Como fazer a interpretação técnica em ensaios de concreto?

Em ensaios de concreto, interpretar corretamente um resultado é tão importante quanto executá-lo. A análise isolada de um valor de resistência à compressão pode resultar em interpretações incompletas sobre a qualidade do material. O ACI 214R-11 – Guide to Evaluation of Strength Test Results of Concrete propõe uma leitura mais robusta e ampla: os resultados devem ser avaliados considerando média, dispersão, tendência e coerência estatística.

O ACI 214R-11 propõe que os ensaios de concreto devem ser avaliados considerando média, dispersão, tendência e coerência estatística. Crédito: Divulgação/Assessoria Técnica - Cimento Itambé

Embora o documento tenha como foco principal a resistência à compressão, seus fundamentos são aplicáveis a outros controles tecnológicos do concreto. A lógica central é: um resultado individual informa pouco; uma série de resultados bem amostrada e tecnicamente interpretada revela a estabilidade do processo.

O resultado de resistência é consequência de toda a cadeia de ensaio

O ACI 214R-11 reforça que a resistência obtida em corpos de prova moldados, curados e rompidos sob condições padronizadas representa o desempenho do concreto ensaiado, e não diretamente a resistência in situ da estrutura.

Por isso, antes de interpretar um resultado baixo como problema do material, é necessário avaliar a confiabilidade do dado: a amostragem foi representativa? A moldagem foi adequada? A cura inicial foi preservada? Houve excentricidade, falha de retífica, tipo de neoprene ou anomalia durante a ruptura?

Na prática, o resultado reflete a combinação entre concreto produzido, amostragem, preparo dos corpos de prova e execução do ensaio. Qualquer desvio nessa cadeia pode comprometer sua interpretação.

Figura 1: Curvas de frequência normal para três distribuições diferentes com a mesma média, mas variabilidade diferente.

Fonte: Baseado no ACI 214R-11

Variabilidade: entender a origem é essencial

O ACI 214R-11 diferencia duas fontes principais de variação:

Variação entre lotes, associada às oscilações reais do processo produtivo, como alterações nos materiais, na relação água/materiais cimentícios, na mistura, no transporte ou na uniformidade da carga.

Variação dentro do mesmo ensaio, relacionada principalmente à amostragem, moldagem, cura e ruptura dos corpos de prova.

Essa distinção tem efeito direto no diagnóstico técnico. Diferenças elevadas entre corpos de prova de uma mesma amostra tendem a indicar fragilidade no procedimento de ensaio.oscilações relevantes entre médias de ensaios sucessivos podem sinalizar instabilidade do concreto produzido. Portanto, a dispersão dos resultados não deve ser tratada apenas como “variação natural”. Ela é um indicador de controle — ou de perda dele.

Amostragem representativa: a base de qualquer análise confiável

O ACI 214R-11 ressalta que a validade da análise estatística depende de amostragem representativa e aleatória. Quando a coleta é feita por conveniência ou sem critério técnico, cria-se um viés que compromete toda a avaliação posterior. Em termos práticos, não existe interpretação estatística confiável construída sobre uma amostragem inadequada.

Tendência importa – e muito

A análise técnica não deve observar apenas se um resultado atende ou não a um limite. É necessário verificar também a tendência do processo ao longo do tempo.

Uma sequência gradual de redução da resistência, mesmo ainda acima da especificação, pode indicar deslocamento da média e perda progressiva de robustez. O ACI 214R-11 reconhece o uso de ferramentas como cartas de controle justamente para identificar esse tipo de comportamento antes que ele se converta em não conformidade.

Essa leitura preventiva amplia o valor do controle tecnológico: os ensaios deixam de ser apenas uma verificação documental e passam a funcionar como instrumento de diagnóstico, previsibilidade e tomada de decisão.

Figura 2: Curvas de frequência normal para três distribuições diferentes com a mesma média, mas variabilidade diferente.

Fonte: Baseado no ACI 214R-11

Interpretar resultados é controlar o processo

A principal contribuição do ACI 214R-11 está em transformar a resistência do concreto em informação de processo. Um resultado tecnicamente interpretado deve responder a perguntas objetivas:

  • O dado é confiável?
  • A dispersão está compatível com o histórico?
  • Há tendência de deslocamento da média?
  • A variabilidade vem da produção ou do ensaio?

Quando essas perguntas fazem parte da rotina de controle, a análise de resultados se torna mais precisa, reduz decisões precipitadas e fortalece a segurança técnica do processo.

Para mais informações e para implementar estes conceitos na rotina de controle tecnológico, clientes podem consultar a equipe de Assessoria Técnica da Itambé!

https://www.cimentoitambe.com.br/assessoria-tecnica/
Guilherme Bessornia, Coordenador de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé

Referências:

ACI 214R-11 – Guide to Evaluation of Strength Test Results of Concrete.

Autor

Guilherme Bessornia 
Coordenador de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé, Engenheiro Químico pela Universidade de Sorocaba, especialista em Engenharia de Materiais pela Universidade de Mogi das Cruzes e mestrando em Ciência e Tecnologia de Materiais pela Universidade Estadual Paulista. Possui 12 anos de experiência em materiais cimentícios e químicos para construção civil, com atuação em consultoria técnica de campo e nos segmentos de pré-fabricados, artefatos de cimento, infraestrutura, fibrocimento, argamassa e concreteiras.

Contato

guilherme.bessornia@cimentoitambe.com.br

Revisão

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Abcic inaugura Regional Sul em Florianópolis (SC)

No dia 7 de maio, a Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic) inaugurou sua Regional Sul, sediada em Florianópolis (SC). O evento reuniu associados, arquitetos, engenheiros, construtoras e convidados do setor.

Durante o evento, aconteceu o Encontro Regional Sul, aberto pela engenheira Íria Doniak, presidente executiva da Abcic, e por Felipe Cassol, diretor da Regional Sul. Ambos ressaltaram a relevância da criação de uma sede regional para fortalecer o associativismo e ampliar a representatividade da entidade junto às empresas e profissionais da cadeia da construção industrializada.

A nova regional terá papel estratégico na identificação das demandas e desafios específicos da região, contribuindo para o desenvolvimento de ações voltadas às necessidades técnicas, tecnológicas e mercadológicas dos associados, além de fomentar oportunidades de expansão, inovação e negócios.

Na apresentação, Felipe Cassol também destacou que esta regional tem como objetivo promover o desenvolvimento do setor de pré-fabricado de concreto e a difusão desse sistema construtivo e da industrialização da construção. “Queremos integrar a cadeia do pré-fabricado de concreto junto aos seus públicos de interesse, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da industrialização da construção, por meio de ações e atividades técnicas, setoriais, de conhecimento, de normalização, formação e qualificação de pessoas, institucionais e acadêmicas”, afirmou.

Regional Sul deve ampliar a representatividade da entidade junto às empresas e profissionais da cadeia da construção industrializada.
Crédito: Abcic

Ao todo, são 18 fabricantes, 21 fornecedores de produtos e equipamentos (incluindo a Cimento Itambé), 8 fornecedores de serviços e 33 profissionais técnicos associados à Regional Sul da Abcic.

Mercado imobiliário de Santa Catarina

A programação incluiu ainda uma palestra de Marcelo Brognoli, presidente do Creci-SC, que apresentou uma análise do mercado imobiliário catarinense, seus desafios e oportunidades. Para Brognoli, o mercado imobiliário catarinense movimenta a economia, atrai investimentos, gera empregos e transforma cidades. Nesse cenário, ele aponta que o corretor de imóveis exerce um papel estratégico, contribuindo para um ambiente cada vez mais profissional, seguro e preparado para o futuro.

Durante a apresentação, ele destacou que Santa Catarina vive um momento histórico e mostrou dados: 94% de crescimento em lançamentos; R$ 41,9 bilhões de VGV em 2024, um crescimento de 108% sobre 2021; e 65% dos lançamentos do Sul entre 2024 e 2025. A fonte é de uma pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com a BRAIN, de julho de 2025.

Grupos de trabalho

A Abcic apresentou ainda sua estrutura de planejamento estratégico, organizada em cinco grupos de trabalho (GTs), com foco em fortalecimento institucional, desenvolvimento técnico, sustentabilidade e inovação. A iniciativa busca ampliar a atuação da entidade, fortalecer o relacionamento com os associados e impulsionar novas oportunidades para o setor da construção industrializada em concreto.

GT01 – Valorização da associação e dos associados

O grupo tem como objetivo fortalecer a marca e a representatividade da associação, promovendo iniciativas voltadas à valorização dos associados e ao incentivo às melhores práticas do mercado. Entre as prioridades estão o fortalecimento do selo da entidade, a promoção da Abcic, o estímulo à aderência às normas técnicas e a criação de políticas de associação, retenção e desenvolvimento dos membros.

O GT também prevê ações para reduzir barreiras de entrada, ampliar o engajamento dos associados e estruturar trilhas de desenvolvimento profissional.

GT02 – Estrutura executiva

Voltado ao fortalecimento institucional e financeiro da entidade, o GT de Estrutura Executiva trabalha na implementação de um novo modelo operacional para a associação. Entre os objetivos estão a separação das funções institucionais das associativas, a redefinição do modelo de operação sustentável e a criação de um plano de transição financeira.

O grupo também discute a modernização do estatuto, a atualização do Selo de Excelência e o desenvolvimento de um modelo regionalizado de atuação, ampliando os canais de comunicação, atendimento e prestação de serviços aos associados.

GT03 – Edifícios altos

Com foco no desenvolvimento técnico e na expansão da cadeia de valor, o GT de Edifícios Altos atua na elaboração de conteúdos técnicos voltados à construção vertical industrializada. Entre as ações previstas estão a tradução do manual da fib, o desenvolvimento de um manual de construção de edifícios altos e a criação de diretrizes para contratação nesse segmento.

GT04 – Sustentabilidade

A sustentabilidade aparece como um dos pilares estratégicos da entidade. O GT trabalha na construção de um roadmap de sustentabilidade, no estímulo ao selo de sustentabilidade em nível 3 e na implementação das DAPs (Declarações Ambientais de Produto), alinhadas às normas internacionais e brasileiras.

As ações contemplam diferentes sistemas construtivos, como lajes, painéis, pilares, vigas e estacas, além da emissão de DAPs para associados.

GT05 – Desenvolvimento do portal de serviços de conteúdo

O quinto grupo de trabalho é dedicado à criação de um portal de serviços e conteúdo para o setor. A proposta inclui a definição de um modelo de parcerias e viabilização financeira, além do planejamento e desenvolvimento da plataforma.

O portal deverá reunir conteúdos organizados por eixos temáticos, categorias e gestão do conhecimento, incorporando recursos como gamificação. O projeto prevê inicialmente um MVP (produto mínimo viável), seguido por expansão gradual da plataforma.

Fontes

Felipe Cassol é engenheiro e diretor da Regional Sul da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).

Marcelo Brognoli é presidente do Creci-SC.

Íria Lícia Oliva Doniak, engenheira civil, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) e presidente da fib – International Federation of Structural Concrete (2025-2026).

Contatos

Abcic: sylvia@meccanica.com.br

Creci-SC: claudio.pizarro@creci-sc.gov.br

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP

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Especialistas alertam para impacto do uso do FGTS

A proposta do governo de permitir o uso de parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para renegociação de dívidas, medida que vem sendo chamada de Desenrola 2, reacendeu o debate sobre os limites de utilização dos recursos do fundo e os possíveis impactos sobre o financiamento habitacional no Brasil. A medida prevê a liberação até 20% do saldo disponível no FGTS, limitada a R$ 1 mil por trabalhador, para renegociação de débitos.

Embora seja vista como alternativa para aliviar o orçamento de trabalhadores endividados, representantes do setor da construção civil e economistas avaliam que a retirada de recursos do FGTS pode comprometer a capacidade de financiamento da habitação popular e reduzir investimentos ligados ao setor.

Estudo do Departamento da Indústria da Construção e Mineração da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estima que, caso os R$ 8,2 bilhões deixem de ser destinados aos financiamentos habitacionais, o impacto potencial poderá chegar à redução de 36,1 mil unidades habitacionais e de 189,2 mil postos de trabalho.

Alívio financeiro imediato

Para o coordenador do curso de Ciências Econômicas e do Global Economics Program da FAE Centro Universitário, Guilherme Moura, a medida pode trazer benefícios pontuais para trabalhadores endividados. “O trabalhador se vê endividado e, ainda assim, impossibilitado de utilizar recursos próprios depositados no fundo para quitar suas obrigações. Como consequência, acaba arcando com juros elevados, mesmo dispondo de capital, ainda que indisponível”, afirma.

Financiamentos com recursos do FGTS somaram R$ 32,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
Crédito: Envato

Segundo ele, utilizar o próprio saldo do FGTS para pagamento de dívidas pode reduzir o comprometimento financeiro das famílias, sobretudo em um cenário de juros elevados praticados no mercado. “Ao recorrer ao próprio recurso, o trabalhador consegue reduzir encargos financeiros, evitando a incidência de juros e sem contrair novos compromissos”, explica.

Construção civil teme redução de recursos

Criado em 1966, o FGTS surgiu com o objetivo de formar uma reserva financeira para trabalhadores demitidos sem justa causa. Ao longo das décadas, porém, o fundo passou a financiar também programas habitacionais, obras de saneamento e mobilidade urbana. “O FGTS vem sendo, ao longo do tempo, direcionado para múltiplas finalidades, evoluindo além de sua função original de proteção ao trabalhador em caso de desligamento”, afirma Moura. Atualmente, além do financiamento imobiliário, o fundo também permite modalidades como saque-aniversário, uso como garantia de empréstimos e liberações extraordinárias em situações específicas, como calamidades públicas.

Para entidades ligadas à construção civil, a ampliação dessas possibilidades pode reduz a capacidade de investimento do fundo em habitação popular. O presidente da Câmara Brasileira da Construção Civil, Renato Correia, afirma que o FGTS é hoje a principal fonte de financiamento da habitação de interesse social no país. “É a única fonte de recurso ou quase a maior parte dos recursos para fazer frente a esse direito fundamental da habitação”, afirma.

Dados da CBIC mostram que os financiamentos com recursos do FGTS somaram R$ 32,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de quase 22% em relação aos R$ 26,7 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. No total, 142.455 unidades foram financiadas entre janeiro e março deste ano.

Dessa maneira, retirar recursos do fundo pode reduzir diretamente o número de moradias financiadas. “Com 10 bilhões, o Faixa 1 comprometeu-se a contratar 65 mil unidades. Com 8 bilhões, seriam aproximadamente 50 mil unidades”, explica.

Ele ressalta que a preocupação do setor não se limita ao valor envolvido, mas ao direcionamento dos recursos do fundo. “É uma questão de princípio a defesa do uso do FGTS para aquilo que ele se destina, que é salvaguardar o trabalhador e financiar habitação, mobilidade e saneamento”, declara.

Mercado imobiliário sob pressão

O debate ocorre em um momento de forte demanda por crédito imobiliário. Mesmo com juros elevados, o mercado imobiliário segue aquecido no país. Segundo Guilherme Moura, o FGTS desempenha papel estratégico nesse cenário ao permitir financiamentos com taxas menores para famílias de média e baixa renda. “Os recursos do fundo permitem a oferta de crédito com taxas de juros inferiores às praticadas no mercado, tornando-se um instrumento central para a aquisição da casa própria”, afirma.

O economista observa, porém, que já há sinais de limitação nos recursos disponíveis. “Essa limitação se reflete, por exemplo, em atrasos na liberação de financiamentos, especialmente em instituições como a Caixa Econômica Federal”, explica. Por isso, o direcionamento de recursos para novas finalidades pode ampliar as dificuldades de acesso ao crédito imobiliário. “Parte dos consumidores acaba recorrendo a outras linhas de crédito disponíveis no mercado, frequentemente com custos mais elevados”, conclui.

Entrevistados

Renato Correia é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Guilherme Moura é doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do Curso de Ciências Econômicas e do Global Economics Program (GEP) na FAE Centro Universitário.

Contato

imprensa@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)

guilherme.moura@fae.edu

Jornalista responsável

Ana Carvalho

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Tetrápodes reforçam proteção e durabilidade em áreas costeiras

A revitalização da orla de Matinhos (PR), concluída em 2025, utilizou sistemas de tetrápodes em diferentes trechos da obra de contenção costeira.

“Os tetrápodes são blocos de concreto pré-moldados utilizados como camada de proteção em obras costeiras. Seu formato com quatro braços permite que as peças se encaixem de forma irregular, formando uma estrutura estável e permeável. Esse sistema funciona dissipando a energia das ondas. Em vez de refletir a onda, como acontece em estruturas rígidas, os tetrápodes permitem a passagem parcial da água, reduzindo a força do impacto sobre a estrutura e ajudando no controle da erosão costeira. Eles integram um sistema maior de proteção, composto por núcleo, camadas filtrantes e camada externa (carapaça), garantindo estabilidade e eficiência hidráulica”, explicam Gabriel Spuldaro, engenheiro civil e coordenador de obras da GEPLAN, e Issac Vitorino, engenheiro civil da GEPLAN.

Na revitalização da orla de Matinhos, foram utilizados tetrápodes na Praia Brava (340 peças), Flórida (681), Riviera (681), Rio Matinhos Norte (469), Paraná Sul (1.241) e Rio Matinhos Sul (1.259). As peças empregadas têm cerca de 3 metros de altura e 4,3 metros cúbicos de volume, pesando, cada uma, entre 10 e 12 toneladas.

De acordo com Spuldaro e Vitorino, a solução com tetrápodes foi adotada por apresentar melhor desempenho em regiões sujeitas a ondas de alta energia e ocorrência de ressacas.

Em comparação a outras técnicas, como enrocamento simples, muros ou geobags, os engenheiros da GEPLAN enumeram as vantagens dos tetrápodes:

  • maior capacidade de dissipação de energia
  • maior estabilidade estrutural
  • menor risco de deslocamento
  • maior durabilidade em ambiente marinho

“Essa escolha prioriza segurança, eficiência e desempenho a longo prazo”, pontuam.

Critérios para uso de tetrápodes na Orla de Matinhos

De acordo com Spuldaro e Vitorino, os principais critérios para adoção do sistema foram:

  • energia das ondas e intensidade das ressacas
  • estabilidade hidráulica da estrutura
  • controle da erosão costeira
Na orla de Matinhos, foram utilizados tetrápodes de concreto de alta resistência com fck da ordem de 40 MPa. Crédito: Roberto Dziura Jr/AEN

“O dimensionamento dos blocos foi feito para resistir às forças atuantes, garantindo que permaneçam estáveis mesmo em condições severas. Aspectos como custo e execução foram considerados, mas o fator determinante foi o desempenho técnico”, justificam Spuldaro e Vitorino.

Os tetrápodes possuem um custo inicial mais elevado em relação a soluções mais simples, como enrocamento ou geobags, segundo Spuldaro e Vitorino. “No entanto, a maior densidade das peças — proporcionada, inclusive, pelo uso de magnetita — aumenta a estabilidade e reduz a necessidade de manutenção, resultando em melhor desempenho e maior durabilidade ao longo do tempo”, sugerem.

Tipo de concreto

No caso da obra de Matinhos, foi utilizado concreto de alta resistência (não UHPC), com fck da ordem de 40 MPa, adequado para ambientes marinhos agressivos (locais próximos ao mar onde as estruturas de concreto ficam expostas a condições que aceleram sua deterioração, como maresia, ondas, vento, cloretos presentes no sal, entre outros).

“Este material atende plenamente às exigências estruturais e de durabilidade desse tipo de obra. O concreto apresenta elevada trabalhabilidade, com alta fluidez, permitindo o correto preenchimento das formas e garantindo qualidade das peças. Para isso, são empregados aditivos como plastificantes ou superplastificantes. Um diferencial importante é o uso de magnetita como agregado, que aumenta a densidade do concreto. Isso torna os tetrápodes mais pesados e, consequentemente, mais estáveis frente à ação das ondas, reduzindo o risco de deslocamento”, destacam Spuldaro e Vitorino.

Construção industrializada

Os tetrápodes são produzidos de forma industrializada, em ambiente controlado, garantindo padronização, qualidade e maior rigor no controle do processo produtivo. Posteriormente, após a fabricação e período de cura, as peças são transportadas por carretas especiais até o canteiro de obras. “No local, são movimentadas e posicionadas com o uso de guindastes ou equipamentos de grande porte”, relatam os engenheiros Spuldaro e Vitorino.

Por fim, o assentamento é feito de forma controlada, buscando o intertravamento entre os blocos, o que é essencial para garantir a estabilidade da estrutura e sua eficiência hidráulica.

Desafios de execução em obras costeiras

De acordo com Spuldaro e Vitorino, os principais desafios de execução em obras costeiras estão:

  • condições variáveis do mar e do clima
  • necessidade de trabalhar com janelas operacionais limitadas
  • logística de transporte e manuseio de peças pesadas
  • execução em terreno instável (areia e zona de arrebentação)
  • precisão no posicionamento das estruturas

“Além disso, é comum a necessidade de ajustes durante a execução para garantir o desempenho final da obra”, concluem os engenheiros.

Fontes

Gabriel Spuldaro é engenheiro civil e coordenador de obras da GEPLAN.

Issac Vitorino é engenheiro civil da GEPLAN.

Contato

geplan@geplangerenciamento.com.br

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Coprocessamento ganha protagonismo diante da pressão energética global

O primeiro trimestre de 2026 encerrou com crescimento de 1,8% nas vendas de cimento, enquanto março registrou o maior volume de comercialização da história da indústria, com 5,8 milhões de toneladas vendidas — avanço de 9,1%, segundo dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Apesar do desempenho positivo, a entidade alerta que o atual cenário geopolítico exige cautela. O conflito no Oriente Médio provocou instabilidade nos mercados de energia, impactando diretamente os preços do petróleo e do gás natural.

De acordo com a ABCP, os reflexos para a indústria brasileira são imediatos. Cerca de 80% do coque de petróleo utilizado nos fornos é importado, e esse insumo representa quase um terço dos custos energéticos das fábricas. Soma-se a isso a alta de 30% no preço do óleo diesel, que pressiona ainda mais a logística de um setor em que aproximadamente 90% do transporte é realizado por rodovias.

No cenário internacional, as tensões no Oriente Médio ampliam a volatilidade de curto prazo e elevam as incertezas nos mercados globais, criando desafios adicionais para indústrias intensivas em consumo energético, como a cimenteira.

Coprocessamento ganha protagonismo

Para Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP, o desempenho do setor em 2026 dependerá tanto da duração dos impactos externos quanto de fatores internos, como a taxa de juros e os custos logísticos. “A robusta diversificação da matriz energética, pilar central do Roadmap Net Zero 2050 do setor, mostra-se como a melhor rota para reduzir a exposição à volatilidade do mercado internacional”, afirma.

Forno da fábrica da Itambé alcança índices de 65% de substituição térmica. Crédito: Divulgação

Entre as principais alternativas adotadas pela indústria estão a biomassa e o Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU). Como parte dessa estratégia, o setor projeta investir R$ 3,5 bilhões até 2030 na modernização de fábricas e unidades de preparo de resíduos. A meta é viabilizar o processamento anual de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de resíduos urbanos — volume equivalente a cerca de 300 mil caminhões de lixo que deixarão de ser descartados inadequadamente.

A Cimento Itambé é uma das empresas que vêm se destacando no avanço do coprocessamento no país. Segundo Israel Vaz, gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé/Rio Bonito Soluções Ambientais, o protagonismo da empresa está ligado não apenas à adoção de tecnologias avançadas e à qualificação das equipes, mas também ao compromisso histórico da alta direção com sustentabilidade e inovação industrial.

“A alta diretoria, os acionistas e os proprietários sempre mantiveram uma visão estratégica alinhada às práticas sustentáveis, incorporando o coprocessamento não apenas nos projetos específicos da área, mas também aos próprios processos de fabricação de clínquer. Não se trata apenas de produzi-lo, mas de fazê-lo com foco em coprocessamento”, afirma Vaz.

Atualmente, a média de substituição térmica entre os três fornos da companhia está em linha aos objetivos propostos. O principal destaque é o Forno W1, modernizado após um amplo projeto de revamp concluído no ano passado, que já alcança índices de 65% de substituição térmica. A meta da empresa, no entanto, é atingir uma média global de 80% — índice considerado referência em plantas europeias e adotado pela companhia como benchmark para o futuro das operações.

Segundo Vaz, o desempenho posiciona a unidade como referência não apenas no Brasil, mas em todo o continente americano. “Hoje, trata-se do forno com a maior taxa de substituição térmica das Américas, incluindo América do Sul, Central e do Norte”, afirma.

Vaz atribui os resultados a uma trajetória de mais de 30 anos de atuação em coprocessamento, aliada a investimentos robustos em modernização industrial. O projeto de atualização do Forno 1, por exemplo, demandou cerca de R$ 500 milhões e teve o coprocessamento como um dos pilares centrais desde sua concepção.

Desafios técnicos

Apesar dos avanços, ampliar as taxas de coprocessamento ainda representa um desafio técnico significativo. Segundo Vaz, os resíduos gerados no Brasil possuem características extremamente heterogêneas, com grande variação de poder calorífico, composição química e presença de contaminantes.

“Os resíduos chegam às fábricas com características muito distintas, e isso exige um controle rigoroso antes da utilização nos fornos”, explica.

Embora o coprocessamento seja estratégico para a sustentabilidade do setor, a prioridade da empresa continua sendo a qualidade do clínquer e do cimento produzidos. Nesse contexto, um dos principais desafios é transformar resíduos de diferentes origens em um combustível alternativo mais homogêneo, capaz de ser utilizado sem comprometer a estabilidade operacional nem a qualidade final do produto.

Para garantir esse controle, a companhia mantém dois laboratórios dedicados ao monitoramento contínuo dos materiais utilizados no coprocessamento. As unidades realizam análises por raio X, plasma e um rigoroso controle analítico. Um dos laboratórios, localizado em Rio Bonito, possui certificação NBR 17025 pelo INMETRO, assegurando a confiabilidade técnica dos resultados obtidos.

Novas tecnologias

A inovação tecnológica é considerada peça-chave para ampliar as taxas de substituição térmica. Segundo Vaz, diversas soluções já estão em desenvolvimento dentro do grupo Itambé, atuando em duas frentes principais: o tratamento dos resíduos e a otimização do processo de clinquerização.

Uma das linhas de atuação busca tratar a heterogeneidade dos resíduos recebidos pela fábrica, tornando os materiais mais homogêneos antes de sua utilização nos fornos. Nesse sentido, a empresa vem investindo em tecnologias de análise e trituração, incluindo a aquisição de um equipamento triturador austríaco de alta performance.

Paralelamente, a companhia também desenvolve soluções voltadas à remoção de contaminantes metálicos e não metálicos presentes nos resíduos, reduzindo riscos de interferência no processo produtivo e aumentando a confiabilidade operacional.

Outra frente estratégica envolve o próprio processo de clinquerização. Os estudos atuais buscam otimizar os processos de produção, aumentar o tempo de residência dos resíduos, permitindo uma combustão mais eficiente e completa. Com isso, torna-se possível ampliar gradualmente as taxas de substituição térmica sem comprometer a estabilidade da operação.

Fontes

Paulo Camillo Penna é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG e MBA em Desenvolvimento de Projetos. Possui mais de 30 anos de experiência em altos cargos executivos no setor público, empresas e em entidades nacionais representativas de diversos segmentos. É membro do Conselho de Administração da Federação Interamericana de Cimento (FICEM) e integrante do Global Cement and Concrete Association (GCCA). Atualmente, é presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Israel Vaz é gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé / Rio Bonito Soluções Ambientais. Profissional graduado em engenharia química pela UFPR (2012), pós-graduado em MBA lean manufacturing pela UTFPR (2015) e pós-graduado em Gestão da Produção e Recursos Humanos pela FAVENI (2021). Vasta experiência na área industrial, atuando com ênfase no monitoramento, avaliação, controle e otimização do processo produtivo de fabricação de cimento (Fornos de Clínquer, Moagens de Crú, Moagens de Combustível, Moagens de Cimento, Coprocessamento, Ensacadeiras e Paletizadoras). Gestor de equipes e responsável por garantir a performance operacional, monitorando suas etapas e mapeando oportunidades de melhoria, a fim de assegurar a eficiência dos processos com o objetivo de alavancar a excelência operacional. Atuação conjunta com todos os níveis hierárquicos da Cia.

Contatos

snic@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)

israel.vaz@cimentoitambe.com.br

Jornalista responsável: 

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Construção civil mantém geração de empregos e financiamento em alta no primeiro trimestre

A construção civil apresentou desempenho positivo de geração de empregos, na expansão do financiamento imobiliário e no aumento nas vendas de cimento no primeiro trimestre de 2026. Apesar dos indicadores favoráveis, o setor já sente os efeitos do cenário econômico mais desafiador, marcado por juros elevados, inflação persistente e aumento nos custos dos materiais de construção. Os dados foram apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante coletiva sobre o desempenho do setor no primeiro trimestre do ano.

A entidade revisou a expectativa de crescimento da construção civil em 2026 de 2% para 1,2%. Segundo a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, o setor segue sustentado pelos resultados do mercado imobiliário registrados em 2025 e pelo volume de investimentos em infraestrutura previstos para este ano. “O número de lançamentos e vendas do ano passado continua movimentando o nível de atividade da construção em 2026, porque o ciclo produtivo do setor é longo”, afirmou.

Construção respondeu por 20% dos empregos gerados no país

Um dos principais destaques do trimestre foi o mercado de trabalho. Entre janeiro e março, a construção civil criou 120.547 empregos formais, resultado 18,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Com isso, o setor passou a responder por praticamente 20% de todas as vagas com carteira assinada criadas no país no período. A construção encerrou março com 3,063 milhões de trabalhadores formais. O resultado representa crescimento de 3,5% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Obras de infraestrutura impulsionaram geração de empregos em Curitiba no primeiro trimestre.
Crédito: Divulgação/DER

De acordo com Ieda, o desempenho foi o melhor para um primeiro trimestre desde o início da atual série histórica do Novo Caged, iniciada em 2020. “O setor voltou a contratar em todos os segmentos após o período sazonal do fim do ano. O resultado do primeiro trimestre foi o melhor dos últimos sete anos”, destacou. Entre as cidades, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba registraram os maiores volumes de contratação. Curitiba destacou-se com a geração de 3.025 postos de trabalho, impulsionada principalmente por obras de infraestrutura e construção de edifícios.

Crédito imobiliário cresce com FGTS e SBPE

O financiamento imobiliário também apresentou expansão no primeiro trimestre. As operações com recursos do FGTS somaram R$ 32,5 bilhões, alta de 21,6% em relação ao mesmo período de 2025. Já os financiamentos via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) alcançaram R$ 42,3 bilhões, crescimento de 11,9%.

Em número de unidades financiadas, o FGTS respondeu por 142,4 mil imóveis entre janeiro e março. Pelo SBPE, foram 125,4 mil unidades.

Para o presidente da CBIC, Renato Correia, o FGTS continua sendo uma das principais bases de sustentação da habitação popular no país. “O FGTS é fundamental para financiar habitação de interesse social. O déficit habitacional brasileiro ainda é muito elevado e o setor depende desses recursos para ampliar o acesso à moradia”, afirmou.

Custos e juros pressionam setor

Mesmo com indicadores positivos, a construção enfrenta um cenário mais desafiador em 2026. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 5,84% em 12 meses até março, acima da inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que ficou em 4,14%.

O maior impacto veio da mão de obra, com aumento de 8,82% no período. Além disso, a CBIC alertou para a aceleração recente dos custos de materiais e equipamentos, influenciada pelo aumento do petróleo. “O aumento do custo dos materiais preocupa porque não era previsto no início do ano. O setor já enfrenta juros elevados e dificuldade de contratação de mão de obra”, explicou Ieda.

A taxa Selic elevada voltou a aparecer como a principal preocupação dos empresários da construção. Em abril, o Índice de Confiança do Empresário da Construção caiu para 46,4 pontos, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança.

Segundo Renato Correia, a combinação entre juros altos, pressão nos custos e redução das margens exige atenção, especialmente em obras públicas e projetos habitacionais de interesse social. “Os contratos de habitação popular trabalham com margens muito estreitas, concluiu.

Fontes

Renato Correia é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Ieda Vasconcelos é economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

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imprensa@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)

Jornalista responsável

Ana Carvalho

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Curitiba aposta em incentivos para reativar o Centro urbano

O programa “Curitiba de Volta ao Centro”, lançado em 2025, propõe uma requalificação abrangente da região central da cidade, com foco em habitação, mobilidade, segurança e desenvolvimento econômico, com o objetivo de tornar o Centro mais ativo e diverso ao longo de todo o dia.

No fim de março de 2026, o prefeito Eduardo Pimentel anunciou a abertura de consulta pública para o primeiro edital de subvenção econômica do programa. A iniciativa prevê que a Prefeitura subsidie entre 25% e 50% dos custos de obras de revitalização de imóveis localizados na área central. O edital, com lançamento previsto para o início de maio, poderá disponibilizar até R$ 10 milhões.

Na mesma ocasião, foram assinados cinco decretos que regulamentam o programa, que contempla não apenas as subvenções, mas também incentivos fiscais e construtivos voltados à requalificação da região central. Ao todo, estão previstos R$ 30 milhões em subvenções, somados a R$ 133 milhões em benefícios fiscais.

O plano contempla investimentos em retrofit de edifícios, restauração de imóveis históricos e ampliação da oferta habitacional. As ações se concentram em áreas estratégicas, como o Centro, Centro Histórico e Rodoferroviária.

Curitiba abre consulta para edital que financia até 50% de obras no Centro, com até R$ 10 mi e pacote de R$ 163 mi em incentivos para revitalização urbana.
Crédito: Divulgação/Prefeitura de Curitiba

A iniciativa responde a um processo recente de esvaziamento do Centro, que perdeu população e dinamismo à medida que o crescimento urbano se deslocou para outras regiões da cidade. O objetivo é reverter esse cenário, ampliar a ocupação, estimular o comércio e valorizar o patrimônio.

Para Maria Eugenia Fornea, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (ADEMI-PR), essas iniciativas representam um avanço concreto, posicionando Curitiba em um patamar mais sofisticado de política urbana voltada à requalificação do Centro.

“O programa passa a contar com um instrumento que dialoga com a lógica de decisão do investidor. A subvenção estruturada deixa de ser hipótese e se torna um mecanismo real de viabilização econômica. Hoje, o programa saiu do campo conceitual e entrou no da viabilidade, tendo como próximo passo ganhar escala”, afirma Maria Eugenia.

Moradia como eixo central da transformação

Um dos pilares do programa é o incentivo à ocupação residencial, com o objetivo de reverter o esvaziamento urbano e promover vitalidade contínua.

A estratégia inclui:

• estímulo ao retrofit de imóveis ociosos

• incentivo à habitação de interesse social

• promoção de diversidade tipológica

A diretriz é clara: garantir permanência urbana, diversidade de perfis e um Centro mais equilibrado e habitado.

Segundo Maria Eugenia Fornea, há demanda real por moradia na região central — desde que a oferta esteja alinhada à qualidade do produto e à diversidade de públicos.

Ela também destaca que a política pública corrige distorções do mercado, evitando a produção excessiva de estúdios e orientando a cidade para um modelo mais equilibrado.

Retrofit ganha protagonismo

A requalificação do estoque existente é um dos principais motores do programa, com foco na preservação do patrimônio histórico e na reutilização de edifícios.

O plano propõe:

incentivos fiscais e construtivos

• uso da Transferência do Direito de Construir (TDC)

• estímulo à recuperação de edificações protegidas

Para a presidente da ADEMI-PR, o retrofit envolve complexidade técnica, exigindo compatibilização de sistemas e alinhamento com regras urbanísticas.

Maria Eugenia avalia que o mercado está em processo de amadurecimento, precisando de previsibilidade, padronização técnica e segurança jurídica para ganhar escala.

Uso misto e ativação urbana

O programa aposta na diversificação de usos como estratégia de revitalização urbana e fortalecimento do ecossistema local.

O diagnóstico aponta:

base comercial consolidada

• presença de gastronomia e vida noturna

• concentração de serviços especializados

A estratégia envolve:

flexibilização de usos

• incentivo ao retrofit

• estímulo à ativação cultural e turística

A proposta é transformar o Centro em um espaço de permanência, e não apenas de circulação.

Mobilidade e cidade para pessoas

Outro eixo estruturante é a mobilidade ativa, com foco no transporte coletivo e na construção de uma cidade para pessoas.

Entre as propostas estão:

• ampliação de calçadas e ciclovias

• requalificação de ruas emblemáticas

• reorganização do sistema viário

• incentivo a baixa emissão de carbono

Gargalos: execução, previsibilidade e escala

Os desafios agora estão na implementação da política pública, com foco em execução eficiente, previsibilidade e ganho de escala.

Pontos críticos incluem:

execução consistente e coordenação institucional

previsibilidade da subvenção e redução de risco

regularização fundiária e segurança jurídica

• alinhamento entre viabilidade econômica e regras urbanísticas

Além disso, permanece o desafio de transformar o programa em um fluxo contínuo de projetos, garantindo escala e sustentabilidade urbana ao longo do tempo.

Fonte

Maria Eugenia Fornea é graduada em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é mestre em Gestão Urbana e especializações em planejamento de cidades. Com mais de 15 anos de atuação no setor imobiliário, é CEO e fundadora da incorporadora curitibana Weefor, onde lidera iniciativas voltadas à reflexão sobre arquitetura, cidade e desenvolvimento urbano. Atualmente, é presidente da ADEMI-PR da gestão 2026/2027.

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thabata@versotht.com.br (Assessoria de Imprensa)

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP

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Jovens lideram compra do primeiro imóvel e impulsionam habitação popular no Brasil

O mercado imobiliário brasileiro tem observado uma mudança consistente no perfil de compradores. Jovens entre 19 e 30 anos passaram a ocupar posição central na aquisição do primeiro imóvel, especialmente no segmento de habitação popular. A busca pela casa própria, associada à saída do aluguel e à construção de estabilidade financeira, tem direcionado decisões e influenciado a oferta de empreendimentos.

De acordo com o gerente comercial Felipe Ramos, da Blendi Empreendimentos, essa tendência é evidente no dia a dia das vendas. “Quase 70% dos nossos clientes têm entre 19 e 30 anos. É o perfil que mais procura o primeiro imóvel”, afirma. Segundo ele, a motivação principal não está ligada ao investimento, mas à necessidade de moradia. A aquisição do imóvel passa a ser vista como um marco da vida adulta, associado à independência e à previsibilidade financeira.

Programas habitacionais ampliam acesso

Incorporadoras ampliam empreendimentos voltados ao público jovem, com unidades compactas e valores compatíveis com a renda. Crédito: Envato

O avanço desse público no mercado está diretamente relacionado a mudanças recentes em políticas habitacionais e condições de crédito. Ramos destaca que três fatores têm impacto direto nesse movimento. “A ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida, a expectativa de queda da taxa de juros e o orçamento recorde do FGTS foram fundamentais para impulsionar o setor”, explica.

Na prática, essas mudanças se traduzem em condições mais favoráveis para esse público. “O resultado é uma parcela menor, maior capacidade de financiamento e mais opções de imóveis disponíveis”, resume.

Além disso, a reconfiguração das faixas de financiamento permite que parte dos compradores migre para condições mais favoráveis. “Quem muda de faixa pode ter redução de juros e aumento da capacidade de financiamento sem elevar o valor da parcela”, afirma.

Imóveis mais acessíveis e funcionais

Como reflexo desse cenário, a resposta das incorporadoras tem sido a ampliação de empreendimentos voltados a esse perfil. Os projetos priorizam unidades compactas, com melhor aproveitamento de espaço e valores compatíveis com a renda dos compradores.

Em cidades como Londrina e Maringá, os imóveis enquadrados na faixa de entrada partem de cerca de R$ 220 mil, com teto próximo de R$ 255 mil em determinadas categorias. Já empreendimentos com padrão um pouco mais elevado podem chegar a valores entre R$ 260 mil e R$ 270 mil, ainda dentro de condições acessíveis para parte desse público.

O objetivo é ajustar a parcela que o cliente consiga pagar, mantendo qualidade na entrega do produto”, explica Ramos. Segundo ele, a renda média dos compradores varia entre R$ 2.500 e R$ 3.500, o que orienta o desenho financeiro dos projetos.

O que os jovens valorizam

Além do preço, há mudanças claras nas preferências. O tamanho do imóvel deixou de ser o principal critério, dando lugar à funcionalidade e à infraestrutura oferecida. “O que mais preza é um apartamento compacto, mas funcional, inserido em um condomínio com estrutura completa”, afirma Ramos. Ele ressalta que o aproveitamento inteligente dos espaços se tornou mais relevante do que a metragem total.

Entre os itens mais valorizados estão áreas de lazer, como piscina, salão de festas e espaços esportivos, além de facilidades como bicicletário, espaço pet e soluções sustentáveis. A localização também pesa na decisão, com preferência por regiões próximas a serviços essenciais e ao transporte.

Esse conjunto de fatores evidencia um mercado mais alinhado às necessidades do comprador jovem. Ao priorizar moradia, previsibilidade de custos e qualidade de vida, essa geração redefine padrões e sustenta o crescimento da habitação popular no país.

Entrevistado

Felipe Ramos é graduado em Administração pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná e atualmente cursa MBA em Gestão Comercial pela Fundação Getulio Vargas. É gerente comercial da Blendi Empreendimentos.

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felipe@blendi.com.br

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Ana Carvalho

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Vendas de cimento crescem no primeiro trimestre e somam 15,9 milhões de toneladas no país

O setor de cimento registrou crescimento de 1,8% no volume de vendas no primeiro trimestre de 2026, alcançando 15,9 milhões de toneladas comercializadas no país. O resultado reflete a sustentação da demanda por fatores econômicos internos, com destaque para o nível de emprego e a continuidade de políticas públicas voltadas à habitação e à infraestrutura.

Paulo Camillo Penna, presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), avalia o período, ressaltando a resiliência do setor. “O crescimento é um reflexo direto dos fundamentos macroeconômicos brasileiros, que atuaram como motores da demanda setorial”, afirma.

Emprego e renda sustentam consumo

Região Sul destaca-se pelo forte investimento em pavimentação de estradas utilizando o concreto. Crédito: DER

Entre os principais fatores que contribuíram para o resultado, destaca-se o aquecimento do mercado de trabalho. O país atingiu 102,1 milhões de pessoas ocupadas e uma taxa de desemprego de 5,8% em fevereiro, considerada a menor para o período. O rendimento médio mensal também contribuiu para sustentar a capacidade de consumo das famílias.

Segundo Penna, esse cenário favoreceu principalmente a autoconstrução. “Com um rendimento médio mensal de R$ 3.679, a massa salarial foi preservada, o que garantiu a continuidade do consumo e impulsionou a construção”, explica.

Outro ponto de destaque foi o programa habitacional do governo federal. “O programa Minha Casa Minha Vida consolidou-se como o principal vetor da atividade, sendo responsável por 52% dos novos empreendimentos”, afirma o executivo. A meta de entrega de 3 milhões de unidades até 2026 projeta impacto relevante na demanda do setor.

Região Sul com desempenho acima da média nacional

Os investimentos em obras de infraestrutura também contribuíram para o resultado do trimestre. A continuidade de projetos, tanto públicos quanto privados, ajudou a equilibrar o cenário diante de desafios como a taxa Selic em patamar elevado, que atingiu 14,75% em março.

Na análise regional, o Sul apresentou desempenho acima da média nacional. Em março, a região cresceu 10,5% em comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a alta foi de 3,3%. “Os mesmos efeitos macroeconômicos que estão direcionando o crescimento nacional atuam na região sul”, afirma Penna.

O executivo destaca ainda a característica dos estados da região. “Os estados do Sul, principalmente Paraná e Santa Catarina, têm se caracterizado pelo forte investimento em pavimentação de estradas utilizando o concreto”, diz. (incluir link de matéria sobre Pavimento em concreto no Sul).

Paulo Camillo Penna, presidente executivo da ABCP e SNIC. Crédito: Divulgação

Projeção para 2026 aponta crescimento moderado

Para o restante do ano, a expectativa é de expansão moderada, condicionada a fatores econômicos e políticos. Entre os elementos positivos estão a reindustrialização e a continuidade dos programas habitacionais. “A projeção para 2026 vai depender da mitigação de riscos estruturais e conjunturais que permeiam o setor”, afirma.

Por outro lado, o cenário ainda apresenta pontos de atenção. A instabilidade geopolítica, com impactos sobre os preços de petróleo e frete, pode pressionar custos de produção. Além disso, a escassez de mão de obra e o endividamento das famílias tendem a limitar novos investimentos em construção.

Há também incertezas regulatórias no ambiente interno. “A incerteza regulatória decorrente de discussões legislativas adiciona camadas de cautela que podem impactar o planejamento setorial caso não haja a estabilidade necessária”, avalia. Mesmo diante desses desafios, o setor mantém a perspectiva de continuidade da demanda, apoiado em fatores estruturais e na necessidade permanente de investimentos em habitação e infraestrutura no país.

Entrevistado

Paulo Camillo Penna égraduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG e MBA em Desenvolvimento de Projetos. Possui mais de 30 anos de experiência em altos cargos executivos no setor público, empresas e em entidades nacionais representativas de diversos segmentos. É membro do Conselho de Administração da Federação Interamericana de Cimento (FICEM) e integrante do Global Cement and Concrete Association (GCCA). Atualmente, é presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

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snic@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)

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Ana Carvalho

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China constrói a ponte mais alta do mundo

A China inaugurou, em 2025, a ponte mais alta do mundo. Intitulada Huajiang Grand Canyon, ela se eleva 625 metros acima do Rio Beipan e se estende por 2.890 metros sobre um cânion. Sua construção levou mais de três anos e custou mais de 2 bilhões de yuans (R$ 1,5 bilhão).

A estrutura conta ainda com um vão central de 1.420 metros, o que a coloca como a maior ponte já construída em região montanhosa.

Integrando a rodovia Liuzhi–Anlong, a obra deve encurtar drasticamente o deslocamento entre os condados de Zhenfeng e Guanling, situados em lados opostos do cânion: o trajeto passará de cerca de duas horas para poucos minutos.

Trata-se de uma ponte suspensa composta por treliças de aço. Somadas, essas estruturas metálicas alcançam cerca de 22 mil toneladas — um peso comparável ao de três Torres Eiffel. A ponte emprega de forma inovadora tecnologias avançadas, como um sistema inteligente de içamento de cabos e fios de aço de alta resistência de 2.000 MPa.

Embora o aço seja bastante presente na superestrutura, especialmente nos cabos e no tabuleiro, o concreto desempenha um papel essencial nas estruturas de sustentação. O projeto utiliza ancoragens assimétricas, incluindo uma ancoragem por gravidade com cerca de 160 mil metros cúbicos de concreto e outra em túnel, profundamente embutida na encosta da montanha. As torres principais, uma com 262 metros de altura e a outra com 205 metros, também são executadas em concreto, garantindo estabilidade e a adequada transferência de cargas para o maciço rochoso.

Ponte Huajiang, conta com cerca de 22 mil toneladas de estrutura metálica e 160 mil metros cúbicos de concreto.
Crédito: Glabb, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O projeto inclui plataformas de observação, um elevador panorâmico de vidro que conduz a um café instalado no topo de um dos arcos e uma passarela também em vidro, permitindo aos visitantes contemplar a paisagem a cerca de 580 metros de altura. A ponte ainda oferece atividades como bungee jumping e slackline.

Estrutura da ponte

Para o engenheiro William Hungria, ao analisar a Ponte Huajiang sob a ótica da engenharia, o que chama atenção não é só a altura. “É o fato de que ela resolve, ao mesmo tempo, três problemas difíceis: vencer um vão enorme, trabalhar a uma altura em que o vento passa a mandar no projeto e ainda se apoiar em um terreno que não facilita em nada”, explica.

A escolha por uma ponte suspensa não é estética, é inevitável. “Quando você não tem como apoiar no meio do caminho, você precisa ‘pendurar’ a estrutura. Os cabos principais assumem a tração, as torres recebem esses esforços e os transferem para o solo, e o tabuleiro fica ali, funcionando como uma viga leve sustentada por pendurais. É um sistema extremamente eficiente, porque usa o aço exatamente onde ele é mais forte: na tração”, pontua Hungria.

Só que a partir de certa escala, o problema deixa de ser resistência e passa a ser comportamento. “A mais de 600 metros de altura, o vento não é mais um carregamento secundário. Ele vira protagonista. A estrutura precisa lidar com oscilações, torção, efeitos aeroelásticos. Não é à toa que esse tipo de ponte depende de muito ensaio em túnel de vento e de um desenho de tabuleiro que não é só estrutural, mas também aerodinâmico. A seção costuma ser uma caixa metálica fechada, justamente para dar rigidez e ‘cortar’ o vento de forma controlada”, afirma Hungria.

De acordo com o engenheiro, os cabos são o coração da obra. “É ali que está a confiança da estrutura inteira. São milhares de fios de aço trabalhando juntos, protegidos contra corrosão, monitorados ao longo do tempo. Não é exagero dizer que, em uma ponte dessas, tudo gira em torno de manter esses cabos íntegros”, comenta.

As torres trazem outro tipo de desafio. “Em um cânion, você não está apoiando em solo plano e previsível. Está lidando com encostas, rocha irregular, acesso difícil. A fundação precisa ancorar bem, transferir carga com segurança e ainda ser executável em um lugar onde logística já é um problema por si só. Aqui entra muita engenharia geotécnica pesada, não é só cálculo estrutural”, destaca Hungria.

A execução da ponte é quase tão complexa quanto o projeto, segundo o engenheiro. “Você não monta isso de baixo para cima. Primeiro lança cabos-piloto, depois forma os cabos principais, instala os pendurais e só então começa a pendurar os segmentos do tabuleiro. Tudo isso com controle geométrico muito preciso, porque qualquer erro pequeno no início vira um erro grande no meio do vão”, justifica Hungria.

O tabuleiro, por sua vez, precisa ser leve, rígido e estável ao vento. “É um equilíbrio fino. Se fica pesado demais, sobrecarrega os cabos. Se fica leve demais sem rigidez, vibra. Por isso o uso de aço de alta resistência e seções fechadas bem estudadas”, expõe Hungria.

O engenheiro ainda destaca que a obra não termina quando inaugura. “Em um ambiente desses, manutenção é parte do projeto. Pintura anticorrosiva, inspeção de cabos, monitoramento estrutural, acesso técnico em altura. Tudo precisa estar previsto desde o início, porque depois não é simples ‘voltar lá e resolver’”, alerta.

Um dos destaques da ponte é uma cascata. Para Hungria, do ponto de vista técnico é um ponto crítico a ser controlado. “Água e estrutura nunca são amigos naturais. Então ela precisa ser completamente independente do sistema estrutural, com drenagem muito bem resolvida, impermeabilização e controle. Se não fizer isso direito, vira um ponto de patologia rápido”, pondera.

Na opinião de Hungria, a grande lição que fica de uma obra como essa é: em estruturas desse porte, não ganha quem calcula mais bonito, mas quem entende melhor o conjunto. “Terreno, vento, execução, material e manutenção. Tudo ao mesmo tempo”, conclui.

Fonte

William Hungria é engenheiro civil, pós-graduado em Gerenciamento de projetos e Incorporação imobiliária e CEO da Haga. Trabalha há 12 anos com obras de construção de casas e reformas, além de ter atuado em diversas grandes obras de infraestrutura portuária e rodoviária.

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Marina Pastore – DRT 48378/SP 

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