo permite reduções típicas entre 5 e 12 °C na temperatura inicial do concreto. Em contrapartida, exige rigor no controle do teor de água e impacta a operação da central, já que a adição costuma ser manual”, ressalta.

Já o resfriamento de agregados, prática comum em outros países, ainda não é adotado de forma sistemática no Brasil. Medidas como aspersão de água ou sombreamento do agregado graúdo são frequentes, mas têm efeito limitado e normalmente funcionam apenas como complemento ao uso de gelo.

O nitrogênio líquido, por sua vez, é a alternativa com maior potencial de redução térmica, permitindo quedas rápidas e expressivas da temperatura inicial, frequentemente superiores a 20 °C. No entanto, o alto custo, a logística especializada, as exigências de segurança e a baixa disponibilidade restringem seu uso a situações muito específicas, de acordo com Pessoa.

“Na prática, o nitrogênio líquido tem o maior potencial de resfriamento, mas o gelo ainda apresenta o melhor equilíbrio entre eficiência, custo e viabilidade operacional na maioria das obras”, resume.

Experiências com controle térmico

Bruno Pessoa relata experiências em obras onde o controle térmico foi decisivo para o desempenho do concreto, especialmente em blocos de fundação de edifícios. Nessas situações, a limitação da temperatura inicial — associada a planejamento da concretagem e estratégia de cura — resultou em estruturas sem fissuração térmica visível e com temperaturas máximas abaixo de limites críticos, como 65 °C.

Na prática, os maiores problemas não costumam ocorrer em blocos de grandes dimensões.

“Em grandes volumes, o risco térmico geralmente é reconhecido desde o início e há abertura para estudos específicos. Os problemas mais recorrentes aparecem em blocos de menor porte, tratados como elementos convencionais apenas por não terem grandes volumes”, observa.

Ainda persiste no mercado a ideia de que apenas elementos acima de 100 m³ caracterizam concreto massa. No entanto, blocos com altura superior a cerca de 1,0 m, mesmo com volumes menores, já podem desenvolver gradientes térmicos relevantes e atingir temperaturas prejudiciais (acima de 65°C), dependendo do consumo de cimento e do calor de hidratação.

“É justamente nesses elementos que observo com mais frequência problemas de origem térmica, quase sempre associados à ausência de uma avaliação prévia do risco térmico ainda na fase de projeto ou de planejamento da concretagem”, comenta Pessoa.

Controle térmico como estratégia de durabilidade

Mais do que evitar fissuras iniciais, o controle térmico adequado tem impacto direto na durabilidade das estruturas e na redução de manutenção futura.

“Ao limitar a fissuração precoce e controlar a abertura das fissuras, reduz-se a permeabilidade do concreto e a entrada de agentes agressivos ao longo do tempo”, explica Bruno.

Além disso, temperaturas elevadas nas idades iniciais estão associadas ao risco de formação de etringita tardia (DEF) — um mecanismo de degradação que provoca expansões internas, fissuração progressiva e perda de propriedades mecânicas.

“Por isso, vejo o controle térmico não apenas como uma medida para mitigar problemas iniciais, mas como uma estratégia fundamental de desempenho e durabilidade ao longo da vida útil da estrutura”, conclui.

Fonte

Bruno Pessoa é doutorando pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Engenharia civil (UNICAMP). Atua como engenheiro consultor na Britez Consultoria. Autor e coautor de artigos técnicos indexados e de congresso. Experiência com consultoria em tecnologia do concreto e patologia das construções.

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Cadeia da construção acelera ajustes para cumprir metas de descarbonização

A descarbonização deixou de ser um debate prospectivo e passou a orientar decisões concretas ao longo da cadeia da construção civil. Alinhados por compromissos ambientais, regulação crescente e exigências de financiamento, fabricantes de materiais, construtoras, projetistas e instituições de pesquisa vêm reorganizando processos produtivos e critérios de especificação para reduzir emissões de CO₂ sem comprometer desempenho e durabilidade.

Segundo a engenheira Edna Possan, professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), o movimento precisa ser analisado de forma sistêmica. “A combinação dos materiais é que vai nos levar ao processo de descarbonização. Cada material tem o seu melhor lugar de uso, desde que se conheça o seu comportamento em uso e o carbono associado”, afirma.

Leia mais: https://www.cimentoitambe.com.br/sustentabilidade-na-construcao-novos-caminhos-para-a-descarbonizacao-e-solucoes-para-reduzir-as-emissoes-sem-elevar-custos/

Indústrias de base revisam processos produtivos

Descarbonização não será alcançada por uma única solução tecnológica, mas pela soma de ajustes ao longo de toda a cadeia.
Crédito: Envato

Os setores cimenteiro e siderúrgico estão entre os mais mobilizados para reduzir as emissões. No caso do cimento, o Brasil parte de uma posição relativamente favorável. “O cimento brasileiro está entre os de menor emissão de carbono do mundo, com algo em torno de 550 a 600 quilos de CO₂ por tonelada, mesmo assim é um valor elevado quando olhamos para as metas globais de carbono neutro”, explica Edna.

A estratégia adotada envolve tanto a redução do teor de clínquer quanto o desenvolvimento de novos ligantes e compósitos. “Nosso grupo de pesquisa conseguiu desenvolver cimentos com até 60% menos dióxido de carbono em relação ao convencional a partir de resíduos da construção, com forte engenharia de processo e de materiais”, relata a pesquisadora.

Leia mais: https://www.cimentoitambe.com.br/sinduscon-ce-lanca-guia-pioneiro-e-estrategico-para-acelerar-a-descarbonizacao-na-construcao-civil/

Tecnologia e ciência como vetores de mudança

Para Edna Possan, o avanço da descarbonização está diretamente ligado ao investimento em tecnologia e inovação. “Eu acredito que a tecnologia nos trouxe até aqui e ela vai nos permitir permanecer neste mundo que precisa ser descarbonizado. Isso exige parceria entre universidades, empresas, poder público e terceiro setor”, destaca.

Essa lógica tem orientado o desenvolvimento de materiais de baixo carbono, que precisam atender simultaneamente a dois critérios. “As novas tecnologias precisam reduzir o dióxido de carbono incorporado e, ao mesmo tempo, manter desempenho e durabilidade. Não faz sentido reduzir emissão se a vida útil da edificação for comprometida”, afirma.

Leia mais: https://www.cimentoitambe.com.br/especialistas-apontam-caminhos-para-o-futuro-do-concreto-no-brasil-para-acelerar-a-descarbonizacao-da-construcao/

No concreto, esse equilíbrio passa por dosagens mais eficientes, uso de cimentos menos emissivos, fillers minerais e aditivos químicos avançados. “Hoje, o concreto no Brasil pode variar de forma muito significativa em quilos de CO₂ por megapascal de resistência, dependendo da mistura. Isso mostra o quanto o conhecimento técnico ainda é decisivo”, observa.

Metas chegam ao mercado e ao financiamento

Pesquisadora Edna Possan.
Crédito: Arquivo pessoal

O movimento da cadeia ganha força adicional com a entrada de instrumentos de política pública. Um exemplo é a plataforma BIPC (Benchmark Iterativo para Projetos de Baixo Carbono), lançada pela Caixa Econômica Federal, voltada ao mercado imobiliário financiado com recursos públicos. “Tem-se a perspectiva de que, nos próximos anos, quem for produzir habitação com financiamento público terá que apresentar inventário de carbono e de energia das construções e isso já é uma exigência internacional e que no BIPc passa também a ser uma norma”, explica Edna.

Leia mais: https://www.cimentoitambe.com.br/caixa-e-usp-lancam-plataforma-para-medir-e-reduzir-co%e2%82%82-em-habitacoes-de-interesse-social/

A plataforma se conecta a ferramentas de avaliação do ciclo de vida, como o Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção (Sidac), que permitem calcular emissões associadas a materiais e sistemas construtivos. Esse avanço impõe uma mudança cultural no setor. “Engenheiros, arquitetos e especificadores vão precisar conhecer não apenas as propriedades mecânicas e estéticas dos materiais, mas também a energia e o carbono incorporados”, afirma.

Novo paradigma para toda a cadeia

Na avaliação da pesquisadora, a descarbonização não será alcançada por uma única solução tecnológica, mas pela soma de ajustes ao longo de toda a cadeia. Concreteiras, por exemplo, terão de aprender a dosar concretos de baixo carbono mantendo desempenho, enquanto projetistas poderão contribuir com otimização estrutural e escolhas mais eficientes de sistemas. “O setor inteiro está sendo chamado a reaprender. Assim como hoje olhamos o rótulo de um alimento para saber suas calorias, em breve os materiais de construção terão tabelas claras de carbono e energia”, conclui Edna.

Entrevistada

Edna Possan é engenheira civil formada pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) e doutora em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professora titular na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e coordenadora do Laboratório de Desempenho, Estruturas e Materiais (Ladema).  Atualmente é membro de diversos comitês de estudos de normas relacionadas a construção civil e presidente da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (Antac). Atua na área de patologia das construções, materiais de construção e meio ambiente.

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edna.possan@unila.edu.br

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World of Concrete 2026 destaca os desafios econômicos da construção

O World of Concrete, um dos principais eventos dedicado às indústrias da construção em concreto e alvenaria, foi realizado entre os dias 19 e 22 de janeiro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. O evento reuniu mais de 47.400 profissionais e contou com a participação de mais de 1.300 empresas expositoras.

Ao todo, 284 novos expositores participaram do World of Concrete, abrangendo múltiplas categorias de produtos, incluindo movimentação de materiais, produtores de concreto, tecnologia para construção, pré-moldados, alvenaria de concreto, reforços para concreto, produção de cimento, demolição e reparo, superfícies e soluções decorativas.

“É um evento que promove a inovação, eleva o desempenho e celebra a arte do trabalho artesanal”, afirma Jackie James, vice-presidente do World of Concrete. “A cada ano, nossos expositores e participantes se reúnem para se conectar, colaborar e descobrir novas oportunidades que continuarão a moldar o futuro da indústria.

Previsão Econômica para o Mercado da Construção

2026 tende a ser um ano de estabilidade para o setor, com sinais de retomada gradual impulsionados por incentivos, juros e infraestrutura nos EUA.
Crédito: World of Concrete

O evento contou com um programa educacional abrangente, reunindo diversos especialistas que compartilharam percepções sobre temas atuais, como economia, engenharia e projeções para o futuro para o setor.

O primeiro deles foi a palestra “The Economic Forecast with Ed Sullivan and Pierre Villere”. O painel abordou como navegar pela volatilidade econômica a partir de análises estratégicas de economistas renomados, que apresentaram projeções-chave de mercado e informações específicas por segmento.

Com base no seu relatório The Sullivan Report, o economista Ed Sullivan falou sobre o mercado de cimento dos Estados Unidos. Segundo Sullivan, a indústria acumula três anos consecutivos de retração, com queda superior a 10 milhões de toneladas desde 2022, o que reduziu a utilização do clínquer, diminuiu as importações e moderou os preços do cimento e do concreto. Para 2026, não há sinais claros de recuperação no curto prazo: juros elevados continuam a frear a construção privada, enquanto a inflação segue corroendo os recursos da construção pública. Apesar do bom desempenho da economia recente e do avanço de setores como data centers, seu peso no consumo total de cimento é pequeno e insuficiente para impulsionar o crescimento nacional.

Alguns fatores podem criar condições para uma retomada gradual a partir de 2026, como incentivos fiscais, simplificação regulatória, possível queda dos juros de longo prazo e um novo pacote de investimentos em infraestrutura. No entanto, os efeitos dessas medidas tendem a ser lentos, o que torna improvável um impacto relevante ainda em 2026. Assim, o ano deve marcar um ponto de estabilidade — sem nova queda acentuada, mas também sem crescimento expressivo —, com a recuperação mais consistente da demanda por cimento e concreto sendo esperada apenas a partir de 2027, dependendo sobretudo da trajetória da inflação e dos juros.

Design para construtibilidade

Durante o evento, aconteceu o curso Engineering: Designing for Constructability, direcionado a engenheiros, arquitetos, projetistas e profissionais envolvidos no desenvolvimento e execução de estruturas de concreto. Seu principal objetivo foi mostrar como a construtibilidade pode ser incorporada desde a fase de projeto, contribuindo para a redução de complexidades, aumento da produtividade em obra e melhor alinhamento entre projeto, execução, custos e prazos.

A programação abordou temas como sistemas estruturais em concreto armado, erros recorrentes no projeto de lajes sobre o solo e o uso de concreto reforçado com fibras, além de discutir barreiras históricas à produtividade na construção. Com apresentações de especialistas reconhecidos internacionalmente, o curso combinou fundamentos técnicos, exemplos práticos e tendências recentes do setor, oferecendo ainda horas de educação continuada para atualização e renovação profissional.

Conectando o empreiteiro e o engenheiro

O curso Bridging the Gap Between Contractor & Engineer destacou a importância da colaboração entre engenheiros, projetistas e construtores como fator-chave para aumentar a produtividade na construção em concreto. Entre os principais destaques, evidenciou-se o impacto direto das decisões de projeto, detalhamento técnico e especificações na construtibilidade, no custo e no prazo de execução, além da necessidade de alinhar expectativas desde as fases iniciais, como forma de mitigar conflitos, retrabalhos e reparos de alto custo. A programação mostrou que modelos colaborativos, como Design Assist, Design/Build e Integrated Project Delivery, podem melhorar a eficiência dos sistemas construtivos, estimular a inovação e gerar ganhos reais de desempenho, qualidade e previsibilidade nos projetos.

Fonte

Jackie James é vice-presidente do World of Concrete.

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