Resistência à tração do UHPC redefine o projeto de pré-fabricados de concreto
O concreto de ultra-alto desempenho (UHPC, na sigla em inglês) está promovendo uma mudança significativa na forma como os elementos pré-fabricados são projetados e dimensionados. Diferentemente do concreto convencional, cuja contribuição da resistência à tração é normalmente desconsiderada nos cálculos estruturais, o UHPC, especialmente quando reforçado com fibras, apresenta elevada resistência à tração e capacidade residual pós-fissuração. Isso permite que essa propriedade seja incorporada diretamente aos modelos de cálculo estrutural. Na prática, essa característica altera a lógica de dimensionamento de elementos submetidos à flexão e ao cisalhamento, reduz significativamente a necessidade de armaduras convencionais e amplia as possibilidades para a produção de peças mais esbeltas, leves e eficientes.
Mudança na lógica do dimensionamento estrutural em elementos pré-fabricados
De acordo com Daniel de Lima Araújo, professor titular da Universidade Federal de Goiás na Escola de Engenharia Civil e Ambiental,o UHPC, diferentemente do concreto convencional, apresenta elevada resistência à tração, que pode ser considerada no dimensionamento dos elementos estruturais. “Enquanto no concreto convencional as forças de tração são resistidas apenas pela armadura, pois a baixa resistência à tração do concreto, quando comparada à sua resistência à compressão, é geralmente desconsiderada no dimensionamento no estado-limite último, cabendo à armadura resistir às forças de tração. No UHPC, essas forças são resistidas tanto pela armadura quanto pelo concreto. Isso altera a lógica de dimensionamento à flexão e ao cisalhamento dos elementos estruturais. No caso do cisalhamento, os modelos de dimensionamento consideram a contribuição do UHPC de forma aditiva, somando sua resistência à dos estribos. Mas, no caso da flexão, o UHPC entra diretamente nas equações de dimensionamento, tornando o processo de cálculo iterativo”, explica.
A principal vantagem do UHPC é sua elevada resistência à tração, que pode contribuir para a redução das taxas de armadura e, em determinadas aplicações, até mesmo substituir parte ou a totalidade das armaduras convencionais, segundo Araújo. “Além disso, o UHPC pode reduzir as dimensões dos elementos estruturais, facilitando o transporte de peças pré-fabricadas. E, por dispensar a armadura em alguns projetos, permite a moldagem de elementos curvos e esbeltos com mais facilidade”, pontua.
Ganhos estruturais observados no uso de fibras
Araújo destaca que, como a resistência à tração do UHPC é considerada no dimensionamento dos elementos estruturais em estado-limite último, parte da armadura convencional pode ser substituída.

Crédito: Envato
“Isso pode reduzir a taxa de armadura e, em alguns casos, até mesmo substituir toda a armadura convencional na forma de vergalhões. Em regiões muito armadas, como consolos e dentes Gerber, bastante presentes nas estruturas pré-fabricadas, isso pode representar uma vantagem. Se parte dos esforços de tração é resistida pelo UHPC, a armadura convencional pode ser reduzida, trazendo benefícios ao processo produtivo por simplificar o detalhamento dessas regiões com elevadas taxas de armadura”, comenta Araújo.
O professor ainda destaca que o UHPC pode ser utilizado na moldagem de todo o elemento estrutural, como vigas e pilares, o que pode permitir a redução das dimensões do elemento estrutural. “Mas vejo sua grande aplicação justamente em regiões específicas da estrutura pré-moldada, como consolos, dentes Gerber ou cálices de fundação. Essas regiões são densamente armadas e, frequentemente, apresentam dificuldade no detalhamento devido ao congestionamento de armaduras. O uso do UHPC nessas regiões pode reduzir a quantidade de armadura e facilitar a produção dos elementos estruturais”, justifica.
Teoricamente, as fibras podem substituir toda a armadura de flexão e cisalhamento (estribos) em elementos como vigas, pilares e lajes. “Para isso, é necessário que o UHPC apresente resistência residual à tração suficiente para resistir aos esforços de projeto em estado-limite último. Contudo, outros aspectos precisam ser considerados, como a ductilidade e capacidade de deformação plástica da estrutura. Essas são características fundamentais no dimensionamento de estruturas de concreto. Se toda a armadura convencional na forma de vergalhões for substituída pelas fibras, haverá uma redução na capacidade de deformação plástica dos elementos estruturais. É possível recuperar essa capacidade de deformação no UHPC por outros mecanismos, mas isso deve ser considerado explicitamente no projeto”, afirma Araújo.
Por essa razão, o projeto de norma nacional de estruturas em UHPC atualmente em elaboração deverá prever uma taxa de armadura mínima de flexão para elementos sujeitos à flexão. “A ideia é garantir uma capacidade mínima de redistribuição de esforços em estruturas monolíticas de UHPC. As estruturas pré-fabricadas têm uma lógica de projeto diferente e, por isso, acredito que a introdução do UHPC seja mais simples nesse segmento. Nesses sistemas, a capacidade de redistribuição de esforços já deve ser verificada explicitamente mesmo quando se utiliza concreto convencional”, expõe Araújo.
Tipos de fibras
De acordo com o professor, não existe um único tipo de fibra para uso em UHPC. “Tanto que a norma ABNT NBR 17246-1 tomou o cuidado de não especificar um único tipo de fibra a ser utilizado no UHPC. Desde que a fibra garanta a resistência residual do UHPC especificada no projeto e não comprometa a durabilidade do material, ela pode ser utilizada. Porém, minha experiência e a literatura nacional indicam que as fibras metálicas são as mais adequadas para se atingir a resistência residual especificada em projetos com UHPC. Isso se deve à sua boa aderência à matriz cimentícia e ao seu alto módulo de elasticidade, que permitem atingir valores elevados de tensões de tração nas fibras com pequenas aberturas de fissuras”, sugere.
Resistência residual à tração
Como a resistência à tração residual do UHPC é considerada no dimensionamento em estado-limite último, uma das principais propriedades mecânicas que precisam ser controladas na produção de estruturas em UHPC é a resistência residual à tração. “A norma ABNT NBR 17246-1, tomando por base as normas francesas, estabelece os valores mínimos da resistência característica à tração no limite de elasticidade e da resistência residual aos 28 dias. Essas são as principais propriedades do UHPC que precisam ser controladas, o que é feito pelo método de ensaio prescrito na norma ABNT NBR 17246-4. Já as normas ABNT NBR 17246-2 e a ABNT NBR 17246-3 apresentam os requisitos para o controle de produção e de qualidade de estruturas em UHPC. A lógica é que, se a resistência à tração do UHPC é considerada na resistência da estrutura, essa propriedade precisa ser controlada adequadamente para garantir a segurança das estruturas”, propõe Araújo.
Outras propriedades, como a resistência à compressão e o módulo de elasticidade, também precisam ser controladas no processo de produção de estruturas em UHPC. “A norma ABNT NBR 17246-1 estabelece os procedimentos para a determinação dessas propriedades. Porém, a resistência à tração é a propriedade fundamental, pois sem atender aos requisitos de desempenho à tração previstos na norma não é possível caracterizar o material como UHPC”, conclui Araújo.
Fonte
Daniel de Lima Araújo possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Goiás (1992), mestrado em Engenharia Civil (Engenharia de Estruturas) pela Universidade de São Paulo (1997) e doutorado em Engenharia Civil (Engenharia de Estruturas) também pela Universidade de São Paulo (2002). Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Goiás, atuando junto ao Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Geotecnia, Estruturas e Construção Civil (PPGGECON) da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da UFG. Tem experiência em projeto e pesquisa de Estruturas de Concreto, atuando principalmente nas áreas de estruturas em concreto pré-moldado, concretos leves, concretos reforçados com fibras de aço e modelagem computacional.
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ICOLD 2026 debateu inovação, sustentabilidade e segurança de barragens
A cidade de Guadalajara, capital do estado mexicano de Jalisco, sediou entre os dias 22 e 29 de maio a 94ª Reunião Anual e Simpósio da Comissão Internacional de Grandes Barragens (ICOLD, na sigla em inglês). O encontro reuniu delegados, especialistas e representantes dos comitês nacionais dos 107 países membros da entidade para debater os principais desafios e tendências relacionados ao planejamento, projeto, construção, operação e manutenção de barragens em todo o mundo.
O presidente da ICOLD, Devendra Kumar Sharma, destacou a importância do encontro para a comunidade internacional de barragens e recursos hídricos. Segundo ele, os debates realizados durante a semana contribuem para o avanço das discussões sobre questões emergentes que impactam o setor, reforçando o papel das barragens no fornecimento de água, energia, proteção ambiental e desenvolvimento econômico.
Com o tema “Barragens para as Pessoas, Água, Meio Ambiente e Desenvolvimento”, a edição de 2026 abordou temas estratégicos para o futuro da infraestrutura hídrica. As discussões foram organizadas em quatro grandes eixos: inovação, desenvolvimento sustentável, gestão de riscos e operação em condições extremas.
Roteamento de cheias em reservatórios e galgamento por ondas
Entre os trabalhos técnicos apresentados, chamou atenção o estudo da engenheira hidráulica Anida Zeqirllari, da Binnies, intitulado “Reservoir routing and wave overtopping: Comparative analysis of practices in developed and developing countries” (Roteamento de cheias em reservatórios e galgamento por ondas: análise comparativa de práticas em países desenvolvidos e em desenvolvimento). A pesquisa comparou metodologias adotadas no Reino Unido, França e Albânia para avaliação da segurança hidráulica de reservatórios, identificando diferenças regulatórias, pontos de convergência e oportunidades para maior harmonização entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Barragens inteligentes
A transformação digital da infraestrutura hídrica também esteve entre os assuntos de destaque. Durante a sessão dedicada às chamadas “barragens inteligentes”, especialistas discutiram a integração de monitoramento automatizado, modelagem matemática, diagnósticos digitais e ferramentas de apoio à decisão. O uso da inteligência artificial na gestão de barragens e usinas hidrelétricas foi apontado como uma tendência crescente, embora os participantes também tenham debatido os riscos e desafios associados à sua implementação.
Representantes do Comitê Nacional Russo apresentaram uma tecnologia de sondagem microsísmica utilizada em investigações geotécnicas, projetos de novas estruturas hidráulicas e inspeção de barragens existentes. A solução despertou interesse da direção da ICOLD, que anunciou a realização de uma sessão técnica específica sobre o tema para 2027.
Projetos brasileiros
O Brasil também marcou presença na programação técnica do ICOLD 2026 com a apresentação de estudos e casos voltados à segurança, monitoramento e gestão de barragens. Entre os destaques esteve o trabalho "Inspection Findings from One Hundred Brazilian Dams" (Resultados de Inspeções em Cem Barragens Brasileiras), apresentado por Camila de Goes Silva, gerente de projetos da Unidade de Água e Energia (DUAE), que reuniu e analisou os resultados de inspeções realizadas em 100 barragens brasileiras, oferecendo um panorama sobre as condições dessas estruturas e os principais desafios para sua gestão.
Outro estudo brasileiro apresentado foi "Spillway Design Criteria in a Changing Hydrology – A Review of Brazilian Dams" (Critérios de Projeto de Vertedouros em uma Hidrologia em Mudança – Uma Revisão de Barragens Brasileiras), conduzido por José Rodolfo Machado de Almeida, líder da equipe de Hidráulica e Hidrologia da DUAE. O trabalho abordou a atualização dos estudos hidrológicos de 96 barragens e comparou os resultados atuais com os critérios originalmente adotados nos projetos, trazendo reflexões sobre a necessidade de adaptação das estruturas às mudanças nos regimes hidrológicos.
A área de barragens de rejeitos também esteve representada por Júnio Fagundes, líder técnico de Geotecnia da DF+ Engenharia, que apresentou o artigo "Analysis of the Main Failure Modes in Centerline-Raised Phosphate Tailings Dams" (Análise dos Principais Modos de Ruptura em Barragens de Rejeitos de Fosfato Alteadas pelo Método de Linha de Centro). O estudo analisou os principais modos de ruptura em barragens de rejeitos de fosfato construídas pelo método de alteamento a montante central. “O trabalho toca em algo que acreditamos profundamente: conhecimento não compartilhado é conhecimento perdido. Barragens de rejeito de fosfato ainda carregam lacunas importantes na literatura técnica. Levar esse estudo para o ICOLD é contribuir com a comunidade global de engenharia e colocar o Brasil no centro dessa conversa”, destacou Fagundes.
Outro destaque foi a apresentação de Pedro Sydorak de Lara, CPO da Fractal Engenharia e Sistemas, que compartilhou um case de sucesso desenvolvido junto à Defesa Civil de Santa Catarina. O projeto mostrou como a implantação do Sistema de Previsão de Eventos Hidrológicos Críticos (SPEHC) modernizou a gestão de cheias e a operação das barragens de contenção do estado. A plataforma integrou dados hidrológicos provenientes de diferentes fontes em um ambiente digital único, substituindo processos manuais e ampliando a precisão das previsões para 35 municípios. Como resultado, a Defesa Civil passou a emitir alertas com maior antecedência e confiabilidade, otimizar a operação das barragens por meio de protocolos técnicos padronizados e reduzir custos associados às ações emergenciais de resposta a enchentes.
Fontes
Devendra Kumar Sharma é presidente da International Commission on Large Dams (ICOLD).
Pedro Sydorak de Lara é CPO da Fractal Engenharia e Sistemas.
Júnio Fagundes é líder técnico de Geotecnia da DF+ Engenharia.
Contatos
ICOLD – assessoria de imprensa: emmanuel.grenier@icold-cigb.org
Fractal Engenharia e Sistemas: contato@fractaleng.com.br
DF+ Engenharia: dfmais@dfmais.eng.br
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Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Pesquisa realizada no Pará utiliza resíduos da indústria de celulose para produzir cimento com menor impacto ambiental
A busca por soluções que reduzam as emissões de gases de efeito estufa tem mobilizado pesquisadores e diferentes setores produtivos. Na construção civil, um dos desafios está na fabricação do cimento, especialmente na produção do clínquer, responsável por emissões de dióxido de carbono (CO2).

Foi nesse contexto que o professor e pesquisador Marco Antonio Barbosa de Oliveira, do Instituto Federal do Pará (IFPA), desenvolveu uma pesquisa que transforma resíduos da indústria de celulose em materiais capazes de substituir parte do clínquer na fabricação do cimento Portland. A solução permite reduzir a pegada de carbono do material sem comprometer seu potencial de aplicação em larga escala. “Busquei apresentar uma resposta e me concentrei no esforço de contribuir para soluções que possam contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa, ou mesmo reforçar a capacidade de adaptação e resiliência diante dos impactos das mudanças climáticas”, afirma o pesquisador.
Aproveitamento de resíduos de celulose
Com o objetivo de reduzir o fator clínquer/cimento, o pesquisador identificou uma oportunidade no reaproveitamento de resíduos gerados pela indústria de celulose, setor em que o Brasil ocupa posição de destaque internacional. Em 2025, a produção brasileira de celulose alcançou o recorde de 29,4 milhões de toneladas, ampliando também a disponibilidade de subprodutos com potencial de valorização. “Surgiu a ideia de desenvolver um cimento Portland menos emissivo, por meio da substituição do clínquer por dois resíduos da indústria de celulose, utilizados como materiais cimentícios suplementares”, explica.
Os materiais empregados na pesquisa foram a Cinza de Biomassa de Celulose (CBC) e o Filler de Biomassa de Celulose (FBC), resíduos gerados no processo industrial de produção de celulose. Para avaliar sua viabilidade como materiais cimentícios suplementares, ambos passaram por uma ampla caracterização, incluindo análises físicas, químicas, mineralógicas, microestruturais, térmicas e ambientais. Um dos diferenciais identificados no estudo é que esses resíduos podem ser incorporados em seu estado natural, sem necessidade de processos adicionais de calcinação ou tratamento térmico.
Testes comprovaram desempenho técnico

Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal
Para avaliar o comportamento do novo material, foram desenvolvidas 24 combinações de misturas binárias e ternárias, com teores de substituição do clínquer variando entre 5% e 50%. Os produtos obtidos foram denominados no estudo como CP R-I, CP R-II e CP R-III e submetidos a uma série de ensaios laboratoriais que avaliaram características físicas, químicas, mineralógicas, microestruturais, térmicas, reológicas e mecânicas.
De acordo com Oliveira, os resultados demonstraram que os cimentos desenvolvidos na pesquisa atenderam aos requisitos estabelecidos por normas técnicas nacionais e internacionais. Além dos testes de caracterização dos cimentos, foram produzidas argamassas para avaliar desempenho mecânico, atividade pozolânica e durabilidade. Os materiais também foram submetidos a ensaios de carbonatação acelerada e natural.
Potencial para uma construção mais sustentável
Um dos resultados observados durante a pesquisa foi a capacidade das argamassas produzidas com esses materiais cimentícios de absorver dióxido de carbono (CO₂) ao longo do tempo. “Houve maiores níveis da difusão de CO2 e profundidade de carbonatação à medida que aumentou a idade das argamassas, tanto na condição de exposição acelerada quanto natural. Portanto, ocorreu a captura de CO2”, afirma o pesquisador.
Segundo ele, todas as argamassas avaliadas atenderam os critérios estabelecidos pelas normas técnicas vigentes. Além da redução das emissões associadas à fabricação do cimento, a pesquisa contribui para a valorização de resíduos industriais que normalmente seriam destinados a áreas de descarte.

Para Marco Oliveira, o aproveitamento desses resíduos representa uma oportunidade de integrar sustentabilidade, economia circular e inovação tecnológica. “A indústria brasileira de celulose ocupa posição de destaque no cenário mundial, com consequente geração de resíduos em quantidades significativas, que necessitam de destinação ambiental adequada com reaproveitamento em novos materiais por outras indústrias”, ressalta.
Ao transformar passivos ambientais em insumos para a construção civil, o estudo demonstra que é possível conciliar desempenho técnico, redução de impactos ambientais e aproveitamento de recursos regionais em uma mesma iniciativa.
Entrevistado
Marco Antonio Barbosa de Oliveira é graduado em Engenharia Civil, especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho, MBA em Gerenciamento de Obras e Tecnologia das Construções, Mestrado em Construção Civil e Materiais e Doutorado em Estruturas e Construção Civil. É docente do Instituto Federal do Pará (IFPA). Detentor de registros de depósitos de patentes. Possui premiações em nível nacional. Autor e coautor de artigos de publicações nacionais e internacionais. Atua no desenvolvimento de projetos inovadores focados na sustentabilidade, bioeconomia circular, reaproveitamento de resíduos como subproduto e incentivo ao uso sustentável de recursos locais. Tem a proposta de contribuir para soluções climáticas replicáveis de construção sustentável, valorização de insumos de identidade regional e o protagonismo da Amazônia na agenda climática.
Contato
marco.barbosa@ifpa.edu.br
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Ana Carvalho
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IDD Summit promove palestras, visitas técnicas, experiências práticas e integração entre diferentes áreas da engenharia
A busca por atualização constante e a necessidade de integração entre diferentes áreas da construção civil estão entre os principais desafios enfrentados pelos profissionais do setor. Com o objetivo de fortalecer essa conexão e proporcionar experiências que complementem a formação técnica, o IDD Educação Avançada promoveu entre os dias 28 a 30 de maio, a 5ª edição do IDD Summit. O evento reuniu profissionais, especialistas, empresas e lideranças da engenharia, consolidando-se como um espaço para troca de conhecimento, networking e vivências práticas.

Segundo o engenheiro Cesar Henrique Sato Daher, sócio-fundador do IDD Educação Avançada e da DAHER Engenharia Consultiva e Tecnologia, a iniciativa surgiu com o propósito de aproximar pessoas em um momento em que as atividades educacionais migravam para o ambiente virtual. "O IDD Summit foi criado logo após a pandemia, quando transformamos nossos cursos de pós-graduação presenciais em aulas online ao vivo. Embora essa metodologia seja mais democrática e alcance um número maior de pessoas, ela torna o relacionamento humano mais distante. Criamos o evento para proporcionar esse encontro presencial da nossa comunidade, que vai muito além do aspecto técnico", afirma.
Desenvolvimento profissional e integração multidisciplinar
Além da atualização de conhecimentos, o evento busca estimular competências cada vez mais valorizadas pelo mercado, como comunicação, colaboração e visão sistêmica dos projetos. Para Cesar Daher, a construção civil exige uma atuação integrada entre diferentes especialidades, o que torna a troca de experiências um fator importante para o desenvolvimento profissional.

"O IDD Summit trabalha as habilidades interpessoais, promove a interdisciplinaridade e a integração das diversas áreas da construção civil, além de proporcionar experiências que permitem aos participantes realizar visitas técnicas e participar de workshops práticos", ressalta. Entre os destaques desta edição, está o Ingenia Netweaving, iniciativa que reúne salas temáticas para apresentação e discussão de cases entre profissionais, empresas parceiras e membros da comunidade do IDD.
Neste ano, o evento contou com a palestra magna do disruptivo professor José Ivair Motta Filho, que tem vasta experiência em inovação na educação e no Vale do Silício norte-americano, que trouxe uma visão do presente com a IA, os robôs e a importância da relação humana nesse mundo cada vez mais tecnológico.
Itambé e Concrebras abrem as portas para experiências práticas

Uma das atividades mais aguardadas da programação foi a visita técnica às instalações da Cimento Itambé e da Concrebras. A proposta é permitir que os participantes acompanhem de perto processos industriais, controles tecnológicos e aplicações práticas dos materiais utilizados na construção civil.
Para o diretor comercial da Cimento Itambé, Marcio Lobo, a participação no evento fortalece a conexão da empresa com profissionais que atuam diretamente na especificação e utilização de cimento e concreto. "Eventos como o IDD Summit reúnem exatamente o público e os segmentos nos quais nos especializamos, proporcionando contato direto com profissionais estratégicos do setor, além de um fórum qualificado para discutir tendências, desafios e demandas da indústria da construção civil, do cimento e do concreto", afirma.
Durante a visita à unidade industrial, os participantes puderam conhecer processos automatizados de produção, sistemas de controle de qualidade, aplicações de inteligência artificial e iniciativas voltadas à sustentabilidade. "Visitar uma planta industrial de cimento é uma experiência que costuma surpreender até mesmo profissionais do setor. O objetivo foi proporcionar aos visitantes uma visão prática de como tradição, inovação e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas na indústria do cimento", explica Lobo.
Controle tecnológico e demonstração ao vivo

Na Concrebras, a programação incluiu a apresentação dos processos de dosagem, produção e controle tecnológico do concreto, além de visitas ao laboratório da empresa. Segundo o diretor da Divisão Concreto da Concrebras, Tárik Andrade, os participantes tiveram contato direto com todas as etapas que garantem a qualidade do material entregue às obras. "Os participantes acompanharam a dosagem de um caminhão betoneira, conheceram um de nossos laboratórios e verificaram o rigor com o qual conduzimos nossos ensaios. Buscamos mostrar o que acontece em uma concreteira, desde a recepção dos materiais até os testes que garantem a qualidade do concreto", afirma.

Outro destaque foi a execução ao vivo de um Pavimento Urbano de Concreto (PUC), utilizando um concreto desenvolvido especificamente para essa aplicação. "A Concrebras realizou uma concretagem ao vivo com um concreto desenvolvido especialmente para o PUC. Mostramos que é um processo simples, que permite a aplicação de um produto extremamente técnico de maneira rápida, com baixo custo e resultados que proporcionam um pavimento mais durável e com menor necessidade de manutenção", destaca Andrade.
Com uma programação que combina conhecimento técnico, experiências práticas e relacionamento profissional, o IDD Summit reforça a importância da educação continuada para acompanhar as transformações da construção civil e preparar profissionais para os desafios atuais do setor.
Confira como foi a nossa participação no IDD Summit: Assista ao vídeo
Entrevistados
Cesar Henrique Daher é engenheiro civil, técnico em edificações pela UTFPR, graduado em Engenharia Civil e Mestre em Construção Civil pela UFPR, conselheiro e diretor no IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto), presidente de honra da Associação Brasileira de Patologia das Construções (ALCONPAT Brasil). 36 anos de experiência em tecnologia do concreto, argamassas e materiais, com participação em obras de vulto convencionais e de infraestrutura. Professor universitário há 25 anos.
Marcio Lobo é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Positivo (UP) e MBA em Gestão Comercial pela Universidade Positivo (UP). Atualmente, é diretor comercial da Cimento Itambé.
Tárik Andrade é engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mais de 26 anos de experiência em liderança no setor de concreto, com atuação na América Latina e na América do Norte. Ao longo da carreira, conduziu projetos de expansão, abertura de mercados e transformação organizacional, com foco em eficiência operacional, resultados sustentáveis e fortalecimento das equipes. Atualmente, é diretor da Divisão Concreto da Concrebras.
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daher@idd.edu.br
marcio@cimentoitambe.com.br
tarik.andrade@concrebras.com.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Construsul BC destaca sistemas construtivos industrializados
Entre os dias 26 e 29 de maio, Balneário Camboriú (SC) recebeu a 3ª edição da Construsul BC – Feira da Indústria da Construção e Acabamento. O evento reuniu mais de 20 mil visitantes e apresentou lançamentos, tendências e soluções de mais de 200 expositores do setor. Segundo os organizadores, a expectativa é que a feira tenha movimentado mais de R$ 300 milhões em negócios.
A feira também tem alcance nacional, reunindo expositores de mais de sete estados além de Santa Catarina.
“A feira apresenta novidades distribuídas por todos os segmentos da construção civil. Gosto sempre de destacar que a exposição é um momento importante para que as indústrias apresentem seus lançamentos e inovações. Como a Construsul BC abrange desde a fundação até o acabamento, os visitantes encontram soluções e tendências em todas as etapas da construção”, destaca Ricardo Richter, diretor da Construsul BC.
Construção a seco em destaque

Para Richter, os grandes destaques desta edição estão ligados à construção a seco e aos sistemas construtivos industrializados, que vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado pela eficiência e sustentabilidade que proporcionam.
“Esses sistemas também contribuem para a redução do tempo de obra, o que beneficia tanto as construtoras quanto os consumidores. Para quem constrói, isso significa a possibilidade de executar mais projetos em menos tempo, aumentando a capacidade de faturamento. Já para quem adquire o imóvel, há uma redução no prazo de entrega”, pontua Richter.
Conteúdo técnico
A feira reuniu mais de 50 horas de conteúdo técnico através de uma agenda de eventos paralelos, incluindo seminários, workshops e congressos sobre sustentabilidade, segurança do trabalho, tecnologia, acústica, mobilidade elétrica, pisos industriais, vidro estrutural e gestão de obras.
Um dos destaques do evento foi o seminário da Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem (ABESC). Os engenheiros Alvaro Barbosa, Ary Fonseca Jr. e Arnoldo Wendler destacaram como a industrialização dos canteiros de obras vem se consolidando como uma estratégia essencial para ampliar a eficiência operacional e acelerar a descarbonização da construção civil.
Os engenheiros mostraram que para incorporadoras e construtoras que buscam maior escala, produtividade e previsibilidade, o modelo oferece vantagens competitivas relevantes:
• Maior agilidade na execução: ciclos de concretagem mais rápidos, reduzindo os prazos das obras.
• Ganhos financeiros: diminuição significativa do desperdício de materiais e melhor aproveitamento da mão de obra.
• Sustentabilidade aplicada: redução na geração de resíduos e maior alinhamento às metas ESG do setor.
Outro conteúdo de destaque foi o workshop da Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho (ANAPRE), onde discutiram os cuidados para a conquista da qualidade de um piso de concreto e para uma boa aplicação de revestimentos de alto desempenho. Na apresentação, Daniela Felix, engenheira de projetos da JAL Industrial, e Levon Hovaghimian, diretor adjunto de lapidação da ANAPRE falaram sobre o RAD – Revestimento de Alto Desempenho, que são sistemas aplicados sobre o concreto para proteger a superfície, aumentar a resistência e melhorar o desempenho ao longo do tempo. De acordo com a ANAPRE, sem o tratamento adequado, o piso de concreto em áreas de alta exigência pode sofrer desgaste prematuro, fissuras e baixa durabilidade.
Conteúdo sobre gestão
O conteúdo da feira é fortemente voltado à construção civil, mas vai além das discussões técnicas do setor. Nesta edição, por exemplo, a programação também contou com palestras de empresários da área, que compartilharam suas trajetórias, os desafios enfrentados ao longo da carreira e a construção de seus negócios. “Esse tipo de troca é muito importante para contextualizar e inspirar visitantes que também possuem empresas ou estão iniciando suas atividades no mercado, permitindo acesso direto à experiência de profissionais que já atuam há muitos anos no setor”, explica Richter.
A feira recebeu nomes como Rodrigo Pimentel e João Branco. Rodrigo Pimentel, ex-capitão do BOPE e uma das inspirações para o personagem Capitão Nascimento, dos filmes Tropa de Elite, abordou temas ligados à tomada de decisão, liderança e formação de equipes de alta performance dentro das empresas. Já João Branco, ex-vice-presidente de marketing do McDonald's e responsável pelo reposicionamento da marca no Brasil, falou sobre marketing, relacionamento com clientes e construção de marca.
Fonte
Ricardo Richter é diretor da Construsul BC.
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Mercado imobiliário mantém ritmo forte no primeiro trimestre e sustenta demanda mesmo com juros elevados
O mercado imobiliário brasileiro manteve um cenário de vendas consistentes no primeiro trimestre de 2026, apresentando demanda elevada e expansão acumulada nos lançamentos, mesmo diante de juros altos e de um ambiente econômico ainda desafiador. Os dados do primeiro trimestre, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), indicam que o setor segue aquecido, com destaque para o desempenho do programa Minha Casa Minha Vida e para a força de mercados regionais.
O levantamento nacional da CBIC reúne informações de 221 cidades brasileiras e mostra que, entre início de janeiro e final de março deste ano, foram lançadas cerca de 97 mil unidades residenciais. O número representa queda de 4,9% em relação ao mesmo período de 2025, mas o acumulado dos últimos 12 meses atingiu 466 mil unidades, o maior volume da série histórica.
Segundo o diretor de Economia do Secovi-SP, Celso Petrucci, o desempenho do início do ano já era esperado dentro da dinâmica do setor. “O primeiro trimestre tradicionalmente registra menos lançamentos por conta das férias, do Carnaval e da concentração histórica de lançamentos no fim do ano. Mesmo assim, as vendas ficaram praticamente estáveis”, afirma.
As vendas somaram mais de 438 mil unidades no acumulado de 12 meses, também recorde da série histórica da entidade. Para Petrucci, o resultado demonstra capacidade de resistência do mercado imobiliário mesmo com a Selic em patamares elevados. “O mercado continua aderente aos lançamentos e mantém um patamar de estabilidade bastante consistente”, ressalta.
Cenário estável na região Sul
Embora a região Sul tenha apresentado estabilidade nas vendas no primeiro trimestre, Curitiba registrou desempenho acima das médias regional e nacional. A avaliação é do engenheiro e diretor Paulo Celles Imóveis, Paulo Henrique Celles. “A leitura do primeiro trimestre precisa ser feita com cuidado. O dado isolado não traduz completamente o mercado. Entre 2021 e 2025, os lançamentos cresceram 57% e as vendas 46% na região Sul. Estamos comparando 2026 com um ciclo anterior muito forte”, observa.

Segundo ele, Curitiba vive um momento de ajuste considerado saudável. “O mercado não está desaquecido. Ele está mais seletivo, mais técnico e mais exigente,” informa. Celles destaca que a capital paranaense registrou crescimento de 26,5% nas vendas no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Valor Geral de Vendas (VGV) acumulado chegou a R$ 8,7 bilhões. “Curitiba chama bastante atenção positivamente. O desempenho confirma a força da capital paranaense como um dos mercados mais relevantes do país”, afirma.
Perfil do mercado do Sul reduz participação do Minha Casa Minha Vida
Os dados da CBIC mostram que o programa Minha Casa Minha Vida possui participação menor no Sul quando comparado às demais regiões do país. Enquanto no Norte o programa responde por 83% das vendas, no Sul essa fatia é de apenas 18%. Petrucci atribui esse cenário principalmente às restrições urbanísticas e ao elevado custo da terra nas capitais da região. “Tanto Paraná quanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm dificuldades urbanísticas para viabilizar empreendimentos do programa”, assinala.
Celles, por sua vez, acrescenta que o perfil econômico da região também contribui para explicar essa característica. “O Minha Casa Minha Vida tem um peso menor no Sul por uma razão estrutural. A renda média é mais alta e o custo do terreno, especialmente em Curitiba, torna muito difícil viabilizar produtos dentro dos tetos tradicionais do programa”, explicou. Segundo ele, o segmento com maior potencial de crescimento na região é justamente o novo perfil voltado à classe média. “O MCMV Faixa 3 e 4, com imóveis entre R$ 500 mil e R$ 600 mil e juros mais competitivos, pode ter mais aderência à realidade do Sul”, avalia.
Perspectiva positiva para o segundo semestre
A expectativa do setor é de recuperação dos lançamentos e continuidade do crescimento das vendas no segundo semestre, especialmente em mercados de médio e alto padrão. “Muitas incorporadoras foram mais cautelosas no primeiro semestre por causa da Selic elevada e do custo do crédito. Mas Curitiba tem um volume significativo de projetos aprovados que deve aparecer nos próximos meses”, afirma Celles.
Segundo ele, o mercado imobiliário costuma reagir antes mesmo da queda efetiva dos juros ao consumidor. “Quando o comprador percebe que a Selic começou a cair, a confiança melhora e a demanda reprimida começa a aparecer”.
Apesar do cenário positivo, o setor acompanha com atenção fatores como custos da construção, regulamentação da reforma tributária e possíveis impactos das discussões sobre redução da jornada de trabalho. “O momento exige menos euforia e mais técnica. O comprador existe e o desafio está no crédito, no custo de produção e na capacidade de lançar o produto certo, no lugar certo e com preço aderente ao mercado”, conclui Celles.
Fonte
Celso Petrucci é diretor de economia do SECOVI-SP
Entrevistado
Paulo Henrique Celles é graduado em Engenharia Civil pela UTFPR, pós-graduado em marketing e gestão de negócios, tem possui cursos de especialização em gestão de pessoas, marketing e business. Atualmente é diretor da Paulo Celles Imóveis.
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Ana Carvalho
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SEMTEC 2026 destaca o uso de combustíveis alternativos e coprocessamento
Entre os dias 19 e 21 de maio, foi realizado em Belo Horizonte (MG) o SEMTEC 2026, o Seminário Técnico da Indústria de Cimento e de Cal. O evento contou com mais de 50 palestras que abordaram boas práticas e inovações no setor.
O tema central do evento foi a fábrica do futuro. As apresentações foram divididas em áreas específicas, como transformação digital e uso de novas ferramentas com IA, manutenção preditiva e prescritiva, melhor controle de processos e produção, transformação da sacaria de 50 kg para 25 kg, otimização energética e, com especial enfoque, a pegada de carbono.
O evento foi bastante abrangente, cobrindo todas as áreas de uma fábrica de cimento. O SEMTEC visa abarcar desde estagiários até diretores e, por isso, é gratuito e realizado próximo aos polos cimenteiros. Entre os patrocinadores, estiveram presentes 67 companhias com forte atuação nas indústrias de cimento e cal”, afirma Tiago Couto, diretor da Densit do Brasil, empresa responsável pela realização do SEMTEC.
Para Douglas de Conto, assessor técnico da Cimento Itambé, que compareceu ao evento, o SEMTEC 2026 mostrou que a indústria de cimento e cal está vivendo uma transformação muito mais estratégica do que apenas operacional.
“Os debates deixaram claro que hoje o setor precisa equilibrar três grandes pilares: descarbonização, eficiência energética e competitividade econômica”, pontua.

Uso de combustíveis alternativos e coprocessamento
Dentre as grandes tendências debatidas no SEMTEC 2026, Tiago Couto aponta os cimentos com menor razão clínquer/cimento, o aumento do consumo de combustíveis alternativos e melhores consumos energéticos.
Segundo o assessor técnico da Itambé, o setor busca produzir mais, consumir menos energia fóssil e reduzir a pegada de carbono do cimento.
“A questão da diversificação energética gerou debates relevantes. O setor está cada vez mais pressionado pelos custos dos combustíveis tradicionais e pelas metas ambientais, então temas como biomassa, resíduos industriais, RDF e coprocessamento aparecem como soluções técnicas e econômicas ao mesmo tempo”, afirma Douglas.
Uma das tecnologias destacadas , segundo o assessor técnico da Itambé, é o uso de combustíveis alternativos e do coprocessamento, porque já está trazendo impacto direto nas fábricas. “A indústria vem substituindo parte do coque de petróleo por biomassa, resíduos industriais e combustíveis derivados de resíduos, reduzindo custos energéticos e emissões de CO2 ao mesmo tempo”, justifica.
De Conto também ressaltou o uso da argila calcinada e de materiais cimentícios suplementares, que ajudam a reduzir a quantidade de clínquer no cimento, diminuindo a pegada de carbono da produção.
Após esta edição do SEMTEC, Tiago Couto acredita que um dos grandes desafios do setor é a mudança da norma brasileira, visando minimizar o uso de clínquer, que hoje limita o uso de calcário a 25%, e a implementação do saco de 25 kg como obrigatório.
Aplicação de oxigênio via VPSA em fornos de cimento
Douglas e Tiago apontam que a aplicação de oxigênio via VPSA em fornos de cimento, associada ao uso de combustíveis alternativos, esteve entre os temas mais debatidos do evento.
“O tema mostrou como a indústria cimenteira está buscando aumentar eficiência energética, produtividade e sustentabilidade ao mesmo tempo. Chamou-me atenção, principalmente, a forma como o enriquecimento com O2 pode compensar limitações operacionais dos combustíveis alternativos, permitindo maior substituição de combustíveis fósseis sem perder estabilidade do processo. Foi uma palestra muito interessante porque uniu visão técnica, impacto econômico e sustentabilidade industrial de maneira bastante prática”, comenta o assessor técnico da Cimento Itambé.
Sustentabilidade
De Conto acredita que um ponto muito forte desta edição foi perceber que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma necessidade de mercado. “Hoje, reduzir emissões significa também reduzir custos energéticos, aumentar eficiência e garantir competitividade futura para as cimenteiras. Sobre o mercado atual do cimento e da cal, a grande ideia que conecta praticamente todos os temas do evento é como tornar a indústria mais sustentável, eficiente e competitiva em um cenário de pressão ambiental, energética e econômica”, destaca.
Neste contexto, De Conto vê que tecnologias ligadas à captura de carbono, à eficiência térmica e à economia circular tendem a ganhar cada vez mais espaço.
Transformação digital: automações e IA
Para De Conto, o Semtec 2026 mostrou que a indústria brasileira de cimento e cal está avançando de forma consistente na transformação digital. “A indústria 4.0 já está chegando às plantas por meio de automação avançada, sensores online, monitoramento em tempo real e sistemas inteligentes de controle de processo. Os debates mostraram que as fábricas estão buscando operações cada vez mais eficientes, previsíveis e sustentáveis, utilizando análise de dados e otimização operacional para reduzir o consumo energético, aumentar a produtividade e diminuir emissões”, comenta.
“O uso de sensores online, análise de dados em tempo real e inteligência artificial permite prever falhas, reduzir paradas não programadas e otimizar o desempenho dos fornos e moinhos. Além disso, sistemas digitais de controle ajudam as plantas a operar com maior estabilidade, menor consumo energético e mais produtividade, tornando a manutenção mais preventiva e estratégica. Da mesma forma, automação e controle inteligente de processo ajudam as fábricas a operar com menor consumo energético e maior eficiência”, explica De Conto.
Fontes
Tiago Couto é diretor da Densit do Brasil, empresa responsável pela realização do SEMTEC.
Douglas de Conto é assessor técnico da Cimento Itambé, Engenheiro Civil – UNIFACEAR e Tecnólogo em Concreto – UTFPR. Especialista em Patologia nas Obras Civis – IDD, possui mais de 15 anos de atuação na área da construção civil, com foco em tecnologia do concreto. Consultoria técnica de campo em concreteiras, indústrias de pré-fabricados e fabricantes de artefatos de concreto. Diagnóstico e análise de manifestações patológicas em estruturas. Desenvolvimento de soluções técnicas aplicadas à durabilidade e desempenho do concreto.
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Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Uso do concreto aparente cresce em projetos voltados à eficiência térmica e integração urbana
O concreto deixou de ocupar apenas a função estrutural das edificações para assumir protagonismo estético e funcional na arquitetura contemporânea. Em projetos de diferentes escalas, o material vem sendo associado a tendências que valorizam desempenho térmico, durabilidade, racionalização construtiva e integração entre arquitetura e cidade. Nesse contexto, destacam-se a arquitetura bioclimática e a retomada da linguagem brutalista.
A valorização do concreto aparente não é recente, mas ganhou novo impulso nos últimos anos. Segundo a engenheira da Geplan, Natália Smaniotto Bach, esse movimento teve início ainda no modernismo, quando arquitetos passaram a explorar o concreto não apenas como solução estrutural, mas também como elemento de expressão estética. “O concreto aparente começou a ser valorizado por sua aparência crua e sua capacidade de criar formas inovadoras. Depois, ganhou destaque no movimento brutalista, que enfatizava a honestidade dos materiais e formas robustas”, afirma.
A linguagem brutalista, difundida internacionalmente sobretudo entre as décadas de 1950 e 1970, voltou a influenciar projetos contemporâneos, especialmente em edifícios culturais, corporativos e residenciais de alto padrão. Caracterizada pela exposição da estrutura, pela valorização das formas geométricas e pela ausência de revestimentos convencionais, essa vertente faz na materialidade parte central da identidade arquitetônica.

No Brasil, obras como o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, de Paulo Mendes da Rocha, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, de Vilanova Artigas, e o Sesc Pompeia, de Lina Bo Bardi, são referências do uso do concreto aparente como expressão arquitetônica permanente.
Menos revestimentos e maior durabilidade
Além do aspecto visual, o concreto aparente vem sendo adotado também por razões técnicas e econômicas. Ao eliminar etapas como reboco, massa corrida e pintura, o sistema reduz o consumo de materiais, simplifica o cronograma executivo e diminui a geração de resíduos. “A principal vantagem do concreto aparente está na redução ou eliminação dos revestimentos convencionais, uma vez que o próprio elemento estrutural passa a constituir o acabamento final da edificação”, explica Natália.
Essa característica também reduz interfaces entre equipes de obra, diminui retrabalhos e pode reduzir custos futuros de manutenção. “O concreto aparente não demanda repinturas frequentes nem substituição de revestimentos destacáveis. As manutenções normalmente se restringem à limpeza e tratamentos pontuais”, afirma.
Outro fator que impulsiona o uso do material é a durabilidade. Quando corretamente especificado e executado, o concreto apresenta elevada resistência mecânica, bom desempenho frente à umidade e ao desgaste natural, além de maior estabilidade estética ao longo do tempo.
Arquitetura bioclimática impulsiona novas aplicações

O concreto também ganhou espaço em projetos de arquitetura bioclimática, modelo que busca adaptar as edificações às condições climáticas locais para ampliar o conforto térmico e reduzir o consumo energético.
Nesse contexto, a inércia térmica do concreto passou a ser utilizada estrategicamente para minimizar oscilações de temperatura nos ambientes internos. A arquiteta e urbanista Paula Morais explica que esse desempenho está diretamente relacionado às características e às necessidades específicas de cada projeto. “A arquitetura bioclimática fundamenta-se na utilização de elementos que auxiliam diretamente na eficiência energética da edificação, controlando variáveis conforme a necessidade climática. O concreto armado apresenta-se como um aliado estratégico pela sua inércia térmica, que auxilia na regulação das temperaturas internas”, destaca.
Ela aponta que estratégias passivas relacionadas à incidência solar, ventilação e microclima urbano têm orientado soluções arquitetônicas mais integradas ao espaço público e ao território. “É preciso respeitar as particularidades de implantação e o microclima específico de cada projeto”, ressalta.
A arquiteta também observa que o concreto é um sistema construtivo amplamente difundido e acessível. Sua ampla aceitação deve-se ao fato de ser um sistema de fácil manuseio e de conhecimento popular na hora da execução.
Integração entre cidade e edifícios
A discussão sobre sustentabilidade e desempenho urbano também tem aproximado a arquitetura bioclimática do planejamento dos espaços públicos. Em projetos contemporâneos, áreas de convivência, fachadas ativas e ambientes de fruição coletiva passaram a ser incorporados ao desenho arquitetônico como forma de estimular circulação de pessoas e ampliar a sensação de segurança urbana.
A proposta busca criar edificações que dialoguem com o entorno urbano, favorecendo o uso coletivo dos espaços e reduzindo barreiras físicas entre cidade e arquitetura.
Nesse cenário, o concreto segue como um dos materiais mais presentes nas novas soluções arquitetônicas. Seja pela estética, pela durabilidade ou pelo desempenho térmico, o ele consolida sua presença em projetos que priorizam eficiência construtiva, sustentabilidade e integração urbana.
Entrevistados
Natália Smaniotto Bach é engenheira civil, mestra em Engenharia Civil na área de Construção Civil e pós-graduanda em Gestão de Projetos, com oito anos de experiência na coordenação e compatibilização de projetos multidisciplinares, atuando na integração entre arquitetura e engenharia, com foco em soluções técnicas, resolução de interferências e cumprimento de prazos. Atualmente, é engenheira da Geplan.
Paula Morais é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com especialização em Meio Ambiente e Arquitetura Bioclimática pela Universidad Politécnica de Madrid e MBA em Administração e Gestão de Incorporações e Construções Imobiliárias pela FGV. Fundadora do Estudio Convexo, aplica e estudos de clima e desempenho ambiental aos projetos que desenvolve, com foco em eficiência térmica, respeito ao território e sustentabilidade.
Contato
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Ana Carvalho
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IBGE aponta aumento de pessoas morando sozinhas e setor da construção civil investe em moradias funcionais
O retrato mais recente dos domicílios brasileiros divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma uma mudança no perfil das famílias do país. Hoje, um em cada cinco lares brasileiros é ocupado por apenas uma pessoa. O fenômeno, que já vinha sendo percebido pelo mercado imobiliário, tem provocado transformações nos projetos residenciais e nas estratégias da construção civil.
Ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas morando sozinhas, o país também registra aumento dos imóveis alugados e desafios ligados à infraestrutura urbana, como a falta de saneamento em parte das moradias. Para especialistas do setor, o cenário aponta para uma demanda cada vez maior por empreendimentos compactos, funcionais e localizados próximos aos centros urbanos.
Segundo Adalberto Scherer, diretor comercial da Cibraco Imóveis, o movimento acompanha mudanças sociais observadas em diversos países. “A pesquisa do IBGE simplesmente reflete uma tendência mundial. Hoje as pessoas têm menos filhos, são menos patrimonialistas e procuram muito mais uma qualidade de vida individual”, afirma.

De acordo com ele, fatores como envelhecimento da população, mudanças nas relações familiares e a busca por praticidade têm alterado o perfil de consumo imobiliário. “As pessoas querem ter facilidade na vida delas. E a construção vem se adaptando rapidamente, montando empreendimentos menores e que ofereçam bastante prestação de serviço para os moradores”, diz.
Apartamentos compactos se tornam protagonistas
O crescimento dos chamados domicílios unipessoais acelerou a procura por studios e apartamentos compactos, principalmente em regiões urbanas com boa oferta de serviços e mobilidade. Para Gustavo Selig, CEO do Grupo Hestia, o mercado precisou rever conceitos tradicionais de moradia. “Os dados mais recentes do IBGE só chancelam o que a gente já via no canteiro de obras. Esse salto das unidades unipessoais nos últimos anos é um fenômeno urbano consolidado”, afirma.
Segundo ele, imóveis entre 20 e 45 metros quadrados passaram a ocupar posição de destaque nos lançamentos imobiliários. “O boom dos studios e microapartamentos não é um modismo passageiro, mas uma resposta direta a esse novo perfil de morador que prioriza praticidade e eficiência no cotidiano”, explica.
A mudança não se limita ao tamanho dos imóveis. Os empreendimentos passaram a incorporar soluções para otimização dos espaços internos, integração tecnológica e ampliação das áreas compartilhadas. “A engenharia de produto hoje trabalha com plantas super funcionais e otimização máxima do espaço, prevendo marcenaria inteligente para que o morador tenha tudo sem aperto”, afirma Selig.
Áreas comuns ganham importância
Com unidades menores, as áreas comuns passaram a ter papel estratégico nos empreendimentos. Segundo Selig, a lógica atual do mercado combina metragem reduzida com oferta ampliada de serviços dentro do condomínio. “Se a área privativa é menor, o condomínio precisa compensar com áreas comuns robustas, como coworking, lavanderia coletiva, academia e espaços de convivência”, afirma.
A localização também se tornou um fator decisivo. Imóveis próximos ao trabalho, ao transporte coletivo e a centros comerciais tendem a atrair mais esse público, que busca reduzir deslocamentos e ganhar tempo na rotina.
Outro aspecto valorizado é a tecnologia integrada aos empreendimentos. Sistemas automatizados, fechaduras biométricas e infraestrutura para veículos elétricos passaram a fazer parte dos novos projetos voltados ao público urbano.
Envelhecimento da população cria novas demandas
O aumento de mulheres acima dos 60 anos vivendo sozinhas também tem levado construtoras a desenvolver projetos voltados à autonomia e segurança desse público.
Segundo Selig, o conceito conhecido como “senior living” vem ganhando espaço no Brasil, mas com uma proposta diferente dos modelos tradicionais de moradia assistida. “Elas não buscam um ambiente com cara de clínica, mas sim um lar moderno que ofereça segurança e independência”, afirma.
Entre as adaptações presentes nos novos empreendimentos estão pisos antiderrapantes, iluminação automatizada, portas mais largas e sistemas de monitoramento integrados à arquitetura.
Além da acessibilidade, os projetos também apostam em espaços de convivência e serviços sob demanda. “Serviços como limpeza contratada e pequenos reparos ajudam a manter a autonomia e permitem que a moradora tenha mais controle sobre a própria rotina”, destaca.
Mercado vê oportunidade de expansão
Para o setor da construção civil, a mudança no perfil demográfico representa uma oportunidade de expansão em diferentes segmentos. Além dos compactos de alto padrão, o mercado também observa crescimento de projetos voltados à longevidade e à moradia acessível. Selig afirma que já existem empreendimentos privados e iniciativas habitacionais públicas focadas exclusivamente na população acima de 60 anos, com estruturas adaptadas para garantir segurança, saúde e convivência social.
Já para Adalberto Scherer, a tendência deve continuar nos próximos anos, impulsionada pelas transformações sociais e pelo envelhecimento da população brasileira. “Em breve teremos mais idosos do que jovens no Paraná. A construção civil percebeu isso e passou a desenvolver unidades menores, mais funcionais e próximas dos centros urbanos”, afirma.
O avanço das moradias unipessoais mostra que o conceito de habitação no Brasil está em transformação. Mais do que metragem, os novos consumidores buscam praticidade, mobilidade, segurança e qualidade de vida. E o setor da construção civil já começou a adaptar seus projetos a essa nova realidade.
Entrevistados
Adalberto Scherer Filho é graduado em Administração de Empresas pela FAE e Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba. Especialista em Marketing pela FAE). Atua há 30 anos como diretor executivo da Cibraco Imóveis.
Gustavo Selig é engenheiro civil graduado pela PUC-PR, mestre em Administração de Empresas e Negócios pela FGV-PR. Cofundador e presidente do Grupo Hestia, atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário paranaense.
Contato
contato@rafaelasalomon.com.br (Assessoria de Imprensa)
gustavo.selig@grupohestia.com.br
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Ana Carvalho
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Como fazer a interpretação técnica em ensaios de concreto?
Em ensaios de concreto, interpretar corretamente um resultado é tão importante quanto executá-lo. A análise isolada de um valor de resistência à compressão pode resultar em interpretações incompletas sobre a qualidade do material. O ACI 214R-11 – Guide to Evaluation of Strength Test Results of Concrete propõe uma leitura mais robusta e ampla: os resultados devem ser avaliados considerando média, dispersão, tendência e coerência estatística.

Embora o documento tenha como foco principal a resistência à compressão, seus fundamentos são aplicáveis a outros controles tecnológicos do concreto. A lógica central é: um resultado individual informa pouco; uma série de resultados bem amostrada e tecnicamente interpretada revela a estabilidade do processo.
O resultado de resistência é consequência de toda a cadeia de ensaio
O ACI 214R-11 reforça que a resistência obtida em corpos de prova moldados, curados e rompidos sob condições padronizadas representa o desempenho do concreto ensaiado, e não diretamente a resistência in situ da estrutura.
Por isso, antes de interpretar um resultado baixo como problema do material, é necessário avaliar a confiabilidade do dado: a amostragem foi representativa? A moldagem foi adequada? A cura inicial foi preservada? Houve excentricidade, falha de retífica, tipo de neoprene ou anomalia durante a ruptura?
Na prática, o resultado reflete a combinação entre concreto produzido, amostragem, preparo dos corpos de prova e execução do ensaio. Qualquer desvio nessa cadeia pode comprometer sua interpretação.
Figura 1: Curvas de frequência normal para três distribuições diferentes com a mesma média, mas variabilidade diferente.

Fonte: Baseado no ACI 214R-11
Variabilidade: entender a origem é essencial
O ACI 214R-11 diferencia duas fontes principais de variação:
Variação entre lotes, associada às oscilações reais do processo produtivo, como alterações nos materiais, na relação água/materiais cimentícios, na mistura, no transporte ou na uniformidade da carga.
Variação dentro do mesmo ensaio, relacionada principalmente à amostragem, moldagem, cura e ruptura dos corpos de prova.
Essa distinção tem efeito direto no diagnóstico técnico. Diferenças elevadas entre corpos de prova de uma mesma amostra tendem a indicar fragilidade no procedimento de ensaio. Já oscilações relevantes entre médias de ensaios sucessivos podem sinalizar instabilidade do concreto produzido. Portanto, a dispersão dos resultados não deve ser tratada apenas como “variação natural”. Ela é um indicador de controle — ou de perda dele.
Amostragem representativa: a base de qualquer análise confiável
O ACI 214R-11 ressalta que a validade da análise estatística depende de amostragem representativa e aleatória. Quando a coleta é feita por conveniência ou sem critério técnico, cria-se um viés que compromete toda a avaliação posterior. Em termos práticos, não existe interpretação estatística confiável construída sobre uma amostragem inadequada.
Tendência importa – e muito
A análise técnica não deve observar apenas se um resultado atende ou não a um limite. É necessário verificar também a tendência do processo ao longo do tempo.
Uma sequência gradual de redução da resistência, mesmo ainda acima da especificação, pode indicar deslocamento da média e perda progressiva de robustez. O ACI 214R-11 reconhece o uso de ferramentas como cartas de controle justamente para identificar esse tipo de comportamento antes que ele se converta em não conformidade.
Essa leitura preventiva amplia o valor do controle tecnológico: os ensaios deixam de ser apenas uma verificação documental e passam a funcionar como instrumento de diagnóstico, previsibilidade e tomada de decisão.
Figura 2: Resultados de resistência mecânica

Fonte: Baseado no ACI 214R-11
Interpretar resultados é controlar o processo
A principal contribuição do ACI 214R-11 está em transformar a resistência do concreto em informação de processo. Um resultado tecnicamente interpretado deve responder a perguntas objetivas:
- O dado é confiável?
- A dispersão está compatível com o histórico?
- Há tendência de deslocamento da média?
- A variabilidade vem da produção ou do ensaio?
Quando essas perguntas fazem parte da rotina de controle, a análise de resultados se torna mais precisa, reduz decisões precipitadas e fortalece a segurança técnica do processo.
Para mais informações e para implementar estes conceitos na rotina de controle tecnológico, clientes podem consultar a equipe de Assessoria Técnica da Itambé!

Referências:
ACI 214R-11 – Guide to Evaluation of Strength Test Results of Concrete.
Autor
Guilherme Bessornia
Coordenador de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé, Engenheiro Químico pela Universidade de Sorocaba, especialista em Engenharia de Materiais pela Universidade de Mogi das Cruzes e mestrando em Ciência e Tecnologia de Materiais pela Universidade Estadual Paulista. Possui 12 anos de experiência em materiais cimentícios e químicos para construção civil, com atuação em consultoria técnica de campo e nos segmentos de pré-fabricados, artefatos de cimento, infraestrutura, fibrocimento, argamassa e concreteiras.
Contato
guilherme.bessornia@cimentoitambe.com.br
Revisão
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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