Expo Revestir destaca avanço do concreto na arquitetura contemporânea
A Expo Revestir 2026, realizada de 9 a 13 de março, em São Paulo, consolidou-se mais uma vez como vitrine das transformações na arquitetura e no design de interiores. A feira reuniu mais de 300 marcas em uma área de 65 mil metros quadrados, com lançamentos que indicam mudanças no uso de materiais e no comportamento do setor.

Entre as principais tendências observadas, o concreto destaca-se por ampliar sua presença nos projetos. O material também ganha protagonismo como elemento estético e conceitual, acompanhando uma arquitetura que valoriza formas simples, materiais aparentes e soluções duráveis.
Concreto como linguagem arquitetônica
De acordo com a arquiteta e urbanista Lorena Bannach, o concreto passou a ocupar um novo papel nos projetos contemporâneos. “Ele deixa de ser apenas estrutural e passa a integrar a linguagem arquitetônica, com estética própria e forte apelo visual”, afirma.
Esse movimento dialoga com correntes como o minimalismo, o brutalismo e a arquitetura industrial, além de se fazer presente em propostas contemporâneas e até em projetos com abordagem biofílica. A combinação entre aparência bruta, textura natural e flexibilidade de uso permite que o material atenda a diferentes propostas, mantendo unidade visual e coerência construtiva.
Segundo ela, a busca por uma arquitetura mais honesta, que valoriza os materiais em sua forma original, contribui para esse avanço. Ao mesmo tempo, o concreto atende a demandas práticas, como resistência, durabilidade e baixa necessidade de manutenção.

Aplicações ampliadas na feira
Na Expo Revestir, o concreto apareceu em múltiplas soluções, reforçando sua versatilidade. Entre os destaques estão pisos para áreas internas e externas, incluindo os modelos drenantes, desenvolvidos para suportar alto tráfego sem comprometer o acabamento.
Outra inovação são os pisos atérmicos, indicados para áreas abertas, como piscinas, por não reterem calor. O material também foi explorado em elementos como bricks, revestimentos ripados, mosaicos e painéis decorativos, que ampliam as possibilidades de composição visual.
Peças utilitárias e de design também ganharam espaço. Cubas, banheiras, spas e até puxadores em concreto indicam uma ampliação do uso do material para além das superfícies tradicionais, aproximando-o do design de interiores.
Personalização e desempenho
A arquiteta Simone Kay Fujiwara avalia que a feira evidenciou uma mudança na forma como os materiais são desenvolvidos e aplicados. “Observa-se um avanço consistente no desenvolvimento dos materiais, com revestimentos em grandes formatos, superfícies de alto desempenho e maior facilidade de manutenção”, afirma.
Ela também destaca a valorização da identidade nos projetos. “Ao mesmo tempo, a personalização aparece como um dos principais direcionamentos, com soluções que permitem maior liberdade de escolha e composição”, completa. Nesse contexto, o concreto se beneficia da possibilidade de variação de cores, texturas e acabamentos, ampliando sua aplicação em diferentes propostas arquitetônicas.
Tendências que vão além do material

Crédito: Acervo particular/Lorena Bannach
Além do concreto, a Expo Revestir também apontou outras direções para o setor. Superfícies inspiradas em elementos minerais, o uso de pedras naturais, tons terrosos e grandes formatos reforçam uma arquitetura voltada à experiência sensorial e à conexão com a natureza.
A sustentabilidade também ganha espaço, tanto nos processos produtivos quanto nas características dos produtos. A presença de materiais reciclados e de soluções voltadas à eficiência ambiental indica uma mudança consistente na indústria.
Integração entre estética e funcionalidade
O avanço do concreto na arquitetura reflete uma mudança mais ampla no setor. O material passa a reunir atributos técnicos e estéticos, contribuindo para projetos que conciliam desempenho, durabilidade e identidade visual.
Ao ampliar suas aplicações e dialogar com diferentes tendências, o concreto se consolida como uma solução alinhada às demandas atuais da arquitetura. Mais do que um insumo estrutural, torna-se parte ativa da concepção dos espaços e da experiência do consumidor.
Entrevistadas
Lorena Bannach é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Positivo, com pós-graduação em Master em Arquitetura, Lighting Design e Interiores e é proprietária da Lorena Bannach Arquitetura e Interiores desde 2013.
Simone Kay Fujiwara é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mais de 20 anos de atuação. É proprietária do escritório Simone Kay Arquitetura.
Contato
contato@lorenabannach.com.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Taxa Selic é reduzida para 14,75% a.a.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) realizou o primeiro corte na taxa de juros desde maio de 2024, interrompendo um período de quase dois anos sem reduções. A diminuição foi de 0,25 ponto percentual, fazendo com que a Selic passasse a 14,75% ao ano.
De acordo com análise da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), esse movimento reflete a postura prudente do colegiado diante de um ambiente externo ainda instável, influenciado pelas tensões no Oriente Médio, pela alta nos preços do petróleo e pelos riscos inflacionários em escala global.
Para a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, a taxa Selic, que voltou ao nível observado em maio de 2025, segue em patamar bastante elevado. “E o custo disso é o adiamento de investimentos produtivos, pressão no orçamento das famílias, que já registram endividamento elevado e um maior custo fiscal. Vale destacar que, depois de crescer 2,3% em 2025, as projeções sinalizam um menor dinamismo da economia brasileira em 2026. A pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central, com instituições do mercado financeiro, projeta alta de 1,83% para o Produto Interno Bruto (PIB). O Fundo Monetário Internacional (1,6%) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (1,7%) também estimam crescimento inferior a 2% para a economia nacional. E os juros em alto patamar refletem diretamente nesse menor ritmo de atividade”, explica a economista.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referência oficial da inflação no país, registrou alta de 3,81% nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026. Já o Boletim Focus, divulgado em 13 de março de 2026, projeta que o indicador encerre o ano em 4,10%.
Impactos na construção civil

Ieda destaca que a taxa de juros elevada é um dos principais problemas enfrentados pela construção civil. A Sondagem Indústria da Construção, conduzida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), revela que, há mais de um ano, esse fator figura entre os três principais desafios apontados pelos empresários do setor.
“Outro dado da Sondagem Indústria da Construção também demonstra os efeitos dos juros altos no setor. O indicador de facilidade ao acesso ao crédito está muito abaixo da linha divisória de 50 pontos. Quanto mais distante dessa linha maior a dificuldade. No 4º trimestre/25, ele alcançou 39,0 pontos, mantendo-se ainda 11 pontos abaixo da linha divisória e refletindo a dificuldade da Construção nesse quesito”, afirma Ieda.
A economista também destaca outro entrave: a elevação do custo da construção em patamares superiores à inflação. “O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou alta de 5,68% nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026. No período, os gastos com materiais e equipamentos avançaram 3,29%, enquanto os custos com mão de obra tiveram elevação de 8,86%. Em comparação com o IPCA, observa-se que os custos da construção seguem acima da inflação geral”, pontua. Isso evidencia que os custos da construção seguem acima da inflação geral”, pontua.
Para Ieda, a queda consistente no custo do crédito poderá incentivar lançamentos imobiliários, ampliar o acesso à casa própria, impulsionar a cadeia produtiva do setor e, consequentemente, gerar mais renda na economia. “O setor precisa de uma melhor perspectiva do custo do crédito no horizonte para impulsionar o seu crescimento e contribuir ainda mais para o desenvolvimento sustentado do país”, comenta.
Para Fabrício Bellini, CEO da Blue Heaven, mais importante do que prever a velocidade da queda dos juros é compreender seus efeitos práticos. Segundo ele, a simples expectativa de redução já reposiciona o mercado, levando investidores a enxergar o imóvel comouma forma de proteção e potencial de valorização — antes mesmo de a queda se concretizar.
No segmento de alto padrão, esse movimento é ainda mais evidente em regiões com restrições de oferta. Bellini destaca que a redução da Selic tende a destravar decisões de compra e, ao mesmo tempo, aumentar o interesse por ativos escassos e menos dependentes do ciclo econômico. “O investidor experiente busca escassez, liquidez e previsibilidade — e, com a virada da curva de juros, essa equação se torna mais favorável para quem se antecipa”, conclui.
Para Caio Portugal, presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO), a queda dos juros é fundamental para destravar investimentos e ampliar o acesso ao crédito imobiliário. Mesmo que mais moderado, o corte já indica uma mudança relevante no ciclo econômico.
Ele alerta, porém, que a instabilidade externa pode manter o crédito restrito por mais tempo, reforçando a necessidade de maior previsibilidade na política monetária e de medidas que incentivem o financiamento habitacional. Ainda assim, destaca que o movimento marca o início da flexibilização, essencial para reaquecer o setor.
Fontes:
Ieda Vasconcelos é economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Fabrício Bellini é CEO da Blue Heaven.
Caio Portugal é presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO).
Contatos
CBIC: imprensa@cbic.org.br
Assessoria de imprensa Blue Heaven: redacao7@rotascomunicacao.com.br
Assessoria de imprensa AELO: veramoreira@veramoreira.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Licitação integrada ganha espaço como modelo de contratação e avança no setor público
A licitação integrada vem ganhando maior visibilidade nas contratações públicas de obras e serviços de engenharia no Brasil. A modalidade altera a lógica tradicional das licitações ao concentrar, em um único contratado, etapas como o desenvolvimento dos projetos e a execução da obra, com base em diretrizes previamente estabelecidas pela administração pública.
O modelo está previsto no Regime Diferenciado de Contratações, instituído pela Lei nº 12.462 de 2011, e foi incorporado à Lei nº 14.133 de 2021, conhecida como Nova Lei de Licitações, que consolidou novas formas de contratação para obras e serviços de engenharia.
De acordo com a engenheira Daniela Ferrari, vice-presidente de Habitação do SindusconSP e do SecoviSP, o modelo responde a uma demanda antiga do setor produtivo. “Licitação integrada é uma modalidade de contratação pública em que um único contratado fica responsável por várias etapas do empreendimento, desde o projeto básico e executivo até a execução da obra e entrega final em condições de operação”, afirma.
Segundo ela, essa estrutura permite que as empresas participantes apresentem propostas com base em sua própria experiência técnica e nos sistemas construtivos que dominam. “Isso amplia as possibilidades de soluções para o poder público, principalmente em um momento em que o setor dispõe de diferentes tecnologias construtivas além dos métodos tradicionais”, observa.
Como funciona a contratação integrada

Na prática, o poder público apresenta um anteprojeto com diretrizes gerais da obra. A partir desse documento, as empresas interessadas desenvolvem a proposta completa, que inclui os projetos detalhados e a solução construtiva a ser adotada.
Esse formato transfere ao contratado a responsabilidade pela elaboração dos projetos básico e executivo, bem como pela execução da obra. O modelo costuma ser acompanhado por uma matriz de risco bem definida, com o objetivo de reduzir incertezas e acelerar a entrega do empreendimento.
Vantagens e desafios do modelo
Entre os pontos positivos apontados pelo setor está a possibilidade de reduzir aditivos contratuais, um problema recorrente em obras públicas quando os projetos apresentam falhas ou detalhamento insuficiente. A contratação integrada tende a mitigar esse risco. “A administração pública pode receber propostas mais interessantes e aproveitar o repertório técnico da iniciativa privada. Além disso, o modelo reduz a chance de aditamentos motivados por projetos incompletos”, afirma.
Por outro lado, o sistema exige maior preparação da administração pública na definição dos critérios de escolha da proposta vencedora. “É necessário estabelecer parâmetros claros de avaliação, que podem considerar fatores como prazo de execução, custo global ou desempenho técnico”, orienta.
Além disso, o modelo pode reduzir a participação de empresas menores. Como a elaboração de um projeto completo exige investimento prévio, algumas companhias podem optar por não participar da disputa.
Aplicações e perspectivas

Crédito: Divulgação
A contratação integrada já vem sendo utilizada em projetos habitacionais e obras públicas. Em São Paulo, por exemplo, o formato foi adotado em iniciativas da Prefeitura, como o programa Pode Entrar, e em licitações conduzidas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano na Baixada Santista.
Apesar dessas experiências, o modelo ainda passa por um processo de consolidação. Para Daniela, o avanço depende do fortalecimento da segurança jurídica e da construção de referências práticas. “A nova lei ainda é recente e passa por um período de amadurecimento. É importante produzir estudos de caso e desenvolver materiais técnicos que ajudem a consolidar entendimentos e dar mais segurança nas decisões”, afirma.
Segundo a engenheira, também é necessário ampliar o debate sobre a interpretação de conceitos presentes na legislação, como a caracterização de soluções inovadoras. O objetivo é evitar entraves e permitir que diferentes alternativas construtivas possam ser avaliadas de forma transparente.
Com a ampliação das discussões e o avanço das experiências práticas, a expectativa do setor é de que a licitação integrada se torne uma ferramenta mais presente na contratação de obras públicas, principalmente em projetos que exigem rapidez, eficiência e maior integração entre projeto e execução.
Entrevistada
Daniela Ferrari é engenheira civil com mais de 33 anos de experiência, formada pelo Mackenzie, pós-graduada em engenharia de produção pela Fundação Vanzolini/USP, MBA em finanças pelo IBMEC e governança corporativa pela Saint Paul Business School. Atualmente é diretora de Relações Institucionais na Tenda e vice-presidente de habitação no SindusconSP e SecoviSP. É membro dos Conselhos de Habitação e Políticas Urbanas do Município de São Paulo e do Fundo Paulista de Habitação de Interesse Social do Estado de São Paulo.
Contato
dferrari@tenda.com (Assessoria de Imprensa)
Crédito: Divulgação
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Brasil avança em norma para projeto estrutural em UHPC
Em julho de 2025, foi publicado um conjunto de quatro normas voltadas ao concreto de ultra alto desempenho (UHPC): ABNT NBR 17246 – partes 1 a 4. Agora, a Comissão de Estudo Estruturas de Concreto de Ultra Alto Desempenho em Edificações (CE-002:124.029), vinculada ao Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-002), trabalha na elaboração da norma brasileira para projeto estrutural em UHPC.
Segundo a professora Ana Elisabete Jacintho, cerca de 75% dos estudos já foram concluídos, e a expectativa é que o texto seja encaminhado para consulta pública até o final de 2026.
De acordo com ela, a futura norma brasileira irá adaptar ao contexto nacional as recomendações da Associação Francesa de Normalização (AFNOR), presentes na NF P18-710, que trata do projeto estrutural em concreto armado e protendido com UHPC.
“Esta norma pretende dar respaldo à industrialização de pré-fabricados em UHPC, permitindo a fabricação de peças mais esbeltas e mais resistentes, que podem ser utilizadas em diversas frentes de trabalho”, afirma Ana Elisabete.
Um dos avanços previstos é a incorporação explícita da resistência residual à tração do UHPC reforçado com fibras no dimensionamento estrutural.
“A resistência pós-fissuração do UHPC é muito importante para o dimensionamento dos elementos estruturais, e a forma de consideração dessa resistência estará explícita na norma de projetos”, explica.
Apesar do avanço, ainda existem lacunas de pesquisa. Entre elas está o comportamento do UHPC em situações de incêndio, tema que ainda demanda mais estudos.
Comportamento estrutural do UHPC com fibras
Segundo Ana Elisabete, o comportamento estrutural do UHPC com fibras apresenta diferenças relevantes em relação ao concreto convencional, especialmente em alguns aspectos:
- Ultra alta resistência à compressão e deformação limite associada à resistência à tração e à orientação das fibras;
- Definição de classes de comportamento do UHPC em função da ductilidade, considerando os regimes softening e hardening após a fissuração;
- Consideração da resistência à tração do UHPC no dimensionamento à flexão e ao cisalhamento;
- Contribuição das fibras na resistência ao cisalhamento dos elementos estruturais.
ABNT NBR 17246
Publicada em julho de 2025, a ABNT NBR 17246 é composta por quatro partes que tratam especificamente do material UHPC.

“A parte 1 aborda a classificação, os requisitos e a especificação do material. A parte 2 define os procedimentos para validação de dosagens e de produção, enquanto a parte 3 estabelece os protocolos de controle de qualidade. Já a parte 4 apresenta os métodos de ensaio para caracterização do material”, explica Renata Monte, professora doutora do Departamento de Engenharia de construção Civil da Escola Politécnica da USP.
Para a elaboração do conjunto de normas, foram consultadas diversas referências normativas e bibliográficas internacionais.
“A normalização francesa (AFNOR) serviu de base para muitos desenvolvimentos internacionais, incluindo a norma brasileira. A experiência francesa na fabricação do material (Ductal®) e os projetos já realizados foram muito importantes para o avanço da tecnologia”, destaca Renata.
Em relação aos ensaios, ela explica que os protocolos para testes mais simples, como resistência à compressão e módulo de elasticidade, não diferem significativamente dos aplicados ao concreto convencional. No entanto, a capacidade de carga exigida para os equipamentos é maior.
“Isso pode ser um gargalo para alguns laboratórios de controle tecnológico. Além disso, como o UHPC costuma utilizar fibras para atingir resistência à tração, são necessários ensaios específicos, como os de flexão com determinação da resistência residual pós-fissuração”, afirma.
Apesar disso, Renata observa que parte do setor já vem se preparando para essa demanda.
“Alguns laboratórios já estão buscando essa capacitação desde a publicação, em 2021, das normas brasileiras para concreto com fibras.”
Na avaliação de Renata, a existência de normas técnicas não necessariamente acelera o uso da tecnologia, mas traz segurança para sua aplicação quando houver viabilidade técnica e econômica.
“Além disso, a existência de normas nacionais contribui para ampliar a divulgação da tecnologia no meio técnico”, conclui Renata.
Entrevistadas
Ana Elisabete Jacintho é professora em Dedicação Integral da PUC Campinas e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Infraestrutura Urbana. Possui pós-doutorado pela Universidade de São Paulo - Escola Politécnica, mestrado e doutorado em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo - Escola de Engenharia de São Carlos e graduação em Engenharia Civil pela Fundação Educacional de Barretos. Participa do grupo de trabalho ABECE/IBRACON sobre concreto de ultra alto desempenho (UHPC) e coordena o Comitê de Estudos da ABNT sobre o tema.
Renata Monte é engenheira civil formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, possui mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo, além de formação também em Construção de Edifícios e Matemática. É professora do Departamento de Engenharia Civil da Escola Politécnica da USP e integra a equipe de pesquisadores da Unidade EMBRAPII - Materiais para Construção Ecoeficiente. Membro dos comitês técnicos internacionais da RILEM relacionados a materiais cimentícios avançados. Coordenou a Comissão de Estudos de Concreto Reforçado com Fibras e atualmente coordena a Comissão de Estudo de Concreto de Alta e Ultra-alta Resistência, ambas da ABNT.
Contato
anajacintho@puc-campinas.edu.br.
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Mercado imobiliário no Brasil enfrenta escassez de mão de obra
No quarto trimestre de 2025, o mercado imobiliário brasileiro atingiu níveis históricos em lançamentos, vendas, valor geral de lançamentos (VGL) e na oferta de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, segundo a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O período registrou alta de 18,6% em relação ao trimestre anterior, com 133.811 unidades lançadas, enquanto no acumulado de 12 meses o crescimento foi de 10,6%, totalizando 453.005 unidades. O VGL alcançou R$ 292,3 bilhões em 2025, também um recorde e 10,6% acima de 2024. Além disso, houve avanço de 5,4% nas vendas e de 6,2% na oferta final de imóveis, que cresceu 8% em um ano, encerrando 2025 com 347.013 unidades disponíveis.
Paralelamente, o mais recente Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), aponta que a construção civil deverá demandar mais de 4,4 milhões de profissionais até 2027. Já o Índice de Confiança da Construção (ICST), divulgado pelo FGV IBRE em fevereiro de 2026, indica que os empresários do setor seguem enfrentando entraves na contratação de mão de obra qualificada. No período, 41,6% dos entrevistados afirmaram que a escassez de profissionais tem limitado o avanço de seus negócios — o maior percentual registrado para um mês de fevereiro desde 2011.
A economista do FGV Ibre, Ana Maria Castelo, alertou para um gargalo estrutural que deve se intensificar em 2026: a escassez de mão de obra qualificada. A sondagem da FGV Ibre mostra que a limitação relacionada ao mercado de trabalho segue como uma das principais restrições ao avanço dos negócios no setor.
“Se a atividade voltar a acelerar, a pressão sobre o mercado de trabalho será ainda maior. Esse é o grande desafio para sustentar o crescimento nos próximos anos”, avalia.
Para Gustavo Selig, CEO do Grupo Hestia, a escassez de mão de obra já não é uma preocupação futura, mas um desafio concreto nas obras. “Em alguns casos ainda conseguimos administrar a situação, mas já existe impacto real nos cronogramas. Muitas vezes não conseguimos formar equipes completas para determinadas etapas da obra. Quando falta um profissional especializado, o ritmo da construção diminui e o cronograma se estende”, explica.

Crédito: Envato
O impacto nos custos também é significativo. “O aumento do custo da mão de obra pesa muito porque, proporcionalmente, foi bem maior do que o aumento dos materiais. Como a construção civil trabalha com margens apertadas, esse crescimento pressiona a viabilidade dos projetos. As empresas tentam absorver parte desses aumentos com eficiência e melhor gestão, mas existe um limite. Na prática, parte desse custo acaba sendo repassada ao preço final dos imóveis para manter a sustentabilidade dos empreendimentos”, alerta Selig.
Escassez de profissionais e falta de qualificação
Segundo Selig, o setor enfrenta dois problemas simultâneos: “Existe uma escassez de profissionais no mercado, mas também uma grande dificuldade em encontrar trabalhadores com qualificação técnica adequada. Não é apenas falta de gente; muitas vezes é falta de preparo para as novas demandas da construção”.
Ele lembra que, nos últimos anos, houve um afastamento das novas gerações do trabalho no canteiro de obras. “Muitos jovens não enxergam a construção civil como uma carreira atrativa, principalmente no modelo tradicional. Ao mesmo tempo, o setor passa por transformação tecnológica que exige profissionais mais preparados”.
Para enfrentar esse cenário, as construtoras investem em formação interna, programas de capacitação e parcerias com instituições como o SENAI. “A ideia é formar profissionais que o próprio mercado hoje não consegue entregar. A retenção também virou prioridade. Empresas estruturam melhor planos de carreira, investem em segurança, melhores condições de trabalho e benefícios. Hoje, valorizar o profissional é essencial para manter equipes qualificadas”, afirma Selig.
Tecnologia e industrialização como saída
A tecnologia surge como uma resposta estratégica para a escassez de mão de obra. “A construção civil está passando por modernização, incluindo digitalização da gestão das obras e industrialização dos processos construtivos. Sistemas mais industrializados, como pré-fabricados, steel frame e construção modular, transferem parte do trabalho do canteiro para ambientes industriais. Isso aumenta a produtividade, melhora o controle de qualidade e reduz a necessidade de mão de obra intensiva no local da obra”, explica Selig.
Ele complementa: “Ferramentas de planejamento e gestão, como BIM e aplicativos de acompanhamento de obra, permitem organizar melhor os processos, reduzir retrabalho e melhorar logística. Equipes menores conseguem produzir mais, com eficiência e menos desperdício”.
Redução da jornada 6x1 e produtividade
A discussão sobre a redução da escala 6x1 no setor da construção civil é delicada. “Em um cenário de dificuldade para encontrar profissionais, qualquer redução de jornada sem aumento de produtividade impacta diretamente os custos da construção. Menos horas trabalhadas significam a necessidade de contratar mais pessoas, que muitas vezes não estão disponíveis. Além disso, há preocupação com o custo da hora trabalhada. Se a jornada diminui e a produtividade não cresce na mesma proporção, o custo da obra tende a subir. É um tema que precisa ser discutido com muito cuidado”, afirma Selig.
Para David Fratel, diretor de Gente do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), a redução da jornada deve ser o destino final de um processo estruturado, e não o ponto de partida. “A melhor sequência sustentável é: (1) Qualificação, (2) Industrialização, (3) Produtividade e (4) Ganhos Reais de Entrega. Só após esses degraus a redução de jornada se torna viável. Inverter essa lógica gera ineficiência técnica e aumento direto de custos”, alerta Fratel.
Ele detalha que o SindusCon-SP já trabalha para melhorar a produtividade do setor por meio de Trilhas de Carreira Profissional com certificações, industrialização liderada pelos comitês COI e CCI, produtividade debatida no CTQ, segurança jurídica e contratação de jovens-aprendizes geridas pelo Conselho Jurídico. “É um trabalho estruturado para garantir resultados sólidos e irreversíveis”, comenta Fratel.
Fratel ainda reforça: “Propomos revisão da incidência de encargos sociais e a implementação de remuneração por produtividade. Reduzir jornada sem ganho de eficiência apenas transforma horas produtivas em encargos adicionais. A necessidade de um trabalho gradual e estruturado é central no nosso Grupo de Trabalho de Recursos Humanos (GTRH)”.
Selig comenta que muitas empresas investem cada vez mais em tecnologia, planejamento e industrialização para aumentar a produtividade. “A ideia é tornar a obra menos dependente do esforço manual e mais baseada em processos organizados, montagem técnica e sistemas construtivos eficientes. Esse caminho ajuda o setor a se adaptar a mudanças futuras nas relações de trabalho”, conclui.
Fontes
Gustavo Selig é engenheiro civil graduado pela PUC-PR, com Mestrado em Administração de Empresas e Negócios pela FGV-PR. Cofundador e presidente do Grupo Hestia, atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário paranaense, liderando projetos que unem tradição, inovação e propósito.
Foi representante do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) no Ippuc e presidiu a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR) por três gestões consecutivas.
David Fratel é diretor de Gente do SindusCon-SP.
Contatos
gustavo.selig@grupohestia.com.br
rmontagnini@sindusconsp.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Estrada da América entra na fase final e amplia acesso rural e turístico em Morretes
A pavimentação da Estrada da América, em Morretes, no Litoral do Paraná, está na etapa final de execução e deve alterar a dinâmica de deslocamento na região. Com cerca de sete quilômetros de extensão, a obra recebeu investimento de R$ 12,4 milhões, resultado de convênio entre a Prefeitura e a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística do Paraná. Desse total, R$ 8,8 milhões são repasses estaduais e R$ 3,5 milhões correspondem à contrapartida municipal. O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) atua como órgão interveniente e fiscaliza as medições mensais dos serviços executados.
A estrada, localizada em perímetro urbano e com mais de 200 anos de história, recebe pavimento rígido de concreto em placas de 16 centímetros de espessura, projetado para uma vida útil de aproximadamente 20 anos. Além da nova estrutura, foram realizados serviços de terraplenagem e regularização do subleito. Nesta fase, estão sendo concluídos o sistema de drenagem e a sinalização horizontal e vertical.
Impacto direto na produção rural
De acordo com o engenheiro civil Giovani Alberti, representante regional da Associação Brasileira de Cimento Portland no Paraná (ABCP), a obra tem impactos diretos sobre a economia local. “A pavimentação é fundamental para melhorar o bem-estar da população e fortalecer a produção rural. Ela garante mais segurança, conforto e acesso contínuo a serviços”, afirma.
A região tem forte presença da agricultura familiar e da agroindústria, produzindo principalmente gengibre, banana, cana-de-açúcar destinada à produção de cachaça e hortifrutigranjeiros. Com o novo pavimento, o escoamento tende a ocorrer com menos perdas e menor custo de manutenção dos veículos. “A estrada facilita o transporte e reduz dificuldades enfrentadas em períodos de chuva ou estiagem excessiva”, acrescenta Alberti.

A obra também contou com suporte técnico da entidade. Segundo ele, a associação atuou junto à área de engenharia da Secretaria Municipal de Infraestrutura, oferecendo apoio nas análises técnicas, esclarecimentos e orientações sobre o projeto e a execução do pavimento em concreto.
Turismo e mobilidade urbana
Morretes é reconhecida pelo patrimônio histórico e pelas paisagens naturais que atraem visitantes ao longo do ano. Para o DER, o novo pavimento facilita o acesso às áreas turísticas e melhora a experiência de quem chega à cidade. O órgão destaca que a intervenção amplia o conforto para turistas e moradores. Por estar em perímetro urbano, a estrada também beneficia o transporte coletivo e escolar, além do deslocamento para serviços públicos. A melhoria na regularidade da via reduz transtornos antes associados a trechos de terra ou pavimentos deteriorados. O DER ressalta ainda que a iniciativa é inédita no município e pode servir de referência para futuras intervenções em concreto na região.
Tendência de expansão no Sul
A obra de Morretes integra um movimento mais amplo de modernização da malha rodoviária no Sul do país. No Paraná, o DER tem obras de whitetopping contratadas e em fase de projeto, com previsão de início ainda neste semestre, além de novos editais previstos para rodovias da região de Maringá e ligações estratégicas no estado.
O engenheiro Dejalma Frasson Junior, gerente regional Sul da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), avalia que o avanço do pavimento de concreto decorre da busca por maior durabilidade e garantia de tráfego contínuo. “Os estados da Região Sul têm ampliado o uso dessa tecnologia, tanto em rodovias estaduais quanto em estradas rurais municipais, com foco em segurança e redução de custos de manutenção”, afirma.
Com a conclusão da Estrada da América, Morretes passa a contar com uma via estruturada para atender produtores, moradores e visitantes, consolidando a infraestrutura como um importante vetor de desenvolvimento econômico e social no Litoral paranaense.
Fonte
DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná)
Entrevistados
Dejalma Frasson Junior é engenheiro civil, especialista em gestão empresarial, tecnologia do concreto, engenharia rodoviária e pavimento de concreto. Atualmente, é gerente da Regional Sul da ABCP e professor do IPOS (Instituto de Especialização), na disciplina de Pavimento de Concreto, nos cursos de Infraestrutura de Transportes, Engenharia de Pavimentação e Engenharia Rodoviária.
Giovani Alberti é engenheiro civil e tecnólogo em concreto. Atualmente, é Representante Regional da ABCP-PR.
Contato
daniela.nogueira@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Eletrificação, IA e automação marcam o CONEXPO-CON/AGG 2026 em Las Vegas
O CONEXPO-CON/AGG 2026, realizado entre 3 e 7 de março, atraiu mais de 140 mil profissionais da construção de 128 países para Las Vegas, Estados Unidos. A feira reuniu empreiteiros, fabricantes, líderes em tecnologia e representantes da força de trabalho para apresentar novos equipamentos, tecnologias emergentes e soluções desenvolvidas para tornar o setor da construção mais eficiente, seguro e sustentável, mantendo ao mesmo tempo o forte ritmo de crescimento da indústria.
Nesta edição, o CONEXPO-CON/AGG 2026 contou com mais de 2 mil expositores. Entre os destaques estiveram grandes máquinas de movimentação de terra, guindastes de grande porte e equipamentos de pavimentação de última geração, além de soluções digitais para canteiros de obras, automação, sustentabilidade e novos avanços tecnológicos. O pavilhão do evento ofereceu aos participantes a oportunidade de conhecer essas inovações de perto, conectar-se diretamente com fabricantes e tomar decisões de compra mais informadas, capazes de influenciar projetos e negócios nos próximos anos.
“O CONEXPO-CON/AGG é o lugar onde a indústria da construção vem para ver o que está por vir”, afirmou Dana Wuesthoff, diretora do evento. “Esta semana demonstrou a resiliência e a engenhosidade do nosso setor. De máquinas avançadas a ferramentas digitais que ajudam as equipes a trabalhar de forma mais segura e inteligente, as inovações apresentadas aqui irão moldar os canteiros de obras nos próximos anos.”
Inovações que vão definir o próximo canteiro de obras

Crédito: CONEXPO-CON/AGG 2026
Durante a feira, fabricantes apresentaram tecnologias e equipamentos voltados à próxima geração de canteiros de obras, com destaque para automação, eletrificação e soluções digitais. A Komatsu mostrou avanços em controle inteligente de máquinas, enquanto a LiuGong apresentou equipamentos de baixas emissões, incluindo escavadeiras elétricas. Empresas de tecnologia também demonstraram soluções para monitoramento e gestão digital das operações, como sistemas de controle de máquinas, conectividade e análise de dados em tempo real. Já a Bobcat destacou inovações em inteligência artificial, autonomia e conectividade, voltadas para aumentar a eficiência e a produtividade nos canteiros de obras.
Para Saulo Marcel dos Santos, engenheiro civil e diretor responsável técnico da Kerber Pré-Moldados, um dos pontos que mais chamaram atenção no CONEXPO-CON/AGG 2026 foi o avanço na eletrificação das máquinas, além de equipamentos dotados de inteligência artificial e sistemas de controle e monitoramento remoto, inclusive para acompanhamento de manutenção.
“Estamos iniciando no setor de fundações e recentemente adquirimos uma máquina de hélice contínua monitorada. Encontramos muitas empresas apresentando novidades e equipamentos modernos voltados para esse segmento”, comenta Santos.
Para o diretor da Kerber, a principal lição do evento é clara: toda a indústria está investindo fortemente em tecnologia para reduzir custos, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade das operações.
Na avaliação de Luís Antônio Hobi, diretor da Hobimix, os grandes destaques da feira foram os equipamentos elétricos, como carregadeiras e caminhões, além dos sistemas de controle e monitoramento por satélite aplicados às máquinas.
Next Level Awards 2026
Durante o evento, a inovação na indústria também foi reconhecida pelo Next Level Awards, que destaca tecnologias e equipamentos capazes de transformar a execução e a gestão de projetos de construção, promovendo mais produtividade, sustentabilidade e segurança nos canteiros.
O GenSteer™, da Husco, foi eleito como o melhor equipamento. Trata-se de uma nova tecnologia de direção Steer-by-Wire para máquinas fora de estrada. A inovação elimina sistemas eletrônicos redundantes e utiliza a própria força do operador como fonte de energia em caso de falha elétrica, garantindo que a direção continue funcionando. Com isso, a tecnologia torna a direção digital mais segura, simples e escalável, mantendo o controle mesmo em situações de falha do sistema.
Já o Gravis Rack, da Gravis Robotics, ganhou a competição como a melhor tecnologia. O sistema transforma máquinas de movimentação de terra em equipamentos inteligentes ao incorporar sensores 3D, câmeras e processamento embarcado. O Gravis Rack atua como um copiloto na cabine, oferecendo dados em tempo real e orientação para aumentar a segurança e a eficiência. A plataforma também permite operações autônomas, como escavação e carregamento, que podem ser monitoradas por meio de um único tablet.
Fontes
Saulo Marcel dos Santos é engenheiro civil e diretor responsável técnico da Kerber Pré-Moldados
Luís Antônio Hobi é diretor da Hobimix.
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Pré-fabricados de concreto projetam expansão em 2026 com foco em infraestrutura e inovação
O mercado brasileiro de pré-fabricados de concreto inicia 2026 com perspectiva de avanço, impulsionado pela ampliação de obras de infraestrutura, pela busca por maior produtividade e pela incorporação de novas tecnologias. A avaliação é da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC), entidade que reúne fabricantes e empresas ligadas à industrialização da construção.
Segundo a presidente executiva da ABCIC, Íria Doniak, o segmento deve manter a trajetória de crescimento ao longo do ano, tanto em áreas já consolidadas quanto em frentes ainda pouco exploradas. “O setor vai continuar avançando em inúmeros aspectos, atuando em segmentos tradicionais e explorando novos mercados nos quais a pré-fabricação de concreto ainda tem potencial a ser ampliado, como o setor imobiliário”, afirma.
Ela destaca que os investimentos em tecnologias digitais e em novos materiais permanecem no centro das estratégias das empresas, com impacto direto na eficiência produtiva e na competitividade.
Infraestrutura lidera demanda
Entre os vetores de expansão, a infraestrutura ocupa posição de destaque. O sistema de pré-fabricação atende obras rodoviárias, ferroviárias e aeroportuárias, além de projetos de mobilidade urbana. “Vemos um investimento importante sendo realizado nesses modais, que são atendidos pelo nosso setor”, diz Íria.
A executiva também destaca o setor de energia renovável, especialmente a geração eólica no Nordeste, onde projetos têm adotado soluções industrializadas em concreto.

No caso das rodovias, as concessionárias vêm priorizando intervenções que conciliem segurança, redução de custos de manutenção e menor impacto ao tráfego. A construção industrializada contribui para esse cenário ao permitir montagens mais rápidas e com menor contingente de trabalhadores em campo. Em mercados como os Estados Unidos, métodos acelerados de construção já são adotados como padrão em diversas frentes.
Produtividade e previsibilidade
A escassez de mão de obra e a pressão por cronogramas mais curtos têm reforçado a preferência pelo modelo industrializado. Para Íria, a pré-fabricação oferece maior previsibilidade de prazos e custos, além de ganhos significativos de produtividade.
“Os desafios ligados à escassez de mão de obra, à maior produtividade, ao combate às mudanças climáticas e à busca pela neutralidade de carbono contribuem para o maior uso da industrialização”, afirma. Ela acrescenta que a necessidade de reduzir o déficit habitacional e de melhorar a infraestrutura urbana amplia o espaço para o sistema construtivo industrializado.
Outro fator valorizado pelas empresas é a mitigação de riscos. A produção em ambiente controlado contribui para a redução de passivos trabalhistas e ambientais, além de minimizar desperdícios.
Concretos especiais ganham espaço
O avanço tecnológico também se reflete na adoção de concretos de alto desempenho. De acordo com levantamento da entidade, cresceu o número de empresas que já utilizam ou estão implantando o uso de Ultra High Performance Concrete (UHPC). Em 2023, 10% das associadas declaravam utilizar a tecnologia. Em 2024, o índice subiu para 14%. Outras 56% informaram estar em fase de estudos para adoção.
O concreto autoadensável também registra ampla presença, sendo produzido por 78% das empresas consultadas no último ano. Para a presidente executiva, o uso de materiais como o concreto reforçado com fibras e o UHPC melhora o desempenho estrutural e contribui para ganhos logísticos. “No caso do concreto reforçado com fibras e do UHPC, há redução do volume de concreto utilizado nos elementos, com impacto em transporte e montagem”, explica.
Perspectiva para 2026
A ABCIC acompanha a evolução de um setor que se posiciona como alternativa para obras de maior complexidade e escala. Para 2026, a combinação entre investimentos em infraestrutura, modernização tecnológica e demanda por eficiência deve sustentar a expansão do mercado.
A consolidação da construção industrializada no país dependerá da continuidade de políticas de investimento e da capacidade das empresas de ampliar a presença em novos segmentos, como o setor imobiliário. A avaliação do setor indica que há espaço para crescimento consistente, desde que o ambiente econômico favoreça a retomada de projetos públicos e privados e mantenha o ritmo de inovação observado nos últimos anos.
Entrevistada
Íria Doniak, presidente executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto)
Contato
sylvia@meccanica.com.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Normas técnicas ganham protagonismo na agenda ambiental da construção em 2026
A discussão sobre reduzir as emissões de CO₂ na construção civil está cada vez mais relacionada às normas técnicas. Em 2026, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) deverá consolidar e atualizar os documentos que orientam todas as etapas, do projeto à operação das edificações, com foco em desempenho, controle de processos e sustentabilidade.
Mario William Esper, presidente da ABNT, explica que o apoio normativo para reduzir emissões não se concentra em um único texto. Na prática, ele está distribuído em diversas normas e frentes de trabalho que envolvem fabricantes de materiais, projetistas, construtoras, bem como gestores e responsáveis pela operação e manutenção dos edifícios. “Diminuir as emissões na construção passa por toda a cadeia. Por isso, o suporte técnico se apoia em normas que tratam de sustentabilidade, desempenho, eficiência e controle, criando condições para evitar desperdícios e impactos ao longo da vida útil dos edifícios”, afirma.
Entre as iniciativas em andamento, Esper destaca os comitês que definem referências para temas como taxonomia, inventário de emissões e análise de ciclo de vida. No que diz respeito aos materiais, já estão sendo desenvolvidas normas que estabelecem requisitos relacionados à redução de emissões em cimento, aço e concreto.
A ABNT também mantém grupos que atuam na gestão de resíduos sólidos e logística reversa, contribuindo diretamente para reduzir perdas e aumentar a reciclagem. No universo da construção civil, as discussões abrangem industrialização, uso de BIM, coordenação modular e estudos para a criação de uma norma específica sobre inventários de gases de efeito estufa em edificações, alinhada a referências internacionais.
No que se refere a desempenho, a ABNT NBR 15575 já estabelece requisitos ligados à sustentabilidade, enquanto outros grupos seguem avançando em eficiência energética e desempenho térmico.

Crédito: Envato
A atualização das normas de produto também integra a agenda. A ABNT NBR 13281, publicada em 2018, estabeleceu requisitos de desempenho para argamassas, contribuindo para maior durabilidade e redução de custos com manutenção e descarte.
Na visão de Esper, esse tipo de norma contribui, mesmo que indiretamente, para a mitigação de emissões. “Quando a norma eleva o padrão técnico do produto e orienta o uso correto, reduz falhas, retrabalhos e manutenção precoce. O benefício ambiental muitas vezes vem desse efeito acumulado”, explica. Ele também lembra que critérios mais rigorosos de qualidade e durabilidade tendem a diminuir desperdícios na obra e o consumo de recursos ao longo do tempo.
Na construção civil, referências como a ABNT NBR ISO 14068 e a ABNT PR 2060 ajudam a dar mais consistência técnica às estratégias de descarbonização, porque organizam critérios para quantificação, redução e neutralidade de carbono. “Isso é relevante para todo o ciclo do empreendimento, da escolha de materiais e sistemas à operação da edificação, bem como fortalece decisões mais seguras, mensuráveis e alinhadas à sustentabilidade”, assinala.
Já as normas como a ABNT NBR ISO 14064 e a ABNT NBR ISO 14067 são referenciais importantes, porque dão base técnica para medir emissões e calcular a pegada de carbono de produtos. “No contexto da construção civil, isso contribui para comparações mais objetivas entre materiais, processos e soluções construtivas, favorecendo escolhas com menor impacto ambiental”, aponta Esper.
Em janeiro de 2026, foi publicada a ABNT NBR 20250, que estabelece diretrizes gerais de sustentabilidade para produtos e serviços. O documento está alinhado ao Programa Selo Verde, do governo federal,e busca orientar a adoção de medidas que minimizem impactos negativos e potencializem os positivos nas áreas ambiental, social e econômica. A norma também tem como objetivo auxiliar na verificação de práticas sustentáveis e oferecer maior clareza técnica para compras públicas.
Segundo Esper, outras discussões estão em andamento, incluindo a elaboração de documentos para produtos laminados de alumínio, polímeros de fonte renovável e vidros com atributos sustentáveis. O objetivo é estabelecer critérios verificáveis que auxiliem projetos, especificações e fiscalização.
Apesar dos avanços, ele acredita que o setor ainda precisa ganhar escala e consistência. “O desafio é transformar boas práticas em referências técnicas mais amplas, que orientem projetos e decisões de forma uniforme”, afirma. Esper destaca a importância de articulação com órgãos públicos e com toda a cadeia produtiva, assim como do investimento em tecnologia e recursos para agilizar a criação e atualização das normas.
Em relação a todos os documentos em elaboração, a expectativa é que parte das novas normas seja publicada no primeiro semestre de 2026, dependendo do andamento das etapas formais, como consulta pública.
Para o setor da construção, o avanço nas normas promete influenciar os projetos futuros, oferecendo critérios mais claros de desempenho ambiental e aumentando a previsibilidade técnica das soluções adotadas.
Entrevistado
Mario William Esper é engenheiro civil e mestre em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). É presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), presidente da Associação Mercosul e diretor titular adjunto do Departamento da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Integra também o Conselho Superior do Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o grupo curador do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS) do Ministério do Desenvolvimento Regional. Atua na área de normalização técnica desde 2001 e tem longa trajetória na Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), onde iniciou carreira como estagiário de engenharia civil em 1974.
Contato
mario.william@abnt.org.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Mercado imobiliário cresce 10% em 2025 e prevê queda da taxa Selic para estimular lançamentos em 2026
O mercado imobiliário brasileiro encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados históricos. Entre outubro e dezembro foram lançadas 133.811 unidades, um crescimento de 18,6% em comparação com o mesmo período de 2024, representando o maior volume trimestral dos últimos dez anos. No acumulado do ano, os lançamentos somaram 453 mil unidades, crescimento de 10,6% em relação a 2024 e novo recorde da série histórica. Os dados integram a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, iniciativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborados pela Comissão da Indústria Imobiliária (CII/CBIC) em correalização com o SESI Nacional e parceria com a Brain Inteligência Estratégica.
Em termos financeiros, o volume total de vendas lançadas atingiu R$ 292 bilhões em 2025. Segundo Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP, o desempenho surpreende diante do cenário de juros elevados. “Apesar da taxa de juros persistente em 15% ao ano, o incorporador continuou a sentir a demanda e fez seus lançamentos imobiliários independentemente desse patamar”, afirmou.
As vendas seguiram o mesmo ritmo: no quarto trimestre, foram comercializadas 109 mil unidades, e no acumulado de 2025, o setor totalizou 426.260 imóveis vendidos, representando uma alta de 5,4% em relação ao ano anterior.
Petrucci destacou a trajetória de crescimento ao longo dos últimos anos. “Em 2020 acumulávamos 279 mil unidades vendidas em 12 meses. O mercado mostrou resiliência mesmo diante de pandemia, alta de custos e instabilidade econômica”, aponta.

Crédito: Envato
Oferta cresce, mas estoque segue sob controle
A oferta final de imóveis encerrou o ano em 347 mil unidades, avanço de 6,2% em comparação com 2024. O aumento decorre principalmente do volume expressivo de lançamentos no último trimestre.
Apesar disso, o indicador de escoamento permanece saudável. O tempo médio para absorção da oferta está em 9,8 meses, bem abaixo dos quase 30 meses registrados no auge da crise dos distratos, em 2016. “Mais importante que o número absoluto é o tempo de escoamento. Hoje ele está abaixo de um ano, o que indica equilíbrio”, explicou Petrucci.
Minha Casa, Minha Vida responde por metade do mercado
O programa Minha Casa, Minha Vida consolidou sua posição como principal motor do setor. Em 2025, respondeu por 52% dos lançamentos e 49% das vendas nas 221 cidades monitoradas pela pesquisa.
Foram 224 mil unidades lançadas e quase 200 mil vendidas dentro do programa, com crescimento de 15,9% nas vendas ao longo do ano. “O Minha Casa, Minha Vida é hoje um programa consolidado como política de Estado. Mais de 50% dos financiamentos imobiliários do país passam por ele”, afirmou Petrucci. O escoamento nesse segmento é ainda mais rápido, próximo de oito meses. O bom desempenho reflete a forte demanda pelo primeiro imóvel, aliada ao déficit habitacional estimado em quase 6 milhões de moradias.
Intenção de compra atinge nível recorde
Dados da Brain Inteligência indicam que 50% dos domicílios com renda superior a R$ 2.500 manifestam intenção de comprar imóvel, o maior índice da série histórica.
Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor da empresa, explicou que diferentes faixas de renda sustentam esse movimento. “Na classe média e baixa, a renda tem crescido acima da inflação. Já no segmento de alta renda, a taxa de juros elevada favorece quem investe e usa a aplicação para pagar parcelas”, afirmou.
Segundo ele, 35% dos interessados pretendem comprar um imóvel nos próximos 12 meses. A maior parte procura moradia própria, mas 11% pretendem adquirir imóveis para locação, reforçando o imóvel como reserva patrimonial.
Preços sobem acima da inflação
O índice de valorização imobiliária apurado pela FGV registrou alta de 18,6% nos últimos 12 meses, superando tanto o INCC quanto o IPCA. Para Araújo, esse cenário estimula compras antecipadas. “Há clientes travando o preço do imóvel hoje, corrigido pelo INCC, enquanto mantêm aplicações financeiras rendendo próximo de 15% ao ano. A diferença gera ganho financeiro relevante”, observa.
Perspectivas para 2026
O setor projeta 2026 com cautela, mas confiante. A expectativa de redução da taxa Selic para a faixa de 12% deve estimular tanto a demanda quanto novos lançamentos. “A queda da Selic tende a impulsionar o ânimo de quem já tem intenção de compra. O mercado pode repetir 2025 ou até superar, dependendo do ambiente macroeconômico”, avaliou Petrucci.
Araújo, no entanto, ressalta que a base de comparação é elevada. “Não é simples superar recordes sucessivos. A tendência é crescer em ritmo menor, mas ainda positivo”, afirma. Com crédito disponível, orçamento robusto do FGTS e possível ampliação das faixas de renda do programa habitacional, o mercado entra em 2026 sustentado por demanda consistente e fundamentos sólidos, mantendo perspectiva de crescimento equilibrado.
Fontes
Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP
Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor da Brain Inteligência
Contato
ascom@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience









