Sistema construtivo aberto amplia eficiência e flexibilidade nas obras
O avanço da industrialização na construção civil tem impulsionado a adoção de métodos mais eficientes e integrados. Entre eles, o sistema construtivo aberto se destaca por permitir a combinação de diferentes materiais, fornecedores e tecnologias em uma mesma obra, com base em padrões previamente definidos. A proposta é garantir compatibilidade entre os componentes e ampliar a flexibilidade ao longo do ciclo de vida do edifício.
De acordo com o arquiteto Marcio Porto, do escritório Sidonio Porto Arquitetos Associados, o conceito está diretamente ligado à padronização. “Um sistema construtivo aberto é um método que prevê a padronização e a compatibilidade entre os diversos componentes da obra de um edifício. Sua concepção é pensada na fase de projeto e permite que produtos de diversos fabricantes sejam utilizados em uma obra da forma mais livre e ampla possível”, afirma.
Integração de sistemas e liberdade de escolha
Na prática, o modelo possibilita que diferentes partes da edificação, como estrutura, vedação e fachadas, sejam fornecidas por empresas distintas, desde que sigam uma lógica comum de modulação. Essa interoperabilidade amplia a competitividade entre fornecedores e reduz a dependência de soluções fechadas.

Crédito: Acervo Pessoal/Marcio Porto
Outro ponto relevante é a possibilidade de manutenção e substituição de componentes de forma independente. Como os elementos são concebidos para funcionar de maneira integrada, mas não exclusiva, eventuais intervenções ao longo do tempo tornam-se mais simples e menos onerosas. Além disso, o sistema favorece adaptações futuras. Projetos concebidos dentro dessa lógica permitem ampliações ou mudanças de uso com maior facilidade, o que aumenta a vida útil da edificação e sua capacidade de resposta a novas demandas.
Ganhos com o uso de pré-fabricados
A integração com elementos industrializados, especialmente o concreto pré-fabricado, potencializa os benefícios do sistema aberto. Segundo Porto, o principal impacto ocorre nos prazos. “Na prática o maior impacto se dá na velocidade da obra. A otimização do cronograma é o grande diferencial, uma vez que os prazos podem ser encurtados e são mais garantidos”, explica.
Como os componentes são produzidos fora do canteiro, é possível executar simultaneamente etapas distintas da obra. Enquanto elementos estruturais são fabricados na indústria, as fundações e a infraestrutura avançam no local. Esse paralelismo reduz o tempo total de execução, com estimativas de economia entre 20% e 40% em projetos que combinam diferentes sistemas industrializados.
O uso de elementos pré-fabricados também contribui para maior previsibilidade orçamentária. A produção em ambiente controlado reduz desperdícios, diminui a dependência de mão de obra intensiva e mitiga riscos associados à variação de insumos.
Qualidade e sustentabilidade

Crédito: Acervo Pessoal/Marcio Porto
Outro aspecto relevante é o ganho de qualidade. Componentes produzidos industrialmente apresentam maior precisão dimensional e melhor acabamento, o que facilita sua integração com outros sistemas, como fachadas e esquadrias. No caso do concreto pré-fabricado, há um controle rigoroso do processo produtivo, resultando em menor variabilidade e maior desempenho.
Do ponto de vista ambiental, o sistema aberto contribui para a redução de resíduos no canteiro e para o uso mais eficiente dos recursos. Em alguns casos, há ainda a possibilidade de desmontagem parcial da edificação e de reaproveitamento de componentes, o que reforça a lógica de sustentabilidade ao longo do ciclo de vida da obra. “Tivemos a oportunidade de elaborar projetos utilizando sistemas construtivos abertos compostos por painéis de concreto pré-fabricado nas lajes, como é o caso da sede da Brazilglass em Guararema (SP). Também elaboramos obras em que as estruturas foram feitas em sistema de forma mista, e, portanto, aberta, com vigas e pilares em aço e concreto pré-fabricado e vedadas com painéis de fachada também pré-fabricados, como é o caso dos edifícios industriais do campus da Flextronics em Sorocaba (SP)”.
Planejamento como fator determinante
Apesar das vantagens, a adoção do sistema construtivo aberto exige um alto nível de planejamento. A definição do método ocorre ainda nas etapas iniciais do projeto e orienta todas as decisões subsequentes. Alterações ao longo do processo tendem a gerar retrabalho e aumentar os riscos à execução.
Marcio Porto afirma que a compatibilização entre arquitetura, estrutura e instalações é determinante para o sucesso do modelo. “Soluções modulares pré-fabricadas exigem projetos muito bem pensados desde a origem. A arquitetura precisa ser concebida já prevendo a industrialização de todo o processo construtivo”, ressalta.
Com planejamento adequado, o sistema construtivo aberto se consolida como uma alternativa eficiente para diferentes tipologias de empreendimentos, especialmente aqueles que demandam rapidez, padronização e flexibilidade.
Entrevistado
Marcio Porto é graduado em Arquitetura pela Universidade Mackenzie, mestre e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/USP, professor da Universidade Mackenzie e sócio-diretor do escritório Sidonio Porto Arquitetos Associados.
Contato marcio.porto@sidonioporto.com.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Projeto Profissão Construir capacita mão de obra para construção civil
Há anos, a construção civil brasileira enfrenta um desafio persistente: a escassez de mão de obra qualificada. Diante desse cenário, o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Joinville (SINDUSCON Joinville) tem adotado uma postura mais propositiva. Em vez de apenas apontar o problema, a entidade passou a investir em soluções concretas, dando origem ao projeto Profissão Construir, estruturado sobre três pilares: valorização das profissões, formação técnica e empregabilidade.
O primeiro eixo trata da valorização das funções operacionais, muitas vezes subestimadas no imaginário coletivo. “Ser carpinteiro, armador ou pedreiro exige habilidade e conhecimento. É uma arte, não é algo que qualquer pessoa pode executar. Por isso, é essencial reconhecer e valorizar essas funções”, destaca Carlos Lopes, presidente do Instituto Profissão Construir. A proposta é justamente reposicionar essas atividades como carreiras dignas, técnicas e com potencial de crescimento.

Crédito: Divulgação/ Instituto Profissão Construir
Curso
O segundo pilar está diretamente ligado à formação profissional. A iniciativa busca transformar ocupações tradicionalmente vistas como informais em trajetórias estruturadas, com capacitação contínua e possibilidades de evolução. Para isso, o projeto passou por um processo de reformulação profunda.“A proposta foi desenvolver conteúdos mais atuais, organizados de forma modular, que sejam de fácil compreensão para os alunos e, ao mesmo tempo, alinhados às reais necessidades do mercado”, afirma Lopes.
Essa reformulação deu origem ao Instituto Profissão Construir, uma entidade sem fins lucrativos criada para ampliar o alcance da iniciativa e consolidar sua atuação na qualificação de mão de obra. A estrutura conta com a participação de diversos agentes do setor, incluindo professores do SENAI, profissionais da administração pública e especialistas das próprias empresas apoiadoras. Essa integração permite que o conteúdo oferecido em sala de aula reflita, de fato, a realidade dos canteiros de obras.
A metodologia adotada combina teoria e prática em proporções equilibradas, garantindo que o aluno desenvolva não apenas conhecimento técnico, mas também habilidades aplicáveis no dia a dia. Todos os participantes iniciam pelo módulo de Iniciação na Construção Civil, etapa obrigatória para quem não possui experiência prévia. Após essa fase, já é possível ingressar no mercado como ajudante e, a partir daí, avançar para módulos mais específicos, como elétrica, alvenaria e pintura.

Empregabilidade
O terceiro pilar do projeto é a empregabilidade, que se conecta diretamente à demanda do setor. “O projeto busca conectar os profissionais formados às oportunidades do mercado, garantindo inserção e continuidade no setor”, revela Lopes. Esse vínculo entre formação e mercado é um dos principais diferenciais da iniciativa, contribuindo para reduzir o descompasso entre oferta e demanda de mão de obra.
Atuação dos parceiros
A Cimento Itambé e a Concrebras estão entre as apoiadoras do programa. Mais do que aporte financeiro, contribuem ativamente na construção dos conteúdos, compartilham conhecimento técnico e garantem insumos para as aulas práticas. “É uma participação direta, conectando quem demanda a mão de obra, quem fornece tecnologia e quem está em formação. O Instituto atua como esse elo entre todos os agentes do setor”, afirma Lopes.
Resultados
Os resultados já demonstram o impacto positivo do projeto. Atualmente, mais de mil pessoas estão matriculadas e cerca de 850 já concluíram os cursos. “Desses, aproximadamente 80% já atuam na construção civil. Há também aqueles que buscam o curso para uso próprio, como pequenas reformas em casa — o que, para nós, também é positivo”, comenta Lopes. Além de gerar empregabilidade, a iniciativa contribui para ampliar a percepção de valor do setor.
Desafios: escala de formação e atração de jovens

Apesar dos avanços, ainda há desafios a serem superados. Um dos principais gargalos é a limitação no número de instrutores, o que restringe a capacidade de expansão dos cursos.
A ausência de programas estruturados para jovens também é um ponto de atenção. “Sabemos que a escolha profissional acontece, em geral, entre os 14 e 17 anos. Se não nos conectarmos com esse público, dificilmente conseguiremos atrair novos talentos”, pondera Lopes.
Formação técnica como resposta a um risco estrutural
Nesse contexto, o Instituto atua não apenas na formação técnica, mas também na transformação cultural da construção civil. A proposta é romper com o estigma de subemprego e apresentar o setor como uma opção profissional sólida, com boas perspectivas de renda e crescimento. “Estamos mostrando que é possível construir uma carreira sólida dentro do setor, com aprendizado estruturado e perspectivas concretas de evolução”, afirma.
A iniciativa também se insere em um debate mais amplo sobre o futuro do trabalho. Em países desenvolvidos, já se observa um desequilíbrio entre formação acadêmica e mão de obra técnica, com escassez de profissionais qualificados na execução. O Brasil, segundo Lopes, ainda tem a oportunidade de evitar esse cenário, desde que invista de forma estruturada na base da formação.

Crédito: Divulgação/ Instituto Profissão Construir
Com alta demanda por habitação e infraestrutura, a construção civil segue como um dos motores da economia nacional. No entanto, sem mão de obra qualificada, o crescimento do setor pode ser comprometido. Nesse sentido, o Instituto Profissão Construir surge como uma resposta concreta e estratégica, capaz de alinhar formação, mercado e desenvolvimento social. Para Lopes, o caminho é claro: “O Brasil é, essencialmente, um grande canteiro de obras. Se não prepararmos essa mão de obra agora, enfrentaremos um gargalo nos próximos anos. Mas, se fizermos o dever de casa, o setor pode crescer com mais qualidade, produtividade e segurança.”
Fonte
Carlos Lopes é presidente do Instituto Profissão Construir.
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Engenharia consultiva reduz riscos em projetos da construção
Em um cenário cada vez mais orientado por eficiência, governança e segurança jurídica, a engenharia consultiva ganha protagonismo como um dos pilares na viabilização de empreendimentos. Mais do que suporte técnico, trata-se de uma atuação estratégica que conecta planejamento, execução e desempenho de longo prazo, garantindo decisões mais assertivas desde as fases iniciais e protegendo o capital investido diante das crescentes complexidades do setor.
O engenheiro civil Sady Ivo Pezi Júnior define a consultoria como o elo entre a teoria normativa e a prática do canteiro de obras — uma atuação essencial para garantir que o investimento do cliente, seja ele público ou privado, seja preservado e valorizado ao longo do tempo.
Para ele, a engenharia consultiva representa a convergência entre técnica e estratégia. “Sob a égide do Sistema CONFEA/CREA, a responsabilidade técnica (ART) é nossa base ética e legal. Mas, para o mercado de capitais, o consultor hoje é um gestor de incertezas. A engenharia consultiva é estratégica porque garante o Compliance técnico e a governança (ESG). Não olhamos apenas se a viga suporta a carga, mas se aquele método construtivo garante a liquidez do ativo e atende à NBR 15575 (Norma de Desempenho) a longo prazo”, explica.
Quando a engenharia consultiva deve entrar em um projeto?
Na avaliação de Pezi Júnior, a engenharia consultiva deve estar presente desde o primeiro momento, como um ato estruturante de governança.
“No setor público, a Lei 14.133/2021 (Art. 18) é clara: o planejamento é a fase precípua, e o Estudo Técnico Preliminar (ETP) é onde a inteligência consultiva molda a viabilidade. No setor privado, especialmente para Family Offices e Fundos de Investimento, o consultor deve atuar na Due Diligence técnica antes mesmo da aquisição do ativo”, explica o engenheiro civil.

No entanto, muitas vezes, a engenharia consultiva entra tarde nos projetos. “Ainda vivemos o ‘vício da urgência’, onde se confunde início de obra com eficiência. Ignora-se a Curva de MacLeamy: o custo de mudar um projeto no papel é ínfimo, mas na obra é exponencial. Entrar tarde significa que o consultor trabalhará para remediar erros de concepção, em vez de evitá-los”, comenta Pezi Júnior.
O custo invisível da ausência de consultoria
De acordo com o engenheiro civil, o erro capital é a negligência com o Custo Total de Propriedade (TCO). “O empreendedor foca no Capex (investimento inicial) e ignora que a falta de uma consultoria de valor comprometerá o Opex (custo de operação) por décadas. Subestimar a consultoria é descumprir as boas práticas da NBR 12721 e abrir mão da previsibilidade. Sem o consultor, o orçamento vira uma peça de ficção, e o investidor fica exposto à ‘cultura do aditivo’, que drena a rentabilidade e gera insegurança jurídica”.
A redução real de custos nasce da extinção da improvisação. “Através da Gestão de Projetos (metodologia PMP/PMBOK) e da Engenharia de Valor, otimizamos sistemas e eliminamos o desperdício de capital”, pontua Pezi Júnior.
No mercado, o engenheiro acredita que a Lei 14.133 deu um passo gigante ao permitir o julgamento por "Maior Retorno Econômico", valorizando quem entrega eficiência, não apenas o menor preço nominal. “No setor privado e fundos imobiliários, o consultor está deixando de ser visto como ‘custo’ para se tornar o Agente Fiduciário Técnico do investidor, protegendo o capital contra pleitos (claims) infundados e atrasos crônicos”, defende.
Riscos que podem ser antecipados
A atuação da engenharia consultiva também é decisiva na proteção do fluxo de caixa, especialmente por meio da estruturação de matrizes de risco. Segundo Pezi Júnior, este profissional é responsável por antecipar:
• Riscos de Interface: Conflitos entre disciplinas que paralisam frentes de obra.
• Riscos Regulatórios: Garantia de que cada etapa cumpra rigorosamente as NBRs e exigências do CREA, evitando embargos.
• Riscos de Compliance: No setor público e privado, garantimos que o "as-built" reflita a realidade, eliminando passivos ocultos que costumam surgir após a entrega das chaves.
Fonte
Sady Ivo Pezzi é engenheiro civil e conselheiro de negócios com mais de 37 anos de experiência na interseção entre engenharia, gestão e governança. Fundador da Sady Pezzi Soluções Empresariais, lidera projetos de auditoria técnica, inspeções prediais e reestruturação de processos. Atua também como professor de pós-graduação na ESIC Business & Marketing School.
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Concretagem do edifício Oás mobiliza tecnologia de concreto de alto desempenho e logística para vencer desafios estruturais
A concretagem do edifício Oás, em Curitiba, entra em fase decisiva com o avanço das lajes superiores e a proximidade da altura final prevista de 179 metros. De acordo com a GT Building, o empreendimento, que deve se consolidar como o mais alto da capital paranaense, reúne soluções técnicas voltadas à construção vertical em grande escala, com ênfase no desempenho estrutural e no controle rigoroso dos materiais.
Conforme informações da GT Building, desde o início das obras, em fevereiro de 2023, o processo de concretagem vem sendo conduzido com planejamento detalhado e uso de tecnologias específicas. A etapa inicial contemplou a execução do bloco de fundação, com volume de 1.144 metros cúbicos de concreto, considerado o maior já realizado na cidade. Para garantir estabilidade térmica durante o processo de cura, foram utilizadas mais de 114 toneladas de gelo na composição do concreto.
Bombeamento em altura exige precisão técnica

Um dos principais desafios da obra está relacionado ao transporte do concreto até os pavimentos mais altos. Segundo o diretor de operações da GT Building, Maurício Fassina, o material precisa ser bombeado desde o nível da rua até cerca de 160 metros de altura, sem perda de qualidade. “O processo exige um sistema de bombeamento altamente eficiente, capaz de transportar o material por grandes alturas sem comprometer suas propriedades físicas e mecânicas”, afirma. Ele destaca ainda que o controle tecnológico é determinante para manter a trabalhabilidade, a resistência e a homogeneidade do concreto durante todo o percurso.
O concreto utilizado na estrutura, fornecido pela Concrebras, possui resistência característica de 50 MPa aos 28 dias, assegurando elevada capacidade de suporte de cargas. Esse padrão atende às exigências estruturais de edifícios altos, uma vez que o desempenho do material influencia diretamente a segurança e a durabilidade da construção.
Leia mais: Concretagem do Yachthouse é finalizada pela Concrebras
Concreto de alto desempenho e controle de qualidade
A execução da supraestrutura, composta por lajes, vigas e pilares, utiliza concreto de alto desempenho com aditivos de terceira geração à base de policarboxilatos. Esses aditivos proporcionam maior fluidez à mistura, facilitando tanto o bombeamento quanto a aplicação em grandes alturas.

De acordo com o engenheiro civil Sergio Davidovicz, especialista técnico da Concrebras para as regiões de Curitiba e Joinville, o controle do abatimento do concreto foi ajustado ao longo do processo. “Os valores iniciais partiam de cerca de 100 milímetros e chegavam a mais de 200 milímetros após a adição dos aditivos, garantindo melhor trabalhabilidade”, explica.
Outro fator relevante foi a logística da obra. Localizado em uma região com intenso fluxo de veículos, o canteiro exigiu operações com horários restritos para a circulação de caminhões e o posicionamento de bombas. Ao longo da construção, o volume total de concreto utilizado se aproxima de 19.500 metros cúbicos.
Parcerias técnicas e histórico de grandes obras
A escolha da Concrebras como fornecedora de concreto levou em consideração sua experiência prévia em projetos de grande porte. Segundo Fassina, o histórico positivo e a capacidade técnica foram fatores determinantes para a decisão. “A empresa já atua em obras com alturas superiores e dispõe de tecnologia capaz de garantir o bombeamento sem perda de desempenho, o que foi decisivo para este projeto”, afirma.
O portfólio inclui empreendimentos de alta complexidade, como torres residenciais de grande altura e estruturas institucionais, o que reforça a capacidade de atuação em projetos que exigem soluções técnicas avançadas.
Etapa final e impacto no cenário urbano
Com a concretagem dos pavimentos finais em andamento, o edifício Oás se aproxima da conclusão da estrutura principal. A obra representa um marco para a engenharia local, tanto pela altura quanto pelas soluções adotadas ao longo do processo construtivo.

Crédito: Divulgação
A combinação entre tecnologia de materiais, planejamento logístico e rigor no controle de execução evidencia a evolução das técnicas de construção vertical no país. Ao atingir sua altura máxima, o empreendimento deve redefinir o perfil urbano da região e consolidar novos padrões para edificações de grande porte em Curitiba.
Entrevistados
Maurício Fassina, possui mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário e na construção civil, com expertise em incorporação de imóveis alto padrão, análise de viabilidade de novos negócios e vasta experiência em orçamento e gestão de obras. Gestão de parcerias e reporte a sócios. Atualmente, ocupa o cargo de Diretor de Operações na GT Building.
Sergio Davidovicz é engenheiro civil graduado pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e pós-graduado em Patologia das Construções pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Atualmente, atua como especialista técnico da Concrebras nas regiões de Curitiba e Joinville.
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Ana Carvalho
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Novo teto do Minha Casa, Minha Vida amplia alcance e pode impulsionar mercado imobiliário
As recentes mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) indicam uma reconfiguração do mercado imobiliário. Com a elevação do teto para aquisição de imóveis na Faixa 4 para até R$ 600 mil e a ampliação da renda familiar permitida para até R$ 13 mil, o programa passa a contemplar uma parcela maior da população, incluindo famílias que anteriormente não se enquadravam nas condições mais favoráveis de financiamento.
A atualização das regras, aprovada pelo Conselho Curador do FGTS, altera a dinâmica de acesso ao crédito habitacional. Na avaliação de especialistas do setor, o novo limite aproxima-se da realidade de cidades com maior valorização imobiliária. Em Curitiba, por exemplo, o preço médio dos imóveis e a valorização recente vinham dificultando a adesão ao programa em sua configuração anterior.
Ampliação do crédito e redução de custos
Um dos pontos destacados pelo setor é a origem dos recursos utilizados para financiamento. Segundo Ilso Gonçalves, CEO da JBA Imóveis e vice-presidente de Desenvolvimento Urbano do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), a utilização do FGTS como fonte de funding tende a tornar o crédito mais acessível. “O principal ponto é que o funding para o mercado imobiliário será oriundo do FGTS, que é um recurso muito maior que o funding do SBPE. As taxas de juros para as construtoras são de cerca de 9% ao ano, enquanto no SBPE tem taxas na faixa de 12% ao ano”, afirma.

Crédito: Envato
Ele também ressalta que as condições para o consumidor final se tornam mais competitivas. “As taxas de juros para o consumidor vão de 8% a 12% por ano mais TR, dependendo do relacionamento do cliente, enquanto no SBPE são na faixa de 11% ao ano mais TR”, completa.
Potencial de crescimento nos lançamentos
Apesar da relevância do programa em âmbito nacional, Curitiba ainda apresenta baixa participação do MCMV nos lançamentos imobiliários. Em 2025, apenas 5% dos novos empreendimentos na cidade estavam vinculados ao programa. Com as novas regras, a expectativa é de crescimento significativo. “Acredito que o MCMV nestes valores da faixa 4 até R$ 600.000 poderá aumentar substancialmente o volume de vendas, que pode alcançar de 15 a 20% do volume de vendas na capital”, projeta Gonçalves.
A ampliação também pode destravar projetos que antes não eram viáveis economicamente, especialmente em regiões com maior disponibilidade de terrenos e custo mais acessível.
Expansão geográfica e diversificação de produtos
A tendência é de que a expansão do programa alcance diferentes regiões da cidade, especialmente os eixos norte e sul. “O eixo norte apresenta áreas com valores que viabilizam a construção de apartamentos dentro do MCMV. Mas a região sul, a maior de Curitiba, possui áreas com valor comercial e potencial construtivo que impulsionam a construção para as faixas 3 e 4”, detalha.
Além da expansão territorial, há expectativa de diversificação no perfil dos empreendimentos. A ampliação do teto permite incluir imóveis com padrão construtivo superior e maior infraestrutura, como áreas de lazer e itens de segurança, sem comprometer a viabilidade financeira dos projetos.
Impacto no mercado de imóveis usados
Outro efeito esperado é o aquecimento do mercado de imóveis usados. O novo teto se aproxima do valor médio praticado na cidade, o que pode ampliar as opções para os compradores. “O mercado de usados irá aumentar, pois essa faixa de valores é próxima da média dos imóveis usados à venda em Curitiba em 2025, que estava em R$ 477 mil”, afirma Gonçalves.
Atualmente, o estoque de imóveis usados na capital gira em torno de 50 mil unidades, entre terrenos, apartamentos, casas e sobrados. Com o acesso facilitado ao crédito, parte desse estoque pode ser absorvida mais rapidamente.
Novo cenário para o setor
As mudanças no Minha Casa, Minha Vida indicam um reposicionamento do programa frente às transformações do mercado imobiliário. Ao ampliar o público atendido e ajustar os limites financeiros, a política habitacional passa a dialogar de forma mais direta com a realidade de grandes centros urbanos. Em Curitiba, o novo cenário tende a estimular investimentos, ampliar a oferta de imóveis e facilitar o acesso à moradia. O impacto, no entanto, dependerá da velocidade de adaptação das construtoras e da resposta do mercado nos próximos meses.
Entrevistado
Ilso Gonçalves é sócio-fundador e CEO da JBA Imóveis e vice-presidente de Desenvolvimento Urbano do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR). Atua no mercado imobiliário desde 1990. Ele também é membro da Ademi-PR (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná), da ADPI (Associação dos Proprietários de Imobiliárias de Curitiba) e da Confraria Imobiliária.
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Ana Carvalho
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Projeto transforma o Novo Centro Administrativo de São Paulo
O consórcio MEZ-RZK Novo Centro venceu o leilão de concessão do Novo Centro Administrativo do Governo de São Paulo, garantindo a gestão do projeto pelos próximos 30 anos. O investimento previsto é de R$ 6 bilhões. A disputa ocorreu na B3, em São Paulo, e contou com a participação do Consórcio Acciona-Construcap.
As empresas serão responsáveis pela construção das torres, com prazo estimado de cerca de cinco anos, e, após a entrega, pela gestão completa do complexo, incluindo segurança, manutenção e operação.
O projeto arquitetônico, escolhido em concurso promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), é assinado por Pablo Chakur, do escritório Ópera Quatro, e prioriza flexibilidade construtiva e de uso, com execução por módulos e etapas. Do total de investimentos, o Estado aportará R$ 3,4 bilhões, enquanto o consórcio investirá R$ 2,7 bilhões.

Projeto
A nova sede administrativa ocupará quatro quadras no entorno da Praça Princesa Isabel, totalizando cerca de 288,6 mil m² de área construída. O projeto equilibra a valorização do patrimônio histórico do centro de São Paulo com soluções arquitetônicas contemporâneas.
De acordo com o arquiteto Pablo Chakur, a proposta aposta na variação de alturas entre os edifícios para criar uma paisagem mais dinâmica e integrada ao entorno, evitando a monotonia e estimulando a ocupação do espaço urbano.
“Defendemos, neste estudo, que o Centro Administrativo do Governo do Estado de SP não deve fundamentar sua representatividade numa monumentalidade arquitetônica, mas na força de transformação que transmite para a cidade através da sua relação estreita e franca com a pré-existência do bairro, impulsionando, assim, a gradativa e necessária reocupação do centro da cidade. A leitura histórico-morfológica do território foi determinante para projetarmos, com fundamentos e princípios, um complexo morfologicamente integrado com a paisagem, adaptável ao futuro, adequado à escala do pedestre e que respeita e valoriza a história do bairro”, declarou Chakur.
O conjunto será composto por cinco edifícios, cada um dividido em dois blocos, o que permite uma ocupação flexível por secretarias de diferentes portes, de forma independente ou compartilhada. A expectativa é que o complexo abrigue cerca de 22 mil servidores públicos. Segundo a arquiteta Fernanda Ferreira, também do escritório Ópera Quatro, o modelo atende à diversidade de estruturas administrativas e garante adaptabilidade ao longo do tempo.

No térreo, o projeto prioriza a abertura ao público, com fachadas ativas destinadas a comércios e serviços — como lojas, cafés e restaurantes — incentivando a circulação e permanência de pessoas. A praça também será requalificada, com a ampliação de eixos de circulação que criam pátios internos e reforçam a conexão entre as quadras e o bairro.
Apesar do caráter aberto, o acesso às áreas corporativas será controlado de forma independente em cada bloco, com o térreo funcionando como a transição entre os espaços públicos e privados.
A sustentabilidade é um dos pilares do projeto. Entre as estratégias adotadas estão as fachadas duplas de vidro, que criam uma camada de ar responsável por reduzir a carga térmica e, consequentemente, a demanda por climatização artificial, sem comprometer a entrada de luz natural. A solução contribui para a eficiência energética do conjunto, que também contará com painéis fotovoltaicos na cobertura para geração de energia solar.
Novo terminal de ônibus
O projeto do Novo Centro Administrativo de São Paulo inclui a construção de um novo terminal de ônibus no centro, que substituirá o Terminal Princesa Isabel. A nova estrutura será implantada na região da Luz, próxima ao futuro complexo estadual, com integração direta às linhas de metrô e da CPTM, facilitando o deslocamento dos passageiros sem necessidade de conexões adicionais.

Segundo Edgard Benozatti, presidente da Companhia Paulista de Parcerias (CPP), o acesso ao sistema será simples e feito diretamente pela calçada. A mudança das operações só ocorrerá após a plena operação do novo terminal, garantindo a continuidade do serviço.
A iniciativa faz parte do plano de requalificação do centro da capital. A área do atual terminal foi transferida ao Governo do Estado, e a futura concessionária também deverá desenvolver estudos para melhorar a mobilidade e o tráfego no entorno.
Restauração de imóveis tombados
De acordo com a Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo, o projeto inclui a restauração de 17 imóveis históricos no centro de São Paulo, com investimento superior a R$ 100 milhões, transformando construções atualmente degradadas em novos espaços públicos, culturais e de serviços. A iniciativa faz parte da requalificação dos Campos Elíseos, com foco em revitalizar a região e valorizar seu patrimônio arquitetônico.
Entre os principais destaques está o Palácio dos Campos Elíseos, um dos marcos históricos e políticos mais relevantes do Estado, que será preservado e integrado ao novo complexo. O edifício seguirá com função institucional, servindo como espaço para recepções oficiais e eventos solenes do governo.

A maioria dos imóveis a serem restaurados são antigas residências dos séculos XIX e XX, com características ecléticas e neoclássicas, que ganharão novos usos definidos em conjunto com os órgãos de preservação, contribuindo para devolver vitalidade ao centro da capital.
“Esse projeto vai muito além da racionalização administrativa. Estamos tratando de um novo olhar para o centro de São Paulo, que passa pela requalificação urbana com respeito à memória da cidade. Preservar esses imóveis é preservar a identidade paulista”, conclui o secretário de Projetos Estratégicos (SPE), Guilherme Afif.
Fontes
Pablo Chakur é arquiteto do escritório Ópera Quatro.
Edgard Benozatti é presidente da Companhia Paulista de Parcerias (CPP).
Guilherme Afif é secretário de Projetos Estratégicos (SPE).
Contatos imprensa.spi@sp.gov.br
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Governo do RS adota monitoramento remoto para obras
O Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Obras Públicas (SOP), começou a utilizar um sistema de captura de realidade ampliada que permite o monitoramento contínuo das obras de forma remota, com o apoio de imagens em 360°.
De acordo com a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado, a tecnologia contribui para tornar a execução mais eficiente, ao possibilitar o registro constante do avanço físico, reduzindo falhas, desperdícios e a necessidade de retrabalho.
Tecnologia de Captura da Realidade
Para Tales Silva, CEO da CONSTRUCT IN, empresa responsável pelo sistema adotado no Rio Grande do Sul, o grande diferencial do uso da Captura da Realidade é a transição da gestão baseada em percepções subjetivas para decisões fundamentadas em evidências e dados estruturados.
O sistema utiliza um modelo híbrido que combina uma plataforma digital (Visi) com serviços especializados, garantindo a padronização e qualidade das informações geradas.
“Tecnicamente, a captura utiliza tecnologias como câmeras 360°, drones e laser scanning para criar um histórico visual contínuo. Essas imagens e ortomosaicos são organizados cronologicamente e integrados aos modelos BIM e dados físico-financeiros da obra”, explica Silva.

As imagens 360º são registradas por meio de uma câmera 360º conectada ao aplicativo Visi, no qual são vinculadas, no momento da captura, a um ponto na planta baixa da edificação, além de registrar a data e horário da imagem. “Dessa forma, as imagens são facilmente coletadas em campo e enviadas automaticamente para o sistema”, afirma o CEO.
Processo do registro de imagens
O registro das imagens é orientado pela localização dos pontos na planta baixa do projeto, portanto é necessário que o profissional responsável pela captação, saiba identificar corretamente o ambiente em que se encontra. “A orientação é que os registros sejam feitos sempre no centro do ambiente, uma margem de erro de até 1,5m não afeta a qualidade da comparação”, destaca Silva.
Além disso, o sistema utiliza uma inteligência artificial que ajusta e compatibiliza automaticamente as capturas realizadas em um mesmo local ao longo do tempo. “Esse alinhamento automatizado permite a comparação precisa do histórico da obra, transformando registros isolados em uma "verdade visual" auditável e contínua”, pontua o CEO da CONSTRUCT IN.
A periodicidade das capturas é flexível e deve ser adaptada à velocidade e à fase do ciclo de vida da construção para gerar valor real na tomada de decisão:
- Estágios Iniciais (Fundação e Estrutura): Recomendam-se capturas mais espaçadas, variando entre 7 e 15 dias, dependendo da complexidade do cronograma.
- Fase de Acabamento e Instalações: Devido à rapidez das mudanças e à criticidade dos detalhes, a frequência pode ser aumentada para uma ou duas vezes ao dia.
- Monitoramento de Deformações: Em casos específicos de engenharia, como o controle de estruturas, as campanhas podem ser quinzenais para garantir a precisão milimétrica necessária.
Para lidar com os desafios físicos inerentes ao canteiro de obras, como poeira, iluminação precária e movimentação intensa, Silva aponta que em situações de baixa luminosidade, utiliza-se suporte de luz externa para viabilizar a nitidez da imagem capturada.
“A combinação dessas abordagens assegura que o dado operacional seja transformado em um ativo estratégico, independente das condições adversas do canteiro físico”, justifica.
Integração com plataformas de gestão de obras
A plataforma centraliza indicadores físico-financeiros, cronogramas de avanço, modelos BIM e Relatórios Diários de Obra (RDO).
“A solução centraliza modelos BIM diretamente na plataforma, unindo a ‘verdade visual’ aos dados de projeto. No aspecto técnico de engenharia, as nuvens de pontos geradas pela engine Raise são compatíveis e integráveis com os principais softwares de mercado, como Revit, ArchiCAD, AutoCAD, Inventor e AVEVA. Além disso, a plataforma Visi atua como um hub que consolida dados de execução para apoiar a tomada de decisão estratégica”, comenta o CEO da CONSTRUCT IN.
Benefícios e ganhos
A adoção contínua de registros visuais tende a tornar as decisões mais assertivas e a ampliar a transparência na aplicação de recursos em infraestrutura de prédios públicos. Com a documentação detalhada de cada fase da obra, o Estado passa a ter mais controle e visibilidade sobre prazos, custos e o cumprimento dos requisitos técnicos das intervenções.
“Estamos elevando o padrão das obras do Estado. A adoção dessa tecnologia torna o monitoramento dos trabalhos mais eficiente e preciso. O acompanhamento minucioso de cada etapa garante maior exatidão na construção e, consequentemente, edificações mais qualificadas e seguras”, comenta a secretária de Obras Públicas, Izabel Matte.
De acordo com Silva, a ferramenta pode trazer diversos ganhos:
- Redução de retrabalho: até 22% do custo de correções, com identificação precoce de desvios evita demolições e retrabalho de instalações.
- Redução de visitas de engenharia: de R$ 10 mil a R$ 25 mil por mês por obra. Economia em deslocamentos, hospedagem, diárias e horas improdutivas de gestores.
- Otimização de reuniões e aprovações: redução de até 30% no tempo de decisão. Decisões mais rápidas por meio de registros visuais claros e verificáveis.
- Redução de tempo de obra (gestão visual): de 3 a 7 dias por mês de obra. Maior previsibilidade e coordenação de etapas com base no status visual da execução.
- Economia em documentação técnica e fotos: de R$ 2 mil a R$ 6 mil por mês. Substituição de vistorias e relatórios manuais por registros automáticos e organizados.
Fontes
Tales Silva é CEO da CONSTRUCT IN.
Izabel Matte é secretária de Obras Públicas do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Contato
Assessoria de imprensa CONSTRUCT IN: cassio.valler@camp1.co
Governo do Estado do Rio Grande do Sul - jornalismo-secom@secom.rs.gov.br
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Retrofit pode movimentar R$ 40 bilhões por ano até 2040
Na cidade de São Paulo, mais de sete mil edifícios apresentam potencial para retrofit, com projeção de crescimento de cerca de 15% ao ano na próxima década. De acordo com a Caixa Econômica Federal, o setor pode movimentar aproximadamente R$ 40 bilhões por ano até 2040, alcançando cerca de 80 mil unidades e participação próxima de 10% do mercado. Os dados foram apresentados durante o 2º Seminário Internacional de Retrofit Urbano do SindusCon-SP, realizado no dia 17 de março de 2026.
Durante o evento, Cassiano Alves, superintendente executivo da Caixa, destacou o potencial econômico da atividade. “O mercado anseia pela reocupação dos centros urbanos, que já contam com toda a infraestrutura instalada. É bom para todos, inclusive para o Estado, que tem a população de volta a esses locais”, afirmou Alves. Segundo ele, o retrofit pode elevar o valor do metro quadrado em até 30% e reduzir os custos operacionais na mesma proporção.
Para Odair Senra, vice-presidente de Imobiliário do SindusCon-SP, o retrofit tende a ganhar ainda mais espaço em cidades como São Paulo. “Aqui a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento tem incentivos para o retrofit”, destaca.
Cases internacionais

O seminário também reuniu exemplos internacionais que demonstram o impacto do retrofit na requalificação urbana. “Os cases são espetaculares! Mostram que a requalificação de edificações pode se conectar a políticas bem-sucedidas de requalificação de espaços urbanos”, afirmou Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, na abertura do evento. Senra acrescentou que a iniciativa busca apresentar soluções que, além de requalificar empreendimentos, contribuem para revitalizar o espaço urbano.
Battersea Power Station
Entre os destaques, o arquiteto Sebastien Ricard, da WilkinsonEyre, apresentou o retrofit da Battersea Power Station. O projeto conciliou preservação histórica e novos usos, transformando a antiga usina em um complexo com áreas comerciais, culturais e de convivência, sem perder a identidade original concebida por Sir Giles Gilbert Scott.
A intervenção incorporou soluções modernas de engenharia, restaurou espaços icônicos e preservou elementos industriais originais. Também enfrentou desafios estruturais relevantes, como a reconstrução das chaminés sob supervisão da Historic England. O resultado é um exemplo de como o retrofit pode transformar estruturas obsoletas em novos polos urbanos.
Barbican Centre
Outro caso apresentado foi o do Barbican Centre, considerado um dos primeiros exemplos de retrofit urbano em larga escala. Construído sobre uma área devastada pelos bombardeios da Blitz, o projeto transformou ruínas em um bairro completo, integrando habitação, cultura e serviços.
A proposta, liderada pelo escritório Chamberlin, Powell & Bon, combinou preservação de estruturas históricas com novas soluções urbanísticas, criando um ambiente autossuficiente e antecipando conceitos contemporâneos de reabilitação urbana.
Point du Jour
O conjunto Point du Jour, do arquiteto Fernand Pouillon, também foi destacado como exemplo de retrofit ao transformar uma antiga área industrial em Paris em um projeto habitacional de qualidade. Com 2.260 unidades, o empreendimento integrou moradia, comércio e espaços públicos, reforçando a importância da requalificação urbana para a vitalidade das cidades.
Morland Mixité
Já o arquiteto Marcio Uehara apresentou o projeto Morland Mixité, parte do programa Réinventer Paris. O retrofit transformou um edifício público ocioso em um complexo de uso misto, com habitação, hotel, comércio e equipamentos públicos, revitalizando o entorno.
Assinado por David Chipperfield, o projeto combinou requalificação urbana, reaproveitamento de materiais e viabilidade econômica. Uehara também destacou o projeto In Vivo, que utiliza fachadas com microalgas para melhorar o desempenho térmico e gerar novos usos industriais, ampliando o potencial inovador do retrofit.
Fontes
Cassiano Alves, superintendente executivo da Caixa Econômica Federal.
Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP.
Odair Senra, vice-presidente de Imobiliário do SindusCon-SP.
Contato
SindusCon-SP: rmontagnini@sindusconsp.com.br
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Reforma tributária deve reconfigurar custos e operações na construção civil
A implementação da reforma tributária sobre o consumo, iniciada em 2026 e com trasição prevista até 2033, deve provocar mudanças relevantes na dinâmica da construção civil no Brasil. O novo sistema substitui gradualmente tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, com cobrança mais uniforme e baseada no destino da operação.
A alteração não se limita à simplificação tributária. Na prática, ela modifica a forma como empresas calculam custos, estruturam contratos e definem preços. Na avaliação de especialistas, o setor tende a ganhar eficiência ao longo do tempo, mas o período de transição exigirá planejamento rigoroso e adaptação operacional.
Leia mais: Reforma Tributária: o que muda para 2026 e como a construção civil deve se preparar
Mudança na lógica de tributação

Segundo o tributarista Altair Toledo, sócio da ToledoZanardo Estratégia Tributária e Gestão Empresarial, a reforma apresenta uma ruptura do modelo atual, marcado por regras fragmentadas e incidência cumulativa de impostos. “Saímos de um modelo complexo, com diferentes regras para cada imposto, cumulatividade e disputas de competência, para um IVA dual mais simples e baseado no destino”, afirma.
De acordo com ele, a apuração dos tributos tende a se tornar mais integrada, com regras mais uniformes e possibilidade de aproveitamento amplo de créditos. “Isso altera a operação das empresas, porque a apuração deixa de considerar cada tributo isoladamente e passa a ser feita de forma integrada”, explica.
A mudança também impacta decisões estratégicas. “A escolha de onde instalar uma operação ou de quem comprar deixa de ser orientada por incentivos fiscais e passa a considerar o que faz sentido para o negócio”, diz.
Leia mais: Executivos discutem influência dos juros e da reforma tributária no mercado imobiliário
Fim do efeito cascata e impacto nos custos
Um dos principais pontos da reforma é a eliminação do efeito cascata, quando há incidência de imposto sobre imposto ao longo da cadeia produtiva. No modelo atual, insumos da construção chegam às construtoras com carga tributária acumulada desde as etapas anteriores. Para Toledo, esse é um dos avanços mais relevantes. “O efeito cascata sempre foi um dos grandes vilões do custo Brasil. Quando cada etapa paga imposto sobre uma base já tributada, o preço final incorpora camadas sucessivas de carga”, afirma.
Com o novo sistema, os tributos pagos anteriormente passam a gerar créditos financeiros. “Tudo que foi pago antes vira crédito, independentemente da natureza do insumo. Isso limpa a formação de preço, reduz distorções e permite que o custo real do produto apareça”, orienta.

Crédito: Divulgação
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Impactos específicos na construção civil
A construção civil deve sentir os efeitos da reforma de forma particular, já que opera atualmente sob regimes específicos que tendem a ser revistos. “O setor é muito impactado porque tem uma cadeia longa e intensiva em serviços. A mudança para um IVA com crédito amplo altera de forma significativa a dinâmica de custos”, afirma Toledo.
Entre os principais efeitos está a ampliação do crédito financeiro. “Materiais, serviços e até itens que hoje não geram crédito passam a gerar. Isso muda a composição do custo da obra”, diz. Ele também destaca o fim da cumulatividade em etapas relevantes. “A redução do custo embutido nos insumos melhora a previsibilidade, especialmente em relação ao ISS”.
Além disso, haverá revisão de regimes específicos e necessidade de ajustes operacionais. “Sistemas, contratos, precificação e compliance terão de ser atualizados para o novo modelo”, alerta.
Transição exige planejamento e gestão financeira
O período de convivência entre o modelo atual e o novo sistema deve exigir atenção das empresas. A necessidade de lidar com regras simultâneas aumenta a complexidade e pode gerar incertezas na formação de preços. Para Toledo, a adaptação passa por planejamento. “O setor tende a ganhar eficiência, mas o período de transição exige atenção, planejamento e adaptação para evitar surpresas”, afirma. A revisão do planejamento tributário, a reorganização financeira e a atualização de processos internos, estão entre as principais medidas que devem ser medidas adotadas pelas empresas para manter competitividade.
Tendência de maior eficiência no longo prazo
Apesar dos desafios iniciais, a expectativa é de um ambiente mais previsível. A padronização das regras e a redução de distorções tributárias devem favorecer decisões mais alinhadas à realidade econômica dos projetos.
No médio e longo prazo, a reforma deve consolidar uma nova dinâmica no setor, com maior transparência na formação de preços e estrutura de custos mais racional. A adaptação antecipada tende a ser um diferencial competitivo para empresas que buscam estabilidade durante a transição.
Entrevistado
Altair Toledo é sócio da ToledoZanardo Estratégia Tributária e Gestão Empresarial. Possui MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV, com módulo internacional em Gestão Financeira Corporativa no New York Institute of Finance (EUA). Ex-sócio da KPMG, atuou na área de consultoria tributária e em programas de liderança corporativa. É professor em cursos de especialização da PUC e PUCRS Online, nas áreas de planejamento tributário, Inteligência Financeira e gestão financeira.
Contato
toledo@toledozanardo.com.br
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Expo Revestir destaca avanço do concreto na arquitetura contemporânea
A Expo Revestir 2026, realizada de 9 a 13 de março, em São Paulo, consolidou-se mais uma vez como vitrine das transformações na arquitetura e no design de interiores. A feira reuniu mais de 300 marcas em uma área de 65 mil metros quadrados, com lançamentos que indicam mudanças no uso de materiais e no comportamento do setor.

Entre as principais tendências observadas, o concreto destaca-se por ampliar sua presença nos projetos. O material também ganha protagonismo como elemento estético e conceitual, acompanhando uma arquitetura que valoriza formas simples, materiais aparentes e soluções duráveis.
Concreto como linguagem arquitetônica
De acordo com a arquiteta e urbanista Lorena Bannach, o concreto passou a ocupar um novo papel nos projetos contemporâneos. “Ele deixa de ser apenas estrutural e passa a integrar a linguagem arquitetônica, com estética própria e forte apelo visual”, afirma.
Esse movimento dialoga com correntes como o minimalismo, o brutalismo e a arquitetura industrial, além de se fazer presente em propostas contemporâneas e até em projetos com abordagem biofílica. A combinação entre aparência bruta, textura natural e flexibilidade de uso permite que o material atenda a diferentes propostas, mantendo unidade visual e coerência construtiva.
Segundo ela, a busca por uma arquitetura mais honesta, que valoriza os materiais em sua forma original, contribui para esse avanço. Ao mesmo tempo, o concreto atende a demandas práticas, como resistência, durabilidade e baixa necessidade de manutenção.

Aplicações ampliadas na feira
Na Expo Revestir, o concreto apareceu em múltiplas soluções, reforçando sua versatilidade. Entre os destaques estão pisos para áreas internas e externas, incluindo os modelos drenantes, desenvolvidos para suportar alto tráfego sem comprometer o acabamento.
Outra inovação são os pisos atérmicos, indicados para áreas abertas, como piscinas, por não reterem calor. O material também foi explorado em elementos como bricks, revestimentos ripados, mosaicos e painéis decorativos, que ampliam as possibilidades de composição visual.
Peças utilitárias e de design também ganharam espaço. Cubas, banheiras, spas e até puxadores em concreto indicam uma ampliação do uso do material para além das superfícies tradicionais, aproximando-o do design de interiores.
Personalização e desempenho
A arquiteta Simone Kay Fujiwara avalia que a feira evidenciou uma mudança na forma como os materiais são desenvolvidos e aplicados. “Observa-se um avanço consistente no desenvolvimento dos materiais, com revestimentos em grandes formatos, superfícies de alto desempenho e maior facilidade de manutenção”, afirma.
Ela também destaca a valorização da identidade nos projetos. “Ao mesmo tempo, a personalização aparece como um dos principais direcionamentos, com soluções que permitem maior liberdade de escolha e composição”, completa. Nesse contexto, o concreto se beneficia da possibilidade de variação de cores, texturas e acabamentos, ampliando sua aplicação em diferentes propostas arquitetônicas.
Tendências que vão além do material

Crédito: Acervo particular/Lorena Bannach
Além do concreto, a Expo Revestir também apontou outras direções para o setor. Superfícies inspiradas em elementos minerais, o uso de pedras naturais, tons terrosos e grandes formatos reforçam uma arquitetura voltada à experiência sensorial e à conexão com a natureza.
A sustentabilidade também ganha espaço, tanto nos processos produtivos quanto nas características dos produtos. A presença de materiais reciclados e de soluções voltadas à eficiência ambiental indica uma mudança consistente na indústria.
Integração entre estética e funcionalidade
O avanço do concreto na arquitetura reflete uma mudança mais ampla no setor. O material passa a reunir atributos técnicos e estéticos, contribuindo para projetos que conciliam desempenho, durabilidade e identidade visual.
Ao ampliar suas aplicações e dialogar com diferentes tendências, o concreto se consolida como uma solução alinhada às demandas atuais da arquitetura. Mais do que um insumo estrutural, torna-se parte ativa da concepção dos espaços e da experiência do consumidor.
Entrevistadas
Lorena Bannach é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Positivo, com pós-graduação em Master em Arquitetura, Lighting Design e Interiores e é proprietária da Lorena Bannach Arquitetura e Interiores desde 2013.
Simone Kay Fujiwara é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mais de 20 anos de atuação. É proprietária do escritório Simone Kay Arquitetura.
Contato
contato@lorenabannach.com.br
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