World of Concrete 2026 destaca os desafios econômicos da construção

O World of Concrete, um dos principais eventos dedicado às indústrias da construção em concreto e alvenaria, foi realizado entre os dias 19 e 22 de janeiro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. O evento reuniu mais de 47.400 profissionais e contou com a participação de mais de 1.300 empresas expositoras.

Ao todo, 284 novos expositores participaram do World of Concrete, abrangendo múltiplas categorias de produtos, incluindo movimentação de materiais, produtores de concreto, tecnologia para construção, pré-moldados, alvenaria de concreto, reforços para concreto, produção de cimento, demolição e reparo, superfícies e soluções decorativas.

“É um evento que promove a inovação, eleva o desempenho e celebra a arte do trabalho artesanal”, afirma Jackie James, vice-presidente do World of Concrete. “A cada ano, nossos expositores e participantes se reúnem para se conectar, colaborar e descobrir novas oportunidades que continuarão a moldar o futuro da indústria.

Previsão Econômica para o Mercado da Construção

2026 tende a ser um ano de estabilidade para o setor, com sinais de retomada gradual impulsionados por incentivos, juros e infraestrutura nos EUA.
Crédito: World of Concrete

O evento contou com um programa educacional abrangente, reunindo diversos especialistas que compartilharam percepções sobre temas atuais, como economia, engenharia e projeções para o futuro para o setor.

O primeiro deles foi a palestra “The Economic Forecast with Ed Sullivan and Pierre Villere”. O painel abordou como navegar pela volatilidade econômica a partir de análises estratégicas de economistas renomados, que apresentaram projeções-chave de mercado e informações específicas por segmento.

Com base no seu relatório The Sullivan Report, o economista Ed Sullivan falou sobre o mercado de cimento dos Estados Unidos. Segundo Sullivan, a indústria acumula três anos consecutivos de retração, com queda superior a 10 milhões de toneladas desde 2022, o que reduziu a utilização do clínquer, diminuiu as importações e moderou os preços do cimento e do concreto. Para 2026, não há sinais claros de recuperação no curto prazo: juros elevados continuam a frear a construção privada, enquanto a inflação segue corroendo os recursos da construção pública. Apesar do bom desempenho da economia recente e do avanço de setores como data centers, seu peso no consumo total de cimento é pequeno e insuficiente para impulsionar o crescimento nacional.

Alguns fatores podem criar condições para uma retomada gradual a partir de 2026, como incentivos fiscais, simplificação regulatória, possível queda dos juros de longo prazo e um novo pacote de investimentos em infraestrutura. No entanto, os efeitos dessas medidas tendem a ser lentos, o que torna improvável um impacto relevante ainda em 2026. Assim, o ano deve marcar um ponto de estabilidade — sem nova queda acentuada, mas também sem crescimento expressivo —, com a recuperação mais consistente da demanda por cimento e concreto sendo esperada apenas a partir de 2027, dependendo sobretudo da trajetória da inflação e dos juros.

Design para construtibilidade

Durante o evento, aconteceu o curso Engineering: Designing for Constructability, direcionado a engenheiros, arquitetos, projetistas e profissionais envolvidos no desenvolvimento e execução de estruturas de concreto. Seu principal objetivo foi mostrar como a construtibilidade pode ser incorporada desde a fase de projeto, contribuindo para a redução de complexidades, aumento da produtividade em obra e melhor alinhamento entre projeto, execução, custos e prazos.

A programação abordou temas como sistemas estruturais em concreto armado, erros recorrentes no projeto de lajes sobre o solo e o uso de concreto reforçado com fibras, além de discutir barreiras históricas à produtividade na construção. Com apresentações de especialistas reconhecidos internacionalmente, o curso combinou fundamentos técnicos, exemplos práticos e tendências recentes do setor, oferecendo ainda horas de educação continuada para atualização e renovação profissional.

Conectando o empreiteiro e o engenheiro

O curso Bridging the Gap Between Contractor & Engineer destacou a importância da colaboração entre engenheiros, projetistas e construtores como fator-chave para aumentar a produtividade na construção em concreto. Entre os principais destaques, evidenciou-se o impacto direto das decisões de projeto, detalhamento técnico e especificações na construtibilidade, no custo e no prazo de execução, além da necessidade de alinhar expectativas desde as fases iniciais, como forma de mitigar conflitos, retrabalhos e reparos de alto custo. A programação mostrou que modelos colaborativos, como Design Assist, Design/Build e Integrated Project Delivery, podem melhorar a eficiência dos sistemas construtivos, estimular a inovação e gerar ganhos reais de desempenho, qualidade e previsibilidade nos projetos.

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Jackie James é vice-presidente do World of Concrete.

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Economia circular ganha escala na cadeia do concreto e reposiciona práticas da construção

A economia circular avança como um dos principais vetores de transformação da cadeia do concreto no Brasil. Em um setor historicamente intensivo no uso de recursos naturais, as empresas têm adotado modelos produtivos baseados no reaproveitamento de materiais, no fechamento de ciclos e na redução de desperdícios, com reflexos diretos na competitividade, na gestão ambiental e na inovação industrial.

Na prática, a circularidade ao concreto abrange desde o reaproveitamento de resíduos industriais e da própria construção civil até o uso racional da água e a substituição de matérias-primas convencionais por coprodutos. Segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), trata-se de uma mudança estratégica que combina ganhos ambientais e econômicos, ao mesmo tempo em que atende às crescentes exigências regulatórias e às demandas da sociedade por processos produtivos mais responsáveis.

Reuso de água e reciclagem de concreto no dia a dia das usinas

Central dosadora de concreto da Concrebras.
Crédito: Divulgação

Na ponta da produção, as usinas de concreto desempenham papel relevante na consolidação desse modelo. A Concrebras, empresa do grupo Cimento Itambé, é um exemplo de como a economia circular pode ser incorporada à rotina operacional. De acordo com Polyanna Raymundo Simões Vicentin, coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade da empresa, o reuso de água é uma das frentes mais consolidadas. “Implantamos sistemas fechados para reaproveitamento da água proveniente da operação e da lavagem de caminhões, betoneiras e equipamentos. Essa água passa por processos de decantação, clarificação e retorna ao ciclo produtivo, reduzindo de forma significativa o consumo de água potável”, afirma.

Além da água industrial, a captação de água da chuva também integra o processo. A água pluvial coletada em coberturas e áreas impermeabilizadas passa por filtragem e sedimentação antes de ser destinada a atividades operacionais, como lavagem de pátios, controle de poeira e umedecimento de agregados.

Outro eixo relevante é a reciclagem do concreto. Os resíduos gerados na operação são encaminhados para processos de reciclagem. “Essa prática reduz a demanda por recursos naturais, além de garantir a destinação ambientalmente correta”, explica Polyanna

Coprocessamento fecha o ciclo de resíduos industriais

Coprocessamento se consolidou como uma das principais ferramentas de economia circular.
Crédito: Divulgação

Na indústria do cimento, o coprocessamento consolidou-se como uma das principais ferramentas de economia circular. A técnica permite a utilização de resíduos tanto como energia térmica, através da reciclagem energética, quanto como substitutos de matérias-primas no processo de produção de clínquer. Com isso, reduz-se o consumo de insumos tradicionais, valorizando e reduzindo custos de produção ao mesmo tempo em que assegura a destinação ambientalmente adequada de materiais que, em muitos casos, eram descartados de forma inadequada.

Segundo Israel Wisniewski Vaz, gerente técnico e de coprocessamento da Itambé e da Rio Bonito Soluções Ambientais, empresa da Cimento Itambé, os resultados têm sido expressivos. “Em 2025, tivemos um crescimento de 26% em relação ao ano anterior e de mais de 224% na comparação com 2021”, destaca. Em mais de três décadas de atuação na área de coprocessamento, o Grupo Itambé proporcionou a destinação ambientalmente correta de mais de 800 mil toneladas de resíduos.

Acreditação do laboratório da Rio Bonito pelo Inmetro trouxe mais agilidade e confiabilidade ao processo.
Crédito: Divulgação

A diversidade de resíduos aceitos é ampla e inclui líquidos, biomassas, pneus inservíveis, lodos de estações de tratamento de efluentes e resíduos sólidos urbanos. Israel aponta que o avanço tecnológico e a acreditação do laboratório da Rio Bonito pelo Inmetro trouxeram mais agilidade e confiabilidade ao processo. “A acreditação ampliou nosso posicionamento de mercado e deu mais segurança técnica aos clientes e aos órgãos ambientais”, afirma.

Ganhos econômicos e ambientais caminham juntos

Do ponto de vista corporativo, a economia circular também se traduz em redução de custos e mitigação de riscos. Irineu Gomes de Amorim Junior, gerente corporativo de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da Cimento Itambé, ressalta que os benefícios vão além do aspecto ambiental.

“O reuso de água reduz gastos com abastecimento, a reciclagem de concreto diminui custos com destinação de resíduos e o uso de cinzas e escórias industriais

permite menor consumo de cimento”, explica. Ele acrescenta que a gestão eficiente de resíduos, aliada à logística reversa contribui para a redução de custos associados ao transporte, à disposição em aterros e à mitigação de passivos ambientais.

Na avaliação dos especialistas, a economia circular na cadeia do concreto deixa de ser apenas uma diretriz conceitual e passa a integrar a estratégia operacional das empresas. Ao conectar inovação, eficiência e responsabilidade ambiental, o setor avança para um modelo produtivo mais alinhado às exigências do futuro da construção civil.

Entrevistados

Polyanna Raymundo Simões Vicentin é graduanda em Engenharia Ambiental pela Universidade Positivo. Possui especialização em Engenharia da Qualidade 4.0, com certificação Black Belt pela UFPR, em Gestão por Processos pela PUC-PR e MBA em Administração e Qualidade pela Uninter. Atualmente, atua como coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade na Concrebras.

Irineu Gomes de Amorim Junior é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pelo CEFET-PR e Mestre em Governança e Sustentabilidade pelo ISAE/FGV. Atualmente é gerente corporativo de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da Cia de Cimento Itambé.

Israel Wisniewski Vaz é graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Gestão da Produção e Recursos Humanos pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI), MBA em Lean Manufacturing pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Atualmente, é gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé e Rio Bonito Soluções Ambientais. 

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Ana Carvalho
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Preço dos imóveis residenciais fecha 2025 com alta de 18,64%

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) anunciou que os preços dos imóveis residenciais no Brasil encerraram 2025 em trajetória de valorização, segundo o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R Abecip). O indicador registrou alta de 1,52% em dezembro e acumulou valorização de 18,64% no ano, o maior resultado desde o início da série histórica, em 2016. O movimento foi disseminado regionalmente, refletindo demanda resiliente, restrições estruturais de oferta e a consolidação do imóvel como ativo de preservação de valor, com desempenho muito acima da inflação (IPCA) e dos custos da construção (INCC).

Para Priscilla Cioli, presidente da Abecip, o desempenho de 2025 confirma a resiliência do mercado imobiliário, mesmo em um ambiente de juros elevados. Segundo ela, a forte alta da Selic impactou especialmente o crédito para a média renda, mas o setor encontrou caminhos para sustentar o crescimento, apoiado no bom desempenho do FGTS, em avanços regulatórios e na diversificação das fontes de funding. “O mercado superou as expectativas e mostrou capacidade de adaptação, inclusive com maior uso de recursos livres e soluções de tesouraria para financiamento”, afirma.

O cenário macroeconômico também contribuiu para dar sustentação à demanda. Em 2025, o rendimento médio mensal cresceu cerca de 5%, ampliando a capacidade de compra das famílias, enquanto a inflação ficou abaixo do esperado. Além disso, avanços em digitalização — como assinatura eletrônica e registro digital — ajudaram a reduzir entraves na jornada do crédito imobiliário, aumentando a eficiência do setor.

Perspectivas para 2026 são moderadamente positivas, mas condicionadas ao comportamento dos juros no segundo semestre.
Crédito: Envato

Resultados por região

No recorte regional, o Sudeste apresentou aceleração homogênea. São Paulo subiu 1,61% em dezembro e acumulou 15,76% em 12 meses; o Rio de Janeiro avançou 0,41% no mês, com alta anual de 14,17%; e Belo Horizonte manteve trajetória firme, com valorização acumulada de 20,06%. No Nordeste, o fim de ano mais aquecido impulsionou altas expressivas: Salvador registrou uma das maiores variações mensais, de 2,74%, encerrando o ano com 23,37%, enquanto Recife acumulou 24,71% em 12 meses. No Sul, o comportamento foi mais heterogêneo, com Curitiba entre os mercados mais aquecidos do país, somando 24,68% no ano, enquanto Porto Alegre desacelerou. Já no Centro-Oeste, Brasília foi o grande destaque nacional, com valorização histórica de 27,11% em 2025.

Perspectivas para 2026

As perspectivas para 2026 são moderadamente positivas, porém condicionadas ao comportamento dos juros no segundo semestre. A Abecip projeta crescimento de aproximadamente 16% no mercado de crédito imobiliário, com expansão de 15% no SBPE, 5% no FGTS e avanço expressivo de 66% dos recursos livres. A expectativa é que a implementação gradual de um novo modelo de crédito, com menor dependência de funding subsidiado e maior participação de fontes de mercado, contribua para maior sustentabilidade no sistema médio e longo prazo.

Ainda assim, Priscilla Cioli ressalta que a trajetória de queda da Selic será determinante para destravar uma retomada mais robusta do setor. “O mercado tem potencial para crescer, mas a velocidade dessa expansão depende diretamente da redução dos juros e da consolidação do novo modelo de funding”, afirma. Com isso, 2026 tende a se configurar como um ano de transição, marcado pela acomodação dos preços em patamares elevados e pela preparação para um ciclo de crescimento mais consistente a partir de 2027.

Fonte

Priscilla Cioli é presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

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Assessoria de imprensa ABECIP: kauane.rezende@agenciafr.com.br

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Moinho vertical da Cimento Itambé torna-se referência e reforça compromisso do setor com eficiência energética e descarbonização

O desempenho operacional do Moinho Vertical N5 da Cimento Itambé colocou a unidade paranaense em posição de destaque no setor cimenteiro. A empresa recebeu reconhecimento da FLSmidth, fabricante do equipamento, após o moinho atingir uma Eficiência Global do Equipamento (OEE) acumulada de 98,2% ao longo de 12 meses, consolidando a operação como referência internacional em termos de desempenho, estabilidade e confiabilidade.

O indicador OEE reúne três fatores principais: disponibilidade do equipamento, performance produtiva e qualidade. No caso do Moinho Vertical N5, o índice de 98,2% significa que o equipamento esteve praticamente todo o tempo disponível, operou próximo da capacidade nominal e manteve padrões elevados de qualidade.

Reconhecimento da FLSmidth destaca a excelência da operação e a solidez dos sistemas de manutenção da Itambé.
Crédito: Divulgação

Instalado em novembro de 2014, o Moinho Vertical N5, modelo OK 33.4, é o principal moinho na produção de cimento da fábrica da Itambé, em Balsa Nova, no Paraná. Com capacidade de produção de cerca de 1 milhão de toneladas por ano, o equivalente a aproximadamente 150 toneladas por hora, o equipamento produz o cimento CP II-F-40, produto de alto desempenho, amplamente utilizado na construção civil e reconhecido pelos clientes atendidos pela Itambé por sua elevada resistência mecânica, confiável estabilidade e consistente padrão de qualidade. 

Segundo o diretor industrial da Cimento Itambé, Fábio Garcia, trata-se de um ativo estratégico para a companhia. “Esse moinho produz o CP II-F-40, que exige uma moagem mais fina para entregar maior resistência. Por ser um moinho vertical de rolos, ele apresenta um consumo de energia significativamente menor em comparação aos moinhos horizontais, o que reduz custos e aumenta a eficiência do processo”, afirma.

Alta produtividade com menor consumo de energia

Além da relevância produtiva, o moinho vertical se destaca pelo impacto direto na eficiência energética da operação. De acordo com a empresa, o uso da tecnologia de moinhos verticais permite uma redução de até 38% no consumo de energia na operação comparativamente aos moinhos horizontais.

Para Fábio Garcia, a eficiência energética está diretamente ligada à agenda ESG com a qual as empresas do grupo estão engajadas e à descarbonização da indústria. “Esse moinho está conectado a um cimento com menor pegada de carbono. A eficiência energética se traduz em resultado concreto para o negócio e para o meio ambiente”, destaca.

Operação sofisticada e manutenção rigorosa

Equipamento alcança 98,2% de eficiência, demonstrando disponibilidade, performance produtiva e qualidade.
Crédito: Divulgação

Para obter todos os ganhos, o moinho vertical exige um nível elevado de controle operacional e manutenção contínua. Esse é um dos fatores que levou parte do mercado a abandonar essa tecnologia, optando por equipamentos mais robustos, porém menos eficientes do ponto de vista energético.

O gerente de engenharia mecânica da Cimento Itambé, Celso Carvalho, explica que o desempenho alcançado é resultado de disciplina operacional e rotinas rigorosas. “É um equipamento sofisticado. Ele entrega uma performance excelente, mas demanda muita atenção. Nós temos uma parada semanal do moinho para intervenções de manutenção, verificação de lubrificação e controle de desgaste para que ele possa entregar toda performance”, afirma.

A operação também conta com alto grau de automação e monitoramento contínuo, o que garante estabilidade e previsibilidade ao processo produtivo. “A combinação entre manutenção assídua e operação assistida, com sistemas automatizados de controle, é o que sustenta esse nível de eficiência ao longo do tempo”, acrescenta Carvalho.

Parceria tecnológica e reconhecimento internacional

O reconhecimento foi atestado pela FLSmidth, empresa dinamarquesa que fabrica o moinho vertical. Com a presença do vice-presidente da FLSmidth no Brasil, Thiago Coscelli, a empresa destacou a excelência da operação e a solidez dos sistemas de manutenção da Itambé. Para Celso Carvalho, a parceria com a fornecedora foi determinante. “O apoio, a troca de conhecimento e o reconhecimento têm um peso enorme, porque validam que estamos operando o equipamento dentro dos mais altos padrões globais”, afirma.

Dessa forma, o moinho vertical da Cimento Itambé consolida-se como um ativo estratégico não apenas para a empresa, mas como referência para um setor que busca constantemente aumentar eficiência, reduzir emissões e avançar de forma consistente na agenda de descarbonização.

Entrevistados

Fábio Garcia é graduado em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá, com MBA pela Cornell University (EUA). Com 23 anos de experiência no setor de cimentos, atualmente é diretor Industrial da Cimento Itambé.

Celso José de Carvalho é graduado em Administração de Empresas com enfoque em Análise de Sistemas, especialista em manutenção e projetos de fábricas de cimento. Com 45 anos de experiência no setor de cimentos, atualmente é gerente de Engenharia Mecânica da Cimento Itambé.

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fabio.garcia@cimentoitambe.com.br

celso@cimentoitambe.com.br

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Por que o desempenho ao fogo ainda limita a aplicação do UHPC?

O Concreto de Ultra Alto Desempenho (UHPC, na sigla em inglês) tem ganhado espaço na engenharia estrutural por permitir soluções mais esbeltas, leves e mecanicamente eficientes. No entanto, quando o tema é segurança ao incêndio, o material ainda enfrenta importantes desafios técnicos que limitam sua aplicação prática em edificações de maior porte. Apesar de suas excepcionais propriedades mecânicas em condições normais, o UHPC apresenta comportamento menos favorável quando submetido a altas temperaturas.

Segundo o engenheiro e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fabrício Bolina, o problema está diretamente ligado às propriedades térmicas do material. “Em razão de sua maior densidade, difusividade e baixa porosidade, as estruturas em UHPC tendem a desenvolver campos térmicos mais severos quando submetidas ao incêndio, atingindo temperaturas mais elevadas se comparadas às estruturas de concreto de resistência normal”, comenta.

Além disso, elementos estruturais em UHPC apresentam seções transversais mais esbeltas, o que reduz a inércia térmica e intensifica o aquecimento. “Como consequência, o aquecimento ocorre de forma mais rápida e com maior amplitude, resultando em degradação mecânica mais pronunciada das suas propriedades. Nessas condições, a elevada resistência mecânica do UHPC é comprometida, o que levanta questionamentos quanto à sua aplicabilidade em circunstâncias em que o requisito se faça necessário”, explica Bolina.

Exigências legais e o paradoxo do UHPC

Por sua alta densidade e baixa porosidade, o UHPC apresenta comportamento térmico mais crítico em incêndios.
Crédito: Envato

No Brasil, os requisitos de segurança estrutural em situação de incêndio são de cumprimento obrigatório, conforme exigências uniformes dos Corpos de Bombeiros estaduais. Embora existam exceções relacionadas à altura ou à área construída, elas geralmente se aplicam a edificações de pequena escala — tipologias que dificilmente representam os principais campos de aplicação do UHPC.

O paradoxo, segundo Bolina, está justamente aí. “À medida que a concepção estrutural se torna mais ousada (seja em termos de altura, vãos ou esbeltez), o UHPC se mostra particularmente atrativo em função de suas elevadas propriedades mecânicas. De forma paradoxal, são exatamente essas situações que impõem os requisitos mais rigorosos de segurança estrutural em incêndio”, pontua.

Para Bolina, essa combinação evidencia uma incongruência relevante: o UHPC ganha força justamente nos cenários em que as exigências de desempenho ao fogo são mais severas, o que constitui uma barreira técnica significativa para a aplicação do UHPC nestas edificações.

Proteção passiva: solução técnica, mas com impacto econômico

Apesar das limitações, o desempenho ao fogo não deve ser interpretado como um impeditivo absoluto ao uso do UHPC. Bolina faz um paralelo direto com as estruturas metálicas, conhecidas por sua elevada sensibilidade ao incêndio, mas amplamente utilizadas na construção civil graças à adoção de sistemas de proteção passiva.

“No caso das estruturas metálicas, é comum o uso de pinturas intumescentes, revestimentos projetados, envelopamentos ou mantas que retardam a elevação da temperatura”, afirma. A mesma lógica pode ser aplicada ao UHPC, mas com ressalvas. Essas soluções implicam custos adicionais, além de exigirem planos de manutenção ao longo da vida útil da edificação, o que reduz a competitividade econômica do material frente ao concreto convencional”, aponta Bolina.

Ausência de casos reais de incêndio com UHPC

Até o momento, Bolina aponta que desconhece registros documentados de estruturas em UHPC que tenham enfrentado situações reais de incêndio. “Essa ausência de registros está associada, em grande medida, à ainda limitada e relativamente recente aplicação do UHPC em obras civis. Dado o número reduzido de edificações e obras de grande porte executadas com UHPC, é estatisticamente plausível que eventos de incêndio ainda não tenham ocorrido ou, se ocorreram, não tenham sido objeto de divulgação técnica ou científica. Assim, com base no conhecimento técnico e bibliográfico atualmente disponível, pode-se afirmar que não há registros de edificações em UHPC que tenham sofrido incêndio”, explica.

Pesquisas internacionais e comparativos inéditos

Desde 2024, Fabrício Bolina vem conduzindo pesquisas voltadas à avaliação do desempenho do UHPC em situação de incêndio, muitas delas em parceria com universidades dos Estados Unidos, Itália e Portugal. Entre os estudos de maior relevância, destaca-se a análise comparativa entre uma estrutura em UHPC e outra em concreto convencional, ambas projetadas para apresentar desempenho mecânico equivalente em condições normais de uso.

Quando submetidas à ação do fogo — especialmente em edificações de grande altura, onde os requisitos de segurança são mais rigorosos — os resultados indicaram que, apesar de demandar maior consumo de material e seções transversais mais robustas, a estrutura em concreto convencional tende a se mostrar economicamente mais viável quando os critérios de resistência ao incêndio são considerados. “Todos os grupos de pesquisa com os quais tenho colaborado convergem para esse mesmo resultado”, destaca o pesquisador.

À época do início dos estudos, havia uma lacuna significativa na literatura técnica, com pouquíssimos trabalhos que comparassem, de forma direta, o desempenho do UHPC e do concreto convencional sob exposição ao fogo. No contexto brasileiro, Bolina foi um dos primeiros a realizar essa análise comparativa, além de estimar propriedades térmicas do UHPC a partir de composições típicas do mercado nacional.

Os resultados evidenciaram, de maneira inédita naquele momento, a maior suscetibilidade do UHPC às elevadas temperaturas, sobretudo em função de suas características térmicas e geométricas — conclusões que, posteriormente, foram corroboradas por estudos de outros grupos de pesquisa internacionais.

Bolina ressalta, contudo, que os achados não têm como objetivo desqualificar o material. “O UHPC é um material de desempenho excepcional. Como qualquer outro empregado na construção civil, apresenta limitações pontuais que precisam ser reconhecidas e tratadas em projeto”, afirma. Para o pesquisador, com abordagens técnicas coerentes e orientadas ao desempenho em situação de incêndio, a tendência é que o UHPC ocupe um espaço progressivamente maior na engenharia estrutural.

Fonte

Fabrício Bolina é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atuando na área de estruturas. Engenheiro Civil, possui Doutorado em Engenharia de Segurança contra Incêndio pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Atual coordenador da ABNT NBR 15200 — Projeto de Estruturas de Concreto em Situação de Incêndio. É autor dos livros “Patologia de Estruturas” e “Modelagem de Estruturas de Concreto em Elementos Finitos”.

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fabriciobolina@gmail.com

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Fachadas altas evoluem como sistemas de engenharia e impulsionam a industrialização dos edifícios

As fachadas de edifícios altos atravessam um processo de transformação profunda na construção civil. Impulsionadas pela escassez de mão de obra qualificada, pelo avanço tecnológico e por exigências cada vez mais rigorosas de desempenho, elas deixam de cumprir apenas uma função estética e passam a ser tratadas como sistemas técnicos fundamentais para a eficiência, a segurança e a vida útil das edificações.

Para o arquiteto Ricardo Amaral, o futuro das fachadas está diretamente ligado à industrialização. “A tendência é que as fachadas sejam compostas por elementos pré-fabricados, produzidos fora do canteiro de obras, com maior controle de qualidade, precisão e racionalização do processo construtivo, sendo posteriormente montados na edificação”, afirma. Segundo ele, esse movimento não impõe uma linguagem arquitetônica única, permitindo desde soluções minimalistas até formas orgânicas, cada vez mais presentes na arquitetura contemporânea.

Obras de médio e grande portes na região de Dubai utilizam componentes industrializados
Crédito: Envato

Industrialização responde à crise de mão de obra

A dificuldade de contratar e formar profissionais especializados tem acelerado a adoção de sistemas industrializados, especialmente em edifícios altos, onde a complexidade construtiva e os riscos operacionais são maiores. Nesse contexto, a fachada passa a ser pensada desde as etapas iniciais do projeto, integrada às decisões de arquitetura, engenharia e logística.

A engenheira civil Jéssica Dantas, diretora do Ibracon e da Alconpat Brasil, destaca que o futuro das fachadas caminha para soluções cada vez mais integradas e performáticas. “A fachada deixa de ser apenas um elemento estético e passa a ser tratada como um sistema técnico crítico, responsável por desempenho térmico, durabilidade, segurança, manutenção e até eficiência operacional do edifício”, ressalta.

Dubai como laboratório de inovação em fachadas

No cenário internacional, Dubai se consolidou como uma das principais referências em fachadas de edifícios altos, reunindo escala, investimento e sedenta por inovação. A cidade tem adotado de forma intensiva a pré-fabricação, o uso de projeto paramétrico e a automação tanto na fabricação quanto na montagem dos sistemas.

Amaral observa que praticamente todas as obras de médio e grande porte na região utilizam componentes industrializados. “Fachadas, estruturas secundárias e elementos de vedação são amplamente pré-fabricados, garantindo velocidade de execução, precisão e redução da dependência de mão de obra no canteiro”, afirma. Ele explica que, enquanto edifícios icônicos exploram geometrias orgânicas, as torres muito altas tendem a adotar linhas mais retas, em função de condicionantes técnicos como vento, comportamento estrutural e eficiência construtiva.

Arquiteto Ricardo Amaral explica que as fachadas precisam oferecer eficiência térmica, durabilidade e alta performance
Crédito: Divulgação

Jéssica Dantas complementa que Dubai trata a fachada quase como um produto industrial. “Há uso intensivo de painéis pré-fabricados de alta complexidade, com concreto arquitetônico, sistemas híbridos e fabricação robotizada, além de BIM avançado para controle dimensional e sistemas mecanizados de instalação”, informa.

Eficiência térmica, durabilidade e performance

A definição técnica das fachadas tem impacto direto no desempenho global das edificações, especialmente em torres residenciais e corporativas. Materiais e sistemas adequados contribuem para o conforto térmico, redução do consumo energético e maior durabilidade. “As fachadas precisam oferecer eficiência térmica, durabilidade e alta performance. Hoje, há uma ampla variedade de soluções, como vidros de alta performance, sistemas metálicos e revestimentos tecnológicos, que protegem a edificação e ampliam sua vida útil”, explica Amaral.

De acordo com Jéssica, a produção em ambiente controlado reduz falhas e manifestações patológicas. “O controle de interfaces, juntas e sistemas de fixação melhora significativamente a durabilidade e a previsibilidade do comportamento do edifício ao longo da vida útil”, detalha.

Customização industrializada redefine o canteiro

Outra tendência que ganha força é a customização industrializada, que combina identidade arquitetônica com produtividade. A lógica é permitir variações controladas dentro de sistemas modulares, mantendo eficiência de custo e prazo. “A customização industrializada permite variar geometrias, aberturas e elementos de sombreamento por meio do projeto paramétrico, sem perder o controle industrial”, explica Jéssica Dantas. Para ela, esse modelo é especialmente relevante em edifícios altos, onde imagem, desempenho e eficiência precisam coexistir.

Nesse cenário, as fachadas altas consolidam-se como um dos principais vetores de inovação da construção civil, integrando engenharia, tecnologia e arquitetura para responder às demandas técnicas, econômicas e ambientais dos empreendimentos verticais contemporâneos.

Jéssica Dantas afirma que o futuro das fachadas caminha para soluções cada vez mais integradas e performáticas
Crédito: Divulgação

Entrevistados

Jéssica Dantas é engenheira civil e Mestre em Inovação na Construção Civil pela Universidade de São Paulo (USP). Diretora do IBRACON e da ALCONPAT Brasil, atua na linha de frente da transformação do setor como Coordenadora de Qualidade e Desenvolvimento Tecnológico na Cyrela. Palestrante em eventos nacionais e internacionais. Professora e coordenadora da pós-graduação em Inovação e Industrialização da Construção Civil no IDD.

Ricardo Amaral é arquiteto graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), fundador do escritório Ricardo Amaral Arquitetos Associados e da Geplan – Gerenciamento e Planejamento de Obras. Membro da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), possui mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de projetos urbanos e corporativos.

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je_adantas@hotmail.com

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Ana Carvalho
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MCMV: teto dos imóveis das faixas 1 e 2 é ampliado

O Conselho Curador do FGTS (CCFGTS) aprovou em dezembro de 2025 a atualização dos valores máximos dos imóveis enquadrados nas faixas 1 e 2 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), voltado a famílias com renda mensal de até R$ 4.700.

As mudanças entraram em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026 e revisam os tetos de preços para municípios com mais de 750 mil habitantes e para aqueles com população entre 300 mil e 750 mil, nas categorias de metrópoles e capitais regionais. Os reajustes variam entre 4% e 6%.

Com isso, os valores máximos passam a variar entre R$ 255 mil e R$ 270 mil, o que deve estimular a oferta de moradias e ampliar o alcance do programa.

“Essas famílias vão poder financiar imóveis um pouco mais caros e um pouco melhores. Famílias que moram em Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza ou Salvador, por exemplo, vão poder financiar imóveis de até R$ 270 mil para as faixas 01 e 02. Lembrando que o faixa 3 financia imóveis de até R$ 350 mil, enquanto o faixa 4, classe média, até R$ 500 mil. Com as regras aprovadas, o Conselho fecha os ajustes do MCMV que vão vigorar a partir de janeiro. As famílias vão poder financiar imóveis melhores no Brasil inteiro, vão ter mais subsídio – com destaque para a região Norte. Vamos dar quase R$ 20 mil a mais de subsídio para a região norte do que estávamos dando antes. As famílias vão poder adquirir sua casa com maior apoio do Minha Casa, Minha Vida. Vamos ter em 2026 um orçamento recorde para o programa”, anunciou Hailton Madureira, secretário executivo do Ministério das Cidades.

Ainda de acordo com Ministério, os ajustes aprovados agora passam a integrar o conjunto de medidas anunciadas em novembro pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (CCFGTS), que tem a definição de um orçamento recorde do FGTS para 2026, no valor de R$ 160,5 bilhões — sendo R$ 144,5 bilhões direcionados especificamente para a área habitacional.

Para Madureira, 2026 será um ano de avanço na contratação de moradias pelo programa .“Em 2025, batemos 2 milhões de casas contratadas pelo programa, e queremos chegar a 3 milhões em 2026. Só o MCMV com crédito do FGTS e do fundo social, a gente pretende financiar 750 mil novas casas no Brasil”, comenta Madureira.

MCMV por regiões

O reajuste inclui mais 75 municípios e 51,8 milhões de habitantes, complementando decisões anteriores do Conselho e passando a abranger todo o país. Destaque para as capitais do Norte e Nordeste, todas contempladas, reforçando o papel do programa na redução do déficit habitacional e das desigualdades regionais.

Valores máximos para as faixas 1 e 2 do MCMV passam a variar entre R$ 255 mil e R$ 270 mil.
Crédito: Ministério da Casa Civil

Na região Sul, o valor máximo a ser financiado foi reajustado. “Isso vai beneficiar quase todas as cidades do Brasil. O destaque aqui vai para Porto Alegre e Curitiba, cujo novo teto é de R$ 270 mil. Mas dou ainda mais destaque para a região Norte, que além de ter novos tetos, vai ter uma nova curva de subsídios – que pode chegar a R$ 65 mil. É o momento para as famílias brasileiras aproveitarem. Com a reforma do imposto de renda, haverá recursos liberados, tem a nova isenção para quem ganha até R$ 5 mil de não pagar imposto de renda. Então deve ter uma renda disponível nova”, aponta Madureira.

Expectativa do mercado

Para Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV/Ibre, em 2026, as vendas do mercado imobiliário devem se manter elevadas, impulsionadas pelo Minha Casa Minha Vida, mas o crédito para a média e alta renda deve se contrair.

A principal diferença entre 2025 e 2026, segundo Ana Maria Castelo, está no comportamento das famílias. Após um ano de estabilidade, provocado pela postergação de obras e reformas diante dos juros elevados, a expectativa é de retomada.

“No cenário-base, projetamos crescimento de 2,7% do PIB da construção em 2026, com desempenho das empresas em linha com 2025, mas com uma recuperação importante da demanda das famílias”, afirma Ana Maria Castelo. A estimativa considera avanço de cerca de 2,6% no consumo das famílias, após estagnação no ano anterior.

A FGV ainda trabalha com um cenário pessimista, de crescimento de 1,3%, e um cenário otimista, de 3,4%, a depender principalmente do ritmo de queda dos juros e da efetivação dos programas de crédito.

Em comunicado, o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) destacou que a ampliação para novas faixas de renda e as novas regras de crédito — que aumentará o funding  para até 100% da poupança e o teto maior no valor do imóvel —, aliadas às mudanças no Imposto de Renda, buscam recompor a capacidade de compra da classe média e reduzir o déficit habitacional.

Efeitos da faixa 4 do MCMV em 2025

Em 2025, uma ampliação do Programa Minha Casa Minha Vida passou a incluir famílias com renda mensal de até R$ 12 mil e imóveis com valor de até R$ 500 mil.

Para as incorporadoras, esse movimento trouxe uma mudança no comportamento do consumidor, que se tornou mais exigente.

“É um comprador que não aceita o básico. Ele quer um bom condomínio clube, áreas de convivência e projetos bem resolvidos. Esse tipo de estrutura, que antes era comum apenas em segmentos superiores, virou um diferencial competitivo no MCMV. Hoje, o cliente quer morar bem desde o primeiro imóvel”, explica Luã Brandalise, COO da Blendi Incorporadora, que atua há seis anos em construções MCMV. 

Para Marcos Vinicius, sócio-fundador da Habras, a mudança teve um impacto social positivo, além de impulsionar o mercado imobiliário, atraindo a classe média e aumentando a demanda.

“A Faixa 4 ampliou o público-alvo dos empreendimentos da construtora, especialmente para clientes com renda intermediária que buscavam imóveis de maior padrão sem abrir mão dos benefícios do programa. Isso trouxe mais segurança para as operações comerciais e aumentou a velocidade de vendas dos nossos empreendimentos que estão disponíveis para este público. Muitos compradores conseguiram enquadrar-se nas condições facilitadas, por isso o impacto nas vendas foi positivo. A estratégia é expandir a presença da Faixa 4 em diferentes regiões, trazendo novas opções para clientes que buscam imóveis com mais conforto e infraestrutura. A faixa 4 movimenta tanto a construção civil quanto o crédito habitacional, ampliando o mercado consumidor e acelerando o giro de vendas de empreendimentos”, explica o executivo.

Fontes

Hailton Madureira é secretário executivo do Ministério das Cidades.

Ana Maria Castelo é coordenadora de Projetos da Construção do FGV/ Ibre.

Marcos Vinicius é sócio-fundador da Habras.

Luã Brandalise é COO da Blendi Incorporadora.

Contatos

Hailton Madureira imprensa@cidades.gov.br

Ana Maria Castelo ana.castelo@fgv.br

Marcos Vinicius veronica.rocha@digitaltrix.com.br

Luã Brandalise amanda@noarcomunicacao.com

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Impressão 3D com concreto avança no Brasil, mas ainda enfrenta desafios para ganhar escala

A impressão 3D com concreto começa a ocupar um espaço cada vez mais relevante no debate sobre inovação na construção civil brasileira. Após anos restrita a laboratórios e protótipos, a tecnologia entra em uma fase de transição para aplicações práticas, com projetos em escala real, participação de startups, universidades e construtoras, além de um crescente interesse do mercado por soluções mais produtivas e sustentáveis.

Segundo especialistas, o Brasil reúne condições favoráveis para o desenvolvimento da manufatura aditiva na construção, como diversidade de materiais, base acadêmica consolidada e desafios estruturais que estimulam novas soluções. Ainda assim, a consolidação da tecnologia depende de avanços regulatórios, definição de modelos de negócio e identificação clara de nichos onde a impressão 3D seja competitiva.

Da pesquisa à obra

Para Victor Keniti Sakano, sócio fundador da Portal3D, a tecnologia já superou a fase puramente conceitual. “Hoje eu vejo a impressão 3D com concreto no Brasil num estágio de transição entre a pesquisa e a aplicação prática. As primeiras provas de conceito já estão sendo realizadas e algumas delas em escala real, o que mostra que a tecnologia já saiu do papel”, afirma. Ele destaca que a Portal3D já possui peças instaladas em espaços públicos e projetos privados, o que demonstra maturidade técnica e operacional.

Esse movimento não ocorre de forma isolada. Outras empresas brasileiras também vêm desenvolvendo soluções próprias, contribuindo para a formação de um ecossistema mais adaptado às condições locais. A interação com universidades e centros de pesquisa tem sido decisiva para validar materiais, processos e desempenho estrutural.

Impressão 3D exige uma reorganização completa do processo construtivo
Crédito: Envato

Normas ainda são entrave

Apesar dos avanços, a ausência de normas específicas permanece como um dos principais obstáculos para a ampliação do uso da impressão 3D com concreto. Atualmente, os processos de extrusão não estão contemplados nas normas técnicas brasileiras, o que obriga cada projeto a passar por análises e ensaios individualizados. “O principal obstáculo hoje é que as normas brasileiras ainda não contemplam processos de extrusão de concreto. Cada projeto precisa ser justificado com ensaios estruturais, documentação e laudos específicos, o que torna a aprovação mais lenta”, explica Sakano. Segundo ele, a geração de dados técnicos por empresas e universidades tende a embasar, no futuro, guias e referências para normas nacionais.

Já o professor Vanderley John, da Universidade de São Paulo (USP), avalia que as barreiras normativas existem, mas não são determinantes neste momento. “Nós temos no Brasil o sistema de aprovação técnica do SINAT, do PBQP-H, que resolve pelo menos na habitação”, afirma. Para ele, o maior desafio está em desenvolver soluções robustas, de baixo custo, com maior produtividade e menor impacto ambiental.

Alto padrão e habitação econômica

As aplicações da impressão 3D com concreto se dividem, atualmente, entre projetos de alto padrão e iniciativas voltadas à habitação de interesse social, com propostas e ganhos distintos. No segmento habitacional de interesse social, a tecnologia apresenta potencial para reduzir desperdícios, acelerar prazos e diminuir a dependência de mão de obra especializada. “A impressão 3D oferece benefícios claros como velocidade de execução, redução de desperdício e menor necessidade de mão de obra altamente especializada. É um segmento em que a tecnologia pode gerar impacto social direto”, diz Sakano. Ele aponta o uso de materiais alternativos e rejeitos minerais como estratégia para reduzir custos e ampliar a escala.

No alto padrão, o foco não está apenas na produtividade, mas também na liberdade formal. Fachadas curvas, geometrias complexas e elementos arquitetônicos personalizados tornam-se viáveis com a manufatura aditiva, ampliando as possibilidades de expressão arquitetônica.

Perspectivas para 2026

Para os próximos anos, a expectativa é de crescimento gradual, com aplicações ainda pontuais, porém cada vez mais qualificadas. Vanderley John observa que, no cenário atual, a impressão 3D já encontra espaço comercial em objetos de decoração, móveis urbanos e alguns empreendimentos imobiliários marcantes, enquanto a tecnologia amadurece para usos mais amplos.

Mais do que uma nova máquina no canteiro de obras, a impressão 3D exige uma reorganização completa do processo construtivo, com planejamento digital, integração entre projeto e execução e controle rigoroso de materiais. As empresas que conseguirem estruturar essa cadeia de forma eficiente tendem a liderar a próxima etapa de consolidação da tecnologia no Brasil, em um setor cada vez mais pressionado por custos, sustentabilidade e produtividade.

Entrevistados

Vanderley Moacyr John é graduado em Engenharia Civil pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (USP). Pós-doutorado no Royal Institute of Technology da Suécia. Professor da Escola Politécnica, coordenador da EMBRAPII CICS USP e do hubIC.

Victor Keniti Sakano é graduado em Engenharia Civil, mestre e doutor pela Escola Politécnica da USP. Atualmente, é pós-doutorando na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e cofundador da Portal 3D, startup de base tecnológica dedicada à manufatura aditiva com materiais cimentícios.

Contato
vmjohn@usp.br

victor@p3dbr.com

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Ana Carvalho
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Litoral do Paraná recebe pacote histórico de obras

O Litoral do Paraná vive um dos maiores ciclos de investimentos de sua história, com obras em andamento que abrangem mobilidade, contenção da erosão, revitalização urbana, saneamento e logística portuária. Os projetos, espalhados por diferentes municípios, têm como foco melhorar a qualidade de vida da população, impulsionar o turismo e fortalecer a competitividade econômica da região.

"Por muito tempo, o Litoral foi deixado de lado e nós decidimos investir muito nos municípios para atrair turistas, negócios e fomentar as nossas baías de Guaratuba e Paranaguá. O Paraná tem um Litoral incrível e que, com toda essa revitalização, já está vivendo um novo momento. O Governo do Estado continuará investindo para garantir melhorias nos sete municípios", diz o governador Carlos Massa Ratinho Junior.

Duplicação da PR-412 avança em Matinhos

Duplicação da PR-412 entre Matinhos e Pontal do Paraná atingiu 6,53% de execução.
Crédito: Roberto Dziura Jr/AEN

A duplicação da PR-412, entre Matinhos e Pontal do Paraná, já atingiu 6,53% de execução (dezembro de 2025), com investimento de R$ 17,9 milhões do total de R$ 274,5 milhões previstos, segundo o Governo do Estado do Paraná. Nesta fase inicial, os trabalhos se concentram na terraplenagem das novas vias marginais, implantação do sistema de drenagem e execução da sub-base das pistas, que receberão pavimento asfáltico.

À medida que as marginais forem concluídas, o tráfego será desviado para permitir a demolição da pista atual e a construção de um novo pavimento rígido de concreto, com placas de 21 centímetros de espessura. A obra inclui ainda três novas obras de arte especiais — duas pontes e um viaduto —, além de calçadas, ciclovias bidirecionais, iluminação viária e áreas de estacionamento. O trecho tem 14,28 quilômetros e a previsão de conclusão é para o primeiro semestre de 2028.

“Essa obra vai atender tanto moradores e turistas quanto o transporte de empresas. É uma intervenção que amplia a capacidade da rodovia, reduz congestionamentos e aumenta a segurança de pedestres e ciclistas, pois também contará com ciclovias, passeios e iluminação”, explica Janice Kazmierczak Soares, diretora técnica do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR).

Leia mais: Duplicação da PR-412 em Matinhos promete transformar mobilidade no litoral do Paraná

Guaratuba: engorda da praia e revitalização urbana

Em Guaratuba, o Governo do Estado lançou o edital para a contratação integrada da revitalização da orla, incluindo projeto e execução das obras. O modelo segue o padrão adotado em Matinhos e contempla a modernização da Praia Central, Praia de Caieiras e Prainha, em um trecho de 4,7 quilômetros.

O projeto prevê a engorda da faixa de areia em até 100 metros, melhorias no sistema de drenagem e a implantação de nove estruturas marítimas — como guias de corrente, espigões e headlands — para conter a erosão, melhorar a balneabilidade e ampliar a vazão das águas pluviais. Estima-se o uso de 1,1 milhão de metros cúbicos de areia, retirada de jazidas no próprio oceano.

Ponte de Guaratuba chega a 88% de execução e entra na fase final.
Crédito: Consórcio Supervisor Ponte de Guaratuba

Além das intervenções costeiras, estão previstos novos calçamentos, ciclovias, pistas de caminhada, iluminação, paisagismo, mobiliário urbano e acessibilidade.

Orla Histórica de Guaratuba terá novo cartão-postal

Outro destaque é a revitalização da Orla Histórica de Guaratuba, no entorno da Praça dos Namorados, com investimento estimado em R$ 24 milhões. O projeto, desenvolvido pelo Paraná Projetos, entra agora na fase de licitação e prevê uma requalificação completa de uma área de cerca de 10,8 mil metros quadrados.

Entre os principais elementos está a construção de um grande deck de madeira ao longo da orla, novos espaços de convivência, bancos, espreguiçadeiras e paisagismo. As vias do entorno receberão pavimentação com blocos intertravados de concreto, sistema que favorece a drenagem e facilita a manutenção. A obra deve começar ainda este ano e será executada em duas etapas para minimizar impactos durante a alta temporada.

“A orla histórica de Guaratuba enfrenta desafios quanto à preservação do centro histórico e à modernização da infraestrutura urbana. Este projeto surge como resposta a essas demandas, melhorando a qualidade de vida da população local e proporcionando uma experiência mais agradável aos turistas”, explica Ricardo Amaral, arquiteto responsável pelo projeto.

Leia mais:Revitalização da Orla de Guaratuba prevê engorda da faixa de areia e novas obras de infraestrutura

Revitalização dos molhes e do guia-corrente de Pontal do Sul chega a 92% e será entregue ainda este ano, com investimento de R$ 9,4 milhões.
Crédito: Cauê Mendes/Prefeitura de Pontal do Paraná

Ponte de Guaratuba

A construção da Ponte de Guaratuba encerrou 2025 com 88% de execução e entra na reta final, com previsão de entrega em abril. A etapa de infraestrutura foi totalmente concluída, com a finalização das 64 estacas que compõem a base da estrutura. O trecho estaiado, considerado o mais simbólico da obra e futuro cartão-postal da região, já soma 250 metros dos 320 previstos, além de avanços na instalação dos estais e nas estruturas de sustentação.

Na superestrutura, a maior parte das vigas longarinas já foi posicionada, restando apenas trechos no lado de Matinhos. As frentes de trabalho também seguem em ritmo acelerado nos acessos viários, com obras de contenção, drenagem, terraplenagem e pavimentação em ambos os lados da ponte. A expectativa é concluir os encaixes finais entre os diferentes trechos da estrutura nas próximas semanas, consolidando a ligação definitiva entre Guaratuba e Matinhos.

Moegão chega a 80% e revoluciona a logística portuária

No Porto de Paranaguá, as obras do Moegão alcançaram 80,29% de execução, segundo Portos do Paraná. Com investimento superior a R$ 650 milhões, o complexo vai centralizar a recepção ferroviária de granéis vegetais e distribuir as cargas para 11 terminais interligados.

No Porto de Paranaguá, as obras do Moegão alcançaram 80,29% de
execução, com investimento superior a R$ 650 milhões.
Crédito: Divulgação Portos do Paraná

Quando entrar em operação, o sistema terá capacidade para movimentar até 24 milhões de toneladas por ano, com descarga de até 900 vagões por dia. Além de elevar a produtividade, o Moegão também reduzirá interferências no tráfego urbano e eliminará manobras ferroviárias dentro dos terminais.

O projeto integra um amplo plano de modernização do porto, que inclui novos leilões de áreas, a construção de um píer em “T” e a concessão do canal de acesso, que permitirá a entrada de navios maiores.

Ilha do Mel recebe pacote de obras sustentáveis

Na Ilha do Mel, estão sendo investidos R$ 33,5 milhões em um conjunto de obras que inclui saneamento, revitalização de passarelas, praças e equipamentos turísticos. A principal intervenção é a implantação do sistema de esgotamento sanitário, com investimento superior a R$ 30 milhões.

O projeto transformará a ilha na primeira do Brasil sem veículos a combustão a contar com sistema completo de coleta e tratamento de esgoto. Além disso, 33 passarelas estão sendo revitalizadas, novas praças estão em construção e espaços públicos passam por requalificação.

As obras caminham em paralelo à implantação do novo Marco Regulatório da Ilha do Mel, que estabelece diretrizes para o uso sustentável do território e amplia a participação da comunidade local nas decisões.

Pontal do Paraná: molhe e requalificação da orla

Na Ilha do Mel, R$ 33,5 milhões estão sendo investidos em saneamento, passarelas, praças e infraestrutura turística.
Crédito: Daniel Castellano/SEDEST

A revitalização dos molhes e do guia-corrente de Pontal do Sul já atingiu 92% de execução e deve ser entregue ainda este ano. A obra, com investimento de R$ 9,4 milhões, é fundamental para o desassoreamento do canal, a segurança da navegação e a contenção da erosão.

O projeto inclui nova cota de coroamento, ampliação da largura, ajustes de taludes, implantação de headland, sinalização náutica e uma passarela de 150 metros. As estruturas também funcionam como recifes artificiais, ampliando a biodiversidade marinha.

Paralelamente, o município iniciou a primeira fase da requalificação da orla, com 3,66 quilômetros de extensão, entre os balneários de Monções e Canoas. O investimento é de R$ 34,5 milhões e inclui novo calçamento, ciclovias, pistas de caminhada, quiosques, áreas de lazer e melhorias de acessibilidade. A segunda fase, que prevê mais 2,77 quilômetros, já está licenciada.

Fontes

Janice Kazmierczak Soares é diretora técnica do DER/PR.

Ricardo Amaral é o arquiteto responsável pelo projeto da revitalização da orla de Guaratuba.

Contatos

Janice Kazmierczak Soares - comunicacao@der.pr.gov.br

Ricardo Amaral - contato@ricardoamaralarquitetos.com.br

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Mercado do cimento projeta crescimento moderado em 2026, sustentado por programas habitacionais, infraestrutura e saneamento

O mercado brasileiro de cimento chega a 2026 com expectativas de expansão, ainda que em ritmo mais moderado do que o observado nos últimos dois anos. De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), as vendas em 2025 alcançaram 67 milhões de toneladas, resultado de um crescimento de 3,7%, o que consolidou a retomada iniciada no ano anterior. Para o próximo ciclo, a avaliação do setor é de cautela, combinada com oportunidades estruturais que podem sustentar o consumo.

Flávio Guimarães, economista do SNIC, aponta que a demanda por cimento deve seguir em trajetória de crescimento em 2026, condicionadas à efetivação de políticas públicas e investimentos voltados à habitação, ao saneamento e à logística. O contexto macroeconômico, porém, impõe limites a uma performance mais robusta. “O crescimento, no entanto, deve ser menor do que o registrado nos dois últimos anos, acompanhando o desempenho da economia”, afirma.

Juros altos e crédito restrito impõem desafios

A manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado e o alto nível de endividamento das famílias seguem pressionando a construção civil. Em 2025, a Selic permaneceu em 15% ao ano, encarecendo o crédito imobiliário, reduzindo a atratividade do financiamento via poupança e tornando ativos imobiliários menos competitivos frente às aplicações financeiras. “O elevado grau de inadimplência e a concorrência do orçamento doméstico com gastos não essenciais continuam afetando a capacidade de investimento das famílias”, destaca Guimarães. Em contrapartida, o mercado de trabalho aquecido e a expansão da massa salarial funcionam como amortecedores parciais desse cenário.

Indústria do cimento projeta 2026 de crescimento moderado, sustentado por políticas públicas, inovação construtiva e investimentos em infraestrutura.
Crédito: Envato

Minha Casa, Minha Vida segue como principal motor

No segmento habitacional, o programa Minha Casa, Minha Vida permanece como o principal vetor de demanda para a indústria do cimento. A nova meta do governo federal de contratar 3 milhões de unidades habitacionais entre 2023 e 2026 representa um aumento significativo em relação ao objetivo inicial. Esse volume de contratações tende a gerar impacto direto no consumo do insumo, ao sustentar a produção de moradias populares em todo país.

“O programa tem apresentado desempenho positivo e já superou a meta inicial, o que levou o governo a ampliar o objetivo. Essa nova meta deve demandar cerca de 13,5 milhões de toneladas de cimento no período”, explica Flávio Guimarães.

Industrialização avança com falta de mão de obra

A dificuldade de contratação de trabalhadores nos canteiros tem acelerado a adoção de sistemas industrializados na construção civil. Produtos pré-moldados, argamassas industrializadas e componentes fabricados fora do canteiro ampliam participação no mercado e impactam positivamente a demanda por cimento.

Para Flávio Guimarães, trata-se de uma tendência estrutural. “A utilização de produtos industrializados acelera a execução das obras e proporciona mais segurança, pois são fabricados com base em normas técnicas e sob rigoroso controle de qualidade”, avalia.

Nesse contexto, soluções construtivas industrializadas, como paredes de concreto moldadas in loco e o uso de blocos de concreto, ganham relevância ao viabilizar maiores volumes de produção com mais eficiência e menor custo, especialmente diante da escassez de mão de obra no setor.

Infraestrutura e saneamento ampliam oportunidades

Na infraestrutura, o pavimento rígido de concreto desponta como alternativa estratégica para rodovias e vias urbanas, em linha com diretrizes de durabilidade e redução de emissões. Com apenas 13% da malha rodoviária brasileira pavimentada, o potencial de expansão é significativo, inclusive em obras de restauração por meio do whitetopping.

O saneamento básico também deve seguir aquecido em 2026, impulsionado por leilões e investimentos privados associados ao novo marco legal do setor. Obras estruturantes de água e esgoto tendem a reforçar a demanda por cimento ao longo do ano.

Diante desse conjunto de fatores, a indústria projeta um ano de 2026 com crescimento moderado, sustentado por políticas públicas, inovação construtiva e investimentos em infraestrutura. Um cenário menos expansivo do que nos anos recentes, mas ainda promissor para um setor que completa um século de atuação no país atento aos desafios econômicos e ambientais.

Entrevistado

Flávio Guimarães é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Fluminense com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tem experiência no mercado financeiro e de construção, atuando há mais de 20 anos no setor de cimento. Integrante do Conselho Empresarial de Economia e do Conselho Empresarial de Meio Ambiente da FIRJAN. Atualmente, é economista do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), responsável pelas análises macroeconômicas e do mercado de cimento e sua segmentação.

Contato
daniela.nogueira@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)

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