IDD Summit promove palestras, visitas técnicas, experiências práticas e integração entre diferentes áreas da engenharia
A busca por atualização constante e a necessidade de integração entre diferentes áreas da construção civil estão entre os principais desafios enfrentados pelos profissionais do setor. Com o objetivo de fortalecer essa conexão e proporcionar experiências que complementem a formação técnica, o IDD Educação Avançada promoveu entre os dias 28 a 30 de maio, a 5ª edição do IDD Summit. O evento reuniu profissionais, especialistas, empresas e lideranças da engenharia, consolidando-se como um espaço para troca de conhecimento, networking e vivências práticas.

Segundo o engenheiro Cesar Henrique Sato Daher, sócio-fundador do IDD Educação Avançada e da DAHER Engenharia Consultiva e Tecnologia, a iniciativa surgiu com o propósito de aproximar pessoas em um momento em que as atividades educacionais migravam para o ambiente virtual. "O IDD Summit foi criado logo após a pandemia, quando transformamos nossos cursos de pós-graduação presenciais em aulas online ao vivo. Embora essa metodologia seja mais democrática e alcance um número maior de pessoas, ela torna o relacionamento humano mais distante. Criamos o evento para proporcionar esse encontro presencial da nossa comunidade, que vai muito além do aspecto técnico", afirma.
Desenvolvimento profissional e integração multidisciplinar
Além da atualização de conhecimentos, o evento busca estimular competências cada vez mais valorizadas pelo mercado, como comunicação, colaboração e visão sistêmica dos projetos. Para Cesar Daher, a construção civil exige uma atuação integrada entre diferentes especialidades, o que torna a troca de experiências um fator importante para o desenvolvimento profissional.

"O IDD Summit trabalha as habilidades interpessoais, promove a interdisciplinaridade e a integração das diversas áreas da construção civil, além de proporcionar experiências que permitem aos participantes realizar visitas técnicas e participar de workshops práticos", ressalta. Entre os destaques desta edição, está o Ingenia Netweaving, iniciativa que reúne salas temáticas para apresentação e discussão de cases entre profissionais, empresas parceiras e membros da comunidade do IDD.
Neste ano, o evento contou com a palestra magna do disruptivo professor José Ivair Motta Filho, que tem vasta experiência em inovação na educação e no Vale do Silício norte-americano, que trouxe uma visão do presente com a IA, os robôs e a importância da relação humana nesse mundo cada vez mais tecnológico.
Itambé e Concrebras abrem as portas para experiências práticas

Uma das atividades mais aguardadas da programação foi a visita técnica às instalações da Cimento Itambé e da Concrebras. A proposta é permitir que os participantes acompanhem de perto processos industriais, controles tecnológicos e aplicações práticas dos materiais utilizados na construção civil.
Para o diretor comercial da Cimento Itambé, Marcio Lobo, a participação no evento fortalece a conexão da empresa com profissionais que atuam diretamente na especificação e utilização de cimento e concreto. "Eventos como o IDD Summit reúnem exatamente o público e os segmentos nos quais nos especializamos, proporcionando contato direto com profissionais estratégicos do setor, além de um fórum qualificado para discutir tendências, desafios e demandas da indústria da construção civil, do cimento e do concreto", afirma.
Durante a visita à unidade industrial, os participantes puderam conhecer processos automatizados de produção, sistemas de controle de qualidade, aplicações de inteligência artificial e iniciativas voltadas à sustentabilidade. "Visitar uma planta industrial de cimento é uma experiência que costuma surpreender até mesmo profissionais do setor. O objetivo foi proporcionar aos visitantes uma visão prática de como tradição, inovação e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas na indústria do cimento", explica Lobo.
Controle tecnológico e demonstração ao vivo

Na Concrebras, a programação incluiu a apresentação dos processos de dosagem, produção e controle tecnológico do concreto, além de visitas ao laboratório da empresa. Segundo o diretor da Divisão Concreto da Concrebras, Tárik Andrade, os participantes tiveram contato direto com todas as etapas que garantem a qualidade do material entregue às obras. "Os participantes acompanharam a dosagem de um caminhão betoneira, conheceram um de nossos laboratórios e verificaram o rigor com o qual conduzimos nossos ensaios. Buscamos mostrar o que acontece em uma concreteira, desde a recepção dos materiais até os testes que garantem a qualidade do concreto", afirma.

Outro destaque foi a execução ao vivo de um Pavimento Urbano de Concreto (PUC), utilizando um concreto desenvolvido especificamente para essa aplicação. "A Concrebras realizou uma concretagem ao vivo com um concreto desenvolvido especialmente para o PUC. Mostramos que é um processo simples, que permite a aplicação de um produto extremamente técnico de maneira rápida, com baixo custo e resultados que proporcionam um pavimento mais durável e com menor necessidade de manutenção", destaca Andrade.
Com uma programação que combina conhecimento técnico, experiências práticas e relacionamento profissional, o IDD Summit reforça a importância da educação continuada para acompanhar as transformações da construção civil e preparar profissionais para os desafios atuais do setor.
Entrevistados
Cesar Henrique Daher é engenheiro civil, técnico em edificações pela UTFPR, graduado em Engenharia Civil e Mestre em Construção Civil pela UFPR, conselheiro e diretor no IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto), presidente de honra da Associação Brasileira de Patologia das Construções (ALCONPAT Brasil). 36 anos de experiência em tecnologia do concreto, argamassas e materiais, com participação em obras de vulto convencionais e de infraestrutura. Professor universitário há 25 anos.
Marcio Lobo é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Positivo (UP) e MBA em Gestão Comercial pela Universidade Positivo (UP). Atualmente, é diretor comercial da Cimento Itambé.
Tárik Andrade é engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mais de 26 anos de experiência em liderança no setor de concreto, com atuação na América Latina e na América do Norte. Ao longo da carreira, conduziu projetos de expansão, abertura de mercados e transformação organizacional, com foco em eficiência operacional, resultados sustentáveis e fortalecimento das equipes. Atualmente, é diretor da Divisão Concreto da Concrebras.
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Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Construsul BC destaca sistemas construtivos industrializados
Entre os dias 26 e 29 de maio, Balneário Camboriú (SC) recebeu a 3ª edição da Construsul BC – Feira da Indústria da Construção e Acabamento. O evento reuniu mais de 20 mil visitantes e apresentou lançamentos, tendências e soluções de mais de 200 expositores do setor. Segundo os organizadores, a expectativa é que a feira tenha movimentado mais de R$ 300 milhões em negócios.
A feira também tem alcance nacional, reunindo expositores de mais de sete estados além de Santa Catarina.
“A feira apresenta novidades distribuídas por todos os segmentos da construção civil. Gosto sempre de destacar que a exposição é um momento importante para que as indústrias apresentem seus lançamentos e inovações. Como a Construsul BC abrange desde a fundação até o acabamento, os visitantes encontram soluções e tendências em todas as etapas da construção”, destaca Ricardo Richter, diretor da Construsul BC.
Construção a seco em destaque

Para Richter, os grandes destaques desta edição estão ligados à construção a seco e aos sistemas construtivos industrializados, que vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado pela eficiência e sustentabilidade que proporcionam.
“Esses sistemas também contribuem para a redução do tempo de obra, o que beneficia tanto as construtoras quanto os consumidores. Para quem constrói, isso significa a possibilidade de executar mais projetos em menos tempo, aumentando a capacidade de faturamento. Já para quem adquire o imóvel, há uma redução no prazo de entrega”, pontua Richter.
Conteúdo técnico
A feira reuniu mais de 50 horas de conteúdo técnico através de uma agenda de eventos paralelos, incluindo seminários, workshops e congressos sobre sustentabilidade, segurança do trabalho, tecnologia, acústica, mobilidade elétrica, pisos industriais, vidro estrutural e gestão de obras.
Um dos destaques do evento foi o seminário da Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem (ABESC). Os engenheiros Alvaro Barbosa, Ary Fonseca Jr. e Arnoldo Wendler destacaram como a industrialização dos canteiros de obras vem se consolidando como uma estratégia essencial para ampliar a eficiência operacional e acelerar a descarbonização da construção civil.
Os engenheiros mostraram que para incorporadoras e construtoras que buscam maior escala, produtividade e previsibilidade, o modelo oferece vantagens competitivas relevantes:
• Maior agilidade na execução: ciclos de concretagem mais rápidos, reduzindo os prazos das obras.
• Ganhos financeiros: diminuição significativa do desperdício de materiais e melhor aproveitamento da mão de obra.
• Sustentabilidade aplicada: redução na geração de resíduos e maior alinhamento às metas ESG do setor.
Outro conteúdo de destaque foi o workshop da Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho (ANAPRE), onde discutiram os cuidados para a conquista da qualidade de um piso de concreto e para uma boa aplicação de revestimentos de alto desempenho. Na apresentação, Daniela Felix, engenheira de projetos da JAL Industrial, e Levon Hovaghimian, diretor adjunto de lapidação da ANAPRE falaram sobre o RAD – Revestimento de Alto Desempenho, que são sistemas aplicados sobre o concreto para proteger a superfície, aumentar a resistência e melhorar o desempenho ao longo do tempo. De acordo com a ANAPRE, sem o tratamento adequado, o piso de concreto em áreas de alta exigência pode sofrer desgaste prematuro, fissuras e baixa durabilidade.
Conteúdo sobre gestão
O conteúdo da feira é fortemente voltado à construção civil, mas vai além das discussões técnicas do setor. Nesta edição, por exemplo, a programação também contou com palestras de empresários da área, que compartilharam suas trajetórias, os desafios enfrentados ao longo da carreira e a construção de seus negócios. “Esse tipo de troca é muito importante para contextualizar e inspirar visitantes que também possuem empresas ou estão iniciando suas atividades no mercado, permitindo acesso direto à experiência de profissionais que já atuam há muitos anos no setor”, explica Richter.
A feira recebeu nomes como Rodrigo Pimentel e João Branco. Rodrigo Pimentel, ex-capitão do BOPE e uma das inspirações para o personagem Capitão Nascimento, dos filmes Tropa de Elite, abordou temas ligados à tomada de decisão, liderança e formação de equipes de alta performance dentro das empresas. Já João Branco, ex-vice-presidente de marketing do McDonald's e responsável pelo reposicionamento da marca no Brasil, falou sobre marketing, relacionamento com clientes e construção de marca.
Fonte
Ricardo Richter é diretor da Construsul BC.
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Mercado imobiliário mantém ritmo forte no primeiro trimestre e sustenta demanda mesmo com juros elevados
O mercado imobiliário brasileiro manteve um cenário de vendas consistentes no primeiro trimestre de 2026, apresentando demanda elevada e expansão acumulada nos lançamentos, mesmo diante de juros altos e de um ambiente econômico ainda desafiador. Os dados do primeiro trimestre, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), indicam que o setor segue aquecido, com destaque para o desempenho do programa Minha Casa Minha Vida e para a força de mercados regionais.
O levantamento nacional da CBIC reúne informações de 221 cidades brasileiras e mostra que, entre início de janeiro e final de março deste ano, foram lançadas cerca de 97 mil unidades residenciais. O número representa queda de 4,9% em relação ao mesmo período de 2025, mas o acumulado dos últimos 12 meses atingiu 466 mil unidades, o maior volume da série histórica.
Segundo o diretor de Economia do Secovi-SP, Celso Petrucci, o desempenho do início do ano já era esperado dentro da dinâmica do setor. “O primeiro trimestre tradicionalmente registra menos lançamentos por conta das férias, do Carnaval e da concentração histórica de lançamentos no fim do ano. Mesmo assim, as vendas ficaram praticamente estáveis”, afirma.
As vendas somaram mais de 438 mil unidades no acumulado de 12 meses, também recorde da série histórica da entidade. Para Petrucci, o resultado demonstra capacidade de resistência do mercado imobiliário mesmo com a Selic em patamares elevados. “O mercado continua aderente aos lançamentos e mantém um patamar de estabilidade bastante consistente”, ressalta.
Cenário estável na região Sul
Embora a região Sul tenha apresentado estabilidade nas vendas no primeiro trimestre, Curitiba registrou desempenho acima das médias regional e nacional. A avaliação é do engenheiro e diretor Paulo Celles Imóveis, Paulo Henrique Celles. “A leitura do primeiro trimestre precisa ser feita com cuidado. O dado isolado não traduz completamente o mercado. Entre 2021 e 2025, os lançamentos cresceram 57% e as vendas 46% na região Sul. Estamos comparando 2026 com um ciclo anterior muito forte”, observa.

Segundo ele, Curitiba vive um momento de ajuste considerado saudável. “O mercado não está desaquecido. Ele está mais seletivo, mais técnico e mais exigente,” informa. Celles destaca que a capital paranaense registrou crescimento de 26,5% nas vendas no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Valor Geral de Vendas (VGV) acumulado chegou a R$ 8,7 bilhões. “Curitiba chama bastante atenção positivamente. O desempenho confirma a força da capital paranaense como um dos mercados mais relevantes do país”, afirma.
Perfil do mercado do Sul reduz participação do Minha Casa Minha Vida
Os dados da CBIC mostram que o programa Minha Casa Minha Vida possui participação menor no Sul quando comparado às demais regiões do país. Enquanto no Norte o programa responde por 83% das vendas, no Sul essa fatia é de apenas 18%. Petrucci atribui esse cenário principalmente às restrições urbanísticas e ao elevado custo da terra nas capitais da região. “Tanto Paraná quanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm dificuldades urbanísticas para viabilizar empreendimentos do programa”, assinala.
Celles, por sua vez, acrescenta que o perfil econômico da região também contribui para explicar essa característica. “O Minha Casa Minha Vida tem um peso menor no Sul por uma razão estrutural. A renda média é mais alta e o custo do terreno, especialmente em Curitiba, torna muito difícil viabilizar produtos dentro dos tetos tradicionais do programa”, explicou. Segundo ele, o segmento com maior potencial de crescimento na região é justamente o novo perfil voltado à classe média. “O MCMV Faixa 3 e 4, com imóveis entre R$ 500 mil e R$ 600 mil e juros mais competitivos, pode ter mais aderência à realidade do Sul”, avalia.
Perspectiva positiva para o segundo semestre
A expectativa do setor é de recuperação dos lançamentos e continuidade do crescimento das vendas no segundo semestre, especialmente em mercados de médio e alto padrão. “Muitas incorporadoras foram mais cautelosas no primeiro semestre por causa da Selic elevada e do custo do crédito. Mas Curitiba tem um volume significativo de projetos aprovados que deve aparecer nos próximos meses”, afirma Celles.
Segundo ele, o mercado imobiliário costuma reagir antes mesmo da queda efetiva dos juros ao consumidor. “Quando o comprador percebe que a Selic começou a cair, a confiança melhora e a demanda reprimida começa a aparecer”.
Apesar do cenário positivo, o setor acompanha com atenção fatores como custos da construção, regulamentação da reforma tributária e possíveis impactos das discussões sobre redução da jornada de trabalho. “O momento exige menos euforia e mais técnica. O comprador existe e o desafio está no crédito, no custo de produção e na capacidade de lançar o produto certo, no lugar certo e com preço aderente ao mercado”, conclui Celles.
Fonte
Celso Petrucci é diretor de economia do SECOVI-SP
Entrevistado
Paulo Henrique Celles é graduado em Engenharia Civil pela UTFPR, pós-graduado em marketing e gestão de negócios, tem possui cursos de especialização em gestão de pessoas, marketing e business. Atualmente é diretor da Paulo Celles Imóveis.
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SEMTEC 2026 destaca o uso de combustíveis alternativos e coprocessamento
Entre os dias 19 e 21 de maio, foi realizado em Belo Horizonte (MG) o SEMTEC 2026, o Seminário Técnico da Indústria de Cimento e de Cal. O evento contou com mais de 50 palestras que abordaram boas práticas e inovações no setor.
O tema central do evento foi a fábrica do futuro. As apresentações foram divididas em áreas específicas, como transformação digital e uso de novas ferramentas com IA, manutenção preditiva e prescritiva, melhor controle de processos e produção, transformação da sacaria de 50 kg para 25 kg, otimização energética e, com especial enfoque, a pegada de carbono.
O evento foi bastante abrangente, cobrindo todas as áreas de uma fábrica de cimento. O SEMTEC visa abarcar desde estagiários até diretores e, por isso, é gratuito e realizado próximo aos polos cimenteiros. Entre os patrocinadores, estiveram presentes 67 companhias com forte atuação nas indústrias de cimento e cal”, afirma Tiago Couto, diretor da Densit do Brasil, empresa responsável pela realização do SEMTEC.
Para Douglas de Conto, assessor técnico da Cimento Itambé, que compareceu ao evento, o SEMTEC 2026 mostrou que a indústria de cimento e cal está vivendo uma transformação muito mais estratégica do que apenas operacional.
“Os debates deixaram claro que hoje o setor precisa equilibrar três grandes pilares: descarbonização, eficiência energética e competitividade econômica”, pontua.

Uso de combustíveis alternativos e coprocessamento
Dentre as grandes tendências debatidas no SEMTEC 2026, Tiago Couto aponta os cimentos com menor razão clínquer/cimento, o aumento do consumo de combustíveis alternativos e melhores consumos energéticos.
Segundo o assessor técnico da Itambé, o setor busca produzir mais, consumir menos energia fóssil e reduzir a pegada de carbono do cimento.
“A questão da diversificação energética gerou debates relevantes. O setor está cada vez mais pressionado pelos custos dos combustíveis tradicionais e pelas metas ambientais, então temas como biomassa, resíduos industriais, RDF e coprocessamento aparecem como soluções técnicas e econômicas ao mesmo tempo”, afirma Douglas.
Uma das tecnologias destacadas , segundo o assessor técnico da Itambé, é o uso de combustíveis alternativos e do coprocessamento, porque já está trazendo impacto direto nas fábricas. “A indústria vem substituindo parte do coque de petróleo por biomassa, resíduos industriais e combustíveis derivados de resíduos, reduzindo custos energéticos e emissões de CO2 ao mesmo tempo”, justifica.
De Conto também ressaltou o uso da argila calcinada e de materiais cimentícios suplementares, que ajudam a reduzir a quantidade de clínquer no cimento, diminuindo a pegada de carbono da produção.
Após esta edição do SEMTEC, Tiago Couto acredita que um dos grandes desafios do setor é a mudança da norma brasileira, visando minimizar o uso de clínquer, que hoje limita o uso de calcário a 25%, e a implementação do saco de 25 kg como obrigatório.
Aplicação de oxigênio via VPSA em fornos de cimento
Douglas e Tiago apontam que a aplicação de oxigênio via VPSA em fornos de cimento, associada ao uso de combustíveis alternativos, esteve entre os temas mais debatidos do evento.
“O tema mostrou como a indústria cimenteira está buscando aumentar eficiência energética, produtividade e sustentabilidade ao mesmo tempo. Chamou-me atenção, principalmente, a forma como o enriquecimento com O2 pode compensar limitações operacionais dos combustíveis alternativos, permitindo maior substituição de combustíveis fósseis sem perder estabilidade do processo. Foi uma palestra muito interessante porque uniu visão técnica, impacto econômico e sustentabilidade industrial de maneira bastante prática”, comenta o assessor técnico da Cimento Itambé.
Sustentabilidade
De Conto acredita que um ponto muito forte desta edição foi perceber que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma necessidade de mercado. “Hoje, reduzir emissões significa também reduzir custos energéticos, aumentar eficiência e garantir competitividade futura para as cimenteiras. Sobre o mercado atual do cimento e da cal, a grande ideia que conecta praticamente todos os temas do evento é como tornar a indústria mais sustentável, eficiente e competitiva em um cenário de pressão ambiental, energética e econômica”, destaca.
Neste contexto, De Conto vê que tecnologias ligadas à captura de carbono, à eficiência térmica e à economia circular tendem a ganhar cada vez mais espaço.
Transformação digital: automações e IA
Para De Conto, o Semtec 2026 mostrou que a indústria brasileira de cimento e cal está avançando de forma consistente na transformação digital. “A indústria 4.0 já está chegando às plantas por meio de automação avançada, sensores online, monitoramento em tempo real e sistemas inteligentes de controle de processo. Os debates mostraram que as fábricas estão buscando operações cada vez mais eficientes, previsíveis e sustentáveis, utilizando análise de dados e otimização operacional para reduzir o consumo energético, aumentar a produtividade e diminuir emissões”, comenta.
“O uso de sensores online, análise de dados em tempo real e inteligência artificial permite prever falhas, reduzir paradas não programadas e otimizar o desempenho dos fornos e moinhos. Além disso, sistemas digitais de controle ajudam as plantas a operar com maior estabilidade, menor consumo energético e mais produtividade, tornando a manutenção mais preventiva e estratégica. Da mesma forma, automação e controle inteligente de processo ajudam as fábricas a operar com menor consumo energético e maior eficiência”, explica De Conto.
Fontes
Tiago Couto é diretor da Densit do Brasil, empresa responsável pela realização do SEMTEC.
Douglas de Conto é assessor técnico da Cimento Itambé, Engenheiro Civil – UNIFACEAR e Tecnólogo em Concreto – UTFPR. Especialista em Patologia nas Obras Civis – IDD, possui mais de 15 anos de atuação na área da construção civil, com foco em tecnologia do concreto. Consultoria técnica de campo em concreteiras, indústrias de pré-fabricados e fabricantes de artefatos de concreto. Diagnóstico e análise de manifestações patológicas em estruturas. Desenvolvimento de soluções técnicas aplicadas à durabilidade e desempenho do concreto.
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Uso do concreto aparente cresce em projetos voltados à eficiência térmica e integração urbana
O concreto deixou de ocupar apenas a função estrutural das edificações para assumir protagonismo estético e funcional na arquitetura contemporânea. Em projetos de diferentes escalas, o material vem sendo associado a tendências que valorizam desempenho térmico, durabilidade, racionalização construtiva e integração entre arquitetura e cidade. Nesse contexto, destacam-se a arquitetura bioclimática e a retomada da linguagem brutalista.
A valorização do concreto aparente não é recente, mas ganhou novo impulso nos últimos anos. Segundo a engenheira da Geplan, Natália Smaniotto Bach, esse movimento teve início ainda no modernismo, quando arquitetos passaram a explorar o concreto não apenas como solução estrutural, mas também como elemento de expressão estética. “O concreto aparente começou a ser valorizado por sua aparência crua e sua capacidade de criar formas inovadoras. Depois, ganhou destaque no movimento brutalista, que enfatizava a honestidade dos materiais e formas robustas”, afirma.
A linguagem brutalista, difundida internacionalmente sobretudo entre as décadas de 1950 e 1970, voltou a influenciar projetos contemporâneos, especialmente em edifícios culturais, corporativos e residenciais de alto padrão. Caracterizada pela exposição da estrutura, pela valorização das formas geométricas e pela ausência de revestimentos convencionais, essa vertente faz na materialidade parte central da identidade arquitetônica.

No Brasil, obras como o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, de Paulo Mendes da Rocha, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, de Vilanova Artigas, e o Sesc Pompeia, de Lina Bo Bardi, são referências do uso do concreto aparente como expressão arquitetônica permanente.
Menos revestimentos e maior durabilidade
Além do aspecto visual, o concreto aparente vem sendo adotado também por razões técnicas e econômicas. Ao eliminar etapas como reboco, massa corrida e pintura, o sistema reduz o consumo de materiais, simplifica o cronograma executivo e diminui a geração de resíduos. “A principal vantagem do concreto aparente está na redução ou eliminação dos revestimentos convencionais, uma vez que o próprio elemento estrutural passa a constituir o acabamento final da edificação”, explica Natália.
Essa característica também reduz interfaces entre equipes de obra, diminui retrabalhos e pode reduzir custos futuros de manutenção. “O concreto aparente não demanda repinturas frequentes nem substituição de revestimentos destacáveis. As manutenções normalmente se restringem à limpeza e tratamentos pontuais”, afirma.
Outro fator que impulsiona o uso do material é a durabilidade. Quando corretamente especificado e executado, o concreto apresenta elevada resistência mecânica, bom desempenho frente à umidade e ao desgaste natural, além de maior estabilidade estética ao longo do tempo.
Arquitetura bioclimática impulsiona novas aplicações

O concreto também ganhou espaço em projetos de arquitetura bioclimática, modelo que busca adaptar as edificações às condições climáticas locais para ampliar o conforto térmico e reduzir o consumo energético.
Nesse contexto, a inércia térmica do concreto passou a ser utilizada estrategicamente para minimizar oscilações de temperatura nos ambientes internos. A arquiteta e urbanista Paula Morais explica que esse desempenho está diretamente relacionado às características e às necessidades específicas de cada projeto. “A arquitetura bioclimática fundamenta-se na utilização de elementos que auxiliam diretamente na eficiência energética da edificação, controlando variáveis conforme a necessidade climática. O concreto armado apresenta-se como um aliado estratégico pela sua inércia térmica, que auxilia na regulação das temperaturas internas”, destaca.
Ela aponta que estratégias passivas relacionadas à incidência solar, ventilação e microclima urbano têm orientado soluções arquitetônicas mais integradas ao espaço público e ao território. “É preciso respeitar as particularidades de implantação e o microclima específico de cada projeto”, ressalta.
A arquiteta também observa que o concreto é um sistema construtivo amplamente difundido e acessível. Sua ampla aceitação deve-se ao fato de ser um sistema de fácil manuseio e de conhecimento popular na hora da execução.
Integração entre cidade e edifícios
A discussão sobre sustentabilidade e desempenho urbano também tem aproximado a arquitetura bioclimática do planejamento dos espaços públicos. Em projetos contemporâneos, áreas de convivência, fachadas ativas e ambientes de fruição coletiva passaram a ser incorporados ao desenho arquitetônico como forma de estimular circulação de pessoas e ampliar a sensação de segurança urbana.
A proposta busca criar edificações que dialoguem com o entorno urbano, favorecendo o uso coletivo dos espaços e reduzindo barreiras físicas entre cidade e arquitetura.
Nesse cenário, o concreto segue como um dos materiais mais presentes nas novas soluções arquitetônicas. Seja pela estética, pela durabilidade ou pelo desempenho térmico, o ele consolida sua presença em projetos que priorizam eficiência construtiva, sustentabilidade e integração urbana.
Entrevistados
Natália Smaniotto Bach é engenheira civil, mestra em Engenharia Civil na área de Construção Civil e pós-graduanda em Gestão de Projetos, com oito anos de experiência na coordenação e compatibilização de projetos multidisciplinares, atuando na integração entre arquitetura e engenharia, com foco em soluções técnicas, resolução de interferências e cumprimento de prazos. Atualmente, é engenheira da Geplan.
Paula Morais é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com especialização em Meio Ambiente e Arquitetura Bioclimática pela Universidad Politécnica de Madrid e MBA em Administração e Gestão de Incorporações e Construções Imobiliárias pela FGV. Fundadora do Estudio Convexo, aplica e estudos de clima e desempenho ambiental aos projetos que desenvolve, com foco em eficiência térmica, respeito ao território e sustentabilidade.
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IBGE aponta aumento de pessoas morando sozinhas e setor da construção civil investe em moradias funcionais
O retrato mais recente dos domicílios brasileiros divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma uma mudança no perfil das famílias do país. Hoje, um em cada cinco lares brasileiros é ocupado por apenas uma pessoa. O fenômeno, que já vinha sendo percebido pelo mercado imobiliário, tem provocado transformações nos projetos residenciais e nas estratégias da construção civil.
Ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas morando sozinhas, o país também registra aumento dos imóveis alugados e desafios ligados à infraestrutura urbana, como a falta de saneamento em parte das moradias. Para especialistas do setor, o cenário aponta para uma demanda cada vez maior por empreendimentos compactos, funcionais e localizados próximos aos centros urbanos.
Segundo Adalberto Scherer, diretor comercial da Cibraco Imóveis, o movimento acompanha mudanças sociais observadas em diversos países. “A pesquisa do IBGE simplesmente reflete uma tendência mundial. Hoje as pessoas têm menos filhos, são menos patrimonialistas e procuram muito mais uma qualidade de vida individual”, afirma.

De acordo com ele, fatores como envelhecimento da população, mudanças nas relações familiares e a busca por praticidade têm alterado o perfil de consumo imobiliário. “As pessoas querem ter facilidade na vida delas. E a construção vem se adaptando rapidamente, montando empreendimentos menores e que ofereçam bastante prestação de serviço para os moradores”, diz.
Apartamentos compactos se tornam protagonistas
O crescimento dos chamados domicílios unipessoais acelerou a procura por studios e apartamentos compactos, principalmente em regiões urbanas com boa oferta de serviços e mobilidade. Para Gustavo Selig, CEO do Grupo Hestia, o mercado precisou rever conceitos tradicionais de moradia. “Os dados mais recentes do IBGE só chancelam o que a gente já via no canteiro de obras. Esse salto das unidades unipessoais nos últimos anos é um fenômeno urbano consolidado”, afirma.
Segundo ele, imóveis entre 20 e 45 metros quadrados passaram a ocupar posição de destaque nos lançamentos imobiliários. “O boom dos studios e microapartamentos não é um modismo passageiro, mas uma resposta direta a esse novo perfil de morador que prioriza praticidade e eficiência no cotidiano”, explica.
A mudança não se limita ao tamanho dos imóveis. Os empreendimentos passaram a incorporar soluções para otimização dos espaços internos, integração tecnológica e ampliação das áreas compartilhadas. “A engenharia de produto hoje trabalha com plantas super funcionais e otimização máxima do espaço, prevendo marcenaria inteligente para que o morador tenha tudo sem aperto”, afirma Selig.
Áreas comuns ganham importância
Com unidades menores, as áreas comuns passaram a ter papel estratégico nos empreendimentos. Segundo Selig, a lógica atual do mercado combina metragem reduzida com oferta ampliada de serviços dentro do condomínio. “Se a área privativa é menor, o condomínio precisa compensar com áreas comuns robustas, como coworking, lavanderia coletiva, academia e espaços de convivência”, afirma.
A localização também se tornou um fator decisivo. Imóveis próximos ao trabalho, ao transporte coletivo e a centros comerciais tendem a atrair mais esse público, que busca reduzir deslocamentos e ganhar tempo na rotina.
Outro aspecto valorizado é a tecnologia integrada aos empreendimentos. Sistemas automatizados, fechaduras biométricas e infraestrutura para veículos elétricos passaram a fazer parte dos novos projetos voltados ao público urbano.
Envelhecimento da população cria novas demandas
O aumento de mulheres acima dos 60 anos vivendo sozinhas também tem levado construtoras a desenvolver projetos voltados à autonomia e segurança desse público.
Segundo Selig, o conceito conhecido como “senior living” vem ganhando espaço no Brasil, mas com uma proposta diferente dos modelos tradicionais de moradia assistida. “Elas não buscam um ambiente com cara de clínica, mas sim um lar moderno que ofereça segurança e independência”, afirma.
Entre as adaptações presentes nos novos empreendimentos estão pisos antiderrapantes, iluminação automatizada, portas mais largas e sistemas de monitoramento integrados à arquitetura.
Além da acessibilidade, os projetos também apostam em espaços de convivência e serviços sob demanda. “Serviços como limpeza contratada e pequenos reparos ajudam a manter a autonomia e permitem que a moradora tenha mais controle sobre a própria rotina”, destaca.
Mercado vê oportunidade de expansão
Para o setor da construção civil, a mudança no perfil demográfico representa uma oportunidade de expansão em diferentes segmentos. Além dos compactos de alto padrão, o mercado também observa crescimento de projetos voltados à longevidade e à moradia acessível. Selig afirma que já existem empreendimentos privados e iniciativas habitacionais públicas focadas exclusivamente na população acima de 60 anos, com estruturas adaptadas para garantir segurança, saúde e convivência social.
Já para Adalberto Scherer, a tendência deve continuar nos próximos anos, impulsionada pelas transformações sociais e pelo envelhecimento da população brasileira. “Em breve teremos mais idosos do que jovens no Paraná. A construção civil percebeu isso e passou a desenvolver unidades menores, mais funcionais e próximas dos centros urbanos”, afirma.
O avanço das moradias unipessoais mostra que o conceito de habitação no Brasil está em transformação. Mais do que metragem, os novos consumidores buscam praticidade, mobilidade, segurança e qualidade de vida. E o setor da construção civil já começou a adaptar seus projetos a essa nova realidade.
Entrevistados
Adalberto Scherer Filho é graduado em Administração de Empresas pela FAE e Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba. Especialista em Marketing pela FAE). Atua há 30 anos como diretor executivo da Cibraco Imóveis.
Gustavo Selig é engenheiro civil graduado pela PUC-PR, mestre em Administração de Empresas e Negócios pela FGV-PR. Cofundador e presidente do Grupo Hestia, atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário paranaense.
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Como fazer a interpretação técnica em ensaios de concreto?
Em ensaios de concreto, interpretar corretamente um resultado é tão importante quanto executá-lo. A análise isolada de um valor de resistência à compressão pode resultar em interpretações incompletas sobre a qualidade do material. O ACI 214R-11 – Guide to Evaluation of Strength Test Results of Concrete propõe uma leitura mais robusta e ampla: os resultados devem ser avaliados considerando média, dispersão, tendência e coerência estatística.

Embora o documento tenha como foco principal a resistência à compressão, seus fundamentos são aplicáveis a outros controles tecnológicos do concreto. A lógica central é: um resultado individual informa pouco; uma série de resultados bem amostrada e tecnicamente interpretada revela a estabilidade do processo.
O resultado de resistência é consequência de toda a cadeia de ensaio
O ACI 214R-11 reforça que a resistência obtida em corpos de prova moldados, curados e rompidos sob condições padronizadas representa o desempenho do concreto ensaiado, e não diretamente a resistência in situ da estrutura.
Por isso, antes de interpretar um resultado baixo como problema do material, é necessário avaliar a confiabilidade do dado: a amostragem foi representativa? A moldagem foi adequada? A cura inicial foi preservada? Houve excentricidade, falha de retífica, tipo de neoprene ou anomalia durante a ruptura?
Na prática, o resultado reflete a combinação entre concreto produzido, amostragem, preparo dos corpos de prova e execução do ensaio. Qualquer desvio nessa cadeia pode comprometer sua interpretação.
Figura 1: Curvas de frequência normal para três distribuições diferentes com a mesma média, mas variabilidade diferente.

Fonte: Baseado no ACI 214R-11
Variabilidade: entender a origem é essencial
O ACI 214R-11 diferencia duas fontes principais de variação:
Variação entre lotes, associada às oscilações reais do processo produtivo, como alterações nos materiais, na relação água/materiais cimentícios, na mistura, no transporte ou na uniformidade da carga.
Variação dentro do mesmo ensaio, relacionada principalmente à amostragem, moldagem, cura e ruptura dos corpos de prova.
Essa distinção tem efeito direto no diagnóstico técnico. Diferenças elevadas entre corpos de prova de uma mesma amostra tendem a indicar fragilidade no procedimento de ensaio. Já oscilações relevantes entre médias de ensaios sucessivos podem sinalizar instabilidade do concreto produzido. Portanto, a dispersão dos resultados não deve ser tratada apenas como “variação natural”. Ela é um indicador de controle — ou de perda dele.
Amostragem representativa: a base de qualquer análise confiável
O ACI 214R-11 ressalta que a validade da análise estatística depende de amostragem representativa e aleatória. Quando a coleta é feita por conveniência ou sem critério técnico, cria-se um viés que compromete toda a avaliação posterior. Em termos práticos, não existe interpretação estatística confiável construída sobre uma amostragem inadequada.
Tendência importa – e muito
A análise técnica não deve observar apenas se um resultado atende ou não a um limite. É necessário verificar também a tendência do processo ao longo do tempo.
Uma sequência gradual de redução da resistência, mesmo ainda acima da especificação, pode indicar deslocamento da média e perda progressiva de robustez. O ACI 214R-11 reconhece o uso de ferramentas como cartas de controle justamente para identificar esse tipo de comportamento antes que ele se converta em não conformidade.
Essa leitura preventiva amplia o valor do controle tecnológico: os ensaios deixam de ser apenas uma verificação documental e passam a funcionar como instrumento de diagnóstico, previsibilidade e tomada de decisão.
Figura 2: Resultados de resistência mecânica

Fonte: Baseado no ACI 214R-11
Interpretar resultados é controlar o processo
A principal contribuição do ACI 214R-11 está em transformar a resistência do concreto em informação de processo. Um resultado tecnicamente interpretado deve responder a perguntas objetivas:
- O dado é confiável?
- A dispersão está compatível com o histórico?
- Há tendência de deslocamento da média?
- A variabilidade vem da produção ou do ensaio?
Quando essas perguntas fazem parte da rotina de controle, a análise de resultados se torna mais precisa, reduz decisões precipitadas e fortalece a segurança técnica do processo.
Para mais informações e para implementar estes conceitos na rotina de controle tecnológico, clientes podem consultar a equipe de Assessoria Técnica da Itambé!

Referências:
ACI 214R-11 – Guide to Evaluation of Strength Test Results of Concrete.
Autor
Guilherme Bessornia
Coordenador de Assessoria Técnica na Cia. de Cimento Itambé, Engenheiro Químico pela Universidade de Sorocaba, especialista em Engenharia de Materiais pela Universidade de Mogi das Cruzes e mestrando em Ciência e Tecnologia de Materiais pela Universidade Estadual Paulista. Possui 12 anos de experiência em materiais cimentícios e químicos para construção civil, com atuação em consultoria técnica de campo e nos segmentos de pré-fabricados, artefatos de cimento, infraestrutura, fibrocimento, argamassa e concreteiras.
Contato
guilherme.bessornia@cimentoitambe.com.br
Revisão
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Abcic inaugura Regional Sul em Florianópolis (SC)
No dia 7 de maio, a Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic) inaugurou sua Regional Sul, sediada em Florianópolis (SC). O evento reuniu associados, arquitetos, engenheiros, construtoras e convidados do setor.
Durante o evento, aconteceu o Encontro Regional Sul, aberto pela engenheira Íria Doniak, presidente executiva da Abcic, e por Felipe Cassol, diretor da Regional Sul. Ambos ressaltaram a relevância da criação de uma sede regional para fortalecer o associativismo e ampliar a representatividade da entidade junto às empresas e profissionais da cadeia da construção industrializada.
A nova regional terá papel estratégico na identificação das demandas e desafios específicos da região, contribuindo para o desenvolvimento de ações voltadas às necessidades técnicas, tecnológicas e mercadológicas dos associados, além de fomentar oportunidades de expansão, inovação e negócios.
Na apresentação, Felipe Cassol também destacou que esta regional tem como objetivo promover o desenvolvimento do setor de pré-fabricado de concreto e a difusão desse sistema construtivo e da industrialização da construção. “Queremos integrar a cadeia do pré-fabricado de concreto junto aos seus públicos de interesse, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da industrialização da construção, por meio de ações e atividades técnicas, setoriais, de conhecimento, de normalização, formação e qualificação de pessoas, institucionais e acadêmicas”, afirmou.

Crédito: Abcic
Ao todo, são 18 fabricantes, 21 fornecedores de produtos e equipamentos (incluindo a Cimento Itambé), 8 fornecedores de serviços e 33 profissionais técnicos associados à Regional Sul da Abcic.
Mercado imobiliário de Santa Catarina
A programação incluiu ainda uma palestra de Marcelo Brognoli, presidente do Creci-SC, que apresentou uma análise do mercado imobiliário catarinense, seus desafios e oportunidades. Para Brognoli, o mercado imobiliário catarinense movimenta a economia, atrai investimentos, gera empregos e transforma cidades. Nesse cenário, ele aponta que o corretor de imóveis exerce um papel estratégico, contribuindo para um ambiente cada vez mais profissional, seguro e preparado para o futuro.
Durante a apresentação, ele destacou que Santa Catarina vive um momento histórico e mostrou dados: 94% de crescimento em lançamentos; R$ 41,9 bilhões de VGV em 2024, um crescimento de 108% sobre 2021; e 65% dos lançamentos do Sul entre 2024 e 2025. A fonte é de uma pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com a BRAIN, de julho de 2025.
Grupos de trabalho
A Abcic apresentou ainda sua estrutura de planejamento estratégico, organizada em cinco grupos de trabalho (GTs), com foco em fortalecimento institucional, desenvolvimento técnico, sustentabilidade e inovação. A iniciativa busca ampliar a atuação da entidade, fortalecer o relacionamento com os associados e impulsionar novas oportunidades para o setor da construção industrializada em concreto.
GT01 – Valorização da associação e dos associados
O grupo tem como objetivo fortalecer a marca e a representatividade da associação, promovendo iniciativas voltadas à valorização dos associados e ao incentivo às melhores práticas do mercado. Entre as prioridades estão o fortalecimento do selo da entidade, a promoção da Abcic, o estímulo à aderência às normas técnicas e a criação de políticas de associação, retenção e desenvolvimento dos membros.
O GT também prevê ações para reduzir barreiras de entrada, ampliar o engajamento dos associados e estruturar trilhas de desenvolvimento profissional.
GT02 – Estrutura executiva
Voltado ao fortalecimento institucional e financeiro da entidade, o GT de Estrutura Executiva trabalha na implementação de um novo modelo operacional para a associação. Entre os objetivos estão a separação das funções institucionais das associativas, a redefinição do modelo de operação sustentável e a criação de um plano de transição financeira.
O grupo também discute a modernização do estatuto, a atualização do Selo de Excelência e o desenvolvimento de um modelo regionalizado de atuação, ampliando os canais de comunicação, atendimento e prestação de serviços aos associados.
GT03 – Edifícios altos
Com foco no desenvolvimento técnico e na expansão da cadeia de valor, o GT de Edifícios Altos atua na elaboração de conteúdos técnicos voltados à construção vertical industrializada. Entre as ações previstas estão a tradução do manual da fib, o desenvolvimento de um manual de construção de edifícios altos e a criação de diretrizes para contratação nesse segmento.
GT04 – Sustentabilidade
A sustentabilidade aparece como um dos pilares estratégicos da entidade. O GT trabalha na construção de um roadmap de sustentabilidade, no estímulo ao selo de sustentabilidade em nível 3 e na implementação das DAPs (Declarações Ambientais de Produto), alinhadas às normas internacionais e brasileiras.
As ações contemplam diferentes sistemas construtivos, como lajes, painéis, pilares, vigas e estacas, além da emissão de DAPs para associados.
GT05 – Desenvolvimento do portal de serviços de conteúdo
O quinto grupo de trabalho é dedicado à criação de um portal de serviços e conteúdo para o setor. A proposta inclui a definição de um modelo de parcerias e viabilização financeira, além do planejamento e desenvolvimento da plataforma.
O portal deverá reunir conteúdos organizados por eixos temáticos, categorias e gestão do conhecimento, incorporando recursos como gamificação. O projeto prevê inicialmente um MVP (produto mínimo viável), seguido por expansão gradual da plataforma.
Fontes
Felipe Cassol é engenheiro e diretor da Regional Sul da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).
Marcelo Brognoli é presidente do Creci-SC.
Íria Lícia Oliva Doniak, engenheira civil, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) e presidente da fib – International Federation of Structural Concrete (2025-2026).
Contatos
Abcic: sylvia@meccanica.com.br
Creci-SC: claudio.pizarro@creci-sc.gov.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Especialistas alertam para impacto do uso do FGTS
A proposta do governo de permitir o uso de parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para renegociação de dívidas, medida que vem sendo chamada de Desenrola 2, reacendeu o debate sobre os limites de utilização dos recursos do fundo e os possíveis impactos sobre o financiamento habitacional no Brasil. A medida prevê a liberação até 20% do saldo disponível no FGTS, limitada a R$ 1 mil por trabalhador, para renegociação de débitos.
Embora seja vista como alternativa para aliviar o orçamento de trabalhadores endividados, representantes do setor da construção civil e economistas avaliam que a retirada de recursos do FGTS pode comprometer a capacidade de financiamento da habitação popular e reduzir investimentos ligados ao setor.
Estudo do Departamento da Indústria da Construção e Mineração da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estima que, caso os R$ 8,2 bilhões deixem de ser destinados aos financiamentos habitacionais, o impacto potencial poderá chegar à redução de 36,1 mil unidades habitacionais e de 189,2 mil postos de trabalho.
Alívio financeiro imediato
Para o coordenador do curso de Ciências Econômicas e do Global Economics Program da FAE Centro Universitário, Guilherme Moura, a medida pode trazer benefícios pontuais para trabalhadores endividados. “O trabalhador se vê endividado e, ainda assim, impossibilitado de utilizar recursos próprios depositados no fundo para quitar suas obrigações. Como consequência, acaba arcando com juros elevados, mesmo dispondo de capital, ainda que indisponível”, afirma.

Crédito: Envato
Segundo ele, utilizar o próprio saldo do FGTS para pagamento de dívidas pode reduzir o comprometimento financeiro das famílias, sobretudo em um cenário de juros elevados praticados no mercado. “Ao recorrer ao próprio recurso, o trabalhador consegue reduzir encargos financeiros, evitando a incidência de juros e sem contrair novos compromissos”, explica.
Construção civil teme redução de recursos
Criado em 1966, o FGTS surgiu com o objetivo de formar uma reserva financeira para trabalhadores demitidos sem justa causa. Ao longo das décadas, porém, o fundo passou a financiar também programas habitacionais, obras de saneamento e mobilidade urbana. “O FGTS vem sendo, ao longo do tempo, direcionado para múltiplas finalidades, evoluindo além de sua função original de proteção ao trabalhador em caso de desligamento”, afirma Moura. Atualmente, além do financiamento imobiliário, o fundo também permite modalidades como saque-aniversário, uso como garantia de empréstimos e liberações extraordinárias em situações específicas, como calamidades públicas.
Para entidades ligadas à construção civil, a ampliação dessas possibilidades pode reduz a capacidade de investimento do fundo em habitação popular. O presidente da Câmara Brasileira da Construção Civil, Renato Correia, afirma que o FGTS é hoje a principal fonte de financiamento da habitação de interesse social no país. “É a única fonte de recurso ou quase a maior parte dos recursos para fazer frente a esse direito fundamental da habitação”, afirma.
Dados da CBIC mostram que os financiamentos com recursos do FGTS somaram R$ 32,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de quase 22% em relação aos R$ 26,7 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. No total, 142.455 unidades foram financiadas entre janeiro e março deste ano.
Dessa maneira, retirar recursos do fundo pode reduzir diretamente o número de moradias financiadas. “Com 10 bilhões, o Faixa 1 comprometeu-se a contratar 65 mil unidades. Com 8 bilhões, seriam aproximadamente 50 mil unidades”, explica.
Ele ressalta que a preocupação do setor não se limita ao valor envolvido, mas ao direcionamento dos recursos do fundo. “É uma questão de princípio a defesa do uso do FGTS para aquilo que ele se destina, que é salvaguardar o trabalhador e financiar habitação, mobilidade e saneamento”, declara.
Mercado imobiliário sob pressão
O debate ocorre em um momento de forte demanda por crédito imobiliário. Mesmo com juros elevados, o mercado imobiliário segue aquecido no país. Segundo Guilherme Moura, o FGTS desempenha papel estratégico nesse cenário ao permitir financiamentos com taxas menores para famílias de média e baixa renda. “Os recursos do fundo permitem a oferta de crédito com taxas de juros inferiores às praticadas no mercado, tornando-se um instrumento central para a aquisição da casa própria”, afirma.
O economista observa, porém, que já há sinais de limitação nos recursos disponíveis. “Essa limitação se reflete, por exemplo, em atrasos na liberação de financiamentos, especialmente em instituições como a Caixa Econômica Federal”, explica. Por isso, o direcionamento de recursos para novas finalidades pode ampliar as dificuldades de acesso ao crédito imobiliário. “Parte dos consumidores acaba recorrendo a outras linhas de crédito disponíveis no mercado, frequentemente com custos mais elevados”, conclui.
Entrevistados
Renato Correia é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Guilherme Moura é doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do Curso de Ciências Econômicas e do Global Economics Program (GEP) na FAE Centro Universitário.
Contato
imprensa@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Tetrápodes reforçam proteção e durabilidade em áreas costeiras
A revitalização da orla de Matinhos (PR), concluída em 2025, utilizou sistemas de tetrápodes em diferentes trechos da obra de contenção costeira.
“Os tetrápodes são blocos de concreto pré-moldados utilizados como camada de proteção em obras costeiras. Seu formato com quatro braços permite que as peças se encaixem de forma irregular, formando uma estrutura estável e permeável. Esse sistema funciona dissipando a energia das ondas. Em vez de refletir a onda, como acontece em estruturas rígidas, os tetrápodes permitem a passagem parcial da água, reduzindo a força do impacto sobre a estrutura e ajudando no controle da erosão costeira. Eles integram um sistema maior de proteção, composto por núcleo, camadas filtrantes e camada externa (carapaça), garantindo estabilidade e eficiência hidráulica”, explicam Gabriel Spuldaro, engenheiro civil e coordenador de obras da GEPLAN, e Issac Vitorino, engenheiro civil da GEPLAN.
Na revitalização da orla de Matinhos, foram utilizados tetrápodes na Praia Brava (340 peças), Flórida (681), Riviera (681), Rio Matinhos Norte (469), Paraná Sul (1.241) e Rio Matinhos Sul (1.259). As peças empregadas têm cerca de 3 metros de altura e 4,3 metros cúbicos de volume, pesando, cada uma, entre 10 e 12 toneladas.
De acordo com Spuldaro e Vitorino, a solução com tetrápodes foi adotada por apresentar melhor desempenho em regiões sujeitas a ondas de alta energia e ocorrência de ressacas.
Em comparação a outras técnicas, como enrocamento simples, muros ou geobags, os engenheiros da GEPLAN enumeram as vantagens dos tetrápodes:
- maior capacidade de dissipação de energia
- maior estabilidade estrutural
- menor risco de deslocamento
- maior durabilidade em ambiente marinho
“Essa escolha prioriza segurança, eficiência e desempenho a longo prazo”, pontuam.
Critérios para uso de tetrápodes na Orla de Matinhos
De acordo com Spuldaro e Vitorino, os principais critérios para adoção do sistema foram:
- energia das ondas e intensidade das ressacas
- estabilidade hidráulica da estrutura
- controle da erosão costeira

“O dimensionamento dos blocos foi feito para resistir às forças atuantes, garantindo que permaneçam estáveis mesmo em condições severas. Aspectos como custo e execução foram considerados, mas o fator determinante foi o desempenho técnico”, justificam Spuldaro e Vitorino.
Os tetrápodes possuem um custo inicial mais elevado em relação a soluções mais simples, como enrocamento ou geobags, segundo Spuldaro e Vitorino. “No entanto, a maior densidade das peças — proporcionada, inclusive, pelo uso de magnetita — aumenta a estabilidade e reduz a necessidade de manutenção, resultando em melhor desempenho e maior durabilidade ao longo do tempo”, sugerem.
Tipo de concreto
No caso da obra de Matinhos, foi utilizado concreto de alta resistência (não UHPC), com fck da ordem de 40 MPa, adequado para ambientes marinhos agressivos (locais próximos ao mar onde as estruturas de concreto ficam expostas a condições que aceleram sua deterioração, como maresia, ondas, vento, cloretos presentes no sal, entre outros).
“Este material atende plenamente às exigências estruturais e de durabilidade desse tipo de obra. O concreto apresenta elevada trabalhabilidade, com alta fluidez, permitindo o correto preenchimento das formas e garantindo qualidade das peças. Para isso, são empregados aditivos como plastificantes ou superplastificantes. Um diferencial importante é o uso de magnetita como agregado, que aumenta a densidade do concreto. Isso torna os tetrápodes mais pesados e, consequentemente, mais estáveis frente à ação das ondas, reduzindo o risco de deslocamento”, destacam Spuldaro e Vitorino.
Construção industrializada
Os tetrápodes são produzidos de forma industrializada, em ambiente controlado, garantindo padronização, qualidade e maior rigor no controle do processo produtivo. Posteriormente, após a fabricação e período de cura, as peças são transportadas por carretas especiais até o canteiro de obras. “No local, são movimentadas e posicionadas com o uso de guindastes ou equipamentos de grande porte”, relatam os engenheiros Spuldaro e Vitorino.
Por fim, o assentamento é feito de forma controlada, buscando o intertravamento entre os blocos, o que é essencial para garantir a estabilidade da estrutura e sua eficiência hidráulica.
Desafios de execução em obras costeiras
De acordo com Spuldaro e Vitorino, os principais desafios de execução em obras costeiras estão:
- condições variáveis do mar e do clima
- necessidade de trabalhar com janelas operacionais limitadas
- logística de transporte e manuseio de peças pesadas
- execução em terreno instável (areia e zona de arrebentação)
- precisão no posicionamento das estruturas
“Além disso, é comum a necessidade de ajustes durante a execução para garantir o desempenho final da obra”, concluem os engenheiros.
Fontes
Gabriel Spuldaro é engenheiro civil e coordenador de obras da GEPLAN.
Issac Vitorino é engenheiro civil da GEPLAN.
Contato
geplan@geplangerenciamento.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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