Da teoria à prática, é hora de gerir resíduos da construção civil
Consultor ambiental avalia que já se perdeu muito tempo para que esse tema seja levado a sério por governos, órgãos ambientais e empresas

Administrador de empresas, com especialização em gerenciamento ambiental na indústria, o consultor Élcio Herbst avalia que, com exceção de iniciativas em Curitiba e região metropolitana, a gestão de resíduos de construção e demolição ainda não saiu da teoria nas outras cidades do Paraná. Segundo ele, há uma boa parcela de responsabilidade das prefeituras em pôr em prática a resolução CONAMA 307. Na avaliação de Herbst, faltam incentivos e um atrelamento da situação ambiental à questão social. É o que ele revela na entrevista a seguir. Confira:
Desde julho de 2002 vigora a resolução 307 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que impõe regras para a gestão dos resíduos da construção civil, o que mudou desde então ou as mudanças ainda estão por acontecer?
Apesar da resolução CONAMA 307, o cenário da gestão de resíduos de construção e demolição (RCD) levou muito tempo para ser alterado. Por isso, até hoje, em algumas cidades, tem-se a impressão de que a norma não existe, pois se depara com total descaso diante da geração de RCD, não sendo observada a destinação ambientalmente correta dos diferentes tipos de resíduos que compõem este grupo.
O que emperra a gestão de resíduos da construção civil: os governos, que não estimulam a gestão; os órgãos competentes, que não fiscalizam, ou as construtoras, que alegam gastos extras para viabilizar a gestão?
Na verdade, todos os atores envolvidos têm sua parcela de responsabilidade. Por parte dos governos municipais, muitos não elaboraram leis específicas, conforme preconiza a resolução CONAMA 307, ou seja, o Programa de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) não foi trabalhado, aliado às dificuldades de fiscalização pelos órgãos governamentais. Ressalta-se a responsabilidade das prefeituras para o gerenciamento de RCD oriundas dos pequenos geradores, que em muitas situações também foram omissas. Há poucas opções de unidades de processamento dos RCD no Brasil e isso acaba sendo um obstáculo para a destinação correta dos resíduos classe A (resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados), segundo o CONAMA 307, fazendo com que estes materiais sejam dispostos em qualquer lugar, inclusive encostas, beiras de rios, provocando poluição e assoreamento de rios. Além disso, muitas construtoras ainda não descobriram os reais benefícios da aplicação da gestão de resíduos, que além de todos os benefícios ambientais ainda pode resultar em ganhos econômicos, pois a partir do momento que se agrega valor a cada tipologia de resíduo ela passa a sofrer uma destinação mais nobre que o simples ato de aterrar. Nesse âmbito, destacam-se os ganhos com a reciclagem, diminuição de caçambas com resíduos para aterros e principalmente a menor vulnerabilidade dos geradores quanto às possíveis penalizações legais. Infelizmente, muitas construtoras ainda têm a visão errônea de que a questão ambiental, mais especificamente a gestão de resíduos sólidos, é um empecilho a mais no processo de construção.
Em tese, a quais sanções estão propensas as empresas que não fazem a gestão de resíduos?
Dentre os principais mecanismos legais destaca-se a lei 9605/98 (Lei de crimes ambientais), a qual define como responsabilidade administrativa multas que vão desde R$ 500,00 à R$ 2 milhões, dependendo da gravidade do crime. Tem também a responsabilidade criminal, com a reclusão de um a quatro anos - conforme descrito nos artigos abaixo:
Artigo 56 - Produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito substância tóxica, perigosa ou nociva ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos.
§ 1 Nas mesmas penas incorre quem abandona os produtos ou substâncias referidas no caput, ou os utiliza em desacordo com as normas de segurança.
O que precisa ser feito para tornar viável a gestão de resíduos da construção civil?
Cada ator envolvido (gerador, governo, iniciativa privada) deve fazer a sua parte. Ou seja, as construtoras devem não apenas apresentar seus projetos de gerenciamento de RCD, mas colocá-los em prática, evidenciando as ações de gestão dos resíduos. Por sua vez, as prefeituras, através das secretarias de Meio Ambiente e Urbanismo devem, além de gerenciar os resíduos dos pequenos geradores, lavrar normativas específicas que complementem a resolução CONAMA 307, procedendo a fiscalização dos grandes geradores (construtoras). Todavia, uma questão merecedora de maior atenção diz respeito à utilização do material agregado, oriundo do processamento do resíduo classe A (cimento, argamassa, cerâmicas, etc), que pela falta de demanda vem desestimulando a continuidade da atividade de processamento/reciclagem dos resíduos, assim como desmotiva a abertura de novos empreendimentos no setor. Nesse sentido, faz-se necessário a criação de incentivos para o incremento na utilização dos materiais agregados, destacando-se o papel do governo. Ele poderia captar boa parte desses materiais para utilização em obras públicas. Para permitir esta prática, regras e leis devem ser estabelecidas. A partir do momento que este segmento da reciclagem de RCD for fomentado, haverá maior fluxo de materiais e produtos finais, reduzindo os custos para todos os atores e promovendo o incentivo à destinação correta.
Se nada for feito, qual o cenário para essa quantidade de lixo oriundo das construções?
Hoje, a parcela de RCD corresponde a mais de 50% do total de resíduos urbanos. Não podemos mais conceber como destino final o aterro para os resíduos de construção e demolição classe A. É preciso prolongar o ciclo de vida dos mesmos, evitando novas áreas para bota-foras ou aterros específicos. O agravante, quando não há um bom processo de gestão, é que juntamente com os resíduos, a princípio considerados inertes, também podem existir outros resíduos com características de periculosidade (exemplo: restos de tintas e produtos químicos), trazendo riscos de contaminação do solo ou do lençol freático, provocando verdadeiros passivos ambientais. O que presenciamos durante muitos anos, e ainda é uma realidade, é o problema do assoreamento dos rios diante de destinações ambientalmente inadequadas.
Algumas prefeituras estão se preocupando e construindo usinas de reciclagem de resíduos da construção. Um bom exemplo ocorre em São Carlos-SP, onde a prefeitura local bancou uma usina e emprega detentos em sua operação. Esse é o caminho?
Por que não? Como já mencionei, as prefeituras são responsáveis pelo gerenciamento de RCD dos pequenos geradores, no âmbito do Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. Outras prefeituras também já encontraram alternativas interessantes para promover a logística de transporte e processamento dos resíduos, como é o caso de Belo Horizonte, onde são credenciados transportadores, inclusive carroceiros para o transporte de pequenas quantidades, licenciamento de áreas de transbordo e usinas de processamento. Além das iniciativas das prefeituras, também é necessária a participação da iniciativa privada, criando unidades de processamento para os grandes geradores, desde que o mercado para aplicação dos materiais agregados seja aquecido.
Como estão Curitiba e as principais cidades do Paraná nessa questão?
A Região Metropolitana de Curitiba já dispõe de unidades de processamento de RCD, as quais recebem os resíduos classe A, transformando-os em agregados, tais como areia, pedrisco, brita 0, 1, 2, 3, etc. Isso pode ser reutilizados nas obras, desde que não seja de aplicação estrutural. Em Ponta Grossa também existe uma unidade de processamento de RCD, porém o que se observa na maioria dos demais municípios paranaenses é uma lacuna neste setor, inexistindo usinas para o processamento do resíduo em questão, até mesmo por parte das prefeituras.
Uma alegação de quem recolhe esses resíduos - o pessoal das caçambas - é que junto com os resíduos vêm muito lixo doméstico e outros entulhos. O pessoal vê a caçamba e joga o lixo. Procede isso? Como fazer para evitar que isso ocorra?
Este é um problema cultural e de resolução mais difícil, principalmente quando a caçamba fica exposta e não restrita, onde a própria vizinhança se encarrega de contribuir com diferentes tipos de resíduos, prejudicando todo o processo de separação e reciclagem. Algumas transportadoras adotaram áreas de transbordo onde é realizada uma separação secundária dos resíduos classes A, B, C e, posteriormente, encaminham para o destino final. Porém, não é o ideal. O grande desafio é realizar a separação na própria fonte geradora. Para as obras de maior porte, onde os transeuntes não têm acesso às caçambas, a questão primordial é a realização de treinamentos entre os colaboradores do canteiro de obras, observando que o plano de treinamento deve ser realizado de forma contínua, considerando a rotatividade de pessoal existente no setor de construção. Nos projetos de gestão de resíduos de construção civil, o programa de treinamento deve ser contemplado. Para a elaboração e implementação dos projetos, ou mesmo na realização dos treinamentos, a construtora pode realizar de forma autônoma ou recorrer às empresas que prestam serviços de consultoria ambiental.
Como funciona no exterior a gestão de resíduos da construção civil. Há bons exemplos que podem ajudar o Brasil?
O modelo é a Alemanha, onde existem usinas para o processamento dos resíduos de construção antes mesmo de o Brasil sonhar em lavrar qualquer lei pertinente ao assunto. Além das usinas de processamento de resíduos, lá também é muito comum, e aí inclui outros países europeus, a doação de restos de materiais de construção, os quais são direcionados para centrais de distribuição, com o apelo social. Nesse campo, vale salientar uma experiência iniciada pelo Sistema FIEP no PR (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), que diz respeito à criação de uma bolsa social de materiais de construção civil, com o objetivo de captar materiais e sobras de construções e viabilizar a doação à Instituições carentes. O que se observa em todos os países, é que a situação ambiental vem sempre atrelada à questão social. Isto é uma tendência, um caminho sem volta, rumo ao processo de sustentabilidade das organizações.
Há um ranking ou uma lista positiva de construtoras que já fazem o Programa de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil de forma adequada? O senhor poderia citar alguns bons exemplos?
Infelizmente, ainda não são muitas as empresas que implementaram o PGRCC de forma efetiva na Região Metropolitana de Curitiba. Entre 2007 e 2008, o SENAI-PR, em conjunto com o SEBRAE e o Sinduscon-PR, através do programa Construindo o Futuro, contemplaram 21 construtoras com consultoria técnica para a elaboração do PGRCC, identificação e avaliação de potenciais receptores de resíduos, elaboração de um manual técnico, bem como treinamentos e ferramentas para uma efetiva gestão dos resíduos. Uma das empresas que vem se destacando em Curitiba é a Construtora Héstia, a qual conseguiu perceber todos os benefícios advindos da gestão de resíduos, no âmbito de uma construção sustentável. Os próprios colaboradores passam a trabalhar de maneira mais positiva em uma empresa que demonstra a responsabilidade sócio-ambiental.
Como órgãos como CREA e Sinduscon avaliam essa questão dos resíduos e o que eles estão fazendo para ajudar a solucionar o problema?
No caso do CREA, este pode estar auxiliando no processo de orientação das empresas, no sentido delas implementarem o PGRCC. No tocante ao Sinduscon, no caso de Curitiba, ele vem participando para repassar as informações para o maior número possível de empresas, através de palestras, cursos, além de firmar parcerias para a elaboração e implementação do PGRCC. Outra questão discutida com o Sinduscon é a possibilidade do sindicato buscar as opções para a destinação dos resíduos sólidos de construção, para minimizar os riscos de co-responsabilidade sobre destinações finais indevidas. Nesse caso, o sindicato faria o papel de intermediação, fornecendo as informações para todos os filiados, a partir das avaliações técnicas (auditorias) junto aos receptores. Outra questão é a necessidade de criar pequenas unidades de transbordo para alguns resíduos críticos, como é o caso do gesso (classe C), permitindo volumes mais expressivos, face às poucas opções de tratamento e que muitas vezes não apresentam viabilidade econômica, em função das gerações em pequenas quantidades e distantes do receptor final.
E as indústrias que produzem material de construção, de que forma elas poderiam ajudar nesse processo?
As indústrias, apesar de ainda não terem a obrigatoriedade de receber de volta parte dos resíduos, inclusive embalagens dos produtos, seria interessante, e até mesmo para fidelização da clientela, praticar a política de recebimento de determinados resíduos, como por exemplo o caso dos resíduos de tintas. Esta política deve ser mais exercitada, pois trás amplos benefícios. Nesse contexto, a política nacional de resíduos sólidos, a qual tramita no legislativo há 15 anos, e que muito em breve, espera-se, seja colocada em prática, trará grandes mudanças na logística reversa dos materiais, estabelecendo as responsabilidades de todos os atores envolvidos no processo. Além disso, outras iniciativas podem estar sendo trabalhadas. Neste caso, São Paulo saiu na frente e lá a indústria cimenteira tornou-se parceira de uma empresa de reciclagem de papel oriundo de sacos de cimento, sendo que a mão de obra é dos detentos de penitenciárias daquele estado. Este projeto é viabilizado através do FUNAP Fundo de Amparo às Penitenciárias de SP.
Email do entrevistado: Élcio Herbst, especialista em gerenciamento ambiental e atualmente gerente do SENAI-SJP: elcio.herbst@pr.senai.br
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Características e benefícios da argamassa estabilizada
Produto acrescentou limpeza e organização às obras, além de trazer agilidade e praticidade de manuseio aos trabalhadores da construção
Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes - Assessor Técnico Comercial Itambé
A industrialização de argamassas ocorreu na década de 50, mas somente nos anos 70 é que foi introduzida na Alemanha uma tecnologia revolucionária de argamassa pronta, capaz de ser embalada em recipientes e preservar por até 3 dias suas características de uso com a consistência desejada. Esta tecnologia convencionou-se chamar de argamassa estabilizada.
A argamassa estabilizada é uma argamassa úmida que vem pronta para o uso, podendo ser utilizada nas seguintes aplicações:
* Assentamento;
* Chapisco;
* Rebocos e emboços de interiores e exteriores;
* Regularização de pisos;
* Sacadas, soleiras e marquises;
* Rejunte de telhas;
* Enchimento de tubulações;
* Impermeabilização de locais inundáveis.
Normalmente, ela é composta por aglomerantes (cimento e/ou cal), areia, água e aditivos que a mantêm trabalhável, sem prejudicar suas propriedades no estado endurecido. A preparação desta argamassa inicia-se em laboratórios especializados, onde todos os materiais componentes passam por um rígido controle de qualidade e aceitação.
Posteriormente, são feitos diversos ensaios para a obtenção de uma argamassa que apresente as propriedades adequadas para cada aplicação, atendendo os requisitos normativos e a boa prática das obras. A produção é feita por centrais dosadoras e, desta forma, consegue-se obter um rígido controle de qualidade, o que garante a homogeneidade do produto e proporciona acabamentos com maior perfeição, diminuindo assim o risco de surgirem patologias.
Após a dosagem do produto, ele é transportado por meio de caminhões betoneira e colocado em caçambas com capacidade de 1/3 de metro cúbico, que servem para armazenamento e transporte dentro do canteiro da obra. Da mesma forma que o concreto, as principais propriedades da argamassa são controladas na própria na obra. No estado fresco analisa-se a consistência, densidade, ar incorporado e tempo de trabalhabilidade. No estado endurecido, estuda-se a resistência à compressão e aderência.
Dentre os benefícios que podem ser percebidos visualmente em uma obra que utiliza este sistema, podemos citar limpeza e organização, já que sua utilização evita a estocagem e manuseio de cimento, areia e cal na própria obra.
De acordo com o engenheiro Antônio César Lima, da Sial Construções Civis Ltda., o uso deste sistema também é fundamental para obras que necessitam de rapidez na execução. A agilidade e a praticidade de manuseio são algumas vantagens que devem ser observadas, pondera.
Outras vantagens da argamassa estabilizada, quando a comparamos com argamassas convencionais feitas em obras, são:
* Melhor homogeneidade resultando em melhor acabamento;
* Menor permeabilidade;
* Menor taxa de exudação:
* Facilidade carga e descarga;
* Não se faz necessário ter na obra, tomada d`água e eletricidade para instalar equipamentos;
* Maior rendimento do trabalho, por que evita parada da obra para o preparo da mesma;
* Maior precisão do custo da argamassa;
* Menor esforço do pedreiro o que conseqüentemente reduz o risco de problemas laborais;
* Retira do pedreiro a responsabilidade da fabricação.
No entanto, para o aproveitamento de todas as vantagens deste produto, é necessário uma boa informação e assessoramento nas obras. Por exemplo: deve-se cuidar para que a quantidade seja suficiente para uma jornada de trabalho, deixando sempre um estoque para iniciar os trabalhos no dia seguinte.
As peças de alvenaria devem estar na umidade adequada para aplicação da argamassa. Além disso, é preciso atentar para a altura das fiadas no assentamento. Em um mesmo dia não devem ser executadas muitas fiadas, para não correr o risco de amassar o cordão de argamassa das fiadas iniciais. Deve-se curar a argamassa, principalmente quando houver altas temperaturas ou ventos fortes. Em dias de chuva, deve-se suspender a operação quando a parede não estiver protegida, para evitar erosões nas juntas.
Geralmente, os incorporadores de ar e estabilizadores de pega para a fabricação de argamassa estabilizada são fornecidos por empresas de aditivos químicos existentes no mercado brasileiro.
Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Tempestade Comunicação
Dubai terá prédio giratório de 80 andares
Arranha-céu sustentável terá 79 turbinas eólicas para produzir energia entre os andares giratórios
Créditos: Vanda Pereira Cúneo - Assistente de Marketing

O primeiro projeto de um arranha-céu em movimento no mundo será construído em Dubai (Emirados Árabes), em seguida, outro será erguido em Moscou (Rússia). O anúncio foi realizado pelo arquiteto italiano David Fisher, que deixou clara a intenção de levar o projeto para outros locais.

O empreendimento de Dubai foi batizado de Dynamic Tower. O movimento giratório de cada andar ocorre de forma independente e será controlado por voz. Ele terá 80 andares e 420 m de altura. Os primeiros 20 andares serão escritórios. Entre o 21° e 35° pavimentos haverá um hotel de luxo. Os demais andares serão destinados à residências com áreas médias de 124 m². Entretanto, os apartamentos dos dez últimos pavimentos, nomeados de Villas, terão 1.200 m² cada, com a vaga do estacionamento dentro da unidade.
Em Dubai, o Dynamic Group, responsável pela obra, prevê a participação de 600 pessoas na fabricação dos pré-moldados e 60 técnicos no canteiro. Se o empreendimento fosse executado de forma tradicional, a empresa afirma que seriam necessários 2 mil trabalhadores. O empreendimento será entregue em 2010 e o investimento é de cerca de US$ 700 milhões.
O segundo Dynamic Tower está planejado para Moscou e já se encontra em fase avançada de projeto. A pré-estruturação das unidades terá início no 4º trimestre de 2008 e a conclusão da obra está programada para 2010. A construtora é a Mirax Group, administrada pelo construtor internacional Sergei Polonsky. A torre em Moscou será menor que a de Dubai, terá 70 andares e 400 m de altura. A área de 110 mil m² receberá escritórios, apartamentos e penthouses. Neste edifício serão investidos mais de US$ 400 milhões.
Pré-moldados
O Dynamic Tower será montado com peças pré-moldadas, que serão fabricadas na Itália e enviadas aos seus destinos. Essas peças chegarão ao canteiro com acabamento e também com sistemas elétricos e hidráulicos. Os segmentos dos pavimentos serão içados até a posição. O arquiteto italiano estima que a industrialização da construção do projeto provoque uma economia de 20%. "Cada andar do edifício pode ser concluído em apenas seis dias", afirma o arquiteto David Fisher.
A sustentabilidade também é um diferencial no projeto, que embute turbinas eólicas para gerar energia entre cada andar giratório. "O edifício é ecológico e o primeiro projetado para gerar a sua própria eletricidade, bem como para outros edifícios nas mediações", explica Fisher. No caso de Dubai, serão 79 turbinas. O arquiteto italiano pretende executar uma terceira torre em Nova York.
O Brasil também tem um edifício com andares que giram, independentemente, para a esquerda e para a direita. Entretanto, o Suíte Vollard, localizado em Curitiba, é menos complexo. Possui apenas 11 pavimentos.

Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Tempestade Comunicação
Construindo Melhor
Para reparar pequenas trincas (não estruturais) em paredes, segue a dica:
Abra a trinca 2 cm para cada lado e aproximadamente 1 cm de profundidade. Cole ou grampeie uma telinha de nylon (ou similar) no interior da trinca que foi aberta. Prepare uma argamassa com cimento, cal e areia na proporção 1:2:8. Prepare uma mistura de cola branca à água na proporção de 1:3 (cola:água) e adicione na argamassa, até adquirir a consistência desejada. Preencha a trinca aberta com esta mistura e faça o acabamento.
Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes - Assessor Técnico Comercial Itambé
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Arquitetura inclusiva abre as portas de casa
Brasil começa a descobrir que projetos residenciais precisam pensar nos idosos e nos deficientes

O progresso da medicina tem acarretado profundas mudanças no perfil demográfico da sociedade brasileira. Os idosos já representam cerca de 10% da população do país, com aproximadamente 24 milhões de pessoas. Até 2020, estima-se que mais de 30 milhões da população terão acima de 60 anos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Há ainda 25 milhões de portadores de algum tipo de deficiência, seja física ou mental, que, acrescidos à população idosa, têm estimulado mudanças na construção civil. Para eles surgiu a arquitetura inclusiva, já bem difundida na Europa e em países como Japão, Canadá e Estados Unidos, e que agora ganha espaço no Brasil.
O conceito deste novo segmento da arquitetura é simples: promover a inclusão social no ambiente construído.
Porém, pô-lo em prática requer a quebra de paradigmas no país. Um deles é que a aquisição de moradias no Brasil é baseada no custo, o que relega aspectos como qualidade, durabilidade, adequabilidade e conforto. A fim de mudar essa tendência, o Instituto Brasil Acessível (IBA) tem procurado influenciar os profissionais que desenvolvem projetos. Eles tem de ser instruídos para instituir a inclusão na construção. Somente os profissionais da área podem mudar essa realidade, explica a arquiteta Ana Paula Costa, responsável pelo desenvolvimento de projetos do IBA.
Segundo Ana Paula, as edificações públicas e os prédios empresariais, por conta do avanço da legislação, no que diz respeito às normas técnicas, já apresentam uma evolução significativa no aspecto inclusão. O problema maior, revela, está nas residências, sejam casas ou edifícios habitacionais. O nível de acidentes dentro das residências, por conta do descaso com a mobilidade, é muito alto. Trata-se até de uma questão de saúde pública, diz.
A mudança, avalia a arquiteta, se dará quando o brasileiro descobrir que sua casa é para a vida toda. No país, por conta da política de financiamento de moradia, as pessoas têm permanência prolongada na mesma habitação. Mas raramente é levado em consideração o envelhecimento humano e o descompasso que isto pode gerar no uso da casa. Os projetos habitacionais geralmente não abordam o futuro dos moradores, mas apenas seu presente, diz Ana Paula Costa.
Por isso o IBA passou a difundir o que chama de casa universal. A proposta é conceber habitações que acompanhem a pessoa por toda sua vida. Ela prevê a arquitetura inclusiva desde a concepção até a especificação dos componentes da construção, do acabamento e das características da iluminação. Segundo dados, um projeto concebido de forma universal sofre um acréscimo de 1% no valor da obra, enquanto que, se precisar ser adequado depois de construído, esse valor poderá saltar para 25%.
Para o IBA, o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida é uma boa oportunidade para popularizar a casa universal. O projeto já foi encampado pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) e pode se tornar padrão para outras companhias de habitação. O mercado está se posicionando neste sentido, avalia Ana Paula Costa, que vê com otimismo o futuro das habitações populares no Brasil. Estamos caminhando para, finalmente, ter casas com qualidade de vida, comemora.
Texto complementar
Os sete princípios da casa universal
1.º) Igualdade de uso
Todos, independentemente do grau de dificuldade de locomoção, devem ter o direito de ir e vir e de utilizar o espaço como os demais. Exemplo: rampa que comece no mesmo ponto que a entrada para os demais moradores da casa.
2.º) Flexibilidade de uso
Dar opções de métodos de uso de espaços e objetos, de acordo com as necessidades do usuário. Exemplo: Colocar campainhas e telefones em alturas que todos consigam tocar.
3.º) Uso simples e intuitivo
Acabar com a complicação desnecessária e permitir que o usuário use a intuição. Exemplo: escadarias com pequenas luzes ao longo dos degraus.
4.º) Informação perceptível
Melhora a legibilidade de informações essenciais. Exemplo: Se há degraus pequenos, sinalizá-los e demarcá-los.
5.º) Pouco esforço físico
Nem todo mundo precisa ser ginasta para poder andar em sua casa. Exemplo: tomadas mais altas que as habituais (45 centímetros em vez de 30 centímetros a partir do chão) e bancos dentro de elevadores empresariais.
6.º) Dimensões e espaços para aproximação e uso
Todos podem ficar confortáveis independentemente do jeito que pegam as coisas. Exemplo: evitar colocar um gabinete fixo debaixo da pia da cozinha ou do banheiro, pois alguém em cadeira de rodas não conseguirá se colocar em frente e utilizar a torneira.
7.º) Tolerância a erros
Chamar a atenção para perigos e prover características de segurança. Exemplo: escadas e anteparos sinalizados em espaços públicos.
O que é o Instituto Brasil Acessível
O Instituto Brasil Acessível (IBA) é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), cuja missão é promover a inclusão social por meio do ambiente construído, com atuação direcionada à promoção da educação, do desenvolvimento econômico e social e combate à exclusão, contribuindo para a integração dos indivíduos na plena cidadania.
Email do entrevistado: Ana Paula Costa, responsável pelo desenvolvimento de projetos do IBA: anapaula@brasilacessivel.org.br
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Inovação não é modismo, é prática
Pesquisador aponta caminho para que empresas adotem conceito não apenas no discurso, mas no dia a dia

O que se debate hoje é a capacidade das corporações de promoverem empreendimentos inovadores. Mas o que vem a ser Inovação, de fato? Muitas empresas aderem ao conceito sem saber ao certo o que ele significa. Por outro lado, há companhias no caminho certo, como mostram números da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), com sede em Brasília. O grupo já agrega 6.300 empresas com perfil inovador.
Entre o conceito e a prática, porém, há um longo caminho a ser percorrido. É o que explica o gerente de projetos de pesquisa no Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC), professor Ricardo José Ferracin. Para ele, existe o modismo da Inovação e a questão cultural da Inovação. A empresa precisa ter pessoas com capacidade inovadora para praticar a Inovação, diz o pesquisador. Confira a entrevista:
O que vem a ser inovação, de fato?
A definição clássica é você inserir com êxito um produto no mercado. A questão da Inovação está diretamente relacionada ao consumo de um produto. Esta é a grande questão: impactar o mercado consumidor.
Então Inovação está diretamente relacionada ao sucesso?
Exatamente. A questão do sucesso é fundamental. Mas não é só isso. O produto precisa fazer sucesso e ter capacidade de sobrevivência. E é aí que a Inovação Tecnológica precisa atuar. A organização precisa estar inovando sempre, mesmo em cima de um produto já lançado, a fim de ele continuar existindo no mercado. A essência da inovação tecnológica é isso: se manter no mercado.
Hoje virou modismo falar em inovação. Mas quando uma empresa pode dizer que está, de fato, adotando medidas inovadoras?
Eu concordo com a tese do professor José Cláudio Sirineu Terra, da Unicamp (Universidade de Campinas). Ele diz que a empresa precisa criar condições de propiciar o ambiente inovador. Aí é que o conceito começa a se separar do modismo. Então, um processo inovador precisa de tempo. Veja o caso dos países desenvolvidos. Eles já fazem isso há muitos anos. Lá a Inovação já é uma questão cultural.
Quais as medidas básicas para se começar a entrar para o universo da Inovação?
O primeiro passo é a empresa ter pessoas capacitadas e com visão empreendedora. Aqui cabe a redundância de que a empresa precisa ter pessoas com capacidade inovadora para praticar a Inovação. É preciso criar um ambiente de pró-atividade e perceber que a inovação tecnológica está intrinsecamente ligada à questão da sobrevivência no mercado. Se a corporação não inova, não coloca produtos novos e bons no mercado, seu concorrente vai conseguir pôr e ele vai perder mercado.
Como uma empresa pode atrair seu quadro de funcionário para um projeto consistente de Inovação?
A regra comum é que a empresa precisa conhecer muito bem o seu negócio e ter uma política de recursos humanos sólida. Ela precisa responder as três perguntas básicas: o que quer produzir, como vai produzir e para onde quer ir? A partir daí, ela precisa ousar na contratação de bons profissionais. Mas não é só isso. Tem ainda a questão do ambiente. O ambiente saudável, onde as pessoas têm condições de expor suas idéias e canalizá-las é um fator extremamente importante. Então, ela precisa ser uma encubadora de ideias. Mas na prática, isso é muito complicado. Se a empresa entra no foco só de produção, ela não para para refletir o que está sendo feito. Na verdade, a questão da Inovação está muito associada à questão estratégica da organização.
A adoção do conceito Inovação dentro de uma corporação funciona, mais ou menos, como a adoção de normas ISO ou são coisas diferentes?
Elas são coisas opostas. Na verdade, a Inovação muitas vezes vem para quebrar paradigmas. É um processo de ruptura muitas vezes. As normas servem para equilibrar a organização, mas muitas vezes engessam o processo e não propiciam caminhos para a Inovação. Então, inovar é um processo de gestão muito complexo. Quem quer adotá-lo precisa fazê-lo com cabeça e prudência.
Há necessidade de as empresas terem gestores de Inovação se quiserem aderir ao conceito?
Eu acho que não. O que a empresa tem de procurar é o método. Ela precisa criar o ambiente cultural e descobrir o seu próprio processo de inovação. Imagine se ela contrata um gestor para se conhecer. Isso a levaria a adotar métodos de outras companhias e não é isso que a Inovação prega.
Como se formam hoje os profissionais de Inovação no Brasil?
Existem alguns cursos universitários que já têm a disciplina de Inovação Tecnológica. Os cursos de engenharia, em especial, passaram a adotar essa cadeira. Mas não há ainda, no Brasil, um curso específico de Inovação Tecnológica.
O Brasil vive hoje um ambiente favorável para a gestão de Inovação?
Não sei nem se é favorável ou não, mas ou o Brasil faz isso ou ele sucumbe. Para o país continuar se inserindo no mercado globalizado ele precisa se renovar.
No que a crise mundial pode ser boa para amplificar a idéia de Inovação?
Dizem que a necessidade é a mãe de todas as invenções. Num momento de crise você tem que otimizar processos, produtos, então é onde as ideias têm que aflorar mais. Isso é uma coisa normal do ser humano. Quando ele sai da zona de conforto tem de produzir mais.
Onde a Inovação encontra um ambiente mais propício: na iniciativa privada ou nos governos?
Se você pegar os países desenvolvidos, verá que a inovação tecnológica está na indústria. No Brasil, a pesquisa está quase que limitada às universidades, que em sua maioria são federais ou estaduais. Então o país tem um modelo mais estatal e que transfere pouca Inovação para a indústria. Tanto que todos os especialistas da área comentam que o Brasil ainda tem pouca inovação, quer dizer, tem pouca inovação tecnológica na indústria. Compare o Brasil e a Coreia do Sul, por exemplo. Nos anos 70, os dois países tinham praticamente a mesma estrutura. Hoje, a Coreia deu um salto em número de patentes que eles produzem anualmente. Lá já existe toda uma filosofia de inovação tecnológica nas indústrias.
Entrevistado:
Ricardo José Ferracin: rferracin@lactec.org.br
Texto complementar
O que é o LACTEC?
O LACTEC - Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento - é um centro de pesquisa tecnológica, sem fins lucrativos, auto-sustentável, que por meio de soluções tecnológicas contribui e promove o desenvolvimento econômico, científico e social, preservando e conservando o meio ambiente.
Como entidade auto-sustentável, o LACTEC obtém recursos pela venda de projetos de pesquisa e desenvolvimento e de outros serviços tecnológicos. É responsável por todas as suas despesas com recursos humanos, instalações e demais custos necessários para sua operação, não estando vinculado, financeiramente, a nenhuma empresa privada, nem órgão ou empresa pública.
Foi certificado em 2000, pelo Ministério da Justiça, através da Lei 9.790, como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), que lhe permite, dentre outros desenvolvimentos, o de parceria com o setor público através da dispensa do processo licitatório.
Sediado em Curitiba, o instituto tem se destacado no desenvolvimento, aperfeiçoamento e aplicação de soluções tecnológicas, contribuindo para o progresso científico, econômico e social do país.
Em mais de 50 anos de vida dedicados à ciência e tecnologia, o LACTEC formou valiosas equipes de pesquisadores e especialistas, que são responsáveis pelo funcionamento de modernas unidades laboratoriais.
Como centro de pesquisa independente e auto-sustentável, o LACTEC representa um núcleo de divulgação científica e de transferência de tecnologia, contando com a criatividade de mais de 500 colaboradores.
O resultado de todo este complexo conjunto de idéias, máquinas e homens pode ser observado nas recentes conquistas, entre prêmios e patentes, alcançadas nos últimos anos.
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Por ano, Brasil gasta R$ 42 bi com acidentes de trabalho
Governo reforça fiscalização e estuda uma regulamentação mais ampla para amenizar problema
Os acidentes de trabalhos custam aos cofres públicos R$ 42 bilhões por ano, o que representa 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A informação é do coordenador da Comissão Tripartite de Saúde e Segurança no Trabalho (CSST), Remígio Todeschni. Para ele, o combate aos acidentes de trabalho pode ajudar a conter os efeitos da crise financeira internacional.
A preparação dos profissionais da área de saúde para a identificação de doenças e acidentes causados pelo trabalho é um dos principais desafios do grupo. Segundo Todeschni, a identificação correta das doenças do trabalho é um dos fatores que interferem no combate e na prevenção. O crescimento das notificações de 2006 para 2008 foi de 152%, devido ao melhor reconhecimento das doenças profissionais a partir de abril de 2007, afirma.
A reabilitação profissional dos trabalhadores acidentados é um dos pontos defendidos pelo coordenador. Temos que fazer com que as pessoas com incapacidades parciais sejam readmitidas no locais de trabalho, com mais qualidade, afirma Remígio.
O ministério do Trabalho Emprego tem investido nas análises dos acidentes de trabalho, para isso assinou um termo de cooperação com a Procuradoria do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Segundo o representante do ministério, Rinaldo Marinho, a pesquisa servirá de instrumento de prevenção de novos acidentes. Entre as principais ações desenvolvidas pela comissão estão reforço na fiscalização de acidentes, estudo de uma regulamentação mais ampla, e fortalecimento do diálogo social, para a criação de políticas públicas setoriais benéficas para os trabalhadores, patrões e governo.
Fonte: Agência Brasil
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Brasil já está entre os dez em pedido de registros de marcas
País sobe três posições no ranking de depositantes de patentes, passando da 27ª para a 24ª classificação
Com um total de 124.660 pedidos de marcas depositados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), em 2008, dos quais 70% de empresas nacionais, o Brasil é atualmente um dos dez principais países do mundo em termos de pedidos de marcas apresentadas. A avaliação é do diretor-geral do primeiro escritório regional da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi) no Rio de Janeiro, José Graça Aranha. Em relação aos pedidos de patentes feitos no país, o Brasil é líder na América Latina, com 26.232 solicitações no ano passado. Mas, no mundo em desenvolvimento, está atrás da China e da Coréia do Sul, por exemplo, embora muito próximo da Índia, disse Aranha.
De acordo com levantamento provisório divulgado pela Ompi, em janeiro deste ano, o Brasil subiu três posições no ranking de depositantes de patentes, passando da 27.ª para a 24.ª classificação. No grupo do Bric, formado por Brasil, Rússia, Índia e China, o relatório da Ompi revela que somente a China e o Brasil mostraram aumento no número de pedidos de patentes internacionais em 2008 em relação ao ano anterior. O total de depósitos brasileiros subiu de 396 para 451, superando países como a Irlanda (444) e a África do Sul (382).
José Graça Aranha avaliou que o Brasil completa, na próxima semana, 200 anos da primeira legislação de propriedade intelectual com avanços ao longo do tempo. O Brasil foi um dos primeiros países a adotar uma lei sobre a matéria, em 1809. Sem dúvida que ao longo desses 200 anos o marco jurídico desenvolveu enormemente, disse.
Ele afirmou que o sistema vai continuar a ser aperfeiçoado, como vem sucedendo nos últimos anos. Existe hoje uma maior conscientização sobre a importância da proteção da propriedade industrial. Nós temos que trabalhar para que esse tema seja desmistificado e que as empresas e as pessoas possam usar esse sistema de uma maneira mais eficiente.
O que precisa, segundo indicou o diretor-geral da Ompi, é o sistema ser desenvolvido no sentido de que ele seja menos caro para os titulares das marcas, das patentes, dos desenhos, enfim, das criações. Para que o usuário possa, por todos os meios que existem hoje em dia da informática, da internet, ter mais acesso e proteção em tempo mais curto e gastando muito menos. Explicou que isso pode ser feito a partir do estabelecimento de mecanismos que façam com que a parte burocrática seja menos custosa para o titular da marca.
O Escritório de Cooperação Técnica e Capacitação para América Latina e Caribe da Ompi vai trabalhar para desenvolver mecanismos que reduzam os custos e facilitem a vida dos usuários, afirmou José Graça Aranha. Por outro lado, externou pessimismo quanto à evolução, este ano, de um acordo internacional para proteção de recursos genéticos, de folclore e de conhecimento tradicionais, como desejam o governo brasileiro e outros países da região.
O assunto está na pauta da Ompi há oito anos, mas os avanços não têm sido grandes. Aranha assegurou que a questão é importante para o Brasil porque poderá refletir em outras áreas, como a biodiversidade. Na minha opinião pessoal, acho que não deve haver uma grande mudança. Com relação ao governo brasileiro e outros governos interessados no tema, existe uma mobilização para que haja progresso nessa áreas, porque elas são importante para o desenvolvimento do país. Nós temos quase um quarto da biodiversidade do planeta, disse.
O escritório regional vai prestar serviços aos usuários do sistema de propriedade industrial, que são os inventores e empresários, e aos governos. Ele dará assistência aos países, por exemplo, que desejarem melhorar a implementação dos sistemas de marcas e patentes, atuando também na arbitragem e mediação de conflitos.
Fonte: Agência Brasil
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Marketing imobiliário materializa sonho da casa própria
Venda na planta, abundância de crédito e consumidores seletivos fazem construtoras revolucionarem a maneira de vender imóveis

O setor imobiliário brasileiro vive uma fase de superaquecimento. Com a grande oferta de crédito, a cada semana surgem empreendimentos novos e a disputa por clientes se intensifica. Para conquistá-los, o marketing tornou-se indispensável. Sobretudo porque a venda de imóveis na planta tem atraído mais compradores do que a tradicional oferta de prédios prontos. Só em Curitiba, 50% dos imóveis de um empreendimento são vendidos na planta, revela a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Paraná (Ademi-PR).
Por isso, os argumentos de venda mudaram. Antigamente, trabalhávamos com 30% da verba de marketing para lançamento e os outros 70% para todo o período de obras. Hoje é o inverso. Trabalhamos com cerca de 60% da verba de marketing no lançamento e os outros 40% durante o período de construção. Este maior esforço de marketing é na fase de pré-lançamento. Isto exige das empresas mais criatividade na forma de apresentar o imóvel ao cliente,, diz Gustavo Selig, presidente da Ademi-PR.
Outro fator novo que se impôs ao marketing imobiliário é que o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida passou a vender o sonho da casa própria a pessoas que, até bem pouco tempo atrás, nem sonhavam em comprar um imóvel. Isso muda o foco, diz o engenheiro Alessandro Emílio Valmorbida, da Construtora Viero de Erechim/RS . Existia o marketing de alto padrão e agora o marketing vai ter de mudar o discurso. Ele vai ter de dizer: olha, você está pagando aluguel e dando dinheiro a outra pessoa. Então, deixe de pagar aluguel, financie seu imóvel e pague pelo que é seu.
Isso não significa que as construtoras vão deixar de priorizar as classes A e B. Pelo contrário, o marketing nessa área tende a ser cada vez mais ousado. A ponto de, para obras de alto padrão, não existir mais estandes de vendas. O que há agora são showrooms, e as ações de marketing realizadas em seu interior ganharam ares de superprodução. São pocket shows, desfiles de moda, presença de celebridades, oferta de brindes e outras atrações que têm a finalidade da busca pelo impacto. O marketing nessa área está cada vez mais agressivo, explica Antonio Galindo Moreno, da Construtora Galmo de Londrina/PR.
Galindo Moreno lembra, porém, que o mercado consumidor também está mais seletivo e que empresas tradicionais tornam-se menos dependentes do marketing. Problemas que houve num passado recente, com empresas falindo e não entregando as obras, deixaram o consumidor mais esperto. Hoje ele quer saber de quem está comprando, qual a tradição da empresa, quais as garantias. O seguro entrega, por exemplo, tornou-se, por si só, um grande produto de marketing para alavancar vendas na planta, afirma o construtor.
Em evidência, o marketing imobiliário mudou também o comportamento das agências de publicidade e de grupos de comunicação. Certamente, hoje o mercado imobiliário é responsável por boa parte da alocação de recurso das áreas de comunicação, mídia e marketing. Então, isso fez com que as agências se especializassem no mercado imobiliário. Só que o mercado imobiliário é muito particular. Não basta apenas uma agência querer trabalhar com este setor, ela tem que saber trabalhar com ele, lembra Gustavo Selig.
No ano passado, as dez maiores do segmento da construção civil do país gastaram algo em torno de R$ 480 milhões com marketing imobiliário. Segundo Antonio Galindo Moreno, as ações precisam ter os pés no chão. Não podemos esquecer que a empresa deve cumprir aquilo que foi divulgado, ressalta, numa evidência de que, conservador ou arrojado, o marketing imobiliário veio para ficar.
Entrevistados:
Alessandro Emílio Valmorbida: qualidade@viero.com.br
Antonio Galindo Moreno: galmo@galmo.com.br
Gustavo Selig, presidente da Ademi-PR: contato@memilia.com
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Sistemas construtivos vão definir o sucesso do Minha Casa, Minha Vida
Programa habitacional do governo federal estimulou a realização de um seminário sobre as melhores formas de erguer casas boas, duráveis e baratas

O pacote habitacional Minha Casa, Minha Vida estimulou a realização de um seminário intitulado Tecnologias e Sistemas Construtivos para Obras Econômicas. A questão central do debate foi: como executar condomínios com grande número de unidades, pouca variação de tipologia e margem de lucro apertada?
Incorporadoras, construtoras, órgãos públicos e fornecedores buscavam essa resposta e ela veio através de um dos palestrantes do simpósio: o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) Cláudio Vicente Mitidieri Filho.
Engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP, doutor em engenharia de construção civil e urbana pela mesma escola e coordenador e professor da área de Tecnologia em Construção de Edifícios do Programa de Mestrado Profissional em Habitação do IPT, Cláudio revela as novas tendências da engenharia para habitações na entrevista a seguir. Confira:
O seminário do qual o senhor fez parte debateu os sistemas construtivos que podem ser aplicados no pacote Minha Casa, Minha Vida. Já há consenso sobre qual o melhor sistema para erguer casas populares?
O seminário não tratou exclusivamente do programa federal, mas apresentou um conjunto de alternativas que existem no mercado de sistemas e que podem ser aplicados em construções de habitações. Da minha parte, tratei dos aspectos tecnológicos, da necessidade de avaliar os produtos antes de empregá-los em uma obra e quais os principais aspectos técnicos envolvidos em sistemas construtivos.
Até que ponto as diferenças regionais devem ser levadas em consideração na opção dos sistemas construtivos a serem adotados em construções habitacionais?
De forma geral os aspectos ligados à segurança já estão hoje padronizados em todo o país. Mas os aspectos de conforto, esses sim estão mais regionalizados. Um aspecto que é bastante influenciado pelas diferenças regionais é o do conforto térmico. Outro item é o da durabilidade. Por exemplo: se a construção for numa região urbana terá um certo comportamento, se for numa área litorânea terá outro comportamento. Então, esse debate também é importante para se definir os sistemas construtivos a serem adotados.
Casas de fôrma, casas 1.0, casas em pré-moldado... o senhor acha que o Minha Casa, Minha Vida seguirá esses projetos ou poderá adotar sistemas construtivos alternativos?
Tem uma grande quantidade de sistemas no mercado que poderão ser utilizados neste programa. Entre eles, sistemas com paredes de concreto feitos com fôrmas metálicas na obra, casas feitas em painéis pré-fabricados, painéis de concreto, painéis com elementos cerâmicos, casas em sistemas leves de construção. Enfim, tem vários sistemas leves de construção sendo debatidos. Há até casas que empregam produtos em PVC junto com concreto. Mas na realidade o que se busca hoje são os sistemas construtivos mais industrializados. A tendência é de industrialização da construção de sistemas que possam ser feitos de uma maneira mais rápida e que consigam, num espaço menor de tempo, uma produção maior. Isso sem esquecer, obviamente, a qualidade, o desempenho e a sustentabilidade.
Hoje, a questão da sustentabilidade influencia quanto nos sistemas construtivos?
A tendência é influenciar não só o sistema construtivo, mas todo o ambiente construído, todo o entorno. Então, programar um conjunto habitacional hoje exige que se preocupe não apenas com a sustentabilidade da unidade em si, mas com a questão da sustentabilidade da edificação como um todo e do conjunto habitacional como um todo, e de toda a sua interface com a questão urbana. Esse é um aspecto extremamente importante para ser considerado.
A escolha de um sistema construtivo ideal terá de levar em consideração também a questão da mão-de-obra, correto?
Eu diria que precisa levar em consideração, além da mão de obra, a qualificação desta mão de obra. Tem de estar embutido na questão do sistema construtivo com qualidade, desempenho e rapidez o fator qualidade da mão de obra. Ela precisa ser treinada e capacitada para encarar um programa habitacional de envergadura como é, por exemplo, o Minha Casa, Minha Vida.
Um sistema construtivo precisa também se preocupar com o desperdício. Neste quesito, os pré-moldados seriam a melhor opção?
Não tenha dúvida de que tem de haver a preocupação com o desperdício, tanto no que se refere ao pré-fabricado quanto nos ditos convencionais. Qualquer sistema que se proponha hoje pela racionalização precisa evitar o desperdício. Daí, lógico, a tendência é que os pré-fabricados saiam na frente neste quesito.
Hoje a tecnologia do cimento no Brasil está bem evoluída. Sob esse aspecto, no que ela pode ajudar a baratear os sistemas construtivos no país?
Eu acho que tem que começar a desenvolver, a aprimorar e a difundir mais a tecnologia do concreto. A indústria de cimento pode auxiliar as empresas a desenvolverem produtos com as tecnologias adequadas de concreto. Hoje o concreto na construção tem várias figuras. Temos o concreto comum com mais resistência, o concreto de corporação de ar, o concreto com agregado leve. Enfim, a tecnologia do concreto permite tipos diferentes através dos mesmos materiais. Ele pode variar através de aditivos usados, tempo de mistura, relação água e cimento. Então, precisa haver um investimento das empresas na questão da tecnologia de concreto para torná-lo um material cada vez mais confiável e, por que não, barato.
Para finalizar, qual o futuro dos sistemas construtivos diante do apanhado de ideias que o senhor expôs nesta entrevista?
Acho que eles vão ter de se preocupar cada vez mais com a questão da industrialização, com a questão da racionalização dos sistemas, da qualidade e do desempenho desses sistemas. Quando a gente fala em sustentabilidade temos que estar preocupados com a durabilidade. No caso do programa Minha Casa, Minha Vida, tratam-se de unidades que vão ser financiadas em longo prazo. Então, um aspecto relevante é a durabilidade. Outro detalhe importante é a sustentabilidade da construção. Vai ser essa combinação que vai aprimorar os sistemas construtivos das obras.
Email do entrevistado: Cláudio Vicente Mitidieri Filho: claumit@ipt.br
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação