Paredes de concreto chegam aos projetos de edifícios altos

Recente webinar promovido pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) mostra que a tecnologia de paredes de concreto é uma alternativa viável para projetos de edifícios altos. Em Brasília-DF, um prédio com mais de 20 pavimentos foi inaugurado no 1º semestre de 2020. Em Balneário Camboriú-SC, está em construção a maior edificação do país a utilizar o sistema. O empreendimento terá 50 pavimentos e 160 metros de altura.

Edifício em Santa Catarina será o maior do Brasil construído com a tecnologia de paredes de concreto: fôrmas trazidas da Coreia do Sul reduzem tempo de concretagem em 20% Crédito: S-Form
Edifício em Santa Catarina será o maior do Brasil construído com a tecnologia de paredes de concreto: fôrmas trazidas da Coreia do Sul reduzem tempo de concretagem em 20%
Crédito: S-Form

O uso de paredes de concreto cresceu no Brasil movido pelo Minha Casa Minha Vida. Até 2019, 65% dos projetos destinados ao programa utilizavam a tecnologia. Hoje, ela está incorporada também na construção de casas de alto padrão e agora chega aos prédios altos. A evolução dos sistemas de fôrmas e a qualidade do concreto autoadensável produzido no Brasil é que permitem esse avanço, analisam os participantes do webinar.

Segundo Rubens Monge Silveira, gerente de edificações da ABCP, a tecnologia não é nova no Brasil. “Foi usada pontualmente nos anos 1980, mas o Minha Casa Minha Vida o transformou em um modelo muito relevante”, diz. O engenheiro civil também destaca a evolução do sistema. Principalmente, por causa das atualizações das normas técnicas ligadas à industrialização do concreto  e o surgimento da Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575).

É importante destacar também o desenvolvimento de produtos e soluções específicas para o sistema construtivo, como kits hidráulicos e elétricos, esquadrias que podem ser instaladas antes da concretagem e a evolução das fôrmas. Parte desse avanço se deve ao grupo Paredes de Concreto - criado dentro da ABCP, em 2010 -, cuja missão é propagar as vantagens da tecnologia, que são:

- Rapidez de execução.
- Reduz uso de mão-de-obra.
- Custos globais mais baixos.
- Ótimo desempenho.
- Não gera entulho.
- Sistema industrializado.
- Produção em escala.

Concreto autoadensável e tecnologia de paredes de concreto são indissociáveis

No caso do edifício em Balneário Camboriú, a inovação está no sistema de fôrmas trazido da Coreia do Sul. Conhecida como Gang Forms (Fôrmas Trepantes) a tecnologia reduz em 20% o tempo para concretagem de cada pavimento e resulta em paredes de concreto espelhadas, ou seja, sem rebarbas ou riscos de desalinhamentos milimétricos entre um andar e outro. Com o uso de concreto autoadensável, o equipamento permite subir um pavimento a cada 3 dias, em média. Isso no caso de edifícios altos, pois em projetos T+3 ou T+4 (térreo mais 3 pavimentos ou térreo mais 4 pavimentos) é possível avançar um andar por dia.

Segundo Jairo Abud, presidente da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) concreto autoadensável e tecnologia de paredes de concreto são indissociáveis. O dirigente também justifica o crescimento do sistema construtivo. “O autoadensável é um concreto sofisticado que proporciona alta produtividade, o que compensa a diferença de valor para o concreto convencional. Por isso, toda construtora que passa a utilizar paredes de concreto não retorna mais para sistemas tradicionais de construção, como a alvenaria”, diz.

Outro quesito que amplia a demanda pelo sistema está relacionado ao custo dos aditivos, que caiu significativamente nos últimos anos. A produtividade de bombeamento também aumentou a competitividade do autoadensável. Além disso, seu uso exige uma quantidade menor de mão de obra, desde que bem treinada. Esse elenco de vantagens fez o sistema de paredes de concreto chegar aos projetos de edifícios altos no Brasil.

Entrevistado
Reportagem com base no webinar “Paredes de concreto”, promovido pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)

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comunicacao@abcp.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Concreto projetado possibilita túneis com grandes vãos

Considerado uma das sumidades mundiais em engenharia de túneis, o brasileiro David Oliveira palestrou recentemente no 62º Congresso Brasileiro do Concreto, promovido pelo IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto). O evento aconteceu virtualmente por causa da pandemia de COVID-19 e, em sua exposição, o professor-doutor, que atualmente trabalha na Austrália, falou sobre a aplicação do concreto projetado reforçado com fibras de aço em túneis com grandes vãos.

Em Sydney, a maior cidade australiana, a tecnologia permite que novos complexos rodoviários tenham túneis com vãos de até 34 metros. “Ao estudar a geologia dos maciços rochosos, optou-se pelo revestimento primário e secundário com concreto projetado nessas obras”, diz David Oliveira. O processo aumenta a produtividade em túneis que utilizam a tecnologia de escavação conhecida como New Austrian Tunneling Method (NATM) e garante maior ductibilidade às paredes rochosas.

Na Austrália, a opção pelo uso do concreto projetado com fibras de aço também tem crescido por ser uma operação mecanizada e que requer um número bem menor de mão de obra, expondo os trabalhadores a poucos riscos. O presidente do IBRACON, o professor-doutor Paulo Helene, que acompanhou a palestra de David Oliveira, disse que a tecnologia seria muito bem-vinda no Brasil, principalmente para acelerar as obras subterrâneas do metrô de São Paulo-SP e em outras metrópoles do país.

David Oliveira recomenda, porém, que se faça um estudo criterioso da geologia da rocha por onde irá passar o túnel, a fim de que o concreto projetado com fibras de aço possa ser utilizado sem nenhum risco. Principalmente se forem detectadas fraturas no maciço rochoso. Neste caso, explica, é feita a ancoragem com tirantes de aço perfurando pontos estratégicos da rocha, para garantir estabilidade. O professor-doutor revela que há softwares que facilitam esse tipo de estudo e asseguram ações mais precisas.

Em maciços rochosos estáveis, tecnologia é a mais barata e mais rápida para suportar túneis

Quando os maciços rochosos são estáveis, o uso de concreto projetado com fibras de aço é o sistema com menor custo e mais rápido para assegurar suporte ao túnel. “É óbvio que a seleção do suporte principal para a construção de um túnel requer planejamento cuidadoso e meticuloso. Mas quando pensamos em rapidez e em um suporte leve, o concreto projetado é a melhor opção”, revela o palestrante.

Entre os cases citados por David Oliveira está um túnel com junção em Y, que está em construção em Sydney, e que ficará pronto até 2022. De ponta a ponta, a escavação poderia abrigar um Boeing 737-300. “Em Sydney, por causa da boa qualidade da rocha, nosso foco está em dar suporte aos túneis com concreto projetado”, completa o engenheiro civil, com mais de 20 anos de experiência em estudos geológicos e escavações de túneis.

Nos anos 1950, a Austrália foi o primeiro país a usar o concreto projetado em obras de infraestrutura. O material é ideal para as seguintes intervenções:

- Revestimento de túneis e minas.
- Estabilização de taludes e encostas.
- Concretagem em áreas de difícil acesso ou muito altas.
- Execuções que não exigem fôrmas.
- Acabamentos arquitetônicos.
- Base para piscinas, obras de saneamento básico e paredes de retenção.

Entrevistado
Reportagem com base na palestra “Concreto projetado com fibras para revestimento de túneis: mitos e verdades”, do professor-doutor David Oliveira, no 62º Congresso Brasileiro do Concreto

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office@ibracon.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Nos EUA, mobilização impede demolição de prédio em concreto aparente

Burroughs Wellcome: agregado fino de calcário dá textura especial ao concreto aparente usado no prédio de quase 50 anos Crédito: Foundation Paul Rudolph
Burroughs Wellcome: agregado fino de calcário dá textura especial ao concreto aparente usado no prédio de quase 50 anos
Crédito: Foundation Paul Rudolph

A edificação tem 1.143 m2 e a licença para a demolição foi conseguida pelo novo proprietário do prédio - a empresa de biotecnologia United Therapeutics - por causa do excesso de amianto no revestimento do piso e do teto do Burroughs Wellcome. Atualmente, materiais de construção com amianto estão banidos dos Estados Unidos e qualquer obra antiga que possua o elemento precisa se livrar dele sob pena de multas milionárias.

Engenheiros civis e arquitetos de grupos de preservação arquitetônica nos Estados Unidos se reuniram para apresentar soluções que permitam ao Burroughs Wellcome passar por um retrofit, livrando-o da demolição. Como o prédio é propriedade privada, a legislação da Carolina do Norte não permite que ele possa ser reconhecido como patrimônio cultural. Essa é uma prerrogativa apenas de edificações públicas no estado.

No Brasil, principal representante da arquitetura brutalista é Oscar Niemeyer

O Burroughs Wellcome, juntamente com o prédio da Escola de Arquitetura e Arte da Universidade de Yale - também nos Estados Unidos -, está entre as duas obras mais representativas de Paul Rudolph. Formado no Instituto Politécnico do Alabama, e com especialização na Escola de Design de Harvard, o arquiteto foi seguidor de Walter Gropius, que se formou na escola de arte vanguardista da Alemanha, a Staatliches Bauhaus - berço da arquitetura brutalista.

O movimento brutalista surgiu entre os anos 1950 e 1960. O propósito original era tornar o projeto e a construção mais baratos e acessíveis à população. O conceito que prevalece até hoje é deixar exposta a parte estrutural das edificações feitas em concreto armado, principalmente vigas e pilares. Daí o termo concreto aparente. No Brasil, o principal representante dessa escola é Oscar Niemeyer, com mais de 500 obras espalhadas pelo mundo.

Já Paul Rudolph usou a arquitetura brutalista principalmente na construção de residências, edifícios públicos e prédios de universidades. Além dos Estados Unidos, ele tem um volume grande de projetos assinados em Cingapura.

Entrevistado
Fundação Paul Rudolph (via assessoria de imprensa)

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office@paulrudolphheritagefoundation.org

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Pandemia acelera inserção de novas tecnologias em EPIs

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) usados na construção civil não serão mais os mesmos após a pandemia de COVID-19. Muitas tecnologias foram aceleradas para dar mais proteção aos trabalhadores. Algumas estão diretamente ligadas a questões de saúde e outras priorizam a produtividade de quem atua no canteiro de obras.

O capacete é o que tem agregado inovações mais rapidamente. No campo da segurança, o EPI ganhou halos (aros de luz) que facilitam a visualização em empreitadas noturnas. Já é realidade também o capacete inteligente. Específico para engenheiros de obras, possui recursos 4D e possibilita visualizar em tempo real detalhes de projeto concebidos na plataforma BIM.

Os avanços tecnológicos se estendem às roupas. Tecidos resistentes, que aumentam a proteção da pele contra alergias dermatológicas, infecções virais e bacteriológicas, começam a ser testados, assim como luvas que mudam de cor quando em contato com substâncias tóxicas.

Outra novidade é a acoplagem dos EPIs a softwares de produtividade. Isso transforma os drones em “mestres de obras do futuro”. Os equipamentos de proteção individual enviam dados aos drones, que conseguem rastrear o trabalhador dentro do canteiro de obras e verificar a execução correta da tarefa. Os softwares registram as informações e compartilham com a equipe de engenheiros de obras.

Essas tecnologias emergentes, que colocam a construção civil na rota da indústria 4.0, não surgem para mudar apenas a forma de trabalhar. A variedade de dispositivos acoplados ao canteiro de obras irá modificar também os trabalhadores do setor. Saem a destreza e as habilidades físicas e entra o conhecimento técnico para operar máquinas digitais e compartilhar tarefas com robôs.

Veja o que ainda precisa evoluir e o que avança rapidamente

A pandemia trouxe uma nova realidade para a construção civil. A obrigatoriedade da máscara no ambiente de trabalho mostrou que o uso em tarefas que exigem esforço dificulta a respiração, cria desconforto à região das orelhas por causa do uso contínuo e embaça os óculos de proteção, o que afeta o desempenho da tarefa. A solução virá através dos chamados tecidos inteligentes, cuja finalidade é oferecer proteção conjugada com conforto.

Na área da Internet das Coisas (IoT), os avanços já são visíveis. A tecnologia permite dividir o canteiro de obras em áreas de atuação e de risco. Através de leitores de QR Code, o acesso a determinados locais pode ser liberado ou vetado para o trabalhador. A IoT também desburocratiza o controle de EPIs. Com um simples escaneamento é possível saber se o equipamento está dentro de seu prazo de validade ou requer manutenção ou troca.

Os países mais avançados na inserção de tecnologias nos equipamentos de proteção individual são Reino Unido, China, União Europeia, Índia, países árabes, Austrália, Estados Unidos e Canadá. No Brasil, a burocracia ainda é um obstáculo às novidades. A certificação para o uso de novos EPIs precisa da autorização da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (SEPT), vinculada ao ministério da Economia.

Entenda como funciona o capacete inteligente e sua conexão com projetos na plataforma BIM

Capacetes com halo ampliam a segurança em empreitadas noturnas

Drones acoplados a softwares de produtividade serão os “mestres de obra” do futuro

Entrevistado
Reportagem com base em análise da PlanGrid, desenvolvedora de softwares de produtividade para a construção civil

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press@plangrid.com

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Venda de imóveis novos supera período da pré-pandemia

Pequenas, médias e grandes construtoras alcançaram em agosto resultados melhores que os registrados em fevereiro de 2020, no período anterior ao da pandemia de COVID-19. As empresas com faturamento até 9 milhões de reais viram suas vendas crescerem de 39% para 80%. Já as com faturamento entre 9 milhões de reais e 100 milhões de reais tiveram um salto de 68% para 92%. Melhor ainda tem sido o desempenho das que faturam acima de 100 milhões de reais. Para essas, o crescimento saiu de 84% para 97%, na comparação entre o final de fevereiro e os números de agosto.

Imóveis que tenham varanda que possam abrigar um home office são os preferidos pelos compradores  Crédito: Pinterest
Imóveis que tenham varanda que possam abrigar um home office são os preferidos pelos compradores
Crédito: Pinterest

O público que mais tem procurado imóveis novos é o que possui renda familiar entre R$ 7.875,01 reais e R$ 13.492,00 reais. Esse comprador revelou uma mudança de hábito na escolha de sua nova residência: não dispensa a varanda com multifunções, e que possa abrigar, inclusive, um home office. É o que mostra a 4ª rodada da pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, que desde março analisa o comportamento do mercado imobiliário ao longo da pandemia. “Devemos esse crescimento ao fato de que as pessoas, obrigadas a ficarem reclusas em casa, começaram a ver a necessidade de mudança de imóvel”, avalia o economista Fábio Tadeu Araújo, que coordena o estudo.

De acordo com o levantamento, que ouviu consumidores nas cinco regiões do país, em agosto, 40% dos entrevistados manifestaram a vontade de adquirir apartamentos ou casas novas. Desse percentual, 32,5% já estavam no mercado à caça de oportunidades. Com isso, a intenção de compra atual está perto de retornar ao patamar pré-pandemia, quando o indicador estava em 43%. Os dados da pesquisa também mostram que 15% dos entrevistados apontaram que o isolamento interferiu no estilo de imóvel desejado. Por exemplo, 19% responderam que não comprariam uma unidade sem varanda.

Disposição dos bancos privados em baixar juros do crédito imobiliário reforça bom momento do mercado

Outro estudo que vai ao encontro do que detectou a 4ª rodada da pesquisa da Brain Inteligência Estratégica é o realizado pelo Banco BTG Pactual. Os analistas da instituição financeira entendem que o cenário positivo para as construtoras brasileiras está ainda mais reforçado, principalmente depois que os bancos privados decidiram competir com a Caixa Econômica Federal pela oferta de crédito imobiliário com juros baixos. A mais recente iniciativa foi do Itaú Unibanco, que anunciou uma nova linha atrelada à remuneração da caderneta de poupança.

O financiamento corresponderá ao rendimento da poupança mais uma taxa anual de 3,99%, totalizando 5,39% ao ano. “Esse é de longe o financiamento mais barato que já vimos no Brasil, o que é definitivamente uma notícia positiva para o setor”, afirmaram Gustavo Cambauva e Elvis Credendio, autores do relatório divulgado pelo BTG Pactual. Os autores do estudo também entendem que, apesar do impacto causado pela pandemia, as construtoras tendem a fechar 2020 com solidez. “Acreditamos que as construtoras aproveitarão um ano sólido, com maiores vendas e crescimento da lucratividade”, finalizam.

Assista ao vídeo da Brain Inteligência Estratégica

Entrevistado
Reportagem com base na apresentação da 4ª rodada da pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, sobre o comportamento do mercado imobiliário na pandemia

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contato@brain.srv.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Aprisionamento de CO₂ pelo concreto atrai gigantes globais

Bill Gates , cofundador da Microsoft, abriu o caminho. O segundo homem mais rico do mundo tornou-se sócio da norte-americana CarbonCure, cuja especialidade é coletar o CO2 das indústrias, tratá-lo e vendê-lo para a construção civil, a fim de que o gás seja injetado no concreto e aprisionado. Agora é a gigante japonesa Mitsubishi Corporation quem adota a mesma estratégia, e vai além. A empresa iniciou pesquisa para conseguir injetar CO2 no concreto em estado fresco.

Atualmente, o aprisionamento de CO₂ pelo concreto é obtido em ambiente controlado e usado na indústria de pré-fabricados  Crédito: UCLA/CO2Concrete
Atualmente, o aprisionamento de CO₂ pelo concreto é obtido em ambiente controlado e usado na indústria de pré-fabricados
Crédito: UCLA/CO2Concrete

Hoje, a tecnologia se restringe à indústria de pré-fabricados de concreto. Em ambiente controlado, o CO2 é injetado dentro das fôrmas de moldagem e absorvido pelo material. O novo desafio é fazer com que o gás seja retido pelo material quando for lançado da betoneira diretamente na obra. A pesquisa, em parceria com a organização árabe Desenvolvimento de Nova Energia e Tecnologia Industrial (NEOM em inglês [New Energy and Industrial Technology Development Organization]) vai buscar cristalizar o CO2 para aprisioná-lo no concreto antes que ele endureça.

De acordo com os envolvidos no projeto, o sucesso da pesquisa pode baratear e disseminar o aprisionamento de CO2 no concreto. Só no Japão, a expectativa é que a tecnologia permita capturar 3 milhões de toneladas de gás carbônico por ano, o que equivale à emissão de 700.000 veículos que utilizam derivados de combustíveis fósseis em seus motores. No entender da NEOM, seria também um sinal claro da indústria da construção civil de que ela está comprometida com temas ambientais e de despoluição.

Até 2030, expectativa é que aprisionamento de CO2 pelo concreto atinja 40%

Segundo o instituto de pesquisa britânico Chatham House, o concreto é fonte de 8% das emissões mundiais de CO2. Supera combustível de aviação (2,5%) e não está muito atrás do que é gerado pelo agronegócio global (12%). São dados que levam as concreteiras norte-americanas a se interessarem cada vez mais pelo aprisionamento. Atualmente, 225 empresas são parceiras da CarbonCure. O problema é que a tecnologia consegue reter apenas 7% do gás injetado no material, após o endurecimento. É pouco diante do volume de concreto consumido pelos Estados Unidos. Em 2019, a indústria da construção civil do país usou 370 milhões de m3. Vale lembrar que EUA e China são os maiores emissores de CO2 do planeta.

Se a pesquisa financiada pela Mitsubishi Corporation for bem-sucedida, a expectativa é que o percentual de aprisionamento pelo concreto atinja 40%. Os resultados devem começar a chegar ao mercado em 2030. Para Jeremy Gregory, diretor-executivo da Concrete Sustainability Hub, que atua em parceria com o Massachusetts Institute of Technology, a tendência é que todas essas iniciativas de aprisionamento de CO2 pelo concreto acabem em uma fusão de ideias, para que surja uma tecnologia consolidada no futuro. “Não vejo uma única tecnologia revolucionária, mas uma combinação de coisas”, diz. A prova é que existem outros estudos em cursos, como a da também norte-americana Blue Planet. A linha da pesquisa é conseguir reter o gás em areia sintética, e usá-la como agregado do concreto.

Entrevistado
Organização de Desenvolvimento de Nova Energia e Tecnologia Industrial (NEOM em inglês [New Energy and Industrial Technology Development Organization]) (via assessoria de imprensa)

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media@NEOM.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Mercado de caminhão-betoneira cresce mais de 70% em 2020

Dados da ANFIR (Associação Nacional de Fabricantes de Implementos Rodoviários) mostram que, em 2020, a venda de caminhões-betoneira no Brasil já cresceu 70,9% na comparação ao mesmo período de 2019. O levantamento compreende os meses de janeiro a agosto, quando foram emplacados 492 veículos para o transporte de concreto. O segmento é o 3º com maior volume de negócios no setor de implementos rodoviários. Fica atrás apenas de silos e tanques inox, que cresceram 141,67% e 123,33%, respectivamente.

Os números dos 8 meses de 2020 já superam o volume de vendas de caminhões-betoneira para o mercado nacional, em 2019. Ao longo de todo o ano passado, foram fabricadas 568 unidades, das quais 470 foram emplacadas no Brasil e as demais exportadas. Na época, esse número de emplacamentos foi muito comemorado pelos fabricantes, pois representou crescimento de 169% nas vendas, em comparação com 2018, quando o sistema RENAVAM (Registro Nacional de Veículos Automotores) apontou o registro de 175 caminhões-betoneira.

Aumento do concreto dosado em central em obras residenciais impacta diretamente na venda de caminhões-betoneira Crédito: Cia. de Cimento Itambé
Aumento do concreto dosado em central em obras residenciais impacta diretamente na venda de caminhões-betoneira
Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Em 2019, também chegou ao mercado brasileiro a betoneira ultraleve, que permite carregar 1  de concreto a mais que os equipamentos convencionais. Um ano após seu lançamento, o modelo em aço inox já vendeu 20 unidades no país e há encomendas do Uruguai, Chile e Argentina.

O bom desempenho dos negócios envolvendo caminhões-betoneira se deve a duas razões: às obras da construção imobiliária, que não paralisaram na pandemia - pelo contrário, o ritmo acelerou por causa de novos lançamentos - e ao aumento do volume de concreto dosado em central nas construções residenciais. Além disso, parte das empresas fornecedoras de concreto investiu na renovação da frota. Para Norberto Fabris, presidente da ANFIR, o segmento de betoneiras é um retrato de que a construção civil tem papel preponderante na recuperação do país. “A economia brasileira já dá sinais de reação”, complementa.

Impacto da pandemia no setor de implementos rodoviários será bem menor que o esperado

Somados todos os implementos rodoviários, os números do setor ainda estão em retração. Porém, são bem menores que os esperados quando a pandemia começou a afetar o desempenho econômico. De janeiro a agosto, segundo a ANFIR, o volume de emplacamentos atingiu 73,7 mil unidades ante 78,6 mil no mesmo período de 2019. Isso representa recuo de 6%. Mas a indústria tem a expectativa de emplacar 114 mil equipamentos em 2020. Se for confirmada, representará queda de 5% em relação ao comercializado no ano passado.

Além do segmento de caminhões-betoneira, as linhas de implementos rodoviários que já registram variação positiva nas vendas são basculante, canavieiro, carrega-tudo, silo, tanque inox e baú lonado. “A crise econômica ainda existe, mas o mercado está buscando maneiras de se recuperar, com o auxílio das diversas medidas tomadas pelo governo federal“, diz Fabris.

Desde 2018, o mercado de reforma de balões-betoneira também vem crescendo. Os números mais atuais são de 2019 e, em dois anos, esse segmento cresceu 330%. O custo para a reforma do equipamento que transporta o concreto costuma ser 50% menor que o da compra de um caminhão-betoneira novo.

Entrevistado
ANFIR (Associação Nacional de Fabricantes de Implementos Rodoviários) e Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração)

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contato@anfir.org.br
sobratema@sobratema.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Construção digital não está no dia a dia de 87% das empresas

Apesar de terminologias como construtechs, Inteligência Artificial, Realidade Aumentada, impressão 3D, robótica, BIM, IoT, drones e Construção 4.0 estarem cada vez mais presentes entre os assuntos que circundam a construção civil, o dia a dia das empresas do setor ainda é bem diferente no Brasil. Pesquisa do Portal AECweb mostra que 87% das construtoras, escritórios de engenharia e arquitetura, empreiteiras e incorporadoras não usam ou utilizam minimamente os processos de construção digital.

Para 32% dos que participaram da pesquisa, email e WhatsApp é o máximo que as aproxima do mundo digital. Por outro lado, o levantamento detectou que a pandemia está levando um número maior de empresas a buscar ferramentas que as conectem com a modernidade. No entanto, a adaptação não virá da noite para o dia. Algumas admitem prazos de 2 anos a 3 anos para aderirem a processos de construção digital. Entre os entraves, as empresas citaram os seguintes:

1. As novas soluções têm preço elevado (23,5%)
2. Faltam habilidades e conhecimento adequado aos funcionários (18,4%)
3. A direção da empresa não tem cultura digital (17,4%)
4. São muitas soluções, existe um software para cada assunto (15%)
5. Falta de tempo para dedicar à implantação (13,2%)
6. As novas soluções são muito difíceis de implantar (6,5%)
7. É muito difícil adequar os processos atuais (6%)

Entre as empresas em processo de transformação digital, o BIM é a ferramenta mais usada

Para 58% das empresas que atuam em projetos ou diretamente nos canteiros de obras, o BIM é ferramenta indispensável Crédito: BIM
Para 58% das empresas que atuam em projetos ou diretamente nos canteiros de obras, o BIM é ferramenta indispensável
Crédito: BIM

De acordo com o levantamento, 13% das empresas entrevistadas já se consideram digitalizadas e utilizam os meios digitais em todos os seus processos. Para elas, os principais benefícios dentro do canteiro de obras são: planejamento e controle (32%), gestão operacional e de processos (32%), integração entre escritório e obra (18%) e controle de custos (18%). Entre as ferramentas que os entrevistados citaram, o BIM é utilizado por 58%. Em seguida, vêm drones (9%) e Realidade Aumentada (9%).

Para aquelas empresas que admitem aderir a processos de construção digital entre 2 anos e 3 anos, a maioria (28%) pretende começar pelos projetos. Depois, planejamento (21%) e administração (18%). O objetivo é conseguir aumento de produtividade (26%), automatização dos processos (22%) e redução de custos (21%). Atualmente, as construtoras e os escritórios de engenharia são os mais conectados com a era digital. Para 35%, essa é uma transformação irreversível.

Quanto a usar a construção digital para superar os efeitos da pandemia sobre a construção civil, 54% dos entrevistados admitiram que “sem a transformação digital será muito difícil se recuperar da crise”. Para 30%, será “impossível se recuperar da crise” e 16% disseram que a transformação digital “não é importante para se recuperar da crise”. Em recente debate sobre construção digital, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) José Carlos Martins, fez a seguinte constatação: “Hoje, quem não interage digitalmente perde espaço. Não é questão de luxo, mas de sobrevivência.”

O levantamento da AECweb ouviu 500 empresas durante o mês de agosto. Confira a íntegra da pesquisa.

Entrevistado
Reportagem com base no relatório da pesquisa “A transformação digital na construção civil”

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contato@aecweb.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Construir ferrovias se torna política de Estado no Brasil

No 4º Seminário de Infraestrutura de Transporte Ferroviário, o ministério da Infraestrutura deixou claro qual o plano de médio e longo prazo para o modal. Construir ferrovias e ampliar a malha nacional agora é um plano de Estado. Para atingir o objetivo, a estratégia é atuar em duas pontas: aumentar tanto o volume de concessões quanto o investimento público.

As razões para que o setor ferroviário ganhe outro status na política de infraestrutura e logística do governo não são poucas. Entre elas, estão a redução do impacto ambiental, a necessidade de diversificar os modais e o enfrentamento do chamado “custo Brasil”. Estudo da FIESP mostrado no evento revela que os produtos que chegam ao consumidor seriam 5% mais baratos, em média, se transportados por ferrovias.

Modal ferroviário corresponde a 15% da matriz de transporte no Brasil. Meta é chegar a 30% em 10 anos Crédito: MInfraestrutura
Modal ferroviário corresponde a 15% da matriz de transporte no Brasil. Meta é chegar a 30% em 10 anos
Crédito: MInfraestrutura

Atualmente, o modal ferroviário corresponde a 15% da matriz de transporte no Brasil. A meta é chegar a 30% nos próximos 10 anos. O país tem uma malha de 29 mil quilômetros, mas apenas 10 mil quilômetros estão em uso. O que o ministério da Infraestrutura prioriza é recuperar os trechos desativados e interligá-los, criando uma malha nacional.

Os eixos principais a serem conectados são a Norte-Sul, a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), a Fico (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste) e a chamada malha paulista, que permitiria também conexão com o sul do país. Sem esse projeto, em 15 anos o país não dará conta de transportar a colheita do agronegócio brasileiro apenas por rodovias.

Atualmente, de tudo o que o agronegócio colhe, apenas 34% são transportados por ferrovias

Recentemente, a safra 2019/2020 atingiu quase 250 milhões de toneladas e a projeção é que em 2035 esse volume chegue a 400 milhões de toneladas. Estudo do Instituto de Engenharia, intitulado “Ocupação Sustentável do Território Nacional pela Ferrovia”, mostra que uma composição com 134 vagões transporta o equivalente a 500 caminhões nas estradas.

Levantamento da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários) revela que desde 1997, quando foram licitadas as primeiras concessões para o setor, a movimentação de carga via transporte ferroviário cresceu quase 130% no país. Nesse período de 23 anos, as concessionárias investiram 75 bilhões de reais nos trechos privatizados. Mas é necessário mais recursos para que se alcance um equilíbrio entre os modais ferroviário e rodoviário.

Hoje, os principais produtos que trafegam por trens no país são minério de ferro, açúcar, farelo de soja, combustível, milho e celulose. Porém, de tudo o que o agronegócio colhe, apenas 34% são transportados por ferrovias. Esse é um dos motivos que fazem o Brasil ser apenas o 17º em competitividade de infraestrutura e logística, em um ranking de 18 países.

A fim de melhorar sua posição, o país necessita investir cerca de 4,15% de seu PIB para garantir a modernização da infraestrutura em um prazo de 20 anos. Atualmente, o investimento está abaixo de 1,5%. Segundo os debatedores que estiveram no 4º Seminário de Infraestrutura de Transporte Ferroviário, é isso que torna urgente transformar a ampliação da malha ferroviária em política de Estado no Brasil.

Assista ao vídeo do 4º Seminário de Infraestrutura de Transporte Ferroviário (entre 5h37min e 7h49min)

Entrevistado
Reportagem com base na apresentação virtual do 4º Seminário de Infraestrutura de Transporte Ferroviário, promovido pela FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e pela Aeamesp (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô)

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eventos@aeamesp.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Não existe cidade inteligente sem cidadão inteligente

Para se manterem sustentáveis ao longo de seu ciclo de vida, os “prédios verdes” têm que seguir os parâmetros de manutenção definidos pelos certificadores. Além disso, a sustentabilidade das edificações passa por educar quem vai fazer a gestão dos prédios (síndicos e administradoras de condomínios) e quem irá utilizar o empreendimento (usuários). A mesma cartilha vale para projetos de cidades inteligentes.

”A conscientização do cliente é fundamental para que o investimento em tecnologia e engenharia para construir um edifício sustentável não se perca. Da mesma forma, não existe cidade inteligente sem cidadão inteligente”, destaca o engenheiro civil Fábio Villas Bôas, coordenador do Comitê de Meio Ambiente (Comasp) e coordenador adjunto do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP.

Construção sustentável é um equilíbrio entre engenharia, tecnologia e cidadania Crédito: Banco de Imagens
Construção sustentável é um equilíbrio entre engenharia, tecnologia e cidadania
Crédito: Banco de Imagens

Sua fala ocorreu no webinar “Finanças sustentáveis: estímulos e barreiras para o setor imobiliário”, promovido recentemente pelo SindusCon-SP. O encontro debateu incentivos para as “construções verdes” e para as cidades inteligentes no Brasil. Foi lembrado que em países desenvolvidos os governos e o próprio mercado já incentivam projetos de edificações sustentáveis, dando inclusive subsídios tributários a quem compra unidades com essas características.

A Alemanha é um exemplo onde o crédito imobiliário é mais barato quanto mais sustentável for o edifício. Villas Bôas afirma que o ideal é que o Brasil siga na mesma direção. “Falta uma legislação sobre isso, mas já existem alguns grupos de trabalho propondo que se exijam parâmetros de sustentabilidade, o que fará a diferença para as gerações futuras e para a própria economia do país”, diz.

Setor brasileiro está preparado para viabilizar projetos de construção sustentável

O dirigente do SindusCon-SP lembra que, do ponto de vista técnico, o setor brasileiro está preparado para viabilizar projetos de construção sustentável. Porém, segundo ele, falta conscientizar parte do segmento. “Essa conscientização abrange as grandes empresas formais de engenharia. O que necessita é incentivar as pequenas construtoras a se capacitarem e a projetarem dentro dos conceitos de edificações sustentáveis. Não precisa muito, mas pensar em painéis solares e sistemas economizadores de água já seria um grande avanço”, avalia.

Fábio Villas Bôas avança na sua análise ao citar que a construção formiguinha - aquela que geralmente não utiliza projeto, não contrata engenheiro civil ou arquiteto, e que utiliza modelos arcaicos de construção - tem um impacto muito grande na conta da construção sustentável no Brasil. Sob esse aspecto, cita que os agentes financeiros podem ter papel preponderante para mudar o cenário. “Quem empresta dinheiro para reformas ou construções de casas pode definir novos critérios. Por exemplo, amortizar as prestações se a obra adotar minimamente conceitos de sustentabilidade”, sugere.

Ele ainda salienta as vantagens de se projetar e construir pensando em preservar recursos como água e energia elétrica, por exemplo. “Se um projeto não economizar nos 20%, que equivalem à construção, vai gastar mais nos 80%, que representam a operação da edificação. Edificações sustentáveis, geralmente, se pagam em no máximo 4 anos”, assegura.

Assista ao vídeo do webinar promovido pelo SindusCon-SP

Entrevistado
Reportagem com base na participação do engenheiro civil Fábio Villas Bôas, coordenador do Comitê de Meio Ambiente (Comasp) e coordenador adjunto do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP, no webinar “Finanças sustentáveis: estímulos e barreiras para o setor imobiliário”

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330