Mobilização mantém piso salarial para engenheiros civis

Presidente do Confea/CREA, o engenheiro civil Joel Krüger, realizou trabalho de convencimento no Congresso Nacional para manter o piso salarial da categoria Crédito: Confea/CREA
Presidente do Confea/CREA, o engenheiro civil Joel Krüger, realizou trabalho de convencimento no Congresso Nacional para manter o piso salarial da categoria
Crédito: Confea/CREA

O sistema Confea/CREA travou uma batalha de convencimento no Congresso Nacional para conseguir derrubar trechos da MP 1040/2021, considerados prejudiciais ao exercício da engenharia civil e da agronomia. No texto original, a medida provisória, que busca desburocratizar o ambiente de negócios no Brasil, propunha extinguir o piso salarial da categoria e dispensar ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) para instalações elétricas de até 140 kVA (quilovolt-ampere) em obras de pequeno e médio portes 

No final de junho, a medida provisória chegou a ser aprovada na Câmara, conforme o texto original do relator, mas nos dias 4 e 5 de agosto, em votação no Senado, e em acordo com lideranças na Câmara, o Confea/CREA conseguiu excluir os temas polêmicos do texto da MP 1040/2021. Em resumo: seguem mantidos o piso salarial da engenharia e a ART para instalações elétricas de até 140 kVA 

presidente do Confea/CREA, o engenheiro civil Joel Krüger, comemorou o triunfo obtido no Congresso Nacional. “Foi uma vitória de toda a mobilização conduzida pelos presidentes de CREAs, conselheiros federais, coordenadores de câmaras especializadas, diretoria da Mútua, pelas lideranças das entidades de classe, pela assessoria parlamentar do Confea e até mesmo por todos os profissionais e futuros profissionais que voluntariamente atuaram em defesa de seus direitos e da sociedade”, diz. 

No quesito que tratava dos projetos elétricos, o Confea/CREA afirma que, caso fosse aprovado o texto original, poderia haver o comprometimento de instalações hospitalares, de escolas, do comércio varejista, de empreendimentos rurais e até de edificações residenciais com até 10 pavimentos e 4 unidades por andar. “Havia preocupante risco à saúde do cidadão. Convém registrar que a maioria dos acidentes, sobretudo choques elétricos, ocorrem na baixa tensão, provocados tanto por profissionais não-habilitados quanto por leigos”, afirma nota técnica assinada pelo Confea/CREA. 

Engenharia é profissão com alta carga de responsabilidade, justifica o Confea/CREA 

Em outra nota técnica, sobre o piso salarial da categoria, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia justifica que ele é necessário por causa da carga de responsabilidade e dos riscos sociais e econômicos que a atividade pode desencadear. “Inclui tarefas que compreendem planejamento, projeto, cálculo, construção, administração, fiscalização, seja da mais simples até a mais complexa atividade de habitação, infraestrutura, agronegócio nacional, industrial, transformação, entre outras, pesando sobre os profissionais a responsabilidade de dezenas ou centenas de vidas”, destaca o Confea/CREA. 

A MP 1040/2021 também ameaçava extinguir os pisos salariais de arquitetos e urbanistas, profissões ligadas à química e à medicina veterinária. Todos foram mantidos com a retirada dos trechos polêmicos da medida provisória. Atualmente, o piso salarial da engenharia civil e da agronomia está em R$ 6.600 reais. 

Por se tratar de uma medida provisória, a MP 1040/2021 já vigorava desde o final de março de 2021. Agora, com as alterações promovidas no Congresso, a MP volta para sanção presidencial. A justificativa do ministério da Economia para atuar na edição da 1040/2021 é que o país precisa modernizar a forma como faz negócios. Por isso, no texto que saiu do Palácio do Planalto havia mudanças legislativas para a simplificação de abertura de empresas, a proteção aos investidores minoritários, a facilitação do comércio exterior de bens e serviços e a liberação de construções de baixo risco, cujo capítulo criou atrito com o sistema Confea/CREA 

Segundo o Banco Mundial, de 190 países o Brasil ocupa a posição 124 entre os que oferecem bons ambientes de negócio. 

Entrevistado
Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea/CREA) 

Contato
gco@confea.org.br

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330


Mobilização mantém piso salarial para engenheiros civis

Presidente do Confea/CREA, o engenheiro civil Joel Krüger, realizou trabalho de convencimento no Congresso Nacional para manter o piso salarial da categoria Crédito: Confea/CREA
Presidente do Confea/CREA, o engenheiro civil Joel Krüger, realizou trabalho de convencimento no Congresso Nacional para manter o piso salarial da categoria
Crédito: Confea/CREA

O sistema Confea/CREA travou uma batalha de convencimento no Congresso Nacional para conseguir derrubar trechos da MP 1040/2021, considerados prejudiciais ao exercício da engenharia civil e da agronomia. No texto original, a medida provisória, que busca desburocratizar o ambiente de negócios no Brasil, propunha extinguir o piso salarial da categoria e dispensar ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) para instalações elétricas de até 140 kVA (quilovolt-ampere) em obras de pequeno e médio portes 

No final de junho, a medida provisória chegou a ser aprovada na Câmara, conforme o texto original do relator, mas nos dias 4 e 5 de agosto, em votação no Senado, e em acordo com lideranças na Câmara, o Confea/CREA conseguiu excluir os temas polêmicos do texto da MP 1040/2021. Em resumo: seguem mantidos o piso salarial da engenharia e a ART para instalações elétricas de até 140 kVA 

presidente do Confea/CREA, o engenheiro civil Joel Krüger, comemorou o triunfo obtido no Congresso Nacional. “Foi uma vitória de toda a mobilização conduzida pelos presidentes de CREAs, conselheiros federais, coordenadores de câmaras especializadas, diretoria da Mútua, pelas lideranças das entidades de classe, pela assessoria parlamentar do Confea e até mesmo por todos os profissionais e futuros profissionais que voluntariamente atuaram em defesa de seus direitos e da sociedade”, diz. 

No quesito que tratava dos projetos elétricos, o Confea/CREA afirma que, caso fosse aprovado o texto original, poderia haver o comprometimento de instalações hospitalares, de escolas, do comércio varejista, de empreendimentos rurais e até de edificações residenciais com até 10 pavimentos e 4 unidades por andar. “Havia preocupante risco à saúde do cidadão. Convém registrar que a maioria dos acidentes, sobretudo choques elétricos, ocorrem na baixa tensão, provocados tanto por profissionais não-habilitados quanto por leigos”, afirma nota técnica assinada pelo Confea/CREA. 

Engenharia é profissão com alta carga de responsabilidade, justifica o Confea/CREA 

Em outra nota técnica, sobre o piso salarial da categoria, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia justifica que ele é necessário por causa da carga de responsabilidade e dos riscos sociais e econômicos que a atividade pode desencadear. “Inclui tarefas que compreendem planejamento, projeto, cálculo, construção, administração, fiscalização, seja da mais simples até a mais complexa atividade de habitação, infraestrutura, agronegócio nacional, industrial, transformação, entre outras, pesando sobre os profissionais a responsabilidade de dezenas ou centenas de vidas”, destaca o Confea/CREA. 

A MP 1040/2021 também ameaçava extinguir os pisos salariais de arquitetos e urbanistas, profissões ligadas à química e à medicina veterinária. Todos foram mantidos com a retirada dos trechos polêmicos da medida provisória. Atualmente, o piso salarial da engenharia civil e da agronomia está em R$ 6.600 reais. 

Por se tratar de uma medida provisória, a MP 1040/2021 já vigorava desde o final de março de 2021. Agora, com as alterações promovidas no Congresso, a MP volta para sanção presidencial. A justificativa do ministério da Economia para atuar na edição da 1040/2021 é que o país precisa modernizar a forma como faz negócios. Por isso, no texto que saiu do Palácio do Planalto havia mudanças legislativas para a simplificação de abertura de empresas, a proteção aos investidores minoritários, a facilitação do comércio exterior de bens e serviços e a liberação de construções de baixo risco, cujo capítulo criou atrito com o sistema Confea/CREA 

Segundo o Banco Mundial, de 190 países o Brasil ocupa a posição 124 entre os que oferecem bons ambientes de negócio. 

Entrevistado
Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea/CREA) 

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Altair Santos MTB 2330


China inaugura trem maglev que iguala velocidade de aviões

Trem maglev mais rápido do mundo foi apresentado dia 20 de julho de 2021, na pista de teste da cidade de Qingdao, na China Crédito: Agência Xinhua
Trem maglev mais rápido do mundo foi apresentado dia 20 de julho de 2021, na pista de teste da cidade de Qingdao, na China
Crédito: Agência Xinhua

Levitando sobre estruturas pré-fabricadas de concreto, construídas em uma pista de teste na cidade de Qingdao, na China, foi apresentado dia 20 de julho de 2021 o veículo terrestre mais rápido do mundo. O trem maglev desenvolvido pela estatal CRRC Corporation é capaz de atingir 620 km/h, igualando a velocidade de cruzeiro de alguns modelos de aviões. A marca atingida pela composição chinesa bate o recorde que um protótipo japonês de maglev havia atingido em 2015, quando alcançou 603 km/h. 

O termo maglev vem de levitação magnética e a China é o país que está mais desenvolvido nessa tecnologia. O trem se movimenta sobre um sistema de eletroímãs. Em vez de trilhos, há supercondutores elétricos que criam campos magnéticos que repelem os grandes imãs localizados embaixo do trem. Isso permite que o veículo flutue sobre a linha, a uma distância que pode variar de 1 centímetro a 10 centímetros, dependendo da tecnologia empregada. Como o trem passa a ter apenas o ar como resistência, ele consegue atingir velocidades que se equiparam às dos aviões 

O veículo em teste na China só vai poder operar comercialmente quando forem concluídas as duas linhas que estão em construção no país. Uma ligando Xangai a Hangzhou e outra de Chengdu a Chongqing. Atualmente, os chineses contam com um maglev que liga o aeroporto de Xangai a uma das estações de metrô da cidade, em um percurso de 29 quilômetros. O maglev em operação desde 2003 atinge velocidade máxima de 431 km/h. Em média, o trajeto é percorrido em 7 minutos e 20 segundos. 

Para trens que atingem velocidade superior a 500 km/h, China construirá linhas com concreto UHPC 

Há outras duas linhas de trens que utilizam a tecnologia maglev em trechos urbanos das cidades de Pequim e Changsha, porém se enquadram na categoria de trens de baixa velocidade – até 100 km/h. A da capital chinesa foi inaugurada em 2016 e a de Changsha em 2017. Todas as linhas maglev em operação na China foram construídas pela alemã Max Bögl, que desenvolveu know-how para fabricar os elementos de concreto que compõem as linhas. No caso do maglev de Xangai, todas as peças foram construídas na Alemanha e transportadas de navio até a China. Os pré-fabricados utilizaram concreto de alto desempenho com resistência de 80 MPa e, em média, cada um tem 12 metros de comprimento. 

Para as novas linhas de maglev, que irão atender o trem mais rápido do mundo, a engenharia chinesa já adquiriu conhecimento necessário para construir seus próprios trens, sua própria tecnologia maglev, assim como as estruturas de concreto para suportar as linhas. Para veículos que possam atingir velocidade superior a 500 km/h, a China cogita utilizar elementos pré-fabricados de UHPC (concreto de ultra-alto desempenho) a fim de que tenham resistência de sobra para suportar a tração causada pelos trens ultrarrápidos.  

Na China, a CRRC desenvolve a tecnologia dos trens do futuro em 4 unidades: em Qingdao, na província de Shandong; em Chengdu, na província de Sichuan; em Changchun, na província de Jilin, e em Tangshan, na província de Hebei. Atuam em parceria com a Southwest Jiaotong University, que há mais de 70 anos pesquisa tecnologias para o desenvolvimento ferroviário do país. 

Entrevistado
CRRC Corporation Limited 

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crrc@crrcgc.cc 

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Altair Santos MTB 2330


Confiança do empresário da construção civil é a maior em 7 anos

Quanto maior o índice de confiança, maior a disposição do empresário da construção civil em empreender em novos projetos e gerar empregos Crédito: Renato Alves/Agência Brasília
Quanto maior o índice de confiança, maior a disposição do empresário da construção civil em empreender em novos projetos e gerar empregos
Crédito: Renato Alves/Agência Brasília

O empresário da construção civil está cada vez mais confiante para empreender. É o que demonstra o Índice de Confiança da Construção (ICST), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE), e que em julho de 2021 atingiu o maior patamar desde março de 2014. O ICST chegou a 95,7. Há 7 anos havia atingido 96,3. Quanto maior o índice de confiança, maior a disposição do empresário do setor em empreender em novos projetos 

Para a coordenadora de projetos da construção do FGV-IBRE, a economista Ana Maria Castelo, os percentuais positivos de julho mostram uma percepção bastante favorável em relação à evolução da demanda nos próximos meses. “Volta a prevalecer um cenário levemente otimista. Se no segundo semestre de 2020 a alta dos custos contribuiu para derrubar a confiança, em 2021 esse efeito foi atenuado”, avalia. 

O que anima as empresas são os indicadores de demanda e tendência de negócios, também medidos pelo FGV-IBRE e que registraram alta em julho. Consequentemente, 26,7% das construtoras apontam crescimento nas atividades. O percentual é o maior desde 2012. Explicam esse resultado fatores como a demanda consistente por imóvel, as baixas taxas de juros, o incremento do crédito imobiliário, o novo significado da casa própria para as famílias e a melhora das expectativas para a economia. 

Além disso, a confiança do consumidor em alta também estimula o setor a promover novos lançamentos. Em julho, o ICC (Índice de Confiança do Consumidor) chegou a 82,2, praticamente igualando o número registrado em outubro de 2020, que chegou a 82,4. O índice engloba a percepção da economia, o nível de satisfação com as finanças pessoais e a perspectiva em relação à situação financeira da família. Esses bons números se refletem no ímpeto para comprar, que em julho chegou a 65,2 – pontuações acima de 50 demonstram tendência em consumir. 

No 1º semestre, construção civil gerou 178 mil novas vagas com carteira assinada 

cenário de condições favoráveis também resulta em geração de empregos. A construção civil fechou o 1º semestre de 2021 com saldo positivo de 178 mil novas vagas com carteira assinada. Trata-se de um acréscimo de 7,86% no número de trabalhadores em relação a dezembro de 2020. Em 12 meses, o setor criou 322.697 novos empregos em todo o país. “Isso significa que foram criadas, em média, 1.275 vagas com carteira assinada por dia útil”, ressalta Ieda Vasconcelos, economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC). 

Para Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a confiança dos empresários não se limita ao setor da construção e está disseminada em outras áreas. A CNI mede mensalmente 30 setores industriais, através do índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI). Em julho, o ICEI chegou a 62 pontos. Desde maio, esse índice acumula alta de 8,3 pontos, e atualmente se encontra no maior patamar em 11 anos. O ICEI varia entre 0 e 100, sendo que os 50 pontos são a linha de corte entre confiança e falta de confiança. 

Entrevistado
Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE), Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) e Confederação Nacional da Indústria (CNI)  

Contatos
assessoria.fgv@insightnet.com.br
ascom@cbic.org.br
imprensa@cni.com.br 

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330


Brexit e emissão de CO₂ pressionam construção civil europeia

Cassação da licença para que a principal cimenteira da Suécia explore mineradora repercute e preocupa toda a Europa Crédito: Slitefabriken/Cementa
Cassação da licença para que a principal cimenteira da Suécia explore mineradora repercute e preocupa toda a Europa
Crédito: Slitefabriken/Cementa

Reino Unido e os principais países da União Europeia estão diante de um dilema no setor da construção civil. Uma das razões é o Brexit. Na Grã-Bretanha, o desenlace econômico do bloco já começa a causar escassez de material de construção e de mão de obra, principalmente na Inglaterra. Quando faziam parte do consórcio de países, os britânicos podiam contratar operários de outras nacionalidades – principalmente do leste europeu – sem burocracia. Agora, isso acabou. O mesmo ocorria com o trânsito e compra de materiais, que atualmente enfrentam barreiras alfandegárias 

Desde que começaram a prevalecer as regras do Brexit, 40% da mão de obra imigrante que trabalhava na construção civil britânica já foi obrigada a deixar o país. A maioria, formada por cidadãos da Polônia, Estônia e Eslovênia. Outra percepção do setor é que 15% dos construtores na Grã-Bretanha já sentem reflexos da escassez de materiais ou do aumento elevado dos preços de alguns produtos, revela a Construction Products Association – equivalente à Abramat no Brasil. Mesmo assim, as projeções no Reino Unido são de que a indústria local de materiais de construção irá crescer 13,7% em 2021 e 6,3% em 2022. 

Já os demais países da União Europeia veem crescer a pressão por construir sem elevar a emissão de CO₂. O caso mais emblemático ocorre na Suécia, onde a principal cimenteira do país não teve a licença de sua mineradora renovada. A empresa fornece 75% de todo o material usado na construção civil sueca e o impasse ameaça paralisar o setor. Quem faz o alerta é a Byggföretagen – organismo que representa a construção civil da Suécia, e que tem função semelhante à da CBIC, no Brasil. “Projetos de obras de infraestrutura, que consomem grandes volumes de cimento, já foram paralisados”, revela, em nota. 

Demais países da União Europeia tentam evitar o que acontece na Suécia 

Para a Byggföretagen, se até novembro o impasse não for resolvido, toda a construção sueca será afetada. “Em novembro, 3 de cada 4 novas casas não poderão ser construídas por falta de cimento. Isso também vai impactar na geração de empregos. Numa visão otimista, pelo menos 200 mil vagas estão ameaçadas, mas esse número pode dobrar”, destaca o relato da associação sueca, assinado pela CEO Catharina Elmsäter-Svärd. Se não for revogada a decisão da suprema corte ambiental da Suécia, no dia 1º de novembro de 2021 a Cementa terá que parar de extrair calcário da mineradora da qual teve a licença cassada. 

Para minimizar o impacto, a Suécia tenta antecipar a operação da primeira fábrica de cimento com emissão zero de CO₂, antes programada para começar a funcionar em 2030. Igualmente pressionada, a Noruega também vai pelo mesmo caminho. O receio dos países é que medidas semelhantes à que ocorreu na Suécia possam se disseminar pelo continente europeu, inviabilizando a produção de cimento e comprometendo a construção civil. Preventivamente, organismos como a Cembureau (Associação de Cimento da Europa) e a European Concrete Societies Network (ECSN) se esforçam junto aos governos, a fim de que o prazo para que a construção civil do continente atinja a emissão zero de CO₂ não seja antecipado, mas mantido para 2050. 

Entrevistado
Construction Products Association (CPA), Cembureau (The European Cement Association), European Concrete Societies Network (ECSN) e Byggföretagen 

Contatos
info@byggforetagen.se
info@ecsn.net
communications@cembureau.eu
www.constructionproducts.org.uk 

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330


Brexit e emissão de CO₂ pressionam construção civil europeia

Cassação da licença para que a principal cimenteira da Suécia explore mineradora repercute e preocupa toda a Europa Crédito: Slitefabriken/Cementa
Cassação da licença para que a principal cimenteira da Suécia explore mineradora repercute e preocupa toda a Europa
Crédito: Slitefabriken/Cementa

Reino Unido e os principais países da União Europeia estão diante de um dilema no setor da construção civil. Uma das razões é o Brexit. Na Grã-Bretanha, o desenlace econômico do bloco já começa a causar escassez de material de construção e de mão de obra, principalmente na Inglaterra. Quando faziam parte do consórcio de países, os britânicos podiam contratar operários de outras nacionalidades – principalmente do leste europeu – sem burocracia. Agora, isso acabou. O mesmo ocorria com o trânsito e compra de materiais, que atualmente enfrentam barreiras alfandegárias 

Desde que começaram a prevalecer as regras do Brexit, 40% da mão de obra imigrante que trabalhava na construção civil britânica já foi obrigada a deixar o país. A maioria, formada por cidadãos da Polônia, Estônia e Eslovênia. Outra percepção do setor é que 15% dos construtores na Grã-Bretanha já sentem reflexos da escassez de materiais ou do aumento elevado dos preços de alguns produtos, revela a Construction Products Association – equivalente à Abramat no Brasil. Mesmo assim, as projeções no Reino Unido são de que a indústria local de materiais de construção irá crescer 13,7% em 2021 e 6,3% em 2022. 

Já os demais países da União Europeia veem crescer a pressão por construir sem elevar a emissão de CO₂. O caso mais emblemático ocorre na Suécia, onde a principal cimenteira do país não teve a licença de sua mineradora renovada. A empresa fornece 75% de todo o material usado na construção civil sueca e o impasse ameaça paralisar o setor. Quem faz o alerta é a Byggföretagen – organismo que representa a construção civil da Suécia, e que tem função semelhante à da CBIC, no Brasil. “Projetos de obras de infraestrutura, que consomem grandes volumes de cimento, já foram paralisados”, revela, em nota. 

Demais países da União Europeia tentam evitar o que acontece na Suécia 

Para a Byggföretagen, se até novembro o impasse não for resolvido, toda a construção sueca será afetada. “Em novembro, 3 de cada 4 novas casas não poderão ser construídas por falta de cimento. Isso também vai impactar na geração de empregos. Numa visão otimista, pelo menos 200 mil vagas estão ameaçadas, mas esse número pode dobrar”, destaca o relato da associação sueca, assinado pela CEO Catharina Elmsäter-Svärd. Se não for revogada a decisão da suprema corte ambiental da Suécia, no dia 1º de novembro de 2021 a Cementa terá que parar de extrair calcário da mineradora da qual teve a licença cassada. 

Para minimizar o impacto, a Suécia tenta antecipar a operação da primeira fábrica de cimento com emissão zero de CO₂, antes programada para começar a funcionar em 2030. Igualmente pressionada, a Noruega também vai pelo mesmo caminho. O receio dos países é que medidas semelhantes à que ocorreu na Suécia possam se disseminar pelo continente europeu, inviabilizando a produção de cimento e comprometendo a construção civil. Preventivamente, organismos como a Cembureau (Associação de Cimento da Europa) e a European Concrete Societies Network (ECSN) se esforçam junto aos governos, a fim de que o prazo para que a construção civil do continente atinja a emissão zero de CO₂ não seja antecipado, mas mantido para 2050. 

Entrevistado
Construction Products Association (CPA), Cembureau (The European Cement Association), European Concrete Societies Network (ECSN) e Byggföretagen 

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Altair Santos MTB 2330


Projeto para pavimento rígido terá prática recomendada

Prática Recomendada para projetos de pavimento urbano de concreto busca oferecer um leque de metodologias adequadas aos vários cenários brasileiros Crédito: Daniel Castellano/SMCS
Prática Recomendada para projetos de pavimento urbano de concreto busca oferecer um leque de metodologias adequadas aos vários cenários brasileiros
Crédito: Daniel Castellano/SMCS

Está em consulta pública até o dia 10 de agosto de 2021 uma prática recomendada para projetos de pavimento urbano de concreto. O objetivo é sugerir as melhores metodologias de cálculo, a fim de dar mais competitividade ao pavimento rígido. A proposta partiu da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem). 

Tecnicamente chamado de ABNT PR 1011, a prática recomendada não tem valor normativo, mas pretende servir de referência para engenheiros-projetistas que atuam no segmento de pavimento de concreto. Originalmente, o documento tem a proposta de oferecer um leque de metodologias adequadas a vários cenários urbanos no Brasil. 

“Esta Prática Recomendada busca experiências conceituais novas e adequadas ao mundo contemporâneo e às realidades das comunidades urbanas brasileiras”, diz o descritivo em consulta pública. O documento também lembra que países desenvolvidos tecnologicamente, como França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Itália, Espanha, Áustria e Japão, criaram metodologias adequadas às suas condições urbanas. Destaca também os procedimentos adotados pela American Association of State Highway and Transportation Officials (AASHTO), nos Estados Unidos. 

descritivo em consulta pública cita ainda que as normas técnicas que servem de referência aos pavimentos de concreto, embora assegurem qualidade à obra, não entram tão profundamente nas peculiaridades dos projetos. Lembra também que há mais de 50 anos não existem referências para projetos de pavimento urbano no Brasil. A mais recente foi elaborada pela Prefeitura Municipal de São Paulo, em 1967. 

Vejas as normas técnicas que referendam a ABNT PR 1011  

Além da ABNT NBR 6118 (Projeto de estruturas de concreto – Procedimento), a ABNT PR 1011 cita como referências as seguintes normas técnicas:
– ABNT NBR 7480 (Aço destinado a armaduras para estruturas de concreto armado – Especificação).
– ABNT NBR 7481 (Tela de aço soldada – Armadura para concreto).
– ABNT NBR 11768-1:2019 (Aditivos químicos para concreto de Cimento Portland – Parte 1: Requisitos).
– ABNT NBR 15530 (Fibras de aço para concreto – Requisitos e métodos de ensaio).
– ABNT NBR 16834 (Concreto – Determinação da variação dimensional (retração ou expansão linear)).
– ABNT NBR 16940 (Concreto reforçado com fibras – Determinação das resistências à tração na flexão (limite de proporcionalidade e resistências residuais) – Método de ensaio).
– ABNT NBR 16942 (Fibras poliméricas para concreto – Requisitos e métodos de ensaio). 

documento em consulta pública ressalta ainda que a Prática Recomendada “é destinada aos profissionais da engenharia civil que possuam ampla compreensão sobre as respostas mecânicas de placas de concreto sob a ação de cargas ambientais e de veículos rodoviários”. Reforça ainda que os “usuários da Prática Recomendada precisam também ter amplos conhecimentos sobre os materiais empregados nas estruturas de pavimento de concreto”. 

Para acompanhar o andamento da ABNT PR 1011 é preciso acessar a página de consulta pública da ABNT. 

Entrevistado
Reportagem com base no descritivo colocado em consulta pública pela ABNT, que detalha a Prática Recomendada para projetos de pavimento urbano de concreto. 

Contato
consultanacional@abnt.org.br 

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330
 


Torres eólicas com concreto protendido: saiba as vantagens

Torres eólicas com elementos pré-fabricados de concreto protendido permitem que aerogeradores atuem com potência máxima em situações de fortes ventos Crédito: Nordex SE
Torres eólicas com elementos pré-fabricados de concreto protendido permitem que aerogeradores atuem com potência máxima em situações de fortes ventos
Crédito: Nordex SE

Segundo dados da ABEEolica (Associação Brasileira de Energia Eólica) o Brasil possui atualmente 19 GW de capacidade instalada, com mais de 720 parques e 8.550 aerogeradores em operação. A maior parte das torres instaladas ainda são metálicas, mas as construções recentes têm optado por estruturas em concreto protendido. Em palestra promovida pelo Instituto de Engenharia, o engenheiro civil Evandro Duarte explica o porquê dessa tendência e quais as vantagens das torres construídas com elementos pré-fabricados.  

Reconhecido internacionalmente como um dos principais projetistas de estruturas em concreto protendido, Duarte foi professor de importantes universidades do Rio de Janeiro e atualmente atua no segmento de construção de torres eólicas. Em sua palestra online, ele conta que os primeiros parques eólicos construídos no Brasil tiveram a presença maciça de torres metálicas por imposição dos fabricantes de aerogeradores europeus. “Eles impunham os projetos e exigiam que estivessem vinculados aos padrões europeus”, relata. 

Com o tempo, o mercado de energia eólica no Brasil percebeu que as torres metálicas possuem vulnerabilidades que as construídas com concreto protendido não têm. O palestrante explica uma delas: “Quando o vento é forte, as torres metálicas têm pouca inércia da seção estrutural, ou seja, elas ‘encolhem’ e comprometem a potência dos aerogeradores, impedindo que eles girem na velocidade máxima. Com o concreto protendido isso não ocorre, pois o material é mais rígido e suporta melhor a velocidade dos ventos.” 

Outras vantagens das torres construídas com elementos pré-fabricados de concreto protendido são as seguintes: 

1. Menor tempo na execução. Enquanto as metálicas geram transtornos de logística, a torre de concreto protendido permite que seja montada uma fábrica itinerante no canteiro de obras, eliminando o transporte por longas distâncias.
2. Possibilita projetar torres mais altas, com 120 metros ou mais, para aerogeradores mais potentes. “Já está se chegando a aerogeradores com pás de 160 metros de diâmetros, capazes de produzir até 10 MW. Isso exige torres mais altas”, cita Evandro Duarte.
3. Tem baixa manutenção na comparação com as metálicas, que necessitam de reaperto constante.
4. Permite uso de concreto de alto desempenho.
5. Ausência de oxidação.
6. Melhor comportamento dinâmico.
7. Baixo risco de fadiga do material.
8. Maior resistência ao fogo.
9. Menor custo, já que o aço registrou aumento superior a 72% em 12 meses no Brasil.
10. Permite janelas maiores para a montagem das aduelas, enquanto as estruturas metálicas exigem que a operação seja paralisada quando o vento supera 20 km/h. 

Brasil avançou para a 3ª colocação entre os maiores geradores de energia eólica 

Na palestra intitulada “Uma solução atual para torres eólicas pré-moldadas e protendidas”, Evandro Duarte relata que na década passada o Brasil deu um salto na construção de parques que produzem energia eólica. O país atualmente ocupa a 3ª colocação. É superado por China e Estados Unidos e está na frente de Alemanha, Noruega, Espanha, França, Turquia, Índia e Austrália. As regiões brasileiras mais propícias para a exploração da energia gerada pelo vento são nordeste e sul. A costa litorânea que se estende entre Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte é uma delas. Em seguida, vem a região central da Bahia, a costa litorânea do Rio Grande do Sul, o oeste de Santa Catarina e o oeste e sul do Paraná. 

Os estados que mais produzem energia eólica no Brasil são Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Piauí. Já as maiores capacidades instaladas estão no Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Rio Grande do Sul e Piauí. 

Veja o vídeo da palestra 

Entrevistado
Reportagem com base na palestra online concedida pelo engenheiro civil Evandro Duarte ao Instituto de Engenharia, intitulada “Uma solução atual para torres eólicas pré-moldadas e protendidas” 

Contato
atendimento@iengenharia.org.br 

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330
 


Torres eólicas com concreto protendido: saiba as vantagens

Torres eólicas com elementos pré-fabricados de concreto protendido permitem que aerogeradores atuem com potência máxima em situações de fortes ventos Crédito: Nordex SE
Torres eólicas com elementos pré-fabricados de concreto protendido permitem que aerogeradores atuem com potência máxima em situações de fortes ventos
Crédito: Nordex SE

Segundo dados da ABEEolica (Associação Brasileira de Energia Eólica) o Brasil possui atualmente 19 GW de capacidade instalada, com mais de 720 parques e 8.550 aerogeradores em operação. A maior parte das torres instaladas ainda são metálicas, mas as construções recentes têm optado por estruturas em concreto protendido. Em palestra promovida pelo Instituto de Engenharia, o engenheiro civil Evandro Duarte explica o porquê dessa tendência e quais as vantagens das torres construídas com elementos pré-fabricados.  

Reconhecido internacionalmente como um dos principais projetistas de estruturas em concreto protendido, Duarte foi professor de importantes universidades do Rio de Janeiro e atualmente atua no segmento de construção de torres eólicas. Em sua palestra online, ele conta que os primeiros parques eólicos construídos no Brasil tiveram a presença maciça de torres metálicas por imposição dos fabricantes de aerogeradores europeus. “Eles impunham os projetos e exigiam que estivessem vinculados aos padrões europeus”, relata. 

Com o tempo, o mercado de energia eólica no Brasil percebeu que as torres metálicas possuem vulnerabilidades que as construídas com concreto protendido não têm. O palestrante explica uma delas: “Quando o vento é forte, as torres metálicas têm pouca inércia da seção estrutural, ou seja, elas ‘encolhem’ e comprometem a potência dos aerogeradores, impedindo que eles girem na velocidade máxima. Com o concreto protendido isso não ocorre, pois o material é mais rígido e suporta melhor a velocidade dos ventos.” 

Outras vantagens das torres construídas com elementos pré-fabricados de concreto protendido são as seguintes: 

1. Menor tempo na execução. Enquanto as metálicas geram transtornos de logística, a torre de concreto protendido permite que seja montada uma fábrica itinerante no canteiro de obras, eliminando o transporte por longas distâncias.
2. Possibilita projetar torres mais altas, com 120 metros ou mais, para aerogeradores mais potentes. “Já está se chegando a aerogeradores com pás de 160 metros de diâmetros, capazes de produzir até 10 MW. Isso exige torres mais altas”, cita Evandro Duarte.
3. Tem baixa manutenção na comparação com as metálicas, que necessitam de reaperto constante.
4. Permite uso de concreto de alto desempenho.
5. Ausência de oxidação.
6. Melhor comportamento dinâmico.
7. Baixo risco de fadiga do material.
8. Maior resistência ao fogo.
9. Menor custo, já que o aço registrou aumento superior a 72% em 12 meses no Brasil.
10. Permite janelas maiores para a montagem das aduelas, enquanto as estruturas metálicas exigem que a operação seja paralisada quando o vento supera 20 km/h. 

Brasil avançou para a 3ª colocação entre os maiores geradores de energia eólica 

Na palestra intitulada “Uma solução atual para torres eólicas pré-moldadas e protendidas”, Evandro Duarte relata que na década passada o Brasil deu um salto na construção de parques que produzem energia eólica. O país atualmente ocupa a 3ª colocação. É superado por China e Estados Unidos e está na frente de Alemanha, Noruega, Espanha, França, Turquia, Índia e Austrália. As regiões brasileiras mais propícias para a exploração da energia gerada pelo vento são nordeste e sul. A costa litorânea que se estende entre Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte é uma delas. Em seguida, vem a região central da Bahia, a costa litorânea do Rio Grande do Sul, o oeste de Santa Catarina e o oeste e sul do Paraná. 

Os estados que mais produzem energia eólica no Brasil são Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Piauí. Já as maiores capacidades instaladas estão no Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Rio Grande do Sul e Piauí. 

Veja o vídeo da palestra 

Entrevistado
Reportagem com base na palestra online concedida pelo engenheiro civil Evandro Duarte ao Instituto de Engenharia, intitulada “Uma solução atual para torres eólicas pré-moldadas e protendidas” 

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CBIC projeta que PIB da construção crescerá 4% em 2021

Geração de empregos com carteira assinada ao longo do 1º semestre de 2021 foi o melhor da construção civil desde 2012 Crédito: CNI
Geração de empregos com carteira assinada ao longo do 1º semestre de 2021 foi o melhor da construção civil desde 2012
Crédito: CNI

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que o PIB do setor crescerá 4% em 2021. A projeção realizada pelo departamento de economia do organismo, junto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), leva em conta os dados do 1º semestre e as expectativas para os próximos meses. Segundo o presidente da CBIC, José Carlos Martins, a previsão é realista, mas com certo grau de otimismo. “Apesar dos percalços, somos empreendedores e mantemos o foco no crescimento”, diz. 

No começo do ano, a CBIC já estimava que o PIB da construção cresceria 4%. Porém, em março houve um recuo para 2,5%, diante do recrudescimento da pandemia de COVID-19 no país. Agora, com o avanço da vacinação, com os estímulos governamentais e com a construção imobiliária mantendo o ritmo de vendas e lançamentos, a projeção voltou ao patamar de 4%. Para José Carlos Martins, haveria espaço para crescer mais, porém 3 obstáculos impedem estimativas maiores: custo da matéria-prima, carga tributária e burocracia. 

Mesmo assim, se confirmado o crescimento de 4% em 2021, será o maior PIB do setor desde 2013, quando a construção avançou 4,5%. No entanto, a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, faz uma ressalva. Ela alerta que, de 2014 a 2020, houve uma queda acumulada de 33,34% no PIB da construção, ou seja, o eventual crescimento em 2021 não irá repor as perdas. “Mesmo com o crescimento de 4% em 2021, a retração do período 2014-2020 continuará superior a 30%, o que é bastante expressivo. A construção precisará continuar a crescer mais alguns anos nessa intensidade para que a recuperação total aconteça”, diz. 

Um dos medidores que balizam a projeção do PIB feita pela CBIC é o Índice do Nível de Atividade. No 2º trimestre de 2021, esse indicador apresentou o melhor desempenho desde 2012. Para Ieda Vasconcelos, há uma conjunção de fatores que levaram a esse resultado. Entre eles, a demanda consistente por imóvel, as baixas taxas de juros, o incremento do crédito imobiliário, o novo significado da casa própria para as famílias e a melhora nas expectativas para a economia. 

Cada 1 real investido na construção retorna R$ 2,46 reais para a economia 

Outro medidor que compõe a projeção é o que capta a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) das empresas de construção. Esse cresceu um ponto percentual em junho, em relação a maio, e atingiu o seu maior patamar (64%) desde novembro de 2014 (66%). O resultado também é superior à média histórica do indicador (62%). São dados que refletem na geração de emprego, que em 12 meses cresceu 15,01%. Atualmente, o setor emprega 2.430.234 trabalhadores com carteira assinada. Só em 2021 foram gerados mais 156.693 novos postos nos canteiros de obras. Trata-se do melhor resultado desde 2012. 

Apesar dos percentuais positivos, José Carlos Martins avalia que a construção civil avança como “uma Ferrari com freio de mão puxado”, ou seja, poderia crescer e gerar muito mais empregos do que o cenário atual indica. “Sempre vale a pena ressaltar que de cada 1 real investido na construção civil retornam 2,46 reais para a economia do país”, conclui o presidente da CBIC. 

Acesse a apresentação da CBIC sobre o desempenho da construção civil no 1º semestre de 2021

Entrevistado
Reportagem com base na apresentação da CBIC, intitulada “Desempenho Econômico da Indústria da Construção”. 

Contato
ascom@cbic.org.br 

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Altair Santos MTB 2330