Não existe cidade inteligente sem cidadão inteligente
Conscientização do usuário é fundamental para que investimento em projetos sustentáveis não se perca
Para se manterem sustentáveis ao longo de seu ciclo de vida, os “prédios verdes” têm que seguir os parâmetros de manutenção definidos pelos certificadores. Além disso, a sustentabilidade das edificações passa por educar quem vai fazer a gestão dos prédios (síndicos e administradoras de condomínios) e quem irá utilizar o empreendimento (usuários). A mesma cartilha vale para projetos de cidades inteligentes.
”A conscientização do cliente é fundamental para que o investimento em tecnologia e engenharia para construir um edifício sustentável não se perca. Da mesma forma, não existe cidade inteligente sem cidadão inteligente”, destaca o engenheiro civil Fábio Villas Bôas, coordenador do Comitê de Meio Ambiente (Comasp) e coordenador adjunto do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP.

Crédito: Banco de Imagens
Sua fala ocorreu no webinar “Finanças sustentáveis: estímulos e barreiras para o setor imobiliário”, promovido recentemente pelo SindusCon-SP. O encontro debateu incentivos para as “construções verdes” e para as cidades inteligentes no Brasil. Foi lembrado que em países desenvolvidos os governos e o próprio mercado já incentivam projetos de edificações sustentáveis, dando inclusive subsídios tributários a quem compra unidades com essas características.
A Alemanha é um exemplo onde o crédito imobiliário é mais barato quanto mais sustentável for o edifício. Villas Bôas afirma que o ideal é que o Brasil siga na mesma direção. “Falta uma legislação sobre isso, mas já existem alguns grupos de trabalho propondo que se exijam parâmetros de sustentabilidade, o que fará a diferença para as gerações futuras e para a própria economia do país”, diz.
Setor brasileiro está preparado para viabilizar projetos de construção sustentável
O dirigente do SindusCon-SP lembra que, do ponto de vista técnico, o setor brasileiro está preparado para viabilizar projetos de construção sustentável. Porém, segundo ele, falta conscientizar parte do segmento. “Essa conscientização abrange as grandes empresas formais de engenharia. O que necessita é incentivar as pequenas construtoras a se capacitarem e a projetarem dentro dos conceitos de edificações sustentáveis. Não precisa muito, mas pensar em painéis solares e sistemas economizadores de água já seria um grande avanço”, avalia.
Fábio Villas Bôas avança na sua análise ao citar que a construção formiguinha – aquela que geralmente não utiliza projeto, não contrata engenheiro civil ou arquiteto, e que utiliza modelos arcaicos de construção – tem um impacto muito grande na conta da construção sustentável no Brasil. Sob esse aspecto, cita que os agentes financeiros podem ter papel preponderante para mudar o cenário. “Quem empresta dinheiro para reformas ou construções de casas pode definir novos critérios. Por exemplo, amortizar as prestações se a obra adotar minimamente conceitos de sustentabilidade”, sugere.
Ele ainda salienta as vantagens de se projetar e construir pensando em preservar recursos como água e energia elétrica, por exemplo. “Se um projeto não economizar nos 20%, que equivalem à construção, vai gastar mais nos 80%, que representam a operação da edificação. Edificações sustentáveis, geralmente, se pagam em no máximo 4 anos”, assegura.
Assista ao vídeo do webinar promovido pelo SindusCon-SP
Entrevistado
Reportagem com base na participação do engenheiro civil Fábio Villas Bôas, coordenador do Comitê de Meio Ambiente (Comasp) e coordenador adjunto do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP, no webinar “Finanças sustentáveis: estímulos e barreiras para o setor imobiliário”
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