Quão alto podemos construir?

Com 828 metros e 163 andares, Burj Khalifa é o edifício mais alto do mundo atualmente.
Crédito: Burj Khalifa

Atualmente, o Burj Khalifa é considerado o mais alto arranha-céu do mundo, com 828 metros e 163 andares. Na Arábia Saudita, a Torre de Jeddah começou a ser construída com a promessa de superar os mil metros de altura. Sua construção ficou paralisada durante cinco anos e foi retomada em 2023. Outro edifício que também foi criado com o intuito de superar o Burj Khalifa foi o Dubai Creek Tower – só que assim como a Torre de Jeddah, teve suas obras paradas e a previsão é de que sejam retomadas em 2024. 

Aqui no Brasil, os números são mais modestos – o edifício mais alto fica em Balneário Camboriú (SC), o One Tower, e conta com 290 metros de altura e 84 pavimentos. 

Com tantos arranha-céus surgindo pelo mundo, a pergunta que fica é: o quão alto é possível construir? No entanto, a resposta para isso não é tão simples e depende de vários fatores. E, além disso, há que levar em consideração que, conforme as tecnologias evoluem, é possível aumentar a altura dos prédios. “Em 1890, um prédio com 10 pavimentos foi considerado o primeiro arranha-céu”, lembra Luiz Roberto Prudêncio Junior, professor e doutor em Engenharia Civil, além de sócio proprietário da PWD – Consultoria em Concretos.

Tipos de base

Um dos principais fatores que vai influenciar no tamanho do prédio é a largura de sua base. De acordo com Prudêncio, existem basicamente duas linhas de edifícios altos sendo construídas no mundo. A primeira segue o padrão China/Dubai, que normalmente são edifícios que têm uma grande base. “A planta baixa do térreo destes prédios ocupa uma quadra inteira ou até mais. Isso faz com que as cargas do edifício se distribuam por uma área bem maior. Então, é possível fazer prédios altos, mas a resistência que eu vou precisar na estrutura embaixo, do concreto, não é absurda”, explica Prudêncio. 

Outra linha é dos prédios presentes nos Estados Unidos, principalmente em Chicago e Nova York. Eles são parecidos com os prédios que temos aqui na região de Balneário Camboriú. “São terrenos pequenos, ou seja, a planta baixa dele é pequena em relação à altura. Então a esbeltez desse prédio é muito elevada. Isso vai causar dois problemas: o primeiro deles é o excesso de carga nas fundações e nos primeiros pavimentos. Então, será necessário um concreto com fck (resistência característica à compressão) de 100 MPa ou até mais para conseguir fazer um edifício”, pontua Prudêncio. 

Principais desafios na construção de arranha-céus

Projeto da Jeddah Tower prevê edifício com mais de mil metros de altura; obra foi paralisada e retomada.
Crédito: Jeddah Economic Company

Construir edifícios altos envolve uma série de desafios:

Estrutura e resistência

De acordo com Prudêncio, o primeiro grande desafio da altura é essa relação de resistência no concreto para os pavimentos inferiores. “Tem um limite – até quanto pode chegar um concreto? Existem estudos em laboratório e em algumas obras, em que se fala em 150 MPa ou até mais, mas isso em laboratório. Na hora de fazer um concreto, já começa a ficar muito difícil atingir esta resistência quando ele é produzido em central dosadora. Uma coisa é fazer isso em um laboratório, onde tudo é muito preciso. Outra é em uma central, onde existe uma variação natural dos materiais componentes – da brita, da areia, do cimento, etc. Haverá uma variabilidade muito alta que vai dificultar a obtenção de resistência muito elevada”, comenta Prudêncio. 

Em Balneário Camboriú, por exemplo, Prudêncio conta que os edifícios que possuem maior demanda por resistência estão solicitando 70 MPa

Bombeabilidade

Outro grande desafio ao trabalhar com concretos de alta resistência é o fato de que eles precisam ser produzidos com uma quantidade de cimento muito elevada e baixa quantidade de água. “Isso faz com que o concreto tenha uma viscosidade muito alta. Isso atrapalha bastante a bombeabilidade desse material. Não é como um concreto comum de 40-50 MPa. Ele fica tão pesado e viscoso que se torna difícil bombear em grandes alturas”, define Prudêncio. 

Módulo de elasticidade

Uma terceira dificuldade ao construir prédios altos é a questão do módulo de elasticidade desses concretos. “Em edifícios altos, como estes de Balneário em que o índice de esbeltez é muito elevado, o esforço lateral do vento impõe deformações grandes. Para combatê-las, é preciso trabalhar na inércia das peças e no módulo de elasticidade deste concreto”, lembra Prudêncio. 

De acordo com o professor, na região de Santa Catarina, por exemplo, o maior módulo de elasticidade que é possível encontrar comercialmente é na faixa de 40 GPa. “Acima disso, já precisa ter um conjunto de agregados de grande módulo, britas especiais e todo um esforço para reduzir a quantidade de pasta do cimento às custas de um aditivo superplastificante e de grande eficiência. Isso deve ter um grande comprometimento na reologia do concreto (ciência que estuda a relação entre os esforços e a deformação do material). Para fazer um módulo elevado, novamente, não é possível colocar cimento demais. Quando coloco pouca água e muito aditivo, o concreto fica viscoso, difícil de bombear. Então, hoje, a gente já conseguiu aqui na nossa região, em laboratório, módulos acima de 50 GPa. Mas a escala de aplicação em obra tende a ser 42,5 GPa, como num edifício que estamos concretando. É o mais alto módulo que temos hoje aqui na nossa região”, revela Prudêncio. 

Fundações

Dubai Creek Tower tem objetivo de superar Burj Khalifa.
Crédito: Creek Beach Emaar

Outro grande desafio são as fundações desse edifício. “Um edifício desses tem grande carga na base e é necessário que ela seja profunda. Normalmente, será preciso levar essa fundação até a rocha e usar concretos de alta resistência também nas fundações. E essa é uma dificuldade que vamos enfrentar hoje. Em cima destas estacas, há um bloco de coroamento (elemento complementar de fundações profundas). Se for trabalhar com resistências da torre de 100 MPa, será necessário ter no mínimo 70-80 MPa de resistência do concreto no bloco. E são blocos de 5.000 m3 para mais. Isso gera um problema térmico nesse concreto. Será necessário tratar essa dosagem com muita cautela para não ter problema. Provavelmente, será utilizado gelo e nitrogênio líquido para fazer um pré-resfriamento. Pós-resfriamento é uma coisa muito cara e difícil de se fazer, mas são todas as possibilidades para tratar com esse edifício”, justifica Prudêncio. 

Transporte vertical de pessoas e materiais

Algo a se pensar ao construir um arranha-céu é o transporte vertical de pessoas e materiais: como levar armadura, concreto e tijolo lá para cima? São necessários elevadores de grandes dimensões. Também é possível levar o material pela grua, mas em dia de vento, ela começa a balançar e não é possível fazer isso. “Toda a logística de transporte precisa ser muito bem estudada e é muito difícil”, recomenda Prudêncio. 

Revestimento

Nesses edifícios altos, não é possível trabalhar com revestimento argamassado. “É preciso trabalhar com pele de vidro, o que é difícil, ou com fachadas ventiladas. Se for colocado um revestimento, com a movimentação das estruturas, há uma grande chance de desplacamento”, afirma Prudêncio.

Divisórias internas

Outra questão é a parte de divisórias internas. Segundo Prudêncio, tem-se trabalhado mais com gesso acartonado/drywall, justamente para impedir que as movimentações que ocorram nesse edifício causem fissuras e trincas nas paredes de alvenaria. 

Instalações

No caso das instalações hidráulicas e sanitárias em geral, tem-se grandes alturas de queda. “Além disso, é preciso levar a água lá para cima. Onde tiver um tubo de queda de esgoto, é preciso fazer sistemas especiais – não é possível “jogar” algo a partir de 500 metros de altura. Então existe toda uma preocupação quanto às instalações. Tem que ter projetos muito especializados”, comenta Prudêncio. 

Incêndio

Com 290 metros de altura e 84 pavimentos, One Tower é o edifício mais alto do Brasil.
Crédito: FG Empreendimentos

Na parte de incêndio, será preciso trabalhar com sprinkler em todos os andares, para não ter risco de mortes no caso de uma ocorrência. “É necessário também ter um esquema de evacuação eficiente das pessoas”, destaca Prudêncio.

Damper

No caso das estruturas, mesmo que seja utilizada uma com uma robustez adequada, que tem um módulo adequado no concreto, provavelmente será necessário colocar massas, chamadas de damper, em cima da cobertura. 

“Na hora que bate o vento, cria-se um esforço contrário para amortizar o balançar deste edifício. Normalmente, é uma esfera metálica que fica presa com molas e amortecedores ou às vezes até água. Com o vento, aquela massa faz uma força contrária e vai amortizando. Quando não há esse sistema, os prédios balançam bastante e causa um desconforto – é possível ver a água da piscina movimentando e lustres balançando”, argumenta Prudêncio.

Mas afinal, quão alto é possível construir?

Considerando todos esses fatores, qual poderia ser a altura máxima de um edifício hoje? Para Prudêncio, no padrão brasileiro, que trabalha com edifícios mais esbeltos, os 150 pavimentos são o limite. Entretanto, para edifícios com base maior, poderia chegar a 1 km de altura

“Com o conhecimento que temos a respeito dos materiais hoje, acredito que seria algo em torno de 500-600 metros para prédios mais esbeltos e até 1 km para prédios com bases maiores. Pode ser que daqui a 20 anos, este número seja totalmente ultrapassado. Mas hoje e na próxima década, creio que seja isso”, conclui. 

Entrevistado

O professor Luiz Roberto Prudêncio Junior é doutor em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP (com Bolsa sanduiche IRC/NCC - Ottawa). Realizou pós-doutorado na Loughborough University, Inglaterra (2000-2001) e na Universidade da Califórnia – Berkeley (2014-2015). É professor titular emérito do Departamento de Engenharia Civil da UFSC. Sócio proprietário da PWD – Consultoria em Concretos, é consultor de empresas de pré-fabricados, de produção de agregados e de grandes construtoras nacionais na especificação, dosagem e controle de concretos utilizados na infraestrutura e superestrutura de grandes obras, principalmente relacionadas a edifícios altos.

Contato
prudenciouk@hotmail.com

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.


Pesquisa inédita do SindusCon-SP mostra desafios do setor de RH na construção civil

Novo estudo tem como foco o RH das empresas de construção.
Crédito: Envato

Para mapear a área de Recursos Humanos de empresas da construção, o SindusCon-SP lançou uma pesquisa inédita em parceria com a Falconi, chamada Práticas de Gestão de Pessoas na Construção Civil. O estudo surgiu da necessidade de indicadores mais precisos para uma análise melhor do setor.

Apresentado no dia 12 de dezembro, o levantamento traz informações sobre o perfil dos trabalhadores, dados sobre turnover (taxa de rotatividade de colaboradores), remuneração e benefícios, com o intuito de mostrar o panorama atual e colocar em discussão o que pode ser melhorado.

"O principal objetivo é mapear e especialmente acompanhar nas próximas edições como o setor desenvolve e pode aperfeiçoar as suas relações com os seus colaboradores", diz Rodrigo Fairbanks von Uhlendorff, coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP. Já David Fratel, coordenador do Grupo de Trabalho Recursos Humanos (GTRH) do CTQ, afirma que "a análise nos levará a propor ações para tratar a escassez de mão de obra no segmento da construção civil”.

Dados da pesquisa inédita

Ao todo, 123 companhias do Estado de São Paulo participaram da pesquisa. Foram ouvidas empresas de diferentes tamanhos e com modelos de trabalho tanto híbridos quanto presenciais. Segundo os dados, quase metade dos entrevistados apontaram o desenvolvimento de líderes e a capacitação como sendo os principais desafios da área de RH. Ainda em relação ao tema, 46% disseram aplicar trilhas de desenvolvimento em seus processos internos, enquanto 42% garantem realizar programas para formação de liderança.

O SindusCon-SP, nesse sentido, busca fortalecer a área educacional com a realização de cursos rápidos de atualização para os profissionais, diretamente nos canteiros de obras, em convênio com o Senai-SP. Já a plataforma SindusCon-SP na Prática disponibiliza cursos on-line para estagiários e recém-formados.

Fernando Ladeira, vice-presidente da Falconi para soluções de Gestão de Pessoas, durante apresentação da pesquisa.
Crédito: Reprodução/SindusCon-SP

A pesquisa também abordou o absenteísmo (porcentagem de faltas ao trabalho): 54% registram até 2% ao mês, 25% disseram ter entre 2% e 7% mensais e 21% das empresas calculam mais de 7%. Os principais motivos alegados para as faltas são saúde física (36%), questões familiares (15%) e saúde mental (6%), mas vale lembrar que uma em cada quatro empresas afirmaram não realizar o mapeamento dos motivos do absenteísmo.  

Quando o assunto é o turnover, além do custo financeiro, as empresas com alta rotatividade de colaboradores apresentam perda de produtividade e de qualidade de produção, piora no clima e no engajamento, além da sobrecarga dos demais funcionários. 

Na pesquisa inédita, 17% das companhias registram alto índice de turnover voluntário (quando o desligamento é decisão do colaborador), que é acima de 6% ao mês, o que significa aproximadamente 72% ao ano. Já em relação ao turnover involuntário (quando a iniciativa de desligamento parte da empresa), 19% das empresas dizem ter alto índice, acima de 6% ao mês.

No caso do desligamento voluntário, as principais causas são oportunidades de trabalho (43%), remuneração (18%), carreira (14%) e benefícios (7%). No involuntário, os entrevistados responderam desempenho (46%), alinhamento cultural (19%), absenteísmo (13%) e orçamento (11%).

Clique aqui para conferir a pesquisa do Sinduscon-SP na íntegra. 

Fontes
SindusCon-SP

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.


Nova certificação GBC Zero Water pretende incentivar a construção sustentável

Lançamento da Certificação GBC Zero Water, em São Paulo.
Crédito: Reprodução/CBIC

Especialistas e profissionais do setor da construção estiveram presentes no lançamento da Certificação GBC Zero Water, que ocorreu no dia 28 de novembro, em São Paulo. Durante o evento, apoiado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a nova ferramenta da ONG Green Building Council Brasil (GBC) foi apresentada como uma forma de incentivar a construção sustentável, por meio do reconhecimento de lideranças comprometidas com a alta eficiência hídrica, reaproveitamento, qualidade e preservação das nossas bacias hidrográficas.

Edificações novas ou já existentes, de qualquer tipologia, podem obter a nova certificação, desde que se enquadrem em requisitos como: redução mínima de 20% na demanda de água potável, medição de água em pelo menos 80% dos pontos de consumo, infraestrutura verde e iniciativas comunitárias.

De acordo com a GBC, adotar estratégias "zero água" pode levar à construção de empreendimentos que preservem recursos hídricos e contribuam para a melhoria de sua estrutura, com adoção de fontes alternativas de água, como a utilização de água de chuva, de água condensada de sistemas de climatização ou então de tratamento e reuso dos efluentes gerados na edificação.

A Certificação GBC Zero Water faz parte de um conjunto de ações que visa melhorar o ambiente natural, a saúde e o bem-estar dos ocupantes dos edifícios. Dentro deste contexto, também foi lançada, em 2017, a Certificação GBC Zero Energy, que busca o equilíbrio entre o consumo e a geração de energia por fontes renováveis.

O GBC Brasil integra o Programa Global Advancing Net Zero, do World GBC, que tem como objetivo cumprir as metas definidas no Acordo de Paris (COP 21). A intenção é conseguir zerar as emissões de carbono advindas do setor da construção civil até 2050. Até hoje, 2.359 empreendimentos se registraram para receber ao menos uma das certificações promovidas pelo GBC no Brasil (são cinco no total), e 1.005 deles já receberam a aprovação.   

Abaixo, leia a entrevista concedida por Felipe Augusto Faria, CEO do Green Building Council Brasil, ao Massa Cinzenta

Pelo seu conhecimento, há muitos projetos já concluídos que podem se enquadrar nos requisitos para a solicitação da nova certificação GBC Zero Water?

Felipe Augusto Faria: Sim, há projetos que se enquadram neste conceito de Zero Water defendido pelo GBC Brasil. Estamos falando de empreendimentos onde o consumo anual de água potável na operação é igual ou inferior ao consumo de fontes alternativas de água, além de garantir a devolução do recurso ao meio ambiente. A inovação no conceito está voltada para a proteção de bacias hidrográficas, permitindo o investimento em eficiência e infiltração em projetos comunitários pertencentes à mesma bacia, como forma de compensação e estímulo a projetos sociais.

Estamos discutindo o registro dos primeiros empreendimentos no Brasil. Trata-se de shopping centers, residências, centro de distribuição, edifícios comerciais e parques temáticos. 

Felipe Augusto Faria, CEO do Green Building Council Brasil.
Crédito: Divulgação

Dar atenção ao uso da água é fundamental para o meio ambiente de forma geral. Qual é a maior dificuldade que as empresas da construção enfrentam na hora de adequar seus projetos a estes novos requisitos? 

Felipe Augusto Faria: Dar atenção especial a água é fundamental seja nas discussões ambientais, sociais, mudanças climáticas ou econômicas. No Brasil, a população e a indústria estão concentradas em áreas hidricamente estressadas: 70% da população e 66,8% do PIB industrial disputam 9,3% da água doce. Somente 84% dos brasileiros são abastecidos de água tratada (SNIS 2020). Ainda, sofremos com situações de falta de tratamento de esgoto, mudanças nos regimes de chuva e superexploração das águas. 

Sobre mudanças do clima, estamos vivendo períodos curtos e alternados de excesso ou escassez de água, que trazem perdas sociais e econômicas irreparáveis.

Em relação aos desafios do Zero Water, confiamos nas tecnologias e nos profissionais capacitados para liderarem essa transformação. O principal desafio está no comportamento do mercado ao discutir projetos de eficiência hídrica, reuso e tratamento. 

Uma visão holística sobre o estado da arte da edificação, pensando na bacia hidrográfica, nos desafios e oportunidades locais em matéria de eficiência e tratamento, se faz necessária. Poucos implementam um projeto de gestão integrada de águas. A abordagem sobre os recursos hídricos tem que ocorrer de forma sistêmica, integrada e permanente. A coordenação deve envolver a gestão da água, do solo e dos recursos relacionados, com o objetivo de maximizar os benefícios econômicos e sociais.

Nos empreendimentos certificados pelo Green Building Council Brasil, a média alcançada de redução no uso da água nas edificações é de 50%. Hoje, vemos especialistas executando projetos de gestão integrada de águas, que reduz o orçamento prévio do proprietário, ao mesmo tempo que aumenta o seu desempenho em matéria de eficiência hídrica, reuso, reaproveitamento e infiltração. 

Como você avalia a percepção e o empenho do mercado da construção no Brasil em relação à busca da sustentabilidade, comparado ao que se observa no mundo, de forma geral?

Felipe Augusto Faria: O interesse é crescente. Anualmente, estamos batendo o recorde de novos empreendimentos registrados nas certificações do GBC Brasil. Em 2022, atingimos o recorde histórico com 219 empreendimentos, e no mês de novembro de 2023 já contávamos com 223 novos registros no ano. 

Os maiores segmentos são: escritórios, centros de distribuição e logística, varejo e o residencial. Temos empreendimentos em todos os Estados brasileiros, e cresce os pedidos nas cidades do interior, ou seja, o movimento de green building não está mais restrito aos principais empreendimentos das capitais. 

Certificação busca redução no consumo de água em edificações. 
Crédito: Green Building Council - Brasil 

Em matéria de certificação LEED [que incentiva a transformação de projetos com foco na sustentabilidade], presente em 186 países, o Brasil é o quinto com o maior número de empreendimentos, e nos destacamos frente ao nível de certificações. A certificação é dividida em quatro níveis, sendo o nível máximo a Platina. Enquanto no mundo apenas 8% dos empreendimentos certificados atingem o nível Platina, no Brasil já somos 11,5%. 

Isso demonstra uma maior receptividade ao investimento de inteligência de engenharia e arquitetura. Investindo em projeto, viabilizamos economicamente o ingresso de inovação e tecnologia e maximizamos os resultados em eficiência, conforto e sustentabilidade - e a certificação é uma consequência. 

Desta forma, há diversos empreendimentos certificados sem acréscimos de custos de construção, além de empreendimentos com níveis de eficiência e conforto tão elevados que fazem o GBC Brasil assumir o protagonismo em desenvolver certificações de desempenho "Zero" Water e Energy, que trazem a tempo presente alguns dos resultados expressivos almejados para 2050. 

Fonte
Felipe Augusto Faria, CEO do Green Building Council Brasil

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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Piso de cimento queimado é opção rústica e despojada para todos os cômodos

Casa Moeda é um dos projetos com cimento queimado da Mutabile.
Crédito: Divulgação

Definir um tipo de piso para uma casa, um apartamento ou um escritório é sempre uma escolha difícil, já que o material precisa estar alinhado ao estilo dos donos e também do ambiente desejado, unindo elementos estéticos e funcionalidade. 

Versátil, o uso do cimento queimado vai bem tanto em projetos que buscam um estilo mais industrial quanto naqueles com um viés mais moderno. É isso o que diz Gabriel Souza, arquiteto especialista em gestão de obras e sócio da Mutabile Arquitetura, empresa fundada em 2008, com sede em Belo Horizonte, Minas Gerais. Segundo ele, o cimento queimado é uma solução aprovada por gerações. "Os clientes que escolhem este piso normalmente gostam de acabamentos rústicos e sempre têm esta solução como referência de casa antiga, de fazenda, edificações rurais, casas de praia."

Casa dos Eixos é projeto do Bloco Arquitetos, em Brasília.
Crédito: Haruo Mikami/Divulgação

Gabriel conta que seu escritório trabalha com o piso em diversos tons de cinza e também nas cores amarela, azul e vermelha, e ressalta que ele não é indicado para locais onde há alta incidência solar. "A dilatação do piso em áreas externas provavelmente causará trincas e desgaste acentuado em pouco tempo após aplicação. Então, indicamos sempre o uso interno."

É a mesma sugestão compartilhada por Henrique Coutinho, arquiteto e diretor do Bloco Arquitetos, premiado escritório fundado em 2008, em Brasília. "Só não recomendamos [o piso de cimento queimado] em áreas externas, para não perder a sua característica", explica. "Já utilizamos em todos os tipos de cômodos de uma residência (sala, quartos, cozinha e até em banheiros), inclusive em paredes."

De acordo com Henrique, o portfólio da empresa inclui muitos projetos com cimento queimado, que é uma alternativa com custo acessível e identidade moderna. "O piso cimentício vira uma opção para nossos projetos por razões de economia, em primeiro lugar, e, em segundo, pela estética despojada do material. Inclusive essas foram as razões principais para optarmos por ele em nosso escritório."

Bloco Arquitetos também é responsável pelo projeto da Casa 711H.
Crédito: Divulgação

Ainda sobre o valor deste tipo de piso, o representante do Bloco Arquitetos diz que, atualmente, esta "é uma opção mais em conta que produtos como madeira, pedra, porcelanato e granilite", e que "o processo de aplicação com os produtos atuais é muito fácil e proporciona uma grande agilidade na obra".

Já Gabriel, da Mutabile, chama a atenção para o fato de que os custos dependem do acabamento final esperado. "Há uma confusão dos clientes, pois existem vários outros pisos cimentícios com o resultado estético similar ao cimento queimado", explica. "O microcimento (produto composto por cimento especial e polímeros), por exemplo, proporciona planos maiores sem emendas. Existem também pinturas e misturas prontas que acabam tendo o aspecto estético similar ao cimento queimado."

Casa Migliari, do Bloco Arquitetos, fica em um condomínio fechado.
Crédito: Divulgação

Segundo o arquiteto, o cimento queimado, em si, tem aspecto rústico e é bem irregular entre os planos, devido à forma artesanal de produção. "Como é uma nata de cimento (água, cimento e em alguns casos corante) misturada, ele é relativamente simples de execução. Mas, para que o acabamento se demonstre mais sofisticado, a solução demanda juntas de dilatação, controle da cura, executor cuidadoso e até uma proteção de verniz ao fim do processo. E isto pode acabar tendo um custo maior que um revestimento cerâmico."

Fontes
Bloco Arquitetos
Mutabile Arquitetura

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.


Premiação espanhola elege Curitiba como a cidade mais inteligente do mundo

Pirâmide Solar é uma das iniciativas de sucesso de Curitiba.
Crédito: José Fernando Ogura/SMCS

A prestigiada competição internacional World Smart City Awards, realizada em Barcelona, na Espanha, desde 2011, tem o objetivo de reconhecer e premiar as cidades mais inovadoras e sustentáveis do planeta, que se destacam ao adotar projetos e estratégias pioneiras em direção a um futuro mais inteligente urbanisticamente.

E o Brasil saiu vencedor na categoria principal. Curitiba foi eleita a cidade mais inteligente do mundo de 2023, por suas ações voltadas ao crescimento socioeconômico e à sustentabilidade ambiental. No total, foram 411 inscrições vindas de 63 países. A capital do Paraná desbancou outros cinco concorrentes na fase final: Barranquilla (Colômbia), Izmir (Turquia), Makati (Filipinas), Cascais (Portugal) e Sunderland (Reino Unido).

Composto por especialistas, o júri levou em conta a abordagem sustentável com a qual a metrópole vem enfrentando seus desafios urbanos. O site oficial diz que "a cidade está preparada para o futuro ao mesmo tempo que cuida do seu presente, construindo uma cidade inteligente e sustentável que melhora a qualidade de vida dos cidadãos".

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, esteve presente na cerimônia de premiação, realizada no dia 8 de novembro, e destacou o empenho do município em busca de inovações. "A Prefeitura de Curitiba tem implantado soluções para manter a construção de uma cidade mais sustentável e inovadora, alinhada aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU)", afirmou. "Curitiba é, historicamente, referência em inovação, e, a partir de 2017, com a criação do Vale do Pinhão, estendemos o pensamento inovador para a transformação tecnológica dos serviços públicos e nos tornarmos também referência em cidade inteligente."

O Vale do Pinhão é um programa criado com o objetivo de fortalecer e potencializar o ambiente de inovação por meio do empreendedorismo, da economia criativa e da tecnologia. Os pilares da iniciativa incluem reurbanização, sustentabilidade, educação digital e incentivos fiscais, com modernização das leis e desburocratização das atividades ligadas ao projeto.

Marcelo Rangel, secretário estadual da Inovação, Modernização e Transformação Digital, também esteve presente em Barcelona e fez questão de ressaltar a importância do prêmio. “Para nós, paranaenses, é um orgulho ver Curitiba no topo do mundo no quesito inovação. O Vale do Pinhão é um exemplo mundial”, disse. “2023 tem sido um ano muito especial. O Paraná é destaque nacional e internacional com cidades inteligentes, com diversos municípios e ecossistemas de inovação sendo premiados. Isso é fruto de um trabalho em conjunto, dos governos municipais e estadual, juntamente com o setor produtivo e sociedade civil."

O prefeito Rafael Greca recebeu o principal prêmio do World Smart City Awards, na categoria “Cidades”.
Foto: Divulgação

Iniciativas inovadoras de Curitiba 

Além do Vale do Pinhão, um dos principais destaques da cidade foi a inauguração da Pirâmide Solar, a primeira usina fotovoltaica instalada sobre um aterro desativado da América Latina. Apenas em seus primeiros seis meses de funcionamento, completados em outubro, foram geradas cerca de 2 mil megawatts/hora de energia, capazes de suprir até 2 mil casas durante o mesmo período.

Também houve o lançamento de aplicativos, a partir de 2017, para facilitar o acesso a serviços como nota fiscal, atendimentos de saúde e créditos para estacionamento. Em relação às ações ligadas ao urbanismo, quase 100%, atualmente, são online, incluindo solicitação de alvarás, instalação de publicidades e atualização de dados cadastrais.

Já o projeto do Bairro Novo do Caximba tem como objetivo promover a recuperação do ambiente urbano, com a construção de um bairro inteligente para 1.693 famílias, em uma Área de Preservação Ambiental. A redução de emissão de gases e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas também estão presentes no setor da eletromobilidade, já que a cidade está em fase de testes dos ônibus elétricos, que devem operar a partir de 2024. Atualmente, há disponíveis 500 bicicletas compartilhadas, mecânicas e elétricas, ativadas por meio de aplicativos.

Fontes
Governo do Estado do Paraná
Prefeitura Municipal de Curitiba
World Smart City Awards

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
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Novo PAC deve ser uma das grandes oportunidades de 2024

Investimentos em obras de infraestrutura têm impacto multiplicador na geração de renda e emprego.
Crédito: Envato

Durante a pandemia, grande força do setor de construção veio das famílias, que investiram muito em obras de reforma e pequenas construções. No entanto, em 2023, esse cenário mudou um pouco. Ao longo do ano, os investimentos em infraestrutura têm sido importantes para mitigar a queda da força das famílias, segundo Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos FGV-IBRE e sócia-gerente da Ecconit.

“Os programas governamentais trazem um certo alento quando olhamos para frente. Um dos pontos positivos são os projetos de infraestrutura, que já estão contratados. Isso também deve representar uma força para o mercado imobiliário, para o setor da construção e para a própria economia. Isso porque são investimentos que têm impacto multiplicador na geração de renda e emprego”, informa Ana Maria. 

Diante deste cenário, quais devem ser as principais oportunidades em infraestrutura?

Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

Uma das grandes esperanças para 2024 é o novo PAC. Em agosto de 2023, foi anunciado que o programa vai investir R$ 1,7 trilhão em todos os estados do Brasil, por meio de uma parceria entre Governo Federal e o setor privado, estados, municípios e movimentos sociais. O programa foi dividido em vários eixos. No eixo Cidades Sustentáveis e Resilientes, por exemplo, prevê-se a modernização da mobilidade urbana de forma sustentável, a urbanização de favelas, esgotamento sanitário, gestão de resíduos sólidos e contenção de encostas e combate a enchentes. Espera-se um investimento de R$ 610 bilhões para este setor. Na área de Transporte Eficiente e Sustentável, estima-se um investimento de R$ 349 bilhões em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias. 

Durante o 97º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), o economista Cláudio Roberto Frischtak apontou que das 21 mil obras públicas no Brasil, cerca de 41% estão paralisadas. Segundo ele, esse cenário se deve a problemas de planejamento. Ele acredita que, para ser eficaz, o programa depende de quatro pontos essenciais: o projeto, incluindo tamanho e complexidade do programa; estrutura de governança; critérios de priorização; e capacidade de execução facilitada. 

Recentemente, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) publicou um manual que menciona as barreiras enfrentadas pelas edições anteriores do programa, ao mesmo tempo em que sugere iniciativas que podem contribuir com o bom andamento do novo PAC. “Os investimentos previstos são robustos e é preciso garantir espaço fiscal, aprimoramento do arcabouço legislativo e a adequada gestão do programa. É aí que entramos, para contribuir com este processo de atualização de um programa de potencial impacto de primeira ordem na vida das pessoas e na competitividade das empresas”, concluiu Carlos Eduardo Lima Jorge, vice-presidente de Infraestrutura da CBIC.

Paraná Concreto

Durante o 8º Congresso Brasileiro do Cimento, foram apresentadas as iniciativas do projeto Paraná Concreto, que visa implementar e restaurar pavimentos em rodovias de todas as áreas do estado. Para os próximos anos, de acordo com Emerson Cooper Coelho, da Assessoria do Diretor Presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER), estão previstos os seguintes projetos:

  • Rodovia PRC-280, com extensão de 45 km em Whitetopping entre Clevelândia e Palmas, cuja continuação foi licitada;
  • Restauração PR-180 Goioerê – Quarto Centenário, em Pavimento Rígido com Extensão de 11,13 km, cuja licitação da obra está em homologação;
  • Projetos em elaboração de restauração de mais de 2 mil km de rodovias estaduais considerando a possibilidade de utilização de pavimento rígido.

Ferrovias

Muito tem se falado sobre a questão da sustentabilidade e um dos modais que ajuda na redução de emissões são as ferrovias. No 8º Congresso Brasileiro do Cimento, Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER) e da Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (ABENDI), sinalizou que hoje a participação do transporte ferroviário na matriz de carga brasileira é de 20%. “E há uma previsão para dobrar esse número para 40% até 2035 e nós temos base para isso. Já temos previsões de investimentos do bloco de renovações de concessões da ordem de R$ 60 bilhões ao longo de 30 anos adicionais, mais um compromisso de que entre os cinco e dez primeiros anos, os recursos sejam despendidos na base de 80%. Todos esses projetos foram avalizados pelo Ministro atual. Então temos a segurança de que aquilo que já foi projetado no passado tem a ratificação do governo atual”, comenta.  

Fontes

Vicente Abate é engenheiro metalurgista, com mestrado em Tratamento Termomecânico de Metais pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, com MBA em Marketing pela FGV-SP e pelo Babson College dos EUA, e graduado no Programa de Desenvolvimento de Executivos, PDE pela Fundação Dom Cabral (FDC). Consultor das empresas Greenbrier Maxion e Amsted-Maxion. É presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER) e da Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (ABENDI). Diretor do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (SIMEFRE), conselheiro e membro de inúmeras entidades brasileiras, dentre elas o Conselho Superior de Infraestrutura (COINFRA), e Conselho Superior da Indústria da Construção (CONSIC), ambos da FIESP, bem como do Instituto de Engenharia e Fórum Nacional da Indústria da CNI. Agraciado pelo Ministério da Infraestrutura com a Medalha Mérito Mauá (2021).

Emerson Cooper Coelho faz parte da Assessoria do Diretor Presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER).

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Ana Maria Castelo é coordenadora de projetos FGV-IBRE e sócia-gerente da Ecconit. Mestre em Economia pela Universidade de São Paulo (USP). Desde 2010 coordena e desenvolve trabalhos e levantamentos, principalmente na área de economia da construção, incluindo estudos de caracterização e análise de cadeias produtivas, com amplo uso de bases de dados setoriais, estimação/atualização de Matrizes Insumo-Produto, inclusive em nível regional; estimativa de indicadores para a construção civil, incluindo déficit e demanda habitacionais; elaboração de análises sobre conjuntura macroeconômica e setorial.

Contatos
Ana Maria Castelo - ana.castelo@fgv.br
Assessoria de imprensa CBIC: imprensa@cbic.org.br
Emerson Cooper Coelho - emersonccoelho@der.pr.gov.br
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Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.


Qual o melhor tipo de terreno para construção?

Terrenos em declive e aclive tendem a demandar maiores custos pelo fato de que podem necessitar movimentação de terra e construção de contenções.
Crédito: Envato

Antes de começar a construir e, até mesmo de comprar um terreno, é fundamental avaliar algumas características do local para criar o melhor projeto e estimar os custos da construção. 

Confira os aspectos que devem ser levados em consideração:

Tipos de terrenos: vantagens e desvantagens

Vinícius Bernardo, arquiteto, urbanista e co-fundador do Baya Arquitetos, e Alvimar Alvares Malta, professor de engenharia da Newton Paiva, explicam sobre os tipos de terrenos e mencionam os pontos positivos e negativos de cada um:

Terrenos planos

De acordo com Malta são aqueles que possuem o nível topográfico alinhado com a via pública (rua, avenida, etc) na qual encontram-se localizados. Bernardo ainda lembra que eles mantêm o mesmo nível tanto na parte frontal quanto nos fundos

“Entre as vantagens estão: a facilidade na construçãobaixo custo em projetos estruturais, uma vez que demandam menos trabalho de adaptação ao relevo. A ausência de grandes movimentações de terra, que simplifica o processo construtivo. Além de permitir uma melhor conexão com jardins e espaços ao ar livre”, afirma Bernardo.

Por outro lado, Malta lembra que com relação ao escoamento de águas pluviais, deve-se tomar cuidado para que haja uma mínima declividade para evitar empoçamento de água e manifestações patológicas dele decorrentes. 

Terrenos em declive

Os terrenos em declive são aqueles em que o nível topográfico do fundo do terreno encontra-se abaixo do nível da via pública na qual encontram-se localizados, segundo Malta. 

“Suas vantagens incluem a possibilidade de construir áreas sociais no nível da rua, garantindo uma casa com sensação de térrea. O desnível também permite a criação de garagens no subsolo. Por outro lado, as desvantagens são áreas como o espaço gourmet, que podem acabar isoladas devido ao desnível. A ventilação e vista também podem ser prejudicadas, pois os muros altos podem obstruir a vista e impedir a passagem de vento adequada. Os custos da construção também podem ser elevados, pois nesse tipo de terreno há uma necessidade de estruturas de contenção, como muros de arrimo, e maior movimentação de terra que elevam o investimento inicial”, destaca Bernardo.

Na opinião de Malta, terrenos em declive tendem a permitir maior privacidade aos usuários da construção. 

Terrenos em aclive

Malta explica que os terrenos em aclive são aqueles em que o nível topográfico do fundo do terreno é elevado em relação à via pública na qual estão localizados.

“Dentre suas vantagens são uma presença mais imponente na paisagem. Maior luz natural e ventilação, pois a elevação natural do terreno favorece a iluminação e a circulação de ar. No entanto, as desvantagens são semelhantes às dos terrenos em declive. O projeto estrutural tende a ser mais complexo e caro, exigindo reforços como muros de arrimo. O custo e o esforço para manter a integridade do terreno também são maiores”, pontua Bernardo.

Para Malta, os terrenos em aclive tendem a potencializar as fachadas da construção

Construção em terrenos de aclive e declive: quais os cuidados?

Para uma construção bem-sucedida em terrenos inclinados é necessário a elaboração de um projeto planialtimétrico detalhado, de acordo com Bernardo. “Este estudo topográfico é essencial, pois oferece uma representação precisa das variações de nível no terreno, permitindo que o arquiteto tome decisões informadas sobre a implantação do empreendimento. A construção em terrenos com declive ou aclive pode resultar em projetos arquitetônicos visualmente marcantes”, destaca o arquiteto e urbanista.

Localização na cidade e na quadra: o que observar?

Ao escolher um terreno, é essencial considerar como o tipo de projeto - seja um sobrado, casa térrea, ou uma construção com piscina e jardins - influencia na escolha do local. “A presença de construções altas nas proximidades, como sobrados, pode afetar a ventilação e a incidência de luz solar, especialmente em casas térreas”, informa Bernardo.

Tipo do solo

Malta lembra que a avaliação do tipo de solo, bem como o conhecimento da profundidade do nível de água do terreno, são determinantes para se prever maior ou menor custo com as fundações da edificação. “Para ser mais assertivo, recomenda-se a execução de uma sondagem no solo para se caracterizar o perfil geotécnico do terreno”, sugere o professor.   

Bernardo acredita ser importante realizar um estudo geofísico para revelar a composição do solo - argiloso, arenoso ou silte - e suas propriedades de suporte de carga. “Dependendo do tipo de solo, podem ser necessárias técnicas específicas de fundação para garantir a estabilidade e minimizar a movimentação do terreno”, analisa.

Orientação solar

A orientação solar será importante para definir o grau de iluminação dos ambientes projetados na edificação. “Assim sendo, a edificação deverá ser projetada de modo a se aproveitar ao máximo essa característica, mas o desejo do cliente pode divergir, como, por exemplo, em casos que se prefira ambientes com menor luminosidade”, justifica Alvimar.

Infraestrutura do terreno

É necessário fazer uma análise do que cerca seu lote. “Verificar a proximidade e a qualidade dos serviços públicos, eletricidade, água, esgoto e internet. A presença de postes, bueiros, árvores nativas e sinalização pode impactar o design do projeto e as necessidades de adaptação, na fachada ou garagem, por exemplo”, recomenda Bernardo.

Entrevistados
Vinícius Bernardo é arquiteto e urbanista, co-fundador do Baya Arquitetos.
Alvimar Alvares Malta é professor de engenharia da Newton Paiva.

Contatos
Assessoria da Newton Paiva - contato@dezoitocom.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

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Congresso mantém desoneração da folha para a construção civil até 2027

Congresso derrubou veto do presidente à desoneração da folha.
Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Na última quinta-feira (14), o Congresso Nacional derrubou o veto presidencial ao projeto de lei que prorroga a desoneração da folha salarial por mais quatro anos, para 17 grandes setores da economia. Com isso, a medida, implantada em 2011 e que vinha sendo prorrogada desde então, ficará válida até 2027.

Na votação, 60 senadores decidiram pela derrubada do veto e 13 deles quiseram sua manutenção. O placar entre os deputados terminou em 378 contra o veto e 78 a favor.

A construção civil é um dos grupos beneficiados com o PL 334/2023, ao lado de setores como calçados, tecnologia da informação, confecção e vestuário, transporte rodoviário de cargas e call center. A desoneração é uma espécie de incentivo fiscal que permite que as empresas contribuam para a Previdência Social com um total entre 1% e 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20% sobre a folha salarial, como era feito antes. (- já havíamos explicado na matéria anterior)

A justificativa do governo na ocasião do veto foi a de que a matéria se tratava de uma proposição "inconstitucional", já que criava a renúncia fiscal "sem apresentar demonstrativo de impacto orçamentário-financeiro para o ano corrente e os dois seguintes, com memória de cálculo, e sem indicar as medidas de compensação."

O senador Efraim Filho (União-PB), autor da matéria, disse, durante a votação, que a lei é para quem gera mais empregos pagar menos impostos. "É disso que esse projeto se trata. Demonstrar que o imposto sobre folha de pagamento, sobre a geração de empregos, é um imposto burro, equivocado, e que tem que ser alterado", avalia. "Não é uma simples renúncia de receita, é uma substituição. As empresas continuam pagando seus impostos, mas não sobre o emprego, não sobre a folha de pagamento, elas pagam sobre o faturamento."

Vale lembrar que a decisão do Congresso ocorreu após uma série de manifestações dos setores prejudicados, em relação ao veto presidencial. E a notícia da derrubada do veto foi celebrada pelas entidades ligadas à construção civil.

Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, diz que a manutenção da desoneração da folha evita a elevação dos preços das obras. "Trata-se de uma decisão relevante, uma vez que o fim da desoneração agora elevaria os custos da construção e, consequentemente, os preços das obras. Isto prejudicaria não só o setor da construção, como seus contratantes, incluindo o governo, que precisaria pagar mais pelas contratações de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida.”

Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), também destacou a importância da medida para o setor. "O Congresso Nacional demonstrou sensibilidade e compromisso com a geração de empregos ao derrubar o veto à desoneração da folha de pagamentos. A decisão representa um passo crucial para fortalecer o setor produtivo brasileiro e estimular a abertura de postos de trabalho."

Fontes
Agência Senado
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) SindusCon-SP

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience

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97ª edição do ENIC discute PAC, habitação e futuro do setor da construção

ENIC reuniu autoridades e especialistas em Brasília.
Crédito: CBIC

A 97ª edição do Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) reuniu autoridades políticas e especialistas do setor no dia 12 de dezembro, em Brasília. Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o evento conta com a participação dos principais players da cadeia construtiva para debater questões que impactam o futuro do setor, apresentando um panorama amplo e atual da indústria.

“Nós realizamos esse evento para discutir os rumos da construção e o quanto podemos oferecer aos cidadãos brasileiros”, disse Renato Correia, presidente da CBIC, durante a abertura do ENIC. Ele também reforçou o compromisso da entidade em melhorar o ambiente regulatório e promover incentivos econômicos.  

Um dos temas de destaque do encontro foi a importância cada vez maior da tecnologia para o setor. O assunto foi colocado em pauta por meio da entrega do "Manifesto de Apoio à Estratégia BIM BR" ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. A ideia é reforçar a necessidade do Poder Executivo e do Congresso Nacional no direcionamento do mercado para a adoção do BIM (Modelagem da Informação da Construção). A Estratégia BIM BR consiste em criar, utilizar e atualizar modelos digitais de construções de forma colaborativa.

De acordo com o manifesto, "as entidades estão empenhadas em capacitar os profissionais do setor, apoiar iniciativas de formação e colaborar continuamente para o aprimoramento e disseminação do BIM na indústria da construção brasileira.”

Renato Correia, presidente da CBIC, discursou na abertura do evento.
Crédito: CBIC

Alckmin também aproveitou para falar sobre outros temas, como a relevância das parcerias público-privadas e das concessões para impulsionar os investimentos. “Ao buscar parcerias, é fundamental manter o foco no interesse público, citando experiências passadas em concessões de rodovias e destacando a importância de revisões contratuais para benefício da população." 

Melhorias na área de habitação 

Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, esteve presente no ENIC e afirmou que 2023 foi marcado por um processo de reconstrução, destacando a reintegração da Faixa 1 no programa Minha Casa, Minha Vida. "Estamos com processo de contratação de 170 mil unidades nesta modalidade", disse, referindo-se a esta faixa que atende os brasileiros mais vulneráveis.

A melhoria nas taxas de juros, a extensão dos prazos de financiamento (com contratos de até 420 meses) e o aumento do subsídio foram outros pontos destacados por Inês, que também ressaltou o fato de que o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) financiou mais de R$ 70 milhões em habitações.

Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, recebeu um manifesto de apoio ao BIM.
Crédito: CBIC

Expectativas para o PAC

Um dos painéis realizados durante o evento abordou detalhes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com a intenção de debater assuntos como o apoio a um futuro sustentável para o setor da construção. “O PAC é um programa que vai muito além da construção de obras, ele está dando uma direção de desenvolvimento em diversas áreas do país, como sustentabilidade, inovação e tecnologia", disse Carlos Eduardo Lima Jorge, vice-presidente de infraestrutura da CBIC.

Já o superintendente nacional da Caixa Econômica Federal, Flávio Tagliassachi Gavazza, aproveitou a ocasião para falar sobre a necessidade de simplificar o processo de participação no programa. “Os primeiros passos do PAC nasceram com muito recurso e poucos projetos, gerando um empossamento dos recursos locais. Com o avanço da digitalização, os processos foram facilitados, dando maior transparência e celeridade aos procedimentos", explica. "Se tivermos bons projetos, com um ciclo financeiro saudável, teremos uma tendência de sucesso."

Fontes
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience


COP 28 estimula cooperação para net zero na indústria do cimento

Substituição do coque é um dos grandes desafios da indústria do cimento.
Crédito: Envato

Entre os dias 30 de novembro e 13 de dezembro, foi realizada a COP 28, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Realizado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o evento reuniu representantes de 198 países. 

Confira quais iniciativas devem impactar o setor do cimento

Transição de combustíveis fósseis

Um dos grandes destaques da COP 28 foi o documento final da Conferência. Negociado entre 198 países, o acordo menciona que deve ser realizada a transição dos combustíveis fósseis até 2050. 

Na indústria do cimento, o desafio é substituir o coque de petróleo. Em entrevista ao Massa Cinzenta, Paulo Camillo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), lembra que ele é um combustível fóssil dolarizado e 90% dele é importado. “85% da nossa energia era coque. Ao fazer essa substituição, há dois ganhos principais: a redução de emissão de CO2 em um cenário de mudanças climáticas e a blindagem na indústria dos constantes aumentos do combustível fóssil”, explica.

Dentre as alternativas para substituição do coque estão a biomassa, além de resíduos industriais, comerciais e residenciais. 

Cement & Concrete Breakthrough 

François-Philippe Champagne, ministro da Inovação, Ciência e Indústria do Canadá, juntamente com Omar Ahmed Suwaina Al Suwaidi, subsecretário do Ministério da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados Árabes Unidos (EAU), anunciaram o lançamento da iniciativa Cement & Concrete Breakthrough na COP28. De acordo com a Global Cement and Concrete Association (GCCA), este projeto reafirma o compromisso do Canadá em trabalhar com países, empresas e organizações parceiras internacionais para acelerar investimentos nas tecnologias, ferramentas e políticas necessárias para que a indústria de cimento e concreto zere as emissões de CO2 até 2050.

Co-liderada pelo Canadá e pelos Emirados Árabes Unidos, esta iniciativa permitirá que os países compartilhem as melhores práticas, políticas e medidas para descarbonizar o setor de cimento e concreto. Ela envolverá uma variedade de parceiros no mundo todo, oferecendo uma oportunidade para o Canadá impulsionar a adoção de produtos de cimento com baixa emissão de carbono e soluções que se baseiam no reconhecimento global do Roadmap do Canadá para Concreto sem emissões de carbono até 2050.

“A inovação e os investimentos em tecnologia limpa são fundamentais para construir uma economia verde competitiva. Como líder global em pesquisa e inovação, o Canadá tem um papel chave na economia net-zero e está comprometido em lançar as bases de uma indústria competitiva de cimento e concreto verde que criará empregos sustentáveis e construirá um futuro limpo para todos os canadenses e para o mundo. Com a iniciativa inovadora, ajudaremos a pavimentar o caminho para alcançar o cimento e o concreto net-zero até 2050”, afirmou Champagne.

“Clube Climático”

No segundo dia da COP28, Alemanha e Chile lançaram um "Clube Climático" com o objetivo de promover a cooperação entre nações que buscam reduzir as emissões provenientes de indústrias pesadas, como a fabricação de aço e cimento.

Atualmente composto por 37 membros e em expansão, o Climate Club funcionará como um fórum intergovernamental de alto comprometimento para a troca de experiências sobre a aceleração da ação climática e a descarbonização da indústria. O objetivo dos membros do Climate Club é apoiar a implementação eficaz do Acordo de Paris e suas decisões. O Brasil não faz parte deste clube.

Indústria brasileira do cimento na COP 28

A ABCP e o SNIC também marcaram presença na COP 28. Durante o evento, Paulo Camillo Penna participou de debates sobre a agenda de sustentabilidade do setor e enfrentamento da mudança climática, no estande da Confederação Nacional da Indústria – CNI.

A estratégia da indústria nacional se baseia no plano delineado pelo Roadmap Brasil, lançado em 2019, que visava inicialmente a redução das emissões de CO2 na produção de cimento. Agora, esse enfoque se expande para abranger todo o ciclo de vida do produto, envolvendo o concreto, a construção, a eletrificação e outras áreas afins, com o objetivo de alcançar a neutralidade climática do setor até 2050.

Esse novo projeto reforça ainda mais o papel proeminente da indústria nacional na agenda climática, historicamente reconhecida por ocupar uma posição de destaque entre os países com as menores emissões de CO2 por tonelada de cimento produzida globalmente. 

A iniciativa chega em um momento particularmente oportuno, coincidindo com as discussões em nível nacional sobre a descarbonização da economia. De acordo com a ABCP e SNIC, a indústria brasileira de cimento está fortemente comprometida com a sustentabilidade, especialmente no que diz respeito à substituição de combustíveis fósseis por fontes alternativas de energia. “O processo de coprocessamento desempenha um papel crucial nessa transição energética em nossa cadeia produtiva, alcançando um marco significativo ao substituir 30% do combustível em 2022, ultrapassando a meta prevista para 2025. Isso representou o processamento de 2,856 milhões de toneladas de resíduos, evitando a emissão de aproximadamente 2,9 milhões de toneladas de CO2”, informaram as entidades.

Fontes
Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) 
Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC)
Global Cement and Concrete Association (GCCA)
Climate Club

Contatos
Assessoria de imprensa ABCP e SNIC - celso.souza@fsb.com.br
GCCA – paul.adeleke@gccassociation.org
Climate Club - secretariat@climate-club.org

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.